ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Cardeal Patriarca no ERO

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Chegou ao Blog uma colecção de fotografias que documentam a visita do Cardeal Patriarca ao Externato Ramalho Ortigão (1961?1962?). Esta é a primeira que divulgamos, com a legendagem do João Serra.
Mas ainda há duas caras sem nome...





1-Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa
2-Amália Maria da Conceição Simões (Mami)
3-Efigénia
4-Edviges
5-José Manuel da Silva Pais
6-João Rosado Lourenço
7-João Bonifácio Serra
8-Jorge Teixeira (falecido)
9- Nicolau
10-Julio Santos

(Legendagem de J B Serra)
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C O M E N T Á R I O S
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Ana Nascimento disse...
mais uma achega... por trás do Nicolau é o Pedro Alegre, o último não consigo lembrar-me mas penso que algures já existe uma foto onde ele está identificado.
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jorge disse...
isto passa-se no primeiro ano de funcionamento do colégio novo,portanto no ano lectivo de 61/62.é notável a memória dos colegas ao reconhecerem todos os garotos.já passou tanto tempo...abraço.j

A Janela do Café Bocage (Montra da direita)

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Transportemo-nos a 4 de Outubro de 1960, os alunos do ERO do prédio do Crespo mudam para as novas instalações num edifício construído de raiz, ao cimo da R. Diário de Notícias. Entre alguns hábitos nossos que mudam, um deles é o ponto de encontro antes de ir para as aulas, depois de almoço.
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O Café Bocage ficava-nos em caminho, e a sua montra era um ponto de obse
rvação, já nesse tempo usado pela rapaziada da Escola Comercial e Industrial , o Rodolfo, o Leiria, o Clóvis, o Malhoa, o Amadeu, aos quais se foram juntar o Rainho, o Zé Carlos Nogueira, o João Calheiros Viegas e eu, do ERO; e é provável que me faltem alguns nomes.
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Esta rapaziada tem toda uma coisa em comum, a idade, andam entre os 17 e 18 anos , uns são repetentes outros não, mas estão para acabar os Cursos da Escola ou do ERO e eram já bastante unidos pelo companheirismo e amizade.
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Se vos disser que este local de reunião tinha como principal objectivo observar a passagem das raparigas tanto da Escola como do ERO não vos minto, o tempo de reunião era pouco, devido aos horários das aulas, mas ainda dava para fazermos das nossas – como quando entrava no Café o bufo da PIDE e Fiscal das Licenças de Isqueiro, conhecido por a alcunha do Miau, a malta começar a imitar um gato a miar e assanhado, era vê-lo sair porta fora…
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Muita coisa se passou na naquele ponto de encontro, ali conhecemos o Montez e a D. Corália, sua esposa. Começámos a beber a ginja em casa deles, em Óbidos e depois mudámos para o bar que ele abriu, o "Ibn Errick Rex".
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João Ramos Franco
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C O M E N T Á R I O S
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Artur disse...
A janela do café Bocage é ampla do tamanho de uma montra que se deixa ver por quem passa e ponto de observação estratégico para quem fica a olhar os que passam.Vantagens de quem quer contemplar a vida sentado à mesa de um café central com nome de poeta boémio e protagonista de histórias que os outros inventaram a seu respeito. A poética dos sentidos, todavia, fica empobrecida neste espaço de aromas quentes e cavaqueiras escaldantes. É que entre o interior e exterior do botequim de esquina há uma espessa vidraça que impede uma comunicação profícua entre quem esguarda e é esguardado. Nesse início de década de 60 de finais do 2.º milénio, era muito difícil ultrapassar os limites convencionais da linguagem dos olhares...
Artur Henrique Ribeiro Gonçalves ‎.
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J J disse...
Este é mais um post em colaboração com Estar Presente, o blogue do nosso colega e amigo João Ramos Franco.
A imagem do Café Bocage, dos anos 30, está incluída no livro de outro habitual colaborador deste espaço:
Vasco Trancoso - "Caldas da Rainha: um contributo iconográfico através do Bilhete Postal Ilustrado editado até meados do século XX", Lisboa, Elo, 1999.
Obrigado João, um abraço.
JJ

UMA FOTOGRAFIA A PROPÓSITO...

