ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Back to BloguEro

por João Bonifácio Serra
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Passei a manhã a tentar recuperar um mês de afastamento deste bloque. As relações fortes têm oscilações assim: momentos de interrupção, pausas, seguidas de reatamentos e reachamentos. De modo que me deitei com frenesim à consulta da série de post, comentários e fotografias recentes, procurando avidamente absorver num lance o resultado das diversas colaborações e da paciente dedicação de bloguistas nas últimas semanas. O resultado foi, como seria de prever, contraditório: o prazer da descoberta somou-se ao desconforto da falha de partilha simultânea, a surpresa da diversidade de temas e de perspectivas cruzou-se com a dificuldade de a todas reconhecer em paridade. A forma possível de sair desta ambivalência é tentar escrever sobre o que li e vi, comentar de novo, provocar.
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Recuperámos memórias cinéfilas (João Jales, José Carlos Faria) literárias (Maria Manuela Gama Vieira, José Carlos Faria), musicais e discográficas (João Jales, José Carlos Faria). Graças a Vasco Trancoso, uma verdadeira aquisição do blogue certamente conseguida após duro teste à capacidade negocial do João Jales, pudemos ter contacto com uma memória dos anos 50, objectivada numa recriação do ano de 55, o ano em que o Brylcreem deu lustro e forma a cabeleiras e o rock and roll mudou a história do mundo, criando pela primeira vez uma cultura da juventude.
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José Carlos Faria, uma presença rara mas sempre marcante neste blogue, escreve naquele estilo torrencial de que só conheço equivalente no Jorge Silva Melo (curiosamente também um homem do teatro), onde as referências culturais não têm fronteiras nem de temas nem géneros nem de espaço geográfico. E assim deambulamos pelas literaturas, pela música ou pelo cinema guiados pelo conhecimento e pela boa disposição do Zé Carlos e pelo seu imenso prazer de desfrutar as criações humanas de mistura com as vivencias pessoais, de as descrever e tornar públicas.
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Maria Manuela Gama Vieira, alguém que tem uma rara capacidade de se entusiasmar com a vida e a literatura, trouxe-nos uma nota que é uma expressão do seu pathos queirosiano.
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Fernando Jorge faz da sua fidelidade à banda desenhada uma celebração da imaginação e da iniciação à vida. Superou com garbo e proveito a “Cartilha Maternal”.

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Mas os três acontecimentos bloguisticos deste Verão são as reportagens. A primeira, do “Encontro de Verão no Inatel”. Se tivesse acontecido em Vila Moura teria honras de páginas e páginas em revistas do social. Se contasse com a presença de um jovem politico em ascensão, poderia dar origem a um encarte no “Jornal das Caldas”. Na dimensão que o Picasa empresta ao slide show é um convívio alegre e empenhado de um conjunto de jovens que recusa a indiferença, apesar da inevitabilidade da mudança dos tempos. Devemos estar-lhes gratos.
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A segunda a fotografia que a Guidó legendou “Três Nascimentos e uma Margarida”. Ela ilustra de forma superior o fascínio da imagem. O interior da tenda que reflecte uma ordem, um gosto, um espírito de alguém, Ivone, que não estando presente fisicamente dá sentido ao que se passa em primeiro plano. A pose das meninas nos seus sorrisos confiantes (na fotógrafa, evidentemente, também ela, Emília, presença não física mas adivinhada, escolhendo o elenco, o momento e a disposição dos elementos) e a Ana, na sua beleza serena, dando a todo o cenário, de uma singular coerência, um sentido que revela e esconde uma montagem que é toda ela feminina, nos actores, nos olhares, na organização, no ambiente.
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A terceira reportagem é, claro, a de Belão. Não é a primeira vez que ela nos traz um registo de uma viagem. Para mim é sempre um acontecimento ler os seus textos: são claros e informados, são descritivos e pessoais, são imaginativos e rigorosos, são envolventes e precisos. A Belão, nas suas reportagens finge tão completamente que chega a fingir que é simples e natural aquilo que como simples e natural ela sente.
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Eu sei que agora há holofotes distorcidos cravados no tema da verdade. Foi o momento escolhido pelo João Jales para tentar reescrever histórias passadas de Verão. Ele tem a base e dados e fez a sua escolha. Mas não nos deixemos iludir pelos seus modos insinuantes. Não se passou nada.
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Até Novembro.
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João Serra
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COMENTÁRIOS

