ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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CINE-TEATRO PINHEIRO CHAGAS (1953 )

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Os recitais no Cine-Teatro Pinheiro Chagas eram uma festa cuidadosamente preparada por professores e alunos do Externato Ramalho Ortigão no final da década de quarenta e na primeira metade da de cinquenta. 
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As fotografias que mostramos hoje são da festa do ano lectivo de 1952/1953, fico à espera para saber quantos dos intervenientes andam aqui pelo Blog ...






 COMENTÁRIOS:


Teresa Vieira Pereira disse...
Acho que me lembro desta récita. Deve ter sido uma das primeiras vezes que entrei no Pinheiro Chagas. Quem também se deve lembrar é a Teresa Caldeira, pois creio que ela entrava num quadro a cantar "Les petits nains de la montagne", com todos os "actores" vestidos de anõezinhos e ensaiados, obviamente, pela Sra. D. Irene Albuquerque.
Na primeira fotografia, a menina de branco, à esquerda, com um cesto de flores, parece-me ser a Bibi, prima do Toneca da antiga sapataria Lisboa. A do meio, também com um cesto de flores, é a Anico Moreira. A da direita, com o vestido mais escuro, talvez seja a Madalena. O rapaz sorridente, que olha para cima, é o Zé Luís Lalanda. Ao fundo, o segundo rapaz a contar da esquerda parece o Fernando Figueiredo.
Na terceira fotografia, a rapariga à direita, com um laço na cabeça, parece-me a Tamé.
Tenho pena, mas não consigo identificar mais ninguém.
Teresa Vieira Pereira
Ana Nascimento disse...
João
Estas são muito dificeis mas penso que na primeira a 2ª menina a contar da esquerda é a Anico Moreira e a seguinte a Guida Calisto.... seria bom que alguem dessa altura nos desse uma ajuda(lembrei-me da Ana Maria e do Mário, da Mila Marques ou do nosso António Zé Lopes)e tornasse possível uma legenda mais completa...
Anónimo disse...
Olá trata-se a 1ª vez que li o teu blogue e adorei muito!Espectacular Projecto! 
Até à próxima. ML

UMA JANELA SOBRE O MAR

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Madrugada. A Nascente o Sol desponta e espreita timidamente por sobre os picos mais altos da Serra de Aire. No céu pequenos nimbos de nuvens sob um azul claro e vivo de luminosidade prenunciam uma manhã calma e amena. As águas da baía vão formando pequenas ondas a um ritmo certo, que vêm rebentar sobre o areal e nele espairecerem numa monotonia melódica neste despontar do dia e ouve-se imperceptivelmente o marejare o pipilar dos pássaros, ao longe, nas árvores do largo, como que dando alegremente bênçãos ao céu numa ininterrupta dança sem rumo e uma cantilena que, por serem aos milhares, quase se torna, quando ouvidos mais de perto, ensurdecedora.
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O cais dos pescadores, de embarque e desembarque para os barcos,pequenas chavascas a remos, feitas de madeira, pesados e de fundo chato com saliências para melhor equilíbrio e evitar o desgaste docasco quando arrastadas pela areia, vai-se compondo de vida e azáfama preparando-se para mais um dia de faina. Os pescadores caminham ao longo e para o fim do cais transportandoconsigo as canas de pesca, o balde e a sacola com os parcos mantimentos que irão digerir durante o dia em pleno mar alto e que, na maioria das vezes, não passa de um naco de pão cozido na véspera ou, antes disso, umas postas de peixe frito e azeitonas, bem como uma garrafinha de vinho tinto, ideal para amenizar os enjoos, aquecer as entranhas e alegrar um pouco a vida soturna e áspera que levam consigo, e uma garrafa de água para mitigar a sede.Os rostos sulcados por profundas rugas em pele dura e áspera ganhas não só pela idade mas, e principalmente, pelo bater da brisa ou venton orte e frio que corta com dor, juntamente com o sol abrasador que,e spelhado pela água do oceano, se intensifica, fere os olhos e seca o sal, não só do mar como também do suor. Roupas grossas - o que tapa o frio tapa o calor - retesadas pela água e pelo sol, cinzentas, como cinzenta é a vida deles, e que ferem ac arne do corpo devido ao roçar e ao suor. Na cabeça um chapéu de pala em pano, estilo francês, comprado numa qualquer feira de uma qualquer aldeia dos arredores que de tanto servirem para limpar o suor dorosto, pescoço e testa, adquiriu uma cor indefinida.Mãos calejadas, grossas e com feridas do passado recente que o tempo ajudou a sarar, unhas grossas e cinzentas sem corte definido mas desbastadas pelas grossas cordas de cânhamo da amarração das embarcações às poitas ou ferros de ancoragem. Caminham apressados pois não querem perder a maré e ei-los que embarcam e com vigorosas braçadas remam rumo á barra e ao mar aberto.
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O sol já desce para poente e de repente um bando de numerosas gaivotas, como que vindas do nada, esvoaçam por sobre as águas da baía. Voam em círculos com esporádicos pousos sobre a água e sobre o areal de um amarelo dourado e areias finas. A ondulação na baía tornou-se mais forte e as ondas mais altaneiras e barulhentas. A preia-mar está no seu auge e a água já beija a superfície do cais. Pela barra nota-se, no horizonte longínquo, a formação de nuvens negras que rapidamente caminham para terra. Vem aí borrasca e da grossa e elas, as gaivotas, são as primeiras a saberem e, por isso, recolhem a terra muito antes do homem sequer desconfiar desta mudança repentina da atmosfera. Os barcos vão entrando na baía já com alguma dificuldade para vencerem as ondas da barra.


.Os pescadores, um a um, põem os pés em terra e ali ficam a ver os outros chegarem. O alerta soa nas mentes de cada um. Falta o barco doti’Joaquim.

