ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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GATOS À JANELA (Guidó)

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Gatos à janela é coisa comum, mas nas Caldas para além dos verdadeiros de carne, de osso e pêlo ainda existem os de cerâmica.
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Num dos Museus, ou em casas particulares, ainda nalgumas lojas, encontramo-los contemplativos, descansados e às vezes até assanhados.
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À janela os felinos aquecem-se ao sol. Outros, já quentes do forno, de barro cozido, ficam imóveis, fitando o tempo que passa, eles próprios parados no tempo.

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Gata "Pili"
finais do séc. XIX,
Rafael Bordalo Pinheiro
ass. com o monograma do autor: RBP
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
colecção particular
Gato
séc. XX
José Belo
Caldas da Rainha
colecção particular

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POST E FOTOGRAFIAS DE MARGARIDA ARAÚJO, PUBLICADO
EM SIMULTÂNEO COM O BLOGUE DA AUTORA : 100SentidosComSentidos


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C O M E N T Á R I O S
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Ana Braga disse:
Que belas imagens de gatos!
Seres altivos, enigmáticos, dominando a paisagem urbana, vigiando de longe o seu mundo de telhados e recantos que só eles conhecem, inacessíveis aos homens.
Os gatos: seres de múltiplas facetas, ora roçando, submissos, pelas pernas dos donos, repousando na mansidão da sesta a aquecer o colo de uma velhinha, ora envolvendo-se em aventuras nocturnas inconfessáveis, arrastados pelo cio ou atraídos pelo desafio de uma caçada impiedosa.
Os gatos da imagem perpetuam a calma inspiradora daqueles momentos, em que os gatos de carne e osso retemperam forças e, de tão imóveis, parecem irreais, feitos de loiça.
A.B.
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Joaquim disse...
Foi a partir da "janela da minha infância" que varias janelas se abriram, umas pequenas, outras maiores e até uma a cumprimentar a Lua em forma de "sky light", todas bonitas e que nos levaram a pensamentos escondidos na memória...foi bom.
Achei muita graça às janelas com os gatos, pois eu tinha uns vizinhos que tinham um rapazito pequeno, um gato que parecia maior que ele e um pequeno cão, que passavam grande parte do dia à janela. Como o meu passatempo é fazer quase nada, fui até à beira do lago apanhar umas pedras que existem em ambulância nesse lago "Lake Ontário", fiz algo parecido com uma janela e nela tentei pôr os três personagens que viviam na minha frente. Quando for às Caldas em Julho irei dar os meus cumprimentos ao J. Jales e dar-lhe os parabéns pelo seu "blog" (apenas uma pequena ideia, alguém que escreva algo sobre as "portas") pois elas abrem-se e fecham-se para tantos... e são de lá que se parte para o mundo...
Joaquim
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Guida disse...
ADORO GATOS. TENHO TRÊS. DOIS DELES ADORAM ESTAR À JANELA. O OUTRO GOSTA MAIS DE ANDAR PELOS TELHADOS E QUINTAIS DOS VIZINHOS.
Guida Santos
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Luisa disse...
Que belos gatos,que belo post fotográfico,gostei muito de partilhar a janela da Guidó.
Bej. Luisa
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SucoDaBarbatana disse...
Magníficas fotografias,como já está habituado quem conhece a Margarida Araújo.Gostei muito destes GATOS,que ficaram muito bem nesta JANELA.
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J J disse...
Este post é mais uma colaboração entre os nossos blogs. Colaboração que, felizmente, tem sido apenas no bom sentido, isto é as fotografias da Guidó no nosso Blog e não ao contrário...
Falando a sério, a Guidó faz parte das pessoas que têm tornado possível que o Blog do ERO continue a existir, participando em diversas ocasiões e das mais variadas formas na sua publicação.
O post de hoje tem duas expressivas e originais fotografias e uma reflexão felina.
Obrigado.
JJ
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Sergio Lopes no Facebook :
Estas fotos de facto enchem o olho.
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Isabel X disse...
A Guidó que me perdoe, até porque a considero uma fotógrafa admirável e os "Gatos à Janela" uma ideia muito criativa, como lhe é peculiar. Mas não posso deixar de referir que, ao vê-los, me lembrei daquela canção do Rouxinol Faduncho, "Cães de louça", que acho bem gira.
Neste caso seria mais "gatos de louça", mas lá que se devia fazer uma canção que lhes fosse dedicada, disso não haja dúvidas!
Beijinhos,
- Isabel Xavier -
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UMA JANELA NO TELHADO (Ana Braga)

