ALMOÇO / CONVÍVIO

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Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Caldas da Rainha, 1946

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Três garotos fotografados em 1946. Só sei que elas foram as duas alunas do ERO e ele não, mas não me foi dito quem são...
Alguém reconhece ?


COMENTÁRIOS
Maria Luisa Belo Nascimentoento Osório Castro 



Amigo João:
Eu diria que as meninas são Vieira Pereira.
Eu sou de 53 e tive botas e chapéu iguais.
Um abraço. Luisa
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Teresa disse:
Ó Joãozinho, então tu não reconheces duas das tuas "meninas"?
 
A fotografia pertence ao Fernando Ludovice e tem por trás a seguinte legenda: "Luizinha Vieira Pereira, irmã (que sou eu) e eu (o próprio Fernando)". Foi tirada em frente da porta do Museu, em 1946 (está lá a data, porque eu não me lembro). É uma gracinha, não é verdade?
 
Beijos da Teresa Vieira Pereira
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Isabel Trüninger 



Que ternura de foto…eu tinha 1 ano, o meu irmão 2,5 não consigo encontrar semelhanças com alguém conhecido, mas a Celeste Samagaio, a Tamé, o Tó Freitas, o Alberto Barbosa talvez consigam ajudar a resolver o mistério.

Júlia Ribeiro  
Julgo que são meninas" Vieira Pereira". Pela data,terão que ser mais velhas que eu,daí ,a Luisa e a Teresa. Não pode ser a Isabel,porque nessa altura,não teria ainda nascido ou era mais pequenina. 

Isabel disse...
Os fotografados são as minhas irmãs Luíza e Teresa com o Fernando Ludovice Santa-Bárbara, à porta do museu. Eu também tive um chapéu igual, mas nessa altura ainda não tinha idade para o usar… nem para ir passear para o parque.  Isabel Vieira Pereira
Júlia disse...
A menina da direita parece-me a Teresa V.Pereira,a da esquerda,se é irmã,será a Luisa VP.Beijinhos às 2 meninas e para ti, Zica.

O Dr. João Vieira Pereira; A Exemplaridade De Uma Vida

por Mário Gonçalves


O Dr. João Vieira Pereira, recordado e solenemente homenageado no centenário do seu nascimento, foi um Médico que reuniu em si um amplo conjunto de qualidades que reconhecemos como o modelo referencial. No dia 2 de Setembro de 1908 nasceu o que viria a ser um Homem Bom que como tal se revelou bem cedo logo quando fez a opção pelo exercício da Medicina sobretudo inspirado “ pelo encanto que lhe despertou a vida dos Médicos que conheceu, não só pelo desinteresse material da vida mas pelo espírito de sacrifício e pela bondade que o Médico tinha ou parecia ter”. Foi com este chamamento que o Dr. João Vieira Pereira traçou todo o seu percurso de vida: a hombridade foi o seu atributo, cumprir a vocação a sua elevada exigência, conferindo-lhe um sentido de dádiva que foi preenchido com generosidade, abnegação, solidariedade, com verdadeira devoção.A ligação do Dr. João Vieira Pereira ao mundo rural, vivida no início da sua actividade clínica nas Freguesias de Alvorninha e de Alfeizerão(1934/1938), deixaram-lhe marca indelével naquele primeiro tempo em que foi ao encontro do seu ideal de ser Médico. Décadas decorridas, afirmava o Dr. João Vieira Pereira: “Com isto tudo e depois de 58 anos de labor, direi: Sinto saudades da Clínica Rural com as suas dificuldades, o espírito de sacrifício, as caminhadas, as chamadas nocturnas, os partos no domicílio, os perigos e as canseiras, o afogamento, duas fracturas da bacia, uma rotura tendinosa num joelho, um trabalho sem férias, sem feriados, sem horários, sempre às ordens e ao serviço do Povo, sem chegar a ser rico. Mas eu queria voltar atrás, não para querer mais nem querer melhor, só queria apenas repetir-me...”

