O João Gama Vieira desenha muito bem,já tinhamos visto a caricatura do Dr. Azevedo.
A BANDA DO CLUBE DOS CORAÇÕES SOLITÁRIOS DO SARGENTO PIMENTA
O João Gama Vieira desenha muito bem,já tinhamos visto a caricatura do Dr. Azevedo.
A ÚLTIMA CARICATURA
Realmente, São, tens um traço excepcional, cada caricatura é superior a uma fotografia, a tua mão transpõe para o papel o que uma máquina e impressora não conseguem exprimir ....
Acho que foi um bom director e nós (ERO) estávamos a precisar de uma mudança, os tempos eram outros e o Padre Chico era mais...Moderno...sei lá...mais...tinha uma cabeça mais arejada é isso!
A SUPER
A minha “Super” amigaLicenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra em 1945, tendo defendido como tese “ A acção da Rainha D. Leonor na Vida Portuguesa”.
Especializada como Bibliotecária Arquivista em 1947, investigou na Torre do Tombo até 1952.
Colaborou com artigos de investigação sobre o concelho das Caldas da Rainha no “Boletim dos Bibliotecários”.
Exerceu a docência em disciplinas de História e Filosofia como Professora Efectiva do Ensino Secundário.
Havia para muitos da minha geração, os que prosseguindo estudos se aventuravam pelos segundo e terceiro ciclos do ensino secundário, técnico ou liceal, um obstáculo que uma quase lenda fazia deslizar pelo tempo e que se dava pelo nome simples de Doutora Deolinda ou mais comummente de “Super”. O seu campo de minas era para todos a História e para alguns a Filosofia. Aí se dariam os confrontos em que mortos e feridos a “chumbo” coleccionariam os eventos que dariam continuidade à lenda passando-a a vindouros.
Filha única, Deolinda Ribeiro estaria por certo destinada à continuação duma casa de lavoura se fosse homem. Sendo mulher quis assumir esse e o seu verdadeiro destino: o da inquietação perante os factos e os seus porquês. Ambos cumpriu.
Aqui reside o carácter extraordinário desta mulher, impregnada de terra e de saber, cuja força à natureza deve e à natureza sempre quis pagar, dedicando-se-lhe no trato e amanho com o mesmo entusiasmo que às coisas da sua real vocação, os estudos e investigação histórica, toda a vida dedicou. A sua forma de estar na vida, com simplicidade e rigor aprendeu-a, por certo, nas muitas horas passadas ao cheiro da terra aberta para as sementes e no segredo de como nascem as coisas, na ordem que a mão lhes dá e no favor da natureza.
Conheci-lhe o segredo de duas paixões: D. João II e os automóveis. Estes eram o seu calcanhar de Aquiles e uma “deixa” bem metida em qualquer aula permitiam-nos, uns cinco ou dez minutos de conversa outra que não de História ou Filosofia. O seu Cortina branco era um modelo que naquele tempo tinha fama de “bomba” e o Tomás Baptista, grande entusiasta e especialista dos desportos motorizados, era por norma o interlocutor mais activo espevitando-lhe o entusiasmo.
Estes faits-divers tinham particular interesse e eficácia por altura da Teoria do Conhecimento, capítulo da Filosofia que Deolinda Ribeiro ministrava “por conta própria”através duns famosos apontamentos (famosos no distrito e mesmo em Santarém), só que os apontamentos eram ditados à velocidade do dizer e o castigo durava um período inteiro. Memoráveis aulas para os antebraços que, sacrificados , pelo menos no meu caso, impunham ao meu cérebro, por reflexo condicionado, obviamente, a proibição quase absoluta de se debruçar sobre tais e assim transmitidas matérias.
A Dra. Deolinda tinha uma didáctica muito sua e baseada, quase sempre, numa sinopse introdutória que funcionava como esqueleto da dissertação que salpicava com o seu vasto conhecimento dos episódios paralelos e com os quais afastava a monotonia em que, pelo menos nas matérias filosóficas, facilmente se poderia cair. Natureza e método conjugavam-se, porém, na maneira como interpretava e impunha a disciplina, assunto em que o seu lema me parece sempre ter sido “as coisas como são, sempre foram e serão”.
A minha irreverência desses anos sempre me antagonizou à Deolinda Ribeiro de uma forma intensa mas leal, existindo até um episodio, que só agora ela ficará a conhecer, que o pode retratar. A partir de determinada altura do 7º ano, salvo erro, descobrimos que as revisões antes dos pontos eram feitas com algumas perguntas apontadas num caderninho que ela guardava na sua pasta de cabedal. As sextas feiras a aula de Filosofia era de duas horas seguidas, logo depois do almoço. Durante o intervalo, os professores iam até a sua sala e nós descíamos ao pátio, sendo interdita a permanência nos corredores. Iludida a “segurança” (a cargo dos contínuos Ulisses e Zé Caixinha) um grupo “comando” e voluntário em que eu estava obviamente incluído, resolveu consultar o misterioso caderninho. O espanto e alegria anularam o tremer das pernas que o risco justificava. Em caligrafia bem conhecida o que ali se achava reproduzido era o texto integral do próprio teste.
