ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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PROFESSORAS EM 1962/1963

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1962/63-Drª M. Armanda,Drª Cremilde,Drª M.Rosário Leal,Drª Alda Lopes,D. Anita.
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COMENTÁRIOS

Dra Alda Lopes (Foto e Versos, 1963)









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No artigo anterior prometemos revelar um famoso telefonema... Foi assim:

Durante uma aula de Geografia, bateram à porta; era o Sr. Trovoada, o contínuo, que vinha chamá-la ao telefone para atender uma chamada urgente. A Manela Carvalheiro, a poetisa da turma, teve uma inspiração momentânea e fez uns versos:

Drª Maria Alda Lopes


Truz,Truz,faz o Trovoada
Oh,faça favor de entrar.
D. Alda venha apressada
Para ao telefone falar

Passa o tempo e cá na aula
A parodeira aumenta
Eis a Senhora na sala,
Já acabou a tormenta

Sentada no cadeirão
As franjas puxa e destorça
Quem seria o malandrão
Por quem tanto se esforça

Seria seu namorado?
Ouviu-se alguém alvitrar
Temos casamento marcado,
Trate de nos convidar.

(MANUELA CARVALHEIRO , 1963)




Nesta entrevista, foi-nos revelado o segredo (ao fim de tantos anos!!!). Realmente, o telefonema era urgente e preocupante: era a então futura cunhada a informá-la de que o namorado estava em plena operação ao apêndice, no Hospital da Estrela. Apesar da situação, a aula continuou como se nada de grave lhe tivesse sido comunicado. Quem foi a musa que segredou à Manela?



Nesta história só não há um final 100% feliz porque ninguém daquela turma foi convidado para o casamento…
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Júlia Ribeiro
Isabel V. P
Mélita Teotónio

Maria Alda Lopes respondeu:

Fizeram-me voltar à juventude enquanto vocês voltaram à adolescência!

Crescemos juntos, naqueles 2 anos do ERO, eu e vocês, os meus primeiros alunos, que eram alegres, simpáticos, bem educados e cumpridores (verdade!).

Esse anbiente devia-se também à orientação pedagógica e humana do Padre António Emídio sob cuja "batuta" eu percebi que podia, realmente, ser feliz naquela profissão. E sei do que falo porque tive, a seguir, variadíssimos termos de comparação.

Agradeço à Júlia, que me "achou" ao fim de tantos anos e às outras meninas que escreveram coisas, para mim, um pouco embaraçosas. E ao João Serra que sabe redigir em "íssima" e nas outras terminações todas.

Permitam-me estes reencontros tão saborosos e reconfortantes mas que me fizeram, até, reflectir sobre o significado da minha vida, numa fase em que eu pensava que já tinha reflectido tudo!

Obrigada a todos, aos que nomeei e aos outros todos - aos que foram meus alunos no ERO e a todos os que depois vieram, nos trinta e tal anos de trabalho que se seguiram. Foram eles que permitiram que eu me tornasse naquilo que sou, embora eu não saiba muito bem o que isso significa.

E a propósito ... vocês vão continuar a tratar-me, respeitosamente, por Dr.ª?

Maria Alda

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COMENTÁRIOS

JJ disse:
A fotografia de 1963 foi-nos enviada por uma antiga aluna da Drª Alda, que lha ofereceu nesse ano. Aguardo que seja ela a dizer em que circunstâncias.
A 2ª foto é de Julho de 2008, o casal quarenta e cinco anos depois. Quem perdeu o casamento, pode ser que vá à festa das bodas de ouro…

Manuela Gama Vieira disse...
Percebo agora os superlativos usados por um ex-aluno da Dr.ª Alda ao recordar a sua beleza. Que bonita, mesmo!
Reparei nas suas mãos, na fotografia do jantar, que paz e tranquilidade transmitem...Não admira, por isso, a calma com que se apresentou aos seus alunos depois de um telefonema que, afinal, não era do seu esforçado namorado.
Cabecinhas "traquinas", as das meninas...
Aproveito para saudar a Manuela, que mesmo loira...reconheci e a Isabel Vieira Pereira que está como há 40 anos atrás!
A todos, um abraço à ERO
!