Esta tão significativa mensagem, esta reflexão, elucida sobre a sua vontade de estar para servir a qualquer momento e em qualquer lugar, sem desvanecimentos, correspondendo ao apelo que interiorizou como sendo o seu dever, comungando das alegrias, dando vidas, a cura, partilhando também os sofrimentos, dando o conforto perante as eventuais adversidades que por vezes atormentam o exercício da Profissão.

A entrega tão franca destes bens inestimáveis evidencia a convicção e a coerência que acompanharam o Dr. João Vieira Pereira quando exerceu, com igual eficiência, a clínica rural, que aliás manteve de forma duradoura, e a clínica de feição urbana.

A sua vinda para as Caldas da Rainha ocorreu em 1938, ano em que iniciou a actividade clínica na Associação de Socorros Mútuos Rainha D. Leonor, Instituição onde criou, logo em 1939 e a expensas suas, um gabinete de electroterapia, tendo adquirido então, para além do equipamento próprio, também um gerador eléctrico, dada a então precária distribuição geral de corrente eléctrica na Cidade. O mesmo gerador proporcionou a realização dos primeiros bailes com luz eléctrica que se efectuaram no grande salão que existia no Montepio. Um sucesso, no dizer humorado do Dr. Vieira Pereira.

Desde o início da sua estada nas Caldas, foi de facto com o Montepio que estabeleceu um elo que se tornaria cada vez mais forte, numa ligação em que os aspectos profissionais se harmonizaram sempre com a sua natural afectividade.

O Dr. João Vieira Pereira complementou os seus conhecimentos clínicos por incentivo de realização profissional e também por marcado espírito de serviço. O seu curriculum clínico, formal, é revelador da diligência com que prosseguiu a sua própria formação, acrescentando-lhe competências que lhe permitiram assumir o desempenho de actividades médicas especializadas. Com a sua participação efectiva verificaram-se avanços em sectores médicos que, à época, representaram, tanto a nível local como regional, factores de inovação que resultaram em benefício das populações que, deste modo, passaram a estar assistidas com mais proximidade e melhor qualidade.

Assim e por mérito próprio, o Dr. João Vieira Pereira pôde exercer e quase sempre acumular, para além das responsabilidades próprias de Médico de Clínica Geral, as de Médico de Saúde Pública e dos Serviços Médico-Sociais, de Médico Radiologista e Anestesiologista, continuando a cumprir com denodo, sem reservas, o seu percurso de Vida sempre inspirado pela sua fé, fonte das suas convicções. “Não há melhor maneira de descansar do que a mudança de trabalho”, dizia o Doutor João Vieira Pereira.

Integrou como Anestesista, a primeira equipa cirúrgica que se constituiu no Montepio, da qual também faziam parte o Dr. Ernesto Moreira, o Dr. Mário de Azevedo e Castro e mais tarde o Dr. Jovalino Vieira Lino. A notoriedade do trabalho realizado em conjunto, propiciou que fossem distinguidos com a Medalha de Prata de Gratidão e Mérito, conferida pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha em Sessão Solene realizada em 11 de Março de 1981, na comemoração do 121º aniversário do Montepio Rainha D. Leonor.

Sublinhe-se também, por imperativo de justiça, que o Montepio foi, nas Caldas da Rainha, a Instituição pioneira na prestação de serviços no domínio da Radiologia, por virtude da oferta do respectivo equipamento, efectuada no ano de 1943, por um núcleo de Sócios apaixonados pelo Montepio. O Dr. João Vieira Pereira foi o responsável do Serviço assim criado, assegurando-lhe todo o seu apoio, numa disponibilidade permanente confirmativa de que as competências por si adquiridas estavam efectivamente ao serviço da Instituição. Verificamos à distância que foi a generosidade de alguns Sócios conjugada com a acção compreensiva e constante de um Médico, que permitiram fundar, no Montepio, uma unidade de Radiodiagnóstico que, com o decorrer dos anos, evoluiu para uma unidade de Imagiologia de ponta, mercê de uma adequada e progressiva modernização dos seus equipamentos e da imprescindível intervenção de recursos humanos técnica e profissionalmente qualificados.

