ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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À JANELA DA D. CLARISSE

Fotos de Paula Nascimento
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Esta é a fotografia da turma da D. Clarisse no dia 28 de Junho de 1972, à janela da sua sala de aulas .
Quem são estas meninas e estes meninos ? Que é feito deles ? São leitores do Blog ?

Esta é a turma que iniciou a 1º classe em 1968/1969.

Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Luis Correia, Jorge Humberto Arroja, Paulo Tuna, Miguel Crespo, Outro Tuna?, Olga Pinto, D. Clarisse, Margarida Feo e Torres, Ana Gama, Paula Nascimento, Helena (Nico) Gama, Isabel Ballu Loureiro, Isabel Canela Lopes, Teresa Paiva e Sousa, Sami Figueiredo Lopes
Adicionada por Paulo Caiado para o grupo EU GOZEI A MINHA ADOLESCÊNCIA NAS CALDAS DA RAINHA NOS ANOS 70 E 80

After school is over you're playing in the park /Don't be out too late, don't let it get too dark



Nesta foto:

João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Jorge Humberto Rosário Teixeira, Pedro Vaz Pato, D. Clarisse, Luis Correia, Manuel Tuna, Paulo Tuna






Isabel Canela Lopes , Teresa Paiva e Sousa, Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Paula Nascimento, Luis Correia, Jorge Humberto Rosári Teixeira, Ana Gama, D. Clarisse, Helena (Nico) Gama Homem de Barros, Manuel Tuna, Isabel Ballu Loureiro, Paulo Tuna, Olga Pinto, Margarida Feo e Torres, Sami Figueiredo Lopes

Paulo Caiado disse:

O Blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão constitui hoje o maior depositário das memórias da juventude caldense dos anos 50 a 70.

São testemunhos fantásticos de uma cidade em parte já desaparecida e de um tempo regido por outras realidades sociais, politicas e económicas.

Através de crónicas, descrição de pequenos episódios, poemas, citações e de pequenos comentários ,uma vezes mais humoristicos outras vezes mais emotivos e acompanhando-os por videos de músicas muito ilustrativos, é um retrato fiel de uma parte (a estudantil) da juventude caldense que nos precedeu.

No fundo os ex. Alunos do ERO são os nossos colegas mais velhos. Se todos estivéssemos agora no liceu eu diria que nós somos os caloiros e eles os finalistas.

Mas há muito que as crónicas postadas no blog extravasaram o seu âmbito, muitas das estórias aí contadas são contemporâneas ao Colégio mas não tiveram ligação com este e hoje em dia o blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão é um espelho da juventude caldense daquele tempo sem qualquer limite que o reporte exclusivamente ao tema Colégio.

Ali são descritos lugares, pessoas e acontecimentos iconográficos daqueles anos e surpreendente é verificar que a maioria desses locais e dessas pessoas foram também nossas contemporâneas e que os hábitos dos jovens também não sofreram muitas mutações. Constatamos assim que as Caldas pouco mudou durante todos esses anos e que de repente nos finais dos anos 90 tudo se alterou.

Pessoas e locais de referência desapareceram em poucos anos e as Caldas perdeu com isso muito da alma que tinha e que lhe dava uma identidade própria.

Infelizmente o pouco que começa a restar da identidade caldense enquanto diferenciada de qualquer outra localidade de provincia começam a ser estes espaços virtuais e as nossas memórias que contribuem para manter a mística caldense.

Paulo Caiado

C O M E N T Á R I O S

Isabel Ballu Loureiro Raimundo disse:
Ai que saudades... da minha inocência e alegria de viver...

José Mota
hehehe, o João Carlos, a Sami, Jorge Humberto de camisola verde, Isabel Balú Loureiro e claro a Paula Nascimento ... alguns não me lembro dos nomes.

diz o que te vai na alma disse...
estas fotos são uma delícia. Uma revisita ao passado cheia de emoções para os seus protagonistas. É incrível como se compararmos fotos dessa época parecemos todos iguais...apesar das diferenças existentes...Obrigado por partilharem momentos tão íntimos e creio que intensos nas vossas memórias.

Paulo Caiado disse...
Olá, eu conheço a maioria dos alunos. São do ano imediatamente anterior ao meu. Vou colocar no grupo do FB mas entretanto vou legendando os que me lembro.Paulo Caiado (Facebook)

Isabel disse...
É engraçado que conheço vários, até suponho que era a minha turma da quarta classe. Mas eu não estou....Isabel Canela Lopes (Facebook)

Ana disse...
Ai estão tão giros... mas a minha boa memória só identifica 4 meninas.
Ana Nascimento

Julinha disse...
Ana! Só 4 meninas!!Não posso crer...tu,a mulher que conheçe toda a gente! Eu conheço muito bem a professora,tinha 6 anos quando a conheci.....foi a minha professora de instrução primária em Óbidos.Júlia Ribeiro

Z C Faria disse...
Ò p'ra ela, a minha querida avó! ☝♥☺♫☼José Carlos Faria

Manuela disse...
Reconheço apenas a saudosa Professora,a Senhora D.Clarisse :-)
Maria Manuela Gama Vieira

AULAS DE HISTÓRIA (?)

por João Jales

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A voz, monocórdica, enfadonha e enfadada, vai debitando uma lenga-lenga insípida sobre umas, noutras circunstâncias, empolgantes viagens dos fenícios, primeiro pelo Mediterrâneo, depois, ultrapassando Gibraltar, pelo Atlântico, chegando até às Ilhas Britânicas. Alguns dos ouvintes dormem; de olhos abertos claro, porque o perigo espreita e fechá-los “é a morte do artista”.

Algumas desgraçadas moscas saltitam pelo chão, tentando inutilmente voar. Um “biólogo amador” testa a sua capacidade de sobreviver sem asas e sonha com a possibilidade de domesticar uma delas. Algumas espectadoras encolhem-se, enojadas, já que as moscas-cobaias têm tendência a agarrar-se-lhes às pernas nuas... Eu observo, é de longe o mais interessante que se passa na sala, apesar de já ter visto esta experiência antes e saber que as moscas não aprendem a viver no solo nem se deixam domesticar.

A voz muda, há um ligeiro sobressalto entre os presentes, mas rapidamente o novo leitor se ajusta ao registo do anterior e tudo volta ao normal. O tédio respira-se, espesso, quase líquido, enchendo, avassalador, os pulmões, o cérebro, a alma destes pobres adolescentes.

Como é que é possível que uma matéria como a História Antiga, sobre a qual há livros e filmes formidáveis, seja transformada neste pesadelo? Há dois suspeitos… Mas quais suspeitos! São culpados e estão identificados, passo a nomeá-los para que conste: António Gonçalves Mattoso, advogado e professor de história natural de Leiria e Albino Cândido Lopes, Padre, Director do ERO e professor (falhado) de História Universal do 3º Ano do Liceu. O primeiro escreveu um intragável compêndio de História, o segundo convenceu-se que a melhor forma de o estudar é lê-lo, em voz alta, às segundas, quartas e sextas, durante cinquenta minutos.

O resultado? Alunos em coma tedioso, moscas sem asas e duas dúzias de adolescentes que odeiam a cadeira de História Universal.

Mas o “combate” contra a situação começará cedo, mal se apercebem as vítimas do que as espera durante um ano. Quando a leitura começa, no primeiro aluno da fila lateral e continuando por ordem, a zona contrária da sala, longe de “entrar em acção”, inicia imediatamente as hostilidades: batalha naval, duelos de Bics Boomerangs, azucrinar a cabeça do colega da frente com picadelas de objectos vários, escrever-lhe no pescoço, fazer-lhe cócegas… Há até um jogo em que se aperta lentamente a cadeira e carteira de um colega que, empurrado por trás e pela frente, fica “esmagado” entre os dois objectos. Enfim, tudo o que permite alegrar um pouco uma aula interminável.

O padre Albino é um professor inexperiente mas um homem inteligente, rapidamente se apercebe que a turma está descontrolada. Só ouvem a matéria os dois ou três próximos leitores, o resto dorme, sonha e brinca. E ele ainda tem que ter atenção ao livro porque, se não, alguns artistas mais expeditos saltam linhas para terminar mais rapidamente a sua quota parte.

Na fase seguinte ele sai do estrado e encosta-se à parede traseira, um olho no burro outro no cigano, neste caso tentando ler o manual e ver o que os alunos fazem. A ordem de leitura passa a ser aleatória, determinada no momento pelo Padre, que com uma das famosas canas da Índia dá um pequeno toque nas costas do que deve parar e outro nas costas do próximo a ler. Não pode chamar os alunos pelo nome porque provoca respostas de “Sim, Sr. Padre”, “Diga.Sr. Padre”, com o nomeado a fitá-lo candidamente nos olhos, alegando depois que essa distracção o impede de saber exactamente onde vai a leitura da matéria…

Resultou numa aula, ou talvez duas. Depois, quando o professor muda o leitor, meia-dúzia de fora-da-lei, sempre atentos aos seus gestos pelo canto do olho, batem nas costas do colega da frente e meia dúzia de enganados começam, com ritmos diferentes e por vezes em pontos diferentes do livro, uma nova leitura. Um caos.

Curiosamente o Padre Albino era muito menos disciplinador na sala de aulas do que fora dela, e até menos soturno. Nestas aulas houve “perseguições” a alunos que fugiam por baixo das carteiras dos colegas, em cenas que nenhum outro professor permitiria. O Antero, pequeno e ginasticado, sempre muito falador, era exímio e frequente actor destas “touradas”, impensáveis em qualquer outra aula e nada coerentes com a filosofia que a mesma pessoa impunha no ERO. Só tenho para isso um explicação, o Director só sabia manter a disciplina recorrendo à rigidez extrema e exagerada que lhe era familiar, fora disso era um homem perdido.

A única coisa que o punha realmente fora de si eram as “dúvidas”. Lembro-me do Miguel BM, certamente influenciado pelo pai (esse sim, professor de História), perguntar um dia “O Sr. Padre concorda que a guerra é a higiene do Mundo?”. Perante a descontrolada resposta, apareceram depois outras perguntas, sobre a democracia grega, os nomes dos generais de Aníbal (que o mesmo Miguel nomeava, ou inventava, nunca percebi), os amores de Júlio César e Cleópatra, tudo questões que ficaram sempre sem resposta…

Nunca aprendemos nada, mas as notas lá foram aparecendo, sempre mais ou menos de acordo com a média de cada um. Houve colegas que nunca recuperaram deste trauma e odiaram História para sempre. Eu reconciliei-me, pela admiração que tive pela Ermelinda, a (excelente) professora da disciplina que esteve no ERO nos dois anos seguintes.

Numa das últimas tentativas de dar uma aula diferente, julgo que no terceiro período, o Padre Albino trouxe um dia uns vidros fenícios para mostrar à turma. Eram pequenos fragmentos, pareciam os restos de um colar. Correram toda a turma, ordenadamente, de carteira em carteira até que o último aluno os depositou cuidadosamente em cima da secretária do professor. Ele olhou-os longamente, depois olhou para a turma e, demonstrando um conhecimento dos alunos melhor do que era esperado, disse ”Flores, dá cá os vidros!”. O Luís Filipe Flores Antunes dos Santos levantou-se do seu lugar e entregou-lhe os verdadeiros vidros fenícios, que tinha no bolso, não se esquecendo de reaver os berlindes pelos quais os tinha substituído, na sua vez de os examinar...
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JJ
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COMENTÁRIOS
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jorge disse...
há aqui uma observação que me impressionou logo à primeira leitura:"o Director só sabia manter a disciplina recorrendo à rigidez extrema e exagerada que lhe era familiar, fora disso era um homem perdido". eu nunca tinha pensado nisso mas é verdade,quando não era o todo-poderoso director do colégio o p albino não sabia falar nem brincar com os alunos.não me lembro nunca dele como uma pessoa normal,como me lembro de professores com quem falava fora das aulas.
gostei dos dois relatos da mesma história,mas nota-se que o jales estava lá!
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farofia disse...
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JJ, fascinante, genial! hilariante!
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Que filme! não, nenhum filme conseguia passar esta história de modo mais convincente do que esta escrita. Estas aulas de História ultrapassam a própria História, os heróis no livro a sucumbir desinteressantes vencidos pelos heróis na sala, vivíssimos de sangue na guelra.
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As armas, as estratégias, as técnicas, as tácticas! Uma delícia! A maestria com que os alunos driblam o enjoo e o (co)matoso e o professor!
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Fantástico! apetece aplaudir a equipa e agitar os cachecóis! “Jales, Jales, Jales! Antero, Antero, Antero! Miguel Miguel Miguel! Flores, Flores, Flores! Jales, Jales, Jales! EEERO! ”
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Isabel X disse...
Subscrevo inteiramente o que diz a Farófia (nunca me passou pela cabeça vir a chamar assim à Dra. Inês!). Há palavras que fazem ver mais do que as imagens. É desse modo que se atinge o Princípio da Imaginação. Parabéns JJ, muito sinceramente!.
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Luis disse...
Os episódios são mais ou menos verídicos,embora talvez as acções não fossem tão organizadas com o João apresenta.
Começando na descrição do tédio como um nevoeiro que invadia a sala vamos até à mais delirante subversão,num texto que é empolgante e com muito humor.E o Albino,quando não podia ser um ditador não sabia mesmo o que fazer,bem observado.
Quem era o biólogo que arrancava as asas às moscas?L
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A.J.Neto disse:
Caro João Jales,
O teu texto sobre as aulas de história como o Padre Albino está fabuloso.Envio também um sobre as tentações amorosas do Padre...
Abraço
António José Neto
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Jaime Serafim disse:
Olá Jales
Parabéns pelo seu texto, que eu já conhecia, mas que uma vez publicado no blogue me pareceu ainda mais bem conseguido, dando um retrato autêntico e muito fiel, porque vivido, dos tormentos porque passavam alguns alunos naqueles tempos e das estratégias que engendravam para tornar menos monótono o fluir do tempo.
Um abraço
Jaime Serafim
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João Jales disse:
Aproveito a intervenção do Dr. Serafim, que era mais uma mensagem do que um comentário, para esclarecer que a publicação sucessiva dos dois textos que referem o mesmo episódio (o colar fenício) foi propositada, já que ambos foram escritos sem que qualquer dos autores conhecesse o outro relato. Pareceu-nos pois esta a forma ideal de os apresentar, com as diferenças de pormenor naturais em crónicas de factos com mais de 40 anos e escritos de perspectivas diferentes, o que é sempre enriquecedor para o Blog.
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João Ramos Franco disse...
Toda a prepotência desse director que li em "O princípio da revolta (J B Serra)", leva-me, apesar de gostar do que escreves e do modo como relatas as aulas de História, a um sentir ainda mais negativo do personagem questão.
João Ramos Franco
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Anabela Miguel disse:
João, o teu relato das aulas de História do Padre Albino foi tão extraordinário e pormenorizado que conseguiste transportar-me àquela época. Que esforço eu fazia para estar atenta e não adormecer nas suas enfadonhas aulas que, se não fossem algumas brincadeiras entre os alunos, seriam de uma completa monotonia.
Ana Miguel
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Luisa disse:
Morria-se de aborrecimento naquelas aulas,não era possível gostar de História assim. Alguém falou de exageros aqui nos comentários,mas a tua descrição não tem nenhum exagero-aquilo era uma chatice tal e qual tu descreves!E que bem descreves,os teus textos são de um realismo incrível e parecem um filme tal como diz a dra Inês.L
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Miguel BM disse:
O tema "História" sempre me agradou e muito graças aos ensinamentos do meu Pai.Falado de modo simples mas vivo,com hipótese de diálogo,discussão e troca de ideias, é sem dúvida um assunto fascinante.Ou seja,precisamente o inverso do que eram as execráveis aulas dadas pelo Conde.
O texto do superbloguista JJ é uma verdadeira aula ao vivo.Não me lembro rigorosamente dos nomes dos generais de Aníbal nem sequer de os saber,e ainda menos da pergunta que me é atribuída pelo autor, o que é natural,pois no final da cada aula era preciso esquecê-la rapidamente.
E se o professor,ou lá o que era aquilo, tivesse resolvido dar matemática ou física ?MBM
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Flores disse:
Depois de ler estes dois textos magníficos, entrei numa espécie de letargia que me impediu de reagir imediatamente ao ritmo das emoções que me provocaram.Ainda agora não me ocorre uma forma que julgue à altura do estilo rigoroso e divertido dos seus autores.
Todos sabemos que a memória é selectiva e eu, em particular, considero a minha excessiva nesse atributo.Embora me lembrasse bem o episódio das pedras fenícias, ocasionalmente recuperado em tertúlias familiares ou de amigos mais próximos, confesso que não esperava mergulhar tão intensamente no ambiente das aulas daquele tempo, numa profusão de detalhes, alguns que julgaria perdidos para sempre.A melhor forma de corroborar o tédio e a irrelevância daquelas aulas de História é talvez reconhecer que, para além da memória do episódio, tudo o resto se me tinha varrido da consciência.
Passados tantos anos é um prazer recordar, através de duas prosas vivas, juntas num cânone tão harmonioso, um dos tantos momentos hilariantes que vivemos juntos. Mas é sobretudo um privilégio, quando elas brotam em sintonia das penas de um colega e de um professor, sem desprimor para os outros, de absoluta eleição!
Abraço
Luís Filipe Santos
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António disse:
Não sei se estava um ou dois anos à frente do autor mas também tive direito a aulas destas.O Albino era um péssimo professor de história,sem qualquer preparação,vocação e imaginação para dar aulas.Até as aulas de moral dele eram chatas!!!
A descrição está muito bem conseguida e o episódio do colar é muito engraçado.Mais engraçado é que eu já o tinha ouvido a outro colega com outro protagonista e noutra turma!Mas os testemunhos do Dr serafim,JJ e Flores são todos coincidentes e não me deixam dúvidas.

