ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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D. DORA (Duas Cenas)

por Isabel Sousa e Silva


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D. Dora no magusto do ERO em 1972




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Ainda bem que a Paula resolveu escrever sobre a D.Dora, figura carismática do ERO.

São tantos os episódios engraçados que, ao ler o texto, vieram-me à memória algumas cenas que, se já na altura nos faziam rir, hoje então....


Cena 1:


A minha turma tinha nesse dia um teste (ponto, como se dizia na altura) de História e, à mesma hora, outra turma (já lá iremos) tinha ponto de Físico-Química. Por motivos de força maior o Dr. Serafim teve de faltar nesse dia, o que raramente acontecia.

A campainha tocou para a entrada. Ao entrarmos na sala, a Drª Noémia anunciou:

- Metade da turma vai para a sala ao lado, misturar-se com os colegas que vão fazer ponto de Física.

E assim foi. As turmas dividiram-se pelas duas salas. Acho que o Dr. Serafim, conhecedor da necessidade que a D.Dora tinha de, ao longo do dia, aplicar várias camadas de verniz nas suas unhas, não confiava lá muito na eficiência com que tomava conta dos que eram especialistas em técnicas de copianço. Havia também a hipótese de durante aquela hora, ela dormitar por alguns momentos e só acordar quando o ruído já chegava ao corredor. Daí a mistura das turmas.

Fiz, portanto, o ponto de História sob a vigilância da D.Dora.

Pontos distribuídos, meio minuto depois estabelece-se este diálogo:

- Tia Dorinha, posso fazer uma pergunta que não vem no ponto?

- Oh Robertinho, veja lá se não vem no ponto!

- Tia Dorinha, acha que eu ia fazer uma pergunta que vem no ponto? É só um esclarecimento para eu poder responder.

- Então vá lá. Mas veja lá!

O Roberto levantou-se, foi ao quadro, pegou no giz, escreveu e perguntou:

- Alguém me sabe esclarecer?

Claro que alguém prontamente o fez (acho que foi o Chiquinho) e claro que vinha no ponto.

Nada de extraordinário, não fora o facto de, minutos depois e por mais duas vezes o diálogo se repetir e a D. Dora permitir que as dúvidas do Roberto continuassem a ser esclarecidas.

Resultado: O ponto de Físico-Química foi anulado.

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Cena 2:


Toda a gente sabe que se fumavam uns cigarritos na casa de banho das meninas. Pois é. Um belo dia resolvemos que a aula de lavores era o local ideal para mandarmos umas valentes passas de SG. E como o fazer sem que D.Dora desse por isso? Colocámo-nos ao fundo da sala, rodeadas pelas belas toalhas que algumas bordávamos a ponto pé-de-flor, dos casaquinhos de crochet e dos panos de tabuleiro, e, lá para a terceira camada de verniz, três de cada vez sentávamo-nos no chão, esfumaçando, enquanto as outras iam abanando as toalhas e paninhos para tentar ocultar o fumo.

Sem levantar os olhos, não fosse o verniz ultrapassar a unha e “esborratar” o dedo, D.Dora indagava:

- O que é que andarão a queimar lá fora? Cheira tanto a queimado! Fechem lá as janelas!

As risadas debaixo daquelas peças de lavores eram mais que muitas, claro está.

Repetimos a cena várias vezes, até sermos descobertas e levadas ao Pe.Chico que, embora querendo manter-se sério, não conseguia disfarçar uma tremenda vontade de rir.
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O facto de não me lembrar de qualquer castigo mostra que, se houve, não foi de molde a estragar o gozo que a cena da fumaça nos deu!

