ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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MAIS UM JANTAR, MAIS UM REENCONTRO

Recebi esta mensagem, com uma ou duas fotografias. Não dizia em lado nenhum que não podia publicar qualquer das coisas... E fiquei a pensar: já tenho post para o Blog amanhã! Ainda por cima ninguém vai saber quem escreveu, e talvez a autora não venha hoje aqui ver o que se passa... Logo se vê!



João
Só para te fazer inveja e dizer que perdeste uma boa oportunidade de dares umas gargalhadas (ah!..mas tu não dás gargalhadas, fazes aquele sorriso…).
Cada vez me convenço mais que as coisas inesperadas e combinadas às "pinguinhas" (à medida que me fui lembrando, fui telefonando ) são tão bem vindas e criam um ambiente tão agradável, que acabam por nos divertir à grande e à francesa.....
Então quando os intervenientes ajudam, ainda melhor! E foi o que aconteceu.
Estando já todos sentados à mesa, sobravam 2 lugares, o que causou uma enorme curiosidade nos presentes.

Quem faltaria ainda? perguntavam. Serão X e Y? e eu: - Nããão.Será Z ? E eu dizia: - achas que Z ocupa 2 lugares? Eis que se ouve uma voz : -Olha quem aí vem! E surge a Drª Alda com o seu sorriso e atrás o marido, Dr. Mouga, com um ar também admirado.
Nesta altura já tinha havido o encontro da Manela com a Isabel e ai surge o reencontro das três (Manela+IsabelVP+Drª Alda), quase 44 anos depois.....como me senti feliz!
De repente deparo-me com a Drª Alda a mostrar os sapatos à Isabel ....Ah!!!!!!!!! os seus mocassins .........
Conversámos sobre vários assuntos, revivemos alguns episódios, falámos dos nossos filhotes(os da Manela e respectivos projectos de nora e genro estavam também presentes). Entretanto veio à baila o Dr. Serafim, que a Dr.ª Alda referiu conhecer, embora não se tivessem cruzado no ERO, e foi geral a admiração pelo seu sentido de humor, nunca antes perceptível aos olhos dos seus alunos ali presentes, bem como o seu perfil de Homem bom,generoso ,etc ,e até habilidoso nas artes da culinária.O que vamos descobrindo ao longo dos anos...quem diria!
Entretanto tivemos uma informação e aproveito para a transmitir a ti em 1ª mão (se acaso te venha a interessar). A Manela comunicou-nos que a Merche Romero vai estar presente no Carnaval das Caldas com as suas "…..".novas. Podes calcular as bocas e gargalhadas que se seguiram a esta conversa!!!
A deglutição do jantar continuava, eis senão quando alguém chamou a atenção para as minhas pernas.....tinha conseguido uma proeza: entrelaçar as pernas tal como era característica da Drª Alda. Aqui a Manela mostrou o seu pesar por nunca o ter conseguido fazer, dado ter as suas pernas demasiado curtas e gorditas....
A Dr.ª Alda embora tivesse feito referência à sua provecta idade várias vezes, demonstrou que os seus neurónios estão super activos embora diga o contrário. Nós chegamos à triste constatação de que os nossos é que começam a sofrer alguma atrofia....
Todos estivemos de acordo que tinha sido uma noite muito bem passada. A DrªAlda irradiava uma genuína alegria e deu por muito bem empregue as alterações que teve que fazer à sua vida para estar presente perante um desafio feito tão em cima da hora.
Eu sinto-me feliz por de algum modo ter proporcionado momentos de alegria aos amigos. Faltou um elemento que imagino ter as orelhas a arder, pois foi mencionado várias vezes durante o delicioso repasto. Como sabes és sempre muito bem vindo!
Lamento não termos tido o fotógrafo profissional, mas desta vez não aceitou o "cachet"..... estamos em tempo de crise, não podia oferecer mais. Não teres tido uma falta injustificada com direito a despedimento,já estás com sorte !!!!!!!!!!!
Um Abraço
Julinha
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C O M E N T Á R I O S
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Inês Figueiredo disse:
Tinha lido o post, fui reler. Porque eu adoro 'directos' dos correspondentes :))
Não sei quem são, não conheço ninguém, identifiquei-me com a Drª Alda (pela provecta idade) e sorri, do jeito matreiro com que sorria o Dr Serafim, por terem descoberto o verdadeiro perfil do 'Homem bom,generoso ,etc ' coisa que adorei, porque mais vale tarde do que nunca.
Vai bem bom este blog!
Salpicadinho de "Merche Romero and her big boobies", o Carnaval das Caldas promete!
Inês
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Luisa disse:
Muito divertido este relato,contigo nunca sei se é completamente verdade o que leio ou se há aqui truques...Mas acho que a Dra. Alda foi mesmo professora do colégio,já aqui foi referida,e sei quem é a Isabel Vieira Pereira(embora confunda um pouco as Vieira Pereiras)e a cunhada do Dr. Serafim.
A "Julinha",se existe, fez aqui um excelente trabalho,parabéns!L
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São Cx disse:
Quem mais proporcionaria estes fantásticos reencontros, senão a Júlia! Ela idealiza, projecta, contacta, faz convites, marca o restaurante, recebe os convidados, faz a festa e exatamente... ainda deita os foguetes!! E tudo isto sempre sorridente e sem dar mostras do mais pequeno vestígio de cansaço!! É admirável! Que pena eu não estar mais por perto...
Um abraço de saudades para a Júlia. São
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Luis disse:
Nem queria acreditar quando recebi o teu email,só faltava descobrir que a M R tinha andado no colégio!
Muito divertida a "reportagem" da Julinha(mas quem é esta "correspondente"?) que é um bom reforço para a nossa "equipa".Supomho que seja verdadeiro o reencontro 44 anos depois,quem o organizou teve uma ideia nobre.Não é do meu tempo a Drª Alda mas conheço aquela cara de qualquer lado... Luis
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Isabel Esse disse...