A Filosofia passava a ter para nós um novo aliciante. Conjugando um bom comportamento nas aulas com a demonstração de um renovado interesse pelas questões postas na aula, facilmente se justificariam os resultados que doravante iriam aparecer, pelo menos em quanto a indiscrição não viesse a ser descoberta e o esquema pudesse funcionar. Funcionou duas ou três vezes que me lembre. Nunca consegui com ele beneficiar e nas entregas dos pontos, à minha vez o anuncio continuou a ser o mesmo de sempre : “Senhor Pereira da Silva… 10!!! Ó homem já era altura de começares a estudar alguma coisa”. É que para mim o difícil era não querer as questões ao contrário do que eram postas e as nossas discussões acabavam, por vezes, com o meu pedido, em antecipação ao seu veredicto, abandono da sala, alias sempre concedido.
Foi sem dúvida este capital de lealdade e respeito mútuo construído durante os anos em que nos aturámos que se transformou no prazer que ambos sentimos quando, anos passados, nos reencontrámos como colegas de ofício na Bordalo Pinheiro. E foi no convívio do trabalho, e fora dele, que construímos uma grande amizade que me levou a descoberta e ao reconhecimento dos “porquês” da sua pedagogia e da sua didáctica. Com a experiência de uns bons anos de ensino já me deram sou obrigado a reconhecer que a minha “Super” amiga tinha razão!!!
E a emoção que todos sentimos aquando da sua despedida foi uma justa homenagem a carreira de uma exemplar e à vida de uma mulher simples que sempre soube manter os princípios como superiores guardiães da sua integridade moral e intelectual. E nesta sua lição eu não cabulei.
José Manuel Pereira da Silva
Desenho e texto extraídos do livro de Vasco Trancoso
"ÁLBUM DE FIGURAS CALDENSES 1990/1991" , editado em 1992
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Esta é uma "repescagem", este post apareceu pela primeira vez no Blog em Dezembro de 2007, mas pensei que fazia todo o sentido integrá-lo na actual série.
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Comentários:
João Ramos Franco disse...
“E nesta sua lição eu não cabulei.” Após o que li, teria piada dizeres que tinhas cabulado. Desculpa a brincadeira, gostei do que escreveste, a carga humana da visão passado/presente, tem para mim, um sentido muito especial… Um abraço João Ramos Franco
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18 Dezembro, 2007
Miguel B M disse:
Foi com muita saudade que li o artigo sobre a Super. É pena ela já não poder lê-lo pois certamente ficaria uma fã do blogue e certamente uma assídua colaboradora. Eu era muito seu amigo e até foi por causa dela que uma vez fui corrido de uma aula de Física. Era habitual ela fazer uma perscrutação digital à sua cavidade nasal. Quando encontrava um corpo estranho mirava-o e remirava-o, avaliava as suas características físicas (consistência, viscosidade, densidade, elasticidade) e depois decidia degluti-lo ou deitá-lo para um lenço enrodilhado que sempre a acompanhava. Era para esse mesmo lenço que ela impulsionava estrepitosamente um volumoso escarro ( atenção para que não haja dúvidas, este termo é técnico em termos de pneumologia ).Ora eu tinha como desiderato imitar nas aulas esse mesmo impulso .Como os serviços de inteligência da turma já tinham alertado o corpo docente para este facto, ainda eu estava a começar e já o Jaime Serafim me estava a expulsar sem a mínima hesitação pois obviamente já sabia o que se passava e quem era o prevaricador. Este comentário serve ainda para confirmar não só o que o ZCFaria muito bem escreveu mas também para reforçar aquilo que eu próprio disse acerca desse mesmo artigo. Miguel B M
As “traquinices” de um professor
Caricatura de São CaixinhaVendo o professor de Físico-Química chegar ao cimo das escadas sobraçando, com aquele modo todo seu, uma resma de pontos, Helena Xavier afastou-se do grupo de colegas com quem conversava, aproximou-se do Dr. Serafim, e pediu-lhe: “Stôr! Deixe-me ver o ponto, se faz favor!” Sem a mais leve hesitação, o professor estendeu-lhe o enunciado para que o visse, ao mesmo tempo que a incentivava a fazê-lo com atenção. Claro que a Helena, apanhada de surpresa, reagiu nervosamente e foi incapaz de aproveitar tão inusitada oportunidade de conhecer o teste a que se veria na obrigação de responder dali a pouco.
Quando voltou para junto dos colegas, estes perguntaram-lhe ansiosos: “O que é que calha no ponto? O que é que viste?” A Helena não tinha visto nada, ou melhor, não se lembrava de nada do que quer que tivesse visto! Ao aperceber-se disso e do desapontamento geral que o seu esquecimento causava, desatou a chorar!
Ao contrário da hipótese mais óbvia, a idónea “fonte” à qual devo o conhecimento deste episódio não foi a minha irmã, mas o Dr. Serafim. Numa das muitas conversas com que amenizávamos as longas e frequentes sessões de trabalho conjunto quando éramos, respectivamente, Presidente do Conselho Pedagógico (eu) e Director Executivo da Escola Secundária de Raul Proença.
Ao longo da minha vida profissional, vários foram os meus antigos professores do colégio e do liceu que se tornaram meus colegas, mas com nenhum outro tive oportunidade de conviver de modo tão continuado. Tenho para mim que há alguns professores que, talvez por transitarem dos bancos das escolas como alunos para outros bancos de outras escolas como professores, lhes falta algo para se tornarem completamente adultos ou dito de outro modo: que conservam algo que aos outros adultos está vedado, uma espécie de “traquinice”, digamos assim, à falta de melhor expressão. É nesta categoria de professores, muito rara aliás, que coloco o Dr. Serafim!
