ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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A BANDA DO CLUBE DOS CORAÇÕES SOLITÁRIOS DO SARGENTO PIMENTA

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Tive, ocasionalmente, conhecimento da existência de um desenho de um aluno do ERO publicado num jornal nacional em 1968. Como era inspirado na iconografia de Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band movi céus e terra para o obter (isto é, escrevi ao autor e ele, amavelmente, enviou-mo).

Aqui o têm, republicado mais de quarenta anos depois. O texto que publiquei sobre este disco está aqui.

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Aqui vai o desenho...é uma página de jornal (já muito velha)


do suplemento juvenil do "Diário de Lisboa" de 2-1-1968...


um abraço, JGV

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C O M E N T Á R I O S
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Isabel Esse disse...
O João Gama Vieira desenha muito bem,já tinhamos visto a caricatura do Dr. Azevedo.
Parece que isto é um scan do jornal em que foi publicado e é pena não se ver melhor porque as figuras estão muito engraçadas.Não haverá o desenho original que permitia uma cópia melhor?
Parabéns e obrigada por nos mostrares esta relíquia!
Isabel
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Luis disse:
Muita arte e muitos artistas havia no Colégio!E o Suplemento Juvenil do DL era uma publicação muito lida naquela altura.
Vejo que foi publicado em 1968 mas o desenho está datado ainda de 67,ano de edição do disco!Que idade tinha o João Vieira nessa altura?L
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Manuela G V disse:
Perdoem-me a imodéstia, mas o meu irmão João Licínio foi sempre um rapaz cheio de talentos, do desenho, à pintura...à escrita.
Ah, um melómano, também, contagiava todos (Pais incluídos) lá em casa! Com os Beatles, e todas as bandas daquele tempo.
Penso que o desenho original não existe, foi enviado para o DL. Naquele tempo não havia fotocópias....
Aquando da publicação no blog da caricatura do Dr. Azevedo, creio que algum(a) colega, num comentário, perguntou se ele ainda desenha. Como ele não respondeu, digo-vos eu, desenha e pinta (óleos) primorosamente!
Concordo com o Luís, afinal muita arte e muitos artistas havia no Colégio.
Quanto à idade do meu irmão em Setembro de 1967- data do desenho- 17anos.Ao Jales que faz "descobertas" destas, "move céus e terras"...não tenho adjectivação... Inigualável!!!
Manuela Gama Vieira
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UM DIA NA VIDA (João Jales)

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Entrei na loja naquela quinta-feira cumprimentando quem estava, como habitualmente. Mas algo de estranho se passava, ninguém pareceu dar pela minha chegada porque, debruçados sobre o balcão e olhando para algo que eu não conseguia ver, alguns dos presentes diziam nomes, enquanto outros respondiam que sim e que não e que talvez… Todos quantos estavam na loja estavam nesse aglomerado de pessoas!
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O ambiente era ainda mais estranho porque do pick-up, colocado ali no canto à esquerda de quem entrava, jorrava uma dissonante melopeia oriental tocada por estranhos instrumentos que eu nunca tinha ouvido. Quem estaria a ouvir aquela bizarra música? Ninguém aparentemente, todos os clientes pareciam apenas atentos a uma grande fotografia colorida pousada em cima do balcão e diziam: Marilyn Monroe … Bucha e Estica… Marlon Brando... Tom Mix…
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Mas as coisas modificaram-se, a música tornou-se um Rock mais reconhecível, embora com arranjos diferentes, mais ambiciosos, do que eu estava habituado a ouvir; as vozes, essas eram fantásticas. Subitamente, um galo cantou…Um galo? Alguém, do grupo do balcão, se dirigiu ao disco que tocava e disse:
- Temos que ouvir o galo outra vez!
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Mas não conseguiu saber onde colocar a agulha porque não havia o habitual espaço entre músicas, elas sucediam-se ininterruptamente no disco e ele acabou por optar deixá-lo a tocar sem voltar atrás.
.Shirley Temple …. Diana Dors …. Einstein …. Marlene Dietrich …. nomes de artistas de cinema, escritores, cantores, políticos, a maioria por mim desconhecidos, continuavam a acompanhar o apontar de diversos locais da foto, mas o entusiasmo ia esmorecendo já que a tarefa ia ficando, aparentemente, mais difícil. Eu já entrevia a capa de um LP, igual aos do meu pai – eu só possuía EPs, menores e contendo apenas quatro músicas, mas nada parecido com o que ouvia agora! Depois de um estranho trecho orquestral terminar num inesperado estrondo, o Sr. Diogo virou o disco e, após o que parecia o ruído de uma pequena multidão num qualquer espectáculo, Paul McCartney começou a cantar “We’re Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band…”. Começava também assim um fascínio que não faria senão crescer durante 42 anos, que se completam no próximo dia 8 de Junho, o dia de 1967 que tudo isto se passou. Uma semana após o lançamento mundial do disco (1/6/67), ele estava disponível nas Caldas, o primeiro sinal que conheci da globalização.
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O meu pai tinha chegado entretanto à Tália e assistia, divertido, ao entusiasmo pelo objecto em causa. Os mais novos pela música, os mais velhos pela luxuriante capa onde estavam efectivamente representados seis dezenas de personalidades que os Beatles admiravam.
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Eu continuava a ouvir uma música irresistível, a sucessão de canções sem intervalo (coisa nunca vista) deixava-me sem respiração e, quando acabei de ouvir o segundo lado (que depois descobri ser o primeiro, ouvi o disco ao contrário) eu sabia que queria ouvir aquelas músicas para sempre e não apenas enquanto a Tália estivesse aberta… Foram duras as negociações familiares, os Beatles não eram um modelo que os nossos pais aprovassem, ao contrário de Cliff Richard, Pat Boone, Petula Clark, Adamo, etc. O grupo estava ligado à contestação de todo um modelo social e havia referências explícitas a drogas nas letras e no grafismo do disco (apesar de ter algumas reservas nessa altura em relação aos Beatles, o meu pai tornar-se-ia também um apreciador, mas mais tarde). O Sr. Nogueira acabou por salvar a situação sugerindo a abertura de uma conta em meu nome e deixando-me pagar a prestações os 188$50 que o LP custava. Como eu fazia anos no fim do mês, recebendo por isso cem escudos da minha generosa madrinha e outras importâncias menores de outros familiares, o meu pai autorizou a transacção. Fui a casa buscar cinquenta escudos (todo o dinheiro que possuía!) e, com essa entrada, formalizei o negócio e saí com um enorme envelope creme com o logótipo da Tália, dentro do qual estava o precioso “Sgt Pepper’s”.
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Tinha treze anos quando isto aconteceu e o disco em causa foi efectivamente o primeiro dos milhares que hoje desafiam qualquer arrumação e, embora tendo sido há muito expulsos (e eu com eles) da sala familiar, continuam a impossibilitar a ordenação e arranjo estético do espaço que eu ocupo em minha casa.
.A estes anos de distância vejo que este disco me deu uma perspectiva nova do que é a música, não simplesmente uma companhia ou um factor de convívio, mas uma nova dimensão em que é possível mergulhar com todos os sentidos. Cada canção correspondia a um pequeno filme que existia dentro de mim mas que só a música me fez descobrir. Auxiliado pelas letras inscritas no verso da capa (pela primeira vez na história da música gravada) voei com Lucy pelos céus (apesar de nem sonhar o que era LSD) e sentei-me com a Rita no seu sofá (sem saber que era uma mulher-polícia, as palavras das canções significam o que despertam em nós). Solidarizei-me com a adolescente que sai, chorosa mas decidida, de casa, apesar de todo o conforto material (She’s leaving home / After living alone / For so many years / Bye, bye – não fui copiar a lado nenhum, não foi preciso) e senti verdadeiramente que tudo era possível With a Little Help From My Friends e que esses amigos não viviam apenas nas Caldas da Rainha. Paul garantia: It’s Getting Better, e eu acreditava.
.Meditei longamente ao som dos 300 segundos (certos) do oriental Within or Without You, com as luzes apagadas e a persiana fechada enquanto dava finalmente uso a uns paus de incenso que a minha mãe tinha comprado algures, atingindo o mais absoluto nirvana e descobrindo que não há droga mais poderosa do que o nosso cérebro. Fui dançarino e malabarista ao som da música de circo de Mr Kite, fui uma vedeta de Rock fazendo coro com Lennon em Good Morning e com Paul no tema principal (de que eu preferia a 2ª versão, sem metais, no lado B) … Deslumbrei-me e intriguei-me eternamente (até hoje) com o incrível e indescritível A Day In The Life , apreciando pela primeira vez uma orquestra convencional e repetindo à exaustão a citação (talvez piada…) de Lennon de que o estrondo final do disco (quatro pianos percutidos simultaneamente uma só vez) era a tampa do sarcófago do conhecimento a fechar-se para a eternidade, deixando-nos nas trevas da ignorância… (eu tinha treze anos, queriam o quê, que não acreditasse no John Lennon?)
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Depois destas audições, nunca me agradou ver música acompanhada de filmes (os primeiros e incipientes videoclips são desta época), porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens sobre a música de que realmente gosto. E tenho esboços de filmes que altero e refaço a cada audição dos Beatles, Bach, Beethoven ou Miles Davis … Alguns com pessoas, inventadas ou reais, outros quase abstractos.
.Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, apesar de frequentemente considerado e votado como tal, não é talvez o melhor disco da música popular do século XX nem sequer, na minha opinião, o melhor dos Beatles, mas contém a música que mudou a minha vida e me proporcionou os mais genuínos momentos de prazer musical que recordo ter experimentado. Só há uma primeira vez…
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João Jales