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Olá,
Eu sou a Carla Rainho, filha do Fernando Rainho. Envio esta foto para publicarem se tiverem interesse. Têm que a comentar porque eu só identifico o meu Pai.
Depois enviarei mais.
Obrigada,
Carla Rainho
C O M E N T Á R I O S
João Ramos Franco disse...
Da esquerda para a direita: 1 – Artur Capristano, 2 – João Ramos Franco(?), 3 – João Caheiros Viegas, 4 – (?) 5 – Fernando Rainho
O local onde foi tirada a fotografia não me é estranho, mas não me recordo do nome.Um abraçoJoão Ramos Franco
Santa-Bárbara disse...
Ó João não és nada tu, os outros sim.Mas aposto que não és tu!AbraçosFernando Santa-Bárbara

J J disse...
Bom, esta identificação ficou subitamente mais complicada e interessante... Quem é que pode ajudar?

João Ramos Franco disse...
O 5º elemento é o Fernando Rainho, o 3º está repetido e o que falta é o nome do 4º elemento. Desculpem o engano.João Ramos Franco
Artur Capristano disse:
1- Artur Capristano ; 2 - conheço mas não me lembro do nome ? ; 3 - João Calheiros Viegas ; 4 - Velez ? ; 5 - Fernando Rainho
Artur Capristano
Frederico MonizGalvão disse...
A propósito que é feito do Rainho?
Cada vez acho mais graça a este blog.Como já expliquei, nunca andei no ERO,mas isso não impedeque por aqui passe a parte mais"suculenta" da minha juventude.
Olá Artur, tambem me lembro de quem esta ao teu lado, mas eu para nomes......?! O Velez lembro-me bem o Pai dele tinha uma loj grande de fazendas á entrada da rua da Madalena do lado esquerdo do lado da praça da Figueira.Vão continuando a dizer e mostrar coisas da nossa época de ouro!
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Artur Capristano disse...
Da esquerda para a direita : Artur Capristano, António Morais (já falecido), João Calheiros Viegas, Rui Velez, Fernando Rainho.
O Morais e o Velez não foram alunos do ERO, eram "colegas" do pano verde.
Artur Capristano

À Janela do João Calheiros - 3 (comentário de A Justiça)


Pela mão da Ana Braga abri e li, fechei e reabri a janela do João e li, de ambas as vezes, de um só fôlego o relato de uma “caldista” de coração, sem corpo presente, pois na altura a sua cidade era Coimbra.Um texto soberbo que relata a sua vivência infantil, escola primária, e juvenil, escola secundária, as viagens de camioneta e comboio, de e para as escolas, e a feliz coincidência do primeiro encontro com o João comprovando que afinal o nosso País é uma grande Aldeia.
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O seu comentário sobre o “nacional cançonetismo” referindo o António Mafra, Hermínia Silva e as suas canções deixaram-me, a princípio,desiludido mas depois fiz um exame retrospectivo… espera lá… naquela idade e situação pensavas da mesma maneira, ou até nem pensavas, simplesmente, este tipo de canções não te dizia nada, quando o rádio a pilhas as transmitia mudavas de estação, querias era Adamo, Beatles,Johnny Hallyday e tantos outros, Françoise Hardy, France Gall, Dalida...e só lá longe, a milhares de kilómetros do ninho, anos mais tarde,quando a saudade atacou forte e feio, quando o segundo seguinte da tua vida era incerto no teu quotidiano, quando tinhas o medo por companhiae por vezes as lágrimas à flor dos olhos, quando os nervos e a ansiedade tomava conta do teu ser, começaste a apreciar o que afinal era teu, nosso, e nos anos seguintes, cada vez mais passaste arespeitar o que por cá era feito.Depois deste exame, sorri, fiquei melhor comigo mesmo.
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Não há dúvida que só se pode sentir este sentimento estranho, saudade, aquando da ausência das coisas.Não devo ter conhecido alguma vez a Ana ou o João mas conheci bem o Prof. Calheiros Viegas, por quem tive a honra e o prazer de ser chamado amigo, principalmente quando em 1966, sob a sua sábia e inteligente orientação, eu os meus colegas de equipa lhe demos o primeiro lugar e respectiva taça do torneio inter-turmas em andebol da Escola Comercial e Industrial de Caldas da Rainha.Guardo religiosamente a fotografia tirada nesse ano pois foi, para nós, um marco histórico.


