ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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FOTOGRAFIAS (1955 / 1957)

Cliquem sobre as fotos para as verem em formato grande.
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Foram-me enviadas recentemente duas fotografias. A primeira, acima, documenta a inauguração da Casa do Povo de Salir de Matos em 1955 e nela podemos ver o Padre António Emílio e o Presidente da Câmara da altura, Dr. Fernando Pais d'Almeida e Silva. As três meninas com as flores são a Isabel Mendoça, a Zezinha Pais d'Almeida e Silva e a Maria Clara Frias.

Abaixo reproduzo uma fotografia de alunos do Externato Ramalho Ortigão em 1957. O objectivo é legendar esta imagem, identificando todas as pessoas. Espero a vossa colaboração, especialmente da geração que estudou no prédio do Crespo e que não tem tido muita intervenção, com raras e honrosas excepções, neste Blog.

Tentei colocar a imagem com a melhor qualidade possível, de forma a facilitar a tarefa, mas se quiserem vão ao álbum ANOS 50 e façam download da imagem para o vosso computador.
Resta-me agradecer à nossa colega Clara Frias, que cedeu as fotos.

JJ
Acrescentando todas as sugestões e pistas às suas recordações pessoais a Clara forneceu uma identificação completa dos fotografados:
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A 1ª da esquerda é a Milena Francês,a 2ª a Elizabete,a 3ªa Zézinha Pais de Almeida e Silva,a seguir o Nani Moreira(fiho dos professores da Foz),depois a MilúAlier,o Manuel Vazão e a Maria Clara, o Zé Valente,o José Alvares Pereira e a Isabel Mendoça(e não Mendonça),o Eduardo Arroja,a Fernanda Alier, o Roberto Ornelas,a Isabelinha Videira e, em cima,o Henrique Graça e o Zé Mendoça.
Assim, parece que o pessoal está todo identificado.
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COMENTÁRIOS
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Júlia Ribeiro disse:
Que fotos giras! A Isabel Mendoça e a Clara, que ainda conheci quando entrei para o Colégio.....Tão bonitas que estão! Já nos encontrámos em almoços, nomeadamente no último e adorei voltar a reencontrá-las. Consegui também localizar o Padre António Emilio,mas a Isabel e a Clara só porque estão identificadas. Na 2ª foto ,na fila de baixo, a 2ª a contar da dtªé a Isabel Mendonça e a 3ª parece-me a Clara Frias. Será? Não consigo identificar mais ninguém, eu era demasiado nova nessa altura!!!!
Um Grande Beijinho para as 2 Meninas. Júlia R
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Jorge disse:
deviam perguntar ao menino da primeira fila quem são os outros! ele é o Roberto Ornelas (aquelas orelhas não o deixam passar despercebido em lado nenhum) e deve conhecer todos, ou quase todos, os outros! abraços (um especial para o Robertinho) . jorge
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Deolinda Monteiro disse:
Sim, esta era a minha turma desde o 1º ano do Ciclo Preparatário. Entrei ainda na então "Rua do Jardim", que era onde eu morava na altura. Mas não sei o ano em que esta foi tirada.
Não estou fotografada mas reconheço bem as caras e o ambiente é-me familiar. Deve ter sido mais ou menos por esse tempo que os deixei e são hoje para mim, depois de tantos anos, um "retrato na parede", reconheço-os a todos, mas apenas de algumas e alguns sei o nome porque os voltei a ver no almoço, o ano passado. Apenas a Mélita eu via de vez em quando, porque casou com um colega do meu marido. Durante anos, muitas vezes ausente do meu país, eu nomeava à minha família as minhas melhores amigas, invocando notícias.... Tenho a impressão que cada vez sabia menos nomes e um dia deixei de perguntar... não fazia sentido... Eu estava cada vez mais distante destas imagens...
Cada vez que me chega o Blog do ERO eu entro imediatamente. Sou professora do Ensino Secundário. Há quarenta anos que, por estas alturas, recomeço as aulas. Hoje cheguei a casa e dei comigo a olhar os meus companheiros. Ninguém mudou nada. Eu não mudei e o ERO existe! Obrigada! Deolinda
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João Ramos Franco disse:
Dá-me algum tempo e talvez consiga fazer a identificação de todos.
