ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

Mostrar mensagens com a etiqueta professores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta professores. Mostrar todas as mensagens

O princípio da revolta (J B Serra)

por João Bonifácio Serra
Sugestão para audição:


Não sou, nem nunca fui, um rebelde. Mesmo nos momentos mais afirmativos do protesto adolescente, e, em geral, da autonomia juvenil, não vivi nenhuma crise prolongada de relação com o meio familiar ou escolar. Se fiz rupturas, como toda a gente, foram cumulativas e as inquietações não passaram disso mesmo: estados de alma que, acredito, foram quase sempre criadores.

Uma situação houve no entanto em que julgo ter estado próximo da fronteira que acabo de negar ter passado. Foi o Padre Albino que a originou. Passo a contar.

Em 1964 comecei a enviar pequenos textos de índole literária para jornais e rádios. Alguns foram publicados, estimulando a continuidade e a ambição do escrevinhador. A Gazeta das Caldas tornou-se naturalmente um alvo preferencial dessa investida. Em princípios de 1965, a Gazeta concedeu-me mesmo o título de redactor, um cartão assinado pelo Director, cuja utilidade, não sendo muito clara, para além de uma ocasionais entradas gratuitas no Salão Ibéria, me pareceu uma singular distinção.

Na Gazeta eu fazia um pouco de tudo: desde as inevitáveis tentativas literárias (que se outro mérito não tiveram, pelo menos me permitiram concluir cedo que o melhor era não ir por aí…) a reportagens dos mais variados acontecimentos, críticas de livros, entrevistas, etc.

Num dos primeiros dias de Março de 1965, quando saí da carrinha que me trazia do Carvalhal Benfeito, o Sr. Ulisses deu-me o recado: que o Senhor Director me esperava no seu Gabinete. Como em regra a chamada a este Gabinete trazia agarrada um encargo ou observação desagradável, lá me dirigi, apreensivo, ao encontro do Padre Albino. O que ele tinha para me dizer apanhou-me completamente desprevenido. Tive até alguma dificuldade em descortinar o sentido da questão. Mas, por fim, lá o entendi: ele estava pura e simplesmente a ordenar-me que submetesse à sua apreciação prévia todo e qualquer texto destinado a publicação. Olhei-o atónito. Nunca tinha lidado com uma situação deste tipo e comecei por argumentar sobre a exequibilidade da medida. Expliquei ao Director como é que o jornal era composto (nessa altura ele era feito numa tipografia tradicional pertencente à própria empresa da Gazeta, na Rua do Montepio), apostado em fazê-lo compreender que no caso das reportagens eu as tinha de escrever muitas vezes no próprio dia do acontecimento narrado. Foi intransigente: eu tinha que lhe entregar os textos, ponto. Ele demoraria os dias que fossem precisos a ler e a emendar, ponto. A emendar? - perguntei incrédulo. Sim, isso mesmo, ponto.

No dia seguinte, na vitrina do átrio, lá estava um aviso. Invocando o estatuto do ensino particular determinava que todos os textos da autoria de alunos e destinados a publicação teriam de obter a prévia concordância do Director do Externato. Que eu soubesse, esse aviso só a mim dizia respeito. Não havia nessa altura mais ninguém que escrevesse regularmente para jornais.

Poucos dias depois, fui entregar no gabinete do Director um primeiro texto, de acordo com as novas regras. Tratava-se de um artigo de opinião intitulado “Homenagem a Calouste Gulbenkian”. Nele comentava uma proposta defendida por António Pedro (pintor, dramaturgo) no sentido de homenagear Calouste Gulbenkian, erguendo-lhe um monumento em Lisboa. Aplaudindo a ideia, eu sugeria que nas Caldas se desse o nome de Calouste Gulbenkian a uma rua da cidade.

A obra da fundação que patrocinara justificava-o amplamente. Não haverá, argumentava eu, parte alguma do território português aonde não tenham chegado os dedos da sua obra. “E quando – rematava eu – actualmente se promovem homenagens (… e tantas são!) cuja oportunidade nem sempre será indiscutível, quão maior é a pertinência desta, em memória do Príncipe dos Beneméritos do País”.

Três dias depois, o Padre Albino devolvia-me a crónica. Mas este último parágrafo, em que aludia a homenagens discutíveis, estava assinalado com uma cruz. A sua publicação não era permitida, informou-me, sem mais explicações.

Desta vez encarei o Director com outra determinação. Como era possível que aquela inofensiva afirmação merecesse ser cortada? Foi então que se me fez luz: o que o Padre Albino estava a praticar comigo era Censura. CENSURA! A famosa Censura, aquela que de que toda a gente se queixava surdamente no jornal, que obrigava a mandar os textos a Leiria, um a um, antes de serem publicados, e de onde vinham autorizados, autorizados com cortes ou pura e simplesmente recusados. E agora ela estava ali diante de mim, pronta a usar, antes mesmo da outra, o seu severo lápis azul. Achei que não, que não podia pactuar com tal iniquidade.

Copiei numa folha o conteúdo do aviso e nesse mesmo dia dirigi-me, ao fim da tarde, ao consultório do advogado e director da Gazeta, Carlos Manuel Saudade e Silva, um primeiro andar de um pequeno prédio da praça, perto da livraria Silva Santos. Contei-lhe o que se passara e entreguei-lhe a cópia do aviso e o original do artigo sobre Gulbenkian. - Não há nenhum artigo no Estatuto do Ensino Particular que imponha esse princípio. Você não deve cumprir essa ordem. E o artigo vai ser publicado assim mesmo no jornal. - E se ele me ameaçar? – perguntei. - Deixe isso comigo - respondeu.

De facto, na sua edição de 27 de Março de 1965, a Gazeta publicou na primeira página o meu artigo. Ignoro o que se passou entre o Director do jornal e o Director do colégio. Passados uns dias o aviso desapareceu. Nunca mais ouvi falar no assunto.

A atitude do Padre Albino não bastou, até porque, como se viu, foi improcedente, para fazer de mim um rebelde. Mas permitiu-me enfrentar relativamente cedo o autoritarismo, a intolerância, a arbitrariedade censória. O máximo responsável pela instituição onde eu aprendia não queria estimular a criatividade dos seus alunos, mas vigiá-la, submetê-la a controlo. O Padre Albino permitiu-me clarificar que havia uma fronteira da liberdade, e que de um dos lados eu, definitivamente, não queria estar. No momento em que ele me mostrou o texto censurado experimentei, pela primeira vez, a revolta contra a arrogância do poder. Graças ao Padre Albino percebi isso, em experiência directa, percebendo também contra o quê e quem é que eu me iria identificar.

É isto que de importante lhe devo. Não fez de mim um rebelde, mas graças a ele compreendi o sentido da revolta.

João Serra

TEACHERS (Leonard Cohen)

A nova geração de professoras (1970/1972), por Isabel Xavier

.

Em 1970 morreu António de Oliveira Salazar. Nesse mesmo ano o Papa Paulo VI recebeu os representantes dos Movimentos de Libertação das colónias portuguesas, houve manifestações contra a Guerra Colonial e foi criado o MRPP. No ano seguinte, 1971, as Universidades portuguesas contavam com a presença constante de forças policiais fardadas e à paisana. Em 1972, o estudante Ribeiro Santos foi morto a tiro pela DGS no interior das instalações da Universidade de Lisboa e foram presas cerca de 70 pessoas por se terem reunido na Capela do Rato em nome da Paz.

E no Externato Ramalho Ortigão, passar-se-ia algo de análogo? De que modo reflectiria esse “pequeno mundo” as transformações gerais que à sua volta, e designadamente no meio estudantil universitário, indiciavam o começo do fim da ditadura?

