ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

Mostrar mensagens com a etiqueta Mário Braga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mário Braga. Mostrar todas as mensagens

MÁRIO BRAGA - O ALMOÇO (post 9)

Mário Braga com as filhas, Ana e Isabel
.
por Isabel Braga


O meu Pai comemorou hoje 90 anos rodeado de amigos, num almoço no Círculo Eça de Queirós, no Chiado.
Eugénio Lisboa, antigo adido cultural da embaixada de Portugal em Londres e crítico literário, fez a surpresa de comparecer e teceu um rasgado elogio às qualidades do Pai, não só humanas como literárias, sublinhando a sobriedade e concisão exemplar dos seus contos, em que não há uma palavra a mais. Recordou também o contributo para a cultura portuguesa que ele deu enquanto editor na Vértice durante cerca de vinte anos. “Tentei escrever os nomes dos autores que colaboraram na revista, nesse período, mas vinte páginas não chegavam e desisti”.
Quando o Pai estava já colocado em Lisboa, como director-geral da Divulgação, e ele necessitava de material para as novas funções que se preparava para assumir, em Londres, foi pedir-lhe ajuda. “Não esqueci, até hoje, a forma como fui recebido. Não conhecia pessoalmente o Mário Braga, mas ele foi extraordinariamente cordial e generoso. Saí do Palácio Foz carregado de livros que me foram muito úteis”, recordou.
O meu Pai gostou muito de rever Eugénio Lisboa, que reconheceu de imediato, e agradeceu as suas palavras, fazendo votos para que voltassem a ver-se dentro de “dez anos”. “É muito atrevimento, não é? Devia ter dito só um ano”. Também gostou muito de ver a sua antiga secretária, hoje com 60 anos, que atravessou meia Lisboa para ir dar um beijo ao “melhor patrão que tive em toda a vida”.
 Os amigos que compareceram no almoço eram cerca de 30 e encheram o Pai de chocolates, bolachinhas para o chá, flores e sabonetes bem cheirosos.  Não houve presentes de livros, que ele certamente teria preferido, mas há mais de 15 anos que não consegue ler, por sofrer de graves problemas de visão. Apesar do confinamento intelectual a que está obrigado há tanto tempo, o seu raciocínio permanece arguto e o sentido de humor também. Continua ainda a ser o mesmo mandão de sempre. Estar com ele, conversar, ouvir as suas opiniões, são um prazer, a maior parte das vezes. Não sei que mais se pode desejar de um pai com 90 anos.
O dia de hoje foi feliz, para ele e para mim, que assisti a uma homenagem muito sincera ao meu Pai. No carro, a caminho de casa, ele reconheceu isso, mas nunca foi de grandes sentimentalismos. Por isso, comentava, com um sorriso malandro: “Que grande festa me fizeram. É obra! É que ninguém tinha nada a ganhar com isto”.
.
Isabel Braga

MEU PAI - MENINO (post 5)

(pelos 90 anos do meu Pai - Ani Braga)
.
MEU PAI – MENINO

Álbum da família Freitas Morna/Braga 
publicado por Ani Braga
(basta clicar AQUI)


Aquele menino de caracóis loiros com carinha de anjo,
tão meigo e diáfano, envergando um fato,
era o meu pai, em pequenino,
muito quieto, sentado num banco,
bem aconchegado, dentro de um retrato.

Colaram a imagem num grande papel,
com vidro por cima, moldura ao redor.
Não fosse o anjinho escapar e fazer disparate.
Com muito cuidado, num gesto de amor,
ali o puseram, bem manietado, no seu escaparate.

Mas um belo dia, o menino loiro, com cara de anjinho,
Saltou do retrato, começou a andar,
e mãos de mulher, logo se estenderam para o amparar.
Mãos de mãe, de avó, de tia, criada.
Depois…
de mulher, de amiga, de amante, de fada.

O infante fez-se homem, cresceu,
correu, desenhou e foi desportista,
alguém de talentos, com alma de artista.
Tornou-se escritor, foi pai, foi amigo,
foi   homem de letras, também professor.

Mas de vez em quando, ao longo da vida,
o menino loiro, com carinha de anjo,
salta lá de dentro, domina o adulto, consegue vencer.

