ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

OS PROFESSORES DO "CRESPO" (Armando João)

.
.
Perante o grande laconismo da maioria dos frequentadores do “ERO / Prédio do Crespo”, mantive uma amigável conversa com o Armando João Francês sobre os seus professores na década de 50.
.
Verifiquei que as informações constantes em
BREVE HISTÓRIA DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO 1945-1973 1ª parte

estão de acordo com as suas memórias.
.
Foram pois seus professores:
Drª Alda Lopes – Português (e directora na transição da Miguel Bombarda para a General Queirós)
Drª Lídia – Francês
Dr. Azevedo – Matemática, Físico-Química, Geometria Descritiva
Dr. Rosa Bruno – Físico-Química e Ciências Naturais
Padre Teodoro – Religião e Moral
Prof Carlos Silva – Canto Coral
.
Alguns professores foram sendo substituídos, saindo a Drª Lídia para o Bombarral, o Dr. Rosa Bruno para uma falhada tentativa de um colégio e S. Martinho, a Drª Alda para Lisboa e há novos professores na segunda metade da década:
Drª Irene T Albuquerque – Francês, Inglês, Alemão.
Dr. Perpétua – História, Filosofia, OPAN.
Drª Margarida – Matemática, Ciências Naturais.
Drª Teresa – Ciências Naturais, Geografia.
Dr. Serôdio –Fisíco-Química, Ciências Naturais.

.
Pelos vistos a atribuição das disciplinas de Ciências Naturais, Geografia e mesmo Físico-Química eram, nesta altura, bastante arbitrárias e dependentes mais das necessidades de preenchimento dos horários lectivos do que das habilitações específicas dos professores. Fenómeno semelhante aconteceria com a Geografia durante a década de sessenta.
.
Os alunos não eram muito diferentes dos que eu conheci uma dúzia de anos depois. Contou-me ele que um sempre “ausente” Zé Machado depois de ouvir, distraidamente e pela rama, uma descrição das vicissitudes da travessia do deserto pelos Judeus, passando fome, sede e calor, só reteve a idiomática frase que o professor repetiu três ou quatro vezes nessa hora de aula escrevendo, num ponto posterior, que eles se foram alimentando nesse período de “passas do Algarve”… Enfim, os alunos foram sendo muito parecidos ao longo dos anos!
.
JJ e Armando João
.
________________________________________________________
COMENTÁRIOS
.
João Ramos Franco disse...
As informações dadas pelo Armando João Francês sobre os seus professores na década de 50, vêm acrescentar as minhas, o que concordo, porque sendo mais velho, acompanhou a mudança de instalações e tem uma visão dos Professores que entraram e saíram.
Estas memórias são sempre uma mais valia para o nosso esclarecimento.João Ramos Franco
.
Jaime Serafim disse:
Estive a ler o texto sobre os professores do "Colégio do Crespo", que foi escrito segundo dicas do Armando João. Estão lá algumas imprecisões e algumas omissões.
Poderei tentar uma panorâmica da época acima referida - os sete anos em que fui aluno do Externato - se o Jales entender valer a pena, mesmo nesta rampa final do tema.
.
JJ respondeu:
Estou em busca dessa panorâmica dos anos 50 desde que iniciámos esta série. Escrita por alguém que tem memórias fidedignas e uma grande capacidade de as transmitir, será uma enorme mais valia para o Blog. Ficamos todos a aguardar.
.
João Ramos Franco disse...
ERO “Prédio do Crespo”
Os Professores eram:
Dr. Manuel Perpétua – Director (Português e História), Dr. Azevedo (Matemática, Geografia, Físico-Química e Ciências Naturais), Dra. Lídia Gomes (Ciências Naturais), Maestro Carlos Silva (Canto Coral), Escultor Macário Dinis (Desenho), Dra. Irene Trunninger Albuquerque (Francês, Inglês e Alemão), Dra. Lúcia (Francês), Padre Teodoro e …? (Religião e Moral), Dr. Umbelino Torres (Latim) Dra. Alice Freitas (Português e Francês), Dra. Elvira Bento Monteiro (Grego), Dra. Deolinda (Histórico-Filosóficas), Dr.ª Margarida (Matemática) Capitão Hipólito (Ginástica), D. Dora e D. Anita (Lavores). Na secretaria estava a Dº Eulália e os contínuos eram o Sr. Madeira e a Sra. Albertina.Penso que estando esta lista de Professores mais completa, seria oportuno votar a publicá-la, na medida em com a colaboração do Dr. Serafim, estando a tentar encontrar “essa panorâmica dos anos 50”, talvez desse uma ajuda. João Ramos Franco

