ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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TRÊS NASCIMENTOS E UMA MARGARIDA

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Ora aqui estão 4 convictas adeptas da Foz do Arelho. A fotografia, tirada novamente pela minha mãe, no Parque de Campismo da Foz do Arelho, deve ser do ano do artigo da Lena Arroz : CAMPISMO, VERÃO DE 1965

Eu na cadeira de lona, ainda sem conseguir pôr os pés no chão, novamente, e como sempre, a rir. Do lado direito o "trio Nascimento": a Ana, parece nossa mãe (hoje já não se nota a diferença), a Luisa, com uns lindos caracóis e a Margarida ao colo da Ana. Em comum as havainas, que voltaram a estar na moda, o que é um sinal de que estamos todas velhas.
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E a tenda?
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A Ivone Nascimento tem tudo num primor. Flores por todo o lado, tapetes, cortinas. Lembro-me deste dia como fosse hoje. Assim: ontem ali! A nossa amizade continuou inalterável até hoje.
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Um beijo grande para elas e para todos os por aqui vão passando... e são muitos.
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Margarida Araújo
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João Ramos Franco disse...
Tens razão, ao recordar estes tempos e dizer que “hoje já não se nota a diferença”, entre vocês. É verdade, e tenho-me apercebido disso nestes últimos encontros, vocês tomaram elixir da juventude e nós em rapazes umas cervejas. A diferença é só aparente, todos temos na memória os locais da nossa juventude e os vamos recordando neste espaço de são convívio.
João Ramos Franco
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Júlia R disse:
Que meninas tão lindas !Que quarteto tão simpático!Que titulo tão engraçado!E agora que somos todas da mesma idade.....Um beijinho para as quatro!
Julinha

S. MARTINHO DO PORTO (visto por Eduardo Prado Coelho)

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Eduardo Prado Coelho
em "Público"
16 de Maio de 2006
escreveu :
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Perdi a praia de São Martinho do Porto, a praia dos primeiros namoros. Não a reconheço, porque fui reencontrá-la massacrada por uma urbanização selvagem e incomodativa. Encontrei a Foz do Arelho.

Infelizmente também a Foz do Arelho está, entretanto, “a saque”. Basta olhar o que se passa com as construções na zona da Rotunda junto ao Mar para o perceber. Dizem-me que até há ali ilegalidades, eu não sei, não estudei o assunto, nem quero entrar aqui numa discussão técnica sobre urbanismo. Mas qualquer observador casual, munido apenas do mais elementar bom-senso, verificará, sem dificuldade, que aquilo que ali se passa é um atentado à Foz do Arelho e a todos nós, a que assistimos calados. Mas não é só aí, embora toda essa encosta seja, talvez, o pior . Será possível? Onde estão os amantes da Foz, alguns dos quais se pronunciaram aqui nos últimos dias?

Eduardo Prado Coelho já tinha escrito sobre S. Martinho do Porto noutra ocasião e eu fui à procura e encontrei o seu texto. É uma boa introdução para termos aqui, na próxima semana, mais três artigos relacionados com S. Martinho do Porto, todos eles de frequentadores e amantes dessa praia, que farão boa companhia à excelente resposta que a Isabel Xavier, brincadeiras à parte, me enviou, e eu publiquei, há dias.


Todas estas memórias serão importantes se nos permitirem olhar para o que se fez (e está a fazer) e tentar impedir que o “progresso” e o “futuro” sejam, em qualquer dos dois locais, um aglomerado de betão a esmagar o areal.


Já escrevi seguramente demais, deixo-vos com o EPC. JJ
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Os Amantes da Baía
Por EDUARDO PRADO COELHO
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2004
É possível que eu projecte sobre a recordação da praia de São Martinho do Porto imagens que nunca existiram - que a praia seja a praia onde eternamente somos, numa adolescência deslumbrada e sem fim.

Todas as manhãs corríamos à janela para ver se o tempo estava bom. Mas, enquanto chegavam notícias de que o país era banhado por um sol esplendoroso, São Martinho obstinava-se em ter uma bruma matinal, húmida e fria. "É um microclima", dizia o meu pai. É verdade que por volta do meio-dia desencadeavam-se uns ventos impiedosos que varriam as nuvens e clareavam os céus. Mas o vento instalava-se às vezes de um modo tão intenso que a boca se enchia de uma areia fina, os jornais voavam, os toldos voltavam-se sobre si próprios, as mães vestiam as crianças com casacos de malha. "É um microclima", comentava o meu pai. Mas gostávamos daquele jogo das escondidas com o calor e o sol. Gostávamos de andar com os pés a chapinhar ao longo da baía até chegar às dunas. Gostávamos da rua dos cafés, de subir até ao Facho, de ir a um bar na Nazaré ou de comer pão-de-ló em Alfazeirão, ou javali num restaurante popular da estrada para as Caldas. Gostávamos das mesas nocturnas onde a nobreza doutros tempos e a grande burguesia se lamentava das desgraças do 25 de Abril e chamava "crise" às tostas mistas com que alguns se alimentavam. Gostávamos de andar pelos montes, de ir à capela para ver o pôr do Sol.

Num dos poemas que Luís Miguel Cintra escolheu para dizer num livro-disco dedicado à poesia do Ruy Belo (e publicado pela Assírio e Alvim), podemos ler versos que evocam esta espécie de estado de graça em que a felicidade vinha do lado do mar:

"O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo da avenida
ao sol dos solitários dias de Dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de Agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar."

E mais adiante:
"Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
gestos e pensamentos tudo fixo
(...)
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida."

Sei apenas que São Martinho do Porto é hoje um lugar estragado pela improvisação, o comércio cego, o mau gosto, a leviandade. O que podia ter sido uma praia encantada é um desastre em todos os aspectos. O ministro Theias - que se confessa "um amante da baía", porque nesta praia passou 18 anos de férias - promete apoiar o projecto de reabilitação de Gonçalo Byrne apresentado pelo presidente da Câmara de Alcobaça, Gonçalo Sapinho. Será desta?
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Comentário a S. Martinho (Eduardo Prado Coelho), por João B Serra

S. Martinho segundo um mapa de 1634



Voltamos então a S. Martinho? Isso quer dizer, caro JJ, que o ajuste de contas não ficou resolvido depois daquela narrativa implacável de uma noite perdida num cinema perdido?

E voltamos de que maneira! Guiados nada menos que pelo saudoso Eduardo Prado Coelho, um dos mais brilhantes espíritos do nosso tempo. Bem, EPC sabia do que falava, o pai, Jacinto do Prado Coelho, alugava casa em S. Martinho (lembro-me bem dela). Nos anos 40 e 50, S. Martinho deve ter sido uma espécie de S. Pedro de Moel, procurada por artistas e intelectuais, defendendo a qualidade e equilíbrio da ocupação urbana, tirando partido de uma excepcional vantagem paisagística.

Todas a costa Oeste sofreu desde os finais da Idade Média um processo inexorável de assoreamento e a baía de S. Martinho não fugiu à regra. O mar foi recuando desde Alfeizerão (porto ligado à construção naval ainda no século XV e XVI) até à pequena concha que hoje conhecemos. A actividade piscatória foi enfraquecendo e a projecção económica dos três portos (além dos dois já mencionados, Salir) diminuindo. De qualquer modo, lembro-me de ver a baía com barcos de pesca ancorados e assistir à descarga de peixe no cais de S. Martinho. Quando o mau tempo assolava a Nazaré, os barcos aqui registados procuravam refúgio em S. Martinho.

