ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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LIVRO DO PADRE RENATO




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Muitos dos presentes no Encontro de 14 de Novembro não se aperceberam de que estava à venda na sala o livro do Padre Renato, antigo professor do ERO, pelo que não se venderam todos os exemplares.

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Originalmente editado em 1997 é um pequeno exercício sobre a arte de bem escrever em português, numa mistura de profundos conhecimentos e uma forma cândida de ser e de estar que lhe eram tão característicos.

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O livro custa cinco euros e a receita reverte integralmente para as obras da Igreja de Tornada, respeitando a intenção original do autor. Uma sugestão de prenda de Natal útil e acessível e que recorda um bom Homem.
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Pode ser levantado na Audiomanias ou enviado pelo correio, mediante o pagamento de dois euros de portes. Os interessados podem contactar-me pessoalmente ou escrever para
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João Jales


C O M E N T Á R I O S
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Inês Figueiredo disse:
Estou lendo e reencontrando o Padre Renato no 'incansável professor'... e já passei pelas "ribas" de Salir do Porto» (p.35) e pelo "maior natu".
E dei um saltinho à mensagem final "O bem não faz barulho... E o barulho não faz bem!..."
Que boa ideia essa de distribuir o livro-herança editado pelo Autor em 1997!
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Maria Manuela Gama Vieira disse:
Guardo as melhores "memórias" deste meu GRANDE Professor.

FROM SWITZERLAND WITH LOVE (Nani Barosa)


POST DE 16/01/2009, A PRIMEIRA INTERVENÇÃO DA NANI BAROSA NO BLOG




Olá João Jales



Primeiro que tudo, PARABÉNS! Este blog é um poço de memórias tão boas, tão bem lembradas, com tanta qualidade e interesse, que desde que o descobri, é raro o dia que não vá lá fazer uma visita, e sinto-me quase como uma espia... mas bem intencionada... só que me é muito penoso e dificil participar, porque as minhas memórias são tão passivas, tão longinquas, activando-se sim quando leio as histórias deliciosas de todos que participam activamente neste blogspot.

Provavelmente não te lembras de mim... sou a Ana Barosa (também conhecida por Náni). Frequentei o Externato Ramalho Ortigão de 1961 a 1968, e lembro-me de quase todos os que têm vindo a aparecer por aqui... alunos e professores.

Já que se está a falar de professores, destes últimos, talvez os que mais me marcaram foram os Padres António Emilio e Renato e o Dr. Lopes. O primeiro por quem tinha uma grande afeição, que era recíproca, e que deixou uma grande lacuna no ERO, após a sua partida. O segundo pela grande bondade e o carácter explosivo tão especial que tinha. Eu era sua aluna em Canto Coral, Latim e Religão e Moral (meninos e meninas, as praias são um estendal de carne impróprio para consumo, que pecado!). Antes de começar as aulas tinha o hábito de ver se eu e a Salette tínhamos make-up e, caso positivo, mandava-nos à casa de banho para nos lavarmos antes de começar a aula... depois, com o latim, tivémos a grande surpresa de eu ter conseguido a melhor nota do ano no país no exame do 7° ano (18!) o que foi um grande orgulho para ele e que me deixou estupefacta, pois, embora não fosse má aluna, aquilo foi mais uma questão de sorte, de fado... Numa das minhas regulares visitas a Portugal, nos anos 90, fui visitar o Padre Renato à Igreja em Tornada e ele ofereceu-nos um concerto de orgão divinal, mesmo com o órgão um pouco desafinado, assim como o seu famoso livro! Finalmente o terceiro professor, por ser uma pessoa tão especial, com uma atitude muito pragmática e ao mesmo tempo carinhosa e eficiente, embora eu não fosse boa aluna nas suas disciplinas (desenho e matemática), ele marcou-me bastante. Foi sem dúvida o melhor Professor que tive em termos didáticos e humanos.
De todos os ex-alunos que participam neste blog lembro-me especialmente dos alunos do ano superior ao meu. Como os meus grandes amigos (ainda hoje) Araújo e Xico Zé Fêo e Torres. Os que perdi de vista, a Helena Arroz, a Ana Nascimento, a Manuela e Helena Viera Pereira, etc. Dos do meu ano, não são muitos os que participam, mas vou vendo o João Miguel (a minha primeira paixão platónica de adolescente.....), o Rolim, o Nuno, haverá mais de certeza que eu não tenha visto ou que não me lembro agora.



Perdi praticamente todos de vista. Saí de Portugal em 1969, a familia foi para os Estados Unidos, onde vivi até 1981, altura em que me apaixonei por um Suiço e aqui vim parar a Zurique, onde ainda estou a viver, embora a paixão que me trouxe aqui fosse de pouca dura. Bom, já chega, tudo isto só para te dizer que é muito bom visitar-vos, é como se tivesse encontrado uma familia perdida no tempo...

Bem hajam! Beijinhos a todos.
Náni
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O PADRE QUE TINHA SENTIDO DE HUMOR

por Ana Nascimento


Calada está a Mercês (não sabia a letra?). Cantam
Luisa Nascimento, Manela VP e Ana Nascimento.


Caros colegas:


Brilhantes…. é só que posso dizer de todas as vossas descrições de um homem tão bom que nada guardava para si….

Eu também lembro com carinho o “nosso” Padre Renato, quando entrei para o 1º ano, em 1960, foi ele o meu professor de desenho e de canto coral.

E por falar em desenho, recordo que, n
uma aula em que nos explicava a técnica de pintar a aguarela, não sei quem foi o “artista” que não conseguia abrir o tubo de guache (Carrilhinho ajuda-me, terá sido o Aníbal? ou o Jorge Garcia?..... Manel Gerardo, foste tu? ) e muito “inocentemente” foi ter com sr Padre e diz:
- Sr. Padre Renato não consigo abrir o guache …
- Oh menino, oh menino isto não custa nada, quer ver ? quer ver?
O padre Renato aperta o tubo…. aperta e nada…. tanto apertou que o selo salta e o guache saiu em jacto espirrando para tudo quanto era sítio… …
Ai rapazes … dá-lhe uma irritação tal…vira-se para nós e numa voz zangada diz:
- O menino viu o que fez??? Viu…. Viu ??? Seu bacôco…..
Julgam que o castigou? Não, pegou na régua, bateu com ela na secretária com toda a força, a régua partiu e o bom do Padre Renato foi continuando a descarregar a sua irritação pontapeando a dita cuja ao longo do estrado, até acertar no caixote do lixo que estava no canto oposto …

Nas aulas de canto coral as histórias que contava eram as do Tonecas e foi também nessas aulas que vi hipnotizar alguns colegas (um deitou a pasta para o chão convencido que ela estava a arder).

Nessa altura, há um episódio passado na ladeira em que ele convence um menino que um dos burros que estava perto do chafariz era uma rapariga muito linda….” Vai lá vai lá, dá-lhe um beijinho menino” … eu não presenciei a cena mas consta que o menino deu mesmo um beijo ao burro……

Celebração da missa no ERO
“In illo tempore, latim de Cícero” – frase muito usada pelo Padre Renato, como decerto se lembrarão as sua alunas, havia missa no intervalo grande, missa esta com pouca afluência pois o pessoal queria era brincar …
Na altura da consagração, há um movimento do Padre Renato que ficou registado na minha memória. Sem se virar para a assistência, ou melhor, de costas para a mesma (na altura a missa era celebrada assim), espreitando por baixo do ombro, rodava levemente a cabeça, ora para o lado direito, ora para o lado esquerdo e perguntava: - "Há alguém para comungar"?
Claro que ninguém se acusava… e a missa acabava mais cedo…..