O director era o Padre Xico. As raparigas (e algumas professoras, segundo testemunhos prestados na primeira pessoa aqui no blogue) usavam mini-saia, maxi-saia ou calças; os rapazes deixavam crescer o cabelo e todos (menos eu) – rapazes e raparigas - fumavam desalmadamente, como se não houvesse amanhã, às escondidas, nas casas de banho do colégio. Mas, e este pormenor não é despiciendo, os rapazes mais velhos já eram autorizados a fazê-lo, durante os intervalos, fora das instalações do colégio. Vinham para junto do gradeamento do recreio das raparigas que se “penduravam”, conforme podiam, ao longo do dito (eu também).

Além das significativas mudanças já enunciadas, outro facto marcante dos novos tempos que se viviam no colégio, entre 1970 e 1972, foi a integração no seu Corpo Docente de uma nova geração de professoras, entre elas a Dra. Noémia e a Dra. Júlia, que leccionavam, aliás com competência inquestionável, respectivamente, as disciplinas de História e de Português.

.
Cada uma à sua maneira, e por motivos distintos, se distinguiam dos professores a que estávamos habituados. Desde logo, pelo aspecto físico, a Dra. Noémia, que já tem aparecido em várias fotografias do blogue, tinha um ar arrapazado, andava sempre de calças; a Dra. Júlia usava brutas mini-saias, blusas decotadas e até mesmo de alças (ai se o Padre Albino visse...) e era um tanto “esgrouviada” de modos.



Depois, pelo modo como se relacionavam com os alunos. Mesmo eu, pouco dada a folias, me lembro de ter integrado um grande grupo responsável por um “assalto” de Carnaval a casa da Dra. Júlia. Dançámos, comemos, bebemos e lembro-me até de o Henrique Conceição, enquanto o Vasco Baptista se afastou por qualquer motivo, me ter vindo dizer com indiscutível convicção e uma voz algo arrastada: “Tu é que és boa rapariga, tu é que és mesmo boa rapariga!”. Valeu-me o Chico Carrilho que nos “separou”, ao mesmo tempo que dava razão ao Henrique. Fez bem, há certas ocasiões em que as pessoas não devem ser contrariadas, principalmente quando estão cobertas de razão.
.
Já em casa da Dra. Noémia, a que também cheguei a ir com outros colegas, lembro-me de lá ouvir canções revolucionárias, as inconfundíveis músicas do cancioneiro anti-regime. Noutro registo, mas não menos interessante, lembro-me de ter sido aí que pela primeira vez ouvi Leonard Cohen, num disco levado pela Dra. Cármen, nossa professora de Inglês, deixando-me encantar (até hoje) pelos belíssimos poemas e melodias das suas baladas.

Alguém pensaria serem possíveis episódios destes em casa de professores do ERO? Sinais dos tempos!

- Isabel Xavier -


= "TEACHERS" Leonard Cohen =









__________________________________________________________


COMENTÁRIOS
.
JJ disse:
.
Não queria terminar esta série sobre os Professores sem assinalar a chegada ao Colégio de uma geração de professoras de "tenra" idade e pouca experiência lectiva no final da década de 60. Na minha memória é a Inês a primeira, depois a Ermelinda, Helena, Ana V Lino (apenas um ano, julgo), a Carmen, a Noémia e a Júlia. Estas três últimas trazem uma nova forma de relacionamento com os seus alunos, mais informal e que se prolongava fora do espaço do Colégio. Em casa da Noémia e da Nani, ali junto à Ponte, jogavam-se cartas e ouvia-se música diariamente, organizavam-se jantares e festas quase todos os fins de semana.

A Júlia morava ao pé do Convívio e era frequente encontrá-la a lanchar e conversar num dos cafés da praça. Era uma pessoa divertida, desinibida e bem disposta que falava pelos cotovelos e ria com facilidade e frequência

Eu frequentava a alínea F, não fui aluno de nenhuma delas, mas mantive esta convivência, que se prolongou, para mim, entre 1970 e 1972.
.
O texto da Isabel é excelente, enquadrando bem a época e as caricaturas da São Caixinha; talvez por ter destas duas senhoras uma memória mais recente e de quando ela própria era mais velha, estão, na minha opinião, entre as suas melhores ilustrações nesta série. Mas há mais....
.
Gostaria de saber o que é feito da Ermelinda (uma das melhores professoras que tive no ERO), da Helena, da Noémia e da Júlia. Alguém sabe?
.
Isabel X disse...
Só para corroborar o que diz o Jales: as caricaturas da São estão simplesmente notáveis! Enquanto estive na faculdade (acabei o curso em 81) ainda vi algumas vezes a Dra. Júlia por lá. Depois, nunca mais! Também já me tenho perguntado: que será feito destas professoras?
- Isabel Xavier -
.
João B Serra disse:
.
Em poucas palavras, uma evocação sugestiva de uma época, com as suas personagens, estilos de vida, formas de relação, e com os seus ambientes: é assim que escreve a Isabel Xavier (e reconstitui pelo desenho a São Caixinha). Claro que também fala de si própria, mas com a sobriedade própria de quem historia o que testemunhou.
Nada tendo a acrescentar, só posso corroborar: em 1970 ingressou no ensino público e particular uma nova geração de professores. Eles tinham obtido um grau académico passando por cima de colegas que entraram antes na Universidade, pois foi em 1968 que o Ministro José Hermano Saraiva criou nas Faculdades de Letras e de Ciências o grau de bacharel. Eram realmente mais novos – dois anos em média – que os seus colegas licenciados e tinham apanhado em cheio as movimentações estudantis de Lisboa (1968) e Coimbra (1969). A geração do “rock” tinha agora a responsabilidade de fazer diferente na escola que tanto contestara.
.
Julinha disse:
O artigo da Isabel está muito engraçado, gostei e fez-me lembrar um dito muito conhecido "chegou uma lufada de ar fresco" ao Blog!
Quanto aos desenhos da São, eu que não conheci nenhuma destas senhoras, parece que as estou a ver tal como a Isabel as descreve.Parabéns às duas meninas.Beijinhos. Júlia R
.
Isabel Esse disse...
Está muito bom o artigo,como tem sido uma constante com a Isabel Xavier.Os desenhos da São estão estupendos,tem razão o Jales ao dizer que são dos melhores que ela fez!Conheci a casa da Noémia(e da Nani),era um sítio divertido,em que todos estavam à vontade.Lembro-me de lá ver a Lena,irmã da Isabel,a Fani,a Teresa Miguéis,a Zé Pereira,mas não a Isabel,que era mais nova.Lembro-me também de uma festa de Carnaval em 71 ou 72com o Henrique,Nuno Mendes,Jales,Hipólito,não sei se será dessa que falas?Beijos.Isabel
.
Ana Carvalho disse:
Olá João
Não se pode uma pessoa ausentar durante 2 ou 3 dias e aparecem logo 2 excelentes textos no nosso blog.
Como sempre as caricaturas da São estão fantásticas e o texto da Isabel como sempre muito bem escrito. A drª Noémia e a Drª Júlia... que professoras fantásticas e amigas até, belas tardes que passámos em casa da Drª Noémia e Nani a jogar às cartas, a ouvir musica, a conversar.
Também eu fui ao assalto de carnaval, uma maravilha. Gostava de saber o que foi feito delas, tal como a Drª Inês talvez aparecçam aqui um dia destes. Bjs PP
.
José Carlos Faria disse:
Consultar o blog após um período de ausência é um prazer sempre renovado. Desde logo porque há surpresas à espreita.
Desta vez foram os textos do Dr. Serafim e da Isabel Xavier. Sobre este último, o cruzamento, tão bem urdido, das memórias pessoais com os dados históricos, levou-me uma vez mais a compreender que as grandes transformações decorrem de uma sucessão de pequenas mudanças, por vezes imperceptíveis, mas que vão lentamente infiltrando raízes, abrindo brechas naquilo tido por supostamente impenetrável, até brotar a subtil planta do Novo, algo de substancialmente diferente do até aí vivido.
Também foi assim connosco: O Colégio, apesar da tendência imobilista e conservadora em que muitas vezes esteve mergulhado, não era (nem podia ser) uma ampola que nos isolava do Mundo e nos tornaria imunes e insensíveis aos tempos e ao soprar dos seus ventos. Éramos muito jovens num tempo (ainda) muito velho. O que estava para vir seria aliciante e inesquecível....
Quanto às duas recentes caricaturas que nos são oferecidas pela São Caixinha confirmam (se preciso fosse) o talento certo da autora e sendo particularmente conseguidas, fazem sobressair ainda mais uma colecção de grande qualidade.
Este nosso blog, a meu ver, já tem conteúdo que justifica começar a pensar numa antologia editada em suporte papel. As caricaturas são, desde logo, material a seleccionar. Z C Faria
.
São Caixinha disse:
O texto da Isabel X sobre a Dra. Noémia e a Dra. Júlia está muito interessante!! E que excelente memória também!
As caricaturas a enquadrar este tipo de textos ficam naturalmente muito enriquecidas! Obrigada de qualquer forma pelas simpáticas palavras! Sabem sempre bem os elogios, tenho que admitir!
Concordo com o JCF ao referir que há material de qualidade suficiente para uma publicação em papel...pela abundância creio que haverá até alguma dificuldade na selecção de textos e comentários! Fico a aguardar o final da série!!

