ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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TRÊS NASCIMENTOS E UMA MARGARIDA

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Ora aqui estão 4 convictas adeptas da Foz do Arelho. A fotografia, tirada novamente pela minha mãe, no Parque de Campismo da Foz do Arelho, deve ser do ano do artigo da Lena Arroz : CAMPISMO, VERÃO DE 1965

Eu na cadeira de lona, ainda sem conseguir pôr os pés no chão, novamente, e como sempre, a rir. Do lado direito o "trio Nascimento": a Ana, parece nossa mãe (hoje já não se nota a diferença), a Luisa, com uns lindos caracóis e a Margarida ao colo da Ana. Em comum as havainas, que voltaram a estar na moda, o que é um sinal de que estamos todas velhas.
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E a tenda?
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A Ivone Nascimento tem tudo num primor. Flores por todo o lado, tapetes, cortinas. Lembro-me deste dia como fosse hoje. Assim: ontem ali! A nossa amizade continuou inalterável até hoje.
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Um beijo grande para elas e para todos os por aqui vão passando... e são muitos.
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Margarida Araújo
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João Ramos Franco disse...
Tens razão, ao recordar estes tempos e dizer que “hoje já não se nota a diferença”, entre vocês. É verdade, e tenho-me apercebido disso nestes últimos encontros, vocês tomaram elixir da juventude e nós em rapazes umas cervejas. A diferença é só aparente, todos temos na memória os locais da nossa juventude e os vamos recordando neste espaço de são convívio.
João Ramos Franco
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Júlia R disse:
Que meninas tão lindas !Que quarteto tão simpático!Que titulo tão engraçado!E agora que somos todas da mesma idade.....Um beijinho para as quatro!
Julinha

CAMPISMO, VERÃO DE 1965

Lena Arroz

No Verão de 1965 a Lagoa foi um local de férias de alunos do ERO . No grupo que se formou não havia ainda aventuras com namorados. Nem havia namorados...

Essas aventuras com quase todos nós passaram-se mais tarde, depois de termos deixado as Caldas e o ERO. Os locais em que vieram a ocorrer podem eventualmente ter sido a Lagoa, o mar da Foz e a Aberta, com a sua areia grossa a cheirar a maresia e o Gronho, imponente, ao fundo a definir a linha do horizonte… mas não nesse Verão.

Se calhar, por não haver namoros, é que os nossos pais nos deixaram fazer o acampamento sozinhos.

Para além disso estavam lá os pais de uma das “campistas” cuja tenda, na primeira fila, tinha vista directa para a Lagoa.

Havia mais duas tendas, a minha, onde dormíamos três ou quatro raparigas e uma outra, montada em frente onde dormiam os rapazes, não me lembro se três ou quatro.

Os pais revezavam-se para nos levarem os almoços e os jantares. Comíamos juntos e os rapazes ajudavam a lavar a loiça e a arrumar o sítio.

De manhã não faltávamos à cerimónia da chegada da camioneta das dez para vermos que colegas vinham ter connosco em cada dia. Vinha sempre alguém.

De bicicleta vinham também quase sempre dois ou três rapazes.

Durante 15 dias tivemos mais um companheiro cujos pais passaram férias na FNAT.
Quando o grupo estava completo íamos todos até à Aberta para tomar banho de sol e de mar. Voltávamos às tendas para as refeições.

Depois do jantar fazíamos um passeio a pé, com aquele ventinho marítimo oestino a fustigar-nos a cara. Umas vezes íamos ao Hotel do Facho, onde se tomava café ou jogava cartas, e onde se viam turistas, geralmente estrangeiros. Outras vezes, o passeio era uma subida à FNAT onde se jogava pingue-pongue ou se ouvia música.
Naquele improvisado parque de campismo não havia sanitários e por isso usávamos a casa de banho do Félix e tomávamos duche de mangueira, o que era muito divertido!

De vez em quando passeávamos de barco e apanhávamos berbigão.

Nestas férias que duraram um mês inteiro e de onde voltámos completamente pretos e mais amigos, os nossos pais confiaram em nós. Fomos bastante livres e estivemos aliviados daquela sensação de sermos o alvo de uma permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense.
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Lena Arroz
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C O M E N T Á R I O S
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JoãoRamos Franco disse:
"Fomos bastante livres e estivemos aliviados daquela sensação de sermos o alvo de uma permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense."
Ao ler estas palavras, sinto algo que também era extensivo a nós, rapazes. O teu sentir também era o nosso, nos anos 1958/59, e a parte da “permanente observação crítica, por parte da sociedade caldense” estava sempre presente e não olhava ao feminino ou masculino.
Eu, o Samagaio, o José Saudade e Silva o Chico Castro e mais alguns, que não me recordo, acampávamos no Gronho. Só o estarmos ali, longe de tudo, era como que um grito de independência.
João Ramos Franco
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Jorge disse:
Estou a ver que a velha coscuvilhice caldense afectou mais as pessoas do que eu julgava! eram só umas senhoras de idade que não tinham nada que fazer, a Helena e o Ramos Franco (de que não me lembro) exageram.
Esta recordação do antigo parque de campismo está muito gira, e as relações rapazes/raparigas eram assim mesmo muito inocentes, hoje ninguém acredita!jorge
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João Jales disse:
Esta recordação da Lena do acampamento de 1965 é mais um texto em que, de uma forma simples e eficaz, nos surge toda uma época de uma forma muito clara.
Há uma claro sentimento de "claustrofobia" em relação à sociedade caldense da altura, que o João Ramos Franco corrobora e o Jorge (mais novo) contesta um pouco. Um sinal de que as rápidas mudanças da década de sessenta, até nas Caldas se faziam sentir?
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Luis disse...
Escrito de uma maneira que parece simples mas não é , esta história da Lena ( que só conheci de vista porque era mais novo) mostra o que eu senti quando acampei, no mesmo sítio anos mais tarde. E também sem namoradas, não era um namoradeiro como o Jales ... Que saudades!!!