ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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COMENTÁRIO FINAL DO DR. JAIME SERAFIM

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Realmente sou muito maçarico nestas coisas dos blogues…

Só ontem me apercebi de uma quantidade de comentários ao texto e à caricatura que a Isabel Xavier e a São Caixinha tiveram a gentileza de dedicar à minha pessoa, tendo-o feito com cores, pinceladas e traços e muito vivos, muito marcantes para mim – não é de mais voltar a agradecer-lhes.

Mas queria agradecer também à Manuela Gama Vieira o poema que me ofereceu e que, como seria de esperar, foi escolhido com grande sensibilidade e mestria entre os tantos e tão belos poemas que nos deixou o meu metodólogo e poeta preferido, Dr. Rómulo de Carvalho/ António Gedeão. Lembro-me muito bem de si, sempre muito empenhada, muito colaborante, com uma forma de estar irrepreensível, fruto da excelente educação familiar, que foi extensiva aos seus irmãos João e Fátima, que também foram meus alunos e amigos. Obrigado Manuela!

As palavras da Manuela, do Óscar, do Zé Carlos, da Paulinha Pardal, do Jales, da Júlia, da Laura, da São, da Guidó e as da Isabel, claro… comoveram-me mesmo… ai que estou a ficar tão velho… mas confesso-vos que foi muito bom. Obrigado a todos pelo vosso carinho e amizade.

É muito gratificante, depois de tanto tempo, verificar que alguns dos meus alunos apreciaram o meu trabalho e perceberam que procurei dar tudo o que podia e sabia – não era muito, mas era feito com muito empenho, muita alegria e com a melhor boa vontade. Na altura ainda não tinha uma verdadeira formação pedagógica – trabalhava por intuição e muitas vezes baseava as minhas estratégias nas que tinha observado, quando aluno, nas aulas da GRANDE professora que tive e que me marcou para sempre – a Sr.ª Dr.ª Margarida Ribeiro. Espero ainda escrever um texto sobre esta Senhora, que leccionou no ERO e que, na minha óptica, foi das maiores competências, científica e pedagógica, que por lá passou, para além de ter uma sensibilidade e forma de estar que sempre mereceram o respeito e a admiração dos alunos que tiveram a sorte de lhe passar pelas mãos.

E agora uma palavrinha para a minha Querida Amiga Inês Querido, que já não vejo há tantos anos e de quem tenho tantas saudades. Que bom que a Inês tenha descoberto as "traquinices" do João Jales! Tal como muitos de nós, espero a sua colaboração no relato de situações tão interessantes que se passaram durante os quatro anos em que esteve connosco.

Oh Inês… e os belos tempos em que tínhamos um colega arabista e que nós, para não ficarmos mal vistos, até "falávamos em árabe"! Ainda se lembra como se dizia "director", "contínua", "Lídia", "rapaz" ,"supositório"… ? E as ordens de serviço que nos eram fornecidas, por escrito, na portaria, como eram designadas?

