Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
Djerba é uma ilha colonizada pelos franceses no século XIX que foi fenícia e romana. Os árabes chegaram lá no século VI. Eu cheguei lá no século XXI, mais propriamente no dia 15 de Agosto de 2009. Decidira que queria uma semana de sol e água quente, longe das panelas, da máquina de lavar, dos chapéus de sol e pára-ventos em cima de mim, das horas infinitas para estacionar, dos supermercados, das horas para isto e para aquilo. Enfim, decidi fingir que era rica durante uma semana. E digo-vos que é mesmo bom! Há de facto vidas mais baratas... mas não prestam. Chegada a Djerba instalei-me no”Djerba Golf Thalasso & Spa”, uma coisinha pequena com, por exemplo, campo de golf, piscina exterior e interior, thalasso, 5 campos de ténis(2 relvados e 3 de terra batida), 4 restaurantes, 3 bares... e um serviço impecável, daqueles que nos ajudam a desfrutar em pleno do “dolce fare niente”. Ah! A praia privativa fica a 200m de distância, não sendo preciso sair do resort para lá chegar, como é obvio e conveniente. Foi aí que passei maior parte do tempo, ora de molho, ora deitadita na espreguiçadeira, com a extenuante trabalheira de, de quando em vez, ter de levantar o braço para chamar o empregado e pedir uma bebidinha, não fosse desidratar. Também não era mau de todo, pois o enfermeiro do hotel era daqueles que até dava vontade de desidratar, torcer um pé, cortar um dedo, desmaiar.... sei lá. Mas estive sempre de perfeita saúde. Houmt Souk é a capital da ilha, repleta de casas branquinhas com portas azuis e desenhos feitos com tachas. Visitei-a numa manhã que dediquei às compras. E se comprar dá trabalho! Ao inicio tem uma certa piada regatear os preços, mas ao fim de algum tempo, perde-se a paciência. É que para alem do regatear, os tunisinos adoram galantear as mulheres, desfazem-se em elogios e não se coíbem de até querer saber se os maridos as amam e se elas são felizes. Um bocado “melgas”, mas simpáticos. O resort ficava a 5 minutos de Midoun, localidade onde predominam os “menzel”, casas típicas, fortificadas, com um poço exterior feito de troncos de palmeira., importantes na época das pilhagens. Visitei ainda a marina, zona muito frequentada por turistas, pois as suas agradáveis esplanadas, rodeadas de canteiros de flores e muito limpas, são de facto convidativas. Frequentada sobretudo por estrangeiros (ricos), Midoun tem ainda um casino onde fui jantar uma noite. Rodeada de mordomias, sempre tratada por “madame”, com direito a dança do ventre e música durante o jantar, paguei o equivalente a 22 euros. E o vinho era muito bom. Nas salas de jogo, só euros. Dinar não entra. Na segunda noite que faltei no bar do turco, o bar mais simpático do resort, com música ao vivo (flauta e alaúde), uma decoração magnífica e onde fumei chicha, saí para ir à discoteca mais famosa da ilha. Enorme, com dezenas de “gorilas” à porta e circulando por todo o espaço, fui toda revistada à entrada. É prática comum, bem como o pedido de identificação a quem aparenta não ter 18 anos. Achei piada, pois de facto não vi crianças na discoteca, como por cá acontece. Quanto à música, o mesmo de cá. Aquela sensação de ouvir a mesma falta de melodia desde que entrei até que saí, tipo pista 2 do Green Hill. Aquele tum tum tum sempre igual, que só aguentei hora e meia. A era disco era de facto maravilhosa, se quisermos comparar. No hotel, a animação era direccionada para uma faixa etária bem acima da minha. Preferi sempre o alaúde do bar do turco. Quanto a comidinhas, a variedade é muita. Há a cozinha europeia, sempre, para quem não gosta das delicias tunisinas: cuscuz e tajine, por exemplo. Para quem aprecia picante, harissa é do melhor que há. A cerveja é fraquinha mas escorrega bem e Thibarine é a aguardente típica da Tunísia, bem forte, mas muito agradável. Logo à segunda fiquei sem forças, eu que até aguento bem. Talvez a PDI me esteja a fazer perder qualidades! Mas a maior parte do tempo, passei-o na praia. E é ela que me deixa saudades. Areia branquinha, fininha e limpinha. Espreguiçadeiras, toalha fornecida à chegada, água cuja temperatura oscila entre os 27 e os 29 graus e totalmente transparente. Três vezes já fui à Tunísia e continuo a só saber dizer “chukran” - obrigada e “maa salama”- até logo. Escrever nem tento sequer. Também não é importante. Toda a gente fala francês. Foi muito bom para carregar baterias e recomendo. “Maa salama”
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Belão
Praia às 7 e meia da manhã
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C O M E N T Á R I O S
Júlia Ribeiro Olá Belão!Então passeando pela Tunísia!! Boas férias.
Margarida Santos Estive na ilha Djerba em Abril de 2006. Adorei. Fumei shisha, bebi óptimos chás, atravessei om deserto, estive nos locais onde foram filmados "O Paciente Inglês" e "Guerra das Estrelas", apanhei boa praia e fartei-me de andar de camelo.
Luisa disse:
Grandes vidas!!! Que inveja.... L
Inês disse... Qual inveja, Luísa! Só aquela mania de nos obrigar a regatear preços irrita, não há pachorra! e então quando alguém comprou o mesmo e pagou metade… lá se vai o prazer “Maa salama” tá bem... o resto, contado pela Belão, eu também queria! :)
Ana Carvalhodisse: Eu quero ir já amanhã para a Tunisia! É o que me apetece fazer depois de ler o postal da Belão. Bjs PP.
jorge disse...
este ano houve poucos postais de férias.já em 2008 a belão publicou dois ou três muito interessantes e escritos com humor.também fiquei com vontade de ir à tunisia embora conheça algumas estâncias do indico que recomendo a todos.jorge
Belão disse... Olá!Quem já foi à Tunísia sabe bem do que falo. A quem não foi, dou um conselho: vão que vale a pena. Eu já fiz o circuito do deserto há dois anos, também fui aos locais das filmagens da Guerra das Estrelas e do Paciente Inglês, dormi num acampamento de luxo.... e é fantástico. Descanso e boa praia é em Djerba. Quando forem, digam-me que eu vou logo outra vez!Bjos a todas e todos.
Ora aqui estão 4 convictas adeptas da Foz do Arelho. A fotografia, tirada novamente pela minha mãe, no Parque de Campismo da Foz do Arelho, deve ser do ano do artigo da Lena Arroz : CAMPISMO, VERÃO DE 1965
Eu na cadeira de lona, ainda sem conseguir pôr os pés no chão, novamente, e como sempre, a rir. Do lado direito o "trio Nascimento": a Ana, parece nossa mãe (hoje já não se nota a diferença), a Luisa, com uns lindos caracóis e a Margarida ao colo da Ana. Em comum as havainas, que voltaram a estar na moda, o que é um sinal de que estamos todas velhas. . E a tenda?
. A Ivone Nascimento tem tudo num primor. Flores por todo o lado, tapetes, cortinas. Lembro-me deste dia como fosse hoje. Assim: ontem ali! A nossa amizade continuou inalterável até hoje.
. Um beijo grande para elas e para todos os por aqui vão passando... e são muitos.
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Margarida Araújo
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João Ramos Franco disse... Tens razão, ao recordar estes tempos e dizer que “hoje já não se nota a diferença”, entre vocês. É verdade, e tenho-me apercebido disso nestes últimos encontros, vocês tomaram elixir da juventude e nós em rapazes umas cervejas. A diferença é só aparente, todos temos na memória os locais da nossa juventude e os vamos recordando neste espaço de são convívio.
João Ramos Franco
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Júlia R disse:
Que meninas tão lindas !Que quarteto tão simpático!Que titulo tão engraçado!E agora que somos todas da mesma idade.....Um beijinho para as quatro!
O Verão que acabou proporcionou-me encontros e reencontros. Conheci colegas (e até professores) que, embora meus contemporâneos, nunca conheci no ERO, devido à diferença de idades. E outros que o frequentaram em épocas anteriores e posteriores à minha. Uma colaboradora do Blog escreveu-me ontem que o Colégio, como passado comum, tem uma importância maior do que nós supúnhamos. Será assim?
Não está nesse grupo de novos conhecimentos a São Caixinha, nascemos e fomos baptizados pelo Padre António Emílio na Praça de Londres no ano de 1954, reencontrámo-nos na década de 60 no Externato Ramalho Ortigão e, nestas férias de 2008, no Café Central, com mais alguns colegas, de diferentes gerações.