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Ainda hoje recordo o seu semblante, transbordando alegria e felicidade com o triunfo alcançado e a gratidão sentida quando lhe oferecemos a taça para que a guardasse na sua sala de troféus.
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A primeira fotografia é bem representativa porque, apesar da rivalidade desportiva que reinou ao longo desse ano de jogos de competição, ao ser convidado para ficar na fotografia dos campeões o Prof. Silva Bastos não se fez rogado em aceitar e posou connosco. Dois grandes Senhores que muito saber nos transmitiram, não só no desporto, mas no convívio, camaradagem, sacrifício e espírito de equipa.
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Ao Prof. Calheiros Viegas, um senhor… um GRANDE SENHOR.
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Um abraço
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A. Justiça
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C O M E N T Á R I O S
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Guida Carvalho da Silva
Janelas que se v
ão abrindo... uma a uma, devagarinho, sem pressas, janelas que se abrem para o passado de cada um de nós e que nos vão trazendo tantas recordações fantásticas.
Janelas que nos encantam a todos e que me deixam a mim, completamente admirada com tanta gente a escrever tão bem!!!! Que bom que é poder recordar, que bom que é poder ir espreitar a cada uma dessas janelas e através dos olhos e da memória de cada um, reviver tantos momentos únicos de um tempo que não voltaria mais, se não fossem essas janelas mágicas, abertas de par em par, para nos transmitirem a frescura dessa nossa juventude perdida que se recorda e reencontra em cada janela que se abre.
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Ana Braga disse:
Fiquei muito contente por saber que o meu post despertou no Alfredo Justiça memórias tão gratas da sua juventude. Este folhear sereno dos nossos álbuns de recordações é saudável e leva-nos a trazer à luz do dia pessoas e factos que não seria justo esquecer. Neste caso, a tão merecida homenagem ao Dr. Calheiros Viegas, não esquecendo, evidentemente as equipas de jovens que ele treinava.
Quanto ao “nacional cançonetismo” a que me referi, acho que o Alfredo percebeu bem, mas devo reforçar essa ideia, confirmando que naquela altura, e naquela idade não apreciávamos de todo a música que por cá se fazia, preferindo, de longe, o que nos chegava do estrangeiro, sobretudo tendo em conta que se tratou de uma época especialmente rica em produções musicais de grande qualidade.
Havendo pouco acesso aos discos, que demoravam a chegar a Portugal, lembro-me que os meus irmãos e eu nos mantínhamos informados, escutando atenta e diariamente a Radio Caroline, famosa rádio pirata, que transmitia de um navio fundeado ao largo de Inglaterra, através de uma galena, que o meu irmão construira sozinho, com o material que vinha incluído num curso de electricidade por correspondência. E, pasme-se: o invólucro desse pequeno rádio era uma singela caixa de charutos que ele encontrou perdida lá por casa!
Foi através desse objecto mágico, feito pelo Zé, que padecia de “engenheirite” aguda e congénita, que no dia 22 de Novembro de 1963 ouvimos a notícia da morte de J.F.Kennedy, tinha eu 11 anos e a equipa de Alfredo Justiça, “sob a sábia e inteligente orientação do Dr. Calheiros Viegas”, vencia o torneio inter-turmas em andebol da Escola Comercial e Industrial das Caldas da Rainha.
Nota: Devo acrescentar que eu sentia essa galena um pouco como obra minha, e apregoava isso descaradamente, aos quatro ventos, pois ajudara o meu irmão, segurando, atenta, no ferro de soldar.
Ana Braga
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Luis disse:
Não param as memórias,que são aqui como as cerejas.Lembro-me bem do pai do João e do seu contagiante amor pelo desporto(vários).É justa a homenagem e a evocação.