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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Face a este testemunho de JJ só posso reconhecer, uma vez mais, que tive uma adolescência muito amputada... Não me lembro de nada, mas absolutamente nada, que nessa época me tivesse suscitado semelhante dose de sentimentos.
Curiosamente, talvez por razões diversas, sinto grande afinidade com ele quando diz "porque sempre preferi construir as minhas próprias imagens...". Eu também, mas tal noção só me aconteceu muito mais tarde, por motivos muito diversos. Parabéns JJ, por teres tido uma adolescência assim tão marcante!
- Isabel X -
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Isabel Esse disse...
Sempre me lembro de ouvir falar do JJ como um maluco da música,não fico nada admirada por ter começado tão cedo a apreciá-la.
Os Beatles são um grupo sempre actual com uma música que não envelhece,embora eu não os conheça tão bem como o JJ.Ele deve conhecer tudo de cor!!!
Mais um artigo em que somos contagiados pelo entusiasmo do autor e em que ele consegue transmitir-nos o seu prazer e o seu gosto pelas coisas de que fala.
Isabel
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São Caixinha disse:
O teu notável gosto pela música e particularmente pelos Beatles faz-se bem sentir neste teu texto pleno de côr e vivacidade. Destemida e generosamente, entre notas de humor e ingenuidade, deixas-nos entrar no mundo privado da tua experiência da música. Surpreendente e admirável! O entusiamo é contagiante e provoca-me, para começar, preciosos momentos de nostalgia...mais tarde terei que ouvir o LP com atenção renovada!!!
Brilhante!!! Os meus parabéns!
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João Ramos Franco disse...
Entendo o teu encontro, “UM DIA NA VIDA (João Jales)”, como o espelho de toda uma geração que encontrou nos Beatles a imagem e a sonoridade da música, que de certo modo alterou o comportamento da juventude em determinada época. O modo como contas este episódio, citando outros cantores e músicas, anteriores, marcam bem como o sentias.
Claro está que estou a ver este episódio com a distância da idade que nos separa, eu já estava a cumprir serviço militar e tu ainda na idade de quem está sensível aos movimentos da tua época.A música e cantores do meu tempo, alguns, também me marcaram, mas de outro modo, que não vou agora contar pois iria desvendar o que tenho para escrever sobre este assunto…De qualquer modo, este dia da tua adolescência, está muito bem arrancado e mostra-nos a geração Beatles…
O sempre amigo
João Ramos Franco
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Luis disse:
Passei a noite de domingo a ouvir o meu velho exemplar do Srgt. Peppers...Não consigo fazer melhor elogio ao que escreveste!!!Luis
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Fernando disse:
(...) o que me impressionou foi o facto de me ter sentido quase como um habitué das Caldas dos 60, na pele de um pré-adolescente. Isso é que foi admirável e a responsabilidade foi tua.
Eu ouvi pela primeira vez algo do Pimenta na camarata do 6º ano, no colégio e pelo altifalante que também debitava o som da corneta da alvorada e as mensagens urgentes (felizmente que nessa ocasião os sons dos de Liverpool estavam destacados). Não ouvi o disco todo , mas fiquei também impressionado.
Claro que já tinha ouvido o Aftermath e o Paint it Black anteriormente... Para a compra, tinha a grande vantagem dos meus 16 anos, com uma semanada de 50 mil reis e algumas economias de lado. Foi canja e tenho pena de já não ter os acessórios.
"It was almost forty two years ago today."
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J L Reboleira Alexandre disse...
O menos que se pode dizer do JJ é que foi «musicalmente precoce». Aos 13 anos música lá em casa só se fosse a dum velho transistor comprado pelo meu pai nas Canárias, numa das suas inúmeras viagens pelo Atlântico.
O João, como é seu hábito, oferece-nos uma escrita que se lê «d' un trait» e nos transporta para outras épocas. A tal preferência que já na altura tinha em criar as suas imagens a partir dos sons que escolhia, reflete-se na facilidade que tem em partilhá-las com os seus leitores.
Foi pela mesma altura, com os meus cerca de 2 anos mais, que igualmente descobri os Fab Four, mas mais os Stones (não havia qualquer tipo de censura doméstica no meu caso...) apesar de me tocarem mais os intérpretes de baladas. Nomes como Mélanie Safka, (hoje apenas Mélanie)com a fabulosa interpretação de «What have they done with my song, Ma» ou Beautiful People, e outros nomes tais Baez, Dylan (que nas poucas palavras que menciona nos seus concertos actuais, pergunta sempre o que é que os jovens de 60 viam nele?), a extraordinária J. Joplin, o meu «conterrâneo» L. Cohen, enfim a lista é quase infinita. Hoje apenas Amy «vinho da casa» (não resisto à tradução, mas a culpa é dela), me confere emoções similares àquelas que me eram transmitidas pelas magnificas vozes de 60 ou inicio de 70.
Um abraço.
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ZE_MAS disse...
Esta é uma das grandes descrições que apareceram neste blogue.Pessoal e emocionante,só quem gosta MUITO de música consegue escrever assim sobre um grande momento musical como é o Sargento Pimenta.So discordamos porque eu acho que é mesmo o melhor disco do século,como a mais recente lista da Rolling Stone mostrou.Mas isso é outra discussão.Brilhante!Parabéns
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vitor b disse...
Eu já nem me lembro bem deste disco dos Beatles mas só de ler o que escreveste fiquei com vontade de o ouvir outra vez.Lembro-me do With a little help e do Lucy in the skye e do Strawberry fields...... Os discos na Tália eram realmente uma tentação inacessível porque os 188 escudos de que falas eram muito dinheiro naquela época,devias ter explicado isso melhor!
Esta série é uma boa ideia mas pode é haver falta de pessoas com a tua memória,como diz a Isabel Xavier.
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Luisa disse:
Como habitualmente gostei muito de ler a tua prosa. E há duas partes distintas,em que recordas a Tália e outra em que recordas o disco,que eu também ouvi sem parar numas férias em casa dos meus primos mas estou convencida que em 1968.E isso permitiu-me recordar as tuas citações das canções,noutro disco seria mais dificil!
Eu lia mais do que ouvia música mas,como outros comentadores,não tenho memórias tão boas como as tuas para contar...só impressões vagas e a certeza de ter gostado muito dos Cinco,os Sete,das Mulherzinhas,das Pupilas do Senhor Reitor,a Cidade e as Serras,etc.L
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António disse...
O JJ teve certamente um contacto maior do que eu com a musica e este disco em mais novo.Para conseguir falar dele desta forma não o conheceu em adulto onde,como ele próprio dá a entender nada nos impressiona desta maneira.
Gosto de ver a música do Beatles,de que os meus filhos com 20 anos tambem gostam recordada desta maneira.
Também gostei da parte da Tália(com o Diogo e o Sr. Nogueira)mas é realmente o final que torna este texto verdadeiramente real como se tivesse acontecido ontem. António
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farofia disse...
“Um Dia na Vida” simplesmente extraordinário! Entretidos com o reconhecimento do ‘Who is Who’ na capa do disco, os clientes desconstroem o puzzle até o galo cantar no prato… do pick-up, aparentemente alheios à música, tão bizarra quanto a capa.
Mas é a música que apaixona os treze anos, musicalmente precoces, do João Jales. É o ‘coup de foudre’ que dá asas à sua imaginação na arquitectura do plano económico financeiro capaz de sustentar-lhe o sonho.
Essa a conquista saborosa com início num dia de data marcada na vida, no tempo dos sonhos possíveis.
Como é "gostosa" esta história!
Inês
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Júlia R disse:
Como sempre,escreves duma maneira que dá gosto ler e mais uma vez me deliciei. Sente-se o teu gosto pela música, a vivência da tua juventude que deve ter sido fabulosa, todo o teu dinamismo que se nota ser inato, desde muito jovem.
Parabéns, fico contente por teres vivido tantas situações que te marcaram e contribuíram para que uma fase da tua vida, a adolescência, me pareça ter sido muito feliz .
Beijinhos. Júlia

