ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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O princípio da revolta (J B Serra)

por João Bonifácio Serra
Sugestão para audição:


Não sou, nem nunca fui, um rebelde. Mesmo nos momentos mais afirmativos do protesto adolescente, e, em geral, da autonomia juvenil, não vivi nenhuma crise prolongada de relação com o meio familiar ou escolar. Se fiz rupturas, como toda a gente, foram cumulativas e as inquietações não passaram disso mesmo: estados de alma que, acredito, foram quase sempre criadores.

Uma situação houve no entanto em que julgo ter estado próximo da fronteira que acabo de negar ter passado. Foi o Padre Albino que a originou. Passo a contar.

Em 1964 comecei a enviar pequenos textos de índole literária para jornais e rádios. Alguns foram publicados, estimulando a continuidade e a ambição do escrevinhador. A Gazeta das Caldas tornou-se naturalmente um alvo preferencial dessa investida. Em princípios de 1965, a Gazeta concedeu-me mesmo o título de redactor, um cartão assinado pelo Director, cuja utilidade, não sendo muito clara, para além de uma ocasionais entradas gratuitas no Salão Ibéria, me pareceu uma singular distinção.

Na Gazeta eu fazia um pouco de tudo: desde as inevitáveis tentativas literárias (que se outro mérito não tiveram, pelo menos me permitiram concluir cedo que o melhor era não ir por aí…) a reportagens dos mais variados acontecimentos, críticas de livros, entrevistas, etc.

Num dos primeiros dias de Março de 1965, quando saí da carrinha que me trazia do Carvalhal Benfeito, o Sr. Ulisses deu-me o recado: que o Senhor Director me esperava no seu Gabinete. Como em regra a chamada a este Gabinete trazia agarrada um encargo ou observação desagradável, lá me dirigi, apreensivo, ao encontro do Padre Albino. O que ele tinha para me dizer apanhou-me completamente desprevenido. Tive até alguma dificuldade em descortinar o sentido da questão. Mas, por fim, lá o entendi: ele estava pura e simplesmente a ordenar-me que submetesse à sua apreciação prévia todo e qualquer texto destinado a publicação. Olhei-o atónito. Nunca tinha lidado com uma situação deste tipo e comecei por argumentar sobre a exequibilidade da medida. Expliquei ao Director como é que o jornal era composto (nessa altura ele era feito numa tipografia tradicional pertencente à própria empresa da Gazeta, na Rua do Montepio), apostado em fazê-lo compreender que no caso das reportagens eu as tinha de escrever muitas vezes no próprio dia do acontecimento narrado. Foi intransigente: eu tinha que lhe entregar os textos, ponto. Ele demoraria os dias que fossem precisos a ler e a emendar, ponto. A emendar? - perguntei incrédulo. Sim, isso mesmo, ponto.

No dia seguinte, na vitrina do átrio, lá estava um aviso. Invocando o estatuto do ensino particular determinava que todos os textos da autoria de alunos e destinados a publicação teriam de obter a prévia concordância do Director do Externato. Que eu soubesse, esse aviso só a mim dizia respeito. Não havia nessa altura mais ninguém que escrevesse regularmente para jornais.

Poucos dias depois, fui entregar no gabinete do Director um primeiro texto, de acordo com as novas regras. Tratava-se de um artigo de opinião intitulado “Homenagem a Calouste Gulbenkian”. Nele comentava uma proposta defendida por António Pedro (pintor, dramaturgo) no sentido de homenagear Calouste Gulbenkian, erguendo-lhe um monumento em Lisboa. Aplaudindo a ideia, eu sugeria que nas Caldas se desse o nome de Calouste Gulbenkian a uma rua da cidade.

A obra da fundação que patrocinara justificava-o amplamente. Não haverá, argumentava eu, parte alguma do território português aonde não tenham chegado os dedos da sua obra. “E quando – rematava eu – actualmente se promovem homenagens (… e tantas são!) cuja oportunidade nem sempre será indiscutível, quão maior é a pertinência desta, em memória do Príncipe dos Beneméritos do País”.

Três dias depois, o Padre Albino devolvia-me a crónica. Mas este último parágrafo, em que aludia a homenagens discutíveis, estava assinalado com uma cruz. A sua publicação não era permitida, informou-me, sem mais explicações.

