ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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ESTATÍSTICAS - A última semana no Blog


Estatísticas de uma semana


Visitas................................... 2.282
Visitantes.............................. 1.567
Média diária de visitas .............326
Média diária de visitantes........ 224

Muitos dos leitores têm perguntado para que serviu a introdução do "Statistics" no final da página inicial do Blog. Está aqui a resposta, com um gráfico e os resultados da última semana, para que possam compartilhar a informação de que dispomos.
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Neste caso mostramos o número de visitas - 326/dia (o número de vezes que o Blog é acedido) e o número de visitantes - 224/dia (cada um dos leitores só conta uma vez em cada 24 horas, mesmo que aceda n vezes). Estes números têm estado mais ou menos estabilizados ao longo dos últimos seis meses.
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Como curiosidade saliento que durante o fim-de-semana temos menos visitas do que nos dias úteis.
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O "Statistics" permite-nos também saber de que região ou país são os visitantes, quanto tempo ficam no Blog, quantas e que páginas visitam, que posts preferem, que palavras usaram na busca para encontrar o Blog, etc.
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Este é um instrumento muito útil na análise da reacção ao que aqui fazemos, mas o grande indicador/motivador para todos os colaboradores (e já somos muitos) não são estes números e sim os posts e comentários que são aqui recebidos. Nunca esqueçam isso.
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JJ

NAUFRÁGIO NOS MARES DO TALVAI

Naufrágio nos «Mares do Talvai»,
no inicio da década de sessenta:


Como a velha Quinta do Talvai teve, em épocas mais gloriosas, a característica de ser o maior empregador da aldeia na cultura intensiva do arroz, nos tempos da minha jovem adolescência era vista como o local onde muitos dos pais dos miúdos da terra tinham ganho o sustento para muitos de nós. Se as histórias que os mais velhos nos contavam, sobre a forma como na altura se trabalhava, sobre as relações entre patrões e trabalhadores, ou entre os nativos da terra e os trabalhadores migrantes, os «bimbos», como ainda há bem pouco tempo eram chamados, muitos deles acabando por lá ficar através do casamento, não eram propriamente de embalar, o facto é que toda aquela área húmida do Chão da Parada, tinha sobre nós, miúdos, uma atracção muito especial.

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Quem passa hoje na estrada alcatroada para Salir, nota que naquela zona, os terrenos agrícolas estão num nivel inferior ao da via, hoje de alcatrão, naquele tempo de pedra e areia. A razão para a sobre-elevação da via é óbvia. Trata-se dum local de inundações frequentes.

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Ora, sendo a maior percentagem de terrenos agrícolas da aldeia possuída pela Quinta, todos os outros habitantes eram de forma geral proprietáriios de pequeníssimas parcelas de terra, geralmente de boa qualidade, mas tão distantes umas das outras, que o dia era praticamente perdido nas lentas viagens de burro de e para o brejo, os camarotos, as pôças ou o arneiro-pequeno da estação.

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Terra madrasta, como muitas outras do Portugal do inicio da década de 60, muitos dos homens adultos, viam que não seria ali que poderiam criar condições razoáveis às esposas e aos filhos. A solução era partir. Alguns atravessaram os Pirenéus, a salto, mas a maioria dos homens do Chão da Parada, emigravam para o mar. Assim, nomes como Santa Maria, Vera Cruz, Império, Infante Dom Henrique, e outros, que serviam de
êlo de ligação entre a Metrópole e as Colónias, para as gentes da terra eram sinónimos de ganha-pão e de pequenos luxos exóticos que de outra forma seriam inacessíveis às gentes humildes da minha aldeia. Basta pensar no prazer que eu sentia, quando, ao abrir as malas de meu pai, lá via umas bananas,uns ananases, algumas barras negras de puro chocolate de São Tomé, ou, luxo supremo, rolos de papel higiénico. Para não mencionar os relógios de marcas esquisitas, pequenos rádios portáteis adquiridos nos portos francos das Canárias (isto dos Off-Shores são história antiga), ou objectos de mais valor, como aconteceu com um dos meus ex-colegas da Bordalo, que, se nos ler se vai reconhecer. É que ele teve até direito a uma mota Honda de 50 Cms, a 4 tempos, vinda directamente do Japão, que debitava um som melódico maravilhoso, em nada parecido com o das nossas ruidosas Casal ou Zundapp, a 2 tempos, que faziam um barulho ensurdecedor. Finalmente, para as gentes da terra, partir, não de um aeroporto qualquer, mas do porto de Lisboa, era a coisa mais natural e fazia parte de nós.
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Como consequência desta forma de vida, eram as esposas, mães, que geriam a economia familiar, e faziam o melhor que podiam para, sòzinhas, e geralmente iletradas, educarem os filhos.