A DRA. INÊS

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Com as minhas mais cordiais saudações à Dra. Inês, que recordo com saudade.
São Caixinha

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-São vem cá abaixo! - chamou a minha mãe da cozinha.
Oh não, pensei eu, que tinha acabado de vestir o casaco, o meu casaco à Lord Jim, com a única finalidade de sentir o prazer de o ter vestido.
-Tem que ser já, mãe?
-Sim tem que ser já. Preciso da tua ajuda para encher os saquinhos das batatas fritas, quero cozinhar um prato para o jantar por uma receita que li no “Lar e Trabalho”!
-Que má altura - respondi enquanto despia o casaco – é que estou a estudar Inglês!
Resignada desci as escadas, de 2 em 2 degraus, na direcção da cozinha.
Em cima da mesa estavam uma enorme caixa de papelão cheia de batatas fritas e um amontoado de saquinhos de plástico. A minha mãe parecia fazer magia ao retirar com desenvoltura dos armários todo o tipo de utensílios de cozinha.
-Onde estão os atilhos mãe?
-Debaixo dos sacos - respondeu, sem se voltar para mim enquanto ia organizando sobre a mesa e por ordem de entrada o armamento dos ingredientes que necessitava. Apressei-me a começar o trabalho e já ela me repetia as habituais instruções:
– Não os enchas muito!
– Sim mãe, para não partir as batatinhas! - continuava eu.
Felizmente podia perder-me deliciosamente em pensamentos nesta tarefa quase diária que não exigia de mim grande concentração. Será que ficaria bem bordar a “Union Jack” na T-shirt branca... Conseguiria subir a bainha da saia Kilt de xadrez sem a mãe dar por isso, ainda que apenas alguns centímetros? Adorava poder usar uma mini-saia como as da Anabela, mesmo sem possuir a figura ideal... E a parede de sacos de batatas fritas ia crescendo nos dois sentidos!
-Posso ver “Os Vingadores” hoje à noite, mãe?- perguntei, subitamente, lembrando-me que era quinta-feira.
- Sabes que o pai não quer que vejas esses filmes - respondeu brevemente, e sem me dar oportunidade a contestar.
Depois anunciou, com um sorriso suspeito:
– Hoje veio correio para ti!
Por momentos fiquei petrificada. O JL tinha ficado de me enviar uma carta mas através da Posta Restante, seria que se tinha esquecido desse pormenor? As batatas estalaram-me entre os dedos. Com receio que a voz acentuasse a minha evidente perturbação decidi permanecer em silêncio! A minha mãe com as mãos enterradas na mistura que amassava, voltou a cabeça para a sua direita indicando:
- Está ali ao pé do telefone!
- O quê, mãe...correio para mim? De quem?
Ela olhou-me com um sorriso insinuante como se tivesse tido acesso aos meus pensamentos e depois de um longo e irritante silêncio respondeu:
- Da Embaixada de Inglaterra!
Que alívio, esta carta tinha uma explicação!

Depois do fim-de-semana encontrávamos sempre as salas de aula meticulosamente limpas e arrumadas. As carteiras estavam alinhadas com precisão, a ardósia do quadro convidativamente desempoeirada e o chão impecavelmente polido deixava-se anunciar por um penetrante cheiro a cera. Os vestígios das nossas despreocupadas presenças convenientemente eliminados criavam, a cada segunda-feira, a ilusão de uma semana nova onde tudo só poderia correr bem. Certamente quando a primeira lição era a de Inglês!