A DRA. MARGARIDA E EU (Jaime Serafim)

.por Jaime Serafim
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Apesar de ter nascido em Lisboa, eu sou de famílias desde sempre ligadas ao mundo rural e foi numa aldeia perto das Caldas da Rainha que fui criado, brinquei e frequentei a escola primária.
Ainda hoje não sei a razão de, desde muito pequeno, apesar de não saber o que mais tarde queria ser, eu sabia que não queria ser agricultor. Será porque achava muito penosas as tarefas da agricultura? No entanto elas eram as minhas únicas referências, a não ser…
A não ser o que fazia o Sr. Francisco – ele tinha uma padaria, cozia um pão estaladiço, leve e cheiroso, andava sempre limpo, uma camisa branca impecável, cabelos lavados, levemente empoados de farinha….
Já sei! Quero ser padeiro!
Entretanto, com a entrada na escola, vi que a professora, uma senhora já bastante idosa, tinha uma vida limpa, interessante… e sabia tantas coisas! Eu achava que ela sabia tudo! Toda a gente a cumprimentava respeitosamente, com alguma cerimónia, e ela tinha sempre uma douta palavra, própria para cada momento.
Agora é que sei! Quero ser professor!
O problema é que, para ser professor, tinha que ter estudos para além da quarta classe. Nunca ninguém da minha família, nem naquela terra, tinha ido mais além nos estudos. Como havia de ser?
Na altura era impossível uma criança deslocar-se diariamente da aldeia para a cidade – em alguns dias de inverno, até de burro era quase impossível. Das conversas com os meus pais, a propósito da minha ambição, resultou que decidiram mudar de vida e passarem a residir em Caldas, onde o meu pai procurou trabalho, passando de proprietário, como na altura se dizia, a trabalhador por conta de outrem, como hoje se diz.
Fiz a admissão ao Liceu em Lisboa, no Liceu Camões e, em Outubro de 1953, mudámo-nos para Caldas e fui matriculado no Externato Ramalho Ortigão, a única instituição que ministrava o ensino liceal. As mensalidades eram caras para as nossas posses, mas com uma espantosa gestão dos meus pais, conseguiram uma harmoniosa tranquilidade e bem-estar familiar, onde os afectos estiveram sempre presentes, para que eu pudesse concretizar o meu intento. Tive os melhores pais do Mundo!
Nos dois primeiros anos, os estudos correram bem, dentro da normalidade, sem nada de especial a assinalar. Tive bons professores, muito empenhados, simpáticos e competentes. Apenas me vou referir, pela negativa, à professora de Português que tive no primeiro ano – a Dr.ª Lúcia. Muito competente certamente, mas muito ríspida e, quando se desagradava por algo menos bom, ela, que já não era bonita, fazia uma cara feia e franzia o lábio superior, acentuando ainda mais a negritude do generoso buço. Exibia um ar feroz e eu, coitado de mim, ficava secretamente horrorizado…
Mas foi a partir do 3.º ano que o meu futuro se começou a delinear mais claramente. A Dr.ª Margarida Ribeiro Rodrigues iniciou funções no Externato – estávamos em 1955. Por minha sorte, foi minha professora de Matemática, Físico-Químicas e Ciências Naturais. Naquele tempo era assim, os professores tinham que leccionar em áreas adjacentes à da sua formação.
Foi com o desenrolar das aulas da Dr.ª Margarida que eu comecei a aprender que o Mundo que me rodeava era muito mais rico e interessante do que eu alguma vez poderia imaginar. As transformações que se observavam, mesmo que simples, tinham a sua interpretação e explicação. Era possível relacionar fenómenos que aparentemente pareciam díspares… Descobri o fascínio do raciocínio matemático, que tão tranquilamente nos fornecia previsões, conhecimentos, ajudava a estabelecer relações e era, só por si, algo de maravilhoso.
Naqueles tempos, o estudo da Física e da Química era feito pelo livro, sem qualquer apoio experimental. Os ensaios práticos eram lidos ou explicados pelo professor. A Dr.ª Margarida, apesar do reduzido material de laboratório de que o Externato dispunha, sempre acompanhou as suas aulas com os ensaios experimentais possíveis de realizar. Eu vi e cheirei cloro, observei a sublimação do iodo, assisti ao precipitar do sulfato de bário, vi água a transformar-se em oxigénio e hidrogénio… experimentei tantas coisas, tantas… era um Mundo novo que se me abria!

Mais tarde, reconheci que, em qualquer destas disciplinas, há temas pesados e difíceis, mas enquanto as aulas foram dadas pela Dr.ª Margarida, não dei por isso. Era tudo tão bonito e fácil!
Provavelmente, por imperativos de distribuição de serviço, no 5.º ano, em Ciências Naturais, a Dr.ª Margarida foi substituída por outro professor. Esta disciplina perdeu o encanto, tornou-se difícil e muito maçadora. Mas, felizmente, a nossa turma continuou a ter aulas de Matemática e de Físico-Químicas com a mesma professora.
Agora sei! Quero ser professor de Físico-Químicas! Ou de Matemática?
Infelizmente para nós, a Dr.ª Margarida deixou-nos no final do 5.º ano (1958). Decidiu, e muito bem, enveredar pelo ensino oficial.
Nos 6.º e 7.º anos tive outro professor de Físico-Químicas e outro de Matemática. A diferença era abissal. O empenhamento, a alegria da leccionação e a força que a Dr.ª Margarida imprimia na dinâmica de uma aula foram substituídos por matéria dada a velocidade de tartaruga, num caso e a velocidade da luz, no outro. Foi um desconsolo.
Mas não importa, o gosto pelo conhecimento, a beleza da Ciência e o tornar acessível o que parecia difícil, já estavam interiorizados – a Dr.ª Margarida tinha-me marcado para sempre! Restava-me, quase sozinho, dar conta do recado. E dei!
Terminado o 7.º ano, fui ver os elencos das cadeiras dos cursos entre os quais hesitava. Verifiquei que em Ciências Matemáticas apenas tinha uma cadeira de Física e outra de Química, mas em Ciências Físico-Químicas tinha muitas cadeiras de Matemática, para além das muitas de Física e de Química.
Então, finalmente, decidi: Quero ser professor de Físico-Químicas!
Anos depois, estreei-me, como professor, no Externato Ramalho Ortigão. Eu, que apenas tinha frequentado, como aluno, o Externato no “prédio do Crespo”, encontrei no novo edifício excelentes salas de aula, laboratórios muito mais bem equipados e uma confortável sala de professores. O ambiente também já era outro – tudo era muito mais organizado, aprumado e formal, direi mesmo requintado para a época. Eu tinha 21 anos, era um rapazeco, sentia-me um pouco constrangido, mas fui sempre muito bem tratado e respeitado por todos: Director, colegas, empregados, alunos e pais.
Foram-me atribuídos 5 níveis para leccionar. Tive de trabalhar muito. Na preparação das lições, procurando qual seria a melhor estratégia para a leccionação de cada tema, quantas vezes recorri ao que vi a Dr.ª Margarida fazer nas aulas. Recordava-me perfeitamente da forma como a Dr.ª tinha leccionado, das estratégias que tinha usado, e tentava seguir-lhe as pisadas. Foi, sem que o soubesse, a minha primeira metodóloga.
Como se pode perceber, eu não podia deixar passar a excelente oportunidade que este maravilhoso blogue me dá, para prestar um preito de homenagem a esta QUERIDA SENHORA que tanto me marcou e influenciou tão positivamente toda a minha vida. Bem-haja Dr.ª Margarida Ribeiro!
Era (e ainda é) uma senhora de apresentação sempre muito bem cuidada, bem penteada, saltos altos e que deixava à sua volta um perfume que nunca esqueço – quente e suave. Usava sempre a mesma marca (Boalis). Um dia perdeu uma luva e, quem a encontrou, foi devolver-lha, porque de imediato reconheceu, pelo perfume, a quem pertencia.
Em 1970 (ou 71?) Dr.ª Margarida, agora docente do quadro da Escola Secundária de Rafael Bordalo Pinheiro, voltou ao Externato para leccionar, em regime de acumulação, algumas turmas de Matemática. Imagine-se a minha honra, alegria e satisfação em poder ter a meu lado uma pessoa que tanto admiro.




