ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

Mostrar mensagens com a etiqueta Padre António Emílio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Padre António Emílio. Mostrar todas as mensagens

FOTOGRAFIAS (1955 / 1957)

Cliquem sobre as fotos para as verem em formato grande.
.
Foram-me enviadas recentemente duas fotografias. A primeira, acima, documenta a inauguração da Casa do Povo de Salir de Matos em 1955 e nela podemos ver o Padre António Emílio e o Presidente da Câmara da altura, Dr. Fernando Pais d'Almeida e Silva. As três meninas com as flores são a Isabel Mendoça, a Zezinha Pais d'Almeida e Silva e a Maria Clara Frias.

Abaixo reproduzo uma fotografia de alunos do Externato Ramalho Ortigão em 1957. O objectivo é legendar esta imagem, identificando todas as pessoas. Espero a vossa colaboração, especialmente da geração que estudou no prédio do Crespo e que não tem tido muita intervenção, com raras e honrosas excepções, neste Blog.

Tentei colocar a imagem com a melhor qualidade possível, de forma a facilitar a tarefa, mas se quiserem vão ao álbum ANOS 50 e façam download da imagem para o vosso computador.
Resta-me agradecer à nossa colega Clara Frias, que cedeu as fotos.

JJ
Acrescentando todas as sugestões e pistas às suas recordações pessoais a Clara forneceu uma identificação completa dos fotografados:
.
A 1ª da esquerda é a Milena Francês,a 2ª a Elizabete,a 3ªa Zézinha Pais de Almeida e Silva,a seguir o Nani Moreira(fiho dos professores da Foz),depois a MilúAlier,o Manuel Vazão e a Maria Clara, o Zé Valente,o José Alvares Pereira e a Isabel Mendoça(e não Mendonça),o Eduardo Arroja,a Fernanda Alier, o Roberto Ornelas,a Isabelinha Videira e, em cima,o Henrique Graça e o Zé Mendoça.
Assim, parece que o pessoal está todo identificado.
.
-------------------------------------------------------------------------------------
COMENTÁRIOS
.
Júlia Ribeiro disse:
Que fotos giras! A Isabel Mendoça e a Clara, que ainda conheci quando entrei para o Colégio.....Tão bonitas que estão! Já nos encontrámos em almoços, nomeadamente no último e adorei voltar a reencontrá-las. Consegui também localizar o Padre António Emilio,mas a Isabel e a Clara só porque estão identificadas. Na 2ª foto ,na fila de baixo, a 2ª a contar da dtªé a Isabel Mendonça e a 3ª parece-me a Clara Frias. Será? Não consigo identificar mais ninguém, eu era demasiado nova nessa altura!!!!
Um Grande Beijinho para as 2 Meninas. Júlia R
.
Jorge disse:
deviam perguntar ao menino da primeira fila quem são os outros! ele é o Roberto Ornelas (aquelas orelhas não o deixam passar despercebido em lado nenhum) e deve conhecer todos, ou quase todos, os outros! abraços (um especial para o Robertinho) . jorge
.
Deolinda Monteiro disse:
Sim, esta era a minha turma desde o 1º ano do Ciclo Preparatário. Entrei ainda na então "Rua do Jardim", que era onde eu morava na altura. Mas não sei o ano em que esta foi tirada.
Não estou fotografada mas reconheço bem as caras e o ambiente é-me familiar. Deve ter sido mais ou menos por esse tempo que os deixei e são hoje para mim, depois de tantos anos, um "retrato na parede", reconheço-os a todos, mas apenas de algumas e alguns sei o nome porque os voltei a ver no almoço, o ano passado. Apenas a Mélita eu via de vez em quando, porque casou com um colega do meu marido. Durante anos, muitas vezes ausente do meu país, eu nomeava à minha família as minhas melhores amigas, invocando notícias.... Tenho a impressão que cada vez sabia menos nomes e um dia deixei de perguntar... não fazia sentido... Eu estava cada vez mais distante destas imagens...
Cada vez que me chega o Blog do ERO eu entro imediatamente. Sou professora do Ensino Secundário. Há quarenta anos que, por estas alturas, recomeço as aulas. Hoje cheguei a casa e dei comigo a olhar os meus companheiros. Ninguém mudou nada. Eu não mudei e o ERO existe! Obrigada! Deolinda
.
João Ramos Franco disse:
Dá-me algum tempo e talvez consiga fazer a identificação de todos.
Recordo todos, mas os nomes... às vezes falha-me a memória.
No entanto parece-me que por trás do Roberto Ornelas está a Zezinha Pais d'Almeida e Silva.
Logo que tenha os nomes envio-te
Um abraço
João Ramos Franco.
.
Belão disse:
Com alguma ajuda, aqui vai:
Milena Francês, uma irmã do Paulo Nascimento, Roberto Ornelas, Milu Alier, Clara Frias, Isabel Mendoça, Eduardo Arroja. E um dos meninos empoleirados é o Zé Mendoça.
Por agora é o que consegui.Bjos
.
Luisa disse:
Mais "do meu tempo" penso que é o Roberto Ornelas, como disse o Jorge, o Henrique Graça (em cima à direita) e a pequenita é a Isabelinha, não me lembro do apelido. Reconheço também a Zezinha e a Clara, mais velhas que eu. Lá atrás ao meio não é o Zé Valente que casou com a Gracinha Xavier?
.
Laura disse:
As duas fotografias são fantásticas e retratam muito bem a época. Obrigado à Clara por se ter lembrado de enviar estas fotos, pois quem tinha 3 anos naquela altura fica, pelo menos, com uma ideia das fatiotas!!!!
Na 1º foto está quase tudo identificado, apesar de eu reconhecer melhor o Padre António Emílio.
Na 2ª foto tal como já foi dito, na fila de baixo, a contar da esquerda para a direita, a 3ª é a Clara Frias e a seguir é a Isabel Mendoça; na mesma fila penso que a 2ª é a Milú.
Na fila de trás a 2ª a começar da esquerda parece-me a Bétinha (não me lembro do apelido), mas a irmã dela foi dona da ourivesaria Falcão.
Com a idade que eu tinha naquela altura (novíssima) e passados tantos anos torna-se difícil saber nomes, mas algumas caras reconheço.
Para a Isabel que foi com quem mais convivi um grande beijinho,
Laura
.
Ana Nascimento disse:
Ai rapaz tu brincas mas a minha minha vida está uma “consumição” ihihihihi…e se não escrevo logo de imediato então já sei que tão depressa não vou fazê-lo….pois esta “piquena” é só farmácia , genéricos, mudança de preços dos ditos cujos e um sem número de clientes de idade avançada a quem eu ,com a minha costela de assistente social, lá vou ouvindo e medindo a “atenção” ……
Quanto à foto do ERO o Jorge tem razão, aquela carinha laroca com as orelhitas saídas é o Robertinho é… e por trás do Roberto está a Zézinha “presidente” assim chamada por ser filha do D. Fernando, ao tempo presidente da Câmara das Caldas, como tu bem referiste.
Ao lado da Zézinha está a Milú Allier seguida da Clara Frias e da Isabel Mendoça.
A mais pequenina, abaixo da Milú é a Isabel que andou no Colégio e embora mais novita tb fez parte no nosso grupo de Ballet (ai valha-me Deus que não me lembro o apelido…mas talvez pelos programas das festas lá chegue….)
Penso que a primeira menina da esquerda é a Maria Helena Faria, mãe da Maria João, quanto aos rapazes não reconheço mais ninguém… é possível que o Armando João Francês, primo da Milu Allier, consiga completar a legenda .
Na foto da inauguração da casa do Povo de Salir, as três meninas estão giríssimas…, desde os ramos de flores, passando pelos vestidos, que pela certa deviam ser “le dernier cri” da Carochinha (loja chique aqui em Lisboa) e acabando nos penteados (a Isabel e a Clara de rabo de cavalo e a Zézinha, muito própria, de bandolete a segurar o cabelo encaracolado naquela altura ainda não havia babyliss !!!!!!) estão um espectáculo …

