ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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O Dr. João Vieira Pereira; A Exemplaridade De Uma Vida

por Mário Gonçalves


O Dr. João Vieira Pereira, recordado e solenemente homenageado no centenário do seu nascimento, foi um Médico que reuniu em si um amplo conjunto de qualidades que reconhecemos como o modelo referencial. No dia 2 de Setembro de 1908 nasceu o que viria a ser um Homem Bom que como tal se revelou bem cedo logo quando fez a opção pelo exercício da Medicina sobretudo inspirado “ pelo encanto que lhe despertou a vida dos Médicos que conheceu, não só pelo desinteresse material da vida mas pelo espírito de sacrifício e pela bondade que o Médico tinha ou parecia ter”. Foi com este chamamento que o Dr. João Vieira Pereira traçou todo o seu percurso de vida: a hombridade foi o seu atributo, cumprir a vocação a sua elevada exigência, conferindo-lhe um sentido de dádiva que foi preenchido com generosidade, abnegação, solidariedade, com verdadeira devoção.A ligação do Dr. João Vieira Pereira ao mundo rural, vivida no início da sua actividade clínica nas Freguesias de Alvorninha e de Alfeizerão(1934/1938), deixaram-lhe marca indelével naquele primeiro tempo em que foi ao encontro do seu ideal de ser Médico. Décadas decorridas, afirmava o Dr. João Vieira Pereira: “Com isto tudo e depois de 58 anos de labor, direi: Sinto saudades da Clínica Rural com as suas dificuldades, o espírito de sacrifício, as caminhadas, as chamadas nocturnas, os partos no domicílio, os perigos e as canseiras, o afogamento, duas fracturas da bacia, uma rotura tendinosa num joelho, um trabalho sem férias, sem feriados, sem horários, sempre às ordens e ao serviço do Povo, sem chegar a ser rico. Mas eu queria voltar atrás, não para querer mais nem querer melhor, só queria apenas repetir-me...”

Esta tão significativa mensagem, esta reflexão, elucida sobre a sua vontade de estar para servir a qualquer momento e em qualquer lugar, sem desvanecimentos, correspondendo ao apelo que interiorizou como sendo o seu dever, comungando das alegrias, dando vidas, a cura, partilhando também os sofrimentos, dando o conforto perante as eventuais adversidades que por vezes atormentam o exercício da Profissão.

A entrega tão franca destes bens inestimáveis evidencia a convicção e a coerência que acompanharam o Dr. João Vieira Pereira quando exerceu, com igual eficiência, a clínica rural, que aliás manteve de forma duradoura, e a clínica de feição urbana.

A sua vinda para as Caldas da Rainha ocorreu em 1938, ano em que iniciou a actividade clínica na Associação de Socorros Mútuos Rainha D. Leonor, Instituição onde criou, logo em 1939 e a expensas suas, um gabinete de electroterapia, tendo adquirido então, para além do equipamento próprio, também um gerador eléctrico, dada a então precária distribuição geral de corrente eléctrica na Cidade. O mesmo gerador proporcionou a realização dos primeiros bailes com luz eléctrica que se efectuaram no grande salão que existia no Montepio. Um sucesso, no dizer humorado do Dr. Vieira Pereira.

Desde o início da sua estada nas Caldas, foi de facto com o Montepio que estabeleceu um elo que se tornaria cada vez mais forte, numa ligação em que os aspectos profissionais se harmonizaram sempre com a sua natural afectividade.

O Dr. João Vieira Pereira complementou os seus conhecimentos clínicos por incentivo de realização profissional e também por marcado espírito de serviço. O seu curriculum clínico, formal, é revelador da diligência com que prosseguiu a sua própria formação, acrescentando-lhe competências que lhe permitiram assumir o desempenho de actividades médicas especializadas. Com a sua participação efectiva verificaram-se avanços em sectores médicos que, à época, representaram, tanto a nível local como regional, factores de inovação que resultaram em benefício das populações que, deste modo, passaram a estar assistidas com mais proximidade e melhor qualidade.

Assim e por mérito próprio, o Dr. João Vieira Pereira pôde exercer e quase sempre acumular, para além das responsabilidades próprias de Médico de Clínica Geral, as de Médico de Saúde Pública e dos Serviços Médico-Sociais, de Médico Radiologista e Anestesiologista, continuando a cumprir com denodo, sem reservas, o seu percurso de Vida sempre inspirado pela sua fé, fonte das suas convicções. “Não há melhor maneira de descansar do que a mudança de trabalho”, dizia o Doutor João Vieira Pereira.

Integrou como Anestesista, a primeira equipa cirúrgica que se constituiu no Montepio, da qual também faziam parte o Dr. Ernesto Moreira, o Dr. Mário de Azevedo e Castro e mais tarde o Dr. Jovalino Vieira Lino. A notoriedade do trabalho realizado em conjunto, propiciou que fossem distinguidos com a Medalha de Prata de Gratidão e Mérito, conferida pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha em Sessão Solene realizada em 11 de Março de 1981, na comemoração do 121º aniversário do Montepio Rainha D. Leonor.

Sublinhe-se também, por imperativo de justiça, que o Montepio foi, nas Caldas da Rainha, a Instituição pioneira na prestação de serviços no domínio da Radiologia, por virtude da oferta do respectivo equipamento, efectuada no ano de 1943, por um núcleo de Sócios apaixonados pelo Montepio. O Dr. João Vieira Pereira foi o responsável do Serviço assim criado, assegurando-lhe todo o seu apoio, numa disponibilidade permanente confirmativa de que as competências por si adquiridas estavam efectivamente ao serviço da Instituição. Verificamos à distância que foi a generosidade de alguns Sócios conjugada com a acção compreensiva e constante de um Médico, que permitiram fundar, no Montepio, uma unidade de Radiodiagnóstico que, com o decorrer dos anos, evoluiu para uma unidade de Imagiologia de ponta, mercê de uma adequada e progressiva modernização dos seus equipamentos e da imprescindível intervenção de recursos humanos técnica e profissionalmente qualificados.

A grande dedicação do Dr. João Vieira Pereira ao Montepio foi sendo consolidada ao longo de décadas por razão de uma vivência, de uma identidade de ideais que suscitaram no Médico a vontade de contribuir para o progresso da Instituição, através de uma colaboração profissional entusiástica, ao ponto de o próprio Dr. Vieira Pereira afirmar, carinhosamente, que “Mais de metade da minha vida foi ali passada” motivo porque o Montepio se tornou “um inimigo” pois lhe roubava muito tempo, impedindo-o de estar com a Família. A compensação que aqui recebeu por este devotado labor não foi de natureza material mas antes traduzida em gestos de desvelo, em manifestações de apreço pelas qualidades de abnegação e de altruísmo que foram, afinal, as que constituíram a sua verdadeira riqueza.

Não causou assim surpresa que tenha sido o Montepio Rainha D. Leonor a tomar a iniciativa de promover a Comemoração do Centenário do Seu Nascimento, preenchendo-a de Solenidades que prestaram Homenagem ao Médico que cumpriu a Vida cultivando a fé, a probidade, o saber, a modéstia, virtudes que identificam o Homem Bom que sempre foi o Dr. João Vieira Pereira. O descerramento do seu busto, da autoria do Mestre Ceramista Herculano Lino Elias e a inauguração do mais moderno equipamento de Radiodiagnóstico no Serviço que muito justamente tem já o seu nome, representaram uma forma de o Montepio tornar perene a sua memória, lembrando que este Homem Solidário serviu, de alma e coração, esta Instituição de Solidariedade.