Falámos ao telefone há uns dias. Fiquei feliz por saber que se encontra bem, mantendo o mesmo espírito elevado e alegre, tão característico das pessoas inteligentes e boas, que sabem dar tanto e tanto têm para dar.
Para si, Dr.ª Margarida, um beijinho de muita amizade e gratidão e um abraço do tamanho do Mundo.
Ah, é verdade… essa ideia de ser padeiro nunca me abandonou de todo. Ainda hoje sinto um fascínio enorme perante um forno de lenha a arder. Não é, Manela?

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Jaime Serafim




DO YOU SPEAK ENGLISH?

por Luis Flores Santos

Flores e Zé Neto



Estou simplesmente fascinado com o magnífico artigo do Luís Marcelino!

Não podia imaginar que quarenta anos depois, através de um retrato tão preciso e sensível, se tornaria presente a imagem da Drª Cândida num testemunho tão genuíno quanto impressivo do nosso amigo Luís António.

Subscrevo a substância e admiro a forma como ele me fez regressar de novo a uma época tão marcante para todos nós. Estimulado pela evocação do Dr Luís, não resisto a contar uma experiência surpreendente que vivi no início das férias grandes seguintes à conclusão do 3º ano.

Estávamos por isso em 1967 e o nosso inglês tinha os pilares assentes numas centenas de tiras de papel com cinco frases, cortadas artesanalmente de folhas A4, distribuídas em cada aula ao longo do primeiro ano da disciplina.

No prédio contíguo à casa dos meus pais existia ainda o Museu de equitação e toureio Joaquim Alves, obra notável do saudoso Dr Paulino Montez que com tenaz dedicação o manteve vivo até ao limite das suas forças. Segundo creio, o espólio acabou por ser doado à autarquia, tendo-se-lhe perdido o rasto!

A este propósito, devo dizer que não sou apreciador da arte e tenho mesmo algumas reservas em relação a certos valores que lhe estão subjacentes. Mas o Museu Joaquim Alves tinha um acervo vasto e valioso, reunido ao longo de décadas com laborioso empenho do seu promotor, não deixando de ser, à sua escala, um espaço de cultura que merecia ser preservado. Talvez esteja mal informado, ou mesmo a conjecturar injustamente, mas tudo me leva a crer que os esforços que o Dr Paulino Montez fez em vida para que não se perdesse o seu trabalho foram totalmente inúteis e manifestamente incompreendidos.

Mas voltando ao tema, numa tarde de um Sábado soalheiro quando saía de casa, deparo-me com uma figura de um homem estranhamente alto, cuja atitude identifiquei de imediato como mais um dos forasteiros que, com frequência, rondava a zona procurando o museu que em geral estava fechado. Nesses casos costumávamos tentar contactar o Dr Paulino Montez que comparecia, passados poucos minutos, para iniciar mais uma viagem pelas memórias do tempo tauromáquico, expostas ao longo das cerca de 8 salas totalmente repletas de cartazes, fotografias, vestuário, farpas, capotes, muletas e centenas de outros objectos, cada um com a sua mensagem precisa, premiando o esforço de quem procurara a visita.

“Do you speak english”? Ouço numa pronúncia inovadora, mas que me impeliu mecanicamente a responder: “Yes, I do”! Mal eu sabia que ia ser confrontado com a maior prova da competência de um professor que alguma vez tinha experimentado!
Richard Earl Perry Cone, mais tarde simplesmente o meu amigo Dick Cone, era um americano de Los Angeles que já visitara Portugal outras vezes, procurando desta feita visitar o museu do qual ouvira falar não sei como. Na excitação dos meus 13 anos e imbuído da natureza prestável atribuída aos portugueses, ainda por cima podendo exercitar o meu incipiente inglês, apressei-me a encontrar o Dr Paulino Montez que, como de costume, compareceu prontamente para novo périplo taurino.
Julgava aí terminada a minha missão, mas enganava-me. Creio que o Dr Montez não dominava a língua (à distância de quatro décadas é pelo menos essa a justificação que me satisfaz) e vejo-me então catapultado para guia de língua inglesa num museu de equitação e toureio, tema associado a um léxico técnico de grande extensão, àcerca do qual o meu conhecimento era rigorosamente nulo!

Ainda hoje não sei como circulei por aquele espaço hermético, exprimindo-me com desinibida desfaçatez, “traduzindo” as dicas que o Dr Paulino me transmitia em frases construídas a partir do vocabulário adquirido ao longo de um ano nos recortes de cinco frases do Dr Luís. Sei apenas que o Dick manifestava assertiva compreensão pelo meu esforço e o feito mereceu destaque no meu curriculum durante muitos anos, até se instalar no baú das memórias de infância como uma das glórias mais nobres de aluno do Ramalho Ortigão.

Nesse dia compreendi que, para além do prazer da aprendizagem que aquele professor tinha trazido para as nossas aulas com o seu método revolucionário e a sua técnica para estimular uma saudável competição entre nós todos, ele nos estava sobretudo a preparar para a vida.

Durante vários anos troquei correspondência com Dick Cone que me enviava regularmente informação em inglês sobre os mais variados temas. Chegou a oferecer-me uma assinatura da saudosa revista “Life”, até que as voltas da vida acabaram por me fazer perder o seu contacto, o que lamentei especialmente quando tive oportunidade de visitar Los Angeles e não o soube encontrar.

Obrigado Dr Luís por nos ter dado a oportunidade de aprendermos consigo.

Obrigado Luís António por me teres estimulado o despertar dessa agradável memória.


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LFS
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As fotografias são da colecção do Padre Xico
e escolhidas por mim para ilustrar o artigo. JJ
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COMENTÁRIOS
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Ana Carvalho disse:
Que rapazinhos tão jeitosos que estão na foto, uns autenticos galãs! Ainda não existia a Coca-Cola em Portugal senão decerto que os contratava para um anúncio! Flores, que texto excelente, tu sempre escreveste bem, se bem me recordo. Volta sempre, é um prazer ler o que escreves.
Aparece mais vezes.Bjs PP
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Flores disse:
Creio que nunca tinha visto estas fotografias, que se referem ao nosso primeiro acampamento no Bom Sucesso, com o Padre Xico.
Talvez venha a ser também um tema para evocar em ocasião com mais tempo.
Abraço
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Luisa disse:
Como já disse antes fui aluna do Luis que considerei um excelente professor. Considero estes dois textos excelentes testemunhos e uma confirmação da minha opinião. Aproveito para cumprimentar os dois autores(só me lembro do Flores)porque estão ambos escritos de forma a enaltecer o Colégio onde estudaram!
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AntMor disse...
As fotografias são fantásticas,o Flores e o Malinha escrevem muito bem,onde vai parar este blogue???E o que é feito do Tó Zé Neto que parece uma estrela do surf dos anos 60???O Luis e a Cândida eram Grandes professores,assino essa declaração.
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João Jales disse:
A grande qualidade dos textos do Flores ficou bem patente nas suas colaborações iniciais neste Blog, lembro-me bem que ele foi um dos primeiros a não "recear" partilhar as suas memórias e a fazê-lo de uma forma muito original.
Além de todos os méritos que lhe apontei, o depoimento anterior do Luis António teve também o de provocar esta resposta, além de um comentário do também "reaparecido" Tó Zé Hipólito.
Como se vê, se a "malinha" do Luis António tem muito que contar, o Flores não tem menos "contas" no seu rosário (a seu tempo saberão ao que me refiro).
Um abraço aos dois Luises . JJ

STANDING TALL...