Daqui vai um beijinho e um obrigada para a Clara por ter partilhado esta recordação connosco. Ana
.
João Jales disse:
Como tinha três anos nesta altura nem me atrevo a adivinhar nada. Mas pergunto: será possível a menina mais pequena ser a "desaparecida" Isabel Videira, minha colega e amiga, de quem não tenho notícias há anos? A semelhança física é notável, alguém me pode ajudar?
.
Ana Nascimento disse:
YESSSSSS é isso mesmo…. é a Isabel Videira sim… aquela carita, o jeito de olhar… só pode ser …. não percebo é a ligação dela com o grupo da foto, mas deve haver alguém que nos elucide.
Bjinhos. Ana.

Na esplanada do parque ao fim da tarde.

.
.
Fernando Figueiredo possui aquele jeito singular do contador de histórias.Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular.Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto. Por vezes parece que o andar se desviou do caminho, mas não. Tratou-se apenas de uma pequena paragem destinada a ganhar fôlego para a etapa final. Ao fim da tarde, na esplanada do Parque, na sua voz grave evoca as passadas largas do seu irmão, a quem se refere simplesmente como “o padre”. Sorrimos, enternecemo-nos, sofremos, revoltamo-nos, julgamos adivinhar as perplexidades e os entusiasmos, nas gestos e nas palavras do Fernando, do “padre”, do Padre António Emílio.

Não sei se o Fernando tinha alguma intenção precisa, para além de nos desvendar um pouco da outra história desse padre que marcou gerações de caldenses. Mas o eco que nos quis transmitir, se interpreto bem, é o de alguém que sempre se viu como aquele que ajuda a encontrar caminhos, aquele que dá passagem.

O debate sobre os sinais que queremos deixar nas esquinas da cidade não é um debate ocioso. Objectei à atribuição que a Assembleia Municipal fez de um fragmento de rua ao nome do Padre António Emílio, em termos de uma racionalidade epidérmica.