Jaime Serafim
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COMENTÁRIOS
Inês Figueiredo disse.;
Serafim!!! desde 3ªfeira à tarde que o João Jales transformou a minha vida. Irresistível este rapaz! (mas o JJ fica para depois)
tsch...o arabês! :))) foi um momento solene em que o Padre Albino nos apresentou oficialmente um sénior e conspícuo Dr.Garcia Domingues (que salvo erro veio substituir em História a nossa jovem e bem-amada Ermelinda) como o "maior especialista em assuntos árabes da península ibérica". Aí, você ('tsch! tsch!') abriu o coração ao recém-chegado, acolhedor que sempre foi, e 'entregou o ouro ao bandido'. Andávamos por essa época animadíssimos a 'reconstituir' a língua árabe. Vinha que nem canja, para integrar o novo colega, SE pela mente do Dr Garcia Domingues pudesse passar a hipótese de alguém brincar durante a sua cerimónia de investidura :)) foi um momento falhado porque o sábio senhor 'vivia a presença árabe na Península'! Se os deuses ajudaram talvez ele pensasse simplesmente que não falávamos um árabe erudito...
Respostas: "director" era Al-bino, "contínua" (passo), "Lídia" (passo), "rapaz" era al-moço,"supositório" era al-coentre!
Yah!! ordens de serviço confesso que não me lembro, seria 'al-pistas'?...
Agora sou eu que pergunto: "carvão", "janela", "gato","cara" e "mala" ?
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Jaime Serafim disse...
Venho só para recordar à Inês que, em arabês, contínua era Al-da, Lídia era al-drabona e rapaz também se dizia al-uno. Quanto às ordens de serviço, eram entregues na portaria pelo Sr Carias, sempre muito educado e cerimonioso - eram-nos dadas por Carias...
Das que pergunta, só me lembro de cara, al-face e gato, al-quimia...E em Inglês, Pardal lia-se paadell...Um beijinho para si Inês!Estamos à espera de um texto seu!
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farofia disse...
Jaime,dado que me sinto demasiado comovida (alquebrada),deixo o meu texto para amanhã :)Mas 'first things first': "carvão" era alcateia, "janela" era almirante, e "mala" era alcofa.Outras: "rua" era alviela, "salário" era alvíssaras,"sapato" era alpargata e "professor" era ... algoz.
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João Jales disse:
Mas isto é o fim de todos os fundamentos da minha vida escolar! Então os professores eram tão (ou mais!) irreverentes que os alunos no ERO? Mas se Director em "arabês" era Al-Bino e supositório Al-Coentre entre estes senhores que brincavam durante a investidura do "maior arabista da Península Ibérica" , então nós eramos "meninos de coro". Dra. Inês e Dr. Serafim, estou profundamente chocado com estas revelações (e quero MAIS!).
Exijo uma urgente revisão de toda a História do Externato Ramalho Ortigão, pelo menos na década de sessenta, na Assembleia Geral da nossa agremiação, a realizar no próximo 14 de Novembro.
Tenciono "vingar-me" da Dra. Inês muito brevemente. "Wait and see..."
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farofia disse...
Resposta ao João Jales:
Sim, os professores eram tão irreverentes como os alunos no ERO, mais seria impossível. Considero que não passava de um simples contágio, do tipo bexigas loucas, mas o Serafim deve ter uma explicação científica, uma Teoria Quântica ou uma Reacção em Cadeia aos "meninos de coro".
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Luisa disse:
Mas não é posdsível acompanhar o ritmo actual deste blogue!Cada vez que o abro para ver melhor ou terminar um artigo qualquer há algo de novo para ver.
Escrevi há dias que a Dra Inês era das melhores professoras do colégio e,pelo que percebo,ela está aqui a comentar e a recordar esses tempos connosco...E chama-te irresistível,JJ!E és mesmo!Um beijinho grande para a Inês,o Serafim e para ti.L
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João Ramos Franco disse...
Dr. Jaime Serafim:
Tudo o que tenho lido durante estes dias transmitiu-me a imagem de um Professor do ERO, que deixa nos seus alunos tudo o que tinha de bom e de humano para transmitir.
Foi com agrado (como ex ERO, já com 66 anos) que li as boas recordações dos seus alunos e leio o seu comentário final.Apesar de não ter sido seu aluno, presto homenagem a um professor que deixa a sua presença marcada por a amizade que deu.
João Ramos Franco
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farofia disse...
Acto de Contrição:
eu, abaixo assinada, confesso que pequei por omissão. E comprovo a verdade absoluta da apresentação do Padre Albino, com este link:
basta clicar . O Dr. Garcia Domingues é uma figura importante da nossa cultura.Fico a torcer pela minha redenção, perdão! perdão!
Inês
(mas lá que o arabês era 'bué' de curte, antes da chegada do erudito, isso é verdade, não é Jaime?)
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Oscar Oliveira disse:
Aguardo ansiosamente as cenas dos próximos capítulos do bate papo entre o dr. Serafim e a dr.ª Inês a propósito das traduções para árabe de algumas palavras.
Santa ingenuidade, também a minha, que me levava a julgar que só nós é que expressávamos alguma irreverência (à boca pequena, como tinha que ser naquela época) mas, pelos vistos em relação ao mestre de árabe, pelo menos alguns professores também não eram propriamente reverentes, apesar da diferença de idades.
Mas esta troca de palavras não me revelou algo que gostava de saber. Como desde que saí do colégio apenas vou esporadicamente a Caldas, não acompanhando os percursos da maior parte das pessoas, desconheço o paradeiro da dr.ª Inês, alguém que incluo no restrito grupo dos melhores professores que tive. Recordo o primeiro ano em que foi minha professora (1967 - penso também que o primeiro ano em que deu aulas...), com a sua pequena estatura e aspecto de ter pouco mais idade do que os nossos colegas mais velhos do colégio, o período em que não deu aulas por ter sido mãe e que, segundo julgo, morava muito perto do colégio.É bom reviver o passado e o nosso blogue é um veículo extraordinário para isso.
Já agora, para o dr. Serafim, recordo que, com a sua refinada ironia e em virtude do meu nome não ter assento no "O" (Oscar, e não Óscar), me chamava frequentemente de «Oscár», como se de uma palavra aguda se tratasse, mas com o "O" também aberto, assemelhando-se a uma pronúncia afrancesada.
Oscar Oliveira
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Júlia disse:
Cada vez que venho ao blog algo me surpreende...... cheguei à conclusão de que não conheci o Dr.Serafim !!! Estou a conhecê-lo agora, ao fim destes anos todos.
Eu pensava que tinha tido um professor muito sério, muito caladinho, muito compenetrado no seu "papel de professor"....uma pessoa que nunca partiria um prato e agora deparo-me com um Senhor que é capaz de partir a loiça toda!!! Será isto possivel?
Dr. Serafim não imagina a alegria que sinto ao vê-lo juntar-se a esta Familia do ERO! Mais uma vez lhe agradeço o ter acedido ao desafio que lhe lancei.
Um beijinho. Júlia R
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farofia disse...
"por-carias" ah!ah!ah!
xiiiii! eu... sou... lenta! (não era assim que dizia o Bonacho?) :)
só à 3ª leitura é que reparei que não era arabês, nem lapso!
e então?! uma gargalhada vem sempre a horas!