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Belão
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COMENTÁRIOS
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João Jales disse:
Deliciosas estas duas "cenas da vida da D. Dora no ERO". Dura vida, diga-se, a de quem aturava estas "pestinhas"...
Tenho sempre pena que a Belão não tenha mais tempo para escrever, já que tem muitas memórias e um natural talento para nos divertir com a sua narração. Vai aparecendo! JJ
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farofia disse...
A Dona Dora! pensei que nunca iria falar dela, mas neste ambiente informal e afectuoso, à distância de 40 anos, já consigo confessar que tinha medo da Dona Dora! Ela olhava para mim como se visse o diabo de mini-saia. Virava a cabeça, desaprovadora com um murmurado t'arrenego, belzebut!
Não era uma pessoa fácil, capaz de alterar os rígidos princípios morais que eram a sua essência de vida. Tinha muitos afectos, muitas pessoas na sua riquíssima galeria social. Sabia tudo de todos e era mestra a contar histórias, reais umas, outras fantasiadas.Boa pessoa, a nossa Dona Dora!
Inolvidável, como se vê pelas memórias adolescentes que os seus alunos revivem com prazer e sorrisos.
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Isabel X disse...
Não presenciei estas giríssimas cenas passadas com a D. Dora e tão bem contadas pela Belão. Do que eu me lembro melhor é de nós lhe perguntarmos nas aulas de Lavores porque é que não se tinha casado, sendo uma senhora tão interessante, tão bem arranjada, etc., etc... Ao que a D. Dora dava uma resposta enigmática: "Lá está (em Lisboa) quem também não se casou!...". Julgo saber que se referia ao Dr. Paulo Rodrigues, a quem Mário Soares apelidou de "Caneta de Salazar". A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
No entanto, contou-me o Dr. Serafim, quando o Papa Paulo VI veio a Fátima, enquanto ele estava no meio do povo, a D. Dora ocupava um lugar de destaque ou, pelo menos, à parte do comum dos mortais. Apesar de tudo, o antigo enamorado lembrava-se dela nessas ocasiões!
- Isabel Xavier -
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Belão disse...
Olá Isabel!Também me lembro de cá em casa se falar desse amor platónico, mas da parte da D.Dora. Sabes que o Paulo Rodrigues é primo direito do meu pai e um contador de estórias fabuloso. Quando em miúda ia a casa dele e a família se reunia, era certo o serão ser divertido.
Segundo o meu pai, confirma-se a paixão da D.Dora. Mas só a dela!Bjo
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Isabel VP disse:
Posso fazer outra correcção? Foi o próprio Dr. Paulo Rodrigues que se apelidou "lapiseira de Salazar" quando foi secretário de estado; o Dr. Mário Soares apenas o citou.IVP
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Isabel X disse:
Agradeço as correcções. Não era caneta, de facto, mas lapiseira, e o próprio a designar-se desse modo. Mário Soares deve tê-lo citado.
Falei nisso para situarem Paulo Rodrigues e o relacionarem com quem de direito, mas não me fui documentar sobre o assunto como devia. Falei de cor!Não sabia que Paulo Rodrigues era primo da Belão, mas já desconfiava que o sentimento platónico que a D. Dora nutria por ele não fora correspondido, mesmo na juventude; por isso falo em "ilusões" da sua parte.
Beijinhos para todos.
- Isabel Xavier -
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Luis disse:
Sim,IVP tem razão,foi o próprio Paulo R que se auto-denominou.A partir daí surgiu realmente uma alcunha,mas não era "a lapiseira" nem "a caneta",mas um objecto mais funcional e sempre à mão...Luis
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João Ramos Franco disse...
Lá que a D. Dora tivesse essa ideia... A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
No meu tempo dizia-se que o Salazar e o Dr. Paulo Rodrigues tinham reuniões de trabalho na Pousada de Óbidos...As meias verdades da ditadura...
João Ramos Franco
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Isabel X disse:
As meias verdades não são um exclusivo das ditaduras, são de todos os tempos e de todos os regimes...
Nunca ouvi nem li nada que aponte para, ou suporte, a insinuação que o João R F refere.
- Isabel X -
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João Ramos Franco disse...
Isabel Xavier:
Tem razão, eu retiro a palavra "ditadura".Talvez por defeito meu e de conhecer tanta coisa que se contava, à época, das referidas reuniões eu tenha dito a palavra que realidade não está no contexto do que disse.
Desculpe. João Ramos Franco