Júlia Ribeiro disse:
Naquela tarde de Abril 2008,quando me desloquei ao Bombarral, para a dita" entrevista" à Dr.ª Alda, fui apresentada ao seu marido, Dr.Fernando Mouga. Quase, desde que me casei, ouço falar de tão ilustre médico do Bombarral mas não tinha tido ainda o prazer de o conhecer nem sequer sabia como seria o autor.... raptor.... responsável, do desaparecimento de uma grande professora tão amiga dos seus alunos. Pensei que o iria "trucidar" por tal "malvadez"!!!!!! NÂO, NUNCA, estou a brincar, pelo contrário, deparei-me com um cavalheiro extremamente simpático e com uma tal simplicidade que nesse mesmo dia começou a minha admiração por ele, que vai aumentando à medida que nos vamos reunindo nestes fabulosos encontros "surpresa" em que, como diz a São Cx, faço a festa, deito os foguetes , mas... ainda vou apanhar as canas!!!
Pegando na última quadra dos versos, e numa brilhante ideia do Jales, daqui a poucos anos teremos as bodas de ouro e terá que haver uma surpresa....deixo a dica!!!!
Peço desculpa ao Dr. Mouga por esta brincadeira que permita-me dizê-lo, é fruto do "à vontade" que provoca em mim.
Já agora, atrevo-me a perguntar aos colegas: Não fazem um belo par ?
Um beijinho
Júlia R

João Ramos Franco disse...
Continuo a ver com alegria o desfilar de Professores, que não foram os meus. Uma leve citação à Dra. Maria do Rosário Leal, de quem fui aluno e amigo (ainda de casa de seus Pais), fez-me ir ao passado e continuar a ler com atenção as palavras que dedicam aos Vossos Professores e agrada-me o valor que lhes dão.
João Ramos Franco

Guida Roberto Santos disse:
Olá João
Vocês são muito rápidos nestas coisas do blog e eu nem sempre venho aqui ao computador. Passam-se dias… Nem no blog da minha filha tenho entrado, mãe desnaturada. Só hoje me apercebi duma série de coisas e já nem encontro lá o link para por um comentário. Azar!
Mas podes sempre dizer tu, estás autorizado.
Já agora, Alda, até pareceria mal se eu tratasse uma companheira de piscina por Drª.
Um grande beijo
Guida Roberto Santos

JJ disse:
A excelente fotografia da Dr.ª Alda foi realmente enviada pela Guida Roberto, mas eu gostaria de saber em que circunstâncias lhe foi oferecida. Não há memória desse facto?

wicca disse...
A sério que gostaria de me lembrar em que circunstâncias a Alda me ofereceu essa fotografia religiosamente guardada no meu album. Tudo o que recordo, após todos estes anos, é que eu era boa aluna a a ciências e que gostava muito da professora que era muito jovem, bonita e meiga.Um grande abraço Guida


farofia disse...
Concordo com a Alda - desculpe faço parte do rol de ex-professores e conheci-a aqui no blog, muito prazer! - na abolição dos dr. que são fórmulas do passado bem-passado. Andar por aqui a passear numa boa fica 'complicado' com a formalidade de outrora. Então isto não é um blog de hoje?! Não ficámos conservados em formol que isto aqui não é museu arqueológico. OK?

Laura Morgado disse:
A Dra. Alda Lopes está linda na foto de 1963. Era assim a sua imagem na minha memória: bonita, simples e muito querida. Uma professora dedicada e sempre pronta para ajudar, o que a tornou inesquecível para os seus alunos.
Quando tive a sorte de ser convidada, pela Júlia, para aquele “Fim de Tarde em Óbidos” e reencontrei a Dra. Alda, fiquei feliz e perplexa! Feliz por poder estar com a minha professora querida e perplexa porque, passados tantos anos, encontrei uma pessoa com a mesma postura, serenidade e personalidade, tal como eu tinha conhecido há tantos anos.
Os meus colegas já disseram tudo o que poderia ser dito sobre a Dra. Alda Lopes.
A mim resta-me agradecer tudo o que me ensinou, incluindo ter sido com ela que aprendi a ler as linhas da palma da mão (não era bem a sina, mas era parecido…).
Dra. Alda para si um grande beijinho.
Laura

JJ disse:
Ler a palma das mãos? Mas, além de “enfeitiçar” os seus alunos, a Drª Alda lia a palma das mãos?

