ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Há Festa na Aldeia

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por Nicolau Borges

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Em plena adolescência, o Verão era passado entre a Praia de Mira, combatendo as suas ondas telúricas e os olhos postos na prancha de saltos da Barrinha, e os dias quentes vividos no campo, perto de Miranda do Corvo, acompanhando os ciclos das culturas do milho, da apanha da fruta e, apoteoticamente, das vindimas. Era tempo de “vadiar”, no sentido que lhe dava Agostinho da Silva, dias intermináveis de felicidade pelas brincadeiras incansáveis e pelas amizades incondicionais.
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O cinema já era uma paixão, vivendo em Coimbra, não havia semana que não peregrinasse ao Tivoli, ou ao Gil Vicente ou, por vezes, o arriscar no Sousa Bastos um filme mais “marginal”.
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Em Miranda não havia cinema, o mais próximo ficava a 8 km, na Lousã, pelo que aos domingos à tarde pegava-se na bicicleta e, em pelotão, lá rumávamos nós ao cinema ver o que estivesse em cartaz.
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Um filme teve em nós um efeito muito especial porque ficou associado a brincadeiras que haveriam de nos fazer rir até às lágrimas. O filme foi o “Há Festa na Aldeia”, de Jacques Tati, o qual contem uma sequência verdadeiramente delirante, precisamente aquela em que o carteiro corre a aldeia, numa viagem vertiginosa de bicicleta, sequência essa que nos faz suster a respiração de tanto rirmos, a qual haveria de se tornar fonte de inspiração e imitação para os nossos passeios e ousadias velocipédicas.






À época, na região, existia uma expressão popular que se aplicava aos ciclistas que andavam de bicicleta de modo muito formal e muito rígido, os quais eram apelidados de “sapateiro da Lousã”. Ora essa designação aplicava-se tal e qual ao carteiro do “Há Festa na Aldeia”, pelo que, na sequência em que o carteiro faz a sua viagem vertiginosa, mais nos pareceu um sapateiro, dito da Lousã, do que propriamente um carteiro. A sequência desassossegou toda a sala e quase acabou com o fim da projecção do filme, já que após um pequeno burburinho rapidamente se armou uma enorme algazarra motivada pelas “bocas” e pelos risos hilariantes associados aos comentários em alta voz, obrigando mesmo a uma intervenção do guarda de serviço e à ameaça de interrupção da projecção do filme.
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É claro que a plateia acalmou, mas não o seu efeito e as repercussões no estilo e na forma como, no próprio dia e nas semanas seguintes, haveríamos de encarar e utilizar a bicicleta, companheira inseparável de todas as férias.
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Nas descidas era ver-nos, a toda a velocidade possível, com o torso muito aprumado, a cabeça bem levantada, pedalando desenfreadamente e gritando: “cuidado que lá vem o carteiro da Lousã!”. Confesso que o estilo não se impôs, rapidamente se regressando à expressão de “sapateiro da Lousã”, por força e vontade do filme seguinte, e dos outros que se lhe seguiram.
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Os filmes do realizador, e também actor, Jacques Tati haveriam de voltar a cruzarem-se comigo ao longo dos anos seguintes, por via dos ciclos de cinema temáticos que o Gil Vicente organizava frequentemente, registando a cinematografia de Tati como uma das mais decisivas na consolidação da paixão pelo cinema, confirmada também por via de alguns grandes amigos admiradores confessos do cinema inconfundível de JT, dos quais saliento o José Alemão.
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Quanto ao “Há Festa na Aldeia”, eis alguns dados que podemos partilhar, disponíveis ao alcance de um click:
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Há Festa na Aldeia
Jour de FêteCady Films / Panoramic FilmsFr., 1949, 76m (versão 1949) / 70m (versão 1995) , comédiaRealizador: Jacques TatiArgumento: Jacques Tati, Henri Marquet e René WheelerActores: Jacques Tati, Guy Decomble, Paul Frankeur, Santa Relli, Maine Vallée, Delcassan, Roger Rafal.