A DRA. MARGARIDA E EU (Jaime Serafim)

.por Jaime Serafim
.

Apesar de ter nascido em Lisboa, eu sou de famílias desde sempre ligadas ao mundo rural e foi numa aldeia perto das Caldas da Rainha que fui criado, brinquei e frequentei a escola primária.
Ainda hoje não sei a razão de, desde muito pequeno, apesar de não saber o que mais tarde queria ser, eu sabia que não queria ser agricultor. Será porque achava muito penosas as tarefas da agricultura? No entanto elas eram as minhas únicas referências, a não ser…
A não ser o que fazia o Sr. Francisco – ele tinha uma padaria, cozia um pão estaladiço, leve e cheiroso, andava sempre limpo, uma camisa branca impecável, cabelos lavados, levemente empoados de farinha….
Já sei! Quero ser padeiro!
Entretanto, com a entrada na escola, vi que a professora, uma senhora já bastante idosa, tinha uma vida limpa, interessante… e sabia tantas coisas! Eu achava que ela sabia tudo! Toda a gente a cumprimentava respeitosamente, com alguma cerimónia, e ela tinha sempre uma douta palavra, própria para cada momento.
Agora é que sei! Quero ser professor!
O problema é que, para ser professor, tinha que ter estudos para além da quarta classe. Nunca ninguém da minha família, nem naquela terra, tinha ido mais além nos estudos. Como havia de ser?
Na altura era impossível uma criança deslocar-se diariamente da aldeia para a cidade – em alguns dias de inverno, até de burro era quase impossível. Das conversas com os meus pais, a propósito da minha ambição, resultou que decidiram mudar de vida e passarem a residir em Caldas, onde o meu pai procurou trabalho, passando de proprietário, como na altura se dizia, a trabalhador por conta de outrem, como hoje se diz.
Fiz a admissão ao Liceu em Lisboa, no Liceu Camões e, em Outubro de 1953, mudámo-nos para Caldas e fui matriculado no Externato Ramalho Ortigão, a única instituição que ministrava o ensino liceal. As mensalidades eram caras para as nossas posses, mas com uma espantosa gestão dos meus pais, conseguiram uma harmoniosa tranquilidade e bem-estar familiar, onde os afectos estiveram sempre presentes, para que eu pudesse concretizar o meu intento. Tive os melhores pais do Mundo!
Nos dois primeiros anos, os estudos correram bem, dentro da normalidade, sem nada de especial a assinalar. Tive bons professores, muito empenhados, simpáticos e competentes. Apenas me vou referir, pela negativa, à professora de Português que tive no primeiro ano – a Dr.ª Lúcia. Muito competente certamente, mas muito ríspida e, quando se desagradava por algo menos bom, ela, que já não era bonita, fazia uma cara feia e franzia o lábio superior, acentuando ainda mais a negritude do generoso buço. Exibia um ar feroz e eu, coitado de mim, ficava secretamente horrorizado…
Mas foi a partir do 3.º ano que o meu futuro se começou a delinear mais claramente. A Dr.ª Margarida Ribeiro Rodrigues iniciou funções no Externato – estávamos em 1955. Por minha sorte, foi minha professora de Matemática, Físico-Químicas e Ciências Naturais. Naquele tempo era assim, os professores tinham que leccionar em áreas adjacentes à da sua formação.
Foi com o desenrolar das aulas da Dr.ª Margarida que eu comecei a aprender que o Mundo que me rodeava era muito mais rico e interessante do que eu alguma vez poderia imaginar. As transformações que se observavam, mesmo que simples, tinham a sua interpretação e explicação. Era possível relacionar fenómenos que aparentemente pareciam díspares… Descobri o fascínio do raciocínio matemático, que tão tranquilamente nos fornecia previsões, conhecimentos, ajudava a estabelecer relações e era, só por si, algo de maravilhoso.
Naqueles tempos, o estudo da Física e da Química era feito pelo livro, sem qualquer apoio experimental. Os ensaios práticos eram lidos ou explicados pelo professor. A Dr.ª Margarida, apesar do reduzido material de laboratório de que o Externato dispunha, sempre acompanhou as suas aulas com os ensaios experimentais possíveis de realizar. Eu vi e cheirei cloro, observei a sublimação do iodo, assisti ao precipitar do sulfato de bário, vi água a transformar-se em oxigénio e hidrogénio… experimentei tantas coisas, tantas… era um Mundo novo que se me abria!