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A nossa vida de miúdos a partir dos 5 anos, chovesse ou fizesse Sol, era passada na rua. Acabadinhos de chegar da escola, aquecido e comido o prato de sopa que ficara da véspera, se houvesse «cheia» no Talvai era certo e sabido que o resto das nossas tardes seria passado a ver a água, sempre à espera que a mesma galgasse a estrada, ou então a construir barragens altíssimas em areia, no local onde hoje se encontra o edifício da Associação.

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Teria eu os meus 12 ou 13 anos, numa dessas tardes, após animada conversa com os outros garotos da minha idade sobre viagens de barcos e bateiras, eis que avistamos um velho bidão de gasóleo abandonado, num dos terrenos alagados, junto à ponte da Vala Real (hoje insignificante e quase invisivel, no meio da vegetação intensa). Incapazes de refrear impulsos próprios de miúdos daquela idade, logo ali tomàmos a decisão de ir buscar o improvisado barco e sentirmos o prazer e a liberdade de dominarmos aquilo, num equilibrio mais que instável, sobre as águas barrentas que cobriam a várzea. Sendo diminuto o espaço interior, cada viagem seria feita apenas por um passageiro de cada vez. Foram vividos momentos de prazer intenso, nas nossas curtas viagens de alguns metros, com o bidão bem dominado com o auxílio de um longo pau, que fincávamos no chão de lodo para o movimentarmos sobre as águas. Sentiamo-nos, qual Simbad, o maior de todos os marinheiros. De cada vez que partiamos ou voltávamos à margem, era como se o barco onde os nossos pais andavam, acostasse nos cais de Alcantara ou da Rocha do Conde de Óbidos.
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Mas o fim estava anunciado, e poderia ter sido bem triste, quando, estando eu em plena euforia no meio das águas turvas do «Atlântico», o barco por efeito de um qualquer movimento mais brusco começou a meter água e, claro, afundou. Encharcado dos pés à cabeça, lá me consegui dirigir para terra firme e sentei-me ao Sol de Novembro para ver se conseguia secar as roupas, antes de voltar para casa.
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Mas como os adultos têm sempre a mania de estar onde não devem, passa na altura uma conterrânea que, do alto do seu assento na albarda do burro, verificou que alguma coisa de errado se passava com o Zé Luis e, claro, fiquei logo ali a saber que a Mari Reboleira, minha mãe, teria conhecimento do sucedido. Fiquei naturalmente um pouco precocupado, mas como ainda andei mais umas horas com a roupa vestida, cheguei a casa já a noite ia alta mas relativamente bem seco.
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Ouvi um raspanete dos grandes. Eu que normalmente apanhava as gripes todas, nesse ano seria ainda pior. E depois, o que não ajudou nada foi mesmo a tentativa de ter tentado enganar a minha mãe, não lhe contando a verdade desde o inicio. E a sentença foi lida naquele instante:

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- Zé, sabes que eu nunca te bato, mas quando o teu pai regressar de viagem daqui a duas semanas ele vai ter que saber, e aí não me responsabilizo pelas consequências.

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É claro que desta vez, à chegada de meu pai não fui como habitualmente, vasculhar as malas à procura de prendas tropicais, nem vou aqui contar como se passaram as coisas nos momentos que se seguiram.

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Penso que no dia seguinte não fui à escola. É que a viagem para as Caldas ainda se fazia na altura numa velha bicicleta pasteleira, e o selim era de cabedal bem duro !