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A feira chega a uma pequena aldeia francesa e com ela o carrossel, bancas de divertimentos e cinema. O filme em exibição é um documentário que mostra as modernas técnicas que os correios norte-americanos utilizam e que leva toda a aldeia brincar com o carteiro local. Este decide, então, utilizar as mesmas técnicas no seu trabalho.
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A primeira longa-metragem de Jacques Tati é uma deliciosa comédia que abre caminho para o percurso que o realizador veio a desenvolver ao longo da sua carreira e onde é possível identificar as raízes da sua mais famosa personagem: Mr. Hulot. Tendo como ponto de partida a curta-metragem L’École des Facteurs, realizada por Tati dois anos antes, Há Festa na Aldeia é muito mais do que um simples remake: é uma verdadeira homenagem a uma época cinematográfica distante, que tinha na comédia física e na pantomima as bases do humor e que mostra o porque de Jacques Tati ser uns dos mais geniais cómicos franceses.
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A intenção do realizador era a de rodar o filme integralmente a cores, utilizando, o então experimental processo Thomson-Color. Mas devido à incerteza da viabilidade do processo, Tati resolveu filmar, ao mesmo tempo e utilizando uma segunda câmara, uma versão a preto e branco. Embora a rodagem tenha corrido sem problemas, a revelação da película a cores verificou-se impossível devido a problemas técnicos e o filme foi estreado na sua versão a preto e branco, que é a mais conhecida do público.
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Em meados da década de 60, Jacques Tati decide realizar uma nova versão de Há Festa na Aldeia à qual acrescentou uma nova banda sonora, novas cenas (filmadas de propósito e onde surge, pela primeira vez, a personagem do pintor) e coloriu algumas cenas do filme. Esta nova versão, que manteve o mesmo tempo de duração, substituiu a anterior a preto e branco nas salas de cinema.
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Em 1987, a filha de Tati, Sophie Tatischeff, e o director de fotografia François Ede iniciaram o restauro do filme original a cores e a nova versão estreou em 1995, que é a que actualmente é exibida no cinema e na televisão. Esta versão permite ver melhor, e em todo o seu esplendor, o trabalho de Tati e a atenção que o realizador dava ao aspecto visual. Os poucos diálogos e música que existem no filme e que é uma característica que Tati utilizou e dominou como poucos ao longo da sua carreira, ajudam apenas a reforçar a mensagem visual.
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O apelo universal da linguagem desenvolvida por Jacques Tati é de tal maneira forte que o realizador se tornou numa referência do cinema francês, influenciando gerações de realizadores, como os arquitectos da Nouvelle Vague, e que ainda hoje torna os seus filmes bastante populares em todo o mundo. Há Festa na Aldeia é um excelente exemplo disso mesmo.

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NB
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C O M E N T Á R I O S
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MM disse...
Colorida descrição Nicolau Borges, gostei muito, fez-me até, uma vez mais ter pena de não ter aprendido a andar de bicicleta. Valeu pelo que me despertou pelo Jacques Tati.
bj MM
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Laura Morgado disse...
Adorei esta "Festa na Aldeia".
Laura
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Manuela Fiel
Que saudável "vadiagem" e passeios pelo "Há Festa Na Aldeia".
Adorei.
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Isabel X disse...
Eis um texto à altura do realizador que referencia: Jacques Tati! É evidente quanto o seu autor se revê no estilo inconfundível do cineasta francês.
Nesta história é que se cruzam, de facto, as peripécias de um filme e as da vida! Neste caso a do Nicolau, quando adolescente, e do seu grupo de amigos. Hesito entre lamentar não ter pegado a expressão nascida da vivência cinéfila (carteiro da Lousã) ou preferir-lhe a que lhe esteve na origem (sapateiro da Lousã). Mas tanto faz, são ambas bem giras!
Confesso que, conhecendo o Nicolau (agora), de quem sou muito amiga aliás, me custa imaginá-lo nestas corridas desenfreadas de bicicleta... Mas nada melhor do que a surpresa, não é verdade?
Espero que continues a aparecer por aqui, Nicolau.
Beijinhos para todos!
- Isabel Xavier -
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Belão disse...
O Nicolau cinéfilo, já eu conhecia. Agora o Nicolau ciclista....
Mas eram com toda a certeza muito divertidas as tardes de domingo.
Se o "Há festa na aldeia" teve um efeito especial nele, acredito, mas sei que o Nicolau teve um efeito muito especial numa determinada fase da adolescência do meu filho, na altura seu aluno. Sempre que queria ir ao cinema dizia " O setôr Nicolau diz que é muito bom". Acho mesmo que tudo o que ele dizia era "escritura". E isso tem um significado muito especial.
Aliás, no que se refere à disciplina de História, o rapaz teve dois professores que o marcaram e de quem ainda hoje fala - Nicolau e, já no secundário, a Isabel Xavier.A Isabelinha é assídua por aqui. Espero que o Nicolau continue a aparecer.
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Isabel X disse...
Também me lembro muito bem do meu querido antigo aluno, que há-de continuar a sê-lo sempre um pouco, pelo menos para mim, giríssimo e muito divertido, o "Bolos"! Era esta a alcunha do filho da Belão, minha antiga colega do ERO, que também o é agora de profissão e de blogue.
Veja-se como se descobre de quantas maneiras as nossas vidas se cruzam quando nos pomos a pensar nisso!
Beijinhos!
- Isabel Xavier -
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Luis disse...
Muito engraçado o texto e é um prazer recordar o grande cineasta que é Tati. Hoje só vemos filmes americanos...
Não me lembro do Nicolau mas daqui lhe mando um abraço.L
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José Carlos Faria disse:
Bem-vindo ao blog, Nicolau. A tua chegada, em velocidade e de torso direito, é uma festa!
Abraço.
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João Jales disse:
Respondendo a algumas perguntas, esclareço que o Nicolau não foi aluno do ERO, como aliás se depreende da leitura do texto.
Esta evocação de Tati corresponde exactamente ao que esta série propunha, ao fornecer simultaneamente informação sobre o filme e a forma como ele foi visto pelo autor, reproduzindo as palavras o humor das imagens.
O Nicolau é um homem da Cultura, foi pois com prazer mas sem surpresa que li e publiquei esta magnífica prosa. E, como os outros comentadores, exijo: queremos mais!
Um abraço. JJ
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Luisa disse:
Depois de uma série tão boa,não parecia possível que ela acabasse a subir de nível e em beleza da forma que tem acontecido!
Este post do Nicolau Borges(que não conheço)é muito divertido e informativo.Só conheci os filmes de Jacques Tati mais tarde,nas sessões clássicas em Lisboa e recordo-me sobretudo de Playtime.Parabéns,escreva mais!
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Manuela Gama Vieira disse...
O "Há Festa na Aldeia" que li com muito agrado,fez-me lembrar não as minhas "viagens vertiginosas de bicicleta",mas a mimha aprendizagem a andar de bicicleta.Joelhos esmurrados,de vez em quando,mas nada mais do que isso,a não ser saber andar de bicicleta!
Também pergrinei pelo Gil Vicente,pelo Avenida,pelo Tivoli,mas não vi o filme de Jacques Tati que refere.
Parabéns pelo seu texto.
Manuela Gama Vieira
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Isto de férias tem muito que se lhe diga...

