ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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A BANDA DO CLUBE DOS CORAÇÕES SOLITÁRIOS DO SARGENTO PIMENTA

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Tive, ocasionalmente, conhecimento da existência de um desenho de um aluno do ERO publicado num jornal nacional em 1968. Como era inspirado na iconografia de Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band movi céus e terra para o obter (isto é, escrevi ao autor e ele, amavelmente, enviou-mo).

Aqui o têm, republicado mais de quarenta anos depois. O texto que publiquei sobre este disco está aqui.

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Aqui vai o desenho...é uma página de jornal (já muito velha)


do suplemento juvenil do "Diário de Lisboa" de 2-1-1968...


um abraço, JGV

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C O M E N T Á R I O S
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Isabel Esse disse...
O João Gama Vieira desenha muito bem,já tinhamos visto a caricatura do Dr. Azevedo.
Parece que isto é um scan do jornal em que foi publicado e é pena não se ver melhor porque as figuras estão muito engraçadas.Não haverá o desenho original que permitia uma cópia melhor?
Parabéns e obrigada por nos mostrares esta relíquia!
Isabel
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Luis disse:
Muita arte e muitos artistas havia no Colégio!E o Suplemento Juvenil do DL era uma publicação muito lida naquela altura.
Vejo que foi publicado em 1968 mas o desenho está datado ainda de 67,ano de edição do disco!Que idade tinha o João Vieira nessa altura?L
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Manuela G V disse:
Perdoem-me a imodéstia, mas o meu irmão João Licínio foi sempre um rapaz cheio de talentos, do desenho, à pintura...à escrita.
Ah, um melómano, também, contagiava todos (Pais incluídos) lá em casa! Com os Beatles, e todas as bandas daquele tempo.
Penso que o desenho original não existe, foi enviado para o DL. Naquele tempo não havia fotocópias....
Aquando da publicação no blog da caricatura do Dr. Azevedo, creio que algum(a) colega, num comentário, perguntou se ele ainda desenha. Como ele não respondeu, digo-vos eu, desenha e pinta (óleos) primorosamente!
Concordo com o Luís, afinal muita arte e muitos artistas havia no Colégio.
Quanto à idade do meu irmão em Setembro de 1967- data do desenho- 17anos.Ao Jales que faz "descobertas" destas, "move céus e terras"...não tenho adjectivação... Inigualável!!!
Manuela Gama Vieira
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A ÚLTIMA CARICATURA

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Está é a última caricatura da São Caixinha que faltava publicar e que encerra esta série.
Não tem, por enquanto, qualquer texto para a acompanhar mas espero que os bloguistas tenham algo a dizer a dizer sobre o retratado!

JJ
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C O M E N T Á R I O S
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Júlia R disse:
Esta caricatura faz-me lembrar alguém.mas será quem estou a pensar?? Até estou impressionada com a elegância !!! Falta a barriga,a barba,os caracóis,está com um ar tão descansado e descontraído.....hoje está sempre atarefado,a correr dum lado para o outro "de carro",sem tempo para dar um ar da sua graça no blog,embora lá vá dar uma espreitadela e parece estar sempre a par das últimas noticias !Boa vidinha, a do colégio, hem!!!!!!
Olhe bem para esta foto e toca a fazer dieta....o semblante actual até dá um certo.....não digo !
São,terminaste em pleno as tuas fabulosas caricaturas,que pena não haver mais!Tens um jeitão,também quero uma...só peço que me não ponhas mais uns anos em cima!!!Querida amiga,Parabéns e muitos beijinhos.
Para o retratado,também muitos beijinhos e desta vez arranje um pouquinho de tempo para escrever umas linhas, OK?
Julinha
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Margarida Araújo disse:
Definitivamente uma grande caricaturista. Noto também em todas elas uma enorme ternura no traço. É o que me chega.
Beijo para a São.
Guidó.
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Maria Fatima Vieira disse:
Realmente, São, tens um traço excepcional, cada caricatura é superior a uma fotografia, a tua mão transpõe para o papel o que uma máquina e impressora não conseguem exprimir ....
Gostei de rever o Padre Xico.
Fáfá
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Paulinha P disse:
Claro que há imensas coisas a dizer do Padre Chico. O Padre Chico foi uma grande reviravolta no ERO, era mais brincalhão, mais permissivo, mais novo, como tal permitia-nos outras coisas que com o Padre Albino não era possivel sequer pensar.
Acho que foi um bom director e nós (ERO) estávamos a precisar de uma mudança, os tempos eram outros e o Padre Chico era mais...Moderno...sei lá...mais...tinha uma cabeça mais arejada é isso!
Quanto à caricatura está excelente como sempre, parabéns São.
Bjs PP
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Laurinha disse:
Quando saí do ERO, era ainda Director o Padre Albino. Perante a austeridade deste, o Padre Xico era o nosso protector e conselheiro. Um Homem simples, bom e sempre disposto a ajudar-nos.
Recordo com saudade, os passeios na mata, os acordes da viola e os jogos de ringue no intervalo maior da manhã.
A Inês Figueiredo descreve o Padre Xico na perfeição. Depois dessa narrativa, não encontro melhores palavras para o definir.
Agradeço à São pelas belas caricaturas com que nos brindou. Elas foram uma mais valia para ilustrar o nosso blog.
Para o Padre Xico, muitos beijinhos e votos de que arranje cinco minutos, para nos premiar com umas palavrinhas.
Laura

A SUPER

Lembrada esta semana no nosso Blog a "Super" merece sem dúvida ser integrada na série "Professores e Personalidades". Grande professora de História, não tanto de Filosofia já que as dúvidas e interrogações sem resposta lhe eram estranhas e incómodas. Os apontamentos de que o Zequinha fala no texto abaixo, publicado no livro "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991" de Vasco Trancoso, eram bem o exemplo disso, um amontoado de certezas e afirmações categóricas para nós decorarmos, uma sui generis noção de Filosofia. Curiosamente aconteceu comigo o mesmo que com ele, tive sempre 14 como nota, antes e depois de saber antecipadamente os testes...
Acrescento, apenas porque ele o não recorda, que a Dra Deolinda colaborou em 1987 comigo e com o Pereira da Silva ( o "Sr das Cassetes", como ela lhe chamava nas aulas) num programa da Rádio Margem onde, aos Sábados à tarde , mostrava, falando da nossa região, aquilo de que realmente gostava e sabia: História.
É com saudade desse convívio que deixo aqui a sua recordação.
A minha “Super” amiga


Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra em 1945, tendo defendido como tese “ A acção da Rainha D. Leonor na Vida Portuguesa”.
Especializada como Bibliotecária Arquivista em 1947, investigou na Torre do Tombo até 1952.
Colaborou com artigos de investigação sobre o concelho das Caldas da Rainha no “Boletim dos Bibliotecários”.
Exerceu a docência em disciplinas de História e Filosofia como Professora Efectiva do Ensino Secundário.
Havia para muitos da minha geração, os que prosseguindo estudos se aventuravam pelos segundo e terceiro ciclos do ensino secundário, técnico ou liceal, um obstáculo que uma quase lenda fazia deslizar pelo tempo e que se dava pelo nome simples de Doutora Deolinda ou mais comummente de “Super”. O seu campo de minas era para todos a História e para alguns a Filosofia. Aí se dariam os confrontos em que mortos e feridos a “chumbo” coleccionariam os eventos que dariam continuidade à lenda passando-a a vindouros.
Filha única, Deolinda Ribeiro estaria por certo destinada à continuação duma casa de lavoura se fosse homem. Sendo mulher quis assumir esse e o seu verdadeiro destino: o da inquietação perante os factos e os seus porquês. Ambos cumpriu.
Aqui reside o carácter extraordinário desta mulher, impregnada de terra e de saber, cuja força à natureza deve e à natureza sempre quis pagar, dedicando-se-lhe no trato e amanho com o mesmo entusiasmo que às coisas da sua real vocação, os estudos e investigação histórica, toda a vida dedicou. A sua forma de estar na vida, com simplicidade e rigor aprendeu-a, por certo, nas muitas horas passadas ao cheiro da terra aberta para as sementes e no segredo de como nascem as coisas, na ordem que a mão lhes dá e no favor da natureza.
Conheci-lhe o segredo de duas paixões: D. João II e os automóveis. Estes eram o seu calcanhar de Aquiles e uma “deixa” bem metida em qualquer aula permitiam-nos, uns cinco ou dez minutos de conversa outra que não de História ou Filosofia. O seu Cortina branco era um modelo que naquele tempo tinha fama de “bomba” e o Tomás Baptista, grande entusiasta e especialista dos desportos motorizados, era por norma o interlocutor mais activo espevitando-lhe o entusiasmo.
Estes faits-divers tinham particular interesse e eficácia por altura da Teoria do Conhecimento, capítulo da Filosofia que Deolinda Ribeiro ministrava “por conta própria”através duns famosos apontamentos (famosos no distrito e mesmo em Santarém), só que os apontamentos eram ditados à velocidade do dizer e o castigo durava um período inteiro. Memoráveis aulas para os antebraços que, sacrificados , pelo menos no meu caso, impunham ao meu cérebro, por reflexo condicionado, obviamente, a proibição quase absoluta de se debruçar sobre tais e assim transmitidas matérias.
A Dra. Deolinda tinha uma didáctica muito sua e baseada, quase sempre, numa sinopse introdutória que funcionava como esqueleto da dissertação que salpicava com o seu vasto conhecimento dos episódios paralelos e com os quais afastava a monotonia em que, pelo menos nas matérias filosóficas, facilmente se poderia cair. Natureza e método conjugavam-se, porém, na maneira como interpretava e impunha a disciplina, assunto em que o seu lema me parece sempre ter sido “as coisas como são, sempre foram e serão”.
A minha irreverência desses anos sempre me antagonizou à Deolinda Ribeiro de uma forma intensa mas leal, existindo até um episodio, que só agora ela ficará a conhecer, que o pode retratar. A partir de determinada altura do 7º ano, salvo erro, descobrimos que as revisões antes dos pontos eram feitas com algumas perguntas apontadas num caderninho que ela guardava na sua pasta de cabedal. As sextas feiras a aula de Filosofia era de duas horas seguidas, logo depois do almoço. Durante o intervalo, os professores iam até a sua sala e nós descíamos ao pátio, sendo interdita a permanência nos corredores. Iludida a “segurança” (a cargo dos contínuos Ulisses e Zé Caixinha) um grupo “comando” e voluntário em que eu estava obviamente incluído, resolveu consultar o misterioso caderninho. O espanto e alegria anularam o tremer das pernas que o risco justificava. Em caligrafia bem conhecida o que ali se achava reproduzido era o texto integral do próprio teste.
A Filosofia passava a ter para nós um novo aliciante. Conjugando um bom comportamento nas aulas com a demonstração de um renovado interesse pelas questões postas na aula, facilmente se justificariam os resultados que doravante iriam aparecer, pelo menos em quanto a indiscrição não viesse a ser descoberta e o esquema pudesse funcionar. Funcionou duas ou três vezes que me lembre. Nunca consegui com ele beneficiar e nas entregas dos pontos, à minha vez o anuncio continuou a ser o mesmo de sempre : “Senhor Pereira da Silva… 10!!! Ó homem já era altura de começares a estudar alguma coisa”. É que para mim o difícil era não querer as questões ao contrário do que eram postas e as nossas discussões acabavam, por vezes, com o meu pedido, em antecipação ao seu veredicto, abandono da sala, alias sempre concedido.
Foi sem dúvida este capital de lealdade e respeito mútuo construído durante os anos em que nos aturámos que se transformou no prazer que ambos sentimos quando, anos passados, nos reencontrámos como colegas de ofício na Bordalo Pinheiro. E foi no convívio do trabalho, e fora dele, que construímos uma grande amizade que me levou a descoberta e ao reconhecimento dos “porquês” da sua pedagogia e da sua didáctica. Com a experiência de uns bons anos de ensino já me deram sou obrigado a reconhecer que a minha “Super” amiga tinha razão!!!
E a emoção que todos sentimos aquando da sua despedida foi uma justa homenagem a carreira de uma exemplar e à vida de uma mulher simples que sempre soube manter os princípios como superiores guardiães da sua integridade moral e intelectual. E nesta sua lição eu não cabulei.

José Manuel Pereira da Silva

Desenho e texto extraídos do livro de Vasco Trancoso
"ÁLBUM DE FIGURAS CALDENSES 1990/1991" , editado em 1992

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Esta é uma "repescagem", este post apareceu pela primeira vez no Blog em Dezembro de 2007, mas pensei que fazia todo o sentido integrá-lo na actual série.

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Comentários:

João Ramos Franco disse...
“E nesta sua lição eu não cabulei.” Após o que li, teria piada dizeres que tinhas cabulado. Desculpa a brincadeira, gostei do que escreveste, a carga humana da visão passado/presente, tem para mim, um sentido muito especial…
Um abraço João Ramos Franco
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18 Dezembro, 2007
Miguel B M disse:
Foi com muita saudade que li o artigo sobre a Super. É pena ela já não poder lê-lo pois certamente ficaria uma fã do blogue e certamente uma assídua colaboradora. Eu era muito seu amigo e até foi por causa dela que uma vez fui corrido de uma aula de Física. Era habitual ela fazer uma perscrutação digital à sua cavidade nasal. Quando encontrava um corpo estranho mirava-o e remirava-o, avaliava as suas características físicas (consistência, viscosidade, densidade, elasticidade) e depois decidia degluti-lo ou deitá-lo para um lenço enrodilhado que sempre a acompanhava. Era para esse mesmo lenço que ela impulsionava estrepitosamente um volumoso escarro ( atenção para que não haja dúvidas, este termo é técnico em termos de pneumologia ).Ora eu tinha como desiderato imitar nas aulas esse mesmo impulso .Como os serviços de inteligência da turma já tinham alertado o corpo docente para este facto, ainda eu estava a começar e já o Jaime Serafim me estava a expulsar sem a mínima hesitação pois obviamente já sabia o que se passava e quem era o prevaricador. Este comentário serve ainda para confirmar não só o que o ZCFaria muito bem escreveu mas também para reforçar aquilo que eu próprio disse acerca desse mesmo artigo. Miguel B M

As “traquinices” de um professor

por Isabel Xavier

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Caricatura de São Caixinha





Vendo o professor de Físico-Química chegar ao cimo das escadas sobraçando, com aquele modo todo seu, uma resma de pontos, Helena Xavier afastou-se do grupo de colegas com quem conversava, aproximou-se do Dr. Serafim, e pediu-lhe: “Stôr! Deixe-me ver o ponto, se faz favor!” Sem a mais leve hesitação, o professor estendeu-lhe o enunciado para que o visse, ao mesmo tempo que a incentivava a fazê-lo com atenção. Claro que a Helena, apanhada de surpresa, reagiu nervosamente e foi incapaz de aproveitar tão inusitada oportunidade de conhecer o teste a que se veria na obrigação de responder dali a pouco.

Quando voltou para junto dos colegas, estes perguntaram-lhe ansiosos: “O que é que calha no ponto? O que é que viste?” A Helena não tinha visto nada, ou melhor, não se lembrava de nada do que quer que tivesse visto! Ao aperceber-se disso e do desapontamento geral que o seu esquecimento causava, desatou a chorar!