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Tinha acabado de me sentar e já entrava também a Dra. Inês com o seu passo pequenino e apressado em direcção à secretária onde começou por colocar os livros que trazia de braçado! Permanecendo de pé esperou em silêncio e com um ar pontifical que os alunos entrassem e tomassem o lugar nas devidas carteiras. Depois com um amigável sorriso cumprimentou a turma com o seu habitual:
- Good-morning, everybody!
Tudo nesta professora despertava em mim interesse e admiração. A elegância simples com que se apresentava, a eloquência das suas actuações, o seu carácter moderado e aprazível. As lições eram sempre interessantes e divertidas. Estou a lembrar-me que atribuía enorme importância à pronúncia correcta das palavras. No nome Peter, por exemplo, não deveríamos pronunciar o t como o conhecíamos, mas sim como um r, mais ou menos como em Pira! Ao seguir as suas zelosas instruções parecia-me que soava realmente como uma inglesa, algo que verdadeiramente me fascinava. Era de tal modo o incentivo, que eu queria aprender tudo, queria compreender os filmes que via sem ler as legendas, queria cantar como os Beatles, queria ler Shakespeare! Contava-nos frequentemente histórias das viagens que fazia, dos monumentos que visitava, dos rios que navegava, das conversas com turistas com quem ocasionalmente travava conhecimento. Naquele dia, quase no fim da lição, anunciou que contava connosco para fazer um trabalho de estudo sobre a cidade de Londres, mais ou menos como um álbum de fotografias com alguns textos explicativos. Para uma mais eficiente execução deste sugeriu que pedíssemos prospectos turísticos à Embaixada de Inglaterra ou a uma Agência de Viagens! Um trabalho sobre Londres!?! A cidade da Mary Quant... e dos Beatles!?!

Fez-se esperar, mas a Embaixada acabou por reagir ao meu pedido com surpreendente generosidade. Inúmeros prospectos, panfletos e livrinhos, uns em Português outros em Inglês, mas todos sobre diferentes aspectos da cidade. De Londres fiquei imediatamente a ter uma imagem muito completa. Inúmeras e formidáveis fotografias a cores tornavam difícil uma selecção! The Tower of London, The Big Ben, The River Thames, Buckingham Palace, Harrods, Carnaby Street! Sim a Carnaby Street e King’s Road também, com as famosas boutiques como a “Granny Takes a Trip” (os Porfirios de Londres – imaginava eu!) e a Bazar da Mary Quant, que tinha lançado com grande sucesso a mini-saia e uma linha de acessíveis cosméticos para jovens (da qual eu já tinha o meu insubstituível primeiro baton!). Mas Londres para mim era ainda os Hippies do Flower Power, a Sandie Shaw, a Yoko Ono, o Simon Templar, a Twiggy, os camiseiros à OP, os Cat Suits e os Beatles, claro! Londres era o centro do mundo Pop alegremente a rebentar pelas costuras e a salpicar o resto do mundo de luzes psicadélicas e padrões “paisley” coloridos! Era sobretudo a promessa de liberdade e a esperança de um mundo feliz.

Devia ter conseguido uma boa nota naquele trabalho tal foi o empenho e a dedicação com que o efectuei. Do que tenho memória foi da promessa que fiz a mim mesma, de um dia, sabia lá por que meios, visitar a cidade de Londres.
Com a minha vinda para a Holanda o Inglês viria a ter na minha vida, poucos anos depois, uma inestimável importância. Compreendi os filmes sem ler as legendas, cantei as canções e li livros complicados (esqueçamos Shakespeare…).
Numa fresca manhã de Setembro de 1980 parti de Haia sozinha, de comboio em direcção a Vlissingen, onde tomei o ferry para atravessar o canal até Sheerness e, a seguir, novamente o comboio que me levaria à estação de Vitória onde a minha amiga Pauline me esperava. A última estação da longa viagem na conquista de um sonho que começou numa lição de Inglês!
It felt like a million dollars! E Londres… bem, os Beatles já não eram um grupo, a “Granny” tinha desaparecido, os Hippies tinham dado lugar aos Punks...e o mundo feliz continuava a ser uma esperança!... But London was still fabulous!!


Ilustrações (Dra. Inês e Beatles) e texto de São Caixinha



Uma música para a São Caixinha:




ENCONTROS E REENCONTROS

por João Jales.

O Verão que acabou proporcionou-me encontros e reencontros. Conheci colegas (e até professores) que, embora meus contemporâneos, nunca conheci no ERO, devido à diferença de idades. E outros que o frequentaram em épocas anteriores e posteriores à minha. Uma colaboradora do Blog escreveu-me ontem que o Colégio, como passado comum, tem uma importância maior do que nós supúnhamos. Será assim?

Não está nesse grupo de novos conhecimentos a São Caixinha, nascemos e fomos baptizados pelo Padre António Emílio na Praça de Londres no ano de 1954, reencontrámo-nos na década de 60 no Externato Ramalho Ortigão e, nestas férias de 2008, no Café Central, com mais alguns colegas, de diferentes gerações.
Um almoço-convívio no Verão entre "residentes" e "veraneantes" é uma ideia que "está no ar" e foi aqui novamente defendida, temos todos que falar melhor nisso. O João Miguel já me disse que preferia na segunda quinzena de Agosto, mas se calhar é melhor ouvir mais opiniões antes de decidir alguma coisa. Que é que acham?

Não posso deixar de partilhar convosco a gravura dos Beatles que a São desenhou para me oferecer neste nosso reencontro. Vai ocupar lugar de destaque entre as recordações dos Fab Four que ocupam as paredes de minha casa.

Obrigado São, e parabéns por mais esta demonstração do teu talento, que voltará aqui ao Blog a partir de Novembro, na série Personalidades e Professores.

