ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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ANOS SESSENTA (Comentários)

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Tina disse:
Com este texto saudavelmente nostálgico, a Guida trouxe-me recordações de uma década que muito me marcou.
Não pertenço ao grupo da ERO e a vivência foi diversa. Mas fez-me lembrar que também não fui consultada aquando da mudança da minha família de Cabo Verde para Lisboa, que foi muito sofrida em Dezembro de 1966, para os meus 14 aninhos acabados de completar. E que trouxe de lá, na ponta da língua, as letras das canções em voga na música britânica, francesa, italiana, espanhola e também brasileira, pois a cidade de Mindelo era um porto franco e as influências vinham de todo o mundo. Fui parar ao severo Liceu Maria Amália, mas de ensino exemplar, onde as sementes da luta pela vida foram plantadas.
Agradeço de novo ao José Luís Alexandre ter-me chamado a atenção para um artigo do Artur R. Gonçalves, que me trouxe novamente ao convívio do JJ, que conheci sendo eu já aluna do 1º ano do ISE, onde entrei em 1971.
Não tenho sempre oportunidade de acompanhar todos os posts no ERO, mas uma coisa salta logo aos meus olhos: a vossa juventude foi vivida de modo muito semelhante que a minha. Afinal, eu vim de Cabo Verde julgando que era genuinamente portuguesa, já que até as minhas canções de roda em criança foram maioritariamente exportadas do continente.
Foi um prazer encontrar o grupo ERO através deste blog com manutenção do JJ. Com certeza que desculparão esta invasão de uma ET. Ou antes de uma ES.
(Ernes)Tina Santos
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Artur R. Gonçalves disse...
Em 1960, ano do quinto centenário da morte do Infante D. Henrique, frequentava eu a 3.ª classe na antiga escola primária da praça do peixe. Pouco recordo dessas celebrações para além da cunhagem de uma moeda de prata comemorativa com a esfinge do desconhecido senhor do chapeirão, teimosamente identificado com o pretenso navegador. Para dar mais brilho à efeméride, os irmãos Quina também andaram a velejar pela baía napolitana e trouxeram consigo uma medalha de prata das olimpíadas romanas. A experiência junto a penicheiras e nazarenas foi rápida, porque regressei à escola do bairro da ponte onde ingressara no final da década anterior. Lembro-me de ver muitos meninos de pés descalços na sala de aula, geralmente sentados na fila dos burros, e de pensar com os meus botões o quão feliz eu era por me sentar na fila do meio e ter direito a umas botas no inverno e sandálias no verão. Os sapatos, claro está, eram o luxo dos feriados e dos dias de ir à missa ou à catequese. A fase seguinte foi passada na escola velha da mata e na nova da saída norte da cidade da rainha.

Os contactos com os/as meninos/as do colégio foram muito escassos e fugidios. Faziam parte de um outro universo que não o meu. Via-os a entrar sair do edifício situado na rua capitão Filipe de Sousa. Morava em frente, junto ao chafariz d’el-rei. Depois mudaram-se para a zona alta do burgo. Via-os passar junto ao chafariz das cinco bicas, a calcorrearem ladeira acima a caminho de um externato todo novinho em folha. Não me recordo de alguma vez ter visto passar a Guida ou de alguma vez me ter cruzado com ela. Nem nas CdR nem em SMdP nem muito menos em Lx. Teria sido impossível deixar de fixar o rosto e a figura, tão composto à medida da Françoise Hardy, a minha ídola de então. Até aos meus quinze anos, passei férias de verão noutras paragens mais meridionais da província estremenha. Só muito ocasionalmente dei umas escapadelas às praias do oeste caldense. As esplanadas, os cafés, as dunas, as passeatas, os areais, as águas paradas da baía e agitadas da costa, todas os ambientes referidos da vila piscatória são-me familiares mas guardo-os na memória de um modo bastante mais ténue. As idas ao cinema eram cumpridas nos defuntos Salão Ibéria e Pinheiro Chagas. Os bailes de fds faziam-se noutras garagens e os gira-discos pertenciam a outras mãos que não as minhas.
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Quando a janela dos anos sessenta se estava a fechar e dos setenta a abrir, mudei-me para a capital do império. O meu processo de autodeterminação e independência pessoal começou aí. Na altura ainda se ouvia toda essa discalhada juvenil cantada em inglês e francês, mas também em italiano e espanhol. As novas que vinham do maio parisiense e a queda do senhor das botas alterou um pouco o meu universo de referências musicais que começou a fazer-se muitíssimo em português. Pensando bem no assunto, os meus anos sessenta foram vividos no início dos anos setenta. São esses que eu continuo a recordar como os anos dourados da minha adolescência. Em comparação com esta fase alfacinha da minha vida a anterior parece-me demasiado insípida para recordar de uma forma particular. Estive lá e saltei para a vida. Curiosamente, é através de uma janela virtual que tive a oportunidade de olhar para a janela real aberta de par em par para os nossos verdes anos que convencionámos encaixilhar nessa década prodigiosa em que os rapazes conquistaram a liberdade de deixar crescer o cabelos e as meninas de fazer subir as bainhas até aos limites inconcebíveis das mini-saias. Época heróica essa também, berço em grande parte destes nossos tempos do dia de hoje...
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Alfredo disse...
Guida:
Deliciei-me a ler o teu post recordando passos e vivências de outrora bem como fotos desse tempo. Eras linda e o teu irmão, Eduardo, “um bom camarada” e quando caminhávamos para o rio de Salir não nos entretínhamos somente em pescar tainhas mas também, e sobretudo, a apanhar caranguejos, amêijoa e berbigão tão abundantes no rio desse tempo. No cimo das dunas apanhavam-se e comiam-se as camarinhas, descendo-as depois a rebolar, deslizar ou sentados ou deitados em cima das folhas largas das piteiras e só parávamos dentro da água do rio, ás vezes com uns valentes trambolhões rebolando, ora de pé ora estatelados na areia e mazelas conquistadas nestas aventuras mas que acabavam em sonoras gargalhadas.
Deverás também lembrar-te do “ti Farinha”, sempre vestido de branco dos pés à cabeça com o seu apito a anunciar a sua chegada e passagem, e do “Catitinha” que vendia barquilhos na praia, da Rosa das “bolas de Berlim” e bem assim das sessões de teatro dos “Robertos” e as “Construções na Areia” com entrega dos prémios no Cinema com pompa e circunstância.
A Jangada em madeira, de dois pisos, que parecia tão longe da areia mas que em certos dias de marés vivas quase se alcançava “a pé” na baixa-mar, belos mergulhos e regresso a nado. Algo que também já pertence a esse passado e não mais regressou foram os viveiros de marisco “plantados” na baía e que também serviam para nadar até eles, descansar e regressar a nado até á praia.
Mais para os rapazes, foi o divertimento da abertura do túnel com os rebentamentos feitos com pólvora e a construção do paredão ao longo da Avenida, ainda recordo “os chorões” que cresciam no local desta construção e das marés grandes que levavam a água das ondas até á passagem de nível e ao Largo do Turismo até quase ao Café do “Marrofos”, hoje Café Baía, do “Manel Careca”.
Sempre tive a vaga esperança de voltar a conversar convosco, mas reparei que colocaste duas datas quando referiste o teu irmão e senti “um baque” no peito e uma sentida desilusão por saber que isso se tornou impossível, “ele foi um bom companheiro”. Talvez não te lembres destes nomes, mas eles foram os que conviveram, brincaram, passearam e muito conversaram nesse tempo, José António Louro da Costa “vulgo Barbas d’Álho”, João Moura, Eldeberto Carreira “Beto”, Alfredo Justiça, José António G. Justiça, e outros que agora não recordo, mas estes foram os que continuaram a amizade até ao ERO e Escola Industrial e Comercial.
Muito mais há para recordar… e é bom recordar, embora por vezes doa e nos deixe melancólicos mas os anos 50s e 60s são o nosso orgulho e invocá-los sabe bem. Oh se sabe.
A.Justiça
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Victor Ângelo disse:
Muito querida Guida,
O teu post faz-nos jovens, tantas décadas passadas. Tu e eu estivémos na mesma turma, no 2º e no 3º ano. Tu, a rapariga de todos os sonhos, eu um pobre tímido de meia-tijela. Depois, voltei para Évora e perdi-te por uns anos. Voltei a encontrar-te quando já estavas em Lisboa, a acabar o Liceu. Para te perder, de novo, quando fomos para a faculdade. E voltámos ao contacto em 2000, quarenta anos depois. Eu havia dado a volta ao mundo, tu havias vivido a vida. Nessa altura falámos da hipótese de tentar reunir os antigos do nosso tempo. Por isso, é tão bom ver este blog em pleno funcionamento, ter a oportunidade de rever nomes que se haviam perdido nas nossas memórias, e, sobretudo, ler a tua crónica de um tempo que era mais simples e puro, mais genuino e inocente que os dias de agora.
Muito obrigado, Guida.
Victor Angelo
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JJ disse:
Convictamente caótico, decididamente nostálgico, evidentemente sedutor, irresistivelmente soalheiro, este é o post que abre a época balnear no Blog. Começou o Verão !
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Joaquim disse...
Puxa ! e pensava eu que tinha boa memória.
Parabéns
Joaquim