Recordo todos, mas os nomes... às vezes falha-me a memória.
No entanto parece-me que por trás do Roberto Ornelas está a Zezinha Pais d'Almeida e Silva.
Logo que tenha os nomes envio-te
Um abraço
João Ramos Franco.
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Belão disse:
Com alguma ajuda, aqui vai:
Milena Francês, uma irmã do Paulo Nascimento, Roberto Ornelas, Milu Alier, Clara Frias, Isabel Mendoça, Eduardo Arroja. E um dos meninos empoleirados é o Zé Mendoça.
Por agora é o que consegui.Bjos
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Luisa disse:
Mais "do meu tempo" penso que é o Roberto Ornelas, como disse o Jorge, o Henrique Graça (em cima à direita) e a pequenita é a Isabelinha, não me lembro do apelido. Reconheço também a Zezinha e a Clara, mais velhas que eu. Lá atrás ao meio não é o Zé Valente que casou com a Gracinha Xavier?
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Laura disse:
As duas fotografias são fantásticas e retratam muito bem a época. Obrigado à Clara por se ter lembrado de enviar estas fotos, pois quem tinha 3 anos naquela altura fica, pelo menos, com uma ideia das fatiotas!!!!
Na 1º foto está quase tudo identificado, apesar de eu reconhecer melhor o Padre António Emílio.
Na 2ª foto tal como já foi dito, na fila de baixo, a contar da esquerda para a direita, a 3ª é a Clara Frias e a seguir é a Isabel Mendoça; na mesma fila penso que a 2ª é a Milú.
Na fila de trás a 2ª a começar da esquerda parece-me a Bétinha (não me lembro do apelido), mas a irmã dela foi dona da ourivesaria Falcão.
Com a idade que eu tinha naquela altura (novíssima) e passados tantos anos torna-se difícil saber nomes, mas algumas caras reconheço.
Para a Isabel que foi com quem mais convivi um grande beijinho,
Laura
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Ana Nascimento disse:
Ai rapaz tu brincas mas a minha minha vida está uma “consumição” ihihihihi…e se não escrevo logo de imediato então já sei que tão depressa não vou fazê-lo….pois esta “piquena” é só farmácia , genéricos, mudança de preços dos ditos cujos e um sem número de clientes de idade avançada a quem eu ,com a minha costela de assistente social, lá vou ouvindo e medindo a “atenção” ……
Quanto à foto do ERO o Jorge tem razão, aquela carinha laroca com as orelhitas saídas é o Robertinho é… e por trás do Roberto está a Zézinha “presidente” assim chamada por ser filha do D. Fernando, ao tempo presidente da Câmara das Caldas, como tu bem referiste.
Ao lado da Zézinha está a Milú Allier seguida da Clara Frias e da Isabel Mendoça.
A mais pequenina, abaixo da Milú é a Isabel que andou no Colégio e embora mais novita tb fez parte no nosso grupo de Ballet (ai valha-me Deus que não me lembro o apelido…mas talvez pelos programas das festas lá chegue….)
Penso que a primeira menina da esquerda é a Maria Helena Faria, mãe da Maria João, quanto aos rapazes não reconheço mais ninguém… é possível que o Armando João Francês, primo da Milu Allier, consiga completar a legenda .
Na foto da inauguração da casa do Povo de Salir, as três meninas estão giríssimas…, desde os ramos de flores, passando pelos vestidos, que pela certa deviam ser “le dernier cri” da Carochinha (loja chique aqui em Lisboa) e acabando nos penteados (a Isabel e a Clara de rabo de cavalo e a Zézinha, muito própria, de bandolete a segurar o cabelo encaracolado naquela altura ainda não havia babyliss !!!!!!) estão um espectáculo …

Daqui vai um beijinho e um obrigada para a Clara por ter partilhado esta recordação connosco. Ana
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João Jales disse:
Como tinha três anos nesta altura nem me atrevo a adivinhar nada. Mas pergunto: será possível a menina mais pequena ser a "desaparecida" Isabel Videira, minha colega e amiga, de quem não tenho notícias há anos? A semelhança física é notável, alguém me pode ajudar?
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Ana Nascimento disse:
YESSSSSS é isso mesmo…. é a Isabel Videira sim… aquela carita, o jeito de olhar… só pode ser …. não percebo é a ligação dela com o grupo da foto, mas deve haver alguém que nos elucide.
Bjinhos. Ana.