FINALMENTE "O ENCONTRO - THE MOVIE" !

.
.
.
.
Está já disponível, em seis partes, o filme integral do 1º Encontro de Bloguistas do Externato Ramalho Ortigão.
.
O editor do filme, o Vasco Baptista, optou por uma versão Director's No Cut, isto é, uma versão integral de toda a filmagem do grande Manuel de Oliveira, perdão!, Joaquim Oliveira.
.
Podem sempre optar por ver uma parte por dia...


video 1

Filmado no exterior, com um belo dia de sol, é o ideal para ver as toilettes, as barrigas, as carecas, os cabelos brancos, as rugas ....



video 2

Já no interior da sala a falta de luz disfarça mais, mas dá para ver que elas continuam a ficar mais novas, mais louras e mais elegantes e eles mais acabados, barrigudos e carecas. Só no final se começa a usar a captação de som como elemento cinematográfico, infelizmente o actor não é famoso.



video 3

Começa uma apresentação dos bloguistas mas o entertainer de serviço limita-se a ir repetindo que este é A que todos conhecem, aquele é B, que todos conhecem.... Nessa fase podem saltar para o próximo.


video 4

Ainda algumas apresentações (e umas prendas, para fazer inveja a quem nada recebeu...). Há um grande momento de cinema em que se pode observar detalhadamente o chão e os pés do cameraman. Temos finalmente uma estrela, o Zequinha faz um muito aplaudido discurso!


video 5

Não percam as intervenções da Julinha, Mário Xavier, Vasco Trancoso e Jaime Serafim.


video 6

Final da intervenção de Jaime Serafim e breves palavras da nossa Presidente. Termina o filme com uma pequena pausa para reflexão.

.

.

_____________________________________________________________

COMENTÁRIOS

Júlia Ribeiro disse:
Caríssimos colegas e amigos
Não se coíbam de dizer mal, fazer comentários menos favoráveis desta espécie de filme, se esta sucessão de imagens se pode chamar assim… Umas imagenzitas em que se avalia, muito mal, o que nos divertimos, convivemos, comemos e....
Está péssimo, que horror! Mal se conhecem as pessoas, ouve-se pessimamente (com os auriculares consegui perceber algumas palavras e frases que uns oradores desprevenidos para lá disseram), até houve pedaços em que me fez pensar se seria a D. Dora de máquina em punho, "aos saltinhos" de um lado para o outro, a filmar!
Podem dizer (se acaso tiveram pachorra de ver), escrever, comentar, tudo o que vos vier à cabeça..... E até perguntar o que estes idiotas, "realizadores de meia tigela", andaram para aqui a fazer…. Não pensem que estou a maltratar o Quim, eu também filmei, mas, como podem verificar, as condições da sala não eram as melhores... E estamos de acordo, eu e o Quim, que não é dos nossos melhores filmes…
Enfim, a finalidade do almoço foi conhecermo-nos, divertirmo-nos, analisar o Blog, voltarmos aos nossos tempos de meninas e meninos com alguns professores (que afinal nessa altura também o eram, a diferença de idades, verifica-se agora, não é nenhuma ). Penso que se poderá adivinhar nestas imagens que foi isso que aconteceu e esse é todo o seu valor.
Informamos que podem estar descansados que não cobrámos qualquer cachet!
Júlia R

