ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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SUNSET BOULEVARD (Billy Wilder, 1950)

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Norma Desmond (Gloria Swanson) é uma antiga estrela do cinema mudo que vive numa mansão, digna de uma novela gótica do século XX, com o seu ex-marido, realizador, agente, motorista e mordomo Max von Mayerling (Erich von Stroheim), há mais de vinte anos.
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Joe Gillis (William Holden) é um argumentista freelancer que é convencido a escrever o guião para o “regresso” da diva, um sucesso que o fará famoso. Mas Fausto ronda este enredo em que não há sucesso nem futuro para ninguém…
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O melhor filme de sempre sobre Hollywood, realizado por Billy Wilder em 1950, Sunset Boulevard ("O Crepúsculo dos Deuses" em Portugal) é inesquecível ao mostrar quão descartáveis são as celebridades da Sétima Arte.
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Filme verdadeiramente noir, este é um drama de frustrações e angústias. Faz parte dos filmes da vossa vida?




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C O M E N T Á R I O S
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João Ramos Franco disse...
Ver na minha juventude este filme confesso que foi um pouco confuso. Um drama para o qual talvez não estiva preparado para enfrentar e enquadrar, dado o meu desconhecimento da historia da 7ª arte, quando o vi pela primeira vez. A Galeria de cartazes com a fotografia de Celebridades do Cinema no Cine – Teatro Pinheiro Chagas, não era documentada ao ponto de nos esclarecer. Estas obras que recordamos hoje fazem parte de um despertar cultural que retrata como nos fomos construindo.
João Ramos Franco
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ze_mas disse...
O filme é fantástico mas não me recordo de o ter visto na minha juventude,foi nas Sessões Clássicas da década de 70 que o vi em Lisboa.Concordo que é um filme deseperado sobre Hollywood e uma amarga reflexão sobre o Cinema mas não é talvez um dos filmes da nossa juventude...pelo menos da minha!

Já está disponível em DVD,comprei-o aqui na Fnac há 3 ou 4 anos.
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POLANSKI "Rosemary's Baby"

por Inês Figueiredo
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Um jovem casal muda-se para um prédio habitado por estranhas pessoas. Quando ela (Mia Farrow) engravida, passa a ter estranhas alucinações e vê o seu marido (John Cassavetes) envolver-se com os vizinhos, uma seita de adoradores do demónio que quer que ela dê à luz o Filho das Trevas.
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Ficha Técnica:
Título Original: Rosemary's Baby / A Semente do Diabo
País de Origem: EUA
Género: Terror
Classificação etária: 18 anos
Tempo de Duração: 142 minutos
Ano de Lançamento: 1968
Estúdio/Distrib.: Paramount Home Entertainment
Direção: Roman Polanski
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Elenco:
Mia Farrow .... Rosemary Woodhouse
John Cassavetes .... Guy Woodhouse
Ruth Gordon .... Minnie Castlevet
Sidney Blackmer .... Roman Castlevet
Maurice Evans .... Edward "Hutch" Hutchins
Ralph Bellamy .... Dr. Abe Sapirstein
Victoria Vetri .... Terry Gionoffrio
Patsy Kelly .... Laura-Louise McBirney
Elisha Cook Jr. .... Sr. Nicklas
Emmaline Henry .... Elise Dunstan
Charles Grodin .... Dr. C.C. Hill
Hanna Landy .... Grace Cardiff
Phil Leeds .... Dr. Shand
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Recordo que era um 'must' em 69, quando também o livro «A Semente do Diabo» foi editado pela Portugália Editora, ilustrado com fotografias do filme.
Deste romance de Ira Levin disse Truman Capote: «Uma narrativa sombria e brilhante, diabólica e moderna, que obriga o leitor a acreditar no inacreditável. Eu acreditei - e fiquei enfeitiçado.»("Vida Mundial", 13-6-69)
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Inês Figueiredo
(publicado em colaboração com o seu blogue)