Também não morria de amores pelo nacional-cançonetismo e preferia ouvir alguns dos nomes que o Justiça refere.Embora ache graça,devido ao distanciamento,a algumas canções portuguesas daquela época ainda hoje é evidente que nunca se produziu cá nada ao nível de nenhum dos grandes nomes internacionais,até porque não havia condições para isso.
Nunca mais acabam as Janelas!Ainda Bem...L
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jorge disse...
é pena o joão calheiros viegas não responder a tudo o que aqui tem sido escrito,especialmente sobre o seu pai como acontece neste texto do alfredo j.o autor tem sempre uma perspectiva muito pessoal de todos os acontecimentos,o que é enriquecedor para o blogue!abraço.j
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
Na altura em que o Alfredo andava a defender o império estava eu, parafraseando a Ana Braga, a tentar decifrar se o Kerensky fora ou não um traidor do proletariado, ou mais, um miserável renegado! Nenhum de nós o conheceu mas, quem não se lembra do renegado Kerensky?
Como me dão vontade de rir estas nossas preocupações quando tinhamos 20 anos. Mas enfim, foi o somatório de tudo isto que deu o resultado do que somos hoje.Agora podemos fazer o balanço, e realizar que o saldo é positivo.
Lanço também daqui o desafio ao João, para abrir algumas das infinitas janelas que tem para nos abrir. Não sei se caberão num pequeno espaço como este, mas vá lá meu amigo, pega na caneta e mãos à obra.
Abraço
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J J disse...
Apreciei o post do Alfredo pela "reflexão musical", pela evocação de uma figura caldense que conheci bem e com quem convivi muito (não no andebol, mas no ténis) e pelo facto de, como fez notar o Jorge, haver sempre uma grande carga pessoal na sua escrita que a torna única.
O professor Silva Bastos foi também meu professor no ERO (as nossas memórias acabam sempre por se cruzar) e esteve presente no nosso último Encontro.
Um abraço
JJ
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Alfredo disse...
Aprofundar a janela do João Calheiros
Estive a reler pela enésima vez os comentários ao meu comentário sobre a Janela do João Calheiros e, não sei porquê, a minha consciência tocou uma pequena campainha, já antes tinha acontecido e perguntava-me porquê, e, agora, mais a frio vi onde estava a falha, ou melhor dizendo a falta.
Seria deselegante e principalmente injusto, tanto para mim como, e principalmente, para com o Sr. Prof. Silva Bastos omitir o seu papel no triunfo do 3º. Ano dos Serralheiros nesse, para nós, ano de 1966 e da conquista do Campeonato Inter-Turmas. Salvo erro, desde o 1º. Ano do Ciclo (1960/1961), e isto carece de confirmação, que o nosso Prof. De Educação Física foi o Prof. Silva Bastos, e perdoem-me a teimosia de continuar a referir-me a Prof. e não a Doutor mas naquele tempo Dr.s só os médicos.
Naquele ano lectivo 65/66 e penso que também o anterior 64/65, este último não tenho a certeza, a nossa turma passou a ter como educador o Prof. Calheiros Viegas. Sendo assim fácil é descortinar que esta classe de campeões foi “desbastada e limada” pelo Prof. Silva Bastos e “aperfeiçoada e entrosada” com o requinte do Prof. Calheiros Viegas.Foi ainda com o Prof. Silva Bastos que uma Selecção da Escola, da qual também fiz parte, foi disputar o Campeonato Distrital de Andebol em Leiria.Dessa Selecção fizeram parte os melhores, passo a imodéstia, jogadores da Escola onde se incluíram alunos, tanto do Comércio como da Industria. Foi nesse ano que algumas regras, a nível nacional, do jogo foram alteradas e a nossa participação foi fraca, senão desastrosa, pois comparecemos a jogo com regras em desuso.
Quis com este exame ao subconsciente referir e realçar a importância que ambos estes Senhores tiveram na nossa formação.
Um abraço
A.Justiça
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Alfredo disse...