farofia disse...
Termina o filme com uma pequena pausa para reflexão... ah!ah!ah! e eu a pensar que o YouTube tinha avariado!Venho dizer à Júlia e ao Quim que fizeram o milagre de pôr as fotografias a falar. É que, quando comecei a olhar bem as fotos pensei 'só lhes falta falar'.E não é que logo a seguir às fotos vieram os vídeos e as imagens ganharam uma vida nova?! este grupo maravilha faz com que não nos falte nada. Nem as condições adversas da acústica da sala impediram os magníficos repórteres de nos presentear com este encontro ao vivo.Muito obrigada. Inês

JJ respondeu:
Cara Inês:
Enquanto tivermos uma bloguista como você, o Blog não acaba. Obrigado pelo apoio. Bjs . JJ

Emiliana disse:

Gostámos muito de participar neste almoço e de rever professores, colegas e amigos.As fotos estão um espanto e o almoço foi delicioso, principalmente por ser saboreado em boa companhia.

Um agradecimento também nosso às organizadoras,Isabel e Júlia. Não há dúvida que o entusiasmo da Julinha é contagiante! Mas para o Jales,pelo seu incansável trabalho diário (a maior parte das vezes já a horas tardias) vai também da nossa parte um OBRIGADO muito especial.Um abração para todos e um até já, porque afinal,hoje uns, amanhã outros, todos os dias nos vamos encontrando através do nosso blog.