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JJ


Tenho visto, lido e apreciado o blog através de todas aquelas belíssimas janelas. Lembrei-me que escrevi há anos uma coisinha dedicada à minha filha sobre uma janela nova que abrimos no seu quarto. Vou-te mandar se achares engraçado podes editar. É uma visão também de fora para dentro e por isso também diferente.Logo verás.
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Ana Braga





UMA JANELA NO TELHADO

Lá em cima, no teu quarto,
que durante longo tempo foi projecto,
Nasceu hoje, por milagre,
um pedaço de céu no meio do tecto!

De dia, a Sul, no pano azul intenso,
viaja o sol no seu trajecto.
Às vezes, num canto desse mar imenso,
surge um barco/nuvem tocado a vento, numa fuga.
Cúmulo-nimbo? Presságio de chuva?
Ou apenas, solitário, vogando,
em busca de aventura?

À noite, é deslumbrante contar estrelas,
conhecer impossíveis lugares, terras distantes.
Ou tentar ver no céu milhares de “velas”,
que iluminaram as rotas dos nossos navegantes.

Nos fins de tarde agrestes,
quando a chuva, teimosa, não pára de cair,
corre irritado o vento, perdido,
sem saber se deva ficar… se deva ir.
As árvores, ancoradas,
agitam ramos nus, num vão lamento
e os bichos sem abrigo, vêem na tempestade
o seu maior tormento.

É nessas horas más,
quando chora , triste, a natureza,
que a janela vai mostrar-te
os contrastes do mundo
e revelar-te os feios meandros da pobreza.

Nesse teu quarto/refúgio, rodeada de conforto,
não esqueças, minha filha, ao longo da tua vida,
que há outro mundo diferente,
de pobre gente sofrida.

Em certas noites, surgirá, também a Sul,
espreitando atrás do monte, uma visita especial,
a iluminar profusamente o horizonte.

Gentil e vagarosa estende o manto,
realçando o mais pequeno e triste canto.
Sempre risonha e bem disposta,
D. Lua Cheia virá em noite fria,
e, graças a ela, da escuridão se fará dia.

Será também dessa janela, que verás, piscando,
a luz dos grandes aviões, no seu vai-vem constante e ruidoso,
carregando no bojo vagas de ansiosas multidões.
E no jeito de sonhar que eu te conheço,
sentada na cama, bem segura,
voarás para longe do teu quarto,
viajando sem medo, como se a nave fosse firme
e estivesse presa a um penedo.

E agora, que mais dizer dessa janela,
fantástico rasgo aberto ao céu?
Só sei que no futuro irás mirar-te nela,
digo-te eu!
Mas não esqueças, que o vidro
é de ambos os lados transparente,
e se serve para olhar p’ra fora,
também servirá para alguém, de lá,
olhar p’rá gente.

Desejo apenas que por ela
os Anjos te possam ver melhor e conhecer,
Te ajudem sempre a ser feliz,
nessa aventura fascinante que é crescer.
Percebam quem é essa menina que habita cá na Terra,
por trás duma fantástica janela.

Será sensível, generosa, fiel, bela, inteligente?
Eles vão descobrir isso.
E algum...
ainda vai pedir para ser teu confidente.



