ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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NOITE DOS MASCARADOS

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CHICO BUARQUE, NARA LEÃO E MPB4 (1967)
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O ASSALTO DE 1964



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O "assalto" no Carnaval de 1964 foi em casa da Emiliana
e está fotograficamente documentado.
As legendas são da Ana Nascimento, leiam também os seus comentários.


Da esqª para a direita:A cabecinha com o lenço é a Guida V.L., Ana Nascimento, Graciete e Hugo (Pais da Emiliana), Emiliana e Luís, Geninha e Zé Manel

De costas, penso que primeiro é o Jorge Teixeira e entre os Pais da Emiliana é o Júlio (reconheço-o pela camisola).



Emiliana, Ana, Ilda e Zé Manel



São Costa, Ana, Ilda, Emiliana, Laura e ?????




Luisa N. , os Pais da Guida Santos, ??? ,Filipe Oriol Pena, Ilda e o Zé Manel.
Guida Vieira Lino em primeiro plano.




Um lindo friso de mães…..Em pé, a D. Graciete mãe da Emiliana
Sentadas, a mãe do Gil, D. Nita Costa, D. Gracinda Amâncio,
D. Mariana V.Lino, a mãe da Maria de São José

Laura, Emiliana, João Mário, Zé Manel, Carlos Aurélio, Luís Xavier,
o de cara tapada penso que é o Alberto Campos, o Pai da Emiliana ,
João Lourenço e a Gracinha Soeiro


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COMENTÁRIOS

Anónimo disse...
...e a mousse de chocolate que as manas Nascimento levavam? Será que alguém se lembra?Neco
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Ana Nascimento disse:
Então é Anónimo ou é Neco ? tu decide-te, JJ...
Lembro-me muito bem da dita mousse … e do bolo carnavalesco , feito pela minha avó Luisa, que poucos tiveram coragem de provar ?Era só chocolate…. amêndoa …doce de ovos …. decorado com uma urtiga e um papel de seda “sujo” de chocolate … será que te lembras ????O pior é que, quando o olhavam, franziam o nariz com repulsa ….. só depois de retirado do respectivo recipiente (um penico lindo, em loiça de Coimbra, uma verdadeira antiguidade guardada especialmente para estes eventos) é que o dito foi devidamente apreciado… eheheheheh …
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Julia R e Amélia V disseram:
Que lindas estão todas as meninas !!!!! Então os meninos nem se se fala....O Zé Manel e o Xavier, e o outro que não conseguimos identificar, estão um espanto! E a pose????Assenta-lhes muito bem a toilette...o João Mário está a destoar, será que ninguém lhe emprestou uma roupinha ?
As meninas que estão servindo as bebidas, nota-se que têm muito jeitinho. Estão muito bem vestidas, mas também com aquelas caritas janotas qualquer trapinho lhes ficava bem.A Ana já está sentada, será que no final ainda se conseguiu levantar sózinha ou terá tido necessidade que algum cavalheiro simpático a levasse a casa!!!!
Emiliana, procura lá bem no teu baú, concerteza terás mais fotos interessantes daquela época, para compartilhares com todos nós.Estas estão uma delicia...
Beijinhos para todos os foliões destes "assaltos" cujas descrições nos têm maravilhado e que tão divertidos teriam sido.
Julinha e Mélita
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Ana Nascimento disse:
Julinha e Melita:
Pois é meninas, nesta altura eu já estava sentada mas eram mais dores nos pés …. e se querem saber, fui muito bem acompanhada para casa sim … e por um cavalheiro simpático (o meu pai que, pela má qualidade das fotos, devia estar a experimentar a máquina …..ahahahah)
O pequeno que vocês não conseguem descobrir é o Carlos Aurélio, estava de estoiro,com uma cabeleira de estopa que lhe tapava a cara…
E a propósito de fatiotas, este grupo de pequenos não foi assim para o assalto … no meio do bailarico desapareceram e voltaram vestidos como a foto documenta ( isto foi ideia do teu Pai, não foi Emiliana ?) e fizeram um desfile de misses. Depois do concurso das misses passaram a uma coisa mais séria ….um teatro ….. reuniram-se em circulo à volta de um deles (talvez daquele que tem a máscara ) e resolveram fazer….. um parto.No fim de alguns instantes, entre os ais da parturiente e os “… corta … passa-me o escopro… passa-me o martelo “ da equipa médica… lá nasceu a criança .. um boneco chorão !!!!!E não é que anos mais tarde estes rapazes foram mesmo para medicina ?????
Beijinhos e Bom Carnaval…Ana
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Lena Arroz disse:
As fotos são giríssimas. Tenho uma vaga ideia de ter visto o João Mário também mascarado. Se calhar já se tinha vestido de novo.
E as mães, que maravilha!A propósito de mães já tinha descrito ao João aquela partida de Carnaval que a mãe da Ana Nascimento nos pregou a todos, oferecendo-nos amavelmente uma coisa tapada com um lindo pano de linho branco que segurava com toda a delicadeza pela asa. Nós aceitávamos, claro, a educação assim mandava, mas o pior é que quando ela destapava o recipiente, se percebia que era um penico de cerâmica que lá dentro tinha uma coisa com a cor e o feitio de um cocó! E só agora a Ana descreve de que é que era feito! E até tinha o papel, disso já não me lembrava.
Acho que ninguém conseguiu provar. Quando olhávamos lá para dentro virávamos logo a cara para o outro lado torcendo o nariz para evitar que o cheiro, que certamente se desprendia daquela coisa, nos fulminasse.
Esta cena com a D. Irene Nascimento passou-se num outro baile, num outro Carnaval não sei em que ano, 1965 talvez, que foi num armazém do Sr Amâncio na estrada da Foz. Então e deste, não há quem tenha uma foto?
Beijos
Lena Arroz