Bem, a afluência também dependia do celebrante. Enquanto o Padre Xico tinha meia capela, os outros celebrantes tinham 4 gatos pingados ... mas isso não era culpa do Padre Renato, claro!


O Padre Renato tinha um humor muito próprio. Senão vejam:
O Padre Renato estava colocado como pároco no Olho Marinho, onde, normalmente havia pequenos grupos que o aguardavam no adro e só depois entravam para a igreja. Num desses dias, uma senhora ao vê-lo chegar comentou:- “Olhem já chegou o Padreca” …
O Padre Renato ouviu mas não teve qualquer reacção ….entrou e celebrou a missa no fim da qual se seguiram os cumprimentos aos paroquianos.
Quando a dita senhora se aproxima para o cumprimentar o Padre Renato estende-lhe a mão diz:-
”Como está, Senhoreca?
“Senhoreca sr. Padre ?
Sim…não foi a Sr.ª que me chamou Padreca ?????

Sr. Padre Renato, esteja onde estiver, aqui vai um OBRIGADA pelos valores que nos transmitiu, por todos os momentos de humor (e de algum medo também….). Enfim, por tudo quanto nos deu e nos ensinou, o meu abraço para si.

Ana Nascimento


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COMENTÁRIOS
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Júlia R disse:
Cada vez estou mais taumatizada......eu, que poderia estar aqui a fazer companhia a estas lindas meninas que estão tão bem!!!! Poderia fazer como a Mercês! Aliás era isso que me sucedia, esquecia-me da letra....
ANA: Parece que te fez bem a ameaça do Jales....retardaste mas apareceste, e muito bem !Gostei muito do teu testemunho do Padre Renato,aliás estou tão surpreendida com tantas estórias do P. Renato que tenho pena não o ter tido como professor.Eu não me recordava , mas perante tudo o se tem aqui revelado, quase tenho a certeza de que não.
Cada vez fico mais perplexa com tudo o que se tem revelado aqui e com tudo isto tiro uma conclusão :
O PADRE RENATO ERA UMA CAIXINHA RECHEADA DE SURPRESAS .....eu conhecia-o tão superficialmente !!!!!!!! Que pena!
Júlia R


Manuela GV disse:
Se as meninas cantavam a “vozes”, a altura de entrada da Mercês ainda não tinha chegado; recordo-a como uma boa e dedicada aluna., sabia a letra, com toda a certeza!
À medida que se vão abrindo estes preciosos baús de recordações…a minha memória vai despertando.
Senão vejam: lembro-me daquelas vossas toillettes; o tempo da moda dos vestidos de tricot, bem giros; claro que os manequins os valorizam, como se pode ver na imagem.
Ana, ri-me imenso com as tuas “anedotas” do P.e Renato! Aquela do Padreca e da Senhoreca...fez-me soltar uma sonora gargalhada, logo pela manhã.
Gostei muito de te ler, e muito gostaria de te ter visto ontem, naquela viagem cultural.
Manuela Gama Vieira
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Ana N disse:
Julinha não estejas traumatizada… embora cantasse o suficiente para não agredir os tímpanos do Padre Renato não fiz carreira….. não gravei nenhum disco… acho mesmo não encantei ninguém com esse meu atributo…..e neste momento só pio… eheheheheh
E é verdade quando dizes que a ameaça resultou …. tive que arrepiar caminho senão era banida …. E tu Manela foste bem perspicaz… O mistério da boca fechada da Mercês está decifrado… Cantávamos nós um Canon “To Portsmouth" e a ainda não tinha chegado a vez da Mercês entrar…
Pelas fatiotas e pelo tamanho do meu cabelo também vos digo que a dita foto foi tirada na festa de Natal de 1966, (deve existir um programa, será que alguém o tem ?????)
Também gostava de te ter visto mas não me foi possível, fica para a próxima … está prometido Beijinhos Ana
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João Jales disse:
Este é o último depoimento que recebemos aqui sobre o Padre Renato, passamos esta semana a outros professores.
O texto é típico da Ana, dentro do que ela nos habituou anteriormente (quando tem tempo...), entre as recordações e os sentimentos, sempre servido por uma boa memória.
Apesar da ausência da chacina de qualquer inocente, habitual nos anteriores textos da Ana, temos no final "o medo" (do Padre Renato?) e, ao longo do depoimento várias "vítimas": o guache, a régua, o "aluno bacoco" e o "menino que beijou o burro", mesmo excluindo a "senhoreca" , que só teve o que pediu...
Vai aparecendo, Aninhas, tenho aqui sempre uma página à tua espera. JJ

O PADRE QUE ENCANTAVA MORSAS

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Profissão de Fé, 1966
Esq»Dir: Rui Medina, Alberto R P, Óscar,
Padre X, António Rodriguez,Zé Carlos Faria.


Renato - o nome alude a um renascimento, como que nascido duas vezes, para o serviço de Deus e dos Homens.

Os seus dotes hipnóticos, em tempos de Santo Ofício, ter-lhe-iam valido, decerto, acusações de «bruxaria e feitiçaria». E recordo-me de, ainda muito pequeno, acompanhar a minha Mãe a uma visita de estudo ao Aquário Vasco da Gama. Padre Renato, mesmo sem capa de mágico, tão só o sempiterno e surrado fato de sacerdote, decidiu encantar a morsa (essa, the Walrus, a dos Beatles). O problema foi reanimá-la. O bicho em letargia, para crescente alvoroço dos funcionários, repuxava profundos suspiros a tresandar a carapau e nada, nadinha de nada. Por fim, discretamente, mas já em aflição, o nosso querido senhor dos sortilégios, para alívio geral, lá conseguiu corrente magnética suficiente para libertar a bela adormecida, levando-a a um gracioso mergulho, toda ela em refegos de gordura, nas águas do tanque.

Na pessoa do Padre Renato, travava-se um combate interior, tão humano afinal, entre Santo e Demónio. De fúrias ciclópicas eruptivas, estilhaçando com força de titã, livros de ponto, canetas, ponteiros, óculos, caído em tentação com pequenas fraquezas de doces ou um bom licor e, em paralelo, aguarelista sensível (que me ensinou a aproveitar o branco do papel para captar a luz), talentoso improvisador como organista, com sólidos conhecimentos de harmonia e contraponto e sábias utilizações dos registos do teclado e pedaleira, homem de pobreza Franciscana e votado ao culto dos desamparados, à chuva e ao vento na sua desconjuntada caranguejola Vespa, solidário/solitário, bom e digno, mesmo naquilo que alguns tomavam por facetas pícaras.
Vindo uma vez de S. Martinho com os meus Pais, deparámos, em Tornada, com um espectáculo insólito. Um funeral, na estrada a caminho do cemitério, avançava, a pé, em ritmo de marcha Olímpica. Os acompanhantes, de respiração acelerada e a arfar, tentavam não perder contacto com o féretro. A família do defunto, às corridinhas, esforçava-se por ir equilibrando uma panóplia de velas, coroas e ramos de flores. A carreta funerária deslizava veloz, como as diligências do Velho Oeste nas rotas das pradarias, puxada por dois sujeitos afadigados, de língua de fora e boné às três pancadas. Os sacristães com turíbulo e crucifixo,suavam as estopinhas. À frente, o Padre Renato, a quem não era simpática a proximidade com os mortos, em passo estugado, as vestes e paramentos religiosos em torvelinho, sprintava valentemente para resolver o quanto antes aquela ingrata missão.