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por João Bonifácio Serra
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Sempre tive sentimentos ambivalentes em relação às férias. Refiro-me sobretudo às férias de Verão. Há quem ache, sumariamente, que com a idade me tornei um “workaholic”. Nada mais errado. A minha desconfiança face ao real significado das férias é atávica. Tem que ver com as minhas origens rurais. Nada mais estranho ao mundo rural onde nasci e cresci do que o conceito de férias.
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No singular, féria era o salário do trabalhador rural. Paga semanalmente, ao Sábado ao fim da tarde, era o resultado dos dias (ou meios-dias) de trabalho efectivo, a multiplicar pelo valor da jorna diária.
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Percebem pois a dificuldade de assimilar férias a não-trabalho e, ainda por cima, não-trabalho pago. Na minha aldeia só o trabalho era pago. Se o trabalhador estivesse impedido de comparecer no local de desempenho, por doença sua ou de familiares, por exemplo, ou até por motivos que não lhe podiam ser imputados (como o estado do tempo), não recebia a sua féria.
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Como se passou, no português, de féria=salário ou jornal (e por extensão, lista destes salários) para féria=dia de descanso é para mim um mistério.
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Lembrar-me-ão que a noção de férias acabou por ser o resultado dos longos períodos em que as escolas fechavam e as meninas e meninos mandados para casa. Mas quem suponha que as filhas e filhos dos camponeses tinham férias à sua espera, sempre que eram libertados das obrigações escolares, está equivocado. Não ter aulas significava para eles exactamente ter outras tarefas distribuídas e porventura bem mais duras: as raparigas, ajudar as mães na lida da casa e da horta e tomar conta dos mais novos, os rapazes ajudar os pais nos trabalhos com o gado e o campo.
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Os meninos da minha aldeia só brincavam na escola. Em certo sentido, as férias escolares estava mais distantes do conceito de férias, do que as aulas propriamente ditas.
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Eu era uma excepção, claro, mas não me parece que os longos meses de férias representassem para mim um atractivo tão forte como para os meus colegas da cidade. Afinal, tirando as duas semanas de praia acrescidas de uma ou duas em casa de familiares em Lisboa, sobrava muito tempo sem actividades partilháveis com companheiros da mesma idade. Lembro-me de os meus pais pedirem a uma família camponesa vizinha licença para o filho, Manuel, vir ao fim da tarde, ou ao Domingo, terminadas as suas obrigações determinadas pelo Pai, brincar comigo.
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Os ritmos da agricultura não eram compatíveis com as férias, designadamente as “férias grandes”. Não me recordo de o meu Pai ter passado férias comigo e com a minha Mãe durante a minha infância e adolescência. Se alugávamos casa em S. Martinho ou na Foz, aparecia à noite e abalava de madrugada. Só o víamos na praia aos Domingos.
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Recuando uma geração, testemunhei que meus Avós gostavam de ver o mar –
todo o mundo rural tinha esse fascínio, organizavam-se excursões aproveitando Domingos ou Dias Santos no Verão para o ir ver – sobretudo na Nazaré. Faziam-no aos Domingos, mas evidentemente não saiam do café Oceano, onde permaneciam toda a tarde.
Ocasionalmente, cediam em visitar, nas suas barracas de praia, os filhos. Isso sucedia também na Nazaré, onde os meus Tios alugavam casa. Uma ou duas vezes teve lugar na Foz, preferência da minha Mãe depois que fiz a instrução primária.
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Essas visitas raras exigiam preparativos complexos. Os meus Avós entravam na praia vestidos e calçados com a indumentária dos Domingos e permaneciam o resto do tempo dentro da barraca, de costas para as ondas e o vento norte. Era preciso garantir, nesse dia, que o banheiro providenciasse os bancos e a mesa de madeira indispensáveis. O momento alto do acontecimento era o almoço. De dentro de uma cesta de vime, devidamente revestida com um pano branco, saíam toalha e guardanapos, talheres, pratos e copos, pão, água e gasosa, um tacho (embrulhado em papel de jornal para manter o calor) com arroz de coelho, uma marmita com bolo mármore e um termos com café. Como se percebe, o resultado de um intenso labor preparatório e de uma aplicada logística de transporte e resguardo. Mesmo na praia, o mundo rural mantinha as suas práticas, rituais e códigos.
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Pela minha parte, foi aí que comecei a achar que ter férias podia ser muito trabalhoso. Comprovei-o anos mais tarde quando eu próprio me vi – alegremente – envolvido nessa empresa indescritível de proporcionar férias de Verão a filhos e... netos.
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João B Serra
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C O M E N T Á R I O S
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João Ramos Franco disse...
Este passar pelas férias do João Serra, faz-me dar uma volta pela minha origem familiar.
Os meus avós, Ramos Franco e Calisto ,residiam em Rio Maior, à época pequena Vila rural. O meu pai tinha que se deslocar a Rio Maior, pelo menos uma vez por Semana para pagar a Féria ao pessoal que trabalhava na casa agrícola.
As férias dos nossos Avós na Nazaré também são comuns, em nós…A história de uma família que todos Caldenses conhecem, os Calisto, começa num namoro de ferias na Nazaré, entre o meu Tio Asdrúbal Calisto e a menina Leonarda Alves (natural de Santarém), que casam e vêm residir para as Caldas da Rainha.
Claro também existem diferenças entre o meu modo de sentir as Férias e o JBS, eu nasci na cidade e residi na mesma, logo aqui, a diferença de ambiente na juventude gera diferenças ao enfrentarmos as férias…
João Ramos Franco
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Manuela Cama Vieira disse:
Uma visão muito singular esta,do João Serra,sobre as férias.Li-o com muito interesse e agrado, especialmente porque está bem claro no texto o valor do valor do trabalho e da sua justa retribuição.