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«Quem já tem o livro de Inglês?»
Muitos braços se levantam, mais de meia turma. Era a vantagem de já ter o material logo na primeira aula. «Guardem o livro, não vão precisar dele. Eu sou o livro!» Gosto. E a seguir, outra pergunta: «Quem já tem a gramática?» Ainda muitos braços. «Guardem a gramática, não vão precisar dela. Eu sou a gramática!» Desapontante? Não, gosto ainda mais, mas será a sério? Em Português e em Francês temos livro e gramática -- em Inglês não é preciso!? «Quem já tem dicionário?» Ainda mais braços -- afinal o dicionário é peça insubstituível, ainda mais que a gramática.
«Guardem o dicionário, não vão precisar dele. Eu sou o dicionário!» Tanto gozo a sério já causa receio -- parece que isto não vai ser mais do mesmo.
Não foi, o Dr. Luís era, como ele dizia, de 18s e de 8s. E lá começa a escrever no quadro a sua primeira «sentence»: «How are you? I am all right, thank you». E mais quatro sentences. Treinar a pronúncia, repetir a rodar pela sala de aula. Dia seguinte, primeira coisa, na ponta da língua: tudo. O Dr. Luís era diferente, a disciplina de Inglês era diferente, e era disruptiva para com as outras disciplinas.
Isto aconteceu e hoje, como acontece com tantas outras coisas, parece inacreditável. Onde estava o espartilho, a avaliação do professor, a certificação, o controlo de conteúdos e métodos? Naturalmente, havia quem não concordasse com o estilo do Dr. Luís, mesmo entre os outros professores. Como ousa ele fazer isto? Em surdina as perguntas seriam talvez mais assim, em linguagem de hoje, Can he get away with it? Can he pull it off?
É uma história nossa que vale a pena recordar, aconteceu mesmo e com sucesso -- tremendos sucessos dos alunos ERO nos exames nacionais.
E eu, muitos anos depois, «The weather is getting milder and milder» -- a impressionar os Américas.
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Tinha dado o primeiro toque. Saía da Sala de Professores e caminhava na nossa direcção, para a sala a Este na ponta do corredor, a Dra. Cândida. Senhora alta, fina, dossier no braço esquerdo, um pouco contra o peito, aproximava-se. Era uma presença agradável -- uma professora nova, elegante, num estilo sóbrio e clássico. Bonita, de pernas finas, feições finas, tez clara, cara esguia mas feminina, cabelo puxado para cima, pescoço longo, visível apesar do lenço, dentes em arcada esguia e perfeita, sorriso natural. Uma grande serenidade, um olhar calmo mas não triste, olhos serenamente vivos, castanhos claros e límpidos, abertos, sem óculos. Voz clara, dicção sempre correcta, mas tolerante (não é portenha, diz velhice com e fechado mas aceita aberto). Não há gritos nem histerias. Serenidade e presença. Uma presença de grande classe, numa classe de miúdos rabinos. «Comment allez-vous, Madame?» dizem os meus colegas logo à entrada da segunda aula de Francês -- o Filipe (do Bom Sucesso) é o mais ilustre. Na aula seguinte, já está a Dra. Cândida com os três eee de «élève». Há muito mais aqui ...
A Dra. Cândida foi talvez a melhor professora que eu tive. Muito gostaria de a poder voltar a encontrar e agradecer-lhe o muito que fez: ensinar bem, procurar incutir formas de disciplina, e acima de tudo mostrar logo no primeiro ano que ninguém estava abaixo de ninguém, e que ela era justa, disciplinante e que nos compreendia e apreciava. [JJ, não te lembras de como ela apreciava o teu especial jeito a adjectivar e adverbiar?]
Sei que lhe dei algumas alegrias, que recebi alguns prémios (livros), que certamente lhe demonstrei a minha afeição pelo respeito que lhe tinha, pela atenção como a escutava e olhava e como me sentia bem nas suas aulas. Aulas chatas? Só uma, a Francês, e como foi só uma não dá para esquecer -- a chamada ao Jorge Pedro, um craque, não está a correr bem (para grande consternação dela) e quando me chama a seguir eu sei que a minha também não vai correr bem. Não corre, para uma talvez ainda maior consternação dela e alguma dissimulação de misérias óbvias. [Eu tinha sido chamado no dia anterior e tinha inferido que não iria ser chamado no dia seguinte; e a lição era bem difícil, sobre as galinhas e os Lenoir].
Exigente, sem excessos, tolerante mas sem tolerância para excessos, nem sempre recebeu a apreciação que merecia da nossa parte. Entregava-se ao ensino, e a nós para além do mero ensino, com dedicação e com entusiasmo, como uma grande professora, que de facto era. Standing tall, mas sem olhar por cima.
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Luis Marcelino
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COMENTÁRIOS
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Tó Zé Hipólito disse:
Bravo Luis! Realmente o espirito observador e a atenção nos pormenores sempre foram teus apanágios. Este retrato detalhado da Dra. vem ao encontro de uma recordação das famosas sabatinas das aulas de geografia do Dr. Lopes em que uma das perguntas feitas pelo rapazinho em causa, era "o que é a standardização?"
Claro que não lembro quem era a vitima ou, generalizando, as vitimas pois ninguém da turma sabia a resposta. O prof., depois de uma rara (nele) prelecção sobre a qualidade da pergunta, motivada pela não especificação no livro de geografia do significado que tinha, argumento usado por alguém da turma para amenizar a falha, perguntou como era que o "génio" sabia. Simplesmente foi ao dicionário. Seguiu-se o post scriptum da prelecção, com o elogio das qualidades de inteligencia e blablabla... do L.A. Tudo isto num dos raros longos momentos de silencio que a nossa turma sempre foi parca.
Fico a espera de mais momentos que tenhas guardados no arquivo da tua "malinha".
AJH
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João Jales disse:
Magnífico texto, mostrando, se tal fosse necessário, que a "malta da F" também sabe escrever (e bem).
Várias satisfações pessoais para mim:
- o Luis António foi meu colega de turma e amigo durante os sete anos do liceu;
- esta é a sua primeira colaboração;
- o seu depoimento corrobora a impressão e opinião que eu aqui exprimi sobre estes dois excelentes professores que tivémos o privilégio de ter no Colégio. ( Podem ler ou reler OS PROFESSORES QUE VIERAM DO FRIO ) .
Não é, aparentemente, uma memória consensual, mas as memórias não têm que o ser.
E sim, respondendo à pergunta que ele faz, lembro-me de ser um bom aluno que a Cândida apreciava, mas um bom aluno apreciado por um bom professor dificilmente é uma estória interessante...
Um abraço para o autor , e o desejo que volte a escrever o mais depressa possível. JJ
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Ana disse...
Gostei muito de ler este depoimento que também acho muito bem escrito,quem diria que debaixo do cientista estava um escritor?
A minha memória dos dois professores é igualmente muito favorável nem desconfiava que houvesse opiniões contrárias;li o teu texto sobre eles mas não os comentários feitos depois por falta de tempo.
Parabéns ao Luis António.Ana
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AntMor disse...
As fotografias são fantásticas,o Flores e o Malinha escrevem muito bem,onde vai parar este blogue???E o que é feito do Tó Zé Neto que parece uma estrela do surf dos anos 60???O Luis e a Cândida eram Grandes professores,assino essa declaração.

OH DR AZEVEDO !

por Júlia Ribeiro

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Oh Dr. Azevedo!





Com que saudades o recordo....Tive-o como professor de Matemática do 1º ao 7º ano, de Geografia no 3º e de Desenho em vários anos.

Recordo-o como um grande e bom professor e como pessoa. Estou a vê-lo entrar na sala de aula, com a sua batinha branca pendurada no braço ou já vestida, umas vezes bem disposto, outras nem tanto... e o seu estado de espirito era imediatamente perceptivel.
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Desculpem-me mas não consigo resistir a reviver alguns episódios passados com ele. Nos primeiros anos, como fazia colecção de lápis de propaganda (sim, agora são esferográficas, naquela altura eram lápis), não podiamos levá-los para as aulas que ele logo os surripiava.

Os "caldos" que os desgraçados dos rapazes levavam.....Coitado do João Mário Anjos, muitos levou! Segundo me informou a Drª Alda, como não podia "bater"nos alunos, dizia: "Olha que levas um caldo" e já estava dado...

Tantas estórias do Dr. Azevedo! Fazia-nos patifarias e divertia-se com isso, mas sem nos prejudicar, pelo contrário. Julgo que nos aproximava ainda mais!