A perda de importância portuária da zona encontrou alternativa no turismo. Para isso muito contribuíu a linha de caminho de ferro do Oeste, inaugurada em 1887. A linha do Oeste, prolongando a linha de Lisboa a Torres Vedras até Alfarelos (onde encontrava a linha do Norte), servia as termas das Caldas e a praia de S. Martinho. Nas duas décadas finais do século XIX e primeira metade do século XX, S. Martinho integrou a oferta turística caldense, que dispunha no mesmo “pacote” de termas e praia amena, distantes entre si uma dezena de minutos de combóio. Os médicos das termas receitavam banhos no Hospital aos avós queixosos de reumático e aconselhavam banhos de mar aos netos esquálidos. Quando se criaram, na década de 20, os primeiros estabelecimentos de saúde pública na região, as consultas de saúde infantil orientavam as crianças para S. Martinho. A “descoberta” da Foz por parte dos caldenses e das classes médias caldenses foi mais tardia. Desse ponto de vista, a descrição que aqui foi feita de um acampamento junto à Lagoa, é elucidativa. Em meados dos anos 60, as classes médias caldenses, se queriam ir para a Foz, tinham de se instalar num improvisado Parque de Campismo, desprovido de equipamentos.

De facto, penso que foi só a partir dessa altura que a Foz do Arelho adquiriu um favor crescente entre os caldenses, destronando a preferência anterior por S. Martinho. Foi desde essa altura que deixou de se ouvir falar com tanta insistência na pretensão de anexar as freguesias de Alfeizerão a S. Martinho ao concelho das Caldas, um projecto acalentado de ambos os lados, desde pelo menos 1895.

A transição de S. Martinho para a Foz (no meu caso, fui para S. Martinho durante a instrução primária, aliás a conselho médico, e para a Foz quando entrei no ERO) não foi, no entanto nem linear, nem absoluta. Mesmo os mais apaixonados pelo ambiente, diríamos hoje “radical”, da Foz, não deixavam de manter alguma atenção sobre o que se passava em S. Martinho. Geração da modernidade como queríamos, partilhando com os jovens de outros mundos gostos e costumes, sabíamos que os ares cosmopolitas corriam mais ágeis e frescos em S. Martinho. Pois! Quem não se recorda da força atractiva que nos puxava para S. Martinho? Davam pela designação genérica (e mítica) de “belgas”…
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João B Serra
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OUTROS COMENTÁRIOS:
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João Ramos Franco disse:
Comigo também aconteceu que, até 1951, fui passar férias para S. Martinho pelas mesmas razões. O meu pai, Médico Veterinário Municipal, e o Dr. Mário de Castro, Sub-Delegado de Saúde, ambos pertencentes à Junta de Turismo, há muito conversavam sobre a insalubridade das águas da Lagoa de Óbidos.
Recordo-me de tudo, não só por assistir a conversas entre ambos no Café Lusitano, mas também por ver o meu pai a desenhar croquis para se fazer a ligação entre a Lagoa e Mar, o que veio a acontecer em 1952/3. A partir daí, a “aberta” passou ser efectuada todos anos na Primavera, e a Lagoa passou a ser mais frequentada.
João Ramos Franco
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João Jales disse:
Ao contrário do que é aqui sugerido não tenho qualquer "ajuste de contas" a fazer com S. Martinho, tive até lá um breve, mas feliz, encontro com uma "marquesinha" que... Mas não tenho agora tempo, isso fica para outra vez, hoje só quero dizer que eu também fui para a Foz a conselho do Dr. Mário de Castro, que foi sempre o médico "lá de casa", e que era adepto da Foz, onde aliás convivi com toda a sua família.
Roubando a idéia do João Serra do "masculin/feminin", que ele usou para caracterizar a Zaira e o Central, eu diria que a Foz era uma praia masculina e S. Martinho uma praia feminina. Estou à vontade neste "plágio", já que o autor nunca tem tempo para vir aqui vasculhar os artigos e comentários uma segunda vez.
Quanto às Belgas elas não eram míticas e sim bem reais. Houve uma colónia estudantil organizada que veio vários anos na década de 60 e eu conheci-a no Casino. Depois continuaram a aparecer, em grupos mais ou menos numerosos, durante a década de 70. Chamo aqui como testemunha deste facto o meu amigo Reboleira Alexandre, que relatou já aqui isto mesmo e até como este facto alterou a sua vida.
Termino dizendo que as classes médias caldenses não eram obrigadas a usar o Parque de Campismo "desprovido de equipamentos". Eu fiz sempre 3 meses de praia na Foz, desde 1958 até 1982, e nunca lá acampei. Havia automóveis e até camionetas nesse tempo e eu sempre fui e voltei. Acampar era uma opção. Havia muito menos gente a pernoitar na Foz do que em S. Martinho, isso era evidente.
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Fernando Santos disse:
Também não sou anti-martinhista, mas nas minhas memórias, reportando-me aos anos 57/58, escrevi o seguinte:
«Aos fins-de-semana eram os acampamentos na Foz do Arelho, Salir do Porto ou ainda S. Martinho, onde nunca gostei de acampar por causa da peneirice dos veraneantes. Olhavam-nos de lado, e parece que ficavam muito chocados ao verem-nos a passear de calções no meio deles. Por outro lado S. Martinho era muito húmido e provocava-me crises de asma. Foi lá que acampei duas ou três vezes com o Manuel Eduardo, o Perez, o Marcelino dos CTT, o Ramiro de Sousa mulher e filhos, e outros, cujos nomes já não me recordo.»

Apanhado?

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Esta não é a primeira mensagem que recebo com insinuações e interrogações sobre a verdadeira identidade do misterioso jovem que está na foto que me enviou a Ana Nascimento (e que está no artigo imediatamente anterior). Mas esta implicou um trabalho que me deixa surpreendido e me faz pensar, será que...
Alguém pode ajudar ?
JJ
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Encontrei o vosso blogue por acaso. Andava à procura de histórias sobre dançarinos ignorados a fui ter aos antigos alunos do Externato Ramalho Ortigão. Vocês não calculam quantos talentos andam por aí. Já tenho uma colecção impressionante. Graças ao vosso blogue, a minha colecção tem aumentado bastante nos últimos tempos.
Mas agora quero contar-vos a surpresa que tive. Olhei para a fotografia colocada há dois dias e tive logo uma supeita. A princípio, porém, nem queria acreditar. Podia lá ser? Observei melhor. Aumentei a imagem. Não havia engano. Era mesmo. No meio daquelas meninas todas, com o seu eterno ar sério, empenhado, mas um pouco distraído. De bóia, na Foz do Arelho. Fantástico. Quem diria?
No blogue diz-se que não pertencia ao grupo, que foi apanhado por acaso. Quase de certeza foi. É o costume. Ele só se deixa apanhar por acaso. Então resolvi tirá-lo de lá. Não fazia sentido que continuasse ali assim, apanhado. Gostaria de vos oferecer então a foto verdadeira. Sem ele, pois.

Mas temos de ser justos. Ele passou por ali, de bóia. Portanto também faz parte do blogue. É por isso aqui fica, também. Mas fica sozinho. Apanhado. Alguém sabe quem é, qual o seu verdadeiro nome?

Diogo Viseu


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C O M E N T Á R I O S

POSTAL DA FOZ (Ana Nascimento)

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Da esquerda para a direita – Paula Nascimento, Guida Nascimento,
Rita Bonacho, Gaby Bonacho e a Mami (Marta Figueiredo).
O miúdo com a bóia não pertencia ao grupo, foi apanhado por acaso



Agosto de 1969



Estamos na Foz do Arelho …. são 10 horas … há sol… o mar está calmo e o banho irresistível…


Ouve-se o pregão da Sra.Guilhermina:


-“Há bolos da Frami


Logo seguido pelo do Justiça:


Vai já, vai já! Olha o Rajá fresquinho…. há frut'ó chocolate…. Olha a bola de Berlim e o pastel de nata….Vai já, vai já!”