Nas aulas de Latim, o grupo era jeitoso e assinalável - a Eca e a Paulinha Gouveia, excelentes alunas e meninas dos olhos do velho Mestre e, depois, os «excomungados», que nem por isso: Pedro «Jorze» «Semilha», Rui Ferreira da Silva, Vasquinho Baptista, Zé Manuel Simões (Simonal) e este escriba. Como é óbvio, éramos alvo de marcação apertada. Um dia, na primeira aula da manhã, fomos surpreendidos com uma frase no quadro: «Camaroeiro Real - A perdição da Juventude», alusão claríssima à predilecção pela sala de estudo comum. Ora o nosso Padre costumava lanchar o seu galão com bolo de arroz naquilo que era, à época, um modesto e honrado estabelecimento de bairro. A réplica deu-se na aula seguinte. No quadro, a giz, lia-se: «Café Avenida - O antro do Vício!». Pleno de «fair-play», o professor apagou a inscrição e começou a lição como se nada fosse.

E havia declinações, a Selecta Latina com os clássicos, e também algumas piadas didácticas sobre a língua morta como o/ «ludere me putas»/, que ao contrário do que se possa pensar, não tem rigorosamente nada a ver com divertimentos em casas de meninas, mas sim com o «julgas que estou a brincar» de Plínio.

E daí, em homenagem e lembrança ao Latim aprendido com o Padre Renato, recebam pois um abraço /«ex toto corde»/, ou seja, de todo o coração...


José Carlos Faria
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ERA IRRESÍSTIVEL SUGERIR ESTA MÚSICA PARA ACOMPANHAR A LEITURA DO TEXTO DO ZÉ CARLOS FARIA.COMO SE NO PADRE RENATO TAMBÉM HOUVESSE ALGO DE PSICADÉLICO...
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.COMENTÁRIOS
Manuela Gama Vieira disse:
BEM ESCRITO, CONTA UMA HISTÓRIA ENGRAÇADÍSSIMA.
OH JALES, VEJO QUE TAL COMO EU, TAMBÉM TUA MULHER SERIA UMA DAS "ALUMNA DILECTA MEA" DO SAUDOSO P.E RENATO.
CORRIA NOS FUNERAIS….TALVEZ COM RECEIO DAS SUAS QUALIDADES ESOTÉRICAS…NÃO FOSSE O DEFUNTO RESSUSCITAR!
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João Jales disse:
O Zé Carlos traz sempre uma nota de humor muito pessoal quando nos visita, embora menos vezes do que todos gostaríamos. E há um desenho especial na forma como escreve, como se houvesse um grafismo diferente nas suas palavras, mas quando confirmei vi que não, estão todas em ARIAL, como o resto do Blog...
Ri-me com gosto da morsa hipnotizada, do funeral contra-relógio e das trocas de acusações sobre os locais de perdição. Porque é que temos todos tantas estórias do Padre Renato?
O comentário da Manuela GV está à altura do texto! Os poderes esotéricos do Padre Renato poderiam efectivamente alterar os planos de um funeral? Nunca o saberemos.
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Isabel Xavier disse:
O Zé é um contador de histórias impagável, mas estas duas nunca lhe tinha ouvido. O Padre Renato era uma padre cheio de surpresas, tantas são as memórias que todos dele temos. Estas duas, da morsa e do funeral apressado, são inultrapassáveis, de facto.
Além dos factos, o Zé é um contador de imagens: um homem do teatro, é o que é! Nem me atrevo a pedir-lhe que continue. Digo-lhe só que faz muita falta neste blog. Para mais com a posição única de ter sido aluno e, simultaneamente, filho e neto de professoras do colégio. Vá lá Zé... faz-nos a vontade! - Isabel Xavier -
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Luis disse:
O Faria reconhece-se facilmente na fotografia porque é o único que tem os atacadores dos sapatos desapertados.
Vejo com satisfação que o Zé Carlos recorda estes tempos com um invejável humor e os descreve com uma prosa fluida.
Como diz o JJ, vê lá se apareces mais vezes! Luis
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Zé Carlos Faria disse:
Olá! A pessoa que falta identificar na foto é o Óscar. Por acaso lembro-me bem de quando esta fotografia foi tirada, já ao fim da tarde, no recreio feminino, junto ao Ginásio (e também já tinha reparado no pormenor dos atacadores desapertados; nunca primei muito pelo aprumo, o que é que se há-de fazer? De qualquer maneira, o pior de tudo são mesmo os laços... as figuras que a gente fazia, Santo Deus!).
O que estraga a recordação perfeita desse dia, foi a coincidência com a morte do meu Avô, da qual fui informado quando cheguei a casa para jantar...Abraço.ZCF
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Ana Nascimento disse:
Já muito foi dito sobre o Padre Renato, chorei a rir com a descrição do Zé Carlos sobre o funeral …e as imagens passaram à minha frente como se nesse momento o presenciasse …
Com o Bonifácio recordei outros, como o acalmar da asma da Ema e o tirar as dores de cabeça à minha irmã Luisa utilizando o mesmo método…. o nosso Padre Renato era um homem muito à frente do seu tempo… já utilizava o reiki , só que nessa altura isso era desconhecido para nós…

O Padre Renato – 4 histórias, uma nota de leitura, uma breve reflexão e uma “velha” fotografia

por João Serra

Os comentários generosos dos militantes deste blog estimulam-me a voltar à figura singular do Padre Renato André Ramos. Permitam-me pois que partilhe convosco quatro histórias curiosas e exemplares, uma nota de leitura, e algumas interrogações que esta personalidade me suscita.

1ª história – ainda o hipnotismo

Às histórias engraçadas, por vezes com traços cómicos, aqui contadas tenho algo a acrescentar. O Padre também fazia demonstração das suas capacidades invulgares sem, aparentemente, recorrer à hipnose. Para isso, fechava a mão em concha e cruzava-a por cima de uma das nossas, a cerca de 4/5 centímetros de distância. Ao fim de algum tempo, variável, a “cobaia” sentia nas costas da mão, num local para onde convergiriam hipoteticamente os “raios” concentrados da mão sobreposta, uma espécie de alfinetada. Nalguns casos, essa picadela provocava uma ligeira inflamação, detectável a olho nu.
Frequentei as aulas de Latim integrado na turma de Germânicas. A nossa colega Ema sofria de asma e muitas vezes chegava às aulas, na primeira hora da manhã, em dificuldade respiratória. O Padre Renato mandava-a sentar à frente, e fazia com ela a operação que atrás descrevi. Continuava a dar a aula enquanto a sua mão de dedos grossos e peludos quase ocultava a da aluna. Ao fim de algum tempo, a Ema serenava e a aula retomava o seu ambiente e ritmo habituais.

2ª história – aulas extra-curriculares

Recuperei a “honra perdida” junto do Padre Renato quando fui seu aluno a Latim, no 6º e 7º anos. No derradeiro período do 7º, enquanto procedia a revisões da matéria dada e insistia em procurar colmatar os pontos fracos dos alunos, o professor dispensou-me de assistir a aulas. - Vai ter comigo, depois de jantar, à residência paroquial, ordenou-me. No último trimestre do ano lectivo de 1965/66 eu ficava durante a semana nas Caldas, num quarto alugado na Rua da Electricidade. O Padre Renato recebia-nos (a mim e ao José António Ribeiro Lopes que estava a preparar a alínea de direito) numa sala e punha-nos a transcrever para português o De Bello Gallico de Caio Júlio César. Antes lia, em voz alta, teatral e enlevado, aquela prosa latina, como se de literatura se tratasse. Depois escolhia um capítulo e deixava-nos entregue ao nosso trabalho de o traduzir. Absorvidos naquela espécie de puzzle, era sempre em sobressalto que éramos despertados por uma das suas ruidosas gargalhadas. O Padre Renato era um apaixonado de banda desenhada e ria até às lágrimas com as aventuras do Tim-Tim.