Nem acredito que o J.J. tenha perdido um jantar de reencontro, tenho-o visto nas fotografias de todos!!!Será verdade?Parece-me que foi mesmo um reencontro divertido e a Julia(a escritora)está lá ao fundo na foto é a irmã mais velha da Filipa, que eu já vi noutras fotografias.Já me queixei aqui que a minha geração não organiza estes encontros o que é pena!(Não ralhes comigo,já sei que a culpa não é tua!)Parabéns à "Julinha" pelo post que tem um estilo muito descontraído e pessoal!!!Isabel
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Anónimo disse:
Deve ter sido tirada muito tarde a fotografia exibida, onde se vê bem que a Laura e a Isabel VP já estavam a dormir! Claro que alguns excessos na componente líquida da refeição também poderiam explicar aquele estado catatónico....mas não acredito! A
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Amélia Teotónio disse:
Foi de facto uma noite bem passada e animada. A comida estava ótima e a companhia excelente. Poder-se-á dizer que se tratou de um jantar de afectos.
Houve um desfilar de recordações, de momentos, de vivências, lembras-te daquela do professor...e daquele dia em que ...e no recreio quando...etc,etc.
Os reencontros são sem dúvida momentos mágicos que nos trazem ao presente as partes boas do passado.
A Dr.ª Alda simpática como sempre, irradiava alegria contagiando-nos a todos e embora bem escondida no baú das memórias, era notória a ternura que sempre havia dedicado aos seus meninos e meninas do ERO, os seus primeiros alunos, quando ela própria era ainda menina e moça e nem a licenciatura havia ainda terminado. Teria então vinte e muito poucos anos.
Da Manela direi simplesmente que se mantém igual à menina que conhecemos 40 e tantos anos atrás, doce, simpática e bem disposta, apesar das enormes responsabilidades assumidas ao longo da sua já longa carreira de sucesso, para a qual desejamos as maiores felicidades.
É de lamentar que a fotógrafa não tenha dado conta, ao disparar a máquina, que algumas das amigas já não conseguiam abrir os olhos, talvez devido aos vapores do álcool..., mas acontece que já em cima da hora nos faltou o fotógrafo profissional e a substituta é ainda maçarica nestas lides....
Um beijinho para todos cuja boa disposição contribuiu para o sucesso deste encontro.
Amélia Teotónio
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João Jales disse:
O "fotógrafo profissional" não pode mesmo ir, não foi uma questão de "cachet".
Tive já o privilégio de conhecer a Drª Alda, que não chegou a ser minha professora, brevemente será apresentada a todos aqui no Blog (senão a Júlia despede-me). Prometo não faltar ao próximo jantar! JJ
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Laura Morgado disse:
A Julinha, que não é virtual, mas que umas vezes é Julinha e outras não, está mestre na organização destes eventos!
Foi mais um reencontro para não mais esquecer, apenas recordando o que de bom restou na nossa memória, passados quase 44 anos.
Que falta que nos fez o nosso fotógrafo, não só pela sua agradável companhia, mas também para podermos ter fotografias melhores... Esperamos contar com ele no próximo jantar, porque o empregado do restaurante levou tanto tempo com os preparativos, que acabei por fechar os olhos!
Os filhotes da Manela e acompanhantes também ajudaram a proporcionar o bom ambiente que se sentiu.Agradeço a estes jovens, que não se importaram de participar num convívio com os amigos dos pais.
Ao nosso comentador anónimo, quero dizer que acertou… a foto foi tirada muito tarde. Laurinha
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Isabel Knaff disse...
A Julia tem esta enorme capacidade de organizar festas surpresas sem que ninguém se aperceba ( como pertence ! )...Como ela diz, às pinguinhas, à medida que se vai lembrando, vai telefonando, e diverte-se a valer...! Eu ficaria numa pilha de nervos, na melhor das hipóteses...mas o facto é que são ocasiões divertidas e agradáveis que deixam recordações muito queridas e muitas saudades .E já agora Julinha quem é (ou o que é ?) este Merche Romero ? Fiquei curiosa...
Notou-se que o Fotógrafo não foi o do costume, mas quê... por outro lado o texto compensou bem essa falta!
Um beijinho
Isabel Caixinha
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Isabel Vieira Pereira disse...
Não posso deixar de responder à interpelação do João para fazer algum comentário.
Eu sabia que a Manela vinha a Lisboa; aliás, foi esse o móbil do jantar. Mas a presença da Dra. Alda e seu Marido foi uma verdadeira surpresa.
O reencontro com as duas (as outras, já as tinha encontrado muito recentemente) foi mesmo emocionante. Não via a Manela há 43 anos, e a Dra. Alda ainda há mais tempo.
O clima do jantar foi, como alguém já disse, um perfeito clima de festa, como é sempre o reencontro de bons amigos. Gostei imenso de voltar a estar com pessoas que associo aos meus bons e velhos tempos de jovem e adolescente.
Veremos qual é a próxima surpresa que nos revela a Júlia — incomparável em inciativas deste género. Fico à espera do próximo episódio.Isabel VP
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Júlia Ribeiro respondeu:
Desculpem,mas tenho que me defender. A fotógrafa aqui não fui eu , como aliás a Laura já esclareceu. Tenho algumas muito boas (modéstia à parte), o Jales é que escolheu logo esta (mauzinho, este editor...), e confesso que estou quase a ficar com um "trauma"! Para a próxima (se houver!!!) não levo a máquina e depois as meninas presentes, que nem sequer se propuseram tirar uma foto à organizadora, que se queixem!
E agora... continuam a maltratar a minha boa vontade???
Beijinhos para todos os que me têm dado uma verdadeira dose de carinho.
Muito Obrigada"Julinha" (Júlia R)

BALADA PARA A DRA. INÊS

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Este é o disco que a turma do 5º Ano de 1969 ofereceu à Dra. Inês no final do ano lectivo. Para a maioria destes alunos foi uma despedida da professora de Inglês, já que seguiram a Alínea F.

