ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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CINEMA EM S. MARTINHO

por João Jales
Comi um prego no prato e bebi duas imperiais com o João, enquanto esperávamos pelos nossos amigos, que jantavam a essa hora, oito e meia, com as famílias nas casas alugadas onde passavam o Verão em S. Martinho.

Sempre fui um indefectível adepto da Foz do Arelho, poucas vezes aqui vinha durante o Verão. Mas, nesse dia, surgiu uma boleia inesperada que me permitiu ir visitar meia-dúzia de amigos que lá estavam desterrados durante dois ou três meses. Felizmente a minha família nunca alugou casa em S. Martinho ou na Foz, nessa altura a vida nocturna de qualquer das localidades era para nós pouco apelativa.

Sendo o mais recente dos estabelecimentos de restauração, o Samar, onde estávamos, era frequentado por malta nova e veraneantes recentes. Os banhistas veteranos continuavam nos estabelecimentos tradicionais, na rua dos cafés. Aí a frequência era menos diferenciada, misturando gerações e grupos sociais, só o “Clube dos Betinhos”, situado na esquina dessa rua com uma transversal que subia a íngreme encosta, tinha o acesso reservado aos filhos dos novos-ricos, maioritariamente lisboetas, que chegaram a S. Martinho na segunda metade da década de sessenta. Mais ou menos ignorados nos locais “in” das Caldas (Casino, Azenha, Ferro-Velho), tinham aqui o seu pequeno mundo privativo. Os veraneantes mais antigos, maioritariamente alentejanos e ribatejanos, mantinham habitualmente uma relação mais descomplexada com a população local e com os caldenses, convivendo e misturando-se nos vários cafés e esplanadas existentes. Outro local nessa mesma rua, o “Delírio”, tinha um Rés-do-chão com pingue-pongue e bilhares (e até jogos electrónicos, a partir de 1971 ou 1972); e um primeiro andar, tenho ideia que reservada a sócios ou, pelo menos, a clientes habituais e mais velhos, que ali jogavam cartas. Como no Casino das Caldas, a maioria eram senhoras.

Num microcosmos tão pequeno como S. Martinho, em que o principal passatempo era olhar para os outros, os meus amigos não tinham muitos locais de encontro alternativos aos dos seus pais e o Samar era, neste início da década de setenta, um deles.

Enquanto tomávamos o café, o resto do pessoal começou a aparecer. O Luís sugeriu uma ida ao cinema para “matarmos” estas horas mortas até à meia-noite. Ninguém sabia qual era o filme, mas a noite, com “muita humidade no ar” porque “estava a cacimbar” (eufemismos que os veraneantes ainda hoje usam quando chove à noite, o que é frequente), tornava o conforto do cinema atractivo.

Mas a realidade era bem diferente já que, verdadeiramente, não existia “cinema” e muito menos “conforto”. O termo cinema refere-se normalmente a uma sala de espectáculos com as condições mínimas para a projecção e visionamento de um filme. O barracão onde me encontrei em S. Martinho do Porto não tinha nada a ver com isso: parecia uma velha arrecadação, com as paredes exteriores de cor amarelada, muito sujas, e com o interior forrado a madeira. Sentámo-nos numas duras cadeiras sem qualquer almofada ou forro. Soube depois que estávamos na “geral”. A parte de trás, a “plateia” propriamente dita, tinha sete ou oito filas com cadeiras um pouco mais confortáveis mas, como eram mais caras, não foi lá que ficámos.

- A diferença do preço do bilhete dá para beber uma imperial a seguir – explicou-me o Mário.

A inclinação do chão era insuficiente para garantir o integral visionamento do ecrã, sempre meio tapado pelas cabeças dos outros espectadores. Excepto para os da 1ª fila, que estavam tão próximo dele que poderiam usar a tela como lenço sem se inclinarem demasiado e até sem que ninguém desse por isso. Claro que ninguém o fazia, até porque a cor castanho-amarelada da tela sugeria que outros já a teriam usado dessa forma, muitos anos atrás.

Lembro-me de pensar que, mesmo a chuviscar, seria bem mais agradável estar lá fora, na esperança de uma troca de olhares mais prolongada com uma das garotas que se exibiam no cais ou nas esplanadas, mas o dinheiro do bilhete já era irrecuperável, pelo que decidi ficar.