AS FILHÓS DA D. CRISTINA

por Jaime Serafim








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Desde o início das lides deste blog, tenho seguido atenta e religiosamente o seu evoluir. É espantoso o trabalho de organização do João Jales! A sua criatividade, o bom humor sempre presente, o incentivo que dá aos participantes são de facto inexcedíveis. Este blog está mesmo a tornar-se num caso sério…

Por diversas vezes estive tentado a dar também a minha participação, escrevendo alguma coisa que contribuísse para tornar ainda mais rico o manancial de informação que já foi recolhida. No entanto, ou por entender que perante textos tão bem elaborados os meus seriam um lixo, ou porque o que teria para dizer seria de pouco interesse, ou porque estou transformado num preguiçoso… a verdade é que fui deixando passar…

Mas não posso agora deixar passar o que tenho lido nestes últimos dias…

Não sou um saudosista, mas textos como o da minha querida amiga Isabel Xavier, caricaturas como as da São Caixinha (que não vejo há tantos anos), réplicas como as da Júlia e da Laura (com quem tive o prazer de estar há pouco tempo, num belo jantar e numas pinguinhas, como diria a nossa Amália) são coisas que me calaram bem fundo e, de certo modo me comoveram, pela simpatia e amizade que sempre conservámos. Um beijinho de muito carinho para estas meninas.

E o texto do Jales sobre a cena do "Calhambeque"? Mas como lhe teria chegado ao conhecimento, uma coisa que sempre esteve guardada no segredo dos deuses? Sim, porque um professor que "canta" e "dança" uma coisa daquelas perante uma plateia tão circunspecta, não pode ficar bem colocado… o melhor seria mesmo esquecer… mas o Jales sabe tudo! Um abraço muito forte para si, João Jales!

Em breve espero enviar um pequeno texto sobre a minha vivência no Externato, nos meus tempos de aluno. Há excelentes professores dessa época que deveriam ser relembrados e que até agora ainda o não foram. Mas uma réplica da Isabel Xavier sobre "traquinices" com inspectores, em tempos mais recentes, trouxe-me à lembrança algumas, mas, pelo caricato da situação, não resisto em contar uma delas:

Na maior parte das nossas casas é da tradição que no Natal se façam filhós. Em minha casa era a minha Mãe que sempre as fazia e resultavam invariavelmente leves, estaladiças, deliciosas… mas em certa altura ela deixou-nos. Chegados às vizinhanças do Natal punha-se o problema das filhós – nem eu nem a minha mulher as sabíamos fazer.

Lembrei-me então que a ecónoma da Escola, a Sr.ª D. Cristina, também fazia de quando em vez umas filhós excelentes e pensei: vou pedir-lhe que me ensine e, se sou capaz de aprender outras coisas, também serei capaz de aprender a fazer filhós…

Falei com a Senhora que logo se disponibilizou para o efeito. Combinámos que seria na tarde de um certo dia. A seguir ao almoço ensinava-me a amassar. Depois ficavam a levedar e, lá para o meio da tarde, ensinava-me a fritar, porque também havia uma técnica especial a observar. Nessa altura eu era Director Executivo da Escola.

No dia aprazado para a minha lição de culinária fui visitado por uma inspectora. Com toda a formalidade que se reveste um acto de inspecção, recebi a Senhora num gabinete de trabalho e não me lembrei mais das culinárias.

A certa altura, a porta do gabinete abre-se e surge a D. Cristina, que com a maior naturalidade me diz: Então Sr. Dr., podemos ir amassar as "filhoses"?

Pelo ar perplexo da Inspectora, acho que ela deve ter pensado que estava a sonhar ou que ali se representava uma peça de Ionesco. Apesar do ambiente circunspecto e formal da reunião, decidi contar exactamente o que se estava a passar.

A Inspectora alterou completamente a sua postura hermética e rígida e disse-me:

- Adorava aprender a fazer filhós e não quero, nem por nada, perder esta oportunidade!

Lá fomos os três, Sr.ª Inspectora, D. Cristina e eu, em direcção à cozinha. A D. Cristina, como boa pedagoga, mostrou todos os ingredientes, que já tinha preparados, e iniciou a amassadura. Perguntou depois se algum de nós a queria concluir. Eu declinei, mas a Inspectora arregaçou as mangas da sua linda blusa de seda e pôs as mãos na massa. Amassadas as filhós, regressámos ao gabinete, mas o ambiente já era outro…

Um tempo depois, a D. Cristina telefona-nos dizendo que estava na altura de fritar. Lá fomos para a cozinha, onde já estava uma frigideira com óleo fervente e seguiu-se a lição sobre a forma correcta de fritar os pedaços de massa que se iam retirando do alguidar. A D. Cristina exemplificou e eu e a Inspectora fritámos as restantes.

Depois, sentados a uma mesa, com um prato de filhós quentinhas e um chá acabadinho de fazer, tivemos um lanche inesquecível (palavras da Inspectora).

Informação: A partir daí, sou eu que faço as filhós do Natal e, não é para me gabar, mas são das melhores que conheço.

