Presépio Postal (Postal de Natal - 2)
GRANDELLA - Comentário final do autor

de Cinema, que contivesse a possibilidade de produção (ou co-produzida com outros países) de episódios para as Televisões portuguesa e brasileira – viabilizando economicamente o projecto. Seria um assunto a considerar: uma parceria PH / ERO para estudar e ou dialogar, sobre a respectiva viabilidade, com os responsáveis daquele Instituto (julgo que faz concursos e dá bolsas para guiões, etc). .
“Grandella - Sinopse para um filme” (por Vasco Trancoso)
THE BEATLES "The Fool On The Hill"
1940... As primeiras imagens desenrolam-se durante as escavações nas fundações do antigo palacete Grandella para adaptação a uma Colónia de Férias (a FNAT, e que mais tarde se viria a denominar INATEL). Chove torrencialmente... Subitamente é encontrado, pelos trabalhadores, nas fundações do antigo palácio, um canudo de metal com uma mensagem no interior...
Grandella, o homem que gostava de surpreender tinha deixado enterrada uma última surpresa... Seis anos após o seu falecimento... surgia um último documento que de imediato, levantou celeuma, porque se julgou indicar o local onde teria escondido algum dos seus fabulosos tesouros... O homem que viajava em 3ª classe porque – dizia: “que era filho de gente pobre" e colocava os filhos em 1ª classe "porque eram filhos de gente rica", mantendo uma personalidade rica de contrastes, previu ainda uma última palavra...
Antes de se desenrolar e decifrar o que estava escrito no documento, a objectiva foca a assinatura: FAG (Francisco de Almeida Grandella)...
... A mesma que se lê agora num quadro... estamos em 1923... Grandella tem 70 anos e está a acabar de pintar um quadro sobre a lagoa de Óbidos e a falésia do “gronho” que se estendem em frente da janela manuelina do seu palacete – que erigira entre 1898 e 1907... Reflecte longamente... O seu mundo pessoal está em vias de extinção (morreria 11 anos depois) em paralelo com o desaparecimento do outro mundo lá fora... a sociedade com que se identificava, como a conheceu, sonhou e... de certo modo moldou. Resolve interromper a pintura para escrever mais uma carta ao seu amigo e companheiro de tantos projectos e aventuras: o arquitecto Rosendo Carvalheira. Enquanto escreve a sua voz vai-nos contando que o Dr. Pulido Valente lhe diagnosticou Diabetes, que decidira escrever um livro autobiográfico e lamenta-se que vai ter que hipotecar as fábricas de Benfica porque a casa Grandella enfrenta graves problemas financeiros... Grandella apostara numa curta duração para a Grande Guerra, adiando o pagamento aos fornecedores estrangeiros, esperando que o conflito passasse depressa, de molde a vir a pagar com um câmbio favorável. Como tal não aconteceu teve que suportar juros elevadíssimos e, em 1921, surgiu o 1º balanço negativo dos seus armazéns. Era o início da queda do seu império.
Do seu refúgio predilecto na Foz do Arelho, inicia então o relato da sua própria história descrevendo a sua partida para Lisboa, em Outubro de 1865, com 12 anos... o filme “materializa” então o discurso de Grandella com as imagens da sua viagem para Lisboa, acompanhado pela prima Miquelina, e a chegada à capital onde o esperava uma chuva torrencial (que reapareceria sempre nos grandes momentos da vida de Grandella) dando início e continuidade a todo o percurso de Grandella.
... As imagens passam a descrever a criança após a chegada a Lisboa e, pouco depois, o início da sua vida comercial, e os episódios que foram pontos marcantes do seu êxito comercial... e durante os quais chovia sempre, como por exemplo em 1881 quando, em consequência dos seus preços serem os mais baixos, e de outros comerciantes o terem acusado de vender artigos de contrabando, ter colocado, de imediato, letreiros à porta anunciando: "chegaram mais fazendas de contrabando" e acabar por vender ainda muito mais para desespero dos concorrentes que tinham posto o boato a circular... Descrevem ainda o homem de múltiplas facetas, cuja vida foi uma aventura empolgante e cuja personalidade carismática foi extremamente popular; que fora um comerciante genial construindo um império da moda, quase a partir do nada, tendo sido pioneiro de técnicas de publicidade e de venda (do “mail order business”) só exploradas no final do Séc. XX, surpreendendo frequentemente com a sua imaginação e sentido de oportunidade; que desempenhou um papel significativo - integrado nos movimentos republicano e maçónico - no derrube da Monarquia (Lei da separação do Estado e Igreja executada por Afonso Costa, em 1911, na sua casa da Foz do Arelho); que ao salvaguardar os direitos, dos seus empregados, ao descanso semanal e à educação, bem como ao proporcionar boas condições de trabalho - apoiadas pela construção de uma creche, de uma escola, de um bairro operário e de uma Caixa de Socorros -, deu um exemplo de eficiência e justiça e mostrou o que a Monarquia vigente poderia ter feito e não fez; que deu uma especial atenção aos problemas da Educação, sobretudo ao analfabetismo, em Portugal construindo várias escolas – que ofereceu mais tarde ao Estado; que era simultaneamente austero, simples e hospitaleiro mas vivia por vezes no meio de certo espalhafato; que era um "gourmet" da vida que "cegava" quando as paixões (foram várias as mulheres na vida de FAG) o tocavam; que era perseverante nas suas acções filantrópicas apesar dos frequentes impulsos de fantasia, mas possuidor de uma enorme generosidade e ao mesmo tempo implacável na vingança; que procurara criar, constantemente, paraísos artificiais nos quais colocava animais que importava de outos países e que tinha sido fundador do lendário grupo gastronómico: "Os Makavenkos", onde pontuavam as grandes figuras da transição dos séculos XIX-XX, como Bordalo Pinheiro e outros...
