ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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THE GRADUATE (1967)

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Este é verdadeiramente "um filme dos anos sessenta", incluindo o ócio e a insatisfação da abundância (quão longe estamos disso...), uma geração que não se revê nos valores dos pais, a dissociação romântica do sexo e do amor e os grandes espaços americanos (percorridos num descapotável de sonho, um Alfa Romeo Spider 1600 Duetto).




O filme, realizado por Mike Nicholls em 1967, é também o despontar de um grande actor, Dustin Hoffman, escolhido em detrimento de Robert Redford, abrindo caminho a uma nova geração de actores mais expressivos e menos decorativos, e a consagração de uma grande actriz, Anne Bancroft. É notória na forma de filmar, na construção e no desenvolvimento temático, na alteração da novela original e até no final indefinido, a influência da nouvelle vague francesa.




Por fim o filme tem uma das melhores bandas sonoras de sempre, da autoria de Paul Simon, interpretada por Simon & Garfunkel.


Estreado em Portugal no ano seguinte sob o título "A Primeira Noite" (com pequenos cortes da censura) marcou seguramente todos os que o viram nessa altura e é um dos filmes da nossa juventude. Embora inegavelmente datado, penso que é, ainda hoje, um objecto cinematográfico interessante.







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C O M E N T Á R I O S
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São Caixinha disse:
Por esta altura ainda só tinha visto o "Música no coração", mas é sempre um prazer recordar o "Graduate" que só vi muito mais tarde! Lembro-me ainda da voz de Benjamin Braddock naquela famosa frase: "Are you trying to seduce me, Mrs. Robison?"
Por curiosidade, do Capitão von Trapp não tenho memória!!

CINEMA EM S. MARTINHO

por João Jales
Comi um prego no prato e bebi duas imperiais com o João, enquanto esperávamos pelos nossos amigos, que jantavam a essa hora, oito e meia, com as famílias nas casas alugadas onde passavam o Verão em S. Martinho.

Sempre fui um indefectível adepto da Foz do Arelho, poucas vezes aqui vinha durante o Verão. Mas, nesse dia, surgiu uma boleia inesperada que me permitiu ir visitar meia-dúzia de amigos que lá estavam desterrados durante dois ou três meses. Felizmente a minha família nunca alugou casa em S. Martinho ou na Foz, nessa altura a vida nocturna de qualquer das localidades era para nós pouco apelativa.

Sendo o mais recente dos estabelecimentos de restauração, o Samar, onde estávamos, era frequentado por malta nova e veraneantes recentes. Os banhistas veteranos continuavam nos estabelecimentos tradicionais, na rua dos cafés. Aí a frequência era menos diferenciada, misturando gerações e grupos sociais, só o “Clube dos Betinhos”, situado na esquina dessa rua com uma transversal que subia a íngreme encosta, tinha o acesso reservado aos filhos dos novos-ricos, maioritariamente lisboetas, que chegaram a S. Martinho na segunda metade da década de sessenta. Mais ou menos ignorados nos locais “in” das Caldas (Casino, Azenha, Ferro-Velho), tinham aqui o seu pequeno mundo privativo. Os veraneantes mais antigos, maioritariamente alentejanos e ribatejanos, mantinham habitualmente uma relação mais descomplexada com a população local e com os caldenses, convivendo e misturando-se nos vários cafés e esplanadas existentes. Outro local nessa mesma rua, o “Delírio”, tinha um Rés-do-chão com pingue-pongue e bilhares (e até jogos electrónicos, a partir de 1971 ou 1972); e um primeiro andar, tenho ideia que reservada a sócios ou, pelo menos, a clientes habituais e mais velhos, que ali jogavam cartas. Como no Casino das Caldas, a maioria eram senhoras.

Num microcosmos tão pequeno como S. Martinho, em que o principal passatempo era olhar para os outros, os meus amigos não tinham muitos locais de encontro alternativos aos dos seus pais e o Samar era, neste início da década de setenta, um deles.

Enquanto tomávamos o café, o resto do pessoal começou a aparecer. O Luís sugeriu uma ida ao cinema para “matarmos” estas horas mortas até à meia-noite. Ninguém sabia qual era o filme, mas a noite, com “muita humidade no ar” porque “estava a cacimbar” (eufemismos que os veraneantes ainda hoje usam quando chove à noite, o que é frequente), tornava o conforto do cinema atractivo.