Os Valores que nos foram transmitidos pelo Dr. João Vieira Pereira, não se confinaram aos do seu exercício profissional: no seu legado encontramos outros talentos que reflectem a sua grande sensibilidade, a diversidade dos seus interesses intelectuais dedicados ao coleccionismo (foi um distinto coleccionador filatélico e numismático e de miniaturas dos Mestres Ceramistas Eduardo Elias e Herculano Elias), à fotografia, às actividades artísticas e culturais, ao gosto pela escrita que tão cedo se manifestou quando ainda era aluno liceal e que prosseguiu através da colaboração em Jornais e em Revistas Médicas. Nas Caldas da Rainha, conforme revelado de forma oportuna, excelente, pelo Dr. João Serra, foi o fundador de “O Progresso”; na poesia encontrou forma de exprimir sentimentos, talvez sobretudo os de índole mais íntima. O seguinte poema traduz uma síntese de vida: “Colhi rosas, colhi espinhos,/dias e noites sem descanso/percorri árduos caminhos para fazer hoje o meu balanço./Anos de clínica rural/a valer-me dos meus fracos recursos/foram a fase baptismal dos meus benéficos percursos.”; a afabilidade, o sentido de humor, a serenidade, a sua simpatia, reflectiam uma imensa capacidade de estima.

Os bens imateriais tão generosamente doados pelo Dr. João Vieira Pereira, constituem um património inestimável, uma herança colectiva que é imperioso salvaguardar. As Cerimónias que decorreram, presididas por individualidades da mais elevada representatividade e com a comparência tão expressiva e qualificada de presenças, constituíram a confirmação inequívoca de que são sentimentos como os de gratidão, de respeito, de sincera admiração, que criaram o claro consenso de louvor dedicado ao Médico que enobreceu a sua Profissão, servindo-a.

Homenagear o Dr. João Vieira Pereira no Centenário do Seu Nascimento, enaltecendo a sua dignidade, representou um perfeito acto de Justiça.

Quando, numa visão prospectiva, nos surge a dúvida sobre se será inexorável a degradação das sociedades, sentimos que a experiência ancestral acumulada conserva os ditames que, em contínuo, hão-de contribuir para obviar a deterioração das qualidades humanas. Esta expectativa firma-se quando recorremos às boas memórias, lembrando a exemplaridade das Pessoas que, à sua dimensão, nos transmitem a confiança de que vale a pena acreditar na prevalência dos Valores.

Na data memorável do seu Nascimento e para sempre, Honra ao Dr. João Vieira Pereira!!!

Caldas da Rainha, 2 de Setembro de 2008

* Mário Gonçalves

Mensagem de A J F Lopes

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No computador da Elisa conseguimos ler a maioria, se não todas as mensagens. Penso que todas. Por vezes foi como entrar numa máquina do tempo e recuar para a década de 60/princípios de 70, recordando algumas situações que a vida complicada e intensa que se seguiu tinha apagado temporariamente da minha memória.
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Não sei como agradecer tantas e tão agradáveis referências vindas de tantos (elas e eles) e algumas de muito longe. Eu sei, todos sabemos, que o passar do tempo tende a esbater o menos agradável e a conservar o mais agradável. É por isso que algum desconto tem que ser dado a tantos comentários positivos quer dos que estiveram presentes, quer dos que me telefonaram (e vários o fizeram), quer dos que se exprimiram através da NET.
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Gostaria de voltar a agradecer a todos pessoalmente, principalmente aos que me chegaram através da NET e não estiveram presentes no nosso tão agradável almoço. Senti que valeu a pena ser professor, que valeu a pena o esforço e valerá sempre a pena qualquer esforço se isso contribuir para ajudar a formar, por um pouco que seja, os alunos (mais tarde amigos) com que convivemos diariamente, durante uma período especialmente sensível das suas vidas.
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Um agradecimento muito especial ao culpado do costume, o João Jales (não sei quem foram os cúmplices), ao Zequinha P. Silva pelo seu discurso, e pelo compêndio de desenho de 1868 (que espectáculo), que me ofereceu pessoalmente, ao Mário Gonçalves pelo seu discurso de amigo de sempre, e às amigas e amigos dos tempos idos da minha juventude, cuja amizade sempre se manteve ao longo da vida e que me deram a grande alegria de estarem presentes.
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Os livros que me ofereceram serão a recordação perfeita de uma tarde para mim inesquecível. A todos um grande abraço.
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António J. Figueiredo Lopes
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Nota: No artigo abaixo estão links para três álbuns com mais de trezentas fotografias do encontro, a maioria delas já legendadas.

O almoço de homenagem e as fotografias


Realizou-se hoje, dia 7 de Junho o almoço com que amigos e antigos alunos quiseram homenagear António José Figueiredo Lopes. O pretexto foi a atribuição da Medalha da Cidade no passado dia 15 de Maio, mas o verdadeiro motivo da homenagem foi a personalidade do homem e do professor.

Estiveram presentes mais de sessenta pessoas num convívio muito animado, em que até as condições climatéricas ajudaram, já que um magnífico dia de sol interrompeu duas semanas de uma invernia tardia.

Três discursos, do aluno Zé Manuel Pereira da Silva (num tom “náutico”), do amigo Mário Gonçalves (num registo inesperadamente “traquinas”) e do homenageado (entre o comovido e o jovial), foram devidamente saudados e aplaudidos por todos os presentes.

As recordações oferecidas pelos convivas foram essencialmente constituídas por livros, mas “brilhou” uma caricatura da autoria da São Caixinha.

As fotos podem ser vistas e descarregadas nos três álbuns abaixo, basta clicar sobre eles para os abrir. Podem ver e fazer download das que vos interessarem. Quem quiser cópias em papel a partir dos originais, em melhor qualidade, pode contactar a Margarida Araújo, directamente ou através do Blog.

Durante o Almoço

António José Figueiredo Lopes

Caricatura feita pela São Caixinha na Holanda, texto enviado pela João Gomes de Moçambique, artigo editado nas Caldas da Rainha, para os leitores de todo o Mundo.
Este é finalmente o Blog Global!
Não se esqueçam de ler os outros comentários abaixo, actualizados todos os dias.
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Que pena, não poder ter lá estado, a distância não mo permitiu. Um grande beijo António José, e obrigado pelos ensinamentos académicos e pelas lições de vida.

Foi o professor que recordo com mais saudade. Sempre teve a capacidade de me fazer sentir o respeito que, à época, se devia ter por um professor e o carinho que se tem por um amigo.

Tenho vários episódios, nas aulas de Matemática e Desenho geométrico, dos quais me recordo com um sorriso.Não consigo passá-los para o “papel” de modo a darem uma daquelas estórias divertidas com que nos presenteiam alguns dos meus amigos, mas ao meu jeito, aqui vão.

Na disciplina de Matemática eu era aluna regular, mas com uma particularidade: exercícios com todo o raciocínio e cálculos a efectuar perfeitos, e as contas todas erradas! De tal forma isto era habitual que, na entrega dos pontos, ele dizia: “quando te formares ofereço-te uma Tabuada do Ratinho encadernada”.
Enfim, promessas … ainda hoje estou à espera dessa lombada para completar a minha biblioteca (se ficaram com dúvidas, claro que sim, isto é uma cobrança).

O facto de eu ter tido aulas de Desenho Geométrico, por estranho que pareça, teve um grande contributo para a disciplina de fisico-química ou ciências, já não me lembro bem em que cadeira é que o assunto era estudado, mas assumamos que era fisico-químicas.

No Desenho Geométrico o material, compasso, tira-linhas, etc, deveria chegar ás aulas devidamente preparado e limpo, sob pena de termos falta de material. Um belo dia numa inspecção do material antes de dar início à matéria, o Dr. Lopes encontrou o meu tira-linhas enferrujado e aí começou o inquérito:” o que é isto? Como que é que deixas que isto aconteça? É um Kern, lavaste-o com água?” E eu, penso que atrapalhada, mas incapaz de deixar alguém sem resposta, em tom de grande erudita sobre a matéria expliquei:” não, nem pensar, até tive mais cuidado do que habitualmente, depois de fazer o TPC, fui limpar o material e até usei água oxigenada, que é melhor que o álcool para desinfectar as feridas. Aí sim, o Dr. Lopes inicia uma dissertação sobre a “oxidação”, qual Serafim, terminando: “agora perceberam, o tira-linhas da João é o exemplo de uma oxidação” (escusado será dizer que, de presumível versada sobre o assunto, tinha passado a ignorante “bombo da festa”).

