ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Na esplanada do parque ao fim da tarde.

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Fernando Figueiredo possui aquele jeito singular do contador de histórias.Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular.Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto. Por vezes parece que o andar se desviou do caminho, mas não. Tratou-se apenas de uma pequena paragem destinada a ganhar fôlego para a etapa final. Ao fim da tarde, na esplanada do Parque, na sua voz grave evoca as passadas largas do seu irmão, a quem se refere simplesmente como “o padre”. Sorrimos, enternecemo-nos, sofremos, revoltamo-nos, julgamos adivinhar as perplexidades e os entusiasmos, nas gestos e nas palavras do Fernando, do “padre”, do Padre António Emílio.

Não sei se o Fernando tinha alguma intenção precisa, para além de nos desvendar um pouco da outra história desse padre que marcou gerações de caldenses. Mas o eco que nos quis transmitir, se interpreto bem, é o de alguém que sempre se viu como aquele que ajuda a encontrar caminhos, aquele que dá passagem.

O debate sobre os sinais que queremos deixar nas esquinas da cidade não é um debate ocioso. Objectei à atribuição que a Assembleia Municipal fez de um fragmento de rua ao nome do Padre António Emílio, em termos de uma racionalidade epidérmica.

Uma outra perspectiva é possível, no entanto. O que Fernando Figueiredo me fez ver foi que o local indicado para inscrever na cidade o nome do “padre”, mais do que uma rua ou uma avenida ou uma praça, é uma ligação entre espaços, um traço de união, uma passagem. Aquela que a Assembleia decidiu, sem o saber, é afinal tão boa como qualquer outra.

João Serra
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C O M E N T Á R I O S


15-06-2008
Belão disse:
Ainda lá estaria a esta hora, não fora o adiantado da hora e também os compromissos previamente assumidos. Que maravilhoso fim de tarde passámos na esplanada do parque com o Fernando Figueiredo!
Confesso que antes de o ouvir partilhava da maioria das opiniões, no que se refere à localização da futura Rua Pe.António Emílio. Mas o Fernando falou, falou, contou, explicou,... e nós, os presentes neste agradável fim de tarde, ouvimos, questionámos, sorrimos... ficámos a conhecer um pouco mais do "padre" e sobretudo do Homem. O suficiente para não mais questionar a localização/dimensão da rua.
Um beijinho,Fernando.
Belão
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15-06-2008
João Ramos Franco disse:
Na verdade, João Serra, o teu testemunho sobre o vosso encontro com o Fernando Figueiredo fala-nos do que ele é: ele "Possui aquele jeito singular do contador de histórias. Cada um de nós julga adivinhar nas suas palavras um sentido particular. Quando termina, é em nós que elas continuam o seu trajecto".
Já depois de ter comentado a localização da Rua Padre António Emílio, peguei no telefone e falei com o Fernando sobre o assunto. Claro que ele me deu a sua opinião e eu acabei por concordar com ele. No entanto nada disse e esperei fosse ele a dizer alguma coisa.
É para mim um privilégio ter entre os meus “Amigos” o Fernando Figueiredo. O nosso companheirismo, desde alunos do ERO até trabalharmos na mesma instituição, permitiu-me conhecê-lo bem. Ao longo deste anos temos conversado muito. Habituei-me a encontrar nele o equilíbrio para o ponto certo que eu gostaria de atingir.
João Ramos Franco
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18-06-2008
Fernando Figueiredo disse:
Amigos:
Sou eu que vos estou grato pelo bom bocado que passei convosco... e, mais do que isso, pela paciência de me escutarem. Fiquei muito contente porque perceberam a minha mensagem.As fotos estão óptimas... a Guidó é uma artista!... Parabéns.
Só que fizeram de mim uma espécie de protagonista desta história toda... coisa que não desejo nem nunca quis assumir.O verdadeiro protagonista, pelo que representou e representa para todos vós e para nós também, é e será sempre o meu irmão, Padre António.Mas fiquem certos ... ele está presente em todos estes momentos...
Abraços, FF

A Rua Padre António Emílio

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Deu o Blog, em primeira mão, a notícia da votação na Assembleia Municipal da atribuição do nome de Padre António Emílio à rua que une o Hemiciclo João Paulo II à Miguel Bombarda, por trás da Igreja Matriz.

Embora não tivesse exprimido pessoalmente qualquer opinião sobre o local escolhido, rapidamente vários colegas apontaram três ordens de razões para não apoiar a proposta:

1- A rua tem nome, já que é o final da R. Coronel Andrada Mendonça.

2- Mesmo que não seja assim considerado, a rua quase não existe, quer pela sua pequena dimensão quer porque as edificações surgidas de ambos os lados a desfiguraram e tornaram pouco mais que uma passagem.