Um almoço-convívio no Verão entre "residentes" e "veraneantes" é uma ideia que "está no ar" e foi aqui novamente defendida, temos todos que falar melhor nisso. O João Miguel já me disse que preferia na segunda quinzena de Agosto, mas se calhar é melhor ouvir mais opiniões antes de decidir alguma coisa. Que é que acham?
Não posso deixar de partilhar convosco a gravura dos Beatles que a São desenhou para me oferecer neste nosso reencontro. Vai ocupar lugar de destaque entre as recordações dos Fab Four que ocupam as paredes de minha casa.
Obrigado São, e parabéns por mais esta demonstração do teu talento, que voltará aqui ao Blog a partir de Novembro, na série Personalidades e Professores.
Isabel Xavier disse: Para além do almoço dos antigos alunos do colégio, podia combinar-se um jantar informal dos bloguistas. Há montes de nomes aos quais não sei atribuir os respectivos rostos. Mas não no Verão. . JJ respondeu: A Isabel teve aqui uma bela ideia! Um encontro dos colaboradores deste Blog. Estou já a preparar os "certificados de participação" que darão acesso a essa refeição. Os que ainda não o fizeram, enviem agora os vossos textos e comentários para constarem na lista dos eleitos. Mas há aqui alguns (Ana N., LFS) com as inscrições muito periclitantes, os seus "certificados" estão a caducar... . João Miguel A S disse: Caríssimo JJ, agradecia o envio do desenho da São. Estou apavorado com a questão dos "certificados de participação" ! Como é?O que é preciso fazer para os obter? É com base no número de linhas de escrita no blog, como nas redacções para o Padre Renato? Os paleios semanais das sugestôes têm alguma pontuação?O João Bonifácio está vendedor dos certificados que, certamente, tem em excesso? Há um mercado negro (ou côr-de-rosa) desses certificados?Espero que compreendas a minha preocupação. Não posso perder esse jantar! Não faço questão quanto à quinzena, ou ao mês!Agradeço uma resposta rápida e positiva pois esta angústia fez-me perder o apetite...Aquele abraço..............................JMiguel . João B Serra disse: A única pessoa com autoridade e oportunidade para certificar seja o que for neste blog é o João Jales. Ele é que certifica o que se publica e quando se publica. Aparentemente tem administrado sabiamente a liberdade de escrever e comentar (e simetricamente a de não escrever e de não comentar). Mas sempre podemos pedir-lhe que inclua no blog um Livro de Reclamações. Aposto que dessa forma só acrescentaria a sua autoridade e ampliaria a sua disponibilidade. . RESPOSTA A JOÃO MIGUEL E JOÃO SERRA: Este comentário valeu ao João Miguel um "green card" para o almoço em causa. A resposta do João Serra exagera a minha responsabilidade neste Blog, que é já um projecto colectivo em que não tem havido necessidade de qualquer autoridade, apenas um pouco de bom senso. O Livro de Reclamações está sempre à disposição. Um abraço aos dois. JJ . Isabel Knaff disse: Olá Joâo!Como estás, tudo bem? Queria deixar dito que: Como tive a sorte de rever e conviver com muitos dos ex-colegas no Verâo passado na Mimosa, e ter tâo felizes recordaçôes, é com muito entusiasmo que aplaudo a ideia dum jantar de Verâo entre Residentes e Forasteiros! A primeira quinzena de Agosto parece-me a mais propicía porque cobrirá a epoca de férias dos não residentes. Óptima ideia a da Isabel Xavier! Tal como ela, também para mim há muitos nomes sem rosto!Também achei muito interessante a observaçâo, até aqui inédita, que "o Colégio como passado comum tem uma importância maior do que nós supúnhamos". E é surpreendente quão grande é essa importância! Até á proxima. Beijinhos. Isabel Caixinha . Ana Carvalho disse: Eu cá acho tudo bem, mas só para Agosto??? Ainda estamos em Outubro... Bjs PP . João Ramos Franco disse: Meus amigos um rapaz reformado, como eu, acompanhado apenas pelos hobbies (leitura, xadrez e informática. etc…), as marcações de encontros posso deixar ao vosso critério, entendo até que iria falar-vos de um calendário que existiu até ao dia da reforma. Esse calendário é vosso, marquem as datas.“O Colégio, como passado comum, tem uma importância maior do que nós supúnhamos”, penso que esta chamada de atenção tem todo o sentido e deve ser conversada, creio que até poderia alargar mais o âmbito dos debates no Blog.Quanto á gravura dos Beatles que a São desenhou para oferecer ao J.J. e que vai ocupar lugar de destaque entre as recordações dos Fab Four que ocupam as paredes de sua casa, penso que ele por ser um amante da música e também pelo trabalho que tem tido na manutenção deste espaço que é nosso Blog, teve uma merecida recompensa.João Ramos Franco . Miguel B M disse: Agosto é sempre o pior mês do ano para o que quer que seja,excepto férias.Assim sendo marcar um almoço/jantar para o princípio,meio ou fim do mês parece-me irrelevante.Apesar de tudo creio que as pessoas estariam mais disponíveis (mentalmente ?) na primeira quinzena. Gostei muito do desenho da São. M . Luis António disse: Esquece almoços e jantares no Verão,Novembro é que é! Se o desenho dos Beatles não te couber lá em casa(consta que tens as paredes cheias!) podes guardar na minha.Um abraço . LA . J. Rodrigues Lobo disse:
Bom DiaAgosto é complicado, pois professores, alunos e suas famílias normalmente estão de férias.Eu não poderei ir.Um abraço
Joca Pimenta disse:
Eu acho que sim e penso que a altura em que estão cá mais veraneantes é na semana do 15 de Agosto.Paula disse:A ideia parece boa, mas é capaz de haver mais banhistas que residentes nas Caldas em Agosto, ou não? (...) publica o desenho sozinho para o podermos ver melhor!!!Luís Filipe Santos disse:A ideia é boa, mas não tenho meios de avaliar se em termos práticos beneficiará de maior disponibilidade dos potenciais participantes.Haverá muitos que viajam ou têm programas delineados que poderão impedir as suas presenças. Por mim estou quase tentado a dizer que fora da época das férias o encontro até tem mais encanto – recria o regresso às aulas e permite inscrever o evento na agenda das actividades importantes a que não se poderá faltar...Mas afinal o mais importante será fixar uma data com a antecedência suficiente e o pessoal organiza-se... AbraçosJoão Miguel Azevedo Santos disse:… a 2ª quinzena de Agosto parece ser a altura ideal para a realização desse evento.Ana Luísa disse:A realização do nosso encontro em Novembro parece-me ser a melhor ideia, não concordo com esta mudança. Qual o motivo?