Desta vez encarei o Director com outra determinação. Como era possível que aquela inofensiva afirmação merecesse ser cortada? Foi então que se me fez luz: o que o Padre Albino estava a praticar comigo era Censura. CENSURA! A famosa Censura, aquela que de que toda a gente se queixava surdamente no jornal, que obrigava a mandar os textos a Leiria, um a um, antes de serem publicados, e de onde vinham autorizados, autorizados com cortes ou pura e simplesmente recusados. E agora ela estava ali diante de mim, pronta a usar, antes mesmo da outra, o seu severo lápis azul. Achei que não, que não podia pactuar com tal iniquidade.

Copiei numa folha o conteúdo do aviso e nesse mesmo dia dirigi-me, ao fim da tarde, ao consultório do advogado e director da Gazeta, Carlos Manuel Saudade e Silva, um primeiro andar de um pequeno prédio da praça, perto da livraria Silva Santos. Contei-lhe o que se passara e entreguei-lhe a cópia do aviso e o original do artigo sobre Gulbenkian. - Não há nenhum artigo no Estatuto do Ensino Particular que imponha esse princípio. Você não deve cumprir essa ordem. E o artigo vai ser publicado assim mesmo no jornal. - E se ele me ameaçar? – perguntei. - Deixe isso comigo - respondeu.

De facto, na sua edição de 27 de Março de 1965, a Gazeta publicou na primeira página o meu artigo. Ignoro o que se passou entre o Director do jornal e o Director do colégio. Passados uns dias o aviso desapareceu. Nunca mais ouvi falar no assunto.

A atitude do Padre Albino não bastou, até porque, como se viu, foi improcedente, para fazer de mim um rebelde. Mas permitiu-me enfrentar relativamente cedo o autoritarismo, a intolerância, a arbitrariedade censória. O máximo responsável pela instituição onde eu aprendia não queria estimular a criatividade dos seus alunos, mas vigiá-la, submetê-la a controlo. O Padre Albino permitiu-me clarificar que havia uma fronteira da liberdade, e que de um dos lados eu, definitivamente, não queria estar. No momento em que ele me mostrou o texto censurado experimentei, pela primeira vez, a revolta contra a arrogância do poder. Graças ao Padre Albino percebi isso, em experiência directa, percebendo também contra o quê e quem é que eu me iria identificar.

É isto que de importante lhe devo. Não fez de mim um rebelde, mas graças a ele compreendi o sentido da revolta.

