ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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ERO , anos 70






A Ana Cristina, que frequentou a Escola Primária do Colégio no final da década de sessenta, publicou estas fotos na nossa página do Facebook.
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Procuramos saber quem são as pessoas que aqui aparecem e se estão disponíveis para retomar contacto com a Ana Cristina que, tendo ido viver para França, quer saber notícias dos seus antigos colegas.

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 COMENTÁRIOS:


Margarida Nascimento disse...
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Na 1ª foto está a Cristina e a Gatarra (Luísa Gama Homem de Barros). 
Na 2ª foto, à frente, a Ilda depois a Gatarra e atrás a Salete. 
Na 3ª foto ao centro a Cristina. Da esquerda para a direita, a Ilda, Fernanda Louceiro, Gatarra, Margarida Nascimento e Lurdes Luís. Atrás a Salete e a Marina Molares.  
Na 4ª foto, em baixo, a Cristina e a Margarida. Atrás a Salete, Lurdes, Fernanda e a Gatarra. 
 Na 5ª Foto, à esquerda a Marina, Fernanda, Ilda, Cristina, Gatarra, Lurdes e a Salete. 
 Na 6ª foto, esquerda à frente a Margarida, Ilda e Lurdes. Atrás a Marina, Fernanda,Gatarra e Salete.  
Que alegria ver estas fotos !!!! Devem ter sido tiradas em 1972/73. .  
Obrigada Cristina por partilhares estas lembranças. Um beijinho da amiga  
Margarida Nascimento

OS QUATRO NA LADEIRA

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Rui Hipólito disse:
Não me lembro nada desta fotografia! Sei que sou eu, a João Ferreira, o Chico Carrilho e a Namy . Estamos em frente ao portão da casa da Madame Nicole Loureiro, professora de francês, que morava precisamente na ladeira que todos os dias subíamos para ir para o Colégio. Julgo que o Renault 16 que aparece na imagem era do marido, o escultor Loureiro, professor e director da Escola. Não sei quem tirou a fotografia nem o motivo porque o fez.
Quanto à data é certamente posterior ao Verão de 1970  mas anterior ao primeiro período de 1971. Posterior a 1970 porque o Padre Albino saiu nessa data e, com ele, não andavam rapazes e raparigas assim juntos! Anterior ao Primeiro Período de 71 porque o meu nariz está direito. 
Eu explico: durante um jogo de Andebol Colégio-Escola nesse Período o Zé Manel Campos (esse mesmo, o que casou com a Mena Pinheiro) atirou-me uma bola à cara e deixou-me o nariz torto! Foi problema de fácil resolução porque a minha família consultou o conhecido cirurgião plástico Baptista Fernandes e ele pediu setenta e dois contos para me operar. Como o meu pai ganhava seis contos por mês, o assunto decidiu-se logo e o nariz ficou torto até hoje.
Se eu estiver certo quanto à data, o Chico estava no Sexto Ano, eu e a Namy no Quinto e a João no Quarto. E não sei mesmo mais nada.
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Janica Ferreira disse:
Pediste-me um comentário a esta fotografia e, embora a minha memória não seja muito confiável, vou tentar  lembrar-me de alguns detalhes:

Quanto aos meninos e meninas penso que mais ou menos todos conseguiram identificar o Rui Hipólito,o Chico Carrilho,a João Ferreira e a Nami.

Não me lembro da data,mas acho que seria no nosso 3º ou 4º ano na ladeira do colégio em frente ao portão da casa da Madame Nicole.

Sei também que íamos para as aulas, já da parte da tarde,e,que alguém(não sei quem)nos tirou esta foto.Se seriamos todos da mesma turma não posso dizer de certeza,se foi no 3º ano, talvez sim, se foi no 4º, não, porque eu chumbei  o 3º  .Espero não cometer uma inconfidência se disser que o Chico e a Nami eram na altura namorados.Para mais comentários conto com a prodigiosa memória dos meus queridos companheiros de foto.

Gostei muito de rever este momento de alegria e amizade que certamente nos trás a todos uma enorme saudade

Bjs a todos mas com um carinho especial a todos os elementos da foto.

Janica Ferreira
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Francisco Carrilho disse:
Nunca tinha visto esta foto, mas realmente está muito engraçada. Desde logo, há duas coisas que ressaltam: uma é a expressão de alegria da João a contrastar com o ar expectante dos rapazes ( mais do Rui do que meu - é que o Rui devia andar a tentar a sua sorte lá p'rós lados da João, seria??? ) e outra a minha farta cabeleira ( que saudades) . 
A única coisa, que eu consigo afirmar  com exactidão,  é que esta fotografia foi tirada à frente do portão da casa da Madame Nicole, ao cimo da ladeira ( julgo que o carro que só se vê a traseira- Renault 16 - era do marido da Madame ). A partir daqui são puras suposições, tais como: eu devia andar no 7º ano e o Rui, a João e a Namy andavam no 6º ( isto pela quantidade de livros que transportávamos ). Não sei quem tirou a foto, nem porquê. Devíamos estar em Fevereiro ou Março de 1972 e, se assim era, o colégio fechava as suas portas no final desse ano lectivo. 
Mais, não sei !

   Abraço 
Chico Carrilho 
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Namy disse:
A fotografia está um máximo!

Mas só te sei dizer que o Rui a Janica e eu somos do mesmo ano e penso que estaríamos no 6º ano e o Xico no 7º, isto porque já íamos a pé para o colégio e eu até acho que já namorava o Xico nesta altura .

Eu e a Janica, como morávamos no mesmo prédio , íamos sempre juntas , e para o Xico estar ao pé de nós é porque já namorávamos há muito tempo ( agora uma inconfidência--no 1º ano de namoro só quase que olhávamos um para o outro e a Fany e a Joana eram os nossos pombos correios - é tal e qual como agora !)

Não te sei dizer quem tirou a foto, mas é realmente em frente à casa da Md Nicole.

Namy

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C O M E N T Á R I O S  
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Miguel B M disse:
A foto está magnífica e confirmo que efectivamente o carro era o do escultor. A casa era apenas deles e era  guardada por um terrível pastor alemão,que tinha tanto de belo ( era negro,com pêlo brilhante ) como de feroz e agressivo.
Quanto a comentários sobre a foto infelizmente não tenho mais nada a acrescentar. M B M
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À JANELA DA D. CLARISSE

Fotos de Paula Nascimento
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Esta é a fotografia da turma da D. Clarisse no dia 28 de Junho de 1972, à janela da sua sala de aulas .
Quem são estas meninas e estes meninos ? Que é feito deles ? São leitores do Blog ?

Esta é a turma que iniciou a 1º classe em 1968/1969.

Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Luis Correia, Jorge Humberto Arroja, Paulo Tuna, Miguel Crespo, Outro Tuna?, Olga Pinto, D. Clarisse, Margarida Feo e Torres, Ana Gama, Paula Nascimento, Helena (Nico) Gama, Isabel Ballu Loureiro, Isabel Canela Lopes, Teresa Paiva e Sousa, Sami Figueiredo Lopes
Adicionada por Paulo Caiado para o grupo EU GOZEI A MINHA ADOLESCÊNCIA NAS CALDAS DA RAINHA NOS ANOS 70 E 80

After school is over you're playing in the park /Don't be out too late, don't let it get too dark



Nesta foto:

João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Jorge Humberto Rosário Teixeira, Pedro Vaz Pato, D. Clarisse, Luis Correia, Manuel Tuna, Paulo Tuna






Isabel Canela Lopes , Teresa Paiva e Sousa, Pedro Vaz Pato, João Carlos Marques, Miguel Crespo Caetano, Paula Nascimento, Luis Correia, Jorge Humberto Rosári Teixeira, Ana Gama, D. Clarisse, Helena (Nico) Gama Homem de Barros, Manuel Tuna, Isabel Ballu Loureiro, Paulo Tuna, Olga Pinto, Margarida Feo e Torres, Sami Figueiredo Lopes

Paulo Caiado disse:

O Blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão constitui hoje o maior depositário das memórias da juventude caldense dos anos 50 a 70.

São testemunhos fantásticos de uma cidade em parte já desaparecida e de um tempo regido por outras realidades sociais, politicas e económicas.

Através de crónicas, descrição de pequenos episódios, poemas, citações e de pequenos comentários ,uma vezes mais humoristicos outras vezes mais emotivos e acompanhando-os por videos de músicas muito ilustrativos, é um retrato fiel de uma parte (a estudantil) da juventude caldense que nos precedeu.

No fundo os ex. Alunos do ERO são os nossos colegas mais velhos. Se todos estivéssemos agora no liceu eu diria que nós somos os caloiros e eles os finalistas.

Mas há muito que as crónicas postadas no blog extravasaram o seu âmbito, muitas das estórias aí contadas são contemporâneas ao Colégio mas não tiveram ligação com este e hoje em dia o blog dos ex. Alunos do Externato Ramalho Ortigão é um espelho da juventude caldense daquele tempo sem qualquer limite que o reporte exclusivamente ao tema Colégio.

Ali são descritos lugares, pessoas e acontecimentos iconográficos daqueles anos e surpreendente é verificar que a maioria desses locais e dessas pessoas foram também nossas contemporâneas e que os hábitos dos jovens também não sofreram muitas mutações. Constatamos assim que as Caldas pouco mudou durante todos esses anos e que de repente nos finais dos anos 90 tudo se alterou.

Pessoas e locais de referência desapareceram em poucos anos e as Caldas perdeu com isso muito da alma que tinha e que lhe dava uma identidade própria.

Infelizmente o pouco que começa a restar da identidade caldense enquanto diferenciada de qualquer outra localidade de provincia começam a ser estes espaços virtuais e as nossas memórias que contribuem para manter a mística caldense.

Paulo Caiado

C O M E N T Á R I O S

Isabel Ballu Loureiro Raimundo disse:
Ai que saudades... da minha inocência e alegria de viver...

José Mota
hehehe, o João Carlos, a Sami, Jorge Humberto de camisola verde, Isabel Balú Loureiro e claro a Paula Nascimento ... alguns não me lembro dos nomes.

diz o que te vai na alma disse...
estas fotos são uma delícia. Uma revisita ao passado cheia de emoções para os seus protagonistas. É incrível como se compararmos fotos dessa época parecemos todos iguais...apesar das diferenças existentes...Obrigado por partilharem momentos tão íntimos e creio que intensos nas vossas memórias.

Paulo Caiado disse...
Olá, eu conheço a maioria dos alunos. São do ano imediatamente anterior ao meu. Vou colocar no grupo do FB mas entretanto vou legendando os que me lembro.Paulo Caiado (Facebook)

Isabel disse...
É engraçado que conheço vários, até suponho que era a minha turma da quarta classe. Mas eu não estou....Isabel Canela Lopes (Facebook)

Ana disse...
Ai estão tão giros... mas a minha boa memória só identifica 4 meninas.
Ana Nascimento

Julinha disse...
Ana! Só 4 meninas!!Não posso crer...tu,a mulher que conheçe toda a gente! Eu conheço muito bem a professora,tinha 6 anos quando a conheci.....foi a minha professora de instrução primária em Óbidos.Júlia Ribeiro

Z C Faria disse...
Ò p'ra ela, a minha querida avó! ☝♥☺♫☼José Carlos Faria

Manuela disse...
Reconheço apenas a saudosa Professora,a Senhora D.Clarisse :-)
Maria Manuela Gama Vieira

ANA LÚCIA

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Caros Colegas e restante família ERO,

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Fantástico ver como, depois de tantos anos e tantas coisas passadas por cada umas das nossas vidas, uns momentos passados entre amigos do ERO possam ser tão agradáveis... até para mim que estou bem longe.
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Foi com uma mistura de emoções que vi as vossas fotos, algumas caras conheci outras não tenho a mínima ideia quem sejam. Já lá vão mais de 38 anos que não vos vejo, excepto uma ou duas pessoas que vi há uns18 anos atrás. Não sei se me sentiria uma estranha entre vocês, no entanto devo dizer que quase consegui ouvir as "coloridas" gargalhadas ou ver os olhos molhados (ou diriam eles "brilhantes") dos colegas que sempre se consideraram muito "machistas" ou das "formosas" colegas que de repente se lembraram que o rímel não é "waterproof".
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Com tudo isto gostaria de felicitar e congratular o João Jales por conseguir juntar a "cambada" toda.
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Para todos os colegas que se possam lembrar de mim - devo estar a sonhar : -) , um grande abraço e talvez nos encontremos em 2011.
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Paro os professores e funcionários um grande beijinho e um muito obrigado por terem sido e continuarem a ser parte da minha vida, mesmo que presentemente só em recordações.
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Até um dia
Ana Lúcia
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A mensagem acima foi enviada após o Encontro de 14 de Novembro. Já anteriormente a Ana Lúcia tinha entrado em contacto com o Blog através de um email que agora publico esperando que alguém lhe responda.JJ
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Olá a todos,
Foi por mero acaso que hoje "cai" em frente do vosso site. Agradável surpresa mas um pouco traumatizante... Reconheci uma meia dúzia de pessoas,
se tanto. Há muitos anos que não moro em Portugal (desde 1975) e há mais de dez que não visito a "terra natal". Quando da última vez em Portugal tentei reunir-me com uns quantos colegas para celebrar os 25 anos do Liceu (Comecei no ERO mas os últimos dois anos após o fecho do colégio fomos transferidos para o Liceu Rainha D. Leonor) mas só 4 mostraram interesse e a ideia foi abortada.
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Era bom se colocassem nomes e fotos antigas para facilitar reconhecer as pessoas.
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Uma aluna Ex ERO...
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Ana Lúcia Pereira Almeida Santos

TEACHERS (Leonard Cohen)

A nova geração de professoras (1970/1972), por Isabel Xavier

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Em 1970 morreu António de Oliveira Salazar. Nesse mesmo ano o Papa Paulo VI recebeu os representantes dos Movimentos de Libertação das colónias portuguesas, houve manifestações contra a Guerra Colonial e foi criado o MRPP. No ano seguinte, 1971, as Universidades portuguesas contavam com a presença constante de forças policiais fardadas e à paisana. Em 1972, o estudante Ribeiro Santos foi morto a tiro pela DGS no interior das instalações da Universidade de Lisboa e foram presas cerca de 70 pessoas por se terem reunido na Capela do Rato em nome da Paz.