Isabel disse: Está aqui armada grande confusão! Pelo que percebo está.se a propor um almoço de Verão e não que o nosso encontro se realize nessa altura, o que seria má ideia. O jantar na Letinha não foi com as Caixinhas? Acho bem que se faça,desde que não vá prejudicar a afluência ao outro. Não seria possível distribuir o desenho dos Beatles por todos? É dó digitalizar e enviar e eu queria um! Isabel
Tó Quim disse:
Concordo com a 2ª quinzena de Agosto.Acho que esse almoço deveria ser efectuado na Foz do Arelho, se tal fosse possível. . Júlia disse: Eu concordo plenamente com o almoço,aliás já tinhamos falado nisso quando foi o jantar com a Isabel. Em relação a datas,não acho mal a 2ª quinzena de 08,talvez seja uma altura que as pessoas já estão fartas de praia e que também não se vai muito para fora,mas uns anos aproveitarão uns, noutros aproveirarão outros.Julgo também que deves ouvir mais umas opiniões e acho que não devemos esquecer uma consulta às manas da Holanda!Não concordas? . Laura Morgado disse: Acho fantástica a ideia de um almoço convívio no Verão.No entanto considero que no mês de Agosto muita gente está fora , por ser férias. Quero referir que a nossa amiga Júlia terá uma palavra a dizer, pois temos que estar todos. Laurinha . Guidó disse: Acho bem, acho mesmo muito bem. Também preferia a primeira quinzena porque na segunda vou fotografar pinguins para a Antártida!! Agora a sério, a São Caixinha tem um talento notável para o desenho. Parabéns. . São Caixinha disse: Olá João! Desculpa o atraso! Estive todo o dia fora e só agora é que vi o Blog! Parece-me muito boa ideia planear um almoço no Verão! Teve para mim um significado muito especial rever alguns dos colegas este ano e recordo com enorme prazer os momentos de convívio que passámos juntos! Inesquecível! Para mim não tem importância quando é que o possível almoço acontecer, desde que seja no Verão! Eu ajusto-me!! Os Beatles...claro que podes distribuir! Eram-me tão queridos!! Beijinhos a todos! São X . JJ RESPONDE E ESCLARECE: 1 - A realização de um eventual "Jantar de Verão" NADA tem a ver com o nosso Encontro Bienal , que continuará a realizar-se em Novembro. 2 - A sugestão tem um carácter mais restrito e "informal" (ainda mais!) e reuniria alguns antigos alunos que passam cá parte do Verão com a malta que cá estiver. Reunimos este ano, sem qualquer preparação, 30 pessoas na Mimosa (Restaurante da Letinha na Praça do Peixe, passe a publicidade) num convívio muito agradável. Vamos experimentar para o ano, anunciando a data com mais antecedência? 3 - Mantém-se a convocatória para 14-11-2009, não haja confusões! 4 - Ninguém comenta o inspirado desenho da São nem a importância do Colégio como passado comum? Quando se fala de comida, ninguém pensa em mais nada? 5- O desenho dos Beatles é obra da São. Para receber uma digitalização (há vários pedidos) basta enviar um email com o pedido para: ex.alunos.ero@gmail.com
O meu irmão Tozé chamou-me a atenção para uma enorme lacuna no meu texto a respeito do cinema de S. Martinho. É que um dos momentos altos vivido naquele espaço durante o Verão, era a entrega dos prémios do Concurso de Construções na Areia, promovido pelo Diário de Notícias, se não estou em erro.
Este lapso da minha parte deve ser tudo menos inocente, tem até muito de freudiano, com certeza. É que eu e a minha irmã Helena tínhamos a fatalidade de ganhar sempre prémios de consolação, enquanto os nossos irmãos ganhavam prémios de primeira categoria. Só a Gracinha, a mais velha, ganhou três bicicletas (1º prémio) e os outros: Luís, Mário e Tozé ganhavam, normalmente, ou um ou outro, ou todos ao mesmo tempo em categorias diferentes, segundos, terceiros e quartos prémios. Houve uma época que a minha família era conhecida em S. Martinho devido a essa capacidade.
Uma vez, a minha mãe caiu e feriu-se com alguma gravidade, quando se dirigia aos correios para telefonar ao meu pai, a informá-lo dos bons resultados dos "rebentos". Tal era o entusiasmo da senhora!
A minha sorte em tudo isto é que passava verões muito mais livres do que os meus irmãos porque não sofria as pressões familiares - já ninguém dava nada por mim e deixavam-me em autogestão - para fazer boa figura no concurso. E, principalmente, livrava-me das horas e horas de treinos e da disciplina que o meu pai impunha "àquela gente toda" para se prepararem com antecedência. Até chegaram a levar areia para casa, para treinarem com mais afinco. No quintal, claro...
Nunca houve construções na areia na Foz, pois não?um ponto para S. Martinho!
Xavier lembro-me do Luis, um ano ou dois mais velho que eu, depois havia um bando de garotos, suponho que a Isabel seja um deles. Dotada para a escrita, os seus textos são bem escritos e sentidos,nota-se.
acabaram as férias?pudera,já estamos no outono!jorge
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João Jales disse:
Já andava a tentar "contratar" a Isabel Xavier há algum tempo, parece que foi desta! O talento que lhe faltou nas esculturas balneares, sobra-lhe na escrita. E a sua colaboração vai continuar, não é preciso esperar muito.
A Isabel é muito mais nova que nós,era uma garota quando eu saí do ERO, por isso o Jorge não se lembra dela. Ao dizer que ninguém dava por ela e que andava em "auto-gestão" mostra bem que pertencia a uma família numerosa e não era a mais nova nem a mais velha dos irmãos.
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AnaLuisa disse... As construções na areia eram efectivamente uma organização do Diário de Notícias.Estas recordações dos Xavieres (como diz o J.J.)transpiram a nostalgia de tempos felizes.Pela minha parte,obrigado.
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Fialho Marcelino disse:
Tenho lido ao longo de todo este verão as sensacionais reportagens sobre a Foz do Arelho e São Martinho. Tenho acompanhado a grande divisão entre os que eram de São Martinho e os que eram da Foz. Por questões daquilo a que hoje se chama mobilidade, antigamente a questão era “como podíamos ir para a praia” , eu era um frequentador de São Martinho. Fui frequentador enquanto me tinha de deslocar de comboio do Paúl para São Martinho e, depois mais tarde, já crescidinho, com 35 anos , comprei uma casa nessa praia. Curei-me em 2007, pois São Martinho, neste momento, perdeu todo aquele encanto que tinha.
Mas vamos ao “antigamente”.Todas as descrições que aqui foram efectuadas, só posso ter alguma memória do que se passava de dia, apesar de a minha área de actuação ser nas barracas do senhor Libório, logo em frente à estação dos comboios, pois a minha condição de viajante, e não residente de verão, não me permitia estar no grupo dos que frequentavam os locais que na altura eram considerados de élite.Apesar do sentimento que as coisas se passaram e eu não dei por elas, tenho tido grandes momentos de emoções “altamente” positivas com as maravilhosas prosas deste blog.
Pode ser que este escrito seja um primeiro entre muitos que poderão vir mais tarde.Quem aqui escreve é o TÓ-QUIM.
(RESPOSTA: Bem-vindo! É um enorme prazer ver a "chegada" de novos colaboradores ao Blog. Aguardo textos, comentários, fotos, com que ofereças aos outros as "emoções positivas" que aqui tiveste. Um abraço. JJ)
Ano após ano, a família Xavier deslocava-se com “armas e bagagens” para a praia de S. Martinho do Porto durante os meses de Agosto e Setembro.
O ambiente que se vivia nessa época era bastante diferente do que se vive hoje em dia. Nas décadas de 50, 60 e princípios de 70, S. Martinho era uma estância balnear muito frequentada para os níveis de então, mas que nada têm a ver com o que se passa nos dias de hoje.
Na última semana de Julho, em minha casa, já havia a agitação própria dos preparativos necessários à grande mudança para a praia e que culminavam no dia 1 de Agosto, com o transporte de todas as bagagens numa camioneta do armazém do meu avô Augusto. Para nós era nesse dia que começavam as verdadeiras férias.
As alterações aos nossos hábitos eram muitas e a simples deslocação durante 2 meses para uma localidade a 15 quilómetros de distância das Caldas era sempre uma aventura inesquecível. Após a instalação iniciávamos uma nova forma de vida, noutra casa e com outros amigos. Na verdade tinha amigos da praia até porque, embora se deslocassem algumas famílias caldenses para S. Martinho, a maioria dos meus colegas e amigos faziam praia na Foz do Arelho.
Quem hoje conhece S. Martinho do Porto só consegue vislumbrar parte do ambiente e da vivência da época a que me refiro. Nesse tempo, ainda a praia fazia bem às criancinhas, S. Martinho era frequentada por algumas famílias que se conheciam umas às outras.
As barracas da praia, alugadas pelos banheiros: José Augusto, Libório, Eduardo e João (este último era quem nos alugava a nossa) formavam uma única fila paralela ao chamado Paredão (muro que ainda hoje existe e que separa a praia do passeio da estrada marginal).
Só bastante mais tarde, com a vinda de mais veraneantes, se alterou a disposição das barracas.
As embarcações de recreio encontravam-se no areal da praia, em frente das barracas. Existia uma jangada com dois pisos ancorada na baía, de onde se mergulhava. Os cães iam para a praia e conviviam alegremente com os donos nas barracas.
Era expressamente proibido jogar à bola e o uso do biquíni pelas senhoras. O cabo do mar encarregava-se de fazer cumprir essas regras, sendo vulgar apreender bolas de futebol (biquínis julgo que não).
Recordo-me que era muito usual a constituição de grupos de jovens. Eu era uma criança mas lembro-me dos meus irmãos Luís e Graça fazerem parte de um grupo que, embora constituído informalmente e sem regras explícitas, acabou por durar muitos e bons anos.
Esse grupo divertia-se com o que era possível fazer nessa época, nomeadamente organizando festas em casa do Zé Valente, actividades desportivas e, imagine-se, um “autêntico” concurso da areia, com o espaço delimitado por cordas, júri, prémios, etc. Este concurso em tudo era igual ao verdadeiro mas com inspirações diferentes no que respeita às construções elaboradas, recorrendo muitas vezes a material sanitário como fontes de inspiração.