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Expresso aqui um desejo: a de ter aqui uma curta frase de todos quantos assinaram esta capa, indicando o local onde consta o seu nome. Isso pode ser feito escrevendo um comentário a este post ou simplesmente enviando um email para ex.alunos.ero@gmail.com
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Para visionar melhor a capa, cliquem sobre ela.
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1- Zé Manel Simões 2- Tó Quim (?) 3-Madalena Amélia 4-Vitor Gil 5- João Jales 6- Fátima Gama Vieira 7-Lena Norte Feliciano 8-Cristina Rolim 9-Dália Saramago 10-Ana Luisa Agudo 11-Ana Isabel 12-Manuel Nunes 13-Rui Malaca 14- Luisa Pinheiro (?)15-Anabela Monteiro 16-Tó Zé Hipólito 17-Zé Neto 18- ??? 19-Luis António (Malinha) 20-Paulinha Pardal 21-Isabel Videira 22-Miguel B M 23-Zequinha Pereira da Silva 24- Rogério Teotónio (?) 25-Frederico Granja 26-Joaquim do Norte(?) 27-L F Flores 28-Carlos ? 29-São Moreira 30-Silvestre 31-Manuela ?
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C_O_M_E_N_T_Á_R_I_O_S

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João Jales disse:
Para dar o exemplo, aqui indico que a minha assinatura está no canto superior direito, abaixo do nome da editora. JJ

Maria Fátima Gama Vieira disse:
A minha assinatura está aqui sim, mesmo por baixo da do Simões. Reconheço a de muitos, nomeadamente a tua, e não só. Lindo,adorava enviá-la a mais colegas, mas e os contactos?
Vou maravilhar-me mais um bocadinho, em baixo e pela letra acho que é a assinatura da São Moreira, à esquerda em baixo na vertical é a da Isabel Videira, mais logo vou tentar identificar as rubricas. Fáfá

Ana Luísa Agudo disse:
Interessante ver a capa do disco e ler o meu nome que está por cima do nome do maestro.
Também li nomes de pessoas que não vejo desde esse ano, altura em que deixei o colégio. Dália onde andas?
João, mais uma, vez parabéns por nos mostrares memórias tão agradáveis.
Beijinhos. Ana Luísa

Miguel B M disse:
Johny
Como já vimos a minha assinatura está praticamente no centro da capa,ao lado do nome do Zeca. Por incrível que pareça não me recordo de termos dado o disco à professora, mas ainda bem que ela o guardou e se lembrou em boa hora de o enviar para o blog. Creio que é uma recordação preciosa e que deverá fazer parte de um eventual património vivo do mesmo. E tal como ela própria referiu ao descobrir o blog, também para nós estes episódos são injecções de vida e juventude.
Aproveito para te agradecer a magnífica exposição sobre o 1111,grupo que realmente marcou uma época. Ainda no seguimento da nossa última conversa sobre os mesmos, sempre fui à Cidadela em Cascais ver os Rockfellas ( o grupo que só toca anos sessenta e cujo baterista é o Michel ).São ótimos e a música é a nossa, o que me fez viajar mais uma vez no tempo. Foram mais de duas horas electrizantes e revigorantes. MBM

António Fialho Marcelino disse:
Penso que a minha assinatura está ao meio da capa, junto à do Neto.
Já agora, grande lição do JJ acerca do conjunto 1111!
Um grande abraço a todos
Tó-Quim

Maria Manuel Figueiredo disse:
uma delicia estes mimos todos.mas ela merece, digo eu que sou suspeita, mas não resisto.
a filha ( que também já pousou algures por este blog)Maria Manuel

Ana Carvalho disse:
A minha assinatura também lá está, mas eu não tenho ideia nenhuma disto... ai, ai, isto é muito difícil...mas também já se passaram tantos anos, eu devia andar distraída com outra coisa...Bjs PP

Victor Gil disse:
OK, a minha lá está, perto da do João Jales. VG

Anabela Afonso disse:
Apeteceu-me logo fazer um comentário. Mas não fui logo, e já estou atrasada.
A Dr.ª Inês era uma professora muito simpática. Mas a minha aprendizagem de inglês foi péssima, iniciou-se com o Dr. Luís. Desgraça!!! Aqueles papelinhos de frases idiomáticas, que detestei.
No ano seguinte, gostei muito dela, mas os antecedentes eram maus. Até hoje nunca mais recuperei!
O meu inglês limita-se à praia - "Put the cream "- "one beer"-"two beers".
Claro que a minha assinatura está lá, como já foi identificada.
Esta participação dos professores é muito engraçada, continuem....
Anabela

JJ disse:
Este “inglês de praia” da Anabela é delicioso! Eu ponho-me a imaginar onde acabaria um diálogo que se desenrola como ela descreve:
- “Put the cream”
- “One beer”
E, logo depois,
- “Two beers”…
A Anabela e a Paulinha têm recordações preciosas, deviam partilhá-las mais vezes com todos nós.

Fialho Marcelino disse:
A minha não é 14, mas entre 17 e 18.
Vou tentar descobrir a do meu primo.
Abraço
Fialho


José Cid disse:



A PROPÓSIT0 DE "BALADA PARA D. INÊS"

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O Quarteto 1111 foi formado em 1967 no Estoril por:
- José Cid
- António Moniz Pereira
- Jorge Moniz Pereira
- Michel Silveira

O Miguel B M contou aqui que o nome deriva do número de telefone do Michel (baterista) que terminava em um-um-um-um. Encontrei uma outra referência a que esses seriam os quatro últimos algarismos, mas do número de telefone do estúdio onde se reuniram pela primeira vez para gravar.

