ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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NANI BAROSA


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Faleceu na Suiça,onde residia,a nossa antiga colega Nani Barosa.Lembro-me de uma adolescente alegre e travessa,mas outros a conheceram melhor que eu. Aqui ficam os testemunhos de alguns deles. JJ


NANI



O irmão, a mãe e o pai da Ana Barosa gostariam que constasse no vosso site, Antigos Alunos ERO, a mensagem que foi lida no funeral da Ana Barosa ( Nani) feita pelos seus superiores e colegas na Aicep e Turismo de Portugal em Zurich.
Muito Obrigado.
Armando, Ivone e Armando jr


Ana Barosa

Estamos aqui hoje todos reunidos para acompanhar a nossa ANA no seu último caminho. É muito difícil aceitar que a ANA já não está entre nós, é muito difícil para nós como colegas ver a sua mesa vazia….

A ANA vai permanecer nos nossos corações não só pela excelente profissional que sempre foi mas e sobretudo pelo ser Humano Excepcional e tão Querido, a todos aqueles que tiveram o privilégio de a conhecer. Nutrimos pela ANA a maior admiração pela sua coragem e forma positiva como viveu cada dia da sua vida. Ana teve sempre o carinho e apoio da filha, dos pais e do irmão e para eles vão as nossas profundas condolências. Na nossa memória ficará para sempre o seu riso aberto e amigável….

Em nome da AICEP e do TURISMO de Portugal queremos dizer à nossa colega e amiga muito obrigada, pela dedicação ao trabalho, pela boa relação com os colegas e todas as pessoas com quem privou a sua vida profissional e pessoal.

Que descanse em PAZ.
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NANI (Lena Figueira)
Maria Helena Figueira

Conheci a Nani muito bem. Andava na minha turma e lembro-me dela andar sempre (ou quase sempre) acompanhada pela Salete. Fiquei com imensa pena e mais ainda por nunca mais ter tido algum contacto com ela. Ainda cheguei a vê-la na faculdade de Letras (se bem me lembro..) no primeiro ano mas nunca mais a vi. A minha vida passou a ser sempre em Lisboa e fiquei sempre com uma certa nostalgia do tempo do E.R.O. das Caldas onde estudei desde o meu 2ºano até ao 7ºano. Foi um bom tempo com muito boas recordações!! No blogue fiquei a saber que a Nani era uma pessoa muito admirada e fantástica. Tenho muita pena de não ter continuado a conviver com ela!...

to Switzerland with love
à janela (Inês Figueiredo)


NANI BAROSA (por Natália Pires)
Como amiga "no mundo" (como ela me dizia), não podia deixar de vos dizer que a cerimónia do funeral da Nani em Zug foi duma grande beleza e plena de emoção. À maneira Suiça, e na presença da urna com cinzas,houve música, leitura de poemas e leitura de textos e improviações de vários amigos e colegas. Não estive presente, por ter optado estar com ela no dia do seu aniversário, a 3 de Março, mas foi-me transmitido pelos pais, numa amálgama de desgosto e orgulho, o que esta cerimónia veio mais uma vez demonstrar - o quanto a Nani foi importante e especial para tanta gente. A seu pedido, as cinzas virão para Portugal e serão espalhadas nas areias da Foz do Arelho. E aí, continuará sempre connosco! Gostaria agora de responder pela Nani ao José Luis Alexandre sobre o livro de que falava "Train de Nuit pour Lisbonne". Ela leu-o, gostou muito e recomendou-mo. Tenho comigo a anotação do nome para o comprar e vou fazê-lo brevemente. Natália Pires

NANI (Libãnia)
Libania Lewis

Lembro-me da Nani, o seu sorriso atraente e maroto, cheia de energia, sempre simpática. Não éramos chegadas, ela um pouco mais velha que eu, no entanto era o tipo de pessoa que uma vez que se conhece nunca se esquece.

A BOLINHA (Carmo Franco)
Foi a minha melhor amiga nos primeiros anos do Colégio. Eu
era a “Barata Loira”, ela era a “Bolinha”, a Natália o “Parafuso”. Já não me lembro das razões destes cognomes que nos foram dados pelo P. António Emílio mas não acho que isso agora seja importante.