Na praia existia um único café, construído em madeira, que toda a gente chamava “TÁBUAS”.
Se a memória não me atraiçoa, tal café ostentava um tom verde bastante feioso e, garantidamente, não resistiria a uma breve investida da ASAE.
Para além deste café, os veraneantes eram servidos por muitos vendedores de bolos, barquilhos e gelados. Os outros locais de convívio eram o cinema, com duas classes de lugares (geral e plateia), sendo a geral constituída por cadeiras de madeira e a plateia por cadeiras com estofo e mais cómodas. Normalmente frequentava a geral, mas quando ia com as minhas irmãs sentávamo-nos na plateia.
O local mais frequentado, e que ainda hoje tem importância relevante, era a famosa “rua dos cafés” com as suas esplanadas sempre com gente e animação. Nessa rua existia, e julgo que ainda funciona, o chamado clube, onde no rés-do-chão se jogava ténis de mesa, bilhar e outros jogos e no primeiro andar, reservado a sócios, se jogava às cartas.
Alguns caldenses e ex-alunos do ERO frequentavam esta praia, tais como: o meu cunhado Zé Valente e a sua irmã Fátima, a Salete, a família Rosado Lourenço, a Cristina e os seus irmãos (entretanto falecidos, Victor e Zé Luís), o Luís Machado e a irmã Teresa, e outros que não recordo.
Os jogos mais frequentes na praia eram o futebol e o mata, bem como partidas de cartas (King, Sueca e Lerpa), todos disputados com elevado brio e alto nível técnico. Tenho ainda outras boas recordações de S. Martinho do Porto, o que é normal, pois lá vivi boa parte da minha juventude, com momentos inesquecíveis e, sei-o hoje, de felicidade e alegria.
Fazem parte do meu espólio de recordações pessoais, que gosto de preservar, até porque tiveram influência determinante no meu modo de estar e ser.
Nos 2 meses de férias esperávamos pacientemente que o tempo “levantasse”, tal como na Foz do Arelho.
Eram tempos bem diferentes dos que vivemos hoje, em que a escassez de outros divertimentos mais sofisticados nos “obrigava” a conviver mais, o que consolidou amizades que perduram até aos dias de hoje.
Foram, enfim, belos tempos de lazer e divertimento.
Oh Mário! Será que não tens acompanhado a "saga" do cinema de S. Martinho, para me vires assim desmentir? Só se foi com as irmãs mais velhas, mas duvido! Eu nunca vi um filme na plateia do cinema de S. Martinho, sendo tu a acompanhar-me ou não.
Quanto às paródias ao concurso da areia, há quem diga que foi por isso que deixaram de o fazer na praia de S. Martinho, com evidente prejuízo para a iniciativa e respectivos organizadores. A areia de S. Martinho pode ser muito arreliante, principalmente quando há vento, mas para construções na areia não há melhor. Eu que o diga que nunca ganhei senão prémios de consolação, no concurso a sério, claro. Isabel Xavier
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JJ disse:
Foi apanhada, a Isabel! Na plateia, com o maninho mais velho....Que desprestígio!
Mas quem conhece o Mário sabe que ele é assim, sempre muito concentrado e atento a tudo, calculista, perito em maquinações, dissimulado, traiçoeiro...(Pobre Mário, imagino o que não vai ouvir na próxima reunião familiar!)
E as memórias são assim, variando a cada testemunho, todas diferentes e todas verdadeiras. Como eu digo sempre, esta diversidade é a riqueza destas memórias colectivas.
Obrigado aos dois "Xavieres" pela sua disponibilidade e bom humor (com que então não se apreendiam biquinis?). Até à próxima. JJ
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Luisa disse:
Afinal vimos nestes últimos dias que havia muito para dizer sobre S. Martinho, muitos segredos, muitas saudades...
S. Martinho ou Foz, os locais importam pouco, o que importa é se lá fomos ou não felizes! Bjs aos "Xavieres" . Luisa
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Manuela Gama Vieira disse:
Devo dizer que tenho assistido absolutamente deliciada a todo este "filme", em S.Martinho do Porto, que intitularia de "Modos de ver...."
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AnaLuisa disse... Cada um lembra-se do que quer,somos donos das nossas memórias,ora essa!!!E estas notas soltas ficam bem neste filme de que fala a Manela e que vimos esta semana,porque como aprendemos na história do Jales a ordem não interessa - interessa é que lá estejam os acontecimentos todos.....
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Maria Fátima Gama Vieira
Sempre agradável visitar o site, é uma visita repleta de momentos maravilhosos,convivemos revivendo e sentimo-nos próximos. bem hajas João.
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Isabel Esse disse... Já aqui foi dito (e vejo aqui repetido pelo Mario) que a ausência de tecnologia (e de dinheiro!!) aguçava o engenho em busca de distracções e fortalecia as amizades e relações pessoais. Tenho a mesma opinião, mas sou muitas vezes chamada de retrógrada por a pronunciar....
É sempre um prazer ler estas memórias (que são comuns a várias gerações) Isabel S
Esta não é a primeira mensagem que recebo com insinuações e interrogações sobre a verdadeira identidade do misterioso jovem que está na foto que me enviou a Ana Nascimento (e que está no artigo imediatamente anterior). Mas esta implicou um trabalho que me deixa surpreendido e me faz pensar, será que...
Encontrei o vosso blogue por acaso. Andava à procura de histórias sobre dançarinos ignorados a fui ter aos antigos alunos do Externato Ramalho Ortigão. Vocês não calculam quantos talentos andam por aí. Já tenho uma colecção impressionante. Graças ao vosso blogue, a minha colecção tem aumentado bastante nos últimos tempos. Mas agora quero contar-vos a surpresa que tive. Olhei para a fotografia colocada há dois dias e tive logo uma supeita. A princípio, porém, nem queria acreditar. Podia lá ser? Observei melhor. Aumentei a imagem. Não havia engano. Era mesmo. No meio daquelas meninas todas, com o seu eterno ar sério, empenhado, mas um pouco distraído. De bóia, na Foz do Arelho. Fantástico. Quem diria? No blogue diz-se que não pertencia ao grupo, que foi apanhado por acaso. Quase de certeza foi. É o costume. Ele só se deixa apanhar por acaso. Então resolvi tirá-lo de lá. Não fazia sentido que continuasse ali assim, apanhado. Gostaria de vos oferecer então a foto verdadeira. Sem ele, pois.
Mas temos de ser justos. Ele passou por ali, de bóia. Portanto também faz parte do blogue. É por isso aqui fica, também. Mas fica sozinho. Apanhado. Alguém sabe quem é, qual o seu verdadeiro nome?
Da esquerda para a direita – Paula Nascimento, Guida Nascimento,
Rita Bonacho, Gaby Bonacho e a Mami (Marta Figueiredo). O miúdo com a bóia não pertencia ao grupo, foi apanhado por acaso
Agosto de 1969
Estamos na Foz do Arelho …. são 10 horas … há sol… o mar está calmo e o banho irresistível…
Ouve-se o pregão da Sra.Guilhermina:
-“Há bolos da Frami “
Logo seguido pelo do Justiça:
“Vai já, vai já!Olha o Rajá fresquinho…. há frut'ó chocolate…. Olha a bola de Berlim e o pastel de nata….Vai já, vai já!”
Aqui e acolá, entre o mar e a lagoa, pequenos grupos de banhistas desfrutam desta manhã sem nevoeiro
Julho de 2008
Estamos na Foz do Arelho…. são 10 horas… há sol …. o mar está calmo e o banho irresistível….
Não se ouvem pregões…. as bolas de Berlim e os pastéis de nata só existem nos bares…
A praia está repleta de gente … como iremos encontrar os banhistas de 1969 no meio desta multidão ? Onde estarão as manas Bonacho, as manas Gama Vieira ?
Apareçam e venham desfrutar desta manhã sem nevoeiro…..
João Jales disse: Lembro-me perfeitamente da Guilhermina e do Justiça a vender bolos, gelados, percebes, pevides, etc., na praia. As Bolas de Berlim vinham polvilhadas com mais ou menos areia, conforme as condições climatéricas.
O Justiça gritava o seu pregão "Vai já, vai já" com uma urgência que sugeria estarem vários clientes a reclamar os seus serviços simultâneamente, o que raramente, ou nunca, era o caso. Mas eu, ao ouvi-lo ao longe, parecendo tão atarefado, temia sempre que se tivesse esgotado o bolo que eu queria antes de ele chegar à minha barraca...