CONSTRUÇÕES NA AREIA, por Isabel Xavier










O meu irmão Tozé chamou-me a atenção para uma enorme lacuna no meu texto a respeito do cinema de S. Martinho. É que um dos momentos altos vivido naquele espaço durante o Verão, era a entrega dos prémios do Concurso de Construções na Areia, promovido pelo Diário de Notícias, se não estou em erro.

Este lapso da minha parte deve ser tudo menos inocente, tem até muito de freudiano, com certeza. É que eu e a minha irmã Helena tínhamos a fatalidade de ganhar sempre prémios de consolação, enquanto os nossos irmãos ganhavam prémios de primeira categoria. Só a Gracinha, a mais velha, ganhou três bicicletas (1º prémio) e os outros: Luís, Mário e Tozé ganhavam, normalmente, ou um ou outro, ou todos ao mesmo tempo em categorias diferentes, segundos, terceiros e quartos prémios. Houve uma época que a minha família era conhecida em S. Martinho devido a essa capacidade.



Uma vez, a minha mãe caiu e feriu-se com alguma gravidade, quando se dirigia aos correios para telefonar ao meu pai, a informá-lo dos bons resultados dos "rebentos". Tal era o entusiasmo da senhora!

A minha sorte em tudo isto é que passava verões muito mais livres do que os meus irmãos porque não sofria as pressões familiares - já ninguém dava nada por mim e deixavam-me em autogestão - para fazer boa figura no concurso. E, principalmente, livrava-me das horas e horas de treinos e da disciplina que o meu pai impunha "àquela gente toda" para se prepararem com antecedência. Até chegaram a levar areia para casa, para treinarem com mais afinco. No quintal, claro...

Isabel Xavier

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C O M E N T Á R I O S
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Jorge disse:
Nunca houve construções na areia na Foz, pois não?um ponto para S. Martinho!
Xavier lembro-me do Luis, um ano ou dois mais velho que eu, depois havia um bando de garotos, suponho que a Isabel seja um deles. Dotada para a escrita, os seus textos são bem escritos e sentidos,nota-se.
acabaram as férias?pudera,já estamos no outono!jorge
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João Jales disse:
Já andava a tentar "contratar" a Isabel Xavier há algum tempo, parece que foi desta! O talento que lhe faltou nas esculturas balneares, sobra-lhe na escrita. E a sua colaboração vai continuar, não é preciso esperar muito.
A Isabel é muito mais nova que nós,era uma garota quando eu saí do ERO, por isso o Jorge não se lembra dela. Ao dizer que ninguém dava por ela e que andava em "auto-gestão" mostra bem que pertencia a uma família numerosa e não era a mais nova nem a mais velha dos irmãos.
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AnaLuisa disse...
As construções na areia eram efectivamente uma organização do Diário de Notícias.Estas recordações dos Xavieres (como diz o J.J.)transpiram a nostalgia de tempos felizes.Pela minha parte,obrigado.
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Fialho Marcelino disse:
Tenho lido ao longo de todo este verão as sensacionais reportagens sobre a Foz do Arelho e São Martinho. Tenho acompanhado a grande divisão entre os que eram de São Martinho e os que eram da Foz. Por questões daquilo a que hoje se chama mobilidade, antigamente a questão era “como podíamos ir para a praia” , eu era um frequentador de São Martinho. Fui frequentador enquanto me tinha de deslocar de comboio do Paúl para São Martinho e, depois mais tarde, já crescidinho, com 35 anos , comprei uma casa nessa praia. Curei-me em 2007, pois São Martinho, neste momento, perdeu todo aquele encanto que tinha.
Mas vamos ao “antigamente”.Todas as descrições que aqui foram efectuadas, só posso ter alguma memória do que se passava de dia, apesar de a minha área de actuação ser nas barracas do senhor Libório, logo em frente à estação dos comboios, pois a minha condição de viajante, e não residente de verão, não me permitia estar no grupo dos que frequentavam os locais que na altura eram considerados de élite.Apesar do sentimento que as coisas se passaram e eu não dei por elas, tenho tido grandes momentos de emoções “altamente” positivas com as maravilhosas prosas deste blog.
Pode ser que este escrito seja um primeiro entre muitos que poderão vir mais tarde.Quem aqui escreve é o TÓ-QUIM.
(RESPOSTA: Bem-vindo! É um enorme prazer ver a "chegada" de novos colaboradores ao Blog. Aguardo textos, comentários, fotos, com que ofereças aos outros as "emoções positivas" que aqui tiveste. Um abraço. JJ)