- Quem estava com ele? - perguntam uns para os outros.
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-Estavamo ti’Toino e ti’João e deviam estar com sorte pois notava-se o carrego do barco. Deviam estar a fazer uma bela pescaria.
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Alguns em passo apressado resolvem subir a escadaria que os leva ao farol e à capelinha e de lá avistam o barco do ti’Joaquim tentando uma aberta para entrar. São várias as tentativas e desistências e o mar de minuto a minuto mais se encrespava e no lago já as ondas se enrolavam e rebentavam. No cais as ondas já o varriam em todo o seu comprimento e vinham bater com força nos quebra mar que protegiam as casas. A água já entrava pelos quintais e invadia os jardins frontais. Espuma amarelada de barrenta ficava depositada na terra. Quem diria que numa manhã tão calma o dia se transformaria assim de um momento para o outro?
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Homens e mulheres, alheios ao perigo corriam para chegar aos Socorros a Náufragos na tentativa de ajudar fosse no que fosse. Ao largo o ti’Joaquim faz a derradeira tentativa para entrar na baía. Acontecesse o que acontecesse, ali não podiam ficar e aconteceu o pior, o mar parecia estar desejoso por saborear carne viva e palpitante de vida, medo, terror e ansiedade, atira-se encarniçadamente contra o bote, envolvendo-o, partindo-o em estilhaços, enrolando-o num abraço fatal atirando para a morte os seus ocupantes. Luta-se com todas as forças que o desespero dispensa aos homens na sua ânsia de viver mas os esforços são diminutos contra a atroz força das águas enraivecidas e leva-os para o fundo. O resto do barco acaba por embater com extremaviolência contra as rochas do penedo e ti’Joaquim, ti’Toino e ti’João não mais são vistos.
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Nesse resto de tarde, noite e seguintes dias, a praia é calcorreada pelas pessoas da aldeia, pescadores e outros, todos se solidarizam nas buscas e vigília, na esperança de que, pelo menos, o mar devolva os corpos para que se pudesse dar-lhes o eterno descanso. As mulheres choram um pranto sonoro com gritos de desesperança, lamentos, pragas, injúrias contra o mar que lhes tinha roubado os entes queridos e as tinha atirado para as incertezas do futuro com a falta daqueles que lhes punham o pão nosso de cada dia na mesa. Mas o mar, soberbo e altivo guarda-os só para ele e não os devolve.
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Hoje apenas são recordados e servem de alerta para os actuais espíritos mais aventureiros fazendo-os recuar nos seus intuitos de saírem a barra com condições de tempo adversas ou simplesmente incertas.
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Mas da minha janela também se vêem coisas lindas e outras deslumbrantes… principalmente no Verão.
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A.Justiça
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Comovente este testemunho trazido pelo Justiça, bem como o modo como o conta neste texto. Lembro-me do Justiça, de quando éramos mais novos, de S. Martinho, mas nessa altura só o conhecia "de vista" (como se costuma dizer). Mais tarde vim a conhecê-lo como colega na Escola onde ainda lecciono e da qual o Justiça já se aposentou.
Mas, reconheço, não o conhecia... Não imaginei nele esta rara capacidade de descrição do sofrimento, com dignidade, com humanidade. Gosto de conhecê-lo deste modo novo.
O caso de vida que o Justiça aqui traz faz-me lembrar uma canção de Patxi Andion, belíssima, cheia de força, cujo nome não me ocorre, que fala de um "marino", a quem foram morrendo todos os companheiros da faina, e que se refugia na bebida. Termina a canção, referindo-se-lhe como "un marino", "un borracho com toda la mar detrás".
Muito grata!
- Isabel Xavier -
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Júlia disse...
Um texto muito bonito, mas triste, aquele que o Alfredo Justiça nos traz aqui. Descreve a vida árdua de homens que lutam pela sobrevivência,que se fazem ao mar....um mar, por vezes traiçoeiro, que vai acabando com a vida de muitos seres humanos.
Estes homens sofrem e lutam pelo sustento da mulher, dos filhos que aguardam pelo seu regresso,e é uma vida inteira assim.
É triste, por vezes! Quantos ti'Joaquins, ti'Toinos neste nosso País tão pequenino, partiram com a esperança de voltarem e por lá ficaram.
Obrigada, Alfredo Justiça.
Júlia R
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diz o que te vai na alma disse...
Outros tempos. As mesmas incertezas e angústias. Vidas difíceis que o tempo não apaga. Muito belo e triste.
Dalila Garcia
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Alfredo disse...
Isabel Xavier
O nome não me é totalmente estranho pois de algum modo está ligado a recordações instaladas no meu cérebro que o relacionam com S. Martinho e ao tempo de Escola nas Caldas embora, lamentavelmente para mim, não o consigo ligar com a sua fisionomia de então e, claro, muito menos com a de agora, passados mais de 45 anos. Isto tudo para que não fiquem personalidades trocadas sobre o Alfredo Justiça, eu, e o Justiça, seu colega professor da Proença, meu irmão, ligeiramente mais novo.
Agradeço-lhe as palavras simpáticas a propósito do texto que escrevi sobre o tema "das Janelas" e só a última parte do seu comentário me levou a escrever este esclarecimento para reposição da verdade. No entanto, ainda assim, atrevo-me a dizer, e desde já peço desculpa se assim não fôr, que este relacionamento do seu nome está também ligado á Isabel Veiga, Monserrate, Magda e outras meninas dos anos 60 e naturais, ou pelo menos residentes, em S. Martinho.
Uma vez mais, grato pela atenção que dispensou ao meu escrito e ao comentário que teve a amabilidade de lhe dispensar.
A. Justiça
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Isabel X disse...
Peço desculpa pela troca de "Justiças", altamente injusta aliás, que aqui fiz. Logo que vi que a Júlia se referia ao autor do texto chamando-lhe Alfredo, vi que me enganara.
Do Alfredo, a quem de facto se referem as minhas palavras, não me lembro. Mesmo o "outro" Justiça é mais velho do que eu. Lamento, mas as pessoas a quem me relaciona, Alfredo, são-me completamente estranhas. Nasci em Dezembro de 1957.
Desde que nasci, e até casar, em 1976, quando ainda tinha dezoito anos, fui sempre passar os verões a S. Martinho . (Já agora, divorciei-me aos trinta e seis, estado civil de que sou fervorosamente militante)
Sem desprimor para o próprio, não podia ser mesmo o "Justiça" que eu conhecia. Há aqui um travo feliz de verdade reposta e, por isso, de justiça reposta também.
Parabéns pelo seu texto, Alfredo Justiça. Gostava muito de o conhecer. Peço-lhe desculpa.
- Isabel Xavier -
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J L Reboleira Alexandre disse...
O Alfredo traz-nos, com uma sensibilidade que lhe é própria, mais uma bela narrativa da praia que foi a dele e de muitos de nós.
A minha atenção foi no entanto desviada para a segunda fotografia. Quantos momentos inesquecíveis passou o autor, passàmos todos nós, que frequentàvamos a baia, naquele local, há já tantos anos. Sobretudo no Verão!
Hoje em nome duma massificação do turismo, lá estão todos aqueles blocos de cimento, bem em frente à areia da praia, no género do que pior se faz em muitos outros locais da nossa costa e de outras costas afinal.
Obrigado meu caro.
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Maria João disse...
Boa tarde, Papá!Este texto é muito bonito! Apesar de "nascida e criada" em São Martinho, nunca vejo da minha janela estas histórias que no fundo marcam quem as Gentes são.Obrigada por esta visão :)
Beijos muito doces!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
MJ
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João Ramos Franco disse...
A janela de que olhamos traz-nos por vezes as realidades tristes, aquelas que existem mas que nós não gostamos de aceitar que façam parte do nosso arquivo… Para bem, ou mal, não as conseguimos apagar e elas perpetuam o nosso consciente.
Parabéns, A. Justiça, por este retrato da vida…
Um abraço amigo.
João Ramos Franco
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Guida C.S. disse...
A belíssima descrição do Alfredo sobre o drama dos pescadores levou-me a mim também a esse passado já tão longe, mas estranhamente as fotos insistem em me fazer regressar ao presente... a última vez que estive em S Martinho (e já foi há mais de 40 anos) as urbanizações ainda não estavam lá!
É mega surrealista estar a ver uma imagem completamente diferente da que temos na memória quando lemos uma estória que aí se encaixa perfeitamente!
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Joaquim disse...
Justiça, gosto das estórias que tu contas, tanto do tempo do serviço militar como a mostrar o teu mundo e como o vias.
Apesar de não ser de "São Martelo", nome dado pela malta dos anos 50s, quando havia uns trocados ia até lá na automotora e gostava de atravessar o túnel com os colegas (agora é perigoso), alguns de São Martinho e de Salir, e ver como alguns deles ganhavam uns "cobres" na faina de apanhar o limo, que segundo se dizia era para fins medicinais.
Talvez te encontre no almoço da Foz, que para mim continua a ser "a minha praia".
Joaquim
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Alfredo disse...
As janelas
Caros amigos e amigas de eterna juventude, que recordaram e nos transmitiram recordações de outrora e julgadas esquecidas, mas que afinal apenas estavam arquivadas e adormecidas nesta indecifrável, complexa e, por vezes, inexplicável memória que com extrema facilidade guardou lembranças de um passado já longínquo e por outras esquece as de ontem.
Li e reli, por diversas vezes, os posts e respectivos comentários sobre as janelas que o Vasco Trancoso nos “obrigou” a abrir com a sua “janela”.Vou ousar, e perdoem-me a ousadia, eleger o post que mais me impressionou e ao qual nem me atrevi a comentar pois entendi que quaisquer palavras seriam muito pobres perante a franqueza e verdades simples nele retratado.Todos os posts estão soberbos e, perdoem a imodéstia, o meu também pois retrata um acontecimento verídico do inicio dos anos 50 embora os nomes dos intervenientes sejam forjados porque ainda são vivos os descendentes directos da estória trágico-marítima contada e seria impensável trazer-lhes à memória tamanha tragédia.
O texto que mais me marcou foi o da São Caixinha. Humilde e modesto, sonhador e real, genuíno e puro, descrito com força e descritivo da simplicidade que o nosso mundo de então estava impregnado.Foi realmente a janela que, mesmo difícil de abrir, mais revelou a ternura e emoções sentidas na descoberta do espaço exterior pejado, bem sei, de agruras, e não da beleza pueril visto pelos olhos de uma criança, mas que gostaríamos que assim continuasse a ser por todo o nosso sempre.
Parabéns a todos. Foi um dos momentos mais altos e dignos do blog, repletos de ternura e de recordações de uma época, locais e vivências, demonstrativos de pertencermos à última geração de românticos (ousada esta afirmação? Talvez! Mas atendendo ao que nos rodeia…).
Abraços amistosos.
A.Justiça
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Tó Quim disse:
O maravilhoso texto de Justiça, ao mesmo tempo com pedaços de tristeza, faz com que a minha memória me traga à luz alguns momentos passados em São Martinho.
Nos pequenos momentos em que podia ir para São Martinho, sempre de comboio do Paul (Bombarral) ia para casa da minha tia que era, na altura a governanta da casa do sr. Engenheiro, que é hoje a casa de chá e o hotel situado na marginal.
Lembro-me de querer brincar com os “meninos” desta casa apalaçada e só podia ver. Eu pertencia ao povo e o povo não podia brincar com estes “meninos” Refira-se que tinham a mesma idade que eu.
Também me vem à memória a minha tia, juntamente com as criadas, levar o chá e uns bolinhos às senhoras que estavam nas barracas da praia.São momentos que nunca nos esqueceremos e que marcam o nosso saber para o resto da vida.
Agora, a fotografia do café do facho lembra-me já outros tempos, os finais de tarde com aquele poderoso pôr do sol...
Mais uma vez um grande abraço ao pai deste blog pela vontade de ele existir e a todos aqueles que o alimentam com grandes textos.
António Fialho Marcelino (Tó-Quim)