Aqui e acolá, entre o mar e a lagoa, pequenos grupos de banhistas desfrutam desta manhã sem nevoeiro



Julho de 2008


Estamos na Foz do Arelho…. são 10 horas… há sol …. o mar está calmo e o banho irresistível….


Não se ouvem pregões…. as bolas de Berlim e os pastéis de nata só existem nos bares…


A praia está repleta de gente … como iremos encontrar os banhistas de 1969 no meio desta multidão ? Onde estarão as manas Bonacho, as manas Gama Vieira ?


Apareçam e venham desfrutar desta manhã sem nevoeiro…..


Ana Nascimento


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COMENTÁRIOS


Bryan Adams disse:

João Jales disse:
Lembro-me perfeitamente da Guilhermina e do Justiça a vender bolos, gelados, percebes, pevides, etc., na praia. As Bolas de Berlim vinham polvilhadas com mais ou menos areia, conforme as condições climatéricas.

O Justiça gritava o seu pregão "Vai já, vai já" com uma urgência que sugeria estarem vários clientes a reclamar os seus serviços simultâneamente, o que raramente, ou nunca, era o caso. Mas eu, ao ouvi-lo ao longe, parecendo tão atarefado, temia sempre que se tivesse esgotado o bolo que eu queria antes de ele chegar à minha barraca...

Manuela Gama Vieira disse:
Só vos digo, em manhãs de nevoeiro, ainda que nas Caldas estivesse um sol radioso, constituía tarefa árdua...convencer meus Pais a ficar na praia!
Hoje até concordo com eles, mas naquele tempo não havia vento nem nevoeiro que nos demovesse de desfrutar de uma manhã de convívio com colegas do ERO.
Têm dúvidas?
A actual foto do blog ilustra isso mesmo!
A escolha musical do João Jales, primorosa como sempre!!!

Júlia disse:
"Vai já, vai já!"
Uma Bola de Berlim agora (meia-noite...), se calhar não caía muito bem!
Mas este ano no Algarve, lá no Vau, havia Bolas de Berlim e eu comi uma. Mas as do nosso tempo eram melhores e lembrei-me, inclusive, da chegada dos tabuleiros com aquelas Bolas maravilhosas, no Colégio, com a Menina Alda a não dar conta do recado, connosco quase todas a pedi-las ao mesmo tempo no intervalo. Aí disse: minhas ricas Bolas ao pé destas!
Mas ainda bem, porque assim não voltei a tentar-me...

AS FÉRIAS DA GUIDÓ NAS CALDAS (4º episódio)




Postais das Caldas IV

Olá

Já consegui escrever este postal com ajuda dos meus pais. Fiz uma cópia ao lado e vai com linhas, senão não sou capaz.

Cá estamos outra vez na Foz do Arelho. Da esquerda para a direita a Ciló, a Anico, o Janeca, que dizem que é meu gémeo, porque nasceu no mesmo dia do que eu, eu (caíu-me um dente ontem, não doeu nada), o Té, o Rogério (Geroca, como vês continuamos amigos) e um menino que não me lembro o nome.

Estamos em cima de um colchão de praia que está mais vez na areia do que no mar, é como já disse, aqui é perigoso.

Acho que à noite as minha mãe e as amigas vão ao Casino. É o baile do 15 de Agosto. Gosto de a ver arranjar-se. Eu só conheço o Casino das matinés de Carnaval. É bonito.

Beijinhos da vossa amiga

Guidó
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COMENTÁRIOS
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João Jales disse:
Os correios andam sempre atrasados, o postal do 15 de Agosto da Guidó só chegou hoje. Alguém reconhece o menino em falta na identificação? Penso que é possível, apesar do nevoeiro...
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Ana Luisa disse...
Mas qual Té? Só conheço o Milhomens e não me lembro nada dele assim!
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Guidó respondeu:
Ana Luisa: Alguém me disse que era ele, mas não me lembro quem. Também não estou certa. Alguém pode dar uma ajuda? O próprio talvez. bj Margarida

FÉRIAS EM FAMÍLIA - 1968 (São Caixinha)


por São Caixinha

Nesta fotografia estou eu e a Isabel (ao meio) com os avós e os primos que vinham invariavelmente passar umas feriazinhas connosco!

Esta outra (só com os primos) foi tirada no mesmo dia. Podes escolher qual preferes publicar.
As fotografias são de 1968 e o local é a Foz do Arelho.

São Caixinha
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C O M E N T Á R I O S
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JJ disse:
A São mandou-me escolher, mas eu preferi publicar as duas fotografias. Gostei de relembrar as "barracas" da FNAT, às riscas, contrastando com as outras, que eram todas brancas.
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J. Serra disse:
Não me recordava das barracas da FNAT, mas lembro-me bem de termos que decidir se a barraca ficava de costas para o mar, tentando proteger os seus ocupantes da nortada. Nas praias da região, S. Martinho ou Nazaré, não vi essa prática: todas as barracas estavam aqui de frente ou perpendiculares ao mar. Lembro-me daqueles bancos de madeira que, com o tempo, ficavam de cor cinzenta escurecida. Podia pedir-se ao banheiro que providenciasse a barraca com uma mesa, no caso em que se alugava barraca por todo o dia e havia almoço a servir.
A fotografia dos avós da São é um mundo inteiro que evoca. Lembro-me bem de um dia também termos tido, na Foz, a visita dos meus avós que ali permaneceram, com obvio desconforto, dentro da barraca todo o dia, ele de gravata e ela de vestido comprido. J. Serra
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Manuela Gama Vieira disse:
Um pormenor relativamente ao posicionamento de uma das barracas - "de costas" para o vento, provávelmente...Mas como dizem os amantes da Foz, a Foz é assim mesmo, sopre ou não o vento!
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São respondeu:
Que engraçado, já nem me lembrava que te tinha enviado as fotografias da Foz do Arelho com os avós e os primos! Como sempre soubeste esperar pelo momento oportuno, visto que se enquandram muito bem na estória de família do João Serra, que a propósito, adorei ler.
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Joao disse...
Como o João Serra diz , e bem , é um mundo que julgávamos desaparecido que de repente aparece perante os nossos olhos . Venho pouco ao blogue , ainda não descobri se as alegrias que me dá pagam as saudades que me deixa ... O Ana Karenina e o Verão do João Serra são dois bons momentos desta série das férias mas apareceram poucas fotografias, não foi ?!
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Manuela G. V. respondeu ao João:
Caro João:
A SAUDADE, salvo melhor opinião - v.g. a sua - só pode estar associada a épocas da vida, pessoas e factos que nos fizeram felizes, pelo que vir ao Blog do ERO só poderá constituir um misto de SAUDADE e ALEGRIA.
O que não nos deu felicidade e alegria,não traz SAUDADE!Concorda?
Manuela Gama Vieira

CAMPISMO, VERÃO DE 1965

Lena Arroz

No Verão de 1965 a Lagoa foi um local de férias de alunos do ERO . No grupo que se formou não havia ainda aventuras com namorados. Nem havia namorados...

Essas aventuras com quase todos nós passaram-se mais tarde, depois de termos deixado as Caldas e o ERO. Os locais em que vieram a ocorrer podem eventualmente ter sido a Lagoa, o mar da Foz e a Aberta, com a sua areia grossa a cheirar a maresia e o Gronho, imponente, ao fundo a definir a linha do horizonte… mas não nesse Verão.