c o m e n t á r i o s

João Jales disse:
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Vi este filme, e até mais que uma vez. O assassinato, nas circunstâncias macabras que todos conhecemos, de Sharon Tate pela "Família de Charles Manson" acabou por conferir a este filme uma carga diabólica que o ajudou a celebrizar como um clássico de terror. É o mais conhecido filme de Polanski mas não é o seu melhor - é só pensar que ele realizou Baile dos Bombeiros, Amores de uma Loira, Amores de Uma Adolescente, Chinatown, Tess, O Pianista (Palma de Ouro em Cannes, 2002), A Repulsa, O Inquilino, A Nona Porta (Oscar Melhor Realizador, 1999)...
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Este polaco,sobrevivente do Holocausto, filmou no seu país de origem e, em 1966, encetou uma carreira de grande sucesso artístico e comercial nos EUA, até ser acusado num nebuloso caso de pedofilia que o obrigou a refugiar-se em França em 1977, onde se naturalizou. As posteriores declarações da jovem envolvida (numa entrevista em 1988) levam a crer que tenha sido vítima de um esquema de chantagem, mas ainda hoje não pode entrar nos EUA nem recebeu pessoalmente o Oscar que lá ganhou, para Melhor Realizador, em 1999.
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Obrigado Inês por esta colaboração com o seu blogue. JJ
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JMiguel disse...
Não sei se é válido o meu apoio à escolha da Inês Figueiredo, pois situo este filme fascinante no final da minha juventude, numa fase em que já me julgava muito adulto e que, objectivamente, já não estava no colégio.
Deixando-me de legalismos, tenho a declarar que foi um filme de culto e que escalpelizei com a minha irmã (que também andou no colégio, como atestam algumas fotos apresentadas neste blog, mas é mais «caladinha») em várias sessões clássicas e de cineclube, na detecção das pequenas referências com que, com imensa mestria, Polanski polvilhou o filme tornando-o mais emocionante e intrigante que o livro. A ideia de base não é excepcional, mas o modo como é exposta dá ao filme um ritmo e uma tensão extrema. Assinalo um facto pouco usual: considero o título da versão portuguesa mais expressivo que o original.
Note-se que não é o filme da minha vida, mas é um deles e foi um prazer recordá-lo!
JMiguel
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Luis disse:
O filme é ***** e de um dos grandes realizadores da segunda metade do século vinte, que parece que não é pessoa de grande carácter...
A ideia de posts simples aguardando depois os comentários é boa,assim o pessoal corresponda.Eu vi o filme já em Lisboa com 17/18 anos e impressionou-me logo muito,mas só passei a vê-lo como obra-prima quando o revi anos depois.Há coisas que não são imediatas... L
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João Ramos Franco disse...
Ora aqui está mais um filme que tem história para mim.Sentado na Brasileira do Chiado, tomava a bica e aguardava pela namorada, sem qualquer programa pré - estabelecido para essa tarde. Sabia que este filme estava em exibição no S. Luís e qual o seu argumento, mas talvez o meu estado de espírito, provocado por ter chegado à pouco tempo da guerra, dirigia-se mais para um estado “nem Deus nem o Diabo”…Mas tinha que ser, a namorada chega e estabelece como programa para a tarde ir ao cinema ver «A Semente do Diabo».Desde do inicio do filme, no momento do encontro dos casais e entrega do colar com a semente do diabo a Mia Farrow, passando por toda a envolvente que outros comentadores já referiram, fica ainda uma imagem do filme para eu falar, a reunião da seita em torno do berço, onde vemos uma criança com o olhar do diabo, para terminar toda este desenrolar de continuo de situações macabras.Sou sincero, não gosto deste género de filme.
De qualquer modo, e reportando-me à analise feita por João Jales, que enquadra socialmente o produtor e a sua geração, em que este tipo de cinema foi feito, digo-vos que Polanski conseguiu transportar-nos onde pretendia, durante todo filme.
O sempre amigo
João Ramos Franco