OUTRA JANELA (São Caixinha)


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Com a bonita fotografia de uma invulgar janela vermelha e um aliciante texto sobre as suas vivências em criança, a uma outra janela, o Vasco incita-nos a um regresso ao passado e a um reencontro com as nossas próprias janelas! Esta é a minha.
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Eu tinha 5 anos quando deixámos Lisboa em direcção às Caldas da Rainha, onde o meu pai iria ser continuo e residente da Escola que simultâneamente ofereceria a minha educação. Como o edificio ainda se encontrava em construção foi-nos atribuida como residência temporária, uma casinha pequena e modesta nas redondezas da obra.
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Foi nela que encontrei a “janela da minha infância”! Era no sotão! Uma janela pequenina que se encontrava muito mais perto do chão do que qualquer janela que conhecia até ali, tão perto que de joelhos me podia debruçar sobre o seu parapeito. Esta atraente particularidade era, para a minha mãe, apenas um enorme motivo de preocupação, portanto preferia-a sempre fechada! Eu entendia que sabia avaliar e evitar os perigos inerentes e, confiante, abria-a em segredo, cautelosamente, sempre que podia. E era dificil de abrir, com os seus mecanismos enferrujados e a fragilidade oscilante dos caxilhos, ademais eu procurava a todo o custo evitar o ranger escraboso das suas dobradiças cansadas... A práctica, como frequentemente acontece, fez-me perita naquela operação delicada !
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A sedução da janela não se encontrava contudo no facto de ser convenientemente à minha medida nem certamente na simplicidade da vista que proporcionava, mas no contacto inédito que me permitia com a natureza! Era o ar fresco das manhãs do campo com o chilrear dos passáros e o ramalhar das árvores. Era o vento condutor de folhas secas, joaninhas e pirilampos (oh os pirilampos!!!). Era a fragância da terra molhada, das flores, das searas... carreiros de formigas!! Era a amplidão do céu com as suas nuvens passageiras ... e a chuva dos dias cinzentos ! A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!
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Os meus parabéns ao Vasco pelo excelente post e os meus agradecimentos pelo mágico reencontro que ele provocou !
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São Caixinha
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C O M E N T Á R I O S
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Joaquim disse...
Para mim a janela da São Caixinha é a mais bela, pela sua humildade e modéstia e que mesmo fechada, enferrujada, aos poucos ela se foi abrindo e por vezes uma janela pequena traz-nos um mundo muito maior.
Joaquim
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Luis disse:
O relato de uma sonhadora,que olhava para o céu enquanto cheirava a terra.É uma atitude que por vezes origina uns tropeções...
São,estou a brincar,a tua janela é muito bonita e um dos bons posts desta série.Bem como a fotografia que adorei ver e que deve ter 50 anos.L
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Fernando Ribeiro disse...
Estas janelas da nossa infância vieram abrir uma janela enorme,vieram abrir a nossa memória adormecida e que despertou num clic.Formidável e que recordações nos vem trazer.Vamos continuar, que vos parece?Para a frente nao acham?
Bem hajam.
Fernando Ribeiro
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M Manuela Gama Vieira disse:
Que bonito "argumento" contém a Janela da São!Atrevo-me a dizer que o seu gosto pela Natureza e pelo Belo é inato em si,nasceu consigo.Por momentos associei a descrição da sua Janela ao sótão de Anne Frank, que mereceu aliás um excelente texto da sua autoria numa das séries do nosso Blog.
E como a sua Janela é tão genuína,tão pura,tão bela, é-me difícil encontrar mais palavras. Dou-lhe os meus sinceros Parabéns!
Manuela Gama Vieira
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Julinha disse:
Uma janela pequenina,quase junto ao chão.....com uma vista linda,o chilrear dos pássaros e a Natureza,tal com a São a viu e sentiu !
São,a maneira como descreves a tua janela toca-me profundamente...gostei muito !
Um beijinho
Júlia R
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Vasco Trancoso disse.
Fantástico! Dir-se-ia o milagre das janelas! Uma saudável epidemia que a todos contagiou.
Agradecendo a atenção de todos os que enviaram os comentários super-simpáticos não posso deixar de constatar também que se desencadeou um fenómeno de “reacção em cadeia” – atentos os números excepcionais, nunca recepcionados antes, de visitantes, em ambos os blogues. E foram comentários/janelas (originando outros “posts”) a chegar. E o mérito é todo das janelas (isto pode ser confirmado e analisado no quadro de estatísticas publicado no final desta página-JJ).
Há vários tipos de janelas na Vida e em cada pessoa, com significados/emoções diferentes mas de facto todos temos uma janela muito importante: aquela na infância (que mexe muito com a criança ainda em nós). E o que aconteceu foi cada um(a) abrir a sua própria janela e trazê-la para o blogue – que se transformou numa rua que ia crescendo à medida que se iam abrindo cada vez mais janelas.
Têm razão quando referem que o registo é mais “Amarcord” do que “8 e ½” – só que a música para os saltimbancos que “encaixava” perfeitamente era mesmo aquela do Nino Rota. Em resumo: os blogues estão muito bonitos com toda a gente à sua janela que dá, por sua vez, para as janelas dos outros – todas a abrirem-se para um largo comum, cada vez maior, onde se sente uma festa do “sentir”.
Bem hajam
VT
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M do Rosário Pimentel disse:
"Há males que vêm por bem". Confirma-se o ditado neste lindo e ternurento post. Naquela casinha, a menina teve a oportunidade precoce de descobrir a Beleza da Natureza, forçando,teimosamente,a abertura duma janelinha de sótão. Sem saber, estava a iniciar a descoberta de si própria.
Uma janela e um sótão - quanto fascínio e quanto mistério!
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F. Clérigo disse...
Muito Bonita a Janela da São...Muito Bonito igualmente o seu Texto, indubitavelmente Bem escrito, mas sobretudo o Cariz Sensitivo que lhe imprimiu...A Força da Descrição que a São nos revela, quase nos permite escutar os Sons da Natureza, o canto dos pássaros, o canto do vento, o restolhar das folhas, o brilho dos pirilampos, as diversas fragâncias da Natureza...Natureza Essa, ousaria dizer, que acompanhou a São e que ainda Hoje tem a mais Bonita Tradução no seu Blogue “Ambrosia”...senão cite-se o Seu próprio Sentir:
“A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!”
Muitos Parabéns São pelo Belo Texto ! A Foto é Enternecedora!
Beijinho
Fátima
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À JANELA DA MINHA INFÂNCIA