A grande dedicação do Dr. João Vieira Pereira ao Montepio foi sendo consolidada ao longo de décadas por razão de uma vivência, de uma identidade de ideais que suscitaram no Médico a vontade de contribuir para o progresso da Instituição, através de uma colaboração profissional entusiástica, ao ponto de o próprio Dr. Vieira Pereira afirmar, carinhosamente, que “Mais de metade da minha vida foi ali passada” motivo porque o Montepio se tornou “um inimigo” pois lhe roubava muito tempo, impedindo-o de estar com a Família. A compensação que aqui recebeu por este devotado labor não foi de natureza material mas antes traduzida em gestos de desvelo, em manifestações de apreço pelas qualidades de abnegação e de altruísmo que foram, afinal, as que constituíram a sua verdadeira riqueza.

Não causou assim surpresa que tenha sido o Montepio Rainha D. Leonor a tomar a iniciativa de promover a Comemoração do Centenário do Seu Nascimento, preenchendo-a de Solenidades que prestaram Homenagem ao Médico que cumpriu a Vida cultivando a fé, a probidade, o saber, a modéstia, virtudes que identificam o Homem Bom que sempre foi o Dr. João Vieira Pereira. O descerramento do seu busto, da autoria do Mestre Ceramista Herculano Lino Elias e a inauguração do mais moderno equipamento de Radiodiagnóstico no Serviço que muito justamente tem já o seu nome, representaram uma forma de o Montepio tornar perene a sua memória, lembrando que este Homem Solidário serviu, de alma e coração, esta Instituição de Solidariedade.

Os Valores que nos foram transmitidos pelo Dr. João Vieira Pereira, não se confinaram aos do seu exercício profissional: no seu legado encontramos outros talentos que reflectem a sua grande sensibilidade, a diversidade dos seus interesses intelectuais dedicados ao coleccionismo (foi um distinto coleccionador filatélico e numismático e de miniaturas dos Mestres Ceramistas Eduardo Elias e Herculano Elias), à fotografia, às actividades artísticas e culturais, ao gosto pela escrita que tão cedo se manifestou quando ainda era aluno liceal e que prosseguiu através da colaboração em Jornais e em Revistas Médicas. Nas Caldas da Rainha, conforme revelado de forma oportuna, excelente, pelo Dr. João Serra, foi o fundador de “O Progresso”; na poesia encontrou forma de exprimir sentimentos, talvez sobretudo os de índole mais íntima. O seguinte poema traduz uma síntese de vida: “Colhi rosas, colhi espinhos,/dias e noites sem descanso/percorri árduos caminhos para fazer hoje o meu balanço./Anos de clínica rural/a valer-me dos meus fracos recursos/foram a fase baptismal dos meus benéficos percursos.”; a afabilidade, o sentido de humor, a serenidade, a sua simpatia, reflectiam uma imensa capacidade de estima.

Os bens imateriais tão generosamente doados pelo Dr. João Vieira Pereira, constituem um património inestimável, uma herança colectiva que é imperioso salvaguardar. As Cerimónias que decorreram, presididas por individualidades da mais elevada representatividade e com a comparência tão expressiva e qualificada de presenças, constituíram a confirmação inequívoca de que são sentimentos como os de gratidão, de respeito, de sincera admiração, que criaram o claro consenso de louvor dedicado ao Médico que enobreceu a sua Profissão, servindo-a.

Homenagear o Dr. João Vieira Pereira no Centenário do Seu Nascimento, enaltecendo a sua dignidade, representou um perfeito acto de Justiça.

