ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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D. ESPERANÇA

por Isabel Caixinha





.Desenho de São Caixinha




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As minhas recordações da D. Esperança começam uns anos antes de eu entrar para a primeira classe.

Ainda não tinha três anos quando mudámos para as Caldas, vindos de Lisboa, e passados alguns meses estava o ERO a ser inaugurado e a entrar em funcionamento. De todo o lado chegaram alunos e professores que povoaram as salas e os recreios.

Como eu ainda não tinha idade para entrar para a escola passava grande parte dos dias na rua a brincar. Colecionava pedras que me pareciam bonitas, fazia construções na areia que tinha sobrado das obras e brincava com os cães vadios que abundavam por ali. Passaria a maior parte do tempo sózinha se nao fosse a simpática visita que nos intervalos das aulas frequentemente tinha – a da D. Esperanca! Brincava comigo, pegava-me ao colo e ensinava-me coisas. Era muito paciente e carinhosa e de uma extraordinária doçura!

Quando me pegava ao colo e eu estava mais perto do seu rosto, podia apreciá-la de perto. Cheirava bem, a pó de arroz, tinha um colar de pérolas que para mim era um verdadeiro tesouro e tinha umas mãos bonitas com as unhas pintadas com verniz...sentia-me segura ao colo dela e havia algo de muito maternal nas suas atitudes. Sorria frequentemente entre as palavras que ia dizendo e sempre ao despedir-se no final do intervalo... eu permanecia na minha empoeirada “selva” mas agora com o mágico cheirinho a pó de arroz no meu nariz!!

Mais tarde quando entrei para a primeira classe pude então mais completamente desfrutar da sua personalidade. E com que atenção eu a apreciava. Ainda hoje me lembro como ela pegava no livro para ler a lição, com que gestos acompanhava as suas palavras e como sorria! Tinha uma paciência infinita e uma inesgotável boa vontade.

Sempre tive grande admiração por ela e nem mesmo quando, um dia pelo carnaval, ela me castigou essa admiração diminuiu... tinhamos acabado de regressar do recreio e na sala predominava ainda a excitação das brincadeiras de há pouco. Na confusão um colega deu-me um toque no braço obrigando-me, por descuido, a largar o estalinho de carnaval que trazia na mão, causando o berrante estalido que lhe é peculiar! Seguiu-se um silêncio ameaçador, a D. Esperança dirigiu-se no meu sentido e de régua empunhada fez um gesto com a cabeça indicativo para eu estender a mão...e assim foi, as reguadas fizeram-se sentir!!! Na realidade doeu-me mais a alma que a mão, ao ser castigada desta maneira pela minha professora, que sentia mais como uma amiga. Contudo compreendi que ela tinha razão e em breve tudo voltou ao normal.

Mais tarde quando o nosso também tão querido Dr. Serafim passou a ser presença certa ao seu lado ela só me parecia ainda mais feliz...e esta é a memória que guardo com carinho da minha primeira professora e amiga.

Isabel Caixinha

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C O M E N T Á R I O S
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farofia disse...
Parabéns à Isabel Caixinha por este retrato perfumado a pó de arroz. E Parabéns à São Caixinha pelo desenho. É um espanto descobrir os pormenores,da roupa,incrível, identifiquei o fato com que me retratou!

A minha primeira amiga nas Caldas e minha ‘password’ de acesso a professora do ERO foi Esperança, a namorada do Dr. Serafim.

‘Venha, damos-lhe boleia para baixo!’ chamou ele enquanto ela - sorrindo como um sol – já se torcia e ao braço a abrir a porta de trás do automóvel. Como quem abria o coração!

Aceitei a boleia, que a ladeira era íngreme, mesmo para descer, e a partir daí ficámos irmãs de armas. Se éramos iguaizinhas, a mesma idade, a mesma vontade de rir, o mesmo prazer de conquistar a vida!

Só que nela havia uma força solidária imparável! estimulante ou protectora. Maternal, como diz a Isabel.
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João Jales disse:
Tive, ao longo da minha primeira leitura deste texto, a sensação de estar a ler realmente o depoimento de uma miúda actual que está a falar sobre a sua professora do ano passado... Disse à Isabel que ela tinha seguramente "regressado" de alguma forma a um tempo anterior para escrever o que escreveu.

Os desenhos da São constituem uma das grandes revelações, e mais valias, desta série. Que é que eu digo, felicito-a outra vez?

Beijinhos às manas. Segue-se a minha sugestão musical para acompanhar o texto. JJ
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Júlia R disse:
Bem,ausento-me 2 a 3 dias e tive que fazer uma corrida a 1000 Km/h para apanhar o comboio !!! De seguida, com os textos e comentários que vi em diagonal,tive que ir tomar o pequeno almoço,porque de certeza,com as emoções fortes e as gargalhadas não aguentaria em jejum...

Não sei por onde, nem como começar .Vou pelo inicio,ou pelo fim,conforme a ordem que lhe queiram dar.