João Serra

C O M E N T Á R I O S

Isabel X disse:
Como facilmente se depreende deste testemunho, o critério censório do Padre Albino excedia o da própria Censura! E isto não apenas porque o texto do João saiu, na íntegra, na primeira página da Gazeta, mas porque se exerceu cobardemente, de director para aluno, abusando de um poder que em muito ultrapassa o institucional, para raiar o puro sadismo. A incomensurável desproporção dos respectivos estatutos, acentuada pela diferença de idades, evidente no próprio modo como se desenrolaram os acontecimentos, explica que o aluno tenha começado por acatar a absurda imposição do director da escola por algo que fazia fora dela; quando confrontado com a imposição concreta, a revolta nasceu e ainda bem que assim foi.
A narrativa deste episódio seria profundamente triste, não fora ter conduzido a uma escolha. Um rumo nem sempre é fácil de encontrar porque carece de algo mais do que um mero "estado de alma" por muito "criador" que ele seja. É de poder e de controlo que aqui se trata, e de pura inveja, desculpem a crueza da expressão, mas não há outra a aplicar neste contexto. Calculo que o João não integraria o conjunto de alunos que regularmente frequentava os retiros de Penafirme e também não seria acólito (não sei mesmo), mas atrever-se a escrever nos jornais revelando já as qualidades que lhe são próprias e que todos lhe conhecemos, à revelia do sr. director, isso ultrapassava em muito o suportável!É de salientar a correcção da atitude do director do jornal - Carlos Saudade e Silva - que não hesitou em colocar-se do lado certo. Para o jovem em causa, o apoio explícito e o estímulo ao confronto devem ter pesado decisivamente na escolha que diz dever ao Padre Albino. Afinal, tudo está bem quando acaba em bem!
Há uma frase dita no filme "Os suspeitos do Costume" que agora me ocorreu: "The greatest trick the devil ever pulled was convincing the world he didn't exist!"
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João Jales disse:
Revejo-me neste relato, já que a impressão que em mim permanece ainda hoje é precisamente de autoritarismo e prepotência em vez de autoridade e justiça.
A questão com o director da Gazeta (ou melhor, a sua inexistência) mostram bem o que eu quero dizer e cimentam a minha opinião do Sr. Director. Se ele pensasse que tinha razão teria seguramente insistido na sua posição; mas não, estava só a ver até onde poderia ir.
A excelente caricatura da São evocou imediatamente o personagem e o "ambiente". Como é habitual no autor, o texto é magnífico.
JJ
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Depois deste email do JJ,que tomo a liberdade de transcrever:
"Olá Zé Luis
O texto O Princípio da Revolta (J B Serra) enquadra-se numa perspectiva de evocação de uma época que sei que te interessa. Já leste?"
aqui vai o que senti ao ler na Segunda-Feira de Páscoa este magnífico texto, na linha de todos os outros, do João Serra.
Dá para perceber o tipo de ambiente que existia na época em todos os ramos de ensino público e privado no nosso país na altura. Hoje admiro a reacção do jovem jornalista à situação demonstrando uma forma de estar que eu hoje compreendo. Na altura a minha opinião seria bem diferente, entenda-se. Lembro-me bem como reagi no mês de Outubro de 1969 ao chegar à capital e ver a minha escola ser invadida pelos esbirros a mando de um certo Ministro da Educação, e da emoção e revolta total aquando do assassinato de Ribeiro dos Santos na escola do Quelhas.
Foi já adulto e sobretudo pela acção do meu mentor profissional que aprendi a reagir de forma mais razoável a estas situações. Por isso mesmo tenho de felicitar o miúdo que era na altura o nosso jornalista «en herbe» pela forma como soube gerir uma situação tão delicada ao fazer apelo ao poder judicial, enquanto outros, nos quais eu me incluia na altura, teriam feito apelo à força.
Apesar disto ter sido escrevinhado entre dois telefones, não podia no entanto deixar o desafio do JJ sem resposta. É que este blog toca-nos mesmo cá no fundo, e artigos do tipo deste do Serra só o valorizam ainda mais.
Abraço
Zé Luis
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Manuela Gama Vieira disse:
Ora aqui está a confirmação daquilo que alguns suspeitavam e bem sabiam...fruto da sua experiência de vida e vivência cívica, o caso do Dr. Saudade e Silva.
Afinal pensava o Director do colégio que era possível cortar a raiz ao pensamento, ponto!
O acto que tentou perpetrar, CENSURA- uma das mais abissais "descidas" da natureza humana, já que atentatória do inalienável direito de liberdade de expressão- não colheu os “frutos” que o Director desejava, bem ao contrário, ponto…
Felizmente que o João Serra não se amedrontou e não devolveu "o bilhete de entrada" para o seu percurso de cidadão atento, crítico e participativo, dando o seu contributo para o traçar do caminho incompatível com “pontos”, “cruzes” e “lápis azuis”!
À São Caixinha, felicito-a, mais uma vez. Nos “retratos” dos nossos Professores não há pormenor que lhe escape.
Quanto ao Jales, um melómano que muito admiro!Sempre adequadas as suas escolhas musicais para nos acompanharem, agradávelmente, na leitura dos textos.
Manuela Gama Vieira
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João Miguel Azevedo Santos disse:
Ia lendo o texto do João Bonifácio e ia formando no espírito a ideia: É desta vez que vou escrever sobre a mudança ocorrida no colégio com a substituição do Padre António Emílio! Quando cheguei ao fim o espírito estava tomado (e encantado) com o relato e, principalmente, com a sua conclusão.
Assim, por agora, fica a homenagem a, mais uma, grande intervenção do Bonifácio (espero que não leve a mal que o trate pelo nome com que o conheci, não só é mais cómodo, como é uma manifestação do privilégio de o conhecer há muito).
Um abraço. JMiguel
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Luis disse:
Duas crónicas seguidas do João Serra são um privilégio!Se a primeira era um apontamento de época muito bem observado,esta segunda é um retrato de grande amplitude.Nem quero falar do P Albino,fica para outra oportunidade,quero apenas dizer o quanto gostei de conhecer este incidente,especialmente descrito desta maneira.
Não posso deixar de referir mais uma caricatura muito expressiva da São.Parabéns. L
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o das caldas disse...
Curiosamente nessa época, na Bordalo Pinheiro, o Pe Paulo Trindade Ferreira, com a conivência do Director da Escola - Arquitecto Eduardo Loureiro - promovia, aos fins de semana, encontros de alunos no ginásio da escola onde nos ensinava a pensar e a questionar os fenómenos que nos envolviam - encontros esses muito participados mas poucos duradouros, porque o Pe Paulo foi rápidamente transferido para a Escola Marquês de Pombal, em Lisboa.
Higino Rebelo
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Isabel Esse disse...
Não me passava pela cabeça que a mania controladora do nosso director chegasse a actividades que nada tinham a ver com o Colégio.Mas faz sentido,está de acordo com a maneira de ser.Fomos mais felizes com o Padre Chico!!!
Não perecebo porque é que o autor desvaloriza,a propósito da colaboração na gazeta,a qualidade da sua escrita que eu acho formidável!Tanto aqui como no seu blogue que também visito regularmente.Isabel
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João Ramos Franco disse...
O João Serra retrata-nos o seu princípio da revolta, mostrando claramente que a tentativa de parar o caminho que ele tinha escolhido como expressão do pensamento, a palavra escrita, tinha liberdade com fronteiras…
Nunca passaria por a minha cabeça que isto se tivesse passado dentro do ERO, talvez porque comigo, anos antes, o Padre António Emílio, como director, me apoiou e incentivou a ir para a frente com o Almanaque Caldense e até no meu conto, o qual era o único com que PIDE embirrava, ele gostava.
Do Dr. Carlos Saudade e Silva, não esperava outra atitude que aquela que aquela mostra ter para com o João, como director da Gazeta das Caldas, foi um homem que abriu sempre a porta aos jovens, ajudando-os a incentivando-os no começo, publicando na Gazeta, contos e mostrando-lhes o caminho do jornalismo.Talvez fiquem um pouco espantados com a minha atitude, mas é de gratidão, o João Serra dá me a conhecer o princípio, do homem que é hoje, o que li é mais uma imagem a acrescentar no respeito intelectual e amizade que tenho por ele.
João Ramos Franco
