ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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UMA VIAGEM

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Uma viagem…
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É difícil calcular a data da partida, sabemos a data de nascimento, mas o conhecimento de tudo o que nos envolve retarda a exactidão de quando começámos a caminhada…
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Factos reais como a casa paterna, o local onde nascemos e a ida para escola funcionam na nossa mente como “apeadeiros” do percurso porque temos a certeza que fizeram parte da viagem.
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Mas rapidamente o tempo vai marcando outras etapas do caminhante, sem ele dar conta, e a certo momento ele apercebe-se de que a distância percorrida desde o início já vai grande...


Mas parar a viagem é impossível.
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Resta-nos a memória e as recordações de cada etapa para fazer o percurso inverso.
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O sermos positivos nesta atitude conta como ponto construtivo, mesmo que algo mau haja na recordação será apenas uma alteração no percurso da qual temos consciência (conta apenas como experiência); as nossas palavras retratam imagens e pessoas numa sociedade em constante mutação, em que recordaremos o belo e bom encontrados nesta viagem, que nada mais é que nossa vida.
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João Ramos Franco
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post publicado em colaboração com o blogue do autor, Estar Presente .
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C O M E N T Á R I O S
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Fátima Clérigo disse...
Muito bonitos o texto de JRF, a sua viagem e a sua Atitude.
Bem Haja ! F C
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laurinda disse...
Sábias palavras de quem já percorreu muito caminho! Pena que nem sempre saibamos olhar em perspectiva as dores do presente. Tudo seria bem mais fácil!Quanta falta fazem estas visões nas multiplas escolas que a vida põe à disposição e a socieadade à obrigação. Para quando uma escola de sabedoria de vida?
Laurinda
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J J disse...
Este post foi publicado em simultâneo aqui e no Blog do João (Estar Presente), numa colaboração que terá certamente mais frutos.
Uma reflexão a propósito das reflexões que, cada um de sua forma, ambos os blogues fazem sobre a vida.
Um abraço.
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Luis M disse:
Realmente este blogue é uma viagem no sentido inverso embora sempre a olhar para a frente como o Ramos Franco aqui faz.Ao que sei alguns anos nos separam mas encontramo-nos em muitos apeadeiros da viagem,como é o caso do Colégio e desta lindissima Praça da fruta que aqui aparece com toda a razão.
Estás a ver como não tinhas razão em querer fechar o blogue?Há muitas viagens para relatar,muitas estações e apeadeiros para descrever!
Abraço Luis M
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Júlia disse...
Que viagem linda do JRF!Um texto muito bonito para reiniciar,ou antes dar continuidade, ao nosso Blog...recordar o Apeadeiro por onde todos passámos!Obrigaga João!
Júlia R
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Ana Carvalho disse...
Olá JRF,
bonito texto o seu. Fez-me pensar ... obrigada.
Bjs PP
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IsabelK. disse...
Que verdade este pensamento...gosto da ideia de viajantes no tempo!
Life is a journey, not a destination. - Ralph Waldo Emerson (Gary Smith)
Obrigada JRF
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Isabel Esse disse...
Sim,todos somos viajantes no tempo mas gostávamos que a viagem fosse mais longa...
Melancólico mas positivo o sentido das palavras do JoãoRF que(fui confirmar)já tinha escrito precisamente sobre esta nossa praça.
Muito bonito,gostei.Isabel S.
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Guida Sousa disse...
Afinal quantas colaboradoras com o nome Isabel tem este blogue?Conto a Isabel Belão,a Isabel Caixinha,a Isabel X,a IsabelVP,a Isabel S.,Isabel Noronha,Isabel Mesquita agora uma Isabel K.Das oito só conheço 3!
Gostei do texto do JRF(esta moda das iniciais é um bocado à States)e fiquei a conhecer o seu blogue cheio de coisas culturais.GS
.disse...
Manuela Gama Vieira disse.
Gostei muito de encontrar aqui a "Praça" de todos nós,alunos do ERO.Ali,junto à loja Monteiro,aguardava pela minha amiga Mª do Rosário para subirmos a "ladeira".
Mas a Praça da República traz-me ainda a recordação de quando acompanhava a minha Mãe nas idas à praça e,sacramentalmente,...comia uma deliciosa cavaca.
Era também ponto de passagem para o Parque onde eu ia passear o meu irmão Luís Filipe(o Sanches não era dessa opinião,dizia "lá vai o Filipe passear a mana").Juntava-se o útil ao agradável...diria eu!
Embora as centralidades das cidades e vilas mudem(nem sempre para melhor)...a Praça da República nunca a vou esquecer.
Parabéns,João Ramos Franco,e obrigada!
Manuela Gama Vieira
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A PROPÓSITO DE "A PRAÇA"

por João Jales

O conto “A Praça”, do nosso colega João Ramos Franco, despertou em mim um amontoado de recordações. A quantidade de informações, imagens, palavras e momentos suspensos no tempo que temos dentro de nós é incrível, é pena não poder fazer uma busca por temas no meu cérebro como faço neste computador onde escrevo.

