ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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JANTAR DE PROFESSORES EM 1971

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JJ disse:
Ao contrário dos alunos, os professores do ERO não esperaram sair do colégio para organizar uns almoços e jantares entre si, esquecendo obviamente o proletariado estudantil, que não tinha direito a nada...
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Já aqui publicámos fotografias de jantares de Natal, estas são do final do ano lectivo de 1970/1971.
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Inês respondeu:
O dito proletariado estudantil tinha o direito de viver totalmente entregue à sua adolescência, e nem precisava de jantar... enquanto os professores apenas petiscavam o magro convívio dos intervalos, que lhes abria o apetite para uma ceia mais formal.
Imagino um mistério nesta sequência fotográfica, um sentido futurista. “Um dia, daqui a muitos anos, vamos voltar a encontrar-nos num sítio virtual, numa nave especial chamada blogue. Tal qual estamos, tal qual somos. Sorriam pois!”
E em cada foto me parece que se falou de um futuro chamado blogue, mas que ninguém acreditou. Porém, sorriu!
E afinal era verdade!
BJ, JJ
Inês
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Isabel Xavier legendou:
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É bom rever tanta gente amiga e marcante da nossa juventude, agora que já todos somos "velhotes"! E que bom aspecto tinham! Não é por acaso que a Ana Vieira Lino ganhava todos os anos o prémio "Miss Casino"! Eu votava sempre nela.
. 1ª - Dra. Inês; D. Rosa; Ana V. L.; D. Clarisse.
2ª - D. Esperança (em parte); Dr. Serafim; D. Clarisse.

3ª - Dra. Noémia; Dra. Júlia; Dra. Inês; Drª Cristina.
4ª - D. Esperança; D. Anita; Dra. Inês; Dra. Margarida.

5ª - Dr. Lopes; Elisa Maria; Dra. Deolinda; D. Dora.



6ª - Madame Nicole; Drªa Inês; Dra. Deolinda; D. Dora.



7ª - Ana V. L.; Dra. Noémia; Dra. Júlia.

8ª - Dra. Margarida; Dra. Deolinda (de pé); D. Anita; D. Rosa (de pé);
D. Esperança (a levantar-se); por trás, Sr. Faria e Padre Renato (ou parte dele).

9ª - Ana V.L.; Dra. Noémia; (?); Dra. Inês; Elisa Maria; Dr. Lopes.
Quem será "?"? O marido da Dra. Inês? Não sei, não o conhecia. Como aparece a seu lado... ponho essa hipótese.Bjinhos
- Isabel Xavier -

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miniprofa disse...
Isabel Xavier
Acertou! É mesmo o meu marido, Luís Filipe.
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António José Lopes disse:
Que bom voltar ao passado, quase 40 anos nos separam destes “flashes”.
De notar que não eram assim tantos os jantares, apenas três por ano lectivo. No inicio do ano, antes de começarem as aulas e após uns dias de reuniões preparatórias, pelo Natal e a despedida no início das férias.
Foi sem dúvida o melhor período da minha vida, um tempo que recordo com saudade, acho que gostei mesmo de ser professor. Foi uma grande aventura. Em 71 já estava prestes a deixar o ensino para embarcar noutras aventuras. Olho para as fotos com “mixed feelings”a alegria das boas recordações contrasta com a tristeza de recordar os que já partiram.
Um abraço A.J.F.L.
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Luisa disse:
Alguém tem alguma informação sobre a Júlia e a Noémia? Um contacto, telefone ou morada?Nunca mais soube nada delas.Gostei muito de ver aqui estas fotografias!Luisa
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Anónimo disse...
A Dra. Noémia Félix faleceu nos finais de 2009.
A Dra. Noémia Félix, ainda que alentejana de nascimento, vivia há muitos anos na Portela de Loures e estava reformada do ensino secundário.
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António disse:
Realmente a Julia,a Noémia,a Ana Vieira Lino,a Helena,nunca vieram ao nosso encontro.Das professoras desse tempo só a Inês nos deu o prazer da sua companhia.Não há contactos delas?
Percebo que não se possa fazer um blogue só de fotografias mas estas dão sempre muito prazer a ver...Obrigado,abraço.
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NANI BAROSA