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O meu pai tem hoje 89 anos, e por vezes ainda se fala nesta aventura. Nem ele nem eu a esquecemos. O meu gosto pela água manteve-se no entanto intacto e o prazer que me continua a dar o ouvir bater as ondas na terra é o mesmo. Mas viagens em bidões de gasóleo, garanto-vos que nunca mais fiz.
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J. L. Reboleira Alexandre
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Comentários a NAUFRÁGIO NOS MARES DO TALVAI

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Artur R. Gonçalves disse...
Um texto com as características do «Naufrágio nos mares do Talvai» não necessita de grandes comentários. Todo ele é auto-suficiente e fala por si.
A permanência do Zé Luís nas terras banhadas pela margens ocidentais do grande mar oceano não beliscou em nada a verve com que nos descreve a história trágico-marítima da sua infância. Fá-lo com grande segurança estilística e domínio de língua. Melhor do que muitos daqueles que permaneceram na margem oriental desse mesmo mar oceano, em contacto directo e continuado com o idioma que mamaram no berço. Espantoso.
As minhas vivências de pouco mais ou menos 17 anos intermitentes nas CdR nunca me motivaram a conhecer em pormenor as freguesias rurais que formam o meu concelho natal. Tive e continuo a ter uma existência muito urbana. Desconheço os benefícios do campo e não me vejo a viver num outro cenário que não seja o da cidade. Terei atravessado o Chão da Parada uma meia dúzia de vezes (se tanto) ao longo de toda a minha permanência no oeste estremenho. A minha família não tem raízes na região, pelo que até as férias eram passadas noutros quadrantes geográficos. As praias eram outras, os campos eram outros. Visualizo, assim, os Mares do Talvai como um espaço perfeitamente exótico. No sentido exacto do termo: singular, estranho, raro.
A leitura das desventuras do menino que esperava ansiosamente o regresso do pai dessas viagens pelo mundo repartido tocou-me muito particularmente. Fiquei com vontade de o ouvir contar outras histórias de vida vivida. Ficar a conhecer melhor esse meu colega de escola que só começo a conhecer com algum pormenor passados tantos anos e com todo um mar de permeio. Um espaço imenso a separar-nos / juntar-nos através destas navegações virtuais tão mais eficientes do que muitas das viagens reais que constituem a nossa caminhada pela vida.
Fico a aguardar. Até breve...
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Ana Braga disse...
Gostaria de agradecer a J.L Reboleira Alexandre por esta oportunidade que me deu de ler um magnífico texto, cuja profundidade e alcance não se limita ao aparente relato da sua aventura infantil.
A par da realidade das vivências, nem sempre doces, da sua meninice, apresenta-nos uma descrição nua e crua da vida rural dos anos sessenta. Senti-me emocionada com as suas palavras e voltei atrás no tempo. Fui uma criança, talvez mais afortunada do que o autor, no diz respeito às condições económicas em que cresci, mas também vivi toda a minha infância e adolescência numa aldeia, onde eu e os meus irmãos frequentámos a escola, convivemos indiscriminadamente com todos os meninos e meninas da nossa idade, explorámos todos os recantos dos campos, dos pinhais e da beira do rio e, em plena liberdade, corremos à solta, levados pelos sonhos. Ora piratas e índios, ora polícias e cowboys, invariavelmente criaturas aventureiras e corajosas, que retardávamos o regresso a casa e a passagem do sonho à insípida realidade. Para alguns, a realidade era mais do que insípida era mesmo muito dura e nós, embora sendo crianças, tínhamos consciência disso e aprendemos cedo a ser solidários, muito antes de conhecermos sequer tal palavra.
Ainda bem que as condições de vida mudaram e que os meninos de hoje têm acesso a uma existência com muito mais qualidade do que aquela de que usufruíam os seus avós, mas duvido que o melhor brinquedo já feito, comprado e pronto a usar, dê mais gozo do que uma viagem pelo “Mar do Talvai”, dentro dum bidão.
Ana Braga
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Alfredo disse...
Excelente Zé Luís
Soberbamente bem descrita esta tua aventura “nos mares do Talvai”. Fizeste-me reviver esses tempos de rigorosos invernos trazendo-me à memória, aquele particular inverno em 1966, que destruiu a ponte de madeira na Estrada Nacional em Tornada e a ponte sobre o rio de Salir na estrada Salir - S. Martinho, sobre as quais já referi numa estória que escrevi para o blog da Escola.
E esta foi uma data que jamais esqueci porque nesse dia outro acontecimento marcou o nosso passado pois foi o dia em que “Os Magriços”, depois de estarem a perder por 3-0 com a Selecção da Coreia dos Norte, deram a volta ao resultado muito por acção do sempre recordado herói “Pantera Negra”.
Invernos esses em que S. Martinho se tornava num istmo só acessível pelo lado da Nazaré pois os campos da Quinta do Gama, Vale do Paraíso, Alfeizerão e Quinta do Talvai no Chão da Parada, por um lado e Salir do Porto por outro, até aos arredores de Tornada ficavam ligadas por água.Crescemos nesse ambiente de embarcadiços, que na nossa zona formava um vasto triangulo que comportava Tornada, Nazaré e S. Martinho onde se incluíam todas as aldeias de permeio.
Mas isto também já faz parte do passado, no tempo em que os comboios circulavam na linha do Oeste e paravam em apeadeiros e estações… agora nem em estações!Um abraço amigo
A.Justiça
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Antonio Jose disse...
Belo texto, que me toca de sobremaneira porque a minha pool genética também tem a ver com esse lugar. O meu bisavô era do Chão da Parada e emigrou para o Pará com 13 anos, regressando com 40, o meu avô teve um casal no Bouro e imagino que muita gente com raízes aí é meu primo distante.
Os jovens de hoje não podem imaginar aquele Portugal dos anos 60 de que nós nos lembramos.
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Luis disse...
Muito bom,mesmo MUITO bom este post.
Um retrato de uma época que todos vivemos mas que nem todos recordamos damesma forma.E São Martinho,Tornada,Alfeizerão eram aqui tão perto e eram tão desconhecidos para a juventude urbana?
Parabéns José Luis(que não conheço)este é um grande momento deste blogue!L
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ana lucia disse...
Óptimo relato de um época que muitos miúdos e alguns graúdos de hoje não tiveram o prazer, sim prazer, de saber como foi.
O meu pai contava-me muitas das suas peripécias de miúdo, eram como um embalar em recordações coloridas de um outrem cheio de nostalgia.