Laura Morgado respondeu:
A Alda Lopes um dia foi com as raparigas da minha turma para a mata, onde só podíamos ir acompanhadas de um professor.
Contou-nos coisas da Faculdade e ensinou-nos a distinguir e interpretar as linhas das mãos. Ensinou-nos quais eram as linhas da vida, da saúde, do amor, dos filhos e coisas afins…se morríamos cedo, se tínhamos muitos filhos, etc. Isto para uma jovem de 14 anos foi uma delícia!!!
Quando passados tantos anos estive com ela, este Verão, em casa da Júlia em Óbidos, falei-lhe nisso, mas ela diz que não se lembra. Mesmo sem ela se lembrar achei que devia escrever sobre o assunto no blog.
Isto e outras coisas que ela dizia marcaram-me, fiquei até admirada quando com a sua simplicidade me disse: “ah…não me lembro nada”.
Penso que já falei nisto à Júlia, que também não se lembra. Tudo me leva a concluir que fui a única a quem o assunto interessou.
Bjs
Laura

DRA. MARIA ALDA DA SILVA LOPES

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Como há concidências! Há uns anos, a Júlia soube do paradeiro da Dra. Alda Lopes, através de uma sua colega familiar do Oliveira e, por acréscimo, também da Júlia.
Esta, algures em Abril deste ano, marcou uma “entrevista” com a nossa antiga professora.
O encontro decorreu em casa dela, no Bombarral, num ambiente muito descontraído e familiar ― até deu para conhecer aqule que causou um célebre telefonema durante uma aula (e que será tema da próxima crónica).
Desta conversa, resultaram informações nunca dantes imaginadas.
Natural de Martim Joanes, Cadaval, fez o liceu em Santarém e licenciou-se em Ciências Biológicas em Lisboa em 1961.
Acabada de licenciar, com 22 anos, foi para o Colégio, levada pela Dra. Maria do Rosário Leal (no momento não lhe ocorrem os pormenores), onde permaneceu 2 anos lectivos, 1961/62 e 1962/63, tendo saído «para se casar e ser mãe a tempo inteiro».
Leccionou Geografia às turmas do 3º ao 7º ano. Para dar Geografia aos 6º e 7º da alínea G (Económicas e Financeiras), ia para Lisboa à sexta-feira e enfiava-se na Biblioteca da Faculdade de Ciências para se preparar, sobretudo para «aquela maldita Astronomia». Não tem recordação de nenhum percalço, mas os que a tiveram como professora que o digam!
Também leccionou Ciências Naturais ao 3º e 4º anos e deu Desenho a uma turma do 3º ou 4º ano (não se lembra bem).
Logo no início da sua permanência no Colégio, foi criada uma disciplina de Moral Feminina, por iniciativa do Pe. António Emílio, para as raparigas dos 3º, 4º e 5º anos. De que se falava nessas aulas? Ninguém se lembra de programa nenhum. Falava-se de tudo: das relações rapazes-raparigas, de moda, etc., etc. A verdade é que, de parte a parte, todas sentíamos que era muito bom. Estas aulas eram dadas nas escadinhas do lado de fora do fim do corredor do rés-do-chão (ver fotografia de abertura do blog) ou, muitas vezes, na mata. Se calhar, quando chovia, seriam dadas no interior, mas não nos lembramos disso; por que será?
A Dra. Alda confessou-nos a sua estratégia para se aproximar dos alunos, fosse em que disciplina fosse: começou por dar as aulas sentada atrás da secretária; depois, no estrado, fora da secretária e, finalmente, aventurou-se a «sair do pedestal» e descer ao nosso nível. A sensação era bem diferente!
E as nossas memórias de alunas?
A Dra. Alda era uma pessoa completamente diferente que aparecia no Colégio. Era alta, elegante, gira, descontraída e tinha duas coisas que nos encantavam: os mocassins e o seu inesquecível Triumph cinzento. Além disso, tinha uma forma muito peculiar de entrelaçar as pernas quando se sentava e até quando andava naquele corredor das salas de aula.


Recém-licenciada, veio directamente para as Caldas, onde exerceu uma actividade que a marcou muito positivamente e lhe deixou muitas e boas recordações, que não escaparam às comparações quando, mais tade, foi leccionar noutras paragens.
A Dra. Alda refere que, antes de começar a leccionar, tinha lido o Diário de Sebastião da Gama, que a motivou com esta frase: «Sebastião, tens muito que fazer?» ― «Não, tenho muito que amar». E foi isto mesmo o que sentiu durante os 2 anos que passou entre nós: Amou e foi Amada.

Conclusão:
Foi professora a tempo inteiro.
Casou e foi mãe a tempo inteiro.
Reformou-se para ser esposa e avó a tempo inteiro.

QUE MULHER EXTRAORDINÁRIA!!!!!