Quando, numa visão prospectiva, nos surge a dúvida sobre se será inexorável a degradação das sociedades, sentimos que a experiência ancestral acumulada conserva os ditames que, em contínuo, hão-de contribuir para obviar a deterioração das qualidades humanas. Esta expectativa firma-se quando recorremos às boas memórias, lembrando a exemplaridade das Pessoas que, à sua dimensão, nos transmitem a confiança de que vale a pena acreditar na prevalência dos Valores.

Na data memorável do seu Nascimento e para sempre, Honra ao Dr. João Vieira Pereira!!!

Caldas da Rainha, 2 de Setembro de 2008

* Mário Gonçalves
COMENTÁRIOS AOS ARTIGOS SOBRE O DR. JOÃO VIEIRA PEREIRA
( escritos por João B. Serra e Mário Gonçalves)

José Carlos Abegão disse:
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Continuo a ler com muito interesse os comentários que têm sido publicados, que na sua maioria nos dizem algo sobre a história da nossa cidade ou sobre lembranças da infância dos bloguistas Caldenses. Hoje aprendi mais um pouco das Caldas, na vida desse médico, cidadão exemplar que foi o Dr. João V. Pereira.
Espero que continuem com o blogue, e os meus agradecimentos ao J.J. por continuar a enviar-me notícia dos artigos aí publicados, embora eu nunca tenha sido aluno do ERO.
Cumprimentos. J.Carlos Abegão.
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João Jales disse:
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Esta efeméride foi a forma ideal de introduzir a nossa série sobre Personalidades caldenses que se inicia no final de Setembro.
Não conhecia, confesso, a faceta de jornalista do Dr. Vieira Pereira pelo que li com especial interesse o excelente artigo do João. Fico, como todos , à espera que ele ponha à nossa disposição as tais notas da conversa de 1986. Conheci ou, como já aqui disse e repeti, tive o privilégio de conhecer o casal João e Ofélia Vieia Pereira e de, apesar de mais novo, ser amigo dos seus filhos.
Foi um prazer e uma honra ter aqui um artigo assinado pelo Dr. Mário Gonçalves, também ele um antigo aluno do Externato Ramalho Ortigão. Esperemos que não seja o único.
Um beijo para "as meninas" e um pensamento de grande saudade para o Toni e os seus Pais. João
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João Ramos Franco disse:
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João Serra, ao ler transportas-me no tempo, fazes reviver toda minha infância e a ligação de amizade à família Vieira Pereira. A emoção é grande e as palavras que poderia escrever fogem-me,tenho muitas saudades do Toni e dos seus Pais.
Um abraço forte para todos Vieira Pereira, estarão para sempre presentes em mim
João Ramos Franco
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Manuela Gama Vieira disse:
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Dos anos que vivi nas Caldas,guardo o "nome" de algumas personalidades; ficou-me gravado,precisamente pelo prestígio que as suas competências pessoais e profissionais lhes permitiram,com todo o MÉRITO, grangear.O Dr. Vieira Pereira foi sem dúvida, uma dessas personalidades.
Não sou caldense,mas trouxe sempre comigo um pouco de cada terra por onde passei.Por esse motivo,curvo-me com o maior respeito perante a memória de Dr. Vieira Pereira.
Curioso que recordo uma entrevista televisiva,conduzida não me lembro por quem,já o Dr.Vieira Pereira tinha uma respeitável idade,e fiquei fascinada com a sua personalidade.
Lembro-me perfeitamente das filhas Helena,Isabel e Manuela, minhas contemporâneas no ERO.
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JBSerra disse:
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Fui à sessão de homenagem efectuada na Câmara Municipal. O salão nobre estava repleto, o que diz bem da simpatia e carinho com que o Dr. João Vieira Pereira é recordado nas Caldas. Vários oradores lembraram a sua acção, em especial o seu colega Dr. Mário Gonçalves, que falou do médico que conheceu bem, no Montepio, na Misericórdia e no Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.As palavras que ouvi evocaram também as singulares qualidades humanas do Dr. João Vieira Pereira. Nele de facto coincidiram, não apenas as capacidades intelectuais e até artísticas (comuns a outros médicos da sua geração), a curiosidade e o espírito científico que a Medicina instiga, mas sobretudo uma vocação médica entendida no sentido de uma dedicação integral ao combate contra o sofrimento e a doença.
