ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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FIM DE TARDE COM A DRA. ALDA LOPES (ÓBIDOS, 26-07-2008)

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Querem saber porque é que fomos a Óbidos no Sábado?
Porque um convite destes é irrecusável!

Se a isto acrescentarmos o privilégio de conhecer uma das professoras do Colégio que mais marcou os seus alunos, que ainda hoje a recordam com muita emoção, era realmente uma ocasião única. A Dra. Alda Lopes (professora entre 1961 e 1963 no ERO), é dela que falo, terá aqui em Setembro no Blog um artigo que lhe será dedicado, integrado na série Professores e Personalidades, que está em preparação.

Houve reencontros emocionados, como este do Fernando com a Isabel.
Outros reencontros foram quase novos conhecimentos, tal o
tempo que passou desde a último conversa das intervenientes...
Falou-se do Blog, do Externato Ramalho Ortigão, enfim, de assuntos sérios.

E, à boa maneira portuguesa, acabámos todos sentados à mesa a "desbastar" a garrafeira do pai da Júlia, anfitrião desta magnífica tarde de Julho (enfim, estava um pouco enevoado, algumas senhoras chamaram "vento frio" à agradável brisa de Verão, mas o Oeste é o Oeste, é assim...). E a ginjinha era verdadeiramente magnífica.
Esperamos todos que seja um encontro para repetir um dia destes.
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COMENTÁRIOS
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27-08-2008
o das caldas disse:

Isto é que é, verdadeiramente, viver a vida.
Higino

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27-08-2008
Júlia Ribeiro fotografou-me e disse:
Tu passas sempre por "santinho", nem tocas, aqui é que se vê....

JJ respondeu: Desta vez fui apanhado...
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27-08-2008
Laura disse:
A Dª Alda Lopes continua a ser uma pessoa especial, tal como era quando nos ajudou a crescer...
Foi uma tarde inesquecível e maravilhosa.
À Júlia um OBRIGADO!!!!!!!!!!! Só ela se poderia lembrar de proporcionar este encontro. Beijinhos Júlia! Laurinha

Os Locais do João Jales









Óbidos , 1969-1972















No final da década de sessenta, princípio da de setenta, Óbidos era um destino obrigatório. A grande questão era a distância, só alguns amigos mais velhos tinham carta e carro. Mas se conseguíamos cravar um deles, lá íamos nós.

Lembro-me bem da Mansão da Torre, da D. Helena Pinto Basto e do seu Giovanni. Era célebre o Kharman Ghia dela, todos o conheciam nas Caldas. Ele tinha um “carro de corrida”, como se dizia na época. Seria um Porsche, ou é a memória a enfeitar o meu desconhecimento de automóveis desportivos? Gabava-se de fazer Roma-Óbidos em pouco mais de vinte e quatro horas, só parando para abastecer de gasolina, café e umas sanduíches. Não sei se era verdade mas, contado por ele, com todos os detalhes, eu acreditava. Viviam uma relação latina, temperamental, sempre entre a ternura e a tempestade, franca e aberta, um deslumbramento para um teenager habituado à contenção e reserva dos matrimónios com que convivia habitualmente.

Passei lá bons bocados e aprendi muito com eles, mais do que me apercebi na altura, ocupado como andava com a descoberta do branco Gaeiras e do tinto de Óbidos. Habituado quase só a cerveja e uns whiskies ocasionais no Ferro-Velho, o primeiro sítio nocturno em que fui possuidor de uma garrafa (“ter uma garrafa” no Ferro Velho fazia parte dos ritos de iniciação adulta, e dava “status”), foi com eles que descobri os prazeres do vinho. Foi uma iniciação por vezes penosa (como todas), sobretudo em certas manhãs, não preciso de vos explicar porquê…

O Giovanni era um bom cozinheiro (penso que a "Tia Helena" não), fazia umas massas que, para mim, eram novidades absolutas, com queijo, ervas de sabores desconhecidos, molhos com natas e muito tomate. Ainda por cima era tudo algo salgado, o que favorecia a ingestão de líquidos. Terminavam estes repastos, por vezes lanches, por vezes jantares, por vezes ceias, uns queijos coloridos com sabores exóticos. “Marchava” tudo, incluindo as garrafas de Gaeiras e Ouro d’Óbidos.

Com ou sem paragem na Mansão, seguíamos para a Vila propriamente dita. As escolhas eram a Ginginha ou a Estalagem. No primeiro eu bebia sempre cerveja mas alguns caldenses, e obrigatoriamente todos os amigos que vinham de fora, escolhiam uma ginginha, típica da região. O Sr. Roberto inventou uma bebida, o Toupeiro, não sei se já existiria nessa altura, porque nunca apreciei. Passávamos aí longas horas na conversa sobre música, livros, mais música, alguma política (principalmente a partir de Setembro de 71, o meu primeiro ano em Lisboa), a guerra colonial, a morte de Ribeiro dos Santos (Outubro de 1972), depois mais música: a descoberta dos Velvet Underground (o grupo de Lou Reed, John Cale e Nico, apadrinhado por Andy Warhol), o Acid Rock da West Coast, os psicadélicos e os progressivos ingleses. Contei a minha ida a Vilar de Mouros com o Nuno Mendes e o Pedro Nobre e a minha “revelação”do Jazz, com o Miles Davis no festival de Cascais (ambos em 1971), dezenas de vezes, sem me cansar...