E agora o meu pai, regressa ao passado,
assume a figura daquela criança
de caracóis loiros, sentada num banco
e retoma os gestos que outrora fazia,
procurando em vão
a mãe e a avó, a criada, a tia.

E ao ver, que esse grato mundo
já não mais existe,
lá torna o menino p’ra sua moldura,
tão quieto e triste.

   
Ana Braga
.
COMENTÁRIOS 
.
Isabel Vieira Pereira disse...
Não tenho o gosto nem a honra de conhecer essa ilustre figura que é Mário Braga, nem sequer as suas filhas, mas, depois de ler o poema "Meu Pai – Menino", não resisto a cumprimentá-lo pelos seus 90 anos, embora com um dia de atraso (mas que é um dia em 90 anos?). 
.
Parabéns à autora do poema; comoveu-me até às lágrimas. Agora sei de onde lhe vem a arte dos seus escritos que leio neste espaço.  Isabel V. P. 
.
 
Muito Bonita esta Homenagem ao Vosso Professor de Filosofia, Dr. Mário Braga. 
É sempre um gosto ler, seguir e Sentir as Vossas Memórias e o Vosso extraordinário blogue. Bjs a Todos. 
:)

MÁRIO BRAGA - 90 ANOS (post 8)

.
Ao nosso Professor de Filosofia (1948/1949)
   Foi no dia 7 de Outubro de 1948 que os alunos de Filosofia do Externato Ramalho Ortigão, ficaram a conhecer o seu novo Professor, o Dr. Mário Braga. À sua primeira aula de apresentação, logo se sucederam aquelas em que nos ensinou a história da Filosofia, desde o tempo mais remoto, quando a palavra abrangia o conhecimento, no seu sentido mais lato. Na oitava lição, aprendíamos sobre a Psicologia, a” ciência do espírito”, com referência à Psicologia racional e à Psicologia experimental…  
   Prosseguimos assim a aprendizagem ao longo de um ano lectivo, no decorrer do qual reconhecemos sempre a competência do Professor para o ensino de uma disciplina cuja exigência se nos revelava em cada lição, criando-nos dificuldades apenas atenuadas pela sua capacidade pedagógica: à clareza de exposição, ao método e ao rigor que demonstrava nas suas aulas, acrescia o companheirismo, próprio do jovem Professor que era apenas um pouco mais velho do que os seus alunos. Não admira assim que nos tenha acompanhado em momentos de convívio, caso da excursão a Évora, promovida pelo Externato, em Maio de 1949. 
   As qualidades pessoais e pedagógicas do Dr. Mário Braga, deixaram marca perene na memória dos seus alunos. Guardei, com sincera estima, alguns dos apontamentos que tomei nas suas aulas, assim como os exercícios de Filosofia, devidamente corrigidos e rubricados, validando com justos suficiente, as respectivas classificações.
   No decurso deste ano lectivo, não interiorizei o facto de o nosso estimado Professor de Filosofia, ser, desde 1944, o editor da prestigiada revista Vértice e o de ser reconhecido, aos vinte e oito anos de idade, como um talentoso escritor, que se afirmava como lídimo representante de uma corrente literária da qual viria a ser o grande expoente, conforme a sua vasta bibliografia documenta e as doutas apreciações críticas sobremaneira confirmam. O Dr. Mário Augusto de Almeida Braga está, por mérito próprio, no Quadro de Honra dos Escritores Portugueses.
   Na circunstância, recuando no tempo, sentimos que 1948 constitui um ano memorável para um núcleo de alunos do Externato Ramalho Ortigão, que foram privilegiados por terem tido como seu Professor de Filosofia, o Dr. Mário Braga, que então iniciou nas Caldas da Rainha, uma das suas primeiras experiências de ensino, senão mesmo a primeira. No mesmo ano de 1948, depois de ter publicado em 1944 o seu primeiro livro de contos,Nevoeiro, publicou os segundo e terceiro livros, Caminhos sem Sol e Serranos, dando continuidade ao tão inspirado percurso de escritor, criativo, sempre coerente com os valores e os princípios que o nortearam.
   Conjugam-se os dados que me permitem sentir que, decorridos sessenta e dois anos, persistem vivas as memórias que nos ligam a pessoas, às circunstâncias e aos lugares, razão de conforto e dos afectos que, solidariamente, nos apraz cultivar.   
   Na comemoração do seu 90º aniversário, também eu, já octogenário, quero manifestar ao nosso Professor de Filosofia e ao Escritor emérito, o meu sincero respeito e a maior admiração, dedicados à exemplaridade de uma Vida e de uma Obra que tanto enobrece a literatura portuguesa.
   Honra ao Dr. Mário Braga !
   Com o abraço amigo de parabéns, do seu ex-aluno
   Mário Gualdino Gonçalves
.
.