Mas a realidade era bem diferente já que, verdadeiramente, não existia “cinema” e muito menos “conforto”. O termo cinema refere-se normalmente a uma sala de espectáculos com as condições mínimas para a projecção e visionamento de um filme. O barracão onde me encontrei em S. Martinho do Porto não tinha nada a ver com isso: parecia uma velha arrecadação, com as paredes exteriores de cor amarelada, muito sujas, e com o interior forrado a madeira. Sentámo-nos numas duras cadeiras sem qualquer almofada ou forro. Soube depois que estávamos na “geral”. A parte de trás, a “plateia” propriamente dita, tinha sete ou oito filas com cadeiras um pouco mais confortáveis mas, como eram mais caras, não foi lá que ficámos.

- A diferença do preço do bilhete dá para beber uma imperial a seguir – explicou-me o Mário.

A inclinação do chão era insuficiente para garantir o integral visionamento do ecrã, sempre meio tapado pelas cabeças dos outros espectadores. Excepto para os da 1ª fila, que estavam tão próximo dele que poderiam usar a tela como lenço sem se inclinarem demasiado e até sem que ninguém desse por isso. Claro que ninguém o fazia, até porque a cor castanho-amarelada da tela sugeria que outros já a teriam usado dessa forma, muitos anos atrás.

Lembro-me de pensar que, mesmo a chuviscar, seria bem mais agradável estar lá fora, na esperança de uma troca de olhares mais prolongada com uma das garotas que se exibiam no cais ou nas esplanadas, mas o dinheiro do bilhete já era irrecuperável, pelo que decidi ficar.

Estranhei que, mal as luzes se apagaram, aparecesse imediatamente um bando de barulhentos índios a cavalo perseguindo várias caravanas que seguiam por um estreito caminho, ladeado por uma perigosa ravina, a uma velocidade vertiginosa.

A imagem era tão má que limpei duas vezes os óculos, julgando-os embaciados, mas não, era mesmo assim a projecção, nebulosa e com as cores muito desmaiadas. Ao longo da hora seguinte tivemos direito a muitos tiros, sangue e cavalgadas, o nosso herói impediu o massacre de toda uma família e salvou a donzela raptada pelos peles-vermelhas, com quem depois se casou. Tirando isso, tudo acabou em bem, com as palavras The End a sobreporem-se a um casto e longínquo beijo. Acenderam-se as luzes e preparava-me para sair quando fui informado que era apenas o intervalo. Intervalo? Outro filme? Pelo preço de um bilhete? Não estava habituado a esta generosidade no Chagas ou no Ibéria.

Fumámos um cigarro no estreito pátio exterior e regressámos, ao som de uma roufenha campainha. Desta vez o filme começou normalmente, com títulos, nomes e ficha técnica, mostrando uma família em dificuldades financeiras a ser ameaçada de ser expulsa das suas terras por um agiota de mau carácter. O banqueiro vilão era parecido com os actuais e, num ápice, executava a hipoteca e despejava a família. Esta decidia rumar para Oeste, com todos os seus parcos haveres arrumados numa caravana, em busca de melhor vida. Eu entretanto começara a protestar, já que os actores e as personagens eram os mesmos que nós víramos ser perseguidos, raptados e até assassinados pelos índios antes do intervalo: estávamos a ver a primeira parte do mesmo filme!

O Luís conseguiu acalmar-me com o argumento de que tanto fazia, ia acabar por ver o mesmo tempo de cinema e sair à meia-noite, hora de beber uma imperial. Afinal, passar o tempo da digestão do jantar era o objectivo da ida ao cinema… E, como eu podia facilmente verificar, mais nenhum dos espectadores que enchiam a sala estava incomodado com aquela pequena inversão na projecção. E filosofou:

- A ordem pela qual a história é contada é arbitrária e indiferente, o banqueiro fica com o Rancho, a família melhora de vida com uma propriedade maior e melhor no Oeste, os índios são todos mortos pelo cowboy e os heróis casam. Que importa que tudo isto aconteça na primeira ou na segunda parte?