E no Externato Ramalho Ortigão, passar-se-ia algo de análogo? De que modo reflectiria esse “pequeno mundo” as transformações gerais que à sua volta, e designadamente no meio estudantil universitário, indiciavam o começo do fim da ditadura?

O director era o Padre Xico. As raparigas (e algumas professoras, segundo testemunhos prestados na primeira pessoa aqui no blogue) usavam mini-saia, maxi-saia ou calças; os rapazes deixavam crescer o cabelo e todos (menos eu) – rapazes e raparigas - fumavam desalmadamente, como se não houvesse amanhã, às escondidas, nas casas de banho do colégio. Mas, e este pormenor não é despiciendo, os rapazes mais velhos já eram autorizados a fazê-lo, durante os intervalos, fora das instalações do colégio. Vinham para junto do gradeamento do recreio das raparigas que se “penduravam”, conforme podiam, ao longo do dito (eu também).

Além das significativas mudanças já enunciadas, outro facto marcante dos novos tempos que se viviam no colégio, entre 1970 e 1972, foi a integração no seu Corpo Docente de uma nova geração de professoras, entre elas a Dra. Noémia e a Dra. Júlia, que leccionavam, aliás com competência inquestionável, respectivamente, as disciplinas de História e de Português.

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Cada uma à sua maneira, e por motivos distintos, se distinguiam dos professores a que estávamos habituados. Desde logo, pelo aspecto físico, a Dra. Noémia, que já tem aparecido em várias fotografias do blogue, tinha um ar arrapazado, andava sempre de calças; a Dra. Júlia usava brutas mini-saias, blusas decotadas e até mesmo de alças (ai se o Padre Albino visse...) e era um tanto “esgrouviada” de modos.



Depois, pelo modo como se relacionavam com os alunos. Mesmo eu, pouco dada a folias, me lembro de ter integrado um grande grupo responsável por um “assalto” de Carnaval a casa da Dra. Júlia. Dançámos, comemos, bebemos e lembro-me até de o Henrique Conceição, enquanto o Vasco Baptista se afastou por qualquer motivo, me ter vindo dizer com indiscutível convicção e uma voz algo arrastada: “Tu é que és boa rapariga, tu é que és mesmo boa rapariga!”. Valeu-me o Chico Carrilho que nos “separou”, ao mesmo tempo que dava razão ao Henrique. Fez bem, há certas ocasiões em que as pessoas não devem ser contrariadas, principalmente quando estão cobertas de razão.
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Já em casa da Dra. Noémia, a que também cheguei a ir com outros colegas, lembro-me de lá ouvir canções revolucionárias, as inconfundíveis músicas do cancioneiro anti-regime. Noutro registo, mas não menos interessante, lembro-me de ter sido aí que pela primeira vez ouvi Leonard Cohen, num disco levado pela Dra. Cármen, nossa professora de Inglês, deixando-me encantar (até hoje) pelos belíssimos poemas e melodias das suas baladas.

Alguém pensaria serem possíveis episódios destes em casa de professores do ERO? Sinais dos tempos!

- Isabel Xavier -


= "TEACHERS" Leonard Cohen =









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COMENTÁRIOS
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JJ disse:
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Não queria terminar esta série sobre os Professores sem assinalar a chegada ao Colégio de uma geração de professoras de "tenra" idade e pouca experiência lectiva no final da década de 60. Na minha memória é a Inês a primeira, depois a Ermelinda, Helena, Ana V Lino (apenas um ano, julgo), a Carmen, a Noémia e a Júlia. Estas três últimas trazem uma nova forma de relacionamento com os seus alunos, mais informal e que se prolongava fora do espaço do Colégio. Em casa da Noémia e da Nani, ali junto à Ponte, jogavam-se cartas e ouvia-se música diariamente, organizavam-se jantares e festas quase todos os fins de semana.

A Júlia morava ao pé do Convívio e era frequente encontrá-la a lanchar e conversar num dos cafés da praça. Era uma pessoa divertida, desinibida e bem disposta que falava pelos cotovelos e ria com facilidade e frequência