São Cx, se as tuas caricaturas têm sido tão reais,esta é mais uma que retrata muito bem a Esperança, Muitos Parabéns. O texto da Isabel está uma delicía, uma ternura...que até me veio um cheirinho a" pó de arroz", não só pela descrição que faz da Esperança e me encantou, mas também pelo carinho e sensibilidade com que o fez.

Conheci a Esperança, naquela altura como irmã da Manela Carvalheiro,como aluna do Magistério Primário e sempre senti por ela uma grande admiração. Este "calor" com que a Isabel a aqueceu transportou-me a um passado real .Que excelente pessoa a Esperança !

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Isabel X disse:

Tão bem que se completam as manas São e Isabel Caixinha no retrato desenhado e escrito que fazem da D. Esperança! Do carácter maternal de que fala a Isabel, nos dá plena expressão o desenho da São.

Como fiz a primeira classe e a segunda em casa, com a minha avó materna, que era professora primária embora não exercesse a profissão, e a minha turma passou para a D. Clarisse na quarta classe, só fui aluna da D. Esperança na terceira. Nem pude apreciá-la completamente, tal o desgosto em que eu andava por já não estar, como tanto gostava, a aprender em casa com a minha avó (ainda hoje penso que tenho um amor especial pela leitura e pela escrita por tê-las aprendido com ela). No entanto, lembro-me da renitência da D. Esperança em bater nos alunos como era então prática corrente. Lembro-me principalmente da Paula Lopes dar muitos erros ortográficos e o Dr. Lopes, pai dela, querer que a professora lhe desse uma palmatoada por cada erro. Julgo lembrar-me que a D. Esperança lhas dava, muito ao de leve, a partir dos oito erros, e que lhe custava mais a ela fazê-lo do que à Paula apanhá-las.

Também eu e a Natércia Monteiro levámos umas sacudidelas uma vez em que imitamos a D. Dora a cantar na missa e esta foi à nossa aula exigir, sem arredar pé dali, que a D. Esperança nos batesse; dizia que nós tínhamos estado aos gritos e nós defendíamo-nos dizendo que era assim que cantávamos...

- Isabel Xavier -
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JJ disse:

Finalmente alguém refere a idiossincrática voz da D. Dora! Durante anos, ao ler o Tintin, cada vez que a famosa Castafiore aparecia nos quadradinhos era essa voz que eu imaginava. Aguda, penetrante, sempre bem alta e fazendo-nos desejar estar a léguas de distância!

Suponho que o empenho e a energia corresponderiam a um grande fervor religioso e uma inconsciência absoluta dos danos que causava nos tímpanos dos que com ela partilhavam a igreja. Eu morava num terceiro andar, do outro lado da rua e, apesar da distância, sabia sempre quando a D. Dora estava no coro.
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Inolvidável.
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Manuela Gama Vieira disse:

São, prodigiosa a sua memória! Como se lembra das toillettes das Professoras do Colégio, para as vestir tão fidedignamente, a ponto de a Drª Inês reconhecer a dela? Os olhos são o espelho da alma...

Da Srª D. Esperança recordo o semblante plácido, o olhar meigo e doce, característicos de pessoas boas. Pelos testemunhos de ex-alunas, confirma-se a minha recordação. Já aqui disse e repito: há professores que nos deixaram lembranças, outros deixaram-nos recordações e estas viverão perenemente na nossa memória! A Srª D. Esperança, pelas características que referi e me eram agradáveis, povoa as minhas recordações.
Manuela Gama Vieira
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Paulinha Pardal disse:
.............Tambem não quero deixar de dar os parabéns à São e à Isabel pelo texto e a caricatura da D. Esperança, como sempre estão fantásticas!
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Amélia Viana disse:
Um pouco atrasada, é certo, mas não quero deixar de felicitar as manas São e Isabel, que estão a revelar-se, sem dúvida, umas "Caixinhas" de surpresas...Estavam de facto maravilhosos quer o texto quer a caricatura da Esperança ,colega do ERO, embora do Magistério, que recordo também com muito carinho.Recordo especialmente seu porte afável, seu semblante sereno e olhar doce, característico de quem está de bem consigo e de bem com o mundo.
Um abraço. Amélia Teotónio

OS SAPATOS DA D. DORA

por Jaime Serafim









Não posso resistir sem meter a minha colherada…



A Sr.ª D. Dora foi sempre muito minha amiga (e eu dela, claro), tratou-me sempre com muita simpatia e amizade e até mesmo com um carinho como se de família se tratasse.


