ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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ÀS JANELAS DO COLÉGIO

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C O M E N T Á R I O S
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Lena disse...
Adorei rever o Zé Manel e a sua mota, a poupinha do Victor, o Ângelo, o Jorge Teixeira e o Sérgio.
Foi desta mota que caí no dia 4 de Maio, andava no sexto ano. Há tempos contei esta história no blog, mas aqui o que interessa mesmo dizer é:
- Que lindos rapazes, não acham?
Beijinhos
Lena Arroz
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JJ disse:
Já temos uma identificação dos retratados, que agradeço à Lena, mas não uma legendagem que aguardo escrita pelos próprios.
O post da Lena, que ela refere, pode e deve ser lido aqui.
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Luis disse...
Mas qual identificação?Temos CINCO nomes para QUATRO retratados!Ou falta alguém no meu computador ou sobra um nome!!!L
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Higino disse:
Aproveito para homenagear o Angelo que já não está entre nós.
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Maria Manuela Gama Vieira disse:
O Luís tem razão,só conto quatro rapazes!Ou será que também me falta um no meu computador? :-)
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Guida Carvalho da Silva disse...
As aventuras dos cinco! A foto está genial e o quinto elemento será com certeza o fotógrafo!!!
Guida Carvalho da Silva
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Lena disse...
Pois foi. Fiquei tão impressionada com a foto que à primeira confundi o Sérgio com o Jorge Teixeira e depois quando escrevi o comentário imaginei que estava também o Jorge Teixeira. O Jorge já morreu, morreu muito novo com uns 34 anos. Ele era muito bom aluno e fez-me isso muita tristeza e impressão , o que também deve ter contribuído para o meu engano. Peço desculpa.
O Victor é o da poupinha e tem uns sapatinos de bico que se usavam na altura. O Ângelo é o da gravatinha e também já morreu. Também morreu novo, com menos do que 50 anos. O Sérgio está óptimo e esteve connosco no almoço de Novembro, por acaso até ficou na mesma mesa que eu.
O Zé Manel e a sua magnífica ( e quase fatídica...) mota são o centro da foto. O Zé Manel é a estrela. É à volta dele que os outros personagens circulam...
Beijinhos
Lena
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Anabela disse:
É fantástica a fotografia,lembrando como o Jales diz,um filme dos anos 50.Não sei se é o James Dean ou o Marlon Brando,mas anda por aí.Só me lembro mal do Zé Manel Paes,não me lembro dos outros.
Também são giros estas fotografias sozinhas,é pana as pessoas que lá estão não escreverem nada.
beijs.Anabela
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Isabel X disse...
Será que no entusiasmo de identificar rostos da nossa adolescência numa fotografia, não é natural que nos enganemos e coloquemos um nome a mais do que os que lá estão? Possivelmente cinco membros de um mesmo grupo que logo relacionamos uns com os outros, mesmo quando apenas quatro estão fotografados?Para quê colocar a hipótese de ser ao computador de cada um que falta alguém? É caso grave? É até um "engano" engraçado, ou não?
Eu gostava de saber, isso sim, quem é cada um dos fotografados e, já agora, ver uma fotografia do quinto elemento que lá falta.
Abraço
- Isabel Xavier -
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Zé Manel Pais disse:
Começo por agradeçer esta ideia magnifica que me tem permitido estar a recordar tantas coisas boas da minha adolescência.
Em relação à foto quero dizer à Lena Arroz que não foi desta mota que caiu.Esta era do Rego Filipe que emprestou só para o style. A minha era uma Solex.
Bjs e abraços para todos aqueles que recordo com muito carinho pois fizeram parte da minha infância e adolescência FELIZ.
Zé Manel Pais
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Lena disse:
Viva Zé Manel!
Que bom teres visto e comentado esta foto!Para os que queriam saber quem era cada um deles, para ajudar posso dizer que acho o Zé Manel muito bem retratado num texto que também apareceu há tempos neste blog sobre o Dr Azevedo, porque o Zé Manel era sempre o que pagava as favas. Acontecesse o que acontecesse era ele que apanhava os caldos no pescoço.
O Victor, com a sua célebre poupinha era o filho do chefe da polícia que tinha a sua sede no princípio da ladeira do colégio do lado direito.Ele andava na alínea g) (se não me engano) que era a que dava para económicas que foi o que ele acabou por seguir.
O Sérgio é o filho do Dr Costa e Silva, e é Engº civil.
O Ângelo segiu a carreira militar. Quando eu voltei para as Caldas após 15 anos de ter daqui saído para ir para o técnico, ele estava aqui no RI5. Pouco anos depois teve um grave problema de saúde e ficou bastante mal,tendo morrido uns anos mais tarde.
O Zé Manel fez medicina e depois especializou-se em medicina dentária.Isto é o que sei. Se agora cada um deles quisesse contar mais, era engraçado!
Beijinhos
Lena Arroz
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NOTA :
O Zé Manel Pais foi tema do Blog em:
O post que a Lena refere está em:
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M.João disse...
Zé Manel todo giraço !:) nessa altura não o conhecia mas agora vejo-o muitas vezes e curiosamente conhecemos muita gente em comum
bjs
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Isabel Esse disse...
A fotografia é girissima e motivou uma série de comentários muito pessoais e muito interessantes.
Aquela pose é irresistivel!!!
Fui ver os artigos sobre o Zé Manel e achei boa ideia aproveitar os novos posts para chamar a atenção sobre os mais antigos.
No meu tempo havia um colega no 7º ano com moto,era o Zé Vau.O que será feito dele?
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Higino disse...
Uma pequena correcção: O Victor Henriques era filho do sargento Henriques, comandante do posto da GNR e não da Polícia, e casou com a Evangelina Simões, que estudou na Escola Bordalo Pinheiro e que se licenciou em Económicas; o Victor creio que cursou Relações Internacionais na Junqueira onde então se destacava o Professor Adriano Moreira.