DIÁRIO Etty Hillesum

Este é um texto enviado pela Isabel Xavier como comentário a
O registo deste texto é outro. Compromete-nos com o que é dito, interpela-nos na nossa humanidade. A sinceridade e a autenticidade do testemunho da São trazem a este blogue um raro momento de reflexão. Há livros construtores da nossa personalidade. É o caso do Diário de Anne Frank. Tanto quem escreveu o livro como quem o analisa (salvas as devidas proporções e as diferentes circunstâncias),neste caso, partem das suas experiências, das suas vivências pessoais para escreverem palavras que, por isso mesmo, são a própria vida.
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Curiosamente, há outro Diário, de outra judia, neste caso adulta, real também, passado em Amesterdão, que eu muito gostaria de aconselhar à São e aos outros amigos deste blogue. Trata-se de Etty Hillesum, que "escolhe" morrer em Auschwitz em vez de solitariamente se "livrar" desse destino, aproveitando a oportunidade que lhe surgiu de sobreviver no estrangeiro. Os dois últimos anos de vida, enquanto o cerco se aperta em seu redor (as humilhações, intercaladas por situações de grande elevação humana são constantes), constituem em si mesmos o testemunho de uma espiritualidade intensa, física, quase insuportável, e que só a morte poderia redimir. Como se vivesse uma oitava (ou muitas) acima do comum dos mortais.
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É um livro publicado pela Assírio e Alvim, na Colecção Teofanias (também estão publicadas as Cartas). No prefácio diz-nos o poeta Tolentino Mendonça, responsável por esta colecção: "No meio da tortura absoluta, é ela quem se preocupa com Deus. 'Vou ajudar-te, Deus, a não me abandonares', escreve. (...) Mas o traço mais forte é o de uma impressionante e inexplicável confiança: 'Quando ontem, às duas da manhã, finalmente cheguei lá acima ao quarto da Dicky e me ajoelhei quase nua, no meio do quarto, totalmente deprimida, eu disse de repente: 'Hoje, vendo bem, vivi coisas grandiosas e esta noite também, meu Deus, agradeço-te por eu poder suportar tudo e por haver poucas coisas que não ponhas no meu caminho.'"
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Como a vida é interessante! Conhecemo-nos em jovens, eu e a São, mal nos conhecendo então, embora nos víssemos quase todos os dias durante vários anos. E este testemunho sobre Anne Frank, tão belo, irmanou-nos, agora, sinto-o, como não era possível nesse tempo! Estou-te grata por isso, São!
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- Isabel Xavier -
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C O M E N T Á R I O S
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São Cx disse:
Tens razão Isabel em aconselhar o diário de Etty Hillesum, com o titulo Holandês "Het verstoorde leven" - Vida perturbada (tradução minha).
É certamente um diário diferente do de Anne Frank. Etty escreve sobre as vivências do dia a dia, mas escreve também sobre o desenvolvimento da procura da sua identidade e da força espiritual necessária para resistir às horríveis experiências que o sistema Nazi lhe impunha. A sua decisão consciente de não querer escapar ao destino é, na minha opinião, para além de uma escolha altruísta de apoiar os que não tinham outra opção, um teste de resistência que a si própria impõe e simultaneamente uma tentativa de descoberta, nomeadamente da resposta para um dilema que continua actual, o de como, e de que forma eficaz, se pode oferecer resistência ao mal e ao ódio. É um livro intenso e comovente, do qual a Isabel faz uma excelente introdução!
E...lembro-me bem de ti Isabel, com o teu ar sério e recatado, alta e de belos cabelos longos! Tem sido um prazer ter-te vindo a conhecer, através dos sempre interessantes comentários que tanto enriquecem este blog, como agora mais uma vez demonstraste!
São Caixinha
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Maria Fatima disse...
Um livro que "apaixonou" a minha filha este ano lectivo, por ela escolhido. Comoveu-me bastante, em minha opinião superior ao filme "O Rapaz do pijama às riscas" M.Fátima
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João Ramos Franco disse...
Como nos diz Isabel Xavier este livro, “interpela-nos na nossa humanidade”, perante quem o leu e transcreve e analisa, não encontro da minha parte, que não li a obra em questão, razão para um comentário, apenas digo que gosto da analise que é feita e vou ler o livro. O sempre amigoJoão Ramos Franco
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António disse...
Não conhecia este Diário,apenas o de Anne Frank.
Depois de ver os resultados assustadores obtidos pelos partidos de extrema-direita europeus no passado dia 7 é bom recordar aquilo que eles defendem.
Não conhecendo o livro só posso acrescentar que as palavras da Isabel Vaxier me deram vontade de o comprar e ler.
Foi boa ideia fazer esta série de posts.A