Uma outra perspectiva é possível, no entanto. O que Fernando Figueiredo me fez ver foi que o local indicado para inscrever na cidade o nome do “padre”, mais do que uma rua ou uma avenida ou uma praça, é uma ligação entre espaços, um traço de união, uma passagem. Aquela que a Assembleia decidiu, sem o saber, é afinal tão boa como qualquer outra.

João Serra
---------------------------------------------------------------------------------------

C O M E N T Á R I O S


15-06-2008
Belão disse:
Ainda lá estaria a esta hora, não fora o adiantado da hora e também os compromissos previamente assumidos. Que maravilhoso fim de tarde passámos na esplanada do parque com o Fernando Figueiredo!
Confesso que antes de o ouvir partilhava da maioria das opiniões, no que se refere à localização da futura Rua Pe.António Emílio. Mas o Fernando falou, falou, contou, explicou,... e nós, os presentes neste agradável fim de tarde, ouvimos, questionámos, sorrimos... ficámos a conhecer um pouco mais do "padre" e sobretudo do Homem. O suficiente para não mais questionar a localização/dimensão da rua.
Um beijinho,Fernando.
Belão
.

15-06-2008
João Ramos Franco disse:
Na verdade, João Serra, o teu testemunho sobre o vosso encontro com o Fernando Figueiredo fala-nos do que ele é: ele "Possui aquele jeito singular do contador de histórias. Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular. Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto".
Já depois de ter comentado a localização da Rua Padre António Emílio, peguei no telefone e falei com o Fernando sobre o assunto. Claro que ele me deu a sua opinião e eu acabei por concordar com ele. No entanto nada disse e esperei fosse ele a dizer alguma coisa.
É para mim um privilégio ter entre os meus “Amigos” o Fernando Figueiredo. O nosso companheirismo, desde alunos do ERO até trabalharmos na mesma instituição, permitiu-me conhecê-lo bem. Ao longo deste anos temos conversado muito. Habituei-me a encontrar nele o equilíbrio para o ponto certo que eu gostaria de atingir.
João Ramos Franco
.
18-06-2008
Fernando Figueiredo disse:
Amigos:
Sou eu que vos estou grato pelo bom bocado que passei convosco... e, mais do que isso, pela paciência de me escutarem. Fiquei muito contente porque perceberam a minha mensagem.As fotos estão óptimas... a Guidó é uma artista!... Parabéns.
Só que fizeram de mim uma espécie de protagonista desta história toda... coisa que não desejo nem nunca quis assumir.O verdadeiro protagonista, pelo que representou e representa para todos vós e para nós também, é e será sempre o meu irmão, Padre António.Mas fiquem certos ... ele está presente em todos estes momentos...
Abraços, FF

A Rua Padre António Emílio

.
Deu o Blog, em primeira mão, a notícia da votação na Assembleia Municipal da atribuição do nome de Padre António Emílio à rua que une o Hemiciclo João Paulo II à Miguel Bombarda, por trás da Igreja Matriz.

Embora não tivesse exprimido pessoalmente qualquer opinião sobre o local escolhido, rapidamente vários colegas apontaram três ordens de razões para não apoiar a proposta:

1- A rua tem nome, já que é o final da R. Coronel Andrada Mendonça.

2- Mesmo que não seja assim considerado, a rua quase não existe, quer pela sua pequena dimensão quer porque as edificações surgidas de ambos os lados a desfiguraram e tornaram pouco mais que uma passagem.

3- A figura do Padre António Emílio está ligada à construção do Externato Ramalho Ortigão e não da Igreja Matriz, pelo que deveria ser escolhido uma artéria na zona onde o Colégio foi edificado.

Confesso que os argumentos me pareceram racionais e procedentes.

Mas outros colegas, que curiosamente não escreveram a sua opinião, contrapuseram que o local é muito central e de passagem para muita gente. Por outro lado o Padre António Emílio assistiu à construção do edifício da Igreja, com o qual, sendo padre, estava relacionado.
Finalmente o Fernando Figueiredo, num magnífico fim de tarde no Parque (que o João Serra tão bem descreve), veio-nos relembrar que a figura do "padre", o seu irmão, nada tinha a ver com estas questões e ultrapassa os vulgares espaços físicos em que se centrou a discussão. Que fique esta a Rua Padre António Emílio, não quero discordar dele.

JJ

---------------------------------------------------------------------------------------

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Yolanda Faria

HOMENAGEM AO PADRE ANTÓNIO EMÍLIO



“ As palavras ainda não estão gastas” (não o ficarão nunca!). Se recordar é viver, então gostaria, também, de engrossar a lista dos infindáveis amigos e admiradores dessa figura genial que a todos nos marcou, pelas razões já sobejamente conhecidas.