J J disse...
Esta aventura, apesar de não ser "motorizada", encerra com brilho esta série sobre trangressões. Curiosamente o autor parece ter sido o "herói" que saiu mais penalizado de todas elas...
Este post é um emotivo retrato de uma infância certamente com algumas dificuldades, mas de que o autor guarda boas recordações e transparentes afectos. Guarda e transmite com aparente facilidade, como podemos ver (ler) mais uma vez neste blogue.
Magnífico enquadramento social, económico e geográfico da narrativa, é um privilégio contar com o Zé Luis como colaborador deste blogue. Um abraço.JJ
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vitor b disse...
Gostei muito deste post.Já outros comentadores aqui referiram o excelente casamento entre a história que é contada e a descrição dos tempos em que se passou.
Vejo os posts do JJ como se fossem filmes de aventuras,vejo os do José Luis como se estivesse a contemplar um quadro com vários planos:as pessoas,depois as casas e caminhos,ao fundo o horizonte e o mar...
Excelente,Parabens!!!Vitor
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Não vos vou falar, novamente, do meu conhecimento da envolvente rural de Caldas da Rainha e de que a maioria dos homens do Chão da Parada, e outras aldeias, emigravam para o mar.
Transcrevo umas palavras que o Zé Luís escreveu como comentário no meu blogue (Estar Presente):
"Olha João afinal temos mais coisas em comum. É que se a comida era boa no Vera Cruz quando regressaste de Angola agradece ao meu pai. Se não era desculpa-lhe que a culpa não era dele. Foi muitos anos cozinheiro nesse navio e veio para o Canadá exercer a mesma profissão quando o barco encostou. Apesar de hoje estar com 88 anos (em Maio 89) ainda se lembra perfeitamente dessa época. Das melhores da vida dele.Abraço.Zé Luis.25 de Janeiro de 2009"
Um abraço amigo do
João Ramos Franco

RECREIO DO COLÉGIO (em busca de uma legenda)





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UMA FOTOGRAFIA E UM BILHETE EM BUSCA DE UMA LEGENDA ...