Júlia Ribeiro
Isabel V. P.
Mélita Teotónio

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COMENTÁRIOS

João B Serra disse:
Agradeço às meninas que aqui trouxeram esta bela memória de uma professora que não esqueci.
Fui aluno da Dr.ª Alda no meu 3º ou 4º ano, a Ciências Naturais. A imagem que guardo da professora desse tempo corresponde por inteiro à que foi traçada pela Júlia, pela Isabel e pela Mélita: dedicação e competência, entusiasmo e alegria. Gostaria de sublinhar este aspecto: a Dr.ª Alda era uma professora que sorria. E que o fazia com a mesma naturalidade com que se sentava no tampo da secretária, entrava e saía do seu Triumph.
A figura, que as autoras do post definem como "alta, elegante, gira" não diz, no meu modo de recordar, tudo. Para quem, como eu, tivesse 13 ou 14 anos, a Dr.ª Alda era "altíssima, elegantíssima e giríssima". Não creio que nenhum rapazito da minha turma se não aplicasse, daquela forma "discreta" e "ajeitada" que caracteriza o comportamento dos adolescentes, e competindo duramente para tal, em "chamar a atenção" da Dr.ª Alda.
Vim a encontrá-la, muito mais tarde, nos finais da década de 70, no Bombarral, onde exercia funções directivas numa escola secundária. Foi também esse um acontecimento que retive. A memória que guardara da antiga professora ajustava-se perfeitamente à da pessoa que inesperadamente revia 17 ou 18 anos depois.
Hoje sou colega das suas duas filhas, Teresa e Maria da Graça, amigo e também colega do seu genro João. Estas continuidades testemunham e dão sentido ao novelo cuja ponta começou a ser desenrolada vai (quase) para meio século!
J. Serra ( O João tem também um post a propósito da Dr.ª Alda no seu blogue em http://oqueeuandei.blogspot.com/2009/02/professora-alda.html ).

farofia disse...

amo,amas,amare,amavi,amatum(?!). Estas são memórias de afectos que nos põem perante o que não envelhece dentro de cada homem, a anima. Esta capacidade de o 'ontem' ser 'hoje'. Sem stress, receita o João Jales. thanks!

João Jales disse:

Tive o privilégio de conhecer a Dr.ª Alda no Verão passado, numa destas "organizações surpresa" da Júlia, em Óbidos. Está documentado esse encontro em FIM DE TARDE COM A DRA. ALDA LOPES (ÓBIDOS, 26-07-2008)
Não fui seu aluno, mas não precisava de ler o comentário do João Serra para o lamentar, bastou-me essa deliciosa tarde em casa da Júlia para me render aos encantos vários desta Senhora. Já tinha o prazer de conhecer o seu marido, o verdadeiro "gentleman" que é o Dr. Mouga, desde o início da década de oitenta. Esta é pois uma evocação merecida, e claramente sentida, dos seus antigos alunos.
Obrigado às “meninas”, como diz o João, por mais este artigo para uma série de que o Trio Maravilha (é este o nome?) tem sido um dos grandes dinamizadores. Como eu disse à minha amiga Dra. Inês, e ela não esqueceu, tudo isto feito “sem stress”, por puro prazer, sem obrigações nem outras intenções.

Manuela Gama Vieira disse:
Bem, Jales, este blog atingiu velocidade de cruzeiro! Não conheci a Drª Alda Lopes, contudo, as fotos confirmam que a beleza e a elegância não têm idade.
Gostaria de voltar atrás, não para ficar mais nova(….) mas para conhecer facetas dos nossos Professores, que há 40 anos me passaram totalmente despercebidas: as cumplicidades - o arabês- e o sentido de humor que havia entre eles, num Colégio onde o Director (P.e Albino) fazia questão de tornar o ar pesado.
Drª Inês, nem sabe quanto o poema que me dedica me tocou, agradeço-lhe imenso.
Todos os Professores nos deixaram lembranças, outros deixaram-nos recordações e estas ficam perenemente guardadas no coração. Manuela Gama Vieira

Manuela Carvalheiro disse...
Caros amigos:

Rever a Drª Alda no jantar da passada semana em Lisboa, conjuntamente com um grupo de colegas, Júlia, Laura, Isabel Vieira Pereira; Melita e Quim(novamente por mão da Júlia) foi de uma emoção extraordinária.Nâo só porque voltamos atrás nas nossas vidas, mas porque em simultâneo e de novo conseguimos reencontrar-nos no presente.

A ternura, a emoção à flor da pele, o abraço amigo que se estendia no olhar, nas palavras e no sentir, estava de novo presente. Foi díficil separar a memória da Drª Alda professora de ciências da Drª Alda uma amiga e de novo confidente das nossas vidas. A partilha dos afectos e a proximidade, eram entre muitas algumas das suas grandes qualidades. Foi essa diferença que fez dela uma professora diferente, que nos (me)marcou de forma especial.