3- A figura do Padre António Emílio está ligada à construção do Externato Ramalho Ortigão e não da Igreja Matriz, pelo que deveria ser escolhido uma artéria na zona onde o Colégio foi edificado.

Confesso que os argumentos me pareceram racionais e procedentes.

Mas outros colegas, que curiosamente não escreveram a sua opinião, contrapuseram que o local é muito central e de passagem para muita gente. Por outro lado o Padre António Emílio assistiu à construção do edifício da Igreja, com o qual, sendo padre, estava relacionado.
Finalmente o Fernando Figueiredo, num magnífico fim de tarde no Parque (que o João Serra tão bem descreve), veio-nos relembrar que a figura do "padre", o seu irmão, nada tinha a ver com estas questões e ultrapassa os vulgares espaços físicos em que se centrou a discussão. Que fique esta a Rua Padre António Emílio, não quero discordar dele.

JJ

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MENSAGEM DO PADRE XICO





Padre Francisco Duarte dos Santos
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Bom amigo Figueiredo Lopes
e todos os Amigos das Caldas
(em especial ex-alunos do ERO)

Antes de mais as minhas melhores saudações para si, Figueiredo Lopes, pelos justíssimos louvores que os Caldenses lhe prestaram. Associo-me de todo o coração, por todas as razões e pela velhíssima amizade que nos une. Tive muita pena de não estar presente nesse almoço, mas as actividades ao sábado ou ao domingo para os padres são fatais, nunca dá, estamos sempre presos. Mas tenho esperança que um dia mais livre destes compromissos possa satisfazer esta sede de vos abraçar.

Tenho seguido, diariamente, a abundante e variada conversa que o Blog nos envia. É fantástico como estas técnicas permitem uma tão fácil e rápida comunicação. Já não nos podemos lamentar da distância ou do isolamento. Tem sido para mim um extraordinário recordar de velhos tempos. Tenho pena de já não me lembrar de muitos nomes, e muitas caras-- como estão mudadas!-- também já não as identifico. A memória começa a fraquejar muito cedo e os anos de separação já são muitos. Deixei-vos há 35 anos.

Tenho tido vontade de também partilhar convosco algumas das minhas memórias desse tempo, mas o vagar tem sido pouco, e o que mais vos queria contar não é para mim muito agradável --- o fim do colégio que era o que faltava às vossas histórias. Foi o pior que tive de suportar nos 9 anos que aí estive. Nos últimos três anos muito lutei com outros responsáveis do Ensino particular para que este tivesse outro contexto no panorama do ensino em Portugal. A sua subalternização era humilhante, injusta e desumana. Essa mudança só veio a acontecer depois do 25 de Abril. Não podendo fazer nada, apesar das promessas de Veiga Simão que nunca se chegaram a concretizar, a vinda do Ensino Oficial para as Caldas era, na altura, a melhor solução para os alunos e para as famílias. Dei todo o meu apoio para que os alunos pudessem passar, sem prejuízo, para a Secção do Liceu de Leiria nas Caldas. Mas isso seria, inevitavelmente, a sangria do Ramalho Ortigão. E assim foi. Por isso, e só por isso, dolorosamente, pedi para sair das Caldas. Era um funeral que eu não queria fazer. Vim para Lisboa, para a Ajuda, onde ainda estou. Como gostava de ensinar, e tinha tempo para isso, fui para o Ensino Oficial como fizeram todos os colegas que leccionavam no Colégio. Mas a primeira Escola -- o ERO-- ficou sempre gravada.

Muitas coisas podia ainda contar, mas não vos quero massacrar.

Quero, finalmente, agradecer as mensagens de parabéns pelos meus 70 anos que tiveram a amabilidade de me enviar com o apoio do Blog. A todos um grande abraço de muitas felicidades.

P. Xico
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C O M E N T Á R I O S

Saúdo a primeira mensagem que o Blog recebe do último Director do Externato Ramalho Ortigão. Não poderia haver melhor tema para estas primeiras palavras do que a figura do nosso professor António José Lopes.
Fico, no entanto, com a curiosidade desperta para saber mais sobre estes três últimos anos do ERO, um capítulo que está em falta na nossa história do Colégio. E quem melhor para a contar do que o Padre Xico?
Sei que o nosso antigo Director tem muitas fotografias desse tempo, já que era das poucas pessoas da época que se fazia acompanhar regularmente de uma máquina. Se em relação a um texto sobre os últimos dias do Colégio compreendo que as tarefas do dia-a-dia o tenham atrasado, em relação a essas imagens ofereço-me desde já para as ir buscar ao local e à hora que o Padre Xico indicar. Sei que o prazer de as partilhar com centenas de antigos alunos através do Blog justificará o seu esforço para as disponibilizar. Nós trataremos da sua digitalização.
Obrigado pela sua intervenção neste espaço. Um abraço.