Conheci o Padre António Emílio aos 11 anos quando, recém chegada do Quénia e profundamente traumatizada por uma infância infeliz e dramática, me refugiei nos seus conselhos e na sua orientação espiritual. Diria mesmo que somente a minha participação nos jogos do Parque,(com a Madre-de-Deus, Asdrúbal e Jorge Calisto, Fernando Figueiredo, Tony, Zé Carlos, entre outros), a par do meu entusiasmo pelo estudo enquanto aluna do Externato Ramalho Ortigão, me traziam alguma alegria e descontracção. Mais tarde, já adulta, residindo e trabalhando na capital, tive a grata emoção de acompanhar o seu percurso na igreja de S. João de Deus, primeiro como coadjutor do Padre Teodoro e depois na Casa Pia, para mais tarde tomar posse da Paróquia de Stº Estêvão (Alfama), onde desempenhou uma acção pedagógica e humanitária notáveis, sempre admirado e amado por todos quanto tiveram o privilegio de com ele privar quotidianamente. Dizia-se que tinha acabado com a mendicidade nas ruas do bairro e eu própria testemunhei, como uma das salas da Igreja fora transformada em refeitório para as crianças carenciadas da zona poderem, pelo menos, beneficiar de refeições ligeiras.

Evoco, igualmente, o seu dinamismo e entusiasmo na organização das Festas Populares de Alfama (ao tempo, umas das mais carismáticas) que se realizavam no adro da Igreja, onde também colaborei, quer participando na confecção das ementas, na sacristia, quer na angariação de artistas conhecidos, que actuavam gratuitamente perante um público atento e participante. Apesar de, já nessa altura, começar a evidenciar os primeiros sinais de doença, nunca perdia a sua afabilidade e o propósito de cumprir, até ao fim, a sua espinhosa mas gratificante missão.

Seria fastidioso continuar a enumerar outros episódios a que assisti noutras paróquias e no prosseguimento da sua obra. O que quero realçar, sim, é que pela vida fora e foram muitos anos em que à distância ou por perto, vivenciando situações dolorosas e deprimentes, nunca deixei de sentir a sua palavra amiga, o seu amor incondicional pelo próximo, a sua enorme compreensão.

Quando o visitei pela última vez, há cerca de quatro anos, na Santa Casa da Misericórdia, senti um calafrio e um choque pela sua decadência física, contrastando com a figura erecta e esbelta dos seus tempos de juventude. Todavia, algo no seu olhar, ainda revelava o fulgor e a bondade que o caracterizavam.

Agora, que se libertou do invólucro terreno e ascendeu a outras Dimensões de Luz e Amor, só me resta acrescentar:

OBRIGADA E… ATÉ SEMPRE, PADRE ANTÓNIO EMÍLIO!

Yolanda Faria 15.4.2008

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Fernando Figueiredo

Em nome da família do Padre António Emílio, agradeço a todos os antigos alunos do E.R.O. e da Escola Comercial as inúmeras e diversas manifestações de pesar, nomeadamente as memórias e mensagens que deixaram no “blog”.

Permitam-me, porém, que, como antigo aluno do E.R.O. e companheiro de meu irmão desde os tempos de menino, traga também aqui as minhas recordações.
.

Vim ao mundo 13 anos depois dele e tive a sorte de ter participado também nas brincadeiras e jogos no parque e nos passeios, que ele organizava ainda seminarista.

Os colegas do Seminário, no livro de curso, quase todos destacaram o seu gosto pela música – foi mestre-escola da Schola Cantorum da Sé de Lisboa – e principalmente o seu Amor à gente nova. Escrevia um deles:
«Muito eu gostaria de ser das Caldas!... E não só por causa das cavacas… contentar-me-ia com menos…ser um modesto grilo, escondido entre a relva, para te ver, alegre como um pintassilgo, no meio da tua petizada do parque».



Já Padre, a paroquiar Tornada e Salir do Porto e a leccionar na Escola Comercial, foi convidado para director do E.R.O. … uma oportunidade de servir, de uma forma mais eficaz, a juventude da sua terra.
.




Veio depois o desafio da construção do novo edifício do E.R.O., tarefa a que se dedicou de alma e coração.











Mas todas as aventuras têm um final, nem sempre feliz…








No entanto, a aventura continuou noutras paragens…havia muita gente nova à espera da sua Alegria, da sua generosidade, aquela forma aberta de estar, de ser, de conviver que lhe criou tantos “amargos-de-boca” e incompreensões.

Mas tenho Fé que o Senhor dos Justos, Aquele que foi sempre o guia da sua existência e da sua missão, já o recompensou de todos os dissabores e dos muitos sofrimentos físicos que o atormentaram ao longo de toda a vida.

Fernando Figueiredo.

PADRE ANTÓNIO EMILIO - As outras fotos

Recebi a mensagem acima publicada do irmão do Padre António Emílio, Fernando Figueiredo, e um total de treze fotografias. Tentei reproduzir o melhor possível a forma como o texto e as imagens estavam articuladas no Word que recebi, já que não era possível fazê-lo exactamente.

Posteriormente recebi dele mais cinco fotos que aqui exibo. Todas elas estão num novo álbum, integralmente dedicado à figura do falecido.
Tentei colocar tudos estes elementos online o mais rápido possível, espero que não haja muitos erros ou falhas.
JJ



















As fotos seguintes tinham sido recentemente enviadas pelo colega João Ramos Franco e destinavam-se a integrar o álbum em preparação.