JJ

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COMENTÁRIOS

Isabel Xavier disse:
Para além do almoço dos antigos alunos do colégio, podia combinar-se um jantar informal dos bloguistas. Há montes de nomes aos quais não sei atribuir os respectivos rostos. Mas não no Verão.
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JJ respondeu:
A Isabel teve aqui uma bela ideia! Um encontro dos colaboradores deste Blog. Estou já a preparar os "certificados de participação" que darão acesso a essa refeição. Os que ainda não o fizeram, enviem agora os vossos textos e comentários para constarem na lista dos eleitos.
Mas há aqui alguns (Ana N., LFS) com as inscrições muito periclitantes, os seus "certificados" estão a caducar...
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João Miguel A S disse:
Caríssimo JJ, agradecia o envio do desenho da São.
Estou apavorado com a questão dos "certificados de participação" ! Como é?O que é preciso fazer para os obter? É com base no número de linhas de escrita no blog, como nas redacções para o Padre Renato? Os paleios semanais das sugestôes têm alguma pontuação?O João Bonifácio está vendedor dos certificados que, certamente, tem em excesso? Há um mercado negro (ou côr-de-rosa) desses certificados?Espero que compreendas a minha preocupação. Não posso perder esse jantar! Não faço questão quanto à quinzena, ou ao mês!Agradeço uma resposta rápida e positiva pois esta angústia fez-me perder o apetite...Aquele abraço..............................JMiguel
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João B Serra disse:
A única pessoa com autoridade e oportunidade para certificar seja o que for neste blog é o João Jales. Ele é que certifica o que se publica e quando se publica. Aparentemente tem administrado sabiamente a liberdade de escrever e comentar (e simetricamente a de não escrever e de não comentar). Mas sempre podemos pedir-lhe que inclua no blog um Livro de Reclamações. Aposto que dessa forma só acrescentaria a sua autoridade e ampliaria a sua disponibilidade.
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RESPOSTA A JOÃO MIGUEL E JOÃO SERRA:
Este comentário valeu ao João Miguel um "green card" para o almoço em causa.
A resposta do João Serra exagera a minha responsabilidade neste Blog, que é já um projecto colectivo em que não tem havido necessidade de qualquer autoridade, apenas um pouco de bom senso.
O Livro de Reclamações está sempre à disposição.
Um abraço aos dois. JJ
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Isabel Knaff disse:
Olá Joâo!Como estás, tudo bem? Queria deixar dito que:
Como tive a sorte de rever e conviver com muitos dos ex-colegas no Verâo passado na Mimosa, e ter tâo felizes recordaçôes, é com muito entusiasmo que aplaudo a ideia dum jantar de Verâo entre Residentes e Forasteiros! A primeira quinzena de Agosto parece-me a mais propicía porque cobrirá a epoca de férias dos não residentes. Óptima ideia a da Isabel Xavier!
Tal como ela, também para mim há muitos nomes sem rosto!Também achei muito interessante a observaçâo, até aqui inédita, que "o Colégio como passado comum tem uma importância maior do que nós supúnhamos". E é surpreendente quão grande é essa importância!
Até á proxima.
Beijinhos. Isabel Caixinha
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Ana Carvalho disse:
Eu cá acho tudo bem, mas só para Agosto??? Ainda estamos em Outubro... Bjs PP
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João Ramos Franco disse:
Meus amigos um rapaz reformado, como eu, acompanhado apenas pelos hobbies (leitura, xadrez e informática. etc…), as marcações de encontros posso deixar ao vosso critério, entendo até que iria falar-vos de um calendário que existiu até ao dia da reforma. Esse calendário é vosso, marquem as datas.“O Colégio, como passado comum, tem uma importância maior do que nós supúnhamos”, penso que esta chamada de atenção tem todo o sentido e deve ser conversada, creio que até poderia alargar mais o âmbito dos debates no Blog.Quanto á gravura dos Beatles que a São desenhou para oferecer ao J.J. e que vai ocupar lugar de destaque entre as recordações dos Fab Four que ocupam as paredes de sua casa, penso que ele por ser um amante da música e também pelo trabalho que tem tido na manutenção deste espaço que é nosso Blog, teve uma merecida recompensa.João Ramos Franco
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Miguel B M disse:
Agosto é sempre o pior mês do ano para o que quer que seja,excepto férias.Assim sendo marcar um almoço/jantar para o princípio,meio ou fim do mês parece-me irrelevante.Apesar de tudo creio que as pessoas estariam mais disponíveis (mentalmente ?) na primeira quinzena.
Gostei muito do desenho da São. M
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Luis António disse:
Esquece almoços e jantares no Verão,Novembro é que é! Se o desenho dos Beatles não te couber lá em casa(consta que tens as paredes cheias!) podes guardar na minha.Um abraço . LA
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J. Rodrigues Lobo disse:

Bom DiaAgosto é complicado, pois professores, alunos e suas famílias normalmente estão de férias.Eu não poderei ir.Um abraço

Joca Pimenta disse:

Eu acho que sim e penso que a altura em que estão cá mais veraneantes é na semana do 15 de Agosto.Paula disse:A ideia parece boa, mas é capaz de haver mais banhistas que residentes nas Caldas em Agosto, ou não? (...) publica o desenho sozinho para o podermos ver melhor!!!Luís Filipe Santos disse:A ideia é boa, mas não tenho meios de avaliar se em termos práticos beneficiará de maior disponibilidade dos potenciais participantes.Haverá muitos que viajam ou têm programas delineados que poderão impedir as suas presenças. Por mim estou quase tentado a dizer que fora da época das férias o encontro até tem mais encanto – recria o regresso às aulas e permite inscrever o evento na agenda das actividades importantes a que não se poderá faltar...Mas afinal o mais importante será fixar uma data com a antecedência suficiente e o pessoal organiza-se... AbraçosJoão Miguel Azevedo Santos disse:… a 2ª quinzena de Agosto parece ser a altura ideal para a realização desse evento.Ana Luísa disse:A realização do nosso encontro em Novembro parece-me ser a melhor ideia, não concordo com esta mudança. Qual o motivo?

Isabel disse:
Está aqui armada grande confusão! Pelo que percebo está.se a propor um almoço de Verão e não que o nosso encontro se realize nessa altura, o que seria má ideia.
O jantar na Letinha não foi com as Caixinhas? Acho bem que se faça,desde que não vá prejudicar a afluência ao outro.
Não seria possível distribuir o desenho dos Beatles por todos? É dó digitalizar e enviar e eu queria um! Isabel

Tó Quim disse:

Concordo com a 2ª quinzena de Agosto.Acho que esse almoço deveria ser efectuado na Foz do Arelho, se tal fosse possível.
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Júlia disse:
Eu concordo plenamente com o almoço,aliás já tinhamos falado nisso quando foi o jantar com a Isabel. Em relação a datas,não acho mal a 2ª quinzena de 08,talvez seja uma altura que as pessoas já estão fartas de praia e que também não se vai muito para fora,mas uns anos aproveitarão uns, noutros aproveirarão outros.Julgo também que deves ouvir mais umas opiniões e acho que não devemos esquecer uma consulta às manas da Holanda!Não concordas?
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Laura Morgado disse:
Acho fantástica a ideia de um almoço convívio no Verão.No entanto considero que no mês de Agosto muita gente está fora , por ser férias.
Quero referir que a nossa amiga Júlia terá uma palavra a dizer, pois temos que estar todos. Laurinha
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Guidó disse:
Acho bem, acho mesmo muito bem. Também preferia a primeira quinzena porque na segunda vou fotografar pinguins para a Antártida!!
Agora a sério, a São Caixinha tem um talento notável para o desenho. Parabéns.
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São Caixinha disse:
Olá João! Desculpa o atraso! Estive todo o dia fora e só agora é que vi o Blog! Parece-me muito boa ideia planear um almoço no Verão! Teve para mim um significado muito especial rever alguns dos colegas este ano e recordo com enorme prazer os momentos de convívio que passámos juntos! Inesquecível!
Para mim não tem importância quando é que o possível almoço acontecer, desde que seja no Verão! Eu ajusto-me!!
Os Beatles...claro que podes distribuir! Eram-me tão queridos!! Beijinhos a todos! São X
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JJ RESPONDE E ESCLARECE:
1 - A realização de um eventual "Jantar de Verão" NADA tem a ver com o nosso Encontro Bienal , que continuará a realizar-se em Novembro.
2 - A sugestão tem um carácter mais restrito e "informal" (ainda mais!) e reuniria alguns antigos alunos que passam cá parte do Verão com a malta que cá estiver. Reunimos este ano, sem qualquer preparação, 30 pessoas na Mimosa (Restaurante da Letinha na Praça do Peixe, passe a publicidade) num convívio muito agradável. Vamos experimentar para o ano, anunciando a data com mais antecedência?
3 - Mantém-se a convocatória para 14-11-2009, não haja confusões!
4 - Ninguém comenta o inspirado desenho da São nem a importância do Colégio como passado comum? Quando se fala de comida, ninguém pensa em mais nada?
5- O desenho dos Beatles é obra da São. Para receber uma digitalização (há vários pedidos) basta enviar um email com o pedido para:
ex.alunos.ero@gmail.com

E.R.O. , por José Carlos Faria

Recebemos por email este artigo do José Carlos Faria. Pedida a opinião a um dos editores, ele escreveu:

O artigo está muito bem escrito, apesar de pessoalmente não subscrever algumas partes da visão que ele transmite. Mas as visões são mesmo assim, pessoais e com doses de subjectividade variáveis segundo os autores.
Interrogo-me também sobre a sua extensão, parecendo-me que este meio pode não conviver muito bem com artigos demasiado longos...
Em todo o caso, é seguramente mais um contributo para o enriquecimento do Blog e para o sucesso da iniciativa.