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Faleceu na Suiça,onde residia,a nossa antiga colega Nani Barosa.Lembro-me de uma adolescente alegre e travessa,mas outros a conheceram melhor que eu. Aqui ficam os testemunhos de alguns deles. JJ


NANI



O irmão, a mãe e o pai da Ana Barosa gostariam que constasse no vosso site, Antigos Alunos ERO, a mensagem que foi lida no funeral da Ana Barosa ( Nani) feita pelos seus superiores e colegas na Aicep e Turismo de Portugal em Zurich.
Muito Obrigado.
Armando, Ivone e Armando jr


Ana Barosa

Estamos aqui hoje todos reunidos para acompanhar a nossa ANA no seu último caminho. É muito difícil aceitar que a ANA já não está entre nós, é muito difícil para nós como colegas ver a sua mesa vazia….

A ANA vai permanecer nos nossos corações não só pela excelente profissional que sempre foi mas e sobretudo pelo ser Humano Excepcional e tão Querido, a todos aqueles que tiveram o privilégio de a conhecer. Nutrimos pela ANA a maior admiração pela sua coragem e forma positiva como viveu cada dia da sua vida. Ana teve sempre o carinho e apoio da filha, dos pais e do irmão e para eles vão as nossas profundas condolências. Na nossa memória ficará para sempre o seu riso aberto e amigável….

Em nome da AICEP e do TURISMO de Portugal queremos dizer à nossa colega e amiga muito obrigada, pela dedicação ao trabalho, pela boa relação com os colegas e todas as pessoas com quem privou a sua vida profissional e pessoal.

Que descanse em PAZ.
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NANI (Lena Figueira)
Maria Helena Figueira

Conheci a Nani muito bem. Andava na minha turma e lembro-me dela andar sempre (ou quase sempre) acompanhada pela Salete. Fiquei com imensa pena e mais ainda por nunca mais ter tido algum contacto com ela. Ainda cheguei a vê-la na faculdade de Letras (se bem me lembro..) no primeiro ano mas nunca mais a vi. A minha vida passou a ser sempre em Lisboa e fiquei sempre com uma certa nostalgia do tempo do E.R.O. das Caldas onde estudei desde o meu 2ºano até ao 7ºano. Foi um bom tempo com muito boas recordações!! No blogue fiquei a saber que a Nani era uma pessoa muito admirada e fantástica. Tenho muita pena de não ter continuado a conviver com ela!...

to Switzerland with love
à janela (Inês Figueiredo)


NANI BAROSA (por Natália Pires)
Como amiga "no mundo" (como ela me dizia), não podia deixar de vos dizer que a cerimónia do funeral da Nani em Zug foi duma grande beleza e plena de emoção. À maneira Suiça, e na presença da urna com cinzas,houve música, leitura de poemas e leitura de textos e improviações de vários amigos e colegas. Não estive presente, por ter optado estar com ela no dia do seu aniversário, a 3 de Março, mas foi-me transmitido pelos pais, numa amálgama de desgosto e orgulho, o que esta cerimónia veio mais uma vez demonstrar - o quanto a Nani foi importante e especial para tanta gente. A seu pedido, as cinzas virão para Portugal e serão espalhadas nas areias da Foz do Arelho. E aí, continuará sempre connosco! Gostaria agora de responder pela Nani ao José Luis Alexandre sobre o livro de que falava "Train de Nuit pour Lisbonne". Ela leu-o, gostou muito e recomendou-mo. Tenho comigo a anotação do nome para o comprar e vou fazê-lo brevemente. Natália Pires

NANI (Libãnia)
Libania Lewis

Lembro-me da Nani, o seu sorriso atraente e maroto, cheia de energia, sempre simpática. Não éramos chegadas, ela um pouco mais velha que eu, no entanto era o tipo de pessoa que uma vez que se conhece nunca se esquece.

A BOLINHA (Carmo Franco)
Foi a minha melhor amiga nos primeiros anos do Colégio. Eu
era a “Barata Loira”, ela era a “Bolinha”, a Natália o “Parafuso”. Já não me lembro das razões destes cognomes que nos foram dados pelo P. António Emílio mas não acho que isso agora seja importante.