Manuela Gama Vieira disse: Só vos digo, em manhãs de nevoeiro, ainda que nas Caldas estivesse um sol radioso, constituía tarefa árdua...convencer meus Pais a ficar na praia! Hoje até concordo com eles, mas naquele tempo não havia vento nem nevoeiro que nos demovesse de desfrutar de uma manhã de convívio com colegas do ERO. Têm dúvidas? A actual foto do blog ilustra isso mesmo! A escolha musical do João Jales, primorosa como sempre!!!
Júlia disse: "Vai já, vai já!" Uma Bola de Berlim agora (meia-noite...), se calhar não caía muito bem! Mas este ano no Algarve, lá no Vau, havia Bolas de Berlim e eu comi uma. Mas as do nosso tempo eram melhores e lembrei-me, inclusive, da chegada dos tabuleiros com aquelas Bolas maravilhosas, no Colégio, com a Menina Alda a não dar conta do recado, connosco quase todas a pedi-las ao mesmo tempo no intervalo. Aí disse: minhas ricas Bolas ao pé destas! Mas ainda bem, porque assim não voltei a tentar-me...
Já consegui escrever este postal com ajuda dos meus pais. Fiz uma cópia ao lado e vai com linhas, senão não sou capaz.
Cá estamos outra vez na Foz do Arelho. Da esquerda para a direita a Ciló, a Anico, o Janeca, que dizem que é meu gémeo, porque nasceu no mesmo dia do que eu, eu (caíu-me um dente ontem, não doeu nada), o Té, o Rogério (Geroca, como vês continuamos amigos) e um menino que não me lembro o nome.
Estamos em cima de um colchão de praia que está mais vez na areia do que no mar, é como já disse, aqui é perigoso.
Acho que à noite as minha mãe e as amigas vão ao Casino. É o baile do 15 de Agosto. Gosto de a ver arranjar-se. Eu só conheço o Casino das matinés de Carnaval. É bonito.
Os correios andam sempre atrasados, o postal do 15 de Agosto da Guidó só chegou hoje. Alguém reconhece o menino em falta na identificação? Penso que é possível, apesar do nevoeiro...
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Ana Luisa disse... Mas qual Té? Só conheço o Milhomens e não me lembro nada dele assim!
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Guidó respondeu:
Ana Luisa: Alguém me disse que era ele, mas não me lembro quem. Também não estou certa. Alguém pode dar uma ajuda? O próprio talvez. bj Margarida
Nesta fotografia estou eu e a Isabel (ao meio) com os avós e os primos que vinham invariavelmente passar umas feriazinhas connosco!
Esta outra (só com os primos) foi tirada no mesmo dia. Podes escolher qual preferes publicar.
As fotografias são de 1968 e o local é a Foz do Arelho.
São Caixinha ...............................................................................................................................................
C O M E N T Á R I O S
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JJ disse:
A São mandou-me escolher, mas eu preferi publicar as duas fotografias. Gostei de relembrar as "barracas" da FNAT, às riscas, contrastando com as outras, que eram todas brancas.
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J. Serra disse:
Não me recordava das barracas da FNAT, mas lembro-me bem de termos que decidir se a barraca ficava de costas para o mar, tentando proteger os seus ocupantes da nortada. Nas praias da região, S. Martinho ou Nazaré, não vi essa prática: todas as barracas estavam aqui de frente ou perpendiculares ao mar. Lembro-me daqueles bancos de madeira que, com o tempo, ficavam de cor cinzenta escurecida. Podia pedir-se ao banheiro que providenciasse a barraca com uma mesa, no caso em que se alugava barraca por todo o dia e havia almoço a servir.
A fotografia dos avós da São é um mundo inteiro que evoca. Lembro-me bem de um dia também termos tido, na Foz, a visita dos meus avós que ali permaneceram, com obvio desconforto, dentro da barraca todo o dia, ele de gravata e ela de vestido comprido. J. Serra
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Manuela Gama Vieira disse:
Um pormenor relativamente ao posicionamento de uma das barracas - "de costas" para o vento, provávelmente...Mas como dizem os amantes da Foz, a Foz é assim mesmo, sopre ou não o vento!
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São respondeu:
Que engraçado, já nem me lembrava que te tinha enviado as fotografias da Foz do Arelho com os avós e os primos! Como sempre soubeste esperar pelo momento oportuno, visto que se enquandram muito bem na estória de família do João Serra, que a propósito, adorei ler.
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Joao disse... Como o João Serra diz , e bem , é um mundo que julgávamos desaparecido que de repente aparece perante os nossos olhos . Venho pouco ao blogue , ainda não descobri se as alegrias que me dá pagam as saudades que me deixa ... O Ana Karenina e o Verão do João Serra são dois bons momentos desta série das férias mas apareceram poucas fotografias, não foi ?!
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Manuela G. V. respondeu ao João:
Caro João:
A SAUDADE, salvo melhor opinião - v.g. a sua - só pode estar associada a épocas da vida, pessoas e factos que nos fizeram felizes, pelo que vir ao Blog do ERO só poderá constituir um misto de SAUDADE e ALEGRIA.
O que não nos deu felicidade e alegria,não traz SAUDADE!Concorda?
A primeira fotografia não é uma foto de férias porque em 1955, embora já trabalhasse, não tinha direito a essas mordomias. Foi tirada num fim de semana na estrada da Foz, próximo ao cruzamento do Penedo Furado. Ao meu lado esquerdo está a minha irmã Adelina, e à direita, a Lizete (já falecida) que foi a minha primeira namorada a sério. Se o Carlos João da Paulinha Pardal é a pessoa que penso, deve lembrar-se dela, pois coabitámos o prédio que o avô dele possuía na Rua Bordalo Pinheiro.
A segunda e a terceira já são de férias. Estávamos em 1967 e, como possuía um Fiat 600 comprado no ano anterior, dava-me ao luxo de passar 15 dias no Parque de Campismo de Monte Gordo. .
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Naquele tempo, atravessar o Alentejo e a Serra do Caldeirão era uma aventura, mas não havia outra alternativa.
Boas férias para todos.
Fernando Santos.
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COMENTÁRIOS
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São Caixinha disse:
Quero ainda agradecer ao Fernando o ter partilhado as interessantes fotografias das férias...e do tempo livre... da sua juventude. Não sei realmente quanto grande seria a aventura de uma viagem para o Algarve nesse tempo...(naquelas estradas e naqueles automóveis...) mas lembro-me que em criança era já aventura que chegasse ir visitar os meus avós a Porto de Mós... que naquele tempo só me conheciam pálida e enjoada...!!! Bjs São X
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Anónimo disse:
É giro como já havia tanta gente a visitar o Algarve nesta altura! tinha a ideia que só nos anos 80 tinha sido a grande invasão, mas pelos vistos os caldenses adiantaram-se. Não me lembro do Fernando, mas pelas fotos é mais velho do que eu. boas férias.
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João Jales disse:
Fui pela primeira vez ao Algarve em 68 ou 69, não posso precisar, mas sei que a estrada era péssima e demorámos 7 ou 8 horas a chegar a Portimão, trajecto que hoje faço em menos de 3 horas.
O Fernando, como aqui já foi dito várias vezes, não foi aluno do E.R.O. e, embora sejamos hoje todos da mesma idade, ele é um pouco menos do que os outros... Mas tem sido um colaborador empenhado, escreve com facilidade e tem material que nos ajuda na nossa tarefa de retratar uma época, como é mais uma vez o caso.
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José Luis Reboleira Alexandre disse:
O Fernando Santos não foi aluno do ERO nem da Bordalo Pinheiro mas as ligações às Caldas são tantas que é presença agradável nos dois blogs, mais naquele do que neste. Ao ver a foto do campismo de Monte Gordo, vieram-me recordações da minha segunda viagem ao Algarve, penso que em 1977, aqui já com direito a uma barraquinha para dormir, e à viagem num FIAT 127 alugado, pois o meu carro da altura, um glorioso FIAT 850 Coupé Sport, com motor atrás, tipo Porsche, comprado em segunda mão em Turquel por 15 contos, e re-vendido pouco tempo depois, não teria sobrevivido aos calores do Alentejo. O pobre que até para vencer a subida dos moinhos do Chão da Parada sofria não teria certamente chegado a Beja. Era na altura em que na Volta a Portugal havia a equipa da Caloi que falava brasileiro, e a minha priminha de Manaus, de cada vez que encontrávamos a Volta queria por força tirar uma fotografia ao lado dos ciclistas. Quer queiramos quer não, a nossa vida de hoje é cada vez mais as nossas boas recordações de ontem, e há que guardá-las e mantê-las bem vivas. Abraço
J.L. Reboleira Alexandre
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João Ramos Franco disse: Tenho lido atentamente a tua colaboração no Blog e sinceramente tenho gostado. Deves ser 6 ou 7 anos mais velho que eu porque, no que escreves, citas amizades tuas que têm mais ou menos essa diferença de mim.