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Isabel Esse disse...
A caricatura!!!esqueci-me de falar da fantástica caricatura em que a imagem mostra bem o lobo mascarado de cordeiro que o P Albino era!Todos estes artigos beneficiaram muito das caricaturas da São Caixinha.
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Júlia Ribeiro disse:
Como o João Serra nos retrata a personalidade do Padre Albino, de uma maneira suave e delicada. Gostei realmente pois, embora ele tivesse os seus defeitos, a sua maneira de ser, pensar, educar, que nos marcou pela negativa, num período tão especial da nossa vida, a adolescência, há maneiras de o fazer sem agredir, e isso foi o que me pareceu que o João fez. A minha opinião sobre o P.Albino não poderia ser diferente da já descrita, ainda mais depois de estar habituada a um Director completamente diferente, apetece-me dizer "o oposto", que era o Padre António Emílio.
Apesar de tudo, não posso deixar de testemunhar uma sua faceta, que provavelmente, ninguém conhece, mas de que tive conhecimento muito mais tarde, por ter casado com um aluno do ERO que esteve no colégio no 6º e 7º anos, os 2 primeiros anos da direcção do P. Albino. Os pais do Oliveira, não tinham posses para que ele almoçasse na cantina do colégio, já faziam muito sacrifício para pagar as viagens diárias entre o Bombarral e Caldas e outras prioridades para que um dos seus 3 filhos pudesse tirar um curso superior. Perante esta situação o Quim levava a sua lancheira e, todos os dias à hora de almoço, ia até à mata. Um dia encontra o P. Albino que lhe pergunta o que fazia ali àquela hora e sozinho. Após a resposta, ele disse-lhe: a partir de hoje vais almoçar na cantina do colégio....gratuitamente. Assim, deixou a lancheira em casa e começou a desfrutar, se não de outra coisa, pelo menos da companhia e convivência com os colegas. Também, se foi à excursão de finalistas de 1965, ao P. Albino o deve...
O Padre Albino, à sua maneira, deixou mesmo marcas. Com o meu marido contribuiu, assim como outras pessoas que ele nunca esquecerá, para ser o que ele é hoje.
E a caricatura? Que hei-de dizer? Óptima, parabéns São.
Um Abraço
Júlia R
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Amélia Teotónio disse:
A descrição está perfeita. O João consegue transportar-nos, duma forma realista, àquele tempo cinzento em que se movia o P. Albino.
Para um jovem daquela idade terá sido uma ousadia tamanha o confronto com o DIRECTOR ,mas sendo a causa justa o querer brotou mais forte.
Um confronto desta natureza, de forças tão desiguais, mostra-nos a coragem e a determinação do jovem de então, que viria a transformar-se, anos mais tarde, no homem de convicções e princípios, que todos temos o prazer de conhecer.
Ainda menino, movido pela justeza do seu pensamento, foi alguém que terá começado por dar força e corpo à frase “ censura nunca mais”, que anos mais tarde haveria de ter ecos risonhos nos fulgores da primavera de 74.
Parabéns João Bonifácio, pelo belo texto que partilhaste connosco, escrito daquela forma brilhante a que tens vindo a habituar-nos.
Parabéns também à Mana Caixinha, pela bela caricatura, que tão bem transmite o cinzetismo do personagem em causa.
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São Caixinha disse:
Não foi exatamente uma surpresa a insólita situação que o JBS nos revela no seu magnifico texto, porém não deixou de me impressionar! Inconcebível procedimento da parte do Director de um reconhecido estabelecimento de ensino! Tanto erro de uma assentada! Felizmente o João, demonstrando grande maturidade, soube positivamente tirar partido da experiência! Notável!
Nem em sonhos alguma vez ousei pensar que os meus modestos desenhos acompanhariam textos de tão excepcional qualidade. Aconteceu outra vez. Que privilégio!
Até breve, bjs São
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farofia disse...
O João Serra está verdadeiramente em tempo de Abril com esta história, verídica e magnífica, de censura! O jovem escritor descobre que lhe falta a liberdade, no preciso instante em que um poder arbitrário lhe corta sem sentido e sem lógica a expressão de pensamento.