Se calhar, por não haver namoros, é que os nossos pais nos deixaram fazer o acampamento sozinhos.

Para além disso estavam lá os pais de uma das “campistas” cuja tenda, na primeira fila, tinha vista directa para a Lagoa.

Havia mais duas tendas, a minha, onde dormíamos três ou quatro raparigas e uma outra, montada em frente onde dormiam os rapazes, não me lembro se três ou quatro.

Os pais revezavam-se para nos levarem os almoços e os jantares. Comíamos juntos e os rapazes ajudavam a lavar a loiça e a arrumar o sítio.

De manhã não faltávamos à cerimónia da chegada da camioneta das dez para vermos que colegas vinham ter connosco em cada dia. Vinha sempre alguém.

De bicicleta vinham também quase sempre dois ou três rapazes.

Durante 15 dias tivemos mais um companheiro cujos pais passaram férias na FNAT.
Quando o grupo estava completo íamos todos até à Aberta para tomar banho de sol e de mar. Voltávamos às tendas para as refeições.

Depois do jantar fazíamos um passeio a pé, com aquele ventinho marítimo oestino a fustigar-nos a cara. Umas vezes íamos ao Hotel do Facho, onde se tomava café ou jogava cartas, e onde se viam turistas, geralmente estrangeiros. Outras vezes, o passeio era uma subida à FNAT onde se jogava pingue-pongue ou se ouvia música.
Naquele improvisado parque de campismo não havia sanitários e por isso usávamos a casa de banho do Félix e tomávamos duche de mangueira, o que era muito divertido!

De vez em quando passeávamos de barco e apanhávamos berbigão.

Nestas férias que duraram um mês inteiro e de onde voltámos completamente pretos e mais amigos, os nossos pais confiaram em nós. Fomos bastante livres e estivemos aliviados daquela sensação de sermos o alvo de uma permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense.
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Lena Arroz
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C O M E N T Á R I O S
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JoãoRamos Franco disse:
"Fomos bastante livres e estivemos aliviados daquela sensação de sermos o alvo de uma permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense."
Ao ler estas palavras, sinto algo que também era extensivo a nós, rapazes. O teu sentir também era o nosso, nos anos 1958/59, e a parte da “permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense” estava sempre presente e não olhava ao feminino ou masculino.
Eu, o Samagaio, o José Saudade e Silva o Chico Castro e mais alguns, que não me recordo, acampávamos no Gronho. Só o estarmos ali, longe de tudo, era como que um grito de independência.
João Ramos Franco
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Jorge disse:
Estou a ver que a velha coscuvilhice caldense afectou mais as pessoas do que eu julgava! eram só umas senhoras de idade que não tinham nada que fazer, a Helena e o Ramos Franco (de que não me lembro) exageram.
Esta recordação do antigo parque de campismo está muito gira, e as relações rapazes/raparigas eram assim mesmo muito inocentes, hoje ninguém acredita!jorge
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João Jales disse:
Esta recordação da Lena do acampamento de 1965 é mais um texto em que, de uma forma simples e eficaz, nos surge toda uma época de uma forma muito clara.
Há uma claro sentimento de "claustrofobia" em relação à sociedade caldense da altura, que o João Ramos Franco corrobora e o Jorge (mais novo) contesta um pouco. Um sinal de que as rápidas mudanças da década de sessenta, até nas Caldas se faziam sentir?
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Luis disse...
Escrito de uma maneira que parece simples mas não é , esta história da Lena ( que só conheci de vista porque era mais novo) mostra o que eu senti quando acampei, no mesmo sítio anos mais tarde. E também sem namoradas, não era um namoradeiro como o Jales ... Que saudades!!!

FOZ DO ARELHO E ALGARVE (Fernando Santos)

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A primeira fotografia não é uma foto de férias porque em 1955, embora já trabalhasse, não tinha direito a essas mordomias.
Foi tirada num fim de semana na estrada da Foz, próximo ao cruzamento do Penedo Furado. Ao meu lado esquerdo está a minha irmã Adelina, e à direita, a Lizete (já falecida) que foi a minha primeira namorada a sério.
Se o Carlos João da Paulinha Pardal é a pessoa que penso, deve lembrar-se dela, pois coabitámos o prédio que o avô dele possuía na Rua Bordalo Pinheiro.












A segunda e a terceira já são de férias. Estávamos em 1967 e, como possuía um Fiat 600 comprado no ano anterior, dava-me ao luxo de passar 15 dias no Parque de Campismo de Monte Gordo.
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Naquele tempo, atravessar o Alentejo e a Serra do Caldeirão era uma aventura, mas não havia outra alternativa.

Boas férias para todos.

Fernando Santos.
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COMENTÁRIOS
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São Caixinha disse:
Quero ainda agradecer ao Fernando o ter partilhado as interessantes fotografias das férias...e do tempo livre... da sua juventude. Não sei realmente quanto grande seria a aventura de uma viagem para o Algarve nesse tempo...(naquelas estradas e naqueles automóveis...) mas lembro-me que em criança era já aventura que chegasse ir visitar os meus avós a Porto de Mós... que naquele tempo só me conheciam pálida e enjoada...!!! Bjs São X
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Anónimo disse:
É giro como já havia tanta gente a visitar o Algarve nesta altura! tinha a ideia que só nos anos 80 tinha sido a grande invasão, mas pelos vistos os caldenses adiantaram-se.
Não me lembro do Fernando, mas pelas fotos é mais velho do que eu.
boas férias.
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João Jales disse:
Fui pela primeira vez ao Algarve em 68 ou 69, não posso precisar, mas sei que a estrada era péssima e demorámos 7 ou 8 horas a chegar a Portimão, trajecto que hoje faço em menos de 3 horas.
O Fernando, como aqui já foi dito várias vezes, não foi aluno do E.R.O. e, embora sejamos hoje todos da mesma idade, ele é um pouco menos do que os outros... Mas tem sido um colaborador empenhado, escreve com facilidade e tem material que nos ajuda na nossa tarefa de retratar uma época, como é mais uma vez o caso.
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José Luis Reboleira Alexandre disse:
O Fernando Santos não foi aluno do ERO nem da Bordalo Pinheiro mas as ligações às Caldas são tantas que é presença agradável nos dois blogs, mais naquele do que neste. Ao ver a foto do campismo de Monte Gordo, vieram-me recordações da minha segunda viagem ao Algarve, penso que em 1977, aqui já com direito a uma barraquinha para dormir, e à viagem num FIAT 127 alugado, pois o meu carro da altura, um glorioso FIAT 850 Coupé Sport, com motor atrás, tipo Porsche, comprado em segunda mão em Turquel por 15 contos, e re-vendido pouco tempo depois, não teria sobrevivido aos calores do Alentejo. O pobre que até para vencer a subida dos moinhos do Chão da Parada sofria não teria certamente chegado a Beja.
Era na altura em que na Volta a Portugal havia a equipa da Caloi que falava brasileiro, e a minha priminha de Manaus, de cada vez que encontrávamos a Volta queria por força tirar uma fotografia ao lado dos ciclistas.