Concordo consigo- quem corre por gosto não cansa, eu que o diga,também tenho Filhos (e...namoradas de Filhos)- que "Isto de férias temmuito que se lhe diga... " e ainda lhe digo mais!Depois das férias, dá vontade de "....descansar das férias.
Preciso urgente de férias das férias. Sempre achei que o que dá mais trabalho no ano são as férias."
Manuela Gama Vieira
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Isabel X disse...
Há uma obra interessantíssima que se chama a "Arte de perguntar". Aí se defende a tese de que já se encontra contida nas perguntas, a parte mais significativa das respostas que suscitam, quando formuladas de modo adequado. Parece-me ser o caso quando o João se pergunta, perplexo, como é que a palavra "féria", que sempre significou pagamento por um trabalho realizado, se transformou no seu oposto, ou seja, em descanso duplamente remunerado, ao adquirir um simples "s", ao passar para a sua forma plural: "férias"!
Este caso, que fica inevitavelmente por responder, prova bem que a arte de perguntar não é para todos. E que é preciso muita arte para em vez de gozar as férias, aproveitá-las para reflectir sobre os conceitos e as alterações a que estão sujeitos quando passam do meio que lhes deu origem, o rural, para o meio urbano que rapidamente os desvirtua.
Por outro lado, acho sempre graça quando o João invoca as suas origens rurais! Não me lembro bem dele desse tempo (do Bonifácio, como muitos dos bloguistas lhe chamam), embora ele fosse amigo do meu irmão Luís. A imagem que tenho do João Serra é a do professor universitário, a do investigador, a do assessor e chefe da casa civil do presidente Sampaio, a de alguém que mantém um blogue muito coerentemente intitulado "oqueeuandei", no qual se prova que não pára de facto, que é um cosmopolita inveterado, quase mundano, na medida em que conhece e convive com sei lá quem que nós nem sonhamos!... E afinal, segundo o seu próprio testemunho, ficamos a saber que a incomensurável capacidade de trabalho que lhe permite saber viver assim, aprendeu-a ele das suas origens rurais e dos exemplos familiares. Talvez daí, esta espécie de desconfiança perante algo tão recente como as férias. Ah, sim! Porque mesmo quando João nos fala de si, nunca é só de si fala: toda a narrativa está urdida de modo histórico, e é História que temos a oportunidade de aprender!
- Isabel Xavier -
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Belão disse...
É sempre muito agradável ler o J Serra. Em vários registos. Féria, férias, o gostar de ver o mar... tudo me fez recuar no tempo e recordar.
"Na minha aldeia só o trabalho era pago" - lembro-me da minha mãe (professora primária) me contar que no início de carreira e durante vários anos, os professores não recebiam nas férias. Dei comigo a imaginar...."meus Avós gostavam de ver o mar, todo o mundo rural tinha esse fascínio, organizavam-se excursões..."- recordou-me um episódio, datado de 1979 e no qual eu não queria acreditar.Leccionava numa aldeia perto de Fátima, Loureira, quando organizei uma visita (com uma turma de miúdos entre os 10 e os 13 anos) à Foz do Arelho, no final do ano lectivo. Razão da escolha: mais de metade da turma nunca tinha visto o mar. Foi lindo olhar as caras deles quando avistaram o mar. Nem sei descrever. Fiquei de lagrimita a vê-los durante muito tempo. Eu já sabia que as férias deles eram passadas a ajudar os pais. Mas nunca imaginara que nunca tivessem visto o mar. O almoço que levavam era quase o descrito pelo JS, embora sem mesa e sem bancos.Foi uma trabalheira, sem dúvida. A excitação era imensa e eles eram 32! Mas foi muito gratificante.
Obrigada João!
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
É sempre gratificante ler os artigos de J. Serra, mas o meu comentário vai para outro comentário. O da Belão. Afinal Fátima é já ali. E o ano de 1979 parece que foi ontem. Quanta pobreza escondida como a que Belão nos mostra andará ainda por aí!
No meu caso, revejo-me em toda a história do Serra, salvo no que o mar concerne, of course, já que ia para lá desde pequenito ou a pé ou na minha bicicleta, com os miudos da minha idade, e por norma sem os meus pais. As «excursôes» do pessoal dos «cabeços» passavam frente à minha porta, e achava aquilo algo esquisito. Felizmente tudo mudou, e para bem melhor!
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Artur R. Gonçalves disse...
Antes de significar o valor da jorna diária, a palavra «féria» significava para os nossos avoengos romanos «dia de festa». Mas para eles, tal como para muitos de nós, o conceito de festividade não cabia num único dia, pelo que a palavra começou a ser utilizada no plural. E foi assim que passámos a ter as «férias» para celebrar os dias consagrados ao repouso. O tal mistério da transformação semântica do lazer ao labor deveu-se ao facto de os «dias de festas» (férias) serem utilizados pelos lavradores para venderem o produto do seu trabalho efectivo (féria). Os locais onde esses eventos ocorriam passaram rapidamente a ser designados por «feiras». Locais privilegiados de ócio e negócio. Na Idade Média como na actualidade, é bem verdade que o descanso de uns só é possível à custa do trabalho de outros. De facto, isto de férias tem muito que se lhe diga…
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Isabel X disse...
"Dia de festa", talvez por isso mesmo, o de ser o dia em que se recebia a féria, não?Inspiro-me também na experiência própria, sabe?...
- Isabel Xavier -
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João Jales disse:
Esta excelente crónica, em que o autor regressa a um dos seus temas favoritos, a Cidade e as Serras, dispensa comentários. Acrescento só que as suas Serras não são nunca cobertas pelo diáfano manto da fantasia de Eça, são pedregosas e duras, com gente vivendo sob códigos ascéticos e duras leis da vida. Há sempre algo de um filme neo-realista nestes relatos, acho eu.
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Quanto às "férias" e à "féria" estou certo que o João conhece e usa a máxima:
"Se não sabia a resposta, para que é que perguntou?"
Eu já não me deixo enganar... JJ
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BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES

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Esta carta, escrita por uma garota após ter ido pela primeira vez ao cinema, é um documento precioso para esta série. Fiquem pois com as impressões da Aninhas sobre a Branca de Neve e os Sete Anões:

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Querida prima:

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Espero que te encontres bem na companhia dos teus pais. Não pergunto pelo teu irmão porque ele ainda não me pediu desculpa de me puxar as tranças na festa de Natal. Nós por cá todos bem.

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A minha mãe levou-nos ontem ao cinema. Eu e o meu irmão nunca tínhamos ido ao cinema e ela disse que era como uma televisão grande.

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Não era bem verdade porque as pessoas e os animais são a cores, a sala é MUITO maior que lá em casa, estava muita gente que eu não conhecia e eu apanhei um susto logo no princípio porque faltou a luz. A luz só apareceu outra vez a meio da história.
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Além do susto da luz detestámos tudo o resto. Imagina que a Branca de Neve era filha de uma bruxa horrível e andava toda contente vestida de trapos a varrer o jardim. Não sei porquê, mas estava tão alegre que até cantava e falava com os passarinhos. Se eu andasse toda rota e descalça não me apanhavam de certeza a cantar nem a falar com os passarinhos.

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A Rainha Má tinha um espelho falante que lhe dizia que ela não era a mais bonita do mundo. Não sei para que é que alguém quer um espelho falante que diz que há outras pessoas mais bonitas. Mais valia ser mudo, como o meu.

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A Rainha deixou-se convencer pelo espelho falante a matar a menina. Mas o motorista (ou jardineiro) teve pena dela e matou antes o Bambi. O meu irmão Luís desatou a chorar. Com razão, porque o bruto do homem matou o pobre bicho só para lhe tirar o coração. Ainda berrou mais quando a tal Branca de Neve fugiu e apareceram uma quantidade de monstros na floresta.