Imagem da 1ª Missa do Padre António Emílio


Na Quinta de S. Jorge, propriedade do Dr. Asdrubal Calisto.

Em casa do Joca Calisto, em 1996

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Anabela Miguel

UMA PALAVRA DE MUITO CARINHO,
ONDE QUER QUE ELE SE ENCONTRE ...

No sábado ao ir ao nosso blog fiquei muito triste ao ter conhecimento que o nosso querido Padre António Emílio se encontrava num estado de saúde bastante complicado, depois de uma cirurgia a que tinha sido submetido.

Não sabia nada dele e foi no almoço de Novembro que, ao tentar ter notícias do Padre António Emílio, me foi dito que se encontrava na Santa Casa da Misericórdia e, já nessa altura, bastante debilitado.

Não consigo imaginá-lo “velhinho”, recordo um homem com um porte muito bonito, carinhoso e de uma grande humildade.

Já há algum tempo tinha vontade de exprimir o meu carinho por ele e hoje, mais do que nunca, devo fazê-lo, pois soube a triste notícia da sua morte.

Era muito novinha quando conheci o Padre António Emílio, andava eu na Primária e ele era o nosso Director. Foi um ser humano que me marcou para sempre devido ao seu carinho, disponibilidade e à palavra de conforto que tinha sempre para nós , qualquer que fosse a situação.
.
Não me esqueço da sua presença assídua durante os nossos recreios, o que nos transmitia uma segurança tão doce.

Aqui fica uma lágrima e um beijo para ele.

Anabela Miguel
.

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Hermínio de Oliveira

O falecimento do padre António Emílio


Uma dolorosa surpresa me deu a notícia, tarde, da morte do meu querido companheiro de infância António Emílio de Figueiredo. Toda a infância comum deslizou numa recordação saudosa de tempos e lugares desaparecidos, de brincadeiras, gritos e gestos que encenavam o brincar de dois vizinhos, sempre amigos, num tempo em que agarrados a uma tábua com quatro rodas, feitas de caixa de pomada, descíamos a Rua Heróis da Grande Guerra até à Estrada da Foz sem que nem sequer um automóvel estorvasse essa aventura – hoje impossível.

E ainda não havia a Rainha, o que quer dizer que ainda não tínhamos 9 anos. E como eram maduros, os miúdos naquele tempo. Eu comecei a trabalhar com 11 anos e o António Emílio, feito o exame primário, foi pela madrinha levado ao seminário. Nunca esmoreceram as nossas relações. O sorriso aberto do António Emílio foi sempre para mim um sol sem núvens e era com um sentimento profundo de grande afecto que lhe ouvi muitas vezes dizer que compreendia muito bem a minha descrença e que nunca a fé ou a sua falta podia ser a pedra onde tropeçasse a nossa amizade.

- Que grande homem foi António Emílio!

Temos sempre muita pena por perdermos os nossos amigos e um dos deveres que nos ficam é testemunhar à sua família que partilhamos o seu desgosto.

Hermínio de Oliveira
(Texto publicado no Jornal das Caldas em 26 de Março de 2008)

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Emiliana

Homenagem ao Padre António
.
.
"Hoje sinto-me profundamente triste.

O Padre António partiu e a minha distracção mais uma vez fez com que eu não o acompanhasse!
.
Quero que saiba contudo que permanece sempre bem presente nas minhas boas recordações.

Em grande parte são da sua responsabilidade os tempos inesquecíveis dos meus primeiros anos de colégio que me marcaram muito e influenciaram profundamente o modo como olho o mundo e os valores que defendo.

Teria gostado muito que os meus filhos, e agora os meus netos, tivessem tido a sorte de, tal como eu, ter um Padre António como Amigo e como educador.

Até sempre

Emiliana"

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Ana Nascimento

Obrigada Lena, Mélita, Júlia, Bonifácio, São, João e Guidó, pelo vosso testemunho sobre o nosso padre António .
Não sei que mais acrescentar, talvez a conversa que nunca tive…
Cá vai.




“Olá Senhor Padre António

Sou eu a Ana… cheguei agora ….estava a estranhar que eu não aparecesse? Estou aqui sim , … venho dar-lhe o meu abraço……

Quando soube que partiu fiquei triste… triste…e com uma saudade enorme dos momentos em que esteve connosco… do seu riso… das suas palavras…do seu carinho…….e da fé que nos transmitia de um modo tão simples….

Pensei ….ai como o tempo passa !!!…a última vez que estive consigo foi no casamento da Elinha , neta da nossa menina Alda, lembra-se ?....e mais triste fiquei por sentir que deixei que a vida nos afastasse nestes últimos tempos.…

Mas não o esqueci… não posso esquecer quem fez parte da minha vida e me ajudou a crescer… não sou mais a menina tímida e reservada que conheceu…. sou uma mulher de afectos, com uma grande alegria de viver….. e foi consigo que descobri que era isso que eu queria ser.…

Digo-lhe que também foi graças a si que a minha fé foi aumentando … foi pela sua mão que fiz a minha primeira comunhão….que a Guida e a Paula foram baptizadas e que a Luisa casou na capela do nosso Colégio …

Também não esqueci as nossas reuniões das Guias, onde entre sinais de pista, bandeiras e mensagens em código, prevalecia a ajuda aos outros… o dar sem esperar receber…. o não faltar à verdade… a honestidade…..