Aqui está, à vossa disposição para ler e comentar.


Externato Ramalho Ortigão

por José Carlos Faria

A «Ramalhal Figura» (como Eça lhe chamava) era o patrono tutelar. Da sua fina ironia e das «Farpas» de crítica mordaz, pouco ouvimos falar. Talvez o facto de, perante a Mofina, ter renegado a condição de ateu confesso e anticlerical impenitente, indo desta para pior confortado com a extrema-unção e os sacramentos da Santa Madre, acabasse por justificar, para cónegos, bispos e cardeais, o seu nome em relevo no frontão duma entidade pertencente ao Patriarcado.
Liceu era uma via aberta que conduzia directamente à Universidade, mas só existia nas capitais de distrito. Nas pequenas terras de província restava como alternativa o ensino particular ou as Escolas Industriais e Comerciais, formatadas para propiciar honradamente um emprego, ponto final. Para quem delas viesse e quisesse continuar os estudos, tinha pela frente um calvário tortuoso, que, aos mais persistentes e só a esses, conferiria enfim o direito a integrar o número dos «happy few» universitários. E cara alegre, já que o entendimento dominante num país com bem mais de um terço de analfabetos confinava-se ao ler, escrever e saber as quatro operações. E não para todos, claro!
O Colégio, portanto. Aliás, Externato: o E.R.O.

Em Outubro de 1965, o Benfica de Costa Pereira, Coluna, José Augusto, Torres, Simões e do número De(u)z Eusébio, ganhava campeonatos em séries de três, os Beatles estavam à beira de editar «Rubber Soul» com «Girl» e «Michelle», e eu, de alma amortalhada na borracha duma gabardina nova dum escuríssimo castanho, comprida e com capuz (quase um hábito fradesco) a qual, como de costume e para desespero do meu casal progenitor, viria a perder rapidamente, dava entrada (bicho pequeno assustado) no ginásio/salão de festas do E.R.O. para a sessão de boas vindas do novo ano lectivo.
«Não há bons alunos nem maus alunos. Há tão só alunos que estudam mais e os que estudam menos», perorou o Director. Pertencendo eu arreigadamente ao segundo grupo, durante os anos que se seguiram tive de ouvir o meu pai repetir até à náusea tão douta máxima.
Para um novato caloiro, a guerra colonial em três frentes, que barrava o horizonte, era, naquela altura, apenas as imagens do «nós por cá todos bem /adeus até ao meu regresso» a zumbir na televisão e o eco longínquo, infiltrado na sala de aula, das explosões de obus e tiros de G-3 no campo de treino
militar. Ao fim da tarde, entre mornos pastéis de nata da "Frami"
e a consulta gulosa dos discos da "Tália", podia-se assistir ao desfile extenuado de magotes enlameados dos magalas do RI5, em camuflado, a marcar com os pés no chão, em cadência marcial, a rota batida para o «Ingola é nossa». Aqueles rebanhos de desgraçados em fardeta, vindos da instrução de armas, marchavam perante o bando de basbaques que formávamos no passeio e que, a curto prazo, intuiria ser uma outra Instrução um recurso precioso para fintar sina tão mal fadada.
No E.R.O., louvados sejam os Deuses, não existia Mocidade Portuguesa. Dela restavam uns tristes trastes num canto esconso da arrecadação e dois tambores esventrados, despojos empoeirados de defuntas glórias e dos «clamores sem fim» do «Lá vamos cantando e rindo, levados, levados, sim». Sobravam, no entanto, propósitos blasonados de brio e aprumo. Com Mãe e Avó, 2-familiares-2 como docentes no Colégio, era suposto dar exemplo. O meu, foi sempre, na medida do possível, o da irreverência e da insubmissão, porque contra contínuos, «profes» e sanções paternas, tinha uma reputação para defender na selva do recreio. Nada de cedências, mesmo (ou sobretudo), afectado, como tantos outros, pelo sindroma inculcado dos três P’s: Pais, Padres e Professores. Era pois, por vocação, um desalinhado (no corpo e no espírito). Para não tão poucos assim, o Quadro de Honra era uma infâmia, edital aviltante afixado no átrio. Orgulhosamente na corda bamba feita fio da navalha, entre o alfa e ómega do 9 e do 12 (chegava e era óptimo), não ignorávamos que a fama de melhor instituição de ensino do distrito de Leiria ditava a subavaliação interna e rendia o proveito de, pelo menos, dois a três valores suplementares nos exames: suficiente transmutava-se em bom!


Num universo concentracionário de portões fechados a cadeado e corrente, pátios e escadarias separadas para gineceu e androceu, o ritual de passagem acontecia no 5º ano, com o cartão que facultava, nos intervalos maiores, sair, para tirar umas passas (não, ainda não eram cigarrinhos de fazer rir), às escondidas do senhor Caria, ex-polícia reformado, de feitio cariado pelo serviço na Corporação e, («ordes» são «ordes»), oficial a tempo inteiro do santo ofício de apontar nomes para minudentes relatórios ao Padre Albino. O todo poderoso Padre Albino! As protuberâncias quistosas na calva deste espectro em perpétuo negro, vértice da hierarquia e de medíocre magistério, surgiam como uma crista ruim, signo cruel da maldição violácea que o coroava e cujos efeitos sofríamos em metódica repressão, quase como se procurasse alívio nas humilhações que espalhava a eito. O focar dos olhos azul-aço, por detrás da fronteira gélida das lentes, era já uma devassa impiedosa. Os tufos de pelos nas orelhas de abade Camiliano, brotavam de igual modo nas falanges, falanginhas (não sei se nas falangetas) dos dedos grossos, diligentes em ocasionais e viscosas festas nas nucas duns infelizes, desconsolados eleitos, ou em mais frequentes e enérgicos puxões de orelhas, (engalanados pelo requinte da garra adunca do polegar cravada no lóbulo), quando não em girândola de bofetões estrepitosos (e bofetões havia-os de quase todos os tipos e para todos os perfis; os didáctico-pedagógicos eram a especialidade do Dr. Azevedo nas aulas de Matemática, distribuídos em relação directamente proporcional aos erros cometidos. À minha condição «caixad’óculos» era concedido o privilégio de aviso prévio. No final, estava-se apto a extrair raízes quadradas e as raízes dos molares…).
A ladeira das 5 Bicas perfilava-se como uma via rigorosamente vigiada pelos zeladores da Moral, sempre dispostos a identificar onde quer que fosse a horrenda fisionomia do pecado, almejando sexos em forma de cruz e de pias de água benta. Contrariando ingénuos (e incipientes) amores adolescentes, preconizava-se lados distintos da estrada para rapazes e raparigas (norma ostensivamente ignorada), sim, que a canga da suprema disciplina (ler diciplina) estendia-se até casa.
Pontificavam as rusgas e inspecções minuciosas ao tamanho das guedelhas masculinas (cuidadosamente dissimuladas no esconderijo pouco fiável do colarinho) ou para avaliar o grau de pureza do comprimento das bainhas das saias, escondidas sob o uniforme multicolor das batas às riscas. Emprestávamos medo e t(r)emor sob a aparência de respeito e recebíamos cautela. Cautela com tudo! Diga-se que por vezes rasgada em pedaços de gáudio descarado, como quando o Canhão, obrigado a cortar a grenha, ousou afrontar a intimação com uma esplêndida e radical ida à máquina zero, conquistando, em simultâneo, a admiração geral e uns dias de suspensão; ou quando uma tropa fandanga, de para aí uma centena de moços, miúdos e graúdos irmanados, decidia vingar-se e achincalhava, em coro uníssono, os contínuos, pobres homens, encarregues de serem os primeiros vigilantes da Ordem e da Autoridade, contestada ali pela insolência, espontânea, instintiva e inconsciente da pandilha em turbamulta…
E assim fomos, pouco a pouco, crescendo e perdendo a inocência, entre muros, onde, apesar de tudo, conseguíamos a bênção e a proeza duma alegria sadiamente estouvada.