Jaime Serafim
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COMENTÁRIOS
Isabel X disse...
Bem se diz que a realidade supera a ficção! Se alguém descrevesse um episódio como este num qualquer romance, ou integrasse a sua representação num qualquer filme, todos considerariam a situação absurda. É que imaginar uma inspectora do Ministério da Educação a aprender a fazer filhós, numa escola, em conjunto com o Director Executivo, sob a orientação da ecónoma, e ainda por cima "metendo a mão na massa", literalmente, não é coisa que se imagine! Só foi possível porque aconteceu naquela escola, naquele momento, numa situação criada pela "traquinice" do principal protagonista! Quem mais se atreveria a convidar a inspectora a participar na lição de culinária em vez de desistir da dita? Quando falei em histórias com inspecções, referia-me a outras; esta desconhecia-a completamente. Ainda bem que o desafiei. O seu sentido de humor continua inexcedível, Dr. Serafim, como eu esperava, desejava e, agora confirmei! Concordo consigo ainda noutro ponto: este blog está a tornar-se um caso sério e que contamina tudo e todos! Confesso que eu também resisti bastante! O Jales tem destas artes! Obrigada!
- Isabel Xavier -
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A. Justiça disse:
Esta história das "filhoses" prendeu-me a atenção por conter o insólito das personagens, com posições sociais nada típicas para este trabalho.
Recordei uma passagem da minha vida que jamais esqueci, também relacionadas com filhós. Decorria um qualquer ano, não sei precisar, da década de 60 do passado século, o meu pai levou-me a conhecer a minha avó, mãe dele, que vivia numa aldeia do Concelho do Fundão. Eu já era um garotão, frequentador da Bordalo Pinheiro em Caldas e na véspera do Natal lá fui conhecer a velhota, pequenina e simpática, como o são a maioria dos avós, já me incluo nessa geração, rezingona de maneiras simples e católicas. Televisão não havia, luz só a do petróleo, lume só o da lareira onde se cozinhava em panelas de ferro. Resolveu-se então começar a feitura das filhós. Todos os ingredientes, não me perguntem quais, amassadura e para final da primeira parte a respectiva cruz vincada sobre a massa seguida da espera da levedura onde fui obrigado a rezar não sei quantas Avé-Marias e Padre-Nossos, até que a velhota resolveu que a massa já tinha atingido o "ponto".
Ora, feito "parvo" e armado em menino evoluído, simplesmente perguntei:
- Oh avó, não era mais simples contar o tempo da levedura através do relógio?
Qual não foi o meu espanto, e fuga rápida para a porta da rua, quando ouvi, forte e asperamente:
- Herege! - seguido de outros nomes que não me atrevo a descrever.
Mas fiquei a saber que o tempo de levedura da massa só pode ser contabilizado através do tempo que as rezas duram. Nas filhós do Ano Novo optei por ficar em absoluto silêncio para não levar com a colher de pau que mais parecia uma moca de Rio Maior.
A. Justiça
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Guidó disse:
Texto delicioso, tanto como adivinho que sejam as filhós do Serafim. Situação delirante e escrita à altura da mesma.
Realço o pormenor da blusa de seda, a dar à história um leve toque entre o sensual e o malicioso ...
Não sei fazer filhós, pode ser que no Natal de 2009 aprenda com o Jaime a fazer, ou tenha a sorte de provar uma. Posso-me inscrever???
Um beijo amigo
Margarida Araújo
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Ana Carvalho disse:
Que texto engraçado, demonstra bem o sentido de humor de quem o fez.
Já agora, Dr. Serafim, que tal fazer uma aula prática de Ensino de Filhós? Eu já estou inscrita! Ou então , tal como a Guidó sugere talvez, quem sabe, no próximo Natal as possamos provar. Pense nisso muito a sério, estamos todos a salivar e a desejar que o Natal seja, por exemplo, prá semana! Porque não? Afinal Natal é quando um homem quiser.
Bjs PP
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Júlia Ribeiro disse:
Posso candidatar-me a provar as suas filhós?
Obrigado Dr. Serafim pelas suas palavras,por esta descrição magnifica e a história deliciosa da amassadura e fritura das filhós a três....estou a imaginar....deve ter sido delirante!
Em minha casa sempre se fizeram filhós até há poucos anos.Era a minha mãe que as amassava e julgo que desde que tive capacidade para o fazer (já mais crescidinha) fui "obrigada" a adquirir a prática da fritura.Recordo e conto um episódio que se passou com as filhós.Era a minha irmã mais nova bébé,eu teria para aí 12 anos.Para a criancinha não chorar e estar a ver a mãe, o alguidar de barro em que estava a amassar as "ditas" foi colocado dentro dum cabaz em local visivel...o fundo ficou em vão e aconteceu o inesperado :parte-se o alguidar , toda a massa se derrama pelo chão da cozinha e lá se foram as filhós.....
Muito obrigada, Dr. Serafim, um grande beijinho e cá ficamos ansiosos, todos, à espera das Traquinices do Aluno. Júlia R
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João Jales disse:
Este bando de gulosos só fala nas filhós! Trata-se de comentar um texto, o primeiro deste professor no Blog, e parece que estão a escrever para a Teleculinária!