In memoriam – Professora Noémia Félix

Noémia Félix – Samarcanda, Uzebequistão, 2008

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Criança irrequieta, ridente, apartada ainda do mundo dos adultos, encontrava no Externato Ramalho Ortigão espaço privilegiado para brincadeiras, porquanto repetidas em todas as latitudes e épocas, tão intemporais quanto benignas. O mundo de então, pincelado com cores fortes e aromas inebriantes, circunscrevia-se a uma sala de aulas que divergia das demais pelo tamanho das carteiras, mais pequenas, e a um recreio onde, para além do jogo do berlinde, se corria sem fadiga atrás de sonhos.
Nesse tempo de meninice, viragem da década de sessenta para a de setenta, ter-me-ei cruzado inúmeras vezes, sem o saber, com uma jovem alentejana que o destino fizera ancorar nas Caldas da Rainha para, no Externato Ramalho Ortigão, exercer o seu múnus professoral.
A diferença etária, enorme ao tempo, entre uma jovem de 26 e um petiz de oito anos, impossibilitava que o diálogo brotasse espontânea e naturalmente. Ainda que nos cruzássemos amiúde, porventura mais do que uma vez por dia, mantínhamo-nos distantes ao nível do pensamento. Nenhum soube da existência do outro salvo se, porventura, no decurso de uma qualquer corrida desabrida, esse miúdo que fui tivesse chocado com a mestre.
A marcha indelével do tempo ter-nos-á separado durante décadas. Um terá feito de Lisboa o seu espaço matricial, não obstante viajasse continuadamente pelo orbe. Outro, terá feito do mundo a sua casa, não obstante volvesse com frequência a Lisboa.
Quis o destino que, numa Valáquia pardacenta, herança de um regime concentracionário que destruiu o ethos do povo romeno, nos tivéssemos reencontrado casualmente na viragem do milénio. Desse reencontro fortuito, casual, despontou uma amizade apenas interrompida em Agosto de 2009. Da empatia surgida logo no primeiro encontro, numa Europa que então se rasgava a Oriente, sucederam-se longos serões de conversa. Apaixonados por um sem número de povoados perdidos da memória dos Homens e, quiçá, de Deus, desenhávamos no ar as vielas de Samarcanda, Tashkent, Antioquia, Cesareia da Capadócia, Ur, Tebas e tantas outras urbes que permanecem no imaginário dos viandantes sem passaporte do tempo presente.
Com imensa nostalgia recordo as conversas que, em redor de uma pequena távola setecentista, mantivemos noites fora. As vivências, de tão intensas que eram, permitiam que visionássemos espaços há muito não trilhados ou, inclusivamente, perdidos da memória colectiva. O extremo rigor daquele Inverno em que nos conhecemos, propício ao diálogo, levou-nos a calcorrear não apenas a Valáquia como também a Transilvânia de Vlad Tepes, o prócere independentista moldavo que usava, à guisa de brasão, um escudo onde surgia desenhado, a sanguíneo, um dragão (drakon, em grego, pelo latim draconem, acusativo de draco).
Visitámos então sem pressas povoados perdidos em vales ultra periféricos, de acesso difícil, os quais, mantendo inalterável a traça de séculos, transportavam-nos para a época em que a região era governada pelos fanariotas gregos ao serviço da Sublime Porta. Os camponeses estabelecidos nas paupérrimas planícies que bordejavam a antiga Dácia, habituados a uma agricultura de subsistência onde a aiveca de madeira ainda hoje assume prevalência sobre a relha metálica, vivem ao ritmo das estações do ano no cumprimento de um calendário que, tirando aqui e ali um telemóvel ou uma antena de televisão, poderia fazer-nos retornar a Setembro de 1829, data da assinatura do tratado de Adrianápolis, na Trácia turca, que pondo termo ao conflito russo-otomano (e que estaria na base da independência helénica, a 14 de Setembro desse mesmo ano), acabou por reconhecer a autonomia dos principados danubianos da Valáquia e da Moldávia.
Um e outro perscrutávamos o mundo em permanência, consequência de multíplices afazeres profissionais, pelo que apenas de quando em vez nos reencontrávamos na sua casa da Portela de Loures, às portas de Lisboa. Porém, os modernos meios de comunicação permitiam que o diálogo fluísse constantemente e que soubéssemos exactamente o que se passava com o outro. Assim sendo, durante uma década trocámos ideias sobre assuntos tão díspares quanto sejam o porvir do legado greco-romano e judaico-cristão e a crescente perda identitária da velha Lusitânia.
Nascida a 19 de Agosto de 1944, na Granja, pequena freguesia do concelho de Mourão, ingressou no curso de História, em Lisboa, por ser uma apaixonada pelo passado e, por extensão, pela obra civilizacional que os nautas, soldados, escambadores e missionários de antanho legaram ao mundo.
Ainda sem o curso acabado foi dar aulas para o Externato Ramalho Ortigão, novel experiência que muito a marcou pela positiva, tendo concluído a licenciatura, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no ano lectivo de 1976-1977. Mais tarde completaria o mestrado em Ciências da Educação e, em fase ulterior, os estudos de terceiro ciclo, destinados a concluir o doutoramento, na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade de Sevilha.
Professora do secundário durante anos, na Escola Preparatória Damião de Góis, pois dispunha de natural vocação formadora e incomodava-a de sobremaneira a crescente perda de credibilidade do ensino, publicou diversos manuais que foram adoptados pelo Ministério da Educação. Como avaliadora externa da Inspecção-geral da Educação, dependente do ministério homónimo, viajou um pouco por todo o lado. Em complemento desta paixão, que começou a ganhar foros de cidadania ainda nos anos 80, percorreu as bolanhas da Guiné, as chanas de Angola, as picadas de Moçambique, as savanas etíopes, as montanhas quenianas e, até, o deserto líbico. Tendo cruzado por diversas vezes o mar-oceano, tanto em direcção às Américas como às Índias, dançou marchas populares portuguesas em Malaca, orou à Virgem Maria na igreja de São Paulo em Diu, percorreu o museu de Arte Sacra em Olinda, descansou nas ruínas das missões jesuítas no Uruguai, leu o Esmeraldo de Situ Orbis nas ameias de São Jorge da Mina, desceu às cidades subterrâneas da Capadócia, procurou conhecer a forma como Ornar Khayyam reformou o calendário muçulmano em Samarcanda e, ainda, absorveu as telas marítimas do arménio de passaporte russo Ivan Aivazovsky em São Pedroburgo.
Por detrás desta viandante compulsiva, herdeira dos romeiros franciscanos que demandavam a Judeia e a Galileia, em tempos de confrontação civilizacional, vislumbrava-se uma mulher altruísta, abnegada, desinteressada, desprendida, generosa e leal. Alguém em quem se podia confiar e que fora educada na observância aos valores intemporais da Grei.
A morte abrupta e inesperada levou-a, a 25 de Agosto de 2009, do convívio de quantos a estimavam. Hoje, resta a recordação de uma Mulher de bem, temente a Deus e às Sagradas Escrituras. Alguém que, revendo-se em Bento XVI e nos Sumos Pontífices anteriores, procurava fazer deste planeta a casa do Senhor.
Façamos um minuto de silêncio, em preito de homenagem, ao recordar quem, naqueles anos despreocupados que marcaram a transição da década de 60 para a de 70, ainda livre das influências funestas externas cujos reflexos começam a fazer-se sentir nestes anos do fim, tudo deu para que o Externato Ramalho Ortigão fosse um estabelecimento de referência.