Eu frequentava a alínea F, não fui aluno de nenhuma delas, mas mantive esta convivência, que se prolongou, para mim, entre 1970 e 1972.
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O texto da Isabel é excelente, enquadrando bem a época e as caricaturas da São Caixinha; talvez por ter destas duas senhoras uma memória mais recente e de quando ela própria era mais velha, estão, na minha opinião, entre as suas melhores ilustrações nesta série. Mas há mais....
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Gostaria de saber o que é feito da Ermelinda (uma das melhores professoras que tive no ERO), da Helena, da Noémia e da Júlia. Alguém sabe?
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Isabel X disse...
Só para corroborar o que diz o Jales: as caricaturas da São estão simplesmente notáveis! Enquanto estive na faculdade (acabei o curso em 81) ainda vi algumas vezes a Dra. Júlia por lá. Depois, nunca mais! Também já me tenho perguntado: que será feito destas professoras?
- Isabel Xavier -
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João B Serra disse:
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Em poucas palavras, uma evocação sugestiva de uma época, com as suas personagens, estilos de vida, formas de relação, e com os seus ambientes: é assim que escreve a Isabel Xavier (e reconstitui pelo desenho a São Caixinha). Claro que também fala de si própria, mas com a sobriedade própria de quem historia o que testemunhou.
Nada tendo a acrescentar, só posso corroborar: em 1970 ingressou no ensino público e particular uma nova geração de professores. Eles tinham obtido um grau académico passando por cima de colegas que entraram antes na Universidade, pois foi em 1968 que o Ministro José Hermano Saraiva criou nas Faculdades de Letras e de Ciências o grau de bacharel. Eram realmente mais novos – dois anos em média – que os seus colegas licenciados e tinham apanhado em cheio as movimentações estudantis de Lisboa (1968) e Coimbra (1969). A geração do “rock” tinha agora a responsabilidade de fazer diferente na escola que tanto contestara.
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Julinha disse:
O artigo da Isabel está muito engraçado, gostei e fez-me lembrar um dito muito conhecido "chegou uma lufada de ar fresco" ao Blog!
Quanto aos desenhos da São, eu que não conheci nenhuma destas senhoras, parece que as estou a ver tal como a Isabel as descreve.Parabéns às duas meninas.Beijinhos. Júlia R
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Isabel Esse disse...
Está muito bom o artigo,como tem sido uma constante com a Isabel Xavier.Os desenhos da São estão estupendos,tem razão o Jales ao dizer que são dos melhores que ela fez!Conheci a casa da Noémia(e da Nani),era um sítio divertido,em que todos estavam à vontade.Lembro-me de lá ver a Lena,irmã da Isabel,a Fani,a Teresa Miguéis,a Zé Pereira,mas não a Isabel,que era mais nova.Lembro-me também de uma festa de Carnaval em 71 ou 72com o Henrique,Nuno Mendes,Jales,Hipólito,não sei se será dessa que falas?Beijos.Isabel
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Ana Carvalho disse:
Olá João
Não se pode uma pessoa ausentar durante 2 ou 3 dias e aparecem logo 2 excelentes textos no nosso blog.
Como sempre as caricaturas da São estão fantásticas e o texto da Isabel como sempre muito bem escrito. A drª Noémia e a Drª Júlia... que professoras fantásticas e amigas até, belas tardes que passámos em casa da Drª Noémia e Nani a jogar às cartas, a ouvir musica, a conversar.
Também eu fui ao assalto de carnaval, uma maravilha. Gostava de saber o que foi feito delas, tal como a Drª Inês talvez aparecçam aqui um dia destes. Bjs PP
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José Carlos Faria disse:
Consultar o blog após um período de ausência é um prazer sempre renovado. Desde logo porque há surpresas à espreita.
Desta vez foram os textos do Dr. Serafim e da Isabel Xavier. Sobre este último, o cruzamento, tão bem urdido, das memórias pessoais com os dados históricos, levou-me uma vez mais a compreender que as grandes transformações decorrem de uma sucessão de pequenas mudanças, por vezes imperceptíveis, mas que vão lentamente infiltrando raízes, abrindo brechas naquilo tido por supostamente impenetrável, até brotar a subtil planta do Novo, algo de substancialmente diferente do até aí vivido.
Também foi assim connosco: O Colégio, apesar da tendência imobilista e conservadora em que muitas vezes esteve mergulhado, não era (nem podia ser) uma ampola que nos isolava do Mundo e nos tornaria imunes e insensíveis aos tempos e ao soprar dos seus ventos. Éramos muito jovens num tempo (ainda) muito velho. O que estava para vir seria aliciante e inesquecível....
Quanto às duas recentes caricaturas que nos são oferecidas pela São Caixinha confirmam (se preciso fosse) o talento certo da autora e sendo particularmente conseguidas, fazem sobressair ainda mais uma colecção de grande qualidade.
Este nosso blog, a meu ver, já tem conteúdo que justifica começar a pensar numa antologia editada em suporte papel. As caricaturas são, desde logo, material a seleccionar. Z C Faria
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São Caixinha disse:
O texto da Isabel X sobre a Dra. Noémia e a Dra. Júlia está muito interessante!! E que excelente memória também!
As caricaturas a enquadrar este tipo de textos ficam naturalmente muito enriquecidas! Obrigada de qualquer forma pelas simpáticas palavras! Sabem sempre bem os elogios, tenho que admitir!
Concordo com o JCF ao referir que há material de qualidade suficiente para uma publicação em papel...pela abundância creio que haverá até alguma dificuldade na selecção de textos e comentários! Fico a aguardar o final da série!!

COMENTÁRIO FINAL DO DR. JAIME SERAFIM

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Realmente sou muito maçarico nestas coisas dos blogues…

Só ontem me apercebi de uma quantidade de comentários ao texto e à caricatura que a Isabel Xavier e a São Caixinha tiveram a gentileza de dedicar à minha pessoa, tendo-o feito com cores, pinceladas e traços e muito vivos, muito marcantes para mim – não é de mais voltar a agradecer-lhes.

Mas queria agradecer também à Manuela Gama Vieira o poema que me ofereceu e que, como seria de esperar, foi escolhido com grande sensibilidade e mestria entre os tantos e tão belos poemas que nos deixou o meu metodólogo e poeta preferido, Dr. Rómulo de Carvalho/ António Gedeão. Lembro-me muito bem de si, sempre muito empenhada, muito colaborante, com uma forma de estar irrepreensível, fruto da excelente educação familiar, que foi extensiva aos seus irmãos João e Fátima, que também foram meus alunos e amigos. Obrigado Manuela!

As palavras da Manuela, do Óscar, do Zé Carlos, da Paulinha Pardal, do Jales, da Júlia, da Laura, da São, da Guidó e as da Isabel, claro… comoveram-me mesmo… ai que estou a ficar tão velho… mas confesso-vos que foi muito bom. Obrigado a todos pelo vosso carinho e amizade.

É muito gratificante, depois de tanto tempo, verificar que alguns dos meus alunos apreciaram o meu trabalho e perceberam que procurei dar tudo o que podia e sabia – não era muito, mas era feito com muito empenho, muita alegria e com a melhor boa vontade. Na altura ainda não tinha uma verdadeira formação pedagógica – trabalhava por intuição e muitas vezes baseava as minhas estratégias nas que tinha observado, quando aluno, nas aulas da GRANDE professora que tive e que me marcou para sempre – a Sr.ª Dr.ª Margarida Ribeiro. Espero ainda escrever um texto sobre esta Senhora, que leccionou no ERO e que, na minha óptica, foi das maiores competências, científica e pedagógica, que por lá passou, para além de ter uma sensibilidade e forma de estar que sempre mereceram o respeito e a admiração dos alunos que tiveram a sorte de lhe passar pelas mãos.

E agora uma palavrinha para a minha Querida Amiga Inês Querido, que já não vejo há tantos anos e de quem tenho tantas saudades. Que bom que a Inês tenha descoberto as "traquinices" do João Jales! Tal como muitos de nós, espero a sua colaboração no relato de situações tão interessantes que se passaram durante os quatro anos em que esteve connosco.

Oh Inês… e os belos tempos em que tínhamos um colega arabista e que nós, para não ficarmos mal vistos, até "falávamos em árabe"! Ainda se lembra como se dizia "director", "contínua", "Lídia", "rapaz" ,"supositório"… ? E as ordens de serviço que nos eram fornecidas, por escrito, na portaria, como eram designadas?