Estranhei que, mal as luzes se apagaram, aparecesse imediatamente um bando de barulhentos índios a cavalo perseguindo várias caravanas que seguiam por um estreito caminho, ladeado por uma perigosa ravina, a uma velocidade vertiginosa.

A imagem era tão má que limpei duas vezes os óculos, julgando-os embaciados, mas não, era mesmo assim a projecção, nebulosa e com as cores muito desmaiadas. Ao longo da hora seguinte tivemos direito a muitos tiros, sangue e cavalgadas, o nosso herói impediu o massacre de toda uma família e salvou a donzela raptada pelos peles-vermelhas, com quem depois se casou. Tirando isso, tudo acabou em bem, com as palavras The End a sobreporem-se a um casto e longínquo beijo. Acenderam-se as luzes e preparava-me para sair quando fui informado que era apenas o intervalo. Intervalo? Outro filme? Pelo preço de um bilhete? Não estava habituado a esta generosidade no Chagas ou no Ibéria.

Fumámos um cigarro no estreito pátio exterior e regressámos, ao som de uma roufenha campainha. Desta vez o filme começou normalmente, com títulos, nomes e ficha técnica, mostrando uma família em dificuldades financeiras a ser ameaçada de ser expulsa das suas terras por um agiota de mau carácter. O banqueiro vilão era parecido com os actuais e, num ápice, executava a hipoteca e despejava a família. Esta decidia rumar para Oeste, com todos os seus parcos haveres arrumados numa caravana, em busca de melhor vida. Eu entretanto começara a protestar, já que os actores e as personagens eram os mesmos que nós víramos ser perseguidos, raptados e até assassinados pelos índios antes do intervalo: estávamos a ver a primeira parte do mesmo filme!

O Luís conseguiu acalmar-me com o argumento de que tanto fazia, ia acabar por ver o mesmo tempo de cinema e sair à meia-noite, hora de beber uma imperial. Afinal, passar o tempo da digestão do jantar era o objectivo da ida ao cinema… E, como eu podia facilmente verificar, mais nenhum dos espectadores que enchiam a sala estava incomodado com aquela pequena inversão na projecção. E filosofou:

- A ordem pela qual a história é contada é arbitrária e indiferente, o banqueiro fica com o Rancho, a família melhora de vida com uma propriedade maior e melhor no Oeste, os índios são todos mortos pelo cowboy e os heróis casam. Que importa que tudo isto aconteça na primeira ou na segunda parte?


João Jales

AS FOTOGRAFIAS DOS MAGUSTOS

Amigos:
O prometido é devido!
Quando enviei as primeiras fotografias, logo avisei que tinha uma do Tó-Quim com a boca no trombone, mas que não a tinha encontrado.
É mais uma fotografia do famoso magusto de 71, em que muitos chegaram a casa bem mais alegres do que saíram.
Boas Festas para todos, já que não duvido que este nosso blog vai ser um caso sério no ano que se avizinha.
Oscar Oliveira
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As anteriores fotografias enviadas pelo Óscar estão no artigo "Mais Duas Para o Álbum de Memórias"' juntamente com a sua mensagem na altura. As duas fotos seguintes são também do mesmo magusto.















Depois de publicado a mensagem do Óscar e as 3 fotografias acima, foi enviada pela Isabel Caixinha, da Holanda, uma mensagem e mais uma fotografia que reproduzimos abaixo, num update sempre possível, e desejável, de tudo quanto é aqui escrito:


Falando em recordações...numa fotografia de hoje, do Magusto, onde está a João, a Amália, a Rosa, a Eugénia, a Ana Luisa (na fila de baixo) eu e a Anabela estamos todas muito direitinhas, em fila, concentradas a cortar sistemática e cientificamente as castanhas (ao contrário de outros colegas que se divertiram à grande, como me apercebi através do blog!). Também eu tenho uma fotografia desse Magusto que explica de certa forma este comportamento tão exemplar...Tinhamos pela frente a TEMÍVEL Dra. Cristina, mesmo á frente dos nossos transpirados narizitos... tão perto que até deu para ver que o que parecia falta de lábios era só a côr do baton!!!

