ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

Mostrar mensagens com a etiqueta 1967. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1967. Mostrar todas as mensagens

UM DIA NA VIDA (João Jales)

.
Entrei na loja naquela quinta-feira cumprimentando quem estava, como habitualmente. Mas algo de estranho se passava, ninguém pareceu dar pela minha chegada porque, debruçados sobre o balcão e olhando para algo que eu não conseguia ver, alguns dos presentes diziam nomes, enquanto outros respondiam que sim e que não e que talvez… Todos quantos estavam na loja estavam nesse aglomerado de pessoas!
.
O ambiente era ainda mais estranho porque do pick-up, colocado ali no canto à esquerda de quem entrava, jorrava uma dissonante melopeia oriental tocada por estranhos instrumentos que eu nunca tinha ouvido. Quem estaria a ouvir aquela bizarra música? Ninguém aparentemente, todos os clientes pareciam apenas atentos a uma grande fotografia colorida pousada em cima do balcão e diziam: Marilyn Monroe … Bucha e Estica… Marlon Brando... Tom Mix…
.
Mas as coisas modificaram-se, a música tornou-se um Rock mais reconhecível, embora com arranjos diferentes, mais ambiciosos, do que eu estava habituado a ouvir; as vozes, essas eram fantásticas. Subitamente, um galo cantou…Um galo? Alguém, do grupo do balcão, se dirigiu ao disco que tocava e disse:
- Temos que ouvir o galo outra vez!
.
Mas não conseguiu saber onde colocar a agulha porque não havia o habitual espaço entre músicas, elas sucediam-se ininterruptamente no disco e ele acabou por optar deixá-lo a tocar sem voltar atrás.
.Shirley Temple …. Diana Dors …. Einstein …. Marlene Dietrich …. nomes de artistas de cinema, escritores, cantores, políticos, a maioria por mim desconhecidos, continuavam a acompanhar o apontar de diversos locais da foto, mas o entusiasmo ia esmorecendo já que a tarefa ia ficando, aparentemente, mais difícil. Eu já entrevia a capa de um LP, igual aos do meu pai – eu só possuía EPs, menores e contendo apenas quatro músicas, mas nada parecido com o que ouvia agora! Depois de um estranho trecho orquestral terminar num inesperado estrondo, o Sr. Diogo virou o disco e, após o que parecia o ruído de uma pequena multidão num qualquer espectáculo, Paul McCartney começou a cantar “We’re Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band…”. Começava também assim um fascínio que não faria senão crescer durante 42 anos, que se completam no próximo dia 8 de Junho, o dia de 1967 que tudo isto se passou. Uma semana após o lançamento mundial do disco (1/6/67), ele estava disponível nas Caldas, o primeiro sinal que conheci da globalização.
.
O meu pai tinha chegado entretanto à Tália e assistia, divertido, ao entusiasmo pelo objecto em causa. Os mais novos pela música, os mais velhos pela luxuriante capa onde estavam efectivamente representados seis dezenas de personalidades que os Beatles admiravam.
.
Eu continuava a ouvir uma música irresistível, a sucessão de canções sem intervalo (coisa nunca vista) deixava-me sem respiração e, quando acabei de ouvir o segundo lado (que depois descobri ser o primeiro, ouvi o disco ao contrário) eu sabia que queria ouvir aquelas músicas para sempre e não apenas enquanto a Tália estivesse aberta… Foram duras as negociações familiares, os Beatles não eram um modelo que os nossos pais aprovassem, ao contrário de Cliff Richard, Pat Boone, Petula Clark, Adamo, etc. O grupo estava ligado à contestação de todo um modelo social e havia referências explícitas a drogas nas letras e no grafismo do disco (apesar de ter algumas reservas nessa altura em relação aos Beatles, o meu pai tornar-se-ia também um apreciador, mas mais tarde). O Sr. Nogueira acabou por salvar a situação sugerindo a abertura de uma conta em meu nome e deixando-me pagar a prestações os 188$50 que o LP custava. Como eu fazia anos no fim do mês, recebendo por isso cem escudos da minha generosa madrinha e outras importâncias menores de outros familiares, o meu pai autorizou a transacção. Fui a casa buscar cinquenta escudos (todo o dinheiro que possuía!) e, com essa entrada, formalizei o negócio e saí com um enorme envelope creme com o logótipo da Tália, dentro do qual estava o precioso “Sgt Pepper’s”.
