ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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A BANDA DO CLUBE DOS CORAÇÕES SOLITÁRIOS DO SARGENTO PIMENTA

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Tive, ocasionalmente, conhecimento da existência de um desenho de um aluno do ERO publicado num jornal nacional em 1968. Como era inspirado na iconografia de Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band movi céus e terra para o obter (isto é, escrevi ao autor e ele, amavelmente, enviou-mo).

Aqui o têm, republicado mais de quarenta anos depois. O texto que publiquei sobre este disco está aqui.

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Aqui vai o desenho...é uma página de jornal (já muito velha)


do suplemento juvenil do "Diário de Lisboa" de 2-1-1968...


um abraço, JGV

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C O M E N T Á R I O S
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Isabel Esse disse...
O João Gama Vieira desenha muito bem,já tinhamos visto a caricatura do Dr. Azevedo.
Parece que isto é um scan do jornal em que foi publicado e é pena não se ver melhor porque as figuras estão muito engraçadas.Não haverá o desenho original que permitia uma cópia melhor?
Parabéns e obrigada por nos mostrares esta relíquia!
Isabel
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Luis disse:
Muita arte e muitos artistas havia no Colégio!E o Suplemento Juvenil do DL era uma publicação muito lida naquela altura.
Vejo que foi publicado em 1968 mas o desenho está datado ainda de 67,ano de edição do disco!Que idade tinha o João Vieira nessa altura?L
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Manuela G V disse:
Perdoem-me a imodéstia, mas o meu irmão João Licínio foi sempre um rapaz cheio de talentos, do desenho, à pintura...à escrita.
Ah, um melómano, também, contagiava todos (Pais incluídos) lá em casa! Com os Beatles, e todas as bandas daquele tempo.
Penso que o desenho original não existe, foi enviado para o DL. Naquele tempo não havia fotocópias....
Aquando da publicação no blog da caricatura do Dr. Azevedo, creio que algum(a) colega, num comentário, perguntou se ele ainda desenha. Como ele não respondeu, digo-vos eu, desenha e pinta (óleos) primorosamente!
Concordo com o Luís, afinal muita arte e muitos artistas havia no Colégio.
Quanto à idade do meu irmão em Setembro de 1967- data do desenho- 17anos.Ao Jales que faz "descobertas" destas, "move céus e terras"...não tenho adjectivação... Inigualável!!!
Manuela Gama Vieira
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JÚLIO VERNE

por Vasco Trancoso
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O livro da minha vida foi o primeiro: “Um Herói de 15 anos” de Júlio Verne.
Pela influência que teve em mim. Na altura e depois.
Li-o, aos 4 anos, depois do meu avô materno me ter ensinado a ler, em regímen intensivo, pela cartilha de João de Deus.
Era uma edição antiga, onde se escrevia ainda: epocha, atmosphera, physica, methodo, etc.
Devorei avidamente as aventuras do pequeno capitão Dick Sand, a viagem fatal a bordo do baleeiro Pilgrim, e a ajuda decisiva do gigante negro Hércules e do cão Dingo na luta contra os mercadores de escravos, liderados pelo temível Negoro, no interior de Angola.
Identifiquei-me de imediato com o Dick Sand. Porque este personagem era jovem, tinha aprendido a ler também aos 4 anos e passara a infância sem a presença dos pais.
Claro que o jovem herói, procurando sempre ajudar os outros, era um exemplo a seguir.
Lembro-me, ainda, que as lágrimas me bailaram no olhar quando, quase no final, o fiel Dingo morre junto ao dono. Desejei, desde logo, também vir a ter a companhia de um cão.
No entanto impressionou-me ainda a personagem do primo Benedict, cientista coleccionador de coleópteros, verdadeiro “coca-bichinhos” à descoberta da natureza, com o aspecto de um gigantesco insecto, permitindo ao escritor alargar as suas descrições científicas minuciosas, apoiadas em inúmeros nomes, em latim, das espécies animais ou vegetais.
Ou seja, depois dos desejos de ajudar os outros e de ter a companhia de um cão, vinha agora o de descobrir.
Entusiasmado li a seguir a restante colecção do mesmo autor e um dicionário Lello ilustrado.
Em consequência fiquei completamente fascinado pelas descrições de paisagens luxuriantes e longínquas, e por descobrir que existia, à superfície da Terra, uma fauna e uma flora extremamente diversificadas, e de uma grande beleza.
De tal modo que, não só desejava no futuro vir a ser biólogo para explorar lugares exóticos e descobrir animais fantásticos e plantas ainda desconhecidas, mas também iniciei pouco depois uma enorme colecção de insectos – mormente de borboletas – que caçava apetrechado de rede apropriada, nos arredores de Magoito (Sintra) onde passava férias com os meus avós.
Quando aos 6 anos ingressei na escola primária e a professora perguntava por nomes de insectos, eu respondia quase recitando o dicionário que tinha lido: “Lepisma ou peixinho-de-prata, género de “orthóptero”, que se vê nos lugares húmidos e que se alimenta dos tecidos de lã.”
Claro que com o tempo fui-me adaptando ao mundo “real” e adequando as atitudes, mas o espírito de investigar e tentar descobrir respostas racionais para explicar o até então inexplicado – ficou. Tal como nas histórias de Júlio Verne, em que no fim se explicavam, com maior ou menor rigor científico, as situações ou “phenomenos” que inicialmente pareciam mistérios insondáveis.
A Ciência e a Arte da Medicina impuseram-se, naturalmente, no meu caminho, resolvendo um impulso irresistível.
O desejo de descobrir e, ao mesmo tempo, ajudar os outros.
E… finalmente, também, vivo acompanhado por um cão.
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Vasco Trancoso