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Manuela Gama Vieira disse:
Claro que à sua falta de assiduidade ao BloguEro, o P.e Renato só poderia dizer: “Menino João, alumno dilecto meo, vá-se penitenciar de tamanha falta!”
Penitenciou-se e…brilhantemente com o texto em que de fio a pavio,tece as suas apreciações às participações dos seus ex-colegas.Reparei que, por motivos óbvios, se esqueceu….dos “Mundos Paralelos”,da sua autoria, cabendo-nos a nós colocar esta “nota” no Back toBloguEro”.Seria injusto não incluir a sua excelente participação na Série “Músicas, filmes e livros da nossa juventude”, proposta pelo nosso talentoso amigo João Jales, para o Verão 2009.
Que muitos Verões, Outonos, Invernos e Primaveras nos acompanhem a todos, aqui, no BloguEro!E agora que já começa a entardecer, vamos a caminho do Outono, o Sol nos deixa mais cedo e dá lugar à Lua, vou citá-lo, com uma evocação à Lua, num artigo que escreveu na sua juventude, publicado na Gazeta das Caldas, a propósito de uma noite enluarada de umas férias que passou na Foz do Arelho: “Palavra, que ainda um dia subo lá a cima e a tragotoda para baixo. Palavra…Palavrinha.”Quando conseguir…venha aqui contar-nos, fazendo uso do seu logos…(retribuição ao meu…pathos)!
Maria Manuela Gama Vieira
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Belão disse...
Esta ausência do João Serra está de certeza justificada. Já tinha saudades de o “ver” por aqui. E digo por aqui, porque o visito frequentemente no “o que eu andei”. Muitas vezes a falta de tempo, por motivos profissionais, impede-me de viajar pelos blogs. Mas na correspondência que tento actualizar, são muitos os mails que recebo, e ainda bem, que me encaminham para a sua escrita. E dá-me sempre muito prazer.
Quando fiz o Complemento de Formação na Universidade Aberta, sobre Património Histórico Local, telefonei ao mestre Pedro Flor, meu orientador, e questionei-o sobre a bibliografia a consultar. Sugeriu-me várias obras e concluiu: “Mas em JB Serra tem tudo.”
Apesar de ter lido um “Até Novembro” aqui no blog, espero que nos continuemos a encontrar por “aí.”Um beijo.
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Guida disse...
Não podias resistir a parafrasear Pessoa. Não é, Bonifácio?
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VT disse...
Agradeçendo as palavras sempre amigas do João, aproveito para referir que colaborar no Blog do ERO é que representou uma aquisição para mim... Para além dos amigos que já tinha vim a conhecer aqui outras pessoas também estimáveis que enriqueceram os meus conhecimentos e as minhas solidariedades.
Comungo da opinião que este Blog merece mais destaque ainda, devida à grande qualidade dos diversos contributos... Porque não a edição de uma brochura com textos e imagens (obrigatórias as caricaturas da São) mais significativas?
Para nós que nos habituamos aos excelentes textos e às opiniões profundas e amigas do João, o "até Novembro" soa a muito tempo... Apesar de compreendermos, esperamos que nos continuemos a encontrar "por aí" como diz a Belão - na Blogosfera... e não só.
Abraço
VT
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Luisa disse...
Achei muito interessante esta crítica do João Serra,até porque não tem sido muito habitual alguém escrever sobre toda uma temporada do blogue.Queria dizer que gostei muito mas achei que houve dois esquecimentos para mim incompreensíveis,além do artigo do autor como a Manuela referiu.Refiro-me ao Hotel Califórnia e sobretudo ao Piquenique,dois textos que,melhor do que qualquer descrição,mostram bem a vida na nossa adolescência.
Não pretendo com isto fazer qualquer crítica,se calhar os dois artigos já tinham sido referidos e eu é que não reparei.O que interessa é que este foi um dos melhores temas de sempre aqui no blogue.Bjs.Luisa
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João Serra respondeu:
Tem razão, Luisa. Não li todas as colaborações de Verão e disso me penitenciei logo na abertura do meu breve e ligeiro comentário. É provável que tenha perdido o melhor. Mas vou tentar recuperá-lo e volto já.
João Serra
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João Jales disse:
É sempre bom conhecer uma perspectiva assim do Blog, para quem, como eu, tem dele uma visão parcelar, diária e sempre demasiado próxima. Saber o que alguém, que por aqui passa após algum tempo de ausência, retém e aprecia é um indicador precioso, particularmente quando o observador é o João Serra.
Os autores dos posts referidos já responderam ao comentário, restam apenas os pobres e tão maltratados Mitos Estivais... Sempre que ficcionei alguns episódios mais ou menos românticos da minha adolescência, recebi sempre comentários que os analisavam como se de uma auto-biografia se tratasse! Agora que decidi relatar ipsis verbis três pequenos apontamentos estivais, estes sim verídicos e biográficos, a resposta que recebo é "não nos deixemos iludir pelos seus modos insinuantes. Não se passou nada." Só talvez o (também) incompreendido Fernão Mendes Pinto me fizesse justiça...
Espero que a longa ausência do João não se repita e ele apareça de forma mais regular neste Blog onde as suas colaborações são sempre muito apreciadas.
Um abraço. JJ
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Isabel X disse:
Este olhar para dentro do próprio blogue, óptima ideia aliás e que tão bem resultou, só mesmo o João Serra para a ter! E, principalmente, só ele para a executar deste modo subtil e cheio do humor velado que lhe é característico.
Quanto aos post a que se refere ou não refere neste texto, suponho que estão todos os que foram publicados desde a última vez em que o João participou no blogue. Não me parece que haja lugar a apontar esquecimentos.- Isabel Xavier -
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Margarida Araújo disse:
É verdade que temos por aqui um Quinteto (Sexteto?) de peso. Em diferente áreas, ou em áreas comuns, são um manancial rico de memória, de informação, de cultura. Cada um com estilo próprio de escrita, traçam a história de várias gerações, e são um prazer para quem os lê.
João, "Três Nascimentos e uma Margarida" é um título muito feliz, que o JJ arranjou. A lembrar-me outro, "Paredes de Louça", que tu deste a um trabalho meu e do Património Histórico sobre a azulejaria de fachada das Caldas da Rainha.
Deixo aqui o recado da autora da fotografia e o meu: a tua análise comoveu-nos. O teu olhar exterior a reforçar o que ali se passa. Como actrizes, como uma encenação, como um teatro, como a vida.
Guidó
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José Carlos Faria disse:
É um privilégio para todos poder contar com a participação do João Bonifácio Serra e desfrutar da sua lúcida ponderação, da aguda capacidade crítica tão serenamente transmitida, da sensibilidade das suas estórias e do sentido da(s) sua(s) história(s). ficamos a aguardar (ansiosamente) por Novembro, que remédio...
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Anónimo disse...
Luisa,atente neste parágrafo do João Serra:"Eu sei que agora há holofotes distorcidos cravados no tema da verdade. Foi o momento escolhido pelo João Jales para tentar reescrever histórias passadas de Verão. Ele tem a base e dados e fez a sua escolha. Mas não nos deixemos iludir pelos seus modos insinuantes. Não se passou nada."
Afinal...o Jales tem "a base de dados",percebe agora...o esquecimento?Mais que desculpado o João Serra...
E o menino Jales é muito traquinas...
Como bem diz o povo..."uns comem os figos,a outros rebenta-lhes a boca"!
Manuela Gama Vieira
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MITOS ESTIVAIS - DESMONTAGEM DAS ESPECULAÇÕES E REPOSIÇÃO DA VERDADE

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No encontro de Verão na Foz do Arelho, há cerca de um mês, foram recordados alguns episódios estivais rodeados de uma carga de fantasia que o tempo inevitavelmente cola à História. Pretende esta pequena crónica repor a verdade dos factos. JJ

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Durante a época balnear na Foz do Arelho, era organizado pelo menos um piquenique. Há estórias destas em todos os anos e, era eu ainda muito garoto, lembro-me de umas “burricadas” (meados da década de 60, ainda participei numa ou duas) mas, nessa altura, os actores e organizadores eram de uma geração mais velha. Talvez um dia alguém queira evocar aqui esses episódios, que eu recordo de forma difusa mas de que conheço até várias fotografias.
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No final da década de sessenta, lembro-me de um grupo de cerca de vinte jovens, alguns do ERO e outros veraneantes de fora das Caldas, atravessar a Lagoa e ir passar o dia com um farnel do “lado de lá”. Antes da Aberta, na zona onde, nessa altura, a Lagoa mais se aproximava do Gronho, formavam-se dunas consolidadas por alguma vegetação rasteira. Essas formações caíam a pique sobre a água e estendiam-se com mais fraca inclinação para o lado oposto. Protegiam por isso quem se instalava desse lado da habitual nortada e dos olhares indiscretos dos banhistas da Lagoa e do Mar.

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O transporte era garantido essencialmente em bateiras mas também em um ou dois barcos a motor dos participantes.
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A errada interpretação de vários episódios enriqueceu durante anos a rica e colorida história oral dos usos e costumes caldenses (que entretanto se perdeu), obstando a que alguns pais mais zelosos autorizassem as filhas (também alguns filhos, mas sobretudo as filhas) a participar nesses eventos. Foi esse o motivo, e não a falta de entusiasmo dos participantes, do fim dessas travessias.