Ao contrário da hipótese mais óbvia, a idónea “fonte” à qual devo o conhecimento deste episódio não foi a minha irmã, mas o Dr. Serafim. Numa das muitas conversas com que amenizávamos as longas e frequentes sessões de trabalho conjunto quando éramos, respectivamente, Presidente do Conselho Pedagógico (eu) e Director Executivo da Escola Secundária de Raul Proença.

Ao longo da minha vida profissional, vários foram os meus antigos professores do colégio e do liceu que se tornaram meus colegas, mas com nenhum outro tive oportunidade de conviver de modo tão continuado. Tenho para mim que há alguns professores que, talvez por transitarem dos bancos das escolas como alunos para outros bancos de outras escolas como professores, lhes falta algo para se tornarem completamente adultos ou dito de outro modo: que conservam algo que aos outros adultos está vedado, uma espécie de “traquinice”, digamos assim, à falta de melhor expressão. É nesta categoria de professores, muito rara aliás, que coloco o Dr. Serafim!

Nunca tive outro professor de Físico-Química e, embora estivesse longe de ser essa a minha disciplina predilecta, que me perdoem os restantes bons professores que tive no colégio, não hesito em classificá-lo como o melhor professor que por lá passou, no meu tempo, claro! E ainda se tornou muito melhor, depois da “experiência poética” que foi o seu estágio profissional, orientado por Rómulo de Carvalho, no Liceu Pedro Nunes, quando transitou para o ensino público, e do qual me contou também histórias interessantíssimas.

A jovialidade com que sabia reagir de modo desconcertante perante os alunos, como foi o caso da Helena, transportou-a para o exercício do cargo de director da escola. Tinha (e espero que continue a ter) um sentido de humor inexcedível, uma malícia muito própria que é imprescindível ao sentido de humor, presente em grande parte das situações e no modo como resolvia os problemas com que se deparava diariamente.

Para demonstrar o que digo, conto um episódio que escolhi aleatoriamente de entre muitos outros que poderia contar. No tempo em que o Dr. Serafim era Director Executivo da escola funcionava lá um curso na área da Comunicação. Alguém, penso que o Psicólogo, Luís Paulo Baptista, levou junto dos alunos para conversar com eles sobre Comunicação Social, o polémico Manuel Serrão que naquele tempo era presença assídua na televisão. O caso, que ocorreu nos finais de Março, provocou grande celeuma entre os professores e muitas foram as vozes críticas e mesmo indignadas que se levantaram a seu propósito. No dia 1 de Abril apareceu no placard da sala de professores, com a necessária aparência de documento oficial, a informação de que nesse mesmo dia, estaria na escola Lili Caneças para conversar com os alunos sobre o “Jet Set” nacional e o seu significado na perspectiva da Comunicação Social. Salvo erro, a sua “presença” daria lugar a uma sessão de autógrafos.

Juro-vos que vi pessoas praticamente à beira de um ataque de nervos, junto do placard, perguntando-se, e aos circunstantes, a que ponto iria parar aquela escola!
Quem seria o autor da original partida do 1º de Abril? Na posse dos dados já indicados, fácil será adivinhar…

- Isabel Xavier -

PERSONALIDADES (4) - DR. LEONEL CARDOSO

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O Dr. Leonel Cardoso, que tive a honra e prazer de conhecer, era um artista multifacetado, um homem de muitos talentos e que deixou uma vasta obra nas áreas da cerâmica, caricatura, medalhística, pintura, ilustração, jornalismo, poesia (incluindo letras para composições musicais), eu sei lá o que mais!
Tenho usado no Blog várias das suas caricaturas publicadas na Gazeta das Caldas e hoje mostro aqui a sua caricatura... feita por ele próprio!
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Traçar o perfil de alguém,
Que não se conhece bem,
Pode dar triplo desgosto…
…Porém, se o “perfilvisado"
é um artista consumado
e um poeta predisposto,

sempre às Caldas atento.
Que usa, a todo o momento,
A pena ilustre empunhar,
Para “dibujar” ou escrever,
Com o fim de enaltecer
A terra que o viu brincar…

…Então, a coisa é diferente,
Pois ele tem o cuidado,
Que, à uma todos dirão:
- Ora aí está, mal traçado,
o perfil inacabado
do,,, Autor da Secção!

BAPTISTA MENDES


P’ra fazer este “perfil”
Há que ter cuidados mil!...
Vamos a ver se consigo,
Mas há que ser cauteloso,
porque este “rapaz idoso”
é o meu melhor Amigo.

Tem defeitos? Certamente!...
Como, aliás, toda a gente!
Mas também tem qualidades
E entre estas, sem favor,
A de ser trabalhador…
Em várias modalidades.

Há ditados que perduram:
“Todos falam e murmuram…”
foi um dos que aprendi!
Pois ele tem o cuidado
De desmentir o ditado,
Olhando também p’ra si!

LEONEL CARDOSO

PERSONALIDADES (3)

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Depois de vasculhar aqui uns jornais antigos, e a propósito do depoimento sobre o Externato Ramalho Ortigão na Miguel Bombarda, decidi mostrar mais uma caricatura do Dr. Leonel Cardoso, originalmente publicada em 1958.
Tal como há cinquenta anos, o nome é para os leitores adivinharem. Interrogo-me se será tão fácil hoje como era nessa altura, quando o Dr. Leonel dizia "Pois por todos é lembrado / O que fez p’la nossa terra!"...
Quem será esta figura
Que se impõe pelo seu passado,
Que tamanha obra encerra?
O mistério não perdura,
Pois por todos é lembrado
O que fez p’la nossa terra!

Sacrificou-lhe a saúde,
O seu tempo precioso
E…até os seus interesses…
Com esta grande virtude:
Nunca ter sido vaidoso…
Nem aspirando a “benesses”!

Neste “cantinho” pacato,
“O Caldense”, desta vez,
Pondo em destaque o labor
Deste homem bom e sensato,
Que p’las Caldas tanto fez…
Não lhe faz nenhum favor!


LEONEL CARDOSO

(O Caldense, 9 de Outubro de 1958)


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COMENTÁRIOS

jorge disse...
estou a ver que tens razão jj,ninguém consegue identificar o caricaturado....eu conheci-o mal mas quem viveu nas caldas antes de 1960 sabe que ele devia ser a pessoa mais importante da terra!
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Fernando Santos disse:
Não será o Dr. Júlio Lopes, que creio ter sido Presidente da Câmara na década de 50?Fernando Santos

António José Figueiredo Lopes (O Professor)




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O António José Figueiredo Lopes (aluno do ERO) escreveu o artigo anterior. Aproveito para relembrar que o Dr. António José Figueiredo Lopes (o professor) já foi aqui amplamente evocado no Blog a propósito da homenagem de que foi alvo pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha em 15 de Maio de 2008 e do subsequente almoço de que foi "vítima", em Junho do mesmo ano, por parte um grupo de amigos e antigos alunos seus.


Aqui recordo a caricatura que a São Caixinha desenhou para a ocasião e deixo os Links para os diversos artigos e comentários que acompanharam esses acontecimentos.
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António José Figueiredo Lopes


ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES



ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES - 2



Mensagem de A J F Lopes



O almoço de homenagem e as fotografias



Já nesta série foi-lhe dedicado O PROFESSOR DE GEOGRAFIA

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PERSONALIDADES - DR. MÁRIO DE CASTRO (por Vasco Trancoso)

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Já agora, nesta curta homenagem ao Dr. Mário de Castro, acrescento a caricatura de Vasco Trancoso, publicada em 1992 no seu Álbum de Figuras Caldenses. A biografia que a acompanhava foi escrita pelo Dr. Ernesto Moreira.

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Podem ver melhor a caricatura e ler o texto, clicando sobre eles. Continuamos abertos a comentários sobre esta Personalidade.