(Texto anteriormente publicado num suplemento da Gazeta das Caldas,
organizado por Isabel Castanheira)
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COMENTÁRIOS
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João Ramos Franco disse...
Que bem recordo JÚLIO VERNE, por acaso o que cita não tenho a certeza se li, mas muitos me vêem à memória assim de repente: Miguel Strogoff, O Correio do Czar, Vinte Mil Léguas Submarinas, etc…
Não os li aos 4 anos de idade, mas aí pelos 8 devo ter começado a lê-lo, fazia parte da biblioteca do meu pai e, no aspecto da leitura, ele foi o orientador na passagem da banda desenhada para todo resto leitura da juventude, tentando sempre equilibrar os meus hábitos literários.
Os temas actuais do Blogue, para a geração estudante anterior à televisão, como eu, fazem-me reviver na memória, à medida que cada um de vós vai recordando as vossas leituras, o tanto que li e a compreensão existente dos temas escolhidos por cada um.
João Ramos Franco
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São Caixinha disse:
Que feliz encontro de circunstâncias, o de um avô ávido em ensinar, de um neto com invulgares capacidades para aprender e de um livro que correspondia a uma paixão por descobrir! Mas a vida também têm destas surpresas!!!
A narrativa evoca a magia e a ternura daqueles momentos e não me é dífil imaginar como deveria ter sido excitante a leitura deste primeiro livro!
Óptimo texto, os meus parabéns!São Caixinha
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jorge disse...
muito precoces estas leituras deste autor...tambem li j verne mas mais tarde,aventuras fantásticas cheias de previsões acertadas sobre o futuro.ainda alguém lê "a volta ao mundo em oitenta dias" ou "as vinte mil léguas submarinas"?abraço.jorge
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JJ disse...
Júlio Verne é sem dúvida um dos autores comuns a gerações sucessivas de adolescentes do século XX.A irresistível combinação de aventuras,divulgação e antecipação científica fizeram dele um dos mais traduzidos e publicados escritores de sempre.
Era imprescíndivel a inclusão da sua obra entre os autores e os livros da nossa juventude e agradeço por isso ao Vasco este contributo,embora aguarde um outro sobre a música da sua juventude. JJ
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Isabel X disse...
Fico a pensar: não fará mal aprender a ler aos quatro anos, ainda para mais em "regimen intensivo", mesmo que pela cartilha de João de Deus, e tendo o próprio avô como professor? E mais: após tão precoce aprendizagem, ler, ainda aos quatro anos, um livro intitulado "Um Herói de 15 anos" (veja-se a diferença de idades!) e, não só compreender o que se leu, como tornar a mensagem nessa leitura contida, em lema da própria vida? Parecem-me opções tomadas muito precocemente, não sei!
Para além destas preocupações, quero dar os parabéns ao Vasco por tão interessante texto, pelas invulgares capacidades que nele revela e pela coerência em que tem vivido desde os quatro anos de idade!
- Isabel Xavier -
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VT disse...
Agradeço as palavras da Isabel Xavier mas não há razão para se preocupar tanto porque acabei por me integrar naturalmente no mundo das outras crianças e adolescentes e a coerência que foi surgindo ao longo da minha vida não teve que ver apenas com as páginas de um livro.
VT

ROY ORBISON

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O que lhe faltava em aparência e capacidade de sedução visual, Roy Orbison compensava com a melhor voz que o Rock conheceu. Um baritono alto capaz de uma amplitude vocal de três ou quatro oitavas (os críticos divergem), ele encantou gerações sucessivas de adolescentes com as suas narrativas operáticas de amores sem esperança. Chamavam-lhe o Caruso do Rock.