Escrever sobre os locais que nos foram comuns mas em épocas diferentes às vezes é difícil, mas não é este o caso, as coisas no nosso tempo não andavam tão depressa. A Foz do Arelho de 1955, recordo-me deste cruzamento assim, quanto ao Algarve os mesmos locais que mostras nas fotografias também eram iguais em 1963. Se saiste de Caldas só por volta de 1960 é bem provável que me conheças, só que eu não me recordo de ti, precisava de mais pistas. Um abraço João Ramos Franco
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Vasco disse:
informação - A primeira fotografia foi tirado no posto de abastecimento de combustiveis, conhecido como o Patricio, e do qual recordo a bomba manual que servia para abastecer autos, barcos etc.Tinha um dispositivo que permitia misturar óleo na gasolina, quando fosse o caso. A casa do lado esquerdo ainda lá está. devidamente recuperada (Casa Branca) onde no verão se juntavam muitos amigos que faziam o mesmo que todos os outros , na altura : pesca, ski, remo, praia, jogose, á noite, caçar gambuzinos. Tudo isto na 2ª metade da decada de 60.
O melhor do Verão era o futebol jogado no imenso areal da Foz do Arelho. Quando mais novos e ineptos, entusiasmávamo-nos com os nossos, incitando-os e aplaudindo-os. Espreitávamos a nossa hipótese de suplentes, o atraso de um titular, a indisposição ou cansaço de outro. Chegado o nosso tempo, entregávamo-nos com alegria e entusiasmo àquele jogo magnífico, suando, esfolando os joelhos no areão grosso, manchando de vermelho o peito do pé ao descarregar a bola com mais força contra o vento norte.
O melhor do Verão era o nevoeiro que cobria as manhãs da praia da Foz de Arelho, por vezes tão húmido que trespassava os camisolões impostos pelo zelo maternal. Por detrás dele, esperando pacientemente, estavam as coisas do mar: a espuma das ondas, os barcos de pesca, os veleiros na linha do horizonte, as gaivotas aparentemente perdidas, as ilhas de aventura. Na costa, libertando-se pouco a pouco dos fantasmas de bruma, vigiando cada um o seu espaço próprio de areia e água, o palacete Almeida Araújo e o Hotel do Facho.
O melhor do Verão eram as ondas altas e vigorosas da praia da Foz do Arelho, às quais fazíamos frente com determinação e com respeito. O melhor do Verão eram as pequenas praias de rocha e areia húmida que a baixa mar por vezes descobria, a seguir ao Facho. Em alternativa, o melhor do Verão podia ser a corrente, serpenteando lenta, antes de virar rápida e traiçoeira, da Lagoa, onde aprendíamos a nadar, e a sua praia preguiçosa onde se podia ficar até ao pôr do sol.
O melhor do Verão eram os picnics na praia da Foz do Arelho, as bolas de Berlim e os bolos de arroz, as sandes de carne assada ou de presunto, os ovos cozidos, as frutas que as nossas mães insistiam em descascar, os sumos trazidos de casa, as laranjadas Canadá Dry.
O melhor do Verão eram as noites da Foz do Arelho: no café Caravela, com aqueles que tinham casa alugada, onde se lia e comentava o Cavaleiro Andante e se combinavam os pontos de encontro para o dia seguinte, depois de contar e recontar até a saciedade os episódios fantásticos do dia que passara; ou nas varandas e salões de convívio da FNAT, com os que vinham passar o turno de 20 dias na colónia de férias, onde se lia e comentava o Cavaleiro Andante e se combinavam os pontos de encontro para o dia seguinte, depois de contar e recontar até a saciedade os episódios fantásticos do dia que passara.
O melhor do Verão eram os amores de Verão na Foz do Arelho, consumados ou não, imaginados ou não, mas sempre presentes, nos olhares que percorriam os corpos, nas palavras que convidavam, nos passeios de descoberta e no desejo que, por tentativa e erro, aprendíamos a expressar.
O melhor do Verão era evidentemente a Foz do Arelho.
Este texto foi originalmente publicado na Gazeta das Caldas e faz parte da recolha de crónicas do autor, "CONTINUAÇÃO", editada por esse jornal em 2000. O João fez notar que, dez anos depois de escrito, o título deveria ser "Verão de Há Quarenta e Cinco Anos", mas acabei por manter o original.
Alguns anos atrás perguntei a um Prof. (do curso de Informática), qual o melhor Sistema Operativo e obtive a resposta “é aquele que estás habituado a utilizar”. A Foz do Arelho é a melhor para ele, faz parte de uma imagem da sua juventude, que estará presente na sua memória, penso que para sempre. Pode não ser o melhor para todos, mas para ele “O melhor do Verão era evidentemente a Foz do Arelho”. Talvez esta frase se aplique ás memórias que a Foz do Arelho deixaram nele e que, depois de ter conhecido muitas praias ,volta sempre lá. "A partir de um certo ponto em diante já não há nenhuma volta atrás. Esse é o ponto que deve ser atingido"Franz Kafka . .
João Jales disse:
O melhor da Foz do Arelho é a nossa memória do Verão lá... Será verdade ou será o texto do João que me faz pensar que nada poderá ser novamente tão bom como ele aqui descreve?
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Vasco Batista disse:
é mesmo assim, a Foz é a Foz de sempre e hoje continua igual a si mesma com espaço para tudo o que queiramos imaginar. Está nortada? é a Foz; está o mar bravo? é a Foz, a àgua está fria pois está, mas de outra forma não seria a Foz. Fotografias tenho e vou mandar, mas só depois de abalar da Foz. VB
. Manuela Gama Vieira disse: Da Foz, boas recordações, apesar de, confesso, aquele nevoeiro, a nortada(?) marítima, a água do mar gelada, brrrrr....
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Luis António disse:
Trinta e cinco ou quarenta e cinco anos? Cinquenta e cinco ou vinte e cinco ...Quinze ou cinco anos, a Foz é sempre assim... os miúdos que lá andam é que já não somos nós!!!
Esse livro que tem essas crónicas ainda está à venda, oh JJ?
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Isabel Caixinha disse:
Gostei muito de ler o Verào de há trinta e cinco anos, escrito pelo Bonifácio. Tal e qual como ele descreve, e que prazer de leitura , o melhor do Verão é mesmo a Foz do Arelho.
Não sei bem como isto acontece, mas estes Mágicos Verões voltam a acontecer cada ano. Até a música parece que foi escrita com a Foz do Arelho em mente... "Sealed With A Kiss"!
- Sim, a Anna Karenina suicida-se no fim do livro, mas eu penso que mais por causa das críticas da sociedade do que por remorsos…
Foi com esta ideia, e estas palavras, que iniciei um provavelmente pretensioso resumo do famoso livro de Tolstoi, que um preguiçoso Julho de 1969 me tinha permitido ler. O Agosto estava mais preenchido e prometedor, como mostravam os luminosos olhos da Lucha, que me analisavam, enquanto ela ouvia as minhas impressões sobre o livro.
Conhecera-a na véspera. Como a sua família tinha casa na Foz há já alguns anos, tinha-me cruzado várias vezes com ela ao longo dos anos sem a ver; mas aos quinze anos as garotas crescem dez anos entre dois verões, e este ano eu tinha-a visto… Na véspera a Ana, amiga comum, tinha-nos deixado à beira-mar a conversar e hoje já estávamos aqui os dois, perto da bandeira, representando um para o outro os dois adultos intelectuais que ambos fantasiávamos ser.
- Tens que me emprestar esse livro, só trouxe de Tomar umas revistas – respondeu a Lucha, “pendurada” nas minhas palavras sobre os amores adúlteros de Anna.
Eu tinha desistido da habitual futebolada junto à aberta para ficar aqui, hipnotizado por aqueles difusos olhos azuis… verdes… ou cinzentos… a minha falta de visão deixava-me na dúvida e obrigava-me a uma aproximação talvez exagerada da minha interlocutora, que ela parecia não estranhar nem recear.