Vi com alegria que se mantinha apesar da idade (afinal só mais 10 anos que nós. O que é isso agora?)feliz e segura partilhando as alegrias e preocupações. Uma palavra especial para o seu companheiro de toda a vida (o tal do telefonema) o Dr Mouga. Não o conheciamos bem da altura do colégio mas passados anos reencontrei-o em Coimbra. Estava no Internto Complementar de Cirurgia e eu era uma recém-formada. Não convivemos muito na altura. mas deu para agora recordar com ternura

Um abraço a todos. Manuela Carvalheiro

ERA UMA VEZ...

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Era uma vez três meninas que eram muito amigas em 1963 e que se reencontraram quarenta e cinco anos depois

num jantar em Óbidos.
Eu fui convidado, jantei e tirei as fotografias.
Agora espero que alguém escreva como foi.

Ah, já me esquecia, o jornal mais lido
durante a refeição foi " O DESPERTAR".
JJ

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COMENTÁRIOS

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Laura Morgado disse:
Começo por fazer um pequeno reparo pois, na verdade, em 1963 eu a Manela e a Júlia éramos muito amigas: quarenta e cinco anos é o tempo que vai entre a fotografia da baliza e as restantes. Ao certo, eu e a Manuela Carvalheiro não nos víamos desde 1965, último ano em que estivemos juntas no ERO (vão 43 anos).
Eu e a Júlia há já algum tempo que tivemos a oportunidade de reviver a nossa amizade, tal como já foi testemunhado neste blog. Durante o jantar soube que o mesmo se tinha passado com a Manela e a Júlia.
Neste convívio do dia 17 de Janeiro em Óbidos recuperou-se um clima de cumplicidade, existente entre nós há décadas e perdido no tempo. Espero que continue a haver oportunidade para muitos encontros iguais a este.
Não posso deixar de salientar a presença do nosso professor de Físico-Química, Dr. Serafim, que muito gostei de rever e que, com a sua simpatia e boa-disposição, ajudou a criar um ambiente fantástico entre todos.
Terminámos este reencontro em casa da Júlia, acompanhados pela bela e maravilhosa Ginja de Óbidos feita pelo seu pai. Brindámos aos presentes e aos ausentes…
Um muito obrigado ao João Jales que nos acompanhou, fotografou e que, apesar de ser mais novo, tem sempre muita disponibilidade e boa-vontade para proporcionar estes momentos inesquecíveis para todos.
Laura
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Júlia Ribeiro disse:
Nunca pensei que o João, após ter ajudado, e de que maneira, a despejar umas garrafitas de vinho, ainda com uma gingita a seguir, continuasse com as suas insónias e fosse a horas tardias arranjar-me trabalho de casa para hoje !!!!!........
Perante estas fotos, e comentários anexos, mais uma vez se constata o seu entusiasmo e o papel que o blog tem desempenhado na reaproximação e convívio dos "ramalhões" e família.
Eu, a Manela Carvalheiro e a Laura fomos colegas e amigas do 1º ao 7º ano. Realmente em 1965 cada uma rumou à respectiva faculdade, e cidade, e assim nos perdemos. Eu e a Manela, passados muitos anos, reencontrámo-nos num Congresso algures (aqui aguardo que ela descreva esse reencontro, pois recorda-o muito bem). Posteriormente houve outros, mas muito esporadicamente e sempre de passagem.
Há uma semana, a propósito dos versos aos professores, em conversa por telefone decidimos encontrar-nos e irmos jantar. Tínhamos que convidar a Laura, não podia faltar, e teria que convidar outra pessoa, alguém muito especial, o grande responsável por todos estes encontros e reencontros. É assim que aparece o fotógrafo... não foi contratado!
Durante o jantar saiu da "pasta" da Manela um jornal: o nº1 do Despertar, o jornal do ERO, de 1959! Aí revimos artigos, redacções dos bons alunos de Português e poetas da altura (eu não tenho lá nenhum).Imaginem que descobrimos de onde vem a veia de escritor do Jales! Vimos um artigo cujo autor é um senhor Joaquim Jales… e eu perguntei:
- João, quem é este senhor?
- É o meu Tio! – respondeu ele, tão admirado como eu.
Tivemos o prazer da presença do Dr. Serafim que, sempre com a sua simpatia e boa disposição, nos proporcionou o reviver de momentos e estórias fantásticas.
João muito obrigado por nos teres acompanhado neste jantar/reencontro ao fim de 43 anos.
Um abraço, com muita amizade
Júlia R
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João Jales disse:
Impõem-se aqui alguns esclarecimentos e correcções. A sugestão de que eu terei “ajudado, e de que maneira” a despejar várias garrafas de vinho que vieram para a mesa é falsa. Eu e o Dr. Serafim fomos um exemplo de moderação e quase abstinência, até porque as duas garrafas que nos chegaram foram as que a fotografia acima comprova, uma de água e outra, já vazia, de tinto.
A ginja em casa da Júlia foi mais um pretexto para ajudar um marido em apuros a levar uma etilizada esposa para casa, tarefa que, entre todos os presentes, lá levámos a cabo. Não vou aqui referir nomes, claro, mas a verdade é só uma! Verdade também que a ginjinha era, novamente, excepcional.
Os exemplares nºs 1, 2, 3 e 5 de “O Despertar”, entre 1959 e 1963, foram as estrelas da noite; após digitalizados serão aqui partilhados com todos os bloguistas. Fiquei tão surpreendido como a Júlia ao ver o nome do meu tio no jornal, sabia que ele tinha sido aluno do ERO, um dos melhores jogadores de futebol do seu tempo (e um D. Juan, já agora), mas não lhe conhecia a veia de “escritor” (que eu não tenho, ao contrário do que é dito no comentário).
A presença do Dr. Serafim, que nos brindou com alguns saborosos episódios dos seus tempos de professor, foi realmente um privilégio. Mas não consegui saber quando teremos direito a uma intervenção sua aqui.
Não posso aceitar os agradecimentos e elogios da Laura e da Júlia, fui um feliz convidado, sou eu quem agradece o convite.
Bjs às três meninas, um abraço aos restantes convivas. Temos que repetir e até já sabemos onde… JJ
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Era uma vez três meninas...
O título e a fotografia dos anos 60 leva-me a evocar um poema Português do século XVI, que Almeida Garrett integrou no seu Romanceiro e que na altura nós e outras meninas e meninos tínhamos de aprender nas aulas de Português "A Nau Catrineta". Ora vejamos:

Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar."
….
- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."
.....
- "Alvíssaras, senhor alvissaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal
.......
Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

….
Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar


Se na altura dos descobrimentos, século XVI, assim se versejava já no século XX nos anos 60 a realidade era outra. Também se viam as três meninas, não sentadas no laranjal, mas sim num campo de football (no campo da Mata presumo) escondendo-se atrás da baliza, muito vestidinhas com as batas do colégio e com meias (pormenor importante, lembram-se?) sem nada fazerem. Nem cosiam, nem fiavam nem choravam! RIAM e riam porque na altura as coisas eram mais fáceis a amizade era real e das pequenas coisas se fazia a vida.

Passados mais de 40 anos as três meninas, agora três senhoras balzaqueanas voltaram a estar juntas. Não no laranjal, não no campo de football a ver os rapazes, mas no restaurante com os maridos, com um antigo professor (o Dr Jaime Serafim, meu cunhado que muito estimo) e um amigo o João Jales, o Capitão General do Blog dos antigos alunos do ERO. No entanto e apesar da passagem dos anos, uma coisa muito importante há em comum às fotografias das três meninas.

A alegria e o riso, expressão da felicidade do reencontro e da vida

E assim
“a Nau Catrineta que ao vir tinha muito que contar”, (era a nossa juventude que ela então contava) quando “lá vai a Nau Catrineta (40 anos depois) muito leva para contar estava a noite a cair…." (contava da nossa vida actual, do bom, do menos bom, da família, dos amigos, das recordações…e da ginga na casa da Júlia)

