ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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ALGUMAS NOTAS ADICIONAIS À "BREVE HISTÓRIA..."

1-Estas são notas para ler depois da "BREVE HISTÓRIA DO ERO 1945-1973".
2-Alguns computadores apresentam as imagens lado a lado, outros criam espaços
em branco. Tem a ver com as "definições" de cada um , não é opção de edição nossa.


A dimensão da “Breve História…” , não tão breve como era suposto, obrigou a que houvesse um desdobramento em duas partes, porque o Blogger não permitia tanto texto e imagens num só artigo. Mesmo assim algumas fotografias e "recortes" de jornais ficaram de fora, mas eu penso que são suficientemente interessantes e informativos para merecerem ser mostradas a todos.
Por outro lado não cabiam já os agradecimentos que era imperioso fazer. Tudo somado nasceram estas Notas Adicionais.

1- AGRADECIMENTOS- À Dª Anita que me recebeu com grande cortesia e infinita paciência partilhando comigo factos e informações preciosas, sem as quais esta história não seria possível. Invejável memória na sua idade (não sei ao certo, ensinaram-me a não perguntar a idade às senhoras).

Ao Dario (da Secretaria) por alguns esclarecimentos fundamentais, só possíveis por alguém que tinha outra visão do ERO.

Aos nossos colegas (se me permitem que os trate assim) António José Lopes, Mila Marques, José Mesquita de Oliveira, Ana Maria e Mário Gonçalves que, com muitas informações e um brilho nos olhos ao falar do COLÉGIO, me convenceram definitivamente que valia a pena contar esta história.

Ao Tó Freitas que, apesar de uma gripe, conseguiu dar-me "o cheiro e a cor” do período dos anos cinquenta que me faltava. A notável listagem de p’raí 500 nomes (completos!) de colegas que debitou durante a nossa conversa, incluindo turmas inteiras desde a sua entrada no Colégio até aos seus dois ou três sétimos anos, fica em arquivo para uma iniciativa posterior.

A todos os citados no texto, pelas suas colaborações: Acácio Leite, Alberto R Pereira, Filipe Oriol Pena, João Miguel A. Santos, Nami e São Caixinha.

A todos os que por email, telefone ou pessoalmente me ajudaram a montar este puzzle. É impossível citar todos, são meus amigos, considerem-se todos agradecidos.

2 - IMAGENS-Estes são anúncios de estabelecimentos de ensino na Gazeta das Caldas (anos 20, 30 e 40) que nos permitem saber quem, quando e onde. Só escrevi sobre os que originaram o ERO, mas como vêem há aqui outra história por fazer. Este comentário da Guidó que acompanhava o último scan que me enviou diz tudo:

E diz que também havia um no vão de escada da... e outro nas águas-furtadas da.... e um na sub-cave do..... e outro no quintal da .... e mais um no anexo da..... e ainda outro no sotão..... Foi muita educação, por isso é que as Caldas têm tantos letrados pelo mundo fora.
Noves fora
acho que as contas batem certo.
Ou não?
Guidinha, a que escreve redacções

































































3 - FOTOGRAFIAS - Todas as fotos são da Margarida Araújo, excepto a do colégio na Diário de Notícias (que é do Flores) e a do Sr. Ulisses (autor desconhecido).

As aqui apresentadas são do interior e da vista das janelas das instalações do Lusitano na Rua de Camões. É o único dos edifícios que mantém um interior semelhante ao que tinha quando funcionava como Colégio (com a óbvia excepção do novo).

Todas as fotos da Margarida eram a cores, como a que está abaixo, a "culpa" de aparecerem a P&B é minha, pareceu-me que assim se harmonizavam melhor com o texto.















































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C O M E N T Á R I O S (à "Breve História do E.R.O.")