por Vasco Trancoso



Todos temos uma janela na nossa infância. Essa janela teve/tem um papel importante de entre todas as janelas da nossa Vida. Uma janela por onde espreitávamos sinais do exterior à descoberta de um mundo novo. Lembro-me de ficar ancorado muito tempo àquela janela assistindo ao desfile das vendedoras de água de Caneças sobre o ritmo da flauta do “amola tesouras e navalhas” e à passagem da mulher da “fava-rica”, do homem do “Ferro-velho” e da voz dos cegos cantores ambulantes que distribuíam um folheto que não viam com a história de uma coxinha - acompanhados na sua cantoria pelo som desafinado de um “acordeon”. A rua era animada ainda, ocasionalmente, por uma tenda de fantoches que andavam sempre à paulada uns com os outros sem se perceber porquê e pelos pregões das varinas e das vendedeiras de “figos de capa rota”. E havia o fascínio dos Saltimbancos que surgiam como num filme de Fellini, envolvidos no estrondo de tambores e no sopro estridente de instrumentos de metal.
Nino Rota - Tema de 8 1/2 (Fellini)


Estendiam um enorme tapete colorido, que imaginava oriundo de alguma cidade misteriosa do longínquo Oriente, sobre o qual actuavam o engolidor de espadas e soprador de fogo, bem como uma rapariguinha de aparência frágil e com olhos tristes que fazia contorcionismo. Antes de um rapazinho de boné na mão vir recolher a generosidade alheia - tinha lugar o número final: A célebre “Dança da ursa”. Então, ao som de uma música impossível, uma forma vagamente humana, vestida com um fato coçado a imitar um urso, bailava em círculo com uma corrente, atada a uma das pernas, conduzida por um domador de bigodinho à Errol Flynn.
Para além do som distante do circo que passava à frente da minha janela da infância, guardo na memória algo que tinha muita importância. As outras janelas que avistava da minha. Interrogava-me sobre as pessoas por detrás de cada vidraça. Que alegrias, tristezas, emoções se estariam a passar, naquele mesmo momento, no interior de cada casa. Durante a noite dormíamos afinal na mesma rua separados pelas janelas. Imaginava os prédios de repente transparentes e as eventuais histórias, ambientes e cores. Pessoas que ora riam, amavam, choravam ou sonhavam. Mas como não era assim restava-me tentar decifrar os vultos por detrás dos cortinados ou recortados pela luz que vinha do interior das vidraças.
Havia no entanto uma janela especial no 3º andar, do prédio azul, mesmo em frente. Era especial desde o dia em que se abrira para deixar passar uma jovem adolescente de cabelos longos que sorria. Sorria sempre como uma princesa que acabava de sair de uma história do jornal infantil que eu lia: "O Mundo de Aventuras". Consegui saber que se chamava Ana Paula e estranhei uma sensação nova e inexplicável. Quando olhava aquela janela sentia um bater de asas dentro do peito e uma emoção que antes nunca experimentara. Associava então a sua imagem à canção "Amapola" que se ouvia na telefonia interpretada por vozes como Tito Schipa, Luis Alberto del Parana & Los Paraguayos, os Lecuona Cuban Boys, ou os Cinco Latinos. Talvez porque a palavra Amapola quase faz lembrar Ana Paula. Aliás era só substituir na letra da canção Amapola por Ana Paula (embora Amapola signifique: papoila - em espanhol, língua em que a canção foi inicialmente composta).
De vez em quando lembro-me e regresso à janela da minha infância… onde se reflecte outra janela.
Todos temos uma janela aberta sobre a nossa infância. Todas trazem sobre o parapeito um pequeno pedaço da nossa própria história.
Vasco Trancoso

Amapola - Andrea Bocelli
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Post publicado em simultâneo com o blogue do autor
que deve ser visitado para um melhor visionamento da fotografia.
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(clique para ler)
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A DRA. MARGARIDA E EU (Jaime Serafim)