«Foi intransigente: eu tinha que lhe entregar os textos, ponto. Ele demoraria os dias que fossem precisos a ler e a emendar, ponto. A emendar? - perguntei incrédulo. Sim, isso mesmo, ponto.» Dir-se-ia que, às avessas, foi uma lição de mestre sobre o que é a liberdade!
Penso que o papel de ‘pequeno papão lusitano’ assentava que nem uma luva ao padre Albino (como assentava à grande maioria dos directores e reitores da época a quem se exigia ‘autoridade’ e se recomendava um q.b. de autoritarismo) e como qualquer ‘papão’ pregou valentes sustos. Por isso, não deixou saudades…
Inês
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Manuela Gama Vieira disse...
Porque de Liberdade se trata, não resisto a citar Miguel Torga:«Ser livre é um imperativo que não passa pela definição de nenhum estatuto. Não é um dote, é um Dom»
Manuela Gama Vieira
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José Carlos Faria disse:
À laia de aviso prévio (não, não é necessário pressionarem-me, que eu admito desde já):
É-me difícil falar do Padre Albino, de forma neutra, ou, vá lá, pelo menos, contida. Para dizer tudo e com todas as letras: Sempre o considerei uma figura execrável (a propósito, mais uma notável caricatura da São para o nosso «Álbum das Glórias»; o Bordalo teria gostado!). O tempo que foi passando não conseguiu atenuar essa minha animosidade arreigada, mesmo apesar de ter sabido, aqui e ali, de pequenos gestos de humanidade como aquele que a Júlia nos conta - fazem parte afinal desse contraditório que cada um carrega consigo e não apagam o extenso rol de todas as outras atitudes, que, essas sim, eram estruturais e configuravam um perfil psicológico e um padrão de comportamento reiterado.
Porém, não é por isto, lançado em jeito de confissão, que o excelente texto do João Bonifácio Serra me agradou tanto. Como se comprova (gabando eu a sua calma e ponderação, cuja presença, em mim, tantas vezes andam fugidas por paragens incertas), o relato duma situação, dir-se-ia inqualificável (mas que precisamente se caracteriza pela enorme prepotência, pelo abuso, violador de direitos, liberdades e consciências), alia à qualidade da escrita uma descrição serena, lúcida e sensível, a qual resulta na percepção aguda duma violência ilegítima, ainda mais brutal porque exercida impunemente no doce remanso das suaves sombras do gabinete.
«Há sempre alguém que resiste/ há sempre alguém que diz não», cantou o poeta. A insubmissão (leiam o poema do Ruy Belo, por favor - «As grandes insubmissões sempre foram para mim as pequenas») representava tudo aquilo que o Director mais abominava e tinha por intolerável nas suas manhãs submersas. Servil face ao Poder, nepótico com os desprotegidos, a sua marca deixou-a como cicatriz, desde a controversa passagem como capelão da Casa Pia (onde os mimos mais inocentes passavam por severos castigos aos rapazes, que em tempo de «rock 'n' roll» e Elvis Presley, estreitavam os canos das calças da farda fornecida pela Armada) até à hipocrisia da despedida com missa solene, para supostamente se ir sepultar em vida na ascese da clausura silenciosa da Cartuxa de Évora, «per omnia saecula, saeculorum». Foi de curtíssima duração o fervor místico inflamado. Que a terra lhe seja leve. R.I.P.
Z C Faria
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Isabel V P disse...
Achei muito interessante o tom nada azedo do Bonifácio perante o incidente que narra. Agradou-me sobremaneira o tom conciliador da Júlia.O Pe. Albino não se esforçava por ser simpático, mas, olhando para trás, não me deixou nehum trauma; pelo contrário. Eu explico: todos os dias eu era chamada ao gabinete do director para ser repreendida por andar arrastando os pés. Hoje estou-lhe agradecida pela sua perseverança, caso contrário actualmente não ganhava para o sapateiro!
Isabel V.P.
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Anabela Miguel disse:
Não podia deixar passar sem dar os meus Parabéns ao João Serra pela coragem que teve ao fazer frente à pessoa que era o Padre Albino. Para mim naquela época era impensável tal atitude da parte de um aluno, mas enganei-me.
O seu texto veio confirmar a opinião que eu tinha do Director, de alguém austero, frio e prepotente. Se de humano alguma coisa tinha, das duas uma, ou não sabia exteriorizar ou então não queria mesmo fazê-lo......
Ana Miguel