MÁRIO BRAGA - 90 ANOS ( post 7 )


.
António José Lopes disse:

É muito bom, depois de termos ultrapassado os 80, ter ainda vivo, com a bonita idade de 90 anos um professor que em tempos que recordamos com saudade nos tentou ensinar filosofia. Óptimo professor com um convívio excelente com todos nós e que nos compreendia como ninguém.

Pouco dado que era às filosofias, devo ter-lhe dado algumas, se calhar muitas, dores de cabeça. Por isso mesmo e com os meus parabéns e votos de felicidades… as minhas desculpas. 

A. J. F. Lopes  



Nos 90 anos de Mário Braga fica a marca de um homem que se bateu contra as plumas servis (de autores de baixa cerviz), por uma Literatura decente e asseada, imune ao bedum rançoso que, num país parado no tempo, vinha lá da sarjeta de fundo do quintal do século XIX.
Que o ERO tenha sido prestigiado por contar com a sua presença no quadro docente é privilégio de todos nós (e os Parabéns que daqui lhe enviamos apenas uma modesta forma de o demonstrar).
.
João Jales disse :


Foi com especial empenho, e prazer, que procurei ter hoje aqui no Blog uma saudação ao nonagésimo aniversário de Mário Braga. Não com a intenção de prestar ao escritor a homenagem que ele merece, não tenho para isso engenho nem arte, nem este Blog tem dimensão para tal. Esse reconhecimento teve lugar no Museu do Neo Realismo em Vila Franca de Xira, conforme aqui relatou a nossa colega Mila; a intenção hoje foi relembrar que da história do ERO faz parte um ilustre intelectual, que recorda com saudade o ano que aqui passou, pai de duas amigas e valiosas colaboradoras do Blog e sogro de um antigo colega nosso. 
Um homem notável que comemora noventa anos, rodeado do afecto de familiares, amigos e antigos alunos, e é dessa história que este Blog trata .
Parabéns a Mário Braga e a toda a sua família .
JJ  
.
Luisa disse:

Não foi no meu tempo que o Dr. Mário Braga foi professor no Colégio.Mas é sempre um motivo de orgulho saber que um tão insigne Homem de Letras tenha feito parte do ERO.A ele e a toda a Família envio parabéns e o desejo de muitas felicidades!L
.
Manuela Gama Vieira disse...
Imagino os sentimentos que "percorrem" a Ani pela passagem dos 90 anos de seu Pai-tantos quantos o meu Pai perfará em Abril próximo.Deduzo,por isso,que tenham sido contemporâneos em Coimbra,embora em cursos diferentes. Tenho para mim,que há vozes que nunca deveriam calar-se! Ani,neste dia tão significante para si e sua Família,ofereço-lhe estas "Capas Velhinhas".  As nossas capas
Canto d'Alma 

  • Mário Braga, um dos sobreviventes da geração neo-realista, faz hoje 90 anos. Na sua obra soube aliar uma problemática social com uma vocação de cariz existencialista, pelo que a dissecação do eu, embora normalmente alicerçada numa contextualização social, ganha autonomia e encaminha-nos, por vezes, para os temas da incomunicabilidade e do absurdo. Um autor injustamente hoje pouco lido, embora a sua obra tenha uma dimensão actual.
    Ao escritor e sobretudo ao grande amigo, um abraço de parabéns.
    • São de intensa felicidade, para todos que amam a leitura, estes 90 anos de Mário Braga.
      É a casa Neo-Realista ainda de mais vivo olhar quando a recordação perdura. Parabéns e longevidade.