Mais tarde, reconheci que, em qualquer destas disciplinas, há temas pesados e difíceis, mas enquanto as aulas foram dadas pela Dr.ª Margarida, não dei por isso. Era tudo tão bonito e fácil!
Provavelmente, por imperativos de distribuição de serviço, no 5.º ano, em Ciências Naturais, a Dr.ª Margarida foi substituída por outro professor. Esta disciplina perdeu o encanto, tornou-se difícil e muito maçadora. Mas, felizmente, a nossa turma continuou a ter aulas de Matemática e de Físico-Químicas com a mesma professora.
Agora sei! Quero ser professor de Físico-Químicas! Ou de Matemática?
Infelizmente para nós, a Dr.ª Margarida deixou-nos no final do 5.º ano (1958). Decidiu, e muito bem, enveredar pelo ensino oficial.
Nos 6.º e 7.º anos tive outro professor de Físico-Químicas e outro de Matemática. A diferença era abissal. O empenhamento, a alegria da leccionação e a força que a Dr.ª Margarida imprimia na dinâmica de uma aula foram substituídos por matéria dada a velocidade de tartaruga, num caso e a velocidade da luz, no outro. Foi um desconsolo.
Mas não importa, o gosto pelo conhecimento, a beleza da Ciência e o tornar acessível o que parecia difícil, já estavam interiorizados – a Dr.ª Margarida tinha-me marcado para sempre! Restava-me, quase sozinho, dar conta do recado. E dei!
Terminado o 7.º ano, fui ver os elencos das cadeiras dos cursos entre os quais hesitava. Verifiquei que em Ciências Matemáticas apenas tinha uma cadeira de Física e outra de Química, mas em Ciências Físico-Químicas tinha muitas cadeiras de Matemática, para além das muitas de Física e de Química.
Então, finalmente, decidi: Quero ser professor de Físico-Químicas!
Anos depois, estreei-me, como professor, no Externato Ramalho Ortigão. Eu, que apenas tinha frequentado, como aluno, o Externato no “prédio do Crespo”, encontrei no novo edifício excelentes salas de aula, laboratórios muito mais bem equipados e uma confortável sala de professores. O ambiente também já era outro – tudo era muito mais organizado, aprumado e formal, direi mesmo requintado para a época. Eu tinha 21 anos, era um rapazeco, sentia-me um pouco constrangido, mas fui sempre muito bem tratado e respeitado por todos: Director, colegas, empregados, alunos e pais.
Foram-me atribuídos 5 níveis para leccionar. Tive de trabalhar muito. Na preparação das lições, procurando qual seria a melhor estratégia para a leccionação de cada tema, quantas vezes recorri ao que vi a Dr.ª Margarida fazer nas aulas. Recordava-me perfeitamente da forma como a Dr.ª tinha leccionado, das estratégias que tinha usado, e tentava seguir-lhe as pisadas. Foi, sem que o soubesse, a minha primeira metodóloga.
Como se pode perceber, eu não podia deixar passar a excelente oportunidade que este maravilhoso blogue me dá, para prestar um preito de homenagem a esta QUERIDA SENHORA que tanto me marcou e influenciou tão positivamente toda a minha vida. Bem-haja Dr.ª Margarida Ribeiro!
Era (e ainda é) uma senhora de apresentação sempre muito bem cuidada, bem penteada, saltos altos e que deixava à sua volta um perfume que nunca esqueço – quente e suave. Usava sempre a mesma marca (Boalis). Um dia perdeu uma luva e, quem a encontrou, foi devolver-lha, porque de imediato reconheceu, pelo perfume, a quem pertencia.
Em 1970 (ou 71?) Dr.ª Margarida, agora docente do quadro da Escola Secundária de Rafael Bordalo Pinheiro, voltou ao Externato para leccionar, em regime de acumulação, algumas turmas de Matemática. Imagine-se a minha honra, alegria e satisfação em poder ter a meu lado uma pessoa que tanto admiro.




Falámos ao telefone há uns dias. Fiquei feliz por saber que se encontra bem, mantendo o mesmo espírito elevado e alegre, tão característico das pessoas inteligentes e boas, que sabem dar tanto e tanto têm para dar.
Para si, Dr.ª Margarida, um beijinho de muita amizade e gratidão e um abraço do tamanho do Mundo.
Ah, é verdade… essa ideia de ser padeiro nunca me abandonou de todo. Ainda hoje sinto um fascínio enorme perante um forno de lenha a arder. Não é, Manela?

.
Jaime Serafim




DO YOU SPEAK ENGLISH?

por Luis Flores Santos

Flores e Zé Neto



Estou simplesmente fascinado com o magnífico artigo do Luís Marcelino!

Não podia imaginar que quarenta anos depois, através de um retrato tão preciso e sensível, se tornaria presente a imagem da Drª Cândida num testemunho tão genuíno quanto impressivo do nosso amigo Luís António.

Subscrevo a substância e admiro a forma como ele me fez regressar de novo a uma época tão marcante para todos nós. Estimulado pela evocação do Dr Luís, não resisto a contar uma experiência surpreendente que vivi no início das férias grandes seguintes à conclusão do 3º ano.

Estávamos por isso em 1967 e o nosso inglês tinha os pilares assentes numas centenas de tiras de papel com cinco frases, cortadas artesanalmente de folhas A4, distribuídas em cada aula ao longo do primeiro ano da disciplina.

No prédio contíguo à casa dos meus pais existia ainda o Museu de equitação e toureio Joaquim Alves, obra notável do saudoso Dr Paulino Montez que com tenaz dedicação o manteve vivo até ao limite das suas forças. Segundo creio, o espólio acabou por ser doado à autarquia, tendo-se-lhe perdido o rasto!

A este propósito, devo dizer que não sou apreciador da arte e tenho mesmo algumas reservas em relação a certos valores que lhe estão subjacentes. Mas o Museu Joaquim Alves tinha um acervo vasto e valioso, reunido ao longo de décadas com laborioso empenho do seu promotor, não deixando de ser, à sua escala, um espaço de cultura que merecia ser preservado. Talvez esteja mal informado, ou mesmo a conjecturar injustamente, mas tudo me leva a crer que os esforços que o Dr Paulino Montez fez em vida para que não se perdesse o seu trabalho foram totalmente inúteis e manifestamente incompreendidos.

Mas voltando ao tema, numa tarde de um Sábado soalheiro quando saía de casa, deparo-me com uma figura de um homem estranhamente alto, cuja atitude identifiquei de imediato como mais um dos forasteiros que, com frequência, rondava a zona procurando o museu que em geral estava fechado. Nesses casos costumávamos tentar contactar o Dr Paulino Montez que comparecia, passados poucos minutos, para iniciar mais uma viagem pelas memórias do tempo tauromáquico, expostas ao longo das cerca de 8 salas totalmente repletas de cartazes, fotografias, vestuário, farpas, capotes, muletas e centenas de outros objectos, cada um com a sua mensagem precisa, premiando o esforço de quem procurara a visita.

“Do you speak english”? Ouço numa pronúncia inovadora, mas que me impeliu mecanicamente a responder: “Yes, I do”! Mal eu sabia que ia ser confrontado com a maior prova da competência de um professor que alguma vez tinha experimentado!
Richard Earl Perry Cone, mais tarde simplesmente o meu amigo Dick Cone, era um americano de Los Angeles que já visitara Portugal outras vezes, procurando desta feita visitar o museu do qual ouvira falar não sei como. Na excitação dos meus 13 anos e imbuído da natureza prestável atribuída aos portugueses, ainda por cima podendo exercitar o meu incipiente inglês, apressei-me a encontrar o Dr Paulino Montez que, como de costume, compareceu prontamente para novo périplo taurino.
Julgava aí terminada a minha missão, mas enganava-me. Creio que o Dr Montez não dominava a língua (à distância de quatro décadas é pelo menos essa a justificação que me satisfaz) e vejo-me então catapultado para guia de língua inglesa num museu de equitação e toureio, tema associado a um léxico técnico de grande extensão, àcerca do qual o meu conhecimento era rigorosamente nulo!

Ainda hoje não sei como circulei por aquele espaço hermético, exprimindo-me com desinibida desfaçatez, “traduzindo” as dicas que o Dr Paulino me transmitia em frases construídas a partir do vocabulário adquirido ao longo de um ano nos recortes de cinco frases do Dr Luís. Sei apenas que o Dick manifestava assertiva compreensão pelo meu esforço e o feito mereceu destaque no meu curriculum durante muitos anos, até se instalar no baú das memórias de infância como uma das glórias mais nobres de aluno do Ramalho Ortigão.

Nesse dia compreendi que, para além do prazer da aprendizagem que aquele professor tinha trazido para as nossas aulas com o seu método revolucionário e a sua técnica para estimular uma saudável competição entre nós todos, ele nos estava sobretudo a preparar para a vida.