D. DORA




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Sobre a "D. Dora", pouco posso dizer, pois era minha tia e uma segunda Mãe.Devo-lhe muito! Nunca esquecerei o quanto fez por esta sobrinha, que ajudou a criar e que a adorava.
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Andei no ERO, na Rua Heróis da Grande Guerra, no 1º e 2º anos,em 1957/58, onde a Tia Dora, trabalhava na secretaria.
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Nesa altura, faziamos-lhe a vida negra por causa dos "penteados" e "pinturas", baton e pó de arroz! Chegávamos a esconder-lhe tudo, para a arreliar e se ela se arreliava!
Havia ralhos e gritos para estas alunas mal comportadas.
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"São insuportáveis", dizia Ela, coitada,ameaçando-nos de fazer queixa ao Director, que na altura era o Dr. Perpétua.
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Ficávamos cheias de medo, mas eram só ameaças, pois Ela era incapaz de o fazer.Que saudades desses tempos inesquecíveis!
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Nunca foi minha professora de lavores, nem dos tempos livres. De lavores, foi a D. Anita, sua rival e nos tempos livres, na altura, havia as salas de estudo, onde Ela tomava conta e eu já tinha passado para o colégio novo, onde era Director o Querido e Saudoso Padre António Emílio.
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Era uma boa alma,muito amiga de todos os alunos e quando saíu chorou bastante com saudades do colégio,que ela também inaugurou.
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Maria Clara
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COMENTÁRIOS
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João Ramos Franco disse...
Se não me engano, a D. Dora foi minha Catequista na Igreja de Nossa Senhora do Populo.O que ela me aturou...João Ramos Franco
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Luis disse:
Era uma boa alma a D. Dora e aturava-nos,como diz o anterior comentador,coisas incríveis.
Mas o JJ podia contar aquela história ( que lhe valeu uma suspensão ) do
- "Imaginem que chamaram F.... da P... ao motorista,oh D. Anita!" ,repetido pela D. Dora duas ou três vezes,alto e bom som,do exterior do colégio para a Secretaria!Inesquecível...
Este post mostra-nos um pouco da mulher que não conheci,lembro-me mais dos seus excessos de religiosidade.Luis
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JJ disse:
Não é grande história, esta que o Luis "desenterrou" para o seu comentário, e não me chegou a valer qualquer suspensão. Mas recordo, sempre com algum espanto, a única parte com graça, os gritos indignados da senhora, repetindo, no mais puro calão, a queixa do motorista da carrinha! Foi em Abril de 1970, no largo em frente à entrada principal.
Tem mais razão o Luis ao observar que a Clara nos trouxe aqui a evocação da mulher que foi sua tia, com uma apropriada "foto de família". Obrigado, Clara!
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Manuela Gama Vieira disse:
Como gostei de ler o depoimento da Maria Clara sobre a sua Tia Dora, que eu conheci, já lá vão...não..nem pensar, não vou fazer as contas aos anos que passaram, até porque a imagem da Srª D. Dora está bem viva e faz parte das minhas memórias do Colégio. De fino trato, elegante, sempre impecavelmente bem arranjada. Não foi minha Professora de Lavores e...quanto a Lavores, estamos conversados...para grande desespero de minha Mãe, eu até perdia o saco dos "trabalhos" no trajecto Colégio/casa. Sei fazer umas "coisinhas"...como diz a Paulinha Pardal, aquilo que em doçaria dá pelo nome de..q.b.
Quanto às "traquinices" de que a Srª D. Dora era vítima por parte de alguns/algumas alunos(as), já ouvi falar delas, algures, quiçá aqui, no nosso blog.
Jales, será que foste tu que falaste em fósforos "acondicionados" no penteado da Srª D. Dora?
Manuela Gama Vieira

LAVORES FEMININOS COM A D. DORA

por Paulinha Pardal


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Tenho muitas recordações de aulas e de vários professores, mas já que ainda ninguém falou da D. Dora, recordo as aulas de lavores que tive com ela. Escusado será dizer que estas aulas eram só para as raparigas, enquanto os rapazes tinham uns jogos de futebol no recreio.
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É claro que havia um grupo, eu, Anabela Castro, Anabela Cera, Angela, Luisa Pinheiro e sei lá mais quem, estávamos viradas para tudo menos para aprender fosse o que fosse de lavores. Como estávamos perto da janela, a hora inteira era passada a olhar para as pernas dos rapazes que, de calções, jogavam à bola; na altura era uma verdadeira emoção, não tinhamos mais nada para nos distrair. Claro está que ouvíamos ralhar, que eram sempre as mesmas, que ia fazer queixa ao Director, na época o Padre Albino, e sei lá mais o quê...coitada da D. Dora.