VERÕES DE SÃO MARTINHO, por Mário Xavier





Ano após ano, a família Xavier deslocava-se com “armas e bagagens” para a praia de S. Martinho do Porto durante os meses de Agosto e Setembro.

O ambiente que se vivia nessa época era bastante diferente do que se vive hoje em dia. Nas décadas de 50, 60 e princípios de 70, S. Martinho era uma estância balnear muito frequentada para os níveis de então, mas que nada têm a ver com o que se passa nos dias de hoje.

Na última semana de Julho, em minha casa, já havia a agitação própria dos preparativos necessários à grande mudança para a praia e que culminavam no dia 1 de Agosto, com o transporte de todas as bagagens numa camioneta do armazém do meu avô Augusto. Para nós era nesse dia que começavam as verdadeiras férias.

As alterações aos nossos hábitos eram muitas e a simples deslocação durante 2 meses para uma localidade a 15 quilómetros de distância das Caldas era sempre uma aventura inesquecível. Após a instalação iniciávamos uma nova forma de vida, noutra casa e com outros amigos. Na verdade tinha amigos da praia até porque, embora se deslocassem algumas famílias caldenses para S. Martinho, a maioria dos meus colegas e amigos faziam praia na Foz do Arelho.

Quem hoje conhece S. Martinho do Porto só consegue vislumbrar parte do ambiente e da vivência da época a que me refiro. Nesse tempo, ainda a praia fazia bem às criancinhas, S. Martinho era frequentada por algumas famílias que se conheciam umas às outras.

As barracas da praia, alugadas pelos banheiros: José Augusto, Libório, Eduardo e João (este último era quem nos alugava a nossa) formavam uma única fila paralela ao chamado Paredão (muro que ainda hoje existe e que separa a praia do passeio da estrada marginal).

Só bastante mais tarde, com a vinda de mais veraneantes, se alterou a disposição das barracas.

As embarcações de recreio encontravam-se no areal da praia, em frente das barracas. Existia uma jangada com dois pisos ancorada na baía, de onde se mergulhava. Os cães iam para a praia e conviviam alegremente com os donos nas barracas.

Era expressamente proibido jogar à bola e o uso do biquíni pelas senhoras. O cabo do mar encarregava-se de fazer cumprir essas regras, sendo vulgar apreender bolas de futebol (biquínis julgo que não).

Recordo-me que era muito usual a constituição de grupos de jovens. Eu era uma criança mas lembro-me dos meus irmãos Luís e Graça fazerem parte de um grupo que, embora constituído informalmente e sem regras explícitas, acabou por durar muitos e bons anos.

Esse grupo divertia-se com o que era possível fazer nessa época, nomeadamente organizando festas em casa do Zé Valente, actividades desportivas e, imagine-se, um “autêntico” concurso da areia, com o espaço delimitado por cordas, júri, prémios, etc. Este concurso em tudo era igual ao verdadeiro mas com inspirações diferentes no que respeita às construções elaboradas, recorrendo muitas vezes a material sanitário como fontes de inspiração.

Na praia existia um único café, construído em madeira, que toda a gente chamava “TÁBUAS”.

Se a memória não me atraiçoa, tal café ostentava um tom verde bastante feioso e, garantidamente, não resistiria a uma breve investida da ASAE.

Para além deste café, os veraneantes eram servidos por muitos vendedores de bolos, barquilhos e gelados. Os outros locais de convívio eram o cinema, com duas classes de lugares (geral e plateia), sendo a geral constituída por cadeiras de madeira e a plateia por cadeiras com estofo e mais cómodas. Normalmente frequentava a geral, mas quando ia com as minhas irmãs sentávamo-nos na plateia.