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jorge disse...que bela prosa,que boa memória,que belas memórias!as músicas,s. martinho,a contestação universitária,embora um pouco mais novo passei por isso tudo.maravilhoso...j.
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
Este é o tipo de post que mexe comigo. And you wear flowers in your hair....and you did it of course, Guida!
Ao ver a primeira foto ainda antes de começar a leitura do texto, de repente disse para os meus botões: O quê, a Janis Joplin, a tal que cantava ou antes gritava «Me And Bobby McGee» também andou no ERO ?
Sequência maravilhosa de memórias que se lêem «d'un seul trait»
Lindo!
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Laura Morgado
Que boa memória a da Guida!Um texto fantástico que não pode deixar nenhum aluno daquela época sem uma recordação...por muito insignificante que seja. Quer no ERO ou na Faculdade...foram bons tempos apesar de conturbados.
Guida, esqueceste-te do Padre Chico...ou nem por isso?
Beijinhos por tudo aquilo que me relembraste.
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Guida Sousa disse...
Este texto jorra do fundo do coração,misturando pessoas,factos,músicas,memórias pessoais de uma forma arrebatadora e,como já escreveram,cativante e sedutora.
Maravilhosas as fotografias todas com um inigualável tom da época.
Não admira pois a quantidade de pessoas que têm procurado o blogue para ler. Parabens!
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Isabel Esse disse...
Gostei muito deste post,do texto e das fotografias.Mas não escrevo por isso,já outros o disseram.
A Margarida(que não conheci)salienta o blogue como local de reunião e encontro de pessoas que de outra forma estariam irremediavelmnte separadas e perdidas.Só por isso,este blogue é indispensável e insubstituível,como eu e outros dissemos em Novembro!
IS
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Cristina Ramos Horta (no Facebook) :
Não conheço a Guida Carvalho da Silva, mas escreve bem e é linda.Parabéns e obrigada pelas recordações partilhados.
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Jaime Serafim disse:
Tenho andado um tanto afastado do blogue, motivado pelo acréscimo de trabalho do fim do ano lectivo e de outras actividades em que me meti. Vida de reformado não é fácil, não...
Mesmo assim, tenho acompanhado de soslaio o que se vai passando, aguardando melhor tempo para desfrutar o prazer de proceder a uma leitura mais atenta.
No entanto, ao ver uma foto da Françoise Hardy, lembrei-me de quanto eu apreciava as suas canções - um timbre límpido e doce que nos trazia letras simples, mas muito enternecedoras. Lembrei-me também que possuo um vídeo de uma canção da Françoise. Para mim, o vídeo vale pelo som - as imagens poderiam até ser dispensadas, mas não são más de todo.
Não sei se interessará aos saudosistas, se vai sobrecarregar desnecessariamente o blogue, ou mesmo se já foi inserido e eu nem dei por tal.Seja como for, partilho-o consigo.
Um abraço
Jaime Serafim
Joaquim disse:
Parabéns ao J. Jales pelo blogue do ERO, que tem lindas estórias dos anos sessenta e anos setenta, em que os principais personagens são alunos da B.Pinheiro e R.Ortigão e todos outros certamente serão bem-vindos, embora eu pense que deveriam ser apenas alunos do ERO.
O meu nome é Joaquim Chaves, sou das Caldas e acabei a escola na Bordalo no ano 59/60. O convívio que tive com alunos do Colégio foi mais nos encontros de futebol que havia entre nós e posso dizer que geralmente havia uma boa camaradagem. Na altura eram os Calistos, "o Jorge", o TóFreitas,o muito popular João Calheiros e tantos outros. É pena que esses dos anos cinquenta não apareçam, pois foi uma época brilhante e que muitos se encontraram na vida militar, na já não tão brilhante mobilização para as antigas colónias, como o J.Franco, o Figueiredo,o Ventura, o Honório e outros
Espero estar nas Caldas em 10 de Julho e até fins de Outubro, estou sempre com colegas antigos no Central das 10 ao meio dia e vou tentar aparecer por aí para receber umas lições sobre discos...Vou enviar outro email com a estória da "porta", mas se o João decidir não publicar não faz mal algum, pois eu durante muitos anos pouco ou nada escrevi e agora torna-se um pouco difícil ...
Cordialmente.
Joaquim
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Guida Carvalho da Silva respondeu :
Se o meu apontamento sobre os anos sessenta despertou assim tanta curiosidade e teve tantos visitantes, isso deve -se antes de mais nada ao administrador do blog e à «operação de marketing» desenvolvida, que foi muito bem sucedida e conseguiu efectivamente reunir um grande número de leitores. Por esse facto fiquei particularmente contente, na medida em que me permitiu partilhar este passeio ao passado com todos aqueles que tiveram vontade de o ler. É que os bons momentos não têm sabor se não forem partilhados.
Obrigada pelos vossos comentários.
Obrigada João Jales pelo «Antigos Alunos Ero».
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José Mário Rego disse:
Guida
Gostei imenso de ler o teu relato de um tempo que vivi,com outra idade mas com igual intensidade. Tinha no teu irmão Eduardo, um colega de ano e amigo,a quem perdi o rasto, mas nunca o desejo de saber dele.Por esse motivo,gostava se possível, de conhecer um pouco mais da sua vida,após a saída das Caldas.
Podes contactar comigo?
Abraço Amigo
JMRego
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Os Locais da Cristina Rolim

Cristina Rolim



Tenho lido quase diariamente o blog. As recordações sucedem-se e muitas vezes atropelam-se. Não vale a pena alongar-me nos locais já descritos. Nem todos frequentei tão assiduamente como alguns de vocês, como é o caso do Casino, onde só fui muito esporadicamente.
Fiz uma pesquisa nos meus álbuns de fotos e quero compartilhar algumas que retratam momentos muito engraçados.
Sempre fui uma "carnavalesca" assumida. Frequentei quase sempre os famosos bailes do Lisbonense. Vinham pessoas de quase todo o País. Fiz grandes amizades que ainda hoje mantenho. Mas acima de tudo sempre fiz os chamados "assaltos" em minha casa, junto à estação da CP. Seguem-se fotos da "malta" presente na altura e como se pode ver uma miscelânea dos alunos do ERO com os da Escola Comercial. Reconhecem-se? Um abraço a todos.
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Cristina Rolim
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As fotos devem ser, segundo a Cristina, de 1969. O desafio aqui é legendá-las, identificando os foliões. Se possível, gostaria de obter testemunhos dos participantes, já que estas festas privadas, em casa ou na garagem, foram muito pouco exploradas nos anteriores depoimentos. JJ

Zequinha Pereira da Silva disse:
Tu matas-me JJ...
Estas fotos são o melhor testemunho da "interacção" Escola-Colégio protagonizada pela nossa geração...se dúvidas houvesse...e estes bailes da Cristina o ponto mais alto do calendário convivial
Vamos lá ver se contribuo com algumas identificações....
Foto 1: o gajo com cara de parvo a dançar com a Mena, sou eu....à esquerda, ao fundo, de braço no ar a Teresa Constantino e à esquerda dela a Paula Pina.