Durante vários anos troquei correspondência com Dick Cone que me enviava regularmente informação em inglês sobre os mais variados temas. Chegou a oferecer-me uma assinatura da saudosa revista “Life”, até que as voltas da vida acabaram por me fazer perder o seu contacto, o que lamentei especialmente quando tive oportunidade de visitar Los Angeles e não o soube encontrar.

Obrigado Dr Luís por nos ter dado a oportunidade de aprendermos consigo.

Obrigado Luís António por me teres estimulado o despertar dessa agradável memória.


.
LFS
.
.
.
.
.
As fotografias são da colecção do Padre Xico
e escolhidas por mim para ilustrar o artigo. JJ
.
_______________________________________________________
COMENTÁRIOS
.
Ana Carvalho disse:
Que rapazinhos tão jeitosos que estão na foto, uns autenticos galãs! Ainda não existia a Coca-Cola em Portugal senão decerto que os contratava para um anúncio! Flores, que texto excelente, tu sempre escreveste bem, se bem me recordo. Volta sempre, é um prazer ler o que escreves.
Aparece mais vezes.Bjs PP
.
Flores disse:
Creio que nunca tinha visto estas fotografias, que se referem ao nosso primeiro acampamento no Bom Sucesso, com o Padre Xico.
Talvez venha a ser também um tema para evocar em ocasião com mais tempo.
Abraço
.
Luisa disse:
Como já disse antes fui aluna do Luis que considerei um excelente professor. Considero estes dois textos excelentes testemunhos e uma confirmação da minha opinião. Aproveito para cumprimentar os dois autores(só me lembro do Flores)porque estão ambos escritos de forma a enaltecer o Colégio onde estudaram!
.
AntMor disse...
As fotografias são fantásticas,o Flores e o Malinha escrevem muito bem,onde vai parar este blogue???E o que é feito do Tó Zé Neto que parece uma estrela do surf dos anos 60???O Luis e a Cândida eram Grandes professores,assino essa declaração.
.
João Jales disse:
A grande qualidade dos textos do Flores ficou bem patente nas suas colaborações iniciais neste Blog, lembro-me bem que ele foi um dos primeiros a não "recear" partilhar as suas memórias e a fazê-lo de uma forma muito original.
Além de todos os méritos que lhe apontei, o depoimento anterior do Luis António teve também o de provocar esta resposta, além de um comentário do também "reaparecido" Tó Zé Hipólito.
Como se vê, se a "malinha" do Luis António tem muito que contar, o Flores não tem menos "contas" no seu rosário (a seu tempo saberão ao que me refiro).
Um abraço aos dois Luises . JJ

STANDING TALL...

.
.
«Quem já tem o livro de Inglês?»
Muitos braços se levantam, mais de meia turma. Era a vantagem de já ter o material logo na primeira aula. «Guardem o livro, não vão precisar dele. Eu sou o livro!» Gosto. E a seguir, outra pergunta: «Quem já tem a gramática?» Ainda muitos braços. «Guardem a gramática, não vão precisar dela. Eu sou a gramática!» Desapontante? Não, gosto ainda mais, mas será a sério? Em Português e em Francês temos livro e gramática -- em Inglês não é preciso!? «Quem já tem dicionário?» Ainda mais braços -- afinal o dicionário é peça insubstituível, ainda mais que a gramática.
«Guardem o dicionário, não vão precisar dele. Eu sou o dicionário!» Tanto gozo a sério já causa receio -- parece que isto não vai ser mais do mesmo.
Não foi, o Dr. Luís era, como ele dizia, de 18s e de 8s. E lá começa a escrever no quadro a sua primeira «sentence»: «How are you? I am all right, thank you». E mais quatro sentences. Treinar a pronúncia, repetir a rodar pela sala de aula. Dia seguinte, primeira coisa, na ponta da língua: tudo. O Dr. Luís era diferente, a disciplina de Inglês era diferente, e era disruptiva para com as outras disciplinas.
Isto aconteceu e hoje, como acontece com tantas outras coisas, parece inacreditável. Onde estava o espartilho, a avaliação do professor, a certificação, o controlo de conteúdos e métodos? Naturalmente, havia quem não concordasse com o estilo do Dr. Luís, mesmo entre os outros professores. Como ousa ele fazer isto? Em surdina as perguntas seriam talvez mais assim, em linguagem de hoje, Can he get away with it? Can he pull it off?
É uma história nossa que vale a pena recordar, aconteceu mesmo e com sucesso -- tremendos sucessos dos alunos ERO nos exames nacionais.
E eu, muitos anos depois, «The weather is getting milder and milder» -- a impressionar os Américas.
.
Tinha dado o primeiro toque. Saía da Sala de Professores e caminhava na nossa direcção, para a sala a Este na ponta do corredor, a Dra. Cândida. Senhora alta, fina, dossier no braço esquerdo, um pouco contra o peito, aproximava-se. Era uma presença agradável -- uma professora nova, elegante, num estilo sóbrio e clássico. Bonita, de pernas finas, feições finas, tez clara, cara esguia mas feminina, cabelo puxado para cima, pescoço longo, visível apesar do lenço, dentes em arcada esguia e perfeita, sorriso natural. Uma grande serenidade, um olhar calmo mas não triste, olhos serenamente vivos, castanhos claros e límpidos, abertos, sem óculos. Voz clara, dicção sempre correcta, mas tolerante (não é portenha, diz velhice com e fechado mas aceita aberto). Não há gritos nem histerias. Serenidade e presença. Uma presença de grande classe, numa classe de miúdos rabinos. «Comment allez-vous, Madame?» dizem os meus colegas logo à entrada da segunda aula de Francês -- o Filipe (do Bom Sucesso) é o mais ilustre. Na aula seguinte, já está a Dra. Cândida com os três eee de «élève». Há muito mais aqui ...
A Dra. Cândida foi talvez a melhor professora que eu tive. Muito gostaria de a poder voltar a encontrar e agradecer-lhe o muito que fez: ensinar bem, procurar incutir formas de disciplina, e acima de tudo mostrar logo no primeiro ano que ninguém estava abaixo de ninguém, e que ela era justa, disciplinante e que nos compreendia e apreciava. [JJ, não te lembras de como ela apreciava o teu especial jeito a adjectivar e adverbiar?]
Sei que lhe dei algumas alegrias, que recebi alguns prémios (livros), que certamente lhe demonstrei a minha afeição pelo respeito que lhe tinha, pela atenção como a escutava e olhava e como me sentia bem nas suas aulas. Aulas chatas? Só uma, a Francês, e como foi só uma não dá para esquecer -- a chamada ao Jorge Pedro, um craque, não está a correr bem (para grande consternação dela) e quando me chama a seguir eu sei que a minha também não vai correr bem. Não corre, para uma talvez ainda maior consternação dela e alguma dissimulação de misérias óbvias. [Eu tinha sido chamado no dia anterior e tinha inferido que não iria ser chamado no dia seguinte; e a lição era bem difícil, sobre as galinhas e os Lenoir].
Exigente, sem excessos, tolerante mas sem tolerância para excessos, nem sempre recebeu a apreciação que merecia da nossa parte. Entregava-se ao ensino, e a nós para além do mero ensino, com dedicação e com entusiasmo, como uma grande professora, que de facto era. Standing tall, mas sem olhar por cima.
.
Luis Marcelino
.
________________________________________________________
COMENTÁRIOS
.
Tó Zé Hipólito disse:
Bravo Luis! Realmente o espirito observador e a atenção nos pormenores sempre foram teus apanágios. Este retrato detalhado da Dra. vem ao encontro de uma recordação das famosas sabatinas das aulas de geografia do Dr. Lopes em que uma das perguntas feitas pelo rapazinho em causa, era "o que é a standardização?"
Claro que não lembro quem era a vitima ou, generalizando, as vitimas pois ninguém da turma sabia a resposta. O prof., depois de uma rara (nele) prelecção sobre a qualidade da pergunta, motivada pela não especificação no livro de geografia do significado que tinha, argumento usado por alguém da turma para amenizar a falha, perguntou como era que o "génio" sabia. Simplesmente foi ao dicionário. Seguiu-se o post scriptum da prelecção, com o elogio das qualidades de inteligencia e blablabla... do L.A. Tudo isto num dos raros longos momentos de silencio que a nossa turma sempre foi parca.
Fico a espera de mais momentos que tenhas guardados no arquivo da tua "malinha".
AJH
.
João Jales disse:
Magnífico texto, mostrando, se tal fosse necessário, que a "malta da F" também sabe escrever (e bem).
Várias satisfações pessoais para mim:
- o Luis António foi meu colega de turma e amigo durante os sete anos do liceu;
- esta é a sua primeira colaboração;
- o seu depoimento corrobora a impressão e opinião que eu aqui exprimi sobre estes dois excelentes professores que tivémos o privilégio de ter no Colégio. ( Podem ler ou reler OS PROFESSORES QUE VIERAM DO FRIO ) .
Não é, aparentemente, uma memória consensual, mas as memórias não têm que o ser.
E sim, respondendo à pergunta que ele faz, lembro-me de ser um bom aluno que a Cândida apreciava, mas um bom aluno apreciado por um bom professor dificilmente é uma estória interessante...
Um abraço para o autor , e o desejo que volte a escrever o mais depressa possível. JJ
.
Ana disse...
Gostei muito de ler este depoimento que também acho muito bem escrito,quem diria que debaixo do cientista estava um escritor?
A minha memória dos dois professores é igualmente muito favorável nem desconfiava que houvesse opiniões contrárias;li o teu texto sobre eles mas não os comentários feitos depois por falta de tempo.
Parabéns ao Luis António.Ana
.
AntMor disse...
As fotografias são fantásticas,o Flores e o Malinha escrevem muito bem,onde vai parar este blogue???E o que é feito do Tó Zé Neto que parece uma estrela do surf dos anos 60???O Luis e a Cândida eram Grandes professores,assino essa declaração.