António José
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Mal eu sabia quando, há pouco mais de um ano, escrevi para este blogue um texto sobre o Ramalho Ortigão e a Dra. Noémia, nossa professora de História, que ela viria a falecer passado tão pouco tempo.
Pelo testemunho tão belo e sentido que aqui podemos ler, ficamos a saber que a Dra. Noémia teve uma vida curta mas muito preenchida e rica.
Esta é a melhor homenagem que podemos prestar à sua memória: lembrá-la através destas palavras tão amigas e juntarmo-nos ao minuto de silêncio que nos é proposto.
- Isabel Xavier -
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Pereira da Silva disse...
Eis uma notícia triste.É uma pena que só perante a evidência da partida consigamos reconhecer a importância que algumas pessoas acabaram por ter nas nossas vidas. O que é uma espécie de fazer tricot ao contrário...da trama tecida para a descoberta do fio com que se teceu.
A Drª Noémia foi minha professora de História e um dos sopros frescos que se sentiram no ERO naqueles anos.
O seu ensino era substancialmente diferente do ensino tradicional da História, como o que praticava a Drª Deolinda, por exemplo.
À História, meio oficial e feita de verdades certas, do compêndio a Drª Noémia acrescentava sempre a hipótese de haver uma ou várias perspectivas e explicações diferentes.
Lembro-me disso a propósito da sua abordagem dos Descobrimentos....porque ao compêndio ela acrescentou Baquero Moreno e Jaime Cortesão dando-me, pelo menos a mim, essa noção de que a escrita da História é sempre o registo duma determinada interpretação dos factos provados. E se isso hoje é do senso comum, naquele tempo fazia toda a diferença.
Saber, hoje, pelo testemunho prestado da grandeza da sua alma deixa-me mais feliz. É bom saber ter sido "tocado" por alguém assim.
Paz à sua alma
Pereira da Silva
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PLB disse...
Foi com tristeza que li a notícia do desaparecimento da Dra.Noémia, o António José deixou-nos aqui o quadro de uma viajante que teria certamente muitas e interessantes coisas para contar.
A Dra. Noémia foi minha professora no 5º ano e sucedeu ao Dr. Garcia Domingues, na altura achei que lhe faltava a experiência de uma vida que o professor anterior mostrara mas isso era inteiramente justificado pela sua juventude de então, certamente que depois da uma vida de viajante como a que nos foi relatada teria muito para contar, talvez o António José possa um dia destes partilhar alguma dessas histórias aqui no Blog.
Até sempre Dra. Noémia,
Pedro Bandeira
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J J disse...
Lembro-me vagamente da Dr.ª Noémia no meu último ano no ERO, em 1971, mas conheci-a bem no ano seguinte, em que já estava em Lisboa. Primeiro porque a sua casa era um local de convívio em que se conversava e discutia livremente, se jogavam cartas e se ouvia música, depois porque no seguimento desse convívio acabei por me envolver na organização de um baile no Carnaval de 1972 no seu apartamento, que ficava no início da R. da Alegria, mesmo a seguir à Ponte. O baile foi um sucesso e reuniu várias gerações de alunos, muitos de nós, rapazes, já estávamos a estudar em Lisboa mas as raparigas eram quase todas suas alunas. Foi a única vez que fui a um baile de Carnaval em casa de um professor do Colégio, era essa a diferença que queria referir em relação à Dr.ª Noémia.
Não guardo uma recordação de alguém tão conservador como o António descreve no seu post, talvez por a termos conhecido em circunstâncias e momentos diversos. Mas partilhamos a imagem de alguém curioso e aberto à vida, ao conhecimento e aos outros. Lembro-me que ela ansiava por conhecer o Mundo, fico satisfeito por saber que o conseguiu.
É a segunda vez que o António colabora com o Blog, enriquecendo-o com a sua forma muito rigorosa e característica de redigir e também de encarar as pessoas e a vida. Espero que continue, claro.
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Anabela disse...
Faço minhas as palavras do Zequinha Pereira da Silva.Foi realmente uma lufada de ar fresco no ERO.
Foi graças a ela que aprendi alguma coisa de Filosofia, que ainda hoje recordo.A Historia, que em muito se cruzava com o estudo da Filosofia, era abordada por ela de uma forma muito interessante.
Foi com grande pesar que soube através do Antonio Jose do seu desaparecimento.
Que descanse em paz!
Anabela Castro
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Antonio Jose disse...
A sua campa merece todas as nossas flores, dos seus alunos do ERO, no silêncio contemplativo do florescer e apagar desses breves momentos a que chamamos vida.
A escrita poética do António José devolve-nos um retrato vivo da professora de história, abraçando intensamente o tempo e espaço, perseguindo em lugares fantásticos a história e "estórias" deste mundo, no qual nunca estamos separados graças ao blogue do ERO.
António José Neto
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Luísa Pinheiro disse...
Fiquei perfeitamente em choque quando por aqui soube da morte da Dra. Noémia, nossa querida professora de História. Ela e a Dra. Júlia de Português foram para mim as professoras mais fantásticas que tive. Uma "lufada" de ar fresco no ensino a que estávamos habituados.
Eu segui História e um dia quando a encontrei na Faculdade (ela estava a terminar o curso) tratei-a como sempre por Dra. Noémia, ela respondeu-me Noémia, Luísa, agora somos colegas! Fiquei um pouco intimidada na altura...chamar pelo nome uma professora...mas lá me fui habituando. Fomos inclusivamente algumas vezes ao cinema juntas.
Depois com o fim do curso a vida separou-nos. Alegra-me saber que apesar da curta vida que viveu foi em pleno.
Até sempre Noémia
Luísa Pinheiro Rufino