E na colónia de férias ? lá estava o senhor a orientar-nos quer nas coisas terrenas (quem ia comprar o pão, quem ajudava na cozinha, quem limpava a camarata …) quer nas espirituais (o terço rezado ao fim da tarde no cimo das dunas de Salir era um momento muito especial em que me sentia muito próxima de Deus ).

E no Colégio ? a porta do seu gabinete estava sempre aberta para toda a gente desde nós miúdas, até ao grupo das mais velhas que .estavam no magistério. Eram cachopas quase todas vindas do norte, sem qualquer família nas Caldas e para quem era muito difícil ir passar o fim de semana a casa. O sr, padre António sempre as apoiou e procurou minimizar essa falta … Ciúmes ? sim acho que houve …. não nossos (fez-nos sempre sentir suas sobrinhas e sobrinhos de coração) mas de algumas cabeças que não sabiam o que era o amor puro e simples e nunca podiam compreender quem o dava.….

E também não esqueço o homem verdadeiro e honesto que sempre foi .. até vendeu o seu carro para fazer face a despesas do Colégio…!!!!.

Sim, meu Padre António, o senhor na sua caminhada transmitiu sempre amor à sua volta e na dor e na alegria sempre serviu a Deus…. E se acaso alguma dúvida existisse em mim , eis que o Senhor o chama à Sua presença no sábado de Aleluia….. não há coincidências meu amigo … foi porque Ele quis mostrar quão grato era ao Seu coração.

E foi pensando nisto que fiquei mais tranquila …com a certeza que neste momento está olhando e pedindo por todos estas suas meninas e meninos a quem deu tanto de si…. a quem tanto amou…..

Obrigada meu amigo, beijinhos e até um dia ….

Ana

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - outras referências







O Blog da Escola Comercial dedica um artigo, com duas fotografias, ao Padre António Emílio. Podem ver em :






.
.
.

João Bonifácio Serra, no seu site pessoal, tem também uma pequena biografia do Padre António Emílio e uma reflexão sobre a cerimónia fúnebre. Vale a pena visitar:





PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - João Ramos Franco







Almoço de Homenagem - 50 anos de ordenação



O que senti com a notícia do falecimento do Padre António Emílio é para mim difícil de expressar por palavras.


São tantas as recordações do bom amigo que sempre foi, não só como Director do Externato Ramalho Ortigão como em todo a minha vida, que o meu ideal de Humanismo tem um lugar de referência nele.


O Homem e Padre António Emílio estará sempre vivo no meu pensamento.


Obrigado por tudo António Emílio…

João Ramos Franco

...................................................................................................................................


A presença de muitos Antigos alunos do Erro e amigos, diz muito sobre Padre António Emílio.
Este almoço foi no restaurante “O Aviário”, na estrada de Tornada, a quando do regresso do Padre António Emílio às Caldas, quando tomou posse em Salir do Porto, em 1996.


Da esquerda para a direita (em pé) estão:
João Ramos Franco, Jorge Calisto, Dr. Ernesto Moreira, Ricardo Machado, Pe. António Emílio, Artur Capristano, Arlete, Caetano Ferreira, Tó Freitas, (não identificamos quem seja), Álvaro Laborinho, José Luís Lalanda, Marcelo Morgado.

Em baixo, da esquerda para a direita estão:
Próspero, Abílio de Salir do Porto e Figueiredo Lopes
Rever esta fotografia é mantê-lo bem presente em nós.


João Ramos Franco

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Júlia Ribeiro

Cinco Décadas



Ao rever estas cinco décadas de convívio relembro o dia em que o conheci, no 1º dia que entrei no ERO (na Rua Alexandre Herculano) e vi o Padre António Emilio em cima de um banco a arranjar um relógio; o último dia que o visitei, a 17/11/2007. quando saì do almoço da Lareira e lhe fui dar os Parabéns no dia dos seus 80 anos. Estava feliz, tinham-lhe feito uma festa, tinha estado com a Familia. Nesse dia ouvi-lhe a última "laracha"com as funcionárias do refeitório.

Foram quase cinquenta anos de convívio, acompanhei-o em alguns períodos de muito sofrimento, com certeza, com a doença de que sofria há muitos anos. Nessas visitas, durante internamentos, tratamentos, intervenções, havia sempre aquele sorriso, a aparente boa disposição, uma palavra amiga, uma vontade enorme de viver.

Nunca esqueceu as pessoas, os amigos e os inúmeros episódios vividos durante aqueles cinco anos no Colégio.

A fotografia que disponibilizei com a dedicatória é para todos os seus amigos que o acompanharam na sua última viagem e para os que não souberam ou não o puderam fazer.