Mas o acontecimento foi de grande utilidade para todos porque, no ponto de Física que se seguiu a este evento, na pergunta “dê um exemplo de uma oxidação”, houve quem doutamente respondesse “o tira-linhas da João”.Ainda hoje não percebo porque que é que os compêndios o não referem…Quem sabe se não foi pela brilhante explanação do Dr. Lopes sobre a matéria, que alguns dos que tiveram o privilégio de terem sido figurantes nesta comédia são hoje ilustres engenheiros da nossa praça.

Ainda sobre as aulas de Desenho Geométrico há que dizer que o Dr. Lopes não tinha uma plateia fácil de gerir, as réguas, os esquadros, os bicos dos compassos e as ferramentas afins eram usados em “troca de mimos” entre colegas, de que eu o Gérinho éramos bastas vezes protagonistas. Isto para não falar da “troca de carinhos” em que os protagonistas eram dois rapazes.

Quando os as estrelas da companhia eram os filhos dos amigos, o que lhe permitia agir como se seus filhos fossem, as coisas eram rápida e sabiamente sanadas:
- Não quero ouvir nem mais uma mosca.
No microsegundo seguinte ouvia-se o estalar da minha régua em cima da cabeça do Gérinho. Acto contínuo um caldinho na João e um caldo no Gérinho; enfim, vantagens de ser mulher…

MJoãoGomes

C O M E N T Á R I O S :
A HOMENAGEM E O HOMENAGEADO


08-06-2008

Guidó disse:
Gostei muito de ter estado no almoço do "Jeca". Estava ali por duas razões.
A primeira por ser sua amiga. Uma amizade que vem do tempo da infância, recuada num tempo que me era contado (colega da minha mãe no 6º e 7º ano do Colégio Ramalho Ortigão e amigo do meu tio).
Do que o Zéquinha falou - discurso admirado por todos - relembrei a faceta do António José Lopes de "homem do mar", velejador, de como conjugou bem as artes de velejar com as artes da vida. O Zéquinha relembrou como se "navega à bolina": procurando vento de feição, ziguezaguendo contra o vento, procurando seguir um rumo.
Na vida como no mar!
Não sabia que António José era um formidável contador de histórias. Contou humildemente a sua. Houve lágrimas e sorrisos. E risos, muito risos. Até ficámos a saber que o Mário Gonçalves tinha desperdiçado uma carreira de Boxeur!?
A segunda razão da minha presença era, e foi, para ajudar em campo o João Jales na área de registo fotográfico. Como dizia um fotógrafo que admiro muito "fotografar é reconhecer, ao mesmo tempo e numa fração de segundo, um evento e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente e que expressam esse evento. É reunir, no mesmo ponto de vista, a cabeça, o olhar e o coração" (Cartier-Bresson).
Espero que as fotografias que poderão ver amanhã reflictam o meu ponto de vista e o coração de todos nós.
Um beijo especial ao "Jeca", à Elisa Maria, Paula e Sami e a toda a restante familía.
Um beijo carinhoso a todos os amigos que estiveram presentes.
E outro ao João Jales que sabe tão bem trabalhar com a sua "quadrilha" (Magister
António José Lopes dixit).
Foi assim uma coisa simples e boa e...
....preciosa!

Guidó (Margarida Araújo)

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08-06-2008
João Serra disse.
Também me associo ao agradecimento público ao João Jales e a esta iniciativa de homenagem ao Dr. Figueiredo Lopes. Como disse o Pereira da Silva, o professor Figueiredo Lopes representa o que de melhor houve no ensino que pudemos ter. Como disse o Dr. Mário Gonçalves, o Dr. Figueiredo Lopes representa o que de melhor a natureza humana tem para oferecer. Foi um privilégio estar presente naquela celebração. Ouvir o Dr. Figueiredo Lopes foi ouvir uma lição de clareza e simplicidade, de generosidade e gosto pela vida (e que vida!). Um abraço. João Serra
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08-06-2008
Higino Rebelo disse:
Não me foi possível ir ao almoço de homenagem ao Sr. Dr. Figueiredo Lopes mas bem gostaria de ter participado nele e ter podido dar-lhe um sentido abraço. Não foi meu professor mas mesmo sem saber quem eu era e por que acompanhava com os seus alunos sempre me tratou com cordialidade. Cordialidade com que igualmente me veio a tratar quando fomos contemporâneos na "AUDIO MAGNETICS". Mais tarde fomos vizinhos e uma sua neta é amiga da minha filha Noémia. Posso mesmo dizer que o Sr. Dr. Figueiredo Lopes foi sempre para mim um modelo de cidadão a seguir. Por tudo isto deixo-lhe aqui a minha pública homenagem e um sentido abraço.
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08-06-2008
Óscar disse:
Dia em cheio que me levou a lamentar ainda mais não ter podido estar presente no almoço de Novembro passado.
A par da merecidíssima homenagem ao dr. Lopes, brilhantemente ilustrada pela oratória do Zequinha e pela afectuosa intervenção dodr. Mário Gonçalves, tive a oportunidade de (re)conhecer alguns colegas do colégio, em relação aos quais, muito sinceramente, poderia cruzar-me com eles sem os cumprimentar por não fazer a mínima ideia de quem eram. Em relação a outros tive aquela pouco cómoda sensação de não ser capaz de colar os respectivos nomes às fisionomias de que me lembrava muito bem.
Como a consulta diária do blog se tornou uma rotina imprescidível, fico a aguardar novas iniciativas do género, permitindo-me sugerir que um próximo homenageado pudesse ser o Padre Xico.
Parabéns e obrigado ao núcleo duro do blog e em especial ao João Jales.
Bem hajam
Oscar Oliveira

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08-06-2008
Isabel disse:
Acabei de ver as excelentes fotografias do almoço .
Mesmo longe consigo "provar" do ambiente acolhedor e amigável que predominava .
Gostei imenso de ver o D. Lopes e a sua Familia , assim como muitos ex-colegas e pessoas conhecidas, que há já muito tempo não via.
A mesa das prendas, as flores, a fotografia da condecoração, a caricatura... tudo a contribuir para um acontecimento, que vai ficar no Quadro de Honra das memórias do ERO.
"Top" classe!Adorei!
Bjs
Isabel Caixinha
P.S. E para acabar o dia na perfeição tivemos aquela bem merecida vitória de Portugal no futebol!!!
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09-06-2008
Guida Barreto disse:
"Dr. Figueiredo Lopes,
Foi consigo que aprendi a gostar de Matemática, principalmente Álgebra. Lembro-me do seu entusiasmo nas aulas, a paixão com que ensinava e a facilidade com que nos transmitia os conceitos básicos do raciocínio matemático, tão importante em todas as áreas da Vida.
Muito por sua causa, "quase" fui para um curso superior na área da Matemática. Apenas porque uma nova paixão, transmitida por professor igualmente inspirador, apareceu no 6ª ano - a Psicologia - optei por um Curso Superior nesta área.
Bem Haja! Um abraço amigo
Com admiração,
Margarida Barreto"
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09-06-2008
Tó-Quim disse:
Este almoço teve dois grandes objectivos - a homenagem ao Dr. Lopes, que muito nos ensinou matemática e geometria descritiva e voltar a ver colegas do ERO.
Só não esperava é que voltasse às minhas antigas funções - ser tesoureiro - tal como o fiz quando fomos finalistas.
Não quero deixar de dar os parabéns ao Jales pela brilhante ideia de organizar estes almoços de homenagem e confraternização. Já agora, como foi já foi dada a ideia, fazer uma grande homenagem ao Padre Xico.
Também quero dar os parabéns ao Zeca Pereira da Silva pela grande lição que nos deu no seu discurso de homenagem.
António Fialho Marcelino - Tó-Quim