Um dos motivos de sucesso deste espaço é o facto dos que aqui escrevem conviverem bem com quem são e com o seu passado. O dr. Serafim junta-se, sem saudosismos (como ele bem diz), a esse grupo. E não só com sentido de humor, mas com sentido de humor sobre si próprio, o que é mais raro, e por isso duplamente de saudar.
Por tudo isso fico a aguardar o depoimento do aluno Jaime Serafim ainda com mais curiosidade.
Um abraço. João Jales
(Já agora, se aceder aos pedidos desses gulosos interesseiros, não se esqueça deste seu amigo...).
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J L Reboleira Alexandre disse...
As "filhoses" como sempre foram conhecidas e saboreadas lá na aldeia à luz do candeeiro a petróleo, ou, qual luxo, do petromax (seria este o nome ?) ou talvez, as filhós como aprendemos na escola (tema para discussão de linguistas)são de facto uns bolinhos com um peso enorme nas nossas memórias.
Até aqui bem longe, neste país do chamado Primeiro Mundo (cada vez entendo menos o que isto significa, mas enfim...)desde a primeira hora que esses bolinhos são presença indispensável na altura do Natal, e não só. A principio era a minha mãe que se encarregava da tarefa, mas quando os anos começaram a pesar, colocou-se-nos o dilema. Como continuarmos a comer filhós ? Felizmente que a companheira de há 30 anos, muito mais gaulesa que lusitana, pôs mãos há obra (ela não sabe que escrevo isto)e agora pelo menos durante mais uns anos está garantida a continuação dos bolinhos com açúcar (pouco) e canela. E não é que a mãe do meu neto que viu a luz pela primeira vez bem perto do Pólo Norte, já se mostra interessada em amassar, à mão claro, colocar a tal cruzinha no topo da massa, e após cobrir tudo com uma toalha (nunca entendi porquê uma toalha) esperar que esteja tudo pronto para ir para o óleo a ferver.O neto por enquanto demasiado pequeno, não tardará também, que lhes tome o gosto.Está assim garantida a perenidade das filhós em terras de Jacques Cartier, nas margens do São Lourenço.
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Laura Morgado disse:
Quando abri o blog e vi o texto do meu professor, fiquei muito feliz. Obrigada, Dr. Serafim, por ter começado a escrever para todos nós.
De tudo o que li, percebi que o senhor é uma pessoa com muito humor. Essa faceta eu não descobri enquanto sua aluna, mas tenho pena.Fiquei encantada com o episódio das filhós, não era para qualquer um, dar aquela volta ao contexto.Como aprendeu bem a lição, espero que nos possa vir a ensinar a arte de confeccionar tais fritos.Quem sabe se não vamos ainda recordar umas aulas, mas desta vez doces!
Cuidado que o João Jales chama-nos gulosos, mas deve ser o primeiro a querer provar as filhós!
Espero que, com uma estreia tão fantástica neste espaço da família ERO, continue a escrever para nós, Dr. Serafim, pois vamos todos ficar à espera dos seus contos.
Para si um grande beijinho de amizade!
Laura
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wicca disse...
Quem me dera provar essas delícias do Dr. Serafim... !Adoro essas coisinhas fritas mas não as sei fazer.Guida Santos
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Fátima Gama Vieira disse:
Achei o máximo a história do "calhambeque". Também apreciei o que a São escreveu sobre o Dr. Serafim, que foi meu Professor de Físico-Química. do 2º até ao 7ºano. Professor de excelência em todos os aspectos, recordo muitas situações, algumas muito engraçadas. Por exemplo numa aula prática que teve lugar na tarde do dia de S. Martinho, em que às escondidas, enquanto ele ia ao lado da Física, nós assávamos bocados de chouriço no "bico de Bunsen". Quando ele regressava ao laboratório de Química escondíamos o chouriço no bolso da bata e o Dr. Serafim dizia "cheira-me a chouriço....”.Quanto ao dito, comemo-lo todo!
Recordo-me de irmos no Carnaval mascarados até casa dele, bem como de outros Professores. Convidavam-nos a entrar, a sentar e tentavam descobrir quem éramos, sabiam que éramos seus alunos, mas quais? O Dr. Serafim e sua esposa ora ofereciam um bolinho ora tentavam que algum de nós falando, rindo, etc., se "desmanchasse”… quando algum se descaía, era uma festa!
Também foi meu Professor de Matemática, depois do Dr. Azevedo ir para Leiria.
Em nossa casa a partir do ano de1968 passei de ajudante a cozinheira das Filhós da Beira Alta, receita da Mãe de nosso Pai. Podíamos trocar receitas, que me diz?
F G Vieira
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farofia disse...
Venho um pouco atrasada para as filhós da dª Cristina, eu sei, mas não quero perder a vez de comentar o post tão 'à Serafim', ou seja, escrito com muito humor e muita ciência.
A gente sorri desta simplicidade e deste realismo. Porque não é qualquer professor de Química que se dispõe a agir numa cozinha com o mesmo à-vontade que no Laboratório de Química, misturando ingredientes, como se fossem sais e bases e outras soluções de fórmulas H2O... para os transformar nem que seja em filhós.
Com excepção do dr.Serafim não é para qualquer um entender o ponto exacto da amassadura, a temperatura ideal da fritura. Afinal, quase tudo na vida tem a ver com a química, bem vistas as coisas. As cozinheiras não têm de pensar nisso, basta-lhes 'ter mão'.
Que bem me sabia agora uma filhós!