O Dr. Vieira Pereira chegou à cidade das Caldas em 1938, exercendo actividade no Montepio. Trazia consigo já uma experiência de 4 anos como médico rural, em Alvorninha e Alfeizerão. Essa experiência moldou o seu comportamento ao longo da vida, cumprindo os valores que definiram o médico de aldeia exemplar: a disponibilidade 24 horas sobre 24 horas, a total confiabilidade, e, sobretudo, a compaixão (essa qualidade, essa atitude, tão difícil de definir, que é o resultado mais autêntico do humanismo). O médico rural não era visto, sobretudo não era desejavelmente encarado, como um profissional de saúde, ou apenas como um profissional de saúde, mas como alguém a quem se recorria em busca de conforto e de alívio.O Dr. Vieira Pereira foi um médico de aldeia na cidade grande. Continuou aliás a visitar doentes na zona rural deste concelho. Simplesmente deixou de andar num cavalo para passar a andar num 2 cavalos.J. Serra
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J. L. Reboleira Alexandre disse:
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Depois deste comentário de João Serra ao Sr Dr Vieira Pereira, como era conhecido lá em casa, pouco mais posso dizer.
Não sei se era da humidade do Chão da Parada, mas era raro o Inverno que eu não apanhasse uma gripe qualquer, ou até outras doenças bem mais graves.Apesar de não haver na altura telefone lá em casa, era certo e sabido que o Dr Vieira Pereira lá aparecia, dia de semana ou Domingo, de noite ou de dia, com o seu famoso 2CV vermelho, se a memória não me atraiçoa no que concerne a côr.Bastava a sua presença para o miúdo que eu era, ficar melhor e poder voltar a brincar e sujar-me na areia da rua, para desgosto de minha mãe.
Uma das grandes figuras do nosso concelho.
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Margarida Araújo disse:
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Gostei muito de ler o texto do JoãoBS e de relembrar as pesquisas que fiz no jornal "O Progresso".
Fica aqui, sobretudo, o reconhecimento das qualidades humanas do Dr. Vieira Pereira. Lembro-me muito bem dele no seu 2 cavalos de um lado para o outro. Margarida Araújo
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Laura Morgado disse:
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Ao ler a descrição feita pelo Bonifácio transportei-me até à minha juventude e à amizade que ligava a minha família ao Dr. Vieira Pereira.
Recordo um excelente profissional e um HOMEM de uma extraordinária humanidade. Sempre pronto a ajudar todos, mesmo os mais desfavorecidos, sem esperar nada em troca.Quando era requerida a sua presença nos domicílios, medicava os pacientes e fazia questão de permanecer pela noite fora, aguardando a evolução do seu quadro clínico.Faltam as palavras para descrever todo o perfil do Dr. João Vieira Pereira.
Apenas como curiosidade, recordo que, como o nome do meu pai é Clemente, o Dr. Vieira Pereira sempre que me encontrava dizia “olá Clementina”, o que no meu entender era um miminho que ele me dava.
Beijinhos para as manas Vieiras Pereiras que partilharam comigo o ERO, mas um especial para a Isabel que foi da minha turma. Laura
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Júlia Ribeiro disse:
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DR VIEIRA PEREIRA - GRANDE HOMEM,GRANDE MÉDICO
Há dias em que me sinto bem e o dia da homenagem ao Grande Homem e Médico que foi o Dr. Vieira Pereira foi um deles.
Desde os meus 10 anos, quando entrei no ERO, que comecei a ouvir falar nesse Grande Senhor. Nunca tive muito contacto com ele mas, ao longo dos anos, fui nutrindo uma certa afinidade e empatia; ao ouvir as palavras que lhe foram dirigidas, compreendi e fiquei a conhecer realmente o Dr.Vieira Pereira. O doente não necessita apenas de um médico meramente prescritor de medicamentos, mas também daquela palavra amiga, da disponibilidade e compreensão que, muitas vezes, são tão importantes como o medicamento. E por saber e praticar isso, ele era amado por todos.
Aqui uma palavra de agradecimento para a D. Ofélia, sua esposa, que de certeza, também contribuiu com o seu apoio para o Homem e o Médico que ele foi.
Quando entrei na sala de Rx e vi o novo aparelho disse para a Teresa :
-Tanto que o teu pai fez, e com tão pouco, comparando com as novas tecnologias de que dispomos agora!
Por coincidência frequentei o ERO numa altura em que todas as manas V. Pereiras também lá andavam e assim tive contacto com todas, embora de maneira diferente, pois as idades variavam. Felizmente fui-me cruzando, ao longo dos tempos com elas, mais com a Manela e, ultimamente, com a Isabel. Foi com imensa alegria que as reencontrei todas num dia que lhes era tão especial. Para mim também foi um dia muito especial....Nunca o esquecerei! Às Manas Vieira Pereiras e Família um MUITO OBRIGADO.
Júlia R
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João Vieira Pereira, médico e jornalista