Jaime Serafim
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COMENTÁRIOS
Inês Figueiredo disse.;
Serafim!!! desde 3ªfeira à tarde que o João Jales transformou a minha vida. Irresistível este rapaz! (mas o JJ fica para depois)
tsch...o arabês! :))) foi um momento solene em que o Padre Albino nos apresentou oficialmente um sénior e conspícuo Dr.Garcia Domingues (que salvo erro veio substituir em História a nossa jovem e bem-amada Ermelinda) como o "maior especialista em assuntos árabes da península ibérica". Aí, você ('tsch! tsch!') abriu o coração ao recém-chegado, acolhedor que sempre foi, e 'entregou o ouro ao bandido'. Andávamos por essa época animadíssimos a 'reconstituir' a língua árabe. Vinha que nem canja, para integrar o novo colega, SE pela mente do Dr Garcia Domingues pudesse passar a hipótese de alguém brincar durante a sua cerimónia de investidura :)) foi um momento falhado porque o sábio senhor 'vivia a presença árabe na Península'! Se os deuses ajudaram talvez ele pensasse simplesmente que não falávamos um árabe erudito...
Respostas: "director" era Al-bino, "contínua" (passo), "Lídia" (passo), "rapaz" era al-moço,"supositório" era al-coentre!
Yah!! ordens de serviço confesso que não me lembro, seria 'al-pistas'?...
Agora sou eu que pergunto: "carvão", "janela", "gato","cara" e "mala" ?
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Jaime Serafim disse...
Venho só para recordar à Inês que, em arabês, contínua era Al-da, Lídia era al-drabona e rapaz também se dizia al-uno. Quanto às ordens de serviço, eram entregues na portaria pelo Sr Carias, sempre muito educado e cerimonioso - eram-nos dadas por Carias...
Das que pergunta, só me lembro de cara, al-face e gato, al-quimia...E em Inglês, Pardal lia-se paadell...Um beijinho para si Inês!Estamos à espera de um texto seu!
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farofia disse...
Jaime,dado que me sinto demasiado comovida (alquebrada),deixo o meu texto para amanhã :)Mas 'first things first': "carvão" era alcateia, "janela" era almirante, e "mala" era alcofa.Outras: "rua" era alviela, "salário" era alvíssaras,"sapato" era alpargata e "professor" era ... algoz.
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João Jales disse:
Mas isto é o fim de todos os fundamentos da minha vida escolar! Então os professores eram tão (ou mais!) irreverentes que os alunos no ERO? Mas se Director em "arabês" era Al-Bino e supositório Al-Coentre entre estes senhores que brincavam durante a investidura do "maior arabista da Península Ibérica" , então nós eramos "meninos de coro". Dra. Inês e Dr. Serafim, estou profundamente chocado com estas revelações (e quero MAIS!).
Exijo uma urgente revisão de toda a História do Externato Ramalho Ortigão, pelo menos na década de sessenta, na Assembleia Geral da nossa agremiação, a realizar no próximo 14 de Novembro.
Tenciono "vingar-me" da Dra. Inês muito brevemente. "Wait and see..."
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farofia disse...
Resposta ao João Jales:
Sim, os professores eram tão irreverentes como os alunos no ERO, mais seria impossível. Considero que não passava de um simples contágio, do tipo bexigas loucas, mas o Serafim deve ter uma explicação científica, uma Teoria Quântica ou uma Reacção em Cadeia aos "meninos de coro".
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Luisa disse:
Mas não é posdsível acompanhar o ritmo actual deste blogue!Cada vez que o abro para ver melhor ou terminar um artigo qualquer há algo de novo para ver.
Escrevi há dias que a Dra Inês era das melhores professoras do colégio e,pelo que percebo,ela está aqui a comentar e a recordar esses tempos connosco...E chama-te irresistível,JJ!E és mesmo!Um beijinho grande para a Inês,o Serafim e para ti.L
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João Ramos Franco disse...
Dr. Jaime Serafim:
Tudo o que tenho lido durante estes dias transmitiu-me a imagem de um Professor do ERO, que deixa nos seus alunos tudo o que tinha de bom e de humano para transmitir.
Foi com agrado (como ex ERO, já com 66 anos) que li as boas recordações dos seus alunos e leio o seu comentário final.Apesar de não ter sido seu aluno, presto homenagem a um professor que deixa a sua presença marcada por a amizade que deu.
João Ramos Franco
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farofia disse...
Acto de Contrição:
eu, abaixo assinada, confesso que pequei por omissão. E comprovo a verdade absoluta da apresentação do Padre Albino, com este link:
basta clicar . O Dr. Garcia Domingues é uma figura importante da nossa cultura.Fico a torcer pela minha redenção, perdão! perdão!
Inês
(mas lá que o arabês era 'bué' de curte, antes da chegada do erudito, isso é verdade, não é Jaime?)
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Oscar Oliveira disse:
Aguardo ansiosamente as cenas dos próximos capítulos do bate papo entre o dr. Serafim e a dr.ª Inês a propósito das traduções para árabe de algumas palavras.
Santa ingenuidade, também a minha, que me levava a julgar que só nós é que expressávamos alguma irreverência (à boca pequena, como tinha que ser naquela época) mas, pelos vistos em relação ao mestre de árabe, pelo menos alguns professores também não eram propriamente reverentes, apesar da diferença de idades.
Mas esta troca de palavras não me revelou algo que gostava de saber. Como desde que saí do colégio apenas vou esporadicamente a Caldas, não acompanhando os percursos da maior parte das pessoas, desconheço o paradeiro da dr.ª Inês, alguém que incluo no restrito grupo dos melhores professores que tive. Recordo o primeiro ano em que foi minha professora (1967 - penso também que o primeiro ano em que deu aulas...), com a sua pequena estatura e aspecto de ter pouco mais idade do que os nossos colegas mais velhos do colégio, o período em que não deu aulas por ter sido mãe e que, segundo julgo, morava muito perto do colégio.É bom reviver o passado e o nosso blogue é um veículo extraordinário para isso.
Já agora, para o dr. Serafim, recordo que, com a sua refinada ironia e em virtude do meu nome não ter assento no "O" (Oscar, e não Óscar), me chamava frequentemente de «Oscár», como se de uma palavra aguda se tratasse, mas com o "O" também aberto, assemelhando-se a uma pronúncia afrancesada.
Oscar Oliveira
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Júlia disse:
Cada vez que venho ao blog algo me surpreende...... cheguei à conclusão de que não conheci o Dr.Serafim !!! Estou a conhecê-lo agora, ao fim destes anos todos.
Eu pensava que tinha tido um professor muito sério, muito caladinho, muito compenetrado no seu "papel de professor"....uma pessoa que nunca partiria um prato e agora deparo-me com um Senhor que é capaz de partir a loiça toda!!! Será isto possivel?
Dr. Serafim não imagina a alegria que sinto ao vê-lo juntar-se a esta Familia do ERO! Mais uma vez lhe agradeço o ter acedido ao desafio que lhe lancei.
Um beijinho. Júlia R
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farofia disse...
"por-carias" ah!ah!ah!
xiiiii! eu... sou... lenta! (não era assim que dizia o Bonacho?) :)
só à 3ª leitura é que reparei que não era arabês, nem lapso!
e então?! uma gargalhada vem sempre a horas!

MADAME INC

por José Carlos Faria


Desenho: São Caixinha



Volta e meia, meia volta, a coisa dava-se.

Tocava para a aula de Ciências e de súbito, desentranhava-se, do mais fundo de nós, uma inquietação gelada feita pressentimento sombrio. Ia-se em desalento tal como o rebanho de almas penadas na porta do Inferno de Dante: «Deixai toda a esperança, oh vós que entrais». E assim era de facto...

Com o ânimo escorraçado a errar lá fora pelos corredores desertos, os piores receios confirmavam-se - A Drª Cristina, temida por muitos, execrada por tantos mais (feitios!), fazia a sua entrada triunfal ao compasso tronitruante dos saltos altos e, camuflada por detrás do fumo de cigarro empunhado, encarava a turma expectante, numa antecipação do gozo (dela) iminente, qual caçador furtivo perante presa à mercê. Abria o livro de ponto com delongas estudadas de Diva e, talvez por «spleen», para espantar a modorra (sabe-se lá!), proferia a mais áspera e indesejada sentença:

- Chamadas!