O local mais frequentado, e que ainda hoje tem importância relevante, era a famosa “rua dos cafés” com as suas esplanadas sempre com gente e animação. Nessa rua existia, e julgo que ainda funciona, o chamado clube, onde no rés-do-chão se jogava ténis de mesa, bilhar e outros jogos e no primeiro andar, reservado a sócios, se jogava às cartas.

Alguns caldenses e ex-alunos do ERO frequentavam esta praia, tais como: o meu cunhado Zé Valente e a sua irmã Fátima, a Salete, a família Rosado Lourenço, a Cristina e os seus irmãos (entretanto falecidos, Victor e Zé Luís), o Luís Machado e a irmã Teresa, e outros que não recordo.

Os jogos mais frequentes na praia eram o futebol e o mata, bem como partidas de cartas (King, Sueca e Lerpa), todos disputados com elevado brio e alto nível técnico.

Tenho ainda outras boas recordações de S. Martinho do Porto, o que é normal, pois lá vivi boa parte da minha juventude, com momentos inesquecíveis e, sei-o hoje, de felicidade e alegria.

Fazem parte do meu espólio de recordações pessoais, que gosto de preservar, até porque tiveram influência determinante no meu modo de estar e ser.

Nos 2 meses de férias esperávamos pacientemente que o tempo “levantasse”, tal como na Foz do Arelho.

Eram tempos bem diferentes dos que vivemos hoje, em que a escassez de outros divertimentos mais sofisticados nos “obrigava” a conviver mais, o que consolidou amizades que perduram até aos dias de hoje.

Foram, enfim, belos tempos de lazer e divertimento.

Caldas da Rainha, 04 de Outubro de 2008,

Mário Xavier

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COMENTÁRIOS
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Isabel Xavier disse:
Oh Mário! Será que não tens acompanhado a "saga" do cinema de S. Martinho, para me vires assim desmentir? Só se foi com as irmãs mais velhas, mas duvido! Eu nunca vi um filme na plateia do cinema de S. Martinho, sendo tu a acompanhar-me ou não.
Quanto às paródias ao concurso da areia, há quem diga que foi por isso que deixaram de o fazer na praia de S. Martinho, com evidente prejuízo para a iniciativa e respectivos organizadores. A areia de S. Martinho pode ser muito arreliante, principalmente quando há vento, mas para construções na areia não há melhor. Eu que o diga que nunca ganhei senão prémios de consolação, no concurso a sério, claro. Isabel Xavier
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JJ disse:
Foi apanhada, a Isabel! Na plateia, com o maninho mais velho....Que desprestígio!
Mas quem conhece o Mário sabe que ele é assim, sempre muito concentrado e atento a tudo, calculista, perito em maquinações, dissimulado, traiçoeiro...(Pobre Mário, imagino o que não vai ouvir na próxima reunião familiar!)
E as memórias são assim, variando a cada testemunho, todas diferentes e todas verdadeiras. Como eu digo sempre, esta diversidade é a riqueza destas memórias colectivas.
Obrigado aos dois "Xavieres" pela sua disponibilidade e bom humor (com que então não se apreendiam biquinis?). Até à próxima. JJ
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Luisa disse:
Afinal vimos nestes últimos dias que havia muito para dizer sobre S. Martinho, muitos segredos, muitas saudades...
S. Martinho ou Foz, os locais importam pouco, o que importa é se lá fomos ou não felizes! Bjs aos "Xavieres" . Luisa
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Manuela Gama Vieira disse:
Devo dizer que tenho assistido absolutamente deliciada a todo este "filme", em S.Martinho do Porto, que intitularia de "Modos de ver...."
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AnaLuisa disse...
Cada um lembra-se do que quer,somos donos das nossas memórias,ora essa!!!E estas notas soltas ficam bem neste filme de que fala a Manela e que vimos esta semana,porque como aprendemos na história do Jales a ordem não interessa - interessa é que lá estejam os acontecimentos todos.....
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Maria Fátima Gama Vieira
Sempre agradável visitar o site, é uma visita repleta de momentos maravilhosos,convivemos revivendo e sentimo-nos próximos. bem hajas João.
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Isabel Esse disse...
Já aqui foi dito (e vejo aqui repetido pelo Mario) que a ausência de tecnologia (e de dinheiro!!) aguçava o engenho em busca de distracções e fortalecia as amizades e relações pessoais. Tenho a mesma opinião, mas sou muitas vezes chamada de retrógrada por a pronunciar....
É sempre um prazer ler estas memórias (que são comuns a várias gerações) Isabel S

OS CINCO

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. . . . . .São Martinho, 1953.