Em 1970, imediatamente antes do seu primeiro LP, Mário Rui Terra substitui o Jorge. Depois é Mário Rui que sai e entra Tó Zé Brito (vindo dos Pop Five Music Incorporated de Miguel Graça Moura, e que parece ter sido o impulsionador das composições em inglês). Foi esta formação que eu vi actuar no Festival de Vilar de Mouros na escaldante tarde de 7 de Agosto de 1971. O José Cid parecia um hippie da West Coast, com cabelo comprido, barba e chapéu à cowboy. Comigo estavam o Nuno Mendes, o Pedro Nobre e o Pedro Freitas: aguardávamos os Manfred Mann, que só actuariam quase 12 horas depois!

Vi-os também, sem o José Cid, no Baile de Finalistas do Liceu de Leiria em 1972, conforme já aqui contei.

O grupo desfaz-se pouco depois mas ressurge em 1973 com:
- José Cid
-Guilherme Inês
- Mike Seargent
- Tozé Brito
- António Moniz Pereira

Os 1111 gravam mais um disco em 1974 – “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas” . O grupo, apesar de um passado musical impar no seu género em Portugal e de uma inequívoca oposição ao regime fascista, nunca foi muito querido pelas novas élites pós 25 de Abril e acaba por se separar definitivamente.

José Cid grava a seguir em Paris “10.000 anos depois entre Vénus e Marte” cuja edição original em vinil (Orfeu/Arnaldo Trindade - 1977), acreditem ou não, é uma dos LPs mais procurados pelos coleccionadores mundiais de rock progressivo. Ouvi-o na Melodia, ali na R. do Carmo, achei-o (e acho) entediante e não o comprei. Em bom estado, vale umas "coroas", vão lá ver ao sótão se têm um!

Já que o nome 1111 era propriedade da editora (como era vulgar na época),esta reuniu um grupo de músicos sem qualquer relação com as formações citadas e que actuou no final da década de 70, início de 80, com esse nome. Tocavam os velhos temas mais conhecidos misturados com tentativas de “rock progressivo” mas sem êxito (justificadamente, ainda tive o azar de os ouvir num baile na Casa do Alentejo em Lisboa, eram uma banda medíocre. Soube que incluíu o Rui Reis, um bom pianista que tocou com o Xaranga Beat, mas não nesse dia).

O grupo original reúne-se ainda mais uma vez em final da década de 80 (tenham cuidado ao escrever “definitivamente”,ao contrário do que eu fiz atrás) para gravar "Os Rios Nasceram Nossos" mas a sua época tinha passado “definitivamente” (desta vez sim!).



Para os mais interessados, aqui vai a Discografia que conheço:

EP's
1967 - A Lenda de El-Rei D.Sebastião
(1º disco português a tocar no Em Órbita, melhor programa de Rock da rádio portuguesa)
1968 - Balada para D. Inês
(Concorrente ao Festival da Canção desse ano, onde se classificou em 3ª lugar. O Festival foi vencido por Carlos Mendes com “Verão”. Consultem
http://fes68.no.sapo.pt/

1968 - Dona Vitória
(A primeira música com uma letra abertamente contra o regime, mas aparentemente o poder não percebeu).
1970 - Domingo Em Bidonville
(Aqui já percebeu, a canção foi proibida e a Censura, mais atenta, retirou o disco do mercado).

Singles
1968 - Meu Irmão / Ababilah
1969 - Nas Terras do Fim do Mundo
(Depois de “D. Sebastião” e “D. Inês”, talvez o seu tema mais popular)
1969 - Génese / Os Monstros Sagrados
(O primeiro esboço de um som psicadélico, "músicas compostas e gravadas num estado químico completamente diferente do normal", disse José Cid).
1970 - Todo o Mundo e Ninguém/ É Tempo de Pensar em Termos de Futuro
(Incluído no 1º LP, é um regresso a um universo mais nacional e convencional, cantando Gil Vicente)
1970 - Back to the Country/Everybody Needs Love, Peace and Food
(Primeira canção com letra em inglês numa tentativa de editar no estrangeiro, como os Pop Five tinham feito com “Page One”)
1971 - Ode to the Beatles/1111
(Idem, mas os Beatles mereciam melhor…)
1972 - Sabor a Povo/ Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo
(Como o nome indica, um novo regresso à “terrinha”)
1976 - Lisboa À Noite/Canção do Mar
(Penso que esta música concorreu ao Festival da Canção, interpretada por um grupo sem nenhum dos membros das anteriores formações)
1977 - O Que Custar
(Também sem José Cid e Cª)
1987 - Memo / Os Rios Nasceram Nossos
(A tal reunião dos músicos originais)

LP's
1970 - Quarteto 1111
(Disco censurado e retirado do mercado. A sua edição original em vinil é, por isso, um dos mais procurados e valiosos discos portugueses de sempre. Cuidado que há uma reedição, posterior a 1974, que não tem esse valor).
1973 - Bruma Azul do Desejado
(Este não é bem um disco dos 1111 e sim um LP em que o grupo acompanha o cantor Frei Hermano da Câmara)
1974 - Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas
(Está também reeditado em CD)

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Há uma boa colectânea, disponível em CD, com vinte temas :
“QUARTETO 1111 – A LENDA DO QUARTETO 1111”