Zequinha Pereira da Silva disse:
Foto 2: com o V.Gil ao centro (naquela época os gajos mais giros, os "borrachos", apareciam sempre ao centro das fotos)...à sua direita a Fernanda (?) que hoje, penso, trabalha no Centro de Saúde...o Tóino Elias e "meia" Fraça...em primeiro plano a Paula Pina, o Zé Manel e o João "Azeiteiro"...tive o enorme prazer de o encontrar hà pouco tempo na Avenida...está no Canadá há 30 anos...ao fundo o Tó João Freitas (famoso "Fantasma"...à direita estará "meio" Pedro Nobre.

Luís disse:
Não vejo ao centro da foto 2 o Vítor Gil mas o Hipólito. À esquerda o Adriano Bagaço (à frente do Fantasma) e à direita o Henrique .

A.J.F.Hipólito disse:
Oi
Tens razão, sou eu e não o Victor. No entanto não posso ajudar nas identificações que faltam pois, ou pela falta de vista ou devido à arteriosclerose, além das identificações já definidas, todos são absolutamente desconhecidos para mim.
É triste mas a PDI não perdoa…



Zequinha Pereira da Silva disse:
Notável, notável...o ar "certinho" do Henrique...
Para a Cristina um enorme beijo de gratidão...ela na altura não poderia saber...mas hoje já fica a saber que os seus "bailes" são um marco na nossa saudade e um grande pedaço da nossa felicidade individual e colectiva...e são estes os momentos recordados que, por vezes, nos fazem mais fortes perante a adversidade
Bjinhos

Luís disse:
… e na 4 pode ser a Anabela Garcia entre os cortinados lá atrás…



Victor Gil disse:
Estas fotografias acordaram-me a saudade. São fotos antigas, do tempo em que o Carnaval era mágico e os “assaltos” uma espécie de loucura contida, consentida e caseira. Os “assaltos” da Cristina Rolim, eram verdadeiros ícones e lembro-me bem da alegria com que a turba de foliões era recebida. Era só preciso guardar as pastas de recortes e fotos dos Beatles (era colecção ou paixão?) e o espaço estava pronto para a festa.
Na foto 5, de cima para baixo, eu sou o Mariacchi que canta a plenos pulmões, perante a alegria do Zequinha (o outro Mariacchi), o riso da Cristina, o espanto da Luisa Pinheiro (porque é que estavas em cima da cadeira?) e a distracção do Luís Flores (declamavas?). Tenho também esta fotografia e olho-a intrigado sem saber mais quem é a giraça boy-style-haircut de lenço ao pescoço que canta em dueto comigo: alvíssaras a quem descobrir!
Então, o tempo era eterno e os corações andavam à solta, bem diferentes dos que hoje, fraquinhos e sorumbáticos, ajudo a continuar batendo…
Abraços a todos! Obrigado Cristina!

Zequinha Pereira da Silva disse:
Foto 5: a miúda que elevou os níveis de testosterona do VGil (vai aproveitando...) parece-me a Bé Moita...


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C O M E N T Á R I O S
19-06-2008
F Santos disse:
Creio que a Cristina Rolim enviou a estória mais bem documentada (seis fotografias). Claro que é tudo pessoal mais jovem que eu, agora é pena que não apareça ninguém a identificar os foliões.
Parabéns Cristina, e manda mais fotos para ver se o pessoal acorda! Fernando Santos.
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miniprofa disse...
Dou os parabéns à Grande Reportagem premiada! É tão perfeita a reconstituição fotográfica que consigo 'ouvir' a banda sonora.Que 'fixe'! até eu reconheci logo, logo o João Jales, o Tó Zé Hipólito e o Luís Flores. Pois e a Cristina Rolim, claro. Parabéns, Cristina!

Os locais do Artur Alves

Artur Alves


Este texto foi enviado como comentário aos textos do Abegão, do João Serra e Miguel B M . Por ser muito extenso, e com a concordância do autor, constitui um artigo. Embora talvez não no mesmo registo dos restantes, mas este Blog é um espaço sem censura. JJ

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Tenho lido, com incredulidade e indignação, os diversos ‘depoimentos’ publicados no blogue dos antigos alunos do Ero. A burguesia caldense era elitista - na Zaira e Casino – como se fosse o Jet Set de agora, observado e admirado pelos saloios, que só tinham acesso a locais ‘de segunda classe’ como o Caldas Bar e o Lisbonense. Isto os mais endinheirados, porque os outros ficavam-se pela Tasca do Tó Henriques e os Pimpões ou o ‘Casino da Mangueira’.

Mas a gota de água que me leva a escrever este desabafo é o depoimento do Zé Carlos Abegão em que as profundas diferenças entre os inscritos nas duas escolas aparecem como se fossem simples escolhas deles ou resultado de as pessoas se conhecerem mal! Oh Abegão, que é que te passou pela cabeça? És mais novo que eu mas viste todo esse pessoal da periferia de que falas (e alguns de mais longe) chegar à Escola molhado e cheio de frio, uma lancheira com uma sandes e uma laranja para comer o dia inteiro, continuando teimosamente a estudar porque queriam MAIS. E à custa de si próprios, já que provavelmente as famílias preferiam vê-los a trabalhar a terra ou como aprendizes num sítio qualquer, a ganhar umas coroas para levar para casa. São estes estudantes ‘colegas’ ou ‘iguais’ aos putos queques que iam à Zaira e compravam discos na Tália? Tás a brincar!

Enquanto alguns dos nossos percorriam kms a pé ou de bicicleta, à chuva e ao frio, no colégio havia uma carrinha para os levar do Borlão, ou da Praça!, para não terem que subir a ladeira!!! (Não inventei nada, está lá num post). Tive, na Escola Velha ainda, um amigo que saía de casa, andava uma hora por atalhos para apanhar uma automotora com horários incertos, para chegar umas vezes meia-hora adiantado e outras faltando à primeira aula, era imprevisível. Chegou a dormir em minha casa porque eu sabia que ele, julgo que dois dias por semana, só conseguia chegar a casa às 9 da noite. Sem jantar e para se voltar a levantar antes das 6!!

Enquanto os meninos do Ero compravam Chiclets ou iam tomar uma bica e comprar um SG depois de almoço, a maior parte de nós virávamos os bolsos para uns rebuçados a tostão ou comprar Definitivos à unidade, conforme a idade... E não era no Taiti, não…..

E o elitismo decresceu nos anos 60??? Eu digo até o contrário. Apesar de na década de 50 haver claramente ricos no colégio da Garagem Caldas e pobres na Escola íamos juntos à mocidade portuguesa (Sábado à tarde), jogávamos à bola na mata, íamos ao parque, bebíamos copos na Ginjinha e trocávamos umas chapadas de vez em quando como compete à boa convivência e educação da malta nova…… Os irmãos Morais até estudavam um em cada lado!! E dançávamos todos nos bailaricos do Bairro Da Ponte e do Largo João De Deus, de que ninguém fala agora!!! Com a mudança para os padres e para o alto do monte da Diário de Notícias os alunos do Ero passaram a ignorar o povo cá de baixo. Até tinham uma Princesa!(também soube há dias no blogue deles). Não é por 3 ou 4 terem jogado no Caldas que isto é mentira.

E o amigo Jales (posso tratá-lo assim, conheci bem os seus pais) pode talvez contar que passou por um belo aperto quando no final dos sessentas começou a querer mostrar-se com o Ferreira da Silva Júnior(Raul??)às meninas da Escola. O F da Silva acho eu que namorava uma muito pequenina e o outro andava à pesca… Aqueles dois lingrinhas vestidos de hippies (os putos da Escola achavam que eles eram maricas) a acompanharem cachopas nossas levantou um sururu que deu mesmo porrada em frente à Praça de Touros. Fui eu, que já nem estava na Escola, e o Zé Manel, que trabalhava ali ao pé no Tomás dos Santos, que os safámos. Esta história não está no blogue ou fui eu que não li tudo???