Nunca tive outro professor de Físico-Química e, embora estivesse longe de ser essa a minha disciplina predilecta, que me perdoem os restantes bons professores que tive no colégio, não hesito em classificá-lo como o melhor professor que por lá passou, no meu tempo, claro! E ainda se tornou muito melhor, depois da “experiência poética” que foi o seu estágio profissional, orientado por Rómulo de Carvalho, no Liceu Pedro Nunes, quando transitou para o ensino público, e do qual me contou também histórias interessantíssimas.
A jovialidade com que sabia reagir de modo desconcertante perante os alunos, como foi o caso da Helena, transportou-a para o exercício do cargo de director da escola. Tinha (e espero que continue a ter) um sentido de humor inexcedível, uma malícia muito própria que é imprescindível ao sentido de humor, presente em grande parte das situações e no modo como resolvia os problemas com que se deparava diariamente.
Para demonstrar o que digo, conto um episódio que escolhi aleatoriamente de entre muitos outros que poderia contar. No tempo em que o Dr. Serafim era Director Executivo da escola funcionava lá um curso na área da Comunicação. Alguém, penso que o Psicólogo, Luís Paulo Baptista, levou junto dos alunos para conversar com eles sobre Comunicação Social, o polémico Manuel Serrão que naquele tempo era presença assídua na televisão. O caso, que ocorreu nos finais de Março, provocou grande celeuma entre os professores e muitas foram as vozes críticas e mesmo indignadas que se levantaram a seu propósito. No dia 1 de Abril apareceu no placard da sala de professores, com a necessária aparência de documento oficial, a informação de que nesse mesmo dia, estaria na escola Lili Caneças para conversar com os alunos sobre o “Jet Set” nacional e o seu significado na perspectiva da Comunicação Social. Salvo erro, a sua “presença” daria lugar a uma sessão de autógrafos.
Juro-vos que vi pessoas praticamente à beira de um ataque de nervos, junto do placard, perguntando-se, e aos circunstantes, a que ponto iria parar aquela escola!
Quem seria o autor da original partida do 1º de Abril? Na posse dos dados já indicados, fácil será adivinhar…
- Isabel Xavier -
PERSONALIDADES (4) - DR. LEONEL CARDOSO

Que não se conhece bem,
Pode dar triplo desgosto…
…Porém, se o “perfilvisado"
é um artista consumado
e um poeta predisposto,
sempre às Caldas atento.
Que usa, a todo o momento,
A pena ilustre empunhar,
Para “dibujar” ou escrever,
Com o fim de enaltecer
A terra que o viu brincar…
…Então, a coisa é diferente,
Pois ele tem o cuidado,
Que, à uma todos dirão:
- Ora aí está, mal traçado,
o perfil inacabado
do,,, Autor da Secção!
BAPTISTA MENDES
P’ra fazer este “perfil”
Há que ter cuidados mil!...
Vamos a ver se consigo,
Mas há que ser cauteloso,
porque este “rapaz idoso”
é o meu melhor Amigo.
Tem defeitos? Certamente!...
Como, aliás, toda a gente!
Mas também tem qualidades
E entre estas, sem favor,
A de ser trabalhador…
Em várias modalidades.
Há ditados que perduram:
“Todos falam e murmuram…”
foi um dos que aprendi!
Pois ele tem o cuidado
De desmentir o ditado,
Olhando também p’ra si!
LEONEL CARDOSO
PERSONALIDADES (3)
Quem será esta figuraQue se impõe pelo seu passado,
Que tamanha obra encerra?
O mistério não perdura,
Pois por todos é lembrado
O que fez p’la nossa terra!
Sacrificou-lhe a saúde,
O seu tempo precioso
E…até os seus interesses…
Com esta grande virtude:
Nunca ter sido vaidoso…
Nem aspirando a “benesses”!
Neste “cantinho” pacato,
“O Caldense”, desta vez,
Pondo em destaque o labor
Deste homem bom e sensato,
Que p’las Caldas tanto fez…
Não lhe faz nenhum favor!
LEONEL CARDOSO
(O Caldense, 9 de Outubro de 1958)
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COMENTÁRIOS
estou a ver que tens razão jj,ninguém consegue identificar o caricaturado....eu conheci-o mal mas quem viveu nas caldas antes de 1960 sabe que ele devia ser a pessoa mais importante da terra!
António José Figueiredo Lopes (O Professor)

ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES
ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES - 2
Mensagem de A J F Lopes
O almoço de homenagem e as fotografias
Já nesta série foi-lhe dedicado O PROFESSOR DE GEOGRAFIA
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PERSONALIDADES - DR. MÁRIO DE CASTRO (por Vasco Trancoso)
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PERSONALIDADES - DR. MÁRIO DE CASTRO
Sabedor e competente,
estimado por toda a gente,
ganhou um prestígio tal
que, sem o menor favor,
é agora o director
do nosso Hospital Termal.
Às Caldas se dedicou
E aqui se radicou!...
E agora, creio eu,
P’las Caldas tem tal interesse
Que, por vezes, lhe parece…
Que aqui nas Caldas nasceu.
É certo que aqui nasceram
Os filhos que aqui cresceram
E, em miúdos, brincaram!...
Agora, já homens feitos,
No Ultramar, p’los seus feitos
Esta nossa terra honraram!
LEONEL CARDOSO
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C O M E N T Á R I O S
Amélia Teotónio disse:
Tenho do Dr. Mário de Castro as melhores recordações, como médico e como pessoa. Para além do tratamento de gripes e outras maleitas no seu consultório, ali para os lados da Zaira, quero ainda salientar a sua disponibilidade e o seu humanismo quando do acompanhamento de tempos difíceis, a nível de saúde, de um idoso avô.