Ainda a Janela da Ana Braga e João Calheiros

As conversas são como as cerejas, e se há ditados certos este é sem dúvida um dos mais acertados.

Conforme se vão desenvolvendo as estórias sobre as janelas outras janelas se vão abrindo e até receio que já vamos empurrando os postigos também. A Ana Braga ao falar da “sua” Rádio “escutando atenta e diariamente a Radio Caroline” recordou-me uma fase da minha vivência desses tempos, não ouvindo esta Rádio, mas outras de ondas curtas que nos traziam noticias das embarcações que navegavam ao largo e muito particularmente uma que começava a transmitir à meia-noite.

Éramos um grupelho de amigos, estudantes finalistas da Escola de Caldas que nas noites de fim de semana, depois do jantar, se juntavam numa esplanada de café em S. Martinho e depois do grupo estar completo, cinco ou seis, não recordo bem a quantidade, mas claro que os amigos eram muitos mais mas, havia alguns que era mais aconselhável não nos acompanharem no périplo que se seguiria, ou pelo menos na segunda parte da reunião. Da esplanada e depois das chamadas conversas de “chacha”, que se podiam desenvolver nas esplanadas de café, os ouvidos eram muitos e… nunca se sabia se eram ouvidos “de tísicos”, saíamos dali e íamos até ao Clube Recreativo fazer uma “jogatana” de bilhar, snooker ou ping-pong para, não só nos distrair-mos mas também para passar o tempo.

Quando o relógio e os seus ponteiros avançavam para depois das 11h00 da noite saíamos do Clube e lá nos íamos encaminhando para o Cais falando e brincando de algumas jogadas feitas, ou mal feitas, a conversa, alta e sonora, servia para distracção, gozando com uma ou outra azelhice praticada por este ou por aquele, e servia principalmente para que os ouvidos indiscretos resolvessem que aquele grupo era um inocente grupelho de rapaziada com sangue na guelra e que dali não viria “mal ao mundo”.

Chegados ao final, perscrutado o cais em toda a sua extensão, o grupo já se tinha dividido em dois ou três, uns mais á frente, outros mais atrás, a uma distância razoável precavendo assim prováveis abelhudos “pidescos”, retirávamos o “tijolo” AM e LM, o FM ainda era um sonho, ou talvez nem isso, procurávamos o posto desejado e esperávamos até ouvir “Aqui BBC, Rádio Moscovo não fala verdade”. A partir daqui, ouvidos bem abertos, olhos pequeninos postos no infinito até onde alcançavam por aquele cais afora.

Depois era o regresso só que desta vez “bichanando” baixinho, com olhares cúmplices, ar inocente e cândido… isto será verdade? Argel fez isso? É pá, esta história de Konacri está mal contada! Que diabo aquilo lá pela África está feio. Queres ver que ainda vamos bater com “os cornos” nesta m…*. Bem que o meu amigo Coronel me disse que ainda havíamos de ir defender os interesses de uma série de pulhas.

Este meu amigo militar tinha sido reformado compulsivamente devido ás suas ideias menos conformes com o regime de então. O tal de Santa Comba mandou-o chatear outro e ele continuava nessa situação embora a cadeira já tivesse mudado de dono á pouco tempo.

E lá íamos fazendo desta forma a nossa conspiraçãozinha. Mas o engraçado é que nos sentíamos bem, eu pelo menos, e creio que os outros também, após estes “pecadozitos”. Pelo menos serviu, e muito, para não irmos com os olhos tapados defender o Império… ou terá sido defender os tais pulhas?