Era uma Senhora de apresentação impecável, sempre muito bem vestida, bem maquilhada, bem penteada, unhas bem tratadas, sapatos elegantes, de saltos em agulha, altíssimos. Como as capas dos saltos eram minúsculas, desgastavam-se facilmente e, para prevenir constantes idas ao sapateiro, a Sr.ª D. Dora conseguia caminhar em bicos dos pés, praticamente sem pousar as capas no chão. Esta atitude dava-lhe um andar engraçado, saltitante, mas que até lhe ficava bem… pelo menos eu sempre achei interessante – era como uma imagem de marca, como hoje se diz.
A propósito dos seus famosos sapatos, quase sempre comprados numa das melhores sapatarias de Lisboa, a sapataria “Hélio”, lembro-me de um acontecimento algo insólito, que passo a relatar:

Quase no final do intervalo grande da manhã, entrou na sala de professores a Madame Nicole, que na hora seguinte iniciava o seu dia de trabalho, com uma aula ao 5.º ano. Estávamos vários professores a tomar o nosso café, e alguém repara que a Madame trazia um sapato de cada cor – um preto e outro castanho claro. A referida Senhora usava SEMPRE saltos rasos e sapatos enormes, bem confortáveis.
Então e agora? Como iriam reagir os alunos ao verem a professora de Francês entrar com um sapato de cada cor?
Todas as senhoras presentes tinham aulas na hora seguinte, excepto a Sr.ª D. Dora. De imediato, esta se ofereceu para emprestar os seus sapatos à Madame Nicole, ficando ela descalça, durante esta hora, na sala de professores. O oferecimento foi aceite.
Soube depois, porque me foi contado pelos alunos dessa turma do 5.º ano, da perplexidade em que ficaram quando viram a professora de Francês aproximar-se, agarrada à parede, algo cambaleante, mas não perceberam o que se estava a passar.
Ao chegar à porta da sala, a professora mandou os alunos entrar e, em seguida, apoiando-se nas mesas, foi penosamente rumando até à secretária, sentando-se na cadeira tão rapidamente quanto lhe foi possível.


Os alunos interrogavam-se da razão daquele procedimento algo estranho e, ao longo da aula, tudo fizeram para que a professora se levantasse, para poderem aquilatar do que se estaria a passar. Mas nunca o conseguiram.


Terminada a aula, mandou sair os alunos, o que não foi fácil, porque todos queriam, sem o dizer, ver sair a professora. Mas acabaram por sair, permanecendo a professora sentada. Algumas alunas, que propositadamente ficaram para trás, viram então a professora sair da sala e, com grande espanto, reconheceram que estava calçada com os sapatos da D. Dora!


Mas não quero terminar esta minha intervenção sem me referir à grande disponibilidade que a Sr.ª D. Dora sempre manifestava para ajudar um colega, defender um aluno ou uma aluna. Poderia parecer, perante os alunos, que era ríspida e por vezes pouco tolerante, mas na hora da verdade, os alunos tinham nesta Senhora uma defensora acérrima e uma verdadeira amiga e muitos deles nem o suspeitavam.


Lembro as discussões acaloradas entre a Sr.ª D. Dora e o Sr. Padre Renato, durante a hora do café. Era uma competição de amigável, aguerrida, desconcertante, inteligente, como só é possível entre duas pessoas de muito valor, muita educação e, principalmente, com uma enorme amizade mútua.


Lembro a grande satisfação com que a Sr.ª D. Dora nos comunicou que iria ver o Papa, em visita a Fátima, num lugar privilegiado da colunata, e que esse lugar lhe tinha sido oferecido pelo Dr. Paulo Rodrigues. Nunca soubemos bem se essa enorme satisfação se referia à colunata, ou à visita do Papa, ou à origem do oferecimento.


Lembro as muitas tardes que comigo passou nos laboratórios de Física e de Química, em vésperas dos exames. Como certamente se lembrarão, o júri vinha do Liceu de Leiria e, sem que eu lhe pedisse, todos as anos ficava comigo várias tardes e, enquanto eu ia preparando reagentes e material específico, a Sr.ª D. Dora lavava escrupulosamente todo o material de vidro e puxava-lhe o lustro, encerava o material de madeira e areava os metais, sem se importar com a beleza das suas mãos nem com o verniz das suas unhas. Dizia que queria que os professores de Leiria reconhecessem que os nossos laboratórios eram muito mais limpos e bonitos que os deles e que, em consequência, os nossos alunos eram também muito melhores.


Era uma grande Senhora, a Sr.ª D. Dora! Eu tinha nela uma grande amiga, que recordo com muito carinho e saudade.

