ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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À JANELA DO ERO

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C O M E N T Á R I O S
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Laura Morgado disse:
Das 3 fotografias acho que só conheço o menino da primeira foto. É o Canhão... será?
Os outros são crianças encantadoras mas não sei identificar. Tem que ser um trabalhinho para a nossa querida Ana Nascimento.
Um beijinho para ti Ana.
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Ana Nascimento disse...
Com que então um trabalhinho para mim ... lol....Tens razão Laurinha ,o primeiro é o António Manuel Canhão Veloso, a seguir é a Isabel Pinto Ribeiro (colega da minha irmã Luisa) e depois o Luís, irmão da Isabel, que foi meu colega...
(esta foi fácil eheheh)
Beijinhos
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Ana Nascimento disse:
Oh enganei-me !!!! desculpem-me este lapso de memória... quem me valeu foi a mana Luisa ...o menino Pinto Ribeiro não é o Luis, é o João, gémeo da Isabel.
bjs
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A JÚLIA À JANELA DO BLOG

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Olá, J J (João Jales?)!
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Foi por indicação de uma amiga que me enviou o endereço para ler o texto in memoriam à Noémia que descobri o blog (ou blogue?) do ERO.Fiquei muito comovida com a homenagem porque já éramos amigas antes de irmos para as Caldas e essa amizade de jovens era ainda uma realidade para as sexagenárias que, em pequenas e grandes cumplicidades, fizeram percursos profissionais semelhantes, partilharam momentos bons e que se apoiaram em momentos duros de perdas e de sofrimentos.
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Falei com a Noémia na véspera do AVC fatal que a levou para lhe dar os parabéns pelo aniversário. Divertidas, fizemos imensos planos para tirarmos partido das vantagens da entrada na terceira idade (cinemas mais baratos, viagens de comboio, etc.). E, quando dias depois, me fui despedir dela para sempre, parecia-me estar a viver um pesadelo!
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Falávamos muitas vezes da época das Caldas de que guardávamos muitas recordações e saudades.Por isso, foi um prazer enorme ler o blogue. Há três dias que vasculho, vasculho… E a memória, que às vezes já me trai, traz-me o passado de volta com a leitura de certas narrativas.Lembro-me de nomes completos como Maria Margarida Alves da Costa Rego e o do irmão (Filipe José…) ou semi-completos como José Carlos Faria, Paula Jales, Maria João Gomes, Luís Lamy, Margarida Barreto, Rui Ferreira da Silva, Chico Carrilho, Luísa Pinheiro, São e Isabel Caixinhas ou apenas Zé, Nami… Filipa, Anabela, Natércia, Rogério, Hipólito, Palhoto…
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Dos colegas lembro-me de todos e gostava de ter os contactos da Inês e do Serafim, cujo humor fino animava os intervalos na sala dos professores.
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Adorei a caricatura da São (só não me lembro da saia às flores…) e a caracterização da Isabel que me achava «um tanto esgrouviada».Fiquei sensibilizada por ainda se lembrarem de mim. Acho que não era assim tão boa professora: na altura, sabia ainda muito pouco (ainda hoje sei pouco!), mas tentava fazer o melhor que sabia… Só queria fazer diferente e não seguir as práticas da escola que tanto tinha contestado, que confundia respeito com medo.Essa foi aliás uma linha que orientou toda a minha vida profissional até à aposentação…E, dos quase quarenta anos de docência, os dois passados no ERO estão agora mais vivos graças ao blogue. Obrigada!
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Gosto muito do Oeste (agreste!) e talvez porque a recordação da juventude me arrastou para lá, tenho um apartamento perto da Consolação, onde passamos (eu e o meu marido) grande parte do Verão desde que nos aposentámos. Vou às vezes às Caldas, mas nunca encontrei ninguém dos velhos tempos (a não ser a Joana na Farmácia).Será que posso ir ao próximo almoço? Podem mandar-me o contacto da Guida Rego já que, segundo percebi, é ela a organizadora dos encontros?
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Um abraço grande para todos e até breve.
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Júlia Ferreira ou, simplesmente, Júlia
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Nota: A caricatura da São Caixinha e o texto da Isabel Xavier a que a Drª Júlia se refere no texto estão AQUI.
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C O M E N T Á R I O S
.Isabel X disse...
A autora do "um tanto esgrouviada" (no bom sentido, claro!) sou eu, Isabel Xavier. Não se lembra de nós, Dra. Júlia? Dos manos Xavier? Não se lembra do Vasco Baptista, por exemplo? Éramos de sua casa, da casa da Dra. Noémia. Eu nem tanto, que sou mais nova mas a Helena e o Mário, meus irmãos, colegas de turma, não por serem gémeos, mas por terem apenas um ano de diferença e a Helena ter chumbado, davam-se bastante com professoras como a dra. Júlia e a Dra. Noémia. Gostei muito do seu depoimento, gostei muito que aqui viesse encontrar-se connosco. Considero estimulante e exemplar saber que a sua amizade com a Dra. Noémia foi para a vida. Cános encontramos todos outra vez, uns de cada vez, neste blogue, mantido graças ao esforço e ao desvelo do João Jales (nome de guerra: JJ!). Quem se quer bem sempre se encontra!
Abraço
- Isabel Xavier -
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Luís Lamy disse...
