
Estou lendo e reencontrando o Padre Renato no 'incansável professor'... e já passei pelas "ribas" de Salir do Porto» (p.35) e pelo "maior natu".
Guardo as melhores "memórias" deste meu GRANDE Professor.

POST DE 16/01/2009, A PRIMEIRA INTERVENÇÃO DA NANI BAROSA NO BLOG
O segundo pela grande bondade e o carácter explosivo tão especial que tinha. Eu era sua aluna em Canto Coral, Latim e Religão e Moral (meninos e meninas, as praias são um estendal de carne impróprio para consumo, que pecado!). Antes de começar as aulas tinha o hábito de ver se eu e a Salette tínhamos make-up e, caso positivo, mandava-nos à casa de banho para nos lavarmos antes de começar a aula... depois, com o latim, tivémos a grande surpresa de eu ter conseguido a melhor nota do ano no país no exame do 7° ano (18!) o que foi um grande orgulho para ele e que me deixou estupefacta, pois, embora não fosse má aluna, aquilo foi mais uma questão de sorte, de fado... Numa das minhas regulares visitas a Portugal, nos anos 90, fui visitar o Padre Renato à Igreja em Tornada e ele ofereceu-nos um concerto de orgão divinal, mesmo com o órgão um pouco desafinado, assim como o seu famoso livro! Finalmente o terceiro professor, por ser uma pessoa tão especial, com uma atitude muito pragmática e ao mesmo tempo carinhosa e eficiente, embora eu não fosse boa aluna nas suas disciplinas (desenho e matemática), ele marcou-me bastante. Foi sem dúvida o melhor Professor que tive em termos didáticos e humanos. 
Ana Nascimento