Nunca me esquecerei das tardes que passei em casa dela a ouvir os discos do Raúl Solnado do pai dela e também dos papo-secos quentinhos que lanchávamos à sexta-feira ou sábado quando o padeiro chegava a casa à tarde com a cesta do pão para o fim-de-semana. São tantos os momentos que me vêm à lembrança!

Entretanto acabámos por perder o contacto. Soube notícias dela há 2 ou 3 anos pelos pais que encontrei casualmente e a quem envio um grande abraço de solidariedade. Quanto a ti, amiga, um até sempre!... Estiveste e ficarás para sempre na minha memória.

Carmo Franco (hoje Carmo Lemos)


Olga Pereira Estou muito ,muito triste ,a minha amiga Nani,já não nos vai escrever as suas lindas e sentidas palavras.Fomos amigas não só do colégio mas desde que nascemos.Brincámos de pequeninas e mesmo agora,eu em Portugal e ela na Suíça ambas trabalhávamos para a mesma Instituição.Sempre a recordarei com saudade . Que descanses em Paz ,querida amiga. António José Figueiredo Lopes: Fiquei muito chocado ao saber do falecimento da Náni. Lembro-me bem da jovem alegre e feliz que era, e que depois, como muitos deixei de ver… para voltar a encontrar no “Blog”. Soube hoje que já estaria doente com gravidade há algum tempo. O pai que conheci bem em jovem, embora um pouco mais velho do que eu, penso que ainda estará para os EUA. Coloco uma interrogação sobre o funeral--- dia 21 quarta? Será que o funeral é cá? Um abraço A. J. F. Lopes Resposta: O corpo da Nani será cremado na Suiça; não está pois prevista qualquer cerimónia fúnebre em Portugal.

Salette Saraiva :

O funeral da Nani será na 4ª f , dia 21 de Abril. Há um mundo de coisas a dizer sobre a Nani. Um profundo amor á vida , aos seus , a enorme alegria , a entrega , o empenhamento e cuidado que dedicava a todos e a tudo.Era diferente e não deixava ninguém indiferente. Soube viver de uma forma extremamente participativa , atenta , solidária . Era muito inteligente e lúcida . Voluntariosa ,generosa , criativa , envolvente. Foi uma Amiga extraordinária.Deixa-me muita ,muita saudade. Agora não….mas mais tarde talvez me seja possível falar mais sobre ela. BeijinhoSalette Amélia Teotónio : Apesar de ser bem mais nova lembro-me perfeitamente da Nani e daquele seu bonito sorriso.Sinto um grande pesar pela sua partida.É mais um membro da família ERO que nos deixa...




Não conheci a Nani.Contudo,não posso deixar de sentir o que nestas ocasiões não se sabe exprimir. Cada colega que "parte", deixa-nos de luto.


Ana Nascimento : Oh que tristeza senti ao saber da tua partida miúda... pena de não ter falado contigo e de te poder dar um abraço . Ficou o teu sorriso e essas covinhas marotas ... Deus te guarde Nani , beijinhos


Laura Morgado : Não convivi com a Nani, mas não deixo de ficar com muita pena! Cada colega que parte é um vazio que fica!Tal como diz a Manuela, ficamos de luto.


Maria Do Rosário Pimentel : Não há palavras...!Estamos de luto. Anabela Miguel : Que tristeza ao abrir o blog e deparar-me com a foto da Nani com a notícia da sua morte. Convivemos em pequeninas e mais tarde no colégio. Onde quer que estejas miúda um grande beijinho de muita saudade.




Não partiu sem nos deixar uma despedida. Uma saudade.



Lamento a perda, mas a nani não estava nos eua , ha muitos anos que nao sabia dela.



A Nani fazia parte da nossa Familia do ERO! Não há palavras que descrevam a perda de alguém....que descanse em Paz e ficamos com a imagem do seu soriso.



Muito triste... I


Inês Figueiredo :
'tristeza não tem fim, felicidade sim' Um beijo, Zé Carlos Diria que a Nani 'faz' parte da nossa Família do ERO. Graças ao blog, continua presente no mundo virtual.