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Jaime Serafim




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C O M E N T Á R I O S
Jaime Serafim disse:
Olá João Jales
Agorinha mesmo, a mexer nuns papeis, encontrei uma foto de um jantar, onde está a Sr.ª D. Dora ao pé de mim e da minha mulher.Se entender que ainda poderá ter cabimento...
Um abraço. Jaime
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Belão disse...
Brillhante! Brilhante esta estória contada pelo Dr. Serafim!Neste momento estou na escola, num momento de pausa, na sala dos professores. Posso dizer que, com as minhas gargalhadas a ler a cena dos sapatos da Mme Nicole, cinco ou seis colegas apareceram junto de mim, admirados com tão boa disposição logo pela manhã.O Dr Serafim sempre teve um sentido de humor fantástico. Obrigada Dr.Serafim.
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LS disse...
Não sou vosso colega ERO mas fui colega de Escola do Dr. Serafim,a quem aqui dou os parabéns pelo talento literário.
Aproveito para um aviso à Belão:os olhos e ouvidos da ministra andam aí,vivemos tempos perigosos para se permitir declarar assim que tem momentos de pausa na sua actividade...LS
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Manuela Gama Vieira disse:
Dr. Serafim, que delícia de texto!Ai aqueles saltos altos! Que elegância, para o olhar, que tormento para andar!
Eu arriscaria que a satisfação da Srª D. Dora na sua visita a Fátima se ficou a dever, não só ao facto de ir ver o Papa- a Srª D. Dora tinha profundas convicções religiosas- mas também ao gesto, próprio de um gentleman, do Dr. Paulo Rodrigues. Do significado do gesto, só o próprio poderia falar..."Le coeur a des raisons que la raison ne connais pas".
Manuela Gama Vieira
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João Jales disse:
Este texto, escrito de uma forma precisa e clara, com aquele ar casual com que se contam estórias em família (e que só aparentemente é fácil de reproduzir por escrito), alia humor a uma genuína ternura e afecto pela D. Dora.
As memórias do Dr. Serafim são brilhantes e a cores e é assim que ele consegue que nós as vejamos. JJ
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Isabel X disse...
É particularmente significativo este testemunho do Dr. Serafim! A D. Dora era uma daquelas pessoas que se dedicou ao Colégio como poucas e que sofreu, também como poucos, quando se deu o seu fim, como é natural!
É fantástica esta história! Uma vez mais a realidade supera largamente a ficção! É quase impossível imaginar a Madame Nicole calçar, quanto mais andar, ainda que cambaleante, os sapatos da D. Dora.
Este blogue é um achado!
Afinal o lugar da D. Dora em Fátima era na colunata, bem bom!
- Isabel Xavier -
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São Caixinha disse:
Espectacular este texto do Dr. Serafim! Também me fartei de rir!!! Eu que sempre pensei que o andar peculiar da D. Dora se devia à dificuldade de encontrar o equilíbrio em cima dos "stilettos"! Encontrar o equilibrio... e conseguir andar, o que só por si já demonstra capacidades sobrenaturais... mas pensar que ela ainda se dava ao luxo de andar aos pulinhos para poupar as capas...desafia-me os limites da compreensão! É admirável!!
Estou a lembrar-me daquela frase que alguém disse sobre a Ginger Rogers : "She did everything Fred Astaire did, but she did it backwards and in high heels!" Ora bem!
Bjs, São
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farofia disse...
Caro Serafim, esta é uma estória imperdível de hilariante! … só você! ...e eu fico com saudades do seu humor-amor de traços fortes e multicores, dessa sua química existencial que sempre fascina os que têm a sorte de o conhecer de perto.
‘Ouvi-o’ falar com orgulho do seu orientador de estágio pedagógico, Rómulo de Carvalho, e esta sua fotografia da Dona Dora recorda-me insistentemente um texto do seu mestre:
"A descoberta da fotografia é uma das realizações mais extraordinárias que o génio do Homem tem conseguido. Por meio dela eternizamos o que é passageiro, tornamos a ver o que já passou, continuamos vivos depois de mortos. Pega-se na pequena caixa preta, dirige-se para a pessoa que se estima, para o objecto que nos agrada ou a paisagem que nos encanta, move-se uma pequena alavanca e está o milagre realizado."
Rómulo de Carvalho, in "História da Fotografia", Ciência para gente nova - nº 2, Atlântida - Coimbra, 1960
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Anabela disse:
Genial! Fartei-me de rir... e fiquei a saber, quarenta anos depois, porque é que a Srª D Dora andava aos saltinhos!
Já não sei quem é que aqui disse que se calhar não conhecemos bem a D. Dora, mas estou agora convencida que tinha razão. Obrigada por isso Dr. serafim.
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Anabela Miguel disse:
Vou utilizar as mesmas palavras da Dra. Inês, imperdível e hilariante o texto do Dr.Serafim.Conseguiu fazer-me rir durante uns bons minutos.Tenho acompanhado a sua escrita e sinceramente foi para mim uma revelação pois desconhecia,por completo o seu sentido de humor e o óptimo narrador que é.
Que bom haver este blog para podermos constatar , mesmo muitos anos depois, o lado engraçado que existia em alguns dos nossos ex-professores, o que na época passava ao lado............
Quanto à D.Dora, acho que tem sido muito bem retratada, com subtileza e carinho.Eu começava logo o dia a lidar com esta Senhora, pois ela apanhava também a carrinha no Borlão,que nos transportava até ao Colégio. Claro que, durante o trajecto, assisti a muitas peripécias com a D.Dora, que nos faziam rir e que por vezes eram dificéis de disfarçar, mas sempre com respeito.Lembro-me que o jeito do seu penteado era o que mais nos chamava a atenção, muito ripado e cheio de laca.
A foto que acompanha o artigo, bem escolhida João!!!!!!Uma bonita perna com um bonito sapato de salto alto é muito sensual.......!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Um abraço. AMiguel
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Isabel Knaff disse.
Não quero deixar por dizer que adorei os artigos sobre a D.Dora, tanto da Paula como do Dr. Serafim.Trouxeram ao presente imagens quase caricatas dum passado que é tão agradável de rever.E revê-lo a poder ver também o que se passava com tanto humor nos bastidores, a sala de professores, é sem dúvida um surpreendente extra! Imaginar a Madame Nicole com os sapatos da D.Dora a tentar chegar á sala de aula, e imaginar a D.Dora descalçadinha à espera dos "stilletos" dela, com os sapatos da Madame Nicole ao lado...faz-me lembrar cenas dum filme do Gene Wilder, Woman In Red!!!
Obrigado aos autores de tão engraçados artigos!
Um beijinho. Até muito breve
Isabel Caixinha
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Júlia R disse:
Este senhor Dr. Serafim cada vez me surpreende mais! É uma "caixinha de surpresas "!!!!! Chego á triste conclusão que só ao fim de 45 anos comecei a conhecer o Dr. Serafim.... para mim tinha sido um excelente professor,pessoa óptima e muito simpático! Agora aparece-me também como um contador de histórias de bastidores "verdadeiras", com um sentido de humor nunca dantes conhecido(por mim).
Ai a D.Dora! Se alguma vez me passava pela cabeça que aquele andar tipico, aos saltinhos, se devia á dificil tarefa de poupar as capas dos sapatos....mas talvez também para que o seu andar se tornasse mais silencioso,não seria? Estou a imaginá-la sentada com os seus pézinhos descalços, delicadinhos, esperando ansiosamente que a hora passasse. Faço uma pergunta:foi no Verão ou Inverno?Coitada,se foi no Inverno ficou gelada....ou alguém se lembrou de ir desencantar uma mantinha?Brincando,brincando se vão revelando a bondade e o coração das pessoas,e aqui está a prova.
Não digo mais nada,apenas que li, reli, sorri, ri, "gargalhei"... e pensei: este blog, estes colegas, estes Amigos, e todos os que passaram pelo ERO são realmente fantásticos. E que mais estará ainda por desvendar?Aguardamos.
Um Abraço. Júlia R
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Ana Carvalho disse:
Realmente mais uma vez o Dr. Serafim vem confirmar aquilo que eu já desconfiava há muito tempo, ele tem um enorme sentido de humor e um talento para a escrita. Só agora percebi porque a D. Dora andava aos saltinhos...e a cena com a Madame Nicole deve ter sido hilariante... devia ser muito dificil assistir a estas e outras cenas e depois vir dar aulas com um ar sério e fingir que nada se tinha passado na sala dos professores.
Obrigado Dr. Serafim, pelas gargalhadas que dei enquanto estava a ler o seu texto. Tambem não quero deixar de dar os parabéns à São e à Isabel pelo texto e a caricatura da D. Esperança, como sempre estão fantásticas. PP