Nunca me esquecerei das tardes que passei em casa dela a ouvir os discos do Raúl Solnado do pai dela e também dos papo-secos quentinhos que lanchávamos à sexta-feira ou sábado quando o padeiro chegava a casa à tarde com a cesta do pão para o fim-de-semana. São tantos os momentos que me vêm à lembrança!

Entretanto acabámos por perder o contacto. Soube notícias dela há 2 ou 3 anos pelos pais que encontrei casualmente e a quem envio um grande abraço de solidariedade. Quanto a ti, amiga, um até sempre!... Estiveste e ficarás para sempre na minha memória.

Carmo Franco (hoje Carmo Lemos)


Olga Pereira Estou muito ,muito triste ,a minha amiga Nani,já não nos vai escrever as suas lindas e sentidas palavras.Fomos amigas não só do colégio mas desde que nascemos.Brincámos de pequeninas e mesmo agora,eu em Portugal e ela na Suíça ambas trabalhávamos para a mesma Instituição.Sempre a recordarei com saudade . Que descanses em Paz ,querida amiga. António José Figueiredo Lopes: Fiquei muito chocado ao saber do falecimento da Náni. Lembro-me bem da jovem alegre e feliz que era, e que depois, como muitos deixei de ver… para voltar a encontrar no “Blog”. Soube hoje que já estaria doente com gravidade há algum tempo. O pai que conheci bem em jovem, embora um pouco mais velho do que eu, penso que ainda estará para os EUA. Coloco uma interrogação sobre o funeral--- dia 21 quarta? Será que o funeral é cá? Um abraço A. J. F. Lopes Resposta: O corpo da Nani será cremado na Suiça; não está pois prevista qualquer cerimónia fúnebre em Portugal.

Salette Saraiva :

O funeral da Nani será na 4ª f , dia 21 de Abril. Há um mundo de coisas a dizer sobre a Nani. Um profundo amor á vida , aos seus , a enorme alegria , a entrega , o empenhamento e cuidado que dedicava a todos e a tudo.Era diferente e não deixava ninguém indiferente. Soube viver de uma forma extremamente participativa , atenta , solidária . Era muito inteligente e lúcida . Voluntariosa ,generosa , criativa , envolvente. Foi uma Amiga extraordinária.Deixa-me muita ,muita saudade. Agora não….mas mais tarde talvez me seja possível falar mais sobre ela. BeijinhoSalette Amélia Teotónio : Apesar de ser bem mais nova lembro-me perfeitamente da Nani e daquele seu bonito sorriso.Sinto um grande pesar pela sua partida.É mais um membro da família ERO que nos deixa...




Não conheci a Nani.Contudo,não posso deixar de sentir o que nestas ocasiões não se sabe exprimir. Cada colega que "parte", deixa-nos de luto.


Ana Nascimento : Oh que tristeza senti ao saber da tua partida miúda... pena de não ter falado contigo e de te poder dar um abraço . Ficou o teu sorriso e essas covinhas marotas ... Deus te guarde Nani , beijinhos


Laura Morgado : Não convivi com a Nani, mas não deixo de ficar com muita pena! Cada colega que parte é um vazio que fica!Tal como diz a Manuela, ficamos de luto.


Maria Do Rosário Pimentel : Não há palavras...!Estamos de luto. Anabela Miguel : Que tristeza ao abrir o blog e deparar-me com a foto da Nani com a notícia da sua morte. Convivemos em pequeninas e mais tarde no colégio. Onde quer que estejas miúda um grande beijinho de muita saudade.




Não partiu sem nos deixar uma despedida. Uma saudade.



Lamento a perda, mas a nani não estava nos eua , ha muitos anos que nao sabia dela.



A Nani fazia parte da nossa Familia do ERO! Não há palavras que descrevam a perda de alguém....que descanse em Paz e ficamos com a imagem do seu soriso.



Muito triste... I


Inês Figueiredo :
'tristeza não tem fim, felicidade sim' Um beijo, Zé Carlos Diria que a Nani 'faz' parte da nossa Família do ERO. Graças ao blog, continua presente no mundo virtual.


Jose Luis Alexandre : Dificil abrir o Blog e deparar-se com uma frase tão triste a acompanhar uma foto que, toda ela ,é beleza e felicidade. Não conheci a Nani, mas ainda um dia lhe vou perguntar: - Afinal miúda, chegaste a ler Train de Nuit pour Lisbonne ?


ana lucia : Para a familia da Nani Barbosa os meus sentidos pêsames. Ana Lucia


Guida : Apesar de ser mais nova do que eu lembro-me muito bem da Nani Barosa. Sempre sorridente, alegre, simpática. Mais uma de nós que parte e deixa saudade. Lembra-nos que nada é eterno, tudo é fugaz. Adeus Nani.