Os nossos trabalhos passavam de ano para ano, eram sempre os mesmos, como podem calcular pouco ou nada faziamos. Pior ainda era que o meu e o da Anabela Castro era o mesmo, sim era isso mesmo, só um trabalho para as duas, umas rosetas de crochet brancas, rosa e verde, sinistras. Primeiro a D. Dora via o meu trabalho e dizia que podia estar melhor, depois ia andando e quando chegava à Anabela já ela tinhas as rosetas pirosas e a D. Dora dizia que as dela estavam muito bem feitas e que eu devia pôr os olhos nela. Coitada da D. Dora muito nos rimos à conta destas coisas...ainda hoje nos rimos por causa destas e de outras aulas.
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Mas eu penso que alguma coisa a D. Dora nos ensinou porque hoje tanto eu como a Anabela fazemos umas coisas.
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PP

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D. Dora, Isabel Videira, Padre Xico (Profissão de Fé, 1965)

C O M E N T Á R I O S

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Júlia R disse:
Quando entrei para o colégio o 1º e 2º anos eram na Rua do Jardim, prédio de esquina com a Rua Heróis da Grande Guerra, e só do 3º ao 7º no Edifício do Crespo.
Então a D. Dora, além de dar as aulas de Lavores Femininos às meninas "tomava conta de nós”, rapazes e raparigas. Era boa pessoa e uma figura muito característica, com o seu penteado que com certeza todos recordam. Foi com ela que aprendi a bordar "ponto de cruz" e ensinou-me de tal maneira que, quando vejo alguém a fazê-lo, deito logo o olho ao avesso, pois tem a sua técnica. É um bordado que ainda hoje gosto de fazer.
Guardo esse pano de tabuleiro, que sempre identifico com a D. Dora. Júlia

Anabela Afonso disse:
Alem destas trocas de rosetas, que a Paula refere, havia tambem a do pano de tabuleiro, maravilhoso, que ainda hoje existe inacabado na casa da minha mãe.
Em todas as aulas ora eu ora a Paula, bordávamos em ponto Pé de Flor, a palavra – Merda – .
O resultado era risada geral! Mas claro, com tanto treino, aprendemos muito bem o ponto.
Outro divertimento era encher de pó de giz e papelinhos os maravilhosos ripados da D. Dora.
Bons tempos, mas ainda hoje, que já somos avós (ela, eu não, que sou muito mais nova!), fazemos brincadeiras.

farofia disse...
Que post funtástico, PP! "Primeiro a D. Dora via o meu trabalho e dizia que podia estar melhor, depois ia andando e quando chegava à Anabela já ela tinhas as rosetas pirosas e a D. Dora dizia que as dela estavam muito bem feitas e que eu devia pôr os olhos nela".
.... aluno sofre! :))))

João Jales disse:
Esta questão da apreciação das rosetas tem tudo a ver com a “gestão de expectativas”. A Paulinha sempre teve aquele ar doce e maternal e a D. Dora esperava que ela correspondesse, nos tão necessários Lavores Femininos, a essa imagem. Já a Anabela apostava numa imagem um pouco mais rebelde, saias curtas, cabelo em cima da cara... Claro que a D. Dora nada esperava dela. Portanto um trabalho que era inaceitável na Paulinha era surpreendente na Anabela!
Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, elas eram as duas igualmente “destravadas” (já ninguém usa esta palavra, pois não?).JJ

Ana Carvalho respondeu:
Olá João
Que palavra engraçada "destravadas", realmente já ninguém usa esta palavra, mas define-nos na perfeição, nós éramos realmente umas destravadas! Bjs PP

São Caixinha disse:
Sobre o tema dos lavores, lembro-me muito bem de ter aprendido o “ponto cruz” a que a Julinha se refere, o tricot para um casaquinho de bebé (os tais presentes de Natal a famílias desprotegidas que a Lena Arroz há uns tempos mencionou) e o”ponto grelhão” que por infeliz escolha minha, decidi aplicar numa infindável toalha de mesa, definitivamente...much more than I could chew!!! O que eu não me lembro, contudo, é se a professora teria sido a D. Dora ou a D.Anita! É a idade...de qualquer forma recordo as duas senhoras com saudade!
Bjs, São

O João Ramos Franco no ERO “Prédio do Crespo”

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Top One nos EUA há precisamente 50 anos, em Fevereiro de 1959:

Clique no PLAY e acompanhe a leitura do texto com a música.