Até que enfim uma excelente notícia, seja bem aparecida Drª Júlia, tinhamos saudades da sua presença. Se tiver paciência pf apareça nos nossos encontros, ao princípio parece que estamos no primeiro dia de aulas, curiosos e não conhecemos ninguém, umas horas depois sentimo-nos em pleno recreio com os nossos amigos de sempre, como a Drª Júlia. Ainda estamos em dívida, um grande abraço e faça o favor de aparecer quando lhe apetecer.
Luís Lamy, um aluno exemplar ;-)
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Belão disse...
Ainda bem que finalmente a Drª Júlia apareceu. Encontrei-a há 19 anos no Hospital de Santa Maria, onde o meu pai estava internado e tinha como companheiro de quarto, penso que o pai da Drª Júlia. Ficámos a olhar uma para a outra por breves momentos, mas deu-se o reencontro. Fiquei na altura com o seu contacto, que escrevi num papel que perdi. E como fez falta esse contacto para os nossos encontros do ERO!
Embora as razões que promoveram a sua aparição não tenham sido as melhores (o desaparecimento da Drª Noémia, a prof.que me fez passar a "suportar" a História), é bom saber que doravante a vamos ter connosco.
Um beijo, Drª Júlia.
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São disse:
Fez-me muito feliz encontrar hoje aqui este depoimento da Dra. Júlia, apesar do triste motivo que o conduziu neste sentido!
Agradeço as simpáticas palavras...e simultanêamente talvez seja acertado salientar que eu também não me lembro de alguma vez a ter visto com uma saia ás flores!!! Terá surgido como forma de acentuar o inovativo, alegre,e tolerante da sua extraordinária personalidade que de uma forma tão positiva nos impressionou!! Proporcionou-nos preciosos tempos novos de liberdade e tolerância que recordo com muita saudade! Como é que alguma vez poderiamos esquecer! Estou-lhe eternamente grata!
Um beijinho.
São Caixinha
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Zé Carlos Faria disse...
Drª Júlia: Agora que, para nossa alegria, veio aqui meter o nariz, seja muito bem-vinda e fique desde já sabendo que está convocada para o próximo almoço. Livre-se de não aparecer! Beijos. ZCF
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Rui disse...
Olá Dra. Júlia
Quantas vezes tenho pensado no que sera feito de si e da Dra. Noémia. Há pessoas que nos marcam, de quem nunca nos esquecemos, mesmo que tenham tido uma curta passagem pela nossa vida. Dra. Noémia e Dra. Júlia , duas professoras com uma postura modernaça que fazia toda a diferença.
Talvez nāo se lembre de mim, mas eu ainda tenho na memória a imagem nítida do nosso primeiro encontro. Cheguei atrasado à minha primeira aula no colégio, primeira de português, abriu-me a porta e não conseguiu esconder um sorriso ao olhar para o meu ar desarrumado. Eu tinha acabado a escalada da ladeira do chafariz das cinco bicas, entrei e sentei-me onde me indicou, olhei para o meu colega do lado, o Rui Aniceto, e disse:- Daqui dou porrada a todos. Atrás de nós sentava-se o Fernando Real, que eu não tinha medido bem, e que tratou de regularizar o assunto logo no intervalo dos 20 minutos - talvez por isso nunca mais me esqueci, ficámos amigos.
Também não me esqueço das boleias no mini da Dra. Noémia, sempre guiado com grande despacho. Sobretudo lembro-me que as aulas de história e de português nunca foram uma seca.
Agora, passados todos estes anos, aqui está a Dra. Júlia a fazer-me escrever pela primeira vez num BLOG. As novas tecnologias tem destas coisas, muitas vezes isolam-nos, noutras ligam-nos novamente.
Obrigado a quem dá parte do seu tempo para construir e manter este BLOG, pela minha parte, vou fazer o possível por estar presente no próximo jantar, onde espero rever a Dr. Júlia.
Quanto à Dra. Noémia, agora a residir noutro plano, já quase tudo foi dito e de forma eloquente. Infelizmente quando chegámos a este ponto de encontro ela já se tinha ido embora, fica para quando chegar a nossa vez...
Para si, Dra. Júlia, um grande beijo, carregado de amizade
Ruca (Gomes)
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Laura Morgado disse:
Não conheço a Júlia...mas tenho de agradecer o belo texto que publicou no nosso blog!
Conheci a Noémia num colégio em Lisboa onde demos aulas. Gostei muito de ter convivido com ela. Uma das qualidades que lhe conheci foi a sinceridade!!!
Foi pena ter desaparecido do mundo dos vivos tão cedo.
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Júlia disse...
Olá!Tenho lido os comentários e estou muito sensibilizada com o que escreveram… Nunca pensei que havia tanta gente a lembrar-se de mim! E não é que, à excepção da Laura Morgado (que não conheço), me lembro bem de todos os que escreveram?Tinha-os algures guardados num qualquer escaninho do cérebro e a leitura de passagens do blogue recordou-me rostos, nomes e episódios que pensava ter esquecido. Fiquei comovida, mas não quero falar de lamechices.
A minha «APARIÇÃO», como lhe chamou o JJ, faz-me quase sentir uma espécie de Nossa Senhora de Fátima!Lembro-me muito bem dos três manos Xavier referidos pela Isabel X (mas não havia ainda outro, mais novinho, o Tó Zé?), do Zé Carlos Faria (que era o ai-jesus da sua querida avó), da artista que tão bem me caricaturou, da Belão (que voltei a ver em circunstâncias difíceis para ambas), do Lamy «aluno exemplar» (como ele se autodefine) e do Ruca «reguila» (irmão da Mena?).