MÁRIO BRAGA - 90 ANOS ( post 6 )

.
 Álbum da família Freitas Morna/Braga 
publicado por Ani Braga no FACEBOOK
(basta clicar AQUI)

MILA MARQUES : UMA ÉPOCA E TRÊS PROFESSORES






MARIA EMÍLIA FRANCO HENRIQUES
Uma antiga aluna do Colégio Ramalho Ortigão

Na minha terra e para a minha geração, sou a Mila Marques, filha do José Marques Henriques. para a da minha filha, sou a mãe da Guidó e para a das minhas netas, sou a avó da Sara e Mariana Gouveia.

Nasci nas Caldas da Rainha no Ano de 1930, na Avenida da Independência Nacional, nº 29.Nesta época era habitual as crianças nascerem em casa dos seus pais e não nas Maternidades, sendo o parto assistido por uma parteira.

Estudei sempre na minha terra até vir para Lisboa para fazer o Curso Geral de Enfermagem.
Da 1ª à 4ª classe estive no ensino oficial, tendo tido sempre a mesma professora -Dona Antónia - de quem tenho a melhor recordação. Julgo que o apelido era Almendra.
Depois veio o Colégio Lusitano e o Colégio Ramalho Ortigão e é deste último que venho dar o meu testemunho, a pedido do João Jales, que em boa hora quer reviver o passado.


COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO

Nasceu da vontade e do empenhamento de alguns pais que queriam que os filhos continuassem a estudar mas sem partirem tão novos para outras cidades.
.
E, talvez por ter nascido bem, era um colégio excelente, quer pelo ambiente, quer pelo ensino que nele se praticava. Pelo menos é esta a avaliação que eu faço á distância e passados tantos anos.

O ter sido criado sem separação de sexos permitiu uma convivência saudável entre adolescentes. Poderemos considerar que isto era avançado para a época dado que no ensino oficial havia Liceus para raparigas e outros para rapazes.
.
Foi berço de grandes amizades, que ainda hoje perduram, apesar de da vida ter separado muitos de nós. Recordo em especial os colegas do meu 7º ano -Ciências, Jeca Lopes, Mário Gonçalves e Jorge Sotto-Mayor.

Foi ainda berço de casamentos... Na minha época vi nascer os namoros da Bé Castro e do Zeca Mesquita, assim como da Ana Maria e do Mário Gonçalves.

Quero ressaltar ainda a preocupação que a Direcção do Colégio tinha na selecção de professores em relação à qualidade e sem olhar a credos políticos ou religiosos.
E como exemplo farei referência a 3 professores, que escolhi pela influência que tiveram na minha Vida.


PROFESSORES DO COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO

1. ANITA NASCIMENTO (29/02/1920)
Foi a minha professora de bordados, assim como deve ter sido de dezenas de raparigas caldenses. Tinha uma atitude maternal no modo como ensinava. Serena, perseverante, sorridente e cheia de paciência para que aprendêssemos bem a sua Arte. É assim que ainda hoje a vejo.


Foi um prazer aprender com ela o filet matemático e o ponto cruz, quase milimétrico e com avesso. Mas com ela aprendi também como é importante procuramos a perfeição em tudo o que fazemos. Assim, mais tarde, quando fiz o meu curso de enfermagem, era conhecida pela Pontinhos ou Pontos...




2. LUÍS ROSA BRUNO (Redondo, 1916 -?)
.
.
Licenciado em matemáticas pela Universidade de Coimbra , foi meu professor de química e era notável o modo como ensinava.
.

Alentejano, nascido no Redondo, possuía uma figura carismática e uma personalidade multifacetada, que tinha algo de quixotesco!


Bastante magro e com grandes olhos negros, fazia-me lembrar o Manolete, toureiro espanhol muito em voga nessa época. Fumava muito e tinha um jeito peculiar de agarrar no cigarro. Revejo-o com as mãos muito esguias, queimadas pelo tabaco e levantadas de um modo como se estivesse a declamar. Ele assim nas suas aulas: um Professor excelente, que gostava de ensinar. Relembro, que para além do trabalho no Colégio, tinha alunos a quem dava explicações.


Houve um período da sua vida que trabalhou na Secla, possivelmente na área de laboratório.