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Eu nunca fui muito de ligar a mexericos, mas acho que está na altura da verdade histórica ser reposta, acabando com alguns mitos estivais relacionados com esses piqueniques.


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Lembro-me de ser abundantemente referido um episódio em que duas jovens apanharam um enorme escaldão em zonas do corpo que deveriam, em princípio, estar protegidas pelos fatos de banho.
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Claro que a má-língua caldense, gente ociosa com mentes perversas, equacionou imediatamente a hipótese de, em algum momento, as ditas peças de vestuário não estarem colocadas de acordo com os bons usos e costumes da época. Nada mais falso! O problema é que os fatos de banho, em vez de terem sido adquiridos na Nobela ou na Góia, tinham sido importados de Espanha, comprados em Badajoz conjuntamente com uns caramelos ranhosos que se colavam irritantemente aos dentes lusitanos. Ora o tecido de que eram fabricados esses fatos de banho era também de muito má qualidade, como toda a produção espanhola da época, não garantindo a necessária protecção contra os nefastos efeitos dos raios ultra-violetas, motivo porque, apesar de em nenhum momento a moral e os bons costumes terem sofrido qualquer atropelo, as já referidas, e muito sensíveis, zonas dérmicas terem ficado muito afectadas.
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Por mais que isto fosse explicado, havia gente que não percebia, insistindo em transformar um caso de mau controlo de qualidade industrial num escândalo!
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Noutra ocasião alguns rapazes foram também vítimas de alguma incompreensão por não suportarem a perigosa travessia de regresso com o estoicismo supostamente exigível aos descendentes dos grandes navegadores lusitanos.
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Perante as alterosas ondas da Lagoa e a manifesta instabilidade das bateiras utilizadas no transporte, era natural e normal o aparecimento de fenómenos de náuseas, regurgitação, perda de equilíbrio e desorientação entre os turistas.
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Claro que as mesmas mentes malévolas, que já não tinham percebido bem a questão das queimaduras solares, com o espírito envenenado por alguns observadores menos informados, insinuavam que a introdução de álcool na ementa do saudável repasto era responsável pelos sintomas verificados. Incrível!
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Não era verdade, era apenas o enjoo, absolutamente natural em qualquer um que desafia o Mar.
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Havia, nessa época, pouca gente que possuísse máquina fotográfica e, mesmo entre os que a possuíam, era difícil ultrapassar as objecções paternas quanto ao seu transporte e utilização numa excursão aquática. Lembro-me de haver poucas, quase nenhumas, fotografias destes piqueniques por causa disso mesmo.
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Isto tinha aspectos bons e maus. Maus porque a recordação desses dias seria certamente mais saborosa com imagens que evocassem o prazer e a alegria com que eram vividos; bons porque as fotografias transmitiam, por vezes, uma imagem distorcida do que realmente acontecia. Estou-me a referir a uma famosa (na sua época) fotografia, justamente apelidada de “O Banho de Touca”, tirada no último ano em que se realizou a passeata. A imagem era absolutamente inocente, um grupo de meia dúzia de teenagers tomava banho na Lagoa, apenas se vendo as suas cabeças, já que estavam imersos na água até ao pescoço. A graça era que todos, rapazes e raparigas, estavam de touca na cabeça, o que dava um tom muito alegre e divertido ao grupo!
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A fotografia, da autoria de uma jovem artista, obviamente ausente da imagem, foi revelada na Tália onde, posteriormente, foram pedidas várias cópias. Aparentemente esse facto despertou a curiosidade do Sr. Diogo que mostrou uma delas ao pai de uma das banhistas. As mesmas mentes perversas e malévolas do costume começaram a especular que nenhuma das raparigas possuía ou usava touca, muito menos os rapazes!
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Começaram a interrogar-se onde é que teriam arranjado as toucas no meio de nenhures e, não sei se depois de ampliarem a foto, aventaram a absurda hipótese de que não eram toucas mas sim calções de banho que o alegre grupo exibia na cabeça! Seriam eventualmente calções suplementares que a miudagem, sempre precavida, tinha levado para a eventualidade de precisar de os trocar? Isto explicava tudo excepto talvez o facto de alguns dos divertidos banhistas usarem na cabeça calções do sexo oposto... A aceitação generalizada desta hipótese levou à não aceitação da primeira explicação (de outra forma lógica e cabal) e foi um rude golpe num convívio que não pode assim repetir-se.
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Não posso deixar de reflectir no facto de terem sido as versões distorcidas e malévolas que ficaram na recordação de quase todos e não a realidade inocente que aqui reponho. Como diz Gerald M. Edelman:
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"Cada acto de percepção é, em certa medida, um acto de criação.
Cada acto de memória é, em certa medida, um acto de imaginação."
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João Jales
(fotografias de Margarida Araújo)
C O M E N T Á R I O S
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Margarida Araújo disse:
As fotografias tiradas não são desses piqueniques porque EU NUNCA FUI A ESSES PIQUENIQUES!
Mas fui a outros idênticos (eh, eh, eh)... com acampamento na época estival, nas dunas do Bom Sucesso e, por acaso, com banhos semelhantes a esses das toucas.
Explico: mal chegava o verão a Família Salles Henriques & Associados (Barreto, Gouveia, Brilhante, Magalhães, Rodrigues) acampavam no lado de lá da lagoa, numa zona dunar perto daquela que se refere no texto. Passei por lá vários anos felizes. Tenho a certeza que muito alunos do ERO também, Rogério Matias, Namy, Ana Buceta, Miguel BM e, ajudem-me, muitos outros que o poderão testemunhar como eu. Várias tendas familiares, organizadas de forma urbanísticamente equilibrada na malha dunar, um conjunto de cozinhas comunitárias e ainda uma chuveiro (balde de zinco com puxador para controle de água) e casa de banho em madeira, devidamente afastada do local, para um bom saneamento. Um ECO campismo. Fica aqui a minha gratidão a todos que me proporcionaram férias tão inesquecíveis. Idas às camarinhas, já em Setembro, pescas ao candeeio, com as bateiras cheias de miúdos, que por vezes adormeciam, e a luz do petromax a lembrar lanternas chinesas, correrias nas dunas e, claro, banhos na lagoa, no mar e no braço lagunar de que o JJ fala. Tomava-se balanço na descida, mergulhava-se de cabeça (o braço era fundo) e de vez em quando apareciam as ditas toucas (eh, eh, eh).
Em relação aos fatos de banho, venho aqui afirmar a possibilidade aqui destapada. Passo a explicar: pela mesma altura tinha um fato de banho - não era espanhol, mas também não foi comprado na Nobela, nem na Góia - branco com flores vermelhas. Pois nesse ano tive um bronzeado incomum, como se pode advinhar!!!!!!