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09-06-2008
Zé Carlos Faria disse:
O Dr. Lopes foi um dos primeiros professores que tive no ERO; primeiro em Desenho Geométrico, mais tarde a Geografia. Nas duas disciplinas retive dele uma capacidade pedagógica notável, que se manifestava mesmo em pequenos detalhes. Apenas um exemplo: apanhado eu em flagrante e descaradíssima (de tão canhestra) tentativa de copianço, fui naturalmente repreendido, mas pude concluir o «ponto» na condição de vir a ser chamado na próxima aula. Como é óbvio, tive que estudar tudo muito bem e de cabo a rabo, desde logo porque para triste figura minha já bastava o sucedido!... Em vez da anulação pura e simples do teste e da aplicação até às últimas consequências do regime de magister dixit, optou astuciosamente por um expediente que me obrigou a ficar a saber de vez a matéria.
Porém, no meu caso particular, onde mais alto brilhou a intervenção didáctica do mestre, foi, sem dúvida, no Desenho. Levar um pobre desajeitado e descoordenado motor que nem eu, suposto de lidar asseada e correctamente com régua e compasso, esquadro e transferidor, que induziam traços rigorosos por afiadas minas de grafite e tira-linhas impregnados de tinta-da-china, a um nível de execução não conspurcado por um rasto de asneiras conceptuais e borrões instrumentais, foi Obra! E se no Desenho à vista estaria safo (tive 18, então!) já na vertente Geométrica o caso era diferente para muito pior. Os, à partida, altamente improváveis 15 valores do exame oficial (cotação equivalente ao cume do Everest na planura com vales que era o gráfico da minha caderneta escolar) demonstram, com clareza, a qualidade extraordinária do ensinamento a que fui sujeito. Tarefa espinhosa, acredite-se: assim como treinar um amblíope para uma medalha no tiro aos pratos!...
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09-06-2008
Belão disse:
Se houve professores que marcaram pela positiva os alunos do ERO, um deles foi sem dúvida o Dr. Lopes. Positiva é que já não era a minha prestação a Matemática. Mas com a sua paciência e o seu saber de como lidar com a petizada, lá me foi incutindo aquela velha máxima " na matemática é mesmo preciso trabalhar, fazer exercícios". E aprendi. Aprendi matemática e aprendi que ensinar é muito mais que transmitir conhecimentos.
Ainda hoje recordo o dia em que ao receber um ponto, ouvi: "finalmente positiva"! Era um 11! Mas era positiva. Acho que ele a festejou mais entusiasticamente que eu. Felizmente que no Desenho Geométrico a conversa era outra e desenrascava-me bem.
O tempo passou, não segui Matemática após o 5º ano (como era de prever!) mas hoje sou professora e devo dizer que, embora com alunos de palmo e meio a quem também ensino Matemática, recordo muitas vezes o amigo António José Lopes, o professor Dr. Lopes e aquela frase " na Matemática é mesmo preciso trabalhar, fazer exercícios".
Obrigada professor.Obrigada amigo António José.
Um beijinho
Belão

11-06-2008
Luís disse:
Lamento não ter podido estar presente no almoço de homenagem ao Dr Lopes.
Sei que serei apenas mais um, como será mais um também este pequeno contributo no meio do surpreendente número de testemunhos já publicados no Blogue, para além dos que certamente se fizeram sentir durante o evento.
À distância de 30 anos, para além de uma memória concreta que relatei numa das minhas primeiras intervenções no blogue, relativa à forma como o Dr Lopes nos mergulhou no universo do espaço multidimensional e nos levou à compreensão dos conceitos usando linguagem e imagens simples, confesso que não consigo reproduzir factualmente, e sobretudo com a riqueza dos detalhes, episódios como os tão bem relatados pelos comentadores que me antecederam.
Mas sinceramente não é essa a vertente que me motivou a escrever estas linhas. O que me toca profundamente, e é afinal denominador comum de todas as intervenções, é que o Dr Lopes faz parte daquele reduzido número de pessoas que temos oportunidade de encontrar na fase mais sensível da nossa formação escolar e humana e deixa uma marca indelével pela vida fora.
Não foram apenas os conhecimentos que nos transmitiu ou o maior ou menor sucesso que nos ajudou a ter nas disciplinas que leccionou que nos avivam hoje a memória no momento de o reconhecer publicamente. É sobretudo a lembrança de alguém que nos ajudava a ter gosto por aprender, evitando a pose magistral tão típica daquele tempo. Numa época em que rigor era confundido com distância e frieza, disciplina com privação e inflexibilidade, aprendizagem com aceitação sem sentido crítico, o Dr Lopes foi o agricultor que deitou à terra muitas das sementes mais estimulantes que viriam a germinar muitos anos mais tarde em cada um dos que tiveram o privilégio de ser seus alunos.
Até pelos longos anos em que os nossos caminhos não se cruzaram, não desperdiçarei agora a oportunidade de lhe deixar uma palavra justa que talvez nunca lhe tenha dirigido:
OBRIGADO!
Luís Filipe Flores A. Santos

Comentário a "Os Locais do Mário Xavier", por Chico Carrilho




Chico Carrilho



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Muito bem Mário! Gostei muito de voltar a sentir, através das tuas palavras, o ambiente fantástico que partilhámos no MUCH. Acho que só te esqueceste de referir que, no ínicio, tínhamos lá uma mesa de pingue-pongue feita pelo teu pai onde treinámos bastante, mas, com o avançar das nossas idades e a inevitável atracção pelo sexo oposto, rápidamente passámos do desporto para outras actividades tambem elas muito suadas e, aí, o maior uso que ela teve foi servir de biombo (chama-se a isto aproveitamento dos objectos para diferentes fins). Para isso, levantávamo-la por forma a ficar assente sobre um dos lados e encostávamos os pés da mesa à parede criando um espaço reservado. Não quero adiantar muito mais, mas penso que no chão chegou a estar um colchão velho (para quem quisesse descansar...).
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Os bailes do MUCH eram famosos, como referiste e muito bem, e penso que uma das coisas que mais contribuiu para isso era o facto de um "slow" com uma determinada duração, no MUCH durava 4 a 5 vezes mais. O segredo consistia em(e aqui a cumplicidade masculina era fundamental ), quando a música estava a chegar ao fim, dar um toque no gira-discos de forma a que a agulha voltasse ao princípio. É claro que os sócios do MUCH eram os que tinham esta técnica mais desenvolvida, fruto de longas horas de treino. Também praticávamos a divisão de tarefas, assim as meninas levavam os "comes" e os rapazes os "bebes". No final, e depois de arrumada a "sede", quem é que comia e bebia o que sobrava, quem era?- os sócios do MUCH!
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Quanto à "jogatana", aquilo atingiu niveis indescritiveis, já que se chegava a jogar Poker "mano a mano". O Rogério tinha uma hora livre e aparecia lá para jogar com o Mário. Eu lembro-me de uma vez ter como opositor o saudoso Johnny (João Lourenço). Ainda hoje o Nuno Mendes é conhecido pelo "Mijinhas", devido à forma peculiar que tinha de apostar.
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Referes também que "diáriamente eu, o Xico Carrilho e o Faria". É verdade que nesses anos eu passava os dias em tua casa e gostava aqui de fazer um agradecimento público aos teus pais pela disponibilidade , paciência e carinho com que sempre me trataram ao ponto de a tua mãe me tratar por "sobrinho". Ainda outro dia comentei com a tua irmã Isabel que lhe hei-de fazer uma visita um destes dias.
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Apreciei, especialmente, a última parte em que referes que " independentemente das voltas que as nossas vidas tenham dado seremos sempre AMIGOS!" Pela minha parte não podia estar mais de acordo.
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Só queria dizer, e para terminar, como membro vitalício do MUCH MONEY GROUP, que, por mim, estou disponivel para a realização de uma Assembleia Geral com o ùnico ponto da ordem de trabalhos: proposta de entrada para sócio, após trinta e cinco anos em lista de espera, do meu bom amigo José Carlos Faria. Eu voto SIM!
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Um grande abraço
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Chico Carrilho
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Nesta fotografia estão alguns dos "suspeitos do costume" referidos nos textos do Chico e do Mário (e mais alguns). Foi tirada no Casino em 1970 e esta é uma boa altura para um dos retratados a legendar.