Jose Luis Alexandre : Dificil abrir o Blog e deparar-se com uma frase tão triste a acompanhar uma foto que, toda ela ,é beleza e felicidade. Não conheci a Nani, mas ainda um dia lhe vou perguntar: - Afinal miúda, chegaste a ler Train de Nuit pour Lisbonne ?


ana lucia : Para a familia da Nani Barbosa os meus sentidos pêsames. Ana Lucia


Guida : Apesar de ser mais nova do que eu lembro-me muito bem da Nani Barosa. Sempre sorridente, alegre, simpática. Mais uma de nós que parte e deixa saudade. Lembra-nos que nada é eterno, tudo é fugaz. Adeus Nani.


JJ :

Respondendo a várias interrogações de colegas, informo que o corpo da Nani será cremado na próxima Quarta-Feira na Suiça; não está prevista, naturalmente, qualquer cerimónia fúnebre em Portugal.



A BOLINHA

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Foi a minha melhor amiga nos primeiros anos do Colégio. Eu era a “Barata Loira”, ela era a “Bolinha”, a Natália o “Parafuso”. Já não me lembro das razões destes cognomes que nos foram dados pelo P. António Emílio mas não acho que isso agora seja importante.
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Nunca me esquecerei das tardes que passei em casa dela a ouvir os discos do Raúl Solnado do pai dela e também dos papo-secos quentinhos que lanchávamos à sexta-feira ou sábado quando o padeiro chegava a casa à tarde com a cesta do pão para o fim-de-semana. São tantos os momentos que me vêm à lembrança!
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Entretanto acabámos por perder o contacto. Soube notícias dela há 2 ou 3 anos pelos pais que encontrei casualmente e a quem envio um grande abraço de solidariedade. Quanto a ti, amiga, um até sempre!... Estiveste e ficarás para sempre na minha memória.

Carmo Franco (hoje Carmo Lemos)


Não resisto a enviar um autógrafo que a Nani me deu no dia em que fiz 13 anos!... Naquela altura todos tínhamos livros de autógrafos.
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C O M E N T Á R I O S

Maria Helena Arroz disse...
Olá "Barata Loira"

O Padre António achava-vos muita graça porque vocês eram muito pequeninas e não paravam quietas a brincar. Já repararam no tamanho da Nani que vai de mão dada comigo na roda exterior? A nossa diferença de idade deve ser para aí de 3 ou 4 anos, mas a nossa diferença de altura, quando vocês chegaram ao primeiro ano, é incrível.Por isso é que eu, que era muito maternal e protectora, passava o tempo a pegar-vos ao colo. Depois a Nani vestia uns vestidinhos com muita roda e sempre a correr de um lado para o outro parecia uma Bolinha.Tu eras muito loirinha e tinhas uns caracolinhos muito engraçados.

Beijinhos

Lena Arroz, com saudades da Nani

AINDA 1975 (A. Justiça)

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Alfredo Justiça escreveu:
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Fiz a guerra colonial numa província onde, assim que coloquei os pés em terra firme, no porto marítimo da Beira, senti, por parte dos chamados colonos, o ódio da recepção ao ponto de proferirem, cara a cara, sem pejo e respeito o seguinte apupo:
- Que vens para aqui fazer? Terrorismo? Não precisamos cá de ti.
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Jorge comentou:
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Não refere a data em que tal facto aconteceu. Se foi em 1975, talvez encontre explicação para a recepção que teve. Eu estava em Angola na altura, às voltas com o meu repatriamento e as histórias que corriam sobre o comportamento dos militares em Moçambique no periodo de 1974-75 até à sua independência, não eram nada abonatórias da farda que vestiam.
Cordiais cumprimentos.
Jorge Nicola
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Alfredo respondeu:
Amigo Jorge Nicola, se tivesse acompanhado o Blog saberia que estive na guerra colonial em Moçambique nos anos 1971, 1972 e 1973 e que fiz a comissão em Mueda, Cabo Delgado, Planalto dos Makondes, fronteira com a Tanzânia.