...e o texto do João é quase tão bom como as fotografias (ih, ih, ih)e as fotografias são quase tão boas como o próprio local. Obrigada pelos os elogios às ditas e ao João, que nos vai proporcionando este avivar de memória cheio de graça e qualidade narrativa (fui clara?????)
bjs amigos. Guidó
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Guida Barreto disse:
Foram de facto tempos muito felizes, inesquecíveis mesmo! Um grande bem haja à Guidó pelas belíssimas fotografias e comentários, que fazem parte do nosso imaginário do que foi uma infância espectacular!
Guida Barreto
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Manuela Gama Vieira disse:
O Jales conseguiu, num golpe de asa, desmontar as “horrorosas” ideias que passavam pelas cabeças dos adultos. Imaginem que a propósito dos escaldões das meninas, até a qualidade da matéria-prima dos fatos de banho espanhóis- naquele tempo falava-se lá de controlo de qualidade- lhe veio à ideia para justificar o bronzeado (não previsto…). Fiquei asaber que, naquela época, “de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”, nem bons fatos de banho, já para não falar nos caramelos…”ranhosos”!
Muito me impressionaram as alterosas ondas em plena…. “Aberta”- O Captain! My Captain!”- imagino as náuseas, os desequilíbrios, dos valentes e jovens marinheiros. Quem vai para o mar, avia-se em terra, é assim ou não é?
Ora as toucas…mas que complicações o Sr. Diogo, zeloso dos meninos e meninas que frequentavam a Tália, foi arranjar verificando aquela estranha forma de toucado… São toucas, senhor, são toucas, logo replicou o Jales!
Qual má-língua caldense, gente ociosa com mentes perversas, qual quê? Mitos! E se tu Jales, e Gerald M. Edelman me permitirem, atrevo-me a terminar assim:Cada acto de criação é, em certa medida, um acto de percepção. Cada acto de imaginação é, em certa medida, um acto de memória.
Muitos parabéns pelo que, com imenso talento, muito humor e…tanto salero, hoje trouxeste ao Cine-ERO!
Muitos parabéns à Margarida Araújo pelas lindíssimas fotografias!Pelo teus dotes de criação, imaginação e capacidade de comunicação,aqui vai o meu BRAVOOOO!!!
Manuela Gama Vieira
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vitor b disse...
Este é o artigo do VERÃO 2009!Como é que estas histórias estavam guardadas na gaveta há tanto tempo?Só se foram mesmo as conversas do encontro de agosto a avivar tudo isto e seja essa a explicação.
Muito muito divertido e escrito com muito humor.Gostaria de saber uns nomes mas suponho que isso esteja fora de causa.....
As melhoras para as meninas do "escaldão",para os rapazes enjoados e quero saber onde arranjo uma cópia dessa fotografia!!!VB
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Julinha disse:
Embora estivesse no encontro de Verão, confesso que me passou completamente ao lado a conversa da má língua!!!!
Eu, realmente, sou um pouco mais velha....Ah!!!! tenho apenas mais uns aninhos e, provavelmente, os intervenientes estariam com receio que eu fosse contar aos papás .....seria????
Como se pode ver pela magnifica descrição do JJ, com uma dose extraordinária de inocência (que eu lhe não conhecia) foi tudo um verdadeiro equivoco da época....portanto, papás dos meninos e principalmente meninas, estejam descansados pois o Jales repôs aqui toda a verdade nua e crua!
Um Abraço para todos
Júlia R
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Isabel Esse disse...
O que eu me ri!!!As queimaduras,os enjoos dos marinheiros e os banhos de touca,uma velha tradição da Foz,mas também da Nazaré.
Mas que fique bem claro que EU NÃO FUI a NENHUM desses piqueniques :-)
Disse um dia destes que o blogue estava sensacional,nem sei o que mais diga hoje...
Bjs.IS
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Belão disse...
Eu sempre achei que os fatos de banho espanhóis eram ranhosos..... A prova está aqui, neste post.
Quanto aos enjoos, também acho que é muito natural tal fenómeno durante a travessia da lagoa. Com ou sem álcool.
No que se refere aos banhos de touca, devo dizer que eram de certeza e mesmo, toucas. E havia delas giríssimas: lisas, às riscas (com lacinhos), às flores. Modelos ousados para a época, sobretudo nas cabeças dos meninos.
Adorei, João!
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ze_mas disse...
Quando vi o título antes de iniciar a leitura até me interroguei se estaríamos perante uma especulação filosófica sobre o Verão e os ritos de passagem da juventude.
Depois ri-me com gosto,li duas vezes e descobri que,com humor e tudo,mas eu tinha razão!
Uma palavra mais para as fotografias de uma fotógrafa que não conheço pessoalmente mas que descobri a eprendi a apreciar neste blogue e depois no seu.
Parabéns.JJ:há mais histórias de onde vieram estas?Queremos o filme das nossas vidas aqui no Cine ERO(como diz a Manuela no seu EXCELENTE comentário)com um realizador de talento que nos lava a alma e alegra os dias.ZMS
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Guida disse...
É incrível a capacidade de invenção e má língua de algumas pessoas. Só inveja e mau gosto! Não participavam nas coisas e depois arranjavam historietas para estragar a vida aos outros.
Mas já agora pergunto. Ondas na lagoa? Quando? Correntes, sim.
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Luis disse:
Tem havido momentos assim no blogue mas deve ser preciso uma mistura mágica de recordações, imaginação,humor,capacidade de observação,que os tornam raros e preciosos.O JJ e o Faria têm sido os grandes responsáveis por eles - recordo o futebol dos Flinstones,o Dr Serafim e o Calhambeque,um teatro de Natal...
Ri-me,sozinho e sem amarras,nesta evocação criativa de um piquenique que recordo vagamente(será o mesmo?)mas que o JJ transformou numa das grandes recordações da minha adolescência.
Genial!
L
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Guida Carvalho da Silva disse:
Muito bom! Fotos lindas e texto super divertido .... de repente lembrei-me de quando ia a pé pela praia de S Martinho, até Salir, só para depois subir e descer as dunas de Salir a rebolar até cá baixo... muito bom....
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António J M disse...
Não comento tanto neste blogue como gostaria e como acho que merecia.
Mas há momentos em que não posso deixar de dizer alguma coisa como forma de retribuir o prazer que tenho ao visitá-lo.
Estas três Histórias retratam uma época de abertura de costumes,de confronto entre o Novo e o Velho de uma forma aparentemente ligeira,mas só aparentemente.e com um humor "inocente" que é irresistível e divertídissimo,do melhor que nos têm aqui oferecido.Abraço.A
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Ana Carvalho disse:
Ai João, ainda bem que este assunto se esclareceu de uma vez por todas. Realmente explicado assim desta maneira acaba de uma vez por todas com as desconfianças de todos.
Realmente nesta terra sempre se inventou muita coisa, éramos umas crianças inocentes.... parece impossivel de certeza que com outro almoço se resolverão muito mais mistérios.
Bjs PP
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jorge disse...
só hoje pude por em dia os posts.esta evocação da foz em que se misturam as naturais tropelias de uma nova geração com uma explicação naive dos acontecimentos merece todos os elogios!divertida e cáustica,arrasando a claustrofobia provocada pela má lingua caldense este é um dos momentos altos em humor e conteúdo do blogue.jorge