.por Jaime Serafim
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Apesar de ter nascido em Lisboa, eu sou de famílias desde sempre ligadas ao mundo rural e foi numa aldeia perto das Caldas da Rainha que fui criado, brinquei e frequentei a escola primária.
Ainda hoje não sei a razão de, desde muito pequeno, apesar de não saber o que mais tarde queria ser, eu sabia que não queria ser agricultor. Será porque achava muito penosas as tarefas da agricultura? No entanto elas eram as minhas únicas referências, a não ser…
A não ser o que fazia o Sr. Francisco – ele tinha uma padaria, cozia um pão estaladiço, leve e cheiroso, andava sempre limpo, uma camisa branca impecável, cabelos lavados, levemente empoados de farinha….
Já sei! Quero ser padeiro!
Entretanto, com a entrada na escola, vi que a professora, uma senhora já bastante idosa, tinha uma vida limpa, interessante… e sabia tantas coisas! Eu achava que ela sabia tudo! Toda a gente a cumprimentava respeitosamente, com alguma cerimónia, e ela tinha sempre uma douta palavra, própria para cada momento.
Agora é que sei! Quero ser professor!
O problema é que, para ser professor, tinha que ter estudos para além da quarta classe. Nunca ninguém da minha família, nem naquela terra, tinha ido mais além nos estudos. Como havia de ser?
Na altura era impossível uma criança deslocar-se diariamente da aldeia para a cidade – em alguns dias de inverno, até de burro era quase impossível. Das conversas com os meus pais, a propósito da minha ambição, resultou que decidiram mudar de vida e passarem a residir em Caldas, onde o meu pai procurou trabalho, passando de proprietário, como na altura se dizia, a trabalhador por conta de outrem, como hoje se diz.
Fiz a admissão ao Liceu em Lisboa, no Liceu Camões e, em Outubro de 1953, mudámo-nos para Caldas e fui matriculado no Externato Ramalho Ortigão, a única instituição que ministrava o ensino liceal. As mensalidades eram caras para as nossas posses, mas com uma espantosa gestão dos meus pais, conseguiram uma harmoniosa tranquilidade e bem-estar familiar, onde os afectos estiveram sempre presentes, para que eu pudesse concretizar o meu intento. Tive os melhores pais do Mundo!
Nos dois primeiros anos, os estudos correram bem, dentro da normalidade, sem nada de especial a assinalar. Tive bons professores, muito empenhados, simpáticos e competentes. Apenas me vou referir, pela negativa, à professora de Português que tive no primeiro ano – a Dr.ª Lúcia. Muito competente certamente, mas muito ríspida e, quando se desagradava por algo menos bom, ela, que já não era bonita, fazia uma cara feia e franzia o lábio superior, acentuando ainda mais a negritude do generoso buço. Exibia um ar feroz e eu, coitado de mim, ficava secretamente horrorizado…
Mas foi a partir do 3.º ano que o meu futuro se começou a delinear mais claramente. A Dr.ª Margarida Ribeiro Rodrigues iniciou funções no Externato – estávamos em 1955. Por minha sorte, foi minha professora de Matemática, Físico-Químicas e Ciências Naturais. Naquele tempo era assim, os professores tinham que leccionar em áreas adjacentes à da sua formação.
Foi com o desenrolar das aulas da Dr.ª Margarida que eu comecei a aprender que o Mundo que me rodeava era muito mais rico e interessante do que eu alguma vez poderia imaginar. As transformações que se observavam, mesmo que simples, tinham a sua interpretação e explicação. Era possível relacionar fenómenos que aparentemente pareciam díspares… Descobri o fascínio do raciocínio matemático, que tão tranquilamente nos fornecia previsões, conhecimentos, ajudava a estabelecer relações e era, só por si, algo de maravilhoso.
Naqueles tempos, o estudo da Física e da Química era feito pelo livro, sem qualquer apoio experimental. Os ensaios práticos eram lidos ou explicados pelo professor. A Dr.ª Margarida, apesar do reduzido material de laboratório de que o Externato dispunha, sempre acompanhou as suas aulas com os ensaios experimentais possíveis de realizar. Eu vi e cheirei cloro, observei a sublimação do iodo, assisti ao precipitar do sulfato de bário, vi água a transformar-se em oxigénio e hidrogénio… experimentei tantas coisas, tantas… era um Mundo novo que se me abria!

Mais tarde, reconheci que, em qualquer destas disciplinas, há temas pesados e difíceis, mas enquanto as aulas foram dadas pela Dr.ª Margarida, não dei por isso. Era tudo tão bonito e fácil!
Provavelmente, por imperativos de distribuição de serviço, no 5.º ano, em Ciências Naturais, a Dr.ª Margarida foi substituída por outro professor. Esta disciplina perdeu o encanto, tornou-se difícil e muito maçadora. Mas, felizmente, a nossa turma continuou a ter aulas de Matemática e de Físico-Químicas com a mesma professora.
Agora sei! Quero ser professor de Físico-Químicas! Ou de Matemática?
Infelizmente para nós, a Dr.ª Margarida deixou-nos no final do 5.º ano (1958). Decidiu, e muito bem, enveredar pelo ensino oficial.
Nos 6.º e 7.º anos tive outro professor de Físico-Químicas e outro de Matemática. A diferença era abissal. O empenhamento, a alegria da leccionação e a força que a Dr.ª Margarida imprimia na dinâmica de uma aula foram substituídos por matéria dada a velocidade de tartaruga, num caso e a velocidade da luz, no outro. Foi um desconsolo.
Mas não importa, o gosto pelo conhecimento, a beleza da Ciência e o tornar acessível o que parecia difícil, já estavam interiorizados – a Dr.ª Margarida tinha-me marcado para sempre! Restava-me, quase sozinho, dar conta do recado. E dei!
Terminado o 7.º ano, fui ver os elencos das cadeiras dos cursos entre os quais hesitava. Verifiquei que em Ciências Matemáticas apenas tinha uma cadeira de Física e outra de Química, mas em Ciências Físico-Químicas tinha muitas cadeiras de Matemática, para além das muitas de Física e de Química.
Então, finalmente, decidi: Quero ser professor de Físico-Químicas!
Anos depois, estreei-me, como professor, no Externato Ramalho Ortigão. Eu, que apenas tinha frequentado, como aluno, o Externato no “prédio do Crespo”, encontrei no novo edifício excelentes salas de aula, laboratórios muito mais bem equipados e uma confortável sala de professores. O ambiente também já era outro – tudo era muito mais organizado, aprumado e formal, direi mesmo requintado para a época. Eu tinha 21 anos, era um rapazeco, sentia-me um pouco constrangido, mas fui sempre muito bem tratado e respeitado por todos: Director, colegas, empregados, alunos e pais.
Foram-me atribuídos 5 níveis para leccionar. Tive de trabalhar muito. Na preparação das lições, procurando qual seria a melhor estratégia para a leccionação de cada tema, quantas vezes recorri ao que vi a Dr.ª Margarida fazer nas aulas. Recordava-me perfeitamente da forma como a Dr.ª tinha leccionado, das estratégias que tinha usado, e tentava seguir-lhe as pisadas. Foi, sem que o soubesse, a minha primeira metodóloga.
Como se pode perceber, eu não podia deixar passar a excelente oportunidade que este maravilhoso blogue me dá, para prestar um preito de homenagem a esta QUERIDA SENHORA que tanto me marcou e influenciou tão positivamente toda a minha vida. Bem-haja Dr.ª Margarida Ribeiro!
Era (e ainda é) uma senhora de apresentação sempre muito bem cuidada, bem penteada, saltos altos e que deixava à sua volta um perfume que nunca esqueço – quente e suave. Usava sempre a mesma marca (Boalis). Um dia perdeu uma luva e, quem a encontrou, foi devolver-lha, porque de imediato reconheceu, pelo perfume, a quem pertencia.
Em 1970 (ou 71?) Dr.ª Margarida, agora docente do quadro da Escola Secundária de Rafael Bordalo Pinheiro, voltou ao Externato para leccionar, em regime de acumulação, algumas turmas de Matemática. Imagine-se a minha honra, alegria e satisfação em poder ter a meu lado uma pessoa que tanto admiro.




Falámos ao telefone há uns dias. Fiquei feliz por saber que se encontra bem, mantendo o mesmo espírito elevado e alegre, tão característico das pessoas inteligentes e boas, que sabem dar tanto e tanto têm para dar.
Para si, Dr.ª Margarida, um beijinho de muita amizade e gratidão e um abraço do tamanho do Mundo.
Ah, é verdade… essa ideia de ser padeiro nunca me abandonou de todo. Ainda hoje sinto um fascínio enorme perante um forno de lenha a arder. Não é, Manela?

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Jaime Serafim




Dra. Cremilde Palma e Dr. André Gonçalves

pel' "A Embaixada da Boa Vontade"...