À JANELA DOS ANOS SESSENTA


Guida Carvalho da Silva
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ANOS SESSENTA (outros tempos)
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Quando eu tinha 15 anos, terminado o quinto ano, deixei o colégio e vim viver para Lisboa.
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O meu pai tinha tido um AVC, o meu irmão mais velho ia entrar na universidade e a minha mãe achou por bem agarrar nos trapos e voltar com todos nós para junto dos familiares.
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Não sei se terá sido uma decisão fácil para ela, eu não fui consultada, só sei que lá rumámos a Lisboa, onde eu vim terminar o liceu, num liceu só de raparigas, um liceu onde os rapazes estavam expressamente proibidos de entrar, ou mesmo de se aproximarem: menino que fosse buscar menina, tinha de a esperar pacientemente a mais de 50 metros da porta de entrada! Acabar o liceu e entrar na faculdade, com novos colegas, novas amizades, as festas dançantes nos sábados à tarde, as primeiras saídas à noite, as greves de estudantes com a consciencialização do Maio de 68 a chegar também às universidades portuguesas … “a pulga salta, a pulga grita, ora vai-te embora oh pulga fascista” ...


... o início do peace brother, peace e do flower power … os hippies com “if you’re going to S. Francisco, be sure to wear some flowers in your hair” …a partida do meu irmão Eduardo para Paris... os cursos de verão em Londres para aperfeiçoar o inglês... Para mim, a segunda metade dos anos sessenta foi um verdadeiro turbilhão de emoções, que acabou por apagar qualquer resto de saudade mais teimosa que eu pudesse ainda sentir por tudo e por todos os que tinham ficado para trás, em S Martinho do Porto ou nas Caldas da Rainha.
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Todos, sem excepção, acabaram guardados no fundo da minha memória, num canto meio desarrumado (e bem fechado à chave, por via das dúvidas!).
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E por lá teriam ficado para sempre bem guardados, não fosse o Blog do ERO , com os seus textos, fotos e links, ter começado a remexer nesse passado já tão esquecido!
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Oh maravilha das maravilhas…. aberta a caixa de Pandora., as recordações são mais que muitas a ficam cada vez mais claras: caras, lugares , situações, nomes e até cheiros e sabores de que nunca mais me tinha lembrado.