Foram algumas as vezes que o Dr. Mário de Castro se deslocou à Usseira, quando a última paragem do comboio chamado vida já se fazia anunciar. Recordo ainda, passados que foram cerca de quatro décadas, as suas caridosas palavras bem como sua expressão de desalento e tristeza, quando constatado que a medicina nada mais poderia fazer. É com saudade e ternura que recordo a sua figura distinta. Obrigado Dr. Mário de Castro por todo o seu profissionalismo, desvelo e amizade.
Para trás havia ficado o meu tempo de juventude, em que sua filha Papi nos dera aulas de Inglês no ERO. Sempre jovial, simpática e muito dinâmica, deixou em mim algumas marcas. Anos mais tarde, já casada, e nós a frequentar o ensino superior igualmente em Lisboa, seríamos convidadas (prima Bia e eu), para com ela tomarmos um simpático chá, em sua casa. Embora fosse muito jovem à data, conseguiu impor-se como pessoa e como professora e ser, ainda hoje, recordada com muito carinho.
Amélia Teotónio
João Ramos Franco disse:
As recordações são muitas, era meu Médico, sou amigo dos filhos, frequentava a sua casa e era tratado como família. O Dr. Mário de Castro e meu Pai (estudou três anos medicina humana antes ir para veterinária), tinham sido colegas durante esse tempo de Coimbra.
Muitas vezes no café Lusitano em amena cavaqueira entre os dois, eu os ouvi. O que poderia retirar do que ouvi e contar-vos é longo, mas é assunto para eu pensar
João Ramos Franco
João Jales disse:
“só graças a ele…muitos de nós estamos vivos!” (versos de Leonel Cardoso)
Eu sou um deles, literalmente. Foi no Volkswagen, também aqui “caricaturado”, que o Dr. Mário de Castro, em 1967, me transportou para o Montepio onde escapei, por uma unha negra, à sufocação provocada por um edema da glote. Graças à sua perspicácia, sangue frio e determinação, ainda aqui me têm a relembrar, com saudade e carinho, o médico e amigo da minha família.
Recordo também a D. Rita, companheira sempre paciente e jovial de uma vida sem horários e com interrupções constantes do sono e refeições, como era a de todos os médicos da altura (eu também vivi isso, embora talvez em menor escala).
A sua filha Papi foi professora no ERO e fazia parte de um animado grupo de amigos dos meus pais, como recordámos numa conversa há dias. Lembro ainda com muito carinho, embora a tenha “perdido de vista”, a sua neta Ritinha, mais nova que eu, mas com quem convivi muito na Foz do Arelho nesta época.
Obrigado Dr. Mário de Azevedo e Castro. JJ
Ana Carvalho disse:
Grande médico e graças a Deus que te salvou. O que seria de nós sem ti? Nem quero pensar... Bjs PP
jorge disse...
eu também consultei o Dr Mário, de quem tenho a melhor das recordações e revejo com saudade as caricaturas do Dr Leonel de que me lembro bem de sairem na Gazeta.de vez em quando o humor e a ironia são substituídos pela emoção e sentimentos à flor da pele...o comentário anterior é do mesmo JJ dos comentários cáusticos,das brincadeiras ligeiras e dos namoricos no ERO?meia dúzia de linhas comoventes e penso que comovidas.um abraço-Jorge
M.Fátima Gama Vieira disse...
Relativamente ao Dr. Mário de Castro e no que concerne às suas características humanas e profissionais depois do que li não encontro palavras. Nosso Médico de Família extremamente dedicado, a qualquer hora fosse qual fosse a aflição estava presente. Lembrar-se-ão a minha irmã e a querida amiga Anabela Miguel de uma dor de dentes horrível e que pelas 24h me pôs em parafuso, depois à minha irmã e a seguir à Anabela e seus.
Dr. Mário de Castro um grande Bem-Haja pela dedicação e carinho e pela madrugada descansada para mim e consequentemente de todos.
Maria de Fátima Gama Vieira
.
PERSONALIDADES (2)
Eis outro vulto que marca
cá nos anais da Comarca
e por diversos motivos…
entre os quais avulta aquele
de que só graças a ele…
muitos de nós estamos vivos!
Sendo um médico distinto
podem crer que não lhes minto
ao vir aqui afirmar…
que, sejam ricos ou pobres,
tenham ou não tenham cobres…
ninguém fica por tratar!
Mas…quando chegam as férias,
põe de parte as coisas sérias
e chega-lhe a ele a “febre”…
de ir à caça das perdizes
ou de agrvar as varizes…
correndo atrás duma lebre!
LEONEL CARDOSO
O Dr. Mário de Castro está no meu coração para sempre. Sendo mesmo Delegado de Saúde não se eximiu, em 1966, passar-me um atestado médico (de doença inexistente) que me permitiu fazer exames no Liceu Nacional de Leiria que me garantiram habilitações suficientes para desempenhar a minha profissão - é que naqueles tempos não existia a figura juridica de trabalhador estudante, que era o meu caso.
.
Isabel X disse:
Fantástica esta caricatura! O Dr. Leonel Cardoso só pode ter sido, de facto, alguém de extrema sensibilidade para de modo tão particularmente expressivo saber captar o Dr. Mário de Azevedo e Castro! O cigarro eternamente aceso, o modo algo displicente, a generosidade com que atendia os doentes independemente de pagarem ou não, a paixão pela caça, tudo, mas mesmo tudo, aqui estão! Agradeço ao João Jales por nos avivar a memória deste modo tão justo e eficaz!
