ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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OS AMIGOS DA ONÇA

Inconformados com a sua ausência das fotografias do Rui Mouga, de que foram apagados por modernos e avançados métodos de processamento digital de imagem, os autores reagem com este artigo. Notemos que tudo isto se sucede à famosa polémica da inexistência de convites para ir beber umas ginjinhas ao Montês na década de sessenta (assunto nunca cabalmente esclarecido...). JJ
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Caro Rui:
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Não te perdoamos não estarmos em nenhuma dessas fotografias, nem eu, nem o mê "Jaquim" (o Oliveira)..............pelos vistos iam todos para a "borga" e só agora é que descobrimos, estes" Amigos da Onça" !!!
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Só estás perdoado desde que vás ao próximo almoço, mas antes disso já está combinado, há algum tempo, encontrarmo-nos algures, não é???
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Vais ter uma foto surpresa......
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Um abraço.
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Júlia e Oliveira

Bia , Mil-Homens , Manuel Teotónio , Júlia , Rui Mouga , Melita
USSEIRA 1965

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COMENTÁRIOS
01-07-2008
Rui Mouga respondeu:
Amigos Julia e Oliveira (Usted)
Penso que a culpa de Vocês não estarem em nenhuma das fotos que tenho em arquivo se deve ao facto dos Bons Alunos não terem tempo para um pouco de "borga" dado o muito que estudar.Tenho fotos tuas e do Oliveira mas essas já foram publicadas no Blog respeitantes ao nosso passeio de finalistas a Espanha.
Penso estar presente no próximo almoço.Antes disso, e como em tempos combinei com o Quim,vamos encontrar-nos no Baleal para uma sardinhada.A partir de meados deste mês já conto lá estar.Eu darei noticias.Beijinhos e abraços.
Ah!já me esquecia,se depois quiserem levar o João Jales terei muito gosto.Rui Mouga
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01-07-2008
Júlia respondeu:
Para o Rui Mouga: tudo bem, a partir do meio de Julho lá vamos e levamos o Jales. Queres que leve ginginha de Óbidos ou tens do Sanguinhal? Nunca provei,não sei se será melhor.....se calhar o melhor será provar as duas!! Que acham?? O problema é que agora´há por aì uns senhores que têm um "balão"para ver como estão os condutores. Imaginem ,se há uns bons anos atrás houvesse "balões"!! Lá tinham os papás todos que ir buscar os meninos do ERO às" grades".....
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Para o João Jales: Não percebo essa estória de voltarmos á ginjinha.......já te convidei várias vezes e ainda não apareceste! Tem cautela porque se te atrasas ficas a " ver navios"...............mas afinal quando temos as mesinhas e um cafézito na" Tascomanias" ou o que lhe quiserem chamar? Já por aí passei a pensar que haveria algo que se bebesse e nada.....Então fica combinado , vamos à sardinhada do Rui Mouga, já que ele tanto insiste, não achas bem?
Um abraço para todos os Ortigões e boas férias.Júlia
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30-06-2008
Laura Morgado disse:
Não era só a Ginginha...outras bebidas serviam! Nas noites de Primavera (algumas quentes), depois de muito estudo... para os últimos testes, e alguns passeios na praça da fruta, uma cervejinha também servia.
Votos de boas férias e uma “sardinhada”divertida!!!
Beijinhos para todos. Laura (Os meus queridos colegas não me conhecem por Laura Morgado,é só Laura .Para alguns também Laurinha.)
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04-07-2008
Rui Mouga respondeu:
Amiga Júlia: Podemos ter as duas ginjas e fazer a eleição de qual é a melhor.Como prémio final para a eleita oferecemos como prémio uma garrafa de "ginja".Que tal achas bem? Fico a espera que o Quim diga quando estão disponiveis para acertamos agulhas.
Também quero aproveitar esta ocasião para saudar a nossa amiga Laurinha.Afinal sempre vai aparecendo alguém a dar noticias.Beijinhos para todos.
Até breve.Rui Mouga.
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05-07-2008
Laura disse:
Rui: Obrigado pelas saudações!!!!Votos de umas boas férias e cuidado...a “ginja” é uma bebida muito calórica para o Verão. Laura
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30-06-2008
João Jales disse:
Esta nova fotografia exala um perfume a feno, caruma e flores campestres, que claramente contraria o tom cinzento monástico com que são habitualmente "pintados", por alguns cronistas, os dias dos alunos do ERO nestes anos de 1960 a 1965 .
Uma Júlia que esconde um sorriso travesso (porquê?), uma romântica e sonhadora Melita (sonha com quê?), uma invulgarmente provocadora Bia (qual deusa da fertilidade num ritual pagão), um Manuel Teotónio languidamente absorto, numa atitude que contrasta com o ardor com que o Rui Mouga trinca a maçã...
O fotógrafo foi claramente perturbado pelo ambiente pesado que aqui se respira e cortou cabeças, ao não conseguir enquadrar a imagem na máquina.
Comentários?
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01-07-2008
Júlia esclareceu (?):
Esqueci-me de comentar a foto,seria por ter ficado tão emocionada com todos aqueles comentários que um certo senhor fez?
De momento não me recordo quem seria o fotógrafo mas alguém que implicou,ainda antes de conhecerem, com uma menina que mais tarde andou também no ERO,a Filipa Ribeiro (é a menina com a cabeça cortada).
Provávelmente deveriamos ter ido fazer um piquenique ,mas também não entendo porque apenas o Rui está a comer a maçã (será a maçã de Adão),e nós o que comeriamos?Confesso que não sei.Cada um que ponha a sua imaginação á prova!!!!!! Adeus até ao meu regresso.Beijinhos. Júlia

FOTOGRAFIAS DA TURMA DE FINALISTAS DE 1965 (RUI MOUGA)


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De acordo com o teu pedido,vou tentar indicar os nomes dos vários colegas nas fotos que enviei.


A primeira da equipe tem a seguinte constituição, partindo da esquerda para a direita em pé:

Artur Mata Carlos,Vitor Correia, ??,Santa Barbara,Vitorino,Rui Mouga.

Na mesma ordem mas de joelhos:

Carlos Calisto,??,Gil(Tatu),Eladio(Lecas),João Mário eRigor.

Da esquerda para a direita temos:
- sentados o Matias(Caturrinha) e o Eládio (Lecas)
-no friso das meninas temos a Graciete, a Guida, a Mélita Teotónio, a Isabel Conceição e a Bia Teotónio.
- a seguir o Alberto Mil-Homens (já falecido) e o Rui Mouga
-junto ao Patrono temos o Eduardo Carvalho da Silva( irmão da Guida, conhecido pelo "Canino") a seguir também não me ocorre o nome mas conhecido pelo "Cai Nelas". Por último o nosso amigo Sérgio Liberman.


A terceira são os elementos da anterior, mais o Luis Faria.



Temos depois a equipe dos "Alfas" com Veiga,João Mário e Castanheira(Irmão da Isabel da Livraria) em pé.De joelhos o João Santa Barbara,Rodrigues Lobo e Rui Mouga.


A quinta foto e da esquerda para a direita temos o Veiga,Castanheira,Rui Mouga,Alberto Mil-Homens e, encoberto, o Campos.Ao fundo podemos ainda ver a carrinha do colégio.

Na número seis, a que dei o nome "descansando no Parque", temos sentados no chão o Vitor Correia o Santa Barbara e o Rodrigues Lobo.Em pé o Rui Mouga carregando o João Mário e o Mário Sequeira.


Na sétima foto como podem ver é a equipe "Alfas" à paisana.junto do gradeamento do colégio lado das meninas.