Já se tinham ‘pavoneado’(como gostava de dizer a SUPER HOMEM sobre outro professor) anteriormente pela Escola o Polaroid, o Pitosgas, o Rolim, o Zé António (e outros conquistadores….) mas esses foram à caça……. e acabaram caçados….. Eram os ‘COPINHOS DE LEITE’como lhes chamávamos!!

Vá lá que ainda protestaste por se dizer ser a Zaira o café da juventude caldense…. Essa então é de cabo de esquadra, não sei o que é que ensinaram a esse menino que escreveu isso, mas o Pai dele, que foi meu professor, contava umas galgas da caça e pesca mas não dizia bacoradas dessas!! Mas qual preferência se, àquele ‘ninho das víboras’- era mesmo assim conhecido, não eram só os Bombeiros que tinham alcunha – nem 1% da juventude caldense ia!!! É como eu digo, estão a brincar ou a sonhar com uma coisa que nunca existiu……

Mas o Central, que eu frequentei a partir de 66, já no fim do Curso Comercial, também não era bem a ‘tertúlia intelectual’ que tenho aí visto descrito……. muitos invejosos e também muita má língua e intrigas… Burgueses envergonhados de má consciência, que falavam muito e nada faziam - chamava-lhes um cliente habitual que eu conheci. Há aí uma garota no Blog, mas eu essa não conheço, que falava de haver lá mentes abertas? Só se algum partiu a cabeça! Havia lá uns tipos do reviralho (como lhes chamavam) mas eram mais as vozes que as nozes….

E o Luís Pacheco, a quem escreveram lindas orações fúnebres nos jornais e na nossa Gazeta, não tinha quem lhe pagasse lá uma bica ou sequer permitisse que se sentasse na sua mesa e era enxotado por gente que hoje conta como foi bom conviver com ele…. (se calhar só eu é que me lembro disto?).

Olha o João Serra (será o mesmo que escreve na Gazeta?) preferiu não falar de nada disso nem se meter em alhadas no post dele, mas escreveu assim:
- estereótipos sociais e até ideológicos e que os frequentadores fiéis de cada um dos cafés teriam certamente consciência da etiquetagem…Copiei isto agora de lá e , se bem percebi, é a maneira dele dizer que, se falavam mal dos frequentadores do Central na Zaira, o contrário também era frequente!.... Mas já não diz quem é que comprava as coisas bonitas que havia na Tália!!! Não era eu nem nenhum dos meus colegas, só muito depois de casar é que tive dinheiro para um gira discos.

Não sei quem vai ler isto (espero que chegue pelo menos ao JJ e ao Abegão) mas não podia calar o que realmente se passou. E dizer que só entrei no casino (o nome mesmo penso que era clube de inverno - aquilo não era um casino a sério) quando se transformou em casa da cultura onde havia muitas ideias e boas vontades, mas pouco dinheiro para fazer coisas……O único menino do colégio que lá vi nessa altura foi o Faria (Zé Carlos). Mas sou obrigado a achar mal que hoje não sirva para nada nem para ninguém.

Fui poucas vezes à Zaira, e só anos depois, quando a porta já era a frontaria toda escancarada, a convidar todos a entrar e sem ninguém a ‘cortar’….. mas não era assim em 1962, 1963, e por aí adiante, a porta era mais estreita nessa altura….

Querem saber onde eram os verdadeiros ‘locais onde se encontrava a nossa juventude’? Era nas paragens das camionetas e dos comboios, nas tascas, na Mata e no Parque -porque eram de borla - para os que estudavam. E as fábricas, armazéns e lojas para os que começavam a trabalhar com 12….13…..14 anos!! Eram aprendizes, ganhavam uns tostões e trabalhavam todo o dia, foi o destino da maioria dos meus colegas. Poucos voltavam a ‘estudar à noite’ porque só se podia depois dos 16 anos, e nessa altura a vontade tinha desaparecido..… Estas eram as histórias que um dia destes temos que contar, mas no blogue do Zé Ventura. Porque entretanto os 'copinhos de leite', no blogue do Ero, só contam é histórias do Casino e do Ferro Velho!!!

Um abraço para o Zé Carlos e para o JJ, isto é só a gente a conversar!!! Temos é que ir beber um copo quando eu voltar às Caldas!!!

Artur

Breves notas e comentários a "Os Locais do Artur Alves"