Emiliana e Rego Filipe

A SUPER - outras visões

.
Alberto Reis Pereira disse:
Tive o privilégio de ser aluno da Dra.Deolinda e, anos mais tarde, seu colega na Escola Bordalo Pinheiro.
Como seu aluno de Filosofia no 6º ano confesso que inicialmente me intimidou um pouco; no início do ano lectivo eu ainda só tinha 14 anos, sentava-me na fila da frente e sofria por isso "de perto" algumas das reacções mais zangadas da nossa Professora; e, convenhamos, esses momentos não eram fáceis. Sendo o mais novo da turma não deixava de ser curioso o facto de eu ser o único na sala a ser tratado por senhor; mas não era por senhor Alberto nem por senhor Pereira mas sim por senhor Reis, um dos meus apelidos do meio, vá lá saber-se porquê. Claro que eu nunca tive coragem de lho perguntar, nem mesmo anos mais tarde quando leccionávamos as mesmas turmas; e aí tratava-me por Reis Pereira ... e sem o "senhor".
As turmas onde nos cruzávamo-nos eram, invariavelmente, o 8º e o 9º ano de Agro-Pecuária (só podia...), cursos estes já há muito extintos. Eu gostava de ter Conselhos de Turma com a Dra. Deolinda; confesso que vária vezes nos "pegámos" por termos opiniões diferentes e a Dra. não gostar muito de ser contrariada, mas era engraçado que, quando a reunião acabava, saía sempre comigo da sala e queria saber coisas a meu respeito e da minha família, com aquele seu jeito aparentemente "zangado" mas que escondia uma amizade que era recíproca.
Onde a Dra. Deolinda estiver, o meu sincero respeito.
Desculpem ter-me alongado. Cumprimentos para todos
Alberto Reis Pereira
.
miniprofa disse...
.
A Drª Deolinda tinha uma maneira castiça de dizer Fi-filosofia. Tão querida!
.
Adorei como a descreveram e a foto que nos mostra o Serafim é bem o retrato do prazer com que recebia os amigos. Com aquele seu ar sacudido de mulher independente, quase bravia, ela cultivava a amizade.Quem quer que se deliciasse a escutar o tanto que ela sabia, da História, dos Arquivos ou da vida do campo, ficava seu amigo.
.
A ela me prende uma 'novela' de caracóis... Um dia de Primavera disparou: 'olhe lá, ó Inês, você se vem do Algarve gosta de caracóis!', 'pois gosto!', 'então vou-lhe arranjar uns caracóis'Aí eu não tive coragem de dizer que não sabia cozinhar, muito menos preparar caracóis... A Drª Deolinda cumpriu a promessa e fez-me chegar a casa uma sacada de caracóis que ela própria andara a apanhar, imagino com o maior carinho!Só me ocorreu limpá-los, dar-lhes um bom banho.
.
Quando voltei para os cozinhar, eles tinham fugido em todas as direcções. As paredes da cozinha, os armários, até o tecto estavam cobertos de caracóis!
.
Ainda hoje, quando chega a época do 'petisco' eu e o meu marido recordamos a história daqueles caracóis fugitivos e a amizade da Drª Deolinda.
.
Inês
.
Jaime Serafim disse:
.
.
A Dr.ª Deolinda adorava estar com amigos, conversar, partilhar com eles um café, uma refeição e era uma óptima anfitriã. Uma das fotos foi tirada em sua casa, no Chão da Parada, por ocasião de um almoço que nos ofereceu.
Na outra foto, a entrada para um jantar de professores, está a D. Dora, a D. Rosa, a D, Clarisse (que foi uma grande amiga muito “cusca”, como se pode comprovar) a Dr.ª Deolinda, a Dr.ª Noémia, a minha mulher e eu.
.
.
Já agora, permitam-me uma rectificação – a Dr.ª Deolinda não era filha única. Tinha uma irmã mais velha, a mãe da Dr.ª Margarida.
.
Jaime Serafim
.
Isabel X disse:
.
Julgo não estar enganada ao fazer aqui uma correcção ao Dr. Serafim, que não me vai levar a mal. Penso que era o pai (e não a mãe) da Dra. Margarida quem era irmão da Dra. Deolinda, embora muito mais velho do que ela. Daí a maior proximidade de idades entre tia e sobrinha e, daí também, terem o mesmo apelido: Ribeiro. Também fui várias vezes confraternizar em casa de ambas, à volta de uns "comes" e "bebes". Coitada da Dra. Margarida é que tinha todo o trabalho...
.
- Isabel Xavier -
.
Jaime Serafim respondeu:
Pois, Isabel, contrariamente ao costume, está enganada. Eu conheci a Mãe da Dr.ª Margarida, que era a única irmã da Dr.ª Deolinda e mais velha, com uma notável diferença de idade. E o apelido da Dr.ª Margarida é Rodrigues - Margarida Ribeiro Rodrigues.
.
Isabel X respondeu:
E eu com a mania de querer corrigir quem sabe mais do que eu... Que é como quem diz: "querer ensinar a missa ao padre!", salvo seja. Fui induzida em erro pelo "Ribeiro".
Beijinho.
- Isabel Xavier -
.

Belão disse:
A Super era fantástica!
Não fui sua aluna no ERO, mas sim mais tarde, na Escola do Magistério, onde leccionou Pedagogia e Psicopedagogia.Dela guardo muito boas recordações, como professora e como amiga. Ao longo do tempo que com ela privei tive várias almoçaradas de alunos, para as quais ela era convidada e eu fazia questão de me sentar a seu lado. Era sempre mais interessante. Não me esqueço de um episódio, penso que passado na Manjedoura (restaurante que existia em Vale de Maceira). Quando nos sentámos e surgiu o empregado para tomar nota dos pedidos,eu solicitei uma gasosa, para misturar com o vinho tinto. Ai meu Deus! O que eu fui fazer!
" Estás maluca, rapariga! Isso não se faz! Vais estragar o vinho e vais estragar a gasosa que, já de si, só faz mal."
E foi a partir daí que passei a beber vinho tinto sem gasosa. Hoje partilho da sua opinião, claro está.
Durante o estágio, assistiu a várias aulas minhas. Muitas das vezes eu pedi a sua presença. Não sei porquê, dava-me segurança. E ela, que não era obrigada a ir, não só nunca faltou, como fazia sempre questão de comigo reflectir sobre a aula dada e enriquecer-me com os seus conselhos.
Uma grande mulher!