Depois de mais de 40 anos, fomos encontrar um simpático casal de antigos professores do ERO, que aí começaram com as “ameaças de o ser”, conforme mais adiante se verá.


Foi o acaso que levou a que se encontrassem no colégio e aí o cupido se encarregasse do resto… “o amor andava no ar”, transparecia nos seus rostos que se ruborizavam a qualquer momento! e serviu de inspiração à poetisa da turma, a Manela Carvalheiro, que, numa das aulas, lhes dedicou uns versos.


Trata-se da Dra. Cremilde Palma e do Dr. André Gonçalves, que prontamente se disponibilizaram a receber esta “embaixada de boa vontade” que pretendia recolher as suas recordações, vivências e episódios mais relevantes da sua passagem pelo colégio. O vaticínio da poetisa deu certo e o namoro começou mesmo ainda no colégio. Casados pelo então Padre Luís Moita, em 1965, residem em Lisboa desde essa data.






O destino estava traçado! A Dra. Cremilde sendo natural de Évora, onde fez todo o seu percurso escolar até ir para a faculdade, via ao longe na rua, de passagem, aquele que mais tarde viria a ser seu marido.

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Este, tendo vivido em Évora uma parte da sua adolescência, costumava passear de cavalo pelas calçadas da cidade onde imperava o silêncio das tardes quentes de verão, e, ainda hoje, a Dra. Cremilde tem no ouvido o som do trote do cavalo e a imagem do “cavaleiro andante”, à data ainda desconhecido. Não há dúvida de que as coincidências existem…

Licenciada em Românicas, começou a leccionar no ERO no ano 61/62, com 21 anos, estando ainda na faculdade a frequentar o último ano do curso (duas cadeiras e a preparar a tese).
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Havendo necessidade de mais uma professora para a disciplina de português, por a Dra. Armanda estar sobrecarregada com todas as turmas, o Padre António Emílio viria a convidar a Dra. Cremilde para o colégio, por intermédio da mesma Dra. Armanda, que a conhecia por ser colega de faculdade duma sua irmã.
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Quando o seu nome foi sugerido (parece que algo já estaria predestinado…) no meio da conversa, a dada altura, foi comentado pelo Padre António: «Vou levar uma namorada para o André».
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Só muito mais tarde a Dra. Cremilde teve conhecimento desta história, conforme referiu, e ainda bem, porque, caso contrário, não a teríamos tido como professora. Ela própria diz: «Não sei como fui parar às Caldas, como aceitei o convite». Será que havia uma força oculta a puxá-la para lá?, perguntamos nós!

Aos doze anos pensou que haveria de ser professora, gosto esse que viria a ser reforçado na faculdade ao ter como professores Lindley Sintra, Vitorino Nemésio , Jacinto Prado Coelho e David Mourão Ferreira.
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Desde o liceu que sempre teve um grande interesse pela língua francesa, motivada pelo professor, pessoa que muito admirava. Também Virgílio Ferreira, no sétimo ano, foi uma referência e uma motivação.

No ERO leccionou português e francês durante os anos 61/62 e 62/63, dos quais guarda boas recordações. Realça o convívio com os colegas e o bom ambiente vivido no colégio entre professores e alunos.

Deixou o colégio por sentir que ali não teria futuro a nível de carreira. Seria mesmo esta a razão, pergunta-se, ou teria sido uma outra? — conforme se verá no texto referente ao Dr. André… É que saíram ambos do colégio no mesmo ano…
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Foi para o liceu de Leiria (que muitos de nós lembramos bem…), tendo aí convivido com o Dr. Sílvio, de Ciências Naturais, a Dra. Ofélia Carvalhão e irmã, cujo nome não nos ocorre — alguém se lembra? — de má memória para todos nós enquanto alunos!!!

Passados todos estes anos é-nos grato recordar a Dra. Cremilde como professora e como pessoa.
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Parecendo algo tímida, tinha um ar cordato e sereno que inspirava confiança, respeitando sempre os seus alunos e transmitindo da melhor forma o seu saber, que a todos marcou, muito provavelmente.
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Da sua estadia no ERO ressalta a DEDICAÇÂO que sempre manifestou pelos alunos, talvez a mesma, conforme ela própria referiu, que sentiu por parte dos seus professores.

Como elo de ligação, eis os versos dedicados aos então jovens professores:

O amor anda pelo ar
Ouvimos pr’aí zumbir
E vem mesmo a calhar
Pr’os dois que anda a unir

Ela encarnada se faz
E da janela faz esteira
Para ver aquele ás
Chegar à hora primeira

Quanto a ele, desgraçado
Já parece um casa nova
Vai pr’ó cento, bem contado
E arranja sempre uma nova.

Mas, agora cá pr’a nós
Gostaríamos na verdade
De os vermos aos dois sós
Unidos pr’à eternidade.

Que se casem, ora vamos
Não sejam envergonhados
Pois que a Física gostamos
Com o Português ver amados.


O Dr. André, natural de Castelo Branco, sendo o pai juiz, passou a sua infância e adolescência a deambular por várias cidades. Iniciou os estudos nos Açores, passou por Évora, Viseu, etc., e acabou por terminar o liceu nas Caldas da Rainha (quem diria!!!!!! ninguém sabia pois não? Para nós também foi surpresa), tendo como Director nessa altura, o Dr. Júlio Lopes.

Aqui, foi aluno do Dr. Azevedo e colega da Dra. Maria do Rosário Leal (mais uma coincidência que desconhecíamos) e viriam mais tarde a encontrarem-se todos no ERO como professores. Classifica o Dr. Azevedo, já quando era seu professor, como um camarada. Realmente o mundo é muito pequeno…!!!! Todos a trabalharem uns anos mais tarde no mesmo local!
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Iniciou em Coimbra o curso de Ciências Biológicas. Desistiu deste por não querer ser professor e seguir a via do ensino, facto que o fez mudar para Ciências Geográficas, tendo concluído a licenciatura em 1959.

Permaneceu em Coimbra fazendo investigação no laboratório de Geologia. Como já tinha tido várias convites para ir trabalhar como geólogo para Moçambique, desta vez estava a preparar-se para não recusar mais um. Eis senão quando, estando calmamente no seu posto de trabalho, lhe aparecem — imaginem! — o Dr. Azevedo e o Padre António Emílio dizendo: «Precisamos muito de si!».
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A insistência foi tanta que acabou por aceitar ir leccionar Físico-Química, iniciando a sua actividade no ERO a meio do ano lectivo de 1959/60, ainda no edifício do Sr. Crespo.
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Nessa data decorria ainda a construção do novo colégio, cujas obras o Dr. André acompanhou com o mesmo entusiasmo daqueles que o tinham “ido pescar”.
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Foi igualmente colega do Dr. Fontinha, professor de português e pai dos nossos colegas Fernando e Aida Fontinha, com quem ainda trabalhou no ERO durante cerca de meio ano.
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Leccionou no colégio durante três anos e meio, sempre com imenso entusiasmo. Nunca demos conta de que não queria ser professor! Alguém notou?
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Mais uma novidade: sabem quem “arranjou” uma grande parte do material dos laboratórios de biologia e geologia? Pois imaginem que, durante muitos fins-de-semana, o Dr. André, era “metido” no carro do Padre António e ambos rumavam para as bandas de S. Pedro de Muel, percorrendo a costa desde aí até Salir do Porto. Com um martelo de geólogo na mão, e sempre muito entusiasmados, iam escavando, procurando e colhendo amostras, fósseis e não só... (aqui entra o gesso recolhido nas arribas de Salir do Porto). Nestas viagens acompanhava-os sempre o Dr. Azevedo, que era uma pessoa muito empenhada e interessada e, por isso, sempre deu a sua colaboração na causa do “enriquecimento dos laboratórios”.