.
Tinha treze anos quando isto aconteceu e o disco em causa foi efectivamente o primeiro dos milhares que hoje desafiam qualquer arrumação e, embora tendo sido há muito expulsos (e eu com eles) da sala familiar, continuam a impossibilitar a ordenação e arranjo estético do espaço que eu ocupo em minha casa.
.A estes anos de distância vejo que este disco me deu uma perspectiva nova do que é a música, não simplesmente uma companhia ou um factor de convívio, mas uma nova dimensão em que é possível mergulhar com todos os sentidos. Cada canção correspondia a um pequeno filme que existia dentro de mim mas que só a música me fez descobrir. Auxiliado pelas letras inscritas no verso da capa (pela primeira vez na história da música gravada) voei com Lucy pelos céus (apesar de nem sonhar o que era LSD) e sentei-me com a Rita no seu sofá (sem saber que era uma mulher-polícia, as palavras das canções significam o que despertam em nós). Solidarizei-me com a adolescente que sai, chorosa mas decidida, de casa, apesar de todo o conforto material (She’s leaving home / After living alone / For so many years / Bye, bye – não fui copiar a lado nenhum, não foi preciso) e senti verdadeiramente que tudo era possível With a Little Help From My Friends e que esses amigos não viviam apenas nas Caldas da Rainha. Paul garantia: It’s Getting Better, e eu acreditava.
.Meditei longamente ao som dos 300 segundos (certos) do oriental Within or Without You, com as luzes apagadas e a persiana fechada enquanto dava finalmente uso a uns paus de incenso que a minha mãe tinha comprado algures, atingindo o mais absoluto nirvana e descobrindo que não há droga mais poderosa do que o nosso cérebro. Fui dançarino e malabarista ao som da música de circo de Mr Kite, fui uma vedeta de Rock fazendo coro com Lennon em Good Morning e com Paul no tema principal (de que eu preferia a 2ª versão, sem metais, no lado B) … Deslumbrei-me e intriguei-me eternamente (até hoje) com o incrível e indescritível A Day In The Life , apreciando pela primeira vez uma orquestra convencional e repetindo à exaustão a citação (talvez piada…) de Lennon de que o estrondo final do disco (quatro pianos percutidos simultaneamente uma só vez) era a tampa do sarcófago do conhecimento a fechar-se para a eternidade, deixando-nos nas trevas da ignorância… (eu tinha treze anos, queriam o quê, que não acreditasse no John Lennon?)
.
Depois destas audições, nunca me agradou ver música acompanhada de filmes (os primeiros e incipientes videoclips são desta época), porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens sobre a música de que realmente gosto. E tenho esboços de filmes que altero e refaço a cada audição dos Beatles, Bach, Beethoven ou Miles Davis … Alguns com pessoas, inventadas ou reais, outros quase abstractos.
.Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, apesar de frequentemente considerado e votado como tal, não é talvez o melhor disco da música popular do século XX nem sequer, na minha opinião, o melhor dos Beatles, mas contém a música que mudou a minha vida e me proporcionou os mais genuínos momentos de prazer musical que recordo ter experimentado. Só há uma primeira vez…
.
João Jales