Por fim a oitava inclui os mesmos colegas da segunda e terceira fotos, embora por ordem diferente.
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RUI MOUGA

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COMENTÁRIOS

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30-06-2008
JJ disse:
Queixou-se o Rui Mouga, num comentário recente, da pouca participação dos seus contemporâneos neste Blog. Têm aqui a oportunidade de "aparecer", já que os pretextos para comentários são muitos nesta série de fotografias. Poderá o Rui esclarecer se são todas de 1965?
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30-06-2008
Isabel V P disse:
Aí vai uma pequeníssima achega: na 1ª fotografia, o 1º futebolista da esquerda, de cócoras é o Carlos Calisto. Lamento mas não consigo identificar mais niguém.Um abraço, em especial para o Rui Mouga, que não vejo desde essa altura. Isabel V.P.
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30-06-2008
Rui Mouga disse:
Caro João Jales
Obrigado pelos mails enviados e pelas fotos publicadas. De acordo com o pedido sobre o ano em que as fotos foram feitas, penso que sejam de 1963 ou 1964, pois tenho vaga ideia que andavamos no 5ºAno. Mas poderá acontecer que alguns dos fotografados possa dar uma achega.
Quero daqui também enviar um abraço à Isabel V.P. . Pode ser que no próximo encontro ERO em 2009 lá nos encontremos. Boas férias para vocês.
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30-06-2008
Júlia Ribeiro disse:
Não te perdoamos não estarmos em nenhuma dessas fotografias, nem eu, nem o mê "Jaquim" (o Oliveira)..............pelos vistos iam todos para a "borga" e só agora é que descobrimos, estes" Amigos da Onça" !!!
Só estás perdoado desde que vás ao próximo almoço, mas antes disso já está combinado, há algum tempo, encontrarmo-nos algures, não é???
Vais ter uma foto surpresa......
Um abraço

Júlia e Oliveira.
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30-06-2008
Laura Morgado disse:
Os meninos passeavam muito...não convidavam nem contavam!!!No parque era à hora de almoço, enquanto eu tinha que ir a casa.Na Usseira era outra coisa, no intervalo do estudo... decerto. Eram todos muito aplicados.Estas fotos enchem a minha alma de recordações...Tirando o Rui Mouga que vi no Sanguinhal há um ano, nunca mais vi ninguém.Beijinhos para todosLaura
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COMENTÁRIOS FINAIS

Estes são os comentários ao artigo do João Bonifácio Serra, publicado abaixo e que não devem perder. Mas também ao tema desse texto, o final da série sobre "Os Locais De Encontro Da Juventude Caldense 1945-1974". Estão aqui para facilitar a publicação e para permitir a todos ver imediatamente as actualizações diárias que têm surgido.
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C O M E N T Á R I O S

30-06-2008

Ana Nascimento disse:

Bonifácio:
Embora tarde, não quero deixar de te dizer quão grata foi para mim a leitura dos teus “pontos de encontro e reencontro”….
Tantas vivências mencionadas ao longo destas semanas ….. umas semelhantes… outras diferentes…. e tu de um modo muito simples conseguiste mostrar que, no fundo, em todas há um pouco do ERO.
Concordo plenamente contigo, o ERO, que eu recordo com alguma nostalgia e muita saudade, foi o nosso principal ponto de encontro ….
Fechaste com chave de ouro…. obrigada rapaz.

28-06-2008

Ana Nascimento disse:

João Jales:
Quero dar-te um abraço muito grande, onde vai todo o meu reconhecimento pelo que tens feito . Não to disse na altura, mas o teu artigo sobre a ida à Foz está um espanto…. Como me fizeste reviver essas manhãs de nevoeiro … estava lá tudo … até a D. ______ com a sua condução muito especial !!!!! bem … nem tudo… tiveste um bocadinho de azar pois nesse dia, as rochas não estavam vazias e não pudeste deliciar-te com um banho naquelas piscinas naturais ou com então ires apanhar mexilhão… ihihiih
Tu não deixes de escrever rapaz , tens uma maneira muito especial de o fazer … tu agarras-nos à leitura e só ficamos descansados quando a terminamos…

27-06-2008

São Caixinha disse:

Li com prazer a excelente análise do João B. Serra que concluí com elegância a série de depoimentos. As estórias dos Locais de Encontro foram contadas com tanta autenticidade (creio que até as inventadas são verdadeiras!) que não foi nada difícil reencontrar-me por todos aqueles locais onde teimo em acreditar que só fui feliz! Até foi possível imaginar-me nos locais onde nunca estive e onde sem sombra de dúvidas também só poderia ter sido feliz! Isto é nostalgia! Sonhar a olhar para trás...e faz bem á alma!! Obrigada a todos por ter partilhado com tanta honestidade e carinho! João os meus parabéns pela ideia e a magnífica realização! Bjs, São Caixinha

27-06-2008

Zequinha Pereira da Silva disse:

Terminar os Locais de Encontro é uma maldade do JJ... acho que a iniciativa deveria continuar para recolha de mais testemunhos; até porque há gente que ainda não teve a oportunidade de participar. Acho que seria de manter como tópico permanente, ainda que não exclusivo, do blog. Se não falarmos da nossa saudade vamos falar de quê? Seria interessante, por exemplo, a construção dum "Procura-se vivo e dão-se alvíssaras...." onde cada um pudesse ir fornecendo as suas "coordenadas" actuais.Tenho receio que uma orientação sequencial temática "feche", demasiado depressa, o potencial do blog....abrem-se sugestões?

26-06-2008

Chico Carrilho disse:

Olá. Os "LOCAIS DE ENCONTRO DA JUVENTUDE CALDENSE" foi, de facto, um sucesso. Foi com alguma emoção e bastante nostalgia que, quase diáriamente, fui acompanhando os relatos dos intervenientes. É claro que acabei sempre por me identificar mais com aqueles que reflectiam uma realidade na qual eu também participei, e daí a minha única intervenção aquando do "MUCH", que o Mário Xavier nos recordou. Peço, desde já, desculpa pela minha fraca participação, mas quero deixar bem claro que sou um leitor assíduo e interessado do blogue. Aproveito também para felicitar alguns bloguistas, tais como: o João Bonifácio , o Zé Carlos Faria, o Pereira da Silva, o João Jales, não só pela produção de textos interessantíssimos, mas também pela qualidade literária dos mesmos.

Queria também saudar as "irmãs Caixinha" (São e Isabel) pelo carinho e a força que transmitem nos seus comentários e que, apesar de estarem fisicamente longe há já bastantes anos, continuam com o E.R.O. e as Caldas bem perto do coração. Um abraço. Chico Carrilho

27-06-2008

Isabel Caixinha disse:

…depois li o artigo do Bonifácio e, como sempre, é um enorme prazer segui-lo na sua apreciação, desta vez do reencontro!
E por fim agradeço-te imenso, e a todos os colegas, as recordações que vieram soltar, as estórias que partilharam, e a possibilidade de vos reencontrar e podermos juntos reviver um tempo, em que eu tendo perdido muito dessa convivência, a venho aqui reaver através de todos vós !Mais vale tarde que nunca!
Fico ansiosa á espera da nova “série”, muito feliz com a participação de tantos outros ex-colegas, e desejando que Setembro chegue!
Até à próxima!

26-06-2008

Rui Mouga disse:

É com imensa pena que vejo acabar esta primeira fase do nosso Blog. Sinceramente gostei de alguns artigos, não tanto de outros, mas no geral penso que se ficou com uma ideia do que foram "os outros tempos " no ERO. Pena é que muitos dos antigos colegas dos principios dos anos 60 não tivessem dado um ar da sua graça... Para, pelo menos, sabermos do seu paradeiro. Pode ser que na "reabertura" das próximas aulas eles apareçam.

Foi pena que não tivesses publicado as fotos que mandei, possivelmente fica para outra altura.

Boas férias para todos e até "ao meu regresso".