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Pior ainda foram os anões que andavam a cavar um buraco no chão para apanhar pedrinhas. Mais valia irem à Foz, sempre andavam ao Sol! Mesmo tendo aquele trabalho horrível, também cantavam muito. Lembraram-me logo os anões que eu vi a dar chapados uns nos outros no Circo e aí chorou o meu irmão e chorei eu, porque detestámos os anões do Circo! A minha mãe estava danada e também não parecia estar a gostar nada daquele Cinema. Acho que ela também não sabia bem ao que ia.

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As luzes acenderam-se e tivemos o melhor do Cinema: os caramelos que a minha mãe comprou para calar o meu irmão. Eu também comi, claro.

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Mas quando as luzes se apagaram a Madrasta (que é uma espécie de Mãe, mas ainda mais chata) deu uma maçã podre à Branca de Neve e ela morreu. Aí é que ninguém calava o meu irmão! E eu disse logo à minha mãe que nunca mais comia fruta, diga ela o que disser. A minha mãe ainda começou a discutir comigo mas não conseguiu porque entretanto zangou-se com as outras pessoas à nossa volta por causa da nossa conversa e da choradeira do Luis. Mas a culpa era da história, que só melhorou quando um senhor deu um beijinho na morta e ela ressuscitou. Eu já tinhas visto alguns meninos mais velhos andarem a ressuscitar as meninas mais velhas no Parque quando ando lá de bicicleta e espreito para a fonte junto ao Ténis.
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Acabou a história com mais uma cantoria. Muito se canta no cinema, é muito aborrecido. Salvaram-se os caramelos.

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A minha mãe prometeu:
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- NUNCA MAIS vêm comigo ao Cinema, o vosso paizinho, que queria tanto que vocês viessem, que vos traga para a próxima!

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Por isso acho que tão cedo não volto ao Cinema.

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Não te esqueças que faço anos no dia 10. No ano passado esqueceste-te e não recebi nenhuma prenda. Beijinhos da prima amiga


