ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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Breves notas e comentários a "Os Locais do Acácio Leite"

O JJ usou o argumento da proximidade de geração para me propor que comentasse a história de Acácio Leite. Não sendo pertinente o argumento, aceitei o convite para provar a todos nós, admiradores dos seus textos, que ninguém tem nada a ganhar com a troca.

Comecei por lhe pedir o datómetro e o respectivo livro de instruções. Com ele vinha uma nota sobre o Instituto Vaz Serra e o Externato Ramalho Ortigão. Fiquei a saber (insaciável coleccionador de histórias este JJ!) que o Instituto Vaz Serra foi fundado em Cernache do Bom Jardim por iniciativa do comendador Libânio Vaz Serra, em 1950. No final dessa década, dotou-se de instalações próprias e de internato (o nosso amigo Acácio Leite deve ter testemunhado algumas destas mudanças). Tal como no Externato Ramalho Ortigão, o ensino era misto.

Uma personalidade singular, o Dr. Gil Marçal, marcou os tempos de consolidação do projecto do comendador. Foi esse director que instituiu a prática de um passeio anual, momento sempre aguardado com expectativa e preparado cuidadosamente. As Caldas da Rainha foi incluída nesse roteiro, tendo-se cumprido, na segunda metade da década de 50 e princípio da de 60,visitas alternadas do IVS ao ERO e deste àquele. Na origem desta relação parece terem estado alguns estudantes caldenses que passaram pelo internato do IVS, como o Toni Vieira Pereira.

A última visita do IVS às Caldas deve ter ocorrido em 62 ou 63, já o Ramalho Ortigão se achava instalado no edifício da Rua Diário de Notícias.

Tenho uma vaga recordação de um almoço no Ginásio do Colégio. Não me lembro se houve baile, mas parece-me altamente improvável que o cup tivesse mais vinho branco do que gasosa Rical e que as nossas colegas, além de ajudarem a pôr a mesa, se tivessem munido de “bordalinhos” (designação extraordinária, para mim até agora desconhecida) a fim de presentearem os “supersónicos” de Cernache.

As meninas de 1962 ou 1963 eram diferentes das de 1958 ou 1959? Não seriam, mas era diferente a “cultura” da instituição. O colégio mudara de mãos. Acácio Leite foi a última testemunha de um Ramalho Ortigão que, além de futuras doutoras e engenheiras, formava M.s. Isto é formava as raparigas de modo a saberem lidar com o ardor juvenil estimulado por um cup reforçado, uma insinuante lembrança caldense e muitos dias de ansiedade.

J. Serra
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COMENTÁRIOS

Os Locais do Alfredo Justiça






Alfredo Justiça (O Bordalês)






Tenho lido no Blog a descrição de locais frequentados pelos ex-alunos ERO. Tem sido um reavivar de memórias que julgava esquecidas mas que afinal apenas estavam arquivados no mais profundo local do cérebro e passados 41 a 47 anos (1961-1967) as imagens retomam o seu lugar com uma nitidez que impressiona.

Ora de todos os locais já descritos e por mim lidos há alguns que ainda não foram citados mas que, no entanto, marcaram a nossa aprendizagem. Um deles refere-se aquela rua sita nas traseiras do Museu Malhoa onde no princípio e, em meados, da década de sessenta se podia aprender a andar de bicicleta. Pois era aí que, por uma pequena quantia, se alugavam bicicletas e se aprendia uma “arte” que fica para o resto da vida… “andar de bicicleta”. Muito “trambolhão” dei eu nessa rua antes de dominar esses “bichos de duas rodas”, quais indomáveis selvagens que me atiravam para o saibro e pedras da rua e me provocavam escoriações e… amargos de boca ao chegar a casa… sim, porque o mal não estava nos joelhos feridos e a deitarem sangue… isso era o mal menor… o mal situava-se nas calças rasgadas e isso era imperdoável para o meu pai que via assim as finanças da casa a “andarem para trás”.

O certo é que foi graças a este local que consegui a licença camarária para poder conduzir esses animais “ziguezaguiantes” dentro das povoações… sim meus jovens de hoje… era necessária uma licença… qual carta de condução… para poder ter e usufruir o prazer de conduzir uma máquina dessas.

Há um outro local, ainda não descrito, embora já mencionado, que era o Café e Sala de Jogos “O Marinto” onde passei muitas horas a aprender, e dominar, a “arte” do bilhar e… a aprender a saborear um belíssimo “prego” com mostarda e tudo… e o “tudo” refere-se a uma Larangina C. Pensavam o quê? Que eram “Imperiais”. Não. Ao tempo a cerveja e o vinho e outras bebidas mais generosas só ás escondidas… e bem escondidas e a horas párias onde “não desse nas vistas” o efeito deambulante que provocam.

Já agora… e só para os “Bordaleses e Bordalesas”, que tal o sabor daquelas sandes de atum que eram servidas no bar da cantina da Escola. Voltaram, porventura, a comer umas sandes dessa categoria? Duvido!

Foi nessa rua, a rua dos “trambolhões”, que comecei a ensaiar a arte mais antiga da humanidade… o namoro. Pasmem-se os jovens de agora, com a mesma mulher e aquela que anos mais tarde me deu filhas e cedo… demasiado cedo… partiu e encontra-se, tenho a certeza, sentada á direita do Pai, lá no Céu, a olhar para mim e por mim e pelas filhas e neta.