Era uma pessoa maravilhosa, um coração de ouro e um médico competentíssimo este nosso Dr. Mário de Castro. Uma grande saudade me bateu no peito quando vi esta caricatura!
Adivinhei de imediato! O Dr. Mário de Castro, dedicadíssimo médico de família que recordo com saudade. Zelou pela VIDA do meu irmão mais novo, até à minha “Tarde Extraordinária”, a do dia 25 de Abril de 1966!
Manuela Gama Veira
PERSONALIDADES (1)
Tem medalhas aos montões,Que já chegam aos calções,
Que o cobrem de lés-a-lés…
E se continua assim,
Inda um dia, quanto a mim,
Lhe chegam até aos pés!
Quanto a taças nem se fala!...
Tem-nas, aos montes, na sala,
No escritório e até no sótão!...
Tem-nas, até, na dispensa,
Porém nessas ninguém pensa,
Talvez porque não se notam!
O Governo, tendo em vista
A vida do desportista.
Resolveu-se a consagrá-la!
Deu-lhe mais uma medalha!
Porém, como o espaço falha…
Onde é que hão-de pendurá-la?
Creio que todos os EX ERO ou EX Escola se lembram do Dr. Calheiros Viegas, e é mais que justa esta pequena homenagem do JJ.Nunca o tive como professor, mas notava que as aulas dele eram bem mais ligeiras (até nas exigências do traje) que as do Silva Bastos.Na altura invejava um pouco os meus colegas que se divertiam imenso com o Volei e o Andebol, e eu que sempre tive mais jeito para os jogos de bola jogados com os pés, que este detestava, lá tinha que me esforçar para não «chumbar» na Educação Fisica, mas nunca fui muito longe nos seus desportos favoritos. Quanto ao ténis, era espectador e o ping-pong só um pouco mais tarde.Daqui deixo uma singela homenagem ao pai do meu amigo João. Estive com ele a última vez, creio, no Hotel do Facho, na Foz, há cerca de 22 anos. Falàmos imenso daqueles tempos, dos nossos jovens rebentos (na altura)e da vida por estas paragens frias da América do Norte.
É a primeira vez (há sempre uma) que entro, oficialmente, por esta porta franca e escancarada às recordações .. sou "freguês" diário!
Claro que é o Dr. Leonel Cardoso! Francamente nem sei de onde me surgiu o apelido Souto Mayor. E assim me penitencio pelo lapso cometido. Higino Rebelo
Ups! Peço desculpa pelo erro.
Grande figura e muito bom homem o Dr. Calheiros Viegas. Desde desportista (de tudo!) a professor, passando por organizador de todo o tipo de eventos, concursos e provas (ténis,casino,escola), benemérito colaborador de todas as associações das Caldas, sempre me admirei como tinha tempo para ser advogado!!!
Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Não, é Dr. Calheiros Viegas…
Espero que o João Ramos Franco conte as peripécias desses dois dias no seu blog! É um desafio...Quanto ao Dr. Calheiros Viegas, de quem me lembro muito bem, retenho a imagem de gentleman e, principalmente, o modo magnífico como dançava com a D. Emília Calheiros Viegas nos bailes do casino.
O CHICO DA BAÍA

Francisco Cera nasceu em S. Martinho do Porto a 01/11/45. Neto de pescadores, filho de gente do Ribatejo, inicia a sua escolaridade num pequeno sótão na Rua Alexandre Herculano em Caldas da Rainha na casa da Professora Perpétua.
Passa depois pelas Escolas Primárias da Policia de Transito e Praça do Peixe. Mais tarde no Ensino Secundário vai para a Escola Rafael Bordalo Pinheiro, junto ao Chafariz das 5 Bicas. Teve ainda o privilegio de ir estrear o novo edifício que foi construído nos antigos terrenos da Escola Agrícola. Foi sempre um aluno interveniente. Passou pelas actividades da Mocidade Portuguesa tendo sido um entusiasta dos acampamentos. Só que não há bela sem senão. Um dia puseram-no a tocar tambor desde tornada até as Caldas. Fartou-se tanto que nunca mais voltou. Cedo se lhe desenvolve um especial gosto pela poesia, pela palavra, pelo dizer. Na idade propícia aos sonhos a poesia ganha a dimensão de uma deusa. Lê para si, para mais tarde lê-la em voz alta para quem o queira escutar. Nos saraus e récitas da Escola a sua presença é constante. Com os seus dizeres entoados, por vezes dramatizados, lê poesia de Florbela Espanca, Fernando Pessoa, António Gedeão, Casimiro de Abreu, Jorge de Lima, José Régio e tantos outros. A Toada de Portalegre, o Mostrengo, Cântico Negro, Hino do Meu Terceiro Dia, O Menino de Sua Mãe, Chico Cera dizia-os com tal ênfase que acabou grangeando adeptos fervorosos.
Da arte de dizer poesia ao teatro, foi um passo. Várias foram as peças representadas. Em espectáculos organizados pela Escola R. Bordalo Pinheiro, assim como pelo Conjunto Cénico Caldense, Francisco Cera participou com dedicação e entusiasmo. Foi aliás nas actividades circum-escolares, neste caso no teatro, que conheceu aquela que ainda hoje é a sua mulher.