As “traquinices” de um professor

por Isabel Xavier

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Caricatura de São Caixinha





Vendo o professor de Físico-Química chegar ao cimo das escadas sobraçando, com aquele modo todo seu, uma resma de pontos, Helena Xavier afastou-se do grupo de colegas com quem conversava, aproximou-se do Dr. Serafim, e pediu-lhe: “Stôr! Deixe-me ver o ponto, se faz favor!” Sem a mais leve hesitação, o professor estendeu-lhe o enunciado para que o visse, ao mesmo tempo que a incentivava a fazê-lo com atenção. Claro que a Helena, apanhada de surpresa, reagiu nervosamente e foi incapaz de aproveitar tão inusitada oportunidade de conhecer o teste a que se veria na obrigação de responder dali a pouco.

Quando voltou para junto dos colegas, estes perguntaram-lhe ansiosos: “O que é que calha no ponto? O que é que viste?” A Helena não tinha visto nada, ou melhor, não se lembrava de nada do que quer que tivesse visto! Ao aperceber-se disso e do desapontamento geral que o seu esquecimento causava, desatou a chorar!

Ao contrário da hipótese mais óbvia, a idónea “fonte” à qual devo o conhecimento deste episódio não foi a minha irmã, mas o Dr. Serafim. Numa das muitas conversas com que amenizávamos as longas e frequentes sessões de trabalho conjunto quando éramos, respectivamente, Presidente do Conselho Pedagógico (eu) e Director Executivo da Escola Secundária de Raul Proença.

Ao longo da minha vida profissional, vários foram os meus antigos professores do colégio e do liceu que se tornaram meus colegas, mas com nenhum outro tive oportunidade de conviver de modo tão continuado. Tenho para mim que há alguns professores que, talvez por transitarem dos bancos das escolas como alunos para outros bancos de outras escolas como professores, lhes falta algo para se tornarem completamente adultos ou dito de outro modo: que conservam algo que aos outros adultos está vedado, uma espécie de “traquinice”, digamos assim, à falta de melhor expressão. É nesta categoria de professores, muito rara aliás, que coloco o Dr. Serafim!

Nunca tive outro professor de Físico-Química e, embora estivesse longe de ser essa a minha disciplina predilecta, que me perdoem os restantes bons professores que tive no colégio, não hesito em classificá-lo como o melhor professor que por lá passou, no meu tempo, claro! E ainda se tornou muito melhor, depois da “experiência poética” que foi o seu estágio profissional, orientado por Rómulo de Carvalho, no Liceu Pedro Nunes, quando transitou para o ensino público, e do qual me contou também histórias interessantíssimas.

A jovialidade com que sabia reagir de modo desconcertante perante os alunos, como foi o caso da Helena, transportou-a para o exercício do cargo de director da escola. Tinha (e espero que continue a ter) um sentido de humor inexcedível, uma malícia muito própria que é imprescindível ao sentido de humor, presente em grande parte das situações e no modo como resolvia os problemas com que se deparava diariamente.

Para demonstrar o que digo, conto um episódio que escolhi aleatoriamente de entre muitos outros que poderia contar. No tempo em que o Dr. Serafim era Director Executivo da escola funcionava lá um curso na área da Comunicação. Alguém, penso que o Psicólogo, Luís Paulo Baptista, levou junto dos alunos para conversar com eles sobre Comunicação Social, o polémico Manuel Serrão que naquele tempo era presença assídua na televisão. O caso, que ocorreu nos finais de Março, provocou grande celeuma entre os professores e muitas foram as vozes críticas e mesmo indignadas que se levantaram a seu propósito. No dia 1 de Abril apareceu no placard da sala de professores, com a necessária aparência de documento oficial, a informação de que nesse mesmo dia, estaria na escola Lili Caneças para conversar com os alunos sobre o “Jet Set” nacional e o seu significado na perspectiva da Comunicação Social. Salvo erro, a sua “presença” daria lugar a uma sessão de autógrafos.

Juro-vos que vi pessoas praticamente à beira de um ataque de nervos, junto do placard, perguntando-se, e aos circunstantes, a que ponto iria parar aquela escola!
Quem seria o autor da original partida do 1º de Abril? Na posse dos dados já indicados, fácil será adivinhar…

- Isabel Xavier -

ERA UMA VEZ...

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Era uma vez três meninas que eram muito amigas em 1963 e que se reencontraram quarenta e cinco anos depois

num jantar em Óbidos.
Eu fui convidado, jantei e tirei as fotografias.
Agora espero que alguém escreva como foi.