A dimensão da “Breve História do ERO”, não tão breve como era suposto, obrigou a que houvesse um desdobramento em duas partes, porque o Blogger não permitia tanto texto e imagens num só artigo.
Por outro lado não cabiam também os agradecimentos que era imperioso fazer nem os comentários que esperamos de quem nos lê. Aqui estão ambos.

A G R A D E C I M E N T O S
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À Dª Anita que me recebeu com grande cortesia e infinita paciência partilhando comigo factos e informações preciosas, sem as quais esta história não seria possível. Invejável memória na sua idade (não sei ao certo, ensinaram-me a não perguntar a idade às senhoras).
Ao Sr. Dario (da Secretaria) por alguns esclarecimentos fundamentais, só possíveis por alguém que tinha outra visão do ERO.
Aos nossos colegas (se me permitem que os trate assim) António José Lopes, Mila Marques, José Mesquita de Oliveira, Ana Maria e Mário Gonçalves que, com muitas informações e um brilho nos olhos ao falar do COLÉGIO, me convenceram definitivamente que valia a pena contar esta história.
Ao Tó Freitas que, apesar de uma gripe, conseguiu dar-me "o cheiro e a cor” do período dos anos cinquenta que me faltava. A notável listagem de 526 nomes (completos!) de colegas que debitou durante a nossa conversa, incluindo turmas inteiras desde a sua entrada no Colégio até aos seus dois ou três sétimos anos, fica em arquivo para uma iniciativa posterior.
A todos os citados no texto, pelas suas colaborações: Acácio Leite, Alberto R Pereira, Filipe Oriol Pena, João Miguel A. Santos, Nami e São Caixinha.
A todos os que por email, telefone ou pessoalmente me ajudaram a montar este puzzle. É impossível citar todos, são meus amigos, considerem-se todos agradecidos.