BREVES NOTAS E COMENTÁRIOS
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Este texto, depois de corrigidas algumas gralhas, foi publicado com plena autorização do autor. Foram acrescentadas as fotos, do nosso arquivo, e a citação de outro artigo, a azul no original, foi colocada em itálico. Nada mais.
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Permito-me começar pelo fim: se o Artur não sabia quem ia ler a sua mensagem, agora sabe, todas as pessoas que visitam este Blog, onde não se contam só estórias do Casino e Ferro Velho.
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Todos os locais que refere constavam já noutros depoimentos, uma colega nossa elegeu até a paragem da sua camioneta como "local de encontro". Havia alunos da periferia no Colégio. Os artigos são já muitos, percebo que o autor não tenha lido tudo.
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Ninho de Víboras para designar a Zaira só ouvi anos depois, na altura os vendedores da Praça chamavam-lhe, com humor e algum espanto , a "Tasca das Mulheres".
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Datómetro na mão e estamos no final da década de 50, início de 60. Em 66 o Artur diz já ter acabado o Curso Comercial. Mas alguns episódios que refere são um pouco posteriores a isso. Será que esta datação que o texto aponta está correcta? O "desentendimento" que me envolve e ao Rui (e não Raul) Ferreira da Silva é já perto de 70, e está claramente exagerado, talvez para ilustrar melhor o seu ponto de vista. Uma troca de "bocas" mais acalorada entre alunos do ERO e da Escola, realmente com uma intervenção de terceiros (não me lembro quem), aparece aqui como uma cena de um filme do Trinità! Não foi bem assim.
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O Rui, eu e outros alunos do colégio vestíamos segundo os padrões da época, já o referi aqui duas vezes, e isso não agradava a toda a gente (começando no Director do Colégio). As estórias vão todas sendo contadas...
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O Artur, pelos vistos, ia ao Central. Como já referi eu só lá ia à cave, de resto era cliente da Zaira, pelo que não posso comentar as suas afirmações a respeito desse local.
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Confirmo que o João Serra é o mesmo que escreve na Gazeta e o Miguel é realmente o filho do Dr. Bento Monteiro, professor na Escola.
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A verdadeira designação do Casino era Clube de Recreio, o Clube de Inverno era outra entidade, que chegou a alugar as instalações do Clube durante o Inverno, quando este estava fechado. Desde o final da década de 40 que isso não acontece. Como o Clube de Inverno era (e penso que é) exclusivamente masculino, parece ter surgido a designação de Casino das Senhoras para o Clube de Recreio, posteriormente abreviada para Casino. Estamos de acordo que é criminoso manter um espaço daqueles, com aquela localização, fechado há anos.
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Mesmo não concordando com alguns dos seus pontos de vista, julguei o texto interessante e terei muito gosto em aceitar o convite para beber um copo com o Artur, quando ele vier às Caldas. A acrescentar à ginjinha e aos bolos já combinados, este não vai ser um Verão bom para a minha dieta!
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JJ
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01-05-2008
João disse:
Tio Artur: na minha aldeia você seria o tipo com cara de poucos amigos que à meia noite apita para mandar parar o baile. Em linguagem mais urbana, você é o tipo que gosta de fazer de elefante na loja das porcelanas.Só que há aqui um equívoco. O Artur não parece ter-se dado conta dele. Já não há baile. Já não há loja de porcelanas. Fechou tudo. Você não manda os pares para-casa-que-amanhá-é –dia-de-trabalho, porque o terreiro está vazio. Também não faz a casa em cacos porque a loja mudou de ramo. Acabou tudo há mais de 30 anos. Nós somos todos outras pessoas e apenas nos encontrámos para contar histórias. Somos como aquele personagem do Ray Bradbury que anda a contar o que desapareceu: as ervilhas, o cheiro do café, as molas que os ciclitas usavam para apertar as calças nas canelas, coisas assim. Só isso. João Serra
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01-052008
Ana Carvalho disse:
Ai que horror! Só agora li o artigo do Artur, que eu não faço a mínima ideia de quem é, achei que o Sr. não sabe mesmo do que estava a falar , os alunos ERO não eram assim e que eu me lembre o Casino tambem não, para mim era um espaço de convivio agradável. E olha que eu não fazia parte do que ele chama JET SET da época. Por causa destas e de outras é que se gerou alguma rivalidade Escola Comercial /ERO.
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01-05-2008
Luis António disse:
(...)havia quem não tivesse dinheiro para o almoço na Escola, e no Colégio, mas bem pior é beber vinagre ao pequeno almoço com parece fazer o Artur !!! Vê lá JJ se é desse "copo" que vais beber ......
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01-05-2008
Isabel Caixinha disse:
Respondendo ao elogio do Artur, tenho porém que o acordar para mais uma desilusão.A "garota"do Blog é hoje uma mulher de 50 anos e até avó.
Quando mencionei mentes abertas e tolerantes,não estava a referir-me a crânios, e sim mais concretamente ao conteúdo e atitudes.Esta abertura nada tinha a ver com politica.Quem lhe deu essa coloração foi o senhor.Os meus amigos do Central eram exactamente assim - Mentes abertas e tolerantes!
Tambem é pena que só leia partes dos depoimentos apresentados porque, e para exemplo, a grande maioria dos amigos que mencionei eram alunos da escola.
Acho muito normal que não me conheça porque a ver pela falta de respeito que denota no seu depoimento, nunca poderia ter feito parte de um grupo de amigos meus! Isabel Caixinha
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01-05-2008
Jorge disse:
Penso que nuinguém se revê neste depoimento,embora eu sendo do E.R.O. possa ser suspeito.Não sei se foi boa ideia publicar,eu preferia ignorar.Serve para quê?Dou razão ao Bonifácio: acabou tudo há 30 anos,Jorge
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01-05-2008
Miguel B M disse:
Comentário ao artigo (?) do Alves:
Nunca ouvi falar deste rapaz que insulta o meu Pai e me chama "menino copo de leite "sem fazer a mínima ideia de quem eu sou, o que faço, qual o meu percurso de vida. O meu Pai sempre me disse que não apreciava alunos com QI pouco elevado e daí eu entender o que foi escrito. Era inevitável que mais tarde ou mais cedo eclodiria uma ovelha ranhosa ressabiada e frustrada (diz-me, em que partido votas?) que se permitiu criticar coisas que ignora, nunca ouvi falar no episódio da Praça de Touros como um caso policial, desconhece a diferença entre Casino e Clube de Inverno e até baptizou o Rui FS com um novo nome. A propósito, tinha-te sabido bem que a Angelina te tivesse preferido a ti e não ao "mariquinhas" do ERO não era meu maroto ?E se ela era gira...E ficaste chateado por as alunas da Escola namorarem com os "mariquinhas"? elas deram-te muitas vezes com os pés? acho que já entendi este teu problema mas infelizmente tens mais. Embora certos considerandos que foram feitos sejam certamente verdade e seria estultícia ignorá-los (com o conteúdo do artigo uma pessoa com um mínimo de jeito e bom senso tinha elaborado um excelente texto sem necessidade de ser grosseiro) tb é verdade que o autor está totalmente deslocado da realidade que tem sido retratada no blog, destilando ódio acumulado ao longo destas décadas e disparando contra tudo e contra todos. Ainda bem que tens má pontaria, a tua pistola não funciona ou nunca te ensinaram a atirar. Deu-se ao luxo de criticar o artigo do Abegão que está correcto, é conciliador e retrata com muita fidelidade a realidade daqueles anos. Este espaço foi criado como um espaço de convívio e boa disposição e partia-se do princípio que não haveria insultos pessoais. Afinal foi puro engano. Mas os privilegiados do ERO (seriam fascistas?) não têm coração de pedra, sabem que é pedagogicamente errado, e até cruel, ignorar as pessoas que não estão bem com a vida e nem com elas próprias, que não tiveram a oportunidade de beber "copos de leite" (e chá) quando eram jovens (foram antes alimentadas com ácido e veneno) e assim, graças aos meninos, conseguiste o teu pequeno momento de glória. Se tivesses problemas respiratórios, eu curava-te. Como tens "maus fígados" não posso salvar-te.
PS: o blog não tem um caixote de lixo electrónico ou um vomitório ?
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01-05-2008
Belão disse:
Segundo o que me é dado a ler quando quero escrever algum comentário - "não serão autorizados comentários insultuosos"- não percebo como este foi publicado. Acima de tudo, o que mais lamento é que o Sr. Artur não tenha aprendido nada na escola: nem a escrever (o JJ teve de "emendar algumas gralhas"),nem a tornar-se uma pessoa bem formada e educada. E isso pouco ou nada tem a ver com posses económicas! Belão
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01-05-2008
João Ramos Franco disse:
Sr. Artur Alves
Deve estar a falar de uma outra Caldas da Rainha, porque aquela de que fala não conheço. Eu tenho quase 66 anos de idade e ao ler o que escreveu fiquei a pensar que tinha nascido num outro sitio que aquele onde a sua história se situa.
Mas deixemos de muitas palavras e mencionemos os amigos. Sendo estudante do ERO tenho como amigos meus da Escola Comercial: os Irmãos Leiria, Clóvis, Malhoa, Amadeu, Salvador (sapataria) e Irmão, José Coelho, Baptista, etc… Eles são tantos e participaram em tantas brincadeiras da minha juventude que no mínimo lhe perguntariam: Viveste nas Caldas?
João Ramos Franco
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02-05-2008
Zé Carlos Faria disse:
Acabo de votar no Sim, na sondagem que está em marcha e gostava de fazer uma pequena «declaração de voto»:
Tal como vem referido na introdução ao artigo, o blog ERO é um espaço sem censura, (o que não significa que não possa nem deva ter ponto de vista). Mas mais do que a ausência de censura (pressuposto mínimo, convenhamos), trata-se sobretudo de um espaço livre e aberto, alimentado por múltiplas fontes e que tem vindo a suscitar atenção, interesse, debate e reflexão. E isto é o fundamental! Não creio que haja alguém interessado num processo comunicativo amorfo, «unanimista» e num circuito fechado, o qual estaria assim condenado a ser um curto-circuito. A História faz-se de olhares e visões diferentes e do seu cotejo e confronto. Nestas circunstâncias, isso é extremamente salutar. De facto, existe uma dinâmica de leitura dos artigos e ela desencadeia o impulso de emitir opinião. Será possível pedir melhor?
Na sua diversidade, o blog está vivo e recomenda-se...
Aquele abraço! JCF
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02-05-2008
São Caixinha disse:
O Serra disse elefante?! Eu diria mais mamute e na loja da Vista Alegre! Louvado seja Deus...tenho pouco a acrescentar à vossa impressionante lista de reacções, na realidade! Porém, eu que tive inúmeros amigos da Escola ( amigas e namorados também!) nunca encontrei justificação para as rivalidades de que ocasionalmente ouvia falar! Até hoje, bem entendido!! Ora bem, sempre serviu para alguma coisa! E não digam que não continuamos a aprender...!!! São Caixinha
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02-04-2008
Mª João Gomes disse:
O artigo do Artur Alves é para mim o momento deste blog, o que eu descobri !......Descobri que as “cadelas” que alguns dos citados apanhavam eram com leite, que estes mesmos e outros não iam ao Lisbonense nem ao Casino da Mangueira, que o JJ além de arruaceiro (isso já sabia) era pescador e que se gostava de mostrar com o Rui FS, (com franqueza João, desconhecia-te esse lado.....), que “OS COPINHOS DE LEITE” afinal não casaram com as mulheres que amavam, mas antes acabaram “caçados” sabe-se lá porque “gajas”, que o João Serra tem medo de escrever, que após o casamento o poder económico melhorava a ponto de se poderem comprar gira discos...........O que é preciso é que aparecem mais artigos como este, pois eu afinal andei distraída e realidades como as descritas passaram-me ao lado.Vá lá, escrevam mais artigos com este tipo de tom e conteúdo que eu, os privilegiados, os copinhos de leite e as meninas do Blog, pelos vistos passámos os anos da nossa juventude noutra galáxia, nem sabíamos que havia colegas e amigos que tinham vivências sociais, políticas e económicas diferentes. Mª João Gomes.
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02-05-2008
Pedro Bandeira disse:
Sou um leitor esporádico do Blog do ERO e permitam-me o seguinte comentário sobre o artigo considerado polémico do Artur Alves, que não conheço, em resposta a outros artigos cujos autores também não conheço.
Diverti-me à brava a ler o artigo em causa e reli-o mesmo duas vezes à procura de algo insultuoso, o que não encontrei.
O artigo é faccioso ? – É.
O artigo é provocatório ? – É.
O artigo está mal escrito ? – Não, bem pelo contrário.
É uma visão pessoal que certamente até o próprio saberá que está excessivamente matizada mas que reflectirá o seu sentimento sobre uma sociedade e uma época.
Eu, que andei no ERO do 1º ao 5º ano do liceu (1966/70), tendo depois deixado de viver nas Caldas, tenho outra visão completamente diferente:
- Ia a pé para as aulas e ainda bem pois assim tive mais tempo para a brincadeira e para apanhar fósseis.
- Os livros, não os ia comprar à Tália, ia buscá-los à biblioteca do Parque (era da Gulbenkian, não era?), que posso “eleger” como um dos locais da minha juventude nas Caldas.
- Nem Zairas nem Centrais, ia era jogar matraquilhos à Floresta, bilhar ao Camaroeiro e pingue-pongue ao Parque.
- Por último o melhor amigo que fiz nas Caldas e que ainda hoje conservo andava na Escola Comercial.
Saudades do
Pedro Bandeira
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03-05-2008
João Paneiro (Neco) disse:
Acabou o bom senso no blog?Será que muitas das reacções ao artigo do Artur (que li 3 vezes para entender a razão de tanto protesto) resultarão do pessoal, com excepção do "Traga Balas"(desculpa referir-me assim), ser muito novo nos anos 60 e como tal, não serem reais observadores? O Artur pintou a realidade das Caldas por esses anos, com as cores todas. Socialmente a cidade estava muito estratificada. Casino de porta aberta? Só em fantasia. Zaira centro transversal de convívio? Nunca dei por isso.
As reflexões do Artur são verdadeiras, e até já me fazia confusão aquilo que lia, dando a entender que as classes sociais nas Caldas não se encontravam bem marcadas e que conviviam numa santa harmonia. Que grande distracção. Realmente não era assim. Se calhar era eu que andava distraído... Mas o que tem o post do Artur para lhe valerem tais referências desagradáveis? Insultos? Não dei por isso. Mas ser necessária uma sondagem sobre o sim ou não da publicação do post é assustador! Será que quem condena a publicação não ficou farto de censura? Eu fiquei...
Já agora, eu frequentava intensamente a Zaira, os matrecos da Floresta, o casino, o pigue-pongue das casa dos barcos no parque (onde a D. Adelaide nos anunciava com a sua saudosa pronúncia "Meninos está na hoia"), o Clube de Inverno, os bailes do Lisbonense etc, mas de facto não encontrava toda a juventude daquele tempo a frequentar os mesmos sitios. João Paneiro - Neco
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04-05-2005
Manuel Agudo disse:

Meus caros amigos sou o Manuel Agudo que andei a estudar no ERO, com dois irmãos (um e uma) durante poucos anos - lá para os lados de 1966 a 1969 – e que por isso a maior parte dos visitantes do BLOG já não se deve recordar de nós. Agora, com esta intervenção um pouco mais quente do nosso amigo Artur Alves, que me desculpe, mas não tenho o mínimo vestígio na memória, resolvi entretanto perder a vergonha e mandar também umas “bocas”.
Por isso também concordo com o Zé Carlos Faria de que isto é um espaço aberto, e destina-se a desabafar um bocado e falar de peito aberto! Isso não quer dizer que se tenha de lançar pedras daquela maneira a alguns colegas só porque frequentavam aqui ou acolá!
Mas que diabo! Também já lá vão 40 anos!!.....
Quanto aos locais mais frequentados, na minha idade no ERO, eram a maior parte do tempo em casa ou redondezas (porque um maior afastamento podia originar uns tabefes da mamã) e quando surgia uma oportunidade ir à mata para jogar à bola, ou até ao parque brincar ou jogar Ping-pong.
Quanto aos cafés preferidos pelos colegas, a maior parte deles não me lembro muito bem, mas também posso acrescentar que me recordo da Zaira ser um café frequentado pela “finesse”, de ir às vezes ao Central com o meu pai para (ele) tomar um cafezinho ( não concordo nada com o nosso amigo Artur Alves de considerar um local de Elite) e também me lembro de ter aberto o Café Maratona, para onde por vezes me escapulia (era perto da minha casa) para me deliciar a ver os carrinhos da pista de automóveis.
Já agora que estamos a falar à vontade, também me merece adiantar que havia efectivamente alguma clivagem entre os estudantes da Escola Industrial e do ERO, por razões óbvias – escudos! Mas isso não me parece que mereça agora algum reparo sobre os frequentadores de cada estabelecimento, até porque estávamos no tempo da “outra senhora”
Bom! quanto mais não fosse, esta intervenção do Artur Alves foi boa só para dar um arzinho de sua graça ao blog e principalmente para começar a ver algumas intervenções de antigos colegas de turma – Pedro Bandeira (que tal como eu não vive nas Caldas) , Mª João Gomes e aguardo que venham outros………
Xau!!!!!!!!
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05-05-2008
Fernando disse:
Em relação a toda esta polémica, só me surge como resposta ao autor do texto original, o Sr. Artur Alves (que não faço ideia quem seja), aquela que o General Cambronne deu na batalha de Waterloo, quando o convidaram a render-se, e que ficou conhecida para a história como "Le mot de Cambronne"...
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05-05-2008
A. Justiça disse:
Não percebo tanto furor e “esquentar de cabeças” por causa do artigo do Artur Alves, afinal o que foi escrito por ele corresponde a uma realidade de então. Pois se até na Escola Comercial e Industrial havia rivalidades entre os meninos do Comércio e os Macacos da Indústria. Os do Comércio eram os “queques” e os da Indústria eram os “sujos”. É natural que assim fosse pois só depois de 74 é que apareceram mecânicos de bata branca… dantes era tudo com fato-macaco, de preferência azuis… e quando se trabalhava em oficinas certo era que as roupagens estivessem sujas e a cheirar a óleo. Claro que a forma como o Artur aborda a questão é ríspida e pouco sociável, no entanto, isso deve-se á maneira de ser de cada um e não afasta, de modo algum, as diferenças que havia entre a rapaziada do ERO e da Escola… e da mesma forma se pode comparar com as diferenças, dentro da mesma Escola, entre os meninos do Comércio e os “labregos” da Indústria. Preciso esclarecer que pertenci aos últimos.
Ora bem, com tudo isto votei “sim”, que este tipo de análise à sociedade de então deve ser publicada até porque, após ler os primeiros artigos publicados, comecei a ficar com dúvidas se teria mesmo tirado o Curso em Caldas, é que… realmente não tinha, na altura, tanto vagar e muito menos escudos, para frequentar os locais que até então eram focados. Só Zaira, só Central, só Casino, etc, etc, … e então! Ninguém se divertia. Ficavam-se por estarem sentados à mesa de cafés. Não. Recuso-me a aceitar essa tristeza até porque… lembro-me que a nossa juventude era muito mais rica e criadora. Frequentei todos esses locais nos 6 anos de estudo e recordo que essa frequência era por “revoadas”, quer dizer, durante uns tempos aqui outros ali e outros ainda acolá. Nunca fixo em um local apenas.
Pois se até, na estação da CP, a linha secundária que dava acesso aos armazéns do cais de embarque foi local de brincadeiras… se o largo frontal foi local para, rapazes e raparigas, jogarem ao ringue. E as longas caminhadas, a pé, até à Foz do Arelho… e os passeios no Parque da Cidade… e os passeios na Mata com incursões esporádicas na Quinta da Boneca… e o comer medronhos na Mata… e tantas, tantas outras aventuras, próprias da idade, que por vezes traziam dissabores.
Amigos, deitem cá para fora as “travessuras” porque nem a vossa nem a minha vida de estudante foi passada à mesa de cafés. Havia diferenças, até grandes diferenças, na forma de estar na vida… e que isso dependia do poder económico de cada um, não tenho dúvidas, o que duvido é se essas diferenças eram provocadas pelos mais desafogados ou pelos menos afortunados de carteira… mas uma coisa é certa… foram tempos divertidos apesar de uns se divertirem apenas com o “Mundo de Aventuras” e o seu Cisco Kid e outros com o mesmo e mais uns discos que podiam comprar ao Sr. Nogueira.
Assim sendo, JJ, não te arrependas de ter publicado o artigo do Artur. Ele pelo menos teve o condão de afastar a escrita que, até então, estava a ser desenvolvida e colocou uma pitada de “piri-piri” no recordar.
Continuem, pois… recordar é viver… e muito me apraz lembrar esses tempos.
Um abraço
Justiça
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07-05-2008
JJ disse:
Não pelos 96% de aprovação na sondagem do Blog, mas pela quantidade e diversidade dos comentários, a publicação deste artigo foi positiva.