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A casa na Rua do Cinema, em S Martinho do Porto, a pacata vila piscatória para onde nos tínhamos mudado em meados dos anos cinquenta, as casas vazias no inverno numa terra que todos os verões se travestia de estância balnear da moda, trazendo não só os banhistas alfacinhas e caldenses mas também (já nessa altura) os turistas estrangeiros. Todos tinham em comum o facto de me parecerem estar quase sempre alegres, despreocupados e espantosamente divertidos.
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Cada verão as esplanadas da rua dos cafés e a praia se animavam e se enchiam de vida e de cor e cada verão eu ia aprendendo a nadar melhor, a andar de bicicleta mais rápido e cada verão fazia passeatas no cais de S.Martinho, via os barcos, a baía, comprava os barquilhos , pevides, bolas de Berlim, entrava nos concursos das construções na areia e caminhava até Salir, com o Eduardo e
os amigos dele, só para os ver pescar taínhas.
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Eu, que jogava ao prego ou ao ringue na praia e nadava até à velha jangada de madeira (que parecia sempre ser longe como o diabo), eu, que descia a rebolar as dunas de Salir à velocidade da luz para vir aterrar cá em baixo na ribeira, mais nódoa negra, menos nódoa negra, eu, que sonhava acordada no quintal da casa da rua do Cinema e coleccionava as fotografias dos Beatles que vinham nas pastilhas elásticas e ouvia Les Chats Sauvages “quand viens la fin de l´eté sur la plage il faut alors se quitter”… Cliff Richards… The Shadows … Silvie Vartan… Françoise Hardy… e, claro está, The Beatles …”love, love me do… you know I love you”… ah, o meu querido gira discos portátil , um Philips azul e beije, prenda por ter concluído o meu segundo ou terceiro ano, já nem me lembrava dele, o que lhe terá acontecido? Em que sótão, em que casa, em que prateleira, terá ficado arrumado e esquecido…
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Lembro-me, isso sim, de surripiar sempre «O Cavaleir Andante» ao meu irmão Eduardo, para poder ler as aventuras do Príncipe Valente, lembro-me de ficar estendida na relva do jardim, ou no areal da praia, absorta na leitura dos livros que invariavelmente ou eram da «Biblioteca das Raparigas» ou da «Biblioteca dos Rapazes» geralmente oferecidos pela titi, ou pela vovó, eu que via sempre o «Ivanhoe», o «Robin Hood» ou o «Get Smart» na TV (a preto e branco, tudo a preto e branco) e imaginava cavaleiros andantes em terras exóticas, enquanto esperava sem pressas por cada regresso às aulas, antecipando o reencontro com as amigas e os amigos do colégio.
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Nessa época cada viagem no comboio da linha do Oeste era uma pequena aventura, todos os dias o mesmo grupo de adolescentes brincalhões e despreocupados viajava de S.Martinho do Porto às Caldas da Rainha, em menos de 15 minutos (com direito a paragem no Bouro).
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E eis que, sem ser convidadas, começam a chegar as memórias do colégio: desde as aulas de ginástica onde as meninas se pavoneavam naquelas inestéticas saias de sarja branca que éramos obrigadas a vestir por cima dos calções (coisas da época) até aos napperons em ponto cruz nas aulas de Lavores Femininos da Dona Dora …
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Ui, e tal qual coelho tirado da cartola, aparecem desordenadas imagens das aulas com o professor Azevedo, o terror da matemática, a Dra Maria do Rosário, que eu achava tão elegante com os seus lenços sobre os cabelos… a Dra Irene “quand trois poules vont aux champs, la premiere marche devant”.... os directores: o tolerante e sorridente Padre António Emílio e o sisudo e inflexível (ui, que medo… ) Padre Albino!
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O padre Renato, que logo no primeiro ano, para minha grande desilusão, teve a bondade de me informar que eu desafinava demais, por isso o melhor seria ficar de boca fechada nas suas aulas de Canto Coral! Foram cinco os anos que eu passei no ERO, do primeiro ao quinto, de sessenta a sessenta e cinco e a cada novo ano lectivo o padre Renato ,sem sucesso, a tentar hipnotizar -me durante o recreio (dizia ele que o insucesso era derivado ao facto das solas dos meus sapatos serem de borracha …) e a cada novo ano lectivo eu voltava a tentar cantar e voltava a ser devidamente informada que desafinava demais por isso tinha de ficar fora do coro!
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A amiga irreverente, a Lena Figueira, que um dia, sem pré aviso, de morena passou a loura amarelo palha, num abrir e fechar de olhos, escandalizando a moral caldense mais puritana da época, a Ana Nascimento e o Carrilho , que tinham sempre boas notas e sabiam a matéria toda na ponta da língua (a Ana menina sempre bem comportada, o Carrilho nem tanto) e, claro está, as minhas duas companheiras nas viagens de comboio a Isabel Veiga (a verdadeira espalha brasas... ) e a Graciete (tão Françoise Hardy!).
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O meu irmão mais velho, o Eduardo Artur (1948/2003) , com todos os seus colegas de turma e o fascínio que os mais velhos exerciam invariavelmente sobre os mais novos, os famosos passeios ao parque durante a hora do almoço, o subir bem devagar a ladeira até ao colégio em amenas cavaqueiras, entre risadas e brincadeiras, os recreios onde as miúdas saltavam à corda, jogavam à macaca e espreitavam timidamente para o recreio dos rapazes… os «flirts» à distância…
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Cada novo ano lectivo as melhores amigas se entretinham em novas confidências e mais zanga menos zanga, continuavam a ser as melhores amigas e os rapazes, ah les garçons, esses eram infalivelmente umas verdadeiras pestes, que durante as aulas de físico-química, no anfiteatro, sopravam pequenas bolas de papel pelos tubos vazios das esferográficas, na tentativa de as fazer aterrar nos cabelos das meninas.
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Foram anos muito bons , esses anos em que eu frequentei o ERO. E, de repente, ooopppsss, bate a saudade!
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Hoje, aqui e agora, penso com alguma tristeza na Nani, essa colega que recentemente foi ao encontro dos outros que entretanto também já nos deixaram.
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Tantos anos passados, tantos anos vividos, tão longe que estão as nossas adolescências e agora unidos por um blog!
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Guida CS