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. DR.MÁRIO DE AZEVEDO E CASTRO
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PERSONALIDADES - DR. MÁRIO DE CASTRO

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Como todos adivinharam o caricaturado em 1958 era efectivamente o Dr. Mário de Azevedo e Castro. Mas há uma curiosidade: dez anos depois o Dr. Leonel Cardoso desenhou e publicou, desta vez na Gazeta, uma nova caricatura do mesmo médico.
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Fazem hoje, dia 25 de Janeiro de 2009, precisamente 40 anos.
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Sabedor e competente,
estimado por toda a gente,
ganhou um prestígio tal
que, sem o menor favor,
é agora o director
do nosso Hospital Termal.

Às Caldas se dedicou
E aqui se radicou!...
E agora, creio eu,
P’las Caldas tem tal interesse
Que, por vezes, lhe parece…
Que aqui nas Caldas nasceu.

É certo que aqui nasceram
Os filhos que aqui cresceram
E, em miúdos, brincaram!...
Agora, já homens feitos,
No Ultramar, p’los seus feitos
Esta nossa terra honraram!

LEONEL CARDOSO

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C O M E N T Á R I O S

Amélia Teotónio disse:
Tenho do Dr. Mário de Castro as melhores recordações, como médico e como pessoa. Para além do tratamento de gripes e outras maleitas no seu consultório, ali para os lados da Zaira, quero ainda salientar a sua disponibilidade e o seu humanismo quando do acompanhamento de tempos difíceis, a nível de saúde, de um idoso avô.
Foram algumas as vezes que o Dr. Mário de Castro se deslocou à Usseira, quando a última paragem do comboio chamado vida já se fazia anunciar. Recordo ainda, passados que foram cerca de quatro décadas, as suas caridosas palavras bem como sua expressão de desalento e tristeza, quando constatado que a medicina nada mais poderia fazer. É com saudade e ternura que recordo a sua figura distinta. Obrigado Dr. Mário de Castro por todo o seu profissionalismo, desvelo e amizade.
Para trás havia ficado o meu tempo de juventude, em que sua filha Papi nos dera aulas de Inglês no ERO. Sempre jovial, simpática e muito dinâmica, deixou em mim algumas marcas. Anos mais tarde, já casada, e nós a frequentar o ensino superior igualmente em Lisboa, seríamos convidadas (prima Bia e eu), para com ela tomarmos um simpático chá, em sua casa. Embora fosse muito jovem à data, conseguiu impor-se como pessoa e como professora e ser, ainda hoje, recordada com muito carinho.
Amélia Teotónio

João Ramos Franco disse:
As recordações são muitas, era meu Médico, sou amigo dos filhos, frequentava a sua casa e era tratado como família. O Dr. Mário de Castro e meu Pai (estudou três anos medicina humana antes ir para veterinária), tinham sido colegas durante esse tempo de Coimbra.
Muitas vezes no café Lusitano em amena cavaqueira entre os dois, eu os ouvi. O que poderia retirar do que ouvi e contar-vos é longo, mas é assunto para eu pensar
João Ramos Franco

João Jales disse:
“só graças a ele…muitos de nós estamos vivos!” (versos de Leonel Cardoso)
Eu sou um deles, literalmente. Foi no Volkswagen, também aqui “caricaturado”, que o Dr. Mário de Castro, em 1967, me transportou para o Montepio onde escapei, por uma unha negra, à sufocação provocada por um edema da glote. Graças à sua perspicácia, sangue frio e determinação, ainda aqui me têm a relembrar, com saudade e carinho, o médico e amigo da minha família.
Recordo também a D. Rita, companheira sempre paciente e jovial de uma vida sem horários e com interrupções constantes do sono e refeições, como era a de todos os médicos da altura (eu também vivi isso, embora talvez em menor escala).
A sua filha Papi foi professora no ERO e fazia parte de um animado grupo de amigos dos meus pais, como recordámos numa conversa há dias. Lembro ainda com muito carinho, embora a tenha “perdido de vista”, a sua neta Ritinha, mais nova que eu, mas com quem convivi muito na Foz do Arelho nesta época.
Obrigado Dr. Mário de Azevedo e Castro. JJ

Ana Carvalho disse:
Grande médico e graças a Deus que te salvou. O que seria de nós sem ti? Nem quero pensar... Bjs PP

jorge disse...
eu também consultei o Dr Mário, de quem tenho a melhor das recordações e revejo com saudade as caricaturas do Dr Leonel de que me lembro bem de sairem na Gazeta.de vez em quando o humor e a ironia são substituídos pela emoção e sentimentos à flor da pele...o comentário anterior é do mesmo JJ dos comentários cáusticos,das brincadeiras ligeiras e dos namoricos no ERO?meia dúzia de linhas comoventes e penso que comovidas.um abraço-Jorge

M.Fátima Gama Vieira disse...
Relativamente ao Dr. Mário de Castro e no que concerne às suas características humanas e profissionais depois do que li não encontro palavras. Nosso Médico de Família extremamente dedicado, a qualquer hora fosse qual fosse a aflição estava presente. Lembrar-se-ão a minha irmã e a querida amiga Anabela Miguel de uma dor de dentes horrível e que pelas 24h me pôs em parafuso, depois à minha irmã e a seguir à Anabela e seus.
Dr. Mário de Castro um grande Bem-Haja pela dedicação e carinho e pela madrugada descansada para mim e consequentemente de todos.
Maria de Fátima Gama Vieira
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PERSONALIDADES (2)

Mais uma figura para a nossa série personalidades. Repetindo o espírito da sua primeira publicação ("O Caldense", 1958) desafiamos os comentadores a adivinharem quem é e a escreverem umas palavras sobre ele.
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Eis outro vulto que marca
cá nos anais da Comarca
e por diversos motivos…
entre os quais avulta aquele
de que só graças a ele…
muitos de nós estamos vivos!

Sendo um médico distinto
podem crer que não lhes minto
ao vir aqui afirmar…
que, sejam ricos ou pobres,
tenham ou não tenham cobres…
ninguém fica por tratar!

Mas…quando chegam as férias,
põe de parte as coisas sérias
e chega-lhe a ele a “febre”…
de ir à caça das perdizes
ou de agrvar as varizes…
correndo atrás duma lebre!

LEONEL CARDOSO
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C O M E N T Á R I O S
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o das caldas disse:
O Dr. Mário de Castro está no meu coração para sempre. Sendo mesmo Delegado de Saúde não se eximiu, em 1966, passar-me um atestado médico (de doença inexistente) que me permitiu fazer exames no Liceu Nacional de Leiria que me garantiram habilitações suficientes para desempenhar a minha profissão - é que naqueles tempos não existia a figura juridica de trabalhador estudante, que era o meu caso.
Higino Rebelo
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Isabel X disse:
Fantástica esta caricatura! O Dr. Leonel Cardoso só pode ter sido, de facto, alguém de extrema sensibilidade para de modo tão particularmente expressivo saber captar o Dr. Mário de Azevedo e Castro! O cigarro eternamente aceso, o modo algo displicente, a generosidade com que atendia os doentes independemente de pagarem ou não, a paixão pela caça, tudo, mas mesmo tudo, aqui estão! Agradeço ao João Jales por nos avivar a memória deste modo tão justo e eficaz!
- Isabel Xavier -
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A L disse:
Era uma pessoa maravilhosa, um coração de ouro e um médico competentíssimo este nosso Dr. Mário de Castro. Uma grande saudade me bateu no peito quando vi esta caricatura!
Era um verdadeiro médico de família,conhecia pais,tios,irmãos e primos de todos os doentes e usava esse conhecimento na sua actividade.Tinha sempre uma palavra de conforto e tranquilidade,independentemente da gravidade das situações.
Um Homem que mereceria talvez uma homenagem mais formal e de maior dimensão.
esta ideia de mostrar aqui as caricaturas do Dr. Leonel é muito boa,este nosso blogue é um projecto cada vez mais ambicioso! Parabéns João. AL
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Manuela Gama Vieira disse:
Adivinhei de imediato! O Dr. Mário de Castro, dedicadíssimo médico de família que recordo com saudade. Zelou pela VIDA do meu irmão mais novo, até à minha “Tarde Extraordinária”, a do dia 25 de Abril de 1966!
Manuela Gama Veira
-

PERSONALIDADES (1)

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Esta é uma série que se propôe recordar professores do ERO e personalidades caldenses da época do seu funcionamento. Tem-se falado muito dos primeiros e pouco dos segundos.