Os Locais do José Luis Reboleira Alexandre

J.L. Reboleira Alexandre



Chão da Parada, algures na década de 60. 5 ex-alunos da Escola Industrial e Comercial, estando eu bem ao centro e,
à esquerda, o Eng. César Reboleira da Câmara Municipal da nossa cidade.



Apesar de nunca ter sido aluno do ERO (a culpa foi do Sr Padre director na altura, quando eu aos 15 anos recusei mudar da escola para lá, por causa daquela história das missas a que os alunos tinham de assistir...seria mesmo assim?), vou tentar vasculhar nos cantos da memória os locais por onde andei nesses anos em que, para se ser feliz, bastavam vinte e cinco tostões nos bolsos das calças, uma toalha e uns calções de banho. Esta fase da minha vida terminou um pouco quando, aos 17 anos, passei a apanhar regularmente a automotora do Domingo à tarde para Lisboa, lá na estação do Bouro, no final da década de sessenta.

Não sei se por não viver nas Caldas, se por não ter sido aluno do ERO, a Zaira e o Central só mais tarde foram por mim frequentados, bem como o Casino ou os outros locais aqui mais mencionados noutros comentários. Era mais nas tabernas como a do Manel (António?) Henriques, ali frente à Praça de Touros, que eu comia uma sandes no fim das aulas e via um pouco de televisão, enquanto a bicicleta estava a guardar na loja do Sr. Castanheira. Luxo enorme, se pensarmos que no Chão da Parada não existia electricidade em 1973.

Garagens dos burros (não haverá outro nome para isto?), conheci algumas, mas mais durante a minha meninice, e aquela que minha mãe mais vezes utilizava para guardar o nosso meio de transporte mais usual, ficava ali na esquina da Rua Capitão Filipe de Sousa com a rua que desce para os Claras/Capristanos.

Aliás a Rua Capitão Filipe de Sousa, entre essa esquina e a garagem da BP (não sei se ainda é BP), tem para mim um significado especial. É que durante um Inverno, andava eu no 1º ano do Curso Geral do Comércio (ainda não tinha idade para conduzir motorizada), os meus pais chegaram a acordo com uma família que aí morava para que eu lá passasse os frios meses de Dezembro a Março. O apelido deles era Graça e tinham um filho mais velho que eu (andaria na altura no 5º ano do ERO), que se chamava Henrique, que me deu a série quase completa, encadernada, do Cavaleiro Andante (ainda hoje a guardo aqui em Montreal). Apesar de lá ter sido sempre tratado como um filho da casa, com direito a chá de limão à noite e tudo antes de ir dormir, e aí ter saboreado as minhas primeiras tangerinas (a família tinha criada), um dia disse lá em casa à minha mãe que preferia fazer a ida e volta do Chão da Parada para as Caldas de bicicleta, com frio de rachar, que ficar lá na cidade, pois não me sentia à vontade. No apartamento ao lado morava um outro ex-aluno do ERO cujo pai era oficial (major? no RI 5) de quem recebi igualmente imensos livros de BD. Sempre que volto às Caldas e passo frente àquele prédio lembro-me como se fosse hoje.

Não pensem no entanto que o pessoal da aldeia não se divertia. Em vez da Foz, para mim a praia de Salir do Porto era o local onde as férias grandes começavam em Junho e duravam até Outubro. Os jogos de futebol durante a maré baixa lá no rio de Salir duravam de manhã à noite, a barraquinha da Dona Amália (a mãe do Barrote que era nosso colega na Escola), no local onde agora estão as piscinas e o Abílio não pára de fazer obras, tinha uns bolos e umas laranjadas maravilhosos. O café do Alexandrino lá em Salir ou o Cortiço de Tornada, nos tempos do Sr Manel da Foz, com máquina de discos e tudo, para ouvir o « Have You Ever Seen the Rain» dos Creedence Clearwater Revival, dos irmãos Fogerty,






ou o «Lady Jane» dos Stones.





Pelas mesmas razões, o Pão de Ló de Alfeizerão. Todos estes locais ficam para sempre nos nossos arquivos.

Era ainda na praia que se namorava em português, mas também em francês com pronúncia belga. Aprendi nessa altura a dizer septente em vez de soixante-dix. Ainda hoje os meus amigos francófonos me perguntam se sou belga. Aliás foi nas areias da duna de Salir que encontrei aquela que me atura há quase trinta anos. Ela corrigiria de imediato para vinte e oito e meio, pois diz que eu tenho sempre a mania de me envelhecer.

«Et voilà», de forma sucinta, os locais da minha juventude.

José Luis Reboleira Alexandre


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BREVES NOTAS E COMENTÁRIOS
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Não conheci o Zé Luis, três anos mais velho do que eu. Ele ajuda na datação numa segunda mensagem:
Nasci em 1951, fui aluno da escola entre 62 e 69 (o último ano como assistente - chumbo na primeira tentiva no exame de admissão ao ICL - recusa de ir para o ERO por causa das tais missas). Parti para Lisboa continuar os estudos no Instituto Comercial de Lisboa em 1969. Depois da tropa a partir de Outubro de 73, com 12 meses de Angola pelo meio, até Outubro de 75, parti para Montreal onde vivo desde 1976.
Já lhe expliquei que não havia qualquer obrigatoriedade de assistir à missa para os alunos do Colégio. Eu próprio fui apenas a duas ou três ao longo de nove anos, nunca por motivos religiosos nem por imposição de ninguém.

A caracterização que tem sido feita da Zaira e do Casino como locais "exclusivos" dos alunos do ERO é claramente abusiva e não corresponde à realidade. Eu frequentei muito os dois locais, com muitos colegas, mas posso assegurar que 2/3 da minha turma de 6º e 7º Ano não ia habitualmente à Zaira e 3/4 não ia, ou ia muito esporadicamente, ao Casino. E claro que a maioria os frequentadores desses locais não eram alunos do ERO. O Zé Luis não os frequentava simplesmente porque, morando fora das Caldas, não tinha ligações familiares aos frequentadores adultos desses locais. Essa, para mim, é a explicação, mas tenciono voltar a este tema.