(Era assim mesmo, duro e cru, sem quaisquer eufemismos didácticos de «revisão da matéria dada» ou veleidades pedagógicas de «experiências laboratoriais», aliás raras, com esta protagonista).

- Chamadas!

Pronto! Aí estava a condenação, sem apelo possível, apenas a perspectiva de um agravo implacável a pairar, inquietante e ameaçador, sobre as cabeças de todos, irmanados na desolação. A partir dali, a Vida jogava-se inteirinha nos três quartos-de-hora seguintes, numa prova de fogo levada ao limite e donde ninguém sairia incólume.

Começava então um longo ritual de sádicos preliminares. De caderneta em riste, folheava as fichas individuais abrilhantadas com o registo de cada um, mais a respectiva fotografia cadastral. A angústia e a ansiedade aumentavam progressivamente à medida do voltear de páginas, enquanto a contagem mental colectiva dos números identificadores acompanhava os avanços e recuos. Sim, porque a consulta não era linear: Os dedinhos sapudos iam marcando a sina de presumíveis vítimas, desde logo ali suspensas numa tortura prolongada e num desejo absurdo de asas para uma evasão impossível. Os que viam a sua posição ultrapassada, encontravam, por um momento, um ligeiro alívio. Ilusório engano! Uma inesperada inversão de sentido ou um qualquer inopinado retorno, voltava, de imediato, a colocá-los em risco.

As paredes estreitavam-se, opressivas. Névoa. O ar denso, irrespirável. Têmporas a latejar. Socorro!...

Aquela metade heróica que não há quem não tenha, incitava a uma loucura de gesta, um gesto temerário de ousar um grito de denúncia contra a prática do terror psicológico e, em paralelo, o lado sensato e racional (leia-se: acobardado) a sobrepor-se: «Está quieto, minha besta! Vê lá mas é se te fazes invisível». Qual o quê! O relógio parece imobilizado. Sufoca-se! As unhas ainda lá estão, de fora, a intercalar folhas, entretanto já com mais outros pressentidos para a tosquia; enquadrando a busca, abre-se uma careta sardónica, desenhada a bâton, quase parecida com um sorriso, mau, mau, os signos do verniz e bâton conjugados em acorde cromático com tons pálidos de rosa-anémica-desmaiada (ousar o rubi poderia ser demasiado escandaloso), constituem, nesta conjuntura, um alarmante sinal de perigo, ai, ai, tirem-me daqui, por favor... antes a morte que tal sorte. O revolver das folhas soava como um afiar de cutelos para a degola dos inocentes e a classe aguardava, de cerviz baixa, numa impotência resignada.

E num ímpeto, a escolha abatia-se, fulminante, sobre um qualquer, ao acaso, e podia até não recair em nenhum dos previamente seleccionados. O tal verniz apontava agora, ofuscante, para um/a desgraçado/a, o dedo curvado em anzol a acenar silencioso convite obrigatório de «vem cá, anda»! E a gente ia, que remédio, como um penitente arrastado, ainda vivos mas já arrolados nas baixas em acção, levando nas costas a compaixão solidária dos colegas, semelhante à piedade muda dos olhos das rezes no açougue. O abate era o destino inexorável e o estrado, o altar de sacrifícios onde aconteceria a imolação.

Tinha início nessa altura uma segunda etapa: a desmontagem por peças da criatura na berlinda.
Era colocada sobre a secretária uma caixinha de esmalte a servir de cinzeiro. O pequeno clic metálico de abertura da tampa ressoava como o gongo de assalto dum ringue de boxe, no qual só um dos contendores apanhava uma sova. Baforadas espessas de tabaco. Em frente estava um dragão, de perna traçada, exalando fumo pelas narinas. As chamas chegariam quando abrisse a boca para as primeiras perguntas. A Esfinge devorava quem não lhe soubesse responder. Aqui também e não havia S. Jorge que valesse. Nesta fase, a salvação era uma miragem remota. Onde o torcionário recorria às sevícias, a Drª Cristina usava as chamadas. Coincidiam ambos na eficácia do método utilizado e na peculiar curiosidade interrogatória sobre os mais ínfimos detalhes. O stress traumático aumentava com as gargalhadas de mofa e os comentários chocarreiros a propósito da inevitável e crescente falta de fiabilidade das respostas. Nada servia. Tudo era insuficiente. Houve até quem, em total desespero, tivesse empinado páginas e capítulos inteiros do Compêndio, debitando-as na perfeição. Nem mesmo assim conseguíam satisfazer. A perturbação provocada pela Grande Inquisidora, causava-lhe indesmentível prazer. Nos olhitos piscos vislumbravam-se cintilações deleitosas tão intensas que nem as lentes grossas e fumadas disfarçavam. O resultado final estava traçado há muito: Quase sempre um M a vermelho, não de Magnífico mas de Mau, nódoa infamante no caderno diário, que teria depois ser apresentado com a assinatura do encarregado de educação. Uma encrenca!...

Na correcção dos testes, a margem branca vinha crivada de encarnadas siglas - M. INC - (abreviatura de «Muito Incompleto»). Isto valeu uma alcunha: Madame Inc. E, desculpará, mas alcunha é nome de guerra, ganho no campo de batalha da sala de aula, cognome glorioso a garantir a imortalidade.

Ele há-os p'r'aí cada «princês» de quem se diz serem tão ruins que nem a dormir são bons. Não é o caso! Esta caríssima Dama devia ter uma ternura de soninhos encantadores, na plenitude da paz dos anjos (assexuados, 'taditos, mas também ninguém é perfeito, não é?). E que não haja a este propósito qualquer mal-entendido: Isto aqui é um sítio sério e de muito respeito. Não se querem cá poucas vergonhas e muito menos se pratica a calúnia moral nem a demolição de carácter. Admitamo-lo pois frontalmente: A boa da nossa Professora teria decerto as suas virtudes e qualidades, a querida Senhora. Eu é que agora (defeito meu, sem dúvida), assim de repente, não sou capaz de me lembrar de nenhuma, já viram?