JJ :

Respondendo a várias interrogações de colegas, informo que o corpo da Nani será cremado na próxima Quarta-Feira na Suiça; não está prevista, naturalmente, qualquer cerimónia fúnebre em Portugal.



A BOLINHA

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Foi a minha melhor amiga nos primeiros anos do Colégio. Eu era a “Barata Loira”, ela era a “Bolinha”, a Natália o “Parafuso”. Já não me lembro das razões destes cognomes que nos foram dados pelo P. António Emílio mas não acho que isso agora seja importante.
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Nunca me esquecerei das tardes que passei em casa dela a ouvir os discos do Raúl Solnado do pai dela e também dos papo-secos quentinhos que lanchávamos à sexta-feira ou sábado quando o padeiro chegava a casa à tarde com a cesta do pão para o fim-de-semana. São tantos os momentos que me vêm à lembrança!
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Entretanto acabámos por perder o contacto. Soube notícias dela há 2 ou 3 anos pelos pais que encontrei casualmente e a quem envio um grande abraço de solidariedade. Quanto a ti, amiga, um até sempre!... Estiveste e ficarás para sempre na minha memória.

Carmo Franco (hoje Carmo Lemos)


Não resisto a enviar um autógrafo que a Nani me deu no dia em que fiz 13 anos!... Naquela altura todos tínhamos livros de autógrafos.
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C O M E N T Á R I O S

Maria Helena Arroz disse...
Olá "Barata Loira"

O Padre António achava-vos muita graça porque vocês eram muito pequeninas e não paravam quietas a brincar. Já repararam no tamanho da Nani que vai de mão dada comigo na roda exterior? A nossa diferença de idade deve ser para aí de 3 ou 4 anos, mas a nossa diferença de altura, quando vocês chegaram ao primeiro ano, é incrível.Por isso é que eu, que era muito maternal e protectora, passava o tempo a pegar-vos ao colo. Depois a Nani vestia uns vestidinhos com muita roda e sempre a correr de um lado para o outro parecia uma Bolinha.Tu eras muito loirinha e tinhas uns caracolinhos muito engraçados.

Beijinhos

Lena Arroz, com saudades da Nani

AINDA 1975 (A. Justiça)

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Alfredo Justiça escreveu:
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Fiz a guerra colonial numa província onde, assim que coloquei os pés em terra firme, no porto marítimo da Beira, senti, por parte dos chamados colonos, o ódio da recepção ao ponto de proferirem, cara a cara, sem pejo e respeito o seguinte apupo:
- Que vens para aqui fazer? Terrorismo? Não precisamos cá de ti.
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Jorge comentou:
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Não refere a data em que tal facto aconteceu. Se foi em 1975, talvez encontre explicação para a recepção que teve. Eu estava em Angola na altura, às voltas com o meu repatriamento e as histórias que corriam sobre o comportamento dos militares em Moçambique no periodo de 1974-75 até à sua independência, não eram nada abonatórias da farda que vestiam.
Cordiais cumprimentos.
Jorge Nicola
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Alfredo respondeu:
Amigo Jorge Nicola, se tivesse acompanhado o Blog saberia que estive na guerra colonial em Moçambique nos anos 1971, 1972 e 1973 e que fiz a comissão em Mueda, Cabo Delgado, Planalto dos Makondes, fronteira com a Tanzânia.


Por outro lado a farda não se veste, enverga-se, e usa-se com orgulho e devoção pátrio que, parece, é coisa que hoje não se sabe bem o significado.

O ambiente de guerra existente em Angola era bem diferente do de Moçambique pois em Luanda era mesmo “ali ao lado” enquanto que Lourenço Marques estava a mais de mil kilómetros e os combates só aconteciam de Nampula para cima, norte, ela nunca veio para sul e as evacuações em helicópteros, de feridos e mortos, não sobrevoavam estas cidades pelo que, até sobre este aspecto, estas cidades eram poupadas ao flagelo não só da guerra como, bem pior, psicologicamente.