Mas lembro-me de muitos mais: havia molhadas de «Anas» (era um nome muito em voga na época, felizmente bem mais bonito do que a onda de «Tânias» e «Vanessas» que se seguiu…), várias «Luísas» (Pinheiro, Nascimento, Papoila, etc.). E havia também um Eurico (mas nenhuma Hermengarda…).Se não me lembro de todos, desculpem! Só aí estive dois anos e, em quase quarenta de profissão, tive muitos, muitos, muitos alunos… E, já que vim meter o nariz no blogue, vou procurar não faltar à convocatória do ZCF…Vão ter surpresas, porque Cronos tem feito o seu trabalho… Mudei muito: mais volume, menos músculo, mais cintura, «que é dos meus óculos? sempre à procura», mas continuo «um tanto esgrouviada»... Quem torto nasce…E, pela minha parte, também as vou ter porque na minha memória há meninos de 10 e 11 anos, outros na adolescência ou a saírem da dita, e sei que vou encontrar alguns «cotas», em que o tempo, pela lei natural das coisas, também fez os seus desgastes.Foi bom este reencontro!
Viva o JJ que o permitiu!Um abraço grande e até breve,Júlia Ferreira
P.S. Pensava assinar só Júlia, mas, verifiquei que há uma homónima (irmã da Filipa Ribeiro?), colaboradora assídua do blogue, que assina muitas vezes assim. Para não lhe roubar direitos adquiridos por antiguidade, passo a pôr também o nome de família…
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Isabel disse.
Que agradável surpresa ler o artigo da Dra Julia no Blog do Ero!A Dra Julia era uma das professoras que pertencia ao pequeno grupo de professores que tinhamos então, com metodos muito diferentes dos que ate aí usados!Muito moderna e querida tinha um especial sentido de humor! Era sobretudo muito tolerante.Inesquécivel!Juntamente com a Dra Noemia trouxeram uma nova vida ás nossas aulas e ás nossas vidas!Vai ser um verdadeiro prazer revê-la num próximo encontro!
Beijinho amigo
Isabel Caixinha
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Luísa Pinheiro disse...
Depois do desgosto que tive com o desaparecimento da nossa querida Dra. Noémia, fiquei muito feliz por saber da Dra.Júlia.
Os outros que me perdoem, mas sem dúvida foi a minha professora favorita. A minha boa relação com os meus alunos deve-se muito ao exemplo e ao que senti como aluna com esta professora e também com a Dra. Noémia. Lembro-me que até estudei Português com mais vontade, só para lhe agradar.Ai que saudades!!!!!
Beijinho, querida Dra. Júlia!
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Isabel X disse...
Ah Bom! Grande memória! Sim senhora...Eu só perguntei porque me pareceu que a Dra. Júlia não se tinha apercebido de que era eu a autora do texto que acompanhava as caricaturas da São Caixinha. Não quis perder "direitos de autor" sobre a expressão "esgrouviada" que aqui tão desassombradamente assume, mostrando o seu peculiar sentido de humor.
Pois é como diz há mais manos: o Tozé, um ano mais novo do que eu e há ainda dois outros "Xavieres", mais velhos, que a Dra. Júlia não conheceu. Somos seis ao todo: "à meia dúzia era mais barato", a crer no adágio popular.
Sabe? ainda hoje me "fartei" de falar de si com o Filipe Rêgo, meu colega de escola (continuamos assim, veja lá, passados tantos anos: colegas de escola!). Dizia ele de quanto a Dra. Júlia foi importante para ele. Para nós todos, afinal.
Beijinhos, muitos.
- Isabel Xavier -
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Inês disse...
‘Noémia & Júlia’, um filme que hoje revejo com dolorosa ternura. Nele, o tempo é de Vietnam, Bob Dylan e Portugal amargurado.
Com o Padre Francisco ao comando, o Colégio ganhou uma espiritualidade nova, rescende a flower-power. A autenticidade derruba a máscara séria do uniforme dos professores e já rimos, livres! ‘All you need is love, brother.’
Os novos ventos que sopram, explica-os o João Serra algures neste blogue. Ventos da nossa história. Brisa suave e firme, a Noémia… O vendaval é a Júlia, que entra de rompante e varre a quietude morna das convenções. Segura, simples e ‘moura de trabalho’ a vejo. E a revejo anos depois. Pois que voltei a ver Noémia & Júlia de passagem e soube que as duas eram tradutoras nos “Cadernos D. Quixote”, que ali tenho. ‘Quando vires o nome X, já sabes que somos nós’ . Mas eu esqueci o nome, era feminino, ficou um mistério… o raio do nome X. Será que se lembra a Júlia? Querida Júlia!
Welcome aboard!
Inês
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ana lucia disse...
Dra. Júlia,
Que grande surpresa. Já há algum tempo atrás tinha tentado saber algo sobre o seu "paradeiro" por isso estou contente por poder saber noticias suas. Não se vai lembrar de mim, quase ninguém se lembra, mas eu sou a Ana Lucia, uma entre as muitas Anas.
Sempre a achei "diferente", uma diferenca que me deve ter sido muito especial pois um dia tive a coragem de levar a minha câmara fotografica para a aula e tirei-lhe umas fotos às escondidas. Essas fotos, penso ainda as ter, se as encontrar repartirei consigo.
Um grande beijinho e benvinda ao Blogger.
Ana Lucia
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ÀS JANELAS DO COLÉGIO

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C O M E N T Á R I O S
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Lena disse...
Adorei rever o Zé Manel e a sua mota, a poupinha do Victor, o Ângelo, o Jorge Teixeira e o Sérgio.