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JJ
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COMENTÁRIOS
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farofia disse...
Maravilha esta entrada sobre os 1111! As 'peripécias' da banda mostram que a vida artística exige muito 'amor à camisola'.
O vídeo é um must, com o José Cid de fatinho e gravata, traje masculino da época. Não me lembro de alguma vez ter escutado o disco com tanta atenção como hoje, aqui agora. E gostei. Da interpretação, da orquestra. Abençoado disco.Quem diria que aqueles autógrafos na capa iam fazer dele uma preciosidade daí a 40 anos ! Obrigada pela prenda "then and now".
Inês
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jorge disse...
há muito tempo que não éramos brindados com uma destas saborosas lições do jales.parece quase casual e descuidada mas não é.
não te esqueças que há quem goste de ler,vê lá se arranjas tempo para fazer mais.jorge
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JJ disse:
Caro Jorge:
Raramente respondo aos comentários mas há no teu palavras "estranhas".
Preferia que não chamasses "lição" ao meu texto, embora aprecie o "saborosa". Foi realmente escrito de forma "casual" (apressadamente e sem plano) porque só depois de publicar a capa assinada decidi acrescentar algo sobre os 1111; mas espero que a informação que usei esteja correcta e que a minha memória não me tenha traído.
O teu perfil não me permite "situar-te" no colégio e não tenho o teu email.Podes remediar isso? Abraço. JJ
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Fáfá Gama Vieira disse:
Gostei muito da tua descrição do "Quarteto 1111" e da tão completa referência aos trabalhos do grupo, que abrilhantou o meu Baile de Finalistas em 1973/1974. BEM HAJAS, JOÃO.
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J.A.Aldeia disse...
Gosto muito do espírito deste blog: grande qualidade, extraordinária capacidade de evocação.
Quanto ao Quarteto 1111, será talvez de referir que o LP com esse mesmo nome, de 1970, foi integralmente proibido pela censura (caso único, pois o Zeca Afonso e outros apenas tiveram músicas proibidas, nunca discos completos). O disco não teve qualquer distribuição, não foi ouvido na altura, apesar de ser de grande qualidade: e nós não pudemos ouvir nenhuma dessas músicas em 1971, lamentavelmente.
Tenho as minhas memórias sobre esse festival aqui.
E recordações da Escola Secundária de Almada aqui

A DRA. INÊS

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Com as minhas mais cordiais saudações à Dra. Inês, que recordo com saudade.
São Caixinha

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-São vem cá abaixo! - chamou a minha mãe da cozinha.
Oh não, pensei eu, que tinha acabado de vestir o casaco, o meu casaco à Lord Jim, com a única finalidade de sentir o prazer de o ter vestido.
-Tem que ser já, mãe?
-Sim tem que ser já. Preciso da tua ajuda para encher os saquinhos das batatas fritas, quero cozinhar um prato para o jantar por uma receita que li no “Lar e Trabalho”!
-Que má altura - respondi enquanto despia o casaco – é que estou a estudar Inglês!
Resignada desci as escadas, de 2 em 2 degraus, na direcção da cozinha.
Em cima da mesa estavam uma enorme caixa de papelão cheia de batatas fritas e um amontoado de saquinhos de plástico. A minha mãe parecia fazer magia ao retirar com desenvoltura dos armários todo o tipo de utensílios de cozinha.
-Onde estão os atilhos mãe?
-Debaixo dos sacos - respondeu, sem se voltar para mim enquanto ia organizando sobre a mesa e por ordem de entrada o armamento dos ingredientes que necessitava. Apressei-me a começar o trabalho e já ela me repetia as habituais instruções:
– Não os enchas muito!
– Sim mãe, para não partir as batatinhas! - continuava eu.
Felizmente podia perder-me deliciosamente em pensamentos nesta tarefa quase diária que não exigia de mim grande concentração. Será que ficaria bem bordar a “Union Jack” na T-shirt branca... Conseguiria subir a bainha da saia Kilt de xadrez sem a mãe dar por isso, ainda que apenas alguns centímetros? Adorava poder usar uma mini-saia como as da Anabela, mesmo sem possuir a figura ideal... E a parede de sacos de batatas fritas ia crescendo nos dois sentidos!
-Posso ver “Os Vingadores” hoje à noite, mãe?- perguntei, subitamente, lembrando-me que era quinta-feira.
- Sabes que o pai não quer que vejas esses filmes - respondeu brevemente, e sem me dar oportunidade a contestar.
Depois anunciou, com um sorriso suspeito:
– Hoje veio correio para ti!
Por momentos fiquei petrificada. O JL tinha ficado de me enviar uma carta mas através da Posta Restante, seria que se tinha esquecido desse pormenor? As batatas estalaram-me entre os dedos. Com receio que a voz acentuasse a minha evidente perturbação decidi permanecer em silêncio! A minha mãe com as mãos enterradas na mistura que amassava, voltou a cabeça para a sua direita indicando:
- Está ali ao pé do telefone!
- O quê, mãe...correio para mim? De quem?
Ela olhou-me com um sorriso insinuante como se tivesse tido acesso aos meus pensamentos e depois de um longo e irritante silêncio respondeu:
- Da Embaixada de Inglaterra!
Que alívio, esta carta tinha uma explicação!

Depois do fim-de-semana encontrávamos sempre as salas de aula meticulosamente limpas e arrumadas. As carteiras estavam alinhadas com precisão, a ardósia do quadro convidativamente desempoeirada e o chão impecavelmente polido deixava-se anunciar por um penetrante cheiro a cera. Os vestígios das nossas despreocupadas presenças convenientemente eliminados criavam, a cada segunda-feira, a ilusão de uma semana nova onde tudo só poderia correr bem. Certamente quando a primeira lição era a de Inglês!