MILA MARQUES : UMA ÉPOCA E TRÊS PROFESSORES






MARIA EMÍLIA FRANCO HENRIQUES
Uma antiga aluna do Colégio Ramalho Ortigão

Na minha terra e para a minha geração, sou a Mila Marques, filha do José Marques Henriques. para a da minha filha, sou a mãe da Guidó e para a das minhas netas, sou a avó da Sara e Mariana Gouveia.

Nasci nas Caldas da Rainha no Ano de 1930, na Avenida da Independência Nacional, nº 29.Nesta época era habitual as crianças nascerem em casa dos seus pais e não nas Maternidades, sendo o parto assistido por uma parteira.

Estudei sempre na minha terra até vir para Lisboa para fazer o Curso Geral de Enfermagem.
Da 1ª à 4ª classe estive no ensino oficial, tendo tido sempre a mesma professora -Dona Antónia - de quem tenho a melhor recordação. Julgo que o apelido era Almendra.
Depois veio o Colégio Lusitano e o Colégio Ramalho Ortigão e é deste último que venho dar o meu testemunho, a pedido do João Jales, que em boa hora quer reviver o passado.


COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO

Nasceu da vontade e do empenhamento de alguns pais que queriam que os filhos continuassem a estudar mas sem partirem tão novos para outras cidades.
.
E, talvez por ter nascido bem, era um colégio excelente, quer pelo ambiente, quer pelo ensino que nele se praticava. Pelo menos é esta a avaliação que eu faço á distância e passados tantos anos.

O ter sido criado sem separação de sexos permitiu uma convivência saudável entre adolescentes. Poderemos considerar que isto era avançado para a época dado que no ensino oficial havia Liceus para raparigas e outros para rapazes.
.
Foi berço de grandes amizades, que ainda hoje perduram, apesar de da vida ter separado muitos de nós. Recordo em especial os colegas do meu 7º ano -Ciências, Jeca Lopes, Mário Gonçalves e Jorge Sotto-Mayor.

Foi ainda berço de casamentos... Na minha época vi nascer os namoros da Bé Castro e do Zeca Mesquita, assim como da Ana Maria e do Mário Gonçalves.

Quero ressaltar ainda a preocupação que a Direcção do Colégio tinha na selecção de professores em relação à qualidade e sem olhar a credos políticos ou religiosos.
E como exemplo farei referência a 3 professores, que escolhi pela influência que tiveram na minha Vida.


PROFESSORES DO COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO

1. ANITA NASCIMENTO (29/02/1920)
Foi a minha professora de bordados, assim como deve ter sido de dezenas de raparigas caldenses. Tinha uma atitude maternal no modo como ensinava. Serena, perseverante, sorridente e cheia de paciência para que aprendêssemos bem a sua Arte. É assim que ainda hoje a vejo.


Foi um prazer aprender com ela o filet matemático e o ponto cruz, quase milimétrico e com avesso. Mas com ela aprendi também como é importante procuramos a perfeição em tudo o que fazemos. Assim, mais tarde, quando fiz o meu curso de enfermagem, era conhecida pela Pontinhos ou Pontos...




2. LUÍS ROSA BRUNO (Redondo, 1916 -?)
.
.
Licenciado em matemáticas pela Universidade de Coimbra , foi meu professor de química e era notável o modo como ensinava.
.

Alentejano, nascido no Redondo, possuía uma figura carismática e uma personalidade multifacetada, que tinha algo de quixotesco!


Bastante magro e com grandes olhos negros, fazia-me lembrar o Manolete, toureiro espanhol muito em voga nessa época. Fumava muito e tinha um jeito peculiar de agarrar no cigarro. Revejo-o com as mãos muito esguias, queimadas pelo tabaco e levantadas de um modo como se estivesse a declamar. Ele assim nas suas aulas: um Professor excelente, que gostava de ensinar. Relembro, que para além do trabalho no Colégio, tinha alunos a quem dava explicações.


Houve um período da sua vida que trabalhou na Secla, possivelmente na área de laboratório.


Adorava o seu Alentejo, mas as Caldas foram também um outro amor. Basta ler a poesia por ele escrita sobre a Praça da Fruta e que a Isabel Castanheira (Loja 107) divulgou num dia de Poesia!


Para além de ser para mim uma referência quanto ao seu método de ensino, a ele devo também o tanto ter gostado de Química, a ponto de ter pensado seguir esse rumo. Devo-lhe também o ter aprendido a escrever à máquina. E perguntarão porquê? Passo a explicar: ele pretendia editar um livro sobre Química e eu ofereci-me para o dactilografar. E assim, por tentativa e erro, lá fui escrevendo numa máquina que o meu pai me tinha oferecido – uma “Woodstock” – e que ainda hoje tenho como uma relíquia do passado! Lembro-me que era necessário 1 original e três cópias e que havia um lindo capítulo sobre os gases raros da atmosfera. Nunca soube se chegou a ser editado, como foram outros que podem ser consultados na Biblioteca Nacional (ver lista de publicações). Como eu gostaria de ter ficado com uma cópia desse meu primeiro trabalho.


Para terminar desejo fazer uma sugestão: uma rua das Caldas ter o seu nome, por aquilo que ele foi como Professor e Poeta e pela dedicação franca que tinha pela nossa terra.