João Jales

COMENTÁRIOS A "CINEMA EM SÃO MARTINHO"

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"A riqueza e vivacidade deste blogue depende hoje tanto ou mais dos comentários, que dos textos que os estimulam. Só assim se explica que, em pouco tempo, tenham sido ultrapassados os 50000 visitantes." João B. Serra dixit
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Lena Arroz disse:
Tem muita graça! Era mesmo assim!
Eu também preferia a Foz, mas tal como o Jales, tinha amigos que iam para lá “desterrados” passar os 3 meses de férias… e por isso mesmo também eu cheguei a ir ao cinema, num dos dias que passei com a Ilda, na casa alugada à época pelos seus pais em S. Martinho.
O cinema era mesmo horrível. A recordação do desconforto para mim estava relacionada com o frio. Tinha a ideia de que o filme passava num terraço do Samar com um toldo por cima mas aberto pelos lados, por onde o vento trazia o cacimbo que me gelava dos pés à cabeça.
A tela era amarelo-acastanhada e as cadeiras de “pau-pedra”, duríssimas. Não me tinha ocorrido que os espectadores da frente já tinham usado a tela como lenço, mas essa é sem dúvida uma hipótese a considerar.
A rua dos cafés era um palco. Lembro-me da preparação que a descida à rua dos cafés, depois do jantar, impunha. Dos sapatos aos brincos, tudo era importante. Todos os residentes saíam de casa para se instalarem nas esplanadas. As crianças que os acompanhavam, muito bem vestidas pelas bábás (tudo a condizer), corriam por ali em brincadeiras estouvadas, produzindo sons que animavam a rua. Os não residentes, que vinham só para a noite, passeavam (ou desfilavam, como diria o Jales), pelo meio, em pequenos grupos, deitando o olho para quem estava sentado.
Penso que à meia-noite este espectáculo terminava, ou pelo menos para as raparigas terminava. Regressava-se a casa, para no dia seguinte se recomeçar tudo de novo. Ir para a praia, para dentro da barraca, por causa do nevoeiro da manhã, tomar banho por volta do meio-dia, quando o sol aparecia, ir almoçar, dormir a sesta, voltar a praia, etc...
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Júlia Ribeiro disse:
Em relação às descrições de todos vós de S Martinho, com as quais concordo plenamente, divertiram-me agora muito mais que naqueles tempos e não podia deixar passar sem dizer qualquer coisa.
Foi uma praia que frequentei bastantes anos e divertia-me imenso...nem sabia que tinha cinema....ou não me lembrava! Mas das ventanias, do cacimbo e aqueles passeios “divertidíssimos" á noite na esplanada, disso lembro-me bem.
Por algum motivo já naquele tempo chamavam àquela praia “O Bidé das Marquesas”!!!
O que eu gostava mesmo era de ir até Salir, subir as dunas e depois escorregar. Que sensação agradável! Talvez a sensação de liberdade, seria?
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R. disse:
Como lamento a minha falta de memória para esses pormenores. Contudo, garanto que ver a 2ª parte da fita antes do intervalo também aconteceu no Pinheiro Chagas - só não me lembro com que filmes.
Também no Chagas houve uns tempos em que no intervalo o gerente - o Sr. Orlando, lembras-te?? - anunciava o filme seguinte num microfone super roufenho.
Lembro-me do anúncio do "Pe lái Ti Me", do J. Tati.
A queda de cadeiras durante a projecção era vulgaríssima. Por duas vezes, ouviu-se um tal estrondo que parecia ter vindo a casa a baixo. Luzes acesas, sala evacuada - afinal era um dos arrumadores (alguns já bem velhotes) que tinha adormecido e caído ao chão. R.
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João Serra disse:
Descrição implacável, quase cruel, de S. Martinho no princípio da década de 70. Local sem vida noctura (e com uma vida diurna bem limitada, se o principal passatempo dos veraneantes era olharem-se uns aos outros), segmentação social rígida marcada pela presença de uma colónia de "betinhos". Nem o cinema se salvava neste local de desterro: desconfortável,inapropriado, com um projeccionista incompetente ou distraído. A visão crítica deste cronista de palavras ágeis não encontrou nesta sortida de má memória rasto do "Paradiso" que Giuseppe Tornatore imortalizaria mais tarde. Paraíso não, inferno. Nem a companhia serviu de lenitivo ao nosso pobre João. Acham que ele teria notado a troca de bobines, a cor duvidosa da tela,a obstrução das cabeças das filas da frente, se uma Anna Karenina, perdão,uma Lucha de olhos brilhantes, lhe tivesse feito companhia?