____________________________________________________________
C O M E N T Á R I O S
.
Isabel X disse...
Face a este testemunho de JJ só posso reconhecer, uma vez mais, que tive uma adolescência muito amputada... Não me lembro de nada, mas absolutamente nada, que nessa época me tivesse suscitado semelhante dose de sentimentos.
Curiosamente, talvez por razões diversas, sinto grande afinidade com ele quando diz "porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens...". Eu também, mas tal noção só me aconteceu muito mais tarde, por motivos muito diversos. Parabéns JJ, por teres tido uma adolescência assim tão marcante!
- Isabel X -
.
Isabel Esse disse...
Sempre me lembro de ouvir falar do JJ como um maluco da música,não fico nada admirada por ter começado tão cedo a apreciá-la.
Os Beatles são um grupo sempre actual com uma música que não envelhece,embora eu não os conheça tão bem como o JJ.Ele deve conhecer tudo de cor!!!
Mais um artigo em que somos contagiados pelo entusiasmo do autor e em que ele consegue transmitir-nos o seu prazer e o seu gosto pelas coisas de que fala.
Isabel
.
São Caixinha disse:
O teu notável gosto pela música e particularmente pelos Beatles faz-se bem sentir neste teu texto pleno de côr e vivacidade. Destemida e generosamente, entre notas de humor e ingenuidade, deixas-nos entrar no mundo privado da tua experiência da música. Surpreendente e admirável! O entusiamo é contagiante e provoca-me, para começar, preciosos momentos de nostalgia...mais tarde terei que ouvir o LP com atenção renovada!!!
Brilhante!!! Os meus parabéns!
.
João Ramos Franco disse...
Entendo o teu encontro, “UM DIA NA VIDA (João Jales)”, como o espelho de toda uma geração que encontrou nos Beatles a imagem e a sonoridade da música, que de certo modo alterou o comportamento da juventude em determinada época. O modo como contas este episódio, citando outros cantores e músicas, anteriores, marcam bem como o sentias.
Claro está que estou a ver este episódio com a distância da idade que nos separa, eu já estava a cumprir serviço militar e tu ainda na idade de quem está sensível aos movimentos da tua época.A música e cantores do meu tempo, alguns, também me marcaram, mas de outro modo, que não vou agora contar pois iria desvendar o que tenho para escrever sobre este assunto…De qualquer modo, este dia da tua adolescência, está muito bem arrancado e mostra-nos a geração Beatles…
O sempre amigo
João Ramos Franco
.
Luis disse:
Passei a noite de domingo a ouvir o meu velho exemplar do Srgt. Peppers...Não consigo fazer melhor elogio ao que escreveste!!!Luis
.
Fernando disse:
(...) o que me impressionou foi o facto de me ter sentido quase como um habitué das Caldas dos 60, na pele de um pré-adolescente. Isso é que foi admirável e a responsabilidade foi tua.
Eu ouvi pela primeira vez algo do Pimenta na camarata do 6º ano, no colégio e pelo altifalante que também debitava o som da corneta da alvorada e as mensagens urgentes (felizmente que nessa ocasião os sons dos de Liverpool estavam destacados). Não ouvi o disco todo , mas fiquei também impressionado.
Claro que já tinha ouvido o Aftermath e o Paint it Black anteriormente... Para a compra, tinha a grande vantagem dos meus 16 anos, com uma semanada de 50 mil reis e algumas economias de lado. Foi canja e tenho pena de já não ter os acessórios.
"It was almost forty two years ago today."
.
J L Reboleira Alexandre disse...
O menos que se pode dizer do JJ é que foi «musicalmente precoce». Aos 13 anos música lá em casa só se fosse a dum velho transistor comprado pelo meu pai nas Canárias, numa das suas inúmeras viagens pelo Atlântico.
O João, como é seu hábito, oferece-nos uma escrita que se lê «d' un trait» e nos transporta para outras épocas. A tal preferência que já na altura tinha em criar as suas imagens a partir dos sons que escolhia, reflete-se na facilidade que tem em partilhá-las com os seus leitores.