Usando as excelentes caricaturas do Dr. Leonel Cardoso vamos recordar algumas dessas figuras que todos conhecem. O espaço dos comentários está à vossa disposição.
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Cliquem na imagem para
a ver na sua dimensão original.
Tem medalhas aos montões,
Que já chegam aos calções,
Que o cobrem de lés-a-lés…
E se continua assim,
Inda um dia, quanto a mim,
Lhe chegam até aos pés!

Quanto a taças nem se fala!...
Tem-nas, aos montes, na sala,
No escritório e até no sótão!...
Tem-nas, até, na dispensa,
Porém nessas ninguém pensa,
Talvez porque não se notam!

O Governo, tendo em vista
A vida do desportista.
Resolveu-se a consagrá-la!
Deu-lhe mais uma medalha!
Porém, como o espaço falha…
Onde é que hão-de pendurá-la?
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LEONEL CARDOSO
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COMENTÁRIOS
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o das caldas disse...
Olá João
Foi uma ideia notável a que tiveste de abrir esta série com duas figuras emblemáticas que marcaram a nossa juventude.O caricaturado Dr. Calheiros Viegas - quer como professor na Escola Comercial, quer como desportista, quer como dirigente desportivo e ainda como advogado; e o caricaturista Dr Leonel Souto Mayor que para além de ter sido um cidadão de referência na sociedade caldense deixou uma vasta obra literária de que estou convencido que a maioria dos caldenses desconhece tendo mesmo o seu último livro "Farrapos D'Alma" sido editado pelo Sporting das Caldas. Higino Rebelo
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Zé Carlos Faria disse:
A figura do Dr. Calheiros Viegas é imediatamente reconhecível... É uma pena que a notável série de caricaturas que Leonel Sotto Mayor publicou na «Gazeta das Caldas» não possa ser finalmente editada em livro. A memória e a história da cidade também passa por aí.
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Miguel Bento Monteiro disse:
Excelente recordação do saudoso Dr F Calheiros Viegas,homem generoso e grande desportista.
A alusão à sua sala de troféus apenas dá a entender que havia muitos prémios.Tratava-se efectivamente de uma verdadeira galeria,que ocupava uma cave,com taças,medalhas,diplomas e todo o tipo de troféus que se possa imaginar.Tudo isto meticulosamente arrumado,catalogado (eram centenas e centenas) e devidamente identificado.
Tratou-se de um desportista de elite e multifacetado, pois foi eclético em termos de modalidades; na parte que me diz respeito destaco obviamente o ténis.Com ele aprendi essencialmente os fundamentos da competição e desenvolvi o espírito competitivo.
Brevemente vou enviar para o blog um artigo sobre o ténis nas Caldas nos anos sessenta e aí recordarei alguns duelos tenísticos que tive com ele.Recordo-me igualmente de grandes partidas de ténis de mesa, em que ele jogava pares com o meu pai, e em que tinham um score de n_vitórias-0_derrotas contra outros pares constituídos por jogadores muito mais novos.
Recordo por fim a noite em que foi agraciado com a medalha de mérito desportivo e que passou completamente ao lado dos caldenses.A cerimónia decorreu no ginásio da Escola; a sala estava praticamente deserta, o que foi incompreensível e muito desagradável, pois tratava-se de um prémio oficial a um caldense de gema.
Miguel B M
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J L Reboleira Alexandre disse:
Creio que todos os EX ERO ou EX Escola se lembram do Dr. Calheiros Viegas, e é mais que justa esta pequena homenagem do JJ.Nunca o tive como professor, mas notava que as aulas dele eram bem mais ligeiras (até nas exigências do traje) que as do Silva Bastos.Na altura invejava um pouco os meus colegas que se divertiam imenso com o Volei e o Andebol, e eu que sempre tive mais jeito para os jogos de bola jogados com os pés, que este detestava, lá tinha que me esforçar para não «chumbar» na Educação Fisica, mas nunca fui muito longe nos seus desportos favoritos. Quanto ao ténis, era espectador e o ping-pong só um pouco mais tarde.Daqui deixo uma singela homenagem ao pai do meu amigo João. Estive com ele a última vez, creio, no Hotel do Facho, na Foz, há cerca de 22 anos. Falàmos imenso daqueles tempos, dos nossos jovens rebentos (na altura)e da vida por estas paragens frias da América do Norte.
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Rolando... sempre disse:
É a primeira vez (há sempre uma) que entro, oficialmente, por esta porta franca e escancarada às recordações .. sou "freguês" diário!
Um pequeno contributo para "corrigir" os comentários do Higino e do Zé Carlos: o caricaturista e poeta é Leonel Cardoso, como bem refere o João Jales no "post"; Leonel Sotto Mayor, como todos sabem, foi Director da Escola Comercial e o seu jeito para o "risco" e para os versos, que eu saiba, nunca teve repercussão pública.Quanto ao Dr. Calheiros Viegas, quem não o recorda, nas suas múltiplas facetas ... cá por mim, ainda passaram alguns pastéis de nata, como recompensa de contributos(fracos) desportivos. Orlando Sousa Santos
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o das caldas disse:
Claro que é o Dr. Leonel Cardoso! Francamente nem sei de onde me surgiu o apelido Souto Mayor. E assim me penitencio pelo lapso cometido. Higino Rebelo
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José Carlos Faria disse:
Ups! Peço desculpa pelo erro.
Já agora, o que não era seria erro nenhum era a possibilidade de editar o livro. Parece que os originais se terão perdido. Mas a partir dos arquivos existentes, tratando as imagens com tecnologia digital para remover manchas espúrias, não seria viável? A Gazeta não estará interessada? E mesmo sendo manifestamente crispada a relação que a maioria da Vereação da Câmara Municipal mantém com o jornal, o Pelouro da Cultura não poderia ter também uma palavra a dizer? A qualidade da colecção de desenhos e versos justifica bem uma outra atitude que o desinteresse e o esquecimento.
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Quim Caldas disse:
Grande figura e muito bom homem o Dr. Calheiros Viegas. Desde desportista (de tudo!) a professor, passando por organizador de todo o tipo de eventos, concursos e provas (ténis,casino,escola), benemérito colaborador de todas as associações das Caldas, sempre me admirei como tinha tempo para ser advogado!!!
Um abraço ao João,amigo de muitas coboiadas nesses saudosos anos.
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João Ramos Franco disse:
Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Não, é Dr. Calheiros Viegas…
Quantas histórias me recorda este nome, a sua companhia e o empenho que partilhava com a Juventude nos seus anseios. Há uma que tenho para recordar (devia ter 16 anos), passada com o Dr. Calheiros Viegas, nas minhas memórias, o acampamento em S. Pedro de Muel com os Eclaireurs de France, eu mais três colegas do ERO, participámos no acampamento, para lá fomos com o Dr., mas o regresso a Caldas é que por nossa culpa não foi com ele… A família preocupada, enfim uma série de peripécias, mas regressámos a pé e à boleia dois dias depois. Estes dois dias têm que contar… João Ramos Franco
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Isabel X disse:
Espero que o João Ramos Franco conte as peripécias desses dois dias no seu blog! É um desafio...Quanto ao Dr. Calheiros Viegas, de quem me lembro muito bem, retenho a imagem de gentleman e, principalmente, o modo magnífico como dançava com a D. Emília Calheiros Viegas nos bailes do casino.
- Isabel Xavier -
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NOTA: O João Ramos Franco respondeu a este desafio da Isabel X e publicou, no seu blogue, o relato desse acampamento de Escuteiros e do regresso às Caldas. Está em:

O CHICO DA BAÍA





“ O Chico da Baía”

Francisco Cera nasceu em S. Martinho do Porto a 01/11/45. Neto de pescadores, filho de gente do Ribatejo, inicia a sua escolaridade num pequeno sótão na Rua Alexandre Herculano em Caldas da Rainha na casa da Professora Perpétua.
Passa depois pelas Escolas Primárias da Policia de Transito e Praça do Peixe. Mais tarde no Ensino Secundário vai para a Escola Rafael Bordalo Pinheiro, junto ao Chafariz das 5 Bicas. Teve ainda o privilegio de ir estrear o novo edifício que foi construído nos antigos terrenos da Escola Agrícola. Foi sempre um aluno interveniente. Passou pelas actividades da Mocidade Portuguesa tendo sido um entusiasta dos acampamentos. Só que não há bela sem senão. Um dia puseram-no a tocar tambor desde tornada até as Caldas. Fartou-se tanto que nunca mais voltou. Cedo se lhe desenvolve um especial gosto pela poesia, pela palavra, pelo dizer. Na idade propícia aos sonhos a poesia ganha a dimensão de uma deusa. Lê para si, para mais tarde lê-la em voz alta para quem o queira escutar. Nos saraus e récitas da Escola a sua presença é constante. Com os seus dizeres entoados, por vezes dramatizados, lê poesia de Florbela Espanca, Fernando Pessoa, António Gedeão, Casimiro de Abreu, Jorge de Lima, José Régio e tantos outros. A Toada de Portalegre, o Mostrengo, Cântico Negro, Hino do Meu Terceiro Dia, O Menino de Sua Mãe, Chico Cera dizia-os com tal ênfase que acabou grangeando adeptos fervorosos.
Da arte de dizer poesia ao teatro, foi um passo. Várias foram as peças representadas. Em espectáculos organizados pela Escola R. Bordalo Pinheiro, assim como pelo Conjunto Cénico Caldense, Francisco Cera participou com dedicação e entusiasmo. Foi aliás nas actividades circum-escolares, neste caso no teatro, que conheceu aquela que ainda hoje é a sua mulher.
Das peças representadas “Antigona”, “Autos de Gil Vicente”, contam-se como das mais importantes do seu curriculum. No entanto o “Auto da Compadecida” representado em Coimbra pelo C.C.C., ficou-lhe para sempre gravado na memória. Foi de tanta qualidade a representação, que o público no final vibrou dando vivas às Caldas, ao Teatro, arremessando ao ar capas negras de estudantes que esvoaçavam na sala do velho Avenida. Mas outros passos na vida o esperam. Ao sair da Escola, emprega-se na Repartição das Finanças nesta cidade. Faz a tropa, uma grande parte dela no R.I. 5. Quando sai vai trabalhar nas Páginas Amarelas e um pouco mais tarde para a Torralta.
Aos poucos foi deixando a sua actividade ligada ao teatro, entusiasmando-se cada vez mais com a festa brava. Depois das garraiadas escolares, participa numa primeira tentativa de formação do Grupo de Forcados Amadores das Caldas. Como não resulta, ingressa no Grupo da Nazaré. Toma então a decisão de aceitar maiores responsabilidades ao nível da festa dos toiros, entra no Grupo de Forcados Amadores de Santarém.
Dedicou também à Imprensa muito do seu tempo: Jornal da Escola, Gazeta das Caldas, Jornal da Unidade (Militar) e o desaparecido Notícias das Caldas. Talvez por isso mesmo a caricaturista não lhe tenha perdoado um seu desabafo menos a propósito, que proferiu numa Assembleia Municipal em 1990, quando a Gazeta das Caldas foi posta em causa pela sua bancada.
Com espírito de iniciativa trabalha com outros caldenses na criação dos certames “Feiras da Fruta e Cerâmica”.
Na sua juventude sofreu a influência dos “anos 60” . Os Beatles, Adamo, Moustaki, Brel, Zeca Afonso e tantos outros polvilharam-no com o sal e a pimenta quanto baste. Cedo se apercebeu da falta de liberdades democráticas do seu País. A Guerra Colonial, as prisões politicas, e a luta dos democratas não o deixaram indiferente. Participa nas eleições de 1969 e 1973, ao lado da oposição. Mesmo quando cumpria o serviço militar participava em iniciativas levadas a efeito no interior do próprio regimento.
Tem conhecimento dos acontecimentos do 25 de Abril pela rádio, eram 9:30h, estava na Praça da República. A primeira reacção foi de emoção. Com olhos marejados de lágrimas sentia que o filho que esperavam iria nascer num país livre.
Vive intensamente a época revolucionária. Apanhado pelos acontecimentos da Torralta não aceita convites que lhe tinham sido formulados por partidos políticos. Apoiante da segunda candidatura do General Ramalho Eanes reencontra Hermínio Martinho que há muito conhecia e aceita fazer parte da estrutura local do PRD. Candidata-se por este partido às Autárquicas de 1985. Sai passados meses. É ainda Mandatário Concelhio da candidatura de Salgado Zenha à Presidência da República, candidatura de que vem a discordar a meio da campanha. Em 1989 candidata-se como independente nas listas do PSD à Assembleia Municipal de Caldas da Rainha.
Nestes últimos anos tem vindo a dividir a sua actividade para além da politica, na direcção da sua empresa e numa teimosa participação em várias direcções do Caldas Sport Club.

Jorge Sobral


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A caricatura é de Vasco Trancoso e o texto de Jorge Sobral.
Foram originalmente publicados no "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991"
e são aqui reproduzidos com a devida autorização do autor.
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COMENTÁRIOS
2008-03-29
Higino Rebelo disse:
Sobre a passagem do "Chico Cera" pela instituiçao militar posso testemunhar que ele também esteve na Póvoa do Varzim uma vez que estando eu, nos primeiros 5 meses de 1968, no RI6, ele dáva-me boleia até ao Porto, a mim ao Alberto Campos e a um amigo que não lembro o nome mas que os pais tinham uma lavandaria na rua Henrique Sales e creio que o Sena também viajava comnosco pois ele estava no mesmo regimento que eu.Higino Rebelo
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2008-04-02
Higino disse :
Já me lembrei! O outro amigo que também estudava no Porto chama-se Vasconcelos e há muito que não sei nada dele. Quanto ao Alberto Campos nunca esquecerei que era ele que, no meio estudantil do Porto, me arranjava tudo o que era clandestino desde Manuel Alegre a Zeca Afonso.
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2008-04-09
Sanches disse:
A Pastelaria Baía, quando foi comprada pelo pai do Chico Cera, passou a denominar-se "O Rei das Cavacas".Por isso ainda hoje trato o Chico, carinhosamente, pelo cognome de "O Príncipe das Cavacas". Sanches

OS DESENHOS DA SÃO CAIXINHA












TEXTO E DESENHO: CONCEIÇÃO CAIXINHA

Antes de entrar para a escola primária já eu me dedicava com muito empenho à prática do desenho. Não havia quadradinho de papel que permanecesse imaculado na minha vizinhança, sem que tivesse muita importância (para mim!) se era documento, prata de chocolate ou papel de embrulho. Ao entrar para a escola foi uma agradável experiência poder desenhar com material destinado a esse fim...e nem o desproporcionado castigo da professora Joana, que me levou a estar meses sem ter acesso aos meus primeiros lápis de cor, diminuiu de alguma forma o meu interesse.