José Carlos Faria
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C O M E N T Á R I O S
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oscoliv disse:
Num breve comentário, apenas quero dizer que me parece que a realidade ainda era bastante mais funesta do que a excelente prosa do Zé Carlos Faria conseguiu transmitir.A Dama em causa, como o ZCF lhe chama, ostenta a medalha de me ter dado um dos dois Maus que tive em chamadas nos sete anos de colégio (o outro foi bem merecido e foi com a Madame Nicole no "Au claire de la lune").Mas o Mau de Ciências começou com uma pergunta que eu verifiquei depois que tinha acertado, embora a resposta da inquisidora tivesse sido breve e directa: Está mal! Foi o princípio do descalabro daquela manhã.Reconheço não ter sido muito massacrado pela dita, mas sempre me custou ver o que alguns dos meus colegas sofriam.
Enfim, todos ao longo das nossas vidas nos cruzámos com outras Cristinas, embora dificilmente nas mesmas condições de subalternidade. Oscar
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Isabel X disse:
Momento altíssimo do blog ERO! Eu não vos avisei do talento do Zé Carlos Faria? Aqui muito bem acompanhado do igualmente altíssimo talento da São Caixinha: viram o ar sádico que ela tão subtilmente confere à Dra. Cristina? Era mesmo assim, não há como dizer bem.
Confirmo a impossibilidade já manifestada pelo Zé Carlos. A mim, antes das aulas da senhora, davam-me constantes e arrasadores ataques de catolicismo e ia, sistematicamente, rezar, cheia de devoção, para a capela do colégio. Eventualmente, não sendo chamada, ia depois agradecer a graça obtida. Mesmo eu que me esforçava por ser boa aluna, fui chamada, obtive má classificação e fui acusada de "ter passado pela matéria como gato pelas brasas!".
Num ano em que tivemos a desdita de ter a Dra. Cristina como directora de turma, ela destituiu-me de "chefe de turma", cargo para que havia sido democraticamente eleita pelos meus colegas (era sempre) porque, nas suas palavras, "era ainda pior do que os outros". Mas não era, juro que não era! Só me recusava a "entregar" os colegas que se portavam mal quando os professores nos deixavam a sós nas aulas!
Não me lembro de ela explicar qualquer matéria, apenas de ter que a estudar sozinha para me preparar para as suas "chamadas", método muito próprio de pôr os alunos a estudar! "Ganda" Zé, é assim mesmo! Muito grata!
- Isabel Xavier -
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Luisa disse:
Fantástico, era mesmo assim como o Zé Carlos descreve!!! E o desenho fica aqui a matar, grande artista é a São!!!
Parabéns, Zé Carlos, os teus posts são realmente muito engraçados. Luisa
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Manuel Agudo disse:
Brilhante... a caricatura da São Caixinha e a narração do Zé Carlos. Tenho lido alguns comentários sobre as diversas presonalidades ligadas ao ERO, mas como não o frequentei muitos anos, não me recordo muito delas, mas esta efectivamente avivou-me muito a memória.
A imagem de firmeza, do cigarro e dos óculos na caricatura está de facto a dar os pontos essenciais da Drª Cristina, mas a descrição/narração de uma aula tipo com "sumário-chamadas" e o silêncio dramático a preceder o encontro com a "tirana", é uma pequena obra d'arte litetrária!
Espero que recriem outros professores já que não me recordo da maior parte deles.
Continuem com essa veia, que ler isto ao fim do dia é bem melhor que as notícias da crise!Manuel Agudo
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João Jales disse:
Este filme de terror, que o Zé Carlos transformou numa comédia negra, é realmente um dos pontos altos deste Blog. Mas nem o humor do autor conseguiu evitar-me um estremecimento de medo, um arrepio na espinha, ao relembrar a tortura a que éramos sujeitos. A excelente ilustração da São ainda "piorou" esta sensação!
Quem não tenha, como eu, sofrido sete anos deste tratamento pensará que há aqui exagero, teatralização, liberdade artística. Nada disso, o clima era o descrito, mas sem o distanciamento humorístico que os anos tornaram possível. E eu ainda tive três anos (ou dois e meio) de Geografia, o que perfaz dez anos de "galés", não havia por onde fugir. Tenebroso.
O texto é magnífico, muito divertido, e obriga o autor a regressar, o Blog não seria o mesmo sem as contribuições do Z C Faria! Idem para o desenho da São Caixinha, felizmente temos já garantidas mais ilustrações dela para esta série. JJ
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João B Serra disse:
A descrição em cores fortes que o José Carlos faz desta personagem e o desenho impressivo que dela faz a São surgem tão vivos que eu, por momentos, senti uma espécie de ilusão de reconhecimento. Os traços desta professora – que julgo não ter conhecido – pareceram-me absolutamente familiares, o que, não correspondendo à realidade, ilustra bem a capacidade evocativa dos dois autores. Escrever e desenhar bem é afinal isto: tornar real uma personagem que se esbateu no tempo e é apenas agora um retrato feito de memórias. Se me permitem, fazendo minhas as palavras entusiasmadas dos leitores anteriores, bato palmas e não tenciono parar enquanto não nos prometerem ambos um (para já) “encore”.
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São Caixinha disse:
Que honra o meu desenho poder acompanhar este magnífico texto do JCF! E...oh...as memórias das chamadas da Dra. Cristina... que eu com tanto esforço consegui selpultar na cova mais funda do cemitério do esquecimento! Apanhou-me de surpresa a ressureição destes momentos que o JCF consegue descrever atenta e minuciosamente com extraordinário humor. Que talento!! Simplesmente sublime...parabéns José Carlos!!
Um beijinho, São
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Miguel B M disse:
Impecável texto do ZCFaria bem dentro do que já nos habituou.Mas mais uma vez peca por defeito e excesso de decoro.Ensinaram-me desde criança que não se deve dizer mal dos que já partiram e sendo assim vou ser comedido em relação a uma megera que nos infernizou durante sete anos a fio.Se a dita criatura ainda estivesse entre nós eu, pessoalmente, tinha motivos para a arrasar embora nunca tivesse sido lixado por ela pois nunca o conseguiu,embora levasse anos a tentar fazê-lo.
Não há dúvida que na vida surgem pessoas boas e más.Esta professora era o que se pode classificar como o exemplo bem conseguido de uma pessoa má .Creio que a história dos "inc" era exactamente prova disso mesmo,ou seja,mesmo que a resposta estivesse absolutamente correcta ela arranjava sempre maneira de nos prejudicar.Era uma questão de postura,o estatuto dos alunos era serem pura e simplesmente massacrados sob todas as formas possíveis.E nem sequer penso que fosse daqueles professores que gostavam de "achincalhar" os alunos.Eu dou alguns exemplos.O Zé Guerra foi impedido por ela de ir a exame no 7ºano, oficialmente via ERO,em Naturais (como ela própria designava a cadeira). Foi individualmente e dispensou da oral. A Cristina em pessoa foi dar-lhe os parabéns (ficámos incrédulos) o que seria improvável para um ser que não fosse apenas mau. A resposta foi ao nível "-ora,eu sabia aquilo tudo".Por outras palavras,"tentaste mas não conseguiste tramar-me". Outro exemplo. Quando distribuia os pontos, após a respectiva correcção, as negativas eram anunciadas com ênfase e especial prazer.Nessa mesma hora começavam as famosas chamadas.O que não fazia sentido nenhum era serem chamados os alunos que tinham tido as piores notas,os "mau".É claro que quem tinha tido "mau" no ponto voltava a ter outro "mau" dois dias depois.E assim,alegremente,o referido aluno levava para casa,para o pai assinar,dois "mau"seguidos e a certeza que a positiva no final do período já era.