Um abraço do Rui Mouga

(RESPOSTA: As fotos do Rui não estão esquecidas, são o próximo artigo do Blog e já têm um álbum próprio. As férias do Blog serão apenas em Agosto, estamos "abertos" em Julho. JJ)

26-06-2008

Jorge disse:

Este texto é realmente muito bem escrito, como é habitual nele. Só não sei se concordo com o facto de não termos locais diferentes dos nossos Pais (também gosto da música, foi boa ideia tê-la aqui disponível): o Ferro Velho, a Azenha, a Floresta, a Ginginha, a Biquinha, etc, não eram frequentados pelos nossos Pais.

(RESPOSTA: Se releres com mais atenção o 3º parágrafo verás que não tens razão, o autor não disse isso. A frase que lá está é : "Alguns outros fomos nós a descobri-los, a inventá-los." Nada no texto é equívoco, que fala na descoberta de novos Locais.)

26-06-2008

Anabela Miguel disse:

Plenamente de acordo com a Paula, foi um verdadeiro reviver de sentimentos e emoções… muita saudade mesmo!!!A tua ideia, João, para os Locais de Encontro foi muito interessante, e fiquei feliz por ter contribuído um pouco com as minhas memórias de juventude.Todos os depoimentos fizeram-me passar momentos de leitura muito agradáveis e confesso que senti uma doce nostalgia.

Continuem a colaborar no nosso blog para que ele possa continuar sempre em chama.João continua com essa coragem e persistência e que venham mais colaboradores.Um abraço. Anabela Miguel

26-06-2008

Anabela Afonso disse:

Desde o almoço da lareira que voltei à adolescência e juventude.

- Voltei ao E.R.O., com travessuras e cumplicidades;

- Voltei ao Casino, à Zaira, à Talia, às festas particulares ......

- Revi as carinhas jovens e acontecimentos guardados nas minhas memórias;

O mentor de tudo isto guiou-nos duma forma fantástica numa retrospectiva ao passado, aproveitando este local de encontro, tão alargado, que as novas tecnologias nos proprorcionam. Parabéns JJ, por manteres activamente tudo isto. Continua !!!!!!!


25-06-2008

Isabel Sousa e Silva disse:

Viagem

Ao longo de algumas semanas o blog foi "invadido" por recordações de uma época marcante para todos nós – a juventude. Depoimentos vários foram surgindo e provocando aquela "saudável nostalgia" dos tempos que já lá vão e, ao mesmo tempo, uma desmesurada alegria por os podermos reviver. E só posso dizer que a viagem foi maravilhosa!

Estive de novo em salas de aula do ERO, brinquei no parque, assisti a partidas de ténis, corri cafés onde há muito não entrava, ouvi música na Tália, dancei no Casino e joguei cartas,Comprei cromos, andei de boleia até à Foz... e até consegui entrar no espaço do Much Money Group (com um bolinho, claro!)- isto, só para aguçar a curiosidade de quem não viajou comigo.Aos que me acompanharam neste "passeio pelo ontem" tenho de agradecer a companhia e os momentos de alegria que me proporcionaram. Não vou nomear (foram todos excelentes) mas não posso deixar de mencionar o organizador, que tão bem nos guiou.

Para ti, João Jales, um beijinho de parabéns e um obrigada pela forma como tens conseguido manter este espaço vivo e activo.

Hoje, terminada esta viagem, não vou desfazer as malas das recordações. Vou ficar aqui na paragem, à espera da próxima, que desejo que seja muito em breve.Belão

25-06-2008

José Luís Alexandre disse:

Como mencionei no meu depoimento, por pouco não fui aluno do ERO. As razões tiveram definitivamente muito a ver com questões de religião. Afinal não era apenas a questão da assistência ou não às tais missas semanais. É que, relendo a minha ficha de inscrição encontrada lá no sotão na casa do Chão da Parada, e parcialmente preenchida no Verão de 68, lá está a parte relativa à «formação cristã». Se exceptuar a data do baptizado, não estava, e não estou passados estes anos todos, em condições de responder a nenhuma das perguntas. É que, coisas como Crisma, Catequese ou (transcrevo) Profîssão Solene de Fé não fazem ainda parte do meu CV. E as propinas até nem eram demasiado caras. Para um aluno do 6º ano, seriam 500$00 por mês, com a particularidade de: Os alunos que anulassem no decorrer do ano lectivo a matricula em quaisquer disciplinas, continuavam a pagar por inteiro a importância da mensalidade. Além deste montante teria de entregar na Secretaria a importância de 17$50 para o seguro escolar. Ora 500$00 era a renda mensal, e lembro-me como se fosse hoje, dum quarto razoável em Lisboa lá bem no centro, entre o Camões e São Bento, (Travessa dos Pescadores) com direito a dois duches quentes por semana. E ainda com música gratuita bem alta, desde bem cedo de manhã até às tantas da noite, do Rancho Tamar da Nazaré (Não vás ao mar Toino...) que me entrava pela janela vinda da tasca em frente, frequentada maioritariamente por embarcadiços da nossa zona. Afinal, andar no mar, ainda era das poucas formas, que a maioria dos homens adultos tinham de dar uma certa qualidade de vida aos seus familiares. Devo dizer que o meu pai andava na altura no Vera Cruz, que transportou milhares de militares para Angola e Moçambique. A renda que o meu senhorio pagava pela casa toda, com mais 2 quartos, eram 100$00. Enfim um problema que após 34 anos de governação legitimada por votos, incompreensivelmente nenhum dos nossos «ilustres» dirigentes foi capaz de resolver, naquele que é talvez o maior dos anacronismos desse belo pequeno país à beira-mar plantado, e que foi outro dos maravilhosos legados que um ancião de Santa Comba nos deixou.

Mas, voltando a esta série de depoimentos que por aqui foram passando, e que nos transportaram a situações que estavam apenas adormecidas, foi no meu caso pessoal maravilhoso. Reencontrar algumas pessoas com quem convivi durante a minha, afinal curta, estadia na zona onde nasci. Poder voltar a falar mais de 40 anos depois, com o Nuno Mendes e recordar o nosso episódio rocambolesco da minha série do Cavaleiro Andante. Enfim, tudo emoções maravilhosas, que o JJ nos proporcionou, com o esforço dedicado ao blog, e a sua forma tão fácil de nos transportar no tempo, para as boas coisas da nossa adolescência. Sim as boas coisas, que as menos boas, digamos que foram apagadas através dum clicar inadvertido na «mouse» que todas limpou.

Em jeito de balanço direi que me revi em todas as mensagens, até mesmo naquela mais polémica, do Artur Alves (penso ser este o nome), apesar de não concordar de forma nenhuma com o tom agressivo e provocante, que creio ter sido propositado, exactamente para chocar sensibilidades. Como deixei a zona onde nasci há muitos anos, e toda a minha vida profissional foi desenvolvida num país dito de «primeiro Mundo» e, desde praticamente o inicio, num ramo de actividade que me permitiu lidar com gentes de todas as latitudes, é ainda com uma certa tristeza que constato, de cada vez que volto ás minhas origens, que afinal as coisas não mudaram tanto como seria de desejar. Não podemos no entanto de forma nenhuma comparar com o que se dizia e se fazia nos anos 50 ou 60, tal era o nível de sub-desenvolvimento que por aí existia. Como dizia há tempos numa mensagem que enviei para o blog da Escola do meu amigo Zé Ventura, em 68, enquanto em Paris, DeGaulle lidava com Daniel Cohn-Bendit, lá na minha escola ensinava-se às alunas a arte de serem boas donas de casa. Passaram-se muitos anos e hoje duvido se existirá de facto uma real vontade de mudança das actuais camadas dirigentes, ou se todos os lindos discursos de esquerda ou de direita, não são afinal mais do que uma encenação. Todos nós sabemos que se nos compararmos com povos que há 40 anos estavam como nós, ou pior do que nós, e que hoje por via de decisôes acertadas dos seus governantes são tidos como exemplo, percebemos que continuamos a ser das zonas mais pobres e com maiores niveis de iliteracia da Europa. Já perceberam que estou a falar do «milagre» irlandês, país donde vieram os primeiros imigrantes para o norte da América, e que hoje nos «rouba», nesta mesma América, os cérebros que criam verdadeira riqueza, e que não se limitam a invadir as cidades de cimento por tudo o que é sitio.