Ensaio (inédito) para o famoso túnel
por João B Serra
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Só podes voltar ao banho às 5, sentenciava a minha Mãe, quando dava o almoço por encerrado. 3 horas de espera! Que faz um miúdo de 8 anos durante 3 intermináveis horas na praia?

Estávamos numa pequena casa alugada em S. Martinho, praia que os médicos aconselhavam para crianças, menos agressiva em iodo que as restantes praias da região, dizia-se.

O que é que eu faço? insistia eu, na esperança ingénua de assim ganhar uns minutos à sentença de esperar pelas 5, ou obter uma qualquer boa sugestão de entretenimento. Mas o quê?

Podia ir passear à beira-mar, mas nem pensar sequer em molhar os pés. Um suplício! Brincar com outros rapazes? Impossível. Àquela hora, os veraneantes de S. Martinho, estavam recolhidos na suas vivendas e os filhos passavam a hora da digestão em jogos de casa ou jardim. Eu, que pela primeira vez estava naquela praia (que logo comecei a detestar), numa modesta casita à beira da estrada, não conhecia ninguém.

A minha Mãe tentou então resolver aquele problema recorrendo a uma vizinha de barraca, que tinha duas filhas. No dia seguinte, as duas raparigas, uma da minha idade, a Té, e outra um pouco mais velha, a Nô, convidaram-me gentilmente para ir a casa delas depois de almoço.

As raparigas eram ambas muito bonitas e a Nô muito simpática. Mas, bicho-do-mato como era, o convite deixou-me constrangido. Tinha tido muito pouca convivência com raparigas, se exceptuarmos os episódicos encontros de poucos dias com primas, pois na aldeia a diferenças de classes era inibidora da convivência e eu tivera uma experiência limitada da escola pública. De qualquer forma, nunca conhecera raparigas que respondessem pelo nome Té ou Nô. Conhecera Laurindas, Ermelindas, Francelinas e Rosas.

A minha Mãe conduziu-me à casa da vizinha de barraca e a Nô veio receber-me à porta e levar-me até ao quarto ocupado por ela e pela irmã. Seguiu-se uma tentativa de encontrar um jogo, um passatempo em que eu pudesse participar. Sem sucesso. Não conhecia, não sabia jogar, nunca tinha ouvido falar. A que é que sabes jogar? perguntou delicadamente a Nô. Às escondidas, respondi de pronto, mas no campo. Jogo às escondidas com os meus primos, quando vêm de férias. Sei jogar às cartas. À bisca de 4 e de 9, costumo jogar com o Titina. À canasta, sabes. À quê? perguntei. Também sei jogar ao chinquilho, mas aqui nunca vi nenhum e de qualquer modo não é jogo de mulheres.

A Té riu e não gostei nada daquele riso. Então a Nô propôs: bem vamos ler. Temos aqui livros: olhei para a estante e escolhi um livro. Nunca tinha lido um livro e não sabia ler muito bem. Mas soletrei com o que me parecia, apesar de tudo, ser grande rapidez. Chamava-se “Os Cinco na Casa do Mocho”. Achei graça ao título. Os mochos não eram animais muito populares na minha aldeia e a minha Mãe ficava inquieta sempre que ouvia o seu pio nas noites serenas. A Nô e a Té escolheram também livros que tinham nos títulos as palavras “Os Cinco”. A Nô propôs um jogo: vamos ver quem lê mais depressa. Há uma surpresa para quem ganhar.


Comecei a ler, disposto a saltar páginas para chegar mais depressa ao fim. Mas cedo me senti preso pela narrativa. Nunca tinha lido nada de semelhante. A Nô acabou depressa o livro dela e a Té desistiu logo a seguir. Vamos até á marginal, disseram. Eu continuava a ler a aventura dos “Cinco”. Dez minutos antes das 5, a minha mãe chamou-me. Estava na hora do banho. Oh, Mãe, resmunguei. Já?... Só mais um bocadinho! Estou quase a acabar.
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JBSerra

Sáo Martinho, 1957- Os Quatro (da esquerda para a direita): Nô, João, Té, “Tim”.