O DIÁRIO DE ANNE FRANK (São Caixinha)










"ESTOU TÃO FELIZ POR TE TER TRAZIDO COMIGO!"









12 de Junho de 2009

Se Anne Frank fosse viva, completaria hoje 80 anos. Infelizmente faleceu aos 15 anos de idade, de tifo e subnutrição, no campo de Bergen-Belsen, nos finais da Segunda Guerra Mundial.

Fazia parte de uma família judaico/alemã, que em 1933 se tinha refugiado na Holanda fugindo às perseguisões nazis. Não tiveram dificuldade em estabelecer-se em Amsterdão, onde o pai constituiu com sucesso algumas empresas, enquanto Anne e a sua irmã Margo frequentavam uma escola de ensino holandesa. A família Frank sentiu-se segura na Holanda, até esta ser invadida pelas tropas Alemãs a 10 de Maio de 1940. Também aqui foi então imposto o “Entjuding” de Hitler, significando que os Judeus deviam usar uma estrela, não podiam possuír empresas, e os seus filhos podiam apenas frequentar escolas Judaicas.

Como prenda dos 13 anos Anne recebeu um diário onde, com enorme entusiasmo, imediatamente começou a escrever.

12 de junho de 1942

“Eu espero que a ti tudo te possa confiar, como nunca a ninguém pude fazer, e espero que tu para mim possas vir a ser um grande apoio”

Poucos dias depois decidiu dirigir as folhas do seu diário a uma amiga imaginária a quem deu o nome de Kitty.

Dentro em breve Otto Frank (o pai de Anne), sentiria a urgência de encontrar um esconderijo para a família e, em segredo, com a ajuda de alguns amigos (V.Kugler, J.Kleiman, Bep e Miep Gies, que mais tarde, arriscando a vida, lhes forneceriam alimentos, notícias e livros) organizou a mudança para um anexo desabitado, situado nas traseiras do edifício onde ainda funcionava a empresa que lhe tinha pertencido. Outro casal, os van Pels com o seu filho Peter (por quem Anne se viria a apaixonar) e Fritz Pfeffer, vieram pouco depois juntar-se-lhes, partilhando assim durante 2 anos a pequena habitação.

As cartas que Anne escreve no diário referem-se exclusivamente a este período. O seu extraordinário espírito de observação permite-lhe analisar o comportamento dos companheiros do anexo, e com a mesma precisão, o seu próprio.

“Querida Kitty: Quando agora me ponho a pensar na minha vida de 1942, tudo me parece tão irreal. Essa vida era vivida por uma outra Anne, diferente desta que é agora, mais ajuizada (...) Talvez queiras perguntar-me como conseguia eu que todos gostassem de mim. O Peter diz que era “carisma” mas isso não é bem assim. Os professores achavam as minhas respostas astutas, as minhas observações humorísticas , a minha cara sorridente e o meu olhar crítico, divertido e engraçado. Não era mais que isso; uma terrível brincalhona, alegre e divertida. Mas tinha também algumas boas qualidades que me davam a garantia de não cair em desgraça: era trabalhadora, honesta e sincera. ”

Denotando uma maturidade precose e possuidora de um invulgar espírito de observação, Anne escreve frequentemente sobre os sacrifícios da vida do dia a dia, o isolamento, a esperança e o medo.