Adorava o seu Alentejo, mas as Caldas foram também um outro amor. Basta ler a poesia por ele escrita sobre a Praça da Fruta e que a Isabel Castanheira (Loja 107) divulgou num dia de Poesia!


Para além de ser para mim uma referência quanto ao seu método de ensino, a ele devo também o tanto ter gostado de Química, a ponto de ter pensado seguir esse rumo. Devo-lhe também o ter aprendido a escrever à máquina. E perguntarão porquê? Passo a explicar: ele pretendia editar um livro sobre Química e eu ofereci-me para o dactilografar. E assim, por tentativa e erro, lá fui escrevendo numa máquina que o meu pai me tinha oferecido – uma “Woodstock” – e que ainda hoje tenho como uma relíquia do passado! Lembro-me que era necessário 1 original e três cópias e que havia um lindo capítulo sobre os gases raros da atmosfera. Nunca soube se chegou a ser editado, como foram outros que podem ser consultados na Biblioteca Nacional (ver lista de publicações). Como eu gostaria de ter ficado com uma cópia desse meu primeiro trabalho.


Para terminar desejo fazer uma sugestão: uma rua das Caldas ter o seu nome, por aquilo que ele foi como Professor e Poeta e pela dedicação franca que tinha pela nossa terra.


Publicações


Acontecer poesia, Caldas da Rainha, 1957

A minha selecta – Fernão Lopes: útil aos estudantes do 4º e 5º anos liceais, Beja: [s.n.], 1955

O alumínio: conheça os metais. Beja: [s.n.], 1955

O lítio: conheça os metais, Beja: [s.n.], 1955

Poesia de Luís Rosa Bruno, texto policopiado / compil. Maria Alcina Rosa Bruno, [S.l.: s.n., 19--]

Sou d'além...: versos, S.l. : s.n.], 1945 (Montemor-o-Novo: -- Emp. Gráfica)

Tesoiro sem preço: a língua portuguesa, Lisboa: Editorial Ultramar, 1955

Um novo mundo nasceu, [S.l.: s.n., 1946] ([Estremoz: -- Tip. "Brados do Alentejo"]), colecção “Bocadinhos de física; 1”

Tríptico: a Santo Aleixo da restauração pelos seus heróis de 1641, 1644 e 1704, Beja: Minerva Comercial 1954


3. MÁRIO BRAGA (Coimbra, 1921)
Foi meu professor de Filosofia. Transmitiu-me o seu interesse por esta matéria e a paixão pela leitura. Passados tantos anos, foram talvez as suas aulas de que me fizeram entusiasmar a frequentar cursos organizados pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. O próximo será sobre a “Filosofia Portuguesa no século XVIII”.



Vim a encontrá-lo mais tarde, dado que fez o curso de Administração Hospitalar e assim os nossos destinos voltaram a cruzar-se.


É autor de vasta obra literária de reconhecido mérito e gostaria que tivesse uma página na Internet, onde se dando conta de trabalhos passados e futuros. De momento, sei que decorre uma exposição biobliográfica no Museu do Neo-realismo em Vila Franca de Xira, que procurarei ver.



Dirigiu a revista de cultura Vértice entre 1946 e 1965.


Publicações


Nevoeiro, 1944

Caminhos sem Sol, 1948

Serranos, 1948

O Pedido, 1949

Platão e a Poética, 1950

Camilo e o Realismo, 1957

Mariana, 1957

Quatro Reis, 1957

Histórias da Vila, 1958

Vale de Cangens, 1958

O Cerco, 1959

O Livro das Sombras, 1960

Corpo Ausente, 1961

Viagem Incompleta, 1963

A Ponte sobre a Vida, 1965

Café Amargo, 1966

Antes do Dilúvio, 1967

Os Olhos e as Vozes, 1971

Entre Duas Tiranias: Uma Campanha Pouco Alegre em Prol da Democracia, 1977

O Intruso, 1980

Contos Escolhidos, 1983

As Rosas e a Pedra, 1995

Contos de Natal, 1995

Espólio Intacto, 1996

Momentos Doutrinais, 1997

As Ideias e a Vida

O Reino Circular
.