3º história – o Latim que me ensinou

Foi tão proficiente no ensino do Latim, que vim a tirar no exame uma classificação impensável. Como se nesta língua morta eu tivesse encontrado uma compensação para o inêxito do canto coral.
Seja como for, essa habilitação veio a constituir para mim uma oportunidade inesperada. Percebendo como eram bem pagas as explicações de Latim, abalancei-me a essa tarefa em Lisboa. Em breve tinha uma pequena turma de alunas do Colégio Sagrado Coração de Maria a quem ajudava a fazer a sua preparação para o exame de Latim. O Padre Renato habilitara-me, com aquela língua morta, com o primeiro instrumento de trabalho intelectual que exercitei.

4ª história – o amigo corajoso

Em 14 de Julho de 1971, o José António Ribeiro Lopes foi preso pela PIDE/DGS. Segundo um comunicado da época, a polícia foi prendê-lo em casa, às 7 da manhã, e, como sempre acontecia, sem mandato de busca nem de captura. Era então estudante finalista (5º Ano) do Curso de Agronomia. Compareceu a julgamento no Tribunal Plenário da Boa Hora, a 17 de Fevereiro de 1972. Entre os que corajosamente fizeram depoimentos em sua defesa, ergueu-se um homem diferente, na indumentária e nas expressões, de todas as restantes testemunhas. Era padre. O Padre Renato André Ramos.

Uma nota de leitura

Em Julho de 1997, veio a lume, nas Caldas da Rainha, uma obra intitulada Redigir Correctamente. Estudo Através duma Narrativa Cheia de Cenas Imprevisíveis. Livro de 160 páginas, contendo desenhos, vinha assinado, na ficha técnica – “Renato André Ramos, Pároco de Tornada, Caldas da Rainha”. Para que se compreenda o propósito da publicação e o espírito que presidiu à sua elaboração, transcrevo um trecho do apontamento final dirigido a um “jovem, bom amigo”:
Julgo que já foi banido o antigo sistema: “… e o trabalho de casa será uma redacção sobre isto ou aquilo …”
Penso que se evoluiu. Que os alunos inclinados para a iniciativa, são estimulados a investigar …ou a procurar dados, informações, etc. Tudo fora da Escola e em ordem a uma redacção a fazer na aula. Na aula e com o senhor professor presente. Presente e disponível para atender cada aluno que lhe peça ajuda.

Interrogações

Todos os depoimentos surgidos neste blog sublinharam a imagem forte e a personalidade rica e complexa do Padre Renato. Mas é verdade que nenhum de nós o conheceu bem, nem podia conhecer. Afinal todos o conhecemos quando tínhamos idades compreendidas entre os 10 anos e os 17 (no máximo) e ele era um homem feito. Nenhum de nós foi seu confidente ou amigo e nenhum de nós manteve com ele um relacionamento intenso para lá da fase em que foi seu aluno.
De qualquer modo, todos nos apercebemos hoje de que estivemos perante um homem de múltiplos talentos: a música (canto e instrumentos, nomeadamente piano e órgão), o desenho e a pintura, as humanidades clássicas, o português. Tivemos diversos padres como professores, mas nenhum, creio, com a preparação cultural e a polivalência do Padre Renato. A pergunta que se segue é: porque motivo este Padre, que poderia ser professor do Seminário ou Maestro de coros ou organista em Lisboa, foi colocado numa modesta paróquia provincial, ali permanecendo décadas?
Haverá certamente quem pense que na raiz do afastamento do Padre Renato de um grande centro, como Lisboa, pode estar o seu feitio truculento, esse “demónio” que alguns testemunharam à solta em certos momentos nas suas aulas. Talvez tenha razão. Mas poder-se-á também tentar inverter os dados da equação e tomar as irrupções temperamentais como consequência e não como causa. Se assim fosse, associaríamos o desterro do Padre Renato a uma condenação humilhante infligida a uma personalidade cujo brilho terá parecido a muitos como ofuscante e porventura excessiva. Muitas vezes me ocorreu que a humildade a que o Padre Renato se condenava poderia ser assimilada à auto-flagelação a que algumas comunidades monásticas se dedicavam.

O PADRE QUE AFUGENTAVA O FRIO


por Amélia Teotónio





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-Truz...truz...truz, dá licença Sr. Padre Renato?

-Claro, entrem meninas, já vêm atrasadas, o Sr Toscano é o único cumpridor...

Eram 8 da manhã e o frio era intenso. A sala da aula de latim ficava situada na parte de trás do colégio e o sol demorava a aquecê-la.

Ui, está tanto frio, dizia a Gracinha (Soeiro), Sr. Padre Renato não consigo escrever, tenho os dedos congelados, dizia a Guida (Roberto), ai,ai, que gelo, lamentava-se a Isabel (Conceição), não se pode estar aqui, vamos ficar constipadas, proclamavam as restantes meninas, que faziam questão de demonstrar sempre a sua solidariedade, qualquer que fosse o assunto...

O Padre Renato que não era homem para ficar sem resposta, rapidamente nos calou.

Dizia ele: o frio é uma questão psicológica, portanto vamos todos pôr-nos de pé e repetir em voz alta , não tenho frio...não tenho frio...não tenho frio...

E eu, não sei se por sugestão, se porque naquela altura éramos jovens e os corações eram rápidos a transbordar de calor, o certo é que rapidamente o tumulto se desvaneceu.

O calor humano tinha suplantado aquela “grave e complexa” situação...e a aula lá continuou, rosa,rosae,rosarum,rosas!

Sendo um homem especial, embora simples, julgo que não deixou indiferente todo aquele que o conheceu. Era um homem bom e foi um óptimo professor. Com os seus alunos de latim era de uma dedicação extrema. Deixou-nos boas recordações e várias estórias.

Amélia Teotónio
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COMENTÁRIOS
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Manuela G V disse:
Que linda rapariga!!! Amélia, avivou-me a imagem da sombria e relativamente pequena sala destinada às aulas de Latim, e...a 1ª declinação...também!
DA LUZ E DO CALOR, encarregava-se o P.e Renato, e...nem precisava de recorrer à janela!A JANELA dele era IMENSA E BELA. "A DIFERENÇA... ESTÁ NA DIFERENÇA" e o P.e Renato era SAUDAVELMENTE DIFERENTE!
Manuela Gama Vieira.
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João Jales disse:
Não sei se repararam que, depois da fotografia, está um texto que mostra as invulgares capacidades do Padre Renato (eu sei que a maior parte só tinha reparado na fotografia).
Já aqui disse antes que a Amélia tem memórias de episódios, nomes e pessoas que se desvaneceram nos discos duros da maioria dos colegas, espero que os continue a partilhar connosco. Os seus textos têm a grande qualidade de relatar, sem que o autor pareça estar à frente do que é relatado.
Quanto à fotografia lamento ser nessa altura (64?65?) um garoto mais novo do que ela, e hoje ela uma garota mais nova do que eu... Injustos desencontros!
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jorge disse :
A sala do latim era ao cimo das escadas do lado dos rapazes,1ª porta à direita.Metade da porta era vidro martelado.Era muito fria porque era virada a norte,se bem me lembro.Só o Padre Renato a poderia realmente aquecer,hipnotizando as alunas.Uma história simples mas elucidativa.
Bela fotografia,como é que essas coisas aí vão parar ao blogue?