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C O M E N T Á R I O S

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António José Figueiredo Lopes disse:
Acabo de ler a breve história do ERO. É um trabalho excelente que deve ter dado muito trabalho. Uma parte, a mais antiga, eu desconhecia quase completamente. A partir de 41 andei por lá, mas muito já estava esquecido e gostei de relembrar. Obrigado Um abraço A.J. F. Lopes
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Ana Nascimento disse:
E agora que dei uma 2ª leitura, digo-te…. realmente que trabalho tu tiveste… isto está 5 estrelas… fico muito contente que a ideia tenha partido de ti.. não são apenas os almoços que mantêm vivo o espírito do Colégio, era preciso escrever a sua história ….Ana Nascimento
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João Ramos Franco disse:
Já li e está bastante completa. Algumas Informações que possa dar-vos, tenho que conversar com a Margarida Calisto, Jorge Calisto, (meus primos) e com o Fernando Figueiredo, irmão do Padre António Emílio. Apenas posso dar algum contributo em histórias passadas entre 1953/4 e 1962, (estive três anos no 5º ano, para fazer a secção de Ciências) e daí a convivência com os professores e uma série de rapaziada mais nova, que foi bastante gira. João Ramos Franco.
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Isabel V. P. disse:
Obrigada João. Adorei ler a história do ERO. Parece-me que, de facto, há algumas imprecisões de datas, mas terei que ver isso com mais atenção - refiro-me à instalação dos 1ºs anos na esquina da R. do Jardim. Assim que tiver dados concretos, digo alguma coisa. Beijos Isabel VP
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A. C. Tavares disse:
Ao navegar na net neste fim de tarde chuvoso, sem história, deparei com o portal dos ex-alunos do Externato Ramalho Ortigão…………Grato por esta viagem a um passado que guardo com carinho. Atenciosamente,António C. Tavares.
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Vasco disse:
Bom trabalho, mereceu o esforço, esta descrição do colégio ao longo do tempo está excelente, com precisão. V
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Zequinha disse:
Tendo em consideração a idade dos alunos mais velhos como é que pode alguém ter dúvidas??? O Colégio existe... desde sempre!Beijinhos para o Zé Carlos, Tó Freitas, Joaquim Nazaré, Fontinha, Jorge Calisto e todos os outros eternos...companheirões.Zeca Pereira da Silva
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São Caixinha disse:
Olá João!Bem... isto está a tornar-se sério!!! Muito interessante a história do ERO...adorei ler! Não tinha conhecimento da existência dos colégios anteriores...que magnífico trabalho de pesquisa! A vossa memória também é impressionante!!! Parabéns a todos!!E já agora...o tal jardineiro de 150 anos chamava-se Francisco. Até a minha normalmente fraca memória começa a dar provas de melhorias!!Bjs São Caixinha
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Margarida disse:
Viva, viva, está muito bem. Deve ter dado um trabalheira.Bjs M.
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Miguel B M disse:
Só agora li a história do ERO e achei deslumbrante. Desconhecia totalmente como tudo começou. E para quem nunca foi especialmente craque a História revelaste um arguto espírito de historiador. Não foste actor (com um futuro risonho como alguém augurou) felizmente para os apreciadores de teatro e encenadores, mas foi pena que não te tivesses dedicado à investigação histórica.Em 1991 ingressei no Hospital de Almada e tive um doente que ao ouvir o meu nome me reconheceu, por incrível que fosse. Tratava-se do P.António Emílio que imediatamente reconheci quando se identificou.Tb acrescento que a minha mãe leccionou grego, nos primeiros anos em que chegámos às Caldas, nas antigas instalações do ERO, antes de 61 portanto. E foi com surpresa que soube que o excelente TZLopes é dos primórdios do ERO. Ele que numa aula de Geografia disse à turma, lendo (é claro):"têm que decorar o nome da capital do Alto Volta - Uagadugu". Um abraço M.
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Isabel Knaff disse:
Olá João!Parabéns com a magnífica "reconstrução" do ERO! Que trabalho de pesquisa tão interessante e tão bem apresentado!Waauuuuu!!!Desconhecia por completo a existência dos outros Colégios e fico perplexa comoisto é possivel...nem por isso é uma coisa tão pequena!!!Adorei saber dos ERO's desconhecidos e recordar o que eu conheço.Vais mesmo buscar coisas que eu ao ler só me ouço dizer "Ah...é verdade...."Incrivel essa memória!Isabel
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Luisa Nascimento disse:
Olá João: Já fiz uma primeira leitura à história do ERO que me encantou. Não tenho muito a acrescentar salvo o facto de, tal como tu o dizes, confirmar ter conhecido os três últimos directores. Embora ainda não frequentasse o ERO no tempo do Padre António fui sempre bem acolhida por ele, sempre fiz parte das actividades da minha irmã Ana (Guias e Colónia de Férias em Salir - até lá dormi um fim de semana....).Deixou-me tão boas recordações que, aquando da sua segunda passagem pela paróquia das Caldas lhe pedi que celebrasse o meu casamento. Como curiosidade, foi realizado no dia 14 de Maio de 1977 na capela do ERO (tal era o amor que eu tinha por aquele colégio). Para alem do meu casamento houve duas cerimónias de baptismo e nada mais.Pelo padre Albino sentia um misto de medo e de protecção. Se por um lado ele era austero, por outro era de tal forma organizado que nada de mal nos poderia acontecer. E mais quando, já adulta, tive conhecimento de que havia colegas nossos que frequentavam o ERO gratuitamente e que o padre Albino tinha evitado que outros fossem presos pela PIDE, passei a conhecê-lo melhor. Afinal debaixo da autoridade havia muita sensibilidade. Tenho um cartão que ele me escreveu quando foi para a Cartuxa de Évora que ainda te hei-de mostrar.Quanto ao padre Xico só te posso dizer que é o único padre que me faz ir à missa de corpo e alma e que foi ele que baptizou a minha filha. É o "nosso" padre Xico, brincalhão mas com grande espiritualidade.Luisa Nascimento
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João B Serra disse :
Parabéns, João, pelo excelente trabalho de recolha de informações e testemunhos sobre o ensino secundário nas Caldas da Rainha. Este texto, que abarca praticamente 50 anos de história da sociedade caldense, alia a riqueza de elementos com a desenvoltura de escrita própria de um blog.Fornece pistas e contem memórias suficientemente ricas e diversificadas para suscitar outras e acrescentar novos dados ao que já foi recuperado. Longa vida pois ao blog do Colégio (ou dos colégios...).J. Serra