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Foi nos dois primeiros andares do “prédio do Crespo”, situado no nº 91 da R. Capitão Filipe de Sousa, no ano de1953/54 que começou a minha vida como estudante liceal. As aulas eram mistas (rapazes e raparigas).

Os Professores eram: Dr. Manuel Perpétua – Director (Português e História), Dr. Azevedo (Matemática, Geografia, Físico-Química e Ciências Naturais), Dra. Lídia Gomes (Ciências Naturais), Maestro Carlos Silva (Canto Coral), Escultor Macário Dinis (Desenho), Dra. Irene Trunninger Albuquerque (Francês, Inglês e Alemão), Dra. Lúcia (Francês), Padre Teodoro (Religião e Moral), Dr. Umbelino Torres (Latim) Dra. Alice Freitas (Português e Francês), Dra. Elvira Bento Monteiro (Grego), Dra. Deolinda (Histórico-Filosóficas), Dr.ª Margarida (Matemática) Capitão Hipólito (Ginástica), D. Dora (Lavores). Na secretaria estava a Dº Eulália e os contínuos eram o Sr. Madeira e a Sra. Albertina.

Falar destes professores é difícil devido ao ambiente existente. A Dra. Irene Trunninger Albuquerque, Maestro Carlos Silva (Canto Coral) e o Escultor Macário Dinis (Desenho) aproximavam-se mais de nós e tentavam compreender o nosso pensar de jovens. Mas todos restantes ou tinham atitudes agressivas (obrigando a aprender com medo) ou desligavam-se de nós após as aulas (faltando acompanhamento para nos tirarem dúvidas). Nas aulas havia uma distância Professor/Aluno, que dificultava o bem estar e o aprender, excepto com os três já citados .

Isto tornava a camaradagem entre alunos bastante mais forte, permitindo, no dia a dia, saber a disposição com que os Profs. estavam e o modo de nos comportarmos com eles.

O contínuo, o Sr. Madeira, merecia uma estátua, aturava-nos tudo, desde o mal estar provocado pelos Profs. às partidas que lhe pregávamos, as brincadeiras dos intervalos das aulas e até ser chamado ao Director (Dr. Perpétua) pelo que nós fazíamos sem nos acusar. Era um bom amigo.

O Recreio era no pátio do 1º andar (quando não chovia, quando chovia era na varanda do 2º andar), separado por uma corrente, metade para os rapazes e a outra para as raparigas, onde os divertimentos eram limitados pelo espaço (os jogos de bola eram proibidos, por que se podia partir os vidros das salas de aula) e também pela disciplina, qualquer aproximação à corrente para falar com uma colega era punida com suspensão. A convivência com as raparigas era na Zaira, no Jardim e no Casino, com as restrições que a época nos impunha.

O ambiente era tal dentro destas instalações do Colégio (ERO) nesta época, que levava a que nos reuníssemos na Tasca do Manuel (de já falei nos locais do João Ramos Franco - “João Traga Balas”) ou atrás da Igreja para jogar à Bola.

João Ramos Franco


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C O M E N T Á R I O S

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Ana Nascimento disse...

Na lista dos professores falta-te uma de lavores femininos, a Anita Nascimento, que passou do antigo colégio (em frente ao prédio onde moravam os teus tios), para o edifício do Sr. Crespo (e que por acaso é minha tia ehehehehe).bjs. Ana Nascimento

farofia disse...
Estou como a Ana Nascimento, sinto a falta da Dona Anita. E ela - que bem me lembro - faz anos em Fevereiro, mas de 4 em 4 anos, porque é no dia 29. Ih! que saudades!E a mãe Ivone como está? Um bj à Luísa e outro à Ana. Inês

Uma fotografia da Anico

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Olá,não queria deixar de partilhar esta foto ,a qual acho que não precisa de legendas pois, mesmo tendo passado tanto tempo, creio que a maior parte consegue identificar as meninas e o local.