Mila Marques
.
________________________________________________
COMENTÁRIOS
.

O meu Pai continuou até ao fim dos seus dias a pesquisar, a escrever, a experimentar, a pensar...muito haverá a dizer, a contar, a perguntar, a partilhar...agradeço contacto da Vossa parte.
Parabéns pelo vosso blogue e muito obrigada pela ALEGRIA que me proporcionaram. Joana Bruno
P.S.a minha mãe Maria Alcina R. Bruno continua a procurar textos e outros do meu Pai, eu quero ajudar e conto convosco.
Muito Grata
Joana Bruno
.

Foi com imenso prazer que li o que a Mila escreveu. Dos professores tive o prazer de conhecer o Dr. Rosa Bruno e a D. Anita que, apesar de não ser professora dos rapazes, é uma amiga que todos recordamos.
Apesar dos doze anos de idade que nos separam recordo-me dos colegas que cita e de si, o nome não me é estranho na memória, mas já fico grato pelo seu aparecimento neste espaço de são convívio. João Ramos Franco
.
João Jales disse:
Foi com enorme prazer que vi a nossa colega Mila aceder ao meu convite para colaborar com as suas memórias nesta série sobre os professores.
As nossas meninas se encarregarão de falar um pouco mais da D. Anita, gostaria eu aqui de realçar a enorme influência pessoal que Rosa Bruno teve em todos os que foram seus alunos, todos o descrevem com um enorme entusiasmo e um brilho nos olhos (ou nas palavras). Há poucos professores assim.
Mário Braga, de cuja passagem pelo ERO só tive conhecimento há um ano, é uma figura relevante no panorama das letras portuguesas no séc. XX e o facto de ter sido professor no Colégio uma prova da qualidade do seu corpo docente.
A forma clara e vibrante como tudo isto é exposto torna a informação não só útil mas um prazer de ler. Obrigado, Mila, ficamos à espera de mais!
.
Mário Gonçalves e Ana Maria disseram:

O depoimento da Mila Marques contém um precioso testemunho que traz à actualidade a recordação de uma época passada no ERO e que nós, os da sua geração, desejaríamos talvez menos distante. É escusado dizer que adorávamos a Mila, a suas qualidades de boa aluna e de excelente colega, ponderada, possuidora de uma capacidade de estima que nos contagiava e por vezes, serenava. As amizades que assim criou são profundas, perenes. Nós, cá em casa, é assim que a consideramos ainda mais por ter sido a nossa companheira de eleição no namoro que, de facto, viu nascer. Poderíamos até não estar longe, talvez ao lado, no momento em que foi tirada a fotografia que a identifica perante as juventudes que vieram depois.

São justas as referências elogiosas que faz aos fundadores do ERO que, um pouco contra a corrente, alcançaram juntar no mesmo Colégio, as raparigas do Lusitano e os rapazes do Caldense, com óbvias vantagens para elas e para eles, no aspecto pedagógico, está bem de ver.

Os três Professores que a Mila elegeu merecem bem o destaque que lhes foi concedido, amplamente confirmado pelas qualidades humanas e pedagógicas que justamente lhes foram atribuídas e pelos dados curriculares com que complementou os outros talentos literários que tão bem se revelam na poesia de Rosa Bruno e na vasta prosa do consagrado escritor Mário Braga.

Agradecemos à Mila por ter representado de forma tão admirável a geração dos primeiros alunos que frequentaram o ERO e que o recordam com compreensível saudade.

Muitos beijinhos para a Mila com aquela nossa Amizade.

Ana Maria e Mário
.
Guidó disse:
Por aqui se compreende parte dos laços que me unem ao Colégio Ramalho Ortigão (outra parte deve-se a tantos dos meus amigos por lá terem andado). Cresci a ouvir histórias de professores e colegas da minha mãe e do meu tio Cazé (Carlos José Marques Henriques). Soaram-me sempre a um bom tempo e a uma boa formação.
Da Anita um conhecimento amigo de uma vida.
Do Mário Braga o encontro de vários livros nas estantes lá de casa e do Rosa Bruno a história do livro de Química, dactilografado na "Woodstock" e na qual eu fiz os meus primeiros trabalhos na Faculdade.
Beijos amigos para todos
da Guidó (Margarida Araújo)
.
António José Figueiredo Lopes disse:
Muitos parabéns Mila, adorei ler a tua colaboração no “BLOG”, fez-me recuar no tempo e reviver um passado sem dúvida muito feliz.