Ah, já me esquecia, o jornal mais lido
durante a refeição foi " O DESPERTAR".
JJ

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COMENTÁRIOS

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Laura Morgado disse:
Começo por fazer um pequeno reparo pois, na verdade, em 1963 eu a Manela e a Júlia éramos muito amigas: quarenta e cinco anos é o tempo que vai entre a fotografia da baliza e as restantes. Ao certo, eu e a Manuela Carvalheiro não nos víamos desde 1965, último ano em que estivemos juntas no ERO (vão 43 anos).
Eu e a Júlia há já algum tempo que tivemos a oportunidade de reviver a nossa amizade, tal como já foi testemunhado neste blog. Durante o jantar soube que o mesmo se tinha passado com a Manela e a Júlia.
Neste convívio do dia 17 de Janeiro em Óbidos recuperou-se um clima de cumplicidade, existente entre nós há décadas e perdido no tempo. Espero que continue a haver oportunidade para muitos encontros iguais a este.
Não posso deixar de salientar a presença do nosso professor de Físico-Química, Dr. Serafim, que muito gostei de rever e que, com a sua simpatia e boa-disposição, ajudou a criar um ambiente fantástico entre todos.
Terminámos este reencontro em casa da Júlia, acompanhados pela bela e maravilhosa Ginja de Óbidos feita pelo seu pai. Brindámos aos presentes e aos ausentes…
Um muito obrigado ao João Jales que nos acompanhou, fotografou e que, apesar de ser mais novo, tem sempre muita disponibilidade e boa-vontade para proporcionar estes momentos inesquecíveis para todos.
Laura
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Júlia Ribeiro disse:
Nunca pensei que o João, após ter ajudado, e de que maneira, a despejar umas garrafitas de vinho, ainda com uma gingita a seguir, continuasse com as suas insónias e fosse a horas tardias arranjar-me trabalho de casa para hoje !!!!!........
Perante estas fotos, e comentários anexos, mais uma vez se constata o seu entusiasmo e o papel que o blog tem desempenhado na reaproximação e convívio dos "ramalhões" e família.
Eu, a Manela Carvalheiro e a Laura fomos colegas e amigas do 1º ao 7º ano. Realmente em 1965 cada uma rumou à respectiva faculdade, e cidade, e assim nos perdemos. Eu e a Manela, passados muitos anos, reencontrámo-nos num Congresso algures (aqui aguardo que ela descreva esse reencontro, pois recorda-o muito bem). Posteriormente houve outros, mas muito esporadicamente e sempre de passagem.
Há uma semana, a propósito dos versos aos professores, em conversa por telefone decidimos encontrar-nos e irmos jantar. Tínhamos que convidar a Laura, não podia faltar, e teria que convidar outra pessoa, alguém muito especial, o grande responsável por todos estes encontros e reencontros. É assim que aparece o fotógrafo... não foi contratado!
Durante o jantar saiu da "pasta" da Manela um jornal: o nº1 do Despertar, o jornal do ERO, de 1959! Aí revimos artigos, redacções dos bons alunos de Português e poetas da altura (eu não tenho lá nenhum).Imaginem que descobrimos de onde vem a veia de escritor do Jales! Vimos um artigo cujo autor é um senhor Joaquim Jales… e eu perguntei:
- João, quem é este senhor?
- É o meu Tio! – respondeu ele, tão admirado como eu.
Tivemos o prazer da presença do Dr. Serafim que, sempre com a sua simpatia e boa disposição, nos proporcionou o reviver de momentos e estórias fantásticas.
João muito obrigado por nos teres acompanhado neste jantar/reencontro ao fim de 43 anos.
Um abraço, com muita amizade
Júlia R
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João Jales disse:
Impõem-se aqui alguns esclarecimentos e correcções. A sugestão de que eu terei “ajudado, e de que maneira” a despejar várias garrafas de vinho que vieram para a mesa é falsa. Eu e o Dr. Serafim fomos um exemplo de moderação e quase abstinência, até porque as duas garrafas que nos chegaram foram as que a fotografia acima comprova, uma de água e outra, já vazia, de tinto.
A ginja em casa da Júlia foi mais um pretexto para ajudar um marido em apuros a levar uma etilizada esposa para casa, tarefa que, entre todos os presentes, lá levámos a cabo. Não vou aqui referir nomes, claro, mas a verdade é só uma! Verdade também que a ginjinha era, novamente, excepcional.
Os exemplares nºs 1, 2, 3 e 5 de “O Despertar”, entre 1959 e 1963, foram as estrelas da noite; após digitalizados serão aqui partilhados com todos os bloguistas. Fiquei tão surpreendido como a Júlia ao ver o nome do meu tio no jornal, sabia que ele tinha sido aluno do ERO, um dos melhores jogadores de futebol do seu tempo (e um D. Juan, já agora), mas não lhe conhecia a veia de “escritor” (que eu não tenho, ao contrário do que é dito no comentário).
A presença do Dr. Serafim, que nos brindou com alguns saborosos episódios dos seus tempos de professor, foi realmente um privilégio. Mas não consegui saber quando teremos direito a uma intervenção sua aqui.
Não posso aceitar os agradecimentos e elogios da Laura e da Júlia, fui um feliz convidado, sou eu quem agradece o convite.
Bjs às três meninas, um abraço aos restantes convivas. Temos que repetir e até já sabemos onde… JJ
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Era uma vez três meninas...
O título e a fotografia dos anos 60 leva-me a evocar um poema Português do século XVI, que Almeida Garrett integrou no seu Romanceiro e que na altura nós e outras meninas e meninos tínhamos de aprender nas aulas de Português "A Nau Catrineta". Ora vejamos:

Lá vem a Nau Catrineta,
que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar."
….
- "Sobe, sobe, marujinho,
àquele mastro real,
vê se vês terras de Espanha,
ou praias de Portugal."
.....
- "Alvíssaras, senhor alvissaras,
meu capitão general!
Que eu já vejo tuas terras,
e reinos de Portugal
.......
Também vejo três meninas,
debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas,
está no meio a chorar."