Isabel Caixinha

Ouço sempre com alguma estranheza e distanciação recordar os magustos do Colégio, como aquele a que se referem as fotos acima, porque eu lembro-me bem dos magustos…mas da Escola Comercial e Industrial! Lembro-me da pressa com que saíamos nesses dias das aulas, lembro-me até de um pequeno grupo mais aventureiro faltar a uma ou duas numa soalheira tarde de Novembro para ir para a Escola (como lhe chamávamos por oposição ao Colégio) e participar numa série de brincadeiras e jogos, acompanhados por castanhas assadas, claro, no dia de S Martinho de 1968. Se não me falha a memória, a festa realizava-se no recreio Sul e havia baile no ginásio.
A Escola tinha MONTES de alunos, achávamos nós, habituados a um universo que nunca atingiu as 300 pessoas. Era sem dúvida um mundo mais ruidoso, movimentado e aberto que o ERO, o simples facto de nós estarmos presentes sem grandes problemas (uma ou outra “boca” um pouco mais hostil era excepção) mostra isso mesmo. E a festa, sempre muito animada, durava até às tantas…
Na Escola chegou a haver também festas nos Santos Populares, com música, sardinhas assadas e fogueiras, penso que numa organização dos seus Finalistas, coisa a que eu, no vetusto e católico Externato Ramalho Ortigão, nunca assisti.
O magusto de 1970 do
ERO, o único de que me recordo, foi completamente
diferente desses eventos. Penso que a diferença está bem patente no ambiente bucólico das próprias fotografias, que não tendo sido alvo de qualquer escolha ou manipulação, parecem ilustrações de um qualquer romance do Júlio Dinis... O principal motivo de festa foi a saída de todos os alunos do Colégio e a anulação das aulas da tarde. Depois, julgava eu que na Quinta da Boneca, dizem-me agora alguns colegas que numa propriedade relacionada com a família da D. Esperança, assaram-se calmamente umas castanhas, num pacato convívio que incluíu os professores; nas duas fotos que guardei, e aqui partilho, vêem-se a Inês (a nossa mini-profa de Inglês, como alguém já lhe chamou) e a Ana Vieira Lino (no único ano que lá foi professora). O ambiente de verdadeira “Festa de S. Martinho” (ajudado por algumas cervejas, não me recordo se legais ou contrabandeadas) que se vivia nos magustos da Escola, esteve aqui completamente ausente.
É pois com alguma surpresa que vejo todas estas fotos desse 11 Novembro de 1971, onde o álcool parece ter “rolado” em abundância e provocado alguns estragos. Diz a Luísa Pinheiro: “a minha irmã chegou a casa num estado lastimável nesse dia”, e as palavras do Óscar parecem indicar que não terá sido a única… Eu não sei, já estava em Lisboa nessa altura, não fui testemunha desse magusto, posso é garantir que não foi nada parecido com aquele em que participei!
Se alguém quiser aproveitar para fazer as legendas das fotos, que já estão no Álbum de Memórias, agradecemos.


JJ

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A fotografia oficial (?)

NOTA: Para melhor visionamento clique na imagem e obtenha-a numa janela isolada.


Este blog estimulante continua a ajudar-nos a desenrolar o ténue fio da memória, permitindo-nos reviver momentos incontornáveis da nossa história comum.

Acabo de descobrir a mais que provável fotografia oficial da Turma, seguramente tirada com a intenção de servir a posteridade com a magnífica colheita de 70-71!

O quadro não poderia ser mais fiel à memória daquele tempo em que o austero Padre Albino, ocupando o lugar central de grande educador, temperado na forja da ortodoxia cristã, velava pela prudente separação dos sexos, qual intrépido curador da castidade adolescente.

Por descobrir, a não ser que alguns dos próprios tenham agora a ousadia de desclassificar tal segredo, fica o critério de selecção dos sortudos instalados logo atrás do friso escaldante das nossas queridas colegas.

É fácil imaginar a excitação com que aqueles olhares conspícuos percorreram os pescoços torneados à distância de dois curtos palmos da vista; que movimentos aleatórios desenharam aquelas mãos irrequietas ajeitando a posição do corpo em frente, em benefício do enquadramento ideal; que piropos cirúrgicos terão brotado da imaginação momentânea em busca de um sinal de adesão na projecção do futuro...