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Tinha acabado de me sentar e já entrava também a Dra. Inês com o seu passo pequenino e apressado em direcção à secretária onde começou por colocar os livros que trazia de braçado! Permanecendo de pé esperou em silêncio e com um ar pontifical que os alunos entrassem e tomassem o lugar nas devidas carteiras. Depois com um amigável sorriso cumprimentou a turma com o seu habitual:
- Good-morning, everybody!
Tudo nesta professora despertava em mim interesse e admiração. A elegância simples com que se apresentava, a eloquência das suas actuações, o seu carácter moderado e aprazível. As lições eram sempre interessantes e divertidas. Estou a lembrar-me que atribuía enorme importância à pronúncia correcta das palavras. No nome Peter, por exemplo, não deveríamos pronunciar o t como o conhecíamos, mas sim como um r, mais ou menos como em Pira! Ao seguir as suas zelosas instruções parecia-me que soava realmente como uma inglesa, algo que verdadeiramente me fascinava. Era de tal modo o incentivo, que eu queria aprender tudo, queria compreender os filmes que via sem ler as legendas, queria cantar como os Beatles, queria ler Shakespeare! Contava-nos frequentemente histórias das viagens que fazia, dos monumentos que visitava, dos rios que navegava, das conversas com turistas com quem ocasionalmente travava conhecimento. Naquele dia, quase no fim da lição, anunciou que contava connosco para fazer um trabalho de estudo sobre a cidade de Londres, mais ou menos como um álbum de fotografias com alguns textos explicativos. Para uma mais eficiente execução deste sugeriu que pedíssemos prospectos turísticos à Embaixada de Inglaterra ou a uma Agência de Viagens! Um trabalho sobre Londres!?! A cidade da Mary Quant... e dos Beatles!?!

Fez-se esperar, mas a Embaixada acabou por reagir ao meu pedido com surpreendente generosidade. Inúmeros prospectos, panfletos e livrinhos, uns em Português outros em Inglês, mas todos sobre diferentes aspectos da cidade. De Londres fiquei imediatamente a ter uma imagem muito completa. Inúmeras e formidáveis fotografias a cores tornavam difícil uma selecção! The Tower of London, The Big Ben, The River Thames, Buckingham Palace, Harrods, Carnaby Street! Sim a Carnaby Street e King’s Road também, com as famosas boutiques como a “Granny Takes a Trip” (os Porfirios de Londres – imaginava eu!) e a Bazar da Mary Quant, que tinha lançado com grande sucesso a mini-saia e uma linha de acessíveis cosméticos para jovens (da qual eu já tinha o meu insubstituível primeiro baton!). Mas Londres para mim era ainda os Hippies do Flower Power, a Sandie Shaw, a Yoko Ono, o Simon Templar, a Twiggy, os camiseiros à OP, os Cat Suits e os Beatles, claro! Londres era o centro do mundo Pop alegremente a rebentar pelas costuras e a salpicar o resto do mundo de luzes psicadélicas e padrões “paisley” coloridos! Era sobretudo a promessa de liberdade e a esperança de um mundo feliz.

Devia ter conseguido uma boa nota naquele trabalho tal foi o empenho e a dedicação com que o efectuei. Do que tenho memória foi da promessa que fiz a mim mesma, de um dia, sabia lá por que meios, visitar a cidade de Londres.
Com a minha vinda para a Holanda o Inglês viria a ter na minha vida, poucos anos depois, uma inestimável importância. Compreendi os filmes sem ler as legendas, cantei as canções e li livros complicados (esqueçamos Shakespeare…).
Numa fresca manhã de Setembro de 1980 parti de Haia sozinha, de comboio em direcção a Vlissingen, onde tomei o ferry para atravessar o canal até Sheerness e, a seguir, novamente o comboio que me levaria à estação de Vitória onde a minha amiga Pauline me esperava. A última estação da longa viagem na conquista de um sonho que começou numa lição de Inglês!
It felt like a million dollars! E Londres… bem, os Beatles já não eram um grupo, a “Granny” tinha desaparecido, os Hippies tinham dado lugar aos Punks...e o mundo feliz continuava a ser uma esperança!... But London was still fabulous!!


Ilustrações (Dra. Inês e Beatles) e texto de São Caixinha



Uma música para a São Caixinha:




COMENTÁRIOS

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Manuela Gama Vieira disse...
Parece-me estar a vê-la, young, sweet and pretty, Inês de sua graça, a minha Professora de Inglês e de Alemão.
Dedico-lhe este poema:
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"Estavas linda Inês posta em sossego
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foram escritos pela noite os poemas
que hoje deixei gravados na pedra
com a luz branca do teu nome
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passavam as aves e o álbum vivo
das folhas mortas
à beira do rio do teu coração
breve
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levavas um ramo de flores de tempestades
levava-lo ao colo
era o sinal do ritual macabro
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morta em tua fronte
agorade neve
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repousa a luz liberta
a mais pura taça onde este poema
morre"
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farofia disse...
À Manuela Gama Vieira um beijo de Amor. Por esse ontem de há 40 anos de que recordo o seu rosto de sorriso expressivo (you may count on me) e por este hoje, ofereço-lhe outro poema da autora, que eu não conhecia (mas o Google sim):

hoje falaram-me de amor
gritaram-me aos ouvidos a palavra amor
disseram-me que o amor é amor e
as pessoas choram em casa fechadas
na televisão que trazem dentro do peito

com a palavra amor fazem-se grandes coisas
não sei se já ouviram
mas hoje falaram-me de amor

as folhas descidas em maio chovem nos passeios
podem ser gravadas numa caixa de lágrimas
lembram gotas da chuva que caem em cima dos pobres
porque há amor e pobres para amar na palavra amor

habito desde sempre um lugar de pedras
dou-me conta que a palavra amor
deve custar muito dinheiro