Belão disse:

Então ninguém legenda a foto da "matiné infantil"?Vou começar e haja alguém que termine!

Prima da João Gomes?; Belão; Nami; João Gomes; Luís Miguel; Anico; Tucha; João Ferreira; Mena Gomes; Rogério; Chico Carrilho(sentado); Rui Hipólito; Lipe Zé;Misá; Marta; Mena Pinheiro.

2ª fila- Aline?; Manuela; Gena ;?; Paula Jales;Clara; Guida Rêgo; Susana; Zé Carlos Faria; Zezinha.
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MJoãoGomes disse:
Prima da João Gomes não é. Conheço a cara, mas não me lembro do nome, deve ser do ADN (Antiguidade da Data de Nascimento), mas a Guida Rego ou a Paula Jales são rapariguinhas para saber.

Paulinha disse:
a prima do Carlos é a Misá , irmã do Janeca.

30-05-2008
Mª João Gomes disse:
O Xico referiu o carinho com que a D. Maria da Luz o tratava, mas não era só a ele. Havia aqueles miminhos:-meninas saiu agora um bolinho do forno, venham lanchar. E aí íamos nós todas contentes (ainda não tínhamos problemas de pneuzinho, colesterol trigliceridos, etc).Não sei mas acho que estes mimos eram só quando haviam meninas por perto, corrijam-me caso seja presunção minha. Um beijinho e obrigada D. Maria da Luz.

Os Locais do Mário João Xavier



Mário Xavier
















MUCH MONEY GROUP

Para que conste este era o VERDADEIRO nome de uma briosa Associação criada nos finais dos anos sessenta, em Caldas da Rainha, por alunos do E.R.O.

Tal nome, ideia do Costa segundo julgo lembrar-me, acabou por ser simplificado para o “internacionalmente” famoso MUCH.

Nessa época os locais de convívio dos jovens Caldenses eram limitados aos lugares já várias vezes referidos (Zaira, Central, Casino, Floresta, etc), mas nós pretendíamos um diferente, onde pudéssemos conviver sem gastar dinheiro e estar à vontade .

O meu irmão Luís , a residir em Lisboa, deu-nos a ideia e motivou-nos para fazermos uma pequena Discoteca. Essa era a ideia inicial.

A exemplo do que acontece muitas vezes a essa ideia foram-se acrescentando outras acabando por resultar em algo um pouco diferente do previsto.

Posto o desafio lançámos mãos à obra para concretizar tal projecto.

Eu – Mário Xavier, o Chico Carrilho, o António João Costa, o Rui Hipólito e o Rogério Matias avançámos com as primeiras iniciativas, a saber: eleger como Presidente “vitalício” Luís Xavier e declarar a indisponibilidade da Associação em, no imediato, aceitar como sócio o José Carlos Faria que, num exercício de maldade tão “querida” e própria dessas idades , ficaria em lista de espera a aguardar o honroso ingresso em tão nobre colectividade, quando tal fosse considerado oportuno.

Para além do Presidente distribuímos entre nós diversos cargos de grande gabarito e que nos elevaram aos mais altos patamares da vida social da época.

Ou seja todos nós éramos qualquer coisa como secretário, tesoureiro, vice-presidente o que para além de alimentar os nossos egos juvenis fazia do Much provavelmente a única colectividade cujos corpos gerentes constituíam a totalidade dos sócios.

É claro que o meu irmão Luís era solidário, dava as ideias, mas as suas funções eram algo limitadas pela distância a que se encontrava das Caldas e pela razoável diferença de idades. No entanto teve um papel aglutinador e dinamizador muito importante.

Para além dos corpos sociais uma colectividade que se preze necessita de um espaço próprio para desenvolver as suas actividades, aliás era esse o principal motivo da nossa mobilização – um espaço de convívio nosso.


O local já estava escolhido desde o primeiro momento e, para quem não se lembre, o Much tinha a sua sede naquele prédio verde no Largo Conde Fontalva (vulgo Largo da Rainha) com o número 7, onde ainda hoje vive a minha mãe.

A casa tem outro prédio atrás separado do edifício principal por um pequeno quintal. No r/c desse segundo edifício funcionou a nossa associação.

Preparámos a sala para o efeito, decorando-a de forma a parecer uma discoteca.

Resolvemos tapar todas as paredes com papel de jornal, com um cartaz de cinema, julgo que de um filme italiano, a cobrir a parede do fundo, uma mesa baixa e redonda para jogar às cartas, candeeiros e outros adereços que acabaram por, no seu conjunto, resultar bastante bem.

Todos trabalhámos muito nessa transformação mas tenho de ser justo e realçar o papel desempenhado pelo Faria que foi incansável nomeadamente quando foi convencido a molhar as mãos em tinta preta e marcá-las no tecto, TODO!

A entrada da sala dava para o quintal e nós resolvemos dar um nome à mesma, com a tal tinta preta, tendo ficado escrito A TEIA, mas confesso que tal nome nunca teve qualquer sucesso ou significado para nós, caindo no completo esquecimento.

Acabadas as obras estava finalmente em funcionamento o Much Money Group(queríamos com isto dizer que se tratava de um grupo com muito dinheiro).

Decidimos pelo pagamento de uma quota mensal de 25 tostões, que só cumprimos nos primeiros meses.

Distribuímos as tarefas e iniciámos as nossas actividades.


Jogávamos às cartas todos os sábados à tarde, ao póquer e à lerpa, sempre a dinheiro se bem que esse raramente fosse visto em cima da mesa, ou seja todos tinham dividas uns com os outros que ainda hoje estão por cobrar. Gosto de pensar que ganhava mas julgo que estaria a faltar à verdade, penso que perdi mais vezes do que ganhei.

Eram saborosas essas tardes e noites do fim de semana em que nos juntávamos conforme a nossa disponibilidade , ouvíamos música, conversávamos, FUMÁVAMOS e jogávamos às cartas.

Pode parecer pouco mas resultou muito bem para nos divertirmos e conhecermos melhor uns aos outros.

Recordo com alguma saudade o Xico e o Faria a tocarem viola e cantarem. Do humor imenso do António João Costa. Da forma sempre alegre e participativa dos “putos” Rui Hipólito e Rogério Matias que com a sua acção contagiavam todos para festivais épicos, de boa disposição.

O Much era um Clube onde as meninas não eram sócias mas entravam, sendo memoráveis alguns dos diversos “BAILES” organizados pelo Much ( entretanto esse passou a ser o único nome por que era conhecido).

Felizmente a família Xavier é bastante numerosa o que deu origem a várias festas de aniversário , devidamente inventadas, e que serviam de justificação às miúdas para se deslocarem às nossas festas.

As minhas irmãs Helena e Isabel, a Fani, a Joana Ribeiro Lopes, a Paula Abreu, a João Gomes, a João Ferreira, a Nami, a Paula Jales, a Mena Gomes, a Belão, a Céu, a Guida Rego, eram, entre outras, as que mais frequentavam o Much.

No que ao lado dos rapazes diz respeito a lista é bastante maior mas vou arriscar recordar alguns tais como o João Jales, Henrique Conceição, Nuno Mendes, Pedro Nobre, José Carlos Sanches, Fernando Castro, Joca Ferreira, Cácá, Hilário e muitos outros que não recordo neste momento.

O Much só não funcionava nos meses de Agosto e Setembro, época em que a minha família se deslocava para S. Martinho do Porto.

Durante o resto do ano funcionava sem paragens e sem desânimo de qualquer espécie. Diariámente eu, o Xico Carrilho e o Faria encontrávamo-nos para ouvir música, fumar e conversar ( o José Carlos não fumava) e a partir de sexta feira já os outros elementos se juntavam a nós.