Querida Kitty: (...) Hoje à tardinha, quando a Elli estava aqui, tocaram a campaínha permanentemente e com força. Fiquei logo pálida, tive dores de barriga, palpitações e muito medo. De noite deitada na cama tenho visões terriveis. Vejo-me na prisão, sózinha, sem o meu pai e a minha mãe. Por vezes ando a vaguear por qualquer parte, não sei onde, ou vejo o anexo a arder, ou eles vêm, de noite, para nos buscar. Sinto tudo isto como se fosse realidade e a ideia de que me vai acontecer alguma catástrofe não me larga.

Na primavera de 1944 Anne ouviu o Ministro da Educação, Bolkenstein, na Rádio Orange, falando do exílio. Ele dizia que, depois da Guerra, todos os testemunhos do sofrimento do povo Holandês durante a ocupação Alemã, deveriam ser coleccionados e tornados públicos. Considerando esta hipótese, Anne decidiu que depois da Guerra publicaria um livro. O seu diário servir-lhe-ia de base.

Foi este livro que li quando tinha aproximadamente 15 anos, e que me impressionou até aos dias de hoje. A atracção foi instantânea. Era uma estória real, retratando insólitas circunstâncias de uma guerra que me era alheia, mas onde se tratavam também abertamente questões de adolescência, glórias e fraquezas, com as quais eu me identificava. Folhas de um diário que, como um espelho, me permitiam ver-me a mim própria! Pareceu-me até, de início que, também eu habitava uma espécie de anexo, onde igualmente me faltava a liberdade.

Em 1976 ao chegar á Holanda, e receando que a minha estadia pudesse ser apenas temporária, quis de imediato visitar o anexo. Foi uma insólita experiência. Reconheci os postais ilustrados que Anne colara nas paredes do seu quarto, ingénuo testemunho da sua presença, e surpreendi-me com o tamanho das divisões, que supunha maiores. Mas o mais notável era o cerrado silêncio que invadia tudo. Foi a casa mais vazia onde alguma vez estive. Encontrava-me entre as paredes que a protegeram e de onde, impiedosamente, foi arrancada e transportada para Westerbork, para Auschwitz, para Bergen-Belsen. Ali escreveu a última folha do diário, mas a sua estória continuou por tortuosas paragens. Uma inquietante tristeza apoderou-se de mim. O que é que se teria passado verdadeiramente nos campos de concentração? A lealdade que lhe devia, obrigou-me a que a acompanhasse nessa última viagem. Li sobre Auschwitz...sobre o horror daqueles dias, entorpecida de assombro. Que tremenda catástrofe para a humanidade!

Em retrospectiva, este período marcou o final da minha adolescência. Os meus sonhos de menina tornaram-se súbitamente insignificantes, perante as dimensões das questões que então se me punham. Era preciso reorganizar valores e criar novas directivas. E assim foi.

Nunca se chegou a apurar quem denunciou os habitantes do anexo. Anne Frank e os restantes habitantes, foram deportados para Auschwitz-Birkenau no último transporte que saíu de Westerbork a 3 de Setembro de 1944. Anne viveu ainda cerca de 7 meses em campos de concentração. Faleceu duas semanas antes de Bergen-Belsen ter sido libertado pelas tropas Inglesas.

Otto Frank foi o único sobrevivente dos habitantes do anexo. Faleceu a 19 de Agosto de 1980.

Miep Gies foi quem tomou a iniciativa de salvaguardar o diário. Quis o acaso que tivesse o privilégio de a conhecer, ao ser distinguida com a Ordem de Mérito Alemã em 1994. Completou este ano a 15 de Fevereiro, 100 anos de idade.
"Never a day goes by that I do not think of what happened then." (Fragmento do seu site)

O Diário de Anne Frank tornou-se um dos símbolos do Holocausto.