Seja como for o certo é que depois vieram outros pulhas, e estes sem vergonha alguma, e entregaram aquilo que tanto sangue custou e até se esqueceram que, lá para os lados da Ásia, tínhamos um quintalzinho.

Um abraço

A.Justiça

À JANELA DO JOÃO CALHEIROS 2 (Isabel Braga)

este post é a sequência de À JANELA DO JOÃO CALHEIROS , que deve ser lido primeiro
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A minha irmã, além de escrever de forma imensamente expressiva, tem uma memória incrível, não me lembrava destes pormenores da bombástica apresentação do João Calheiros no comboio dos Casais.Também não sei bem se namorei com ele no sentido que, na época, se atribuía ao termo. Lembro-me dele como um tipo muito ironico, muito alegre e muito divertido, com quem troquei algumas cartas e que marcou presença num ou dois Verões da minha adolescência.
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O primeiro desses Verões foi na Praia de Mira, para onde uma infeliz ideia do meu pai nos tinha "exilado", a mim e â Ani, deixando-nos inconsoláveis, porque nos víamos isoladas do ruidoso e borbulhento grupo dos nossos amigos de todos os dias, em Coimbra, que continuavam, tal como nós até então, a passar o mês de Agosto na Figueira da Foz. Ali, acabara de inaugurar a discoteca Tubarão, a primeira digna desse nome que conhecíamos, e todas as noites, depois do jantar, envoltas no denso nevoeiro que se abatia sobre a nossa nova praia, onde nada mexia, lamentávamos o triste isolamento a que estávamos confinadas. Era o tédio absoluto, não conhecíamos ninguém e os nossos pais também não, o que tornava o convívio familiar muito mais intenso do que aquilo que entendíamos como desejável.

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Foi neste contexto que apareceu o João Calheiros, com o qual eu tinha iniciado uma amizade mais ou menos especial, não me lembro exactamente quando nem como, certamente durante as visitas dele à nossa casa dos Casais, quando ia a Coimbra, fazer exames na Faculdade de Direito. Trocávamos umas cartas e ele apareceu a acampar em Mira, muito desajeitado com a tenda, e usando uns calções de banho incríveis, muito largos, pelo joelho, brancos às flores azuis, do tipo daqueles que agora associamos aos surfistas, mas que ninguém usava na época.

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Dessa visita do João Calheiros, o que recordo melhor é um passeio num barco a remos, na barrinha de Mira, um grande lago de água doce que era uma das atracções locais (não sei se ainda é). Embarquei no passeio sem suspeitar que o João não fazia ideia nenhuma de como fazer mexer o barco. De início conseguimos afastar-nos alguns metros da margem mas depois nem para trás nem para a frente, ficámos a dar voltas sobre nós próprios, como dois palermas, para divertimento dos basbaques e grande impaciência na minha mãe que, assistia da margem, à nossa incapacidade e berrava instruções, enquanto nós ríamos sem parar.

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Houve outros encontros mais fortuitos, em São Martinho do Porto, onde passei uns dias a convite de uns amigos de Coimbra, não me recordo se nesse mesmo Verão. Aí nada aconteceu digno de nota, o João estava no seu meio e tinha decididamente mais que fazer do que visitar-me, apareceu de fugida e eu não estranhei, a minha recordação mais marcante desses dias em São Martinho foi a difícil sobrevivência no meio de uma fratria de doze irmãos mais ou menos selvagens, onde as bulhas surgiam a propósito de tudo, da comida, dos lugares à mesa, da roupa que iríamos usar no arraial à noite, uma animação a que os pais deles assistiam, sem intervir, impávidos e serenos.

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Tenho ideia de que as cartas continuaram e que, no Verão seguinte, nos voltámos a encontrar, desta vez no Alentejo. O João estava a fazer a tropa em Beja e eu tinha ido passar uns dias a Serpa, a casa da minha maior amiga na época, a Ana Saião Lopes, filha de um latifundiário local. Os encontros - não foram mais do que dois, penso eu - eram numa pousada nos arredores de Serpa, e admito perfeitamente que o João Calheiros não faça a menor ideia da aventura que era, para mim e para a Ana, ali chegar.