C O M E N T Á R I O S
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Júlia Ribeiro disse:
O João Serra com esta descrição tão engraçada e pormenorizada fez-me voltar à década dos anos 50-60 quando ia para a praia, nessa altura para a Nazaré. Como tomava o pequeno almoço às 9h lá tinha que esperar até ao meio-dia para o famoso banho. Após o banhito tinha que mudar de fato de banho para não apanhar uma "constipação", provavelmente. Lá corria o pano da barraca e mudávamos a "toilette".....o fato de banho.
Por acaso não vos acontecia da parte da tarde não tomar banho e ir de vestidinho (nessa altura as meninas não usavam calças nem calções)? Imaginem o que era estar na praia de vestidinho toda a tarde. E então o que fazíamos? Jogávamos ao ringue e ao prego. Lembro-me dum vestido cor-de-rosa que não se amarrotava e era o que queria sempre levar.
Eu julgo que só conheci os Cinco mais tarde, também eram dos meus livros preferidos. A coincidência da Té e da Nô... Por onde andarão? Lembro-me muito bem da casa delas em S. Martinho mesmo na marginal. Obrigada por me teres proporcionado voltar aos tempos de pequenina!!!!!!!!!!!! Um abraço. Júlia
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João Ramos Franco:
Aos 8 anos de idade passava férias em S. Martinho, tinha apenas um pouco mais de sorte que o João Serra, existia um tio de Rio Maior, com três filhos, que também lá alugava casa e eu não tinha falta de companhia para brincar.
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Isabel Xavier
Nasci em Dezembro de 1957, pelo que já deveria "andar" lá por S. Martinho no ano da fotografia do João, da Nô, da Té e do Tim, mas... ainda na barriga da minha mãe!
Conheci a Nô e a Té desde miúda, por serem amigas da minha irmã Gracinha e do meu cunhado Zé, embora as tenha perdido de vista há muito tempo; e julgo ter conhecido o João Serra também em criança por ser colega e amigo do meu irmão Luís.
Mas, pelo menos, (e disto tenho a certeza) conheço-o bem desde que foi meu professor na faculdade e como nunca o "perdi de vista" desde então, considero-o mesmo um grande amigo! Por isso, confesso, mais que a minha surpresa, a mais profunda perplexidade em descobrir serem as manas Nô e Té as responsáveis pela iniciação do Dr. João Serra no mundo da leitura! Que papel importante pode ter um encontro quase fortuito no futuro de alguém! Elas nem devem sonhar com semelhante responsabilidade! Isabel Xavier
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São Cx
"Os Cinco" é outra simpática estória do João Serra, e que prazer recordar!! Eu li e reli devotadamente todas as estórias, que saudades daquelas aventuras!!
Ah...e permaneço fiel á promessa que então fiz a mim mesma de dar o nome de Tim ao meu primeiro cão!!!! Bjs São X
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João Jales disse:
Estou de acordo com a Isabel X, este é um conto sobre a descoberta da leitura e o prazer que ela representa (mas o autor é um especialista em descobrir ângulos inusitados nos textos, deve julgar esta análise demasiado prosaica e evidente).
Em recente sondagem no Reino Unido Enid Blyton revelou-se o mais popular escritor de sempre, à frente de Ronald Dahl, J K Rowling, Shakespeare, Agatha Christie, D H Lawrence, Ian Fleming, irmãs Bronte... E mesmo em Portugal os Cinco conquistaram seguramente mais gente para o “partido da leitura” do que qualquer campanha ou acção que eu conheça e, nesse aspecto, este texto constitui um justo reconhecimento.
Eu invejava sobretudo aos Cinco os piqueniques e o Tim, estou convencido que teria lido com enorme prazer um livro deles sem aventuras, só com comida e passeios com o cão. Tendo mudado eu, nesta época, para o prédio onde moravam precisamente a Nô e a Té que aqui vemos, recordo a inveja que eu sentia por elas terem, não uma, mas duas cadelas (será uma delas que está na foto?). Eu tinha apenas uns pachorrentos coelhos no quintal, inquilinos de curta estadia…