D. DORA (Duas Cenas)

por Isabel Sousa e Silva


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D. Dora no magusto do ERO em 1972




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Ainda bem que a Paula resolveu escrever sobre a D.Dora, figura carismática do ERO.

São tantos os episódios engraçados que, ao ler o texto, vieram-me à memória algumas cenas que, se já na altura nos faziam rir, hoje então....


Cena 1:


A minha turma tinha nesse dia um teste (ponto, como se dizia na altura) de História e, à mesma hora, outra turma (já lá iremos) tinha ponto de Físico-Química. Por motivos de força maior o Dr. Serafim teve de faltar nesse dia, o que raramente acontecia.

A campainha tocou para a entrada. Ao entrarmos na sala, a Drª Noémia anunciou:

- Metade da turma vai para a sala ao lado, misturar-se com os colegas que vão fazer ponto de Física.

E assim foi. As turmas dividiram-se pelas duas salas. Acho que o Dr. Serafim, conhecedor da necessidade que a D.Dora tinha de, ao longo do dia, aplicar várias camadas de verniz nas suas unhas, não confiava lá muito na eficiência com que tomava conta dos que eram especialistas em técnicas de copianço. Havia também a hipótese de durante aquela hora, ela dormitar por alguns momentos e só acordar quando o ruído já chegava ao corredor. Daí a mistura das turmas.

Fiz, portanto, o ponto de História sob a vigilância da D.Dora.

Pontos distribuídos, meio minuto depois estabelece-se este diálogo:

- Tia Dorinha, posso fazer uma pergunta que não vem no ponto?

- Oh Robertinho, veja lá se não vem no ponto!

- Tia Dorinha, acha que eu ia fazer uma pergunta que vem no ponto? É só um esclarecimento para eu poder responder.

- Então vá lá. Mas veja lá!

O Roberto levantou-se, foi ao quadro, pegou no giz, escreveu e perguntou:

- Alguém me sabe esclarecer?

Claro que alguém prontamente o fez (acho que foi o Chiquinho) e claro que vinha no ponto.