P Á S C O A 2 0 0 9

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Podemos sempre seguir em frente, procurar novos rumos.

Algures pelo tempo continuaremos a
Sonhar e a acreditar, tornando mais
Colorida a nossa existência.
O destino é uma conquista feita passo a passo.
Acontece que todos temos ritmos diferentes.
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PÁSCOA
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é ser capaz de mudar,
é partilhar a vida na esperança,
é lutar para vencer
é dizer sim ao amor e à vida,
é investir na fraternidade,
é lutar por um mundo melhor,
é vivenciar a solidariedade.
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Páscoa é renascimento, é recomeço.
Partilhemos da mesma Páscoa e da mesma paz!
Para todos os Antigos Alunos do ERO
Uma Páscoa Feliz!!!!
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Maria Isabel Sousa

À Mesa dos Padres na Páscoa de 68


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Nesta quadra gostaria de partilhar convosco mais uma "estória" engraçada dos nossos tempos de meninice.
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No longínquo ano de 1968, provavelmente por insistência do Padre Albino, eu tinha passado de mero assistente das missas dominicais a acólito da celebração católica.
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Na Sexta Feira Santa à tarde, os acólitos (grupo que incluía como mais destacados o Aires, que mais tarde trabalhou nos Correios e o Brás, ligado ao desporto, mas também alguns colegas do colégio que me abstenho de enumerar directamente) fizeram o ensaio geral da importante cerimónia a ter lugar à noite com os fiéis Caldenses.
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Recorde-se que a Igreja celebra e contempla a paixão e morte de Cristo, pelo que é um dos raros dias em que não se celebra a Eucarístia. No entanto, mesmo sem a celebração da missa, tem lugar uma celebração litúrgica própria deste dia. O ritual que encenámos começava com a entrada em procissão dos celebrantes e acólitos pelas alas da Igreja, passava à leitura e aclamação do Evangelho da Paixão segundo João e adoração da Cruz, com homília e reflexão.
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Depois de um par de horas a ensaiar, alguns de nós fomos convidados pelo padre Albino a ir jantar nessa Sexta Feira Santa no andar da esquina para a praceta, do lado do tribunal, onde residiam os padres. Julgo que haveria uns três padres e cinco acólitos. Sentados à mesa, logo a empregada pôs água na mesa, serviu sopa e de seguida apresentou carne como prato principal.O Padre Albino ficou consternado. Em casa de ferreiro, espeto de pau? O pessoal negligenciava o jejum pascal e servia o pecado à mesa dos padres e convidados?Será que não havia um peixinho para substituir aqueles nacos de Chambão de Vitela?
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Da resposta das cozinheiras, concluíu-se que a verdade é que na prática se ignorava em casa dos padres a beata recomendação de não comer carne às sextas feiras. Cozinhavam o que muito bem entendiam. Sem censuras até à data, as pouco católicas cozinheiras tinham pensado em servir uma suculenta carne no dia da Paixão de Cristo, já que noitada de esforço para os ministros de culto naturalmente aconselhava um jantar revigorante. Nem se colocou a hipótese de que faziam jus ao ditado "Ninguém é perfeito para o seu empregado de quarto" e estavam a testar e até gozar os clérigos."Absolutamente mais nenhuma possibilidade", dizia a criada. Ou os Senhores Padres comiam carne ou teriam de fazer verdadeiro jejum, passando directamente a umas escassas peças de fruta.
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Sem pestanejar ou precisar de olhar uns para os outros, os religiosos não hesitaram e começaram a servir-se, enquanto a amena conversa os distraía da infracção.“Ai, se os paroquianos soubessem desta”, ainda terá murmurado o Padre Albino.Nunca souberam.
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Trata-se de uma história que não mais esqueci, mas que por uma qualquer razão nunca partilhei. Faço-o agora convosco, recordando esse personagem complexo que era o Director do colégio durante uma boa parte da nossa permanência lá.
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Notei que os ex-colegas se abstém de o louvar ou criticar, num quase pudor que é provavelmente a atitude mais apropriada.
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Mais tarde recebi uma das muitas e muitas cartas iguais que escreveu pelo seu punho, despedindo-se até à eternidade, quando ia ingressar na clausura do Convento da Cartuxa. Voltei a encontrá-lo brevemente em Campo de Ourique quando estava na faculdade e depois não tive mais notícias.
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António José Neto
Páscoa de 2009
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COMENTÁRIOS
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vasco disse...
Olá António, bem vindo ao clube e logo com um apontamento assim oportuno ;-). Como se dizia de frei Tomás faz o que ele diz e não o que ele faz.
Abraço. VB
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JJ disse:
Mais uma estreia, mais um colega da minha turma, mais um bom texto e uma boa estória. Só posso expressar a minha satisfação por tudo isto!
Um abraço. JJ
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Manuela Gama Vieira disse...
Provavelmente, assisti a muitas Missas acolitadas pelo António.
Quanto ao "resguardo" de comer carne à sexta feira, ao longo da Quaresma, ficava dele isentado quem adquirisse a "bula", mediante o pagamento de determinada quantia à Igreja.Talvez a governanta do Sr. Pe Albino tivesse providenciado nesse sentido e, afinal, ninguém "pecou"...
Votos de uma Páscoa Feliz para todos!
Manuela Gama Vieira