Foi desta mota que caí no dia 4 de Maio, andava no sexto ano. Há tempos contei esta história no blog, mas aqui o que interessa mesmo dizer é:
- Que lindos rapazes, não acham?
Beijinhos
Lena Arroz
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JJ disse:
Já temos uma identificação dos retratados, que agradeço à Lena, mas não uma legendagem que aguardo escrita pelos próprios.
O post da Lena, que ela refere, pode e deve ser lido aqui.
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Luis disse...
Mas qual identificação?Temos CINCO nomes para QUATRO retratados!Ou falta alguém no meu computador ou sobra um nome!!!L
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Higino disse:
Aproveito para homenagear o Angelo que já não está entre nós.
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Maria Manuela Gama Vieira disse:
O Luís tem razão,só conto quatro rapazes!Ou será que também me falta um no meu computador? :-)
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Guida Carvalho da Silva disse...
As aventuras dos cinco! A foto está genial e o quinto elemento será com certeza o fotógrafo!!!
Guida Carvalho da Silva
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Lena disse...
Pois foi. Fiquei tão impressionada com a foto que à primeira confundi o Sérgio com o Jorge Teixeira e depois quando escrevi o comentário imaginei que estava também o Jorge Teixeira. O Jorge já morreu, morreu muito novo com uns 34 anos. Ele era muito bom aluno e fez-me isso muita tristeza e impressão , o que também deve ter contribuído para o meu engano. Peço desculpa.
O Victor é o da poupinha e tem uns sapatinos de bico que se usavam na altura. O Ângelo é o da gravatinha e também já morreu. Também morreu novo, com menos do que 50 anos. O Sérgio está óptimo e esteve connosco no almoço de Novembro, por acaso até ficou na mesma mesa que eu.
O Zé Manel e a sua magnífica ( e quase fatídica...) mota são o centro da foto. O Zé Manel é a estrela. É à volta dele que os outros personagens circulam...
Beijinhos
Lena
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Anabela disse:
É fantástica a fotografia,lembrando como o Jales diz,um filme dos anos 50.Não sei se é o James Dean ou o Marlon Brando,mas anda por aí.Só me lembro mal do Zé Manel Paes,não me lembro dos outros.
Também são giros estas fotografias sozinhas,é pana as pessoas que lá estão não escreverem nada.
beijs.Anabela
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Isabel X disse...
Será que no entusiasmo de identificar rostos da nossa adolescência numa fotografia, não é natural que nos enganemos e coloquemos um nome a mais do que os que lá estão? Possivelmente cinco membros de um mesmo grupo que logo relacionamos uns com os outros, mesmo quando apenas quatro estão fotografados?Para quê colocar a hipótese de ser ao computador de cada um que falta alguém? É caso grave? É até um "engano" engraçado, ou não?
Eu gostava de saber, isso sim, quem é cada um dos fotografados e, já agora, ver uma fotografia do quinto elemento que lá falta.
Abraço
- Isabel Xavier -
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Zé Manel Pais disse:
Começo por agradeçer esta ideia magnifica que me tem permitido estar a recordar tantas coisas boas da minha adolescência.
Em relação à foto quero dizer à Lena Arroz que não foi desta mota que caiu.Esta era do Rego Filipe que emprestou só para o style. A minha era uma Solex.
Bjs e abraços para todos aqueles que recordo com muito carinho pois fizeram parte da minha infância e adolescência FELIZ.
Zé Manel Pais
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Lena disse:
Viva Zé Manel!
Que bom teres visto e comentado esta foto!Para os que queriam saber quem era cada um deles, para ajudar posso dizer que acho o Zé Manel muito bem retratado num texto que também apareceu há tempos neste blog sobre o Dr Azevedo, porque o Zé Manel era sempre o que pagava as favas. Acontecesse o que acontecesse era ele que apanhava os caldos no pescoço.
O Victor, com a sua célebre poupinha era o filho do chefe da polícia que tinha a sua sede no princípio da ladeira do colégio do lado direito.Ele andava na alínea g) (se não me engano) que era a que dava para económicas que foi o que ele acabou por seguir.
O Sérgio é o filho do Dr Costa e Silva, e é Engº civil.
O Ângelo segiu a carreira militar. Quando eu voltei para as Caldas após 15 anos de ter daqui saído para ir para o técnico, ele estava aqui no RI5. Pouco anos depois teve um grave problema de saúde e ficou bastante mal,tendo morrido uns anos mais tarde.
O Zé Manel fez medicina e depois especializou-se em medicina dentária.Isto é o que sei. Se agora cada um deles quisesse contar mais, era engraçado!
Beijinhos
Lena Arroz
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NOTA :
O Zé Manel Pais foi tema do Blog em:
O post que a Lena refere está em:
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M.João disse...
Zé Manel todo giraço !:) nessa altura não o conhecia mas agora vejo-o muitas vezes e curiosamente conhecemos muita gente em comum
bjs
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Isabel Esse disse...
A fotografia é girissima e motivou uma série de comentários muito pessoais e muito interessantes.
Aquela pose é irresistivel!!!
Fui ver os artigos sobre o Zé Manel e achei boa ideia aproveitar os novos posts para chamar a atenção sobre os mais antigos.
No meu tempo havia um colega no 7º ano com moto,era o Zé Vau.O que será feito dele?
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Higino disse...
