ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
.
.

O BLOG FOI NOTÍCIA NO JORNAL DAS CALDAS

Esta semana fomos notícia no "JORNAL DAS CALDAS".
Se quiserem ler a reportagem basta clicar sobre a imagem
e terão a página do jornal em tamanho grande.
.
.
.

Foi com esta mensagem que agradecemos a atenção:

Caros Srs.
Registámos com muito agrado o artigo do vosso colaborador Francisco Gomes sobre o nosso Blog (Antigos Alunos do Externato Ramalho Ortigão) . Os excertos que fez dos textos e a forma desenvolta como o artigo é apresentado representam bem o espírito do espaço que criámos e cuja divulgação agradecemos.
Sempre à vossa disposição para qualquer esclarecimento ou colaboração, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

EX.ALUNOS.ERO

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
comentários
.
2008-02-14
São Caixinha disse:
Olá João!
Que engraçado...o blog faz notícias e com razão! Esta folhinha do Jornal das Caldas teve hoje muito mais interesse do que o Telegraaf inteiro...e surpreendemente também somos mencionadas...!!! Os meus parabéns e os meus agradecimentos pelo envio do artigo, de outro modo, lembrando o Andy Warhol, passavam os meus 15 minutos de fama e nem chegava a saber!!! Bjs São X

OS "CALDENSES"

DA ESQUERDA PARA A DIREITA COMEÇANDO POR TRÁS:
Mário Gonçalves, Adriano Fidalgo dos Reis, Leitão, Silva Nobre, Elmano Sá, Serrão Mendes, ? , Davis Frazão, Zé Filipe Batalha, Mário Moreira,Eugénio Claro Claro Branco Lisboa, Mesquita de Oliveira .
LIGEIRAMENTE ABAIXO (casaco claro): António José Rodrigues Borges
3ª FILA :
? , ? , Júlio Manuel Paramos Baptista de Carvalho, ? , Manuel Simões Teixeira, Nuno Cunha, António Marques Matos (alcunha Óbidos) , Armando Castro, António José Figueiredo Lopes,Jorge Caetano Venâncio, Artur Paulo Rodrigues , (+alto) ? , Varela.
PROFESSORES:
Carlos Silva, Manuela Santos, Macedo, Silveira, José Abrunhosa, Tavares(?) , Major Alves, Padre Tedoro
SENTADOS
?, ?, ?, ?, ?, Raul Neto,?.
.
(A IDENTIFICAÇÃO INSCRITA ACIMA DA FOTOGRAFIA É DO ANTÓNIO JOSÉ FIGUEIREDO LOPES, QUE PEDE INFORMAÇÕES SOBRE MUITOS DESTES COLEGAS QUE NÂO VÊ HÁ MUITO TEMPO.
O EMAIL ex.alunos.ero@gmail.com ESTÁ DISPONÍVEL PARA ESSAS INFORMAÇÕES)

No artigo anterior mostrámos as alunas do Lusitano passeando-se alegremente no Parque. Esta fotografia mostra o exclusivamente masculino Caldense nesse mesmo ano lectivo de 1944/45, com os seus alunos, bem mais tristes e sorumbáticos, nas instalações da Miguel Bombarda.

Este é o pátio do edifício, que servia de recreio e, pelos vistos, de estúdio fotográfico, já que é sempre neste local que posam os "artistas" do Caldense e , a partir de Outubro de 1945, os do Externato Ramalho Ortigão.

Desta vez não há legendagem inicial, o desafio é identificar todos os intervenientes a partir dos vossos comentários. Mesmo que conheçam só um ou dois, enviem um email para

Reunidas todas as contribuições deveremos ter uma legendagem completa.