Das peças representadas “Antigona”, “Autos de Gil Vicente”, contam-se como das mais importantes do seu curriculum. No entanto o “Auto da Compadecida” representado em Coimbra pelo C.C.C., ficou-lhe para sempre gravado na memória. Foi de tanta qualidade a representação, que o público no final vibrou dando vivas às Caldas, ao Teatro, arremessando ao ar capas negras de estudantes que esvoaçavam na sala do velho Avenida. Mas outros passos na vida o esperam. Ao sair da Escola, emprega-se na Repartição das Finanças nesta cidade. Faz a tropa, uma grande parte dela no R.I. 5. Quando sai vai trabalhar nas Páginas Amarelas e um pouco mais tarde para a Torralta.
Aos poucos foi deixando a sua actividade ligada ao teatro, entusiasmando-se cada vez mais com a festa brava. Depois das garraiadas escolares, participa numa primeira tentativa de formação do Grupo de Forcados Amadores das Caldas. Como não resulta, ingressa no Grupo da Nazaré. Toma então a decisão de aceitar maiores responsabilidades ao nível da festa dos toiros, entra no Grupo de Forcados Amadores de Santarém.
Dedicou também à Imprensa muito do seu tempo: Jornal da Escola, Gazeta das Caldas, Jornal da Unidade (Militar) e o desaparecido Notícias das Caldas. Talvez por isso mesmo a caricaturista não lhe tenha perdoado um seu desabafo menos a propósito, que proferiu numa Assembleia Municipal em 1990, quando a Gazeta das Caldas foi posta em causa pela sua bancada.
Com espírito de iniciativa trabalha com outros caldenses na criação dos certames “Feiras da Fruta e Cerâmica”.
Na sua juventude sofreu a influência dos “anos 60” . Os Beatles, Adamo, Moustaki, Brel, Zeca Afonso e tantos outros polvilharam-no com o sal e a pimenta quanto baste. Cedo se apercebeu da falta de liberdades democráticas do seu País. A Guerra Colonial, as prisões politicas, e a luta dos democratas não o deixaram indiferente. Participa nas eleições de 1969 e 1973, ao lado da oposição. Mesmo quando cumpria o serviço militar participava em iniciativas levadas a efeito no interior do próprio regimento.
Tem conhecimento dos acontecimentos do 25 de Abril pela rádio, eram 9:30h, estava na Praça da República. A primeira reacção foi de emoção. Com olhos marejados de lágrimas sentia que o filho que esperavam iria nascer num país livre.
Vive intensamente a época revolucionária. Apanhado pelos acontecimentos da Torralta não aceita convites que lhe tinham sido formulados por partidos políticos. Apoiante da segunda candidatura do General Ramalho Eanes reencontra Hermínio Martinho que há muito conhecia e aceita fazer parte da estrutura local do PRD. Candidata-se por este partido às Autárquicas de 1985. Sai passados meses. É ainda Mandatário Concelhio da candidatura de Salgado Zenha à Presidência da República, candidatura de que vem a discordar a meio da campanha. Em 1989 candidata-se como independente nas listas do PSD à Assembleia Municipal de Caldas da Rainha.
Nestes últimos anos tem vindo a dividir a sua actividade para além da politica, na direcção da sua empresa e numa teimosa participação em várias direcções do Caldas Sport Club.
Jorge Sobral
Foram originalmente publicados no "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991"
e são aqui reproduzidos com a devida autorização do autor.
Já me lembrei! O outro amigo que também estudava no Porto chama-se Vasconcelos e há muito que não sei nada dele. Quanto ao Alberto Campos nunca esquecerei que era ele que, no meio estudantil do Porto, me arranjava tudo o que era clandestino desde Manuel Alegre a Zeca Afonso.
OS DESENHOS DA SÃO CAIXINHA
Daqui até me ver entretida a desenhar a caricatura dos nossos professores foi um pequeno passo, o que obviamente acontecia muito à socapa durante as aulas (não era só sonhar, portanto). Depois de algum tempo as pequenas e ingénuas figuras não se limitaram a preencher uma folhinha tímida no fim do caderno mas começaram a espalhar-se com segurança por todas as folhas, a crescer em tamanho, a experimentar posições, a saltar com convicção para outros cadernos, a dizer abertamente algumas palavras...e a encontrar-se em grupo!
Foi nesta fase que, numa tarde azarenta, o meu comedido recolhimento despertou a atenção da Dra. Cristina e, em estado de choque, fui forçada a dar-lhe conhecimento do invulgar movimento que se desenrolava nos meus cadernos. Apreciou calmamente, em silêncio (daquele com peso e temperatura), para depois objectar que "aquilo", para além de ir ser submetido à apreciação de todos os professores, iria seguramente ter sérias consequências. Como adivinham foram dias de agonia os que se seguiram, até à temida tarde em que me encontrei confrontada com os resultados. Os professores tinham achado graça ouvi, ainda petrificada e com enorme alívio. Mas, pela parte que lhe tocava, resignava-se, com dificuldade, a concluir que eu devia ser inteligente! Ainda hoje não sei bem se isto foi um elogio ou um insulto...mas nada de consequências para mim, portanto!
Agora vejam a caricatura que se segue, acompanhada por uma saudação muito especial a todos os meus professores.
São Caixinha
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Comentários
2008-03-02
LFS disse:
O texto que introduz a belíssima caricatura da Drª Cristina é bem revelador do prazer que a São tem nesta forma de expressão e o Blogue terá certamente orgulho em poder ser instrumento de partilha com uma audiência cada vez mais estimulante.
2008-03-03
Luísa disse:
Até me assustei! E há lá mais professores nesses cadernos? Parabéns .