por João Bonifácio Serra

(Caricatura da autoria de Vasco Trancoso)


No dia 2 de Setembro cumprem-se 100 anos sobre o nascimento do Dr. João Vieira Pereira. Natural de Amieira do Tejo (concelho de Nisa), foi nas Caldas, onde residiu, que exerceu a actividade de médico, até ao fim da sua vida. Casou, em 1935, com Maria Ofélia Aguiar de Araújo, oriunda de uma família de Alvorninha. O casal teve 6 filhos (António, Maria Luisa, Maria Teresa, Maria Isabel, Maria Helena e Maria Manuela), todos bem conhecidos de várias gerações de antigos alunos do Externato Ramalho Ortigão.


A figura de João Vieira Pereira vai ser homenageada na Câmara Municipal e no Montepio, com a presença do cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, também ele nascido em Alvorninha. Certamente nessas cerimónias de evocação destaque especial será dado à acção exercida durante mais de meio século pelo médico. Menção será justamente feita ao papel pioneiro que desempenhou na introdução de meios complementares de diagnóstico, nomeadamente a radiologia, no Montepio caldense, em 1942.

Gostaria de aproveitar esta ocasião para referir uma faceta quase desconhecida do Dr. João Vieira Pereira, a de jornalista. Foi director do jornal O Progresso, um semanário que se publicou aos Domingos, entre 18 de Agosto de 1946 e 3 de Agosto de 1947. Como se pode ver na imagem da primeira página do primeiro número, a equipa de colaboradores do jornal incluía ainda Acácio de Sotto-Mayor, Felix da Cruz, Maia de Faria, António Moreira da Câmara, Dario Preto Ramos, Eurico Bonifácio da Silva (o meu pai), Marques da Silva, J. Vieira Lino, Justino Moreira, Leonel Sotto-Mayor e Victor Coelho.




No seu primeiro editorial, João Vieira Pereira indica os propósitos do periódico: reagir contra a decadência que se encontra a posição das Caldas e região e contribuir para a elevação do nível cultural da população. “Não se vá pensar” – escrevia – “que o nosso papel crítico vai incidir num derrotismo por sistema, e sabemos bem que compete também à crítica louvar e aplaudir. O que pretendemos e o que ambicionamos. o título do nosso jornal o diz na simplicidade de uma só palavra” [Progresso].