A tasca em frente à Praça de Touros era propriedade do António (e não Manuel) Henriques, se confiarmos na memória do Vítor Silva, um dos colegas da Escola que contribuiu para esta série sobre os locais de encontro. E há mais citações, foi um local relevante.

Sei que após o 25/4/74 a principal reivindicação das freguesias caldenses junto da comissão directiva da Câmara foi terem acesso à electricidade. Como habitante da zona urbana das Caldas talvez não me tenha apercebido, na altura, da enorme quantidade de pessoas do concelho que não dispunham de um bem tão essencial e do intransponível obstáculo que isso constituía para qualquer desenvolvimento das populações dele privadas. Nas Caldas havia electricidade, embora nem sempre… Lembro-me de se dizer que:
“Caldas da Rainha é uma cidade que seduz,
De dia não há água e de noite não há luz...”

Os dois alunos do ERO citados no texto são o Henrique Graça e o Nuno Mendes. Embora o nome do segundo não estivesse lá escrito, foi fácil descobrir quem era um filho de militar com a mania da BD.
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A maioria dos locais de encontro citados no texto são novidade, mas não a referência às célebres belgas de S. Martinho…

Conheci o Cortiço desde muito cedo mas não me lembro de lá existir uma Juke Box.
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Os nossos três anos de diferença não nos separam na música, conheço bem as duas canções citadas (e recordadas). Have You Ever Seen The Rain dos CCR foi incluída no LP “Pendulum” (1970) e Lady Jane, dos Stones, em “Aftermath” (1966); embora nunca assumido pelos autores, parece referir-se a Jane Seymour, uma das seis mulheres do Henrique VIII .
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23-04-2008
João Rodrigues Lobo
Nos locais de José Luis R. Alexandre é referida a ZAIRA como ponto de encontro de alunos do ERO.
Nas breves Notas e Comentários áquele depoimento é dito que não era a ZAIRA ponto de encontro.
Posso afirmar que em 1965 a Zaira era ponto de encontro da malta do 7º ano como aliás confirmam 3 fotografias que enviei e,reparem no convite para o Baile de Finalistas, que também enviei, a Marcação de Mesas é pelo telefone 22288 "ZAIRA" o que prova que "estávamos lá".

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23-04-2008
JJ disse:
Nem o Zé Luis refere a Zaira como ponto de encontro dos alunos do ERO (nem poderia, ele afirma que não ia lá), nem eu contradisse o que ele não escreveu.
Especulámos ambos porque é que ele não o teria feito e, das suas duas hipóteses, não ser aluno do Colégio ou habitar fora das Caldas, eu escolho a segunda, já que ser aluno do ERO não era condição para a frequentar.
A minha nota destinava-se a negar uma interpretação abusiva, que poderia decorrer de alguns textos anteriormente publicados e até da afirmação do autor, de que a Zaira e o Casino seriam locais “reservados” aos alunos do Ramalho Ortigão. Se não era verdade para a Zaira, era absurdo para o Casino.
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25-04-2008
Isabel Cx disse:
De não menosprezar as garagens de burros (outro nome? estacionamento de jumentos?) da nossa cidade! Hoje pontos de referência, quase ao nível da "Rainha": A Lena A. caíu em frente duma, o Zequinha ia à sopa de pedra, a mãe do Reboleira guardava o meio de transporte e eu passava lá com a minha mãe!

AS FOTOGRAFIAS DOS MAGUSTOS

Amigos:
O prometido é devido!
Quando enviei as primeiras fotografias, logo avisei que tinha uma do Tó-Quim com a boca no trombone, mas que não a tinha encontrado.
É mais uma fotografia do famoso magusto de 71, em que muitos chegaram a casa bem mais alegres do que saíram.
Boas Festas para todos, já que não duvido que este nosso blog vai ser um caso sério no ano que se avizinha.
Oscar Oliveira
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As anteriores fotografias enviadas pelo Óscar estão no artigo "Mais Duas Para o Álbum de Memórias"' juntamente com a sua mensagem na altura. As duas fotos seguintes são também do mesmo magusto.















Depois de publicado a mensagem do Óscar e as 3 fotografias acima, foi enviada pela Isabel Caixinha, da Holanda, uma mensagem e mais uma fotografia que reproduzimos abaixo, num update sempre possível, e desejável, de tudo quanto é aqui escrito:


Falando em recordações...numa fotografia de hoje, do Magusto, onde está a João, a Amália, a Rosa, a Eugénia, a Ana Luisa (na fila de baixo) eu e a Anabela estamos todas muito direitinhas, em fila, concentradas a cortar sistemática e cientificamente as castanhas (ao contrário de outros colegas que se divertiram à grande, como me apercebi através do blog!). Também eu tenho uma fotografia desse Magusto que explica de certa forma este comportamento tão exemplar...Tinhamos pela frente a TEMÍVEL Dra. Cristina, mesmo á frente dos nossos transpirados narizitos... tão perto que até deu para ver que o que parecia falta de lábios era só a côr do baton!!!

Isabel Caixinha

Ouço sempre com alguma estranheza e distanciação recordar os magustos do Colégio, como aquele a que se referem as fotos acima, porque eu lembro-me bem dos magustos…mas da Escola Comercial e Industrial! Lembro-me da pressa com que saíamos nesses dias das aulas, lembro-me até de um pequeno grupo mais aventureiro faltar a uma ou duas numa soalheira tarde de Novembro para ir para a Escola (como lhe chamávamos por oposição ao Colégio) e participar numa série de brincadeiras e jogos, acompanhados por castanhas assadas, claro, no dia de S Martinho de 1968. Se não me falha a memória, a festa realizava-se no recreio Sul e havia baile no ginásio.
A Escola tinha MONTES de alunos, achávamos nós, habituados a um universo que nunca atingiu as 300 pessoas. Era sem dúvida um mundo mais ruidoso, movimentado e aberto que o ERO, o simples facto de nós estarmos presentes sem grandes problemas (uma ou outra “boca” um pouco mais hostil era excepção) mostra isso mesmo. E a festa, sempre muito animada, durava até às tantas…
Na Escola chegou a haver também festas nos Santos Populares, com música, sardinhas assadas e fogueiras, penso que numa organização dos seus Finalistas, coisa a que eu, no vetusto e católico Externato Ramalho Ortigão, nunca assisti.
O magusto de 1970 do
ERO, o único de que me recordo, foi completamente
diferente desses eventos. Penso que a diferença está bem patente no ambiente bucólico das próprias fotografias, que não tendo sido alvo de qualquer escolha ou manipulação, parecem ilustrações de um qualquer romance do Júlio Dinis... O principal motivo de festa foi a saída de todos os alunos do Colégio e a anulação das aulas da tarde. Depois, julgava eu que na Quinta da Boneca, dizem-me agora alguns colegas que numa propriedade relacionada com a família da D. Esperança, assaram-se calmamente umas castanhas, num pacato convívio que incluíu os professores; nas duas fotos que guardei, e aqui partilho, vêem-se a Inês (a nossa mini-profa de Inglês, como alguém já lhe chamou) e a Ana Vieira Lino (no único ano que lá foi professora). O ambiente de verdadeira “Festa de S. Martinho” (ajudado por algumas cervejas, não me recordo se legais ou contrabandeadas) que se vivia nos magustos da Escola, esteve aqui completamente ausente.
É pois com alguma surpresa que vejo todas estas fotos desse 11 Novembro de 1971, onde o álcool parece ter “rolado” em abundância e provocado alguns estragos. Diz a Luísa Pinheiro: “a minha irmã chegou a casa num estado lastimável nesse dia”, e as palavras do Óscar parecem indicar que não terá sido a única… Eu não sei, já estava em Lisboa nessa altura, não fui testemunha desse magusto, posso é garantir que não foi nada parecido com aquele em que participei!
Se alguém quiser aproveitar para fazer as legendas das fotos, que já estão no Álbum de Memórias, agradecemos.


JJ

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