Poema de Maria Azenha lido pela autora (do CD "O Mar Atinge-nos")

http://www.harmoniadomundo.net/Poesia/hoje_falaram_me_de_amor.htm
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João Jales disse:
Entre 1964 e 1967 todos aprendemos Inglês com o (controverso) Dr. Luís. Ele e a mulher deixaram o Colégio em Julho de 1967, depois de lá serem professores durante três anos.
Em Outubro de 1967 uma jovem mignonne entrou numa sala de aulas cheia e, com evidente nervosismo, declarou:
“Eu chamo-me Inês e, pela primeira vez, vou dar aulas de Inglês.”
Esta dupla rima (involuntária) arruinou o efeito pretendido neste primeiro "embate" e resultou numa gargalhada geral da turma. A professora ficou manifestamente abalada, pousou a mala na sua secretária e sentou-se na respectiva cadeira. Levantou-se imediatamente, e raramente voltou a fazer o mesmo, já que, aí sentada, não via nem era vista pela maioria da turma… Preferiu usar o braço dessa cadeira ou a carteira de um aluno ausente para evitar estar sempre de pé.
Mas uma cara bonita e uma simpatia inata, embora tímida, conquistam todos os corações. Quarenta anos depois, tenho a certeza que os seus alunos a recordam com a mesma saudade que eu, até porque a nossa mini-profa de Inglês se revelou uma grande e empenhada profissional.
JJ
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Isabel X disse:
Estes textos e caricaturas da São Caixinha têm muito que se lhes diga! É o aspecto geracional - o fascínio por Londres, pela disciplina de Inglês e pelos Beatles. É a vivência particular que a São (e a Isabel também) teve do colégio por ser filha da D. Luísa, que também recordo com saudade, a quem ajudava na tarefa de ensacar as batatas fritas que depois todos nós comíamos no bar da escola. É o encanto pela professora, a Dra. Inês, que para grande felicidade nossa veio ao nosso encontro aqui no blog. É o modo pedagogicamente infalível de começar por gostar dos alunos para os saber ensinar convenientemente, de que a Dra. Inês foi um exemplo particularmente feliz. É, finalmente, o incrível talento da São que já conhecíamos das caricaturas, e que agora ficamos a saber ser extensivo à escrita. Parabéns à São e à Dra. Inês, professora capaz de suscitar atitudes tão autenticamente amorosas por parte dos seus alunos, como as que a São aqui manifesta!
- Isabel Xavier -
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João B Serra disse:
Encantou-me esta excelente página de recordações da São Caixinha. Pela força e riqueza dos temas evocados – um painel de uma época cuidadosamente apontado – e pela eficácia da escrita. Como estou mais habituado aos comentários da São e aos seus desenhos, ignorava completamente esta sua singular capacidade de seduzir ... leitores. Uma revelação!
Como não recebi a graça de ter sido aluno da Dr.ª Inês Figueiredo, só posso tirar compensação do que ela e os seus alunos nos puderam contar. Fico então à espera de mais. JBS
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jAIME sERAFIM disse...
O texto da São, apesar de escrito em prosa, é um poema… um poema lindo que entrelaça duas meninas, de duas gerações que, ao mesmo tempo, sonham com um futuro sorridente. Uma sonha com Londres, enquanto vai empacotando batatinhas fritas, outra que, terminada uma licenciatura, se lança tímida, mas convictamente, no início de uma carreira docente, pela qual tanto ansiou e tanto tinha para oferecer.
A primeira ainda teve muito que esperar, que estudar… e não foi para terras da Rainha Isabel, mas sim para as da Rainha Beatriz. Acho que ficou a ganhar… (Adoro a Holanda!)A segunda, terminado o curso, até concorreu ao ensino oficial, mas sem esperanças de colocação, aceitou o convite que lhe foi dirigido para vir leccionar para o Externato. A sua casa de família era em Faro, mas como tinha aqui uns familiares…
Mas o inesperado acontece e é colocada no Liceu de Faro, mesmo ao pé da sua casa! Pede então para ser dispensada do compromisso com o Externato, mas nada a fazer, diz o Director… tem mesmo que ficar…
Oh inclemência! Oh impiedade! E houve muito choro e ranger de dentes… e raiva! Detesto esta gente, esta terra, isto tudo! Foram dois colegas, que até eram namorados, que a consolaram, que lhe disseram que a terra era boa, as pessoas também e que no dia em que se fosse embora, iria a chorar com pena! Nem pensar, quando for embora, vai ser em festa!
Mas ficou (que remédio!) E iniciou as suas aulas, e gostou dos alunos, e gostou dos colegas, e os alunos gostaram dela, e os colegas gostaram dela (pequenina , mas tesa!)
E apareceram alunos a pedir lições particulares de Inglês e de Alemão…A verdade é que explicou tão bem a língua alemã a um determinado explicando, que ele se ficou a perder de amores, não propriamente pela cultura alemã, mas pela cultura (e tudo o mais) da explicadora… e casaram, e foram muito felizes, e tiveram uma menina linda…
Mas um dia… (Oh inclemência, oh impiedade! ) o marido é transferido para longes terras… Faro!E a nossa AMIGA QUERIDO, arruma as trouxas e, lavada em lágrimas, já a morrer de saudade, parte para Faro, onde, mais tarde, se transformou em… farófia!
… e deixou muitas saudades…Beijinhos para as duas meninas
Jaime Serafim
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Victor Gil disse:
Muito afastado do Blog, desta vez é inevitável um comentário. Foi breve o tempo que tive a Drª Inês como professora mas com ela aprendi as bases dessa língua que pela vida fora se tornaria tão importante. As aulas de Inglês marcavam a diferença, pelo envolvimento, pela autoridade anti-autoritária, feita de compreeensão e simpatia. Lembro-me que a propósito do seu aniversário (?) lhe oferecemos um single dos 1111 chamado precisamente D. Inês... Não lhe desejávamos o destino da De Castro, mas antes lhe quisemos mostrar o imenso carinho que lhe tínhamos. Não me recordo, por esse tempo, de se ter feito algo de parecido a nenhum outro professor.