O aniversário da Dadinha

por João B Serra
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O topo da sala, preenchido com sofás e cadeirões, estava literalmente ocupado por senhoras. A conversa ia animada, naquele tricô interminável que individualizava a cavaqueira feminina das Caldas, mas nenhuma das intervenientes dispensava um olhar de relance pelo resto da sala. Eram as nossas mães. Vigiavam a mesa das comidas e bebidas, o comportamento dos filhos e filhas (e, acima de tudo, dos colegas e das colegas de cada um), tentavam adivinhar as conversas e interpretar os olhares trocados entre uns e outros, interpelando-os por vezes.
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Na parede fronteira à janela, sentavam-se os convidados da Guida, a irmã mais velha da aniversariante. Tinham 3 ou 4 anos mais do que nós, já andavam na Faculdade, formavam um grupo à parte. Os rapazes, em maioria, espreitavam com interesse mal disfarçado para as raparigas mais novas, avaliando as suas possibilidades de serem bem sucedidos quando chegasse a altura de as abordar. Tentando ignorá-los, a sua presença causava-nos a nós, rapazes mais novos, apreensão e suspeita. Percebiamos a impaciência dos seus gestos e olhares. Há muito que a conversação se esgotara entre eles, decorridas que eram mais de duas horas desde a sua chegada.
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Numa mesinha de canto uma pilha de discos, LP’s e 45’ e o respectivo gira-discos aguardavam o momento de entrarem em acção. Vários candidatos se prestavam a essa tarefa, mas a autorização para o início da dança não viera ainda.
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Aquele era o momento pelo qual todos ansiavam. Os que namoravam e os que tinham esperança numa oportunidade para começar a namorar, os que gostavam de dançar e os que, gostando menos, apreciavam aquele jogo de contacto físico permitido. Os que vibravam com a música e os que, apesar de menos sensíveis aos acordes tiravam prazer da convivência algo ruidosa, mais livre e menos formal daquelas alturas. Nos aniversários, era o ponto culminante da festa, esperado para depois do jantar.
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Mas naquele as coisas decorreram de modo diferente. A sequência habitual foi interrompida por uma imposição oriunda do grupo das mães. Era Sábado de Aleluia: dançar não era permitido.
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Para a Dadinha e seus pais, aquele interdito era completamente desconhecido. O pouco contacto com os preceitos da Igreja explicavam a imprevidência: celebrar um aniversário no Sábado de Aleluia.
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A Dadinha parecia desolada. Os pais, preocupados, hesitavam sobre a forma de lidar com a situação: ceder à imposição das mães ou forçar as coisas. Alguém, creio que um dos amigos da Guida, teve uma ideia sensata: negociar. Às 11h30 dirigiu-se triunfante à mesa dos discos e pôs um 45’ a rodar. Toda a gente bateu palmas. Tínhamos entrado adiantados no Domingo de Páscoa.
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João Serra
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c o m e n t á r i o s
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João Ramos Franco disse...
Como já nos vem habituando, o João Serra, apresenta-nos um bom conto. Ele coloca os personagens na Páscoa, em determinada época e os condicionalismos sociais da data.
Criando uma imagem a quem lê, de uma simples festa de anos, com todos os ingredientes normais na sociedade Caldense.Vejamos, temos uma sala, com mães vigilantes, a juventude com a sua normal impaciência e a data a estragar a festa, por a família da aniversariante não estar muito ligada aos costumes e preconceitos locais.
As horas a passar e o esperar do passar de Sábado de Aleluia, para Domingo de Páscoa, mostram-nos a realidade dos preceitos da Igreja, que regiam a moralidade e a imoralidade, na época.
João Ramos Franco
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Isabel X disse...
Particularmente bem conseguida a descrição dos vários grupos, respectivos territórios e códigos de relacionamento mútuo. A expectativa do baile, que durante algum tempo parece gorada, acaba por conduzir a um final feliz. O leitor vai seguindo o desenrolar da história com crescente interesse, para o qual contribui decisivamente o ritmo da narrativa. Em mim, no entanto, subsistem dúvidas: terá o tão esperado baile durado apenas meia hora para que esse adiantamento do Domingo de Páscoa merecesse palmas? Ou será que as negociações incluiram também o prolongamento da festa de aniversário para além da meia-noite? Espero que assim tenha acontecido e que às mães vigilantes
(e beatas) tenha, entretanto, dado o sono.
- Isabel Xavier -
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João Jales disse:
Apesar do "happy end" não tenho a certeza de não estarmos perante mais um triunfo das "conveniências" sobre as convicções. E nem a meia hora ganha nas negociações me convence do contrário...
No meu tempo as mães já não iam às festas de aniversário e os adultos eram apenas momentânea e ocasionalmente tolerados nos recintos de dança destas festas particulares.
O episódio é relatado com muitos pormenores e poucas palavras,com a habitual mestria do autor (como a Isabel já fez notar). JJ