O PADRE QUE ENSINAVA LATIM

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por Manuela Gama Vieira






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Manuela Gama Vieira e Anabela Miguel em 1971




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Não me recordo da faceta "mais esotérica" do P.e Renato... Nunca assisti, felizmente, a tais "sessões", acho que morria de medo!
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O P.e Renato era uma personalidade notável em variadas áreas, do Latim ao Desenho, passando pela Música, inigualável!Não foi a disciplina de Desenho (eu era um desastre a Desenho, ao contrário do meu irmão João, ainda hoje um artista) que despertou em mim a admiração pelo P.e Renato- talvez pela minha absoluta inabilidade!
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Conclui a cadeira de Latim,no exame de 7º ano, com 16; a nota mais alta, nesse ano, no Colégio.Recordo que o senhor Director, de mãos atrás das costas, no átrio, antes da afixação da pauta, não fosse a nota ser "injusta", perguntou aos presentes, penso que o Zé Carlos Sanches era um deles, quem era o melhor aluno da turma a Latim (éramos poucos, talvez uns seis, não me recordo bem).
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Nas férias "grandes" anteriores ao 6º ano, meu Pai já me tinha ensinado as declinações, os verbos, pelo que eu já tinha um "apport" de conhecimentos que me facilitaram imenso a "entrada" na disciplina. Por sua iniciativa, o P.e Renato ia dar-me explicações a casa e....ainda pedia desculpa a meus Pais por ir incomodar! Era minha companheira de aulas e explicações, a Mª do Rosário Pimentel.
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Recordo episódios das aulas de Latim absolutamente hilariantes, protagonizados pelo Sanches, que faziam rir o próprio P.e Renato. Este, umas vezes esforçava-se imenso para não se rir, outras, irritava-se de tal maneira, que andava tudo pelos ares! A caneta, o livro, os óculos, o que estivesse à mão, e o Sanches cada vez se ria mais!!! Pobre P.e Renato, absolutamente apoplético! Confesso que me provocava um misto de vontade de rir e de medo.
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O Sanches, (Fernando Pessoa que me perdoe o contexto, mas vou citá-lo- "Ai que prazer não cumprir um dever.Ter um livro para ler e não o fazer! Ler é maçada,estudar é nada. O sol doira sem literatura. O rio corre bem ou mal, sem edição original. Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta, a distinção entre nada e coisa nenhuma." ) preferia não cumprir os trabalhos de casa! Adoptou a táctica, préviamente combinada comigo, de me esperar no Chafariz das Cinco Bicas. Aí, o meu caderno passava para as mãos do Sanches, que mo devolvia no Colégio.Não sei por que artes mágicas, talvez a tal faceta menos "terrena" do P.e Renato, o facto é que acabou por descobrir o "esquema". A partir de então, pelas 8h30, lá o tinha à minha espera, na sua lambreta azul clara, no Chafariz das Cinco Bicas: "menina Gama Vieira, o seu caderno!"
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Oh Sanches, desculpa-me, mas não resisti!!! Tenho um dedo que adivinha....acho que tu és um dos nossos colegas que "espreita" o blog; porque não escreves qualquer coisa?
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E sei lá, caso a Mª do Rosário Pimentel também espreite, porque não dá um ar da sua graça?Um abraço a todos os colegas; aos de Latim, um especial!
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Manuela Gama Vieira




Zé Carlos Sanches na excursão de finalistas em Abril de 1971.



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COMENTÁRIOS
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Luís António disse:
Penso que o Padre Renato só hipnotizava rapazes, normalmente bem conhecidos. Talvez por isso a Manuela não o tenha visto.
O facto de ele procurar os seus alunos de latim, até em casa como conta a autora , para lhes dar explicações mostra uma dedicação e um empenho invulgares no cumprimento da sua missão.
Das qualidades do Sr Padre já muitos falaram e todos conhecem,só quero salientar a vivacidade destas memórias da Manuela.Por isso e pela assiduidade e entusiasmo dos comentários espero que a autora não fique por aqui.

João Jales disse:
Ficaram a saber, os que o julgavam distraído que, ao ir buscar o caderno da autora para impedir o copianço do Zé Carlos, o Padre Renato era bem mais perspicaz e atento ao que se passava à sua volta do que muitos julgavam.
Muitos alunos relatam essas “perseguições” de que eram alvo para terem explicações de Latim, e não só ao domicílio. Cheguei a ver o professor no Central e Camaroeiro em perseguição dos menos “caseiros”, como F Castro, Ferreira da Silva, Semilha, Sanches, Zé Carlos Faria …
O texto da Manuela é caloroso, “gelado” só pelo episódio do Sr. Director com a pauta das notas de Latim no átrio,numa demonstração de um humor a que eu também nunca fui sensível.
E agora Manela, como diz o L A, qual é o próximo Professor sobre que vais escrever?
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Isabel S disse:
Muito havia para dizer sobre o Padre Renato,foi boa ideia esta série!Ao pé do Sanches estão o Jales,aNhonhas,aLena e mais quem?Por falar nisso e pelo que a autora conta ele era fresco!O depoimento está engraçado,a Manuela escreve com facilidade!
Quem é o prof que se segue?
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João Jales respondeu:
1- Na fotografia, seguir à Lena está a Guidá (Margarida Marques, do Bombarral). Lá atrás, à esquerda, está o Zé Neto.
2- O prof que se segue nesta série? É segredo...
3- Se o Sanches era "fresco" ou não, os seus colegas que digam. Eu nunca estive numa sala de aulas com ele, éramos de anos diferentes.
4- Concordo com a Isabel, a Manuela escreve exactamente o que pensa, é sempre um prazer ler.
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Manuela G V disse:
Pois agora penso que caberá a vez a meu irmão JOÃO escrever sobre o Dr. Azevedo, de molde a que o seu texto acompanhe a Fantástica caricatura que ele fez - que o Dr. Azevedo viu e achou imensa piada.QUEM VIR ESTE COMENTÁRIO E CASO SEJA AMIGO DO MEU IRMÃO, INSISTAM COM ELE!!!
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Olá Manela
Que prazer que eu tive em ler o teu texto sobre o Padre Renato…como tu o descreves bem..
Era um homem bom, espertíssimo e só as alterações de humor é que às vezes o atraiçoavam… ihihihihihi
Obrigada Manela e não deixes de escrever pois é muito bom “mergulhar” na tua escrita….
Quanto ao teu mano João, como tu sugeriste, seguem-se duas linhas só para ele… aguardemos para ver se resultam e ele deixa de estar escondido….
Beijinhos
Ana
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E agora nós menino João Licínio
Não é só a tua mana que tem um dedo que adivinha… tenho a certeza que tu também andas a espreitar o blog, mas se eu bem te conheço, ainda não tiveste pachorra para escrever…..
Olha que o Araújo já deu um ar da sua graça… Vê lá se te aplicas pois sabes estórias bem “frescas “ para contar… e pouco me importa que te rias e digas que eu estou “choné” , quero é que participes rapaz…
Beijinhos
Ana
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Anabela Miguel disse:
Mais um óptimo texto e desta vez da minha querida amiga Manela G.Vieira sobre o Padre Renato.
Aproveito para acrescentar uma palavra também sobre este bondoso Homem que como a Ana referiu-se nunca deu valor aos bens materiais e sempre ao lado de quem precisava. A ele devo a boa ortografia que tenteiaprender nas suas persistentes aulas de Português, em escrever sem erros, pois quanto ao jeito, nenhum mesmo.Na altura talvez fossem um pouco aborrecidas, mas a verdade é que foram um bom ensinamento para o futuro de todos nós. Quando entrava na aula e começava a escrever no quadro palavras como por exemplo"êxito e hesito",estava tudo estragado.....já sabiamos o que nos esperava.........
Manela, quero manifestar o meu contentamento pelo teu aparecimento e pela tua assídua prestação no nosso blog que ficou mais enriquecido com os teus óptimos comentários, bem escritos e por vezes com uma certa ironia......
Penso, aliás tenho a certeza, que és uma mais valia para todo o trabalho que o João tem feito no blog.Por tudo isto queria dar-te as boas-vindas, embora um pouco tardias e que alguém e muito bem,alertou-me que devia fazê-lo.
Um chi-coração muito apertado para ti amiga.Anabela Miguel
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Manuela Gama Vieira disse:
Não exagerem, queridos colegas, quem vos está agradecida, SOU EU!
Nem imaginam a companhia que me fazem!!!E a vós...Anabela e Jales,quando vos encontrar, preparem-se...parto-vos alguma costela com o abraço apertado que vos vou dar!
Manuela Gama Vieira