Não direi que o desconhecimento, na capital, sobre o que se passava “nas zonas quentes” era total mas as noticias eram bem filtradas, só assim se percebe o porquê da proibição do uso de camuflado e bem assim o uso de trajo civil aquando qualquer estadia nestas cidades do sul, se não estivéssemos de serviço.

Só que ninguém avisou “os checas”, quando desembarcamos no porto da Beira, que o deveríamos fazer à civil e não fardados, com a agravante de ostentarmos divisas amarelas nos ombros transformando-nos assim em responsáveis e ofensores à boa harmonia, paz e tranquilidade de um burgo que tinha uma vaga ideia de que, talvez, a mil kilómetros lá mais para norte se travassem combates de vida e morte, na tentativa de travar a ascensão comunista evitando que estes tomassem conta de território avesso a este regime politico.

Recordo que, anos mais tarde, muitos anos mesmo, em conversa com amigos, alguns deles com cerca de 80 anos de idade, disse que, numa incursão que fiz ao cemitério de Mueda, ainda lá vi campas de militares que tinham morrido durante a segunda guerra mundial, na defesa da fronteira norte de Moçambique contra os alemães. Passei por mentiroso fantasista porque o país não tinha entrado nessa guerra e por conseguinte não houve mortes. Fiquei atónito a olhar para as pessoas que me contradiziam. Será que pensam que durante 500 anos só nesta época, a da guerra colonial, é que foram enviados militares defenderem as províncias ultramarinas?... mas depois caí em mim e lembrei-me do tabu em volta da vivência, não secreta, mas muito restrita, do que por lá acontecia.
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Por isso, amigo Jorge, não acredite em tudo o que os interesses instalados fizeram circular em Luanda no ano de 1975. Não saio em defesa ou repúdio para a sua frase “e as histórias que corriam sobre o comportamento dos militares em Moçambique no período de 1974-75 até à sua independência, não eram nada abonatórias da farda que vestiam.” Não estava lá, nem em Angola nem em Moçambique, para aquilatar o ambiente vivido mas dificilmente me convencem que homens, especialmente furriéis, alferes, tenentes e capitães, enfim os milicianos, homens com conhecimento e cultura acima da média se comportassem fora de ética que desde os bancos da escola nos foi ensinada.

Analisemos :

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As guerras em Angola, Guiné e Moçambique não são comparáveis por vários factores que as distinguem mas principalmente porque:
1. A guerra em Angola despoletou-se em Luanda, a capital, e foi“empurrada” para o exterior da cidade na tentativa, conseguida, de a afastar desta metrópole transportando-a para províncias situadas a centenas de kilómetros. Anos depois a capital só tinha conhecimento da existência da guerra porque pelo seu espaço aéreo circulavam os helicópteros transportando os militares doentes, feridos ou mortos;
2. Na Guiné, igualmente estalou na capital, Bissau, e de lá estendeu-se a toda a região e a todo o País, nunca de lá saiu e nos anos vindouros continuou acesa e cada vez mais intensa devido,principalmente, ao empenho de países, ditos comunistas, mais oportunistas que comunistas, que forneciam, instruíam e instigavam à luta através da colocação no território de mais e melhor equipamento e armamento;
3. Em Moçambique as coisas passaram-se de forma diferente. A guerra colonial estalou em Mueda, mais propriamente no Chai, Província de Cabo Delgado, norte do País, e estendeu-se a Tete e Niassa, regiões situadas a mais de mil kilómetros da capital, Lourenço Marques e de outras importantes cidades, capitais de província, Quelimane e Beira, que da guerra apenas ouviam falar por alto e em noticias devidamente filtradas, e para que assim fosse a intensa permanência da policia politica para que não houvesse devaneios com estórias de combates, mortes e atitudes e feitos pouco dignificantes, mas naturais em toda e qualquer guerra. Todo e qualquer militar de licença nestas cidades estava terminantemente proibido de envergar o camuflado, muito menos transportar armas acima de corta-unhas. Aliás, deveriam de preferência, vestir “à civil”.Com esta “politica” as gentes destes burgos só de quando em vez,talvez, lhes viesse ao cérebro que havia uma guerra, guerra essa que,para além de outras motivações, os militares mantinham longe, lá para o norte, acima da capital militar, Nampula, nunca permitindo aexpansão para sul. Lutava-se, morria-se e evacuavam-se para o hospital da capital militar e dali saiam, os mortos devidamente encaixotados,de avião para a metrópole ou de barco, onde eram embarcados no porto de Nacala ou Porto Amélia não incomodando as boas gentes das capitais do sul.
“Bem vindos a Mueda, Terra da guerra, Aqui trabalha-se luta-se e morre-se”.Foi com estas palavras que cheguei a Mueda. Elas encontravam-se escritas num cartaz de boas-vindas colocado no arame farpado que delimitava a zona militar.