A MINHA HOMENAGEM AO PADRE ANTÓNIO EMILIO

ATÉ SEMPRE

Júlia Ribeiro

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Funeral



A cerimónia foi tocante. Mesmo entendendo que a vida é caminho diário para esta partida, via-se que o Padre António Emílio era um ser humano muito querido. E para quem é católico, ou cristão, partir num dia de ressureição poderá ser um alento para os nossos problemas diários. A esperança, o começar, o recomeçar, a vida de novo. E lá fora a natureza a dizer-nos que também ela recomeça todos os anos, na Primavera. Senti a partida do Padre António Emílio, não com a dor súbita de uma morte inesperada. Senti pela saudade que deixa, pela enorme saudade que tenho de alguns que já partirem, uma já saudade antecipada de quem está para partir. E chorei, várias vezes.

A luz intensa de fim de tarde, que entrava através das janelas da igreja, dava um brilho especial às flores, às pessoas. Como um gesto redentor aqueceu está gélida tarde de Domingo.

Bj

Guidó

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Baptismo


Neste nosso primeiro encontro em Lisboa achei a água fria e não ficámos amigos. Fartei-me de chorar. Mas, poucos anos depois, conheci e aprendi a apreciar este homem jovial e afável. Nas Caldas da Rainha, onde a vida nos voltou a juntar.

João Jales
......................................................................................................................................................................................................................
COMENTÁRIOS:
.
2008-04-06
São Cx disse:
Nem imaginas como gostei de ver a fotografia do teu batizado, já que 2 meses depois era a minha vez de estar no mesmo local e na mesma posição, com a coincidência de ser ainda o António Emílio, no teu caso o sacerdote , e no meu o padrinho! Como o fotógrafo que deveria ter feito as minhas fotografias, se esqueceu ao que consta do compromiso, não aparecerendo de todo, nunca tinha visto uma fotografia do padrinho, tão próxima daquele momento! Que curiosa coincidência! Da Isabel que também foi batizada no mesmo local, há fotografias como a tua (a azarada sou sempre eu!!!) só que, no caso dela, tanto o sacerdote como o padrinho já eram outros!! Suponho que também ias á Mexicana comer um bolinho e ao aeroporto ver aviões!! Que tempos!!!...

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - São e Isabel Caixinha




Se entenderes publicar, podes acompanhar com a fotografia que enviei anteriormente, é a única que tenho. Foi boa ideia interromper a programação do blog. Bjs. São Caixinha


Foi com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento do Sr. Padre António Emílio! Foi ele que encorajou e acompanhou com carinho a nossa mudança para as Caldas da Rainha e para o ERO, e foi também o meu afectuoso padrinho de baptismo. Dele guardo gratas recordações.

Apresento desta forma os meus pêsames á família e amigos. Infelizmente não vou poder estar presente nas cerimónias fúnebres deste Domingo de Páscoa, mas aqui de longe faço-me presente, acendo velinhas, queimo incenso e rezo por ele as orações que ele me ensinou a rezar. Também em nome da Isabel, termino com um poema de Fernando Pessoa (Poesias Inéditas):

.



.



.

Quero, terei
Se não aqui,
Noutro lugar que inda não sei.
Nada perdi.
Tudo serei.





.




.

Esta fotografia, já incluída na HISTÓRIA DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO foi enviada em 09-01-2008, acompanhada na altura pelo seguinte texto:

.....mas o que entretanto também me lembro desses tempos, e muito mais agradável, é de ter tido lições de catequese ao sábado (enquanto os colegas jogavam á bola na mata, segundo parece) dadas ..... pelo o Sr. Padre António Emílio. É dele a fotografia que envio, com os meus pais e comigo. Foi tirada ainda em Lisboa, algum tempo antes da nossa mudança para as Caldas da Rainha e para o ERO que, como se depreende, foi proporcionada, e com carinho encorajada, pelo mesmo. Residíamos então nas dependências da Igreja de S.João de Deus onde o meu pai trabalhava (já empregado do Patriarcado portanto). O edificío do ERO teria ainda que ser construido ...... e nós acomodámo-nos temporáriamente naquela casa que ficava à esquerda na subida e que mais tarde viria a ser conhecida como "a casinha do Sr. Padre Renato".
.
.
EM 26 DE MARÇO A IRMÃ, ISABEL, ACRESCENTOU:
.
.
Olá João!
Que bom que fizeste este tributo ao Sr. Padre António Emilío. Através dele se deu a conhecer muito da pessoa que foi, muito da sua obra e o quão docemente marcou tanta gente! Embora fosse muito pequenina quando o Sr. Padre António Emilo foi director do ERO, lembro-me sobretudo que era uma pessoa muito alegre e amiga! Gostei muito de saber o que ele significou para cada um em particular e para as gerações que ele tão carinhosamente dirigiu. A São escreveu uma pequena homenagem em nosso nome, mas eu não queria deixar por dizer o quanto aprecio o teu tributo!
Bjs Isabel Caixinha

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Amélia Teotónio


A Um Querido Amigo

Gostaria de poder voltar atrás e ouvir a sua voz naquele seu tom calmo e reconfortante... era o tempo em que....

Sempre que algum problema surgia e julgávamos impossível resolver....
Lá estava para ajudar...