Recordo… com saudade… esses tempos. Ingénuos e despreocupados… despreocupados apenas dos grandes problemas da vida de então. Preocupados, isso sim, com os problemas de então… aulas, estudos, exames, etc…

Com estes “meus locais” quis levar à escrita os locais mais simplórios de então, mas tão importantes como os outros, mais assíduos e frequentados por nós. Recordam, por acaso, o carrinho do Pacheco, aquele velhote que vendia gelados, barquilhos e bolacha americana e fazia a sua paragem na entrada da Escola Comercial e Industrial junto ao Chafariz das 5 Bicas. Era um local estratega pois aí apanhava os alunos da Escola, à saída e entrada, e os alunos do ERO que passavam vindos do Externato e desciam a rua até ao centro da Cidade. O velho Pacheco…

Outro local, também frequentado era o bar da Estação da CP já para não falar das salas de espera onde se passavam horas. Quem tinha aulas a começarem às 8h30 era forçoso chegar às Caldas na automotora das 6h30 porque o horário seguinte era por volta das 9h15 o que não dava tempo para cumprir horas de entrada.

Muitos outros locais me vêem à memória mas fico por aqui para não maçar.

Continuem a desenvolver este tema pois ele é gratificante para nós e… afinal concluímos que valeu a pena.

Abraços

A. Justiça

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COMENTÁRIOS


Fiquei particularmente satisfeito por receber este depoimento porque, depois de delicadamente ter declinado o primeiro convite para colaborar, o Alfredo Justiça acabou, por iniciativa própria, por nos enviar este interessante texto. Interpretei como um sinal que foi apreciando a série.
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As datas estão no texto, não precisamos de adivinhar.
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Também aprendi a andar de bicicleta nessa zona mas a minha "instrutora" preferia aquela avenida que ladeava o recinto das bicicletas, "armadilhada" de árvores de ambos os lados. Escusado será dizer que só me lembro das árvores a saltarem para a frente da roda dianteira!
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Mais uma vez temos a memória da estação da CP como local de encontro dos moradores na periferia caldense, na medida em que os horários dos transportes públicos não serviam os alunos ao não se enquadrarem no horário escolar (do ERO e Escola). Esse tipo de problema já foi aqui levantado pelo João Serra, Júlia Ribeiro. Artur Alves e agora pelo A Justiça.
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As sandes de atum eram um exclusivo bordalês a que não tive acesso...
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Um abraço e um agradecimento a mais um colega da Escola que colabora nesta série. Até à próxima.
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JJ
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05-05-2008
o das caldas disse:
E as bicicletas, para que conste, eram do Pina Moura. Higino Rebelo
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05-05-2008
Jorge disse:
Conheci alguns colegas da Escola mas não me lembro do Alfredo, parece ser um pouco mais velho do que o meu ano. E do que se lembrou ele, do aprender a andar de bicicleta no Parque!! Andámos lá todos.
parabéns JJ por convidares os colegas da escola, Jorge

Os Locais da Anabela Afonso
























Anabela Afonso

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No final da década de 60 as meninas não frequentavam alguns dos locais já referenciados.Essa liberdade não lhe era dada nem pela família nem pela sociedade.
Mas como o JJ já referiu, num artigo sobre o ERO, havia sempre maneira de contornar o problema, expondo-nos menos.

Um dos sítios frequentados, e que me traz felizes recordações, era a casa da Tia Gi e do Tio Rui, infelizmente já não estão connosco há uns bons anos, pais do António e Rui Medina. Casal muito condescendente, compreensivo, companheiro, sempre cúmplice…
Naquela casa, era permitido a todos:
- Fumar !!!!!!!!
- Jogar !!!! Grandes jogos de Monopólio, King, Canasta e Lerpa !!
- Ler!!! (A enorme colecção Mundo de Aventuras do António!!! O quarto escuro, em que as paredes eram forradas a estantes, contendo Caprichos, livros da Corin Tellado e colecção Sissi, que faziam as delicias das frequentadoras femininas).
- Música !!! ( a colecção de discos do António era muito boa e tinha sempre os últimos sucessos).
- Comer quantidades de bolos amarelos com noz em cima, trazidos pelo Vasco Baptista ás 6ª Feiras da pastelaria Suiça, vindo do colégio interno “Manuel Bernardes” em Lisboa!
- Rir, Rir, Rir! com as brincadeiras do Rui Medina, que subia as paredes do corredor, e do alto do tecto, nos massacrava e perfumava com horrendos perfumes, tais como, essência de cravo, Tabu e Madeiras do Oriente.
- Cortar e alisar cabelos, aos rapazes, que naquele tempo, os usavam bem compridos e os queriam mais lisos do que naturalmente eram. Que o diga o António, que ficou com as orelhas com bolhas, depois de uma sessão de alisamento de cabelo.

Havia sempre disponíveis máscaras e acessórios e em todos os Carnavais eram organizados verdadeiros cortejos:
- 6ª Feira, brincadeiras de Rua;
- Sábado, ida a casa do Fernando e Zé Castro;
- 3ª Feira, Casino com várias malas de roupa, variando as máscaras pela noite fora.

Enfim, um sem número de recordações, que todos os frequentadores da casa devem ter.

Há muito mais histórias:
-De uma casa alugada pelo Chico Cera, onde penso que é hoje o bar “Marcianos” na Foz do Arelho”, e da qual metade das Caldas, Santarém e Rio Maior, tinham chave;
-De passeios na beira da Lagoa, junto ao penedo furado;
-De passeios a Vale de Janelas;
-De idas à Foz do Arelho de bicicleta (eu ia de camioneta, visto um dos traumas da minha vida é não saber andar de bicicleta);
- De idas à feira do 15 de Agosto;
- De reuniões para elaboração de trabalhos escolares? Em casa da Fani, com o Chico Carrilho e Mário Xavier (havia sempre observação de ovnis na deteriorada prancha da piscina).
- De tardes passadas no Ferro Velho (as noites não nos eram permitidas).