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Ana Braga, Agosto de 2004
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C O M E N TÁ R I O S
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Maria B Pestana disse...
É sempre bom poder reler este poema da mãe, recordar o rasgo do telhado, o sótão que tanto desejámos, onde eu tanto queria viver! Hoje já não tenho o prazer de viver e conviver diariamente nesse refúgio, agora tenho uma janela maior, uma outra visão, menos bonita, mas realista. Tal como a mãe previa no poema.
Mas as memórias continuam apesar da janela onde cada um possa estar ser diferente, porque"Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive."
Obrigada mãe,
Maria B Pestana
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Alfredo disse...
Bonito poema da Ana transmitindo o enlevo que se devota a um filho desejado e que tudo fazemos para o ver feliz dando-lhe as necessárias asas para voar e sonhar mesmo que para isso nos sacrifiquemos e retiremos a nós próprios confortos que se tornam de somenos importância perante o seu bem estar e a felicidade estampada no rosto pueril. S
e mais tarde aproveitaram ou não o gesto, acção e esforço não importa, importa sim que pelo menos tentámos como pais libertá-los para a vida oferecendo-lhes tudo o que estava ao nosso alcance e o fizemos com amor.
Um abraço
A.Justiça
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O das Caldas disse...
Para mim seria inpensável não publicar esta UMA JANELA NO TELHADO. Parabéns e obrigada por este miminho delicioso.
Higino
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Isabel Esse disse...
Também é poeta a Ana,de quem eu já gostava tanto da prosa!Muito bonito este post,traduzindo bem a esperança que todos temos que todas as janelas se abram para e sobre os nossos filhos.
Bj.IS
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F. Clérigo disse...
Belo Poema o de Ana Braga...Lá está...o efeito multiplicador em nós...recordou-me de imediato um texto que também escrevi à minha filha, em estilo de prosa poética...não a propósito de uma janela, mas de uma parede do seu quarto pintada de verde alface...
Centrando-me no Poema da Ana (que não tenho o Gosto de conhecer), gostaria de relevar a Beleza do mesmo em Si, mas também a Belíssima Forma de Expressar a uma Filha, o Mais belo Sentir, o Amor Incondicional de Mãe e os devidos alertas para o nosso Mundo, que por vezes não se afigura aos nossos olhos, tão belo assim...
Uma bonita “Lição de Vida” carinhosamente transmitida pela Ana à Sua Filha, sem dúvida, um “Crédito” inequívoco na Aventura do Seu crescimento e nas Suas Capacidades como Jovem...parecendo-me um Apelo Também para Um Olhar, atento à valorização do seu conforto e Solidário para com os Outros que não têm o Privilégio de Viver desta forma “confortável” e “Bem Amada”...
Para finalizar, gostaria de dizer à Ana que logo que tive o privilégio de ler o seu 1º texto, Senti uma “Sintonia” com a sua escrita e com a Sua Pessoa...esperando que me perdoe a expressão invasiva “sintonia”...Lá está de novo...a Força do Sentir...
Muitos Parabéns por Tudo !!!
Fátima
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jorge disse...
não sou perito em poesia mas este é um belo poema em que estão todos os sonhos que temos para os nossos filhos.proporcionando-lhes horas boas mas preparando-os para as horas más - que enfrentarão sozinhos.muito bom!j

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Meus Sonhos disse...
Não é frequente a poesia nos artigos do nosso blogue e isso torna ainda mais notáveis aqueles em que é utilizada.
Muita ternura e muita emoção,muita autenticidade nestas palavras que falam mais da maternidade que da janela.Pelo menos fala mais das janelas da alma do que das que abrem para o ar exterior.
Gostei muito,muito.
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J J disse...
A Ana é uma autora de posts sempre muito pessoais, misturando uma grande sensibilidade e um arguto espírito de observação. Como normalmente só as mulheres sabem fazer, parecendo sonhar enquanto se mantém atenta aos outros. Já realcei esta sua qualidade, que transparece sempre nos seus excelentes comentários e é particularmente evidente aqui, a propósito de outras colaborações.
A abertura de janelas para os nossos filhos é uma gratificante (mas por vezes dolorosa) missão dos pais. É a Vida...
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VT disse...
Não resisto a comentar o poema da Ana Braga, que escreve muito bem, por aquilo que revela: O sentir que aquela janela, no futuro, seria mágica para a filha - é também um gesto não só predictivo mas em si próprio também mágico - para além da ternura, sensíbilidade e inteligência que respiram nas entrelinhas.
Uma lição em que a Beleza e a Poesia andam de mãos dadas (ainda por cima com a janela no telhado voltada para as estrelas...), mas que não deixa de ter o cuidado de alertar para os "contrastes" da Vida.
Parabéns e obrigado pela partilha de um momento muito bonito.
VT
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Ana Braga disse...
Não posso deixar de me sentir reconhecida pela forma tão simpática como acolheram o meu texto e o calor que conseguiram transmitir-me através das vossas palavras. É muito gratificante perceber que aquilo que escrevo, de forma sincera e despretensiosa, tem tido a força suficiente para chegar “à outra margem”.
Sempre gostei de me expressar, escrevendo - em alturas mais difíceis esse exercício teve até um efeito terapêutico - mas esta partilha, este desvendar de sentimentos, às vezes, como se de pequenos segredos se tratasse, só foi possível agora, por sentir que do outro lado havia alguém disposto a “ouvir-me” e a receber com empatia as minhaspalavras.
O meu primeiro contacto com o blog foi interessante: deparei-me, por mero acaso, com uma porta entreaberta e fui entrando, naturalmente,como se já vos conhecesse. A vossa recepção tem constituído um incentivo para mim.
Obrigada a todos, pelos belos textos com que vêm comentando o que escrevo.Assim, sinto-me mesmo tentada a aparecer de vez em quando.
Ana Braga
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OUTRA JANELA (São Caixinha)