Quando a nota não era a esperada....
Lá estava para incentivar.... a próxima será melhor...

Nalguma brincadeira...se um joelho se esfolava e a lágrima rebentava....
Lá estava para confortar...

Se a alma nos doía... era o primeiro a perceber..
E lá estava a tentar que o sorriso aflorasse de novo...

Mais tarde... quando a vida já corria por outras margens...de novo a ajuda... de novo o incentivo... de novo o conforto... e no seu rosto... sempre o mesmo sorriso.

Era o AMIGO

Obrigada PADRE ANTÓNIO

Amélia Teotónio


-------------------------------------------------------------------------------------------
A foto apresentada é da colecção da nossa colega Júlia Ribeiro, que não só a disponibilizou gentilmente, como enfrentou, e venceu, um terrível scanner para que ela estivesse aqui a tempo. Agradecemos todos.

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Lena Arroz

Excursão, 1961/62 - Sé da Guarda - Lena Arroz, Lurdes Serrazina, Jorge Teixeira-


Padre António, meu querido Amigo.

Que miúdos de 10,11, 12, 13 ou 14 anos, tiveram a sorte de ter um amigo de 35-40 anos, que lhes organizava brincadeiras, jogos, passeios, campos de férias, aventuras, nos dias em que não havia actividades escolares?

Um torneio de jogo do mata, ou da barra do lenço, entre duas equipas uma de rapazes e outra de raparigas organizado pelo Padre António… Não havia nada de mais empolgante, de mais divertido, de mais estruturante para uns miúdos que não sabiam o que fazer quando saíam do colégio!

Era a obrigação dele, por ser nosso professor, por ser padre e director do colégio? Não. Não era a obrigação dele. Depois dele se ir embora ficaram lá outros que também eram padres, professores e um deles até era também director do colégio. Mas nunca mais houve nada que se assemelhasse. Podiam até de vez em quando organizar alguma coisa, mas era muito diferente. A coisa até podia correr bem, mas nenhum deles participava nela com a alegria e o interesse com que o Padre António o fazia.

Ele fazia-o porque gostava de nós, porque gostava de brincar connosco, porque também se divertia com isso. Ele era alegre, vibrava com a vitória da equipa que estava a ganhar e animava a que estava a perder. Ensinava-nos a sermos competitivos, mas amigos uns dos outros, muito amigos mesmo. Se faltasse um elemento numa das equipas, ele preenchia-o. Sabia jogar melhor que nós. Era uma sorte ficar na equipa dele.

Todas estas actividades extra escolares, vistas à distância de 40 e tal anos, permitem-me afirmar sem sombra de dúvida: - O Padre António era, então, o nosso ponto de encontro!

Até porque, pelo menos nós as raparigas, não tínhamos liberdade para sair de casa para passear sozinhas, nem íamos a café nenhum, nem nada, nada, nada. Se não fosse ele, tínhamos ficado em casa de certeza à espera que o tempo passasse a entretermo-nos como pudéssemos, mas nunca em actividades colectivas, de ar livre, tão enriquecedoras das nossas titubeantes personalidades.

Quando ele se foi embora, chorámos lágrimas de saudade. Não era uma saudade só dele próprio, era também uma saudade mais interesseira, da liberdade de brincar uns com os outros, com ele a “tomar conta” de nós.

À distância de 40 e tal anos, parece-me justo concluir que o Padre António era então a nossa liberdade!

Alguns e algumas de nós mantivemos depois contacto com ele. Eu fui uma delas. Nunca lhe perdi o rasto. Soube sempre onde ele estava. Durante anos a fio, telefonei-lhe no dia 17 de Novembro, que era o dia do seu aniversário e ele retribuía-me o gesto, telefonando-me anos a fio, no dia do meu. Ele também soube sempre dos solavancos da minha vida. E lá estava para me animar quando eu estava a perder ou para se alegrar comigo quando a coisa melhorava e começava a correr bem.

Se eu hoje sou uma mulher que não se deixa ficar na “poça”, ou “caída no chão”, nas ciladas que a vida prega, se me levanto e vou de novo à luta… Ah, eu acho que foi o Padre António que me ajudou!

Obrigada meu amigo Padre António!

Até sempre.
Beijinhos
Lena Arroz

Castelo do Bode 1961/62
em baixo: Eduarda Rosa, Emiliana, ? ;
em cima: Elvira, Ilda, Lena Arroz, Lurdes Serrazina, Efigénia

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Inauguração da Igreja Nª Srª da Conceição


Inauguração da Igreja Nª Srª da Conceição. O Padre António Emílio é a primeira figura a meio da escada, com missal na mão.


In
BAPTISTA, Maria Isabel Xaxier - 50 Fotografias dos Anos Cinquenta - José Neto Pereira Caldas da Rainha, ed. do Património Histórico, Caldas da Rainha, 1993
O positivo e o negativo desta fotografia fazem parte do Arquivo Fotográfio do Património Histórico / Arquivo José Neto Pereira e esteve exposta na exposição com o nome do livro, na Capela de São Sebastião, Caldas da Rainha, 1993