Já reconheci o professor Macedo (bigode inconfundível) que era o tal grande galã caldense. Pelos vistos dava aulas nos dois colégios, embora com mais empenho e dedicação no Lusitano, pelo que me contam...
......................................................................................................................................................
IDENTIFICAÇÕES:
.
Professores
O 1º da esquerda é o professor de canto coral Carlos Silva (era padrinho do Pardal e tinha uma colecção de tinteiros das Faianças Belo que deve ter deixado ao afilhado…. Olha..hoje vale dinheiro… não sei se ele a terá vendido .. o Joca Raposa chamava-lhe um figo !!!)
Logo a seguir é a D. Manuela Santos, professora primária que ainda deu aulas no ERO. Tinha um irmão mais velho ligado à fábrica Bordalo Pinheiro e um mais novo Jorge , de alcunha “Sardeca”. A Srª era tal e qual como está no retrato …. Com uns óculos muito grossos e uns sapatos que eram umas bateiras…. (Coitada devia ter joanetes ihihih ……isso já não me lembro) e bastante rezingona……
O 1º da direita é o padre Zé Teodoro e logo a seguir a ele acho que é o Major Alves (será que ele era Major?) marido da Cândinha Alves. Bjs Ana
.
Professores:
O 3º professor a contar da esquerda, parecido com o Tonico Bastos, é o professor Macedo (História). A seguir está o prof Silveira (Latim). Ao meio o Director, Dr. José Abrunhosa. Só falta identificar um professor ... e os alunos todos!
.
Professores:
A Sra. D. Manuela Santos deve ter dado aulas no ERO até ao fim do ano lectivo de 63/64, pois a 1 de Outubro de 64, na abertura do ano lectivo, foi alvo de uma homenagem. Isabel V. P.

AS "LUSITANAS"

Os mais atentos aos últimos artigos do Blog ficaram a saber que em 1945 existiam nas Caldas dois colégios : o Caldense, só com alunos masculinos (correria hoje o risco de ser considerado um colégio Gay?) e o Lusitano, só com alunas. Quem quiser saber mais sobre tudo isto vá a :

ANTES DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO - Os colégios das Caldas da Rainha (1928-1945)



.
É do Lusitano que falamos hoje. Para vos situar melhor, acrescentei fotos do edifício e da vista de uma das salas de aulas. Estrategicamente situado na R. de Camões, em frente ao Parque, tinha neste um local de eleição para as alunas passarem os tempos livres. As duas fotografias que abaixo mostramos foram lá tiradas, uma junto às grades e outra à porta do Museu.
As legendagens (provisórias e ainda incompletas) esperam as vossas contribuições. Apreciei especialmente a da Belão, referente à foto no museu, porque lembra um pouco aqueles labirintos do “ajude o ratinho a encontrar o queijo”, para trás e para a frente, para cima e para baixo, em busca do caminho…Mas é colorida e elucidativa e eu decidi não modificar (isto de ser preguiçoso é uma arte e depende muito da forma como justificamos a inactividade).
A da prisão, melhor, das grades, é legendada também pela filha de uma das fotografadas, a Guidó. Inclui algumas “estrelas de cinema”, com penteados sensacionais, que me fazem lamentar ter nascido tarde de mais para ir ao Parque nessa altura (espero que estes comentários não caiam mal nas visadas e, sobretudo, nas nossas colegas dos anos 60; escrever o que se pensa é sempre um exercício arriscado).
.
.

Belão:
Aqui vai o que consegui saber.
Começando da esquerda para a direita, em cima :
- Contínuo do colégio; à frente, estão duas meninas - a mais pequena é a Beatriz Rodrigues e a de cabeça inclinada é Sami(prima do Vera Jardim); ao lado(brinco branco) Mª dos Anjos e logo atrás Graciete Ferreira; ao lado desta Teresa Galinha que tem à frente Mª Lucinda Igrejas e atrás Salete Afonso( filha do Caetano Afonso da Havaneza);à frente da Salete Afonso é a Bé que tem à frente dois homens - o indiano é o prof. Silveira e o outro o prof Jorge Morais;a minha mãe, que tem atrás a Helena Faria e a Isabel Girão e ao lado a Mª Berta Mesquita; atrás desta não sei o nome, mas ao lado é Mimi Bolotinha; o Sr gordo é o capitão Dario e ao lado, a senhora da gola branca é a prof de Moral, Alice Bruno; ao lado desta é a irmã da Mª Berta, a Helena Viriato; os senhores de bigode são respectivamente um prof de Matemática e o que está mais destacado é o prof Macedo. Ao lado deste está uma estrangeira chamada Helga.
Quanto à fila da frente, isto está fraco. Só consegui a Lurdes Teixeira( fato branco, sandália branca e laço branco), ao lado, de casaquinho, é a Margarida Botas, a seguir é a Fernanda Reis , depois é uma desconhecida e a seguir a Odete Subtil.