POSTAL DE DJERBA (Belão)

No bar do turco fumando chicha


Djerba é uma ilha colonizada pelos franceses no século XIX que foi fenícia e romana. Os árabes chegaram lá no século VI. Eu cheguei lá no século XXI, mais propriamente no dia 15 de Agosto de 2009.
Decidira que queria uma semana de sol e água quente, longe das panelas, da máquina de lavar, dos chapéus de sol e pára-ventos em cima de mim, das horas infinitas para estacionar, dos supermercados, das horas para isto e para aquilo. Enfim, decidi fingir que era rica durante uma semana. E digo-vos que é mesmo bom! Há de facto vidas mais baratas... mas não prestam.
Chegada a Djerba instalei-me no”Djerba Golf Thalasso & Spa”, uma coisinha pequena com, por exemplo, campo de golf, piscina exterior e interior, thalasso, 5 campos de ténis(2 relvados e 3 de terra batida), 4 restaurantes, 3 bares... e um serviço impecável, daqueles que nos ajudam a desfrutar em pleno do “dolce fare niente”. Ah! A praia privativa fica a 200m de distância, não sendo preciso sair do resort para lá chegar, como é obvio e conveniente. Foi aí que passei maior parte do tempo, ora de molho, ora deitadita na espreguiçadeira, com a extenuante trabalheira de, de quando em vez, ter de levantar o braço para chamar o empregado e pedir uma bebidinha, não fosse desidratar. Também não era mau de todo, pois o enfermeiro do hotel era daqueles que até dava vontade de desidratar, torcer um pé, cortar um dedo, desmaiar.... sei lá. Mas estive sempre de perfeita saúde.
Houmt Souk é a capital da ilha, repleta de casas branquinhas com portas azuis e desenhos feitos com tachas. Visitei-a numa manhã que dediquei às compras.
E se comprar dá trabalho! Ao inicio tem uma certa piada regatear os preços, mas ao fim de algum tempo, perde-se a paciência. É que para alem do regatear, os tunisinos adoram galantear as mulheres, desfazem-se em elogios e não se coíbem de até querer saber se os maridos as amam e se elas são felizes. Um bocado “melgas”, mas simpáticos.
O resort ficava a 5 minutos de Midoun, localidade onde predominam os “menzel”, casas típicas, fortificadas, com um poço exterior feito de troncos de palmeira., importantes na época das pilhagens.
Visitei ainda a marina, zona muito frequentada por turistas, pois as suas agradáveis esplanadas, rodeadas de canteiros de flores e muito limpas, são de facto convidativas.
Frequentada sobretudo por estrangeiros (ricos), Midoun tem ainda um casino onde fui jantar uma noite. Rodeada de mordomias, sempre tratada por “madame”, com direito a dança do ventre e música durante o jantar, paguei o equivalente a 22 euros. E o vinho era muito bom. Nas salas de jogo, só euros. Dinar não entra.
Na segunda noite que faltei no bar do turco, o bar mais simpático do resort, com música ao vivo (flauta e alaúde), uma decoração magnífica e onde fumei chicha, saí para ir à discoteca mais famosa da ilha. Enorme, com dezenas de “gorilas” à porta e circulando por todo o espaço, fui toda revistada à entrada. É prática comum, bem como o pedido de identificação a quem aparenta não ter 18 anos. Achei piada, pois de facto não vi crianças na discoteca, como por cá acontece. Quanto à música, o mesmo de cá. Aquela sensação de ouvir a mesma falta de melodia desde que entrei até que saí, tipo pista 2 do Green Hill. Aquele tum tum tum sempre igual, que só aguentei hora e meia. A era disco era de facto maravilhosa, se quisermos comparar.
No hotel, a animação era direccionada para uma faixa etária bem acima da minha. Preferi sempre o alaúde do bar do turco.
Quanto a comidinhas, a variedade é muita. Há a cozinha europeia, sempre, para quem não gosta das delicias tunisinas: cuscuz e tajine, por exemplo. Para quem aprecia picante, harissa é do melhor que há. A cerveja é fraquinha mas escorrega bem e Thibarine é a aguardente típica da Tunísia, bem forte, mas muito agradável. Logo à segunda fiquei sem forças, eu que até aguento bem. Talvez a PDI me esteja a fazer perder qualidades!
Mas a maior parte do tempo, passei-o na praia. E é ela que me deixa saudades. Areia branquinha, fininha e limpinha. Espreguiçadeiras, toalha fornecida à chegada, água cuja temperatura oscila entre os 27 e os 29 graus e totalmente transparente.
Três vezes já fui à Tunísia e continuo a só saber dizer “chukran” - obrigada e “maa salama”- até logo. Escrever nem tento sequer. Também não é importante. Toda a gente fala francês.
Foi muito bom para carregar baterias e recomendo.
“Maa salama”


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Belão

Praia às 7 e meia da manhã

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C O M E N T Á R I O S


Júlia Ribeiro
Olá Belão!Então passeando pela Tunísia!! Boas férias.


Margarida Santos
Estive na ilha Djerba em Abril de 2006. Adorei. Fumei shisha, bebi óptimos chás, atravessei om deserto, estive nos locais onde foram filmados "O Paciente Inglês" e "Guerra das Estrelas", apanhei boa praia e fartei-me de andar de camelo.

Luisa disse:

Grandes vidas!!! Que inveja.... L

Inês disse...
Qual inveja, Luísa! Só aquela mania de nos obrigar a regatear preços irrita, não há pachorra! e então quando alguém comprou o mesmo e pagou metade… lá se vai o prazer “Maa salama” tá bem... o resto, contado pela Belão, eu também queria! :)

Ana Carvalho disse:
Eu quero ir já amanhã para a Tunisia! É o que me apetece fazer depois de ler o postal da Belão.
Bjs PP.

jorge disse...

este ano houve poucos postais de férias.já em 2008 a belão publicou dois ou três muito interessantes e escritos com humor.também fiquei com vontade de ir à tunisia embora conheça algumas estâncias do indico que recomendo a todos.jorge

Belão disse...
Olá!Quem já foi à Tunísia sabe bem do que falo. A quem não foi, dou um conselho: vão que vale a pena. Eu já fiz o circuito do deserto há dois anos, também fui aos locais das filmagens da Guerra das Estrelas e do Paciente Inglês, dormi num acampamento de luxo.... e é fantástico. Descanso e boa praia é em Djerba. Quando forem, digam-me que eu vou logo outra vez!Bjos a todas e todos.