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C O M E N T Á R I O S
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Belão disse...
Penso que ao centro é a Guida Serralheiro e à direita desta, de óculos, a Rosário Mota. A outra não imagino.
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ana lucia disse...
A do lado direito é a Ana Maria Bandeira
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ana lucia disse...
O "autografo" foi-me oferecido pela Filipa Ribeiro
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Rosarinho Mota disse...
JJ
Acabei, ao fim de várias tentativas, por abrir o blogue. Realmente sou eu na fotografia, acredita que nem me estava a reconhecer......sou eu, a Guida e a outra penso que seja a Filipa, mas não tenho a certeza, só ao fim de um bocado , despistada como sou, é que vi que era eu, com uns óculos à Brigitte Bardot (que foleirada, mas usava-se na época).
Continua a escrever as tuas memórias , pois é sempre divertido relembrá-las.
bjcs Rosário Mota
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Julinha disse...
Ai que cómico.....um autógrafo da minha irmã aqui, e de onde ele veio! Parece que fez boa viagem e chegou direitinho...nem voou,nem se afundou !!!!
Por acaso a Filipa já viu o bilhete no facebook, esteve cá e achou muita piada. Começou por achar que aquelas caras de boneca lhe diziam qualquer coisa,pareciam as que em tempos ela fazia,mas ler foi mais difícil...ai os óculos...! ! ! Eu traduzi...
Não sei se já viu no blog ,não lhe falei no fim de semana. Júlia R
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UM AUSTIN 1100, UMA SANGRIA E UMA VIOLA

por João Jales
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É sempre inexplicável porque é que determinadas recordações nos aparecem como a revisão de um filme bem conhecido e outras, contemporâneas ou posteriores, são nebulosas, reduzidas a instantâneos de meia dúzia de momentos. Algumas dessas fotos são esbatidas, mas outras são nítidas e contrastadas como se tivessem sido impressas ontem.
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Vem isto a propósito do terceiro, e último, episódio que vivi e me propus aqui contar, relativo à utilização abusiva dos automóveis paternos por adolescentes sem carta (nem idade para a ter). Enquanto nos posts anteriores relatei dois filmes completos que tenho arquivados na memória, hoje vou tentar reconstruir um outro de que tenho apenas três fotos perfeitas: um Austin 1100, um balde de sangria e uma viola – o resto são algumas imagens difusas de pessoas e locais.





Deve ter começado na Cervejaria Camaroeiro, já que os intervenientes aí se reuniam diariamente nesse ano de 1970. Numa Sexta-Feira à noite, não longe das férias grandes (talvez Maio), o Flores e o Vítor Gil comunicaram que tinham sido convidados para cantar numa festa do primo de uma amiga da namorada do Zequinha Pereira da Silva – ou seria a namorada do primo de uma amiga do Zequinha? Para o caso não interessa, o que interessa é que a festa era numa vivenda perto de Salir do Porto e embora ninguém (excepto o tal primo … ou a amiga … ou a namorada…) conhecesse os donos da casa, estes, ao contratarem uma “banda”, ou um duo neste caso, esperavam certamente que ela se fizesse acompanhar de pessoal auxiliar para carregar o material, tratar da logística do espectáculo, garantir a segurança, enfim assegurar que as “estrelas” só se preocupavam com a música. Tudo isto perfazia oito pessoas, exactamente o número dos presentes.

O pior problema era o transporte, já que a festa era Sábado à noite e os amigos encartados, habitualmente “cravados” para o efeito, tinham já outros programas; por outro lado envolver os pais iria certamente antecipar desnecessariamente a hora do regresso, como era fácil prever…

Estar dependente de boleias num sítio desconhecido é sempre arriscado. Uns meses antes o nosso colega Rogério Teotónio tinha-nos convidado para um bailarico em Sta. Catarina, onde vivia, e nós tínhamos convencido o Neco (o João Paneiro) a ir lá levar-nos. Um mal entendido com uma questão de técnica de dança, envolvendo a colocação da mão do Tó Zé Hipólito, durante um slow mais sentido, numa zona aparentemente interdita pelos costumes locais, gerou um tarantantan de que nos livrámos com alguma dificuldade. Não querendo discutir a que distância do corpo deve estar a mão esquerda do dançarino quando nela repousa graciosamente a mão direita do seu par, tivemos que abandonar, com pouco aprumo e muita pressa, a casa onde se realizava o baile. Tendo o Neco entretanto regressado às Caldas, só duas horas depois do incidente ele nos foi buscar. E duas horas podem ser muito tempo!