Quantas histórias e episódios teriam estas paredes para contar! Desde o pombo da Ana, que ressuscitou... e fugiu pela janela, aos neuroptéris e pecoptéris de má lembrança, aqui para os “lados” da Júlia, que a iam tramando no exame...!!!!

Para quem não queria ser professor, até que se saiu muito bem… os alunos provavelmente também o ajudaram a aprender a gostar, julgamos nós! Nesta matéria só o próprio poderá dizê-lo… Nós, por acaso, não nos lembrámos de lhe perguntar!!!

Do Dr. André temos muito boas recordações. As suas aulas decorriam com muita serenidade, bom convívio com os alunos, mostrando-se sempre disponível para esclarecer qualquer dúvida e apoiá-los.


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O seu empenho e gosto por ensinar, que foi adquirindo com o passar do tempo, leva-nos a pensar que, afinal, bem lá no fundo, já existia alguma predisposição para “aturar” alunos, conseguindo até enfiar Físico-Química nas cabeças mais duras…!!!

Deixou o colégio em 1963, por sentir que, no ensino privado, não tinha futuro a nível de carreira. Foi leccionar para o Liceu de Oeiras, tendo acabado por fazer toda a sua carreira na área do ensino.

À Dra. Cremilde e ao Dr. André queremos transmitir o nosso carinho e a nossa admiração pela sua coragem em aceitar o desafio de, com vinte e poucos anos, se terem aventurado a irem dar-nos aulas, na sua primeira experiência como professores.


“A Embaixada da Boa Vontade”