... Regressamos à cena de 1923...
Enquanto Grandella dá os últimos retoques na pintura, vão saindo as notícias nos jornais de então sobre os acontecimentos da sua última década (Em 1927, a hipoteca de 5500 contos sobre as fábricas de Benfica; em 1928 adoece gravemente e escreve o seu curiosíssimo testamento, enquanto a Casa Grandella solicita empréstimo de 3 mil contos; em 1929 novo empréstimo, de 1200 contos, e FAG deixa indicações para o seu próprio funeral; em 1931 escreve possuído de uma enorme nostalgia o Auto do Cipreste; em 1932 a administração da Casa Grandella passa a ser exercida pelo Banco Porto Covo & e Cª; em 20 de Setembro às 20h de 1934 – morre no alto do seu monte do Facho na Foz do Arelho)...
Finalmente o filme regressa ao seu início... desvendando-se então o documento...
A mensagem afinal reflectia sobre o facto de a terem encontrado. Era sinal que tinham destruído o seu património, o seu mundo, o império que Grandella tinha construído com tanto entusiasmo e amor... No entanto recomendava aos novos donos, à Foz do Arelho e em geral, a sua divisa de sempre “Sempre por bom caminho e segue”... Desejava, ainda para a Foz do Arelho (com quem tinha uma relação de amor) um desenvolvimento turístico, que desejava harmonioso, e para o qual via a necessidade de um "plano geral" que evitasse futuros "aleijões" urbanísticos... Desejava uma nova Veneza – com palacetes por entre os quais serpenteavam brilhando as águas da lagoa de Óbidos...
Agora só resta contratar o realizador, actores, e produtor. Guionista temos, espectadores entusiastas também.
o mundo a seus pés na foz do arelho do início do século.abre-se realmente o blog a outros temas e outras épocas,uma renovação positiva.dos blogues recomendados no ero,este e o da são cx evidenciam-se,o texto sobre a viagem da vida era excelente,estas colaborações exteriores são uma mais valia.bom ano a todos!j
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António J M disse...
Muito boa esta história de Grandela.
Li com muito interesse a história de Grandella que desconhecia completamente!! É sempre gratificante conhecer os locais onde uma cena de um filme ou de um livro se desenrola, mas duplamente no caso particular da Foz do Arelho,tão significativa pela sua beleza invulgar e pelas doces memórias que evoca! Muito interessante como o autor intercala as cenas e...mantem o "suspense"!
Abrir a porta do Blog a colaboradores para além dos ex-ERO,parece-me muito interessante.
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Obrigado, Vasco Trancoso, e parabéns (muito bem arrancado).
O romance está esboçado, a sinopse do filme delineada. A intriga, a emoção e «suspense» presentes. Agora só falta convidar um realizador à altura para o concluir o projecto e pôr a película num cinema perto de casa.
Vasco Trancoso traz-nos uma história de muito agradável leitura, sobre alguém de quem ouviamos falar, mas pouco mais que isso! A parte final é triste: hipoteca sobre hipoteca, e no fim o Banco tal, é que fica com os activos. Ontem como hoje, um dos maiores problemas dos grandes criadores de emprego, é o da sucessão dos fundadores das empresas.
12/14/2009
Laurinda Ferreira disse...
Fiquei presa às palavras e à sua capacidade e induzir imagens. Grande história! Espero que não se fique só pelo guião. Tem tudo para ser um êxito. Maravilhosa personagem, que será, certamente, inesquecível para o actor que tiver o privilégio de a protagonizar. Avance como projecto. Talvez encontre um “Grandella” para o financiar. E seria também um grande contributo para o desenvolvimento da Foz do Arelho, se os homens de visão da região forem capazes de o apoiar e acarinhar.
"Sempre por bom caminho e segue", também se aplica neste blog,agora com o excelente texto sobre um grande"Lover"da Foz do Arelho.