Ele estabeleceu o arquétipo do romântico incurável com o coração sempre destroçado, do eterno loser que nunca desiste mas a quem a sorte nunca sorri. E a sua vida foi também um pouco assim, cheia de tragédias e perdas, até à sua morte em 1988 precisamente quando ressurgiu, como grande estrela que era, no supergroupo The Traveling Wilburys com George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty e Jeff Lynne.





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Escolhi "Crying" mas podem também recordar "Only the Lonely", "In Dreams" e "Oh, Pretty Woman" , basta clicar .
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C O M E N T Á R I O S

MEMÓRIA DOS LIVROS

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por João Bonifácio Serra



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Primeiro, na aula do Capitão Dario, à Avenida, onde fiz o primeiro ano, foram os pequenos livros de cowboys. Os mais populares, da colecção “Mundo de Aventuras”, cabiam no bolso das calças e podiam esconder-se sob a capa de um caderno diário. Nas prateleiras onde acondicionávamos as pastas, por baixo dos tampos das mesas compridas, o tráfico desses livritos era intenso. Os mais novos (eu, o Clemente, o Preto Ramos) desenvolvemos um método de os surripiar aos mais velhos, usando um elástico com um gancho que prendíamos ao objecto cobiçado. A história era sempre a mesma, o desfecho seguro e certo, a ilustração eloquente, o herói era valoroso e o vilão um safado, a rapariga atraente e frequentemente bem decidida. Esta leitura tinha todos os ingredientes para se tornar compulsiva. Rapidamente adquiri o vício.

O financiamento – 15 tostões por exemplar – foi assacado ao meu avô. O expediente usual eram os trocos dos pagamentos das tarefas de que ele me incumbia: adquirir uma revista para a minha avó, comprar os bilhetes da camioneta, preencher e entregar - a partir de 1961 - o totobola.

Ninguém mo tinha dito, mas desde sempre me convenci que se tratava de prática não recomendável. Evitava que o meu Pai tomasse conhecimento da dependência e das suas sequelas. Ocultava o resultado deste movimento aquisitivo num caixote de madeira, no sótão, até que fui miseravelmente descoberto, numa incursão raticida comandada pela minha mãe. Como esperava, a reacção paterna foi negativa. Estava em causa o que parecia um gasto excessivo e injustificado, uma atracção por matérias duvidosas e um conflito inaceitável entre formas nobres ou ignóbeis de ocupação do tempo. Apesar de antecipado, o castigo que o meu Pai me infligiu pareceu-me, porém, desproporcionado e excessivo. Fiquei envergonhado e revoltado. Por uma noite dormi fora de casa.

A segunda fase fez entrar na voragem outro tipo de livros, livros com lombada e autor, livros a sério. O meu Tio ajudou a gerir a crise da repressão sobre o consumo de trash cowboyesco e a transição de acesso à literatura. Dava instruções e orientava pessoalmente as compras em épocas especiais: aniversários, passagens de ano e natais. Continuei a ser um devorador de livros, mas o vício tomou uma forma menos clandestina e aparentemente menos exclusivista.

As fontes de abastecimento diversificaram-se, passando a incluir além de aquisições e presentes, o empréstimo de amigos e familiares, a procura desenfreada dos salvados das antigas bibliotecas dos padres (ou candidatos mal sucedidos ao sacerdócio) Bonifácios e a biblioteca Gulbenkian sita nos Pavilhões do Parque. O impulso consumista manteve-se alto e abarcou diferentes géneros: a literatura para adolescentes (Condessa de Ségur, Enid Blyton, Emílio Salgari), a novela policial, o romance de aventuras. E, por fim, o romance, o grande romance (Camilo, Dumas, Eça). Falarei dessa progressão não linear a seu tempo, se a benevolência do gestor deste blogue o autorizar e a paciência dos leitores o tolerar.