No primeiro dia de aulas, no 4º ano, quando pensávamos que iríamos ter uma aula de apresentação, para irmos rápidamente para o recreio, como era habitual, tivemos um ponto de revisão de toda a matéria do 3ºano de Matemática. O resultado, como era de esperar, foi catastrófico: um Doze, quatro Quatros e os restantes tiveram todos Zero. Como foram notas no fim do período? O Dr. Azevedo conhecia-nos e, já nessa altura, nos dava as notas por uma avaliação continua, por isso essas notas iniciais não nos prejudicaram em nada, apenas serviram para percebermos que tínhamos que estudar !

No 5ºano as turmas eram separadas, meninas e meninos. Ao sábado os rapazes tinham Matemática na 1ª hora da manhã no anfiteatro e nós na última hora na sala de aula em frente ás escadas. Neste intervalo, tinhamos Religião e Moral e Canto Coral com o Padre António Emilio. Está-se mesmo a ver que muitas destas aulas eram substituidas por grandes jogos de ringue "ao mata". Ora num desses sábados o Dr. Azevedo resolveu fazer ponto de Matemática aos rapazes. Os pontos não eram avisados mas quando uma turma tinha ponto, a outra, quase de certeza que tinha também. Imaginem-nos então a estudar, talvez a ver o maldito Palma Fernandes, dum lado para o outro no nosso recreio e o Dr. Azevedo a gozar o panorama.... Uma característica do Dr. Azevedo era que escrevia o enunciado dos pontos no quadro e, nesses dias, já estava na sala quando nós entravamos. Nesse preciso sábado, enquanto íamos subindo as escadas, já estávamos a vê-lo na sala. Casualmente, eu era a primeira e olhei para o quadro, pensando vê-lo com polinómios, equações e outras operações. Mas o quadro estava pretinho, sem qualquer amostra de giz. Todas iamos entrando e imaginem as nossas caras! Que estranho! O Dr.Azevedo perguntou com aquele seu ar: "Mas o que se passa? Estão com medo de entrar?" Foi mais uma das suas partidas....Fazia-nos destas, mas eu sempre as interpretei como mais uma "brincadeira à Dr. Azevedo"...

Estas foram algumas das muitas "maldades" que nunca esqueci, mas perdoo-lhas todas, pelo prazer de o ter tido como professor durante os 7 anos que frequentei o ERO. Com certeza o Dr. Azevedo não podia deixar de ter também uns versos feitos pela nossa poetisa da turma, a Manuela Carvalh
Dr.Azevedo, muito obrigado por tudo o que me ensinou. Fui para um curso de Ciências e a si lhe devo muito do que sou.


Júlia R
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COMENTÁRIOS
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João Ramos Franco disse:
Sei que tive um professor a Desenho Geométrico que era muito exigente na limpeza e manutenção do equipamento do estojo de Desenho. Não te recordas se seria o Dr. Azevedo? Um abraço. JRF
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João Jales disse:
Não posso responder ao João R F porque não tive o Dr. Azevedo como prof de desenho. Mas o dr. Lopes também era muito exigente com a manutenção do material, suponho que fizesse parte da função impedir que o desleixo natural dos adolescentes degradasse os transferidores,compassos e tira-linhas.
Quanto ao texto parece que a Júlia vai tirando memórias da "cartola" cada vez com mais facilidade e as vai partilhando com um também crescente à vontade. Esta série vai ficar a dever-lhe muito, tanto em colaborações como em entusiasmo e empenho.
A recordação da Júlia é muito cor-de-rosa, nem todas as "maldades" do Dr. Azevedo (como ela diz) teriam o tom recreativo em que são aqui descritas. Virá a propósito reler um texto anterior em que isso é referido :
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Luis António disse:
Revejo melhor o Dr. Azevedo no depoimento da Júlia do que na descrição daquelas aulas de Matemática em que os alunos resolviam problemas do Palma Fernandes enquanto o professor se embrenhava num mapa da Rússia...só faltava ouvir os passarinhos lá fora!Não estará o João Licinio a fazer confusão,não seriam essas pacíficas aulas em Faro ou Setúbal?
A Júlia,que não conheço,tem sido uma das tuas melhores colaboradoras,já realcei na altura o belo escrito sobre a Praça da Fruta.Parabéns.
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Manuela Gama Vieira disse:
Resta dizer, relativamente ao Dr.Azevedo, que foi meu explicador e guardo dele as melhores recordações, nunca lhe conhecemos, eu e meus irmãos, a faceta dos "caldos".
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DR AZEVEDO

por João Licínio




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O Dr. Azevedo foi um professor de que gostei muito. Eu não morria de amores pela matemática, mas ele era uma personagem "cool ",com ele os senos e os cosenos da trigonometria tornaram-se-me agradáveis e até achava graça à demostração de que um mais um eram dois, da aritmética racional. Ele dava a matéria de modo leve e rápidamente, sem massacrar, e o resto do ano passávamo-lo a fazer exercícios do Palma Fernandes. Enquanto tentávamos nas carteiras resolver os exercícios que nos atríbuia, o Dr.Azevedo entretinha-se em actividades estranhas (o que me seduzia) e "inúteis" (as mais interessantes!), como por exemplo fazer fichas de milhares de povoações e lugarejos que ele procurava em mapas. Ainda estou a vê-lo com um um grande mapa da Europa estendido na sua secretária,e ele curvado com uma lupa sobre a Rússia, arquivando uma qualquer povoação. O Dr.Azevedo viajava sem sair das Caldas! Ele já devia estar a prever a estopada da maioria das viagens de hoje, com magotes de gente nos aeroportos, confusão nas longas filas de check ins, pessoas entaladas nos aviões, malas extraviadas, hordas de turistas nos locais de visita......
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O Dr. Azevedo não apreciava a actividade balnear e fez-nos a confidência de que quando tinha mesmo que ir à Foz do Arelho, refugiava-se o tempo todo dentro da barraca pois era muito friorento, e que nem pensar em tomar banho!Só entraria mar adentro se a temperatura da água fosse o mínimo necessário para cozer uma lagosta!....








Julgo que foi a sua não apetência pela praia que me fez desenhar uma caricatura sua que foi um sucesso, a ponto de ele, ao ter conhecimento da sua existência, numa aula diante dos outros, me obrigar a mostrar-lha. Lá a tirei timidamente do bolso...Receei a sua reacção e a sua futura atitude para comigo mas o Dr. Azevedo, personagem "cool" e gentleman, depois de ver o desenho olhou-me com um largo e prolongado sorriso e fez-me uma calorosa festa no pescoço!....
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Aliás recordo com saudade a maioria dos professores do ERO, incluindo o director, Pe Albino! Para quem como eu, aterrava no ERO , vindo sucessivamente dos Liceus de Setúbal e Faro, de ambientes duros, agrestes e repressivos, o ERO (incluindo o seu director) foi um oasis de suavidade.
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João Lícinio da Gama Vieira