CARNAVAL NA GARAGEM

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Esta festa foi na minha garagem, deve ter sido em 1966. É claro que é a Ilda Lourenço, a Emiliana e eu.Na organização destas festas estávamos nós as 3, a Ana Vieira Lino, a Lena Magalhães (Sobral), a Ana e a Luísa Nascimento, o Xico Vieira Lino, o João Lourenço, o Júlio, o Canhão grande e o pequeno.


Depois eram enviados os convites feitos em folhas de cartolina cortadas aos bocadinhos e desenhadas, uma a uma, por nós.Também era elaborada uma lista com os comes e bebes para que cada um levasse uma coisa diferente.Grande organização !!


Beijinhos

Lena Arroz
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Isabel X disse...
Que bonitas e bem vestidas estão a Lena, a Ilda e a Emiliana! A organização e o esforço dispendidos para que tudo corresse bem nos assaltos de Carnaval são notáveis! Parabéns por tudo isso e, principalmente, por a Lena ter guardado os convites feitos com tanto carinho, já há tantos anos! Deste modo, as memórias tornam-se mais palpáveis! Beijinhos!
- Isabel Xavier -
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João Jales disse:
Em conversa informal com uma das meninas fotografadas, a Emiliana, soube mais alguns pormenores do enorme êxito destes assaltos em que, ao contrário do que eu pensava, a exigência do convite não era um preciosismo mas uma necessidade, já que muitos foliões, desiludidos de outras festas "oficiais", vinham bater ao portão da casa tentando entrar!
Aqui agradeço mais algumas fotografias que a Emiliana me entregou e que publicarei ao longo destes dias de Carnaval.
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Ana Nascimento disse:
Olá Lena
Tens razão …estes assaltos eram uma grande organização e como nós nos divertíamos…
Que foto tão gira … vocês estão impecáveis … só os sapatitos é que não devem ser os originais…possivelmente já tinham dançado tanto que os tinham trocado, seria ????
Não me lembro nada destas vossas fatiotas… … e neste momento nem sou capaz de saber como é que eu teria ido mascarada … ( oh raça, tenho que ir tomar as gotas senão estou feita….ehehehe) ….
Estou muito curiosa… quem terá sido o fotógrafo ? e o resto do grupo como é que foi disfarçado ??? será que se aprimoraram tanto como vocês ? hummmmm … palpita-me que não…. Não andarão por aí mais fotografias para poder saciar a minha curiosidade???
Eu tenho algumas que já dei ao JJ, mas não são na tua garagem, são na da Emiliana… esperemos que vão aparecendo mais…
Beijinhos para ti. Ana