2008-03-03
Z C Faria
Já tinha tido a oportunidade de transmitir ao João Jales (quando ele teve a gentileza de me dar a conhecer o desenho antecipadamente), o quanto prazer me deu o confronto com um , para mim, insuspeitado talento de caricaturista da nossa amiga São Caixinha. Notável! (um beijo para ela).
Vasco disse:
:-)
2008-03-04
Isabel disse:
Mas afinal é ou não é proibido fumar em locais públicos...???
2008-03-04
JJ disse:
Pode ser que sim, mas eu é que nunca lhe diria… Partilho ainda, quarenta anos depois, o susto da Luísa! Belo desenho, todos quantos o viram antes da publicação ficaram entusiasmados com a qualidade deste novo material a chegar ao Blog.
2008-03-05
Ana Nascimento disse:
Oh São eu desconhecia esta tua faceta, fiquei deveras surpreendida … Tens um bom traço !!!!. apanhaste a Drª Cristina na perfeição….…. desde o cabelo, óculos, mão, passando pelas unhas (se fossem a cores seriam encarnadas…ihihih ….) até à posição dela a fumar … bem ….estão tal e qual !!!! Eu faço ideia a cara com que ela ficou quando te apanhou o caderno !!!!! … fez um ar muito sério mas depois nas tuas costas, deve ter rido com gosto com os outros professores …e conhecendo-a eu como conheci (a austeridade que mostrava era apenas uma capa para esconder a carência de afecto), estou certa que, quando tos devolveu, o comentário que fez foi um elogio.
E agora diz-me … quem é o senhor que se segue? Aguardo com ansiedade que nos mostres esse teu talento guardado há 40 anos….. obrigada cachopa.
Beijinhos Ana
2008-03-06
Carlos disse:
Bom desenho, lembro-me da minha irmã falar do jeito que a São tinha para desenhar mas nunca vi antes. Ela diz na carta que há mais professores nos cadernos.
2008-03-08
anónimo disse:
Vi logo quem era, embora só fosse minha profa 1 ano. No meu tempo apareceram também umas caricaturas num jornal do colégio, Alguém sabe disso?
2008-03-08
São Cx disse.
Quero agradecer aos colegas as generosas, simpáticas e engraçadas reacções ao meu artigo...e dizer-lhes ainda que é de facto com enorme prazer e evidente orgulho que contribuo, ainda que modestamente, para a realização do nosso extraordinário blog!
Bjs a todos. São X
2008-03-11
Anabela Miguel
Fiquei impressionada com a caricatura da Dra. Cristina, está perfeita!!! Todo o seu físico foi muito bem caricaturado, mas não posso deixar de referenciar as suas pernas, que estão o máximo.
É bom saber que entre a nossa geração, existem talentos como o da São Caixinha.Gostaria de ver mais caricaturas dos nossos professores, pois segundo ela, muitas mais foram desenhadas. Beijinhos . Anabela Miguel
TÓ FREITAS
A caricatura é do meu amigo Vasco Trancoso e o texto do Hermínio de Oliveira. Foram originalmente publicados no "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991" e são aqui reproduzidos com um abraço de agradecimento pela colaboração do Tó na referida "Breve história...". JJ
O Tó Freitas
Doutorado em politica, catedrático de estratégias, mestre de xadrez, arauto de novidades.
Conhece 18.689 nomes de pessoas e os respectivos possuidores.
Amador da Canção Nacional, tem de cor a letra e o tom de 971 fados e conhece-lhes os autores. Sabe distinguir uma guitarra duma viola, pelo toque, coisa que eu não sei.
É detentor do record de fala contínua, durante 574 horas.
Consegue em 80 ganhar 3 partidas de xadrez, o que convenhamos não é nada mau, mas que ele espera melhorar sacrificando o seu sagrado repouso para estudar e aprofundar a sublime arte de Alekine.
Requintado sibarita conhece, pelo rótulo, 1040 vinhos, e pelo paladar mais de 500. Sabe qual é o melhor para acompanhar o linguado, - Seco de Bucelas, meio-seco de Colares, - Não desdenhando um branco de Figueira de Castelo Rodrigo, embora mais doce.
Mas também não desdenha um tinto cartaxeiro para fazer escorregar umas petinguinhas fritas com açorda, porque se pela.
Tem pois um paladar democrático, ao nível do “Jaquinzinho” e arroz de pimentos, com umas febres intermitentes de restaurantes de luxo, donde sai alagado em suor, pela escaldadela.
Antigo aluno do Colégio Moderno foi nesse alfobre de personalidades graúdas que forrageou para o seu celeiro celebridades a quem trata por tu.
Lá jogou futebol e deu algumas caneladas em aristocráticas gâmbias que fortaleceram velhas amizades, ainda bem vivas quer recordando o toque quer a nódoa negra.
Há para ai quem diga que a população portuguesa está a envelhecer e a nascer menos o que eu acho um acto de sovinice. Deixar de nascer é o acto mais miserável que o homem pratica, para além de fazer baixar a estatística o que é sempre mau… por ser uma baixa. Nisso o Tó e exemplar nem evitou de nascer nem evitou que lhe nascessem três filhas. Equilibrou a estatística.
Pela mais velha foi o Tó de avião aos Açores… sem aconselhar o condutor a ter cuidado nas curvas.
Irreverente, independente, senhor de si, nunca vestiu a batina que o Trancoso lhe enfiou, sendo aqui um símbolo da sua catedrática sabença… em política central partidário – coscuvilheira.