Alguns anos mais tarde, desenhar tornou-se ainda surpreendentemente útil, ao retratar os rostos felizes dos meus ídolos, já que comprar posters dos mesmos não estava no âmbito das minhas opções! E foi assim que da ponta do lápis desceram com entusiasmo para o papel todos os prestigiosos membros dos Beatles, o independente James Drury (cowboy sem nome da série "O homem de Virginia"), o glorioso Simon Templar, o agoirento Richard Kimble, a destemida Sandie Shaw e para finalizar, limitando-me a mencionar apenas um pequeno número, o nobre cavaleiro Mestre Baptista (por este vocês não esperavam…).

Daqui até me ver entretida a desenhar a caricatura dos nossos professores foi um pequeno passo, o que obviamente acontecia muito à socapa durante as aulas (não era só sonhar, portanto). Depois de algum tempo as pequenas e ingénuas figuras não se limitaram a preencher uma folhinha tímida no fim do caderno mas começaram a espalhar-se com segurança por todas as folhas, a crescer em tamanho, a experimentar posições, a saltar com convicção para outros cadernos, a dizer abertamente algumas palavras...e a encontrar-se em grupo!

Foi nesta fase que, numa tarde azarenta, o meu comedido recolhimento despertou a atenção da Dra. Cristina e, em estado de choque, fui forçada a dar-lhe conhecimento do invulgar movimento que se desenrolava nos meus cadernos. Apreciou calmamente, em silêncio (daquele com peso e temperatura), para depois objectar que "aquilo", para além de ir ser submetido à apreciação de todos os professores, iria seguramente ter sérias consequências. Como adivinham foram dias de agonia os que se seguiram, até à temida tarde em que me encontrei confrontada com os resultados. Os professores tinham achado graça ouvi, ainda petrificada e com enorme alívio. Mas, pela parte que lhe tocava, resignava-se, com dificuldade, a concluir que eu devia ser inteligente! Ainda hoje não sei bem se isto foi um elogio ou um insulto...mas nada de consequências para mim, portanto!

Agora vejam a caricatura que se segue, acompanhada por uma saudação muito especial a todos os meus professores.

São Caixinha
(Cliquem sobre o desenho para o ver melhor)


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Comentários

2008-03-02
LFS disse:
O texto que introduz a belíssima caricatura da Drª Cristina é bem revelador do prazer que a São tem nesta forma de expressão e o Blogue terá certamente orgulho em poder ser instrumento de partilha com uma audiência cada vez mais estimulante.


2008-03-03
Luísa disse:
Até me assustei! E há lá mais professores nesses cadernos? Parabéns .


2008-03-03
Z C Faria
Já tinha tido a oportunidade de transmitir ao João Jales (quando ele teve a gentileza de me dar a conhecer o desenho antecipadamente), o quanto prazer me deu o confronto com um , para mim, insuspeitado talento de caricaturista da nossa amiga São Caixinha. Notável! (um beijo para ela).


2008-03-03
Vasco disse:
:-)


2008-03-04
Isabel disse:
Mas afinal é ou não é proibido fumar em locais públicos...???


2008-03-04
JJ disse:
Pode ser que sim, mas eu é que nunca lhe diria… Partilho ainda, quarenta anos depois, o susto da Luísa! Belo desenho, todos quantos o viram antes da publicação ficaram entusiasmados com a qualidade deste novo material a chegar ao Blog.

2008-03-05
Ana Nascimento disse:
Oh São eu desconhecia esta tua faceta, fiquei deveras surpreendida … Tens um bom traço !!!!. apanhaste a Drª Cristina na perfeição….…. desde o cabelo, óculos, mão, passando pelas unhas (se fossem a cores seriam encarnadas…ihihih ….) até à posição dela a fumar … bem ….estão tal e qual !!!! Eu faço ideia a cara com que ela ficou quando te apanhou o caderno !!!!! … fez um ar muito sério mas depois nas tuas costas, deve ter rido com gosto com os outros professores …e conhecendo-a eu como conheci (a austeridade que mostrava era apenas uma capa para esconder a carência de afecto), estou certa que, quando tos devolveu, o comentário que fez foi um elogio.
E agora diz-me … quem é o senhor que se segue? Aguardo com ansiedade que nos mostres esse teu talento guardado há 40 anos….. obrigada cachopa.
Beijinhos Ana


2008-03-06
Carlos disse:
Bom desenho, lembro-me da minha irmã falar do jeito que a São tinha para desenhar mas nunca vi antes. Ela diz na carta que há mais professores nos cadernos.


2008-03-08
anónimo disse:
Vi logo quem era, embora só fosse minha profa 1 ano. No meu tempo apareceram também umas caricaturas num jornal do colégio, Alguém sabe disso?


2008-03-08
São Cx disse.
Quero agradecer aos colegas as generosas, simpáticas e engraçadas reacções ao meu artigo...e dizer-lhes ainda que é de facto com enorme prazer e evidente orgulho que contribuo, ainda que modestamente, para a realização do nosso extraordinário blog!
Bjs a todos. São X

2008-03-11
Anabela Miguel
Fiquei impressionada com a caricatura da Dra. Cristina, está perfeita!!! Todo o seu físico foi muito bem caricaturado, mas não posso deixar de referenciar as suas pernas, que estão o máximo.
É bom saber que entre a nossa geração, existem talentos como o da São Caixinha.Gostaria de ver mais caricaturas dos nossos professores, pois segundo ela, muitas mais foram desenhadas. Beijinhos . Anabela Miguel

TÓ FREITAS

Na minha recente conversa com o Tó Freitas para a "Breve história do E.R.O." tive, mais uma vez, a oportunidade de reencontrar uma espantosa memória caldense, capaz de recitar nomes completos de turmas inteiras de alunos do colégio que ele frequentou, de forma intermitente e diletante, entre 1952 e 1962.
A caricatura é do meu amigo Vasco Trancoso e o texto do Hermínio de Oliveira. Foram originalmente publicados no "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991" e são aqui reproduzidos com um abraço de agradecimento pela colaboração do Tó na referida "Breve história...". JJ


O Tó Freitas

Doutorado em politica, catedrático de estratégias, mestre de xadrez, arauto de novidades.
Conhece 18.689 nomes de pessoas e os respectivos possuidores.
Amador da Canção Nacional, tem de cor a letra e o tom de 971 fados e conhece-lhes os autores. Sabe distinguir uma guitarra duma viola, pelo toque, coisa que eu não sei.
É detentor do record de fala contínua, durante 574 horas.
Consegue em 80 ganhar 3 partidas de xadrez, o que convenhamos não é nada mau, mas que ele espera melhorar sacrificando o seu sagrado repouso para estudar e aprofundar a sublime arte de Alekine.
Requintado sibarita conhece, pelo rótulo, 1040 vinhos, e pelo paladar mais de 500. Sabe qual é o melhor para acompanhar o linguado, - Seco de Bucelas, meio-seco de Colares, - Não desdenhando um branco de Figueira de Castelo Rodrigo, embora mais doce.
Mas também não desdenha um tinto cartaxeiro para fazer escorregar umas petinguinhas fritas com açorda, porque se pela.
Tem pois um paladar democrático, ao nível do “Jaquinzinho” e arroz de pimentos, com umas febres intermitentes de restaurantes de luxo, donde sai alagado em suor, pela escaldadela.
Antigo aluno do Colégio Moderno foi nesse alfobre de personalidades graúdas que forrageou para o seu celeiro celebridades a quem trata por tu.
Lá jogou futebol e deu algumas caneladas em aristocráticas gâmbias que fortaleceram velhas amizades, ainda bem vivas quer recordando o toque quer a nódoa negra.
Há para ai quem diga que a população portuguesa está a envelhecer e a nascer menos o que eu acho um acto de sovinice. Deixar de nascer é o acto mais miserável que o homem pratica, para além de fazer baixar a estatística o que é sempre mau… por ser uma baixa. Nisso o Tó e exemplar nem evitou de nascer nem evitou que lhe nascessem três filhas. Equilibrou a estatística.
Pela mais velha foi o Tó de avião aos Açores… sem aconselhar o condutor a ter cuidado nas curvas.
Irreverente, independente, senhor de si, nunca vestiu a batina que o Trancoso lhe enfiou, sendo aqui um símbolo da sua catedrática sabença… em política central partidário – coscuvilheira.
Fundador do PS e o seu mais antigo membro nas Caldas, nunca ocupou qualquer lugar, na Câmara, Assembleia Municipal ou mesmo em qualquer modesta e plebeia Junta de Freguesia. Foi no entanto deputado, e, embora lá estivesse pouco tempo, ainda fez um contracto especial de prestação de serviços parlamentares, extra eleitoral, na Comissão de Saúde, onde falou de remédios, seus velhos conhecidos de infância. Mantém o escritório do pai – meu querido e chorado amigo António Maldonado Freitas – tal como ele lho deixou, com os livros no mesmo lugar e os jornais no mesmo monte... Não precisa, nem quer, alterar nada, fixando-se na memória dos seus antepassados com uma devoção religiosa pelos livros lidos pelo seu pai, as cerâmicas, gravuras e quadros, que lhe foram fonte de beleza, transformando esse velho escritório num santuário onde murmura as suas orações de saudade.
O Café Central, de que é co-proprietário não lhe é só escritório; é também e sobretudo um local onde se vive, onde se conversa, onde se sabe. Património caldense, traz até nós um tempo em que o tempo não contava, em que os minutos não valiam a tanto por escudo, em que se estava, e está, sentado a mirar essa obra deliciosamente romântica de Júlio Pomar, rasgada a ouro no azul celeste da parede.
Tudo isto é o Tó, em “quem luz algum talento” como dizia o Bocage, mas que vale sobretudo… por saber ser um amigo.