Quer queiramos quer não, a nossa vida de hoje é cada vez mais as nossas boas recordações de ontem, e há que guardá-las e mantê-las bem vivas.
Abraço
J.L. Reboleira Alexandre
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João Ramos Franco disse:
Tenho lido atentamente a tua colaboração no Blog e sinceramente tenho gostado. Deves ser 6 ou 7 anos mais velho que eu porque, no que escreves, citas amizades tuas que têm mais ou menos essa diferença de mim.
Escrever sobre os locais que nos foram comuns mas em épocas diferentes às vezes é difícil, mas não é este o caso, as coisas no nosso tempo não andavam tão depressa. A Foz do Arelho de 1955, recordo-me deste cruzamento assim, quanto ao Algarve os mesmos locais que mostras nas fotografias também eram iguais em 1963.
Se saiste de Caldas só por volta de 1960 é bem provável que me conheças, só que eu não me recordo de ti, precisava de mais pistas.
Um abraço
João Ramos Franco
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Vasco disse:
informação - A primeira fotografia foi tirado no posto de abastecimento de combustiveis, conhecido como o Patricio, e do qual recordo a bomba manual que servia para abastecer autos, barcos etc.Tinha um dispositivo que permitia misturar óleo na gasolina, quando fosse o caso. A casa do lado esquerdo ainda lá está. devidamente recuperada (Casa Branca) onde no verão se juntavam muitos amigos que faziam o mesmo que todos os outros , na altura : pesca, ski, remo, praia, jogos e, á noite, caçar gambuzinos. Tudo isto na 2ª metade da decada de 60.
VB

VERÃO DE HÁ TRINTA E CINCO ANOS

João Bonifácio Serra


O melhor do Verão era o futebol jogado no imenso areal da Foz do Arelho. Quando mais novos e ineptos, entusiasmávamo-nos com os nossos, incitando-os e aplaudindo-os. Espreitávamos a nossa hipótese de suplentes, o atraso de um titular, a indisposição ou cansaço de outro. Chegado o nosso tempo, entregávamo-nos com alegria e entusiasmo àquele jogo magnífico, suando, esfolando os joelhos no areão grosso, manchando de vermelho o peito do pé ao descarregar a bola com mais força contra o vento norte.

O melhor do Verão era o nevoeiro que cobria as manhãs da praia da Foz de Arelho, por vezes tão húmido que trespassava os camisolões impostos pelo zelo maternal. Por detrás dele, esperando pacientemente, estavam as coisas do mar: a espuma das ondas, os barcos de pesca, os veleiros na linha do horizonte, as gaivotas aparentemente perdidas, as ilhas de aventura. Na costa, libertando-se pouco a pouco dos fantasmas de bruma, vigiando cada um o seu espaço próprio de areia e água, o palacete Almeida Araújo e o Hotel do Facho.


O melhor do Verão eram as ondas altas e vigorosas da praia da Foz do Arelho, às quais fazíamos frente com determinação e com respeito. O melhor do Verão eram as pequenas praias de rocha e areia húmida que a baixa mar por vezes descobria, a seguir ao Facho. Em alternativa, o melhor do Verão podia ser a corrente, serpenteando lenta, antes de virar rápida e traiçoeira, da Lagoa, onde aprendíamos a nadar, e a sua praia preguiçosa onde se podia ficar até ao pôr do sol.




O melhor do Verão eram os picnics na praia da Foz do Arelho, as bolas de Berlim e os bolos de arroz, as sandes de carne assada ou de presunto, os ovos cozidos, as frutas que as nossas mães insistiam em descascar, os sumos trazidos de casa, as laranjadas Canadá Dry.




O melhor do Verão eram as noites da Foz do Arelho: no café Caravela, com aqueles que tinham casa alugada, onde se lia e comentava o Cavaleiro Andante e se combinavam os pontos de encontro para o dia seguinte, depois de contar e recontar até a saciedade os episódios fantásticos do dia que passara; ou nas varandas e salões de convívio da FNAT, com os que vinham passar o turno de 20 dias na colónia de férias, onde se lia e comentava o Cavaleiro Andante e se combinavam os pontos de encontro para o dia seguinte, depois de contar e recontar até a saciedade os episódios fantásticos do dia que passara.





O melhor do Verão eram os amores de Verão na Foz do Arelho, consumados ou não, imaginados ou não, mas sempre presentes, nos olhares que percorriam os corpos, nas palavras que convidavam, nos passeios de descoberta e no desejo que, por tentativa e erro, aprendíamos a expressar.




O melhor do Verão era evidentemente a Foz do Arelho.
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Este texto foi originalmente publicado na Gazeta das Caldas e faz parte da recolha de crónicas do autor, "CONTINUAÇÃO", editada por esse jornal em 2000. O João fez notar que, dez anos depois de escrito, o título deveria ser "Verão de Há Quarenta e Cinco Anos", mas acabei por manter o original.

O João Serra pode ser "visitado" em http://www.cidadeimaginaria.org/
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COMENTÁRIOS




Ramos Franco disse:
Alguns anos atrás perguntei a um Prof. (do curso de Informática), qual o melhor Sistema Operativo e obtive a resposta “é aquele que estás habituado a utilizar”.
A Foz do Arelho é a melhor para ele, faz parte de uma imagem da sua juventude, que estará presente na sua memória, penso que para sempre.
Pode não ser o melhor para todos, mas para ele “O melhor do Verão era evidentemente a Foz do Arelho”.
Talvez esta frase se aplique ás memórias que a Foz do Arelho deixaram nele e que, depois de ter conhecido muitas praias ,volta sempre lá.
"A partir de um certo ponto em diante já não há nenhuma volta atrás. Esse é o ponto que deve ser atingido"
Franz Kafka .
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João Jales disse:
O melhor da Foz do Arelho é a nossa memória do Verão lá... Será verdade ou será o texto do João que me faz pensar que nada poderá ser novamente tão bom como ele aqui descreve?
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Vasco Batista disse:
é mesmo assim, a Foz é a Foz de sempre e hoje continua igual a si mesma com espaço para tudo o que queiramos imaginar. Está nortada? é a Foz; está o mar bravo? é a Foz, a àgua está fria pois está, mas de outra forma não seria a Foz. Fotografias tenho e vou mandar, mas só depois de abalar da Foz. VB
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Manuela Gama Vieira disse:
Da Foz, boas recordações, apesar de, confesso, aquele nevoeiro, a nortada(?) marítima, a água do mar gelada, brrrrr....
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Luis António disse:
Trinta e cinco ou quarenta e cinco anos? Cinquenta e cinco ou vinte e cinco ...Quinze ou cinco anos, a Foz é sempre assim... os miúdos que lá andam é que já não somos nós!!!
Esse livro que tem essas crónicas ainda está à venda, oh JJ?
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Isabel Caixinha disse:
Gostei muito de ler o Verào de há trinta e cinco anos, escrito pelo Bonifácio. Tal e qual como ele descreve, e que prazer de leitura , o melhor do Verão é mesmo a Foz do Arelho.
Não sei bem como isto acontece, mas estes Mágicos Verões voltam a acontecer cada ano. Até a música parece que foi escrita com a Foz do Arelho em mente... "Sealed With A Kiss"!

EU CONFESSO (comentário do Tó Zé Hipólito a ANNA KARENINA)

António José Hipólito


Eu confesso que não tencionava fazer comentários, pois sempre fui pouco dado a escrita, mas o JJ insistiu, principalmente agora por ser referido no “Anna Karenina“, e também num episódio com uns pastéis de nata quentinhos (recordo-me das mesmas corridas no intervalo grande para a Floresta, onde se jogava dois jogos de matrecos e voltava-se ladeira acima para não chegar tarde as aulas. Só de pensar nisto já estou cansado).