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Francisco Carrilho disse:
Pela minha parte, parabéns à equipa pelo tempo que disponibilizou na execução deste trabalho.Excelente trabalho de investigação da história do E.R.O., que eu penso ser um elemento fundamental no sentido de um melhor conhecimento e aproximação das diferentes gerações que por ele passaram.Estou convicto que no próximo almoço dos Antigos Alunos ( curioso! - e agora sou eu a pensar - desde que apareceu o blog, a participação que ele tem tido, os óptimos artigos que se produziram, os respectivos comentários, as fotografias que nos fazem voar no tempo, as histórias partilhadas, etc., - de repente apetecia-me que esse almoço fosse ainda este ano! ), haverá uma maior empatia entre todos nós, que, julgo, e definitivamente, vamos estar todos presentes, com muitas mais histórias para contar.

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JJ responde ao Chico:
O teu comentário e o da Ana tocaram no ponto central. É essa a ideia, a preservação da memória de um património comum. E a partir daí os encontros fazem sentido, não há gerações separadas mas sucessivas. Um abraço. JJ
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farofia disse...
Este blog é um espanto! Ia jurar que já tinha passado por aqui, por esta rua, e não tinha visto este 'edifício' de post,... nem aquelas 'janelas' de comentários...Cheguei aqui por ETIQUETAS, História do Colégio. Achei coisas novas ou então renovadas, e percebi que vale muito a pena voltar sempreporque mais que um blog esta é uma obra de arte on the making uma delícia!

BREVE HISTÓRIA DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO 1945-1973 1ª parte

Conforme descrito no artigo do João Bonifácio Serra (ANTES DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO - Os colégios das Caldas da Rainha 1928-1945), no início dos anos 40 há dois colégios activos nas Caldas, o Caldense, exclusivamente masculino e o Lusitano, exclusivamente feminino. A criação de um único estabelecimento de ensino tinha grandes vantagens à partida, permitindo mais inscrições, já que a lei da separação de sexos deixava de se aplicar, e também racionalizar recursos e custos, reunindo num só estabelecimento os melhores professores, dando aulas a mais alunos. É isto que pensam pouco mais de uma dúzia de caldenses ilustres, liderados pelos Dr. Júlio Lopes, Dr. Asdrubal Calisto e Dr. Leonel Sotto Mayor, reunidos na Sociedade de Melhoramentos Caldenses, e que os leva a comprar os dois alvarás existentes fundando, em Outubro de 1945, o Externato Ramalho Ortigão. A intenção não era empresarial, o ensino não era uma actividade lucrativa, os quinze sócios fundadores procuravam uma forma de garantir não só o Curso Liceal mas principalmente o acesso ao Ensino Superior Universitário para os seus filhos, já que só existiam Liceus nas capitais de Distrito.



Não há pois motivo para a perplexidade de alguns pela escolha do nome para um estabelecimento católico, já que o “baptismo” é muito anterior à “conversão”, a escolha do nome é treze anos anterior à sua compra pela Igreja. São trinta e oito os alunos inscritos, entre eles António José F Lopes, Mário Gualdino Gonçalves, José Mesquita de Oliveira, Óscar Baptista, Elmano Soares de Sá, Maria Emília Marques Henriques, Joaquim J Nazareth, António José Rodrigues Borges, Margarida Calisto, Adriano Fidalgo dos Reis, Jorge Sotto Mayor, Carlos O. Gomes, Fernando M. Loureiro de Sousa, Vasco Henriques, Manuel Mesquita de Oliveira, Viriato L. Castro, Sami Bento, Carlos José Marques Henriques, David Vazão …