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Ana


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C O M E N T Á R I O S
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Julinha disse:
Encantei-me-ao-ler-esta-carta!Levou-me-a-sentar-naquelas-carteiras-de-madeira-a-fazer-uma-redacção....deliciei-me!
Não-sei-quem-é-a-Ana-mas-queria-agradecer-lhe-este-momento-maravilhoso.
Tenho-um-problema:não-posso-comentar-porque-só-tenho-tracinhos-não-tenho-espaços!......desculpa-lá-acabar-com-a-tua-pachorra!!!!!!!!
Mais-uns-tracinhos-Bjs-Júlia
(NOTA-A Júlia tem mesmo uma avaria no teclado e este email NÃO era para publicar, claro)
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João Ramos Franco disse...
Já não me recordo das minhas redacções com esta idade, nem de ter escrito uma carta a alguém…Mas esta carta da Ana, 9 anos de idade, com o poder de descrição do real, transportado-nos ao filme e às reacções que a envolvem, “é de se lhe tirar o chapéu”…Se com aquela idade escrevia assim, como será agora?!…
João Ramos Franco
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Laura Morgado disse...
Quantos Professores de Português gostariam de ter uma aluna assim?
Partindo do pressuposto que a Ana era mesmo uma criança quando escreveu esta carta, era uma menina com capacidades intelectuais acima da média. Só assim, conseguiria descrever com tanta clareza o filme e toda a sua envolvente. Palpita-me que, no momento presente, seja uma excelente escritora.
Obrigada Ana pelo seu texto tão encantador e divertido.Espero que continue a presentear-nos com a sua escrita.
Laurinha
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António J M disse...
Este é um texto incrivelmente divertido,custa a crer que tenha sido guardado para o final da série já que uma carta destas teria que aparecer no blogue mal o JJ a visse.
Há aqui uma história para ser contada,fico a aguardar(e se houvesse mais cartas da Aninhas???). A
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Ana Carvalho disse:
Olá eu não sei quem é a Ana (será que não sei?), mas dou-lhe os parabéns por esta pequena grande história que me encantou, deliciou, fez rir, enfim divertiu-me imenso .
Obrigada. Bjs PP
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jorge disse...
como é que o comentador ramos franco sabe que a autora tem nove anos?há pelos vistos informações que não chegam a todos os leitores!
as observações são divertidissimas,a autora não pode ter nove anos!seja quem for,deve ter outros escritos que nós gostávamos de ler.jorge
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Luis disse...
(...)Quem será esta Aninhas,tão ladina e despachada e que tanto me divertiu?Fez passar o filme à minha frente de uma forma tão crítica que fico a pensar em que circunstâncias esta carta terá sido escrita... LF
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Isabel X disse...
Há um humorista brasileiro (peço desculpa, não me lembro do nome, o Vasco Baptista sabe quem é, talvez possa ajudar) que fez uma descrição do que viu e sentiu num jogo de futebol, a que assistiu sem saber ao que ia, sem saber sequer o que era isso de futebol, com a qual este pretensa carta de uma pretensa menina à sua prima tem inúmeras semelhanças.
A ideia é gira, concedo!
Mas...há algumas correcções a fazer:
- A rainha não se deixou convencer pelo espelho falante, mas pela sua própria inveja;
- Os espelhos limitam-se a dizer a verdade. Não há espelhos mudos;
- A parte dos anões concedo que tenha a sua razão de ser;
- Andar rota e descalça não será condição de cantar, mas de falar com os passarinhos é com certeza;
- A madrasta ser uma espécie de mãe, mas ianda mais chata, brada aos céus! Já não há nada de sagrado?
Conclusão: e o valor de fazer chegar tanto simbolismo até às crianças e jovens de tantas gerações, como o fez Walt Disney, onde é que fica?
Parabéns, JJ, assumiste esta personagem num dos teus melhores registos!
- Isabel Xavier -
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JJ respondeu:
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À Julinha, à Paulinha e à Laurinha - Obrigado pelos elogios, que transmitirei, e pelo constante apoio ao nosso Blog. Bjs.
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Ao Jorge - O João Ramos Franco não tem qualquer informação extra sobre a Aninhas, ele confundiu apenas o dia do aniversário (dia 10) com a sua idade. Esta carta não podia ser escrita por uma pessoa de nove anos, tem que ser alguém mais velho.
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Ao António, ao João RF e ao Jorge - Não tenho mais nenhuma carta da Aninhas, anterior ou posterior a esta.
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À Laura - Não sei se algum professor gostaria de ter uma aluna destas. Hoje em dia não é preciso saber ler nem escrever, a Aninhas seria certamente um empecilho incómodo na sala de aulas!
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À Isabel - Julgo que o humorista que referes é o Millôr Fernandes, que o Diário Popular publicou num suplemento semanal durante anos.
O filme "Snow White and the 7 Dwarfs" que foi realizado em 1937 foi profundamente alterado para a edição em VHS nos anos 70, ainda mais para a primeira edição em DVD e novamente para a edição de 2006 actualmente à venda. Resultado:
- Não ficou uma única cena original das conversas da madrasta ao espelho nem da sua transformação na bruxa;
- Não ficou uma única cena dos anões dentro da mina;
- O beijo do principe, considerado demasiado hollyoodesco foi completamente re-desenhado.
- Idem para a morte da corça, contactos da Branca de Neve e os anões, etc.
Acrescento que:
- Todas as crianças acham as mães umas chatas, não há nada de sagrado nisso.
- Fica a sugestão aos ornitólogos para que se apresentem rotos e descalços perante os passarinhos.
Agradeço sempre os elogios, mas neste caso não sou eu quem assina a carta. Mas agradeço o excelente comentário, a que a nossa amizade me obrigou a responder.
Bjs. JJ
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Isabel X disse...
JJ
O registo do humorista a que me refiro é gravado e não é, quase de certeza, o que tu indicas. Só mesmo o Vasco Baptista para o identificar, ele é que tem o disco!
O facto de as mães serem chatas é uma verdade insofismável: eu que o diga! Aliás, é a sua obrigação. Compará-las a madrastas como a da Branca de Neve é que me parece algo sacrílego!
Bjs a todos,
- Isabel Xavier -
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vitor b disse...
Esta carta é de morrer a rir,lembrou-me umas redacções da Guidinha que o Diário Popular publicou em tempos e que eram escritas por um autor conhecido(mas que não me recordo o nome).
Ver este filme como um filme de terror é uma ideia bem esgalhada e a Aninhas conta-o com montes de piada.
Vitor
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Isabel X disse...
A Guidinha das redacções sem pontuação (foi aí que o Saramago se inspirou para algumas das suas obras, quem sabe?) era o Sttau Monteiro. Penso que não era o Diário Popular, mas o Diário de Lisboa.
- Isabel Xavier -
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JJ respondeu:
Tem no comentário anterior triplamente razão a Isabel:
- As redacções eram do Luis Sttau Monteiro
- Foram publucadas no Diário de Lisboa (1969-1971)
- Constituíram provavelmente a inspiração de Saramago...
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Guida disse...
Mas afinal quem é a Ana?
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João Gomes disse:
Pelo menos sabemos que usava tranças, que não é filha única e que faz anos a um dia 10.
Mas seja lá quem fôr gostei muito de ler a carta.
Bjs MJoãoGomes
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Manuela Gama Vieira disse:
A Aninhas podia ser qualquer um de nós…neste caso, uma de nós, usava tranças. Mas…esta carta também podia estar guardada no imaginário de um menino que puxasse as tranças à irmã, sabe-se lá. Embora tenha um dedo que adivinhe…não estou muito interessada em saberquem é a Ana.
O facto é que a Aninhas me avivou os filmes que vi na minha infância e os sentimentos tão diversos que me suscitavam, de acordo com o argumento das histórias. Quando comoventes, instalava-se-me um aperto na garganta, tal era a vontade de chorar...e quantas vezes não choreimesmo!
Quando a fantasia e o encantamento dominavam o filme, tinha pena que acabasse e logo me avisavam que nada do que tinha visto era verdade!
Quer num caso quer noutro, violência psicológica sobre crianças dir-se-ia hoje, vá-se lá saber.
«Os contos de fada, a meu ver, representam um perigo neste nosso mundo de hoje, tão realista. Prefiro predispor as crianças para a vida da luta que para o sonho e a idealidade abstracta, sem ramo em que a ave azul ponha o pé», disse Aquilino Ribeiro.E assim….”havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas- raposeta matreira, fagueira, lambisqueira…..”
Aninhas, sem desprimor para Aqulino, muitos parabéns!Manuela Gama Vieira
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WALT DISNEY