E são todas estas vivências que nos ajudam a encarar a vida com todos os seus problemas, de modo a termos a capacidade de continuarmos a ser felizes!
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-------------------------------------------------------------------------------------------------------------COMENTÁRIOS


Este Local é novo, ninguém tinha ainda referido uma casa particular. Cheguei a ir lá , com o Rui, que era um ano mais novo que eu, não com o António, três anos mais velho Eu já na altura me interessava por música e não havia muita gente nas Caldas com discos, pelo que andava sempre em busca de quem os tivesse, para conhecer coisas novas e diferentes.

Tenho a ideia que a Anabela está a exagerar na clausura, mesmo antes da gestão Joca Sales (1972) lembro-me de estar com algumas jovens do meu tempo no Ferro Velho. E de ir a pé muitas vezes, havia poucos carros.

A Anabela é uma rapariga da minha idade, embora pareça muito mais nova! Está aqui a descrever episódios que tiveram lugar entre 1968 e 1972. Tenho ideia que a casa do Chico na Foz é ligeiramente posterior, ou foi alugada mais que um ano. A fechadura era quase decorativa, tal o número de cópias da chave. Algo de semelhante se passaria mais tarde com um apartamento do mesmo arrendatário na Av. de Madrid, mas esse rivalizava com o Casino do Estoril... Chega, as aventuras dos caldenses na Praça de Londres nos anos setenta são já de outro Blog!

Destas e doutras estórias só tivemos direito aos títulos, não haverá possibilidade de vermos o filme completo? Das idas ao 15 de Agosto está uma fotografia, enviada pela Anabela, em Os Locais da Paulinha

A Fani tinha uma vivenda magnífica, um pouco adiante da casa do Dr. Vieira Pereira (ainda lá está, na actual Rotunda do McDonalds). A piscina era atrás da casa, virada a Oeste, mas infelizmente a manutenção da água não era feita nas melhores condições, daí a degradação. A utilização da prancha como posto de observação de OVNIs é posterior às minhas visitas.

Estes depoimentos cheios de Sol ajudam-nos realmente a encarar a vida, espero que a Anabela mantenha sempre a capacidade de ser feliz. E deixem-me dizer-lhe que está óptima na fotografia, embora o Miguel BM o diga sempre melhor que eu...

JJ

PS - A Anabela Afonso era conhecida na altura por Anabela Castro, não me lembrei de fazer esse esclarecimento, pensei que a foto bastava. Mas não, houve quatro emails a perguntar! Anda má essa memória , pessoal.

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02-05-2008
Isabel Knaff disse:
Que giro o depoimento da Anabela e algumas memórias que ela me trouxe.
O Tabu (só o nome e fico estonteada!) e...madeiras do oriente (O mesmo problema!).
Muito mais agradável era o momento alto da literatura - os Caprichos!!!Aprendi muito.
Tinham tanto que ler, tantas dicas para nós ficarmos muito mais atraentes. (Esta ficou-me na memória: pôr duas gotinhas de sumo de limão em cada olho depois de aplicar a maquilhagem... muito melhor!!!)
E a tão emocionalmente educativa Telenovela! Grandes paixões, corações despedaçados, ciúmes, e no fim a invariável reconciliação.
Uma fotografia muito expressiva e muito bonita.
Um beijinho com saudades à Anabela

11-05-2008
Vasco B disse:
"O regresso, em grego, diz-se nostos. Algos significa sofrimento. A nostalgia é portanto o sofrimento causado pelo desejo insatisfeito de regressar. Para esta noção fundamental, a maior parte dos Europeus pode utilizar uma palavra de origem grega (nostalgia) e, além disso, outras palavras com raízes na sua língua nacional: añoranza, dizem os Espanhóis; saudade, dizemos nós.”(kundera)

Os locais do Artur Alves

Artur Alves


Este texto foi enviado como comentário aos textos do Abegão, do João Serra e Miguel B M . Por ser muito extenso, e com a concordância do autor, constitui um artigo. Embora talvez não no mesmo registo dos restantes, mas este Blog é um espaço sem censura. JJ

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Tenho lido, com incredulidade e indignação, os diversos ‘depoimentos’ publicados no blogue dos antigos alunos do Ero. A burguesia caldense era elitista - na Zaira e Casino – como se fosse o Jet Set de agora, observado e admirado pelos saloios, que só tinham acesso a locais ‘de segunda classe’ como o Caldas Bar e o Lisbonense. Isto os mais endinheirados, porque os outros ficavam-se pela Tasca do Tó Henriques e os Pimpões ou o ‘Casino da Mangueira’.

Mas a gota de água que me leva a escrever este desabafo é o depoimento do Zé Carlos Abegão em que as profundas diferenças entre os inscritos nas duas escolas aparecem como se fossem simples escolhas deles ou resultado de as pessoas se conhecerem mal! Oh Abegão, que é que te passou pela cabeça? És mais novo que eu mas viste todo esse pessoal da periferia de que falas (e alguns de mais longe) chegar à Escola molhado e cheio de frio, uma lancheira com uma sandes e uma laranja para comer o dia inteiro, continuando teimosamente a estudar porque queriam MAIS. E à custa de si próprios, já que provavelmente as famílias preferiam vê-los a trabalhar a terra ou como aprendizes num sítio qualquer, a ganhar umas coroas para levar para casa. São estes estudantes ‘colegas’ ou ‘iguais’ aos putos queques que iam à Zaira e compravam discos na Tália? Tás a brincar!