A Estalagem era diferente, com o Bar cá em cima e a “boite” na cave. As raparigas da minha geração não estavam autorizadas a ir com os namorados a Óbidos e a maior parte das frequentadoras não olhavam para jovens imberbes de 17/18 anos. As grandes atracções eram umas esporádicas estrangeiras que, já na altura, visitavam a terra e apareciam na Estalagem. A companhia frequente de marido e filhos não retirava o entusiasmo e o brilho de esperança nos olhos dos latin lovers residentes. Eu bebia uma cerveja no Bar, dançava um pouco na cave, se estivesse em grupo, mas ansiava sempre pelo regresso às Caldas e ao Ferro Velho, onde me sentia em casa. (Só me tornei cliente e frequentador mais assíduo anos mais tarde, acompanhando o meu amigo João Lourenço, que gostava de lá ir jantar e ficar a beber um “digestivo” e a conversar).

Sempre que íamos a Óbidos passávamos pelo Montez, ali na R. Direita, logo a seguir ao Pelourinho. Vendia umas bebidas e umas peças de sucata que enterrava no quintal. Quando suficientemente enferrujadas, enriqueciam as colecções de vários turistas endinheirados, mas pouco conhecedores. A D. Corália fazia uma ginginha com um grau alcoólico que facilitava muito essas transacções...

Estive várias vezes para comprar uma das espadas do D. Afonso Henriques, da numerosa colecção que ele possuía, em tormentosas (e nebulosas) noites em que bebia também uma ginjinhas, geralmente após umas cervejas noutro local. Infelizmente nunca se proporcionou: uma noite o Fernando Jorge não me deixou, outra caí em cima do piano durante as negociações, outra ainda o Chris (penso que engenheiro numas estufas de cravos ali na zona) convenceu-me que o objecto não cabia no seu Austin, houve sempre um contratempo qualquer. Acabei por nunca comprar nenhuma, desperdiçando uma oportunidade que não se repetiu.

Das viagens de regresso Óbidos-Caldas nesses anos tenho poucas recordações…

Voltei a ser um visitante assíduo depois de regressar de Lisboa, anos mais tarde. Era então cliente regular da Biquinha, situada logo a seguir à Ginginha, propriedade de um irmão do Sr. Roberto. Lembro-me de uma noite, às quatro da manhã, hora de fecho, o funcionário ensonado fazer uma pergunta que era uma ordem de despejo: “e desejam mais alguma coisa?” “só uma grade de cervejas, para acabar”, respondeu, de imediato, o meu amigo Fernando Castro. O empregado olhou para nós, uma mesa de seis pessoas (uma das quais a minha mulher, que só bebia Trinaranjus) mas não se descompôs. Trouxe as 24 cervejas numa bandeja, com algum gelo entre elas, dois abre-latas, a conta e a chave do Bar. Duas horas mais tarde deixámos o dinheiro no balcão, fechámos a porta e deixámos a chave na caixa do correio da casa do proprietário.

Não contem esta estória a ninguém, primeiro porque não tem cabimento nos depoimentos que pedimos, depois porque algum dos nossos filhos pode ficar a conhecê-la.

JJ




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COMENTÁRIOS:
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13-04-2008
Isabel Caixinha disse:
Fiquei aqui intrigada com a espada de D. Afonso Henriques! Desperdiçar uma oportunidade destas é obra. Objecto de valor histórico incalculável, decorativo, cuja autenticidade nem se põe em causa! Se fosse a espada do D. Sebastião ainda compreendia...
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14-04-2008
Ana Nascimento disse:
Oi João
(...) e que bela crónica a tua….. ainda ninguém tinha falado sobre a Mansão da Torre e na Tia Helena, uma figura muito especial, que também fez parte das Caldas…
E a espada do D. Afonso Henriques? Essa define o Montez… e será que te lembras de ver as garrafas todas ligadas entre si? Foi no verão de 1970 que ele o fez pois aparecia por lá um grupo que por artes mágicas tinha o condão de as fazer voar sem ele dar por isso ….
Não conhecia a tua caricatura feita pelo nosso querido Dr. Leonel Cardoso, estás mesmo tu…. que bem que eu me lembro de ti assim…. elegantérrimo !!!!!
Beijinhos. Ana
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15-04-2008
Rui Hipólito disse:
Mais fantástica que a venda, por diversas vezes, da espada do Dom Afonso Henriques foi a tentativa do Montês de vender a uns turistas, penso que americanos, uma estatueta da Nº Sª de Fátima do século XVII…
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15-04-2008
Júlia Ribeiro disse:
Nunca pensei que a minha terra tivesse tantas Histórias....Ai o que a ginjinha, e não só, fazia......imagino essas viagens Óbidos-Caldas.......
Lembro-me muito bem da D. Helena, e do seu" lugarzinho de destaque", ao Domingo na Missa.
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16-04-2008
Higino Rebelo
Ainda sobre "O MONTEZ" posso acrescentar que o negócio inicial dele era apenas de antiguidades e a certa altura começou a oferecer ginjinha aos potenciais compradores, tendo constatado que bebiam a ginja e não compravam as antiguidades lembrou-se então de montar o negócio da ginjinha.Higino Rebelo
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17-04-2008
Isabel Knaff disse.
O comentário do Higino sobre o Montês também é muito esclarecedor!Sempre que lá ia pensava(e ás vezes dizia!) :
-Credo...o que pra aqui vai...parece um antiquário...Ora bem!

Parti-me a rir com o comentário do Hipólito...realmente só um MILAGRE faria que os turistas americanos(?) engolissem essa da "N.Senhora, século XVII" !!!