O Progresso pretendia preencher uma lacuna, pois nas Caldas sempre existira, desde 1884, um jornal que dava corpo às aspirações locais. Nas suas edições, o novo semanário apresente um formato padrão: 8 páginas, 3 das quais preenchidas com notícias de Óbidos, Bombarral e Peniche, 1 ou 2 de publicidade e as restantes de noticiário caldense e textos de opinião assinados. Alguns desses textos são assinados exactamente pelo director.


Vejamos algumas das preocupações enunciadas pelo Dr. Vieira Pereira nos seus editoriais. Uma delas prende-se com a pobreza de inúmeras famílias que vivem na área urbana e que não terão possibilidades de conservar os seus casebres quando for aprovado – o que se espera para breve – o plano de urbanização encomendado pela Câmara. Para fazer face a essa situação, o director de O Progresso propõe a construção de um bairro social (o que, como se sabe, veio a acontecer).


Nos seus escritos, defende também o lançamento de campanhas contra certos males sociais, como o alcoolismo, ou pela divulgação de conhecimentos de puericultura junto das mães, ou a favor do uso generalizado do calçado e advoga o combate sem tréguas à ilegitimidade de filhos. Mostra-se ainda um defensor convicto da prática desportiva como instrumento de uma vida saudável, valorizando a educação física na escolas.


Na vida do semanário e na do seu director, um acontecimento mereceu um grande relevo: a inauguração da clínica do Montepio, um novo e moderno edifício na Rua Heróis da Grande Guerra, no dia 2 de Março de 1947. O jornal relata-o na sua edição de Domingo seguinte (9 de Março). João Vieira Pereira deixou nesse dia a direcção clínica do Montepio, sendo substituído pelo Dr. Ernesto Moreira.
































Usou nesse dia da palavra para contar a história da transformação de uma salão de festas numa casa de saúde e agradecer a todos os que se tinham empenhado nessa transformação. Como esse discurso é também um documento histórico, aqui o transcrevo parcialmente:


“Como nasceu esta obra?


Não ainda há muitos anos, o Montepio abria as suas portas à hora da consulta dos sócios e recebia à noite os “habitués” do bufete e do bilhar. A parte recreativa desempenhava ainda uma função.
Depois começou o Montepio a facultar as suas salas para consultas de especialidades, e o movimento dos doentes justificava já então a porta aberta durante várias horas!
Com o serviço de Raios X e cirurgia em 1942, o crescente movimento dos doentes transformou o Montepio num centro clínico que começou a experimentar as deficiências de instalação e daí a ideia de uma obra capaz, for a das improvisações e adpatações, pois o Montepio passou a ser casa de portas sempre abertas.
Como foi isso possível?
Até milagre parece! Mas possível foi. Sei que o Montepio é pobre e que supriu os fundos necessários à custa de uma força de que só é capaz a vontade nascida de uma fé forte, alimentada por uma esperança que o optimismo e o entusiasmo nunca deixam esmorecer, e justificada por um sentimento em que o desinteresse, o espírito de sacrifício e a dedicação bem sentida sintetizam a força animadora desta realização”.


O Dr. Vieira Pereira considerava que as Caldas bem se podiam orgulhar dessa nova instituição de saúde e assistência, de que foi seguramente um dos pais fundadores. Colaborou na sua concepção e planeamento, no equipamento das instalações e provavelmente no seu financiamento, conhecida a sua generosidade e o seu proverbial desprendimento.


Observação final:
Entrevistei longamente em sua casa o Dr. João Vieira Pereira, em 1986. Guardo notas dessa entrevista com o homem que muito estimei e admirei e que assistiu a minha mãe no decurso de uma complicada gestação e do parto que me trouxe à vida. Oportunamente colocá-las-ei à disposição dos leitores deste blogue.


J. B. Serra
31 de Agosto de 2008
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C O M E N T Á R I O S
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farofia disse...
Se este blog fosse um livro, eu marcava esta página com uma dobra no cantinho, para não a perder de vista.