O PADRE QUE ERA UM BOM PROFESSOR (a propósito de O Respigador)

por João Jales

Jantar de professores, Natal de 1964







Como disse no meu comentário, o texto do João Serra é magnífico, conseguindo retratar perfeitamente alguém tão complexo como o Padre Renato a partir de um episódio aparentemente tão simples e pueril. E fazendo com que esta avalanche de recordações se tenha abatido sobre mim ao lê-lo.

Tive o Padre Renato como professor de Canto Coral, Português e Desenho. Foi sempre um professor empenhado e preocupado com o resultado da sua acção pedagógica, chegando a fazer verdadeiras aulas de recuperação, ou reforço, destinadas aos alunos interessados, ao Sábado à tarde, no Colégio. Perseguia os seus alunos de Latim do 7º Ano para lhes dar explicações em casa e nos Cafés, mas isso espero que sejam eles a contar.

Era pessoalmente uma pessoa estranha e imprevisível, como o João tão bem descreve, capaz de mudar subitamente de uma beatitude quase infantil à mais incontrolável das fúrias. Lembro-me de aulas interrompidas a meio, com alunos a sair da sala pelo ar (quando foi a minha vez de voar entre a 3ª fila e o corredor, a porta estava felizmente aberta), livros de ponto rasgados ao meio, os seus óculos e canetas violentamente esmagados em cima da secretária. Mas quando estes objectos eram repostos por alguns encarregados de educação que, conhecendo os filhos, sabiam que a culpa não era só do Sr. Padre, ele ia à Tália ou ao oculista trocá-los por similares mais baratos e usava o diferencial com os pobres e a Igreja de Tornada. Tentou fazer isso com um sobretudo comprado na Góia por algumas mães de alunos, numa colecta organizada na Zaira (não, não era só um ninho de víboras). Foi avisado o Adelino e, quando o bom do Padre tentou trocá-lo por algo mais barato, foi informado que o sobretudo não fora lá comprado, tinha seguramente vindo de Inglaterra e não podia ser devolvido. Usou-o duas ou três vezes, convencido pelo Padre Xico que seria uma afronta não o fazer, mas acabou, no ano seguinte, a agasalhar um pobre seu protegido.

Os seus dotes de hipnotizador eram inegáveis, várias vezes o vi exercitá-los no recreio do ERO. Vi um colega beijar uma coluna convencido que era a sua mãe, outro de gatas julgando-se um cão e outro ainda, convencido que era já de noite e estava atrasadíssimo no regresso a casa, ficar indescritível e genuinamente aflito. Um episódio em que um garoto, julgo que em Tornada, durante uma sessão destas atravessou inadvertidamente a estrada, arriscando-se a ser atropelado, levou o hipnotizador a reduzir muito a sua actividade. Foi ele próprio que me relatou este incidente.

No Canto Coral eu e o Miguel Bento Monteiro tivemos o mesmo destino do João Serra, absolutamente proibidos de emitir um só som enquanto a turma cantava. Tinham lugar estas aulas no anfiteatro, ao fundo do corredor do 1º andar. Chegámos ambos a tentar cantar o nosso melhor, muito baixinho: mal começávamos, uma mão descontrolada deixava de marcar o compasso e batia furiosamente no tampo de pedra! O ouvido do Sr. Padre Renato não suportava as nossas melhores tentativas, por mais que nos esforçássemos e lá vínhamos nós passear até ao recreio, normalmente enfiados pelo Sr. Ulisses na Sala de Estudo, onde medíamos forças com a D. Dora para ver quem perdia a paciência primeiro. Ela era um adversário duro, não ganhámos sempre.

Soube depois que as nossas duas notas de Canto Coral eram depois “negociadas” nas reuniões de turma no fim do período, na base da média das restantes notas de cada um de nós. A obtenção de 14 ou 15 valores numa disciplina onde nada fazíamos era motivo de indignação entre alguns colegas que cantavam afanosamente todas as aulas para obterem notas iguais ou mais baixas…

Nas aulas de Português do 4º Ano fomos sujeitos a um curso intensivo de Latim, mas por culpa nossa, claro. Bastava perguntar “oh Sr. Padre porque é que se escreve esta palavra assim?” ou “porque é que este verbo se conjuga assado?” para garantir uma aula sem problemas até ao toque final. O único que se podia queixar era o responsável pela limpeza do quadro, que tinha depois que apagar declinações e evoluções fonéticas e semânticas sem fim. Eu, o Flores, o Zequinha e o Vítor Gil ensaiávamos pequenos sketches com anedotas que representávamos nessas aulas, numa iniciativa de dinamização da sua hora lectiva que contrastava com a mortal agonia das aulas de História do Padre Albino, por exemplo.

Finalmente as aulas de Desenho à Vista, no 5º Ano, onde o Sr. Padre conseguiu que eu obtivesse dezasseis no exame final! Habituado toda a vida a ver gabadas as minhas mesas e cadeiras quando tentava representar vacas e cães, a minha nota foi um resultado notável …. do professor! Quem já viu qualquer desenho meu sabe bem o milagre que aquela nota significou. Foi aqui que aproveitei as suas aulas de Sábado à tarde, na sala contígua à sala dos professores, aprendendo a desenhar, e depois a pintar e sombrear com lápis de cera. Claro que alguns roubavam os seus cigarros, Português Suave sem filtro, e fumavam à janela, outros fugiam a meio para ir jogar para a Mata, aproveitando uma tarde em que a família não colocava grandes problemas de horários, visto teoricamente estarmos no Colégio (difícil explicar por vezes como arruinávamos umas calças ou uns sapatos a desenhar, mas a imaginação juvenil e a paciência maternal não têm limites…). E o Padre Renato, passadas as momentâneas fúrias, tudo perdoava.

Um homem bom, dos melhores que conheci, o Padre Renato.