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Serpa era um meio muito fechado - estávamos muito antes do 25 de Abril - e o pai da Ana um homem severo, que se mandaria ao ar com a ideia de que a amiga da filha tinha encontros secretos com um namorado. Eu e a Ana inventávamos pretextos para sair, geralmente dizíamos que íamos ver uma prima dela, embuste que nunca foi descoberto, porque não havia os malditos telemóveis. Saíamos numa caleche, puxada por um burro muito teimoso, chamado Zé Estrela, que tinha sempre as ferraduras em mau estado e que só andava quando queria. Nem sei como, a poder de muitos berros e alguma pancada, conseguimos subir até ao monte onde ficava a pousada. Depois de umas bebidas frescas,a Ana ficava a conversar com o amigo que transportava o João e eu e ele saíamos para apreciar a paisagem. Foi tudo inconsequente e divertido, eu tinha consciência e penso que ele também de que eram demasiado grandes as diferenças que me separavam, maturidade, estilos de vida, etc., e ninguém ultrapassou os limites. Como balanço, apenas posso dizer que não fizemos mal nenhum um ao outro, pelo contrário.

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No ano seguinte, entrei na faculdade, para estudar filosofia, corria o ano da greve de 1969, e namorar passou a ser um assunto sério, com muitas exigências de afinidades ideológicas e discussões em torno de assuntos tão palpitantes como saber se Kerensky fora ou não um traidor do proletariado. Graças a Deus, nada dura para sempre, nem as chatices nem os divertimentos.

Isabel Braga

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C O M E N T Á R I O S
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
Deliciosa descrição de uma época, bem antes do 25 de Abril claro. Até alguém que, como nós, anda por fora há muitos anos compreende à primeira. Honestamente, não é o caso muitas vezes.Pelo ano de entrada da Isabel na Faculdade dá para ver que o João deveria achar, na altura, a garota muito verde.

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Artur R. Gonçalves
disse...
A janela do João abre-se indiscretamente para o mundo envolvente. Aquele que tem como ponto de partida a cidade da rainha e se vai depois espraiando, ao sabor da maré e caprichos da memória, a outras paisagens a perder de vista dos quatro pontos cardeais das estremaduras, beiras e alentejos. A pedra de toque das confidências relatadas reside no facto de terem sido proferidas em duas tiradas, à distância confortável de duas gerações e por interpostas pessoas. Os olhos do protagonista são substituídos pelos das narradoras e admiradoras confessadas do retratado, cuja discrição o tem remetido ao mais profundo silêncio. Mas, como quem cala consente, só temos de confiar no testemunho das Ana e da Isabel, as duas manas relatoras, e de o darmos por seguro e sem direito a contraditório.
O duplo apelido do João era sobejamente conhecido na cidade que me viu nascer, crescer e debandar. Tudo na devida altura. Conheci o pai no contexto escolar do então ensino preparatório e secundário. Nunca o tive como professor. Os episódios de raquetes partidas em desafios menos felizes tornaram-se proverbiais. Pelos vistos até hoje. Assisti a uma ou outra contenda menos acirrada no court do parque. E é tudo. Ter-me-ei cruzado forçosamente com o filho do desportista num espaço urbano provinciano em que quase todos conheciam quase todos. Muitas vezes de vista. Os espaços que uns e outros frequentavam raramente eram os mesmos. As memórias de uns e outros divergem, precisamente, nesses locais diferenciados de convívio.
A janela por onde as duas manas da cidade do mondego espreitaram o João abriu-nos o horizonte para dois universos de referências distintos e que esta nossa passagem apressada pelo quotidiano teima em esquecer. Vá-se lá saber porquê. Entre um e outro, somos obrigados a colocar a viragem de século e de milénio, a passagem de algumas décadas bem contadas, a queda do senhor das botas de uma cadeira providencial e a queda de um muro da vergonha de todos nós. Eros e Bordalos já não existem como no tempo em que os frequentámos. Os fumos das índias foram substituídos pelas miragens das europas. Nós continuamos os mesmos mas de modo diverso. As chatices e os divertimentos não duram para sempre. É bem verdade. Só assim os encantos que vamos tendo, quando entram na fase inexorável do desencanto, abrem a porta a outros encantamentos de celebrar a vida e a outras janelas para contemplar o mundo...
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Guida Sousa disse...
Eu escrevi:
"Uma perguntinha só:e a irmã não tem nada a dizer sobre o "assunto"?Gostaria de saber...!!!"
Qual não é o meu espanto quando vi a resposta! E que resposta,uma prosa de quem sabe escrever como poucos,cheia de sentimentos que todos vivemos na nossa juventude.Senti-me verdadeiramente honrada,obrigada.
Bjs.GSousa
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Paulinha disse...
É realmente um texto muito engraçado e descreve o nosso amigo João Calheiros na perfeição.
Parabens
Bjs PP
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Luisa disse...
Esta "volta a Portugal" como lhe chama o JJ é muito bem escrita e um prazer de ler.O Calheiros Viegas devia ter demasiados assuntos entre mãos para ter sido tão pouco atencioso quando a Isabel esteve em São Martinho!Deliciosas memórias,das duas irmãs.L
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diz o que te vai na alma disse...
sempre bom ler estas estórias, que traduzem doces recordações.Da minha janela vejo o rio e o mar...e o Porto que se espraia pela Foz.
Da minha janela viaja meu olhar em busca do desconhecido.Obrigado pela partilha
Dalila