Nós, os filhos dilectos da pequena burguesia, impropriamente tomados por elite (as propinas eram caras e o esforço familiar considerável), com todas as naturais diferenças de percurso, de visão do mundo e de opções de vida, fomos capazes de encontrar um caminho norteado pela honradez e dimensão ética. Sem isso não há qualquer sucesso nem qualificação profissional que valham. E este é porventura o maior elogio que se pode fazer ao E.R.O.
Há quem se vanglorie dos homens de Estado formados numa dada escola, à laia de atestado da sua presumível excelência. Não é esse o nosso caso, felizmente!
Tal como escreveu Su-Tung P’o, poeta chinês do século XI, citado por Bertolt Brecht:

As famílias quando lhes nasce um filho
Desejam-no inteligente.
Eu, que pela inteligência
Arruinei toda a minha vida,
Só tenho a esperança de que o meu filho
Venha a sair
Ignorante e tardo no pensar.
Então terá vida tranquila
Como ministro no Gabinete

Saímos todos, sem excepção, um pouco mais espertos, graças sejam dadas…


José Carlos Faria

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comentários:
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Dezembro 12, 2007-12-12
Miguel B M disse:
Comentário ao artigo do Faria
Na minha opinião o artigo do ZCF pode ser analisado de duas maneiras. Do ponto de vista literário trata-se de uma escrita densa e que precisa de ser lida atentamente. O autor revela uma erudição assinalável e facilidade de expressão. mas o conteúdo peca por defeito. Embora eu não concorde com as observações em relação ao dr AJAzevedo, pois ele não era como a fama que o precedia fazia crer, e no dia a dia até era uma pessoa agradável e afável,quanto ao resto eu teria sido mais duro que o autor. E poderia acrescentar mais meia dúzia de situações inenarráveis, espiões, delatores, coacções, perseguições, castigos e proibições injustas e desajustadas. Tivémos profs magníficos como a Super de boa memória ou o dr Tó Zé Lopes,mas também tivémos docentes execráveis. Vivemos agora um período particularmente agradável graças ao almoço e especialmente ao blogue,que nos permite fazer uma viagem no tempo sempre que o queiramos. Temos a ponderação que os cabelos brancos proporcionam e que nos permite analisar (julgar?) os factos que ocorreram há muito tempo. Mas não podemos esquecer esses mesmos factos porque vivemos coisas muito desagradáveis,perfeitamente evitáveis e desnecessárias. E isso molda-nos em termos de futuro. Eu dou apenas um exemplo: tenho as minhas convicções cristãs e acredito na maioria dos dogmas da religião,no entanto sou profundamente anti-clerical. Mas esta conversa levava-nos muito longe
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A PROPÓSITO DE "CORRESPONDÊNCIA"