E eu, pobre de mim, entalado entre o poder e os proscritos da sorte, estava longe de imaginar que, 36 anos depois, viria a ter o papel de editor daquele momento fugaz, mas tão simbolicamente captado.
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comentários
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Victor disse...
Luis
Penso que deve tratar-se do 6º ano 1969-1970 pois em 70-71 eu já não estava no ERO. Para obviar as traições da mamória(...) teria piada legendar a foto com referência aos artistas.
VG
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JJ disse :
Essa legendagem já está solicitada ao Miguel BM, que tem um disco rígido fiável e de grande capacidade. Esperamos que chova, para que um intervalo no ténis permita o serviço.
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Miguel BM disse:
Atrás,da esq. para a drt: J Jales, Rogério, Malinha, Tó Zé Hipólito , Miguel BM , Henrique, Nobre, Zeca, Guerra, Fialho, Zé Alberto, Rui Pila, Tomás e Semilha. Fila da frente - Luísa N, São M, Ofélia Patriarca, Anabela Garcia, Lena, Ana Isabel, Dália, Guida, Flores, Gil, Neto, Malaca e Matias.
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JJ disse:
1 -O ano da foto tem que ser necessáriamente 1969/70 mas tens razão, juntamente com a do baile de Finalistas, esta é a imagem mais completa da grande colheita de 1971 .
2- Estando eu "logo atrás do friso escaldante" tenho que perguntar à Luisa e à São, que estão à minha frente, se se lembram dos meus "olhares conspícuos, movimentos aleatórios ou piropos cirúrgicos" porque, se aconteceu como dizes (e acredito que sim!), a Alzheimer varreu-me tudo da memória...
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8 Dezembro, 2007
Miguel B M diz:
"O jogador"
O futebol,como fenómeno sociológico que é, não deixa ninguém indiferente ,quer se goste ou não. É um jogo delicado,praticado por rapazes bem formados que evitam a todo o custo tocar no adversário e que até chegam a equipar de cor de rosa. Pois eu tive o grande prazer de jogar com o jogador mais duro que encontrei.Este jogador costumava acabar os diversos verões de canadianas devido a uma sucessão de fracturas nos dedos dos pés provocadas por entradas pouco ortodoxas sobre as canelas dos adversários.Um dia fomos jogar pela turma do 7ºano ao Entroncamento contra o colégio local.Eu era o guarda-redes e durante o jogo levei um toque no braço perfeitamente normal.Nessa altura o protagonista da história disse-me com ar soturno " eu trato dele ".E então seguiu-se uma torrente vertiginosa de golpes de karaté,pontapés de kick boxing,golpes altos e baixos que terminaram com a impossibilidade do outro jogador comparecer no tradicional lanche de convívio inter turmas. Adivinhem de quem se trata.Era um jogador a sério.R:selaJ oãoJ
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Guida disse:
Que diabo de ideia essa! Não tens uma fotografia de grupo sem o "simpático" que está ao meio?
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Miguel B M disse:
Johny: O photoshop não consegue retocar a foto,de acordo com o comentário da Guida? Já o Estaline ia eliminando os seus inimigos das fotografias à medida que os eliminava na realidade ( porque será que me lembrei do Estaline ?) MBM
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Zé Carlos Faria disse: A foto, com o seu colorido «retro» de quase meio século, gera uma certa nostalgia. Pena é o borrão preto, mesmo ao meio... (ficava muito melhor sem ele!).
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Alfredo disse... Bonita fotografia da primeira metade da década de 60 do século XX. Bem vincada a separação entre rapazes e raparigas na chamada educação politicamente correcta de então. E para que isso não suscitasse dúvidas lá está o separador austero e rígido.
A.Justiça
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Guida Sousa disse...
Esta fotografia é um exemplo feliz (simbolicamente falando)do Externato Ramalho Ortigão numa época e num momento.É solene(e divertida) a pose de TODOS os fotografados. Proponho um jogo: onde está o JJ? Abraço a todos!
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Laura M disse:
Tenho pena que a foto da camioneta com colegas da minha turma tenha saído do blog tão rapidamente. Mas gosto muito desta e vou entrar no jogo proposto pela Guida Sousa. O JJ é o primeiro jovem que está atrás da irmã da Ana Nascimento (da esquerda para a direita). Bjs Laurinha
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Luisa disse:
O JJ é o primeiro à esquerda atrás!
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Luis A disse:
Bela fotografia! E que saudades... LA
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