"Alvíssaras, senhor alvíssaras, meu capitão general!" Obrigada João Jales

Um abraço a todos
Manuela Carvalheiro

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Isabel Vieira Pereira disse:
Que inveja! A Júlia ainda me desafiou, mas estou de partida para Itália e não me dava jeito nenhum ir até Óbidos — se fosse em Lisboa, teria sido mais fácil. Ainda por cima, não vejo a Manela há para aí 43 anos (!!!). Talvez se proporcione outra oportunidade que me apanhe mais disponível.
Fico à espera das histórias do jantar — Júlia, anima-te lá a escrever alguma coisa.
Isabel VP
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Júlia respondeu à Isabel V P:
Será um pouco dificil contar as histórias...algumas foi o João que contou e não estou autorizada....Falou-se de tanta coisa que não me recordo de momento......imagina das 20h à meia noite a conversar...e num jantar......
Eu até nem sabia que o JJ não tinha aptidão para o curso de Eng,de Electrotecnia no Técnico !!!!!!!!!
E falámos nos nossos "rebentos"....os nossos filhotes. Queres mais? Trata de combinar e marcar o próximo, ok? Foi pena não poderes acompanhar-nos.
Beijinhos
Júlia R
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Isabel Esse disse:
Estes encontros são motivos para grandes alegrias,estou certa,mas verifico que se realizam apenas com gente de gerações mais velhas do que a minha.Não seria possível o blogue organizar estas pequenas reuniõe também para os alunos mais novos que estiveram no colégio até ao início da dácada de 70?O JJ só saiu em 1972.Isto nada teria a ver com o já marcado almoço de Novembro deste ano.Isabel
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JJ respondeu:
O Blog propõs-se desde o primeiro dia apoiar a realização de encontros de alunos do ERO unidos por turmas, actividades (desportivas ou outras), interesses ou amizades, como neste caso e noutros aqui noticiados (homenagem Dr. Lopes, jantar/encontro de Verão, reunião com a Dra. Alda, etc.), mas deixando a organização a um grupo que se constitui para esse fim. Em todos eles estiveram presentes pessoas das mais diversas idades, como mostram as fotografias, e não apenas de "gerações mais velhas". Conta com o apoio do Blog se quiseres organizar qualquer evento.
Haverá uma reunião de colaboradores do Blog em Março, por exemplo, seguida de uma outra que nomeará duas pessoas por turma para convocar e organizar a próxima grande reunião de 14 de Novembro deste ano. Tudo isto o Blog apoia, mas não organiza.
Eu saí do ERO mais precisamente no final do ano lectivo de 1970/71, já que falas nisso.
Vai aparecendo. JJ
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João Ramos Franco disse:
Tento recordar as Três Meninas da foto, os nomes não me são estranhos, as caras estão presentes num álbum meu, a que chamo "Déjà Vu". A realidade da amizade que se perpetua ao longo dos anos e a sua continuidade, nestes nossos retratos e relatos de Antigos Alunos do ERO, mostra bem a cada momento o que fomos e o
que somos. João Ramos Franco
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M.Fátima Gama Vieira disse...
Manuela Carvalheiro, recordo-a da minha adolescência e juventude, vividas em Caldas da Rainha.Com emoção reencontrei-a em Coimbra, admiro-a: Humana, Carinhosa, Professora excepcional, Profissional de excelência e extremamente dedicada a todos que a procuram. um grande abraço.

Em 1963, um conto de João Ramos Franco no Almanaque Caldense

por João Serra
1963 foi o ano do telefone vermelho ligado entre Washington e Moscovo, das lutas dos negros norte-americanos contra a descriminação racial e do assassinato do Presidente, John Kennedy, de 46 anos, em Dallas. O Papa João XXIII morreu em Junho, sucedendo-lhe Paulo VI. No ano anterior, tinha-se inciado a guerra de guerrilha em Angola. Agora era a vez da Guiné. Salazar estava no poder há 35 anos e Portugal em regime sem liberdades há 37. O cinema novo fez a sua aparição nos cinemas portugueses com o filme “Verdes Anos” de Paulo Rocha, enquanto Hitchcock terminava “Os Pássaros”, Losey “O Criado” e Jerry Lewis “As Noites Loucas do Dr. Jerryl”. Bob Dylan editou “The Freewheelin”, os Beatles tornam-se definitivamente referencias mundiais, enquanto os Rolling Stones davam início à sua carreira. João Ramos Franco, 18 anos, caldense, aluno do Externato Ramalho Ortigão, está numa encruzilhada. Falhara dois anos antes o 5º ano de Ciências e tentava agora fazer o 7º de Direito, enquanto repetia o que ficara para trás. Parava pelos cafés, o Central e o Bocage. Conheceu Fernando Alberto Pimentel, guarda-livros da ROL, que o convidou para fazer uma publicação sobre as Caldas. Mais velho 20 anos, Fernando era neto do escritor Alberto Pimentel, escrevera em jornais e colaborava com a “Gazeta das Caldas”. O modelo de publicação que adoptam é o dos Almanaques, onde se somavam informações úteis sobre uma localidade ou um assunto a artigos sobre temas históricos e literários.


O “Almanaque Caldense” é uma obra de 1963. Contém textos sobre organizações caldenses (Os Pimpões, o CCC – Conjunto Cénico Caldense – por exemplo) entrevistas com dirigentes locais e textos literários. Um deles, que hoje aqui se republica, é da autoria de João Ramos Franco e intitula-se “A Praça”. Trata-se de uma narrativa escrita na primeira pessoa. O autor observa um dia de Inverno da praça caldense a partir de um ponto de observação, o café Bocage. A praça é um microcosmo da sociedade e da economia locais que João procura retratar a partir da presença/ausência de vendedores provenientes da zona rural. O retrato que nos deixa é desolador, como o dia, carregado em tons cinzentos que se comunicam também aos personagens de um mundo triste e conformado.
J. Serra





A PRAÇA

por João Ramos Franco
Dia de Inverno, escuro e triste. Eu, como de costume, sentado numa mesa do Café Bocage, penso que deveria estudar, mas fico olhando aquela praça enorme, triste, com o chão coberto por restos de mercado, que a esta hora já não existe e que espera a chegada dos empregados da câmara para que a limpem.
Aqui e além os pombos pousam sobre esses restos como para provarem a bondade dos homens…
A chuva cai, agora quase que de propósito, como se pensasse que era necessária para acabar de limpar o que os empregados deixaram…
Coitados os pombos ficaram quase sem comida, ela bem podia ter esperado mais um bocado.