Sou muito míope desde os dez anos, idade em que comecei a usar sempre óculos. Mas não na praia, onde esses incómodos adereços deixam brancas marcas indeléveis no carregado bronzeado da Foz do Arelho (dizia-se na altura que esse intenso “bronze” era da praia ter muito iodo, sabemos hoje que eram a névoa e o vento que nos permitiam estar horas sem fim ao Sol sem uma rápida sensação de desconforto). De qualquer forma a ausência dos óculos transformava a realidade circundante, melhorando-a, não me permitindo ver as imperfeições e obstáculos (eu pisava invariavelmente a nafta que ficava na linha da maré alta, chegando sempre a casa com os pés “alcatroados”) ou obrigando-me, como era o caso, a ter o nariz em cima do que queria ver bem. Ainda hoje tenho esse hábito, não usar óculos na praia, e estranho muito quando, com eles postos e no pleno uso das minhas faculdades visuais, visito as praias que frequento habitualmente, descobrindo sujidade na areia, horríveis construções nas arribas, atentados arquitectónicos variados e a celulite da maior parte das veraneantes que se passeiam em trajes reduzidos. O mundo é muito mais belo visto através do manto diáfano da miopia, acreditem.
Continuámos a falar dos clássicos russos, com que o meu Pai este ano me enchera a estante do quarto, embora eu ainda só tivesse lido A Mãe de Gorky e algum Tolstoi. Dostoievsky (Os Irmãos Karamazov, Crime e Castigo) aguardava a sua vez, talvez lá mais para o Outono.
Entretanto era quase meio-dia, decididamente hora de ir ao mar, mas a zona de banho estava invadida pelo Dr. Calheiros Viegas, orientando com um apito as matronas caldenses no seu banho terapêutico, que incluía mergulhos, gargarejos e inalações. O habitual bando de garotos rodeava-o, divertindo-se a aliviar disfarçadamente as bexigas na água em que ele realizava estas manobras em prol da saúde orofaríngica.
Algumas amigas da minha irmâ dirigiam-se para o banho como se preparassem uma travessia Foz do Arelho-Berlengas. Com as toucas postas, constituíam um espectáculo inolvidável!
Os “futebolistas” tinham entretanto terminado o derby e mergulhavam ruidosa e espalhafatosamente nas ondas, brancas com a espuma da rebentação (quem não gosta de ondas vai para S. Martinho, o ”bidé das marquesas”, como é aqui conhecida a baía). As raparigas que, pressentindo a sua chegada, se tinham entretanto também aproximado da beira-mar, fingiam-se indignadas com os salpicos de água fria ou por serem levadas ao colo para dentro de água. A escolha das vítimas destes actos não era inocente, e configurava verdadeiros rituais de acasalamento dos adolescentes envolvidos, o desenrolar do Verão iria mostrá-lo.
A combinação da turma de ginástica aquática com as previsíveis “bocas” a que iria ser sujeito por parte dos meus amigos, ao ir ao banho com uma nova companhia, fizeram-me olhar para as rochas. Do lado oposto à “aberta”, a maré baixa, como era o caso hoje, deixa até seis pequenas praias consecutivas, em que a ondulação é quebrada por anéis de rochedos circundantes, proporcionando pequenas baías naturais que quase parecem piscinas. Normalmente duas ou três estão acessíveis, só nas marés vivas é possível chegar à sexta.
-Queres ir às rochas tomar banho? – perguntei
-A maré está a encher ou a vazar? Temos que ver se dá para passar – respondeu ela.
E lá se deixou convencer, sem grande esforço, a acompanhar-me nessa excursão, fingindo até algumas pequenas surpresas com anémonas, polvos e peixes que lhe fui mostrando e que ela, como veraneante habitual, deveria conhecer perfeitamente. Teve até dificuldades (in)esperadas para ultrapassar alguns obstáculos, obrigando-me a auxiliá-la, enquanto explorávamos a verdadeira maravilha que são, efectivamente, “as rochas”.
Algumas colegas do ERO, um pouco mais mais velhas que eu, posavam para uma fotografia enquanto aproveitavam, como nós, os prazeres do local. Ficámos um pouco a olhar para elas, mas não nos ligaram qualquer importância, aparentemente mais interessadas, quais sereias, em encantar a fotografia (ou o fotógrafo, não sei).
Depois do banho e uns poucos minutos ao sol voltámos, a maré subia e podia tornar efectivamente perigoso o regresso.
As “bocas” habituais nestas circunstâncias, que tinha evitado indo tomar banho longe dos meus amigos, tinham sido apenas adiadas, já que o regresso ao nosso poiso habitual foi seguido por vinte ou trinta pares de olhos e igual número de línguas afiadas, que nos esperavam no local habitual, junto à bandeira e à bóia do ISN. Não pareceu nada intimidada a Lucha, que ficou entre eles, enquanto eu fui negociar à barraca familiar a permanência na Foz até ao final do dia, em vez do regresso com eles para almoçar nas Caldas. Apesar da praia ser grande, as pessoas são poucas e a bisbilhotice muita, pelo que o meu pedido foi recebido com largos sorrisos…
-Então não ias jogar ténis hoje?
-Amizades novas?
-Não te vi no banho…
Ignorei, claro. Concordei que, se perdesse a última camioneta, às seis e meia, deveria telefonar do Hotel do Facho para o meu Pai me vir buscar. E regressei ao grupo, entretanto reduzido, a maioria tinha ido almoçar a casa. Os “donativos” da família, amigos e vizinhos de barraca, tinham-me garantido várias sandes, fruta e sumos, que fomos comendo durante a tarde, sempre em pequenas quantidades, para poder ir tomando sempre banho.
O gravador/leitor de cassetes portátil da minha irmã, uma novidade na altura, tocava incessantemente baladas românticas que eu gravara para ouvir nas férias: “Hello How Are You”, dos Easybeats, “Melody Fair” dos Bee Gees…
...ainda me lembro do conteúdo da fita. Que, nessa altura, era monofónica e com pouca qualidade. Só dois anos depois, em 1971, os aparelhos de cassetes estereo revolucionariam definitivamente a nossa forma de ouvir música.
- Não sei onde pus as uvas…
-Espera, parece-me que estão aqui.
Uma desajeitada oferta de fruta acabou num entrelaçar de dedos, e depois mãos, supostamente com discrição sob a toalha de praia, mas realmente motivo de atenção e galhofa entre todo o grupo presente. O Verão é muito curto, todas as cerimónias da corte têm que ser abreviadas e as reservas, normalmente femininas, devidamente atenuadas, não temos nesta altura longos meses de Inverno pela frente…
E o Verão é mesmo muito curto! Os dias na Foz eram passados em intermináveis conversas sobre a chegada da Apollo 10 à Lua (tinha sido em Julho, incredulamente encarada por alguns) mas também sobre os últimos discos dos Beatles ("Get Back", "Ballad Of John And Yoko"),especulações sobre se o lançamento do single "Give Peace A Chance" por John Lennon no princípio de Julho prenunciava o fim dos Fab Four (prenunciava mesmo). "Mais populares que Jesus Cristo" os Beatles eram um assunto importante, nunca antes ou depois um grupo musical teve tal influência na forma de viver, pensar, vestir e agir da juventude. Eu esperava ansiosamente a saída do LP "Abbey Road", anunciada para Setembro.
Tenho uma ideia de tentar perceber, das conversas dos mais velhos, o que significavam as demissões de De Gaulle em França e Dubcek na Checoslováquia, amplamente relatadas na imprensa nacional, sempre empenhada em mostrar a "agitação" que se vivia no estrangeiro por contraste com a "paz e ordem" nacionais. A RTP tinha dedicado um "Títulos de Caixa Alta" precisamente à Checoslováquia, onde pela primeira vez ouvi o "Hino a Jan Pallach", uma canção da ultra-direita portuguesa (normalmente pouco dada às artes musicais...). Tudo isto era tema de conversa no círculo dos meus pais, mas eu era novo de mais para compreender o que se passava.
Soube, com espanto, que a minha Mãe tinha simpatias monárquicas quando a ouvi, nesse Verão, aplaudir a nomeação, por Franco, de Juan Carlos para seu sucessor. Para mim, isso dos reis era coisa do passado. Para o meu Pai também, pelo que fiquei a conhecer "ao vivo e em estereo" os diversos argumentos da polémica monarquia/república.