Só tenho pena que já não haja "bailes" nem locais como este para os nossos filhos e netos se divertirem como nós o faziamos.


beijinhos


ANICO
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COMENTÁRIOS
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miniprofa disse...
duas, reconheço duas, Ana Paula Jales e... falta-me o nome da menina de pé.
bj p/ a Anico
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Júlia Ribeiro disse:
Nesta foto só consigo lembrar-me do nome da Paula Jales,reconheço as 2 meninas da esquerda,uma atrás da outra, mas o nome? "Memória vem cá abaixo", deêm uma ajudinha....e das outras nem se fala!Será que ainda foram do meu tempo no ERO,na primária?
Um beijinho para mais umas "ramalhôas".
Júlia R
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Belão disse...
Anico,tens razão, apesar dos anos que passaram, todas somos identificáveis. Parece-me que só nós as duas somos avós! Bons velhos tempos!
Estamos em que ano, tens ideia?Um grande beijinho
Belão
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Guidó disse:
A menina de pé é a Nami (Natércia Carvalho) e à esquerda da Belão é a Isabel (não me lembro o apelido), mas é moça para a minha idade. bj. Guidó
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Isabel Caixinha disse:
Ola JJ
Sobre a foto da Anico parece-me que a menina por detrás da Paula Jales é a Marta e a menina ao pé da Belão e da Nami é a Isabel Noronha (Beluxa ..Bluxa..?), as outras meninas já estão identificadas.
Que bom ver a Anico no blog que foi minha colega de turma e que tinha uma forma de escrever tão bonita que sempre que tenho que escrever algo especial lembro-me sempre dela!
Um beijinho à Anico
Isabel Caixinha
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Isabel Esse disse...
Ao contrário das duas mascaradas na praça,estas eu conheço:Nami Carvalho,Isabel Noronha,Blão,João Gomes,Paula Jales(irmã do JJ)e Anico Tomás dos Santos.Penso que vivem todas nas Caldas,não é?
Tambem gostava de saber em que ano foi tirada a fotografia?BeijinhosIsabel
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João Gomes disse:
Olá Anico,
As meninas estão identificáveis para algumas, pois eu já virei Marta, vá lá sempre teria uma pele mais valiosa.
Quanto à data terá sido algures entre 69 e 70, não posso precisar. Se não fosse uma “expatriada” iria confirmar a data em fotos desta altura, provavelmente terei algumas no “sótão”. Um beijinho e vai mandando mais
MJoãoGomes
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JJ disse:
A João acaba por, indirectamente, responder à Isabel ao afirmar-se "expatriada". Efectivamente ela é a única das seis meninas que não reside nas Caldas e sim em Moçambique. Não é uma indiscrição esta informação, já que a própria publicou aqui no Blog várias fotos sobre o seu novo local de residência.
Só a Anico poderá saber a data desta fotografia, que eu arriscaria ser de 1970/71, usando um famoso "datómetro" que em tempos me ofereceram.
Já que a João pede mais fotografias à Anico, eu aproveito para lhe pedir as que ela diz ter no sótão!
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Anico disse:
Primeiro quero enviar um beijinho à Drª Inês pois era a minha professora preferida, sempre muito querida, ao contrário de outras, como já foi comentado.
Quanto à fotografia já fomos todas identificadas, acho que foi em 1970; também me lembro que estava um bocadinho aborrecida porque, como podem reparar, estavam todas de collants de mousse e eu de "meinha pelo joelho", a minha Mãe achava que eu não tinha idade para o collant que era, naquela altura, um pormenor muito importante para as meninas. Os mocassins são todos idênticos, com uma grande fivela, estávamos lindinhas!...
BJS a todos . Anico
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Belão disse...
Anico, os collants eram de facto muito importantes para nós, na altura. Mas hoje, vendo bem, estavas bem mais gira que nós com aqueles collants que teimavam em cair pelas pernas abaixo.
Eu cá arrisco o ano 1971. Será?
A menina João, não sei do que está à espera para ir ao sotão.
Bjo às meninas e meninos