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Luísa disse:
O texto é muito, muito bom (quem diria que o blogue seria assim, com Noites extraordinárias, sinaleiros, Careninas e outras maravilhas) mas nota-se realmente neste texto que o João era um amante da Foz do Arelho. Registei, no seu (maravilhoso) conto anterior (Ana Carenina), que ele já chamou "Bidé das Marquesas" à Baía. Mas ninguém protestou!
São Martinho tinha os seus encantos e uma frequência muito diferente da Foz, seria preciso -um dos veraneante mais antigos- ou -um dos banhistas habituais - (expressões do Jales) - para nos falar disso.
Mas diverti-me muito a ler, embora desta vez, como já alguém fez notar, não houvesse namorada…
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Belão disse:
O texto do João está excelentemente escrito e retrata de facto o que era S. Martinho do Porto, na altura. O filme estava à altura da terra.
E hoje? Será assim tão diferente do que o João descreve? Há muita coisa que continua igual, não? Até os filmes de índios e Cowboys!
Bjo
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Laura Morgado disse:
A escrita do João Jales é de grande qualidade, parabéns!
Ao ler o artigo recordei todos os Verões que passei em S. Martinho do Porto e relembrei uma parte da minha Juventude, só por isso valeu a escrita.
Para se conseguir algum divertimento naquela época era preciso arte, mesmo sem ser em S. Martinho.No entanto quando se tinha um bom grupo…as matinés dançantes, nos quintais de uns ou de outros, eram sempre melhores que uma ida ao cinema.
Laurinha
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Luis disse...
Este conto sobre S Martinho é, na minha opinião, um bom retrato de época.E se estes textos, fruto da cumplicidade do Serra e do Jales são para nos entreterem no Verão(li aqui isso ontem)como será daqui para a frente?
Este Post é de grande nível,como era o Verão dos Anos 60 do Serra.Mas eu sempre julguei que haveria uma continuação para o Ana Karenina, pelos vistos enganei-me...Parabéns mais uma vez!
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José disse...
Não tenho muito tempo para isto, mas diverti-me imenso a ler esta excelente crónica do JJ . Um abraço.J. Carlos Abegão
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Ana Luisa disse...
Passei dois verões em São Martinho, dois ou três anos antes desta história.Era exactamente assim,a terra era gira mas havia poucas distracções.e estou mais de acordo com o Jales, tirando aquele Clube reservado(e algo esquisito)o ambiente era de abertura e confraternização. Está muito bem escrito, foi um prazer ler e reler. Ana
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São Caxinha disse:
Suspeito que a forma como retrataste São Martinho está muito de acordo com o que realmente se passava e fico a compreender melhor porque é que nunca gostei muito nem da praia nem da localidade.
Continuo a apreciar a honestidade na tuas estórias, e deliciei-me com a descrição do cinema, verdadeiramente apropiado para esse Western de partes invertidas...que extraordinários acontecimentos por essas salas de espetáculos!!
Bjs São X
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Fernando Rodrigues disse...
O Jales já nos habituou a textos de grande qualidade,capacidade de observação e humor.Não sou leitor assíduo,não percebo bem a diferença destes contos e o diário,mas leio sempre com prazer.
Isto era S. martinho,embora eu nunca lá tenha visto nenhum filme ao contrário!!!Mas eu também era fâ da Foz,como o escritor.
Quando é que a malta mais velha perde a vergonha e começa a contar as suas histórias também?
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Isabel Knaff disse.
A forma como retrataste S. Martinho fez-me lembrar algumas cenas do David Coperfield...ruas um pouco desertas...desconsolado...sombrio...
Ainda bem que na Foz o ambiente era muito diferente, mais alegre e com muito mais vida.Gostei de recordar o "Samar" onde cheguei a ir com amigos .Gostei tambem de recordar a palavra "cacimbar" . Há já décadas que tinha desaparecido do meu vocabulário e da minha memória, visto que aqui na Holanda não cacimba.Chove pouco mas, quando acontece, chove a cântaros!