Guidó:

Da esq. para a direita.
Em baixo:
Valentina (prima da Isabel Castanheira), Ciló, Mila Marques, Mªa dos Anjos, Aida Moreira (filha do Capitão Justino Moreira), ?
2ª fila:
Bé Viriato, ?, ?, ?, Esmeralda Henriqueta (veio a casar com o Prof. Perpétua, acho que ela era prima do meus sogro), ?, ?, Maria Guilhermina, Isabel (veio a casar com o Girão), Letícia.
Presas, melhor, atrás das grades:
?.?. Terezinha Dario (filha do Capitão) Dario, irmã, Bé Castro.



-----------------------------------------------------------------------------------------------

comentários


2008-02-11
Ana Nascimento disse:
Oh cachopas que delícia de fotografias ……ADOREI !!!!!.As “piquenas “ estão giríssimas… desde o penteado à fatiota uns verdadeiros figurinos... daqui a fama das Caldas ser uma cidade de mulheres bonitas e elegantes.!!!!!!!
Além das vossas mães, reconheci outras Lusitanas mas, com muita pena minha, apenas aquelas que já estão identificadas.
A minha mãe também foi uma delas, mas creio que não tem fotos dessa altura, de qualquer modo talvez nos dê uma ajuda para a legenda ficar completa.
Obrigada Belão e Guidó por terem partilhado comigo este pedacinho da história das vossas famílias. Beijinhos Ana

2008-02-11
JJ disse:
Esclareço que as fotos são uma contribuição do nosso colega José Mesquita de Oliveira, a Belão e a Guidó contribuíram com as legendas.

2008-02-11
Ana N disse:
Meu querido Zeca
Vi agora que as fotos são suas, obrigada meu amigo. Sim senhor… um grande exemplo para os mais novos que ou nem têm tempo, ou desconhecem (e aí ainda se desculpam) ou então andam a dormir na forma (o que não abona nada em seu favor…)..
Fiquei muito contente e orgulhosa por ver que foi um dos primeiros do seu tempo a aderir a este projecto, contribuindo para que não se percam as memórias das Caldas.
Um beijinho muito grande da Ana