Enquanto alguns dos nossos percorriam kms a pé ou de bicicleta, à chuva e ao frio, no colégio havia uma carrinha para os levar do Borlão, ou da Praça!, para não terem que subir a ladeira!!! (Não inventei nada, está lá num post). Tive, na Escola Velha ainda, um amigo que saía de casa, andava uma hora por atalhos para apanhar uma automotora com horários incertos, para chegar umas vezes meia-hora adiantado e outras faltando à primeira aula, era imprevisível. Chegou a dormir em minha casa porque eu sabia que ele, julgo que dois dias por semana, só conseguia chegar a casa às 9 da noite. Sem jantar e para se voltar a levantar antes das 6!!

Enquanto os meninos do Ero compravam Chiclets ou iam tomar uma bica e comprar um SG depois de almoço, a maior parte de nós virávamos os bolsos para uns rebuçados a tostão ou comprar Definitivos à unidade, conforme a idade... E não era no Taiti, não…..

E o elitismo decresceu nos anos 60??? Eu digo até o contrário. Apesar de na década de 50 haver claramente ricos no colégio da Garagem Caldas e pobres na Escola íamos juntos à mocidade portuguesa (Sábado à tarde), jogávamos à bola na mata, íamos ao parque, bebíamos copos na Ginjinha e trocávamos umas chapadas de vez em quando como compete à boa convivência e educação da malta nova…… Os irmãos Morais até estudavam um em cada lado!! E dançávamos todos nos bailaricos do Bairro Da Ponte e do Largo João De Deus, de que ninguém fala agora!!! Com a mudança para os padres e para o alto do monte da Diário de Notícias os alunos do Ero passaram a ignorar o povo cá de baixo. Até tinham uma Princesa!(também soube há dias no blogue deles). Não é por 3 ou 4 terem jogado no Caldas que isto é mentira.

E o amigo Jales (posso tratá-lo assim, conheci bem os seus pais) pode talvez contar que passou por um belo aperto quando no final dos sessentas começou a querer mostrar-se com o Ferreira da Silva Júnior(Raul??)às meninas da Escola. O F da Silva acho eu que namorava uma muito pequenina e o outro andava à pesca… Aqueles dois lingrinhas vestidos de hippies (os putos da Escola achavam que eles eram maricas) a acompanharem cachopas nossas levantou um sururu que deu mesmo porrada em frente à Praça de Touros. Fui eu, que já nem estava na Escola, e o Zé Manel, que trabalhava ali ao pé no Tomás dos Santos, que os safámos. Esta história não está no blogue ou fui eu que não li tudo???

Já se tinham ‘pavoneado’(como gostava de dizer a SUPER HOMEM sobre outro professor) anteriormente pela Escola o Polaroid, o Pitosgas, o Rolim, o Zé António (e outros conquistadores….) mas esses foram à caça……. e acabaram caçados….. Eram os ‘COPINHOS DE LEITE’como lhes chamávamos!!

Vá lá que ainda protestaste por se dizer ser a Zaira o café da juventude caldense…. Essa então é de cabo de esquadra, não sei o que é que ensinaram a esse menino que escreveu isso, mas o Pai dele, que foi meu professor, contava umas galgas da caça e pesca mas não dizia bacoradas dessas!! Mas qual preferência se, àquele ‘ninho das víboras’- era mesmo assim conhecido, não eram só os Bombeiros que tinham alcunha – nem 1% da juventude caldense ia!!! É como eu digo, estão a brincar ou a sonhar com uma coisa que nunca existiu……

Mas o Central, que eu frequentei a partir de 66, já no fim do Curso Comercial, também não era bem a ‘tertúlia intelectual’ que tenho aí visto descrito……. muitos invejosos e também muita má língua e intrigas… Burgueses envergonhados de má consciência, que falavam muito e nada faziam - chamava-lhes um cliente habitual que eu conheci. Há aí uma garota no Blog, mas eu essa não conheço, que falava de haver lá mentes abertas? Só se algum partiu a cabeça! Havia lá uns tipos do reviralho (como lhes chamavam) mas eram mais as vozes que as nozes….

E o Luís Pacheco, a quem escreveram lindas orações fúnebres nos jornais e na nossa Gazeta, não tinha quem lhe pagasse lá uma bica ou sequer permitisse que se sentasse na sua mesa e era enxotado por gente que hoje conta como foi bom conviver com ele…. (se calhar só eu é que me lembro disto?).

Olha o João Serra (será o mesmo que escreve na Gazeta?) preferiu não falar de nada disso nem se meter em alhadas no post dele, mas escreveu assim:
- estereótipos sociais e até ideológicos e que os frequentadores fiéis de cada um dos cafés teriam certamente consciência da etiquetagem…Copiei isto agora de lá e , se bem percebi, é a maneira dele dizer que, se falavam mal dos frequentadores do Central na Zaira, o contrário também era frequente!.... Mas já não diz quem é que comprava as coisas bonitas que havia na Tália!!! Não era eu nem nenhum dos meus colegas, só muito depois de casar é que tive dinheiro para um gira discos.

Não sei quem vai ler isto (espero que chegue pelo menos ao JJ e ao Abegão) mas não podia calar o que realmente se passou. E dizer que só entrei no casino (o nome mesmo penso que era clube de inverno - aquilo não era um casino a sério) quando se transformou em casa da cultura onde havia muitas ideias e boas vontades, mas pouco dinheiro para fazer coisas……O único menino do colégio que lá vi nessa altura foi o Faria (Zé Carlos). Mas sou obrigado a achar mal que hoje não sirva para nada nem para ninguém.

Fui poucas vezes à Zaira, e só anos depois, quando a porta já era a frontaria toda escancarada, a convidar todos a entrar e sem ninguém a ‘cortar’….. mas não era assim em 1962, 1963, e por aí adiante, a porta era mais estreita nessa altura….