É verdade que, como nas boas famílias tradicionais sempre se soube, o risco que corria era elevado. Os meninos que liam de mais acabavam a tresler. Foi, mais ou menos, o que se passou comigo. É certo que já lá vai quase meio século desde os acontecimentos que relato e consegui abafar o caso e disfarçar as suas consequências. Mas de facto, a passagem da literatura de cowboys à literatura propriamente produziu uma alteração radical de valores. Uma subversão do real. Como se diz em brasileiro, o mundo pontacabeça. Ou seja, enquanto li livros de cowboys, tudo bem. Eu percebia que aquilo não existia. Mas quando comecei a ler romances, aconteceu uma coisa surpreendente: uma cortina de névoa, cada vez mais espessa, isolava-me de tudo o resto à minha volta. Ao alcance do meu olhar, por vezes até das minhas mãos, quando não dos restantes sentidos, ali estavam personagens que deviam ser imaginários, cenas que deviam ser virtuais, objectos que deviam ser imateriais. Mas não eram: tinham espessura, cheiro, vida.

Não, não se tratava de representação, de projecção da alegoria das cavernas. O que se passou comigo foi simplesmente isto: mundos paralelos. Conhecem a teoria? Ao lado do mundo que nós julgamos real, há outro, com outras regras, outros personagens, outra história. Ambos os mundos são reais, mas prosseguem lógicas distintas, ignoram-se mutuamente. Pois bem: eu aprendi a transitar entre um e outro, graças aos livros. Acreditam?


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João B Serra


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C O M E N T Á R I O S



Isabel X disse...
Isto da memória tem muito que se lhe diga! Eu que já confessara a "desmemória" em que ando(até já escrevo à Mia Couto...) e eis que este texto teve o condão de me fazer lembrar um período da minha infância em que descobri debaixo da cama do meu irmão Luís um caixote cheio de livros de cowboys, colecção seis balas, salvo erro! A partir de então, lia um por dia, durante vinte minutos, meia-hora, em que me escondia para o efeito. Repunha-o no caixote e tirava outro. Tudo feito clandestinamente e com a agravante, no meu caso, de ser necessário agir em duas frentes: o mano mais velho e os meus pais! Até que um dia, sem ter a mais leve noção de estar a pôr em causa um sistema tão bem arquitectado, resolvi perguntar à mesa, aos restantes membros da família, o que significava uma palavra, essa palavra, além de constituir o título do próximo livro que eu (julgava que) ia ler, era-me totalmente desconhecida: "O Parricida"! O meu pai ia-se engasgando, claro, e não descansou enquanto não apurou a origem daquela minha dúvida tão pouco metódica. Até parece que sinto agora a frustração que então senti por nem ter chegado a ler o livro. Aliás, nunca mais voltei a ler livros daqueles, mas tenho lido e treslido muito mais do que o bom senso aconselha.
Quanto à transição entre mundos de que o João é capaz, fico expectante, à espera da prometida continuação deste tão promissor texto: conte-nos como é, está bem?
- Isabel Xavier -
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farofia disse...
Esta narrativa está uma delícia! Que recheio, hmm… nem sei… hmm… (desculpe,… hmmm) nem sei qual o ingrediente a destacar, que eles são tantos e a mistura finíssima… hmm!


Escolho um pedacinho de susto ‘Por uma noite dormi fora de casa’… e mais a cena do ‘deve e haver’ do financiamento… ah!... e o vício do ‘herói, vilão e rapariga’… e a ‘perdição’ dos mundos paralelos!

…desisto! Enquanto continuo a deleitar-me com esta, estou já a aguardar a próxima ‘delícia’ do João BS
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João Ramos Franco disse...
O João Bonifácio Serra, dá-nos aqui, e muito bem, a imagem de um percurso pelos livros, em que gerações se tocam numa caminhada de leitura pelos heróis da nossa juventude. Não existe outra realidade, todos passamos esta.
Com sua arte de relatar factos, envolve-nos nas aulas do Capitão Dário (Professor que também foi meu e numa sala que bem conheço), no seu método de aquisição dos livros e os conflitos que este tipo literatura gerava perante a educação familiar.Em seguida mostra o caminho como partiu para os outros géneros literários com o conflito que gera o começar a arrumar na nossa mente tudo o que lemos e sabê-lo distinguir para o poder tornar em conhecimento e validá-lo.
Não vou alargar o comentário, estou na presença de um texto de alguém que muito respeito pelo seu saber e vou aproveitar para aprender com ele na continuação do que tem para nos contar…Sempre amigo
João Ramos Franco
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Luis disse:

Texto muito "saboroso" como diz a "farófia" (é a Drª Inês, não é?),em que apesar da diferença de idades, eu me revejo, já que a leitura de quadradinhos era também censurada no meu tempo.Os livrinhos de "coubois" que comprávamos em 2ª mão,trocávamos,roubávamos uns aos outros, já que dinheiro líquido não abundava na altura foram também as minhas primeiras leituras.
Anoto a promessa de continuação!O João Serra tem muito que contar. L
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ze_mas disse...
Sigo também as reflexões do autor no seu blogue mas aí ele reflecte mais sobre a actualidade do que o passado.
Esta evocação do que significa a leitura,Texas Jack ou os Três Mosqueteiros,retrata realmente o que os livros e a leitura significaram para nós.Será que a Internet e a Playstation terão o mesmo papel nas novas gerações?
Este post,com continuação pelo que percebo,coloca alto as expectativas deste novo capítulo do blogue.
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João Jales disse:
Talvez por ser mais novo nunca tive qualquer censura ao Mundo de Aventuras nem ao Falcão, para os quais houve sempre alguns abonos familiares legais.
O gosto pelos quadradinhos de dois primos,mais velhos,que passaram lá por casa enquanto estudavam no ERO, ajudou-me até a conhecer melhor o Mandrake,Fantasma,Matt Dillon,Tarzan,Flash Gordon,Cisco Kid, Kit Carson (o meu preferido)... Havia muitos mais, mas não os recordo, não me marcaram como estes.Mesmo o célebre Sgt Kirk, desenhado por Corto Maltese (e editado no Falcão), só muito mais tarde me despertou a atenção.
No excelente texto do João, que dispensa os meus elogios, há uma passagem que me chamou a atenção quando a li:
"Os meninos que liam de mais acabavam a tresler. Foi, mais ou menos, o que se passou comigo (...) consegui abafar o caso e disfarçar as suas consequências." Será mesmo?
Se o gestor do Blog a que o autor se refere sou eu (vejo-me mais como um contínuo/linotipista de serviço) só posso afirmar que a continuação deste texto é uma exigência colectiva, bem expressa em todos os comentários.
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Manuela Gama Vieira disse:
Será um lugar comum elogiar as já conhecidas e múltiplas qualidades do autor do texto, mas não posso deixar de o fazer. O seu estilo literário imbuído da singularidade de nos transportar ao mundo e "cenários" da sua juventude, como que conduzindo-nos aos lugares e objectos- aquele delicioso caixote, no sótão-constitui uma viagem ao passado, que parece não ter meia centena de anos, de tão claro e vivo.
O gosto pela leitura ainda nas "carteiras" do Colégio- delicioso, o truque do elástico...- redundou no leitor compulsivo que diz ser, no brilhante escritor e comunicador que, reconhecidamente, é!
Manuela Gama Vieira
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Ana Carvalho disse:
É sempre uma delicia ler estes textos do João Bonifácio. Enquanto o lia, eu que não me conseguia lembrar de nada, recordei-me que, quando era pequena, por volta dos meus 7 anos, começaram a sair uns livros pequenos que se chamavam "Histórinhas Semanais"; eram da Disney, contavam uma história, Os três Porquinhos, O Capuchinho Vermelho, etc, e eu esperava ansiosamente que fosse, salvo erro, 4ª feira, para sair um novo livro que o meu pai nunca se esquecia de me comprar.