….
Lá vai a Nau Catrineta,
leva muito que contar.
Estava a noite a cair,
e ela em terra a varar


Se na altura dos descobrimentos, século XVI, assim se versejava já no século XX nos anos 60 a realidade era outra. Também se viam as três meninas, não sentadas no laranjal, mas sim num campo de football (no campo da Mata presumo) escondendo-se atrás da baliza, muito vestidinhas com as batas do colégio e com meias (pormenor importante, lembram-se?) sem nada fazerem. Nem cosiam, nem fiavam nem choravam! RIAM e riam porque na altura as coisas eram mais fáceis a amizade era real e das pequenas coisas se fazia a vida.

Passados mais de 40 anos as três meninas, agora três senhoras balzaqueanas voltaram a estar juntas. Não no laranjal, não no campo de football a ver os rapazes, mas no restaurante com os maridos, com um antigo professor (o Dr Jaime Serafim, meu cunhado que muito estimo) e um amigo o João Jales, o Capitão General do Blog dos antigos alunos do ERO. No entanto e apesar da passagem dos anos, uma coisa muito importante há em comum às fotografias das três meninas.

A alegria e o riso, expressão da felicidade do reencontro e da vida

E assim
“a Nau Catrineta que ao vir tinha muito que contar”, (era a nossa juventude que ela então contava) quando “lá vai a Nau Catrineta (40 anos depois) muito leva para contar estava a noite a cair…." (contava da nossa vida actual, do bom, do menos bom, da família, dos amigos, das recordações…e da ginga na casa da Júlia)

"Alvíssaras, senhor alvíssaras, meu capitão general!" Obrigada João Jales

Um abraço a todos
Manuela Carvalheiro

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Isabel Vieira Pereira disse:
Que inveja! A Júlia ainda me desafiou, mas estou de partida para Itália e não me dava jeito nenhum ir até Óbidos — se fosse em Lisboa, teria sido mais fácil. Ainda por cima, não vejo a Manela há para aí 43 anos (!!!). Talvez se proporcione outra oportunidade que me apanhe mais disponível.
Fico à espera das histórias do jantar — Júlia, anima-te lá a escrever alguma coisa.
Isabel VP
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Júlia respondeu à Isabel V P:
Será um pouco dificil contar as histórias...algumas foi o João que contou e não estou autorizada....Falou-se de tanta coisa que não me recordo de momento......imagina das 20h à meia noite a conversar...e num jantar......
Eu até nem sabia que o JJ não tinha aptidão para o curso de Eng,de Electrotecnia no Técnico !!!!!!!!!
E falámos nos nossos "rebentos"....os nossos filhotes. Queres mais? Trata de combinar e marcar o próximo, ok? Foi pena não poderes acompanhar-nos.
Beijinhos
Júlia R
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Isabel Esse disse:
Estes encontros são motivos para grandes alegrias,estou certa,mas verifico que se realizam apenas com gente de gerações mais velhas do que a minha.Não seria possível o blogue organizar estas pequenas reuniõe também para os alunos mais novos que estiveram no colégio até ao início da dácada de 70?O JJ só saiu em 1972.Isto nada teria a ver com o já marcado almoço de Novembro deste ano.Isabel
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JJ respondeu:
O Blog propõs-se desde o primeiro dia apoiar a realização de encontros de alunos do ERO unidos por turmas, actividades (desportivas ou outras), interesses ou amizades, como neste caso e noutros aqui noticiados (homenagem Dr. Lopes, jantar/encontro de Verão, reunião com a Dra. Alda, etc.), mas deixando a organização a um grupo que se constitui para esse fim. Em todos eles estiveram presentes pessoas das mais diversas idades, como mostram as fotografias, e não apenas de "gerações mais velhas". Conta com o apoio do Blog se quiseres organizar qualquer evento.
Haverá uma reunião de colaboradores do Blog em Março, por exemplo, seguida de uma outra que nomeará duas pessoas por turma para convocar e organizar a próxima grande reunião de 14 de Novembro deste ano. Tudo isto o Blog apoia, mas não organiza.
Eu saí do ERO mais precisamente no final do ano lectivo de 1970/71, já que falas nisso.
Vai aparecendo. JJ
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João Ramos Franco disse:
Tento recordar as Três Meninas da foto, os nomes não me são estranhos, as caras estão presentes num álbum meu, a que chamo "Déjà Vu". A realidade da amizade que se perpetua ao longo dos anos e a sua continuidade, nestes nossos retratos e relatos de Antigos Alunos do ERO, mostra bem a cada momento o que fomos e o
que somos. João Ramos Franco
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M.Fátima Gama Vieira disse...
Manuela Carvalheiro, recordo-a da minha adolescência e juventude, vividas em Caldas da Rainha.Com emoção reencontrei-a em Coimbra, admiro-a: Humana, Carinhosa, Professora excepcional, Profissional de excelência e extremamente dedicada a todos que a procuram. um grande abraço.