Uma pequena correcção: O Victor Henriques era filho do sargento Henriques, comandante do posto da GNR e não da Polícia, e casou com a Evangelina Simões, que estudou na Escola Bordalo Pinheiro e que se licenciou em Económicas; o Victor creio que cursou Relações Internacionais na Junqueira onde então se destacava o Professor Adriano Moreira.

In memoriam – Professora Noémia Félix

Noémia Félix – Samarcanda, Uzebequistão, 2008

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Criança irrequieta, ridente, apartada ainda do mundo dos adultos, encontrava no Externato Ramalho Ortigão espaço privilegiado para brincadeiras, porquanto repetidas em todas as latitudes e épocas, tão intemporais quanto benignas. O mundo de então, pincelado com cores fortes e aromas inebriantes, circunscrevia-se a uma sala de aulas que divergia das demais pelo tamanho das carteiras, mais pequenas, e a um recreio onde, para além do jogo do berlinde, se corria sem fadiga atrás de sonhos.
Nesse tempo de meninice, viragem da década de sessenta para a de setenta, ter-me-ei cruzado inúmeras vezes, sem o saber, com uma jovem alentejana que o destino fizera ancorar nas Caldas da Rainha para, no Externato Ramalho Ortigão, exercer o seu múnus professoral.
A diferença etária, enorme ao tempo, entre uma jovem de 26 e um petiz de oito anos, impossibilitava que o diálogo brotasse espontânea e naturalmente. Ainda que nos cruzássemos amiúde, porventura mais do que uma vez por dia, mantínhamo-nos distantes ao nível do pensamento. Nenhum soube da existência do outro salvo se, porventura, no decurso de uma qualquer corrida desabrida, esse miúdo que fui tivesse chocado com a mestre.
A marcha indelével do tempo ter-nos-á separado durante décadas. Um terá feito de Lisboa o seu espaço matricial, não obstante viajasse continuadamente pelo orbe. Outro, terá feito do mundo a sua casa, não obstante volvesse com frequência a Lisboa.
Quis o destino que, numa Valáquia pardacenta, herança de um regime concentracionário que destruiu o ethos do povo romeno, nos tivéssemos reencontrado casualmente na viragem do milénio. Desse reencontro fortuito, casual, despontou uma amizade apenas interrompida em Agosto de 2009. Da empatia surgida logo no primeiro encontro, numa Europa que então se rasgava a Oriente, sucederam-se longos serões de conversa. Apaixonados por um sem número de povoados perdidos da memória dos Homens e, quiçá, de Deus, desenhávamos no ar as vielas de Samarcanda, Tashkent, Antioquia, Cesareia da Capadócia, Ur, Tebas e tantas outras urbes que permanecem no imaginário dos viandantes sem passaporte do tempo presente.
Com imensa nostalgia recordo as conversas que, em redor de uma pequena távola setecentista, mantivemos noites fora. As vivências, de tão intensas que eram, permitiam que visionássemos espaços há muito não trilhados ou, inclusivamente, perdidos da memória colectiva. O extremo rigor daquele Inverno em que nos conhecemos, propício ao diálogo, levou-nos a calcorrear não apenas a Valáquia como também a Transilvânia de Vlad Tepes, o prócere independentista moldavo que usava, à guisa de brasão, um escudo onde surgia desenhado, a sanguíneo, um dragão (drakon, em grego, pelo latim draconem, acusativo de draco).
Visitámos então sem pressas povoados perdidos em vales ultra periféricos, de acesso difícil, os quais, mantendo inalterável a traça de séculos, transportavam-nos para a época em que a região era governada pelos fanariotas gregos ao serviço da Sublime Porta. Os camponeses estabelecidos nas paupérrimas planícies que bordejavam a antiga Dácia, habituados a uma agricultura de subsistência onde a aiveca de madeira ainda hoje assume prevalência sobre a relha metálica, vivem ao ritmo das estações do ano no cumprimento de um calendário que, tirando aqui e ali um telemóvel ou uma antena de televisão, poderia fazer-nos retornar a Setembro de 1829, data da assinatura do tratado de Adrianápolis, na Trácia turca, que pondo termo ao conflito russo-otomano (e que estaria na base da independência helénica, a 14 de Setembro desse mesmo ano), acabou por reconhecer a autonomia dos principados danubianos da Valáquia e da Moldávia.
Um e outro perscrutávamos o mundo em permanência, consequência de multíplices afazeres profissionais, pelo que apenas de quando em vez nos reencontrávamos na sua casa da Portela de Loures, às portas de Lisboa. Porém, os modernos meios de comunicação permitiam que o diálogo fluísse constantemente e que soubéssemos exactamente o que se passava com o outro. Assim sendo, durante uma década trocámos ideias sobre assuntos tão díspares quanto sejam o porvir do legado greco-romano e judaico-cristão e a crescente perda identitária da velha Lusitânia.
Nascida a 19 de Agosto de 1944, na Granja, pequena freguesia do concelho de Mourão, ingressou no curso de História, em Lisboa, por ser uma apaixonada pelo passado e, por extensão, pela obra civilizacional que os nautas, soldados, escambadores e missionários de antanho legaram ao mundo.
Ainda sem o curso acabado foi dar aulas para o Externato Ramalho Ortigão, novel experiência que muito a marcou pela positiva, tendo concluído a licenciatura, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no ano lectivo de 1976-1977. Mais tarde completaria o mestrado em Ciências da Educação e, em fase ulterior, os estudos de terceiro ciclo, destinados a concluir o doutoramento, na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade de Sevilha.