A MOVIDA CALDENSE


Sinto que não devo terminar esta incursão pela memória do espaço e da sociedade caldense da minha adolescência, sem referir sumariamente, em duas ou três pinceladas rápidas, o movimento cultural local.
A «movida» caldense dos anos 60, se é que me posso exprimir assim (ressalvadas evidentemente as distâncias entre as Caldas dos anos 60 e a Barcelona da década de 80), era demográfica e socialmente alimentada pelos bandos familiares que aportavam à cidade no Verão e pelos militares do RI 5 que se renovavam em sucessivas levas de recrutas, tinha como pólos dinâmicos o Conjunto Cénico Caldense e a Tertúlia Artes e Letras (a que me referi em crónica anterior) e como pontos obrigatórios da noite tribal e boémia o «Ferro Velho» e o «Inferno da Azenha».
A instalação de veraneio nas Caldas durante um, dois ou mesmo três meses, constituía prática antiga, remontando pelo menos ao século XIX. Na altura, era a corte e a fina-flor aristocrata e burguesa que vinha a banhos. Os periódicos locais anotaram cuidadosamente, desde o seu nascimento em 1884, as chegadas dos membros dos clãs, assomando primeiro os avós acompanhados dos netos, preparando os cómodos para a vinda dos filhos. Mas, nos anos 60, os apelidos sonantes que aportavam às Caldas contar-se-iam pelos dedos de uma só mão, arrastando ignotos vestígios de uma antiga grandeza. As Caldas do Verão tornara-se território das novas classes médias, que apreciavam o clima ameno e a abundância de camas, disponibilidade de praias e a facilidade de abastecimentos, a qualidade do comércio e dos serviços e o ambiente desenvolto que se respirava na cidade.
Há quem defenda, com oportunidade que não sei discutir, que essa «abertura» sentida na cidade pelos forasteiros, em contraste com o muro de reserva e desconfiança característicos dos meios pequenos e fechados sobre si próprios, se ficou a dever a convivência com refugiados judeus, residentes temporários nas Caldas na década de 40. Seja como for, a imagem externa da cidade na década de 60 entre as classes médias lisboetas era muito favorável e desse facto se orgulhava justamente parte da elite local.
Falo de um tempo anterior ao turismo de massa e à devastadora descoberta do Algarve, que desviou as Caldas da rota desse turismo relativamente culto e exigente, que fazia vida na cidade (e não em apartamentos ou aldeamentos), partilhava as preocupações dos caldenses com os seus equipamentos urbanos, animava os espaços públicos da cidade e trazia fôlego novo aos momentos conviviais da sociedade local. Falo de um tempo em que os nossos veraneantes apelavam ao que de melhor as Caldas podiam oferecer e se sentiam tão responsáveis pela cidade como os caldenses que aqui viviam todo o ano.
Falo de um autêntico glamour caldense, que a cidade irradiava com orgulho, de que seus frequentadores habituais tinham plena consciência e buscavam todos os anos reencontrar. Era um sopro, uma aura, um toque cosmopolita no seu provincianismo, uma subtileza cultural provavelmente ímpar. Como eu gostaria de a saber evocar aqui, essa subtileza, nas suas contradições e cambiantes, agora que me parece definitivamente enterrada!


João Bonifácio Serra

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

NOTA: Esta crónica foi publicada originalmente na Gazeta das Caldas e consta na recolha "CONTINUAÇÃO". Publicada aqui agora porque penso que expressa bem uma certa atmosfera caldense evocada no artigo anterior, a propósito da fotografia em 62. JJ