I CAN'T LET MAGGIE GO (The Honeybus)

por João Jales
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Os “assaltos” de Carnaval eram crimes premeditados com antecedência e pormenor. A escolha do local era o primeiro problema, já que poucas casas reuniam as condições que os permitissem.
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A existência de um espaço relativamente autónomo, geralmente sótão ou garagem, restringia muito as alternativas, eliminando a maioria dos apartamentos em que vivíamos. Habitando um andar, e apesar de alguma permissividade dos meus pais (sempre houve bailaricos nas minhas festas de anos), nunca foi possível lá fazer bailes nocturnos no Carnaval.

Depois surgiam as questões administrativas, a burocracia necessária à realização do evento: licenças, autorizações, condições, regras, tudo sujeito a duras negociações, envolvendo cedências mútuas, com as autoridades locais, os donos da casa, pais da “vítima do assalto”.

Num dos Carnavais do final da década de 60 empenhei-me sobremaneira na organização de um desses eventos. A família da Aida, recém chegada às Caldas, não frequentava o Casino, pelo que um baile particular na sexta-feira de Carnaval era fulcral para uma aproximação que eu planeava há meses. Calma e calada, a garota que era alvo do meu interesse não demonstrava entusiasmo nem desagrado pelas minhas atenções, parecendo, mais que ignorá-las, não as perceber. Morava perto de mim, o que me permitia “encontrá-la casualmente” com frequência. Passei a visitá-la amiúde quando descobri que o seu irmão Jorge, um pouco mais velho que nós, e a irmã Mami, um ano mais nova, mantinham lá em casa frequentemente amigos a jogar, ler, ouvir música e estudar, o que fazia de mim apenas mais um. O Jorge era do tipo atlético, falávamos ocasional e amigavelmente, mas ele ligava pouco à música e aos livros, preferia andar de bicicleta (tinha uma que eu muito invejava), jogar futebol e principalmente correr, sem destino nem objectivo aparente, actividade cujo prazer eu não compreendia nem partilhava. A Mami, embora da estatura da irmã, era o oposto dela em tudo o resto. Os cabelos arruivados, curtos e revoltos contrastavam com a longa cabeleira “à Françoise Hardy” da Aida, tinha uma silhueta algo desengonçada enquanto a irmã era quase uma mulher, era faladora e metediça enquanto a outra era calma e calada.

A Mami absorvia tudo o que ouvia como uma esponja, chegou a discutir comigo os discos dos Beatles com os argumentos que me ouvira na conversa da véspera com um dos irmãos. Eu gostava de a irritar fingindo esquecer o seu nome e infantilizando-a:

- Oh Mámá, isto não são conversas para crianças…
Ou:
- Mámá já vestiste o pijama ao “chorão”? (um boneco espanhol muito popular nessa altura).

- Chamo-me Mariana, os amigos chamam-me Mami, mas para ti sou Mariana! E só tenho menos um ano do que tu, se sou uma criança, tu não és menos!

- Sim, Mimi, eu prometo lembrar-me disso…

Ela acabava por sair, furiosa, enquanto a Aida sorria, sempre plácida e tranquila, nunca interferindo nessas conversas, ouvindo-me depois falar-lhe de Jimi Hendrix, do livro da Pearl Buck que eu estava a ler, da transmissão do fantástico Beat Club alemão ao sábado na RTP… ela falava pouco, às vezes parecia gostar de me ouvir, outras parecia distraída e levantava-se para ir fazer outra coisa a meio de uma frase. Entre encorajadores mas enigmáticos sorrisos e momentos de desesperante alheamento, eu ia suspirando por acariciar aqueles sedosos e brilhantes cabelos que tanto me atraíam. Mas, ao longo de meses, ela continuava sem perceber, ou a fazer de conta que não percebia, as minhas atenções, e eu tinha decidido que esta questão não passava do Carnaval, época propícia à ultrapassagem destas indecisões.