Antes de terminar um muito obrigado à Net que, por oposição aos media tradicionais, permite esta inter-acção entre autores e leitores e um renovado voto para que o JJ não se fique por aqui, e que depois desta série nos venha com outra, e que continue a roubar um pouquinho de tempo lá na loja para deleite dos jovens da nossa geração. J.L. Reboleira Alexandre - Québec, Canadá


25-06-2008

João Ramos Franco disse:

A satisfação que senti por ter participado neste recuar no tempo e recordar a minha juventude no ERO (fotografia do jantar de 1962 em S. Martinho do Porto) e de poder estar presente entre vós com pequenos comentários, é tal que as palavras para o expressar estão difíceis de sair.Um obrigado ao João Serra pelo convite para participar e ao João Jales como editor e a todos os colaboradores que tiveram a virtude de em cada dia de leitura do Blog me fazerem recordar as alegrias e desventuras da juventude.Lembrem-se do velho grito:É jacaré? Não é.É tubarão? Também não.Então o que é? RAMALHO ORTIGÃOJoão Ramos Franco.

25-06-2008

Maria João Gomes disse:

Obrigada "Joões".Este é sem dúvida, para mim, o texto que resume, e que bem, a actividade do blog até agora.Mas sem a história e as estórias contadas na primeira pessoa, nada deste brilhante escrito faria sentido. Portanto, obrigada a todos. BJS. MJoãoGomes

24-06-2008

João Jales disse:

Termina esta série com um texto que sintetiza, como só o João Serra sabe fazer, o que aqui foi escrito durante três meses por mais de quarenta colaboradores em cerca de sessenta artigos. Foram ultrapassadas, em quantidade e qualidade, as melhores expectativas que tínhamos quando lançámos este desafio aos bloguistas.

Obrigado a todos: os que escreveram, os que comentaram, os que leram e os que divulgaram. Muitos não foram sequer alunos do ERO mas encontraram aqui motivos de interesse que interpreto como um cumprimento ao Blog e uma prova de que as nossas recordações não estão nostalgicamente enterradas num velho sótão, elas respiram no tempo que vivemos. Escrevo isto porque penso que todos os textos falaram não só do passado, mas também de quem são os seus autores hoje.

Teremos uma nova série no “regresso às aulas”, em Setembro. Iremos recordar personalidades que marcaram as nossas vivências de estudantes: não só professores (do Colégio, da Escola, das escolas primárias) mas todos os caldenses que nos impressionaram durante o tempo de estudantes. Vão pensando nisso os que quiserem colaborar, alunos do ERO ou não, vamos estar novamente abertos a todos.

24-06-2008

Luís António disse:

Esta é uma grande análise do que se escreveu, talvez nos antípodas do romantismo dos textos do Jales. E da saudade que apareceu com o Zé Carlos Nogueira, a Belão, o Chico Cera….Mas é o somatório de tudo isto que fez destes LOCAIS um grande (re)encontro! Next?


24-06-2008

Vasco Baptista disse:

Obrigado João por mais uma vez nos brindares com estes supremos pedaços de escrita - um abraço. Vasco


24-06-2008

Júlia disse:

Esta iniciativa foi muito engraçada, teve imenso êxito, revivemos muitos dos bons momentos e iremos continuar a vivê-los....Um grande Abraço. Júlia Ribeiro


24-06-2008

Higino Rebelo disse:

Felicito o Bonifácio por este retrato literário que, certamente, terá sido escrito à pressa, porque não imagino sequer onde consegue tempo para tantas actividades.

Igualmente felicito o Jales pela mestria que colocou na administração do blogue até agora e que, seguramente, lhe custou muitas horas de descanso nocturno, pois várias vezes trocámos mails a altas horas da noite sobre vários temas.


24-06-2008

Paulinha Pardal disse:

João Jales:Gostei imenso de ler todos os comentários que aqui foram feitos. Foi um reviver de sentimentos e emoções que não estavam esquecidos mas sim adormecidos na minha memória. Adorei , parabéns tu és o "Máximo" como diz o meu neto Sebastião. Obrigado João. Beijos PP


24-06-2008

Fernando Santos disse:

Olá J.J.!Estou muito grato por ter sido aceite no Blog, e como tal, uma enorme satisfação por ver as minhas estórias publicadas.

Ainda bem que as suas expectativas foram ultrapassadas. Cada um contou um pouco das memórias da sua juventude, e a partir de agora, todas elas pertencem à "HISTÓRIA DO BLOG".

Desejo que ainda tenha fôlego e coragem de voltar com mais iniciativas do género, pois certamente novos colaboradores estarão disponíveis para manter vivo este Blog. Fernando Santos.

COMO NOSSOS PAIS

Para ouvir enquanto lêem o texto do João B Serra (Ponto de encontro. E reencontro.) . Foi ele que "citou" Elis, desta vez não foi escolha minha. JJ

Ponto de encontro. E reencontro.
















João Bonifácio Serra





Durante semanas desfiámos aqui evocações das Caldas de outros tempos. Recordamos histórias que, afinal, não esqueceramos e reconstituimos laços de cumplicidade que deixaram marcas. Demos testemunho dos locais onde crescemos.

De um modo geral, os nossos depoimentos foram serenos. Podem talvez acusar-nos de termos ocultado situações menos felizes ou apontar-nos uma excessiva benevolência connosco próprios. Mas não somos os “contentinhos” que passam pela vida sem se deterem no mundo que os interpela. Também não temos que carregar todas as dores do que não correu bem. Decidimos encarar o nosso passado com uma leve distância bem humorada. Penso que o conseguimos. O ERO já passou à história e fez jus à tranquilidade. Por isso, à primeira (e única) tentativa de toldar o ambiente, reagimos com vigor.

Obtivemos assim uma boa amostra de pontos de encontro devidamente comentados. Alguns faziam parte da herança das gerações anteriores. Como na canção da Elis Regina, seguimos aí os passos dos nossos pais. Alguns outros fomos nós a descobri-los, a inventá-los. Houve descoberta sempre que fomos ao encontro de outros grupos, de outros espaços, distintos dos que nos legaram as gerações precedentes. Houve invenção sempre que transmitimos novos valores ao património que nos legaram, ou usámos a imaginação para criar novas possibilidades. Conseguimos, por estas vias, multiplicar os pontos de encontro. Como no milagre das bodas de Canaan, dirão os mais íntimos das Escrituras. Como no caso do macaco que do rabo fez navalha e da navalha fez sardinha, observarão os que cultivam saberes de lengalenga.

Prescrutando os depoimentos acumulados no blogue, concluimos que falar dos antigos alunos do Externato Ramalho Ortigão como se um todo homogéneo se tratasse pode induzir em erro. Houve descontinuidades no tempo, aliás notadas pelo João Jales na história do ERO que aqui publicou. Há um ambiente nos anos 50 que difere significativamente do dos anos 60. Há uma mudança nos costumes em finais da década de 60 que ressalta claramente dos textos e das imagens. Aquela fotografia de alunos do ERO reunidos num restaurante de S. Martinho do Porto, em 1962, é eloquente - reunião de rapazes, com a presença de professores, todos de fato e gravata. Que distância abissal separa este grupo das fotografias da viagem de finalistas de 1971/72, menos de uma década volvida - aqui rapazes e raparigas, vestidos de forma prática, em atitudes descontraídas, sem a presença dos professores. Ao ler muitas das histórias narradas pelos participantes maioritários do blogue, seis a dez anos mais novos do que eu, perguntei muitas vezes a mim próprio se as Caldas e o ERO a que se referiam seriam os meus.