Publicações


Acontecer poesia, Caldas da Rainha, 1957

A minha selecta – Fernão Lopes: útil aos estudantes do 4º e 5º anos liceais, Beja: [s.n.], 1955

O alumínio: conheça os metais. Beja: [s.n.], 1955

O lítio: conheça os metais, Beja: [s.n.], 1955

Poesia de Luís Rosa Bruno, texto policopiado / compil. Maria Alcina Rosa Bruno, [S.l.: s.n., 19--]

Sou d'além...: versos, S.l. : s.n.], 1945 (Montemor-o-Novo: -- Emp. Gráfica)

Tesoiro sem preço: a língua portuguesa, Lisboa: Editorial Ultramar, 1955

Um novo mundo nasceu, [S.l.: s.n., 1946] ([Estremoz: -- Tip. "Brados do Alentejo"]), colecção “Bocadinhos de física; 1”

Tríptico: a Santo Aleixo da restauração pelos seus heróis de 1641, 1644 e 1704, Beja: Minerva Comercial 1954


3. MÁRIO BRAGA (Coimbra, 1921)
Foi meu professor de Filosofia. Transmitiu-me o seu interesse por esta matéria e a paixão pela leitura. Passados tantos anos, foram talvez as suas aulas de que me fizeram entusiasmar a frequentar cursos organizados pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. O próximo será sobre a “Filosofia Portuguesa no século XVIII”.



Vim a encontrá-lo mais tarde, dado que fez o curso de Administração Hospitalar e assim os nossos destinos voltaram a cruzar-se.


É autor de vasta obra literária de reconhecido mérito e gostaria que tivesse uma página na Internet, onde se dando conta de trabalhos passados e futuros. De momento, sei que decorre uma exposição biobliográfica no Museu do Neo-realismo em Vila Franca de Xira, que procurarei ver.



Dirigiu a revista de cultura Vértice entre 1946 e 1965.


Publicações


Nevoeiro, 1944

Caminhos sem Sol, 1948

Serranos, 1948

O Pedido, 1949

Platão e a Poética, 1950

Camilo e o Realismo, 1957

Mariana, 1957

Quatro Reis, 1957

Histórias da Vila, 1958

Vale de Cangens, 1958

O Cerco, 1959

O Livro das Sombras, 1960

Corpo Ausente, 1961

Viagem Incompleta, 1963

A Ponte sobre a Vida, 1965

Café Amargo, 1966

Antes do Dilúvio, 1967

Os Olhos e as Vozes, 1971

Entre Duas Tiranias: Uma Campanha Pouco Alegre em Prol da Democracia, 1977

O Intruso, 1980

Contos Escolhidos, 1983

As Rosas e a Pedra, 1995

Contos de Natal, 1995

Espólio Intacto, 1996

Momentos Doutrinais, 1997

As Ideias e a Vida

O Reino Circular
.


Mila Marques
.
________________________________________________
COMENTÁRIOS
.

O meu Pai continuou até ao fim dos seus dias a pesquisar, a escrever, a experimentar, a pensar...muito haverá a dizer, a contar, a perguntar, a partilhar...agradeço contacto da Vossa parte.
Parabéns pelo vosso blogue e muito obrigada pela ALEGRIA que me proporcionaram. Joana Bruno
P.S.a minha mãe Maria Alcina R. Bruno continua a procurar textos e outros do meu Pai, eu quero ajudar e conto convosco.
Muito Grata
Joana Bruno
.

Foi com imenso prazer que li o que a Mila escreveu. Dos professores tive o prazer de conhecer o Dr. Rosa Bruno e a D. Anita que, apesar de não ser professora dos rapazes, é uma amiga que todos recordamos.
Apesar dos doze anos de idade que nos separam recordo-me dos colegas que cita e de si, o nome não me é estranho na memória, mas já fico grato pelo seu aparecimento neste espaço de são convívio. João Ramos Franco
.
João Jales disse:
Foi com enorme prazer que vi a nossa colega Mila aceder ao meu convite para colaborar com as suas memórias nesta série sobre os professores.
As nossas meninas se encarregarão de falar um pouco mais da D. Anita, gostaria eu aqui de realçar a enorme influência pessoal que Rosa Bruno teve em todos os que foram seus alunos, todos o descrevem com um enorme entusiasmo e um brilho nos olhos (ou nas palavras). Há poucos professores assim.
Mário Braga, de cuja passagem pelo ERO só tive conhecimento há um ano, é uma figura relevante no panorama das letras portuguesas no séc. XX e o facto de ter sido professor no Colégio uma prova da qualidade do seu corpo docente.
A forma clara e vibrante como tudo isto é exposto torna a informação não só útil mas um prazer de ler. Obrigado, Mila, ficamos à espera de mais!
.
Mário Gonçalves e Ana Maria disseram:

O depoimento da Mila Marques contém um precioso testemunho que traz à actualidade a recordação de uma época passada no ERO e que nós, os da sua geração, desejaríamos talvez menos distante. É escusado dizer que adorávamos a Mila, a suas qualidades de boa aluna e de excelente colega, ponderada, possuidora de uma capacidade de estima que nos contagiava e por vezes, serenava. As amizades que assim criou são profundas, perenes. Nós, cá em casa, é assim que a consideramos ainda mais por ter sido a nossa companheira de eleição no namoro que, de facto, viu nascer. Poderíamos até não estar longe, talvez ao lado, no momento em que foi tirada a fotografia que a identifica perante as juventudes que vieram depois.

São justas as referências elogiosas que faz aos fundadores do ERO que, um pouco contra a corrente, alcançaram juntar no mesmo Colégio, as raparigas do Lusitano e os rapazes do Caldense, com óbvias vantagens para elas e para eles, no aspecto pedagógico, está bem de ver.

Os três Professores que a Mila elegeu merecem bem o destaque que lhes foi concedido, amplamente confirmado pelas qualidades humanas e pedagógicas que justamente lhes foram atribuídas e pelos dados curriculares com que complementou os outros talentos literários que tão bem se revelam na poesia de Rosa Bruno e na vasta prosa do consagrado escritor Mário Braga.

Agradecemos à Mila por ter representado de forma tão admirável a geração dos primeiros alunos que frequentaram o ERO e que o recordam com compreensível saudade.

Muitos beijinhos para a Mila com aquela nossa Amizade.

Ana Maria e Mário
.
Guidó disse:
Por aqui se compreende parte dos laços que me unem ao Colégio Ramalho Ortigão (outra parte deve-se a tantos dos meus amigos por lá terem andado). Cresci a ouvir histórias de professores e colegas da minha mãe e do meu tio Cazé (Carlos José Marques Henriques). Soaram-me sempre a um bom tempo e a uma boa formação.
Da Anita um conhecimento amigo de uma vida.
Do Mário Braga o encontro de vários livros nas estantes lá de casa e do Rosa Bruno a história do livro de Química, dactilografado na "Woodstock" e na qual eu fiz os meus primeiros trabalhos na Faculdade.
Beijos amigos para todos
da Guidó (Margarida Araújo)
.
António José Figueiredo Lopes disse:
Muitos parabéns Mila, adorei ler a tua colaboração no “BLOG”, fez-me recuar no tempo e reviver um passado sem dúvida muito feliz.

A vida profissional e até o período de formação afasta muitas vezes os que nascem em pequenas cidades, separa convívios e cria novos contactos e novas amizades. Julgo que isso ainda acontece, embora em menor escala, dado que actualmente existem boas vias de comunicação.