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COMENTÁRIOS
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Manuela G V disse:
Tenho que saudar o meu talentoso irmão, perdoem-me a "vaidade"!Só a do P.e Albino é que me deixou...!!!!!!!!!Aqui, no blog, todos temos o direito às nossas diferenças...ainda que entre irmãos...e esta diferença é apenas de pormenor.
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João Jales disse:
Lembro-me do apelo da Ana Nascimento para que o João Lícinio colaborasse no Blog e verifico que tinha razão. O desenho revela talento (ambos os personagens são bem reconhecíveis) e é uma preciosidade com mais de 40 ano, já pensaram bem?
O texto mostra que além de escrever com facilidade, o João tem boa memória. Seria lamentável se a sua colaboração acabasse aqui.
Discordamos em relação ao Padre Albino, claro, mas é para isso que este espaço serve.
Oh João, tens a certeza que vinhas dos LICEUS de Setúbal e Faro e não das respectivas Colónias Penais? Para achar "suave" o nosso director...
Vai aparecendo. Um abraço. JJ
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Jorge disse:
gand'a caricatura,se é realmente de 1966!é mesmo o Azevedo chapado. não terás aí outras que estejas a esconder?tu sempre foste cheio de truques...
tem razão a Ana,tu deves lembrar-te de mais histórias.jorge
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Júlia Ribeiro disse:
Colega João Licinio
Esta caricatura está um espanto !Pensava que só tinhamos uma caricaturista (a São Caixinha), mas vão aparecendo outros talentos, ainda bem....dou-te os meus parabéns .
Nunca imaginei o Dr. Azevedo na praia e tão bem acompanhado !!!!!!!!!!´
Foi um dos professores que muito admirei e me marcaram.
Júlia R
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João Ramos Franco disse:
Não ponho em questão o seu valor nem a amizade pelos alunos, mas entre mim e ele existia um problema do tipo “marretas”. Até ao 2º ano tudo bem, a Matemática era só com algarismos, mas no 3º ano na Álgebra começamos a substituir os números por letras e aí tudo mal, este rapaz quer que o bom do Dr. Azevedo lhe explique por miúdos como é que se faziam contas com letras e ele era da opinião que eu devia encontrar essa explicação no que tinha estudado até aí. Tudo bem no 3º e 4º anos, não havia exame e eu cheguei ao 5º, aí tira-se o resultado. Faço o quinto de Letras e como era de esperar chumbo a Ciências (com menos 5 valores a Matemática) e o resultado foi repetir a Secção de Ciências.
Uma coisa é verdade: com o Cap. Dário como explicador e como aluno assistente no ERO, passo no 5º de Ciências e consigo ao mesmo tempo tirar 4 Cadeiras do 7º ano (para Direito).
Se me perguntarem hoje, não sei se a falha foi minha ou dele e a única resposta que tenho é que sou bacharel em Informática.
Talvez fosse da idade que tinha quando que isto se passou?...
João Ramos Franco
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Manuela Gama Vieira disse:
Bem, já passaram tantos anos, que uma cirurgia plástica às recordações, tornando-as mais "cool"...já não deve "fazer mal" a ninguém.
Claro que agora espero por um artigo teu, acerca de um personagem igualmente "COOL"...O Director, que tanto apreciaste. MGV
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Isabel Esse disse:
A ideia da Manuela(irmã do João?)parece-me uma grande ideia,um artigo em que o autor nos relembre a suavidade do nosso director,já que acho que é uma qualidade que todos nós esquecemos!O depoimento está bem escrito,a caricatura e´notável,mas a memória tem o filtro do tempo,não é bem destas aulas que eu me lembro...
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Laura Morgado disse:
Não me lembro do João Licínio, pois deve ser um pouco mais novo do que eu.Só pode ser assim, para dar tempo a que o Padre Albino se tornasse num homem dócil...
No entanto, não quero deixar de lhe dar os parabéns pela bela caricatura que fez do Dr. Azevedo.

PROFESSORES ENTRE 1965 E 1972 (em forma de diálogo)

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Estamos em busca de uma listagem completa dos professores entre 1945 e 1973. Identificámos já a maioria dos professores entre 1958 e 1965. Alargamos aqui a lista ao período 1965 e 1972, mas faltam nomes, continuo a acrescentar depoimentos.
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Continuemos então o esforço deste puzzle de memória:
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1 - O Dr. Serafim foi professor de Ciências no 1º ano (1965/66). Excelente professor, também nesta disciplina. Lembro-me de ter ficado fascinado com o resultado das, para mim inéditas, observações no microscópio. Era quando ainda se falava de «ficção científica»; agora é mais ciência fictícia, como dizia um cómico brasileiro. O Óscar não está recordado mas posso garantir que o Dr. Lopes foi o Professor de Geografia do nosso 3º ano (1968). Assim, fui o primeiro a ser chamado ao quadro logo no início e mais tarde apanhado num aviltante copianço, estória já relatada neste prezado sítio.
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2 - A tal de Lígia, se calhar era Lídia. Já não sei! O Alberto veio reavivar a memória desses extraordinários percursos que, pouco a pouco e com suaves deslizadelas das carteiras, num dado momento, se encontrava toda a gente apinhada ao fundo da sala como sardinhas em lata, enquanto um vasto deserto se estendia até ao estrado, ermo onde a dita cuja profa perorava bacoradas perante uma turma que oscilava entre a indiferença hostil e o gozo geral, rebolado e assanhado. O Mário Xavier tem uma história, para contar aqui, sobre estas peripécias...
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3 - A Drª Helena, que o Miguel BM muito bem lembrou, veio a casar com o Zé Maria, (uma das pessoas que tinha vindo para o ERO com o Padre Albino, e que trabalhava na Secretaria), tendo ido depois viver para Setúbal.
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4- Creio que quando a Drª Inês teve o primeiro filho, num curto período tivemos a Drª Isabel Sá Lopes como professora de Inglês.
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5- Difusamente, e agora que o Óscar mencionou o assunto, surgiu-me uma vaga idéia de o Dr. Sanches ter decidido (e bem) que não estava mais para nos aturar e ter sido substítuído já na ponta final do ano. Alguém confirma, desmente ou esclarece?
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Zé Carlos Faria
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Oscar disse:
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Ora então, tentando avivar a memória, aqui vai o meu contributo para a lista do Zé Carlos Faria, pela ordem das disciplinas que ele refere:
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Matemática
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Tudo certo, à excepção do 1.º ano (65/66), que foi o dr. Figueiredo Lopes.
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Físico-Químicas
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Quem fez a alínea f), seguiu com o dr. Serafim até ao 7.º ano (71/72).
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Geografia
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1 - O dr. Domingos Garcia Domingues (O JJ tem razão... um notável arabista, natural de Silves, cujo nome, naquela data, já constava da Enciclopédia Luso-Brasileira) só foi nosso pofessor de História, julgo que no 5.º ano (69/70);
2 - Num dos anos, presumo que no 4.º (68/69), o professor foi o Padre Renato. Recordo que, com as suas principais preocupações centradas na língua portuguesa, fizémos um ponto em que ele, com alguma antecedência, nos deu as perguntas e respectivas respostas, cuidadosamente redigidas. O desafio consistia, por isso, na integral reprodução das respostas que o Padre Renato tinha fornecido;
3 - Também não me recordo do dr. Figueiredo Lopes me ter dado Geografia, até porque tenho a ideia que ele esteve fora do país nos nossos 3.º, 4.º e 5.º anos (1967 a 1970).
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Desenho
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1 - Até ao 5.º ano só tenho a certeza que no 2.º (66/67) foi o escultor (como gostava de ser chamado) Loureiro;
2 - Quem fez a alínea f) teve o dr. Figueiredo Lopes no 6.º ano (70/71) e o arq.º José de Sousa no 7.º (71/72).
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Ciências
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Que me recorde, julgo que a professora foi sempre a dr.ª Cristina, nunca tendo sido o dr. Serafim.
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Francês
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Era uma daquelas que me parecia concordar inteiramente com o ZCF, mas o comentário do Miguel BM trouxe-me à ideia, de facto, uma dr.ª Helena, pelo que tenho dúvidas.
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Inglês e Educação Física
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Concordância integral com o ZCF.
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Alemão e Latim
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Como escolhi a alínea f), não tive.
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História
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1 - Já atrás falei do dr. Garcia Domingues;
2 - Confirmo a dr.ª Ermelinda, quase de certeza no 4.º ano (68/69);
3 - Não tenho ideia de quem deu o 3.º ano (67/68).
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Filosofia
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O ZCF só tem razão na dr.ª Deolinda no 7.º ano (71/72).
No 6.º (70/71), o professor foi o Padre Xico.
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Português
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Nem de algumas coisas que o ZCF diz me recordo e já falei atrás da dr.ª Helena, que o Miguel BM lembrou. A dr.ª Júlia, penso que não foi minha professora, pelo que terá sido dele nos 6.º e 7.º anos (70/72).
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Lembram-se que quem ia para Ciências, o Português acabava no 5.º ano (agora têm todos, no mínimo, mais 3 anos, não se percebe bem para quê, tal é a forma como alguns escrevem...).
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Religião e Moral
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Nunca tive o Padre Albino como professor (pelo menos que me recorde). Além do Padre Xico, lembro-me do Padre Vicente, que era de cor.
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OPAN
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À semelhança da Filosofia, o ZCF tomou a parte pelo todo. O dr. Sanches só foi nosso professor no 6.º ano (70/71), já que no 7.º (71/72) foi a dr.ª Noémia.
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Foi um enorme gosto efectuar este exercício de memória e só espero que ma vão avivando e, eventualmente, emendando algumas das afirmações que fiz atrás que, embora para mim me pareçam verdades absolutas, até podem não ser.
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Oscar
NOTAS:
1 - O Dr. Lopes esteve no Colégio entre 1967 e 1970 e deu até Geografia em 1968. Tenciono abordar esse tema num artigo separado.
2 - O Dr. Sanches foi sempre o prof de OPAN, ninguém corrobora essa tua memória da Noémia a dar a disciplina.
3 - Sim, o Padre Xico deu Filosofia a esse 6º Ano. Mais precisamente Psicologia, que constituía a matéria. Eu, que tive a Super, garanto-te que não perdeste nada...
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Alberto Reis Pereira disse:

À lista do Zé Carlos Faria acrescentaria:

O Arquitecto José de Sousa foi Professor de Geometria Descritiva do 7º ano em 71/72

O Padre Xico foi Professor de Filosofia do meu 6º ou 7º ano; a Dr.ª Deolinda também o foi num destes anos, não me recordo quem foi quem em que ano. (Xico no 6º, Super no 7º. JJ)



O Dr. Serafim foi Professor de Matemática e Fisico-Química em 70/71 e 71/72 dos 6º e 7º anos.