Um dos aspectos em que as mudanças civilizacionais dos finais da década de 60 mais se fizeram sentir foi nas diferenças de comportamento entre géneros. As raparigas tinham, em geral, movimentos muito mais limitados que os rapazes nos anos 50 e primeira metade da década de 60, as suas saídas de casa tinham que ser justificadas caso a caso, e os seu pontos de encontro eram restringidos pela família e pelo ambiente social. Na transição dos anos 60 para 70, estes padrões foram postos em causa, muitas das anteriores barreiras familiares e sociais foram abatidas, os pontos de encontro para rapazes e raparigas tornaram-se mais abertos e intercomunicáveis, e até partilhados.

O grupo de alunos do ERO também não é um grupo socialmente homogéneo, embora, como seria de esperar, sempre tenham predominado no colégio os jovens oriundos das classes médias da cidade. Afinal tratava-se de um estabelecimento que preparava para o acesso à Universidade e, até muito tarde no século XX, a Universidade manter-se-ia como uma área de ingresso socialmente muito restrito. Mas também aqui, na década de 60, se iniciou um movimento lento de mudança, com famílias de menor rendimento e menor capital cultural a fazerem um enorme esforço para colocar os seus filhos num Curso Superior. Nas Caldas, onde não havia liceu, esse esforço foi certamente muito mais exigente. De qualquer forma, a frequência do colégio reflectiu as mudanças no mundo rural e nas relações entre mundo rural e urbano. Vários depoimentos sinalizam a presença de jovens que fazem regularmente o percurso entre uma aldeia e a cidade. No meu caso, essa possibilidade foi concretizada pelo próprio Externato, que montou um serviço de transporte para os estudantes oriundos das freguesias do nordeste do concelho.

Houve quem questionasse a tendência de alguns bloguistas referirem pontos de encontro mais ou menos exclusivos de certos estratos sociais, como se se tratassem de locais frequentados por todos os jovens. Evidentemente que há jovens e jovens e que, como defendia o meu Mestre Adérito Sedas Nunes, a condição de jovem oculta por vezes as fracturas sociais. Entre os jovens que se viram forçados a terminar os seus estudos na escolaridade primária obrigatória, os que se matricularam na Escola Comercial e Industrial para tirar um curso de serralheiro ou electricista ou mesmo comercial, e os que se matricularam no liceu como degrau para a Universidade, existiam capacidades económicas, expectativas de vida e visões do mundo muito afastadas. Pontos de encontro igualmente diferenciados, poucos traços de união.

Mas os depoimentos do blogue também mostram que estes mundos paralelos estavam a sofrer transformações e os corredores entre eles a alargarem-se sob a pressão de um número crescente de jovens que neles transitava. No final da década de 60, começaram a chegar às Caldas os prenúncios de uma cultura global que já foi designada por “jeans e rock”. Essa cultura, inicialmente partilhada por reduzidos sectores urbanos, ampliou-se rapidamente, esbatendo as rígidas fronteiras sociais entre jovens. A força homogeneizadora desta cultura residia no facto ser difundida através de imagens, como se comprova em diversos depoimentos, pelo cinema, pela televisão, sobretudo pela música, e no facto de ser uma cultura que na origem tinha base popular e não elitista. Talvez tenha sido aqui que nos começamos a desencontrar dos pontos de encontro dos nossos país. Mas essa é uma linha de raciocínio que os testemunhos do blogue até ao momento não permitem aprofundar.

Não quero forçar a paciência dos meus antigos colegas prolongando esta análise sensaborona a uma expontânea e animada recuperação da memória. Mas não posso deixar de me referir a um ponto de encontro de que todos nós nos esquecemos.

E no entanto esse foi verdadeiramente o nosso ponto de encontro, o nosso comum ponto de encontro. Durante anos, foi lá que nos encontrámos, nas aulas de canto ou de latim do Padre Renato, de matemática do Dr. Azevedo ou do Prof. Figueiredo Lopes, de ginástica do Professor Bastos ou de Filosofia da Dr.ª Deolinda e do Padre Fernando Maria. As histórias que ali vivemos, os sonhos que ali desfizemos e refizemos! Os companheiros que escolhemos, as decepções e as descobertas que nos iluminaram, as humilhações que nos iam abatendo e os gestos salvíficos que nos surpreenderam, os amores que quase nos destruiram ou quase nos salvaram, as alegrias e dores de crescimento que ali sofremos!


O Externato Ramalho Ortigão foi esse ponto de encontro principal para tantas geraçãos de jovens caldenses.


João Bonifácio Serra

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COMENTÁRIOS

24-06-2008
Vasco Baptista disse:
Obrigado João por mais uma vez nos brindares com estes supremos pedaços de escrita - um abraço. Vasco

24-06-2008
Júlia disse:
Esta iniciativa foi muito engraçada, teve imenso êxito, revivemos muitos dos bons momentos e iremos continuar a vivê-los....Um grande Abraço. Júlia Ribeiro

24-06-2008
Luís António disse:
Esta é uma grande análise do que se escreveu, talvez nos antípodas do romantismo dos textos do Jales. E da saudade que apareceu com o Zé Carlos Nogueira, a Belão, o Chico Cera….Mas é o somatório de tudo isto que fez destes LOCAIS um grande (re)encontro!
Next?

25-06-2008
Maria João Gomes disse:
Obrigada "Joões".
Este é sem dúvida, para mim, o texto que resume, e que bem, a actividade do blog até agora.
Mas sem a história e as estórias contadas na primeira pessoa, nada deste brilhante escrito faria sentido. Portanto, obrigada a todos.
BJS.MJoãoGomes

24-06-2008
Higino Rebelo disse:
Felicito o Bonifácio por este retrato literário que, certamente, terá sido escrito à pressa, porque não imagino sequer onde consegue tempo para tantas actividades.
Igualmente felicito o Jales pela mestria que colocou na administração do blogue até agora e que, seguramente, lhe custou muitas horas de descanso nocturno, pois várias vezes trocámos mails a altas horas da noite sobre vários temas.

24-06-2008
João Jales disse:
Termina esta série com um texto que sintetiza, como só o João Serra sabe fazer, o que aqui foi escrito durante três meses por mais de quarenta colaboradores em cerca de sessenta artigos. Foram ultrapassadas, em quantidade e qualidade, as melhores expectativas que tínhamos quando lançámos este desafio aos bloguistas.
Obrigado a todos: os que escreveram, os que comentaram, os que leram e os que divulgaram. Muitos não foram sequer alunos do ERO mas encontraram aqui motivos de interesse que interpreto como um cumprimento ao Blog e uma prova de que as nossas recordações não estão nostalgicamente enterradas num velho sótão, elas respiram no tempo que vivemos. Escrevo isto porque penso que todos os textos falaram não só do passado, mas também de quem são os seus autores hoje.
Teremos uma nova série no “regresso às aulas”, em Setembro. Iremos recordar personalidades que marcaram as nossas vivências de estudantes: não só professores (do Colégio, da Escola, das escolas primárias) mas todos os caldenses que nos impressionaram durante o tempo de estudantes. Vão pensando nisso os que quiserem colaborar, alunos do ERO ou não, vamos estar novamente abertos a todos.

Diário - 9 de Junho

Esta é a última página do Diário de um aluno do Externato Ramalho Ortigão. Esteve guardado num sótão muito húmido, tem a capa desfeita e o ano ilegível. Grande parte das folhas estão coladas umas às outras, muito amarelecidas e com a tinta esborratada. Transcrevi as mais aproveitáveis e que tinham, simultâneamente, referências a locais de encontro e acontecimentos desse tempo. Os nomes dos locais foram fáceis de perceber, penso que estão correctos, os das pessoas não estou tão seguro.

9 de Junho


Como amanhã é o dia da Raça e de Camões, as aulas acabaram hoje. Nunca percebi bem esta coisa da raça, já que há portugueses brancos, pretos, mestiços e amarelos. Até já perguntei à professora de História e ela explicou-me fazendo um longo discurso sobre a nossa Nação. Também não sabe.