- Estamos a organizar um baile de máscaras em casa da Isabel – disse-lhe, iniciando assim o meu plano – achas que podes ir?

- Julgo que sim, tenho que pedir à minha mãe…

- Eu também vou – decidiu a Mami – e escusam de começar com a conversa parva da minha idade!

- Mémé, não sejas assim, o baile é só para pessoas mais crescidas, não é para ti – respondi-lhe.

- Isso é que vamos ver. E é Mami, o meu nome é M-a-m-i.

Mas continuou calmamente o jogo de damas, as minhas brincadeiras já não a incomodavam tanto, principalmente quando jogávamos. A Aida não apreciava qualquer jogo e era a irmã que eu defrontava, até xadrez me obrigou a ensinar-lhe (e que fraco professor eu era…), nalgumas agradáveis tardes que lá passei em casa. Era inteligente, aprendia depressa e jogava tudo bem.

Ir ao baile implicava a escolha de uma máscara, o que era, para as raparigas, um assunto importante. Para a maioria dos rapazes não, qualquer trapalhice com a cara tapada servia. Eu, mais alto do que os meus colegas, nunca tive verdadeiramente hipótese de enganar ninguém mascarado pelo que não ligava ao assunto, usando uma máscara só para mostrar espírito carnavalesco. Mas a Aida, as amigas e as colegas levavam isso muito a sério, não deixando os rapazes, nem os irmãos, ver o que iam usar. Claro que o facto de lá ir a casa com frequência e a cumplicidade da Mami acabaram por me permitir ver o segredo da Aida, um vestido antigo a que tinham sido acrescentados uns folhos em papel celofane cor-de-rosa, imitando um vestido de "dama antiga". Vazio e pendurado num cabide era pouco convincente, como fez notar a desdenhosa Mami, perante a única fúria da Aida a que assisti!

- Tenho a certeza que, vestido por ti, será a toilette de uma verdadeira princesa! E essa caraça, tipo Maria Antonieta, fica aí "a matar"! - disse-lhe, para a acalmar.

Obrigou-me a prometer que não a desmascararia durante o baile, o que fiz sem qualquer reserva, já que tencionava obviamente guardar a informação só para mim!
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Nessa semana que antecedia o Carnaval os preparativos aceleraram e as dúvidas dos pais da Isabel em ter um “assalto” em casa aumentaram, quando alguém se ofereceu para levar umas cervejas como contribuição para a festa… Afastado, sob palavra de honra, o espectro do álcool em sua casa, os senhores voltaram a autorizar.
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Fiquei “pendurado” na tarde da quarta-feira anterior (a única que o horário nos deixava quase livre) por causa desses últimos preparativos. Joguei crapaud com a Mami, que ia massacrando a mãe com pedidos insistentes para ir também ao baile. Paciente mas firmemente, ela foi sistematicamente contrariando os variados e mirabolantes argumentos da sua filha mais nova, enquanto eu as ouvia, divertido. A senhora, que simpatizava comigo (talvez por entreter algumas horas por semana a sua problemática filha), ia-me pedindo auxílio na discussão, o que eu fiz com gosto. Mas foi o Jorge, recém-chegado de um dos seus corta-matos, que terminou a discussão:

- Nem te preocupaste em arranjar máscara, não podes ir a nenhum baile de Carnaval! - o que, sendo verdade, constituiu um argumento final e lhe valeu um olhar assassino….

Quase não vi a Aida e fui para casa sem conseguir dizer-lhe nada do que tinha planeado como introdução a uma declaração mais formal, dois dias depois. Quinta-feira, no Colégio, não foi igualmente possível fazê-lo porque nunca consegui estar a sós com ela, além de que ela estava constipada; um nariz entupido e avermelhado e uns olhos lacrimejantes não são propícios ao romance...

Sexta-Feira trocámos poucas palavras:

– Então e a constipação? – perguntei.

– Estou felizmente melhor, mas o meu pai, logo à noite, vai-me levar e buscar no carro dele, para não apanhar frio.