Interessava pois garantir um transporte que regressasse quando quiséssemos. Julgo que foi o próprio Flores que se lembrou do tal Austin 1100 que estaria inutilmente parado no Sábado à noite ali na Capitão Filipe de Sousa, logo a seguir ao cruzamento da Garagem Caldas. Ora se os proprietários (e seus pais), o Sr. Antunes dos Santos e a esposa, não necessitavam dele naquele horário, porque não…


Dito e feito, um pouco depois do jantar de Sábado o automóvel foi empurrado durante uns metros até à esquina seguinte e aí acomodou sete ou oito entusiasmados adolescentes. O Flores era o indiscutido condutor e conseguiu levar-nos, sem problemas, até à morada que lhe tinham fornecido, onde já tocava um gira-discos na garagem. Abundavam os comes e os bebes, assavam-se febras e havia uma enorme taça de sangria que o dono da casa ia enchendo com uns garrafões de tinto, uma gasosa e umas frutas que tinha ao lado. O problema é que havia muitos garrafões, pouca gasosa e quase nenhuma fruta – e rapidamente a sangria ficou reduzida a tinto puro com uns quadrados de maçã a boiar….


Ninguém tinha estranhado a numerosa comitiva dos “artistas” que, na altura do bolo e das velas, acompanharam o coro com mestria e eficácia. Cantaram mais duas ou três músicas e vieram obviamente retemperar forças com sangria. A festa continuou animada, mas a falta de hábito de beber vinho provocou numerosas baixas entre o nosso grupo, mormente o proprietário e condutor do automóvel que saiu da sala já não em duo, como actuara, mas em trio, com um amigo a ampará-lo de cada lado. Todos os presentes lamentaram não ouvir o resto do reportório (provavelmente inexistente) e vieram despedir-se ruidosamente de nós. Outro condutor foi nomeado, as violas voltaram para o porta-bagagens e regressámos a casa.


A viagem foi demorada, com muitas paragens para alívios vários - e não era fácil voltar a arrumar oito pessoas num carro daqueles após cada uma delas... Mas Deus é grande e protege os inconscientes: lá conseguimos parar à entrada das Caldas, deixar sair (ou cair) os mais etilizados e reunir o melhor dos nossos efectivos para levar o Flores e o carro a casa. Estacionado o Austin, havia vários problemas para resolver: pôr o dono na cama e devolver as chaves, tentando não acordar os pais, e arrumar a viola, que não podia ficar no carro já que o Sr. Antunes dos Santos desconfiaria se a visse lá na manhã seguinte. Mas juntar uma viola e um bêbado faz um barulho infernal e um idiota qualquer (que até posso ter sido eu) decidiu que, enquanto os dois restantes levavam o Flores para a cama, eu levaria a viola para casa e devolvê-la-ia no dia seguinte. Um plano perfeito, até ao momento em que cheguei a casa e verifiquei que o problema só tinha sido adiado: continuava a haver um adolescente etilizado e uma viola para arrumar em casa, só que era em minha casa!


Às três da manhã qualquer pequeno toque com aquele instrumento musical numa porta ou parede faz um barulho atroador (experimentem e verão). Claro que a presença da viola só serviu para acordar todo o prédio e, sabendo que nunca toquei uma nota de música na vida, transmitir à minha mãe a ideia de que, para aparecer com tal objecto, estava certamente num estado lastimável! Nunca a convenci do contrário e a senhora contou durante anos, e ainda hoje a minha irmã conta, a estória do dia em que eu estava tão mal, tão mal, que até trouxe uma viola para casa…
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João Jales