J J
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COMENTÁRIOS
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Ana Carvalho disse.
João mais uma vez provaste que és um excelente escritor! vá, escreve lá um livro! Ainda me lembro das aulas de canto coral do Padre Renato, tambem eu tinha de ficar calada, mas era dificil conter o riso, de vez em quando lá ia para a rua. Lembro-me perfeitamente das anedotas que se contavam na aula de português contigo, com o Flores, Miguel Bento Monteiro .. o Padre Renato adoravava-vos, ainda me lembro de um dia em que o puseram no meio da sala com um livro na mão com três bocados de giz em cima e vocês andavam à volta dele e riscaram-no todo nas costas...o que ele ria. Grande homem que era o padre Renato tenho boas recordações dele lembro-me dele com muito carinho e saudade.PP
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Ana Nascimento disse:
(....) Tu escreves muito bem, Joãozinho… estás sempre a surpreender-me … agarras-nos à leitura…. como é que não tens um livro ???? MISTÉRIO !!!!!! pode ser que esteja na forja !!!!! espero bem que sim….
Escrevi umas linhas, sem qualquer pretensão senão a de recordar um homem que de facto se despojava de tudo quanto era material e dava tanto de si para que os seus alunos brilhassem e crescessem com valores de vida.
NOTA- As linhas que a Ana escreveu serão também um artigo aqui no Blog, logo que possível. JJ
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Isabel Esse disse:
Mas será possível que naquele colégio fossem todos duros de ouvido???Estou a brincar,o sr padre é que era muito exigente e eu ainda me lembro naquela altura de ser motivo de risota o João tentar cantar qualquer música!!!Era uma desgraça incompreensivel.Pelo contrário a escrever é fantástico,os textos e memórias fazem-me reviver aqueles anos como se fosse ontem.....e o sr padre Renato merece esta qualidade
Parabéns...e continua!!!
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Isabel Knaff disse:
Gostei muito de ler o teu texto! Que memória que tu tens... trouxe-me novamente recordações...imagina que "vi " logo o Padre Renato a fumar o seu "português suave" e o jeito que ele dava aos lábios depois de expirar o fumo, os dedos queimados de nicotina ...a voz profunda...até o cheiro do cigarro parece que ficou no ar!
E já agora que a pergunta foi feita, aproveito para a 'sublimar'... entre tantas hipóteses de "cantores", não houve ninguem que "vingasse"???Um que fosse já satisfazia a minha curiosidade...
Desconhecia que o sr. Ulisses é que vos dirigia à sala de estudo...é ...ele sempre foi bom a executar acções do género, mas credo,tambem não tinha que exagerar ...entregar-vos à D.Dora!!!Esta série dos professores é tão interessante... vai buscar um bocadinho do passado que vivemos em comum!
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Júlia Ribeiro disse:
Eu bem te digo que devias escrever um livro,porque não?
Lê-se sem qq esforço,prende a atenção,vamos até ao fim! Olha que terias sucesso !
Está (não consigo exprimir por palavras)uma maravilha,talvez,mas não gosto desta palavra...olha,IMAGINA!Bjs

Júlia

Jorge disse:
esta série promete, se toda a gente desatar a escrever assim sobre todos os professores. o Padre Renato a respigar e hipnotizar, a filha da Isabel(é mesmo Renata!?) as aulas dele e as suas fúrias, como tu descreves, tudo, como a ti,me trouxe memórias.abraço
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Luís disse:
Este foi o homem mais extraordinário que conheci no colégio,partilho convosco todos os elogios.
A qualidade dos posts continua alta,e o retrato da São é muito bom.O texto do João Serra fala do bricalhão,o da Isabel do homem com coração de ouro e o teu do professor querido de todos.
será possível escreveres tão bem sobre outros professores?Ou até nisso o Padre Renato teve culpa,como no teu desenho do 5º Ano? Luis
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J. L. Reboleira Alexandre disse:
Seja neste, seja no blog da Escola, o Padre Renato está sempre presente. Nestes dois sítios já passaram todo o tipo de manifestações de apreço que todos nós temos, tivemos a seu respeito. Eu por exemplo já referi que adorava parar a bicicleta que me transportava para a Escola, no cimo da longa (na altura) subida dos moinhos do Chão da Parada, e ficar a admirar os seus trabalhos de aguarela enquanto ele pintava. O meu primo Louro, refere orgulhosamente ter sido por ele casado em Tornada, e guardar religiosamente umas telas que ele lhe deu na altura. Todos relembramos a dificuldade que tínhamos em fazer sair um qualquer som válido das nossas vozes. Será que no meio de todos aqueles potenciais cantores haveria afinal alguém que não desafinasse?
Mas por vezes a sua existência de pároco duma aldeia com jovens rebeldes (a juventude e adolescência ontem como hoje, são períodos dificeis para quem os vive)como era na altura o Chão da Parada deu-lhe razões mais que suficientes para se zangar. Uma noite de Inverno estava ele dando o terço (se a memória não falha à noite chamava-se terço e a missa era de dia em Tornada) lá na terra, e como de costume, a sua inseparável Vespa ficara encostada à parede da porta de entrada. O que tinha de acontecer, aconteceu. Quando a missa acabou, os pneus estavam furados e não sei como se processou o seu regresso a casa, no meio da escuridão de uma aldeia que nem electricidade tinha.
Na altura todos riram da desgraça do pároco. É que lá na aldeia nenhum rapaz assistia ao terço, nem esperavam à saída do mesmo, pois as garotas também não iam.
Até hoje nunca soube quem foram os autores da «gracinha». Ele não merecia, mas enfim, quantas partidas deste género teria sofrido ao longo da sua longa vida de padre de aldeia ?
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Inês disse...
omnia vincit amor, o amor vence tudo [dic. Porto Editora]
Belíssimo este amor vestido de palavras. Belíssimo, JJ
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O RESPIGADOR

por João Bonifácio Serra


Por vezes vinha até ao recreio dos rapazes, no intervalo grande da manhã, e logo se fazia um pequeno ajuntamento em seu redor. Metade oferecia-se, com excitação mal contida, para ser hipnotizada; a outra não queria perder pitada do que se ia passar, embora receasse intimamente uma operação cuja metodologia ignorava. Com o tempo, o Padre Renato – é dele que estou a falar – tornou-se mais prudente, depois de um ou outro episódio de hipnose mais atribulado, e só aceitava candidatos cujo comportamento ao efeito do seu dom era previsível.

Eu tinha com aquele padre especial uma relação complexa. A minha inaptidão para o canto era de tal monta, que ele se vira forçado a dispensar-me das suas aulas. O seu ouvido acurado sofria tal alteração com os ruídos que eu emitia que o Padre parava abruptamente com um olhar sobressaltado, de imediato a turma se desconcentrando, a meio do ensaio. Em contrapartida, eu sentia admiração pelo seu saber e um misto de fascínio e temor pelo seu feitio algo truculento e o gosto pelos enigmas. Topava-os com um semblante carregado e olhar misterioso, em todo o lado e por vezes transmitia claros sinais de inquietação, como se perigos insuspeitos espreitassem os seus própios passos. Percebia-se que as suas relações com o Padre Albino não eram fáceis e a tensão parecia, às vezes, querer extravasar.



Quando o grupo se formava, eu aproximava-me discretamente, para espreitar por cima do ombro dos da frente e vê-lo fazer ou dizer coisas surpreendentes. Naquele dia, o Padre Renato esperou que a roda se desfizesse, abriu caminho na minha direcção e interpelou-me directamente: ouve lá, ainda haverá uvas nas vinhas do teu Pai? A pergunta deixou-me perplexo, mas respondi: Não senhor, a vindima já acabou. De facto, entráramos já pelo Outubro, as vindimas eram feitas nas duas ultimas semanas de Setembro. O padre insistia: mas ficam sempre uns cachos pequeninos nas videiras. Oh, senhor Padre, a minha mãe costuma pendurar cachos de uvas no celeiro e duram até ao Natal. Não, retorquiu, com impaciência: o que queria era mesmo ir ao rabisco, apanhar as uvas que sobrarm da vindima.

Eu estava literalmente atónito. Sim, balbuciei, quando quiser. É hoje, disse. A que horas sais? E logo ali o Padre Renato marcou a hora de partida.

De modo que quando a minha Mãe me viu aparecer, a cavalo na motoreta do Padre Renato, duas horas mais cedo do que se viesse de camioneta, temeu o pior. Ai, Sr Padre Renato, que fez o meu filho? Vamos ao rabisco, comuniquei eu todo lampeiro, enquanto o Padre encostava a motoreta e sacudia o pó do fato preto. Tinha pensado começarmos aqui pelo “vale da vaca”. E lá fomos pela encosta acima, o Padre entusiasmando-se como uma criança sempre que descobria por baixo das folhas avermelhadas duas ou três uvas quase a atingir a condição de passas.