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
.
comentários:
.
2008/02/07
João Ramos Franco disse:
Evocar essa subtileza, nas suas contradições e cambiante, faz-me recordar como era difícil frequentar a Zaira e Casino (pólo da alta burguesia local) e o Café Central ponto de reunião dos pólos dinâmicos como citas. No dia seguinte éramos criticados pela alta burguesia da cidade, as palavras (ele dá-se com a aquela gente) saltava-lhes da boca e só não éramos excluídos da sua convivência devido ao nome de família. João Ramos Franco
.
2008/02/09
Isabel Vieira disse:
Os refugiados da guerra não foram só judeus e não passaram pelas Caldas em 40 só, muitos ficaram nas Caldas a viver e tiveram uma grande influência na maneira de cá viver. Penso que o autor desvaloriza isso um pouco, mas sem razão. Parabéms pelo Blog! Isabel
.
2008/02/10
JJ disse:
Não discordando do João Serra, que penso que se limita a não se pronunciar sobre o assunto, estou completamente de acordo com a Isabel em relação à enorme influência dos refugiados no modo de viver nas Caldas, principalmente na forma de viver e conviver das mulheres caldenses. Quem conheceu, como eu, Leiria, Torres Vedras, Alcobaça, Santarém, sabe que essas cidades tinham, nos anos 60, vivências muito mais "fechadas", tanto entre os residentes como em relação aos visitantes. É talvez tema para uma outra crónica.
.
2008/02/10
Pereira da Silva disse:
Seria uma pena que esta crónica do Bonifácio Serra se ficasse por um términus de "incursão" e por uma "referência sumária". Digo isto porque esse período histórico local, com poucos paralelos em termos nacionais para cidades de província, merecia registo e análise (para já não dizer teoria, por exemplo, na explicação da formação das elites locais).
O Serra identifica, com propriedade, duas instituições fulcrais: o CCC e a Tertúlia. Todavia, penso que se inserem, como vértices é certo, numa estrutura/textura convivial mais alargada em que (com algumas discriminações geracionais) se podem/devem incluir o Central, o Camaroeiro e o Clube de Inverno.
Incontornáveis para uma reconstituição de factos e ambientes são, em meu entender, o João Maria Ferreira, o Hermínio de Oliveira e o Tó Freitas. Bom...este blog está a tornar-se num caso sério...e ainda bem. José Manuel Pereira da Silva
.
2008/02/11
Zé Carlos Faria disse:
Caldas da Rainha foi fortemente marcada por uma tradição de convivência e fruição cultural gerada pela frequência termal da aristocracia e duma burguesia de posses, que para aqui se deslocava em vilegiatura. O delicioso escrito do «patrono» Ramalho Ortigão em «Banhos de Caldas e Águas Minerais» é, a este respeito, bem esclarecedor.
A vinda dos refugiados Judeus durante a II Guerra Mundial, parece ter reforçado essa característica. Tratava-se de uma elite cosmopolita, alguns deles em trânsito para os EUA (o famoso «avião para Lisboa» do filme »Casablanca»), que era obrigada, na fronteira, a fazer prova de possuir os meios que garantissem a sua subsistência futura. Talvez devido a este efeito conjugado, o estigma provinciano do imobilismo sufocante, surgia, em muitos aspectos, diluído: cafés cheios até tarde, as famílias, noite dentro, em alegre conversata durante ininterruptas «piscinas» de Verão no tabuleiro da Praça...
Contraste acentuado com o quotidiano de cidades como Évora, por exemplo, a qual, no início da década de 90 do século XX, ainda se assemelhava, sob múltiplos pontos de vista, ao que Vergílio Ferreira, em 1959, tinha descrito na «Aparição» - mentalidade fechada devido ao isolamento, mulheres tendencialmente em casa porque a presença numa esplanada, mesmo de dia, seria, de imediato, um escândalo inusitado, padrões de comportamento esclarecidos pela voz de uma das personagens: «Aqui, nem mais do que a 4ª classe, nem menos do que 400 porcos»!...
.
2008/02/11
João Bonifácio Serra respondeu:
Atenção. Este meu texto é tão só uma pequena crónica memorialística publicada na Gazeta das Caldas em 1998, que o João Jales achou oportuno republicar aqui! Talvez superficial, talvez injusta, decerto com omissões e até inexactidões. É só uma crónica. Não pretendi nem fazer, nem rever a história. E como escrevi na primeira pessoa, só me refiro ao que vivi. Não vivi na década de 40, não testemunhei a passagem dos refugiados, limitei-me, a este propósito, a repetir a explicação que muita gente dava. Não quero fugir à questão dos refugiados, que poderei discutir com base em dados mais objectivos do que as observações casuisticas sempre repetidas (mulheres que fumavam em público e frequentavam cafés, por exemplo), mas o tema central da minha crónica de há 10 anos era outro. A alteração dos fluxos turísticos e a crise do termalismo mudaram a "alma" das Caldas. Por outras palavras, deslocaram os seus centros de interesses. Talvez eu estivesse a ser dramático quanto à constatação do "enterro". Mas que a cidade é outra e o seu "glamour" está muito desmaiado é certo. Por vezes, assoma à janela um pouco desse antigo sopro sepultado com a chegada ao poder de um urbanismo preguiçoso e por vezes também inescrupuloso. Está nas iniciativas da “107”, em algumas performances da Esad, na criatividade do Ferreira da Silva, no regresso do “Teatro da Rainha”, no inconformismo de meia dúzia de resistentes maldispostos, nas memórias que ainda o são, no entusiasmo com que repentinamente discutimos supostas "inutilidades", neste blog, por exemplo. É possível que me tenha esquecido de mais alguns sobreviventes. Mas é pouco, acho eu. João Serra