C O M E N T Á R I O S

Belão disse...
Mais um capítulo fabuloso de uma adolescência divertida, magistralmente relatado pelo João. De facto, estes meninos rabinos eram terríveis, não só pelas alhadas em que se metiam, mas também e sobretudo, pela arte que revelavam a surripiar os carros aos papás.
Que estórias divertidas terão os adolescentes de hoje para contar amanhã? Tê-las-ão certamente, mas em nada comparáveis, dado que as facilidades com que são presenteados tornam tudo tão banal, que eu tenho dúvidas que se cheguem a divertir com algo.
Dois beijos. Um para o João e outro para o seu imenso talento, aqui tão bem expresso.
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J.L. Reboleira Alexandre disse...
Parafraseando um dos meus ex-colegas da Bordalo que dizia aqui, há uns tempos, afinal hoje como ontem uns divertem-se mais que os outros. E eu aqui farei parte do grupo «dos outros».
O JJ delicia-nos com mais uma das suas inúmeras aventuras, mas nota-se uma certa nebulosidade relativamente aos locais e às pessoas. Essa vivenda ali para os lados de Salir, é muito vago...
Quanto ao bólide usado, o belo Austin 1100, de linhas puras, era um dos meus veículos «fétiche». Seria devido ao facto de uma das minhas mais belas conterrâneas da aldeia (não é Graciete ?) ter tido um muito cedo, exactamente da côr do da foto ?
Eu continuava nessa altura a andar, e durante alguns anos ainda, com a minha barulhenta motorisada Casal de 50 cc que tinha o mau hábito de emanar uns muito desagradáveis vapores, resultantes da mistura gasolina/diesel, muito modestamente equipada, mas que, quando atingia os 50Kms/h me fazia sentir, qual Giacomo Agostini, o grande campeão da nossa geração!
Abraço
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António J H disse.
Só um pequeno apontamento em relação à fuga precipitada do "forró" em Sta. Catarina. A leve descrição feita pelo JJ corresponde a verdade, só que estava tudo a correr lindamente até que o Miguel BM, que deslizava na sala junto a mim, repara na actividade da dita mão e desata a gargalhada chamando a atenção de todos. Ora, apanhado de surpresa, não reagi com a imprescindível rapidez na recolocação da extremidade do meu braço esquerdo. Fui apanhado em flagrante deleite! Se o MBM tivesse sido mais discreto....
Por curiosidade e manifestamente demonstrativo que o mundo é muito pequeno, passados 34 anos o meu filho mais novo namorou com a irmã caçula do meu par.
Definitivamente as memórias surgem em catadupa, mas para não me alongar, quando surgir algum relato das actividades copofónicas da época, recordarei a frase do Flores: "o melhor gin que já bebi".
AH

Maria Do Rosário Pimentel disse (no Facebook):
Mais uma interessante e divertidíssima narrativa...do J.J. Parabéns!!!

Ana Braga disse...
Afinal, “as imagens difusas” referidas no início do post, vão adquirindo nitidez à medida que JJ desenrola a meada do “Austin da sangria e da viola”, e eis que surge mais uma estória em jeito de filme, onde as cenas aparecem à nossa frente, bem vivas, numa sucessão de peripécias irrepetíveis - porque só naquela idade se podiam viver tais coisas - relatadas com o humor e o ritmo habituais nos seus textos.

Nos recônditos da nossa memória, afinal, há sempre mais um tesouro guardado – e acho que isso acontece com todos nós. É por isso que, às vezes, dou por mim a pensar que o melhor filme da minha vida, se calhar, é “o filme da minha vida”, passando-se talvez o mesmo com as outras pessoas. Será?
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Luisa disse...
Estas histórias do J.J.diga ele o que disser, são sempre meticulosas e cheias de pormenores deliciosos como se ele as tivesse escrito dias depois de elas acontecerem!Já são 3 ou 4 nesta série,todas divertidas e com finais felizes- (embora talvez mais para nós que lemos do que para quem as viveu?).

As raparigas infelizmente não participavam nestas excursões.L
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Julinha disse...
Estou farta de rir ...! Um primo de uma amiga da namorada do Zequinha ...... namorada do primo de uma amiga do Zequinha !

Trocadilhos e mais trocadilhos,copos e mais copos, entrada e saída de oito meninos num Austin 1100 num estado...sabe-se lá como! Enfim oito criaturas a fazer diabruras, e quantas outras não teria havido, mas que os participantes estariam de tal maneira que não mais as vislumbraram nas suas mentes!!!