A vida profissional e até o período de formação afasta muitas vezes os que nascem em pequenas cidades, separa convívios e cria novos contactos e novas amizades. Julgo que isso ainda acontece, embora em menor escala, dado que actualmente existem boas vias de comunicação.

Não foi o nosso caso de há mais de sessenta anos. A cidade era pequena, mas como isso era agradável, o nosso convívio intenso, permanente, havia um sentido de apoio entre todos. Acho que foi isso que cimentou os nossos sentimentos. Embora separados pelo nossos diferentes percursos, nem o tempo nem a distância conseguiram destruir as nossas amizades de adolescentes, que perduraram por toda a vida… até hoje.

Lembras-te de ser a minha comadre um ou dois anos. Brincadeira que infelizmente penso que se perdeu “o contratar, contratar, quem primeiro manda rezar”, e graças à qual posso garantir que fazias excelentes bolos.

Falando de professores e em relação ao Dr. L. Maria Rosa Bruno estou totalmente de acordo contigo, mas à tua lista de livros gostaria de acrescentar uma Aritmética Racional cujas provas tipográficas ajudámos a rever. Infelizmente desapareceu-me um exemplar do livro de versos “Eu sou d’além” com uma dedicatória do Dr. Bruno.

Continua a escrever e manda mais fotos A.J.F.L
.
Júlia Ribeiro disse:
Não há dúvida que o blog ,dia após dia,está a tornar-se mais interessante !Não sei onde irá parar.....Fiquei a saber coisas que não imaginaria,nomes de pessoas que me diriam algo, mas que não fazia a minima ideia que teriam sido professores do ERO. Assim,passo a passo, vamos sedimentando ideias e conhecimentos do colégio, e do ensino,que pelo que a Mila nos relata ,teria sido sempre de grande qualidade.Obrigada Mila
Julia R
.
Sara Gouveia disse...

Adorei! A neta orgulhosa,
Sara

.

Isabel VP disse...

Gostei muito do testemunho da Mila Marques, que eu só conheço de ouvir falar (Mila, lembra-se da Sra. D. Emília, costureira, que morava na Rua do Hospício? Era ela que nos falava muito de si).
Quanto aos professores referidos, a Sra. D. Antónia Almendra era nossa vizinha na Estrada de Tornada e também, em casa dela, foi minha professora e da Muki (filha do treinador do Caldas Szabo), 3ª classe, e da minha irmã Lena, salvo erro na 1ª. A Sra. D. Anita é o que todas sabemos e por quem todas temos uma imensa ternura. O Dr. Bruno, que também só conheci através de conversas do meu irmão, era para mim como uma lenda.
Apreciei imenso o seu retrato do ERO e das amizades (e amores) que por lá foram nascendo, afinal tão semelhantes às que foram nascendo mais tarde, no nosso ERO. Afinal de contas, mudam-se os tempos mas as vontades nem sempre se mudam tanto! Isabel VP
.
Isabel Esse disse...

"Foi ainda berço de casamentos..." escreveu esta nossa colega(se posso tratá-la assim)que nos retrata um colégio de todos os tempos com um à vontade e uma ligeireza admiráveis!!!Tudo tão igual que até a D.Anita foi também minha professora! Estou a brincar,porque não tive a felicidade de conhecer o Dr.Luis Rosa Bruno que já aqui tinha sido citado,nem o Dr.Mário Braga,pelos vistos um escritor importante que passou pelo colégio.Parabéns Mila, pela sua contribuição.Isabel
.
Jaime Serafim disse:
Deliciei-me a ler o texto daquela Senhora (D. Maria Emília Henriques). Que belo testemunho e que texto tão bem escrito!
Um abraço Jaime
.
São Caixinha disse:
Adorei ler o relato da Mila sobre os tempos anteriores ao nosso e os professores que a marcaram. Felizmente conheci a D. Anita a partilho sobre ela a sua opinião! Que amoroso o bordado... e que curioso recordar ainda os documentos escritos á máquina com cópias feitas a papel químico! Como era importante não fazer erros!!! Uma verdadeira maravilha esta participação...os meus parabéns, e desejos para que nos volte a deliciar com mais estórias.
São Caixinha
.
António Delicado disse...