Começa o ERO por ocupar as instalações do Caldense, na Rua Miguel Bombarda. Os professores mais conhecidos desta época são o Dr. Azevedo (Matemática e Desenho), que leccionará em todas as instalações, o Dr. Rosa Bruno (Matemática e Físico-Química), o Capitão Dario Preto Ramos (Desenho), o Maestro Carlos Silva (Canto Coral), o Dr. Melo (Latim e História), a Dra. Marília (Matemática), o Dr. Mário Braga (sim, o conhecido escritor foi aqui professor de Filosofia), substituído depois pelo Dr. Catarino. Desde o primeiro dia faz parte dos quadros a Dª Anita Nascimento, professora de Lavores e depois também funcionária administrativa, que será a única pessoa que se manterá ao serviço do Colégio durante os seus quase trinta anos de funcionamento.




Entre 1945 e 1950 serão directores o Dr. José Brilhante de Paiva, um professor da Nazaré, depois o Dr. José Melo, dizem que muito cioso dos brasões e pergaminhos da família e a Dra. Lídia Gomes, antiga professora do Caldense que posteriormente fundará o Colégio Nuno Álvares no Bombarral.



É neste período que se atinge o objectivo final, perseguido há vários anos pelos diversos colégios anteriores. No ano lectivo de 1947/48 o Externato Ramalho Ortigão lecciona o 7º ano do Curso dos Liceus (Letras e Ciências) permitindo finalmente que os filhos dos caldenses transitem directamente da sua cidade de origem para a Universidade da sua escolha. Vinte anos tinham passado desde a formação da sociedade de António Augusto Ferreira e Justino Moreira, e os restantes militares, no Colégio Moderno, precisamente com essa intenção.
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Rapidamente o número de alunos cresce e duas mudanças se sucedem em Outubro de 1951: os alunos da primária (e em 1952 os do 1º e 2º ano do Ciclo) ocupam o primeiro andar do prédio que faz esquina entre a Heróis da Grande Guerra e a Rua do Jardim (onde o Dr. Lamy instalará o seu consultório) e os restantes passam para os dois primeiros andares do “prédio do Crespo”, situado no nº 91 da R. Capitão Filipe de Sousa, ali colado à antiga Garagem Caldas. Graças à habilitação conferida pelo seu Curso Comercial é nomeada responsável por este polo destinado aos mais novos a famosa Teodora Costa (vulgo Dª Dora, com um penteado que é uma lenda no ERO).




Continuam alguns dos professores (Dr. Rosa Bruno, Dr.Azevedo, Dra. Lídia Gomes, Dra. Alda Lopes, Maestro Carlos Silva), mas surgem novos nomes: Dr. Manuel Perpétua (Português e História), Escultor Macário Dinis (Desenho), Dra. Irene Trunninger Albuquerque (Línguas várias), Dra. Lúcia (Francês), Padre Teodoro (Religião e Moral), Dr. Umbelino Torres (Latim) e, mais tarde, quatro professoras que também leccionavam na Escola Comercial, a Dra. Alice Freitas (Português e Francês), a Dra. Elvira Bento Monteiro (Grego), a Dra. Deolinda (Histórico-Filosóficas) e a sua sobrinha, a Dr.ª Margarida (Matemática). Na secretaria está a Dº Eulália e os contínuos são o Sr.Madeira e a Sra. Albertina. As aulas de Ginástica eram no pátio, quando a chuva permitia, conduzidas pelo Capitão Hipólito que, curiosamente, dava também aulas de Português, mas essas independentemente das condições climatéricas. Ginástica e Português mostram a grande versatilidade lectiva deste militar.