Não sei se a Té vai ler tudo isto mas, se o fizer, quero deixar-lhe aqui uma palavra de consolo por ser tão maltratada no texto! Além de não ser simpática como a irmã, ainda ria de uma forma que o autor não gostava… Aqui fica a expressão do meu protesto e da minha solidariedade!
Uma palavra final para a obra de engenharia que aparece na foto, de impressionante envergadura para tão pequeno engenheiro. Já na altura, o autor não fazia nada pela metade nem deixava os seus créditos por mãos alheias!
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AnaLuisa disse...
Sempre adorei a Enid Blyton.Não sei se ela é a mais popular autora inglesa mas sei é dos escritores que tem mais traduções.Vem logo a seguir ao Walt Disney,Agatha Christie,Julio Verne,Lenine e Shakespeare sabiam?E além dos Cinco escreveu milhares de contos novelas e romances.
Nunca se preocupou com os críticos porque dizia que só lhe interessava a opinião dos que têm menos de 12 anos.Venderam-se 600.000.000 de livros dela até hoje.No ano passado (2007 ) 10.000.000 , mais de 1.000.000 deles eram dos Cinco!!!Voltei a comprar a colecção toda para a minha filha e voltei a ler dois ou três.Obrigado João Serra por esta memória.
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Isabel V P disse:
Esta história fez-me pensar: os Cinco, tanto quanto me lembro, foi o grande entusiasmo lá em casa no final da década de 50; também por lá passaram os Sete, mas não teve o mesmo efeito. Curiosamente, duas gerações mais tarde, surge o êxito do Noddy, que é a grande paixão dos meus sobrinhos-netos. E é graças a eles que o conheço….
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Belão disse:
Já por esta estória tinha passado os olhos. A minha falta de tempo é que tem emperrado os meus comentários!
Também eu passei férias em S. Martinho. Era muito pequena e lembranças tenho muito poucas, pois cedo o meu pai trocou a baía pela Foz do Arelho.
A prosa do JBS trouxe-me à memória as incríveis colecções da Enid Blyton, nomeadamente "Os Cinco" e "Os Sete", que devorava à noite, quando todos pensavam que já retemperava as forças para mais um dia de escola. E lembrei-me, imaginem, do clube que o meu irmão pôs a funcionar lá em casa, no quarto dele. Os artistas, se não me falha a memória, eram o meu irmão, o João Jales, o Zé Luís Azevedo e o Miguel B Monteiro. Fechavam-se naquela divisão tardes inteiras e eu as minhas amigas ficávamos com o ouvido encostado à porta na tentativa de ouvir os segredos de tão secretas reuniões. De quando em vez batíamos à porta na esperança de que ela se abrisse, mas só ouvíamos: "Senha!" Nunca conseguimos lá entrar. A única pessoa com esse privilégio era a senhora minha avó que elaborava os magníficos lanches, tal qual os descritos nos livros (laranjadas, limonadas, scones...) e que estava isenta de saber a dita senha que tanto nos enervava, quase todos os dias.
Senhora sábia e com um dom especial para lidar com crianças, tentava tirar-nos da porta do "clube" acenando-nos com outras brincadeiras e com o maravilhoso lanche, que foi, durante muito tempo, a única coisa que "eles" eram obrigados a partilhar com as meninas, embora nós o degustássemos fora, claro, daquele misterioso quarto. O JJ, que tem memória de elefante poderá esclarecer melhor esta estória. Bjo
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Isabel Knaff disse:
Foi com muito prazer que li a estória do Bonifácio. Compreensível que o banho perdesse todo o interesse quando um Livro dos Cinco se meteu pelo caminho!!! Estórias tão absorventes ! E que familiar este título.
Na biblioteca do ERO havia grande parte da coleção dos Livros dos Cinco que em pouco tempo eu li, fascinada . Continuei na biblioteca do Parque que tinha, felizmente, os que me faltavam ler. E que giro vir reencontrá-los aqui através do Conto do Bonifácio! Que venham mais !
Até á próxima. Beijinhos. Isabel Caixinha
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Vasco Baptista disse:
Este rapaz é mesmo uma mais valia :-) no nosso blog.
Um abraço João e faz o favor de continuar. Vasco