Eu confesso que a estória narrada pelo JJ se passou conforme a narrativa, mas eu não era tão míope como ele e portanto distinguia perfeitamente, a 50 metros, se uma rapariga era loura ou morena, se bem que fisicamente até existissem semelhanças. No entanto depois de um dia de espera desesperada para encontrar a Lucha e ele já com o lábio inferior a parecer-se com beicinho, resolvi picá-lo, para ver se lhe passava a telha. E não é que resultou, se bem que não me lembro se houve continuidade de relações com a dita Teresa, nem tinha que saber.
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Eu confesso que essa ida as piscinas de S. Pedro de Moel me agradou bastante, tendo lá voltado várias vezes em verões posteriores, quando já tinha um glorioso 2CV, sempre com mais gente do que a lotação permitia ( hoje seria impossível).

Eu confesso que as minhas preferências literárias abarcavam outros “clássicos”, como o Jules Verne, Conan Doyle, toda a colecção Emílio Salgari, Marabout e até, depois de ter passado o então 5º ano e por já não estar sujeito a obrigatoriedade, os Lusiadas, que me deram um gozo nunca experimentado nos anos de tortura do Português. Também os nossos autores Camilo, Eça, Alex. Herculano, Ant. Sérgio, Júlio Dinis, enfim o que havia lá em casa. De notar que li o livro “Despertar dos Mágicos”, que com 15 anos achei uma maravilha. Até me recordo da banda desenhada do Hugo Pratt, onde o autor refere os conflitos existentes nos Balcãs, Turquia, Grécia e zonas adjacentes e que ainda hoje não tiveram solução, passado um século.

Eu confesso a minha total concordância com o Xico Cera nas suas saudades das Caldas doutras eras, pois toda a Vida que, principalmente no verão, aqui existia, e se centrava na zona histórica da cidade, Hospital Termal, Parque (onde se realizaram as melhores feiras da fruta e da cerâmica), Casino, Lisbonense e Praça da Fruta, desapareceu. É que hoje as Caldas morreram, são um mero jardim para construtores civis plantarem dormitórios. Paz a sua alma.

Eu confesso mais uma vez, e não é por ter sido aluno do ERO e este ser do patriarcado, pois nunca me confessei e nem a 1ª comunhão fiz (façanha rara!) , sendo a única actividade + ou – religiosa por mim praticada a ida ao santo sacrifício da saída da missa de domingo, antes da 1 hora e por razões óbvias: Não tenho realmente veia para escrita, definitivamente sou mais como aquele brinquedo espanhol que dizia “habla comigo”.

Peço desculpa ao senhor francês que começava todas as frases do seu panfleto com “J´accuse“, mas não resisti a copiar a ideia.

A. H.


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COMENTÁRIOS
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JJ disse:
O Hipólito não é uma testemunha mas sim um cúmplice activo de tudo quanto vivemos nesses anos, daí o facto de tentar trazer as suas memórias para o Blog. Essa da "veia", que eu nem sei o que é, não serve de desculpa, esperamos mais confissões.
Quanto à questão da Teresa, que o Tó Zé, a Luisa e a Isabel Caixinha levantaram, terão a resposta em devido tempo...
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Isabel Caixinha disse:
Li o artigo do Hipólito que me deixou intrigada. Esta "falta de vista" comum aos cavalheiros da época, intrigou-me. Dei comigo a analisar, com lupa, os meus conhecidos ou possiveis "amores" de então, tentando reconhecer estes sintomas na distância que nos separaria...Huummm...Curioso, como nunca me ocorreu antes...
Gostei muito da forma directa como o Tó Zé escreve também. E mais livros...desta vez "O Despertar dos Mágicos". Bom livro. O mais curioso é que eu lia ao mesmo tempo "As Aventuras dos Cinco", com o mesmo interesse!
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Manuela Gama Vieira disse:
O(s) matar(es) de saudades às Caldas...levam-me a concordar em absoluto com o Hipólito: a beleza do centro das Caldas desapareceu! Que tristeza me deu olhar a degradação da "praça da fruta" e zona circundante. Mudam-se os tempos... infelizmente,nem sempre para melhor! É o caso!!!
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António disse :
Caros colegas:
As Caldas têm--se realmente apagado e desaparecido debaixo das horrorosas construções com que destruíram a avenida da estação, a antiga quinta dos canários (é um atentado), as novas construções na Foz, onde era a Pensão Portugal (lembram-se?), parecem ser um caso de polícia, aquilo não pode ser legal. Ninguém faz nada, ninguém diz nada?
Gostei da história do Jales, mesmo sem a confirmação do Hipólito dava para ver que eram memórias verdadeiras. O Jales já sabia que era escritor, o Hipólito foi uma surpresa.
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Fátima Vieira disse:
Sou visita habitual do Blog.
Vivo com encanto, alegria e algum saudosimo cada história cada cantinho, as canções ,as nossas memórias.
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João respondeu:
Fáfá:
Fico satisfeito com o teu "aparecimento" ... Vai-te mantendo em contacto. Demasiados leitores mantém uma atitude passiva, gostaria de ver mais a comentar o que aqui se publica, como tu fizeste.
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J.Carlos Abegão.
Gostei do artigo do Tó-Zé Hipólito, sobre as nossas Caldas, está lá toda a verdade.
Cumprimentos. JCAbegão