Minha querida amiga Mila.
Não acompanhei esta sua vivência tão carinhosa e precisamente descrita neste texto mas tive o grande prazer em ter partilhado, durante alguns anos da sua vida profissional já como enfermeira consagrada na Direcção Geral dos Hospitais e depois da Saude, momentos de árdua labuta e ao mesmo tempo de grande partilha.A sua disponibildade, empenho e alegria contagiante ficaram marcados profundamente em mim e, creia, que são coisas que sempre perdurarão.
Grande beijinho António Delicado
.
Isabel Caixinha disse:
Que surpresa tão agradável ler o texto da Mila Marques.Não só foi aluna do princípio do ERO que eu conheci, como também do ERO que eu nem tinha conhecimento que tinha existido, e que foi graças ao Blog que conheci!
Dos professores mencionados só a D. Anita me é conhecida e também eu tive a sorte de aprender nas suas aulas de lavores "pontinhos" que ainda hoje adoro fazer.
Que informação tão valiosa para a reconstrução da história do ERO!Ficam os desejos que a Mila nos venha mais vezes falar dum passado que eu não conheci mas que de certa forma nos é comum .
um beijinho
Isabel Caixinha
.
farofia disse...

Apetece-me começar com um sorriso de frase que a Emília escreveu: "Lembro-me que era necessário 1 original e três cópias e que havia um lindo capítulo sobre os gases raros da atmosfera"
:))
Quando a Emília conta ...
o "COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO nasceu da vontade e do empenhamento de alguns pais que queriam que os filhos continuassem a estudar mas sem partirem tão novos para outras cidades. E, talvez por ter nascido bem, era um colégio excelente, quer pelo ambiente, quer pelo ensino que nele se praticava"...
fico a pensar como esta lição de 'querer é poder', de 'pôr as mãos à massa' e 'os pés ao caminho', é um clássico que precisamos reler nos dias que correm.
(ah! e adorei o seu post!)
Inês
.
Isabel X disse...

Aquele professor de matemática tinha muito estilo, realmente! Não é de admirar que a Mila se tivesse oferecido para lhe dactilografar o livro. Ainda para mais sendo parecido com o Manolete!
A Mila é tão fidedigna na descrição que faz que até parece que o vemos a acender o cigarro. Agora a sério: gostei muito! Este blogue cada vez congrega mais e mais gerações do ERO. Um beijinho para a Mila.
- Isabel Xavier -
.
jorge disse...

começa a surgir realmente uma panorâmica de toda a existência do colégio.excelente texto cheio de memórias interessantes e informações inéditas.parabéns.
.
Amélia Viana disse:
Que bom termos o testemunho de uma "jovem colega" ,nascida em 1930...É a prova de que o tempo ilumina as mentes interessadas e curiosas da vida...Que bela é a sua descrição e que bem escrito o texto, tem o dom de nos reportar áquela época e vivenciar um pouco das suas experiências, percursos e ambiências.
Já não era novidade, mas agora fica mais reforçada ainda, a ideia de que houve desde sempre uma grande preocupação em relação ao corpo docente do nosso ERO para que tivesse os melhores professores,os de topo. Muitos parabéns à autora e não deixe de nos brindar com os seus maravilhosos contributos.
Amélia Teotónio
.
Raf disse...

A Tia Miloca que se tornou, para mim, muito mais que a avó da Sara e da Mariana! Só tenho mais uma vez a agradecer os miminhos que nos proporciona depois de uma noite de festa, não esquecendo a paciência!
Espero poder continuar a viver esta sua alegria durante muito mais tempo.Um grande grande beijinho, Rafinha.
.
Joana Bruno disse...

Muito grata aos digníssimos Mila Marques, João Jales e a todos os que partilham neste blogue o vosso Passado Comum, que traz conhecimento às gerações seguintes dos vossos tempos e tanto nos enriquece e inspira...
Joana Rosa Bruno