Belão

Desenho de São Caixinha

.

Manuela Gama Vieira disse:

Jales, um pormenor que recordo da Drª Deolinda, era o facto de usar sempre a sua pasta de pele. Raramente a vi com uma carteira como aquela que a São lhe "pôs" no braço. Das poucas vezes que a vi entrar de carteira no Colégio, logo de seguida, quando saía da sala dos Professores, já a trazia "metida" dentro da pasta. Recordas-te disso?

Não sendo, embora, uma apreciadora de futilidades, desde sempre fui observadora de toilletttes…. Era-lhe característico um "ar" (uma maneira de vestir e pentear) muito pouco feminino, que em nada desabona quanto às suas qualidades humanas e profissionais, como é óbvio!Uma boa Professora mas, confesso, de quem tinha algum "medo"...quando me chamava, com aquela voz que recordo como se fosse hoje:

"- Menina Gama Vieira, diga lá...." - eu até tremia!

MGV

J L Reboleira Alexandre disse...

.
Tenho lido imensas coisas sobre a Super e a sobrinha Dra. Margarida Ribeiro. Ambas foram nossas professoras, e de quase todos os participantes nos blogs da Escola e do ERO. Também já referi quanto me marcaram qualquer delas.

No entanto nem tudo foi ainda dito. Para os habitantes do Chão da Parada, estas duas professoras eram conhecidas pelas «bueras». Tentei ingloriamente averiguar junto dos meus pais a origem deste nome que na minha opinião mais não é que o aportuguesamento do termo «the Boers», famosos emigrantes holandeses que povoaram a África do Sul e que, após a guerra com os Zulus, abandonaram o continente africano. Como os pais da «nossa» Super não eram naturais da zona e ficaram conhecidos por se terem estabelecido no inicio do século passado na zona da Estrada Nacional 8, perto da velha ponte sobre o Rio Tornada, poderá alguém com mais tempo fazer uma pesquisa sobre as origens da Dra. Deolinda ? É que nenhuma delas gostava de falar com os mais jovens sobre as suas origens, apesar de eu muitas vezes ter abordado o tema nas imensas conversas que tinha, sobretudo com a Dra. Margarida, fosse lá na terra ou quando a encontrava inúmeras vezes na praia de Salir.Trata-se afinal de figuras que marcaram a vivência de toda uma geração de jovens caldenses.
.
José Luis Reboleira Alexandre

Anabela Miguel disse:

É bem verdade o que diz o Zéquinha quanto à grande paixão da Dra. Deolinda por automóveis.E posso confirmar, pois lembro-me muito bem de o meu Pai contar das conversas interessantes que tinha com a Dra. Deolinda.Conversas essas quando se encontravam na mesma oficina e claro que o principal tema era sobre automóveis, ambos apaixonados por estas máquinas. E mais, imaginem, os dois tinham carros damesma marca e cor......

Um dia o meu Pai chega a casa e conta que tinha tido uma situação embaraçosa com a minha professora,pois não sabia bem, sem ser indelicado, como devia alertá-la que tinha a perna suja de óleo.O engraçado é que a mancha de óleo era um sinal grandinho que a senhora tinha desde sempre na perna.Mas lá está que a Dra. Deolinda desdramatizou a situação, segundo o meu Pai, com bastante graça e descontracção.

Isto é uma pequenina história que mostra que esta Senhora tinha também um grande sentido de humor.