Fundador do PS e o seu mais antigo membro nas Caldas, nunca ocupou qualquer lugar, na Câmara, Assembleia Municipal ou mesmo em qualquer modesta e plebeia Junta de Freguesia. Foi no entanto deputado, e, embora lá estivesse pouco tempo, ainda fez um contracto especial de prestação de serviços parlamentares, extra eleitoral, na Comissão de Saúde, onde falou de remédios, seus velhos conhecidos de infância. Mantém o escritório do pai – meu querido e chorado amigo António Maldonado Freitas – tal como ele lho deixou, com os livros no mesmo lugar e os jornais no mesmo monte... Não precisa, nem quer, alterar nada, fixando-se na memória dos seus antepassados com uma devoção religiosa pelos livros lidos pelo seu pai, as cerâmicas, gravuras e quadros, que lhe foram fonte de beleza, transformando esse velho escritório num santuário onde murmura as suas orações de saudade.
O Café Central, de que é co-proprietário não lhe é só escritório; é também e sobretudo um local onde se vive, onde se conversa, onde se sabe. Património caldense, traz até nós um tempo em que o tempo não contava, em que os minutos não valiam a tanto por escudo, em que se estava, e está, sentado a mirar essa obra deliciosamente romântica de Júlio Pomar, rasgada a ouro no azul celeste da parede.
Tudo isto é o Tó, em “quem luz algum talento” como dizia o Bocage, mas que vale sobretudo… por saber ser um amigo.
Hermínio de Oliveira
CRÓNICAS - João Bonifácio Serra
porque não me caberia a mim fazê-lo. Historiador, ensaista, professor, cronista, colunista, sei lá o que mais, eu conheço-o fundamentalmente como alguém que ama a terra onda ambos vivemos, as Caldas. E como aluno do E.R.O., onde chegámos a ser contemporâneos, embora ele fosse 5 anos mais velho, um enorme fosso na altura, não tanto hoje.É com grande prazer que vamos aqui iniciar a transcrição de alguns textos, escritos para a Gazeta das Caldas e coligidos no livro "Continuação" (que não sei se ainda estará disponível, perguntem à Isabel Castanheira que sabe sempre estas coisas), procurando aqueles que mais se referem à vida no Colégio.
E que melhor Prefácio que o do Dr. Leonel Cardoso publicado na Gazeta em 1966?
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O ZEQUINHA

O Zequinha nasceu nas Caldas em 1954, mais precisamente no dia 25 de Abril. Como todos sabem é uma data misteriosamente propensa a alterações e altercações, excitações e depressões, revoluções e outras confusões.
Cedo abandona as Caldas, faz a Escola Primária na Guiné, vai depois para Moçambique. É talvez deste périplo africano que lhe fica o gosto pelas aventuras marítimas, pelos grandes espaços e as grandes questões, embora sempre mais disposto a arrasar a floresta do que disponível para derrubar uma árvore.
Regressa da ex-Colónias e ingressa no Externato Ramalho Ortigão, onde o conheci. São da nossa turma alguns actuais caldenses residentes como a Dália Saramago, o Rogério Teotónio, o Pedro Nobre, o Tózé Hipólito, a Cristina Rolim, o Henrique Conceição, o José Neto, o Tomás Baptista, o Manuel Nunes e a Ana Paula Fonseca (a sempre bem disposta Paulinha Pardal). Um grupo que bem cedo descobre o seu temperamento artístico em pequenas representações nas aulas do Padre Renato (permitam-me um parêntesis para dizer que foi o melhor Homem que tivemos o privilégio de conhecer no Colégio), representações que são o trampolim para a sua colaboração com o Clube Cénico Caldense. É também já desse tempo o gosto e a vocação para a pintura que irá desenvolver com Eduardo Constantino, entre 72 e 74, a sua “fase pintor anarquista”.
A sua alcunha era, no entanto, o “Juvenil”. Por motivos não artísticos, mas desportivos: era campeão de várias modalidades desportivas! Certamente por modéstia estes talentos nunca nos foram revelados, limitando-se a pontapear a bola e algumas canelas, mais estas que aquela, nos escalões mais jovens do futebol do Caldas. Militou também, com o entusiasmo que se lhe reconhece, nos sectores mais ortodoxos da Igreja Católica, regressando de misteriosos e obscuros retiros qual Isaías reencarnado. Felizmente durou pouco.
Da sua “fase proletária”, passagem pela Matel, recordo sempre com um sorriso o delicioso epíteto com que o brindava nas aulas a sua amiga Dra Deolinda: o Senhor das Cassettes.
Todos estes talentos de actor, pintor, futebolista, monge e anarquista são prematuramente sacrificados ao curso de Arquitectura, que conclui em 1980.
É candidato nas autárquicas de 1985, como independente nas listas do P.R.D.(estes seus repentinos entusiasmos pelas novidades e causas nobres ainda o hão-de perder…). Regressa em 1989, desta vez pelo PS . Bate-se desde o início pela criação e implementação de um Plano Director Municipal. É, simultaneamente, um dos animadores da Cooperativa e da Rádio Margem onde, além de nós, estiveram João Elias, Rogério Guimarães, Rui Hipólito, José Carlos Almeida, Ana Sá Lopes, João Viegas, José Fragoso, Adalgisa Brito e um sem número de jovens entusiastas caldenses.
Os últimos tempos têm mostrado um Zequinha menos esfusiante e "pirómano", calmo pescador e velejador, profissional e politicamente mais conciliador. Alguém disse que “só os que não têm coração não são revolucionários ao vinte anos, só os que não têm cabeça não são conservadores aos quarenta”. Será verdade?