A MARAVILHOSA VIAGEM DO JOSÉ CARLOS FARIA

por Z C Faria
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Pela leitura arruinei a vista!
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Bem me avisavam que o nariz sempre a menos de um palmo das páginas sofregamente folheadas só podia dar mau resultado, mas eu persistia no vício daquela leitura, naquela postura, e daí ter ficado precocemente míope, a seguir estigmático, pitosga de 4 olhos desde logo - caixa d'óculos, em suma...
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É que eu lia, lia muito, lia tudo, era mesmo leitor compulsivo, do melhor ao pior, desde a «Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson» de Selma Lagerlöf
até à pieguice insuportável do «Coração» de Edmundo de Amicis (nunca percebi como é que um conjunto de histórias deprimentes, a puxar à lágrima, inculcando falsos valores de «heroísmo», sacrifício e resignação na miséria, pode alguma vez ter passado por obra recomendável para um público infantil, mas enfim...). Um dia por semana, à saída da Escola e com o modesto lastro dos conhecimentos recentes, oriundos da decifração garrafal das primeiras letras, em manuais descaradamente propagandísticos das «virtudes» do regime (Lusitos! Lusitas! Viva Salazar! Viva Portugal!), corria-se para aquela carrinha Citröen de chapa ondulada cinzenta, estacionada no largo do chafariz das mulas, que transportava uma das muitas Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian (porventura o melhor, mais vasto e mais bem sucedido projecto de animação cultural jamais desenvolvido num país ainda hoje com uma taxa excessiva de analfabetismo integral, para já não falar do regressivo ou funcional). E assim fui sucessivamente ansiando por ser grumete na «Ilha do Tesouro», pioneiro e caçador por rios e montanhas com Daniel Boone, membro da expedição ao centro da terra, escudeiro medieval junto de «Ivanhoe», protagonista ficcionado (e fictício) em fabulosas aventuras...
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Porém, se as escolhas dos livros são, com frequência geracionais, nomeio «O Velho e o Mar» de Hemingway (cuja edição portuguesa continha um prefácio de Jorge de Sena, de que só mais
tarde me aperceberia da sua importância) e a forte impressão que nos meus (para aí) 14 anos produziu a luta do velho Santiago pela sua dignidade e por recuperar o respeito da comunidade piscatória, a batalha desenfreada e astuciosa de dois dias e duas noites com um delfim de 6 metros de cabo a rabo, finalmente capturado, troféu a desvanecer-se aos poucos, engolido, até à revelação da espinha nua, pelas mordeduras vorazes dos tubarões e a incompreensão total dos turistas...
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«Pode-se destruir um homem, mas não se pode vencê-lo»!
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Os livros foram pois os primeiros a vir até mim, depois a música e por último, os filmes. Claro que me acompanha a recordação boa das gargalhadas puras da criança que eu era, suscitadas palas curtas-metragens de Chaplin, nas extraordinárias séries da Keystone, Mutual e da Essanay; No entanto, é-nos pedido aqui a indicação de um momento marcante e, neste particular, comigo ele aconteceu no Cine-Teatro Pinheiro Chagas (como é possível terem-no demolido? Como?), durante a projecção de «Os cavalos também se abatem» de Sidney Pollack, com uma notável interpretação de Jane Fonda.




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Talvez não por acaso, apesar das oito nomeações em 1969, só viria a ganhar o Óscar para o chamado «Melhor Actor Secundário» (péssima tradução de Best Supporting Actor. É que não há actores secundários! Há-os apenas, melhores ou piores, todavia únicos e essenciais, em papéis maiores ou mais pequenos...). Adaptação do romance de Horace McCoy «They shoot horses, don't they?», a acção do filme desenrola-se no micro-cosmos fechado de um salão de uma Maratona de Dança, parábola da sociedade Americana da Grande Depressão, onde a cupidez de negócio do «show-biz» engendra a exploração aviltante e, em pleno desespero, a morte acaba por ser um acto de amor, escapatória (im)possível para uma liberdade humilhantemente negada. Naquela ocasião, nem os deliciosos rebuçados de fruta, comprados ao intervalo, embrulhados em lustroso papel de seda multicolor, a atafulhar bolsos, conseguíram atenuar a comoção angustiada, misto de um estranho amargo na boca e rude soco no estômago com que todos saímos do camarote (bilhetes de lote para um grupo acabavam por se tornar um pouco mais baratos).
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Quanto à música, chegou pela rádio.
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O irmão da minha professora da 1a classe era militar em Goa e a inquietação pelo seu destino após a entrada do exército da União Indiana, levava-a a uma audição intensiva (embora em volume sonoro reduzido) das notícias na fanhosa Emissora oficial, pontuadas pela difusão obsessiva, quase maníaca, do «Fado das Trincheiras», o qual, pela voz de Fernando Farinha, rejurava que se «morrer na batalha/ quero ter por mortalha/ a bandeira nacional». Tal patriotismo exacerbado deixava-me confuso, já que a imagem parecia um pouco chocante e de gosto duvidoso... Adiante...
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As referências evoluiriam depois. A esplanada do Parque dispunha de uma magnífica «juke-box» Wurlitzer (marca que na época, tal como a Fender-Rhodes, tinha acabado de criar um mini-piano eléctrico de 3 oitavas, de imediato utilizado por Ray Charles). A selecção então existente dos sucessos do momento (e até de um pouco antes), seria hoje um rol de clássicos absolutos: para além de diversos temas dos Beatles, Rolling Stones, Kinks, (e também Sheiks, de produção lusa), havia à escolha, entre outros, Mamas & Papas com «Monday, Monday» e «California Dreamin'», Four Tops e «Reach Out, I'll Be There», «San Francisco» de Scott McKenzie (um hino do Flower Power), «When a Man Loves a Woman» por Percy Sledge e os um pouco mais antigos «Barbara Ann» dos Beach Boys, «Tutti Frutti» do Little Richard, «Love Me Tender» de Elvis Presley e por aí fora... um regalo, era o que era! Por uma simples moeda, o fascínio acontecia: marcado o código da canção pretendida, um braço mecânico, numa diligência exacta, retirava o disco da pilha, depositando-o no prato a girar, a agulha descia, precisa, nas espiras e, de súbito, (é um exemplo), enquanto a malta se refrescava com um gelado cassata e um pirolito Ginger Ale da Canada Dry ou da Schweppes, uma cadência de acordes arpejados soava e a voz de Eric Burdon, acompanhado pelos Animals, surgia nas colunas espalhadas pelas áleas: «There is a house in New Orleans, they call the Rising Sun...»
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Feito o exame do 2º ano, recebi como prenda de aniversário um gira-discos Dual, mono, cuja tampa incorporava o altifalante. Já havia estereofonia mas aquele objecto era, de facto, um «mono» obsoleto, sobrante numa qualquer obscura prateleira empoeirada, cacaréu ainda com registo para as 78 voltinhas por minuto das grafonolas, imagine-se; sem dúvida melhor negócio para quem manhosamente o vendeu (vendo-se livre do traste) do que para a ingenuidade bem intencionada de quem o comprara e a quem eu, de todo o coração, só podia estar grato. Como as dimensões estavam formatadas para «singles» e EP's, o meu primeiro Long-Playing de 33 rotações (e um terço) demoraria - «Abbey Road» dos Beatles (fiquem sabendo que também já lá estive, na famosa passadeira da capa, o que é que vocelências julgam?). No duche matinal («She came in through the bathroom window»), ouvia o transistor a pilhas que o meu Pai entretanto ligava, sintonizado já nem sei em que estação, e que, com regularidade, debitava «Come Together», a primeira faixa do lado A. Aquela cadência de viola eléctrica com um ligeiro efeito de distorção durante o refrão, cá para mim era o máximo («Because»... Porque sim, pronto), e fez-me querer (muito!) ter o disco. Todo. («I want you», mas era «so heavy»...) Houve que poupar cada tostãozinho («You never give me your money»), sofrer com paciência («Carry that weight») até que, com um empurrão solidário da Avó («Oh Darling»!), a coisa (em forma de «Something») lá se deu. O LP era como uma luz viva («Here comes the sun») e a felicidade preenchia-me em suave embalo («Golden Slumbers»). «The End». Mas isto não ficou por aqui. A seguir viria a descoberta aprofundada do Zeca, do Brel e, para lá da «Banda» a passar, do Chico Buarque de «Construção», a paixão pelo Jazz e pelos Blues, o gosto certo pela Música Antiga e a certeza que se a Música um dia se acabar poderemos contar com um tempo bem mais escuro e para durar.
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Ainda não sabia que livros, discos, filmes e quadros viriam a ser ferramentas do meu trabalho futuro, mas, passo a passo, ia intuindo e aprendendo que as Artes são algo de imprescindível, que nos torna melhores e melhor nos permite compreender a surpreendente dialéctica estabelecida entre a harmonia e as contradições do Mundo, da Vida, das coisas e das gentes (nós próprios, os Próximos e os Outros)...