A Dra. Cristina continuou a ser Professora de Ciências Naturais nestas mesmas circunstâncias do Dr. Serafim.

O Dr.Garcia Domingues creio que era mais conhecido por "pancinhas" se não estou equivocado. Depois de se ter a Dra. Ermelinda como Professora nos 3º e 4º anos, apanhá-lo no 5º foi dose....

A Dra. Lígia era qualquer coisa. O Zé Carlos Faria foi muito, mas mesmo muito, simpático nos adjectivos.
Talvez ele se recorde da "movimentação" das carteiras da frente para o fundo da sala ao longo daquelas interessantíssimas aulas.
Além disso esta Senhora tentava assustar-nos garantindo que sabia linguagem labial, por isso nada lhe escaparia; não sei se a sua curta passagem pelo ERO teve a ver com este facto, o certo que tal habilidade, a existir, muito deve tê-la incomodado pelas palavras não ditas, apenas articuladas, que a partir daí perpassaram pelos lábios do pessoal.

Um abraço
Alberto

(Nunca conheci essa Dra. Lígia, parece-me um cromo interessante que me ficou a faltar na colecção...JJ)

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Zé Carlos Faria disse:

Então cá vai o que me lembro (espero não estar a fazer confusão):

MATEMÁTICA - Dr. Azevedo (1965/67), Dr. Jaime Serafim (1967/70)

FÍSICO-QUÍMICA - Dr. Serafim (1968/70)

GEOGRAFIA - Dr. Figueiredo Lopes, Dr. Garcia Domingues(?)

DESENHO - Dr. Lopes

CIÊNCIAS NATURAIS - Dr. Serafim (1965/67), Drª Cristina (1967/70)

DESENHO À VISTA - Padre Renato, Prof. Loureiro

FRANCÊS - Drª Cândida (1965/67), Mme Nicole Ballu Loureiro (1967/70)

INGLÊS - Drª Inês (1967/70)

ALEMÃO - Drª Cármen

LATIM - Padre Renato (1970/72)

HISTÓRIA - Drª Noémia, Padre Albino (?), Dr. Garcia Domingues. Houve uma outra cujo nome não recordo (Ermelinda?) cujo namorado implementava rutilante Lotus azul metalizado. Disso não me esqueci!

FILOSOFIA - The one and only _Su_per!

PORTUGUÊS - Padre Renato, Drª Cândida, Drª Lígia (uma verdadeira peça de artilharia com a sensibilidade de um penedo), Drª Júlia

RELIGIÃO & MORAL - Padre Xico, de certeza. Creio que também Albino, mas não estou seguro. Felizmente agora deixou de ser obrigatória a dita cuja, tendo em conta a laicidade do Estado Português.

OPAN - Dr. Sanches. A farsa começava logo na 1ª linha do livro: Portugal era uma República «democrático-orgânica» (como eufemismo não estava mal) .

EDUCAÇÃO FÍSICA - Prof. Silva Bastos

E pronto.

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João Jales disse:


José Domingos Garcia Domingues era professor de História. Um dos mais conhecidos professores do colégio, parece que um notável arabista, passou por lá algo despercebido. Deu-te Geografia além de História?

A Ermelinda, grande professora de História e Português, namorava efectivamente o dono de um Lotus Elan (eu nem ligo muito, mas aquele era um carro lindíssimo). Foi minha profa. Também não sabes o apelido?

Não te lembras se o Albino te deu História? Não é possível não te lembrares, tal a "seca" que as aulas constituíam: era uma experiência traumática e inesquecível! Se não te lembras, é porque não a sofreste.

A Lígia é que eu não sei quem é. Em que ano(s) esteve lá?

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Zé Carlos Faria disse:

Se não estou em erro, o Garcia Domingues (1910/1989) foi meu professor nas duas disciplinas. Tinha sido Inspector Nacional de Educação e figura grada do Regime, quando o Marcelo era Comissário da MP e depois caído em desgraça política. Quando o apanhámos, coitado, as ameaças de caquexia já se faziam sentir. Encontrei em Évora um dos seus livros («Portugal e o Al-Andalus») que me apressei a comprar e que continua a ser uma das abordagens essenciais para a compreensão daquele período histórico.

A dita Lígia foi uma presença fugaz (para aí em 68-69), incompetente sem remissão, e, com o devido respeito, assim com um look piroso para além do que era suportável.
Estou de acordo – a Ermelinda era grande professora e capaz de lidar com os alunos de forma deslocada e descolada da ortodoxia vigente.

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São Caixinha disse:
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É inútil tentar preencher a lista de professores porque vejo que a Júlia, a Isabel V.P. e o José C. Faria já o fizeram e muito mais correctamente do que eu alguma vez o faria. Fico verdadeiramente surpreendida com a extraordinária memória de alguns ex-colegas!!
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Curiosamente, apesar do pouco que retenho no que se refere a nomes e datas, consigo recordar-me de duas professoras da Instrução Primária que não foram mencionadas. Em 1960 quando entrei para a escola a nossa primeira professora era a prof.Joana! Dela recordo apenas o nome e que, como personalidade, era no que me diz respeito uma verdadeira peste! "Embirrou" tão sériamente comigo que depressa fez despertar em mim um desmedido medo da sua indesejável presença e tal aversão pela aprendizagem que os meus pais se viram forçados a tirar-me da escola a meio do ano!! Começei bem, como vês!!
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Lembro-me ainda de alguns colegas desse primeiro (meio!) ano de escola, como o Zé Luís Azevedo ,que não se inibia de um condescendente comportamento que me proporcionou valioso conforto naqueles dias amargos e um rapazinho que se chamava Luís, filho do Sr. Henrique que prestava em part-time serviços de manutenção das instalações do Colégio e que por "coincidência" também era vitíma dos discutíveis métodos didácticos da prof.Joana!
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No ano seguinte, quando reentrei para a escola, tive como professora a D.Manuela (já mencionada no blogue, mas não nesta lista) uma senhora idosa que tranquilamente soube restaurar (pelo menos em parte) a minha confiança no corpo docente.
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Já agora, e apenas por curiosidade, menciono a D. Margarida, óptima professora do ERO que, mais tarde, na 4a classe, também dava explicações em sua casa ( morava no Borlão) a um grupo de alunos que me íncluia!
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Por agora é tudo! Beijinhos e até breve!
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São Caixinha
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Miguel Bento Monteiro disse:
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Em relação a lista de profs que o JCFaria elaborou falta a Helena que nos deu francês no 5º ano.Creio que tb lecionava português, mas a outros anos.
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Manuela Gama Vieira disse:
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Dos meus Professores do Colégio já falei daquele que me marcou profundamente, o Senhor P.e Renato; aquele de quem até já me esqueci a "pessoa" que era...:o P.e Albino, por sinal meu prof. de História. A ele devo ter detestado a cadeira de História, um bonito serviço, não acham? Gramei, desculpem-me o termo, 3 anos de história com ele. A ouvi-lo falar das fantásticas viagens que fazia e dos esplêndidos hotéis onde ficava, com vistas já nem sei para onde!
A D. Margarida, sim senhor, lembro-me muito bem dela, não como Professora no Colégio, mas como minha explicadora. E mais...no dia 25 de Abril de 1966, ao sair da explicação, ao chegar a casa, já não encontrei a minha Mãe! Tinha acabado de ir para o Montepio, o meu irmão Luís Filipe estava com pressa de nascer. A minha "tarde extraordinária", associada à Senhora D. Margarida que muito me ensinou, a quem tanto devo,recordo-a com o maior carinho, gostava de saber dela!
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Manuela Gama Vieira
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