A falta de mais encontros, apenas a dois, entre mim e a Lucha era substituída por longos olhares, mudos mas supostamente significativos (que eu imitava dos filmes do Omar Sharif, muito em em voga na altura), mas havia sempre alguns momentos de ternura roubados ao convívio do grupo (que reagia sempre mal e de forma ciumenta aos namoros externos, que lhe roubavamm unidade e estabilidade).
À festa de anos da Lucha desse ano foram alguns dos meus amigos, aumentando uma lista já muito sobrecarregada de convidados. Mas isso não pareceu perturbar a sua família, cosmopolita e habituada a receber, que se mostrou até agradada com o acréscimo de animação que nós levámos à festa e ao baile, para o qual contribuí, como habitualmente com a minha colecção de singles e EPs (os LPs, os poucos que tinha, não os levava a festas, em resultado do que ainda hoje os posso ouvir).
Houve ainda algumas, poucas, noites em conjunto no Casino. Mas tudo acabou no final de Agosto.
Em Setembro fui para Mondim de Basto, em Trás-os-Montes, e só regressei às Caldas uns dias antes do reinício das aulas. Três semanas a banhos no Tâmega e a tentar ler “clássicos”, que abandonava um após outro. Com o coração destroçado, como só é possível aos quinze anos, só a sugestão da minha tia Teresa para ler Pitigrilli me tirou desse bloqueio. Não sei com que prazer leria hoje “A Decadência do Paradoxo”, mas esse livro salvou a minha vida em Setembro de mil novecentos e sessenta e nove! Juntamente com as cassetes que levei para mostrar aos meus primos as novas músicas que me apaixonavam: Beatles, Jimi Hendrix, Cream, Jefferson Airplane, Byrds, Bob Dylan , Leonard Cohen … sempre Cohen, que ainda hoje ouço, e leio, em todos os momentos de solidão ( With Annie gone / Whose eyes to compare / With the morning sun / Not that I did compare / But I do compare / Now that she’s gone ).
Uma longa carta para o meu amor de Verão não tinha recebido qualquer resposta, mas ao regressar às Caldas obtive um número de telefone que me permitiu saber que a sua família passava este final de férias em S. Pedro de Moel.
O meu Pai, que só reabria o consultório em Outubro, condoído pelo meu sofrimento (ou farto de aturar um adolescente insuportável), ofereceu-se para passar um dia nas famosas piscinas de S. Pedro. Acompanhados pelo meu amigo Tó Zé Hipólito, lá fomos os três no Citroen DS, mania e orgulho do meu Pai, que teve sempre carros desses enquanto conduziu. E que muito satisfeito ficou com os elogios do Tó Zé, eterno amante de automóveis, à excelente suspensão do Citroen, que nos permitia circular no péssimo piso da florestal do Pinhal de Leiria como se estivéssemos numa auto-estrada.
Havia pouca gente na piscina, nessa manhã já de Outono, e da Lucha nem sinal. Almoçámos no restaurante do complexo e deixámos o meu Pai a ler o seu “Primeiro de Janeiro” (hábito de homem do Norte), enquanto fomos ao Bambi, um café existente no parque, onde nos tinham dito que "toda a gente" ia tomar café depois de almoço. Mas também aí não tivemos sorte e regressámos para dar um último mergulho. Subitamente o Hipólito puxou-me o braço:
-Olha a Luxa, ali sentada naquela espreguiçadeira!
Eu olhei e vi-a, até me pareceu que lia o “Anna Karenina” que eu lhe emprestara! Com o coração aos saltos, descalcei-me e despi-me, ficando apenas com o fato de banho, entreguei a trouxa ao meu amigo e corri para a Luxa. Lá chegado disse:
-Ainda não acabaste o Tolstoi ? Que é que tens andado a fazer?
Mesmo sem óculos, mal ela levantou a cabeça, percebi que aqueles olhos negros não eram os da Lucha (e o livro era da Pearl Buck, muito popular na época, como vi mais tarde). Sem saber bem o que dizer, embrenhei-me numa titubeante desculpa em que referia o empréstimo de “Anna Karenina” a uma amiga. A Teresa, soube entretanto o seu nome, conhecia a obra e sabia até haver um filme, que terminava em suicídio da heroína por causa dos seus sentimentos de culpa. Subitamente interessado, sentei-me na cadeira ao lado e, mergulhando lentamente naqueles olhos negros, comecei a contar-lhe:
- Sim, a Anna Karenina suicida-se no fim do livro, mas eu penso que mais por causa das críticas da sociedade do que por remorsos…
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O Blog não é apenas constituído pelos últimos posts, mas por todos os textos e fotos que podem continuar a ser visitados e comentados por todos: os que nos seguem desde o início e, principalmente, os que só o conheceram recentemente.
A "Breve História do Colégio" é um exemplo, uma série de três posts sobre a história do ERO que está constantemente na lista dos "mais visitados".
DIÁRIO - 9 DE JUNHO , certamente pela coincidência do mês, tem sido alvo de muitas visitas e até de novos comentários.
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. "Martel tratava de recuperar o passado tal como tinha sido, sem as desfigurações da memória. Sabia que o passado se mantém intacto em algum lado, em forma não de presente mas de eternidade: o que foi e continua a ser ainda será o mesmo amanhã, tipo a ideia primordial de Platão ou os cristais do tempo de Bergson…." …
"Nunca deixou de pensar, disse-me Alcira, que o passado estava intacto nalgum sítio , talvez não na memória das pessoas , como poderíamos supor , mas fora de nós, num lugar impreciso da realidade."
Há álbuns diferentes porque cada fotógrafo publicou o seu .
A Guidó, habitual cronista pictórica destes encontros, faltou desta vez.
JANTAR DOS AMIGOS DA FOZ DO ARELHO
A HISTÓRIA DO ERO
Vários visitantes têm mostrado interesse em ler a história do Externato Ramalho Ortigão que o Blog publicou mas revelam dificuldade em encontrar os artigos.
Relembramos que temos uma caixa de busca onde podem escrever o que procuram mas aqui estão, por ordem cronológica, os três posts que procuram.
Nem sempre é fácil perceber a lógica de funcionamento de um Blog. Vamos tentar ajudar. 1-Os artigos estão colocados por ordem cronológica invertida, sendo o 1º artigo que aparece o mais recente. Se houver artigos que "respondem" a outros, é preciso começar a ler de baixo para cima para seguir a sua sequência.
2-Só os artigos mais recentes estão na 1ª página, os anteriores estão nas páginas seguintes. Para ver TUDO basta ir clicando em "mensagens antigas" no fim de cada página, como se folheasse um jornal.
3-Todos os artigos estão no ARQUIVO DO BLOGUE , que é um índice colocado aqui em baixo. Está organizado por meses, basta clicar sobre o nome do artigo para ele abrir.
4 - Podem também fazer busca por temas. Basta ir às "ETIQUETAS" e clicar sobre o assunto que procuram. Aparecerão todos os artigos relacionados. Ou colocar uma palavra ou nome em "PESQUISAR NESTE BLOG".
6- Por vezes as ilustrações dos artigos são pequenas e não permitem um bom visionamento. Se clicar com o rato sobre elas, poderá vê-las no seu tamanho original. Use depois o botão de retroceder para voltar ao Blog.
7- As fotos anunciadas (almoço 17-11 , 200 fotos de arquivo,etc.) podem ser vistas mas também descarregadas e guardadas no vosso computador. Não sabem como? Escrevam para ex.alunos.ero@gmail.com
9-Os comentários dos visitantes são, para nós, FUNDAMENTAIS. Clique em comentários, verá abrir uma pequena janela, escreva o texto e depois confirme. Problemas? Escreva o comentário e envie num email para
ex.alunos.ero@gmail.com que nós tratamos do resto.
10 - Nesta banda lateral, que está a ler agora, tem notícias, informações avulsas, avisos, apelos, sondagens, contador de visitas, links para ver e descarregar as fotos, blogs e sites relacionados connosco.
A ordem de tudo isto é aleatória, conforme o que nos parece mais relevante no momento.
Podem usar este espaço para assuntos pessoais como pedidos de contactos, troca de selos, oferta de gatos, o que quiserem. Basta mandar um email para: ex.alunos.ero@gmail.com
"VALE A PENA ESTAR DE OLHO NESTES BLOGUES"
C I T A Ç Õ E S
"AS CITAÇÕES SÃO UMA FORMA DE A GENIALIDADE DOS MORTOS MASCARAR A IMBECILIDADE DOS VIVOS" (Pitigrilli)
A nossa colega Nani Barosa recebeu uma condecoração