Mas o texto levantou-me várias questões, nem todas elas com respostas claras.

1 – Porquê a necessidade de “marcar” tão cedo um lugar na Praça?

Era habitual, ao sair do Casino às 3 ou 4 da manhã, ver gente a guardar, pessoalmente ou com objectos variados, os quadrados onde iriam vender os seus produtos na manhã seguinte. Aparentemente só os m2 estavam licenciados, garantindo que o espaço disponível não era excedido, não o local exacto. Os agricultores que vendiam directamente ao público eram pois obrigados a chegar ridiculamente cedo para garantir os melhores lugares na metade ocidental da praça.

As “contratadeiras” (intermediárias não produtoras) chegavam mais tarde porque mantinham um entendimento e um acordo interno, ocupando espaços maiores e sempre cobertos. Situavam-se (penso que ainda se situam) na zona frontal ao Café Central.

2 – Quem vendia na praça?

Pequenos produtores, sem dúvida, mas com uma produção e uma estrutura familiar que lhes permitia ter produtos excedentários e capacidade de transporte para o mercado. Não eram, ao que me dizem, os mais pobres habitantes da cintura agrícola das Caldas, antes pelo contrário. Havia associações e entendimentos, tanto no transporte como na venda, entre familiares e vizinhos, o que permitia rentabilizar meios e diminuir custos. Nessa altura os burros e as carroças enchiam o centro das Caldas no início e fim da manhã.

As “contratadeiras”, que referi atrás, eram negociantes puras que compravam a agricultores que não vinham à praça ou, por grosso, os melhores produtos de alguns que vinham. Os seus preços eram mais altos mas a sua fruta, principalmente, era maior e mais vistosa.

Tenho a ideia de que a vida dos que vendiam na praça era inegavelmente dura, até pelos horários, condições climatéricas e deslocações, mas era economicamente compensatório fazê-lo.

3 – Como se comprava na praça?

As profissionais das compras, de todas as condições sócio-económicas, nunca iam às “contratadeiras”, preferindo descobrir e regatear os melhores produtos dos pequenos vendedores. Fui muitas vezes com a minha mãe à praça na década de 60 e ficava encantado com aquele jogo do "custa dez! Dez não, cinco. Ai, por cinco não posso! Então fica para a próxima (e volta as costas). Volte cá, freguesa, vire para cá esses olhos bonitos, e se for por sete?" E o jogo recomeçava mais à frente, com as alfaces ou uma galinha. A minha Mãe só comprava aqui, o meu Pai, que levava ocasionalmente fruta para casa, ia sempre directo às "contratadeiras", onde era sempre enganado, na opinião desdenhosa da esposa.
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Nesse dia de 1963 eu tinha 9 anos, se não estivesse no Colégio era bem provável que estivesse na praça, não só para ajudar a carregar algumas compras, mas sobretudo na mira de um pastel de nata ou uma Bola de Berlim na Zaira, a seguir….

Lembro-me de ser solicitado, mais tarde, para transportar para o Mini em que íamos às compras, sacas de batatas e cebolas ou cestas de fruta que, compradas em quantidade, saíam muito mais baratas. E também coelhos, perus, galos e galinhas, bichos grandes e que se fartavam de dar luta! Bem sei que eu era mais pequeno, o que altera as perspectivas, mas os galináceos eram bem diferentes dos mirrados pintainhos que hoje vejo serem abatidos. E os coelhos? Alguns com 5 e 6 quilos, fartavam-se de espernear e não eram fáceis de dominar. Um, que se soltou durante a viagem da corda que o prendia, saltou uma vez do porta-bagagens para a estrada, obrigando-me a dar duas voltas à igreja para o apanhar, no meio de muitos risos, e pouca ajuda, dos transeuntes…Todos estes animais existiam na praça para venda, até cabritos apareciam nas ocasiões festivas! Compravam-se vivos e apareciam mortos ao domicílio estes últimos, mas os outros eram chacinados lá em casa, por métodos pouco recomendáveis para serem aqui descritos.

Mas é desta festa de cores, sons, sabores (provava-se de tudo!), deste contacto entre mundos e extractos sociais muito diferentes, é de tudo isto que eu me lembro, quando se fala da Praça.





João Jales