Nada de extraordinário, não fora o facto de, minutos depois e por mais duas vezes o diálogo se repetir e a D. Dora permitir que as dúvidas do Roberto continuassem a ser esclarecidas.

Resultado: O ponto de Físico-Química foi anulado.

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Cena 2:


Toda a gente sabe que se fumavam uns cigarritos na casa de banho das meninas. Pois é. Um belo dia resolvemos que a aula de lavores era o local ideal para mandarmos umas valentes passas de SG. E como o fazer sem que D.Dora desse por isso? Colocámo-nos ao fundo da sala, rodeadas pelas belas toalhas que algumas bordávamos a ponto pé-de-flor, dos casaquinhos de crochet e dos panos de tabuleiro, e, lá para a terceira camada de verniz, três de cada vez sentávamo-nos no chão, esfumaçando, enquanto as outras iam abanando as toalhas e paninhos para tentar ocultar o fumo.

Sem levantar os olhos, não fosse o verniz ultrapassar a unha e “esborratar” o dedo, D.Dora indagava:

- O que é que andarão a queimar lá fora? Cheira tanto a queimado! Fechem lá as janelas!

As risadas debaixo daquelas peças de lavores eram mais que muitas, claro está.

Repetimos a cena várias vezes, até sermos descobertas e levadas ao Pe.Chico que, embora querendo manter-se sério, não conseguia disfarçar uma tremenda vontade de rir.
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O facto de não me lembrar de qualquer castigo mostra que, se houve, não foi de molde a estragar o gozo que a cena da fumaça nos deu!

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Belão
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COMENTÁRIOS
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João Jales disse:
Deliciosas estas duas "cenas da vida da D. Dora no ERO". Dura vida, diga-se, a de quem aturava estas "pestinhas"...
Tenho sempre pena que a Belão não tenha mais tempo para escrever, já que tem muitas memórias e um natural talento para nos divertir com a sua narração. Vai aparecendo! JJ
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farofia disse...
A Dona Dora! pensei que nunca iria falar dela, mas neste ambiente informal e afectuoso, à distância de 40 anos, já consigo confessar que tinha medo da Dona Dora! Ela olhava para mim como se visse o diabo de mini-saia. Virava a cabeça, desaprovadora com um murmurado t'arrenego, belzebut!
Não era uma pessoa fácil, capaz de alterar os rígidos princípios morais que eram a sua essência de vida. Tinha muitos afectos, muitas pessoas na sua riquíssima galeria social. Sabia tudo de todos e era mestra a contar histórias, reais umas, outras fantasiadas.Boa pessoa, a nossa Dona Dora!
Inolvidável, como se vê pelas memórias adolescentes que os seus alunos revivem com prazer e sorrisos.
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Isabel X disse...
Não presenciei estas giríssimas cenas passadas com a D. Dora e tão bem contadas pela Belão. Do que eu me lembro melhor é de nós lhe perguntarmos nas aulas de Lavores porque é que não se tinha casado, sendo uma senhora tão interessante, tão bem arranjada, etc., etc... Ao que a D. Dora dava uma resposta enigmática: "Lá está (em Lisboa) quem também não se casou!...". Julgo saber que se referia ao Dr. Paulo Rodrigues, a quem Mário Soares apelidou de "Caneta de Salazar". A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
No entanto, contou-me o Dr. Serafim, quando o Papa Paulo VI veio a Fátima, enquanto ele estava no meio do povo, a D. Dora ocupava um lugar de destaque ou, pelo menos, à parte do comum dos mortais. Apesar de tudo, o antigo enamorado lembrava-se dela nessas ocasiões!
- Isabel Xavier -
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Belão disse...
Olá Isabel!Também me lembro de cá em casa se falar desse amor platónico, mas da parte da D.Dora. Sabes que o Paulo Rodrigues é primo direito do meu pai e um contador de estórias fabuloso. Quando em miúda ia a casa dele e a família se reunia, era certo o serão ser divertido.
Segundo o meu pai, confirma-se a paixão da D.Dora. Mas só a dela!Bjo
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Isabel VP disse:
Posso fazer outra correcção? Foi o próprio Dr. Paulo Rodrigues que se apelidou "lapiseira de Salazar" quando foi secretário de estado; o Dr. Mário Soares apenas o citou.IVP
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Isabel X disse:
Agradeço as correcções. Não era caneta, de facto, mas lapiseira, e o próprio a designar-se desse modo. Mário Soares deve tê-lo citado.
Falei nisso para situarem Paulo Rodrigues e o relacionarem com quem de direito, mas não me fui documentar sobre o assunto como devia. Falei de cor!Não sabia que Paulo Rodrigues era primo da Belão, mas já desconfiava que o sentimento platónico que a D. Dora nutria por ele não fora correspondido, mesmo na juventude; por isso falo em "ilusões" da sua parte.
Beijinhos para todos.
- Isabel Xavier -
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Luis disse:
Sim,IVP tem razão,foi o próprio Paulo R que se auto-denominou.A partir daí surgiu realmente uma alcunha,mas não era "a lapiseira" nem "a caneta",mas um objecto mais funcional e sempre à mão...Luis
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João Ramos Franco disse...
Lá que a D. Dora tivesse essa ideia... A senhora mantinha a ideia de que ambos tinham optado por não casar devido ao sentimento platónico que mantinham um pelo outro. Ilusões...
No meu tempo dizia-se que o Salazar e o Dr. Paulo Rodrigues tinham reuniões de trabalho na Pousada de Óbidos...As meias verdades da ditadura...
João Ramos Franco
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Isabel X disse:
As meias verdades não são um exclusivo das ditaduras, são de todos os tempos e de todos os regimes...
Nunca ouvi nem li nada que aponte para, ou suporte, a insinuação que o João R F refere.
- Isabel X -
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João Ramos Franco disse...
Isabel Xavier:
Tem razão, eu retiro a palavra "ditadura".Talvez por defeito meu e de conhecer tanta coisa que se contava, à época, das referidas reuniões eu tenha dito a palavra que realidade não está no contexto do que disse.
Desculpe. João Ramos Franco