JANTAR DE ALUNOS DO ERO EM 1962

.
RESTAURANTE "CABANA" , S.MARTINHO DO PORTO EM 1962
.
1ª Fila sentados da esquerda para a direita:1ºJoão Ramos Franco, 2ºArtur Capristano, 3ºVasco Cunha(futuro cunhado do Artur) 4ºTó Freitas 5º Caldas Lopes 6º Carlos José Marques Henriques(CáZé), 7º Dr. Gama Rose, 8ºDr Luís Rosa Bruno 9º Dr. Fernando Fontinha, em frente o 10ºJoão Gama Lourenço 11ºAlvaro Duarte, 12ºAntónio Filipe Caetano Ferreira, 13ºJosé Augusto S. Silva, 14ºJoaquim Del Rio Nazareth, 15º João Calheiros Viegas;

1ª FILA EM PÉ:1º João Fialho, 2º Luís Manuel Saudade e Silva, 3º José Júlio (cunhado do Tony), 4ºRui Américo (cospe cospe), 5º Francisco Azevedo e Castro, 6º Néné, 7º Faustino Cunha, 8ºJoão Ribeiro Coelho (Bertolino), 9º Fernando Rainho(inclinado) 10º Adérito Amora, 11ºTó Marques, 12ºJosé Manuel Faria Saudade e Silva, 13ºJorge Calisto, 14º Fernando Figueiredo, 15º Asdrúbal Calisto, 16º Tony ( Vieira Pereira), 17º José Carlos Nogueira, 18º João César Gomes, 19 João Montez Varela;

2ª FILA EM PÉ:1º João José Veiga, 2ºAdalberto Capitaz Caldeira;
3ª FILA EM PÉ:1º João (Janica) Capristano, 2º António Ventura 3º Pedro Albuquerque.
.
.
A Fotografia e a Juventude nas Caldas

Tentar passar uma mensagem do que sinto ao rever-me numa fotografia dos antigos alunos do ERO é difícil. Mas há um dom que ela tem, mostrar o forte sentimento de gerações unidas por algo que lhes foi comum.
Sobre o caminho que todos os presentes seguiram na vida deixo-vos uma citação sobre Humanismo: No Humanismo é imoral esperar que Deus aja por nós. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer. O humanismo diz-nos que não importa qual seja a nossa filosofia, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última análise, cabe a nós mesmos….
A fotografia deste jantar mostra o forte companheirismo entre os alunos do Externato Ramalho Ortigão e faz-me recordar Caldas da Rainha na minha juventude. A vida da cidade dividia-se entre um Inverno em que vivia fechada sobre si e um Verão de portas abertas para os visitantes e o turismo.
Jovens e estudantes, inseridos neste ambiente social fortemente influenciado pelos refugiados da 2ª Grande Guerra, tivemos a sorte de aprender a viver numa Cidade fechada e aberta, com a mais valia do convívio com pessoas com outros modos de pensar e viver.
Partindo do princípio de que só estudar não é de estudante, faziam também parte da nossa vida os namoricos, futebol, hóquei, ténis, bilhar, damas, xadrez, remar no lago e passear no Parque, alugar uma bicicleta e ir até à Foz do Arelho, etc. Bem como os bailes no Casino e no Hotel Lisbonense e as noites nos Lobos do Mar (Nazaré) e Delírio (S. Martinho do Porto).
Contar-vos agora histórias passadas com os fotografados seria evocar uma série de aventuras que prefiro deixar para os vossos comentários...
.
João Ramos Franco
.


....................................................................................................................................
Se pretender ver a fotografia em formato maior basta clicar sobre ela.
Para voltar ao Blog use o botão « anterior .
Para descarregar a fotografia para o seu computador
vá ao Album de Recordações em
http://picasaweb.google.com/ex.alunos.ero/LBUMDERECORDAES
.....................................................................................................................................


comentários
.
JJ disse:
Este é um dos jantares que anualmente reuniam, no Verão, um grande grupo de alunos e professores do Externato Ramalho Ortigão.Estamos pois perante uma reunião precursora dos posteriores encontros dos Antigos Alunos, embora os novos tempos tenham trazido a presença das nossas colegas às reuniões. Felizmente.