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Com a bonita fotografia de uma invulgar janela vermelha e um aliciante texto sobre as suas vivências em criança, a uma outra janela, o Vasco incita-nos a um regresso ao passado e a um reencontro com as nossas próprias janelas! Esta é a minha.
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Eu tinha 5 anos quando deixámos Lisboa em direcção às Caldas da Rainha, onde o meu pai iria ser continuo e residente da Escola que simultâneamente ofereceria a minha educação. Como o edificio ainda se encontrava em construção foi-nos atribuida como residência temporária, uma casinha pequena e modesta nas redondezas da obra.
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Foi nela que encontrei a “janela da minha infância”! Era no sotão! Uma janela pequenina que se encontrava muito mais perto do chão do que qualquer janela que conhecia até ali, tão perto que de joelhos me podia debruçar sobre o seu parapeito. Esta atraente particularidade era, para a minha mãe, apenas um enorme motivo de preocupação, portanto preferia-a sempre fechada! Eu entendia que sabia avaliar e evitar os perigos inerentes e, confiante, abria-a em segredo, cautelosamente, sempre que podia. E era dificil de abrir, com os seus mecanismos enferrujados e a fragilidade oscilante dos caxilhos, ademais eu procurava a todo o custo evitar o ranger escraboso das suas dobradiças cansadas... A práctica, como frequentemente acontece, fez-me perita naquela operação delicada !
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A sedução da janela não se encontrava contudo no facto de ser convenientemente à minha medida nem certamente na simplicidade da vista que proporcionava, mas no contacto inédito que me permitia com a natureza! Era o ar fresco das manhãs do campo com o chilrear dos passáros e o ramalhar das árvores. Era o vento condutor de folhas secas, joaninhas e pirilampos (oh os pirilampos!!!). Era a fragância da terra molhada, das flores, das searas... carreiros de formigas!! Era a amplidão do céu com as suas nuvens passageiras ... e a chuva dos dias cinzentos ! A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!
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Os meus parabéns ao Vasco pelo excelente post e os meus agradecimentos pelo mágico reencontro que ele provocou !
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São Caixinha
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C O M E N T Á R I O S
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Joaquim disse...
Para mim a janela da São Caixinha é a mais bela, pela sua humildade e modéstia e que mesmo fechada, enferrujada, aos poucos ela se foi abrindo e por vezes uma janela pequena traz-nos um mundo muito maior.
Joaquim
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Luis disse:
O relato de uma sonhadora,que olhava para o céu enquanto cheirava a terra.É uma atitude que por vezes origina uns tropeções...
São,estou a brincar,a tua janela é muito bonita e um dos bons posts desta série.Bem como a fotografia que adorei ver e que deve ter 50 anos.L
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Fernando Ribeiro disse...
Estas janelas da nossa infância vieram abrir uma janela enorme,vieram abrir a nossa memória adormecida e que despertou num clic.Formidável e que recordações nos vem trazer.Vamos continuar, que vos parece?Para a frente nao acham?
Bem hajam.
Fernando Ribeiro
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M Manuela Gama Vieira disse:
Que bonito "argumento" contém a Janela da São!Atrevo-me a dizer que o seu gosto pela Natureza e pelo Belo é inato em si,nasceu consigo.Por momentos associei a descrição da sua Janela ao sótão de Anne Frank, que mereceu aliás um excelente texto da sua autoria numa das séries do nosso Blog.
E como a sua Janela é tão genuína,tão pura,tão bela, é-me difícil encontrar mais palavras. Dou-lhe os meus sinceros Parabéns!
Manuela Gama Vieira
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Julinha disse:
Uma janela pequenina,quase junto ao chão.....com uma vista linda,o chilrear dos pássaros e a Natureza,tal com a São a viu e sentiu !
São,a maneira como descreves a tua janela toca-me profundamente...gostei muito !
Um beijinho
Júlia R
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Vasco Trancoso disse.
Fantástico! Dir-se-ia o milagre das janelas! Uma saudável epidemia que a todos contagiou.
Agradecendo a atenção de todos os que enviaram os comentários super-simpáticos não posso deixar de constatar também que se desencadeou um fenómeno de “reacção em cadeia” – atentos os números excepcionais, nunca recepcionados antes, de visitantes, em ambos os blogues. E foram comentários/janelas (originando outros “posts”) a chegar. E o mérito é todo das janelas (isto pode ser confirmado e analisado no quadro de estatísticas publicado no final desta página-JJ).
Há vários tipos de janelas na Vida e em cada pessoa, com significados/emoções diferentes mas de facto todos temos uma janela muito importante: aquela na infância (que mexe muito com a criança ainda em nós). E o que aconteceu foi cada um(a) abrir a sua própria janela e trazê-la para o blogue – que se transformou numa rua que ia crescendo à medida que se iam abrindo cada vez mais janelas.
Têm razão quando referem que o registo é mais “Amarcord” do que “8 e ½” – só que a música para os saltimbancos que “encaixava” perfeitamente era mesmo aquela do Nino Rota. Em resumo: os blogues estão muito bonitos com toda a gente à sua janela que dá, por sua vez, para as janelas dos outros – todas a abrirem-se para um largo comum, cada vez maior, onde se sente uma festa do “sentir”.
Bem hajam
VT
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M do Rosário Pimentel disse:
"Há males que vêm por bem". Confirma-se o ditado neste lindo e ternurento post. Naquela casinha, a menina teve a oportunidade precoce de descobrir a Beleza da Natureza, forçando,teimosamente,a abertura duma janelinha de sótão. Sem saber, estava a iniciar a descoberta de si própria.
Uma janela e um sótão - quanto fascínio e quanto mistério!
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F. Clérigo disse...
Muito Bonita a Janela da São...Muito Bonito igualmente o seu Texto, indubitavelmente Bem escrito, mas sobretudo o Cariz Sensitivo que lhe imprimiu...A Força da Descrição que a São nos revela, quase nos permite escutar os Sons da Natureza, o canto dos pássaros, o canto do vento, o restolhar das folhas, o brilho dos pirilampos, as diversas fragâncias da Natureza...Natureza Essa, ousaria dizer, que acompanhou a São e que ainda Hoje tem a mais Bonita Tradução no seu Blogue “Ambrosia”...senão cite-se o Seu próprio Sentir:
“A janela da minha infância iniciou-me na descoberta dos valores da natureza e descobriu em mim uma paixão, que mal suspeitava mas, sei entretanto, se irá prolongar até ao fim dos meus dias!”
Muitos Parabéns São pelo Belo Texto ! A Foto é Enternecedora!
Beijinho
Fátima
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OUTRAS JANELAS ( a propósito de À JANELA DA MINHA INFÂNCIA)