D. DORA




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Sobre a "D. Dora", pouco posso dizer, pois era minha tia e uma segunda Mãe.Devo-lhe muito! Nunca esquecerei o quanto fez por esta sobrinha, que ajudou a criar e que a adorava.
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Andei no ERO, na Rua Heróis da Grande Guerra, no 1º e 2º anos,em 1957/58, onde a Tia Dora, trabalhava na secretaria.
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Nesa altura, faziamos-lhe a vida negra por causa dos "penteados" e "pinturas", baton e pó de arroz! Chegávamos a esconder-lhe tudo, para a arreliar e se ela se arreliava!
Havia ralhos e gritos para estas alunas mal comportadas.
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"São insuportáveis", dizia Ela, coitada,ameaçando-nos de fazer queixa ao Director, que na altura era o Dr. Perpétua.
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Ficávamos cheias de medo, mas eram só ameaças, pois Ela era incapaz de o fazer.Que saudades desses tempos inesquecíveis!
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Nunca foi minha professora de lavores, nem dos tempos livres. De lavores, foi a D. Anita, sua rival e nos tempos livres, na altura, havia as salas de estudo, onde Ela tomava conta e eu já tinha passado para o colégio novo, onde era Director o Querido e Saudoso Padre António Emílio.
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Era uma boa alma,muito amiga de todos os alunos e quando saíu chorou bastante com saudades do colégio,que ela também inaugurou.
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Maria Clara
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COMENTÁRIOS
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João Ramos Franco disse...
Se não me engano, a D. Dora foi minha Catequista na Igreja de Nossa Senhora do Populo.O que ela me aturou...João Ramos Franco
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Luis disse:
Era uma boa alma a D. Dora e aturava-nos,como diz o anterior comentador,coisas incríveis.
Mas o JJ podia contar aquela história ( que lhe valeu uma suspensão ) do
- "Imaginem que chamaram F.... da P... ao motorista,oh D. Anita!" ,repetido pela D. Dora duas ou três vezes,alto e bom som,do exterior do colégio para a Secretaria!Inesquecível...
Este post mostra-nos um pouco da mulher que não conheci,lembro-me mais dos seus excessos de religiosidade.Luis
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JJ disse:
Não é grande história, esta que o Luis "desenterrou" para o seu comentário, e não me chegou a valer qualquer suspensão. Mas recordo, sempre com algum espanto, a única parte com graça, os gritos indignados da senhora, repetindo, no mais puro calão, a queixa do motorista da carrinha! Foi em Abril de 1970, no largo em frente à entrada principal.
Tem mais razão o Luis ao observar que a Clara nos trouxe aqui a evocação da mulher que foi sua tia, com uma apropriada "foto de família". Obrigado, Clara!
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Manuela Gama Vieira disse:
Como gostei de ler o depoimento da Maria Clara sobre a sua Tia Dora, que eu conheci, já lá vão...não..nem pensar, não vou fazer as contas aos anos que passaram, até porque a imagem da Srª D. Dora está bem viva e faz parte das minhas memórias do Colégio. De fino trato, elegante, sempre impecavelmente bem arranjada. Não foi minha Professora de Lavores e...quanto a Lavores, estamos conversados...para grande desespero de minha Mãe, eu até perdia o saco dos "trabalhos" no trajecto Colégio/casa. Sei fazer umas "coisinhas"...como diz a Paulinha Pardal, aquilo que em doçaria dá pelo nome de..q.b.
Quanto às "traquinices" de que a Srª D. Dora era vítima por parte de alguns/algumas alunos(as), já ouvi falar delas, algures, quiçá aqui, no nosso blog.
Jales, será que foste tu que falaste em fósforos "acondicionados" no penteado da Srª D. Dora?
Manuela Gama Vieira