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ANOS SESSENTA (Comentários)

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Tina disse:
Com este texto saudavelmente nostálgico, a Guida trouxe-me recordações de uma década que muito me marcou.
Não pertenço ao grupo da ERO e a vivência foi diversa. Mas fez-me lembrar que também não fui consultada aquando da mudança da minha família de Cabo Verde para Lisboa, que foi muito sofrida em Dezembro de 1966, para os meus 14 aninhos acabados de completar. E que trouxe de lá, na ponta da língua, as letras das canções em voga na música britânica, francesa, italiana, espanhola e também brasileira, pois a cidade de Mindelo era um porto franco e as influências vinham de todo o mundo. Fui parar ao severo Liceu Maria Amália, mas de ensino exemplar, onde as sementes da luta pela vida foram plantadas.
Agradeço de novo ao José Luís Alexandre ter-me chamado a atenção para um artigo do Artur R. Gonçalves, que me trouxe novamente ao convívio do JJ, que conheci sendo eu já aluna do 1º ano do ISE, onde entrei em 1971.
Não tenho sempre oportunidade de acompanhar todos os posts no ERO, mas uma coisa salta logo aos meus olhos: a vossa juventude foi vivida de modo muito semelhante que a minha. Afinal, eu vim de Cabo Verde julgando que era genuinamente portuguesa, já que até as minhas canções de roda em criança foram maioritariamente exportadas do continente.
Foi um prazer encontrar o grupo ERO através deste blog com manutenção do JJ. Com certeza que desculparão esta invasão de uma ET. Ou antes de uma ES.
(Ernes)Tina Santos
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Artur R. Gonçalves disse...
Em 1960, ano do quinto centenário da morte do Infante D. Henrique, frequentava eu a 3.ª classe na antiga escola primária da praça do peixe. Pouco recordo dessas celebrações para além da cunhagem de uma moeda de prata comemorativa com a esfinge do desconhecido senhor do chapeirão, teimosamente identificado com o pretenso navegador. Para dar mais brilho à efeméride, os irmãos Quina também andaram a velejar pela baía napolitana e trouxeram consigo uma medalha de prata das olimpíadas romanas. A experiência junto a penicheiras e nazarenas foi rápida, porque regressei à escola do bairro da ponte onde ingressara no final da década anterior. Lembro-me de ver muitos meninos de pés descalços na sala de aula, geralmente sentados na fila dos burros, e de pensar com os meus botões o quão feliz eu era por me sentar na fila do meio e ter direito a umas botas no inverno e sandálias no verão. Os sapatos, claro está, eram o luxo dos feriados e dos dias de ir à missa ou à catequese. A fase seguinte foi passada na escola velha da mata e na nova da saída norte da cidade da rainha.