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José Carlos Faria
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C O M E N T Á R I O S
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Guida disse...
De facto cada livro é uma verdadeira viagem, bem cedo aprendi isso.
Ser-se filho único é muito vantajoso nessa área. Muitas horas sózinho no sossego de um espaço que não se tem de partilhar com mais ninguém, a ausência do barulho e das solicitações dos irmãos, uma verdadeira maravilha.
Claro que também tem os seus contras. As brincadeiras têm de ser a solo ou com um amigo imaginário, por vezes uma certa solidão. Mas tudo acaba por ser compensado com a liberdade da leitura, horas a fio, noite dentro, até à última página de cada livro.
Claro, ficam as sequelas nos olhos cansados, gastos de tantas páginas de letra miudinha avidamente devoradas, por vezes à luz de uma pequena lanterna de pilhas, debaixo dos lençóis, para que a claridade não fosse detectada do lado de fora do quarto, evitando assim o ralhete merecido.
Mas não me arrependo. Fazia tudo outra vez.
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Margarida Araújo disse.
O Zé Carlos Faria no seu melhor, poço de informações tão diversas como a música, a literatura, as artes plásticas, teatro, cinema e também um doutoramento em benfiquite aguda.
O Zé Carlos é míope? Os oftalmogistas e nós sabemos que sim. Mas em nada a sua míopia o toldou de ver, de ler, de escrever, de desenhar.
Obrigada.
Maria Guidó (como o próprio me chama)
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Inês disse...
Zé Carlos, menino de olhar de Zeca, a descobrir mundos em tudo o que tinha folhas, nos bravos ‘Lusitos’ ou no deprimente ‘Coração’ («um livro que faz chorar sem entristecer» diz uma velha edição «particularmente dedicada a rapazes entre nove a treze anos»), ou ainda no banquete de cultura servido pela tal carrinha Citröen de chapa ondulada cinzenta…
Desta escrita-viagem maravilhosa apetece-me guardar tudo. Voltar a ler muitas vezes. Assentar num post-it «Pode-se destruir um homem, mas não se pode vencê-lo»!
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São Caixinha disse:
Adorei esta "Maravilhosa Viagem" do José Carlos! Excelente exposição de deliciosos e menos deliciosos fragmentos do nosso passado comum; tanta história em tão pouco espaço, tão enternecedoramente pessoal, tão adulto e tão menino, tão sério e tão divertido, tão simplesmente Genial... como sempre!! Vou ler outra vez!
Bjs
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João Ramos Franco disse:
Este texto do JOSÉ CARLOS FARIA, é na realidade Uma Maravilhosa Viagem…
Ele transporta-nos desde leitor compulsivo, ao momento em começamos a condicionar o que lemos. Do Ernest Hemingway o Velho e o Mar, que está em cima da secretária neste momento e começa assim, “O velho chamava-se Santiago. Dia após dia, tripulando uma canoa, ia pescar no Gulf Stream.” posso dizer que, entre muito que li também me marcou…
No cinema, «Os cavalos também se abatem» de Sidney Pollack, também vi e gostei, mas talvez por uma questão de geração, o cinema europeu, para mim, ainda mantinha a influência de ser o melhor que tinha visto…
Na música, apesar de conhecer quase tudo o que cita, ainda não havia «juke-box» na Esplanada do Parque, e estávamos limitados a uma que existia no Pão Ló em Alfeizerão, que não estava assim tão perto e a época também nos afasta nos seu gosto inicial, mas é compensada na “descoberta aprofundada" do Zeca, do Brel e, para lá da «Banda» a passar, do Chico Buarque de «Construção», a paixão pelo Jazz e pelos Blues, o gosto certo pela Música Antiga”.
Obrigado José, Uma Maravilhosa Viagem…
Um abraço amigo
João Ramos Franco
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António disse:
Excelente texto em que se evocam tantas das minhas memórias,incluindo o malfadado Coração!E os filmes e as músicas e os Beatles...
Toda a gente referiu o título,bem escolhido,mas nem todos a cuidadosa escolha das ilustrações e a sua distribuição no texto.Também aqui se vê a mão do artista que a Margarida refere.
Obrigado!Abraço.A
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João Jales disse:
A imagem do Zé Carlos com um livro a um palmo dos olhos sobrepôe-se a todas as outras recordações que tenho dele...Mais uma deliciosa contribuição sua para o Blog, desta vez sobre a nossa viagem até à idade adulta. Também li o deprimente Coração, as maravilhosas estórias da Selma Lagerlof, frequentei o Pinheiro Chagas onde me apaixonei pelo Cinema (assisti depois ao crime da sua demolição) e tentei conhecer todos os singles da musicalmente prodigiosa década de sessenta.
Ouvimos os Beatles desde então até hoje, assistindo e participando nas novas formas de encarar a sua música ao longo de quarenta anos, descobrimos a música brasileira, a portuguesa (mais ele que eu), lemos e vimos mais cinema e teatro, continuámos vivos e atentos ao que se passa à nossa volta graças à permanente inquietação que nos deixou uma sôfrega adolescência. Felizmente.
JJ
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Isabel Esse disse...
Li encantada a prosa do José Carlos Faria.Já não me lembrava das lendas nórdicas da Selma Lagerlof,tenho que ir ver se ainda tenho o livro,com uma capa igualzinha à que aqui está!As músicas e os filmes serão diferentes para cada um de nós,o Faria e o JJ lembra-se das canções todas!eu só me lembro quando as oiço.
Parabéns por esta maravilhosa viagem e por este maravilhoso blogue.IsabelS