A leitura de "CORRESPONDÊNCIA" trouxe à memória uma série de referências da década de 60 (não leia o que se segue sem ler ANTES esse artigo, que está imediatamente abaixo) . Embora mais novo, eu estava no 1º ano e não no 5º como a Eva e o Mário, todas me são familiares. Mas não tanto para alguns, mais esquecidos, que, por mail ou pessoalmente, me interrogaram sobre um nome ou outro dos mencionados no texto. Para esses, e alguns dos outros que tenham paciência para estas memórias, decidi fazer um pequeno Who’s Who do artigo (é claro que inventei as interrogações, eu precisava de um pretexto para escrever isto).
O Dr. Lopes é o Dr. António José Lopes, professor de Geometria Descritiva, Matemática e até Geografia (um dia, se me deixarem, conto essa estória, a das suas aulas de Geografia à nossa turma) que ainda recentemente nos honrou com a sua presença no convívio de 17-11. A Ana Nascimento relembrou já aqui neste espaço as habitualmente magníficas notas que os seus alunos obtinham nos exames no Liceu de Leiria. Por tudo isto, por ter dado aulas a “toda a gente” e ser um ex-aluno, dispensa apresentações.
O Dr. James Kildare partilhava com o Dr. Lopes a boa aparência e o êxito junto do “belo sexo” (eu sei que já não se diz isto, saiu-me sem pensar) mas é um caso diferente porque não era professor, mas sim médico. Imaginem o House com a barba feita, tomando banho diariamente, com uma bata sempre imaculadamente branca (ninguém percebia porque é que a usava), nunca tendo experimentado sequer uma aspirina, terno, preocupado e profundamente interessado na vida pessoal e no bem-estar dos seus doentes . Isto é, não tinha nada a ver com o House, para perceberem a comparação. O actor Richard Chamberlain, que encarnava o Dr. Kildare, era o genro de sonho de todas as mães da altura. Digo isto porque desconfio que já em 1964 as adolescentes deviam preferir alguém mais parecido com o House...
Bonanza era o máximo! Contava as aventuras do rancheiro Ben Cartwright e dos seus filhos, Hoss, Adam e Little John no seu rancho do Nevada, chamado Ponderosa. Tiros, pancadaria com fartura e doses elevadas de moralismo “made in USA” fizeram uma das maiores receitas de sucesso da TV, incluindo em Portugal. O actor que interpretava o Little John acabou lamentavelmente a sua carreira a fazer a Casa da Pradaria e uma série idiota de um anjo que se passeava na Terra. Uma história triste.
A Tertúlia (Artes & Letras) era um espaço de convívio cultural onde também se vendiam livros, discos ( aquelas rodelas pretas de vinil, lembram-se?), objectos de arte e aparelhagens estereofónicas. Ficava num primeiro andar da Rua das Montras, partilhando a escada com a família do Dr. Leonel Cardoso, e era propriedade do Vítor Sebastião, um homem sempre lembrado e elogiado pelo seu amor às coisas da Cultura.
O Dr. David Mourão Ferreira, o tal que o bilhete anunciava que ia dizer poemas à Tertúlia, foi um poeta, ficcionista, ensaísta, crítico literário, dramaturgo, tradutor e professor universitário (esta foi copy»paste direitinho, mas ninguém vai reparar ), muito conhecido na época pelo seu trabalho de divulgação de poesia em vários programas de TV, acção só aparentemente inútil num país que dizemos “de poetas” mas onde os verdadeiros morrem de fome se não tiverem outro emprego. Morreu, não de fome, felizmente, mas reconhecido como figura grande das letras portuguesas do seu tempo, em 1996.
A Tália era o centro das Caldas. Rigorosa e milimetricamente, daí a combinação do encontro entre a Eva e o Mário lá, onde se iniciaram, cimentaram e acabaram tantos namoros adolescentes. Propriedade do Sr. Nogueira, que aturava todos os jovens que, sem dinheiro para comprar livros e discos, iam para lá ler e ouvir música. Ficava situada na Rua das Montras e, felizmente para o proprietário, alguns dos pais desses jovens compravam lá material escolar, máquinas fotográficas, brinquedos, livros, canetas, etc. E também “artigos para senhora”, como malas, perfumes, cosméticos, etc, numa secção orientada pela D. Rosa (Que saudades da Tália, onde comprei o meu primeiro disco dos Beatles.…).
A Marisol era uma sirigaita espanhola que fazia uns filmes musicais execráveis, como eram a maioria dos produtos espanhóis nessa altura, com a misteriosa excepção dos caramelos. Mas a insistência na produção nacional (havia também o Joselito, igualmente abominável) não só no cinema mas em tudo o resto, até automóveis, levou à construção de um país diferente do nosso, onde sempre alegremente preferimos importar tudo. (Adiante, está bem, já sei que não é para falar de política)
"De Eva para o Mário: Este fim de semana vai no Ibéria..." O Ibéria era um cinema situado no parque D. Carlos, logo a seguir aos pavilhões. As suspeitas sobre a solidez do edifício, já existentes na altura, revelaram-se inteiramente justificadas quando implodiu, por iniciativa própria, dez anos depois. Escolheu uma noite de temporal em que não havia sessão, poupando uma tragédia e deixando um "buraco" que ainda hoje lá está. Podem consultar no Álbum de Memórias uma foto onde o Ibéria ainda consta (vou tomar nota para escrever sobre a misteriosa procura de bilhetes para a última fila do Balcão, independentemente do filme em exibição).
O Vasco, a Dra Rita e o Meia-Leca não sei quem são, mas há um espaço de comentários no fim do artigo para um eventual esclarecimento.
“O Mattoso” era o nome carinhoso por que era conhecido o livro de História do professor António G. Mattoso. Não me deixou saudades, não talvez por culpa dele, mas porque o Padre Albino nos dava aulas obrigando sucessivos alunos a ler consecutivos parágrafos do livro. Curioso método pedagógico que, inexplicavelmente, fez com que todos odiassem a disciplina.
Os bailes do Lisbonense eram efectivamente melhores do que os do Casino porque os pais dos meninos e meninas do Colégio estavam no Casino. Mas também porque muitas das meninas que estavam no Lisbonense não estavam com pais nenhuns. E sabem aquela máxima que as meninas más vão para o Inferno e as meninas… (Pronto, pronto, vou já para os Shadows).
Os Shadows eram um grupo instrumental inglês que precedeu, em termos de êxito internacional, os Beatles. Constituído por músicos de qualidade excepcional para um grupo Pop da altura, acompanhavam também o Cliff Richard. Mas foram os seus instrumentais que lhes fizeram a fama, logo no início da década de 60. A dicotomia expressa por Eva em relação à Sylvie Vartan é muito curiosa porque exprime o que vai ser, musicalmente, a grande mudança deste início de década: os grupos e cantores ingleses, a reboque dos Beatles, vão varrer a tradicionalmente dominante música ligeira francesa e italiana. O que o Jazz já tinha feito, mas apenas em camadas informadas e muito minoritárias, o British Beat Boom vai alargar a muitos. Passados 2 ou 3 anos quase todos os grandes artistas da Pop francesa estavam reduzidos a fazer versões gaulesas dos êxitos anglo-saxónicos. Até a referida Sylvie Vartan, uma búlgara que alcança um enorme êxito com “La Plus Belle Pour Aller Danser”, composição de um filho de refugiados arménios (Aznavour, que na altura compunha mais do que cantava, porque sofria de uma paralisia numa corda vocal), vai acabar a década a interpretar versões de hits norte-americanos. Ela, que foi cabeça de cartaz a 1ª vez que que os Beatles foram a Paris! (Já sei, tenho que acabar porque quando me ponho a escrever sobre música não sei parar. Já está, não digo mais!).

Falta-me pedir desculpa ao autor por ter aproveitado a sua crónica para fazer este comentário que, bem vistas as coisas, talvez não fosse necessário... Espero que me perdoe pelo prazer que me deu reviver tudo isto. E, se alguém leu isto até aqui, não foi só a mim.

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comentários
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6 Dezembro, 2007
João B. Serra diz.
Em primeiro lugar, agradeço-lhe o diccionário que elaborou a propósito do meu texto, que não se limita a elucidar referências, vai bem mais longe. Ajuda a situar e a compreender o mundo em que viviam os dois jovens de 1964.Os nomes dos personagens são fictícios, pois não me julguei autorizado a revelar a autoria de cartas pessoais em meu poder, mas, como certamente se terá percebido, reportam-se a jovens que realmente existiam.O autor desta nota identificou o Dr. Lopes, António José Lopes. Em 1964 ele estava a iniciar uma carreira docente no ERO e nas Caldas. Direi alguma coisa sobre os outros dois: o “Meia Leca” e a Dr.ª Rita. Esta última, professora de português naquele ano ingrato em que aprendiamos a dividir as orações de Os Lusíadas, trouxe ao Colégio uma lufada de ar fresco, irreverente e culto, que nunca se apagou das recordações dos que tiveram o privilégio de ser seus alunos. Não conseguiu dar o programa – vendo-se forçada a dar-nos aulas suplementares nas vésperas do exame nacional – até porque a saúde a traíu e foi substituida no ano lectivo seguinte. Era conhecida pela alcunha de “Moby Dick”. O segundo – não me recordo do nome, só da alcunha, de resto tão eloquente - deu um contributo para que uma geração de caldenses começasse a detestar a história. Esse contributo era baseado no manual de má memória António Gonçalves Mattoso, advogado e professor de história natural de Leiria.
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7 Dezembro, 2007
Manela V P diz:
Rocha! Era assim que o "meia-leca" se chamava!
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7 Dezembro, 2007
Neco diz:
Não fui aluno ERO, mas a minha vida de estudante 6º e 7º Ano cruzou-se muito com o pessoal de lá, uns muito mais novos (o JJ, a PJ, O João Mário Anjos,outros da minha idade, o Tó Zé Castanheira, a minha prima Pilar, a Manel, A Isabel VP, e outros mais velhos como o Beto Caldeira o Pedro Félix e muitos outros cujos nomes estão guardados no fundo da minha BD, como a Suzaninha Fabian, que a ultima vez que a vi, qd eu era um "garboso" Asp.of.Mil colocado no BC10 de Chaves, à espera de caminhar até Moçambique... O que acontece é que tal como a vida junta, a vida tb separa. Agora bateu a saudade e tenho pena de os ter perdido de vista. A saudade que bateu com a recordação dos encontros na Tália e na Zaira. Das considerações giras sobre os bailes quer do Casino quer no Lisbonense. Engraçado lembrei-me de ter assistido in loco ao David Mourão-Ferreira na Tertúlia. No entanto bem gostaria de ir reecontrando essa malta. Mas que chato comentário.
JOÃO PANEIRO, O NECO