JJ

16-06-08
João Ramos Franco disse:
Penso que não me competiria ser o comentador da sua mensagem, já que não era aluno na sua época, mas as suas palavras amigas tocaram-me e o final do ERO é uma dor comum e a sua vontade de partilhar velhas histórias é um modo de dizer que está presente.
Sou Antigo Aluno ERO, faço 66 este ano, tendo para mim que toda a história do Externato Ramalho Ortigão é do interesse de todos. Li nas suas palavras: “Foi o pior que tive de suportar nos 9 anos que aí estive”, que gostaria de ler no Blog a realidade de quem os viveu.
Sei Padre Xico quanto é difícil falar daquilo nos dói mas penso que muitas vezes temos que nos sacrificar em prole do conhecimento. Se a partilharmos a dor, ela torna-se mais leve. João Ramos Franco

16-08-2008
Vasco disse:
Obrigado Pe Xico pela primeira (de muitas, espero) intervenções no nosso blog. Partilho com o João a vontade de "tratar" as fotos que tiver a amabilidade de disponibilizar para que avivem memórias e relembrem estórias que provavelmente estão esquecidas. Quando o João se disponibilizou para ir buscar as fotos esqueceu-se de se disponibilizar para as devolver, por isso posso assegurar desde já a sua devolução :-)
Mais uma vez agradeço o contributo, que muito me alegrou, aguardando ansiosamente por novos episódios. Um grande abraço VB

Mensagem de A J F Lopes

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No computador da Elisa conseguimos ler a maioria, se não todas as mensagens. Penso que todas. Por vezes foi como entrar numa máquina do tempo e recuar para a década de 60/princípios de 70, recordando algumas situações que a vida complicada e intensa que se seguiu tinha apagado temporariamente da minha memória.
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Não sei como agradecer tantas e tão agradáveis referências vindas de tantos (elas e eles) e algumas de muito longe. Eu sei, todos sabemos, que o passar do tempo tende a esbater o menos agradável e a conservar o mais agradável. É por isso que algum desconto tem que ser dado a tantos comentários positivos quer dos que estiveram presentes, quer dos que me telefonaram (e vários o fizeram), quer dos que se exprimiram através da NET.
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Gostaria de voltar a agradecer a todos pessoalmente, principalmente aos que me chegaram através da NET e não estiveram presentes no nosso tão agradável almoço. Senti que valeu a pena ser professor, que valeu a pena o esforço e valerá sempre a pena qualquer esforço se isso contribuir para ajudar a formar, por um pouco que seja, os alunos (mais tarde amigos) com que convivemos diariamente, durante uma período especialmente sensível das suas vidas.
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Um agradecimento muito especial ao culpado do costume, o João Jales (não sei quem foram os cúmplices), ao Zequinha P. Silva pelo seu discurso, e pelo compêndio de desenho de 1868 (que espectáculo), que me ofereceu pessoalmente, ao Mário Gonçalves pelo seu discurso de amigo de sempre, e às amigas e amigos dos tempos idos da minha juventude, cuja amizade sempre se manteve ao longo da vida e que me deram a grande alegria de estarem presentes.
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Os livros que me ofereceram serão a recordação perfeita de uma tarde para mim inesquecível. A todos um grande abraço.
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António J. Figueiredo Lopes
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Nota: No artigo abaixo estão links para três álbuns com mais de trezentas fotografias do encontro, a maioria delas já legendadas.

O almoço de homenagem e as fotografias


Realizou-se hoje, dia 7 de Junho o almoço com que amigos e antigos alunos quiseram homenagear António José Figueiredo Lopes. O pretexto foi a atribuição da Medalha da Cidade no passado dia 15 de Maio, mas o verdadeiro motivo da homenagem foi a personalidade do homem e do professor.

Estiveram presentes mais de sessenta pessoas num convívio muito animado, em que até as condições climatéricas ajudaram, já que um magnífico dia de sol interrompeu duas semanas de uma invernia tardia.

Três discursos, do aluno Zé Manuel Pereira da Silva (num tom “náutico”), do amigo Mário Gonçalves (num registo inesperadamente “traquinas”) e do homenageado (entre o comovido e o jovial), foram devidamente saudados e aplaudidos por todos os presentes.

As recordações oferecidas pelos convivas foram essencialmente constituídas por livros, mas “brilhou” uma caricatura da autoria da São Caixinha.

As fotos podem ser vistas e descarregadas nos três álbuns abaixo, basta clicar sobre eles para os abrir. Podem ver e fazer download das que vos interessarem. Quem quiser cópias em papel a partir dos originais, em melhor qualidade, pode contactar a Margarida Araújo, directamente ou através do Blog.

Durante o Almoço