Júlia Ribeiro
Melita Teotónio
Isabel V Pereira
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COMENTÁRIOS
João Jales disse:
Quero começar por pedir pessoalmente desculpa ao Dr. André e à Dra. Cremilde por, embora indirectamente, ter sido responsável pela visita destas “abelhudas” que queriam saber TUDO sobre a vossa vida! Devem ter “acampado" aí em casa durante uma semana ou mais, a julgar pelo volume de informação que recolheram….
Depois quero dizer às 3 meninas da Embaixada que levaram o seu papel muito a sério, gostei especialmente das fotografias mas também do romance "predestinado", do cavaleiro andante (com cavalo e tudo!), das forças ocultas, dos namoros, da poesia e dos poemas, do “amor no ar”, do poder do Destino, das surpresas e coincidências e, claro, do casamento. Uma versão moderna de Romeu e Julieta passada no ERO (e com a vantagem de um final feliz)!
Agora a sério: o Blog agradece ao simpático casal a colaboração e às autoras o esforço e dedicação, muito para lá do mero cumprimento do dever, que puseram nesta tarefa! Esperamos mais. JJ
Manuela Gama Vieira disse
A mana da Ofélia, não se chamava Helena?
Isabel Esse disse:
Isto é uma verdadeira Biografia!Infelizmente quando cheguei ao E.R.O. nenhum deles estava lá,pelo que não os conheci. Mas fiquei com pena,é muito simpática a imagem que nos transmitem as nossas três colegas detectives.
A fotografia do casamento é girissima,concordo com o Jales.Isabel
Anónimo disse:
Apenas um reparo: o prof Lindley, era Cintra. Um enorme professor e um grande democrata.
RESPOSTA:
Agradecemos a correcção do caro colega "anónimo" .
Cintra (Lindley) com C é sem dúvida o correcto. Damos a mão à palmatória......esse lapso passou também ao Revisor !
Já agora, só uma dúvida .Porque não assinou o seu "reparo" ? Porquê escrever sob a capa do anonimato ?????
Ficamos a aguardar uma próxima intervenção "assinada" ....
A Embaixada da Boa
Vontade
Ana Luisa disse:
Completíssima esta reportagem,embora sobre professores que não são do nosso tempo.Conheço melhor a lista do Zé Carlos,não haverá quem escreva sobre eles?
Gostei de saber que o laboratório de Ciências teve uma origem tão “caseira”, com os professores a passear pelas arribas em busca das pedras que lá conhecemos.
Parabéns às autoras que mostram aqui que não é só a malta mais nova que faz o blogue (embora agora somos todos da mesma idade!).
João R F disse:
Gostei muito do artigo sobre a Dra. Cremilde Palma e o Dr. André Gonçalves , pel' "A Embaixada da Boa Vontade", foram meus professores e guardo boas recordações deles.
Um abraço do
João Ramos Franco
Luís disse:
Este post devia chamar-se “Tudo O Que Você Sempre Quis Saber Sobre A Dra. Cremilde E O Dr. André E Não Sabia a Quem Perguntar”.
Posso encomendar um artigo? Ou a "Embaixada" só funciona em auto-gestão? Parabéns às autoras. L
Laura Morgado disse:
Parabéns às três meninas da Embaixada da Boa Vontade!
O texto e a reportagem fotográfica estão muito bons, pois fizeram um trabalho de pormenor.
Fiquei a saber coisas que nunca imaginei, como por exemplo o começo do Laboratório de Ciências.
Reportei-me à altura em que os versos foram feitos, (estes e outros) e que eram começados nas aulas e terminados no intervalo.Foi uma época fantástica.
À Dra. Cremilde e ao Dr. André muito obrigado por tudo o que fizeram pelos alunos do ERO, no inicio da sua carreira.
Foram professores que marcaram pela positiva os seus alunos e deixaram saudades.
Beijinhos para os dois.
Laura
Ana Nascimento disse:
Oh minhas amigas que rico trabalho vocês fizeram…concordo completamente com o Luís … uma biografia completíssima… vocês são o máximo !!!!
Até estou a imaginá-las …numa bela tarde reuniram-se e quais mosqueteiras, trocaram a capa e a espada pela caneta e pelo bloco de notas….. depois, acompanhadas não pelo d’Artagnan, mas pela digital, dirigiram-se velozmente para os Soeiros e “atacaram” a Dra. Cremilde e o Dr. André com tal jeito que os deixaram completamente rendidos…até a foto do casamento conseguiram !!!!! (diga-se que está uma delícia….)
Ambos foram meus professores e recordo com muita ternura o sorriso doce da Drª Cremilde e o ar sério e compenetrado do Dr. André ao entrar na sala de aula…. Um beijinho muito grande para vós meus queridos doutores, espero revê-los em breve….
E a vocês minhas mosqueteiras pergunto eu: - qual é o alvo que se segue???
Bjs
Ana
C O M E N T Á R I O S
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Júlia Ribeiro disse:
O João Serra com esta descrição tão engraçada e pormenorizada fez-me voltar à década dos anos 50-60 quando ia para a praia, nessa altura para a Nazaré. Como tomava o pequeno almoço às 9h lá tinha que esperar até ao meio-dia para o famoso banho. Após o banhito tinha que mudar de fato de banho para não apanhar uma "constipação", provavelmente. Lá corria o pano da barraca e mudávamos a "toilette".....o fato de banho.
Por acaso não vos acontecia da parte da tarde não tomar banho e ir de vestidinho (nessa altura as meninas não usavam calças nem calções)? Imaginem o que era estar na praia de vestidinho toda a tarde. E então o que fazíamos? Jogávamos ao ringue e ao prego. Lembro-me dum vestido cor-de-rosa que não se amarrotava e era o que queria sempre levar.
Eu julgo que só conheci os Cinco mais tarde, também eram dos meus livros preferidos. A coincidência da Té e da Nô... Por onde andarão? Lembro-me muito bem da casa delas em S. Martinho mesmo na marginal. Obrigada por me teres proporcionado voltar aos tempos de pequenina!!!!!!!!!!!! Um abraço. Júlia
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João Ramos Franco:
Aos 8 anos de idade passava férias em S. Martinho, tinha apenas um pouco mais de sorte que o João Serra, existia um tio de Rio Maior, com três filhos, que também lá alugava casa e eu não tinha falta de companhia para brincar.
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Isabel Xavier
Nasci em Dezembro de 1957, pelo que já deveria "andar" lá por S. Martinho no ano da fotografia do João, da Nô, da Té e do Tim, mas... ainda na barriga da minha mãe!
Conheci a Nô e a Té desde miúda, por serem amigas da minha irmã Gracinha e do meu cunhado Zé, embora as tenha perdido de vista há muito tempo; e julgo ter conhecido o João Serra também em criança por ser colega e amigo do meu irmão Luís.
Mas, pelo menos, (e disto tenho a certeza) conheço-o bem desde que foi meu professor na faculdade e como nunca o "perdi de vista" desde então, considero-o mesmo um grande amigo! Por isso, confesso, mais que a minha surpresa, a mais profunda perplexidade em descobrir serem as manas Nô e Té as responsáveis pela iniciação do Dr. João Serra no mundo da leitura! Que papel importante pode ter um encontro quase fortuito no futuro de alguém! Elas nem devem sonhar com semelhante responsabilidade! Isabel Xavier
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São Cx
"Os Cinco" é outra simpática estória do João Serra, e que prazer recordar!! Eu li e reli devotadamente todas as estórias, que saudades daquelas aventuras!!
Ah...e permaneço fiel á promessa que então fiz a mim mesma de dar o nome de Tim ao meu primeiro cão!!!! Bjs São X
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João Jales disse:
Estou de acordo com a Isabel X, este é um conto sobre a descoberta da leitura e o prazer que ela representa (mas o autor é um especialista em descobrir ângulos inusitados nos textos, deve julgar esta análise demasiado prosaica e evidente).
Em recente sondagem no Reino Unido Enid Blyton revelou-se o mais popular escritor de sempre, à frente de Ronald Dahl, J K Rowling, Shakespeare, Agatha Christie, D H Lawrence, Ian Fleming, irmãs Bronte... E mesmo em Portugal os Cinco conquistaram seguramente mais gente para o “partido da leitura” do que qualquer campanha ou acção que eu conheça e, nesse aspecto, este texto constitui um justo reconhecimento.
Eu invejava sobretudo aos Cinco os piqueniques e o Tim, estou convencido que teria lido com enorme prazer um livro deles sem aventuras, só com comida e passeios com o cão. Tendo mudado eu, nesta época, para o prédio onde moravam precisamente a Nô e a Té que aqui vemos, recordo a inveja que eu sentia por elas terem, não uma, mas duas cadelas (será uma delas que está na foto?). Eu tinha apenas uns pachorrentos coelhos no quintal, inquilinos de curta estadia…
Não sei se a Té vai ler tudo isto mas, se o fizer, quero deixar-lhe aqui uma palavra de consolo por ser tão maltratada no texto! Além de não ser simpática como a irmã, ainda ria de uma forma que o autor não gostava… Aqui fica a expressão do meu protesto e da minha solidariedade!
Uma palavra final para a obra de engenharia que aparece na foto, de impressionante envergadura para tão pequeno engenheiro. Já na altura, o autor não fazia nada pela metade nem deixava os seus créditos por mãos alheias!
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AnaLuisa disse...
Sempre adorei a Enid Blyton.Não sei se ela é a mais popular autora inglesa mas sei é dos escritores que tem mais traduções.Vem logo a seguir ao Walt Disney,Agatha Christie,Julio Verne,Lenine e Shakespeare sabiam?E além dos Cinco escreveu milhares de contos novelas e romances.
Nunca se preocupou com os críticos porque dizia que só lhe interessava a opinião dos que têm menos de 12 anos.Venderam-se 600.000.000 de livros dela até hoje.No ano passado (2007 ) 10.000.000 , mais de 1.000.000 deles eram dos Cinco!!!Voltei a comprar a colecção toda para a minha filha e voltei a ler dois ou três.Obrigado João Serra por esta memória.
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Isabel V P disse:
Esta história fez-me pensar: os Cinco, tanto quanto me lembro, foi o grande entusiasmo lá em casa no final da década de 50; também por lá passaram os Sete, mas não teve o mesmo efeito. Curiosamente, duas gerações mais tarde, surge o êxito do Noddy, que é a grande paixão dos meus sobrinhos-netos. E é graças a eles que o conheço….
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Belão disse:
Já por esta estória tinha passado os olhos. A minha falta de tempo é que tem emperrado os meus comentários!
Também eu passei férias em S. Martinho. Era muito pequena e lembranças tenho muito poucas, pois cedo o meu pai trocou a baía pela Foz do Arelho.
A prosa do JBS trouxe-me à memória as incríveis colecções da Enid Blyton, nomeadamente "Os Cinco" e "Os Sete", que devorava à noite, quando todos pensavam que já retemperava as forças para mais um dia de escola. E lembrei-me, imaginem, do clube que o meu irmão pôs a funcionar lá em casa, no quarto dele. Os artistas, se não me falha a memória, eram o meu irmão, o João Jales, o Zé Luís Azevedo e o Miguel B Monteiro. Fechavam-se naquela divisão tardes inteiras e eu as minhas amigas ficávamos com o ouvido encostado à porta na tentativa de ouvir os segredos de tão secretas reuniões. De quando em vez batíamos à porta na esperança de que ela se abrisse, mas só ouvíamos: "Senha!" Nunca conseguimos lá entrar. A única pessoa com esse privilégio era a senhora minha avó que elaborava os magníficos lanches, tal qual os descritos nos livros (laranjadas, limonadas, scones...) e que estava isenta de saber a dita senha que tanto nos enervava, quase todos os dias.
Senhora sábia e com um dom especial para lidar com crianças, tentava tirar-nos da porta do "clube" acenando-nos com outras brincadeiras e com o maravilhoso lanche, que foi, durante muito tempo, a única coisa que "eles" eram obrigados a partilhar com as meninas, embora nós o degustássemos fora, claro, daquele misterioso quarto. O JJ, que tem memória de elefante poderá esclarecer melhor esta estória. Bjo
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Isabel Knaff disse:
Foi com muito prazer que li a estória do Bonifácio. Compreensível que o banho perdesse todo o interesse quando um Livro dos Cinco se meteu pelo caminho!!! Estórias tão absorventes ! E que familiar este título.
Na biblioteca do ERO havia grande parte da coleção dos Livros dos Cinco que em pouco tempo eu li, fascinada . Continuei na biblioteca do Parque que tinha, felizmente, os que me faltavam ler. E que giro vir reencontrá-los aqui através do Conto do Bonifácio! Que venham mais !
Até á próxima. Beijinhos. Isabel Caixinha
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Vasco Baptista disse:
Este rapaz é mesmo uma mais valia :-) no nosso blog.
Um abraço João e faz o favor de continuar. Vasco