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Joaquim disse...
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Esta janela não é a bonita "window with a view" com que o Vasco Trancoso nos deliciou, esta é apenas uma das janelas das Caldas que nos abria as portas ao mundo português nos anos 40, 50 e talvez princípios de 1960. Na Praça 5 de Outubro (antiga praça do peixe), havia uma Escola Primária "masculina", no primeiro andar, com grandes janelas que nos permitiam uma grande visibilidade por toda essa praça.
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O nosso saudoso professor Rodrigues (3ª e 4ª classes) por vezes ia para as janelas mostrar-nos o mundo de então. Era ver o "Rei das Toalhas" e o "Orlando Quinquelheiro" com os seus pregões, o vendedor da Pomada Jibóia que vendia uma bisnaga não por 20 escudos, nem tão pouco por 10, por apenas 5 escudos e quem comprasse uma levava outra inteiramente de "borla".



As Marionetes, ou cabeças de pau, deliciavam-nos com o rapazote solteiro que ia ao barbeiro desfazer a barba pois iria casar e então aí começava a paulada : "com que então seu toleirão vai casar, vira a cara dum lado, vira a cara do outro", sempre com a navalha da barba que mais parecia uma "Moca". Depois lá aparecia o diabo, que era o protector das meninas solteiras, e a seguir era a tourada "Eh toiro, eh toiro" e acabava com o toiro a fugir à frente do toureiro, acompanhado pelas gargalhadas ingénuas da pequenada.