Foi já instalado há vários dias em Mueda que tomei conhecimento das“zonas quentes” e orientações da luta, nessa altura fazendo uma introspecção à memória recente, compreendi a atitude dos “colonos”brancos no porto da Beira. Para eles eu era o terrorista que ia fazera guerra… afinal nem sabiam o que se passava tal a eficácia da nossa acção em confinar a guerra no norte de Moçambique longe dos seus olhares e calada aos seus ouvidos.

Ignorantes é o mínimo presenteio que lhes posso dispensar. Com o passar do tempo perdoei-os. Afinal nada sabiam. Mas este magnânimo gesto não o dispenso aos muitos outros ignorantes que, após a Revolução dos Cravos, escamotearam com maléficas e insidiosas mentiras e artimanhas, - “… assassinos dos nossos irmãos negros” - com que fomos mimoseados, e que, de naturais heróis, passámos a proscritos da Nação.

E o “lindo” deste anedotário, tornaram-se nos potentados dirigentes de “massas” que dirigiram tão bem essas “massas”, e as outras massas,ao ponto de levarem o País à dependência de mingua. Da altivez e orgulho de uma Nação que deu Novos Mundos ao Mundo passamos à ridícula e vergonhosa “pedincha”.

Apesar de tudo continuo a gritar bem alto “Viva o 25 de Abril” mas acrescento… abaixo os que se aproveitaram da liberdade alcançada para vigarizar, roubar e enxovalhar este povo que continua puro e a ser com orgulho, simplesmente Português.

Um abraço

A.Justiça

C O M E N T Á R I O S

PLB disse...
Caro Alfredo Justiça: A alusão à segunda guerra mundial, em Moçambique, foi com certeza um lapso, na primeira guerra mundial é que tivemos que defender a fronteira norte de Moçambique dos alemães.

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_mocam02.html

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_mocam04.html

abraço. Pedro Bandeira

Inês disse:

Eu não fui à tropa... mas nem era preciso assentar praça para entrar na guerra. Vi partir primos, irmão, amigos, vizinhos. Escrevi aerogramas de adeus-até-ao-meu-regresso.
Em 62 partilhava a camarata com estudantes ultramarinas, a Leonete sonhava com as cores do pôr do sol na Ilha de Luanda e a Fernanda com as maravilhas da sua Inhambane. A guerra estava no início e não fazia parte das nossas conversas de caloiras. Como a Irene da sua história, elas tinham mentalidades bem abertas. A África dos grandes espaços tinha muito pouco a ver com o Portugal minúsculo e limitado.
Do 25 de Abril recordo sobretudo a frase "A guerra acabou!" gritada pelos rapazes. Até então desculpavam-se quando não estudavam com um desalentado "Não vale a pena, professora. Vamos ser carne para canhão."
Foi bonita a festa, pá!
Bj
Inês

ANGOLA, MARÇO DE 1966

.por João Ramos Franco
(em resposta a um comentário de Jorge Nicola)
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Angola, Março de 1966 – Negage – Sector de Carmona