Tudo é triste nestes dias, é como se ela perdesse a vida mais cedo. Aquela praça que tem alguma coisa de humano está vazia, só, sem a simplicidade daqueles homens e mulheres que, logo pela manhã e às vezes ainda de noite, a pisam, talvez com sacrifício, porque mais tarde não têm as suas coisas vendidas, mas eles enchem-na todos os dias, chova ou não chova, tendo sempre as mesmas características, as mesmas vestes, homens e mulheres pobremente vestidos, de barrete ou lenço na cabeça, com o respectivo cesto na frente, tentando vender aquilo que debaixo de chuva e frio arrancaram à sua própria terra. Parou de chover, a praça começa agora a ser percorrida por seres que a pisam indiferentes. Seres que, com certeza, não sentem que nela existe parte da vida de outros iguais a eles.
Ergo os olhos daquele chão marcado por quadrados de basalto e calcário e olho agora as paredes das casas que envolvem a praça. Paredes com letreiros, anunciando outro modo de viver dos homens. Paredes limpas de letras mostrando a existência de casas de habitação. E as paredes fendidas por ruas, que fazem lembrar as guelras de um peixe, apenas porque por muita água que entre nelas, só um volume é de oxigénio.
Reparo para o relógio, são 6 horas da tarde, a noite aproxima-se mais escura e triste que o dia e sobre a praça, quase morta, apenas há as sombras das pessoas que a atravessam em direcção a casa ou aos cafés onde começa agora a pairar um ambiente pesado.
O tempo passa rapidamente e o ambiente do café é quase insuportável. Ergo-me da cadeira que ocupei durante toda a tarde e dirijo-me para a porta, onde fico olhando a praça mais uns segundos, e digo para comigo:
- Até já…
Acabei de jantar. Desço os três lances de escada da minha casa e abro a porta. O frio fustiga-me a cara e obriga-me a encolher ainda mais dentro da samarra como que tentando fugir a ele.
Percorro agora as ruas vazias olhando as paredes das casas, marcadas por recortes de luz e pensando que para lá daquelas paredes existe a vida familiar… Uma vida que deveria ser pura e bela…
Entro no café absolutamente abstracto, sento-me e olho a praça através do vidro embaciado por a respiração, ela está envolta por uma neblina que não a deixa ver.
- Sr. João deseja alguma coisa?
As palavras do empregado tiram-me da abstracção em que me encontro.
- Sim, traga-me uma bica e um brandy.
Abro o livro de Física, quase automaticamente e concentro a atenção sobre um capítulo que já li imensas vezes. Perco por completo a noção do tempo e de tudo o que se encontra à minha volta…
Oiço o relógio da Câmara dar duas badaladas. Levanto a vista do livro para a sala. As cadeiras do café sobre as mesas marcam a hora de fechar.
Chamo o empregado.
- Quanto devo?
- São 4$50, Sr. João.
Pago e saio.
Caminho agora lentamente sobre a praça iluminada pela luz ténue dos candeeiros que, por entre o nevoeiro, deixa ver apenas as sombras verticais de prédios que mais parecem sentinelas perpétuas de tudo o que aqui se passa.
E, com passos largos e pesados, olhando em volta como que tentando encontrar alguma coisa sobre a praça naquela noite fria e com nevoeiro, continuo a caminhar sobre ela… O silêncio cortante que só existe em noites como esta é interrompido. O ruído, talvez de uma carroça, aproxima-se lentamente da praça. Olho o relógio, são 3h 15. Distingo agora, no meio do nevoeiro, a sombra de um homem que desce de uma carroça encostada à praça e vejo-o começar a descarregar cestos e colocando-os sobre os quadrados pretos e brancos do chão…
Fixo quase com fervor aquela imagem, como não querendo esquecer o sacrifício daquela gente e caminho em direcção a casa.

João Ramos Franco




As imagens antigas das Caldas que utilizo estão em Caldas da Rainha em postais ilustrados