A pequena rua (perdi o nome) que liga a Praça 5 de Outubro à Heróis da Grande Guerra e que se cruza com a Rua das Vacarias, era talvez o sítio preferido dos vendedores ambulantes e dos cantadores da desgraça, que cantavam e diziam que a estória era tal e qual vinha no folheto.Por lá aparecia o homem que vendia "esticadores prós colarinhos", outros mais brincalhões vendiam "pentes para carecas e óculos pra cegos" e com o mesmo pente que dobravam diziam eles "é pró cabelo e pró cabelo e não arranha". Um outro vendedor que tinha como medida um corno de boi serrado vendia sementes em que apregoava "semente de nabo ou horto", cada cornada 5 tostões. Então lá aparecia o " vendedor de ilusões" - "quem quer a grande, anda hoje a roda, quem sabe lá, quem sabe lá".



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Foi naquelas janelas, mesmo em frente ao "nosso" Teatro Pinheiro Chagas que para muitos o mundo se abria com os filmes de 31 partes, 15 episódios, os grandes filmes de histórias romanas e os nossos Capas Negras e tantos outros...

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Era simples o nosso mundo, não era?...
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Joaquim
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a quem agradeço a autorização para as utilizar.
João B Serra disse:

As janelas povoaram a nossa infância na sua dupla função: proteger e franquear, esconder e desvelar, observar e expor-se. Se a infância é um tempo para descobrir e ser descoberto, a janela é também uma síntese desse tempo em que rasgamos cortinas em busca do mundo e nos surpreendemos com os lances de um mundo à nossa procura.
A metáfora da janela povoa por isso a imaginação plástica, como a aventura dos passos em volta: nenhum pintor, nenhum fotógrafo, escapou à magia sedutora de uma janela. A janela é uma fonte de luz ou um horizonte, um enquadramento ou um jogo de ângulos, um rasgão na noite ou um grito na solidão, uma transparência que oferece profundidade, uma superfície que reflecte e deforma, ou uma mancha opaca que nos interroga.
Para Vasco Trancoso a janela é uma memória de infância, onde se replicam outras janelas ­ dos sons, das cenas, das pessoas, dos objectos que o fascinaram. Para Vasco Trancoso, a infância foi a janela por onde espreitou o espírito curioso e emocionado de um ser insatisfeito e por onde entrou a cidade com os seus desafios cruéis e os seus encantos gloriosos.
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M do Rosário disse...
e esta é a Isabel e este o João.- dizia eu,enquanto acabava de preencher o parapeito da janela com as minhas bonecas.De imediato,tive que satisfazer a sua curiosidade.Expliquei que a mazela numa das bochechas desse bebé chorão se devia a um acidente com a chaminé de uma locomotiva,quando ao meu colo,tropecei no combóio do meu irmão.
Sendo filha única,ficou encantada por eu ter um irmão. Assim se iniciou a descoberta da vida de cada uma de nós,ambas de cinco anos,através dos respectivos brinquedos,expostos diariamente nas nossas janelas,sob o olhar divertido dos transeuntes. A menina desconhecida que viera de Lisboa,com seus pais,instalar-se na casa oposta à da minha família,viria,desde então,a percorrer, comigo ,sucessivos caminhos da vida,inclusive o do E.R.O... (Actualmente ,o João e a Isabel integram o acervo do Museu do Brinquedo ,em Sintra.Ambos exibem as vestes originais).
A"doce recordação" do despertar da Amizade,que aqui deixo,devo ao belo post de Vasco Trancoso.O meu reconhecimento e admiração.
Maria do Rosário Pimentel
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Ana Braga disse:

Gostei muito deste seu belo texto intimista, um regresso tão terno à infância, criado a partir da sua janela.
Obrigada pela fotografia, pelo que ela deixa ver e entrever. Obrigada pelas músicas e pela recordação de um filme que é para mim uma grata referência ao passado, trazendo consigo a visão inesquecível da fabulosa Giulietta Masina.
Penso (ou gosto de pensar), que todos os meninos tinham as suas janelas de onde olhavam/recriavam o mundo à sua volta.
A minha janela (nem sempre era a mesma) não era urbana, abria-se sobre um vasto cenário: a nascente limitado pelo lombo azulado de uma distante e imponente serra agreste e a poente por colinas e campos verdes, lugares onde me exercitava, quer a colocar as personagens dos meus contos preferidos quer a colocar-me a mim, na maioria das vezes, para além dos limites.
Será que os meninos de hoje ainda gostam de janelas?
Pode estar certo que o seu texto me abriu uma nova janela e me despertou para abri-la muitas vezes sobre o Heavenly.
Ana Braga
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Maria Manuela Gama Vieira disse:
Apesar do que as cortinas de renda resguardam dos olhos, a memória revisita e devolve, como que por encantamento, as mais admiráveis recordações que julgava esquecidas.
Ai que prazer! De repente, num exercício de regressão, a minha janela também se abriu, revi a magia dos baús empoeirados dos saltimbancos e escutei a flauta, prenunciadora de chuva, do amolador de tesouras.
Singular, a projecção de janelas, tão autêntica quanto as memórias reflectidas no espelho da imaginação, porque “uma vida não basta apenas ser vivida, também precisa de ser sonhada”…
Obrigada pela sua lindíssima janela vermelha que, por momentos, também foi minha.
Já lá vai tanto tempo e parece-me tão pouco!
Manuela Gama Vieira
Palavras de Vasco Trancoso no FB:
"João Ramos Franco esta história é à tua medida..."
- Como entendo as tuas palavras, meu amigo…Tens toda a razão quando nos dizes que “espreitávamos sinais do exterior à descoberta de um mundo novo.” No meu caso, na casa onde nasci, via o Chafariz em frente (inicio da estrada para a Foz do Arelho, no nº 7); nas traseiras do prédio, para lá do quintal, tinha a Misericórdia, o Hotel Lisbonense e uma pequena propriedade, que tinha uma Azenha que funcionava com as águas que vinham das Termas.
A Janela da minha infância era a cerca de 50 metros de Casa, tudo passava por uma visão, quase constante, da imensidão e da gente que passeava no Parque D. Carlos I. Foi por aqui que comecei a fixar as primeiras imagens de um universo que hoje povoa a minha mente e sinto que as da infância foram as mais belas e puras.
Um abraço amigo
João Ramos Franco
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Guida disse...
Uma cena extraordinariamente nítida a deste texto acompanhado pelo belo tema de Fellini. Faz-nos recuar no tempo. Muito belo, Vasco.Obrigada.
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Blow Up disse...
Há mais a ternura de Amarcord do que o surrealismo amargo de 8 e Meio neste exercício "cinematográfico".
Excelente evocação,com doses certas de realismo e emoção.Visitarei certamente o hevenly.Parabéns.
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Meus Sonhos disse...
Belissima fotografia,com reflexos que se vêem e outros que se adivinham,tal como no texto.O rendilhado das recordações confunde-se com o rendilhado das cortinas.
Quanto do que somos hoje é resultado dessas experiências e emoções de infância que mal recordamos ou pensamos mesmo não recordar?
Gostei muito.CC
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Laura Morgado
Uma descrição bonita e com muita clareza! As músicas muito bem escolhidas!
Laurinha
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Belão disse...
É impossível, ao ler este texto do Vasco, tão pleno de realismo, não darmos por nós a recordar o que víamos da nossa janela e como a nossa imaginação nos permitia embarcar em viagens únicas e tão características da infância.
Belo texto. Obrigada Vasco.
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Guida CS disse...
Esta janela do Vasco levou-me também a mim à minha infância e à minha janela, onde eu ficava parada até que a chuva passasse, à espera de poder voltar a ir brincar «lá fora» onde me esperavam os campos de malmequeres, os cucos, os pardais dos telhados e os charcos onde as rãs saltavam. Cada um de nós tem a sua janela. Parabéns ao Vasco por ter partilhado a sua com tanta clareza.
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Julinha disse:

Que paisagem bonita que o Vasco descreve na sua janela !Todos temos uma janela na nossa infância....eu também tive a minha e quantas horas passava sentada a olhar o céu, a ver a estrada, a ver as flores, esperando que a chuva passasse, esperando uma amiga para conversar, brincar....brincar ás mães e filhas, professora e alunos..... sim,aquelas brincadeiras de infância que me preparariam para mais tarde ser a mulher que sou!
Obrigada Vasco, por, de uma maneira tão singela, me teres levado á década de 50.
Júlia R
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J J disse...
Mais um post com uma publicação conjunta do Heavenly e do Blog dos Antigos Alunos ERO.
Recordações mágicas da infância de todos nós num post que casa uma fotografia bela, mas complexa, com um texto que é também ambas as coisas, onde está mais do que o somatório das palavras que o compôem, como é habitual com o nosso amigo VT.
Esperamos que esta colaboração, que tão bons resultados tem tido, possa continuar.
Abraço. JJ
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Luisa disse:

Muito bonita e muito terna toda esta evocação das memórias visuais da infância,todos tivemos a nossa janela para o Mundo.
Gostei muito da fotografia,como é habitual em todos os leitores do heavenly.
Esta colaboração parece-me muito positiva para os dois blogues e foi sem dúvida uma boa ideia.
Bjis. Luisa
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F. Clérigo disse...
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A Arte de Ser Feliz
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Houve um tempo em que a minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e o meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E
sinto-me completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

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Cecília Meireles
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Uma Sugestiva Janela, uma narrativa expressiva, onde a Imaginação e o Sonho “brincam” e “pulam” de mãos dadas, aos Olhos de uma criança... transpostos agora para um Olhar perscrutante, uma escrita cuidada, embalada ainda pela Música que outrora encenava o bailado de borboletas, em redor de um Coração...
Bonita conjugação para a “Arte de Ser Feliz”...
Parabéns ao Autor pelo Belo Post !

Bjs

Fátima
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Gostei imenso de "A janela da minha infância",veio mostrar a antiga escola onde andei da primeira à terceira classe .
Morei na pensao Mimosa e na altura o professor era o Sr. Pimentel; se alguém se lembra desse maravilhoso periodo e se lembrarem de mim colegas do nosso tempo contactem-me.
Obrigado, bem hajam.
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Frederico Maria Oom Moniz Galvão disse:
Por razões várias há bastante tempo que não vinha ao vosso blog (que será mesmo, eventualmente, o que mais me diverte e preenche de há algum tempo, apesar de não ter frequentado o ERO.)
No entanto os que conseguirem localizar-me na vossa memória, lembrar-se-ão que todos os anos da minha, nossa, juventude 4 ou 5 meses eram passados no calor da vossa companhia. Até há fotografias minhas com 5 anos para aì com algumas das minhas irmãs num piq-nic com o Padre António Emilio, no vosso blog!
Mas tudo isto serve para tentar, sem sucesso, disfarçar o choque da noticia da morte da Náni de quem já tinha tantas saudades, terrivel!! o que me faz sentir muito mal é o aperto da distância e da ausência se terem eternizado!
Um abraço para os que se lembrarem de mim e um enoooooooooorme beijo para a Náni onde quer que ela esteja. Sempre que estiver na Foz do Arelho estarei com ela : Que boa ideia, talves um dia peça para fazerem o mesmo comigo.
Frederico Maria Oom Moniz Galvão.
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Joaquim disse...
Ao Frederico Maria, posso dizer que o talho era o "Talho do Monteiro" e, a seguir, no sentido do Bairro da Ponte, era a "Loja do João Vintém", avô dos Madeira Lau: o João (já falecido),o António (meu colega de escola, que se formou em engenharia e se ficou por Lisboa), e o Chico (que continuou com a tradição de estabelecimento de "venda a retalho"). No sentido contrário era uma mercearia, a drogaria do Lopes, e o Teodoro das Caraças, famoso na época pois vendia tudo necessário para fins carnavalescos.
Olhando as saudosas fotos da Praça do Peixe (agradeço ao J.J.) e não só ... é de lamentar aqueles caixotes de linhas rectas que se ergueram por toda a cidade sem um pouco de harmonia.
Joaquim
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JJ disse:
Lembro-me bem do Frederico, sempre impecavelmente "fardado" para as suas tardes de ténis. Eu era bem mais novo, jogava no primeiro "court", enquanto ele já tinha direito ao "court" dos seniores onde jogavam os veteranos Henrique Mineiro e Calheiros Viegas mas também alguns "eleitos" como ele, o João Calheiros, o Néné...
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Só posso acompanhar o Joaquim no seu lamento pelos horríveis caixotes que a ignorância e o desleixo autárquicos deixaram que destruissem as nossas duas Praças.
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A ambos peço que me enviem os seus emails, gostaria de os contactar pessoalmente.