Felizmente que o teu amigo Luís tinha a capacidade para sintetizar a situação duma forma espectacular!
Fiquei tambem admirada com o desenvolvimento duma vila(?) tão pequena como S. Martinho, que já apresentava nessa altura filmes de nudismo!!! Quem diria?!!! Naturistas...
Beijinhos
Isabel Caixinha
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Manuela Gama Vieira disse:
João, já vi o teu artigo ontem, mas não me foi possível apor logo um comentário, por falta de tempo! Está muito bem escrito e o cinema "muito bem filmado" pelas tuas palavras... até me lembrei de pulgas e tudo...
Gostei do retrato social que fazes de S. Martinho do Porto daquela época. Lembro-me de lá ter ido passar um dia, a convite de uma colega do ERO, cujos Pais lá tinham casa. Sim, de um dia para o outro, com grande pena minha, e já constituía "uma lança em África".... "as "liberdades" paternas, relativamente a saídas, eram muito limitadas.... Contudo, deu para perceber que era tudo "gente fina é outra coisa" (pese embora o que "isso" quer dizer). Se era MESMO ou não, não sabia... mas tu elucidaste-me.
Não me lembro de ter assistido a filmes em que "o resultado não se altera, independentemente da ordem das parcelas", nem a filmes suecos...mais caros...e, por isso, MULHERES NA RUA!!! Muito me ri com esses por...maiores(não pormenores).
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António disse:
Bom, a mim falta-me é o jeito do Jales para contar estas coisas, porque me aconteceu uma muito boa quando fui ao cinema a Salir de Matos, no princípio da década de 70...
Entrámos todos para o Clube que lá havia (se a memória me não atraiçoa era a garagem do Mário da Espingardaria, adaptada a sala de espectáculos) para ver “Por Um Punhado de Dólares” com o Clint Eastwood.
O filme era mostrado por um projeccionista ambulante, que trazia consigo umas bobinas enormes, que eram trocadas três ou quatro vezes. Logo que começou a segunda bobina, houve alarido na sala: o filme era de bangue-bangue mas não era de cowboys, já que todos os actores estavam despidos! Parou a projecção e acendeu-se a luz. Mas quando eu pensava que se ia buscar a bobina certa, não. Mulheres e crianças para fora (não havia muitas), o Clint Eastwood que se lixe, e o resto do pessoal ficou regalado a ver o filme (sueco ou dinamarquês e sem legendas!) até ao fim.
O ambulante ainda tentou cobrar mais algum, explicando que estes filmes “importados” eram mais caros, mas a malta não foi nessa. Grande noite de cinema!!!
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J L Reboleira Alexandre disse:
Acabei agora mesmo de ler todos os comentários ao cinema. Eu era mais Salir do Porto...o Salir do António, considerando que se trata de uma das tais aldeias do interior, onde ainda não tinha chegado a mini-saia, e com um filme XXX nos anos 70...!
Lembro-me muito vagamente de haver qualquer coisa parecido com um cinema lá na terra do Gente Fina é Outra Coisa. Era mesmo assim como tu contas, com aquela ironia que nos transporta, de forma tão ligeira quanto agradável, para aquela época.
Abraço. J.L. Reboleira Alexandre
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João Ramos Franco disse:
A tua passagem pelo Cinema e a visão da sociedade daquela época naquele local estão bem contadas.
Eu poucas vezes ia S. Martinho do Porto durante o Verão, nem sabia que tinham um “Cinema”, mas, quando ia, já levava o programa de festas organizado. Normalmente se ainda era cedo, para começar a noite, ficávamos por Alfeizerão a beber umas cervejas.
João Ramos Franco
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Miguel BM disse:
Acho que fizeste um retrato fiel do que era S. Martinho naquele tempo, embora eu não seja a pessoa indicada para fazer apreciações pois foi zona que, felizmente, nunca frequentei.
Desconhecia completamente o episódio "cinema" embora as situações que relataste não me sejam estranhas. Vivi cenas semelhantes no cinema (ou lá o que aquilo era) de Arouca quando lá fiz a periferia em 80 e, mais cedo ainda, no Fundão, em que o filme acabava repentinamente a meio de uma cena de pancadaria, quando o herói agredia o vilão.
Por fim, quando é a próxima almoçarada ou jantarada? M
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Isabel Xavier disse:
(clica para aceder ao texto)