Carmona, região onde a riqueza produzida depende, essencialmente, das Roças de Café.
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Encontro-me aquartelado na povoação do Negage, com a missão de reforço operacional à 3ª Companhia do batalhão de Caçadores de Carmona.
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São conhecidas nesta região como pontos nevrálgicos de aquartelamento dos guerrilheiros inimigos as Serras de Uige, Pingano, Quitoque, Mucaba e Quijoão.
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Em Março de 1996, após a tomada da base táctica nº 1 da Serra do Pingano, começámos a operar a partir daí para efectuarmos a operação de limpeza daquela serra.
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No mês seguinte à abertura da Base, devido à segurança da mesma e à extensão da serra, numa patrulha que o meu grupo faz deparáramos com mais um acampamento inimigo, que conseguimos tomar após forte oposição. Assegurada a tomada da posição e as devidas precauções prevenindo qualquer contra-ataque, comunicámos com a Base dando conta da situação, da qual recebemos ordem para aguardar porque iríamos ser substituídos por um pelotão de vinha da Companhia aquartelada em Zalala.
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Entre os despojos de combate é encontrado um cesto com correspondência trocada entre os guerrilheiros e os Senhores do Café em que é focada a necessidade de mais apoio na compra do café produzido no cimo da serra (chamado café de candonga), para a aquisição de armamento, principalmente.
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Passam-se talvez 15 dias depois deste achado e dá-se o meu regresso ao Negage. As viaturas param frente ao Quartel, do outro lado da rua é o clube dos senhores do café que também era frequentado por nós, eu dirijo-me ao para lá e sento-me à mesa com o Capitão (era capitão miliciano):
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- Então pá, ‘tás assim com tanta sede? Dêm aí um whisky! - diz o Capitão.
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Pouso o cesto com os documentos encontrados na serra sobre mesa, bebo o gole, e digo para o Capitão:
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- Lê isso que está no cesto e diz-me se é preciso ir matar para o cimo da Serra ou se começo já por aqui… (estavam muitos senhores do café presentes quando falei).
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Saí do clube com o Capitão e, ainda não tinham passado 24 horas, recebo ordem para arrancar para Kimariamba, a cerca de 300 quilómetros, junto da fronteira com o Congo…
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Sei que deveria ter descansado três dias, pelo menos, antes de ter recebido as ordens que recebi e tenho a certeza que não foi o capitão que comunicou o que eu disse ao Comando de Batalhão em Carmona … então quem foi?
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Sei que disseram:
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- Ele está louco, é um perigo.
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O que esta gente não sabia é que além de ter salvo a vida ao Capitão, já era amigo dele antes ir para a tropa. Não morri, que era o mais fácil de me acontecer em Kimariamba, e vim a saber exactamente tudo o que eles fizeram.
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João Ramos Franco
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C O M E N T Á R I O S
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Alfredo disse...
João Franco
Francamente até concordo com os senhores quando afirmam:
• Ele está louco, é um perigo.
E escapaste?!!! Regressaste são e escorreito?!!! Quer dizer… entras no “ninho das víboras” e dizes uma coisa dessas… assim, sem mais nem menos. Bem sei que quando se é novo a irreverência anda à flor da pele, mas nessa idade também já sabíamos que precaução e “caldos de galinha” nunca fizeram mal a ninguém. Cada um é como cada qual… e os rebates de fúria e indignação mostram-se das mais variadas maneiras. Essa foi uma maneira perigosa para a tua integridade física. Compreendo-a no entanto… afinal fomos enviados para tão longe para defender os bens destes “meninos” e estes traiam e… podes crer que vivem, actualmente, sem pesos de consciência… porque isso é coisa que não têm.
Não me alongo mais contando situações semelhantes passadas na outra província, banhada por outro mar, senão o JJ transforma-o em crónica quando o objectivo é somente comentar.
Um abraço
A.Justiça
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JJ disse:
Quero esclarecer, a propósito da "transformação" de que fala o Justiça no seu comentário, que a edição do Blog não faz alquimia... Este post, por exemplo, foi escrito como uma resposta a um comentário mas merecia claramente a atenção que normalmente se dá aos posts. O mesmo aconteceu com um texto do Alfredo Justiça, que estará aqui amanhã, e é por isso que ele se "queixa". A ele e ao João um obrigado por enriquecerem com os seus excelentes depoimentos pessoais este debate.
Um abraço. JJ
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Anabela disse:
Não tencionava intervir mais no tema "Guerra Colonial" mas, ao ler a resposta de João Ramos Franco a um comentário, não pude ficar indiferente.
Recordei uma conversa que o meu Pai teve sobre uma situação que os intrigava bastante, quando estavam a defender uma roça de café algures em Angola.O seu proprietário saía para a picada e nada lhe acontecia, mas logo que saía uma coluna militar era de imediato atacada pelos terroristas.Do que eles desconfiavam, mais tarde tiveram a confirmação - o dito Senhor estava conivente com os guerrilheiros.....Os seus bens a serem protegidos e a recompensa era a Traição!!!
Era só isto que eu queria dizer.
Um abraço
Anabela Miguel
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Inês F disse:
Por estes dias no blog o tema é ‘quente’. Apesar dos anos que passaram, a colonização e a descolonização das províncias ultramarinas continuam “encaixotadas” no porão dos nossos pesadelos.
Trazer para a luz do dia os retratos da época colonial, com os diferentes ângulos de visão, autenticados por quem viveu por dentro essa época, parece-me simples e lógico.Está mais que na hora de exorcizar os fantasmas e arejar os pesadelos. Antes que a peça termine e se apaguem as luzes desta nossa ribalta.
Inês
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Luis disse:
Extraordinário relato, com localização precisa da acção no Espaço e no Tempo e uma história interessante que constituiu,para mim, uma revelação de algo que desconhecia em absoluto!Tem razão a Drª Inês quando diz que falta saber muita coisa!Abraço e parabéns ao João Franco.Luis
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Joaquim disse...
Presentemente um dos meus "hobbies" é viajar até ao " blog" da E.B.Pinheiro e dar uma saltada até aos alunos do R. Ortigão.
Toda esta geração dos anos 70s (novos adultos), comparando com os anos 60s, já eu estava com o serviço militar cumprido e a uma grande distância do nosso querido Portugal.
O J.J. fala-nos duma (quase verdadeira) estória muito bem contada da Irene e do Jorge (certamente houve muitos Jorges e Irenes) após o 25 de Abril e eu confesso que gostei imenso, Nessa altura para mim existiam apenas as noticias de alguns ainda jovens jornais portugueses ou estações radiofónicas "escassas" a darem-me algumas novas desses tempos.
Dos nomes que por aí aparecem a dar opiniões, apenas o João Franco é da minha geração e fomos quase dos primeiros a ir para essa guerra desconhecida. Era o ano de 1963 quando eu embarquei no, maldito para muitos, "Vera Cruz" para Angola ou melhor, para as "Áfricas", pois era o nome que o Zé Povinho chamava a esses lugares distantes.
Eu gostaria de mencionar que quando cheguei a Luanda, era ainda um jovem de 22 anos e com o posto de Furriel Miliciano, como talvez levasse escudos fui logo alvo da "caça" de alguns civis que, pensando que eu certamente era portador de dinheiro do Banco de Portugal, ofereciam até 60% acima do seu valor em angolares, visto que esse banco de Angola não existia e assim teriam uma maior chance de se salvaguardarem de ficarem monetariamente sem nada no caso de uma independência repentina.
Confesso que não senti da parte dos luandenses (não digo colonos,porque todos nós em terras americanas, o somos) alguma indiferença ou algo desagradável a mim dirigido quando da minha chegada a Luanda mas, quando regressei a essa mesma cidade nos fins de 64, então já era totalmente diferente, mas nada comparado com alguns fazendeiros que diziam que não precisavam nada de nós, talvez porque se criou na altura um programa (tardio) a que foi dado o nome "Psico" e em que se podia fazer queixa de qualquer abuso tanto civil como militar contra o angolano de cor.
Quando do meu regresso a Portugal em Fevereiro de1966, também aí em Portugal éramos mal vistos por certas pessoas, mas voltando atrás 40, 50 anos - defender a Pátria era um dever ou pelo menos era o "brain wash" que nos davam.
Em Setembro de 1966 parti para outros horizontes e só passado oito anos se conheceu a palavra democracia em Portugal - palavra que quer no Parlamento, quer em reuniões de politica, se abusa dela sem se saber o seu verdadeiro significado, porque já nasceram com ela.
Uma pequena estória vos conto. Um soldado do meu pelotão "O Paredes" deixou sua noiva muito chorosa quando partiu, só que ela para alimentar a sua dor, através da Revista Plateia tornou-se "madrinha de guerra" de um outro soldado que tinha embarcado antes do noivo e como regressou antes do mesmo, pediu para casar com ela e disse-lhe que pobre Paredes no lugar onde estava, "Nambuangongo", não tinha chance alguma de escapar com vida e a partir da última carta não mais escreveria, o que aconteceu.Eu sei deste acontecimento, porque o Paredes tinha apenas a segunda classe e era eu que o ajudava nas leituras e escritas das mesmas e também me senti derrotado.
Nos anos 60s eram muito populares as "madrinhas de guerra" e um número considerável deu em casamento.
Quem quiser por curiosidade pode ir ao Google e escrever a palavra Nambuangongo e aí terão uma imagem dessa terra perdida em Angola.
Joaquim