Os contactos com os/as meninos/as do colégio foram muito escassos e fugidios. Faziam parte de um outro universo que não o meu. Via-os a entrar sair do edifício situado na rua capitão Filipe de Sousa. Morava em frente, junto ao chafariz d’el-rei. Depois mudaram-se para a zona alta do burgo. Via-os passar junto ao chafariz das cinco bicas, a calcorrearem ladeira acima a caminho de um externato todo novinho em folha. Não me recordo de alguma vez ter visto passar a Guida ou de alguma vez me ter cruzado com ela. Nem nas CdR nem em SMdP nem muito menos em Lx. Teria sido impossível deixar de fixar o rosto e a figura, tão composto à medida da Françoise Hardy, a minha ídola de então. Até aos meus quinze anos, passei férias de verão noutras paragens mais meridionais da província estremenha. Só muito ocasionalmente dei umas escapadelas às praias do oeste caldense. As esplanadas, os cafés, as dunas, as passeatas, os areais, as águas paradas da baía e agitadas da costa, todas os ambientes referidos da vila piscatória são-me familiares mas guardo-os na memória de um modo bastante mais ténue. As idas ao cinema eram cumpridas nos defuntos Salão Ibéria e Pinheiro Chagas. Os bailes de fds faziam-se noutras garagens e os gira-discos pertenciam a outras mãos que não as minhas.
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Quando a janela dos anos sessenta se estava a fechar e dos setenta a abrir, mudei-me para a capital do império. O meu processo de autodeterminação e independência pessoal começou aí. Na altura ainda se ouvia toda essa discalhada juvenil cantada em inglês e francês, mas também em italiano e espanhol. As novas que vinham do maio parisiense e a queda do senhor das botas alterou um pouco o meu universo de referências musicais que começou a fazer-se muitíssimo em português. Pensando bem no assunto, os meus anos sessenta foram vividos no início dos anos setenta. São esses que eu continuo a recordar como os anos dourados da minha adolescência. Em comparação com esta fase alfacinha da minha vida a anterior parece-me demasiado insípida para recordar de uma forma particular. Estive lá e saltei para a vida. Curiosamente, é através de uma janela virtual que tive a oportunidade de olhar para a janela real aberta de par em par para os nossos verdes anos que convencionámos encaixilhar nessa década prodigiosa em que os rapazes conquistaram a liberdade de deixar crescer o cabelos e as meninas de fazer subir as bainhas até aos limites inconcebíveis das mini-saias. Época heróica essa também, berço em grande parte destes nossos tempos do dia de hoje...
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Alfredo disse...
Guida:
Deliciei-me a ler o teu post recordando passos e vivências de outrora bem como fotos desse tempo. Eras linda e o teu irmão, Eduardo, “um bom camarada” e quando caminhávamos para o rio de Salir não nos entretínhamos somente em pescar tainhas mas também, e sobretudo, a apanhar caranguejos, amêijoa e berbigão tão abundantes no rio desse tempo. No cimo das dunas apanhavam-se e comiam-se as camarinhas, descendo-as depois a rebolar, deslizar ou sentados ou deitados em cima das folhas largas das piteiras e só parávamos dentro da água do rio, ás vezes com uns valentes trambolhões rebolando, ora de pé ora estatelados na areia e mazelas conquistadas nestas aventuras mas que acabavam em sonoras gargalhadas.
Deverás também lembrar-te do “ti Farinha”, sempre vestido de branco dos pés à cabeça com o seu apito a anunciar a sua chegada e passagem, e do “Catitinha” que vendia barquilhos na praia, da Rosa das “bolas de Berlim” e bem assim das sessões de teatro dos “Robertos” e as “Construções na Areia” com entrega dos prémios no Cinema com pompa e circunstância.
A Jangada em madeira, de dois pisos, que parecia tão longe da areia mas que em certos dias de marés vivas quase se alcançava “a pé” na baixa-mar, belos mergulhos e regresso a nado. Algo que também já pertence a esse passado e não mais regressou foram os viveiros de marisco “plantados” na baía e que também serviam para nadar até eles, descansar e regressar a nado até á praia.
Mais para os rapazes, foi o divertimento da abertura do túnel com os rebentamentos feitos com pólvora e a construção do paredão ao longo da Avenida, ainda recordo “os chorões” que cresciam no local desta construção e das marés grandes que levavam a água das ondas até á passagem de nível e ao Largo do Turismo até quase ao Café do “Marrofos”, hoje Café Baía, do “Manel Careca”.
Sempre tive a vaga esperança de voltar a conversar convosco, mas reparei que colocaste duas datas quando referiste o teu irmão e senti “um baque” no peito e uma sentida desilusão por saber que isso se tornou impossível, “ele foi um bom companheiro”. Talvez não te lembres destes nomes, mas eles foram os que conviveram, brincaram, passearam e muito conversaram nesse tempo, José António Louro da Costa “vulgo Barbas d’Álho”, João Moura, Eldeberto Carreira “Beto”, Alfredo Justiça, José António G. Justiça, e outros que agora não recordo, mas estes foram os que continuaram a amizade até ao ERO e Escola Industrial e Comercial.
Muito mais há para recordar… e é bom recordar, embora por vezes doa e nos deixe melancólicos mas os anos 50s e 60s são o nosso orgulho e invocá-los sabe bem. Oh se sabe.
A.Justiça
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Victor Ângelo disse:
Muito querida Guida,
O teu post faz-nos jovens, tantas décadas passadas. Tu e eu estivémos na mesma turma, no 2º e no 3º ano. Tu, a rapariga de todos os sonhos, eu um pobre tímido de meia-tijela. Depois, voltei para Évora e perdi-te por uns anos. Voltei a encontrar-te quando já estavas em Lisboa, a acabar o Liceu. Para te perder, de novo, quando fomos para a faculdade. E voltámos ao contacto em 2000, quarenta anos depois. Eu havia dado a volta ao mundo, tu havias vivido a vida. Nessa altura falámos da hipótese de tentar reunir os antigos do nosso tempo. Por isso, é tão bom ver este blog em pleno funcionamento, ter a oportunidade de rever nomes que se haviam perdido nas nossas memórias, e, sobretudo, ler a tua crónica de um tempo que era mais simples e puro, mais genuino e inocente que os dias de agora.
Muito obrigado, Guida.
Victor Angelo
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JJ disse:
Convictamente caótico, decididamente nostálgico, evidentemente sedutor, irresistivelmente soalheiro, este é o post que abre a época balnear no Blog. Começou o Verão !
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Joaquim disse...
Puxa ! e pensava eu que tinha boa memória.
Parabéns
Joaquim