Por outro lado a farda não se veste, enverga-se, e usa-se com orgulho e devoção pátrio que, parece, é coisa que hoje não se sabe bem o significado.

O ambiente de guerra existente em Angola era bem diferente do de Moçambique pois em Luanda era mesmo “ali ao lado” enquanto que Lourenço Marques estava a mais de mil kilómetros e os combates só aconteciam de Nampula para cima, norte, ela nunca veio para sul e as evacuações em helicópteros, de feridos e mortos, não sobrevoavam estas cidades pelo que, até sobre este aspecto, estas cidades eram poupadas ao flagelo não só da guerra como, bem pior, psicologicamente.

Não direi que o desconhecimento, na capital, sobre o que se passava “nas zonas quentes” era total mas as noticias eram bem filtradas, só assim se percebe o porquê da proibição do uso de camuflado e bem assim o uso de trajo civil aquando qualquer estadia nestas cidades do sul, se não estivéssemos de serviço.

Só que ninguém avisou “os checas”, quando desembarcamos no porto da Beira, que o deveríamos fazer à civil e não fardados, com a agravante de ostentarmos divisas amarelas nos ombros transformando-nos assim em responsáveis e ofensores à boa harmonia, paz e tranquilidade de um burgo que tinha uma vaga ideia de que, talvez, a mil kilómetros lá mais para norte se travassem combates de vida e morte, na tentativa de travar a ascensão comunista evitando que estes tomassem conta de território avesso a este regime politico.

Recordo que, anos mais tarde, muitos anos mesmo, em conversa com amigos, alguns deles com cerca de 80 anos de idade, disse que, numa incursão que fiz ao cemitério de Mueda, ainda lá vi campas de militares que tinham morrido durante a segunda guerra mundial, na defesa da fronteira norte de Moçambique contra os alemães. Passei por mentiroso fantasista porque o país não tinha entrado nessa guerra e por conseguinte não houve mortes. Fiquei atónito a olhar para as pessoas que me contradiziam. Será que pensam que durante 500 anos só nesta época, a da guerra colonial, é que foram enviados militares defenderem as províncias ultramarinas?... mas depois caí em mim e lembrei-me do tabu em volta da vivência, não secreta, mas muito restrita, do que por lá acontecia.
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Por isso, amigo Jorge, não acredite em tudo o que os interesses instalados fizeram circular em Luanda no ano de 1975. Não saio em defesa ou repúdio para a sua frase “e as histórias que corriam sobre o comportamento dos militares em Moçambique no período de 1974-75 até à sua independência, não eram nada abonatórias da farda que vestiam.” Não estava lá, nem em Angola nem em Moçambique, para aquilatar o ambiente vivido mas dificilmente me convencem que homens, especialmente furriéis, alferes, tenentes e capitães, enfim os milicianos, homens com conhecimento e cultura acima da média se comportassem fora de ética que desde os bancos da escola nos foi ensinada.

Analisemos :