– Até logo, sendo assim encontramo-nos em casa da Isabel…
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Fui jantar e vestir-me.Uma complicação familiar, envolvendo uma outra festa onde ia a minha irmã e a saída dos meus pais, atrasou-me imenso e cheguei muito mais tarde do que tinha programado. Mas felizmente a tempo já que, quando cheguei à porta, ainda correspondi a um aceno do pai da Aida, que se afastava no seu automóvel.
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Entrei sem tirar a máscara, os pais da Isabel, que vigiavam a entrada, reconheceram-me e cumprimentaram-me imediatamente! A sala tinha as habituais serpentinas nos candeeiros e nos cortinados, confettis no chão e uma mesa com uma enorme toalha branca com os contributos dos convidados. Pousei uns croquetes e uns rissóis que a minha mãe me entregara e vi que o baile estava animado; procurei a Aida e vi que a minha "dama-antiga" dançava já umas brasileiradas na improvisada pista de dança. Enquanto esperava uma oportunidade de lhe falar, fui negociar com o Paulo, meu parceiro na tarefa de pôr discos, ficar livre neste início da noite, substituindo-o só depois de a Aida sair. Combinámos também que, mal eu conseguisse dançar com ela, ele poria a tocar “I Can’t Let Maggie Go” dos Honeybus, um slow irresistível que eu tivera o cuidado de incluir entre os discos disponíveis.
Aguardei uns minutos, a folia abrandou, a Aida reconheceu-me (porque eu lhe mostrara a minha caraça e pela altura, claro) e veio ter comigo, dando uma graciosa e inesperada volta à minha frente, mostrando-me como estava realmente elegante, mesmo vestida de celofane! Mal me aproximei dela o Paulo pôs a tocar a música combinada e eu descobri que ela era uma graciosa dançarina, mais disponível do que de costume para ouvir os meus elogios, que foi recebendo com alguns risos. O meu plano corria bem, o espírito de Carnaval e as máscaras desinibem sempre as pessoas! Outro slow se seguiu (o Paulo era um bom amigo), e outro, sem que ela fizesse qualquer menção de querer trocar de par, mas a pressão dos foliões acabou por obrigar o regresso da música mais animada. Nesse momento a Aida deu-me o braço e fez sinal de querer beber, era impossível falar porque o Paulo, terminados os slows, tinha outra vez a música muito alto, os donos da casa não tardariam em protestar. Eu conduzi-a em busca de um refresco, feliz com este inesperado e promissor início de festa (finalmente ela mostrava nítido prazer na minha companhia). Junto à mesa estava o seu irmão, o Jorge, que reconheci porque tirara a caraça para poder comer vigorosamente o que me pareceram os meus croquetes, e eu disse-lhe (ou melhor, gritei-lhe), apontando a Aida:

- Está muito bonita a tua irmã nesta máscara!

Ele aproximou-se do meu ouvido, para se fazer ouvir, e respondeu:

- Sim, fica-lhe realmente muito bem. E teve pouco tempo para se vestir, só à última hora eu convenci a minha mãe a deixá-la vir comigo, aproveitando o vestido da Aida, que ficou de cama, cheia de febre….
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João Jales
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COMENTÁRIOS
Isabel X disse...
Mais uma interessantíssima história de amores adolescentes aqui trazida pelo Jales, desta vez a propósito do Carnaval. Está a ficar um especialista. Um interesse amoroso deslocado do verdadeiro alvo, mas que as circunstâncias (o destino?) acaba por colocar no caminho certo, é um tema que dá que pensar... Aqui tratado magistralmente, de modo a prender a atenção de quem lê e sabe o desfecho ao mesmo tempo que o protagonista-narrador, tão equivocado quanto nós, seus atentos leitores! O efeito é literariamente muito bem conseguido, tal como a descrição de toda a envolvência do acontecimento central. Parabéns JJ!
- Isabel Xavier -
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Ana Carvalho disse:
Olá João como sempre outra das tuas encantadoras e maravilhosamente escritas histórias, sempre me saíste um romântico....quem havia de dizer que por baixo dessa tua ironia toda havia uma pessoa sensivel e doce, capaz de escrever estas coisas lindas...que sorte tem a tua Paula e a Marta . Bjs PP.
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Luis disse:
Conheço a primeira parte desta história, mas os "assaltos" de que me lembro em casa da Isabel Videira,na R. Leão Azedo são anteriores a isso.Fico pois um pouco baralhado!Pormenores à parte é um relato que não consegui parar de ler embora, quando comecei, pensasse que o ia deixar para depois... Muito bem escrito,sem arabescos(nada a ver com a Dra Inês!) nem figuras de estilo,só história(e música).Acabaram as Annas Kareninas?Abraço-Luis
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Belão disse...
Ó João, que conto!Falando sério, já pensaste em escrever um livro de contos? É que prendes tão bem o leitor, que talvez conseguisses contribuir para elevar algumas percentagens no que se refere à leitura. Consegues um misto de romance e humor....muito interessante!Adorei.
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São Caixinha disse:
Olá João!!!Outra estória tua de extraordinária qualidade! Este enredo está simplesmente fenomenal! Adorei ler e envolver-me nesse formidável ambiente, que só suspeito que deve estar descrito muito de acordo com a realidade, visto que eu, como a Júlia, também ficava fechada...num castelo!!
E a canção...ai...ai...também me traz doces recordações! Bjs, São
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zemass disse...
Não costumo escrever,esta é a 2º vez,mas leio sempre com gosto.Só quero dizer que há aqui uma relação entre esta música que nos evoca tão boas recordações e a história que o Jales conta.E não é só o facto da música tocar no baile.Claro que gostei muito.
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Isabel Knaff disse:
I Can’t Let Maggie Go, é uma maravilha... que inesperado desfecho!Quando finalmente já estava a ficar animada e a pensar que finalmente esta estória ia acabar bem...Zás...de repente “puxaste-me o tapete debaixo dos pés”. E deixaste-me na expectativa ... E depois? Gostava tanto de saber mais...não tem mais episódios...?
Eu nunca tive autorização para ir a assaltos de carnaval e a ver pelas vossas descrições deviam ter sido divertidíssimos. Que pena!Se estivesse mais perto juntava-me à Julia e, conhecendo-lhe o talento para planear festas, até me está cá a parecer que podíamos juntas organizar um...
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Margarida Araújo disse:
Revi Carnavais passados, assaltos sem ser à mão armada, mascarices, bailes. Os meus sempre foram aqui nas Caldas. Começaram timidamente em bailes de máscaras para crianças no casino. Lembro que havia prémios e que uma vez fui de minhota. Original, não? Ainda tenho o coração de filigrana que usei e que resistiu à "limpeza" que houve em minha casa. Lembro-me da Belica Crespo com uns 4 anos vestida de espanhola, com um grande sinal e aquela cara de boneca que ainda hoje tem. Um ano já não sei quem vestiu-se de Sindy, uma boneca vestida à anos 60, calças, camisola às riscas e cabelo com fita larga. Muito francesa. Lembro-me de termos achado muito original. Mas destas festas não guardo a ideia de grande animação. Essa era na Quinta de St.º António, a remexer nas arcas dos antepassados e a dar voo à nossa liberdade. Muito brincadeira , muita tropelia e, à noite, pais e tios alinhavam tanto ou mais do que nós.
Um ano o Henrique Sales, o Carlos Gouveia e nós, a catraiada miúda, fizemos uma assalto à casa da Madame Nicole e penso que depois passámos para a casa do Miguel Bento Monteiro. Eu teria uns 12 anos e lembro com se fosse hoje, eles vestidos de ceroulas e de cartola, estavam hilariantes.