Anabela Miguel


"A BELA E O ..."

por Miguel B M


Estas fotografias de 1995 ,em que surge a Super com os meus filhos (a relação com a Sofia é quase maternal), vêm de certo modo desmentir uma imagem que formámos no nosso imaginário sobre a dra Deolinda Ribeiro. Aliás essa imagem foi criada, e posteriormente alimentada, por ela própria, de pessoa distante, quase sem sentimentos, severa e ríspida. Puro engano.

Tive o prazer de privar com ela pois foi inicialmente amiga dos meus pais e posteriormente de mim próprio.Tratava-se de uma pessoa afável,simpática,com grande cultura específica e geral,com quem era fácil manter uma longa conversa.

.

Estas fotos até para mim constituíram uma surpresa pois desconhecia a sua existência e só as descobri quando pesquisei os arquivos do meu pai. Creio que nelas também estou presente na memória da Super, pois posso supor que me reviu com a presença das crianças.

.
Onde quer que esteja espero que estas imagens e estas palavras lhe toquem o coração pois este também tinha a capacidade de se derreter.
.
Miguel Bento Monteiro
.

____________________________________________________

COMENTÁRIOS
.
Ana Carvalho disse:
Realmente quem havia de dizer que a Dra Deolinda era assim, estou espantada, nunca devemos criticar quem só conhecemos superficialmente, sem ser na intimidade, aprender até morrer! Bjs PP
.
Manuela Gama Vieira disse:
Profundamente enraizada nas suas origens telúricas, talvez daí lhe adviessem a “dureza”, a simplicidade, e a face tisnada pelo sol.
Apreciei, sobremaneira, o excelente artigo de José Manuel Pereira da Silva que o Jales "repescou" e me avivou as memórias, devo confessar que eivadas de algum temor...da minha Professora de Filosofia.Contudo, os anos encarregam-se de aplacar os temores...
Por detrás do facies mais duro pode estar um coração de ouro, sem dúvida!Manuela Gama Vieira
.
Júlia Ribeiro disse:
Apenas tive a Drª Deolinda como professora de Filosofia durante um ano e numa disciplina que não me era muito grata.Não deu para a conhecer bem, mas foi o suficiente para me aperceber que era uma pessoa com características muito peculiares e que não se apagariam da minha memória.
Encontrei-a num almoço de Antigos Alunos na Foz em 1994 e surpreendeu-me que não nos tivesse esquecido, após 24 anos, a mim e ao Quim (Oliveira) e até se lembrar dos nossos nomes.
Agora,ao ler todos estes depoimentos sobre a Drª Deolinda,fiquei a conhecê-la melhor e pensei : Que pena não estar ainda entre nós....Júlia R

A SUPER

Lembrada esta semana no nosso Blog a "Super" merece sem dúvida ser integrada na série "Professores e Personalidades". Grande professora de História, não tanto de Filosofia já que as dúvidas e interrogações sem resposta lhe eram estranhas e incómodas. Os apontamentos de que o Zequinha fala no texto abaixo, publicado no livro "Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991" de Vasco Trancoso, eram bem o exemplo disso, um amontoado de certezas e afirmações categóricas para nós decorarmos, uma sui generis noção de Filosofia. Curiosamente aconteceu comigo o mesmo que com ele, tive sempre 14 como nota, antes e depois de saber antecipadamente os testes...
Acrescento, apenas porque ele o não recorda, que a Dra Deolinda colaborou em 1987 comigo e com o Pereira da Silva ( o "Sr das Cassetes", como ela lhe chamava nas aulas) num programa da Rádio Margem onde, aos Sábados à tarde , mostrava, falando da nossa região, aquilo de que realmente gostava e sabia: História.
É com saudade desse convívio que deixo aqui a sua recordação.
A minha “Super” amiga


Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra em 1945, tendo defendido como tese “ A acção da Rainha D. Leonor na Vida Portuguesa”.
Especializada como Bibliotecária Arquivista em 1947, investigou na Torre do Tombo até 1952.
Colaborou com artigos de investigação sobre o concelho das Caldas da Rainha no “Boletim dos Bibliotecários”.
Exerceu a docência em disciplinas de História e Filosofia como Professora Efectiva do Ensino Secundário.
Havia para muitos da minha geração, os que prosseguindo estudos se aventuravam pelos segundo e terceiro ciclos do ensino secundário, técnico ou liceal, um obstáculo que uma quase lenda fazia deslizar pelo tempo e que se dava pelo nome simples de Doutora Deolinda ou mais comummente de “Super”. O seu campo de minas era para todos a História e para alguns a Filosofia. Aí se dariam os confrontos em que mortos e feridos a “chumbo” coleccionariam os eventos que dariam continuidade à lenda passando-a a vindouros.
Filha única, Deolinda Ribeiro estaria por certo destinada à continuação duma casa de lavoura se fosse homem. Sendo mulher quis assumir esse e o seu verdadeiro destino: o da inquietação perante os factos e os seus porquês. Ambos cumpriu.
Aqui reside o carácter extraordinário desta mulher, impregnada de terra e de saber, cuja força à natureza deve e à natureza sempre quis pagar, dedicando-se-lhe no trato e amanho com o mesmo entusiasmo que às coisas da sua real vocação, os estudos e investigação histórica, toda a vida dedicou. A sua forma de estar na vida, com simplicidade e rigor aprendeu-a, por certo, nas muitas horas passadas ao cheiro da terra aberta para as sementes e no segredo de como nascem as coisas, na ordem que a mão lhes dá e no favor da natureza.
Conheci-lhe o segredo de duas paixões: D. João II e os automóveis. Estes eram o seu calcanhar de Aquiles e uma “deixa” bem metida em qualquer aula permitiam-nos, uns cinco ou dez minutos de conversa outra que não de História ou Filosofia. O seu Cortina branco era um modelo que naquele tempo tinha fama de “bomba” e o Tomás Baptista, grande entusiasta e especialista dos desportos motorizados, era por norma o interlocutor mais activo espevitando-lhe o entusiasmo.
Estes faits-divers tinham particular interesse e eficácia por altura da Teoria do Conhecimento, capítulo da Filosofia que Deolinda Ribeiro ministrava “por conta própria”através duns famosos apontamentos (famosos no distrito e mesmo em Santarém), só que os apontamentos eram ditados à velocidade do dizer e o castigo durava um período inteiro. Memoráveis aulas para os antebraços que, sacrificados , pelo menos no meu caso, impunham ao meu cérebro, por reflexo condicionado, obviamente, a proibição quase absoluta de se debruçar sobre tais e assim transmitidas matérias.
A Dra. Deolinda tinha uma didáctica muito sua e baseada, quase sempre, numa sinopse introdutória que funcionava como esqueleto da dissertação que salpicava com o seu vasto conhecimento dos episódios paralelos e com os quais afastava a monotonia em que, pelo menos nas matérias filosóficas, facilmente se poderia cair. Natureza e método conjugavam-se, porém, na maneira como interpretava e impunha a disciplina, assunto em que o seu lema me parece sempre ter sido “as coisas como são, sempre foram e serão”.
A minha irreverência desses anos sempre me antagonizou à Deolinda Ribeiro de uma forma intensa mas leal, existindo até um episodio, que só agora ela ficará a conhecer, que o pode retratar. A partir de determinada altura do 7º ano, salvo erro, descobrimos que as revisões antes dos pontos eram feitas com algumas perguntas apontadas num caderninho que ela guardava na sua pasta de cabedal. As sextas feiras a aula de Filosofia era de duas horas seguidas, logo depois do almoço. Durante o intervalo, os professores iam até a sua sala e nós descíamos ao pátio, sendo interdita a permanência nos corredores. Iludida a “segurança” (a cargo dos contínuos Ulisses e Zé Caixinha) um grupo “comando” e voluntário em que eu estava obviamente incluído, resolveu consultar o misterioso caderninho. O espanto e alegria anularam o tremer das pernas que o risco justificava. Em caligrafia bem conhecida o que ali se achava reproduzido era o texto integral do próprio teste.
A Filosofia passava a ter para nós um novo aliciante. Conjugando um bom comportamento nas aulas com a demonstração de um renovado interesse pelas questões postas na aula, facilmente se justificariam os resultados que doravante iriam aparecer, pelo menos em quanto a indiscrição não viesse a ser descoberta e o esquema pudesse funcionar. Funcionou duas ou três vezes que me lembre. Nunca consegui com ele beneficiar e nas entregas dos pontos, à minha vez o anuncio continuou a ser o mesmo de sempre : “Senhor Pereira da Silva… 10!!! Ó homem já era altura de começares a estudar alguma coisa”. É que para mim o difícil era não querer as questões ao contrário do que eram postas e as nossas discussões acabavam, por vezes, com o meu pedido, em antecipação ao seu veredicto, abandono da sala, alias sempre concedido.
Foi sem dúvida este capital de lealdade e respeito mútuo construído durante os anos em que nos aturámos que se transformou no prazer que ambos sentimos quando, anos passados, nos reencontrámos como colegas de ofício na Bordalo Pinheiro. E foi no convívio do trabalho, e fora dele, que construímos uma grande amizade que me levou a descoberta e ao reconhecimento dos “porquês” da sua pedagogia e da sua didáctica. Com a experiência de uns bons anos de ensino já me deram sou obrigado a reconhecer que a minha “Super” amiga tinha razão!!!
E a emoção que todos sentimos aquando da sua despedida foi uma justa homenagem a carreira de uma exemplar e à vida de uma mulher simples que sempre soube manter os princípios como superiores guardiães da sua integridade moral e intelectual. E nesta sua lição eu não cabulei.