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As guerras em Angola, Guiné e Moçambique não são comparáveis por vários factores que as distinguem mas principalmente porque:
1. A guerra em Angola despoletou-se em Luanda, a capital, e foi“empurrada” para o exterior da cidade na tentativa, conseguida, de a afastar desta metrópole transportando-a para províncias situadas a centenas de kilómetros. Anos depois a capital só tinha conhecimento da existência da guerra porque pelo seu espaço aéreo circulavam os helicópteros transportando os militares doentes, feridos ou mortos;
2. Na Guiné, igualmente estalou na capital, Bissau, e de lá estendeu-se a toda a região e a todo o País, nunca de lá saiu e nos anos vindouros continuou acesa e cada vez mais intensa devido,principalmente, ao empenho de países, ditos comunistas, mais oportunistas que comunistas, que forneciam, instruíam e instigavam à luta através da colocação no território de mais e melhor equipamento e armamento;
3. Em Moçambique as coisas passaram-se de forma diferente. A guerra colonial estalou em Mueda, mais propriamente no Chai, Província de Cabo Delgado, norte do País, e estendeu-se a Tete e Niassa, regiões situadas a mais de mil kilómetros da capital, Lourenço Marques e de outras importantes cidades, capitais de província, Quelimane e Beira, que da guerra apenas ouviam falar por alto e em noticias devidamente filtradas, e para que assim fosse a intensa permanência da policia politica para que não houvesse devaneios com estórias de combates, mortes e atitudes e feitos pouco dignificantes, mas naturais em toda e qualquer guerra. Todo e qualquer militar de licença nestas cidades estava terminantemente proibido de envergar o camuflado, muito menos transportar armas acima de corta-unhas. Aliás, deveriam de preferência, vestir “à civil”.Com esta “politica” as gentes destes burgos só de quando em vez,talvez, lhes viesse ao cérebro que havia uma guerra, guerra essa que,para além de outras motivações, os militares mantinham longe, lá para o norte, acima da capital militar, Nampula, nunca permitindo aexpansão para sul. Lutava-se, morria-se e evacuavam-se para o hospital da capital militar e dali saiam, os mortos devidamente encaixotados,de avião para a metrópole ou de barco, onde eram embarcados no porto de Nacala ou Porto Amélia não incomodando as boas gentes das capitais do sul.
“Bem vindos a Mueda, Terra da guerra, Aqui trabalha-se luta-se e morre-se”.Foi com estas palavras que cheguei a Mueda. Elas encontravam-se escritas num cartaz de boas-vindas colocado no arame farpado que delimitava a zona militar.

Foi já instalado há vários dias em Mueda que tomei conhecimento das“zonas quentes” e orientações da luta, nessa altura fazendo uma introspecção à memória recente, compreendi a atitude dos “colonos”brancos no porto da Beira. Para eles eu era o terrorista que ia fazera guerra… afinal nem sabiam o que se passava tal a eficácia da nossa acção em confinar a guerra no norte de Moçambique longe dos seus olhares e calada aos seus ouvidos.

Ignorantes é o mínimo presenteio que lhes posso dispensar. Com o passar do tempo perdoei-os. Afinal nada sabiam. Mas este magnânimo gesto não o dispenso aos muitos outros ignorantes que, após a Revolução dos Cravos, escamotearam com maléficas e insidiosas mentiras e artimanhas, - “… assassinos dos nossos irmãos negros” - com que fomos mimoseados, e que, de naturais heróis, passámos a proscritos da Nação.

E o “lindo” deste anedotário, tornaram-se nos potentados dirigentes de “massas” que dirigiram tão bem essas “massas”, e as outras massas,ao ponto de levarem o País à dependência de mingua. Da altivez e orgulho de uma Nação que deu Novos Mundos ao Mundo passamos à ridícula e vergonhosa “pedincha”.

Apesar de tudo continuo a gritar bem alto “Viva o 25 de Abril” mas acrescento… abaixo os que se aproveitaram da liberdade alcançada para vigarizar, roubar e enxovalhar este povo que continua puro e a ser com orgulho, simplesmente Português.

Um abraço

A.Justiça

C O M E N T Á R I O S

PLB disse...
Caro Alfredo Justiça: A alusão à segunda guerra mundial, em Moçambique, foi com certeza um lapso, na primeira guerra mundial é que tivemos que defender a fronteira norte de Moçambique dos alemães.

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_mocam02.html

http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_mocam04.html

abraço. Pedro Bandeira

Inês disse:

Eu não fui à tropa... mas nem era preciso assentar praça para entrar na guerra. Vi partir primos, irmão, amigos, vizinhos. Escrevi aerogramas de adeus-até-ao-meu-regresso.
Em 62 partilhava a camarata com estudantes ultramarinas, a Leonete sonhava com as cores do pôr do sol na Ilha de Luanda e a Fernanda com as maravilhas da sua Inhambane. A guerra estava no início e não fazia parte das nossas conversas de caloiras. Como a Irene da sua história, elas tinham mentalidades bem abertas. A África dos grandes espaços tinha muito pouco a ver com o Portugal minúsculo e limitado.
Do 25 de Abril recordo sobretudo a frase "A guerra acabou!" gritada pelos rapazes. Até então desculpavam-se quando não estudavam com um desalentado "Não vale a pena, professora. Vamos ser carne para canhão."
Foi bonita a festa, pá!
Bj
Inês