Ainda ninguém aqui referiu mas Vasco Trancoso tem um excelente livro sobre a figura de Francisco Almeida Grandella que os caldenses actuais tão mal conhecem.É pois urgente divulgar o Homem e a Obra e é certamente um prazer para todos nós que isso se faça também aqui no blogue.
Tanto quanto julgo saber, um considerável espólio de materiais referentes a Francisco de Almeida Grandela deu lugar em curto espaço de tempo à “feitura” de um livro, contendo a história das relações estreitas entre Grandella e a Foz do Arelho, pela 1ª vez editado em 1994, que viria a redundar numa 2ª edição em Março de 2009.
Submarino Amarelo disse...
Foi aqui pouco comentado "Fool On the Hill" cuja letra, como todas as dos Beatles, tem sido alvo de inúmeras tentativas de interpretação. As mais comuns identificam o “Fool” com Jesus, Hitler, Galileo Galilei, Karl Marx, Ghandi, Maharishi Mahesh Yogi... Porque não Grandella?
Não há obras-primas sem um toque de mistério e controvérsia….
Só uma palavra para comentar tudo o que li sobre Grandela e a Foz do Arelho - " EXCELENTE"
POSTAIS DE NATAL (1)
(fotografia de são Caixinha).
There is always music amongst the trees in the garden,
but our hearts must be very quiet to hear it.
Minnie Aumonier
post de São Caixinha, publicado em colaboração com o seu blogue AMBROSIA
Que surpresa São!Que fotografia linda!Já tinha visto no teu blog,mas não pensava estar aqui no nosso "Cantinho do ERO".Um jardim para quem adora flores....que melhor presente de Natal poderia eu receber da minha amiga São Cx!
Este post é uma modesta lembrança de Natal (fico contente que gostaste amiga!), na sequência de uma pequena homenagem que decidi fazer aos comentadores de AMBROSIA, mas as minhas saudações de Natal são naturalmente extensivas a todos os visitantes deste blogue! A mensagem será então, que a serenidade nos corações nos permita ouvir a música...dos dias!! (Oh...JJ a tua interpretação desta frase em relação á Júlia...até me faz reconsiderar o post que pretendo dedicar-te!!!) Boas Festas e Feliz Natal para todos!
A fotografia da São é muito bonita -a frase parece escrita para ela-este é sem dúdida um belo postal de Natal.Não sou artista como ela,não sei fazer desenhos nem tirar estas fotografias,mas aqui desejo também Bom Natal a todos!L
UMA VIAGEM
É difícil calcular a data da partida, sabemos a data de nascimento, mas o conhecimento de tudo o que nos envolve retarda a exactidão de quando começámos a caminhada…
Factos reais como a casa paterna, o local onde nascemos e a ida para escola funcionam na nossa mente como “apeadeiros” do percurso porque temos a certeza que fizeram parte da viagem.
Mas rapidamente o tempo vai marcando outras etapas do caminhante, sem ele dar conta, e a certo momento ele apercebe-se de que a distância percorrida desde o início já vai grande...

Mas parar a viagem é impossível.
Resta-nos a memória e as recordações de cada etapa para fazer o percurso inverso.
O sermos positivos nesta atitude conta como ponto construtivo, mesmo que algo mau haja na recordação será apenas uma alteração no percurso da qual temos consciência (conta apenas como experiência); as nossas palavras retratam imagens e pessoas numa sociedade em constante mutação, em que recordaremos o belo e bom encontrados nesta viagem, que nada mais é que nossa vida.
João Ramos Franco
Muito bonitos o texto de JRF, a sua viagem e a sua Atitude.
Sábias palavras de quem já percorreu muito caminho! Pena que nem sempre saibamos olhar em perspectiva as dores do presente. Tudo seria bem mais fácil!Quanta falta fazem estas visões nas multiplas escolas que a vida põe à disposição e a socieadade à obrigação. Para quando uma escola de sabedoria de vida?
Este post foi publicado em simultâneo aqui e no Blog do João (Estar Presente), numa colaboração que terá certamente mais frutos.
Que viagem linda do JRF!Um texto muito bonito para reiniciar,ou antes dar continuidade, ao nosso Blog...recordar o Apeadeiro por onde todos passámos!Obrigaga João!
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Ana Carvalho disse...
Olá JRF,
Que verdade este pensamento...gosto da ideia de viajantes no tempo!
Sim,todos somos viajantes no tempo mas gostávamos que a viagem fosse mais longa...
Afinal quantas colaboradoras com o nome Isabel tem este blogue?Conto a Isabel Belão,a Isabel Caixinha,a Isabel X,a IsabelVP,a Isabel S.,Isabel Noronha,Isabel Mesquita agora uma Isabel K.Das oito só conheço 3!