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jorge disse...que bela prosa,que boa memória,que belas memórias!as músicas,s. martinho,a contestação universitária,embora um pouco mais novo passei por isso tudo.maravilhoso...j.
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
Este é o tipo de post que mexe comigo. And you wear flowers in your hair....and you did it of course, Guida!
Ao ver a primeira foto ainda antes de começar a leitura do texto, de repente disse para os meus botões: O quê, a Janis Joplin, a tal que cantava ou antes gritava «Me And Bobby McGee» também andou no ERO ?
Sequência maravilhosa de memórias que se lêem «d'un seul trait»
Lindo!
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Laura Morgado
Que boa memória a da Guida!Um texto fantástico que não pode deixar nenhum aluno daquela época sem uma recordação...por muito insignificante que seja. Quer no ERO ou na Faculdade...foram bons tempos apesar de conturbados.
Guida, esqueceste-te do Padre Chico...ou nem por isso?
Beijinhos por tudo aquilo que me relembraste.
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Guida Sousa disse...
Este texto jorra do fundo do coração,misturando pessoas,factos,músicas,memórias pessoais de uma forma arrebatadora e,como já escreveram,cativante e sedutora.
Maravilhosas as fotografias todas com um inigualável tom da época.
Não admira pois a quantidade de pessoas que têm procurado o blogue para ler. Parabens!
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Isabel Esse disse...
Gostei muito deste post,do texto e das fotografias.Mas não escrevo por isso,já outros o disseram.
A Margarida(que não conheci)salienta o blogue como local de reunião e encontro de pessoas que de outra forma estariam irremediavelmnte separadas e perdidas.Só por isso,este blogue é indispensável e insubstituível,como eu e outros dissemos em Novembro!
IS
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Cristina Ramos Horta (no Facebook) :
Não conheço a Guida Carvalho da Silva, mas escreve bem e é linda.Parabéns e obrigada pelas recordações partilhados.
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Jaime Serafim disse:
Tenho andado um tanto afastado do blogue, motivado pelo acréscimo de trabalho do fim do ano lectivo e de outras actividades em que me meti. Vida de reformado não é fácil, não...
Mesmo assim, tenho acompanhado de soslaio o que se vai passando, aguardando melhor tempo para desfrutar o prazer de proceder a uma leitura mais atenta.
No entanto, ao ver uma foto da Françoise Hardy, lembrei-me de quanto eu apreciava as suas canções - um timbre límpido e doce que nos trazia letras simples, mas muito enternecedoras. Lembrei-me também que possuo um vídeo de uma canção da Françoise. Para mim, o vídeo vale pelo som - as imagens poderiam até ser dispensadas, mas não são más de todo.
Não sei se interessará aos saudosistas, se vai sobrecarregar desnecessariamente o blogue, ou mesmo se já foi inserido e eu nem dei por tal.Seja como for, partilho-o consigo.
Um abraço
Jaime Serafim
Joaquim disse:
Parabéns ao J. Jales pelo blogue do ERO, que tem lindas estórias dos anos sessenta e anos setenta, em que os principais personagens são alunos da B.Pinheiro e R.Ortigão e todos outros certamente serão bem-vindos, embora eu pense que deveriam ser apenas alunos do ERO.
O meu nome é Joaquim Chaves, sou das Caldas e acabei a escola na Bordalo no ano 59/60. O convívio que tive com alunos do Colégio foi mais nos encontros de futebol que havia entre nós e posso dizer que geralmente havia uma boa camaradagem. Na altura eram os Calistos, "o Jorge", o TóFreitas,o muito popular João Calheiros e tantos outros. É pena que esses dos anos cinquenta não apareçam, pois foi uma época brilhante e que muitos se encontraram na vida militar, na já não tão brilhante mobilização para as antigas colónias, como o J.Franco, o Figueiredo,o Ventura, o Honório e outros
Espero estar nas Caldas em 10 de Julho e até fins de Outubro, estou sempre com colegas antigos no Central das 10 ao meio dia e vou tentar aparecer por aí para receber umas lições sobre discos...Vou enviar outro email com a estória da "porta", mas se o João decidir não publicar não faz mal algum, pois eu durante muitos anos pouco ou nada escrevi e agora torna-se um pouco difícil ...
Cordialmente.
Joaquim
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Guida Carvalho da Silva respondeu :
Se o meu apontamento sobre os anos sessenta despertou assim tanta curiosidade e teve tantos visitantes, isso deve -se antes de mais nada ao administrador do blog e à «operação de marketing» desenvolvida, que foi muito bem sucedida e conseguiu efectivamente reunir um grande número de leitores. Por esse facto fiquei particularmente contente, na medida em que me permitiu partilhar este passeio ao passado com todos aqueles que tiveram vontade de o ler. É que os bons momentos não têm sabor se não forem partilhados.
Obrigada pelos vossos comentários.
Obrigada João Jales pelo «Antigos Alunos Ero».
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José Mário Rego disse:
Guida
Gostei imenso de ler o teu relato de um tempo que vivi,com outra idade mas com igual intensidade. Tinha no teu irmão Eduardo, um colega de ano e amigo,a quem perdi o rasto, mas nunca o desejo de saber dele.Por esse motivo,gostava se possível, de conhecer um pouco mais da sua vida,após a saída das Caldas.
Podes contactar comigo?
Abraço Amigo
JMRego
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SUBINDO À JANELA

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C O M E N T Á R I O S :
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Maria Manuela Gama Vieira comentou a foto:
Parabéns.Uma fotografia muito sugestiva, gostei imenso! :-)

JJ disse:
O seu a seu dono, a excelente fotografia é do Padre Xico. Desde que a vi pensei publcá-la isoladamente e não apenas acrescentá-la aos álbuns.
Queremos agora identificar os protagonistas desta aventura, julgo reconhecer o João Miguel mas mais ninguém…. Aguardemos.

J M Azevedo Santos disse:
Tenho dificuldade em reconhecer-me neste cenário. Nem me lembro da aventura, nem do local ...
A figura que está no centro da janela recorda-me o Carlos Orlando Castro e Sousa Rodrigues (licenciado em história, Professor de infantes e morador em Óbidos). mas tinha ideia de o ter «apanhado» no colégio mais tarde.
Não faço ideia de quem seja o acrobata. nem o terceiro ocupante da janela.
Abraço
JMiguel
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