Depois vieram "Os Cinco, "Os sete", alguns livros de cowboys , recordo-me do Zorro e muito livros de banda desenhada do Pato Donald, Tio Patinhas, e muito mais coisas que eu lia, melhor devorava...ainda hoje leio alguma coisa, tenho de ter sempre um ou dois livros entre mãos.
Bjs PP
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Isabel Esse disse...
Acho que não percebi bem como é que surripiavam -palavra gira!- os livros aos mais velhos com o elástico mas isso não me impediu de ler e reler esta história da infância do João Serra.Porque ela despertou-me as memórias dos truques para arranjar 2$50 para uma revista,um bolo,uma pastilha elástica,etc.
Eu nunca li o mundo de aventuras porque as minhas bds eram mais o pato Donald e Zé Carioca e depois passei também para a Enyd Blyton.
Gostei muito desta Memória dos Livros e também peço ao autor que não se esqueça da continuação!Lembrou-me isto que havia umas revistas que eram de continuação e era preciso comprar várias para saber a história toda,mas outras estavam entretanto a meio.Lembram-se?
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Isabel Cx disse:
Gostei imenso de recordar muitas destas leituras que o Bonifácio descreve.Leituras que estavam completamente adormecidas na memória e que tambem eu lia e tambem às escondidas..Os favoritos eram sem dúvida o Mandrake e o Kit Carson!!!
Se eu e o Bonifácio fossemos da mesma idade, possivelmente nos teríamos encontrado algum dia na biblioteca do Parque, que para mim era como que uma fonte onde podia acalmar a sede de ler... e mais uma vez às escondidas do meu pai!
Gostei muito dos mundos paralelos...infinidade de mundos onde podemos transitar quando queremos e viver situações conscientemente escolhidas por nós !
Gostei muito.
Beijinho. Isabel Caixinha
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J L Reboleira Alexandre disse...
João Serra, como de costume, conta-nos da forma que só ele sabe a maneira como a maioria de nós (parece que as miúdas também liam livros de cowboys) rapazes, nos iniciávamos na leitura.
Ver a capa do Sargento Preston da GRC (iniciais em francês) ou da RCMP (em inglês) ou para todos nós em Português, da Policia Real (somos ainda súbditos de sua Majestade Britânica)Montada Canadiana, dá para verificar que o actual uniforme de Inverno é o mesmo.Eu «era» no entanto mais Kit Carson, e a sua Jane, Tin Tin e Ron Ron (e não Milu como agora se diz), Buffalo Bill e Coronel William Cody, Capitão Fiúza e os outros que os jovens americanos aprendem na história, como Daniel Boone, ou o grande David Crockett, herói da batalha de Los Alamos. Porque não também o Zorro e o seu companheiro indio, o Tonto. Mas o «meu» Zorro não lutava contra os espanhóis, não usava espada, e disparava balas de prata montado no cavalo Silver.
Enfim a lista nunca mais acaba e faço daqui um desafio ao Nuno Mendes para explicar, com a memória que todos lhe reconhecemos, onde é que fui arranjar a maioria destes livrinhos.
Os cinco, e os sete vieram a seguir, e depois por influência destes veio a literatura. Como a censura doméstica era mínima, pude seguir a minha evolução literária ao sabor das minhas preferências e o sotão ainda guarda muitas destas reliquias.
Abraço
J L Reboleira Alexandre