As Ciências Naturais eram a minha cadeira preferida, e aquela de que eu mais sabia,estando de acordo com a minha vocação académica.Na hora da verdade,no exame do 5º ano e particularmente no 7º (em que precisava da nota para dispensar do exame da aptidão à Fac.), já não me lembro dos valores,mas ainda sei que foram altíssimos.No entanto durante o ERO cheguei a ter negas nos pontos e nas famosas chamadas nunca passei do "bom -". MBM
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jorge disse:
a cristina foi,pessoal e pedagogicamente,o pior professor que tive no colágio.não parece possível o serra não a conhecer,ela entrou seguramente bem antes dele sair.diziam alguns que as suas atitudes se deviam à sua infeliz vida pessoal e à sua falta de qualificações para dar aulas já que tinha estudado pouco mais do que o 7º ano.alguém sabe se é verdade?excelente texto do zcfaria com belo desenho da são caixinha-de ambos,só me lembro dos pais...jorge
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Ana Carvalho disse:
Olá Zé Carlos
Por momentos, ao ler o teu texto, achei que tinha voltado aos meus tempos de Colégio e senti um aperto no peito tal como acontecia há ...muitos anos, é melhor não dizer quantos, felizmente era mentira! Boa ZCF, excelente texto. Bjs PP
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António disse:
Há momentos neste blogue-e tem sido inesperadamente abundantes!-que são verdadeiras pérolas.Esta conjugação do retrato da São com o texto do Zé Carlos é sem dúvida um deles.Muito divertido e muito verdadeiro.Já alguém disse que queremos mais, não foi?Queremos mesmo.abraço,Tó
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Júlia Ribeiro e Joaquim Oliveira disseram:
Começamos por dar os parabéns à São pela caricatura da Drª Cristina que dá imediatamente a imagem dela! O cigarro...as unhas...a sua postura...
A Drª Cristina foi para o colégio a meio do ano lectivo de 63/64,após a saída do Dr. Nunes,portanto foi nossa professora durante algum tempo no 6º e no 7ºanos.Realmente não foi uma professora,ao contrário de outros,que nos marcasse tanto pela positiva,mas também não temos uma ideia tão negativa da senhora.Será que mudou?Piorou ao longo dos anos?Pomos francamente essa hipótese.
Como professora não teria sido das melhores,mas também não foi das piores.Fazia as ditas chamadas,como todos os professores que tivemos do 1º ao 7º ano,era um dos métodos de avaliação usados na altura e lembro-me dos cadernos diários das várias disciplinas cujo sumário muitas vezes era :Chamadas. Estas ditas chamadas realmente punham-nos em sobressalto ao vermos as folhas da caderneta para a frente e para trás e lá calhava a um desgraçado.....
Dela,ficaram-nos no ouvido aqueles gritos "estridentes" a mandar calar, por vezes a barulheira era tanta que dava cada grito que quase nos ensurdecia....mas havia alguns colegas que a tiravam do sério,como a outros professores,só que a atitude destes era diferente.
Com este comentário quisemos apenas tansmitir uma opinião porventura diferente da dos colegas mais novos, do que foi para nós a Drª Cristina.
Júlia R e Joaquim Oliveira
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Luis disse:
Tenho lido o blog, mas não tenho participado, quase sempre por preguiça mental. Desta vez não pude resistir a comentar esta peça deliciosa que o Zé Carlos aqui deixou com o seu habitual humor e talento literário. Texto absolutamente fabuloso!
Também fui chamuscado pelas chamas do dragão e por isso posso testemunhar a fidelidade e até alguma complacência com que descreve a barbaridade do acto. A tensão era tal que mesmo os sabichões pareciam ignorantes disléxicos. Estão ainda por apurar as consequências psicológicas daquela experiência. Sejamos benevolentes! Talvez a intenção fosse a de nos deixar mentalmente mais preparados para resistir às agruras da guerra colonial.
Parabéns Zé Carlos. Por favor continua a desenvolver o tema que sei que ainda tens muito para lhe dar e para nos divertires. Claro que também gostei do excelente desenho da São.
Luis Gouveia
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Laura Morgado disse:
Depois de tudo o que li sobre a Dr.ª Cristina, quero dizer aos meus colegas mais novos que a professora deve ter mudado muito ao longo dos tempos.E, como em tudo na vida (salvo raras excepções), a mudança é sempre para pior...
Tento perceber a razão dos vossos textos, faz-se um relato de uma professora completamente diferente daquela que eu conheci nos dois últimos anos do curso complementar.
Quanto às chamadas, éramos habituados às ditas cujas desde o 1º ano, era um dos métodos de avaliação usado por todos os professores.Pode-se questionar a pedagogia desse método, pois deixava-nos sempre com o coração nas mãos, o que era péssimo.Como professora que sou, não posso deixar de dizer que, por estranho que pareça, ainda se usa o inc.O que não me parece muito mal, pois o aluno sabe que aquela resposta, não está totalmente completa; e para qualquer um mais interessado é um alerta para, quando da correcção, tomar nota do que lhe falta. Laura
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Pedro disse:
O texto de Zé Carlos está bem escrito, como é hábito, mas eu também fui aluno da Dra. Cristina, do 1º ao 5º ano e devo dizer, em abono da verdade, que não guardei dela uma memória tão negativa como a da maioria dos outros comentadores, quer porque gostasse de Ciências ou porque tivesse caído nas suas "boas graças" o facto é que nunca me senti "torturado" ou fui para a aula com um "nó na garganta".
Também não tenho, de todo, a ideia de que fosse uma professora que não ensinasse (quanto a professores que não ensinavam lembro-me, isso sim, de uma professora de História que passava as aulas a fazer ditados...)Pedro Bandeira
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Manuela Gama Vieira disse:
O excelente texto e o não menos excelente desenho/caricatura da São Caixinha trouxeram-me à memória o que recordo da Dr.ª Cristina Marques.
Oh Zé Carlos Faria, a Drª Cristina não tinha as mãos “sapudas”, ao contrário, umas mãos lindíssimas, dedos esguios, nos anelares, anéis de muito bom gosto, unhas impecavelmente bem arranjadas. E o cabelo, lembram-se? Artisticamente “apanhado”, penteado pelas mãos de M.me Vasquez.
Quanto aos seus dotes de “tortura”…como era possível, a par do seu sentido estético, um interior tão inestético…para nós…as vítimas?!
Os capítulos de “a próxima vítima” estão tão bem descritos pelos meus colegas, que até senti um arrepio, como se tivesse regressado aos meus verdes 13, 14 e 15 anos…os que andei nas “unhas” da Drª Cristina.

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M.Fátima Gama Vieira disse...
Cheguei à nossa bela cidade com a minha família decorria o ano 1965, deixando a cidade de Faro e o Liceu onde completei o 1º ano. Não posso esquecer o dia da sessão solene que dava início do ano lectivo.A certo momento fomos informados que nos devíamos dirigir às nossas salas,todos correspondemos ao solicitado.Todos nós do 2ºano entramos na nossa sala de aula e fomo-nos sentando nas carteiras, eis que entra a nossa Directora de Turma a Dra.Cristina Marques e dá dois gritos que me assustaram deveras -" Quem vos mandou sentar?"-"Levantem-se imediatamente e encostem-se ao quadro".Silenciosamente obedecemos, uma colega olhou para mim reparou na minha expressão e tentou tranqilizar-me, segredou ao meu ouvido "não ligues que ela é sempre assim...".Acompanhou-me até ao 7ºano, pois segui a alínea F, e estou certa que o gosto pelas ciências foi muito importante.