JBSerra

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COMENTÁRIOS


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João Ramos Franco disse:
Os textos do João Serra têm um valor que é indiscutível e até me fazem recordar factos passados no ERO. Lembro-me bem dos hipnotismos do Padre Renato:
Eu e o Rainho, que na altura tínhamos o estatuto de assistentes no 5º ano Secção de Ciências, algumas vezes juntávamo-nos ao grupo dos hipnotizáveis, para desfrutar a cena, e até uma vez me ofereci voluntário para o ser, claro que ouvi uma resposta, extensiva também ao Rainho:
-Vocês hipnotizáveis já não são e no Canto Coral também já tenho os suficientes para desafinar.
E lá nos fomos, lembrando-nos que tínhamos 17/18, e que já não éramos meninos.
Obrigado João Serra pelo reavivar da minha memória,
João Ramos Franco

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Isabel Xavier disse:
Fico feliz por ser o Padre Renato quem inaugura esta nova fase do blog. O João Serra dá dele a imagem certa e a mim agrada-me particularmente esta história. Não é dificil imaginar a sua genuína alegria e espanto de cada vez que encontrava uvas para respigar. Respigar é em si mesmo um acto poético, uma espécie de jogo de busca e encontro e de encantamento também. Foi tema que artistas trataram em tela e no cinema com altíssima beleza.
O Padre Renato era um Homem Bom, sem qualquer interesse por bens materiais ou qualquer tipo de ambição pessoal que ensombrasse essa Bondade. É a única pessoa que eu acredito piamente ter possuído capacidades extra-sensoriais (chamemos-lhes assim à falta de melhor expressão), às quais o texto também faz justa referência.
Agradeço ao João Serra, do fundo do coração, ter partilhado connosco esta belíssima história que viveu com o Padre Renato, de quem eu tanto gostava.
Isabel Xavier


João Jales disse:
O texto do João Serra é magnífico, retratando com grande mestria alguém tão complexo como o Padre Renato a partir de um episódio aparentemente tão pueril.
Só pela profunda impressão que me causou se explica que uma avalanche de recordações se tenha abatido sobre mim ao lê-lo, originando um texto, que já não é só um comentário, e que publicarei a seguir.

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Zequinha Pereira da Silva disse:
Li o excelente texto do João Serra e nem sabes a pena que sinto de não ter tempo para estas contribuições. Pessoalmente gostava de poder deixar testemunho sobre vários profes...o Lopes, o Serafim, o Pe Renato, a Super...sobretudo estes. Este assunto é de tal forma importante, na perspectiva de um autêntico acervo documental e memorial para a história do ERO, que proponho que se constitua, no âmbito do blogue, como uma "secção" permanente. Isso deixa-me o conforto de pensar que, mais tarde ou mais cedo, vou poder deixar a minha contribuição...
Abraço.
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São Cx disse:
Acabei de ler o excelente texto do João Serra sobre o Sr. Padre Renato e foi com alguma surpresa e nostalgia que me senti transportada ao passado! Já não me lembrava dessa faculdade dele de hipnotizador, que eu de longe também abordava com um misto de curiosidade e respeito! Sim como professor de canto coral e das dificuldades de fazer a classe cantar em 3 vozes... (será que é assim que se diz!!), mas sobretudo como professor de desenho. Acreditava mais na minha aptidão para o desenho do que eu própria alguma vez acreditei e foi para mim sem dúvida o incentivador número Um que incansávelmente soube motivar-me a querer fazer sempre melhor. Repetia-me o seu conselho favorito de manter a humildade, tinha sempre uma palavra de encorajamento e chegou a pôr ao meu dispor os seus materiais para me iniciar em paisagens em aguarela.
Realmente devia conhecer bem a região, como o texto do João Serra indica. O sonho dele era um dia poder levar-me para desenhar no campo, dizia, e o que o impedia de o realizar eram apenas "as más línguas"! Eu ficava em silêncio, na convicção que tal aventura seria muito possívelmente apenas uma pesarosa perca de tempo...e realmente nunca aconteceu!!
Recordo-o com enorme reconhecimento e carinho! São CX

Júlia Ribeiro disse:
Excelente ideia, começar esta série pelo Padre Renato! Quase todos os que passaram pelo ERO se lembram, com certeza, do P. Renato com a sua motoreta? Ou lambreta? Mesmo quem o não teve como professor.
Ele foi talvez meu professor de canto coral nos últimos anos, mas eu sou como o João Serra, nem a 3ª voz conseguia fazer e tenho essa amnésia pois fiquei logo dispensada de cantar no meu 1º ano e ainda hoje esse trauma me acompanha!!!!!
Mas estou a vê-lo, no nosso recreio, quase a entrar pela casa de banho à procura das suas meninas do Latim, a Isabel V Pereira, a Pilar e a sua Fátinha (a Fátima Rosado Pereira, que ainda não deu sinal de vida....onde andará ela?).
E que bom recordar a sua faculdade de hipnotizar, já não me recordava mas, quando li, imediatamente me imaginei no local da mata em que o vi fazê-lo; mas saber a quem, isso seria pedir demais....
Com a sua maneira muito especial, mas engraçada, de ser, era uma excelente pessoa.
Resumo numa só frase: ERA UM HOMEM BOM.

Laura disse:
Já agora aproveito para dizer que o rapaz que a Júlia viu hipnotizar na mata, e do qual não se lembra, era o Xico Elias, primo do João Elias (este não foi aluno do ERO).

AS ÚLTIMAS FÉRIAS DO E.R.O. ( Junho de 1974)

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Chão da Parada , Junho de 1974


"O último dia de aulas do Ciclo Preparatório foi vivido normalmente, mas, ao terminar, lembrei-me de convidar alguns alunos para um breve passeio até junto de um moinho, no Chão da Parada, de que é testemunho uma fotografia que tive o cuidado de tirar sem que revelasse a ninguém as minhas intenções. Só pouco antes do ano escolar seguinte é que convoquei os encarregados de educação para lhes dar contar da decisão de fechar o Ciclo. Todos deploraram a situação ...."


PADRE MANUEL AUGUSTO NAIA DA SILVA


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Este é um excerto de um importante, e muito interessante, texto inédito do Sr. Padre Naia sobre o final do ERO como estabelecimento de ensino Liceal. Decidimos adiar a sua publicação integral para Setembro devido à sua relevância, não o incluindo numa altura em que as FÉRIAS! ocupam o espírito de todos.
Mas queria desde já dar conta da sua existência e da sua próxima aparição neste Blog.

JJ
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Padre Renato com uma das últimas alunas (não identificada) do Externato Ramalho Ortigão,

no início das Férias de 1974, último ano de funcionamento do Colégio.


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COMENTÁRIOS
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Manuela Gama Vieira disse:
Que saudades me deixou o P.e Renato!!! As suas inesquecíveis aulas de Latim,a sua sabedoria,o seu humor muito especial e inteligente! Quantas vezes me tenho lembrado dele! Claro que as aulas eram animadas pelo Zé Carlos Sanches!!!!
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Fáfá disse:
Não esquecendo o "Desenho à Vista", "Canto Coral" e o "Orfeon" excepcional.Recordo que numa aula do 1º Tempo da tarde nos contar que tinha tocado orgão numa Igreja em Óbidos, a convite de um grupo de japoneses.Este grupo esteve a realizar um documentário sobre Óbidos e convidaram o nosso Mestre, de quem ainda hoje guardo as mensagens e admiro o saber e a Arte. Genial .