
A minha admiração pelo Padre Xico foi tal que, quando me casei (diga-se agora que pela primeira de várias vezes), convidei-o para presidir à cerimónia que se realizou em Lisboa.
No dia aprazado para o casamento estava eu, a noiva e todos os convidados no local da cerimónia, Capela do Palácio de Vale Flor, onde está agora um hotel. O Padre Xico nunca mais chegava, toda a gente ansiosa, o homem que ia tocar orgão a querer ir-se embora. Tudo a correr mal.
Alguém vem ter comigo e pergunta-me:
- Foi nesta capela que disseste que te ias casar?
Aí fez-se luz e conclui que tinha enganado o Padre Xico, levando-o para a Igreja da Memória, junto à Calçada da Ajuda. Lá vai o meu padrinho de casamento a voar até à Igreja da Memória, onde realmente estava o nosso padre Xico sentado com o seu sacristão à nossa espera.
Quando chegou esperava eu levar uma grande reprimenda, o que seria inteiramente justo, eis quando se volta para mim e diz-me:
- Estás perdoado, porque hoje é o dia do teu casamento – Apesar disto, no final da cerimónia, volta-se para mim e afirma alto e bom som – Espero que a partir de agora tenhas juízo, o que eu não acredito. - Foi uma profecia...
Este episódio comigo demonstra o grande espírito de bondade que o Padre Xico tem, que nos marcou a todos, primeiro só como professor e depois também como Director do nosso colégio.
Já agora, seria bom que alguém com muito mais capacidade de escrita do que eu fizesse a demonstração do grande homem que é o Padre Xico, contando muitas das peripécias que tivemos com ele nas suas aulas. Diga-se que sempre foram boas peripécias.
Já agora uma palavra para a São, que maravilhosa caricatura. Não pares, estas caricaturas são do melhor que consta no grande álbum de recordações que é este blog.
Tó-Quim