Esteve um dia azul, com sol e calor, a prometer quatro meses de férias fenomenais. Quatro meses inteirinhos… Como não há exames no sexto ano, só voltamos ao Colégio a 8 de Outubro.


O fim das aulas significa mudanças. As “aulas” de xadrez na cave do Central vão ser substituídas pelas de Bridge no Casino. Em vez de bilhar no Marinto e no Central, de snooker no Camaroeiro e de matraquilhos na Floresta vamos jogar Ténis e pingue-pongue (na Casa dos Barcos).


Já sei que vou estar nas Caldas até ao fim de Agosto, as férias do meu Pai são sempre em Setembro. Nessa altura iremos até ao Norte. Os meus pais irão até ao Porto, Matosinhos, Espinho, onde têm família e velhos amigos. Eu ficarei um mês na quinta dos meus avós, com vacas, galinhas e porcos, floresta e rio para explorar. Também poderei caçar e pescar. Os meus primos são pouco mais velhos do que eu e os meus tios não têm preocupações de horários numa aldeia em que não acontece nada. Um paraíso!


Quando falei assim do mês de Setembro à Luísa, ela não gostou. Acabámos a discutir quem tem mais saudades do outro, separados durante um mês. E prometemos longas cartas diárias. No ano passado só escrevi duas (e curtas). Foi um sarilho que demorou todo o primeiro período a resolver.


As aulas já nem nos incomodaram, nem mesmo a de Ciências. Despediu-se a professora com uma boa disposição inesperada, que nos pareceu até forçada... A nossa satisfação era verdadeira! Nem os professores com que nos damos melhor nos deixam saudades (nem provavelmente nós a eles). Nesta altura do ano estamos fartos uns dos outros! Um deles disse que o melhor dia de férias é o último dia de aulas, porque nada é tão bom como nós imaginamos antecipadamente... Mas eu espero que seja melhor!


À tarde sentei-me com os amigos na Esplanada, a planear as férias. Mas já está tudo planeado, não vai haver surpresas. Nós não decidimos grande coisa, temos que nos submeter aos planos familiares. O Vasco, o Ricardo e a Olívia, que são de Peniche, os dois primos da Dagorda, a Mariana (o génio da Matemática do Bombarral), vão desaparecer. Mas a maioria fica, um ou outro sai em Setembro para o campo, como eu. Os pais da Ana Maria falam em ir ao Algarve. Ela estava podre de chateada, não conhece lá ninguém, diz que é um atraso de vida.


Enquanto conversávamos ouvimos um grande reboliço. O Zé Tó chamou-nos, um barco virou-se! O excesso de passageiros e as constantes batalhas navais no lago provocam estes acidentes. São colegas do Colégio que naufragaram! O Pacheco passou uma hora à procura dos óculos perdidos no lodo. Os guardas do parque até trepam pelas paredes com estas coisas, a única ajuda do encarregado do aluguer foi passar essa hora a ameaçá-lo, da margem, com o que ia fazer quando ele saísse. Mas não aconteceu nada. O espectáculo dele vestido a mergulhar naquela água suja atraiu uma pequena multidão.


O Nuno relembrou que o Casino, o Parque, o Ferro-Velho e as praias se vão encher de todos os lisboetas e alentejanos que passam cá o Verão. Grande parte dos amigos do meu Pai estarão cá só uns dias em Agosto, mas as mulheres e os filhos ficam três meses. O Mário picou-me dizendo que dezenas de miúdas giras vão andar por aí e as nossas “namoradas de Inverno” vão ser um estorvo (ele não tem nenhuma, claro!). Perguntou-me como é que posso ir com ele a S. Martinho engatar as famosas Belgas de que nos falam os mais velhos?


Nem falámos das notas, passámos todos, penso. Embora sem negativas, as minhas não foram como no ano passado, longe vai o Quadro de Honra do 5º ano… Mas há tanto que fazer, não há tempo para tudo!


Subimos até à praça, alguns foram até à Zaira onde a esplanada (3 mesas!) está naturalmente cheia. Os fanáticos dos matraquilhos da Floresta ainda me chamam, mas isso é para o Inverno. Vou à Tália procurar uns livros para as férias. Sou um leitor repetitivo, ao contrário dos meus amigos, gosto de ler livros seguidos do mesmo autor. Andei a divertir-me com Mark Twain, ando agora no Somerset Maugham, que morreu há dois ou três anos. Escreveu montes de livros, todos editados na Livros do Brasil. Trouxe o melhor (dizem-me), chamado “No Fio da Navalha”. Acabei “Servidão Humana” há dias. Como o meu Pai é também um leitor viciado tenho mais ou menos carta branca para levar os livros que quiser, ele depois paga.

Aproveito para ouvir um LP dos Monkees. Não me entusiasma, eu quero mesmo é o novo do Jimi Hendrix ou dos Jefferson Airplane. E discos compro poucos, sou eu que os pago! Continuo fã dos Beatles, mas os novos sons de Londres e S. Francisco, que se ouvem no Rádio Clube em Frequência Modulada, são de gritos! Volto a casa precisamente para ouvir o “Em Órbita” no Rádio Clube Português às sete e meia. A Rádio Luxemburgo também passa música fenomenal, mas só se ouve à noite e muitas vezes mal. E eu não tenciono estar à noite em casa nos próximos meses!


Depois de jantar o encontro foi na Zaira. Ficámos a conversar à porta. Sem frio e com um feriado amanhã, grupos de caldenses faziam piscinas, subindo e descendo a praça. Bandos de garotos corriam e jogavam à apanhada usando os candeeiros e as árvores como coitos, enquanto os pais ou avós os vigiavam sentados nos bancos de madeira.


Fomos até ao Casino, onde jogámos Poker aberto, também chamado sintético. Mas não ao pé das senhoras, que jogavam Canasta, Crapaud e Bridge. Convencemos os responsáveis a reabrir a sala que dá para a Rua de Camões de forma a podermos estar lá mais à vontade. Temos mesas e cadeiras que estavam na arrecadação e um velho pick up para ouvir música. Numa sala só para nós não incomodámos os mais velhos e a sessão durou até às tantas. O velho Sr. Solteiro lá foi trazendo umas cervejas e até uns Whiskies para os mais abonados. Sempre com grandes recomendações para não sujarmos ou queimarmos o pano verde da mesa. (Ele que vai passar o Verão a chatear-nos para não pormos os pés em cima das mesas de apoio, quando vimos do ténis para beber uma Rical e queremos descansar as pernas. A laranjada custa aqui o dobro do que custaria comprada nos courts ao Sr.Cravide. Mas aqui será paga pelas mamãs, em conjunto com as contas dos seus lanches e dos alugueres das cartas e mesas).