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Isabel X disse...
Três aspectos tornam este texto brilhante:
1) A referência ao Velho e o Mar e a como nessa obra magistral de Hemingway nos é dado a conhecer o valor da perseverança na luta, de um modo inigualável.
2) A descoberta que proporciona de não haver actores secundários ao analisar o filme "Os Cavalos também se abatem". Até no niilismo há esperança!
3) O intercalar dos nomes dos temas musicais ao longo da descrição das situações por que o autor do texto passou para os poder conhecer ou possuir.
Este último aspecto(3), então, é de génio! Porquê? Por se eximir ao tom moralista em que às vezes se cai ao avaliar o passado, mas de um modo cheio de ternura, que é em tudo diferente de lamechas.
Grande Zé, é assim mesmo!
- Isabel Xavier -
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Artur R. Gonçalves disse...
A maravilhosa viagem do José Carlos Faria pelos livros, discos e filmes fez-me lembrar a minha própria travessia por essas décadas de cinquenta e sessenta passadas, com alguma permanência, nas CdR. É verdade que não li os mesmos textos, ouvi as mesmas músicas ou vi as mesmas películas, mas os dois processo de descoberta desse mundo fascinante da cultura mantêm entre si muitos pontos de contacto.
Seria incapaz de nomear muitas das obras que requisitei na Biblioteca Itinerante da Gulbenkian ou de acreditar a 100% na minha memória quando esta teima em me afirmar que a carrinha da Fundação estacionava na Praça da Fruta. Garanto, todavia, que a minha paixão pelos livros impressos a cheirar a tinta me vem dessa altura.
Terei utilizado uma ou outra vez a tal «juke box» da Esplanada do Parque e de muitos outras espalhados um pouco por todo o lado, pelo que terei ouvido alguns dos singles elencados. Nem podia ser de outro modo. Quando a posse de um simples gira-discos era considerado na época como algo ainda de extraordinário, o recurso às máquinas de discos tornava-se imperioso. Assim houvesse a tal moedinha necessária à função ou usufruir da economia e dos gostos alheios.
Vi «Os cavalos também se abatem» em Lisboa, no Império. Ainda hoje recordo a sensação de desconforto que na altura aquela maratona de dança me causou. Mais tarde li o livro, publicado entre nós pelas Publicações Europa-América em tamanho de bolso, mas o impacte não foi nem de longe o mesmo. Lamentavelmente, o grande cinema da Alameda D. Afonso Henriques também sofreu a sua «demolição» simbólica, nem por isso mais feliz do que o velho Cine-Teatro Pinheiro Chagas da Praça do Peixe. Para mal dos nossos pecados, a realidade dura e crua é que com grandes ou pequenas depressões, os cinemas também se abatem. Pelo menos entre nós.
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Belão disse...
O Zé Carlos é uma pessoa maravilhosa e escreve duma maneira tal, que ninguém tem dúvidas que de facto leu muito. Muito mesmo.
Esta viagem à volta dos seus livros, filmes e músicas encantou-me, como sempre que leio algo do Zé Carlos Faria. Tenho pena que apareça tão pouco no blog. Mas também sei que quando o faz é para nota máxima.
Um beijinho, Zé Carlos. Não nos deixes tanto tempo à tua espera!
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Isabel Cx disse.
Li várias vezes o texto do Zé Carlos e de todas elas fiquei com pena que cheguei ao fim!Que memória... tão extraordináriamente proporcional ao talento do autor.
Também " O Velho e o Mar" e outros livros do escritor tiveram um lugar de destaque nas minhas leituras, e que melhor forma de o recordar que pela mão do José Carlos.
Também a atraente "Juke box" do Parque era a delicia de nós todos com as canções que felizmente nos marcaram até hoje.
Podia passar a noite a ler títulos de músicas inseridos no texto ..uma maravilha!!!...e é aqui que volto ao principio e recomeço a leitura!
Beijinho
Isabel Caixinha
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Ana Carvalho disse:
O que o José Carlos Faria escreve merece sempre um comentário. Gostei imenso e deliciei-me a ler o texto,como já nos habituou é um excelente contador de histórias. Bjs
PP
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José Carlos Faria respondeu:
Ainda me estragam com mimos... (depois queixem-se!). Tenho que agradecer, claro está, tanta boa vontade face ao meu mal amanhado escrito.
Permitam todavia que deixe aqui expresso um reconhecimento especial a duas pessoas:
À minha querida professora Drª Inês (Que bom lê-la! O Inglês que sei e que tão importante e útil me tem sido, a si lho devo. Isso e também a alegria indizível da primeira vez em que fui capaz de compreender uma frase na letra de uma cantiga) e (obviamente) ao João Jales, que, a meu pedido, inventou tão bem o título da croniqueta (só escusava de lá ter o meu nome, mas enfim...) e que depois, com o mérito do seu irrepreensível bom gosto, seleccionou a iconografia e respectiva articulação com o texto.
Apenas um esclarecimento:
O largo do chafariz das mulas a que me refiro quando da vinda da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, corresponde à Porta da Vila, em Óbidos.
Ósculos & amplexos!
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vasco disse...
Grande Zé:
Excelentes as tuas sugestões.Deixo aqui, para quem quiser ver O VELHO E O MAR em animação, os respectivos links:
Divirtam-se e boas mto boas férias
VB
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VT disse...
Uma palavra só e sentida: EXCELENTE.
Um grande abraço amistoso e de admiração ao José Carlos Faria que "cozinhou com todos os ingredientes".VT