José Manuel Pereira da Silva

Desenho e texto extraídos do livro de Vasco Trancoso
"ÁLBUM DE FIGURAS CALDENSES 1990/1991" , editado em 1992

........................................................................................................................................................

Esta é uma "repescagem", este post apareceu pela primeira vez no Blog em Dezembro de 2007, mas pensei que fazia todo o sentido integrá-lo na actual série.

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::.

Comentários:

João Ramos Franco disse...
“E nesta sua lição eu não cabulei.” Após o que li, teria piada dizeres que tinhas cabulado. Desculpa a brincadeira, gostei do que escreveste, a carga humana da visão passado/presente, tem para mim, um sentido muito especial…
Um abraço João Ramos Franco
.
18 Dezembro, 2007
Miguel B M disse:
Foi com muita saudade que li o artigo sobre a Super. É pena ela já não poder lê-lo pois certamente ficaria uma fã do blogue e certamente uma assídua colaboradora. Eu era muito seu amigo e até foi por causa dela que uma vez fui corrido de uma aula de Física. Era habitual ela fazer uma perscrutação digital à sua cavidade nasal. Quando encontrava um corpo estranho mirava-o e remirava-o, avaliava as suas características físicas (consistência, viscosidade, densidade, elasticidade) e depois decidia degluti-lo ou deitá-lo para um lenço enrodilhado que sempre a acompanhava. Era para esse mesmo lenço que ela impulsionava estrepitosamente um volumoso escarro ( atenção para que não haja dúvidas, este termo é técnico em termos de pneumologia ).Ora eu tinha como desiderato imitar nas aulas esse mesmo impulso .Como os serviços de inteligência da turma já tinham alertado o corpo docente para este facto, ainda eu estava a começar e já o Jaime Serafim me estava a expulsar sem a mínima hesitação pois obviamente já sabia o que se passava e quem era o prevaricador. Este comentário serve ainda para confirmar não só o que o ZCFaria muito bem escreveu mas também para reforçar aquilo que eu próprio disse acerca desse mesmo artigo. Miguel B M