BABY, IT'S A WILD WORLD ( Paris, 1975 )

por José Luis Reboleira Alexandre



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Aproximava-se do fim o ano de 1975, inicio do mês de Dezembro, creio. Tez pintada dum vincado tom de moreno, resultado de 12 meses vividos em Angola, entre dramas (e que dramas, que não vou contar neste local) dos ex-colonos, e baptismos de luta armada urbana para a maioria de todos nós, membros da última vaga de militares que não tiveram direito à presença da filarmónica (entenda-se TV e outros que tais) na partida ou na chegada.
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Em Portugal o periodo do PREC estava no auge, o assalto ao poder local (alguns ainda andam por aí passados estes anos todos) da parte de alguns arrivistas era notório. Não seria na altura propriamente um jovem adolescente, mas mais um jovem adulto em que começava a instalar-se um certo desencanto por tudo o que via e sentia à minha volta.
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Possuía o meu primeiro passaporte, acabadinho de tirar em Luanda, com carácter de urgência, tudo facilitado pela troca de uns escudos da Europa por muitos de Angola. O câmbio foi péssimo, mas nesta vida tudo tem um custo, e em certos locais do globo diria que apenas de uma certa maneira se obtêm determinados serviços. Estava na hora de partir.
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O apelo da Cidade Luz era enorme, havia as razões que me empurravam para fora para qualquer lugar e as outras, muito fortes (le coeur a des raisons que la raison ne connait pas), que me chamavam para Paris. Passei pelos Claras, adquiri o bilhetinho e preparei-me para fazer aquela que seria a minha primeira grande viagem, para a qual fui de livre vontade. Mais ou menos 36 horas depois estava no local onde milhares de emigrantes lusos tinham chegado antes de mim. No meu insípido francês lá expliquei ao chauffeur de taxi, pied noir bien sur, para onde queria ir.
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Começava aqui o meu primeiro contacto, aos 24 anos, com nomes que ainda hoje defino como monstros da música. O prazer de ver, ao vivo, Léo Ferré, que só conhecia de disco, interpretar La Solitude, no Palais des Congrés foi o despertar para um tipo de existência que o meu País não me podia dar. Apesar de gostar da música deste autor, devo no entanto mencionar que foi mais por vontade da minha fiancée (agradeço-lhe lembrar-se ainda do nome da sala) que fui ao concerto, até porque a maioria dos textos me eram de dificil compreensão.
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Foi assim que em jeito de recompensa, e como o Cat Stevens também estava na cidade, que me foi oferecido um dos maiores extases musicais e uma das melhores recordações que ainda guardo. Um fim de tarde lá vamos para o Palais des Sports, na Porte de Versailles (mais uma vez agradeço à companheira o nome do local) e aí sim, perante milhares e milhares de jovens da nossa idade, ouvi ao vivo um dos meus ídolos, vestido de uma forma que denunciava o que viria mais tarde a acontecer em termos de religião. Ele que fizera despoletar, lá num baile de garagem em Salir, depois de um dia de praia de Agosto, uma história de felicidade que ainda hoje dura. Aquele que hoje se chama Yusuf Islam, e adoptou a cultura islâmica como forma de vida(e por isso é persona non grata nos States), proprocionou-me na altura o que ainda é hoje para mim o melhor momento musical da minha vida. Temas como Tea for Tillerman, Father and Son, Katmandu, Sad Lisa, Wild World, são ainda hoje presença quase constante na saída USB da minha viatura.
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Mas afinal Paris seria apenas uma etapa para uma viagem mais longa, com o atravessar do grande oceano e o estabelecimento, um pouco mais tarde, naquela que não é a minha segunda nem primeira pátria, mas apenas e tal como no que concerne o meu país de origem, a minha pátria.
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Quando no dia a dia de cada um de nós somos confrontados diariamente com a obrigação de falar duas ou três linguas simultâneamente, e de lidar diariamente com gentes de todas as latitudes, o resultado que se obtém ao fim de muitos anos não poderá de forma nenhuma ser o que se obteria se toda a nossa vida nos tivessemos apenas quedado pelo pequeno rectângulo delimitado pelo Atlântico e pela Espanha. Considero-me assim, e copiando as ideias de Amin Maalouf, que recentemente descobri (obrigado, Artur G.), o resultado de duas culturas.
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Outros concertos houve. Outros livros e alguns filmes, outras influências nos deixaram, mas nada nos marcou tanto como estes dois eventos, numa cidade que para mim, tinha muito mais luz naquela altura.
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J.L Reboleira Alexandre


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PS Podes juntar também o mail que recebi da fiancée onde ela me menciona os locais:
Olá Zé Luis,
Souvenirs, souvenirs.... Léo Ferré c'était au Palais des Congrès et Cat Stevens c'était au Palais des Sports (Porte de Versailles).
Que nous étions jeunes....
Beijinho, Mariazinha