Professora do secundário durante anos, na Escola Preparatória Damião de Góis, pois dispunha de natural vocação formadora e incomodava-a de sobremaneira a crescente perda de credibilidade do ensino, publicou diversos manuais que foram adoptados pelo Ministério da Educação. Como avaliadora externa da Inspecção-geral da Educação, dependente do ministério homónimo, viajou um pouco por todo o lado. Em complemento desta paixão, que começou a ganhar foros de cidadania ainda nos anos 80, percorreu as bolanhas da Guiné, as chanas de Angola, as picadas de Moçambique, as savanas etíopes, as montanhas quenianas e, até, o deserto líbico. Tendo cruzado por diversas vezes o mar-oceano, tanto em direcção às Américas como às Índias, dançou marchas populares portuguesas em Malaca, orou à Virgem Maria na igreja de São Paulo em Diu, percorreu o museu de Arte Sacra em Olinda, descansou nas ruínas das missões jesuítas no Uruguai, leu o Esmeraldo de Situ Orbis nas ameias de São Jorge da Mina, desceu às cidades subterrâneas da Capadócia, procurou conhecer a forma como Ornar Khayyam reformou o calendário muçulmano em Samarcanda e, ainda, absorveu as telas marítimas do arménio de passaporte russo Ivan Aivazovsky em São Pedroburgo.
Por detrás desta viandante compulsiva, herdeira dos romeiros franciscanos que demandavam a Judeia e a Galileia, em tempos de confrontação civilizacional, vislumbrava-se uma mulher altruísta, abnegada, desinteressada, desprendida, generosa e leal. Alguém em quem se podia confiar e que fora educada na observância aos valores intemporais da Grei.
A morte abrupta e inesperada levou-a, a 25 de Agosto de 2009, do convívio de quantos a estimavam. Hoje, resta a recordação de uma Mulher de bem, temente a Deus e às Sagradas Escrituras. Alguém que, revendo-se em Bento XVI e nos Sumos Pontífices anteriores, procurava fazer deste planeta a casa do Senhor.
Façamos um minuto de silêncio, em preito de homenagem, ao recordar quem, naqueles anos despreocupados que marcaram a transição da década de 60 para a de 70, ainda livre das influências funestas externas cujos reflexos começam a fazer-se sentir nestes anos do fim, tudo deu para que o Externato Ramalho Ortigão fosse um estabelecimento de referência.

António José
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel X disse...
Mal eu sabia quando, há pouco mais de um ano, escrevi para este blogue um texto sobre o Ramalho Ortigão e a Dra. Noémia, nossa professora de História, que ela viria a falecer passado tão pouco tempo.
Pelo testemunho tão belo e sentido que aqui podemos ler, ficamos a saber que a Dra. Noémia teve uma vida curta mas muito preenchida e rica.
Esta é a melhor homenagem que podemos prestar à sua memória: lembrá-la através destas palavras tão amigas e juntarmo-nos ao minuto de silêncio que nos é proposto.
- Isabel Xavier -
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Pereira da Silva disse...
Eis uma notícia triste.É uma pena que só perante a evidência da partida consigamos reconhecer a importância que algumas pessoas acabaram por ter nas nossas vidas. O que é uma espécie de fazer tricot ao contrário...da trama tecida para a descoberta do fio com que se teceu.
A Drª Noémia foi minha professora de História e um dos sopros frescos que se sentiram no ERO naqueles anos.
O seu ensino era substancialmente diferente do ensino tradicional da História, como o que praticava a Drª Deolinda, por exemplo.
À História, meio oficial e feita de verdades certas, do compêndio a Drª Noémia acrescentava sempre a hipótese de haver uma ou várias perspectivas e explicações diferentes.
Lembro-me disso a propósito da sua abordagem dos Descobrimentos....porque ao compêndio ela acrescentou Baquero Moreno e Jaime Cortesão dando-me, pelo menos a mim, essa noção de que a escrita da História é sempre o registo duma determinada interpretação dos factos provados. E se isso hoje é do senso comum, naquele tempo fazia toda a diferença.
Saber, hoje, pelo testemunho prestado da grandeza da sua alma deixa-me mais feliz. É bom saber ter sido "tocado" por alguém assim.
Paz à sua alma
Pereira da Silva
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PLB disse...
Foi com tristeza que li a notícia do desaparecimento da Dra.Noémia, o António José deixou-nos aqui o quadro de uma viajante que teria certamente muitas e interessantes coisas para contar.
A Dra. Noémia foi minha professora no 5º ano e sucedeu ao Dr. Garcia Domingues, na altura achei que lhe faltava a experiência de uma vida que o professor anterior mostrara mas isso era inteiramente justificado pela sua juventude de então, certamente que depois da uma vida de viajante como a que nos foi relatada teria muito para contar, talvez o António José possa um dia destes partilhar alguma dessas histórias aqui no Blog.
Até sempre Dra. Noémia,
Pedro Bandeira
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J J disse...
Lembro-me vagamente da Dr.ª Noémia no meu último ano no ERO, em 1971, mas conheci-a bem no ano seguinte, em que já estava em Lisboa. Primeiro porque a sua casa era um local de convívio em que se conversava e discutia livremente, se jogavam cartas e se ouvia música, depois porque no seguimento desse convívio acabei por me envolver na organização de um baile no Carnaval de 1972 no seu apartamento, que ficava no início da R. da Alegria, mesmo a seguir à Ponte. O baile foi um sucesso e reuniu várias gerações de alunos, muitos de nós, rapazes, já estávamos a estudar em Lisboa mas as raparigas eram quase todas suas alunas. Foi a única vez que fui a um baile de Carnaval em casa de um professor do Colégio, era essa a diferença que queria referir em relação à Dr.ª Noémia.