uma obra intitulada Redigir Correctamente. Estudo Através duma Narrativa Cheia de Cenas Imprevisíveis. Livro de 160 páginas, contendo desenhos, vinha assinado, na ficha técnica – “Renato André Ramos, Pároco de Tornada, Caldas da Rainha”. Para que se compreenda o propósito da publicação e o espírito que presidiu à sua elaboração, transcrevo um trecho do apontamento final dirigido a um “jovem, bom amigo”:
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Jantar de professores, Natal de 1964
Por vezes vinha até ao recreio dos rapazes, no intervalo grande da manhã, e logo se fazia um pequeno ajuntamento em seu redor. Metade oferecia-se, com excitação mal contida, para ser hipnotizada; a outra não queria perder pitada do que se ia passar, embora receasse intimamente uma operação cuja metodologia ignorava. Com o tempo, o Padre Renato – é dele que estou a falar – tornou-se mais prudente, depois de um ou outro episódio de hipnose mais atribulado, e só aceitava candidatos cujo comportamento ao efeito do seu dom era previsível.
Eu tinha com aquele padre especial uma relação complexa. A minha inaptidão para o canto era de tal monta, que ele se vira forçado a dispensar-me das suas aulas. O seu ouvido acurado sofria tal alteração com os ruídos que eu emitia que o Padre parava abruptamente com um olhar sobressaltado, de imediato a turma se desconcentrando, a meio do ensaio. Em contrapartida, eu sentia admiração pelo seu saber e um misto de fascínio e temor pelo seu feitio algo truculento e o gosto pelos enigmas. Topava-os com um semblante carregado e olhar misterioso, em todo o lado e por vezes transmitia claros sinais de inquietação, como se perigos insuspeitos espreitassem os seus própios passos. Percebia-se que as suas relações com o Padre Albino não eram fáceis e a tensão parecia, às vezes, querer extravasar.
Eu estava literalmente atónito. Sim, balbuciei, quando quiser. É hoje, disse. A que horas sais? E logo ali o Padre Renato marcou a hora de partida.
De modo que quando a minha Mãe me viu aparecer, a cavalo na motoreta do Padre Renato, duas horas mais cedo do que se viesse de camioneta, temeu o pior. Ai, Sr Padre Renato, que fez o meu filho? Vamos ao rabisco, comuniquei eu todo lampeiro, enquanto o Padre encostava a motoreta e sacudia o pó do fato preto. Tinha pensado começarmos aqui pelo “vale da vaca”. E lá fomos pela encosta acima, o Padre entusiasmando-se como uma criança sempre que descobria por baixo das folhas avermelhadas duas ou três uvas quase a atingir a condição de passas.
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João Ramos Franco disse:
Os textos do João Serra têm um valor que é indiscutível e até me fazem recordar factos passados no ERO. Lembro-me bem dos hipnotismos do Padre Renato:
Eu e o Rainho, que na altura tínhamos o estatuto de assistentes no 5º ano Secção de Ciências, algumas vezes juntávamo-nos ao grupo dos hipnotizáveis, para desfrutar a cena, e até uma vez me ofereci voluntário para o ser, claro que ouvi uma resposta, extensiva também ao Rainho:
-Vocês hipnotizáveis já não são e no Canto Coral também já tenho os suficientes para desafinar.
E lá nos fomos, lembrando-nos que tínhamos 17/18, e que já não éramos meninos.
Obrigado João Serra pelo reavivar da minha memória,
João Ramos Franco
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Isabel Xavier disse:
Fico feliz por ser o Padre Renato quem inaugura esta nova fase do blog. O João Serra dá dele a imagem certa e a mim agrada-me particularmente esta história. Não é dificil imaginar a sua genuína alegria e espanto de cada vez que encontrava uvas para respigar. Respigar é em si mesmo um acto poético, uma espécie de jogo de busca e encontro e de encantamento também. Foi tema que artistas trataram em tela e no cinema com altíssima beleza.
O Padre Renato era um Homem Bom, sem qualquer interesse por bens materiais ou qualquer tipo de ambição pessoal que ensombrasse essa Bondade. É a única pessoa que eu acredito piamente ter possuído capacidades extra-sensoriais (chamemos-lhes assim à falta de melhor expressão), às quais o texto também faz justa referência.
Agradeço ao João Serra, do fundo do coração, ter partilhado connosco esta belíssima história que viveu com o Padre Renato, de quem eu tanto gostava.
Isabel Xavier
João Jales disse:
O texto do João Serra é magnífico, retratando com grande mestria alguém tão complexo como o Padre Renato a partir de um episódio aparentemente tão pueril.
Só pela profunda impressão que me causou se explica que uma avalanche de recordações se tenha abatido sobre mim ao lê-lo, originando um texto, que já não é só um comentário, e que publicarei a seguir.
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Zequinha Pereira da Silva disse:
Li o excelente texto do João Serra e nem sabes a pena que sinto de não ter tempo para estas contribuições. Pessoalmente gostava de poder deixar testemunho sobre vários profes...o Lopes, o Serafim, o Pe Renato, a Super...sobretudo estes. Este assunto é de tal forma importante, na perspectiva de um autêntico acervo documental e memorial para a história do ERO, que proponho que se constitua, no âmbito do blogue, como uma "secção" permanente. Isso deixa-me o conforto de pensar que, mais tarde ou mais cedo, vou poder deixar a minha contribuição...
Abraço.
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São Cx disse:
Acabei de ler o excelente texto do João Serra sobre o Sr. Padre Renato e foi com alguma surpresa e nostalgia que me senti transportada ao passado! Já não me lembrava dessa faculdade dele de hipnotizador, que eu de longe também abordava com um misto de curiosidade e respeito! Sim como professor de canto coral e das dificuldades de fazer a classe cantar em 3 vozes... (será que é assim que se diz!!), mas sobretudo como professor de desenho. Acreditava mais na minha aptidão para o desenho do que eu própria alguma vez acreditei e foi para mim sem dúvida o incentivador número Um que incansávelmente soube motivar-me a querer fazer sempre melhor. Repetia-me o seu conselho favorito de manter a humildade, tinha sempre uma palavra de encorajamento e chegou a pôr ao meu dispor os seus materiais para me iniciar em paisagens em aguarela.
Realmente devia conhecer bem a região, como o texto do João Serra indica. O sonho dele era um dia poder levar-me para desenhar no campo, dizia, e o que o impedia de o realizar eram apenas "as más línguas"! Eu ficava em silêncio, na convicção que tal aventura seria muito possívelmente apenas uma pesarosa perca de tempo...e realmente nunca aconteceu!!
Recordo-o com enorme reconhecimento e carinho! São CX
Júlia Ribeiro disse:
Excelente ideia, começar esta série pelo Padre Renato! Quase todos os que passaram pelo ERO se lembram, com certeza, do P. Renato com a sua motoreta? Ou lambreta? Mesmo quem o não teve como professor.
Ele foi talvez meu professor de canto coral nos últimos anos, mas eu sou como o João Serra, nem a 3ª voz conseguia fazer e tenho essa amnésia pois fiquei logo dispensada de cantar no meu 1º ano e ainda hoje esse trauma me acompanha!!!!!
Mas estou a vê-lo, no nosso recreio, quase a entrar pela casa de banho à procura das suas meninas do Latim, a Isabel V Pereira, a Pilar e a sua Fátinha (a Fátima Rosado Pereira, que ainda não deu sinal de vida....onde andará ela?).
E que bom recordar a sua faculdade de hipnotizar, já não me recordava mas, quando li, imediatamente me imaginei no local da mata em que o vi fazê-lo; mas saber a quem, isso seria pedir demais....
Com a sua maneira muito especial, mas engraçada, de ser, era uma excelente pessoa.
Resumo numa só frase: ERA UM HOMEM BOM.
Laura disse:
Já agora aproveito para dizer que o rapaz que a Júlia viu hipnotizar na mata, e do qual não se lembra, era o Xico Elias, primo do João Elias (este não foi aluno do ERO).


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