Acresce ainda esclarecer que o Much só funcionava com a cumplicidade dos meus pais que seguiam o sábio conceito de que era preferível ver o local onde nos divertíamos e convivíamos do que não saber onde poderíamos estar no decorrer das nossas actividades.

Se me perguntarem se tenho saudades desses tempos eu respondo que sim , por duas ordens de motivos, uma éramos novos e a outra é que construímos algo muito importante para o nosso futuro no que ao campo dos afectos diz respeito.


Julgo poder afirmar que, independentemente das voltas que as nossas vidas tenham dado somos todos, para sempre, AMIGOS.

Cimentámos a nossa ligação numa época das nossas vidas em que se constroem as verdadeiras amizades , sem subterfúgios e sem segundas intenções e isto faz de nós, irremediavelmente, membros vitalícios do MUCH MONEY GROUP.

Caldas da Rainha, 23 de Maio de 2008
(após insistência do amigo João Jales a quem agradeço a sua enorme PACIÊNCIA)

UM GRANDE ABRAÇO A TODOS

MÁRIO XAVIER

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Comentários

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24-05-08
JJ disse:
- Em termos de data o próprio texto aponta o final da década de sessenta, início de setenta.
- Os bailes do Much eram óptimos, boa música, o “who’s who” da nossa geração estava realmente lá, faltam nomes no texto, mas isso não é importante . Além dos citados lembro-me de lá ver, da minha turma, Miguel B M, Lena Feliciano, Dália, Guidá, Paulinha, Flores, Rui F S, mas também gente de outros anos: Luís e Teresa Machado, Eca, Zé Pereira, Eurico, Pardal…
- A batota, nomeadamente o Poker, atraía gente de idades diferentes. Hoje somos todos da "mesma idade" mas entre o Rui Hipólito e o Nuno Mendes deve haver uns cinco ou seis anos de diferença, não era vulgar este “abismo etário” em grupos jovens. Talvez nas lerpas entre os “directores” o dinheiro não mudasse de mãos, mas nos Pokers que lá joguei as coisas foram diferentes!
- A paciência foi do Mário, ele é que escreveu o texto. Eu limitei-me a esperar que ele o enviasse e isso não é paciência, é pura preguiça...
- E sim, somos amigos, sem necessidade de mais comentários. Já agora, só para saber, o Zé Carlos Faria já é sócio ou ainda não?

25-05-2008
Belão disse:

Ó Mário, que bom que foi o Much! Apesar de nós, as meninas, não o frequentarmos diariamente, os "bailes",os aniversários, foram de facto inesquecíveis.
Ao ler o teu texto consegui rever na perfeição a entrada pelo quintal, a decoração, as luzes (ou falta delas!). Consigo lembrar também a boa disposição e humor do Costa que conseguia sempre arrancar gargalhadas enormes aos presentes, sempre que abria a boca.
O duo Chico/Zé Carlos era fantástico. Lembro-me do Chico a cantar desde sempre. Chegou mesmo a aspirar ultrapassar o Joselito (isto antes do Much, claro)! No Zé Carlos, desde cedo se notaram também os seus dotes artísticos!
Mário, obrigada por me fazeres recordar com saudade mais um tão importante local da minha (nossa) juventude.
Ainda bem que o João te conseguiu arrancar esta pérola!
Um grande beijo
Belão

26-05-2008
Zé Carlos Faria disse:
A minha inclinação Marxista (tendência Groucho) leva-me a dizer o seguinte: «Eu não aceitaria pertencer a um clube que me aceitasse como sócio» (excepção feita ao glorioso Sport Lisboa e Benfica, claro).
Porém, naquele grupo do Much encontei eu amizades das mais sólidas e duradouras de uma vida que vai na casa 52. E isso (desculpem lá a pieguice) toca-me muito e bem no fundo.
Abraço fraterno! ZCF

30-05-2008
Mª João Gomes disse:
O Xico referiu o carinho com que a D. Maria da Luz o tratava, mas não era só a ele,
Haviam aqueles miminhos:-meninas saiu agora um bolinho do forno, venham lanchar.
E aí íamos nós todas contentes (ainda não tinhamos problemas de peneuzinho, colestrol trigliceridos, etc).
Não sei mas acho que estes mimos eram só quando haviam meninas por perto, corrigam-me caso seja presunção minha.
Um beijinho e obrigada D. Maria da Luz

Retrato de Família no Casino : ERO, ESCOLA E AMIGOS

Baile da Chita 1970
Então aqui vai :
Na mesa - Dr. Lopes
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Da esquerda para a direita
Sentados: António Elias, Anabela Elias, Anabela Ferreira, João Gregório Vendas, Chico Cera, Mário Zé Jordão, Teresa Elias, Gé (Eugénia), Zé Letras e Mariazinha Gregório
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De pé: Luisa Nascimento, Augusto Machado, Roberto Ornelas, Ana Nascimento, Salete Lourenço, Janja Salvador, Marques Filipe, Ana Margarida Lobo, Elsa Nogueira, Graça Jordão, ????, São Pina e Álvaro Lucas

Título, fotografia e legendagem de Ana Nascimento.

ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES

Conforme previamente anunciado aqui no Blog o antigo professor do ERO, António José Figueiredo Lopes, recebeu no dia 15 de Maio a Medalha da Cidade. Numa cerimónia muito concorrida, presidida pelo Presidente da Câmara das Caldas e o Governador Civil de Leiria, foi homenageado aquele que foi um dos mais queridos professores do Colégio, conforme várias vezes aqui foi referido por muitos dos seus alunos.

Nesta foto, além do Dr. Lopes, vemos o Luis Nuno Rodrigues, também distinguido na mesma cerimónia. O Luis é irmão da Marina, de que seguramente os leitores mais novos se lembram bem.


Encontrei na cerimónia a Família Pinto Ribeiro cujo Pai, infelizmente já falecido, foi também uma das figuras justamente distinguidas.
O João e a Isabel estudaram no Colégio, tivemos oportunidade de trocar breves impressões e recordar alguns colegas: Pardal, Joca Ferreira, Sanches, Zé Sancho, foi essa a turma de que fizeram parte. Tenciono convidá-los para o próximo encontro de ex-alunos do ERO, espero que tenham disponibilidade e aceitem.
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A lista de todos os medalhados pode ser consultada em :
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Aguardamos os vossos comentários.
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COMENTÁRIOS
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22-05-2008
Ana Nascimento disse:
O que será que eu estou a ouvir ? ai que é o segundo toque para a aula de desenho…... lá vou eu chegar atrasada….
Truz, truz…. Posso entrar Dr. Lopes ? já me marcou falta ?? espero que năo… estou aqui para lhe dar um grande abraço e dizer como estou orgulhosa por tę-lo como amigo e por ter sido sua aluna e também como fiquei contente por ter recebido a Medalha da nossa Cidade. O seu mérito foi reconhecido… os meus parabéns…
Um beijinho grande da Ana
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17-05-2008
Isabel disse:
Ao Dr. Lopes
Muitos parabéns ao querido Dr.Lopes. É com muito gosto e orgulho que vejo a cidade homenagear um dos seus notáveis cidadãos! Um beijinho de parabéns. Isabel Caixinha
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15-05-2008
Júlia Ribeiro disse.
Querido e Amigo Dr.Lopes
É com grande orgulho que vejo um Professor ,que a tantos nos marcou ,receber a Medalha da Cidade.Esse mesmo orgulho sinto-o de ter sido sua aluna e continuar a conviver consigo e com a Maria Elisa.
Muitos Parabéns Dr.Lopes. Um grande abraço,beijinhos
Júlia R
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15-05-2008
São Caixinha disse:
Há duas coisas particularmente curiosas que me ficaram do meu tempo de escola. Uma é a "Balada da Neve" de Augusto Gil, que frequentemente e com a maior naturalidade declamo na sua totalidade e sem hesitações, a outra é a frase do "Mar Português" do F. Pessoa que o Dr. Lopes com entusiasmo muitas vezes repetiu para nos estimular a ter mais iniciativa e a estar mais presente na classe - " tudo vale a pena se a alma não é pequena"!! Querido Dr. Lopes eu nem entendia bem o significado da frase então, mas ele foi se revelando através do tempo. Quando a repito lembro-me do seu espírito optimista e bem disposto. Tem sido o pequeno e mágico impulso que tem contribuído para que a minha vida seja mais significativa porque, independentemente do tamanho da alma, há tanto que realmente vale a pena, sem que isso seja inicialmente muito evidente. Faz-me muito feliz poder hoje e desta forma apresentar-lhe os meus agradecimentos! E muitos parabéns! Um beijinho São

ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES - 2

Estiveram presentes na cerimónia vários antigos alunos do Dr. António José Figueiredo Lopes, temos aqui a Margarida Rego (Presidente da Comissão Organizadora dos Encontros ERO) e o Alberto Reis Pereira. Ao centro o actual Director da Escola Rafael Bordalo Pinheiro, António Veiga (que não foi aluno do Colégio).