Hermínio de Oliveira

CRÓNICAS - João Bonifácio Serra

Não vou aqui apresentar o João Bonifácio Serra. Primeiro porque não julgo necessário, segundo porque não me caberia a mim fazê-lo. Historiador, ensaista, professor, cronista, colunista, sei lá o que mais, eu conheço-o fundamentalmente como alguém que ama a terra onda ambos vivemos, as Caldas. E como aluno do E.R.O., onde chegámos a ser contemporâneos, embora ele fosse 5 anos mais velho, um enorme fosso na altura, não tanto hoje.


É com grande prazer que vamos aqui iniciar a transcrição de alguns textos, escritos para a Gazeta das Caldas e coligidos no livro "Continuação" (que não sei se ainda estará disponível, perguntem à Isabel Castanheira que sabe sempre estas coisas), procurando aqueles que mais se referem à vida no Colégio.


E que melhor Prefácio que o do Dr. Leonel Cardoso publicado na Gazeta em 1966?


NOTA: Para melhor visionamento clique na imagem e obtenha-a numa janela isolada. Para regressar ao Blog clique « anterior .

O ZEQUINHA

A propósito da chegada, inesperada mas muito saudada, do Zequinha a este nosso Blog, fui buscar um livro de caricaturas da autoria do meu amigo Vasco Trancoso, homem de múltiplos talentos, chamado "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991". E lá está o José Manuel Pereira da Silva tal como aqui o reproduzimos, com a devida vénia ao autor. O texto que aqui se transcreve era o que acompanhava a caricatura e foi escrito nessa altura por um amigo (da onça, vejam bem o que ele diz!).



Inconstante, empenhado, superficial, militante, apaixonado, volúvel, sincero, quixotesco, exibicionista, hipocondríaco. De tudo ouvi um pouco, em meia dúzia de conversas que mantive com amigos e conhecidos, antes de escrever estas linhas. Não por não o conhecer, os vinte e cinco anos que separam a sua entrada numa sala de aula onde me encontrava e a data desta crónica foram suficientes para formar dele uma opinião. Mas tive sempre a impressão que havia algo nele que me escapava, sempre algo em que cada novo encontro era diferente da imagem que tinha ficado do anterior. Culpa minha?
O Zequinha nasceu nas Caldas em 1954, mais precisamente no dia 25 de Abril. Como todos sabem é uma data misteriosamente propensa a alterações e altercações, excitações e depressões, revoluções e outras confusões.
Cedo abandona as Caldas, faz a Escola Primária na Guiné, vai depois para Moçambique. É talvez deste périplo africano que lhe fica o gosto pelas aventuras marítimas, pelos grandes espaços e as grandes questões, embora sempre mais disposto a arrasar a floresta do que disponível para derrubar uma árvore.
Regressa da ex-Colónias e ingressa no Externato Ramalho Ortigão, onde o conheci. São da nossa turma alguns actuais caldenses residentes como a Dália Saramago, o Rogério Teotónio, o Pedro Nobre, o Tózé Hipólito, a Cristina Rolim, o Henrique Conceição, o José Neto, o Tomás Baptista, o Manuel Nunes e a Ana Paula Fonseca (a sempre bem disposta Paulinha Pardal). Um grupo que bem cedo descobre o seu temperamento artístico em pequenas representações nas aulas do Padre Renato (permitam-me um parêntesis para dizer que foi o melhor Homem que tivemos o privilégio de conhecer no Colégio), representações que são o trampolim para a sua colaboração com o Clube Cénico Caldense. É também já desse tempo o gosto e a vocação para a pintura que irá desenvolver com Eduardo Constantino, entre 72 e 74, a sua “fase pintor anarquista”.
A sua alcunha era, no entanto, o “Juvenil”. Por motivos não artísticos, mas desportivos: era campeão de várias modalidades desportivas! Certamente por modéstia estes talentos nunca nos foram revelados, limitando-se a pontapear a bola e algumas canelas, mais estas que aquela, nos escalões mais jovens do futebol do Caldas. Militou também, com o entusiasmo que se lhe reconhece, nos sectores mais ortodoxos da Igreja Católica, regressando de misteriosos e obscuros retiros qual Isaías reencarnado. Felizmente durou pouco.
Da sua “fase proletária”, passagem pela Matel, recordo sempre com um sorriso o delicioso epíteto com que o brindava nas aulas a sua amiga Dra Deolinda: o Senhor das Cassettes.
Todos estes talentos de actor, pintor, futebolista, monge e anarquista são prematuramente sacrificados ao curso de Arquitectura, que conclui em 1980.
É candidato nas autárquicas de 1985, como independente nas listas do P.R.D.(estes seus repentinos entusiasmos pelas novidades e causas nobres ainda o hão-de perder…). Regressa em 1989, desta vez pelo PS . Bate-se desde o início pela criação e implementação de um Plano Director Municipal. É, simultaneamente, um dos animadores da Cooperativa e da Rádio Margem onde, além de nós, estiveram João Elias, Rogério Guimarães, Rui Hipólito, José Carlos Almeida, Ana Sá Lopes, João Viegas, José Fragoso, Adalgisa Brito e um sem número de jovens entusiastas caldenses.
Os últimos tempos têm mostrado um Zequinha menos esfusiante e "pirómano", calmo pescador e velejador, profissional e politicamente mais conciliador. Alguém disse que “só os que não têm coração não são revolucionários ao vinte anos, só os que não têm cabeça não são conservadores aos quarenta”. Será verdade?


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Desenho e texto extraídos do livro de Vasco Trancoso

"ÁLBUM DE FIGURAS CALDENSES 1990/1991" , editado em 1992.

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comentários
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2 de Dezembro, 2007
Isabel diz :
Olá Colegas,Estou adorando o blog. Está para lá de curtido e, o Zéquinha continua na mesma (entenda-se um diletante convicto e, sui generis q.b.)
Isabel de Azevedo Noronha
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2 de Dezembro,2007
José diz:
É uma cruz que ele carrega, estas fãs que o perseguem...