Querem saber onde eram os verdadeiros ‘locais onde se encontrava a nossa juventude’? Era nas paragens das camionetas e dos comboios, nas tascas, na Mata e no Parque -porque eram de borla - para os que estudavam. E as fábricas, armazéns e lojas para os que começavam a trabalhar com 12….13…..14 anos!! Eram aprendizes, ganhavam uns tostões e trabalhavam todo o dia, foi o destino da maioria dos meus colegas. Poucos voltavam a ‘estudar à noite’ porque só se podia depois dos 16 anos, e nessa altura a vontade tinha desaparecido..… Estas eram as histórias que um dia destes temos que contar, mas no blogue do Zé Ventura. Porque entretanto os 'copinhos de leite', no blogue do Ero, só contam é histórias do Casino e do Ferro Velho!!!

Um abraço para o Zé Carlos e para o JJ, isto é só a gente a conversar!!! Temos é que ir beber um copo quando eu voltar às Caldas!!!

Artur

Breves notas e comentários a "Os Locais do Artur Alves"

BREVES NOTAS E COMENTÁRIOS
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Este texto, depois de corrigidas algumas gralhas, foi publicado com plena autorização do autor. Foram acrescentadas as fotos, do nosso arquivo, e a citação de outro artigo, a azul no original, foi colocada em itálico. Nada mais.
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Permito-me começar pelo fim: se o Artur não sabia quem ia ler a sua mensagem, agora sabe, todas as pessoas que visitam este Blog, onde não se contam só estórias do Casino e Ferro Velho.
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Todos os locais que refere constavam já noutros depoimentos, uma colega nossa elegeu até a paragem da sua camioneta como "local de encontro". Havia alunos da periferia no Colégio. Os artigos são já muitos, percebo que o autor não tenha lido tudo.
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Ninho de Víboras para designar a Zaira só ouvi anos depois, na altura os vendedores da Praça chamavam-lhe, com humor e algum espanto , a "Tasca das Mulheres".
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Datómetro na mão e estamos no final da década de 50, início de 60. Em 66 o Artur diz já ter acabado o Curso Comercial. Mas alguns episódios que refere são um pouco posteriores a isso. Será que esta datação que o texto aponta está correcta? O "desentendimento" que me envolve e ao Rui (e não Raul) Ferreira da Silva é já perto de 70, e está claramente exagerado, talvez para ilustrar melhor o seu ponto de vista. Uma troca de "bocas" mais acalorada entre alunos do ERO e da Escola, realmente com uma intervenção de terceiros (não me lembro quem), aparece aqui como uma cena de um filme do Trinità! Não foi bem assim.
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O Rui, eu e outros alunos do colégio vestíamos segundo os padrões da época, já o referi aqui duas vezes, e isso não agradava a toda a gente (começando no Director do Colégio). As estórias vão todas sendo contadas...
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O Artur, pelos vistos, ia ao Central. Como já referi eu só lá ia à cave, de resto era cliente da Zaira, pelo que não posso comentar as suas afirmações a respeito desse local.
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Confirmo que o João Serra é o mesmo que escreve na Gazeta e o Miguel é realmente o filho do Dr. Bento Monteiro, professor na Escola.
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A verdadeira designação do Casino era Clube de Recreio, o Clube de Inverno era outra entidade, que chegou a alugar as instalações do Clube durante o Inverno, quando este estava fechado. Desde o final da década de 40 que isso não acontece. Como o Clube de Inverno era (e penso que é) exclusivamente masculino, parece ter surgido a designação de Casino das Senhoras para o Clube de Recreio, posteriormente abreviada para Casino. Estamos de acordo que é criminoso manter um espaço daqueles, com aquela localização, fechado há anos.
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Mesmo não concordando com alguns dos seus pontos de vista, julguei o texto interessante e terei muito gosto em aceitar o convite para beber um copo com o Artur, quando ele vier às Caldas. A acrescentar à ginjinha e aos bolos já combinados, este não vai ser um Verão bom para a minha dieta!
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JJ
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01-05-2008
João disse:
Tio Artur: na minha aldeia você seria o tipo com cara de poucos amigos que à meia noite apita para mandar parar o baile. Em linguagem mais urbana, você é o tipo que gosta de fazer de elefante na loja das porcelanas.Só que há aqui um equívoco. O Artur não parece ter-se dado conta dele. Já não há baile. Já não há loja de porcelanas. Fechou tudo. Você não manda os pares para-casa-que-amanhá-é –dia-de-trabalho, porque o terreiro está vazio. Também não faz a casa em cacos porque a loja mudou de ramo. Acabou tudo há mais de 30 anos. Nós somos todos outras pessoas e apenas nos encontrámos para contar histórias. Somos como aquele personagem do Ray Bradbury que anda a contar o que desapareceu: as ervilhas, o cheiro do café, as molas que os ciclitas usavam para apertar as calças nas canelas, coisas assim. Só isso. João Serra
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01-052008
Ana Carvalho disse:
Ai que horror! Só agora li o artigo do Artur, que eu não faço a mínima ideia de quem é, achei que o Sr. não sabe mesmo do que estava a falar , os alunos ERO não eram assim e que eu me lembre o Casino tambem não, para mim era um espaço de convivio agradável. E olha que eu não fazia parte do que ele chama JET SET da época. Por causa destas e de outras é que se gerou alguma rivalidade Escola Comercial /ERO.