Fui com os vencedores até ao Ferro Velho, que estava aberto porque amanhã é feriado. Os menos felizes contentaram-se com uma última imperial no Marinto ou no Camaroeiro. Ou talvez na Zaira, se ainda estivesse aberta. Amanhã saberei.
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COMENTÁRIOS
21-08-2008
Vasco disse:
já me fizeste rir.................. a malta que aparece na foto não parece nada ter 16 anos deve ser do tratamento "sepia-lexivia" ou do grau, perdão do grão. Quanto ao que é relatado nessa folha, é isso, era assim e outras vezes mais mais ao lado e mais tarde (mais prómeio das férias) e as belgas eram melgas, e por aqui me fico. Deves continuar. VB
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21-08-2008
Jorge disse:
Afinal era fácil descobrir o autor ... mas sempre julguei que fosse alguém mais velho, confesso! J
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22-08-2008
João Serra disse:
Agora que se anuncia o termo deste Diário que o JJ em boa hora encontrou "num sótão muito húmido", tomo coragem e peço licença para comentar.A leitura deste dia 9 foi para mim absolutamente surpreendente. Voltei atrás, ao meu 6º ano de ERO. Imaginei-me como a personagem descoberta por JJ, um diarista. Procurei reconstituir a situação e confesso a enorme perturbação em que me achei.
Caro JJ, caros companheiros: eu estou naquelas páginas amarelecidas e de tinta esborratada - exactamente numa das que escapou, quase por milagre, para que alguém a transcrevesse e no-la desse a ler. Não repararam? Compreendo. Eu também levei algum tempo a perceber. É que eu estou no outro lado da história.
Como o diarista de 1966-1970 nunca se identifica, vamos atribuir-lhe o nome fictício de J. Vejamos. J. antecipa os seus 4 meses de férias (de facto três,mas o lapso é desculpável tendo em conta a excitação que o toma pelo fim das aulas). Desvenda-nos que um mês será passado entre porcos, galinhas, vacas,um rio e uma floresta. Ou seja, um terço das suas ambicionadas férias será ocupado a caçar e pescar, a divertir-se com os primos um pouco mais velhos,nesse paraíso de uma aldeia, onde nada acontece.
Não nos esclarece J. de onde vieram esses primos. De outras cidades?Provavelmente.
Este diário é um espelho. Na imagem invertida está alguém que vive nessa aldeia onde não acontece nada, que todos os dias e todos os meses se recolhe onde há porcos, galinhas, vacas, um rio e uma floresta. Alguém que todos os dias, durante o período de aulas, percorre duas vezes a distância que o separa da cidade, do colégio onde estuda. Que antecipará ele no dia 9 de Junho sobre os 3 longos meses de férias que se avizinham? Que entusiasmo será o seu perante o fecho das aulas? Deixará de se encontrar diariamente com os colegas e amigos, de saber coisas sobre as suas vidas, suspenderá laços afectivos e processos de conhecimento, interromperá camaradagens e amores. Pode ler, mas com quem trocará impressões sobre o que leu? Pode escrever cartas mas que destinatários estarão disponíveis para lhes responder?
J. esqueceu-se de referir mas eu estou em condições de esclarecer. Um daqueles primos um pouco mais velhos era eu. Não vim da cidade nas férias,está lá, vivia lá. O melhor das minhas férias eram esses primos que vinham e iam. João Serra
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22-06-08
Luísa disse:
Não faz sentido ter acabado o diário! Só teve quatro páginas, não pode ser nenhum diário é tão curto. E também se escrevia nos diários durante as férias.
O João Serra enganou-se nas contas: de 9/6 a 8/10 são mesmo 4 e não 3 meses…
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2008/6/23
Júlia Ribeiro disse:
O dono desse sótão com todos esses papéis velhos, húmidos e ao mesmo tempo tão bem conservados só podias ser mesmo tu.....não me enganei e cheguei a dar a dica, mas não te desmanchaste!!!!!!
Tens uma maneira incrível de escrever, consegues envolver-nos na história e voltar aos tempos da juventude (modéstia à parte, eu não seria aí tão jovem) mas como agora somos todos da mesma idade........ somos todos Antigos Alunos do ERO.... e tu tens esse mérito, como todos os colaboradores que também contribuíram.
Esta iniciativa foi muito engraçada, teve imenso êxito, revivemos muitos dos bons momentos e iremos continuar a vivê-los....
Um grande Abraço. Júlia Ribeiro
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23-06-2008
Isabel disse:
Eu sabia, tinha que ser o teu diário! E se foi escrito quando eu penso só acabou se tu quiseres.... Deves continuar (como disse o Vasco - Batista?).
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27-06-2008
Isabel Caixinha disse:
Sobre os últimos artigos escritos gostei imenso do diário . Este foi tocar-me em duas memorias muita queridas - a leitura e a musica!
Adorava ler e era cliente certa da nossa biblioteca do Parque. O que eu li !!!O Somerset Maughan que iniciei com o Mágico, continuei com o Fio da Navalha, o Mark Twain com as memórias de Tom Sawyer, Maximo Gorky ( A Mãe), Tolstoi, Hemingway...Eu sei lá! Era uma infindável lista de autores que me fascinavam! Estas leituras tinham normalmente lugar á noite, com som de fundo da Rádio Renascenca , “A noite é nossa” , que passava música gira, sem publicidade e só interrompida pelo bem humorado locutor! Um macaco bacana, como ele dizia!Imagina...

Breves notas e comentários a "Diário 9 Junho"

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O 10 de Junho era um feriado estranho, em que a exaltação do nacionalismo se misturava com a universalidade de Camões e as contingências da Gerra Colonial. Nunca houve uma orientação coerente nas comemorações ou eu, como o autor, nunca a compreendemos.

O final dos anos em que não havia exames equivalia realmente o início de 3 a 4 meses de férias. Nunca isso significou menor rendimento escolar e sim uma adequação ao clima mediterrânico em que vivemos. A excepção eram os anos de exame em que se fazia um pequeno sacrifício.
A redução das férias escolares não me parece ter servido a qualidade do ensino mas sim as necessidades das famílias numa época posterior em que, por ambos os pais trabalharem, não era fácil “ocupar” os jovens. Como nos anos 60 havia muitas mães que não trabalhavam, muitos avós disponíveis e os riscos de “morar” na Foz de manhã e no Parque à tarde era nulo, esse problema não existia.

Também no meu ano havia muitos alunos com ligações familiares a terras do interior Norte e Centro de Portugal. Além dos colegas da periferia que desapareciam no Verão, muitos tinham família na Beira Interior, Minho e Trás-os-Montes. Curiosamente muito poucos dos meus colegas e amigos tinham os avós nas Caldas. Tinham cá avós muitos jovens lisboetas que vinham passar o Verão nas Caldas. Deve estar aqui um curioso movimento migratório para ser analisado.

As Belgas acampadas em S. Martinho, já referenciadas em vários textos publicados na série “Locais de Encontro”, eram um “desassossego” para os jovens caldenses. Chegaram a aparecer em bandos no Casino, em “matinés” destinadas à miudagem (às Quintas e Sábados à tarde) mas que, com a sua presença, se transformavam em bailes normais e muito concorridos.

Os livros e a música eram um factor de agregação (e segregação) entre os grupos que liam (ou não liam) e ouviam (ou não ouviam) as mesmas coisas. E marcavam indelevelmente quem gostava ou não de determinados autores e compositores.

A abertura de uma sala de jogo e convívio exclusiva para a malta nova no Casino é de 1969. Está descrita nas notas ao depoimento do Miguel B M.

Sobre o Casino não deixem de ler também o artigo da Belão e a "resposta" da Luisa Nascimento.
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JJ

Os Locais da Cristina Rolim

Cristina Rolim



Tenho lido quase diariamente o blog. As recordações sucedem-se e muitas vezes atropelam-se. Não vale a pena alongar-me nos locais já descritos. Nem todos frequentei tão assiduamente como alguns de vocês, como é o caso do Casino, onde só fui muito esporadicamente.
Fiz uma pesquisa nos meus álbuns de fotos e quero compartilhar algumas que retratam momentos muito engraçados.
Sempre fui uma "carnavalesca" assumida. Frequentei quase sempre os famosos bailes do Lisbonense. Vinham pessoas de quase todo o País. Fiz grandes amizades que ainda hoje mantenho. Mas acima de tudo sempre fiz os chamados "assaltos" em minha casa, junto à estação da CP. Seguem-se fotos da "malta" presente na altura e como se pode ver uma miscelânea dos alunos do ERO com os da Escola Comercial. Reconhecem-se? Um abraço a todos.
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Cristina Rolim
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As fotos devem ser, segundo a Cristina, de 1969. O desafio aqui é legendá-las, identificando os foliões. Se possível, gostaria de obter testemunhos dos participantes, já que estas festas privadas, em casa ou na garagem, foram muito pouco exploradas nos anteriores depoimentos. JJ

Zequinha Pereira da Silva disse:
Tu matas-me JJ...
Estas fotos são o melhor testemunho da "interacção" Escola-Colégio protagonizada pela nossa geração...se dúvidas houvesse...e estes bailes da Cristina o ponto mais alto do calendário convivial
Vamos lá ver se contribuo com algumas identificações....
Foto 1: o gajo com cara de parvo a dançar com a Mena, sou eu....à esquerda, ao fundo, de braço no ar a Teresa Constantino e à esquerda dela a Paula Pina.