Foi pela mesma altura, com os meus cerca de 2 anos mais, que igualmente descobri os Fab Four, mas mais os Stones (não havia qualquer tipo de censura doméstica no meu caso...) apesar de me tocarem mais os intérpretes de baladas. Nomes como Mélanie Safka, (hoje apenas Mélanie)com a fabulosa interpretação de «What have they done with my song, Ma» ou Beautiful People, e outros nomes tais Baez, Dylan (que nas poucas palavras que menciona nos seus concertos actuais, pergunta sempre o que é que os jovens de 60 viam nele?), a extraordinária J. Joplin, o meu «conterrâneo» L. Cohen, enfim a lista é quase infinita. Hoje apenas Amy «vinho da casa» (não resisto à tradução, mas a culpa é dela), me confere emoções similares àquelas que me eram transmitidas pelas magnificas vozes de 60 ou inicio de 70.
Um abraço.
.
ZE_MAS disse...
Esta é uma das grandes descrições que apareceram neste blogue.Pessoal e emocionante,só quem gosta MUITO de música consegue escrever assim sobre um grande momento musical como é o Sargento Pimenta.So discordamos porque eu acho que é mesmo o melhor disco do século,como a mais recente lista da Rolling Stone mostrou.Mas isso é outra discussão.Brilhante!Parabéns
.
.
vitor b disse...
Eu já nem me lembro bem deste disco dos Beatles mas só de ler o que escreveste fiquei com vontade de o ouvir outra vez.Lembro-me do With a little help e do Lucy in the skye e do Strawberry fields...... Os discos na Tália eram realmente uma tentação inacessível porque os 188 escudos de que falas eram muito dinheiro naquela época,devias ter explicado isso melhor!
Esta série é uma boa ideia mas pode é haver falta de pessoas com a tua memória,como diz a Isabel Xavier.
.
Luisa disse:
Como habitualmente gostei muito de ler a tua prosa. E há duas partes distintas,em que recordas a Tália e outra em que recordas o disco,que eu também ouvi sem parar numas férias em casa dos meus primos mas estou convencida que em 1968.E isso permitiu-me recordar as tuas citações das canções,noutro disco seria mais dificil!
Eu lia mais do que ouvia música mas,como outros comentadores,não tenho memórias tão boas como as tuas para contar...só impressões vagas e a certeza de ter gostado muito dos Cinco,os Sete,das Mulherzinhas,das Pupilas do Senhor Reitor,a Cidade e as Serras,etc.L
.
António disse...
O JJ teve certamente um contacto maior do que eu com a musica e este disco em mais novo.Para conseguir falar dele desta forma não o conheceu em adulto onde,como ele próprio dá a entender nada nos impressiona desta maneira.
Gosto de ver a música do Beatles,de que os meus filhos com 20 anos tambem gostam recordada desta maneira.
Também gostei da parte da Tália(com o Diogo e o Sr. Nogueira)mas é realmente o final que torna este texto verdadeiramente real como se tivesse acontecido ontem. António
.
farofia disse...
“Um Dia na Vida” simplesmente extraordinário! Entretidos com o reconhecimento do ‘Who is Who’ na capa do disco, os clientes desconstroem o puzzle até o galo cantar no prato… do pick-up, aparentemente alheios à música, tão bizarra quanto a capa.
Mas é a música que apaixona os treze anos, musicalmente precoces, do João Jales. É o ‘coup de foudre’ que dá asas à sua imaginação na arquitectura do plano económico financeiro capaz de sustentar-lhe o sonho.
Essa a conquista saborosa com início num dia de data marcada na vida, no tempo dos sonhos possíveis.
Como é "gostosa" esta história!
Inês
.
Júlia R disse:
Como sempre,escreves duma maneira que dá gosto ler e mais uma vez me deliciei. Sente-se o teu gosto pela música, a vivência da tua juventude que deve ter sido fabulosa, todo o teu dinamismo que se nota ser inato, desde muito jovem.
Parabéns, fico contente por teres vivido tantas situações que te marcaram e contribuíram para que uma fase da tua vida, a adolescência, me pareça ter sido muito feliz .
Beijinhos. Júlia