Não se vivia nas Caldas o espírito que em Paris, na primavera de 1968 punha em causa os valores e o papel da Escola mas não obstante, a imagem geral era de algum sufoco. Com Drª Inês não era assim e nem por isso me lembro de problemas de disciplina nas suas aulas. Verdadeiramente, possuia a força da sua fragilidade.
Com imensa saudade e carinho, Drª Inês, I wish you a long and happy life.
Victor Gil
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Isabel Esse disse...
A São também escreve bem,além de fazer desenhos magníficos!!!
O assunto prestava-se,a dra Inês foi uma das melhores professoras que tivemos no colégio,relembrei-a aqui com muita saudade e emoção ao descobrir que ela também lê estas memórias.Fico à espera da sua resposta,como fez o Dr. Serafim.Parabéns São e um beijinho para a Dra. Inês. Isabel
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Ana Carvalho disse:
Olá Dra Inês todos temos muitas saudades suas, foi uma lufada de ar fresco que chegou ao nosso Colégio. As aulas de inglês passavam a correr e eram sem dúvida muito agradáveis e produtivas, aprendíamos imenso.
A Dra tinha um ar tão jovem, bem disposta, alegre, pelos vistos também na sala dos professores as coisas mudaram com a sua chegada....
Bjs PP
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Isabel Knaff disse:
Olá João
Que agradável surpresa ver a Dra inês no Blog! E que bom ver que ela mantêm o mesmo humor tão especial que lhe era peculiar.As aulas de inglês decorriam com tanta vivacidade e energia que me parecia sempre impossível ter passado uma hora. Muito educada e correcta, bem disposta e alegre, a Dra. Inês fez com que eu aprendesse a lingua com tanto gosto que 35 anos mais tarde e a viver na Holanda, escrevo longas cartas e falo (muito!!!) inglês tão naturalmente que raramente faço uso do dicionário, o que já não posso dizer do português, que em cada 2 frases tenho uma palavra para confirmar ..
Fui pela primeira vez a Londres, no final do ano passado, com o meu marido " Pira", e tenho que concordar que nem mesmo com o passar dos anos e dos hábitos a cidade perde o seu encanto!
Gostei imenso do texto e da caricatura da São. Um beijinho com saudades à querida Dra. Inês.
Isabel Caixinha
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Júlia R disse:
Não conheci a Drª Inês mas, comparando a caricatura com fotos que já vi ,está óptima,aliás como já era de esperar! Gostei também muito do teu artigo,descrito com tanta naturalidade que me parece estar a ouvir e a ver a D. Luisa "tua mãezinha" a mandar-te encher os pacotes das batatas fritas.
Estou a imaginar outra cena....quando soubeste que tinhas correio,não esborrachas-te as batatas ou não teria algum saquito ido parar ao chão???
Como já disse,não tive o privilégio de ter a Drª Inês como professora,mas pela descrição,pelo entusiasmo com que a ela se referem, e do que já ouvi falar,foi com certeza mais um dos excelentes professores e pessoas que passaram pelo ERO e que deixaram saudades.....
Espero ter o prazer de a conhecer em algum encontro, porque não?
Parabéns São e um beijinho.
Júlia R
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João Ramos Franco disse...
A São dá-nos a ler um texto que, do princípio ao fim, nos deixa envolvidos na realidade e nos anseios pelo caminho do seu hoje. A beleza com que escreve é de tal modo que faz com que alguém como eu, que a viu apenas das fotografias no Blog, a conheça para além do simples retrato.
Quanto à Dra. Inês, apesar de não a ter tido como Professora (sou um ex ERO já com 66 anos), sinto-me feliz por ver os seus alunos tratarem-na com tanto carinho.
João Ramos Franco
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Anabela disse:
Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje e já passaram quarenta anos.......do dia em que a Dra. Inês entrou na sala e diz que é a primeira vez que vai dar aulas. Sinceramente não queria estar no seu lugar, pois a jovem "mignonne"(palavra bem escolhida pelo João) deve ter-se sentido muito desconfortável com a nossa reacção.
Relembrei o seu gosto de sentar-se no braço da cadeira assim como numa carteira desocupada e o seu esforço para manter o respeito, o que julgo não ter sido muito difícil, pois naquela época esta palavra tinha muita força.
Um beijo para si Dra. Inês e que bom ter descoberto o nosso blog!!!Anabela Miguel
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farofia disse...
Caí de paraquedas no vosso blog e, mal refeita da queda, sacudia ainda o pó da memória envelhecida, limpava os olhos chorosos de cansados de percorrer fotos e nomes e estórias de encantar (glup!)... e dou por mim no centro da sala!... pior, João Jales, pior do que daquela primeira vez com rima na aula de apresentação!
E agora! digo o quê, começo por onde? Eu nunca, nunquinha na vida vi um blog com tanta gente! Ali em cima, eu e os Beatles desenhados pela São Caixinha! eu e os Beatles lado a lado no imaginário de uma menina ! Céus, que magia é esta? O que é que eu fiz? “Somewhere, somehow I must have done something right…”
Caio em mim, esta menina-agora-senhora é alguém que eu tive a sorte de ensinar a aprender. Eu nunca ensinei nada a nenhum dos meus ex-alunos. Eles, vocês, é que aprenderam, estudaram, conquistaram a vida!
Considero uma honra o meu nome ter ficado na memória colectiva dos antigos alunos do ERO e maior honra ainda ficar um pouquinho neste seu coração.
E maior, maior honra estar aqui acompanhada pelo meu colega, meu Amigo, Serafim (alquimista e mágico).
A todos muito, muito obrigada e um beijo.
Inês
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