Mais uma estória relatada pelo João,o nosso amigo JJ, que me deliciou, não só pela estória em si,mas também pela maneira como a descreve. Embora já estejamos habituados,o facto, é que imagino-o com a "pena" a deslizar pelo papel(teclado),dum modo tão subtil que quase remontamos a essa época. Uma época que jamais se repete......e, sem entrar no saudosismo, imagino o que os autores se divertirão ao recordar todas essa aventuras, porque a mim divertiu-me à "grande e à......francesa".

Obrigada João por mais umas gargalhadas que fui "forçada" a dar...e que me souberam tão bem.

Bjs Júlia R

Ana Almeidasantos disse (no Facebook):

Isto é de mais... eu ainda não consegui parar de rir...

Obrigada JJ estava mesmo a precisar disto. :")))))))))

Nautilus disse...
Meu querido amigo

A vivacidade e a graça com que escreves dá mais cor às histórias.Parece que foi ontem e no entanto... esta é das que estão apagadas na minha memória mas vivemos tantas outras que dariam para um bom livro (evidentemente com personagens ficcionais...).

Ainda há pouco tempo, num jantar em casa da Guida Marques as aventuras explosivas (stritu sensu) das práticas de química, culinárias do café dos professores, canórico-anedóticas das aulas do Pe Renato e industriais (sabão Inácio) foram lembradas e invejei a memória da Guida (o que a Europa faz pelas pessoas!) para pormenores de que já não me lembrava .

Obrigado pela evocação (nem sei se nesta estava lá) e um abraço grande. Vitor


Libania disse...
Adoro as tuas histórias e a maneira de contá-las.O teu humor faz- me sempre rir.

You are quite a writer. :) Libania

Luis disse...
A festa foi em SALIR DE MATOS e não Salir do Porto.Um dia ainda conto como é que eu sei.

Fico admirado é como é que o JJ se lembra de alguma coisa,mas a chegada com a viola a casa é verdade e a família dele relata realmente essa desastrosa noite.

Grande post,grande blogue!L

Miguel BM disse...
Apenas me lembro que a festa referida neste post foi efectivamente em Salir de Matos e não em Salir do Porto.

Quanto ao percurso da mão do TZHipólito no bailarico em Sta Catarina, não posso acrescentar nada pois não me recordo de tal evento. MBM

Manuela Gama Vieira disse.

Há uns dias disse ao Jales que estas histórias me ficam na “retina” e se me lembro delas, até me rio sozinha…

“Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo”, diz o aforismo. As vossas divertidas mas, convenhamos, arriscadas surtidas, à revelia dos Pais, nunca acabaram “mal”, felizmente. Que mão vos conduzia, não sei...o que interessa é que vos acompanhava!

Em comum há sempre um carro desviado, um bailarico, umas miúdas às vezes belgas, francesas (e ainda na Europa havia fronteiras…) e um grupo de adolescentes incon(s)cientes - assim auto denominado pelo narrador - que conduzem sem carta, “subtraem” as chaves do carro aos Pais, à Avó…verifico, contudo, que em todas há uma componente muito autêntica! A camaradagem, a cumplicidade e o espírito de entre ajuda entre todos, na medida do “estado” de cada um, atentas as circunstâncias etílicas…e outras, como ter de fugir à pressa de uma aldeia enfurecida com as “modernices” dos meninos vindos da cidade.

Há quanto tempo não ouvia falar de sangria ou de cup. Umas bebidas muito agradáveis e bem apaladadas, se bem confeccionadas. A que vos calhou, era um bocado feita a martelo….Este “espírito de corpo” mantém-se, a avaliar pelos comentários. Um não tem a certeza se lá estava, outro não viu mão nenhuma em lado nenhum (devo dizer que aquela da mão esquerda e da mão direita me obrigou a pensar, não estava a ver bem o filme…de quem era a mão esquerda, de quem era a direita…).

Penso que estas aventuras (e… desventuras, Jales, lá calhava a tua Mãe acordar) foram os elos que construíram as correntes de amizade que não se quebraram e vos mantêm unidos até aos dias de hoje.

Quanto aos teus dotes literários já nem digo nada, um quente e amigo aplauso!Obrigada, Jales.

MManuela

Laura Morgado disse (no Facebook):
Mais uma vez....Parabéns, João.És um bom contador de estórias.Adoro ler o que escreves. A tua escrita transmite alegria e isso é fantástico.