Fire and Ice

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I tasted of desire
I hold with those who favour fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

Robert Lee Frost 1874-1963
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel Esse disse...
O Holocausto e a crueldade que o envolveu estão para além da nossa capacidade de compreensão.Se pensarmos que se passou há relativamente pouco tempo e que envolveu crianças e meninas como Anne Frank torna-se ainda mais assustador e inexplicável.
Bem escolhido este dia para este post e bem feita a ligação que a autora faz entre o livro e as suas consequências nela,um bom momento desta série.Isabel
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farofia disse...
Junto-me à São Caixinha para celebrar o Happy Birthday de Anne Frank, inspiradora de gerações de jovens leitoras do seu «Diário».
Obrigada, São, pela oportunidade que me dá de lembrar um dos livros da minha vida. Também ‘fui Anne Frank’ :) quando sonhei dizer como ela:
«Sinto-me cada vez mais independente dos meus pais. Embora seja muito nova ainda, sei, no entanto, que tenho mais coragem de viver e um sentido de justiça mais apurado, mais seguro do que a minha mãe. Sei o que quero, tenho uma finalidade, uma opinião, tenho fé e amor. Deixem-me ser eu mesma e estarei satisfeita. Tenho consciência de ser mulher, uma mulher com força interior e com muita coragem.
Se Deus me deixar viver, hei-de ir mais longe de que a mãe. Não quero ficar insignificante. Quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade.O que sei é que a coragem e a alegria são os factores mais importantes na vida!»
(copio o texto em português de
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António Fialho Marcelino disse:
Ao ler o texto, diga-se magnífico, sobre o Diário de Anne Frank, veio-me à memória a sua leitura e dois grandes passos que eu dei, nas minhas deambulações pela Europa.
A ida a Amesterdão e à casa de Anne Frank, onde toda a leitura do livro vem à nossa memória e ao olhar “vemo-la” a escrever o seu diário e a olhar pela fresta da janela a ver as pessoas a passar na rua.
A minha outra lembrança é Praga com o cemitério judeu e aquela listagem de nomes que estão na parede da judiaria. É assustador olhar para as datas que lá estão gravadas e vemos a quantidade de crianças que foram devoradas pelas ideias hitlerianas.
Todos aqueles que hoje negam a existência do holocausto deveriam passar, pelo menos, por estes locais e fazerem a sua penitência.
Mais uma vez parabéns pelos textos que aqui são apresentados.
Tó-Quim
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João Ramos Franco disse...
A São escolhe o retrato feito por uma jovem da vivência diária durante um período do século XX (2ª grande guerra), durante a invasão da Holanda. Recorda uma obra que tem tanto belo da juventude de quem o escreve como do horror a que nos transporta…
Mas a descrição que a São nos faz leva-nos também aos locais que quis conhecer e que a transportaram para além do descrito em “O DIÁRIO DE ANNE FRANK”…
Estas palavras que a São escreve dizem-nos tudo: “Era uma estória real, retratando insólitas circunstâncias de uma guerra que me era alheia, mas onde se tratavam também abertamente questões de adolescência, glórias e fraquezas, com as quais eu me identificava.”
João Ramos Franco
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JJ disse...
Os textos da São, à medida que ela vai "desenferrujando" o seu português, têm vindo a ser cada vez mais conseguidos. Esta mistura de duas adolescentes, de épocas diferentes, em que o que uma escreveu se cruza com o que a outra sentiu, torna ainda mais intolerável o destino de Anne Frank, já que ela era alguém como a nossa amiga São e não um personagem trágico de um livro obscuro.
Gostei muito e a divulgação deste texto na Net, fora deste Blog, mostra que não fui o único. JJ
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jorge disse...
excelente evocação do livro e descrição da importância de o ler.esta é a mesma são que faz aquelas excelentes caricaturas,não é?parabéns.JS
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J. L. Reboleira Alexandre disse...
Este texto da São merecia mais que um rápido comentário, mas infelizmente o tempo não dá para mais.
Só quem desde 1976 (creio ter lido isso) está sem usar a lingua de Camões no seu dia a dia sabe o que isso implica. A história todos a conhecemos, as caricaturas também. Pelo magnífico texto, bravo «miúda». Já avó, mas não faz mal.