Não guardo uma recordação de alguém tão conservador como o António descreve no seu post, talvez por a termos conhecido em circunstâncias e momentos diversos. Mas partilhamos a imagem de alguém curioso e aberto à vida, ao conhecimento e aos outros. Lembro-me que ela ansiava por conhecer o Mundo, fico satisfeito por saber que o conseguiu.
É a segunda vez que o António colabora com o Blog, enriquecendo-o com a sua forma muito rigorosa e característica de redigir e também de encarar as pessoas e a vida. Espero que continue, claro.
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Anabela disse...
Faço minhas as palavras do Zequinha Pereira da Silva.Foi realmente uma lufada de ar fresco no ERO.
Foi graças a ela que aprendi alguma coisa de Filosofia, que ainda hoje recordo.A Historia, que em muito se cruzava com o estudo da Filosofia, era abordada por ela de uma forma muito interessante.
Foi com grande pesar que soube através do Antonio Jose do seu desaparecimento.
Que descanse em paz!
Anabela Castro
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Antonio Jose disse...
A sua campa merece todas as nossas flores, dos seus alunos do ERO, no silêncio contemplativo do florescer e apagar desses breves momentos a que chamamos vida.
A escrita poética do António José devolve-nos um retrato vivo da professora de história, abraçando intensamente o tempo e espaço, perseguindo em lugares fantásticos a história e "estórias" deste mundo, no qual nunca estamos separados graças ao blogue do ERO.
António José Neto
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Luísa Pinheiro disse...
Fiquei perfeitamente em choque quando por aqui soube da morte da Dra. Noémia, nossa querida professora de História. Ela e a Dra. Júlia de Português foram para mim as professoras mais fantásticas que tive. Uma "lufada" de ar fresco no ensino a que estávamos habituados.
Eu segui História e um dia quando a encontrei na Faculdade (ela estava a terminar o curso) tratei-a como sempre por Dra. Noémia, ela respondeu-me Noémia, Luísa, agora somos colegas! Fiquei um pouco intimidada na altura...chamar pelo nome uma professora...mas lá me fui habituando. Fomos inclusivamente algumas vezes ao cinema juntas.
Depois com o fim do curso a vida separou-nos. Alegra-me saber que apesar da curta vida que viveu foi em pleno.
Até sempre Noémia
Luísa Pinheiro Rufino

À JANELA DOS ANOS SESSENTA


Guida Carvalho da Silva
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ANOS SESSENTA (outros tempos)
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Quando eu tinha 15 anos, terminado o quinto ano, deixei o colégio e vim viver para Lisboa.
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O meu pai tinha tido um AVC, o meu irmão mais velho ia entrar na universidade e a minha mãe achou por bem agarrar nos trapos e voltar com todos nós para junto dos familiares.
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Não sei se terá sido uma decisão fácil para ela, eu não fui consultada, só sei que lá rumámos a Lisboa, onde eu vim terminar o liceu, num liceu só de raparigas, um liceu onde os rapazes estavam expressamente proibidos de entrar, ou mesmo de se aproximarem: menino que fosse buscar menina, tinha de a esperar pacientemente a mais de 50 metros da porta de entrada! Acabar o liceu e entrar na faculdade, com novos colegas, novas amizades, as festas dançantes nos sábados à tarde, as primeiras saídas à noite, as greves de estudantes com a consciencialização do Maio de 68 a chegar também às universidades portuguesas … “a pulga salta, a pulga grita, ora vai-te embora oh pulga fascista” ...


... o início do peace brother, peace e do flower power … os hippies com “if you’re going to S. Francisco, be sure to wear some flowers in your hair” …a partida do meu irmão Eduardo para Paris... os cursos de verão em Londres para aperfeiçoar o inglês... Para mim, a segunda metade dos anos sessenta foi um verdadeiro turbilhão de emoções, que acabou por apagar qualquer resto de saudade mais teimosa que eu pudesse ainda sentir por tudo e por todos os que tinham ficado para trás, em S Martinho do Porto ou nas Caldas da Rainha.
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Todos, sem excepção, acabaram guardados no fundo da minha memória, num canto meio desarrumado (e bem fechado à chave, por via das dúvidas!).
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E por lá teriam ficado para sempre bem guardados, não fosse o Blog do ERO , com os seus textos, fotos e links, ter começado a remexer nesse passado já tão esquecido!
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Oh maravilha das maravilhas…. aberta a caixa de Pandora., as recordações são mais que muitas a ficam cada vez mais claras: caras, lugares , situações, nomes e até cheiros e sabores de que nunca mais me tinha lembrado.

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A casa na Rua do Cinema, em S Martinho do Porto, a pacata vila piscatória para onde nos tínhamos mudado em meados dos anos cinquenta, as casas vazias no inverno numa terra que todos os verões se travestia de estância balnear da moda, trazendo não só os banhistas alfacinhas e caldenses mas também (já nessa altura) os turistas estrangeiros. Todos tinham em comum o facto de me parecerem estar quase sempre alegres, despreocupados e espantosamente divertidos.
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Cada verão as esplanadas da rua dos cafés e a praia se animavam e se enchiam de vida e de cor e cada verão eu ia aprendendo a nadar melhor, a andar de bicicleta mais rápido e cada verão fazia passeatas no cais de S.Martinho, via os barcos, a baía, comprava os barquilhos , pevides, bolas de Berlim, entrava nos concursos das construções na areia e caminhava até Salir, com o Eduardo e
os amigos dele, só para os ver pescar taínhas.