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01-05-2008
Luis António disse:
(...)havia quem não tivesse dinheiro para o almoço na Escola, e no Colégio, mas bem pior é beber vinagre ao pequeno almoço com parece fazer o Artur !!! Vê lá JJ se é desse "copo" que vais beber ......
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01-05-2008
Isabel Caixinha disse:
Respondendo ao elogio do Artur, tenho porém que o acordar para mais uma desilusão.A "garota"do Blog é hoje uma mulher de 50 anos e até avó.
Quando mencionei mentes abertas e tolerantes,não estava a referir-me a crânios, e sim mais concretamente ao conteúdo e atitudes.Esta abertura nada tinha a ver com politica.Quem lhe deu essa coloração foi o senhor.Os meus amigos do Central eram exactamente assim - Mentes abertas e tolerantes!
Tambem é pena que só leia partes dos depoimentos apresentados porque, e para exemplo, a grande maioria dos amigos que mencionei eram alunos da escola.
Acho muito normal que não me conheça porque a ver pela falta de respeito que denota no seu depoimento, nunca poderia ter feito parte de um grupo de amigos meus! Isabel Caixinha
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01-05-2008
Jorge disse:
Penso que nuinguém se revê neste depoimento,embora eu sendo do E.R.O. possa ser suspeito.Não sei se foi boa ideia publicar,eu preferia ignorar.Serve para quê?Dou razão ao Bonifácio: acabou tudo há 30 anos,Jorge
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01-05-2008
Miguel B M disse:
Comentário ao artigo (?) do Alves:
Nunca ouvi falar deste rapaz que insulta o meu Pai e me chama "menino copo de leite "sem fazer a mínima ideia de quem eu sou, o que faço, qual o meu percurso de vida. O meu Pai sempre me disse que não apreciava alunos com QI pouco elevado e daí eu entender o que foi escrito. Era inevitável que mais tarde ou mais cedo eclodiria uma ovelha ranhosa ressabiada e frustrada (diz-me, em que partido votas?) que se permitiu criticar coisas que ignora, nunca ouvi falar no episódio da Praça de Touros como um caso policial, desconhece a diferença entre Casino e Clube de Inverno e até baptizou o Rui FS com um novo nome. A propósito, tinha-te sabido bem que a Angelina te tivesse preferido a ti e não ao "mariquinhas" do ERO não era meu maroto ?E se ela era gira...E ficaste chateado por as alunas da Escola namorarem com os "mariquinhas"? elas deram-te muitas vezes com os pés? acho que já entendi este teu problema mas infelizmente tens mais. Embora certos considerandos que foram feitos sejam certamente verdade e seria estultícia ignorá-los (com o conteúdo do artigo uma pessoa com um mínimo de jeito e bom senso tinha elaborado um excelente texto sem necessidade de ser grosseiro) tb é verdade que o autor está totalmente deslocado da realidade que tem sido retratada no blog, destilando ódio acumulado ao longo destas décadas e disparando contra tudo e contra todos. Ainda bem que tens má pontaria, a tua pistola não funciona ou nunca te ensinaram a atirar. Deu-se ao luxo de criticar o artigo do Abegão que está correcto, é conciliador e retrata com muita fidelidade a realidade daqueles anos. Este espaço foi criado como um espaço de convívio e boa disposição e partia-se do princípio que não haveria insultos pessoais. Afinal foi puro engano. Mas os privilegiados do ERO (seriam fascistas?) não têm coração de pedra, sabem que é pedagogicamente errado, e até cruel, ignorar as pessoas que não estão bem com a vida e nem com elas próprias, que não tiveram a oportunidade de beber "copos de leite" (e chá) quando eram jovens (foram antes alimentadas com ácido e veneno) e assim, graças aos meninos, conseguiste o teu pequeno momento de glória. Se tivesses problemas respiratórios, eu curava-te. Como tens "maus fígados" não posso salvar-te.
PS: o blog não tem um caixote de lixo electrónico ou um vomitório ?
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01-05-2008
Belão disse:
Segundo o que me é dado a ler quando quero escrever algum comentário - "não serão autorizados comentários insultuosos"- não percebo como este foi publicado. Acima de tudo, o que mais lamento é que o Sr. Artur não tenha aprendido nada na escola: nem a escrever (o JJ teve de "emendar algumas gralhas"),nem a tornar-se uma pessoa bem formada e educada. E isso pouco ou nada tem a ver com posses económicas! Belão
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01-05-2008
João Ramos Franco disse:
Sr. Artur Alves
Deve estar a falar de uma outra Caldas da Rainha, porque aquela de que fala não conheço. Eu tenho quase 66 anos de idade e ao ler o que escreveu fiquei a pensar que tinha nascido num outro sitio que aquele onde a sua história se situa.
Mas deixemos de muitas palavras e mencionemos os amigos. Sendo estudante do ERO tenho como amigos meus da Escola Comercial: os Irmãos Leiria, Clóvis, Malhoa, Amadeu, Salvador (sapataria) e Irmão, José Coelho, Baptista, etc… Eles são tantos e participaram em tantas brincadeiras da minha juventude que no mínimo lhe perguntariam: Viveste nas Caldas?
João Ramos Franco
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02-05-2008
Zé Carlos Faria disse:
Acabo de votar no Sim, na sondagem que está em marcha e gostava de fazer uma pequena «declaração de voto»:
Tal como vem referido na introdução ao artigo, o blog ERO é um espaço sem censura, (o que não significa que não possa nem deva ter ponto de vista). Mas mais do que a ausência de censura (pressuposto mínimo, convenhamos), trata-se sobretudo de um espaço livre e aberto, alimentado por múltiplas fontes e que tem vindo a suscitar atenção, interesse, debate e reflexão. E isto é o fundamental! Não creio que haja alguém interessado num processo comunicativo amorfo, «unanimista» e num circuito fechado, o qual estaria assim condenado a ser um curto-circuito. A História faz-se de olhares e visões diferentes e do seu cotejo e confronto. Nestas circunstâncias, isso é extremamente salutar. De facto, existe uma dinâmica de leitura dos artigos e ela desencadeia o impulso de emitir opinião. Será possível pedir melhor?
Na sua diversidade, o blog está vivo e recomenda-se...
Aquele abraço! JCF
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02-05-2008
São Caixinha disse:
O Serra disse elefante?! Eu diria mais mamute e na loja da Vista Alegre! Louvado seja Deus...tenho pouco a acrescentar à vossa impressionante lista de reacções, na realidade! Porém, eu que tive inúmeros amigos da Escola ( amigas e namorados também!) nunca encontrei justificação para as rivalidades de que ocasionalmente ouvia falar! Até hoje, bem entendido!! Ora bem, sempre serviu para alguma coisa! E não digam que não continuamos a aprender...!!! São Caixinha
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02-04-2008
Mª João Gomes disse:
O artigo do Artur Alves é para mim o momento deste blog, o que eu descobri !......Descobri que as “cadelas” que alguns dos citados apanhavam eram com leite, que estes mesmos e outros não iam ao Lisbonense nem ao Casino da Mangueira, que o JJ além de arruaceiro (isso já sabia) era pescador e que se gostava de mostrar com o Rui FS, (com franqueza João, desconhecia-te esse lado.....), que “OS COPINHOS DE LEITE” afinal não casaram com as mulheres que amavam, mas antes acabaram “caçados” sabe-se lá porque “gajas”, que o João Serra tem medo de escrever, que após o casamento o poder económico melhorava a ponto de se poderem comprar gira discos...........O que é preciso é que aparecem mais artigos como este, pois eu afinal andei distraída e realidades como as descritas passaram-me ao lado.Vá lá, escrevam mais artigos com este tipo de tom e conteúdo que eu, os privilegiados, os copinhos de leite e as meninas do Blog, pelos vistos passámos os anos da nossa juventude noutra galáxia, nem sabíamos que havia colegas e amigos que tinham vivências sociais, políticas e económicas diferentes. Mª João Gomes.
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02-05-2008
Pedro Bandeira disse:
Sou um leitor esporádico do Blog do ERO e permitam-me o seguinte comentário sobre o artigo considerado polémico do Artur Alves, que não conheço, em resposta a outros artigos cujos autores também não conheço.
Diverti-me à brava a ler o artigo em causa e reli-o mesmo duas vezes à procura de algo insultuoso, o que não encontrei.
O artigo é faccioso ? – É.
O artigo é provocatório ? – É.
O artigo está mal escrito ? – Não, bem pelo contrário.
É uma visão pessoal que certamente até o próprio saberá que está excessivamente matizada mas que reflectirá o seu sentimento sobre uma sociedade e uma época.
Eu, que andei no ERO do 1º ao 5º ano do liceu (1966/70), tendo depois deixado de viver nas Caldas, tenho outra visão completamente diferente:
- Ia a pé para as aulas e ainda bem pois assim tive mais tempo para a brincadeira e para apanhar fósseis.
- Os livros, não os ia comprar à Tália, ia buscá-los à biblioteca do Parque (era da Gulbenkian, não era?), que posso “eleger” como um dos locais da minha juventude nas Caldas.
- Nem Zairas nem Centrais, ia era jogar matraquilhos à Floresta, bilhar ao Camaroeiro e pingue-pongue ao Parque.
- Por último o melhor amigo que fiz nas Caldas e que ainda hoje conservo andava na Escola Comercial.
Saudades do
Pedro Bandeira
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03-05-2008
João Paneiro (Neco) disse:
Acabou o bom senso no blog?Será que muitas das reacções ao artigo do Artur (que li 3 vezes para entender a razão de tanto protesto) resultarão do pessoal, com excepção do "Traga Balas"(desculpa referir-me assim), ser muito novo nos anos 60 e como tal, não serem reais observadores? O Artur pintou a realidade das Caldas por esses anos, com as cores todas. Socialmente a cidade estava muito estratificada. Casino de porta aberta? Só em fantasia. Zaira centro transversal de convívio? Nunca dei por isso.
As reflexões do Artur são verdadeiras, e até já me fazia confusão aquilo que lia, dando a entender que as classes sociais nas Caldas não se encontravam bem marcadas e que conviviam numa santa harmonia. Que grande distracção. Realmente não era assim. Se calhar era eu que andava distraído... Mas o que tem o post do Artur para lhe valerem tais referências desagradáveis? Insultos? Não dei por isso. Mas ser necessária uma sondagem sobre o sim ou não da publicação do post é assustador! Será que quem condena a publicação não ficou farto de censura? Eu fiquei...
Já agora, eu frequentava intensamente a Zaira, os matrecos da Floresta, o casino, o pigue-pongue das casa dos barcos no parque (onde a D. Adelaide nos anunciava com a sua saudosa pronúncia "Meninos está na hoia"), o Clube de Inverno, os bailes do Lisbonense etc, mas de facto não encontrava toda a juventude daquele tempo a frequentar os mesmos sitios. João Paneiro - Neco
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04-05-2005
Manuel Agudo disse:

Meus caros amigos sou o Manuel Agudo que andei a estudar no ERO, com dois irmãos (um e uma) durante poucos anos - lá para os lados de 1966 a 1969 – e que por isso a maior parte dos visitantes do BLOG já não se deve recordar de nós. Agora, com esta intervenção um pouco mais quente do nosso amigo Artur Alves, que me desculpe, mas não tenho o mínimo vestígio na memória, resolvi entretanto perder a vergonha e mandar também umas “bocas”.
Por isso também concordo com o Zé Carlos Faria de que isto é um espaço aberto, e destina-se a desabafar um bocado e falar de peito aberto! Isso não quer dizer que se tenha de lançar pedras daquela maneira a alguns colegas só porque frequentavam aqui ou acolá!
Mas que diabo! Também já lá vão 40 anos!!.....
Quanto aos locais mais frequentados, na minha idade no ERO, eram a maior parte do tempo em casa ou redondezas (porque um maior afastamento podia originar uns tabefes da mamã) e quando surgia uma oportunidade ir à mata para jogar à bola, ou até ao parque brincar ou jogar Ping-pong.
Quanto aos cafés preferidos pelos colegas, a maior parte deles não me lembro muito bem, mas também posso acrescentar que me recordo da Zaira ser um café frequentado pela “finesse”, de ir às vezes ao Central com o meu pai para (ele) tomar um cafezinho ( não concordo nada com o nosso amigo Artur Alves de considerar um local de Elite) e também me lembro de ter aberto o Café Maratona, para onde por vezes me escapulia (era perto da minha casa) para me deliciar a ver os carrinhos da pista de automóveis.
Já agora que estamos a falar à vontade, também me merece adiantar que havia efectivamente alguma clivagem entre os estudantes da Escola Industrial e do ERO, por razões óbvias – escudos! Mas isso não me parece que mereça agora algum reparo sobre os frequentadores de cada estabelecimento, até porque estávamos no tempo da “outra senhora”
Bom! quanto mais não fosse, esta intervenção do Artur Alves foi boa só para dar um arzinho de sua graça ao blog e principalmente para começar a ver algumas intervenções de antigos colegas de turma – Pedro Bandeira (que tal como eu não vive nas Caldas) , Mª João Gomes e aguardo que venham outros………
Xau!!!!!!!!
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05-05-2008
Fernando disse:
Em relação a toda esta polémica, só me surge como resposta ao autor do texto original, o Sr. Artur Alves (que não faço ideia quem seja), aquela que o General Cambronne deu na batalha de Waterloo, quando o convidaram a render-se, e que ficou conhecida para a história como "Le mot de Cambronne"...
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05-05-2008
A. Justiça disse:
Não percebo tanto furor e “esquentar de cabeças” por causa do artigo do Artur Alves, afinal o que foi escrito por ele corresponde a uma realidade de então. Pois se até na Escola Comercial e Industrial havia rivalidades entre os meninos do Comércio e os Macacos da Indústria. Os do Comércio eram os “queques” e os da Indústria eram os “sujos”. É natural que assim fosse pois só depois de 74 é que apareceram mecânicos de bata branca… dantes era tudo com fato-macaco, de preferência azuis… e quando se trabalhava em oficinas certo era que as roupagens estivessem sujas e a cheirar a óleo. Claro que a forma como o Artur aborda a questão é ríspida e pouco sociável, no entanto, isso deve-se á maneira de ser de cada um e não afasta, de modo algum, as diferenças que havia entre a rapaziada do ERO e da Escola… e da mesma forma se pode comparar com as diferenças, dentro da mesma Escola, entre os meninos do Comércio e os “labregos” da Indústria. Preciso esclarecer que pertenci aos últimos.
Ora bem, com tudo isto votei “sim”, que este tipo de análise à sociedade de então deve ser publicada até porque, após ler os primeiros artigos publicados, comecei a ficar com dúvidas se teria mesmo tirado o Curso em Caldas, é que… realmente não tinha, na altura, tanto vagar e muito menos escudos, para frequentar os locais que até então eram focados. Só Zaira, só Central, só Casino, etc, etc, … e então! Ninguém se divertia. Ficavam-se por estarem sentados à mesa de cafés. Não. Recuso-me a aceitar essa tristeza até porque… lembro-me que a nossa juventude era muito mais rica e criadora. Frequentei todos esses locais nos 6 anos de estudo e recordo que essa frequência era por “revoadas”, quer dizer, durante uns tempos aqui outros ali e outros ainda acolá. Nunca fixo em um local apenas.
Pois se até, na estação da CP, a linha secundária que dava acesso aos armazéns do cais de embarque foi local de brincadeiras… se o largo frontal foi local para, rapazes e raparigas, jogarem ao ringue. E as longas caminhadas, a pé, até à Foz do Arelho… e os passeios no Parque da Cidade… e os passeios na Mata com incursões esporádicas na Quinta da Boneca… e o comer medronhos na Mata… e tantas, tantas outras aventuras, próprias da idade, que por vezes traziam dissabores.
Amigos, deitem cá para fora as “travessuras” porque nem a vossa nem a minha vida de estudante foi passada à mesa de cafés. Havia diferenças, até grandes diferenças, na forma de estar na vida… e que isso dependia do poder económico de cada um, não tenho dúvidas, o que duvido é se essas diferenças eram provocadas pelos mais desafogados ou pelos menos afortunados de carteira… mas uma coisa é certa… foram tempos divertidos apesar de uns se divertirem apenas com o “Mundo de Aventuras” e o seu Cisco Kid e outros com o mesmo e mais uns discos que podiam comprar ao Sr. Nogueira.
Assim sendo, JJ, não te arrependas de ter publicado o artigo do Artur. Ele pelo menos teve o condão de afastar a escrita que, até então, estava a ser desenvolvida e colocou uma pitada de “piri-piri” no recordar.
Continuem, pois… recordar é viver… e muito me apraz lembrar esses tempos.
Um abraço
Justiça
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07-05-2008
JJ disse:
Não pelos 96% de aprovação na sondagem do Blog, mas pela quantidade e diversidade dos comentários, a publicação deste artigo foi positiva.