A sessão foi muito concorrida, a sala esteve cheia, ficando muita gente de pé.


A mesa que presidiu à cerimónia com a Vereadora da Cultura e o Presidente da Câmara de Caldas da Rainha, o Governador Civil de Leiria, o Presidente da Assembleia Municipal e a Directora do Museu da Cerâmica.


O Blog esteve na cerimónia, claro, representado pelo redactor/fotógrafo de serviço, acompanhado aqui por Antero Mil-Homens, genro do homenageado, Mário Pacheco e Néné.

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Yolanda Faria

HOMENAGEM AO PADRE ANTÓNIO EMÍLIO



“ As palavras ainda não estão gastas” (não o ficarão nunca!). Se recordar é viver, então gostaria, também, de engrossar a lista dos infindáveis amigos e admiradores dessa figura genial que a todos nos marcou, pelas razões já sobejamente conhecidas.

Conheci o Padre António Emílio aos 11 anos quando, recém chegada do Quénia e profundamente traumatizada por uma infância infeliz e dramática, me refugiei nos seus conselhos e na sua orientação espiritual. Diria mesmo que somente a minha participação nos jogos do Parque,(com a Madre-de-Deus, Asdrúbal e Jorge Calisto, Fernando Figueiredo, Tony, Zé Carlos, entre outros), a par do meu entusiasmo pelo estudo enquanto aluna do Externato Ramalho Ortigão, me traziam alguma alegria e descontracção. Mais tarde, já adulta, residindo e trabalhando na capital, tive a grata emoção de acompanhar o seu percurso na igreja de S. João de Deus, primeiro como coadjutor do Padre Teodoro e depois na Casa Pia, para mais tarde tomar posse da Paróquia de Stº Estêvão (Alfama), onde desempenhou uma acção pedagógica e humanitária notáveis, sempre admirado e amado por todos quanto tiveram o privilegio de com ele privar quotidianamente. Dizia-se que tinha acabado com a mendicidade nas ruas do bairro e eu própria testemunhei, como uma das salas da Igreja fora transformada em refeitório para as crianças carenciadas da zona poderem, pelo menos, beneficiar de refeições ligeiras.

Evoco, igualmente, o seu dinamismo e entusiasmo na organização das Festas Populares de Alfama (ao tempo, umas das mais carismáticas) que se realizavam no adro da Igreja, onde também colaborei, quer participando na confecção das ementas, na sacristia, quer na angariação de artistas conhecidos, que actuavam gratuitamente perante um público atento e participante. Apesar de, já nessa altura, começar a evidenciar os primeiros sinais de doença, nunca perdia a sua afabilidade e o propósito de cumprir, até ao fim, a sua espinhosa mas gratificante missão.

Seria fastidioso continuar a enumerar outros episódios a que assisti noutras paróquias e no prosseguimento da sua obra. O que quero realçar, sim, é que pela vida fora e foram muitos anos em que à distância ou por perto, vivenciando situações dolorosas e deprimentes, nunca deixei de sentir a sua palavra amiga, o seu amor incondicional pelo próximo, a sua enorme compreensão.

Quando o visitei pela última vez, há cerca de quatro anos, na Santa Casa da Misericórdia, senti um calafrio e um choque pela sua decadência física, contrastando com a figura erecta e esbelta dos seus tempos de juventude. Todavia, algo no seu olhar, ainda revelava o fulgor e a bondade que o caracterizavam.

Agora, que se libertou do invólucro terreno e ascendeu a outras Dimensões de Luz e Amor, só me resta acrescentar:

OBRIGADA E… ATÉ SEMPRE, PADRE ANTÓNIO EMÍLIO!

Yolanda Faria 15.4.2008

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Fernando Figueiredo

Em nome da família do Padre António Emílio, agradeço a todos os antigos alunos do E.R.O. e da Escola Comercial as inúmeras e diversas manifestações de pesar, nomeadamente as memórias e mensagens que deixaram no “blog”.

Permitam-me, porém, que, como antigo aluno do E.R.O. e companheiro de meu irmão desde os tempos de menino, traga também aqui as minhas recordações.
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Vim ao mundo 13 anos depois dele e tive a sorte de ter participado também nas brincadeiras e jogos no parque e nos passeios, que ele organizava ainda seminarista.

Os colegas do Seminário, no livro de curso, quase todos destacaram o seu gosto pela música – foi mestre-escola da Schola Cantorum da Sé de Lisboa – e principalmente o seu Amor à gente nova. Escrevia um deles:
«Muito eu gostaria de ser das Caldas!... E não só por causa das cavacas… contentar-me-ia com menos…ser um modesto grilo, escondido entre a relva, para te ver, alegre como um pintassilgo, no meio da tua petizada do parque».



Já Padre, a paroquiar Tornada e Salir do Porto e a leccionar na Escola Comercial, foi convidado para director do E.R.O. … uma oportunidade de servir, de uma forma mais eficaz, a juventude da sua terra.
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Veio depois o desafio da construção do novo edifício do E.R.O., tarefa a que se dedicou de alma e coração.











Mas todas as aventuras têm um final, nem sempre feliz…








No entanto, a aventura continuou noutras paragens…havia muita gente nova à espera da sua Alegria, da sua generosidade, aquela forma aberta de estar, de ser, de conviver que lhe criou tantos “amargos-de-boca” e incompreensões.

Mas tenho Fé que o Senhor dos Justos, Aquele que foi sempre o guia da sua existência e da sua missão, já o recompensou de todos os dissabores e dos muitos sofrimentos físicos que o atormentaram ao longo de toda a vida.

Fernando Figueiredo.

PADRE ANTÓNIO EMILIO - As outras fotos

Recebi a mensagem acima publicada do irmão do Padre António Emílio, Fernando Figueiredo, e um total de treze fotografias. Tentei reproduzir o melhor possível a forma como o texto e as imagens estavam articuladas no Word que recebi, já que não era possível fazê-lo exactamente.

Posteriormente recebi dele mais cinco fotos que aqui exibo. Todas elas estão num novo álbum, integralmente dedicado à figura do falecido.
Tentei colocar tudos estes elementos online o mais rápido possível, espero que não haja muitos erros ou falhas.
JJ



















As fotos seguintes tinham sido recentemente enviadas pelo colega João Ramos Franco e destinavam-se a integrar o álbum em preparação.



Imagem da 1ª Missa do Padre António Emílio


Na Quinta de S. Jorge, propriedade do Dr. Asdrubal Calisto.

Em casa do Joca Calisto, em 1996

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Anabela Miguel

UMA PALAVRA DE MUITO CARINHO,
ONDE QUER QUE ELE SE ENCONTRE ...

No sábado ao ir ao nosso blog fiquei muito triste ao ter conhecimento que o nosso querido Padre António Emílio se encontrava num estado de saúde bastante complicado, depois de uma cirurgia a que tinha sido submetido.

Não sabia nada dele e foi no almoço de Novembro que, ao tentar ter notícias do Padre António Emílio, me foi dito que se encontrava na Santa Casa da Misericórdia e, já nessa altura, bastante debilitado.