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C O M E N T Á R I O S

Luisa disse...
Souvenirs,souvenirs...Todos temos souvenirs que o tempo vai limando,fazendo desaparecer as tragédias e deixando as boas recordações!E o Cat Stevens,que eu nunca vi ao vivo mas ouvi até saber de cor,especialmente este disco.Tenho ideia,pela referência a Salir do Porto,de já ter lido mais memórias do Reboleira Alexandre de que gostei e com que me identifiquei,temos um passado comum aí,embora eu vivesse nas Caldas.Beijinhos,Luisa.
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António disse...
O Cat Stevens(a quem chamávamos Gato Esteves) era um dos cantores e compositores que acompanhou a nossa juventude.Eu tinha poucos singles mas lembro-me de ouvir as suas músicas todas em casa de amigos e no rádio.
Mas este texto fala mais do que dos concertos,recorda um tempo difícil que alterou muitas vidas e deixou muitas cicatrizes.Não quero falar disso,mas fico feliz por saber que o autor deu a volta por cima de tudo isso.E o Canadá é um grande país!
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João Ramos Franco disse...
Caro José Luís Reboleira Alexandre, em quase toda a história que aqui contas, apesar de ter regressado de Angola em 1967, me encontro nas tuas palavras.
Quando regressei o sentimento de que este canto era apertado para mim também me assaltou e deambulei por essa Europa, um mês em Portugal uma semana em Paris, Londres ou Roma…A falta de espaço que sentia aqui era talvez diferente da tua, mas tinha de certeza em comum Angola e Caldas da Rainha e o resultado de duas culturas.
Um abraço amigo
João Ramos Franco
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jorge disse...
excelente relato,memórias muito interessantes de tempos cruciais para todas as nossas vidas.o fascínio de áfrica é só dos que conhecem,mas é para toda a vida.depois são as histórias da emigração,da saída de um país que nunca chegou para todos os que cá nascem.e a música marca sempre o tempo e acompanha as recordações.eu preferia o leo ferré...jorge
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J J disse...
O José Luis traz-nos sempre memórias muito vivas de alguém que viveu sempre a vida com entusiasmo e determinação. E ele escreve da mesma forma, não há azedume nas suas recordações dos maus momentos e respira-se alegria na sua descoberta do Mundo em Paris, incluindo os dois concertos que relata.
É esta descoberta de outros mundos que constitui esta série e por isso gostei tanto do seu depoimento.
Um abraço. JJ
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J. L. Reboleira Alexandre disse...
Quando no texto mencionava o início de Dezembro de 75, e dizia creio, a certeza das datas não existia. Para dar razão ao creio, bastou uma rápida pesquisa para encontrar este excerto do L' Express (leitura sempre actual e obrigatória) para perceber que afinal tudo se passou na última quinzena de Novembro, e este jovem teria apenas 23 anos. Razão tem a companheira quando repete que me estou sempre a fazer mais velho.
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«Une allée ouvre en deux la mer noire des 140 musiciens et choristes massés sur la scène du Palais des Congrès. Et Léo Ferré semble marcher sur les eaux. Lorsqu'il entre, il est échevelé, livide, sanglé dans un vague battle-dress couleur de suie, corseté d'arrogante humilité. Pour la première fois en France, il va diriger. Sans baguette, sans partition : "continuer d'apprendre sans savoir".
Allez ! Que caracole Coriolan, "Muss es sein, es muss sein" ("Cela doit-il être, cela est"), comme disait ce "sourdingue" de Beethoven. Voici le pianiste Dag Achatz, fidèlement manchot par respect pour Ravel et Ferré, qui concertise de la main gauche. Voilà "La chanson du mal aimé" d'Apollinaire, le bien-aimé.
Voilà d'autres chansons qu'il ne doit qu'à lui-même, poèmes rageurs et tendres qui parlent de "La Solitude", de "L'Oppression", des Amants tristes" ou de "La Mort des loups". Ces loups-là, "sans queue ni tête", ce sont Buffet et Bontems...
Le courant passe. Alors, Ferré, Saturne en chemisette, met des ailes à ses angoisses et renonce presque à la volupté de l'invective.
"la musique souvent me prend comme l'amour", a-t-il écrit. Au Palais des Congrès, jusqu'au 30 novembre, la musique, en effet, le prend, l'emporte, le métamorphose, le rend enfin "heureux comme un petit enfant candide". Et son bonheur est contagieux.
L'Express -Danièle Heymann(semaine du 17 au 23 novembre 1975)»
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O Jorge, no seu comentário, diz que preferia Ferré. A razão da minha escolha prendia-se mais com a dificuldade em entender o texto, que me impelia mais para as melodias de Brel ou Brassens, ou pela generalidade dos poetas anglo-saxónicos.
Hoje, ao abrir o album de 33 rotações La Solitude, não encontro o disco. Guardei a capa. Certamnente que, num passado já distante, tantas vezes entrou em contacto com a agulha que acabou no lixo. É que ainda hoje sou dos que pensam que não há qualidade musical como a reproduzida pelos velhos discos em vinil de 33 rotações.
Quanto ao acto de partir desse pequeno cantinho, normalmente é o resultado do somatório de várias razões que nos tiram daí, mas noto sempre que volto, que continua a existir uma certa imagem dos que se auto-exilaram, que não encontro noutras sociedades europeias. Em França por exemplo. Refiro aqui a título de informação que a maior comunidade imigrante em Montreal é recente, muito jovem, e de França. Nunca nenhum me mencionou ouvir, quando regressa a França, um certo tipo de frases, miserabilistas, que por veses escuto nas imensas visitas que faço á terra onde nasci.Penso que a razão terá a ver com os traumas que ficaram desde os inicios de 60, e ainda por cicatrizar. Será um problema mais cultural que genético.
Deixo no entanto a resposta para os especialistas, que não sou !
Abraço
J.L. Reboleira Alexandre