Isabel Esse disse...
Lindissima narrativa de um "namoro" da época,cheio das delicadezas e da inocência da altura.Depois do namoro na Rainha,esta série continua não só à janela mas também a retratar a evolução dos namoricos ao longo dos tempos!Aqui já não era à janela mas às escondidas.Adorei,claro.
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Fátima disse...
Da minha janela, vejo…O "Pequeno Grande Mundo dos Ex-Alunos do Ero".
Mundo esse Habitado por Gente Bonita de Qualidades Inexcedíveis, como tenho tido oportunidade de referir e de constatar...
Os últimos posts têm sido um Apelo ao nosso olhar atento, para a "casa" de cada Um, e em particular para as Suas "Janelas". Janelas essas que se abrem de par em par, como portadas que se fixam, (abertas) no tempo, por forma a proporcionar a todos os que passam, o privilégio da contemplação...
Janelas que se abrem às mais doces memórias das Gentes que cruzaram as suas vidas em belos momentos de Aprendizagem, Convívio e São crescimento. Um Gosto apreciar…
Um Gosto também “sair do Mundo Feio que nos rodeia” e “mergulhar” noutros Mundos que nos proporcionam espaços de pacificação interior e que têm em nós um efeito terapêutico.
Obrigada pelo “Bálsamo” e Parabéns a Todos os que Habilmente constroem este Espaço.
Bjs
Fátima
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Paula Bispo comentou no Facebook:
João Calheiros Viegas....um nome que me diz muito....porque era amigo do meu pai...Fernando Bispo(jogador do Caldas e já falecido)...era miúda e recordo-me de estar com ambos....enquanto conversavam.
Vivo na Malveira....mas as Caldas está no meu coração....onde nasci,onde passei momentos espectaculares na infância,adolescência e juventude....e onde continuo a ter BONS AMIGOS!!!Bem Haja!!!
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Jose Sanches comentou no Facebook:
Grandes manas!Escrevem bem as duas.Pestaninha, és um homem de sorte...
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João Ramos Franco comentou no Facebook:
Deu-me vontade de rir a cena do barco em Mira, com a sornite aguda de que o João sofria, fazê-lo remar era dificil! Esta doença atacava quando convinha.
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Jose Sanches comentou no Facebook:
Era a chamada"sorna metódica", de que o João era especialista.
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