Não consigo imaginá-lo “velhinho”, recordo um homem com um porte muito bonito, carinhoso e de uma grande humildade.

Já há algum tempo tinha vontade de exprimir o meu carinho por ele e hoje, mais do que nunca, devo fazê-lo, pois soube a triste notícia da sua morte.

Era muito novinha quando conheci o Padre António Emílio, andava eu na Primária e ele era o nosso Director. Foi um ser humano que me marcou para sempre devido ao seu carinho, disponibilidade e à palavra de conforto que tinha sempre para nós , qualquer que fosse a situação.
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Não me esqueço da sua presença assídua durante os nossos recreios, o que nos transmitia uma segurança tão doce.

Aqui fica uma lágrima e um beijo para ele.

Anabela Miguel
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PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Hermínio de Oliveira

O falecimento do padre António Emílio


Uma dolorosa surpresa me deu a notícia, tarde, da morte do meu querido companheiro de infância António Emílio de Figueiredo. Toda a infância comum deslizou numa recordação saudosa de tempos e lugares desaparecidos, de brincadeiras, gritos e gestos que encenavam o brincar de dois vizinhos, sempre amigos, num tempo em que agarrados a uma tábua com quatro rodas, feitas de caixa de pomada, descíamos a Rua Heróis da Grande Guerra até à Estrada da Foz sem que nem sequer um automóvel estorvasse essa aventura – hoje impossível.

E ainda não havia a Rainha, o que quer dizer que ainda não tínhamos 9 anos. E como eram maduros, os miúdos naquele tempo. Eu comecei a trabalhar com 11 anos e o António Emílio, feito o exame primário, foi pela madrinha levado ao seminário. Nunca esmoreceram as nossas relações. O sorriso aberto do António Emílio foi sempre para mim um sol sem núvens e era com um sentimento profundo de grande afecto que lhe ouvi muitas vezes dizer que compreendia muito bem a minha descrença e que nunca a fé ou a sua falta podia ser a pedra onde tropeçasse a nossa amizade.

- Que grande homem foi António Emílio!

Temos sempre muita pena por perdermos os nossos amigos e um dos deveres que nos ficam é testemunhar à sua família que partilhamos o seu desgosto.

Hermínio de Oliveira
(Texto publicado no Jornal das Caldas em 26 de Março de 2008)

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Emiliana

Homenagem ao Padre António
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"Hoje sinto-me profundamente triste.

O Padre António partiu e a minha distracção mais uma vez fez com que eu não o acompanhasse!
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Quero que saiba contudo que permanece sempre bem presente nas minhas boas recordações.

Em grande parte são da sua responsabilidade os tempos inesquecíveis dos meus primeiros anos de colégio que me marcaram muito e influenciaram profundamente o modo como olho o mundo e os valores que defendo.

Teria gostado muito que os meus filhos, e agora os meus netos, tivessem tido a sorte de, tal como eu, ter um Padre António como Amigo e como educador.

Até sempre

Emiliana"

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - Ana Nascimento

Obrigada Lena, Mélita, Júlia, Bonifácio, São, João e Guidó, pelo vosso testemunho sobre o nosso padre António .
Não sei que mais acrescentar, talvez a conversa que nunca tive…
Cá vai.




“Olá Senhor Padre António

Sou eu a Ana… cheguei agora ….estava a estranhar que eu não aparecesse? Estou aqui sim , … venho dar-lhe o meu abraço……

Quando soube que partiu fiquei triste… triste…e com uma saudade enorme dos momentos em que esteve connosco… do seu riso… das suas palavras…do seu carinho…….e da fé que nos transmitia de um modo tão simples….

Pensei ….ai como o tempo passa !!!…a última vez que estive consigo foi no casamento da Elinha , neta da nossa menina Alda, lembra-se ?....e mais triste fiquei por sentir que deixei que a vida nos afastasse nestes últimos tempos.…

Mas não o esqueci… não posso esquecer quem fez parte da minha vida e me ajudou a crescer… não sou mais a menina tímida e reservada que conheceu…. sou uma mulher de afectos, com uma grande alegria de viver….. e foi consigo que descobri que era isso que eu queria ser.…

Digo-lhe que também foi graças a si que a minha fé foi aumentando … foi pela sua mão que fiz a minha primeira comunhão….que a Guida e a Paula foram baptizadas e que a Luisa casou na capela do nosso Colégio …

Também não esqueci as nossas reuniões das Guias, onde entre sinais de pista, bandeiras e mensagens em código, prevalecia a ajuda aos outros… o dar sem esperar receber…. o não faltar à verdade… a honestidade…..

E na colónia de férias ? lá estava o senhor a orientar-nos quer nas coisas terrenas (quem ia comprar o pão, quem ajudava na cozinha, quem limpava a camarata …) quer nas espirituais (o terço rezado ao fim da tarde no cimo das dunas de Salir era um momento muito especial em que me sentia muito próxima de Deus ).

E no Colégio ? a porta do seu gabinete estava sempre aberta para toda a gente desde nós miúdas, até ao grupo das mais velhas que .estavam no magistério. Eram cachopas quase todas vindas do norte, sem qualquer família nas Caldas e para quem era muito difícil ir passar o fim de semana a casa. O sr, padre António sempre as apoiou e procurou minimizar essa falta … Ciúmes ? sim acho que houve …. não nossos (fez-nos sempre sentir suas sobrinhas e sobrinhos de coração) mas de algumas cabeças que não sabiam o que era o amor puro e simples e nunca podiam compreender quem o dava.….

E também não esqueço o homem verdadeiro e honesto que sempre foi .. até vendeu o seu carro para fazer face a despesas do Colégio…!!!!.

Sim, meu Padre António, o senhor na sua caminhada transmitiu sempre amor à sua volta e na dor e na alegria sempre serviu a Deus…. E se acaso alguma dúvida existisse em mim , eis que o Senhor o chama à Sua presença no sábado de Aleluia….. não há coincidências meu amigo … foi porque Ele quis mostrar quão grato era ao Seu coração.

E foi pensando nisto que fiquei mais tranquila …com a certeza que neste momento está olhando e pedindo por todos estas suas meninas e meninos a quem deu tanto de si…. a quem tanto amou…..

Obrigada meu amigo, beijinhos e até um dia ….

Ana

PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - outras referências







O Blog da Escola Comercial dedica um artigo, com duas fotografias, ao Padre António Emílio. Podem ver em :






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João Bonifácio Serra, no seu site pessoal, tem também uma pequena biografia do Padre António Emílio e uma reflexão sobre a cerimónia fúnebre. Vale a pena visitar:





PADRE ANTÓNIO EMÍLIO - João Ramos Franco







Almoço de Homenagem - 50 anos de ordenação



O que senti com a notícia do falecimento do Padre António Emílio é para mim difícil de expressar por palavras.


São tantas as recordações do bom amigo que sempre foi, não só como Director do Externato Ramalho Ortigão como em todo a minha vida, que o meu ideal de Humanismo tem um lugar de referência nele.


O Homem e Padre António Emílio estará sempre vivo no meu pensamento.


Obrigado por tudo António Emílio…

João Ramos Franco

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A presença de muitos Antigos alunos do Erro e amigos, diz muito sobre Padre António Emílio.
Este almoço foi no restaurante “O Aviário”, na estrada de Tornada, a quando do regresso do Padre António Emílio às Caldas, quando tomou posse em Salir do Porto, em 1996.


Da esquerda para a direita (em pé) estão:
João Ramos Franco, Jorge Calisto, Dr. Ernesto Moreira, Ricardo Machado, Pe. António Emílio, Artur Capristano, Arlete, Caetano Ferreira, Tó Freitas, (não identificamos quem seja), Álvaro Laborinho, José Luís Lalanda, Marcelo Morgado.

Em baixo, da esquerda para a direita estão:
Próspero, Abílio de Salir do Porto e Figueiredo Lopes
Rever esta fotografia é mantê-lo bem presente em nós.


João Ramos Franco