COMENTÁRIOS / CONTRAPONTO

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João Serra disse:
Verão de 1969
(Contraponto ao Verão de João Jales)
A 27 de Abril de 1969, Alberto Martins, Presidente da Associação Académica de Coimbra interpelou o Presidente Américo Tomás no anfiteatro das Matemáticas. As consequências deste gesto projectaram-se até ao final desse ano lectivo. Os movimentos estudantis estavam de novo no centro da vida política, contestando o regime não democrático e suscitando a repressão das autoridades. Marcelo Caetano sucedera a Salazar e prometera alguma abertura política. Os estudantes punham à prova tais intenções.
Em Agosto de 1969, com 20 anos, concluido o 2º ano do Curso de História na Faculdade de Letras de Lisboa, as inquietações que partilhava com os meus amigos mais próximos giravam em torno de três questões: a Guerra, a União Soviética e o comunismo em geral, as eleições de Outubro. Estavamos ou não dispostos a cumprir o serviço militar e consequentemente a combater em África contra os movimentos africanos? – eram os termos do debate sobre a primeira questão. A segunda tinha que ver com a eclosão do conflito sino-soviético, com a invasão da Checoslováquia pelas tropas russas, com os novos temas lançados pela extrema esquerda francesa em Maio do ano anterior. O debate era aqui muito mais complexo e menos tolerante. As posições antagónicas originavam frequentes rupturas pessoais e políticas. A terceira questão, que também era atravessada pelas clivagens ideológicas presentes no debate da segunda, procurava resposta para a seguinte pergunta: devemos, apesar de sabermos que as eleições são viciadas, aproveitar a oportunidade para divulgar os nossos pontos de vista, ou, ao contrário, é mais eficaz denunciar a fraude, recusando esse jogo desleal?
Tentando vencer incertezas e dúvidas, lá fui optando: permanecer em Portugal, manter o não alinhamento com facções políticas pró-soviéticas ou pró-chinesas, colaborar na campanha eleitoral da CDE, no distrito de Leiria.
De modo que, em Setembro e Outubro (as eleições realizaram-se a 21 deste mês) estive presente, primeiro a convite e ao lado de Alberto Costa, mais tarde com Jorge Silvestre, em diversas reuniões para elaborar o programa eleitoral e sessões de esclarecimento. Alberto Costa, que eu conhecia desde os 17 anos, era natural de Alcobaça, tal como Jorge Silvestre. Em Lisboa, na Faculdade de Direito, que frequentei durante o primeiro ano, cimentara-se entre nós uma boa amizade. A Polícia Política deu uma informação negativa à candidatura do Alberto, pelo que à ultima hora teve de ser substituido nas listas do distrito. Jorge Silvestre frequentava o Instituto Superior de Agronomia, tal como José António Ribeiro Lopes, que nos apresentou.
Um dos tópicos vincados nas memórias do João Jales é a música. Também aqui, os 5 anos de diferença de idades são significativos, embora raramente sejam objecto de análise. Isso deve-se ao facto de ao longo destes últimos quarenta anos termos contruído um património comum de referências. Mas de facto, julgo que a segunda metade da década de 60 trouxe uma forte mudança: Paris e a França, com os seus “maitres à penser” e os seus autores/cantores de temas políticos e de crítica social foram substituídos por Londres e a Inglaterra (e a seguir os Estados Unidos) e a cultura hippie, onde a militância política era claramente secundarizada. Mário Vargas Llosa neste seu romance recentemente editado em Portugal (Travessuras da Menina Má) escreve: “Na segunda metade dos anos 60, Londres destronou Paris como cidade das modas que, partindo da Europa, se espalhavam pelo mundo. A música substituiu os livros e as ideias como centro de atracção dos jovens, sobretudo a partir dos Beatles, mas também de Cliff Richard, dos Shadows, dos Rolling Stones com Mick Jagger e outros grupos e cantores ingleses, e dos hippies e da revolução psicadélica dos flower children”. Estou basicamente de acordo com esta observação. Curiosamente, eu próprio tomei partido, em 1963 e 1964, no Diário de Lisboa e na Gazeta das Caldas, ao lado dos que julgavam possível impedir essa mudança cultural. Estava evidentemente enganado. Essa mudança era muito mais profunda do que eu na altura supunha. Podia voltar a citar Vargas Llosa, mas este comentário já vai longo e temo que a citação pudesse ser mal interpretada.
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JJ disse:
Nada mais gratificante para quem escreve do que ver (ler,ouvir) a reacção de quem lê.
Em relação ao comentário do João Serra só acrescentaria que a substituição da música francesa de intervenção pelo Rock (já não o Rock’n’Roll) da segunda metade da década de 60 corresponde aos anseios dos jovens consumidores, não a uma mera questão de modas. E discordo da militância política ser, nesta música, secundarizada: a rejeição da guerra do Vietname, a defesa dos direitos das mulheres, dos negros e dos jovens, a recusa radical de um modelo económico e social de desenvolvimento são muito mais subversivos e revolucionários do que a defesa dos valores de uma esquerda presa ao esgotado modelo soviético como era feita pelos engagés francófonos. Woodie Guthrie, Pete Seeger, Bob Dylan, Phil Ochs, Country Joe McDonald, J Airplane, MC5 , Tom Paxton, Joan Baez, Marvin Gaye, Jimi Hendrix, são bons exemplos, mas há muitos mais. Os próprios Beatles foram declarados persona non grata por Nixon, que tentou várias vezes expular Lennon dos USA. Mas essa conversa pode ficar para outra vez, já que este é apenas um pequeno pormenor num comentário que muito me satisfez suscitar.
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Manuela Gama Vieira disse:
Gostei muito do "Contraponto" escrito por João Serra.
Recordo o ano de 1969,o da crise académica de Coimbra, com particular acuidade. Daí em diante, nunca mais nada foi igual.
Costumo dizer que me orgulho de pertencer a uma geração riquíssima.
A geração que teve o atrevimento de se ATREVER!!!
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João Ramos Franco disse:
Caro João Jales
O 2º comentário do Serra sobre 1969 é ele (estudante) a viver a “Primavera Caetanista”, com toda carga ideológica da sua geração.
Que poderei eu acrescentar, mais velho, que em1961 tive conhecimento da prisão de estudantes na Universidade de Lisboa, sendo alguns deles amigos e ex-alunos do ERO. A minha opinião sobre a música e a canção está mais perto da dele, apesar de modo nenhum desvalorizar a tua. Penso que cada geração tem determinados valores que se apoiam em variados modos expressão e um deles é precisamente esse.
Um abraço
João Ramos Franco
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Luís António disse:
Não sei se era o que pretendias ao referir a Checoslováquia em 1968, mas é óbvio que esse foi um ponto a partir do qual não era mais possível defender o lado de lá… Mas só soubemos isso depois, lembro-me de discutir isso, mas já em Lisboa, em 73, 74,75… e , se bem me lembro, também não chegaste a passar pelo PC, pois não? Mas a geração do Bonifácio Serra sim, quase todos os que fizeram política.
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Isabel Knaff disse:
Li LOGO a Ana Karenina que adorei...Tchhhhh Meu Deus, o que ali vai...nem sei por onde começar... são os tão familiares autores e os inúmeros livros que eu devorava, que saudades do entusiasmo e sede com que eu os lia , a música que entoava o que nos ia na alma , a Foz daquele tempo com, incrivelmente, todos os promenores que lhe estarão sempre associados (até as uvas!). O começo de inocentes namoros de adolescentes...o imitar dos olhares do Omar Shariff (escolha perfeita!)...tudo, mesmo tudo!
A honestidade com que o fazes é adorável.Como descreves e trazes toda a calma e ao mesmo tempo todo o movimento próprio da Foz nesta descricão é genial...até se sente a maresia.
E esta Teresa de olhos negros ...tem mais episódios..??? Junto-me ao "grupo" aguardando por mais encontros.
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Isabel Silva disse:
Atrasadíssima! É como eu estou no que se refere a leituras de Verão.
Mas hoje voltei, vitoriosa de uma guerra com a Cabovisão que me impediu de manter a "escrita em dia" durante alguns dias.
Comecei pela Anna Karenina e devo dizer-te João, que por uns minutos me embrenhei neste magnífico conto. Para além do prazer que a tua escrita desperta, foi óptimo recordar os dias de Verão na Foz do Arelho, naquela inolvidável época: as idas às rochas, os banhos comandados pelo Calheiros Viegas, as idas ao colo para dentro de água... Mas o que me encantou mesmo foi a forma como relembras os amores da adolescência, fase da vida tão "gira" e bela, mas bem mais míope do que tu…
Um beijo. Belão
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São Caixinha disse:
(....) Muito aconteceu no blog durante estas 4 semanas e entretanto já me parece despropositado enviar comentários! Creio até que pouco teria a acrescentar ao muito que já foi dito...contudo não posso deixar de dizer que a tua ANNA KARENINA me deixou impressionada! Na minha opinião a melhor das tuas estórias até agora... límpida doce e completa, a fartar-nos os sentidos como compete à verdadeira arte!
(....) Ohhh...quase que me esquecia! Não me lembro mesmo de nenhuma Lucha...ou era Tucha? Quem seria essa menina ?!...
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Paulinha Pardal dsse:
Adorei a tua história, devias pensar em começar a escrever um livro, essa tua cabeça sempre foi muito boa a inventar...
Eu estou cada vez mais loira, será dos gargarejos no Hospital Termal? Não, isso é para a sinusite …ai meu deus que mal me estão a fazer os cabelos!!!! Queixas-te da tua miopia? Vê lá tu que fui comprar uns óculos novos, dos de ver ao pé, porque com os outros via muito mal tinha que aumentar a graduação, principalmente dum olho, cheguei à loja mostraram-me vários óculos mais graduados dos que eu trazia e eu pus e tirei ,pus e tirei, e digo:
-Ah realmente com estes mais graduados vejo muito melhor, os velhos, apesar da diferença não ser muita, via um pouco mal, principalmente com o olho direito.
Diz a empregada:
- A senhora desculpe mas por acaso já reparou que não tem uma lente?
Ah! Risos e mais risos...olha que isto foi verdade, não estou a inventar, é só para veres o estado em que está esta tua amiga, calhando esqueço-me de ir ao próximo almoço!
Bjs PP
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Manuela Gama Vieira disse:
João,parabéns porque é belo:
-Não teres esquecido as "belíssimas"férias que descreves
-Os nossos Pais falavam de "coisas"de que, naquele tempo,nada pareciam dizer-nos...mas afinal de alguma "coisa"nos serviu
-O enlevo com que descreves o "romantismo" que envolveu o teu conto.
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Margarida Araújo disse:
Parece que existe aqui um escritor merecedor de ser publicado: tu.
Bom conto a relembrar um amor de verão. Acompanhado com uma música que há tanto tempo não ouvia. Não foi música de um filme????
Bem, da fotografia que enviei posso dizer que são:
Paula Crespo
Ana Buceta
Eu (Margarida/Guidó)
Natércia Carvalho (Nami)
Essa de irmos até às Berlengas, é boa. Foi assim para a Paula e Nami, por via das barbatanas, eu e a Ana fomos dar ao Baleal e já cansadas apanhámos o burro das 13h30m e chegámos pelas 19h às Caldas da Rainha. No outro dia fomos esperar as duas amigas ao Cabo Avelar Pessoa, em Peniche (barco que fez e ainda faz as ligações marítimas à ilha).
Faço dois reparos: a minha ousadia citadina em relação ao recato das caldenses e as toucas, com farripas, acolchoadas ou em forma de bicho, do melhor.
Boas férias a todos (ah! a fotógrafa foi a minha mãe (Mila Marques ex-aluna do Ramalho Ortigão). M.
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João Ramos Franco disse:
Os amores de um adolescente...
Uma historieta de Verão, mas muito bem contada. Consegues ao transportar-nos nos amores de um adolescente, (quem não os teve), fazer-nos passar por uma Foz do Arelho, (que recordo tal tu a contas), colocar-nos perante a literatura e os seus escritores (a influencia de aquilo que lemos tem em nós) e levar-nos até preferências musicais.
As conversas dos mais velhos (que citas), são uma fonte onde sem nos apercebermos, bebemos os valores que ainda hoje fazem parte de nós.
- Estes amores da adolescência, doíam muito e eram difíceis de passar… Mas naturalmente encontraste remédio, em S. Pedro de Muel…
João R F
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Jorge disse:
continuamos a ler isto em folhetins, para quando a versão completa? Já pedi ( e não fui só eu!!!) várias vezes que escrevas um romance ou umas memórias sobre estes tempos… desta vez gostei mais do texto e da literatura que da música! jorge
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João B Serra disse:
Esta história funciona como uma espécie de tratado sobre a visão. O autor inicia-nos nos segredos da miopia, para depois nos mostrar as armas mais subtis e eficientes que os portadores da dita desenvolvem. O que não descortinam ao longe observam bem de perto, do que confundem tiram imediatamente partido, o que não podem visualizar em pormenor percebem na globalidade. Enfim, o que não vêem ou julgam não ver, tocam, ouvem e por vezes imaginam.
JJ é um grande contador de histórias. Já o sabíamos. Confirmamo-lo agora nesta bela história de sedução que acrescenta a este summerblog novas geografias (a Foz do Arelho das praias intermitentes, S. Pedro de Muel, Mondim das terras de Basto) e novas cronologias (depois de 1957 e 1973, o ano viragem de 1969).
J. Serra
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José Luis Reboleira Alexandre disse:
Ler estas férias do João é um pouco recordar as de muitos de nós da mesma altura com algumas «nuances», claro. A DS (continuo a usar o feminino desde esse ano de 69) no meu caso era o carro do pai da Martine que frequentou São Martinho em Agosto desse ano. O meu gosto pela bela lingua francesa vem talvez dessa altura. Hoje é a que mais se fala cá em casa.
A música já nessa altura era muito, mas muito mesmo, através das palavras do, hoje meu conterrâneo Montrealense, Leonard Cohen. Mesmo os escritores do realismo russo eram os mesmos.
O Give Peace a Chance foi para mim uma descoberta recente, por isso junto um link de um jornal local que irá acrescentar, estou certo, à cultura musical do JJ.
http://www.canoe.com/divertissement/musique/nouvelles/2008/07/11/6128166-jdm.html
O Ralph, jovem amigo que acompanhou Gail na aventura, não entra nesta história, e é pena, pois a versão dele é bem diferente.
4 anos mais tarde, foi do outro lado da baia na duna de Salir, que, ainda em francês, com salpiques da lingua de Camões, fiz «o tal encontro» que ainda hoje perdura.
Um abraço grande para o JJ pelo magnifico trabalho que é a manutenção do blog, e para todos os que aparecem por aqui. J. L. Reboleira Alexandre
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Laura Morgado disse:
João os meus parabéns!!!!Consegues descrever com toda a clareza o ambiente vivido na Foz naquela época.Nada falha, desde a música aos comentários das notícias.Reportas-te aos teus 15 anos, mas com os de 20 o cenário era igual.Como já não é novidade para ti, gosto muito da tua escrita! Laura
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Luisa disse:
(.....) Sabes que é que eu queria saber mesmo MESMO???? Saber o que é que aconteceu depois com a Teresa em São Pedro!!! Vou perguntar ao Tózé, ele deve saber.... Já disse vezes suficientes que gosto muito destes teu diários. L
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Fernando Santos disse:
Penso que a estória seja verídica, mas quem sou eu para acrescentar qualquer comentário além do que já disseram João Ramos Franco, João B. Serra ou Reboleira Alexandre?
Apenas me surpreende o facto do Dr. Jales oferecer ao filho de 15 anos, clássicos de Tolstoi, Dostoievsky e Gorky. Os dois primeiros encontrava-os nas bibliotecas públicas que eu frequentava, agora a Mãe, de Gorky? Só o devo ter lido em 63 ou 64 e foi-me emprestado por um amigo, no maior secretismo.
Fernando Santos
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JJ disse:
1-Esqueci-me de agradecer à Margarida Araújo e à Anabela Miguel as fotografias incluídas. Não as legendei na esperança de que alguma das retratadas o faça aqui nos comentários.
2-Agradeço todos os comentários, contactos e elogios. Aproveito para responder definitivamente a uma pergunta insistente: não há qualquer outro nome para a Lucha, esse é mesmo o nome do personagem, não tem outro.
3-Vou confirmar, logo que possível, o ano de edição do meu Gorki mas estou convicto de que é seguramente anterior a 1969. O Fernando escreveu um segundo comentário sobre este assunto, que julgo muito interessante, e que podem ler a seguir.
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Fernano Santos respondeu:
Olá J.J.
Para mim não está em causa o ano da edição de " A Mãe" mas sim o facto de na época ser um livro proibido pela PIDE.
No início dos anos 60, eu e outro colega criámos uma pequena biblioteca na empresa onde trabalhámos, e isso foi suficiente para ser vigiado por informadores daquela organização. Posso até dizer-lhe que possuía alguns livros considerados perigosos, e com receio de ser apanhado, dei uma volta pelo campo e deitei-os fora.Mais tarde arrependi-me de ter cometido tal acto de estupidez, mas o mal já estava feito.
Alguns livros de Jorge Amado, Ferreira de Castro, Aquilino, Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes e muitos outros, como sabe, eram apreendidos logo à saída das editoras. Lembro-me, que até a "Ciociara" de Morávia, me foi emprestado sub-repticiamente pela funcionária da biblioteca que eu frequentava, porque não tinha ordem de o colocar nas estantes.
Um abraço.
Fernando Santos.