FOZ DO ARELHO E ALGARVE (Fernando Santos)

.
.
A primeira fotografia não é uma foto de férias porque em 1955, embora já trabalhasse, não tinha direito a essas mordomias.
Foi tirada num fim de semana na estrada da Foz, próximo ao cruzamento do Penedo Furado. Ao meu lado esquerdo está a minha irmã Adelina, e à direita, a Lizete (já falecida) que foi a minha primeira namorada a sério.
Se o Carlos João da Paulinha Pardal é a pessoa que penso, deve lembrar-se dela, pois coabitámos o prédio que o avô dele possuía na Rua Bordalo Pinheiro.












A segunda e a terceira já são de férias. Estávamos em 1967 e, como possuía um Fiat 600 comprado no ano anterior, dava-me ao luxo de passar 15 dias no Parque de Campismo de Monte Gordo.
.
.



.

Naquele tempo, atravessar o Alentejo e a Serra do Caldeirão era uma aventura, mas não havia outra alternativa.

Boas férias para todos.

Fernando Santos.
.
.
.
.
.
.
.
.
______________________________________________
COMENTÁRIOS
.
São Caixinha disse:
Quero ainda agradecer ao Fernando o ter partilhado as interessantes fotografias das férias...e do tempo livre... da sua juventude. Não sei realmente quanto grande seria a aventura de uma viagem para o Algarve nesse tempo...(naquelas estradas e naqueles automóveis...) mas lembro-me que em criança era já aventura que chegasse ir visitar os meus avós a Porto de Mós... que naquele tempo só me conheciam pálida e enjoada...!!! Bjs São X
,
Anónimo disse:
É giro como já havia tanta gente a visitar o Algarve nesta altura! tinha a ideia que só nos anos 80 tinha sido a grande invasão, mas pelos vistos os caldenses adiantaram-se.
Não me lembro do Fernando, mas pelas fotos é mais velho do que eu.
boas férias.
.
João Jales disse:
Fui pela primeira vez ao Algarve em 68 ou 69, não posso precisar, mas sei que a estrada era péssima e demorámos 7 ou 8 horas a chegar a Portimão, trajecto que hoje faço em menos de 3 horas.
O Fernando, como aqui já foi dito várias vezes, não foi aluno do E.R.O. e, embora sejamos hoje todos da mesma idade, ele é um pouco menos do que os outros... Mas tem sido um colaborador empenhado, escreve com facilidade e tem material que nos ajuda na nossa tarefa de retratar uma época, como é mais uma vez o caso.
.
José Luis Reboleira Alexandre disse:
O Fernando Santos não foi aluno do ERO nem da Bordalo Pinheiro mas as ligações às Caldas são tantas que é presença agradável nos dois blogs, mais naquele do que neste. Ao ver a foto do campismo de Monte Gordo, vieram-me recordações da minha segunda viagem ao Algarve, penso que em 1977, aqui já com direito a uma barraquinha para dormir, e à viagem num FIAT 127 alugado, pois o meu carro da altura, um glorioso FIAT 850 Coupé Sport, com motor atrás, tipo Porsche, comprado em segunda mão em Turquel por 15 contos, e re-vendido pouco tempo depois, não teria sobrevivido aos calores do Alentejo. O pobre que até para vencer a subida dos moinhos do Chão da Parada sofria não teria certamente chegado a Beja.
Era na altura em que na Volta a Portugal havia a equipa da Caloi que falava brasileiro, e a minha priminha de Manaus, de cada vez que encontrávamos a Volta queria por força tirar uma fotografia ao lado dos ciclistas.

Quer queiramos quer não, a nossa vida de hoje é cada vez mais as nossas boas recordações de ontem, e há que guardá-las e mantê-las bem vivas.
Abraço
J.L. Reboleira Alexandre
.
João Ramos Franco disse:
Tenho lido atentamente a tua colaboração no Blog e sinceramente tenho gostado. Deves ser 6 ou 7 anos mais velho que eu porque, no que escreves, citas amizades tuas que têm mais ou menos essa diferença de mim.
Escrever sobre os locais que nos foram comuns mas em épocas diferentes às vezes é difícil, mas não é este o caso, as coisas no nosso tempo não andavam tão depressa. A Foz do Arelho de 1955, recordo-me deste cruzamento assim, quanto ao Algarve os mesmos locais que mostras nas fotografias também eram iguais em 1963.
Se saiste de Caldas só por volta de 1960 é bem provável que me conheças, só que eu não me recordo de ti, precisava de mais pistas.
Um abraço
João Ramos Franco
.
Vasco disse:
informação - A primeira fotografia foi tirado no posto de abastecimento de combustiveis, conhecido como o Patricio, e do qual recordo a bomba manual que servia para abastecer autos, barcos etc.Tinha um dispositivo que permitia misturar óleo na gasolina, quando fosse o caso. A casa do lado esquerdo ainda lá está. devidamente recuperada (Casa Branca) onde no verão se juntavam muitos amigos que faziam o mesmo que todos os outros , na altura : pesca, ski, remo, praia, jogos e, á noite, caçar gambuzinos. Tudo isto na 2ª metade da decada de 60.
VB

CHACINA NO EXTERNATO! REVELADO UM SEGREDO ESCONDIDO DURANTE 40 ANOS.

Recebemos, com horror e consternação, esta macabra história de uma pobre ave trucidada por um bando de selvagens que, aparentemente, quiseram cortejar uma colega com o sangrento sacrifício! Tudo isto contado, com a ligeireza que vão ter a oportunidade de constatar, pela jovem moçoila em causa.
.

Viram o Alien, Pesadelo em Elm Street ou A Noite dos Mortos-Vivos ? Pffff, esqueçam, são contos de fadas em comparação com o que vos trazemos hoje, escrito por alguém que nunca ousámos pensar que se dedicasse ao terror mais sanguinolento com tanta frieza e, temos de reconhecer, tanta mestria. Conhecerá a Tia Anita o dark side da sobrinha?