LAVORES FEMININOS COM A D. DORA

por Paulinha Pardal


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Tenho muitas recordações de aulas e de vários professores, mas já que ainda ninguém falou da D. Dora, recordo as aulas de lavores que tive com ela. Escusado será dizer que estas aulas eram só para as raparigas, enquanto os rapazes tinham uns jogos de futebol no recreio.
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É claro que havia um grupo, eu, Anabela Castro, Anabela Cera, Angela, Luisa Pinheiro e sei lá mais quem, estávamos viradas para tudo menos para aprender fosse o que fosse de lavores. Como estávamos perto da janela, a hora inteira era passada a olhar para as pernas dos rapazes que, de calções, jogavam à bola; na altura era uma verdadeira emoção, não tinhamos mais nada para nos distrair. Claro está que ouvíamos ralhar, que eram sempre as mesmas, que ia fazer queixa ao Director, na época o Padre Albino, e sei lá mais o quê...coitada da D. Dora.

Os nossos trabalhos passavam de ano para ano, eram sempre os mesmos, como podem calcular pouco ou nada faziamos. Pior ainda era que o meu e o da Anabela Castro era o mesmo, sim era isso mesmo, só um trabalho para as duas, umas rosetas de crochet brancas, rosa e verde, sinistras. Primeiro a D. Dora via o meu trabalho e dizia que podia estar melhor, depois ia andando e quando chegava à Anabela já ela tinhas as rosetas pirosas e a D. Dora dizia que as dela estavam muito bem feitas e que eu devia pôr os olhos nela. Coitada da D. Dora muito nos rimos à conta destas coisas...ainda hoje nos rimos por causa destas e de outras aulas.
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Mas eu penso que alguma coisa a D. Dora nos ensinou porque hoje tanto eu como a Anabela fazemos umas coisas.
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PP

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D. Dora, Isabel Videira, Padre Xico (Profissão de Fé, 1965)

C O M E N T Á R I O S

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Júlia R disse:
Quando entrei para o colégio o 1º e 2º anos eram na Rua do Jardim, prédio de esquina com a Rua Heróis da Grande Guerra, e só do 3º ao 7º no Edifício do Crespo.
Então a D. Dora, além de dar as aulas de Lavores Femininos às meninas "tomava conta de nós”, rapazes e raparigas. Era boa pessoa e uma figura muito característica, com o seu penteado que com certeza todos recordam. Foi com ela que aprendi a bordar "ponto de cruz" e ensinou-me de tal maneira que, quando vejo alguém a fazê-lo, deito logo o olho ao avesso, pois tem a sua técnica. É um bordado que ainda hoje gosto de fazer.
Guardo esse pano de tabuleiro, que sempre identifico com a D. Dora. Júlia

Anabela Afonso disse:
Alem destas trocas de rosetas, que a Paula refere, havia tambem a do pano de tabuleiro, maravilhoso, que ainda hoje existe inacabado na casa da minha mãe.
Em todas as aulas ora eu ora a Paula, bordávamos em ponto Pé de Flor, a palavra – Merda – .
O resultado era risada geral! Mas claro, com tanto treino, aprendemos muito bem o ponto.
Outro divertimento era encher de pó de giz e papelinhos os maravilhosos ripados da D. Dora.
Bons tempos, mas ainda hoje, que já somos avós (ela, eu não, que sou muito mais nova!), fazemos brincadeiras.

farofia disse...
Que post funtástico, PP! "Primeiro a D. Dora via o meu trabalho e dizia que podia estar melhor, depois ia andando e quando chegava à Anabela já ela tinhas as rosetas pirosas e a D. Dora dizia que as dela estavam muito bem feitas e que eu devia pôr os olhos nela".
.... aluno sofre! :))))

João Jales disse:
Esta questão da apreciação das rosetas tem tudo a ver com a “gestão de expectativas”. A Paulinha sempre teve aquele ar doce e maternal e a D. Dora esperava que ela correspondesse, nos tão necessários Lavores Femininos, a essa imagem. Já a Anabela apostava numa imagem um pouco mais rebelde, saias curtas, cabelo em cima da cara... Claro que a D. Dora nada esperava dela. Portanto um trabalho que era inaceitável na Paulinha era surpreendente na Anabela!
Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, elas eram as duas igualmente “destravadas” (já ninguém usa esta palavra, pois não?).JJ

Ana Carvalho respondeu:
Olá João
Que palavra engraçada "destravadas", realmente já ninguém usa esta palavra, mas define-nos na perfeição, nós éramos realmente umas destravadas! Bjs PP

São Caixinha disse:
Sobre o tema dos lavores, lembro-me muito bem de ter aprendido o “ponto cruz” a que a Julinha se refere, o tricot para um casaquinho de bebé (os tais presentes de Natal a famílias desprotegidas que a Lena Arroz há uns tempos mencionou) e o”ponto grelhão” que por infeliz escolha minha, decidi aplicar numa infindável toalha de mesa, definitivamente...much more than I could chew!!! O que eu não me lembro, contudo, é se a professora teria sido a D. Dora ou a D.Anita! É a idade...de qualquer forma recordo as duas senhoras com saudade!
Bjs, São