Não foi o nosso caso de há mais de sessenta anos. A cidade era pequena, mas como isso era agradável, o nosso convívio intenso, permanente, havia um sentido de apoio entre todos. Acho que foi isso que cimentou os nossos sentimentos. Embora separados pelo nossos diferentes percursos, nem o tempo nem a distância conseguiram destruir as nossas amizades de adolescentes, que perduraram por toda a vida… até hoje.

Lembras-te de ser a minha comadre um ou dois anos. Brincadeira que infelizmente penso que se perdeu “o contratar, contratar, quem primeiro manda rezar”, e graças à qual posso garantir que fazias excelentes bolos.

Falando de professores e em relação ao Dr. L. Maria Rosa Bruno estou totalmente de acordo contigo, mas à tua lista de livros gostaria de acrescentar uma Aritmética Racional cujas provas tipográficas ajudámos a rever. Infelizmente desapareceu-me um exemplar do livro de versos “Eu sou d’além” com uma dedicatória do Dr. Bruno.

Continua a escrever e manda mais fotos A.J.F.L
.
Júlia Ribeiro disse:
Não há dúvida que o blog ,dia após dia,está a tornar-se mais interessante !Não sei onde irá parar.....Fiquei a saber coisas que não imaginaria,nomes de pessoas que me diriam algo, mas que não fazia a minima ideia que teriam sido professores do ERO. Assim,passo a passo, vamos sedimentando ideias e conhecimentos do colégio, e do ensino,que pelo que a Mila nos relata ,teria sido sempre de grande qualidade.Obrigada Mila
Julia R
.
Sara Gouveia disse...

Adorei! A neta orgulhosa,
Sara

.

Isabel VP disse...

Gostei muito do testemunho da Mila Marques, que eu só conheço de ouvir falar (Mila, lembra-se da Sra. D. Emília, costureira, que morava na Rua do Hospício? Era ela que nos falava muito de si).
Quanto aos professores referidos, a Sra. D. Antónia Almendra era nossa vizinha na Estrada de Tornada e também, em casa dela, foi minha professora e da Muki (filha do treinador do Caldas Szabo), 3ª classe, e da minha irmã Lena, salvo erro na 1ª. A Sra. D. Anita é o que todas sabemos e por quem todas temos uma imensa ternura. O Dr. Bruno, que também só conheci através de conversas do meu irmão, era para mim como uma lenda.
Apreciei imenso o seu retrato do ERO e das amizades (e amores) que por lá foram nascendo, afinal tão semelhantes às que foram nascendo mais tarde, no nosso ERO. Afinal de contas, mudam-se os tempos mas as vontades nem sempre se mudam tanto! Isabel VP
.
Isabel Esse disse...

"Foi ainda berço de casamentos..." escreveu esta nossa colega(se posso tratá-la assim)que nos retrata um colégio de todos os tempos com um à vontade e uma ligeireza admiráveis!!!Tudo tão igual que até a D.Anita foi também minha professora! Estou a brincar,porque não tive a felicidade de conhecer o Dr.Luis Rosa Bruno que já aqui tinha sido citado,nem o Dr.Mário Braga,pelos vistos um escritor importante que passou pelo colégio.Parabéns Mila, pela sua contribuição.Isabel
.
Jaime Serafim disse:
Deliciei-me a ler o texto daquela Senhora (D. Maria Emília Henriques). Que belo testemunho e que texto tão bem escrito!
Um abraço Jaime
.
São Caixinha disse:
Adorei ler o relato da Mila sobre os tempos anteriores ao nosso e os professores que a marcaram. Felizmente conheci a D. Anita a partilho sobre ela a sua opinião! Que amoroso o bordado... e que curioso recordar ainda os documentos escritos á máquina com cópias feitas a papel químico! Como era importante não fazer erros!!! Uma verdadeira maravilha esta participação...os meus parabéns, e desejos para que nos volte a deliciar com mais estórias.
São Caixinha
.
António Delicado disse...

Minha querida amiga Mila.
Não acompanhei esta sua vivência tão carinhosa e precisamente descrita neste texto mas tive o grande prazer em ter partilhado, durante alguns anos da sua vida profissional já como enfermeira consagrada na Direcção Geral dos Hospitais e depois da Saude, momentos de árdua labuta e ao mesmo tempo de grande partilha.A sua disponibildade, empenho e alegria contagiante ficaram marcados profundamente em mim e, creia, que são coisas que sempre perdurarão.
Grande beijinho António Delicado
.
Isabel Caixinha disse:
Que surpresa tão agradável ler o texto da Mila Marques.Não só foi aluna do princípio do ERO que eu conheci, como também do ERO que eu nem tinha conhecimento que tinha existido, e que foi graças ao Blog que conheci!
Dos professores mencionados só a D. Anita me é conhecida e também eu tive a sorte de aprender nas suas aulas de lavores "pontinhos" que ainda hoje adoro fazer.
Que informação tão valiosa para a reconstrução da história do ERO!Ficam os desejos que a Mila nos venha mais vezes falar dum passado que eu não conheci mas que de certa forma nos é comum .
um beijinho
Isabel Caixinha
.
farofia disse...

Apetece-me começar com um sorriso de frase que a Emília escreveu: "Lembro-me que era necessário 1 original e três cópias e que havia um lindo capítulo sobre os gases raros da atmosfera"
:))
Quando a Emília conta ...
o "COLÉGIO RAMALHO ORTIGÃO nasceu da vontade e do empenhamento de alguns pais que queriam que os filhos continuassem a estudar mas sem partirem tão novos para outras cidades. E, talvez por ter nascido bem, era um colégio excelente, quer pelo ambiente, quer pelo ensino que nele se praticava"...
fico a pensar como esta lição de 'querer é poder', de 'pôr as mãos à massa' e 'os pés ao caminho', é um clássico que precisamos reler nos dias que correm.
(ah! e adorei o seu post!)
Inês
.
Isabel X disse...

Aquele professor de matemática tinha muito estilo, realmente! Não é de admirar que a Mila se tivesse oferecido para lhe dactilografar o livro. Ainda para mais sendo parecido com o Manolete!
A Mila é tão fidedigna na descrição que faz que até parece que o vemos a acender o cigarro. Agora a sério: gostei muito! Este blogue cada vez congrega mais e mais gerações do ERO. Um beijinho para a Mila.
- Isabel Xavier -
.
jorge disse...

começa a surgir realmente uma panorâmica de toda a existência do colégio.excelente texto cheio de memórias interessantes e informações inéditas.parabéns.
.
Amélia Viana disse:
Que bom termos o testemunho de uma "jovem colega" ,nascida em 1930...É a prova de que o tempo ilumina as mentes interessadas e curiosas da vida...Que bela é a sua descrição e que bem escrito o texto, tem o dom de nos reportar áquela época e vivenciar um pouco das suas experiências, percursos e ambiências.
Já não era novidade, mas agora fica mais reforçada ainda, a ideia de que houve desde sempre uma grande preocupação em relação ao corpo docente do nosso ERO para que tivesse os melhores professores,os de topo. Muitos parabéns à autora e não deixe de nos brindar com os seus maravilhosos contributos.
Amélia Teotónio
.
Raf disse...

A Tia Miloca que se tornou, para mim, muito mais que a avó da Sara e da Mariana! Só tenho mais uma vez a agradecer os miminhos que nos proporciona depois de uma noite de festa, não esquecendo a paciência!
Espero poder continuar a viver esta sua alegria durante muito mais tempo.Um grande grande beijinho, Rafinha.
.
Joana Bruno disse...

Muito grata aos digníssimos Mila Marques, João Jales e a todos os que partilham neste blogue o vosso Passado Comum, que traz conhecimento às gerações seguintes dos vossos tempos e tanto nos enriquece e inspira...
Joana Rosa Bruno