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Eu, que jogava ao prego ou ao ringue na praia e nadava até à velha jangada de madeira (que parecia sempre ser longe como o diabo), eu, que descia a rebolar as dunas de Salir à velocidade da luz para vir aterrar cá em baixo na ribeira, mais nódoa negra, menos nódoa negra, eu, que sonhava acordada no quintal da casa da rua do Cinema e coleccionava as fotografias dos Beatles que vinham nas pastilhas elásticas e ouvia Les Chats Sauvages “quand viens la fin de l´eté sur la plage il faut alors se quitter”… Cliff Richards… The Shadows … Silvie Vartan… Françoise Hardy… e, claro está, The Beatles …”love, love me do… you know I love you”… ah, o meu querido gira discos portátil , um Philips azul e beije, prenda por ter concluído o meu segundo ou terceiro ano, já nem me lembrava dele, o que lhe terá acontecido? Em que sótão, em que casa, em que prateleira, terá ficado arrumado e esquecido…
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Lembro-me, isso sim, de surripiar sempre «O Cavaleir Andante» ao meu irmão Eduardo, para poder ler as aventuras do Príncipe Valente, lembro-me de ficar estendida na relva do jardim, ou no areal da praia, absorta na leitura dos livros que invariavelmente ou eram da «Biblioteca das Raparigas» ou da «Biblioteca dos Rapazes» geralmente oferecidos pela titi, ou pela vovó, eu que via sempre o «Ivanhoe», o «Robin Hood» ou o «Get Smart» na TV (a preto e branco, tudo a preto e branco) e imaginava cavaleiros andantes em terras exóticas, enquanto esperava sem pressas por cada regresso às aulas, antecipando o reencontro com as amigas e os amigos do colégio.
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Nessa época cada viagem no comboio da linha do Oeste era uma pequena aventura, todos os dias o mesmo grupo de adolescentes brincalhões e despreocupados viajava de S.Martinho do Porto às Caldas da Rainha, em menos de 15 minutos (com direito a paragem no Bouro).
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E eis que, sem ser convidadas, começam a chegar as memórias do colégio: desde as aulas de ginástica onde as meninas se pavoneavam naquelas inestéticas saias de sarja branca que éramos obrigadas a vestir por cima dos calções (coisas da época) até aos napperons em ponto cruz nas aulas de Lavores Femininos da Dona Dora …
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Ui, e tal qual coelho tirado da cartola, aparecem desordenadas imagens das aulas com o professor Azevedo, o terror da matemática, a Dra Maria do Rosário, que eu achava tão elegante com os seus lenços sobre os cabelos… a Dra Irene “quand trois poules vont aux champs, la premiere marche devant”.... os directores: o tolerante e sorridente Padre António Emílio e o sisudo e inflexível (ui, que medo… ) Padre Albino!
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O padre Renato, que logo no primeiro ano, para minha grande desilusão, teve a bondade de me informar que eu desafinava demais, por isso o melhor seria ficar de boca fechada nas suas aulas de Canto Coral! Foram cinco os anos que eu passei no ERO, do primeiro ao quinto, de sessenta a sessenta e cinco e a cada novo ano lectivo o padre Renato ,sem sucesso, a tentar hipnotizar -me durante o recreio (dizia ele que o insucesso era derivado ao facto das solas dos meus sapatos serem de borracha …) e a cada novo ano lectivo eu voltava a tentar cantar e voltava a ser devidamente informada que desafinava demais por isso tinha de ficar fora do coro!
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A amiga irreverente, a Lena Figueira, que um dia, sem pré aviso, de morena passou a loura amarelo palha, num abrir e fechar de olhos, escandalizando a moral caldense mais puritana da época, a Ana Nascimento e o Carrilho , que tinham sempre boas notas e sabiam a matéria toda na ponta da língua (a Ana menina sempre bem comportada, o Carrilho nem tanto) e, claro está, as minhas duas companheiras nas viagens de comboio a Isabel Veiga (a verdadeira espalha brasas... ) e a Graciete (tão Françoise Hardy!).
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O meu irmão mais velho, o Eduardo Artur (1948/2003) , com todos os seus colegas de turma e o fascínio que os mais velhos exerciam invariavelmente sobre os mais novos, os famosos passeios ao parque durante a hora do almoço, o subir bem devagar a ladeira até ao colégio em amenas cavaqueiras, entre risadas e brincadeiras, os recreios onde as miúdas saltavam à corda, jogavam à macaca e espreitavam timidamente para o recreio dos rapazes… os «flirts» à distância…
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Cada novo ano lectivo as melhores amigas se entretinham em novas confidências e mais zanga menos zanga, continuavam a ser as melhores amigas e os rapazes, ah les garçons, esses eram infalivelmente umas verdadeiras pestes, que durante as aulas de físico-química, no anfiteatro, sopravam pequenas bolas de papel pelos tubos vazios das esferográficas, na tentativa de as fazer aterrar nos cabelos das meninas.
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Foram anos muito bons , esses anos em que eu frequentei o ERO. E, de repente, ooopppsss, bate a saudade!
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Hoje, aqui e agora, penso com alguma tristeza na Nani, essa colega que recentemente foi ao encontro dos outros que entretanto também já nos deixaram.
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Tantos anos passados, tantos anos vividos, tão longe que estão as nossas adolescências e agora unidos por um blog!
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Guida CS

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