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D. Dora no magusto do ERO em 1972

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São tantos os episódios engraçados que, ao ler o texto, vieram-me à memória algumas cenas que, se já na altura nos faziam rir, hoje então....
Cena 1:
A minha turma tinha nesse dia um teste (ponto, como se dizia na altura) de História e, à mesma hora, outra turma (já lá iremos) tinha ponto de Físico-Química. Por motivos de força maior o Dr. Serafim teve de faltar nesse dia, o que raramente acontecia.
A campainha tocou para a entrada. Ao entrarmos na sala, a Drª Noémia anunciou:
E assim foi. As turmas dividiram-se pelas duas salas. Acho que o Dr. Serafim, conhecedor da necessidade que a D.Dora tinha de, ao longo do dia, aplicar várias camadas de verniz nas suas unhas, não confiava lá muito na eficiência com que tomava conta dos que eram especialistas em técnicas de copianço. Havia também a hipótese de durante aquela hora, ela dormitar por alguns momentos e só acordar quando o ruído já chegava ao corredor. Daí a mistura das turmas.
Fiz, portanto, o ponto de História sob a vigilância da D.Dora.
Pontos distribuídos, meio minuto depois estabelece-se este diálogo:
- Tia Dorinha, posso fazer uma pergunta que não vem no ponto?
- Oh Robertinho, veja lá se não vem no ponto!
- Tia Dorinha, acha que eu ia fazer uma pergunta que vem no ponto? É só um esclarecimento para eu poder responder.
- Então vá lá. Mas veja lá!
O Roberto levantou-se, foi ao quadro, pegou no giz, escreveu e perguntou:
- Alguém me sabe esclarecer?
Claro que alguém prontamente o fez (acho que foi o Chiquinho) e claro que vinha no ponto.
Nada de extraordinário, não fora o facto de, minutos depois e por mais duas vezes o diálogo se repetir e a D. Dora permitir que as dúvidas do Roberto continuassem a ser esclarecidas.
Resultado: O ponto de Físico-Química foi anulado.
Cena 2:
Toda a gente sabe que se fumavam uns cigarritos na casa de banho das meninas. Pois é. Um belo dia resolvemos que a aula de lavores era o local ideal para mandarmos umas valentes passas de SG. E como o fazer sem que D.Dora desse por isso? Colocámo-nos ao fundo da sala, rodeadas pelas belas toalhas que algumas bordávamos a ponto pé-de-flor, dos casaquinhos de crochet e dos panos de tabuleiro, e, lá para a terceira camada de verniz, três de cada vez sentávamo-nos no chão, esfumaçando, enquanto as outras iam abanando as toalhas e paninhos para tentar ocultar o fumo.
Sem levantar os olhos, não fosse o verniz ultrapassar a unha e “esborratar” o dedo, D.Dora indagava:
- O que é que andarão a queimar lá fora? Cheira tanto a queimado! Fechem lá as janelas!
As risadas debaixo daquelas peças de lavores eram mais que muitas, claro está.
Repetimos a cena várias vezes, até sermos descobertas e levadas ao Pe.Chico que, embora querendo manter-se sério, não conseguia disfarçar uma tremenda vontade de rir.
O facto de não me lembrar de qualquer castigo mostra que, se houve, não foi de molde a estragar o gozo que a cena da fumaça nos deu!
A Dona Dora! pensei que nunca iria falar dela, mas neste ambiente informal e afectuoso, à distância de 40 anos, já consigo confessar que tinha medo da Dona Dora! Ela olhava para mim como se visse o diabo de mini-saia. Virava a cabeça, desaprovadora com um murmurado t'arrenego, belzebut!
Não presenciei estas giríssimas cenas passadas com a D. Dora e tão bem contadas pela Belão. Do que eu me lembro melhor é de nós lhe perguntarmos nas aulas de Lavores porque é que não se tinha casado, sendo uma senhora tão interessante, tão bem arranjada, etc., etc... Ao que a D. Dora dava uma resposta enigmática: "Lá está (em Lisboa) quem também não se casou!...". Julgo saber que se referia ao Dr. Paulo Rodrigues, a quem Mário Soares apelidou de "Caneta de Salazar". A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
Olá Isabel!Também me lembro de cá em casa se falar desse amor platónico, mas da parte da D.Dora. Sabes que o Paulo Rodrigues é primo direito do meu pai e um contador de estórias fabuloso. Quando em miúda ia a casa dele e a família se reunia, era certo o serão ser divertido.
Isabel VP disse:
Sim,IVP tem razão,foi o próprio Paulo R que se auto-denominou.A partir daí surgiu realmente uma alcunha,mas não era "a lapiseira" nem "a caneta",mas um objecto mais funcional e sempre à mão...Luis
Lá que a D. Dora tivesse essa ideia... A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
Isabel Xavier:


