ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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O PADRE QUE ERA UM BOM PROFESSOR (a propósito de O Respigador)

por João Jales

Jantar de professores, Natal de 1964







Como disse no meu comentário, o texto do João Serra é magnífico, conseguindo retratar perfeitamente alguém tão complexo como o Padre Renato a partir de um episódio aparentemente tão simples e pueril. E fazendo com que esta avalanche de recordações se tenha abatido sobre mim ao lê-lo.

Tive o Padre Renato como professor de Canto Coral, Português e Desenho. Foi sempre um professor empenhado e preocupado com o resultado da sua acção pedagógica, chegando a fazer verdadeiras aulas de recuperação, ou reforço, destinadas aos alunos interessados, ao Sábado à tarde, no Colégio. Perseguia os seus alunos de Latim do 7º Ano para lhes dar explicações em casa e nos Cafés, mas isso espero que sejam eles a contar.

Era pessoalmente uma pessoa estranha e imprevisível, como o João tão bem descreve, capaz de mudar subitamente de uma beatitude quase infantil à mais incontrolável das fúrias. Lembro-me de aulas interrompidas a meio, com alunos a sair da sala pelo ar (quando foi a minha vez de voar entre a 3ª fila e o corredor, a porta estava felizmente aberta), livros de ponto rasgados ao meio, os seus óculos e canetas violentamente esmagados em cima da secretária. Mas quando estes objectos eram repostos por alguns encarregados de educação que, conhecendo os filhos, sabiam que a culpa não era só do Sr. Padre, ele ia à Tália ou ao oculista trocá-los por similares mais baratos e usava o diferencial com os pobres e a Igreja de Tornada. Tentou fazer isso com um sobretudo comprado na Góia por algumas mães de alunos, numa colecta organizada na Zaira (não, não era só um ninho de víboras). Foi avisado o Adelino e, quando o bom do Padre tentou trocá-lo por algo mais barato, foi informado que o sobretudo não fora lá comprado, tinha seguramente vindo de Inglaterra e não podia ser devolvido. Usou-o duas ou três vezes, convencido pelo Padre Xico que seria uma afronta não o fazer, mas acabou, no ano seguinte, a agasalhar um pobre seu protegido.

Os seus dotes de hipnotizador eram inegáveis, várias vezes o vi exercitá-los no recreio do ERO. Vi um colega beijar uma coluna convencido que era a sua mãe, outro de gatas julgando-se um cão e outro ainda, convencido que era já de noite e estava atrasadíssimo no regresso a casa, ficar indescritível e genuinamente aflito. Um episódio em que um garoto, julgo que em Tornada, durante uma sessão destas atravessou inadvertidamente a estrada, arriscando-se a ser atropelado, levou o hipnotizador a reduzir muito a sua actividade. Foi ele próprio que me relatou este incidente.

No Canto Coral eu e o Miguel Bento Monteiro tivemos o mesmo destino do João Serra, absolutamente proibidos de emitir um só som enquanto a turma cantava. Tinham lugar estas aulas no anfiteatro, ao fundo do corredor do 1º andar. Chegámos ambos a tentar cantar o nosso melhor, muito baixinho: mal começávamos, uma mão descontrolada deixava de marcar o compasso e batia furiosamente no tampo de pedra! O ouvido do Sr. Padre Renato não suportava as nossas melhores tentativas, por mais que nos esforçássemos e lá vínhamos nós passear até ao recreio, normalmente enfiados pelo Sr. Ulisses na Sala de Estudo, onde medíamos forças com a D. Dora para ver quem perdia a paciência primeiro. Ela era um adversário duro, não ganhámos sempre.

Soube depois que as nossas duas notas de Canto Coral eram depois “negociadas” nas reuniões de turma no fim do período, na base da média das restantes notas de cada um de nós. A obtenção de 14 ou 15 valores numa disciplina onde nada fazíamos era motivo de indignação entre alguns colegas que cantavam afanosamente todas as aulas para obterem notas iguais ou mais baixas…

Nas aulas de Português do 4º Ano fomos sujeitos a um curso intensivo de Latim, mas por culpa nossa, claro. Bastava perguntar “oh Sr. Padre porque é que se escreve esta palavra assim?” ou “porque é que este verbo se conjuga assado?” para garantir uma aula sem problemas até ao toque final. O único que se podia queixar era o responsável pela limpeza do quadro, que tinha depois que apagar declinações e evoluções fonéticas e semânticas sem fim. Eu, o Flores, o Zequinha e o Vítor Gil ensaiávamos pequenos sketches com anedotas que representávamos nessas aulas, numa iniciativa de dinamização da sua hora lectiva que contrastava com a mortal agonia das aulas de História do Padre Albino, por exemplo.

Finalmente as aulas de Desenho à Vista, no 5º Ano, onde o Sr. Padre conseguiu que eu obtivesse dezasseis no exame final! Habituado toda a vida a ver gabadas as minhas mesas e cadeiras quando tentava representar vacas e cães, a minha nota foi um resultado notável …. do professor! Quem já viu qualquer desenho meu sabe bem o milagre que aquela nota significou. Foi aqui que aproveitei as suas aulas de Sábado à tarde, na sala contígua à sala dos professores, aprendendo a desenhar, e depois a pintar e sombrear com lápis de cera. Claro que alguns roubavam os seus cigarros, Português Suave sem filtro, e fumavam à janela, outros fugiam a meio para ir jogar para a Mata, aproveitando uma tarde em que a família não colocava grandes problemas de horários, visto teoricamente estarmos no Colégio (difícil explicar por vezes como arruinávamos umas calças ou uns sapatos a desenhar, mas a imaginação juvenil e a paciência maternal não têm limites…). E o Padre Renato, passadas as momentâneas fúrias, tudo perdoava.

Um homem bom, dos melhores que conheci, o Padre Renato.

J J
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COMENTÁRIOS
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Ana Carvalho disse.
João mais uma vez provaste que és um excelente escritor! vá, escreve lá um livro! Ainda me lembro das aulas de canto coral do Padre Renato, tambem eu tinha de ficar calada, mas era dificil conter o riso, de vez em quando lá ia para a rua. Lembro-me perfeitamente das anedotas que se contavam na aula de português contigo, com o Flores, Miguel Bento Monteiro .. o Padre Renato adoravava-vos, ainda me lembro de um dia em que o puseram no meio da sala com um livro na mão com três bocados de giz em cima e vocês andavam à volta dele e riscaram-no todo nas costas...o que ele ria. Grande homem que era o padre Renato tenho boas recordações dele lembro-me dele com muito carinho e saudade.PP
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Ana Nascimento disse:
(....) Tu escreves muito bem, Joãozinho… estás sempre a surpreender-me … agarras-nos à leitura…. como é que não tens um livro ???? MISTÉRIO !!!!!! pode ser que esteja na forja !!!!! espero bem que sim….
Escrevi umas linhas, sem qualquer pretensão senão a de recordar um homem que de facto se despojava de tudo quanto era material e dava tanto de si para que os seus alunos brilhassem e crescessem com valores de vida.
NOTA- As linhas que a Ana escreveu serão também um artigo aqui no Blog, logo que possível. JJ
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Isabel Esse disse:
Mas será possível que naquele colégio fossem todos duros de ouvido???Estou a brincar,o sr padre é que era muito exigente e eu ainda me lembro naquela altura de ser motivo de risota o João tentar cantar qualquer música!!!Era uma desgraça incompreensivel.Pelo contrário a escrever é fantástico,os textos e memórias fazem-me reviver aqueles anos como se fosse ontem.....e o sr padre Renato merece esta qualidade
Parabéns...e continua!!!
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Isabel Knaff disse:
Gostei muito de ler o teu texto! Que memória que tu tens... trouxe-me novamente recordações...imagina que "vi " logo o Padre Renato a fumar o seu "português suave" e o jeito que ele dava aos lábios depois de expirar o fumo, os dedos queimados de nicotina ...a voz profunda...até o cheiro do cigarro parece que ficou no ar!
E já agora que a pergunta foi feita, aproveito para a 'sublimar'... entre tantas hipóteses de "cantores", não houve ninguem que "vingasse"???Um que fosse já satisfazia a minha curiosidade...
Desconhecia que o sr. Ulisses é que vos dirigia à sala de estudo...é ...ele sempre foi bom a executar acções do género, mas credo,tambem não tinha que exagerar ...entregar-vos à D.Dora!!!Esta série dos professores é tão interessante... vai buscar um bocadinho do passado que vivemos em comum!
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Júlia Ribeiro disse:
Eu bem te digo que devias escrever um livro,porque não?
Lê-se sem qq esforço,prende a atenção,vamos até ao fim! Olha que terias sucesso !
Está (não consigo exprimir por palavras)uma maravilha,talvez,mas não gosto desta palavra...olha,IMAGINA!Bjs

Júlia

Jorge disse:
esta série promete, se toda a gente desatar a escrever assim sobre todos os professores. o Padre Renato a respigar e hipnotizar, a filha da Isabel(é mesmo Renata!?) as aulas dele e as suas fúrias, como tu descreves, tudo, como a ti,me trouxe memórias.abraço
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Luís disse:
Este foi o homem mais extraordinário que conheci no colégio,partilho convosco todos os elogios.
A qualidade dos posts continua alta,e o retrato da São é muito bom.O texto do João Serra fala do bricalhão,o da Isabel do homem com coração de ouro e o teu do professor querido de todos.
será possível escreveres tão bem sobre outros professores?Ou até nisso o Padre Renato teve culpa,como no teu desenho do 5º Ano? Luis
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J. L. Reboleira Alexandre disse:
Seja neste, seja no blog da Escola, o Padre Renato está sempre presente. Nestes dois sítios já passaram todo o tipo de manifestações de apreço que todos nós temos, tivemos a seu respeito. Eu por exemplo já referi que adorava parar a bicicleta que me transportava para a Escola, no cimo da longa (na altura) subida dos moinhos do Chão da Parada, e ficar a admirar os seus trabalhos de aguarela enquanto ele pintava. O meu primo Louro, refere orgulhosamente ter sido por ele casado em Tornada, e guardar religiosamente umas telas que ele lhe deu na altura. Todos relembramos a dificuldade que tínhamos em fazer sair um qualquer som válido das nossas vozes. Será que no meio de todos aqueles potenciais cantores haveria afinal alguém que não desafinasse?
Mas por vezes a sua existência de pároco duma aldeia com jovens rebeldes (a juventude e adolescência ontem como hoje, são períodos dificeis para quem os vive)como era na altura o Chão da Parada deu-lhe razões mais que suficientes para se zangar. Uma noite de Inverno estava ele dando o terço (se a memória não falha à noite chamava-se terço e a missa era de dia em Tornada) lá na terra, e como de costume, a sua inseparável Vespa ficara encostada à parede da porta de entrada. O que tinha de acontecer, aconteceu. Quando a missa acabou, os pneus estavam furados e não sei como se processou o seu regresso a casa, no meio da escuridão de uma aldeia que nem electricidade tinha.
Na altura todos riram da desgraça do pároco. É que lá na aldeia nenhum rapaz assistia ao terço, nem esperavam à saída do mesmo, pois as garotas também não iam.
Até hoje nunca soube quem foram os autores da «gracinha». Ele não merecia, mas enfim, quantas partidas deste género teria sofrido ao longo da sua longa vida de padre de aldeia ?
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Inês disse...
omnia vincit amor, o amor vence tudo [dic. Porto Editora]
Belíssimo este amor vestido de palavras. Belíssimo, JJ
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O PADRE QUE CONTAVA ESTÓRIAS

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Padre Renato, desenho da São Caixinha
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Mais uma entre as muitas diversas e fascinantes facetas do Padre Renato, no maravilhoso texto do Bonifácio.
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Tive oportunidade de relembrar com saudade as aulas de desenho, até mesmo aquelas em que ele não estava nos seus melhores dias!
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Relembrar também a fascinante capacidade de hipnotizar alguns, e as sempre muito por mim esperadas aulas de canto coral.Esperadas e não pelos meus dotes vocais, porque nesses, podia fazer um dueto com o Bonifácio...era sim pelo talento que o Padre Renato tinha de contar estórias . Nos últimos 15 minutos da aula erámos premiados com um episódio que se seguiria na próxima aula!Como ele conseguia manter uma classe de "ruidosos"adolescentes presa naqueles enredos tão simples e cativantes que não se ouvia nada mais que a sua voz , é para mim até hoje um mistério!
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Personificava o "Zé Manel", rapagão da aldeia, bem humorado e apaixonado pela rapariga dos seus sonhos.Personificava tambem e na perfeição a menina em questão, desde os requebros de voz e coquetteries femininas próprias que acompanhavam o gesto de olhar para as unhas enquanto dizia algo mais ousado, ao pestanejar, entre outros... Prosseguia depois vivendo todos os coloridos personagens, que com muito humor e muita expectativa, nos deixavam sempre com pena que a lição de canto tivesse chegado ao fim.Nunca percebi se ele criava os diálogos na altura, o facto era que pegava sempre o assunto na lição seguinte, onde o tinha deixado.Genial!
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Há tanto para dizer sobre o Padre Renato que é dificil fazer um" resumo" de memórias! Um homem muito especial que tive o privilégio de ter como professor.
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Só mais esta ...quando a minha filha nasceu foi visitar-me à maternidade do hospital das Caldas. Ficámos ambos muito surpreendidos, eu pela inesperada visita, e ele pelo nome da bébé - Renata.
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Isabel Caixinha
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COMENTÁRIOS
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Isabel Xavier disse:
Lembro-me bem das histórias que o Padre Renato nos contava e que a Isabel Caixinha aqui veio revisitar num texto tão ternurento. Eram histórias com um fundo moral e de transmissão de valores: se o protagonista comprava um carro, era um modelo muito simples por fora, mas de muita qualidade quanto ao motor. E é verdade, tinha uma mímica muito expressiva: pestanejava, muito dengoso, quando "fazia de rapariga"!
Um dia propôs-nos um novo sistema de comunicarmos, com maior economia de palavras; por exemplo, se quiséssemos que alguém acendesse a luz, deveria dizer apenas: "fogo"!
À Isabel foi visitá-la ao Hospital quando ela teve a filha; quanto a mim, tocou órgão quando casei e baptizou o meu filho, derramando-lhe tal quantidade de água por cima, que eu temi que o bébé se afogasse ali mesmo, à minha frente.
Obrigada, Isabel, por estas recordações, que vivemos em conjunto. Saudades e um beijinho.Isabel Xavier
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JJ disse:
Sim, o texto da Isabel mostra a grande ternura que ela e todos quantos conviveram com o Padre Renato por ele sentiam. A descrição da forma como ele contava a estória, os gestos, as poses, é realmente um momento de inspiração da autora.
A excelente ilustração torna esta colaboração familiar particularmente tocante. O nome da bébé é um final de Hollywood, mas ainda por cima é verdade!
A Isabel promete voltar a esta série, ficamos à espera.
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Isabel Esse disse:
Quanto a mim,talvez por estar ligada à imagem,penso que não foi suficientemente salientado o magnífico desenho da São,de que se desprende uma grande humanidade e bondade,tão características do Padre renato.Embora o traço seja bom,a alma do retratado está lá,e isso é ainda melhor e só os artistas o fazem!!!PARABÉNS

O RESPIGADOR

por João Bonifácio Serra


Por vezes vinha até ao recreio dos rapazes, no intervalo grande da manhã, e logo se fazia um pequeno ajuntamento em seu redor. Metade oferecia-se, com excitação mal contida, para ser hipnotizada; a outra não queria perder pitada do que se ia passar, embora receasse intimamente uma operação cuja metodologia ignorava. Com o tempo, o Padre Renato – é dele que estou a falar – tornou-se mais prudente, depois de um ou outro episódio de hipnose mais atribulado, e só aceitava candidatos cujo comportamento ao efeito do seu dom era previsível.

Eu tinha com aquele padre especial uma relação complexa. A minha inaptidão para o canto era de tal monta, que ele se vira forçado a dispensar-me das suas aulas. O seu ouvido acurado sofria tal alteração com os ruídos que eu emitia que o Padre parava abruptamente com um olhar sobressaltado, de imediato a turma se desconcentrando, a meio do ensaio. Em contrapartida, eu sentia admiração pelo seu saber e um misto de fascínio e temor pelo seu feitio algo truculento e o gosto pelos enigmas. Topava-os com um semblante carregado e olhar misterioso, em todo o lado e por vezes transmitia claros sinais de inquietação, como se perigos insuspeitos espreitassem os seus própios passos. Percebia-se que as suas relações com o Padre Albino não eram fáceis e a tensão parecia, às vezes, querer extravasar.



Quando o grupo se formava, eu aproximava-me discretamente, para espreitar por cima do ombro dos da frente e vê-lo fazer ou dizer coisas surpreendentes. Naquele dia, o Padre Renato esperou que a roda se desfizesse, abriu caminho na minha direcção e interpelou-me directamente: ouve lá, ainda haverá uvas nas vinhas do teu Pai? A pergunta deixou-me perplexo, mas respondi: Não senhor, a vindima já acabou. De facto, entráramos já pelo Outubro, as vindimas eram feitas nas duas ultimas semanas de Setembro. O padre insistia: mas ficam sempre uns cachos pequeninos nas videiras. Oh, senhor Padre, a minha mãe costuma pendurar cachos de uvas no celeiro e duram até ao Natal. Não, retorquiu, com impaciência: o que queria era mesmo ir ao rabisco, apanhar as uvas que sobrarm da vindima.

Eu estava literalmente atónito. Sim, balbuciei, quando quiser. É hoje, disse. A que horas sais? E logo ali o Padre Renato marcou a hora de partida.

De modo que quando a minha Mãe me viu aparecer, a cavalo na motoreta do Padre Renato, duas horas mais cedo do que se viesse de camioneta, temeu o pior. Ai, Sr Padre Renato, que fez o meu filho? Vamos ao rabisco, comuniquei eu todo lampeiro, enquanto o Padre encostava a motoreta e sacudia o pó do fato preto. Tinha pensado começarmos aqui pelo “vale da vaca”. E lá fomos pela encosta acima, o Padre entusiasmando-se como uma criança sempre que descobria por baixo das folhas avermelhadas duas ou três uvas quase a atingir a condição de passas.


JBSerra

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COMENTÁRIOS


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João Ramos Franco disse:
Os textos do João Serra têm um valor que é indiscutível e até me fazem recordar factos passados no ERO. Lembro-me bem dos hipnotismos do Padre Renato:
Eu e o Rainho, que na altura tínhamos o estatuto de assistentes no 5º ano Secção de Ciências, algumas vezes juntávamo-nos ao grupo dos hipnotizáveis, para desfrutar a cena, e até uma vez me ofereci voluntário para o ser, claro que ouvi uma resposta, extensiva também ao Rainho:
-Vocês hipnotizáveis já não são e no Canto Coral também já tenho os suficientes para desafinar.
E lá nos fomos, lembrando-nos que tínhamos 17/18, e que já não éramos meninos.
Obrigado João Serra pelo reavivar da minha memória,
João Ramos Franco

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Isabel Xavier disse:
Fico feliz por ser o Padre Renato quem inaugura esta nova fase do blog. O João Serra dá dele a imagem certa e a mim agrada-me particularmente esta história. Não é dificil imaginar a sua genuína alegria e espanto de cada vez que encontrava uvas para respigar. Respigar é em si mesmo um acto poético, uma espécie de jogo de busca e encontro e de encantamento também. Foi tema que artistas trataram em tela e no cinema com altíssima beleza.
O Padre Renato era um Homem Bom, sem qualquer interesse por bens materiais ou qualquer tipo de ambição pessoal que ensombrasse essa Bondade. É a única pessoa que eu acredito piamente ter possuído capacidades extra-sensoriais (chamemos-lhes assim à falta de melhor expressão), às quais o texto também faz justa referência.
Agradeço ao João Serra, do fundo do coração, ter partilhado connosco esta belíssima história que viveu com o Padre Renato, de quem eu tanto gostava.
Isabel Xavier


João Jales disse:
O texto do João Serra é magnífico, retratando com grande mestria alguém tão complexo como o Padre Renato a partir de um episódio aparentemente tão pueril.
Só pela profunda impressão que me causou se explica que uma avalanche de recordações se tenha abatido sobre mim ao lê-lo, originando um texto, que já não é só um comentário, e que publicarei a seguir.

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Zequinha Pereira da Silva disse:
Li o excelente texto do João Serra e nem sabes a pena que sinto de não ter tempo para estas contribuições. Pessoalmente gostava de poder deixar testemunho sobre vários profes...o Lopes, o Serafim, o Pe Renato, a Super...sobretudo estes. Este assunto é de tal forma importante, na perspectiva de um autêntico acervo documental e memorial para a história do ERO, que proponho que se constitua, no âmbito do blogue, como uma "secção" permanente. Isso deixa-me o conforto de pensar que, mais tarde ou mais cedo, vou poder deixar a minha contribuição...
Abraço.
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São Cx disse:
Acabei de ler o excelente texto do João Serra sobre o Sr. Padre Renato e foi com alguma surpresa e nostalgia que me senti transportada ao passado! Já não me lembrava dessa faculdade dele de hipnotizador, que eu de longe também abordava com um misto de curiosidade e respeito! Sim como professor de canto coral e das dificuldades de fazer a classe cantar em 3 vozes... (será que é assim que se diz!!), mas sobretudo como professor de desenho. Acreditava mais na minha aptidão para o desenho do que eu própria alguma vez acreditei e foi para mim sem dúvida o incentivador número Um que incansávelmente soube motivar-me a querer fazer sempre melhor. Repetia-me o seu conselho favorito de manter a humildade, tinha sempre uma palavra de encorajamento e chegou a pôr ao meu dispor os seus materiais para me iniciar em paisagens em aguarela.
Realmente devia conhecer bem a região, como o texto do João Serra indica. O sonho dele era um dia poder levar-me para desenhar no campo, dizia, e o que o impedia de o realizar eram apenas "as más línguas"! Eu ficava em silêncio, na convicção que tal aventura seria muito possívelmente apenas uma pesarosa perca de tempo...e realmente nunca aconteceu!!
Recordo-o com enorme reconhecimento e carinho! São CX

Júlia Ribeiro disse:
Excelente ideia, começar esta série pelo Padre Renato! Quase todos os que passaram pelo ERO se lembram, com certeza, do P. Renato com a sua motoreta? Ou lambreta? Mesmo quem o não teve como professor.
Ele foi talvez meu professor de canto coral nos últimos anos, mas eu sou como o João Serra, nem a 3ª voz conseguia fazer e tenho essa amnésia pois fiquei logo dispensada de cantar no meu 1º ano e ainda hoje esse trauma me acompanha!!!!!
Mas estou a vê-lo, no nosso recreio, quase a entrar pela casa de banho à procura das suas meninas do Latim, a Isabel V Pereira, a Pilar e a sua Fátinha (a Fátima Rosado Pereira, que ainda não deu sinal de vida....onde andará ela?).
E que bom recordar a sua faculdade de hipnotizar, já não me recordava mas, quando li, imediatamente me imaginei no local da mata em que o vi fazê-lo; mas saber a quem, isso seria pedir demais....
Com a sua maneira muito especial, mas engraçada, de ser, era uma excelente pessoa.
Resumo numa só frase: ERA UM HOMEM BOM.

Laura disse:
Já agora aproveito para dizer que o rapaz que a Júlia viu hipnotizar na mata, e do qual não se lembra, era o Xico Elias, primo do João Elias (este não foi aluno do ERO).

FOI HÁ UM ANO ... (17/11/2007)

mensagem da Júlia Ribeiro
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Desculpem interromper os artigos referentes ao Grande Homem que foi o Padre Renato mas hoje tinha de me referir a alguém que nos tem proporcionado tudo isto.
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Nesta nova série estamos a recordar personalidades,umas infelizmente já não estão entre nós,outras com quem temos contactado pelo blog e pessoalmente, o que me tem dado muito prazer e alegria. Estou a falar de alguns professores e colegas.É tão bom recordar velhos tempos, as más recordações daquele tempo transformadas hoje em saborosas estórias que nos levam ao passado, ter conhecimento de factos que nos passaram ao lado e que hoje nos fazem sorrir, rir á gargalhada e até pensar - Ena..há quantos anos!

Mas precisamente há um ano, dia 17 Novembro 2007, num almoço na Lareira,quase no final, após o seu seu discurso, conheci o colega que foi um dos responsáveis da organização de tal evento.Confesso que para mim naquele momento não me disse muito, para não dizer nada...Passou um ano e hoje esse colega significa muito,não só para mim ,mas para quase uma Multidão!!!! não só para os mais disponíveis e "atrevidos" mas também os que escondem a cara atrás do écrã, mas que lá vão espreitar o Blog.

Relato o que se passou comigo!Reformei-me precisamente alguns dias após o almoço, a 29 /11/2008. Não sabia quase ligar um computador....agora os colegas que consultam o blog reparem nas maravilhas que já faço !!!!!!! envio mails,envio fotos,digitalizo fotos antigas,ponho legendas nas fotos....mas muito mais que isto tudo tive a oportunidade de contactar com colegas que não via há "séculos" de conhecer outros e até de reconhecer alguns que ainda se cruzaram comigo no ERO mas que á data eram muito mais novos,uns miúdos e miúdas e hoje são da mlnha idade !!!!! Que maravilhoso não é?
Ora um desses,foi o responsável deste meu texto ... O NOSSO GRANDE AMIGO JOÃO JALES. A ele que nos tem proporcionado tudo isto e muito mais....O NOSSO MUITO OBRIGADO!
Não acham que o podemos colocar entre as Personalidades? Algumas características: boa disposição, persistência,camaradagem, trabalhador, inteligente, escritor, contador de estórias ...etc....enfim,o grande dinamizador do blog.
UM GRANDE ABRAÇO E BEIJINHOS......CONTINUA EM FRENTE ...MUITO OBRIGADA
Júlia R

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COMENTÁRIOS
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J S disse:
Estamos perante uma "revolta na bounty".Os marinheiros subiram à ponte do navio e ocuparam a sala do comandante.Interromperam a rota, lançaram ferro e puseram-se a comemorar. Lançaram foguetes, abriram garrafas e engoliram as bolachas do armazém. Dizem que agora o comando lhes pertence.
Mas, estranhamente, lançam vivas ao comandante - que parece atordoado, sem capacidade de reacção. Celebram um ano de aniversário, indifentes aos protestos balbuciados pelo (ex)comandante. Tomaram o poder. As criaturas substituiram-se ao criador. Se nada pode contra elas, preferível é juntarmo-nos todos.Viva, viva o João Jales.JS
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João Jales respondeu:
Passem os exagerados e imerecidos elogios, não posso deixar de dizer publicamente quanto uma mensagem destas significa em termos de incentivo e satisfação para todos quantos fazem o Blog (incluindo a Júlia, claro). Mas é claro que esta mensagem é uma interrupção inesperada, eu não faço parte das personalidades! E, pelos vistos, já nem sou o comandante....
Foi um privilégio passar a ser amigo da Júlia e do Quim (e tantos outros que não vou nomear agora para não correr o risco de esquecer alguém) e de proporcionar as alegrias que ela menciona organizando o encontro e criando o Blog.
As inúmeras colaborações, comentários, emails, visitas e mensagens pessoais já me tinham mostrado que este espaço de convívio e (re)encontro é uma aposta ganha.
A todos os que, de uma forma ou outra, hoje enviaram hoje os parabéns pelo primeiro aniversário do Blog, muito obrigado. A todos os outros a garantia que o Blog segue dentro de momentos!

Elisa Lopes e AFLopes disseram:
17-11-2008 O blog fez um ano.O BÉBÉ cresceu e fez-se gente. Terá com certeza uma vida de sucessos. Está de parabéns , e os menos jovens (mas ainda bem conservados) não podem deixar de associar-se aos festejos. Foi óptimo recordar tempos passados, tempos muito felizes, sentir que ainda fazemos parte das recordações. Aos que iniciaram, muito especialmente ao J J e a todos os que têm contribuído um GRANDE ABRAÇO DE PARABÉNS.

Isabel Xavier disse:
Então JJ? Refeito das emoções que o aplauso, tão justamente merecido, sempre traz? É evidente que a vida de muitas pessoas se modificou, e para melhor, devido ao blog ERO e ao nosso amigo João Jales. O depoimento da Júlia é particularmente comovente, ao fazer notar quanto foi oportuna a criação do blog quando ela se reformou, e como isso a tem despertado para as potencialidades da informática, entre elas, as novas formas de reacender velhas amizade.
Também eu fui renitente em aderir ao clube e comecei por fazê-lo só para contrariar as opiniões do JJ (cinema de S. Martinho, lembram-se?), no entanto acabei por ser eu a "apanhada", e agradeço-lhe por isso. Tem sido um trabalho de valor inestimável: Parabéns!

Manuela Gama Vieira disse:

Creio que aconteceu em Julho passado.Entrei nesta "nossa casa" pela mão do meu filho mais velho, que encontrou o blog do ERO. Visitou o "Álbum de Recordações" e reconheceu-me numa das fotos. Logo de seguida, o JOÃO JALES, anfitrião inigualável, lhe perguntou como me encontrar. Bati à porta e logo o Jales me acolheu calorosamente, tal como todos os ex-colegas. Um caloroso muito obrigada ao Jales e ex-colegas, pela agradável companhia que me têm feito.


João Ramos Franco disse:
Os meus Parabéns ao Blog e a todos colaboradores, eles são a sua vida. Neste ano da sua existência provou bem todo o seu valor e o seu contibuto para a união dos Antigos Alunos ERO. João Ramos Franco
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Luis António disse:
"Parabéns a você"......... passa um ano do Almoço, mas penso que um ano e um dia do blogue,não é? Parabéns na mesma! LA
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Belão disse:
É verdade, faz hoje 1 ano que nos reunimos na Lareira. Já me tinha lembrado disso quando escrevi a data no quadro preto da minha sala de aula,logo pela manhã.Embora um pouco ausente dos comentários no blog, por razões óbvias(sou professora!)passo por lá e leio (o João faz o favor de me lembrar)mas confesso que tem sido só isso.Hoje quero aqui prestar a minha homenagem ao JJ e a todos que têm conseguido manter tão vivo este espaço de recordações.
Obrigada João!Bjo a todos.
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Amélia Viana disse:
Que distracção a minha..., não podia deixar passar este dia sem dar os parabéns ao nosso Blog e mais ainda, ao seu entusiasta criador, que por artes nada antes conhecidas, pelo menos duma grande parte de nós, conseguiu dar a volta ao cabo de tantos anos, às memórias de toda esta grande família que são os ex do ERO.
Aproximou uns, tornou possível o encontro de outros, avivou amizades mais adormecidas, para além ainda de nos deliciar com as estórias maravilhosa que tem a arte de nos contar e que nos deixam presos do principio ao fim. Uma próxima "personalidade" com o titulo talvez de "O CONTADOR DE ESTÓRIAS E DE SONHOS" poderia ser nosso amigo JJ. Que as mentes brilhantes e os dotados para a escrita ponham mãos à obra... A variedade dos temas propostos e a forma como vão sendo apresentados tem sido o garante da já longa existência desta fantástica corrente de emoções, chamada blogspot.com. Longa vida ao Blog e espero que continue por muitos anos. Obrigada JJ e um grande abraço
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Ana Carvalho disse:
Realmente foi há um ano! Como o tempo passa.. bem talvez não passe tão depressa assim nós é que andamos mais entretidos a ler este delicioso blog que o João iniciou. Belo ano este, aconteceu uma coisa muito boa na minha vida, quer dizer aconteceram mais mas esta foi a melhor, nasceu a Carminho, a minha neta que me acompanha muitas vezes na leitura deste blog, fica muito sossegada ao meu colo com os olhos muito abertos e muito atenta a tudo o que se passa no ecrã e ri-se, coitadadinha ainda não percebe nada mas daqui a um ano certamenta já lhe posso contar todas estas histórias e muitas outras que hão-de vir. O meu neto Sebastião já tem 4 anos e adora ouvir contar as coisas do colégio,algumas delas relembradas aqui por todos vós. PP
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Anabela disse:
Pena que este ano tenha passado dez vezes nais depressa do que o ano que falta para o próximo encontro! Não vos parece?Do blogue nem falo,nunca julguei possível voltarmos ao Colégio desta maneira... Bjs. Anabela
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Luis M disse:
Nem sempre há tempo para escrever,mas descansa que há sempre para ler.Falo do blogue,claro.Queres saber o que é que fizeste de verdadeiramente excepcional?Inventaste o Ex Aluno ERO que era uma coisa que não existia.Não sei se é real ou virtual,mas isso não interessa,desde que exista aqui e em nós.Abraço.LM
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Ana Nascimento disse:
Olá , olá Joãozinho
(vai escrito a verde ,porque verde é esperança e eu espero que o Blog continue por muitos e bons anos eheheheheh)
De atrasada já não passo… mas cá estou eu para dar os parabéns ao blog mas acima de tudo dar-te um abraço ENOOOOOOOOORME de amizade e gratidão por tudo quanto tens feito … como já disseram as minhas amigas, graças a ti muitos reencontros tem sido possíveis…..
A pouco e pouco a história do Colégio vai sendo conhecida por uns e revivida por outros, já para não falar das fotos que só assim passaram a estar acessíveis a todos os elementos da “Família ERO” …..
Um beijinho muito grande, tão grande como a alegria e os bons momentos que nos tens proporcionado.
Obrigada João
Ana
(NOTA: a mensagem vinha mesmo escrita a verde).
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Ora viva João!
Um ano já?! Como o tempo passa! Para mim para além do prazer de recuperar o passado, reencontrar ex colegas e fazer novas amizades...tem sido também um pouco como regressar a Portugal...todos os dias um bocadinho deste ano inteiro que hoje se cumpre!
E se de facto estamos todos de parabéns, o blogue não teria sido possível sem o entusiasmo e a dedicação do JJ que o tem realizado com todas as qualidades que entretanto justamente já lhe foram atribuídas e ainda um enorme sentido de humor! Bem hajas João, para ti os meus parabéns em especial...e "many happy returns"!!! Beijinho São Cx
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Isabel Knaff disse: Olá João!
Parabéns pelo primeiro aninho do blog!
Tal como o Luis M. diz inventaste o ex aluno ERO e... se somos muitos!
Não só nos criaste, como nos deste vida e recordações tão lindas, como nos puseste em ligação uns com os outros, acertando-nos as idades e dando-nos a conhecer 'novos' colegas do passado.
Felizmente que temos colegas como a Júlia que com uma memória fantástica, não deixam uma ocasião tão especial passar despercebida até ao fim do dia .
Concordo que deves ter um lugar de destaque entre as Personalidades, e se há que dizer...Qualidades e caracteristicas q.b. ! Vamos a isso...
Tens sido um blogista super profissional com uma enorme dose de humor, optimismo, persistência, humanidade, criatividade ...e acima de tudo um AMIGO.
...e agora ...vá lá....diz-me que estou a exagerar !!!!!
Muitas felicidades para o futuro e é um prazer poder partilhar com vocês este tão especial aniversário .
Muitos beijinhos
Isabel Caixinha
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Laura Morgado disse:
Desde Junho de 2008 que pela mão da Júlia entrei nesta grande casa virtual o blog do ERO.
Coisas do destino, pois um Grande Amigo da Escola Industrial, perdido no tempo, visitou o “Álbum de Recordações”e reconheceu-me nas fotos da viagem de finalistas.
Na esperança de reencontrar uma amiga, bateu à porta do João Jales que tudo fez para o satisfazer (obrigado João).
A partir daí tem sido um lavar de alma, relembrando as recordações guardadas, contactando com colegas que não via há anos e conhecendo outros. Tenho que deixar o meu muito obrigado à Júlia que em muito tem contribuído para todos estes encontros.
Nunca esquecerei aquele fim de tarde …com a Dr.ª Alda Lopes.
Dos colegas novos que conheci destaca-se o João Jales que além de um amigo é o grande dinamizador do blog.
Tal como a Manuela Vieira diz quando bati à porta do Jales, sem o conhecer, fui recebida de braços abertos. João por tudo muito obrigado.
Concordo com a Júlia, o Jales devia de ter um lugar entre as PERSONALIDADES!!!
Termino enviando os Parabéns ao blog na pessoa do João Jales.
João nunca desistas…vai sempre em frente.
Laura
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Fernando Santos disse:
Encontrei o blog do ERO em Março de 2008 quando pesquisava na Internete assuntos referentes à minha terra adoptiva. Não tendo sido aluno, pedi ao Jales licença para entrar, ele abriu-me a porta, e daí para cá passei a ser visita diária e algumas vezes interveniente.Obrigado Júlia pela lembrança do DIA 17. Obrigado João Jales pelos agradáveis momentos que me têm sido proporcionados. Um grande obrigado também a todos aqueles que ao longo deste ano foram enviando para o blog fotografias, estórias e comentários recordando os tempos da vossa juventude, e alguns (poucos) da minha.
PARABÉNS AO JOÃO JALES, E MUITAS FELICIDADES PARA TODOS.

Fernado Santos.
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Anabela Miguel disse:
Embora com simples prestações, sinto-me orgulhosa de ter feito parte das primeiras pessoas a passar pelo blog.
Claro que devo isto ao João, o grande homem do blog, que conseguiu "puxar-me" com toda a subtileza, pois de contrário não teria tido iniciativa.
Um grande beijo de PARABÉNS para o nosso BLOG com votos que continue sempre em força...... e se possível com intervenções de mais ex.alunos. Por favor apareçam.!!!!!!

Anabela Miguel
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NOTA FINAL. Não faria sentido colocar aqui como comentários muitas das mensagens, curtas e pessoais, que recebi nestes dois dias. Tentei ir respondendo a todos mas aqui fica, além dos acima citados, o meu agradecimento ao Vasco B, Isabel VP, Ana Luisa, Lena A, Luis S, Isabel S, Fátima, João Miguel, António, Jorge, Fernando S, acho que não falta ninguém.

NOTAS DE UMA VISITA À EXPOSIÇÃO

por João Miguel Azevedo Santos



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A falta de rigor da Manuela é arrepiante, só desculpável por aquela simpatia agitada e agitadora! Mas há dois pontos que é imperioso clarificar:
-Não havia barrigudos no conjunto dos visitantes;
-A visita não «…foi especialmente agendada e meticulosamente preparada para os ex-alunos do ERO…», na base (da visita do dia 22) estavam os destinatários das sugestôes, o que inclui os ex-alunos do ERO. Mas o génio do Bonifácio excede a finitude destes grupos! Esta exposição é uma obra relevante da sua vida e é um legado à humanidade e, por um feliz acaso, teve a opotunidade de incluir uma estrangeira!

As notas que recolhi procuram registar os aspectos, as ideias, os vectores, as associações que o Bonifácio referiu e que emergem dos dois anos que dedicou ao «…estudo da figura de José Relvas, da Casa dos Patudos e de Alpiarça…», e que constituem a mais-valia de uma visita destas, pois não se podem captar, ou construir, numa visita vulgar:
-As varandas de José Relvas: a da Casa dos Patudos e a da Câmara de Lisboa!
-Vermelho e verde (foi uma hipótese de subtítulo da exposição): a agricultura e a revolução republicana, as grandes causas da vida de José Relvas;
-A determinação e empenho de José Relvas na revolução republicana: «…entre 1908 e 1910 fez tudo o que havia a fazer pela efectivação da revolução»
-A amizade com José Malhoa, demonstrada em dois passos, perdão, duas peças:
…..-Retrato do cão («Um frete que só se faz a um grande amigo» comentário do Bonifácio)
…..-Retrato de Velho - Malhoa desabafou «Como és como um irmão, a ti posso contar a verdade. O quadro foi recusado» (julgo que o Bonifácio estava a citar uma carta) e José Relvas comprou-o de imediato!




-A amizade com Rafael Bordalo Pinheiro, ilustrada em duas peças:
…..-Jarra Beethoven (em 1896 Relvas ainda não tinha casa para albergar a peça original, 2,8 metros, acabou por ficar com a réplica reduzida, em 1902)
…..-Busto de Rafael Bordalo Pinheiro – comprado, ao filho, no dia seguinte ao falecimento
-Como ministro das Finanças José Relvas abriu os quadros da Função Pública às mulheres e instituiu o Escudo como unidade monetária
-José Relvas foi embaixador em Madrid (cargo difícil, a revolução republicana era um mau exemplo e havia a tentação de a contrariar), mas reunia três condições essenciais a um bom desempenho (fortuna pessoal, fluência em francês e castelhano, uma mulher apresentável – o Bonifácio mostrou que sabe não ser sisudo…) e centrou a sua actividade em três vertentes:
…..-Informações – estabeleceu um corpo consular (pago, em grande parte, por ele) para acompanhar movimentos de tropas e financiamentos hostis
…..-Relacionamento Cultural – promoveu exposições de artistas portuguese em Madrid e trouxe artistas espanhóis a Portugal
…..-Celebração de um Tratado Comercial – «para evitar que a economia servisse de pretexto à política» (estas foram as palavras do Bonifácio; não sei se estava a citar alguém)
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J M Azevedo Santos
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COMENTÁRIOS
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Aluna do ERO- Republicana disse:
Será que o tema da República não é suficientemente importante, sugestivo e actual, para merecer os nossos, antigamente tão assíduos, comentários?Não desiludam a República nem o "conspirador contemplativo" José Relvas!
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João Jales disse:
Esta exposição é um SUCESSO! Reacendeu os fervores republicanos, mesmo na presença da nossa Princesa, reuniu os ex EROs , atraiu visitantes de longínquas paragens nórdicas, mostrou que o Bonifácio sabe não ser sisudo, acendeu mortais polémicas sobre as barrigas deles e a elegância delas, mostrou a versão cronista rigoroso (embora um pouco barrigudo...) do João Miguel, manteve o Nuno Mendes calado e, en passant, obrigou-nos a conhecer melhor um conspirador contemplativo (ou dois?).
Suponho que a ardente republicana ao escrever "os antigamente tão assíduos comentários" se refira aos comentários da semana passada. Tempus fugit...
Já disse ao João Serra, no seu blogue "oqueeuandei", o quanto apreciei a visita guiada, resta-me agradecer ao João Miguel e à Manuela os seus relatos, diferentes e complementares, dessa sua mesma experiência. Um abraço a todos. JJ
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Luis disse:
Talvez seja a dimensão ética e a coerência política de José Relvas que mais marcam a diferença para os actuais governantes. Os diplomas "novas oportunidades" obtidos por Sócrates e Lurdes Rodrigues, as "actividades" de Dias Loureiro, Jorge Coelho, Ferreira do Amaral, Pina Moura, etc, mostram bem uma "nova forma" de estar na política.
Não sei se este comentário passa, que é que achas, oh JJ? Luis