Depois, já mais crescidos, os bailes começavam no Casino, passando a meio da madrugada para o Hotel Lisbonense e muitas vezes acabavam no Casino Mangueira (os animados bailes dos Bombeiros). Depois houve um tempo em que O Inferno da Azenha e o Ferro Velho jogaram ao despique. Mas penso que, de uma modo ou de outro, se corriam os dois lugares.
Mascarava-me sempre, mas de forma trapalhona. O objectivo era a não descoberta e a troca de indentidades, que o teu texto conta de forma tão divertida.
Quase me esquecia de referir, em relação ao teu texto, a música linda e com um título que não posso ignorar...
Já sei se vir por aí um mascarado alto és tu!!!! Guidó
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farofia disse...
Com que então, JJ, aluno ‘espevitado’ e alegre, mais respeitador do que tímido, dedicava-se a actividades extra-curriculares de organizador de festas e criador de enredos! Distraído? pudera! aquele coração tiquetava em sons musicais e batia por amores mais ou menos inquietos e desencontrados.
Que desfecho tão fantástico o desta história de romance, intriga e suspense ! O romance enternece-nos, a intriga surpreende-nos de tantas cumplicidades e o suspense, ah! esse dá cabo de nós até ao último momento da narrativa.
E depois? Será que a Madalena se desmascarou sempre a rir? Será que o João recuperou do choque com elegância cavalheiresca? eu queria um final feliz para este qui pro quo
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farofia disse...
que me perdoe a Mariana, chamei-lhe Madalena, pura distracção!
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vitor b disse...
Começa com romance e algumas boas observações e acabamos em surpresa e suspense.Concordo com a Isabel Caixinha e a Farófia tem que ter uma continuação,a história não acaba aqui(quem é a Farófia?muito giro o seu comentário!)
Parabéns J.J. esta é uma excelente história.
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farofia disse...
(resposta ao vitor b: farófia é bolinha de sabão assoprada por este blog)
Trago aqui uma historinha de Caldas num carnaval uma dúzia de anos mais velho: o meu ‘herói’ chama-se Luís Filipe. Caldense de gema, foi ao baile de máscaras num edifício (que acabou destruído por um incêndio) ao lado das antigas Faianças Germano, frente ao Parque. Logo, logo, encantou-se com uma Máscara, dançaram, dançaram, e dançaram naquele ‘tásse-bem’… “Tira a máscara!” pediu ele - “Não”, recusava a dama. - “Tira!” - “Não, vais ficar desiludido!” - “Tira, vá lá!” … e ela tirou… e era menos charmosa do que ele espectava e uma singela vendedeira da Praça da Fruta. [Pá, Luís, o que é que tu espectavas? a Bela Adormecida em pessoa?! ]
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João Ramos Franco disse...
Desta vez o João Jales, que já nos habituou como um bom contador de histórias, traz-nos o Carnaval.
Falar-vos sobre carnavais, os quais na nossa cidade gozei em plena juventude, frequentando tudo o que havia no meu tempo e pregando tantas partidas (principalmente pelo telefone). Só de recordar o que fiz, aos 66 de idade parece-me ter 100 de carnavais… João Ramos Franco
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Júlia disse:
João!
Ontem só cerca da meia noite vim espreitar o blog. Deparo-me com um enorme texto teu e logo pensei que aquela hora tardia não seria a ideal, teria que ler e reler, mas hoje também não pude deixar de o fazer. Ler e voltar a ler....não só porque quase me senti envolvida naqule ambiente carnavalesco,mas para confirmar o final !!!!!!!!!! Que pena me fez....imaginei a tua cara de desilusão....mas como já estavas habituado,foi mais uma ....Coitadinho do então jovem "pinga-amor" !!!!
Tu continuas a revelar-te como um extraordinário Contador de Histórias....a maneira como descreves, consegues envolver-nos e deliciar-nos de tal maneira que me atrevo a lançar-te um desafio. Porque não escreveres um livro de contos?
Aceitam-se palpites para o "título".
Muitos Parabéns, Bjs. Júlia R
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Ana Nascimento disse:
Parabéns João
Que texto bonito e que linda música…. Como tu retratas tão bem o ambiente das festas de garagem que se vivia nessa altura !!!!!!!
Cada vez gosto mais do que escreves…como diz a Julinha tens que te aplicar na “feitura “ dum livro de contos….
Um beijinho grande da
Ana
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Luisa disse...
Como os artigos não têm data não sei com que atraso estou a ler o blogue.Mas não podia deixar em claro este maravilhoso conto de carnaval.Li duas vezes seguidas para ver se descobria o truque mas fiquei tão deleitada que não descobri nada!!Suponho que a Isabel Xavier tem razão,a narração e a acção são mesmo ao mesmo tempo.Parabéns João!Luisa