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Olhando um pouco para trás, para o tempo em que fomos meninos no Externato Ramalho Ortigão, penso que será difícil encontrar um criador mais popular do que Walt Disney. Desde Mickey à Bela Adormecida, de Donald a Bambi, dos filmes aos “quadradinhos”, ninguém deve ter passado a sua infância e juventude longe do fascínio das suas criações.

A sua história pessoal confunde-se com a história do cinema, começando com curtas-metragens, que já antecediam a projecção dos filmes nos anos vinte. A grande aventura, entre 1934 e 1937, foi a realização de Branca de Neve, que quase arruínou a produtora. Mas a atribuição de um Óscar (e sete miniaturas…) consagrou a visão e a ambição de Walt Disney e, a partir daí, o sucesso comercial, artístico e financeiro estava garantido.

A Fantasia (de 1940), “ilustrando” música de Bach, Tchaikovsky, Igor Stravinsky, Beethoven, Amilcare Ponchielli, Mussorgsky e Schubert, apesar de mal recebida pela crítica norte-americana da época, viu o seu estatuto crescer ao longo dos anos e transformar-se numa das obras-primas do cinema de animação.

Além das imagens do vídeo acima, acrescentei uma lista datada das longas-metragens de Disney até ao encerramento do ERO.

Comentários?

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Título em português (Título original) Data de lançamento
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1 Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs)
21 de Dezembro de 1937
2 Pinóquio (Pinocchio) 7 de Fevereiro de 1940
3 Fantasia (Fantasia) 13 de Novembro de 1940
4 Dumbo (Dumbo) 23 de Outubro de 1941
5 Bambi (Bambi) 13 de Agosto de 1942
6 Olá, Amigos ( Saludos Amigos) 6 de Fevereiro de 1943
7 A Caixinha de Surpresas ( The Three Caballeros) 3 de Fevereiro de 1945
8 Música, Maestro! (Make Mine Music) 20 de Abril de 1946
9 Batalha de Gigantes ( Fun and Fancy Free) 27 de Setembro de 1947
10 Tempo de Melodia (Melody Time) 27 de Maio de 1948
11 As Aventuras de Ichabod e o Sr. Toad (The Adventures of Ichabod and Mr. Toad)
5 de Outubro de 1949
12 Cinderela (Cinderella) 15 de Fevereiro de 1950
13 Alice No País das Maravilhas (Alice in Wonderland) 28 de Julho de 1951
14 As Aventuras de Peter Pan ( Peter Pan) 5 de Fevereiro de 1953
15 A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp) 16 de Junho de 1955
16 A Bela Adormecida (Sleeping Beauty) 29 de Janeiro de 1959
17 Os 101 Dálmatas (One Hundred and One Dalmatians) 25 de Janeiro de 1961
18 A Espada Era a Lei (The Sword in the Stone) 25 de Dezembro de 1963
19 O Livro da Selva (The Jungle Book) 18 de Outubro de 1967
20 Os Aristogatos (The Aristocats) 24 de Dezembro de 1970
21 Robin dos Bosques (Robin Hood) 8 de Novembro de 1973
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C O M E N T Á R I O S
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Cecilia Travanca disse:
E como nos sentiamos bem com esse mundo de fantasia apesar de, mais tarde, se falar muito na "violência" dos desenhos... Se vissem alguns de agora...
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Luis disse:
Não posso dizer que tenha sido uma admiração que me tenha acompanhado ao longo da vida,mas as minhas primeiras recordações de cinema e leitura estão realmente ligadas a Walt Disney.E não sei se musicais,com as canções dos filmes...
Mas ao contrário de outros autores que reencontrei com prazer ao acompanhar as novas gerações não me aconteceu isso com a obra deste homem.Tenho que rever a Fantasia,ver se é como dizes...
Abraço.L
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Belão disse...
Vi todos! Em pequena, mais tarde com os meus filhos e há pouco tempo com o meu neto. As cores, a música, o movimento... nada tem a ver com o que hoje a criançada devora.
Mas os meus desenhos animados preferidos eram os do coiote e do Beep Beep, que até nem são da autoria de Walt Disney.
Quanto aos "quadradinhos", a minha preferência ia sem dúvida para o pato Donald.
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João Ramos Franco disse...
Apesar de ter visto algumas longas-metragens de WALT DISNEY, o que mais recordo da juventude são as curtas-metragens que passavam antes da projecção do filme principal. Na realidade o momento de boa disposição provocado pelos desenhos animados era, para mim, quase que imprescindível.
João Ramos Franco