Zequinha Pereira da Silva disse:
Foto 2: com o V.Gil ao centro (naquela época os gajos mais giros, os "borrachos", apareciam sempre ao centro das fotos)...à sua direita a Fernanda (?) que hoje, penso, trabalha no Centro de Saúde...o Tóino Elias e "meia" Fraça...em primeiro plano a Paula Pina, o Zé Manel e o João "Azeiteiro"...tive o enorme prazer de o encontrar hà pouco tempo na Avenida...está no Canadá há 30 anos...ao fundo o Tó João Freitas (famoso "Fantasma"...à direita estará "meio" Pedro Nobre.

Luís disse:
Não vejo ao centro da foto 2 o Vítor Gil mas o Hipólito. À esquerda o Adriano Bagaço (à frente do Fantasma) e à direita o Henrique .

A.J.F.Hipólito disse:
Oi
Tens razão, sou eu e não o Victor. No entanto não posso ajudar nas identificações que faltam pois, ou pela falta de vista ou devido à arteriosclerose, além das identificações já definidas, todos são absolutamente desconhecidos para mim.
É triste mas a PDI não perdoa…



Zequinha Pereira da Silva disse:
Notável, notável...o ar "certinho" do Henrique...
Para a Cristina um enorme beijo de gratidão...ela na altura não poderia saber...mas hoje já fica a saber que os seus "bailes" são um marco na nossa saudade e um grande pedaço da nossa felicidade individual e colectiva...e são estes os momentos recordados que, por vezes, nos fazem mais fortes perante a adversidade
Bjinhos

Luís disse:
… e na 4 pode ser a Anabela Garcia entre os cortinados lá atrás…



Victor Gil disse:
Estas fotografias acordaram-me a saudade. São fotos antigas, do tempo em que o Carnaval era mágico e os “assaltos” uma espécie de loucura contida, consentida e caseira. Os “assaltos” da Cristina Rolim, eram verdadeiros ícones e lembro-me bem da alegria com que a turba de foliões era recebida. Era só preciso guardar as pastas de recortes e fotos dos Beatles (era colecção ou paixão?) e o espaço estava pronto para a festa.
Na foto 5, de cima para baixo, eu sou o Mariacchi que canta a plenos pulmões, perante a alegria do Zequinha (o outro Mariacchi), o riso da Cristina, o espanto da Luisa Pinheiro (porque é que estavas em cima da cadeira?) e a distracção do Luís Flores (declamavas?). Tenho também esta fotografia e olho-a intrigado sem saber mais quem é a giraça boy-style-haircut de lenço ao pescoço que canta em dueto comigo: alvíssaras a quem descobrir!
Então, o tempo era eterno e os corações andavam à solta, bem diferentes dos que hoje, fraquinhos e sorumbáticos, ajudo a continuar batendo…
Abraços a todos! Obrigado Cristina!

Zequinha Pereira da Silva disse:
Foto 5: a miúda que elevou os níveis de testosterona do VGil (vai aproveitando...) parece-me a Bé Moita...


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C O M E N T Á R I O S
19-06-2008
F Santos disse:
Creio que a Cristina Rolim enviou a estória mais bem documentada (seis fotografias). Claro que é tudo pessoal mais jovem que eu, agora é pena que não apareça ninguém a identificar os foliões.
Parabéns Cristina, e manda mais fotos para ver se o pessoal acorda! Fernando Santos.
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miniprofa disse...
Dou os parabéns à Grande Reportagem premiada! É tão perfeita a reconstituição fotográfica que consigo 'ouvir' a banda sonora.Que 'fixe'! até eu reconheci logo, logo o João Jales, o Tó Zé Hipólito e o Luís Flores. Pois e a Cristina Rolim, claro. Parabéns, Cristina!

Na esplanada do parque ao fim da tarde.

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Fernando Figueiredo possui aquele jeito singular do contador de histórias.Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular.Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto. Por vezes parece que o andar se desviou do caminho, mas não. Tratou-se apenas de uma pequena paragem destinada a ganhar fôlego para a etapa final. Ao fim da tarde, na esplanada do Parque, na sua voz grave evoca as passadas largas do seu irmão, a quem se refere simplesmente como “o padre”. Sorrimos, enternecemo-nos, sofremos, revoltamo-nos, julgamos adivinhar as perplexidades e os entusiasmos, nas gestos e nas palavras do Fernando, do “padre”, do Padre António Emílio.

Não sei se o Fernando tinha alguma intenção precisa, para além de nos desvendar um pouco da outra história desse padre que marcou gerações de caldenses. Mas o eco que nos quis transmitir, se interpreto bem, é o de alguém que sempre se viu como aquele que ajuda a encontrar caminhos, aquele que dá passagem.

O debate sobre os sinais que queremos deixar nas esquinas da cidade não é um debate ocioso. Objectei à atribuição que a Assembleia Municipal fez de um fragmento de rua ao nome do Padre António Emílio, em termos de uma racionalidade epidérmica.

Uma outra perspectiva é possível, no entanto. O que Fernando Figueiredo me fez ver foi que o local indicado para inscrever na cidade o nome do “padre”, mais do que uma rua ou uma avenida ou uma praça, é uma ligação entre espaços, um traço de união, uma passagem. Aquela que a Assembleia decidiu, sem o saber, é afinal tão boa como qualquer outra.

João Serra
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C O M E N T Á R I O S


15-06-2008
Belão disse:
Ainda lá estaria a esta hora, não fora o adiantado da hora e também os compromissos previamente assumidos. Que maravilhoso fim de tarde passámos na esplanada do parque com o Fernando Figueiredo!
Confesso que antes de o ouvir partilhava da maioria das opiniões, no que se refere à localização da futura Rua Pe.António Emílio. Mas o Fernando falou, falou, contou, explicou,... e nós, os presentes neste agradável fim de tarde, ouvimos, questionámos, sorrimos... ficámos a conhecer um pouco mais do "padre" e sobretudo do Homem. O suficiente para não mais questionar a localização/dimensão da rua.
Um beijinho,Fernando.
Belão
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15-06-2008
João Ramos Franco disse:
Na verdade, João Serra, o teu testemunho sobre o vosso encontro com o Fernando Figueiredo fala-nos do que ele é: ele "Possui aquele jeito singular do contador de histórias. Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular. Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto".
Já depois de ter comentado a localização da Rua Padre António Emílio, peguei no telefone e falei com o Fernando sobre o assunto. Claro que ele me deu a sua opinião e eu acabei por concordar com ele. No entanto nada disse e esperei fosse ele a dizer alguma coisa.
É para mim um privilégio ter entre os meus “Amigos” o Fernando Figueiredo. O nosso companheirismo, desde alunos do ERO até trabalharmos na mesma instituição, permitiu-me conhecê-lo bem. Ao longo deste anos temos conversado muito. Habituei-me a encontrar nele o equilíbrio para o ponto certo que eu gostaria de atingir.
João Ramos Franco
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18-06-2008
Fernando Figueiredo disse:
Amigos:
Sou eu que vos estou grato pelo bom bocado que passei convosco... e, mais do que isso, pela paciência de me escutarem. Fiquei muito contente porque perceberam a minha mensagem.As fotos estão óptimas... a Guidó é uma artista!... Parabéns.
Só que fizeram de mim uma espécie de protagonista desta história toda... coisa que não desejo nem nunca quis assumir.O verdadeiro protagonista, pelo que representou e representa para todos vós e para nós também, é e será sempre o meu irmão, Padre António.Mas fiquem certos ... ele está presente em todos estes momentos...
Abraços, FF