Hesitámos seriamente em colocar este artigo no Blog mas o Miguel, sempre ele, disse: "Audiências, precisamos de audiências, e nada como uma boa tragédia para as obter. Se não formos nós a publicar, abre amanhã o Telejornal da TVI !". Não pudemos senão curvar-nos perante tão arrasador argumento embora, e cumprindo a Lei em vigor, tenhamos acrescentado a "bolinha vermelha" para que os mais jovens e os mais susceptíveis mudem imediatamente de Blog!








Olá miúdos e miúdas do ERO

Também tenho boas memórias do Colégio e o nosso amigo Flores veio acordar algumas que estavam adormecidas.

Na minha turma do 7º ano (1966-1967), eu era a única rapariga na alínea f), facto que muito me agradava pois se por um lado era a menina que os colegas protegiam, por outro era a sua confidente.
Confesso-vos que me sentia algo vaidosa pois não era fácil uma rapariga ser aceite pelos rapazes como se fosse um deles…

Normalmente era nas aulas praticas de biologia que tínhamos mais oportunidade de conversar e assim, entre aves empalhadas e modelos de cristalização, eu ouvia desabafos, os desgostos de amor ou a paixão assolapada pela mesma miúda…..

Ora numa dessa aulas tínhamos que abrir o pombo e pensava eu que os mesmos já vinham mortos… qual quê…. estavam “vivinhos da silva “ …. tínhamos que ser nós a matá-los ..

A nossa Drª Cristina explicou como deveríamos proceder, agarrando o pombo com uma mão e, com a outra, tapando o bico com um rolhão de algodão (embebido em clorofórmio) até o bicho deixar de estrebuchar…..

Muito a custo lá agarrei o condenado à morte. … Tentar matá-lo eu tentei… mas a certa altura deu-me uma pena do animal e diminuí a força com que o agarrava…. zás … o bicho voou. …e voou não só pela sala mas pela janela, aterrando na cobertura do recreio dos rapazes….

Bem, podem imaginar o raspanete que levei de imediato da nossa Drª , com aquele ar muito inteiro que lhe era usual….!!

Mas eis senão quando, um dos meus queridos amigos (não me recordo se o Canhão mais velho, António Manuel, se o Tó Zé Rego Filipe ou o João Licínio) salta pela janela, apanha o animal e entrega-mo salvando-me duma valente “negativa” e de mais alguns raspanetes …( mal saísse da aula tinha que ouvir a tia Anita e quando chegasse a casa já estava o relatório feito para o meu pai …)

Não me lembro se agradeci na altura mas, como todo o tempo é tempo, aqui fica um grande obrigada ao meu salvador e ao resto do grupo que sempre me mimou e que tão boas recordações me deixou.

Beijinhos, até breve
Ana Nascimento


..........................................................................................................................
comentários:
.
Dezembro 12, 2007
E.R.O. disse:
E se não conseguirem dormir nas próximas noites, como nos aconteceu a nós, não se queixem, nós avisámos antes de vocês começarem a ler.
.
Dezembro 13, 2007
Alberto R Pereira disse:
Olá
Ainda hoje, 35 anos depois, não consigo comer coelho à conta das aulas praticas de Ciências.E as malditas das minhocas? Que ninguem percebia de que lado era a cabeça e que tinha preceito para se abrir!Ao menos no laboratório de Química ainda se podiam provocar umas explosões enfiando o sódio (ou será o potássio?), religiosamente guardado em petróleo, pelo cano de esgoto da bancada abaixo e abrindo a torneira da água.
Alberto Pereira
.
Dezembro 13, 2007
JJ disse:
Eu, ao contrário do Alberto, já não conseguia comer minhocas mesmo ANTES de ter aulas práticas de Ciências....
.
Dezembro 14, 2007
Luis disse:
(.......) e realmente há gente sem quaisquer sentimentos (..................) nunca mais vou conseguir olhar para um pombo sem um calafrio, depois de ler esta estória assustadora!
.
Dezembro 14,2007
MBM disse:
À direcção (e a propósito da guerra de audiências):
Oh meus caros senhores, eu já fui engavetado uma vez na esquadra de Belém sob a acusação de estar a roubar um Mercedes, antes do concerto do Rod Stewart em 83, portanto se voltar a acontecer até já tenho saudades. Respeitosamente.Thanks and goodbye, MBM