A directora da transição é a Dra. Alda Lopes (50-52), filha do fundador Dr. Júlio Lopes, que ocupa o cargo no último ano na Miguel Bombarda e no primeiro na Capitão Filipe de Sousa, depois substituída pelo Dr. Manuel Perpétua (52-58) que, com uma gestão polémica, deixou poucos amigos no Colégio, especialmente no grupo de sócios proprietários … Funda um Internato em Porto de Mós em 1958-59 levando consigo um importante grupo de alunos do ERO. O mesmo tinha tentado o Professor Rosa Bruno em 1954 quando, incompatibilizado com o Dr. Perpétua, fundou um outro colégio em S. Martinho. Mas esse sem sucesso.

Os laboratórios, embora já existentes nas anteriores instalações, são ampliados e providos com mais e melhor material, mostrando uma vontade firme de melhorar a qualidade do ensino. A grande carência é sem dúvida um ginásio, embora a Educação Física já não tenha nos anos 50, para a sociedade e o regime, a importância dos anos 30, quando eram exemplo os fascistas e os nazis que glorificavam o corpo e a raça em gigantescas demonstrações atléticas e desportivas.


Não há actividade da Mocidade Portuguesa dentro do Colégio nestes anos, mas muitos alunos se associam voluntariamente às suas actividades desportivas, que tinham lugar Sábado à tarde na Mata, sob a supervisão do Sargento Peixoto (excepto futebol, que não se praticava na MP). Além do desporto a possibilidade de participarem nos acampamentos (uns dias fora de casa…) era também um aliciante.




Neste período realizam-se encontros, sociais e desportivos, com outros estabelecimentos de ensino, nomeadamente os Regentes Agrícolas de Santarém e o I.V.S. São normalmente jogos de Futebol (fotograficamente documentados no Álbum de Recordações) seguidos de lanches ou bailes: “Eu sou um ex-aluno (1957/8/9 ) do IVS - Instituto Vaz Serra de Cernache do Bonjardim (também chamado Instituto de Voos Supersónicos…) e fiz parte da equipe de futebol que anualmente defrontava o Ramalho Ortigão, um ano em Cernache e outro nas Caldas. Num ano, que não posso precisar, a vossa recepção, após o jogo, foi-nos oferecida no Casino das Caldas. Eu fui à chegada pescado para ir almoçar a casa da Teresa Caldeira (o que é feito dela?). Vocês tinham um craque que, salvo erro, já jogava no Caldas e que veio a jogar na Académica.
Passávamos o ano à vossa espera! O nosso colégio também era misto e daí acontecerem cenas giras nos encontros e o esmero nas recepções ser recíproco.”( Acácio Leite, a alcunha no IVS era Yustrich).
Uma dessas cenas giras será relatada oportunamente no Blog.

Ainda não se realizam Bailes e Excursões de Finalistas como virá a acontecer na década de 60 . Há relatos de diversas viagens, mas sempre dentro do país, nunca ultrapassando um ou dois dias. Os bailes e festas são na garagem do edifício, graciosamente cedida pelo proprietário para o efeito. As mais importantes actividades extra-curriculares são talvez as Récitas no Teatro Pinheiro Chagas. Estão no arquivo fotográfico do Blog alguns programas que mostram bem o empenho de professores e alunos nestes eventos que envolvem música, teatro, bailado, poesia… O Dr. Rosa Bruno e o Maestro Carlos Silva surgem como grandes promotores, animadores e até participantes destes espectáculos que envolvem dezenas de pessoas. Não tenho ideia de na década seguinte se realizarem festas desta dimensão no edifício da Diário de Notícias.

A nomeação do Padre António Emílio para substituir o Dr. Manuel Perpétua, no Verão de 1958, prenuncia grandes mudanças que estavam para acontecer.

(continua)

BREVE HISTÓRIA DO EXTERNATO RAMALHO ORTIGÃO 1945-1973 ( 2ºparte)

(continuação)

No dia 19 de Julho de 1959, numa “OPA amigável”, o Patriarcado compra o Ramalho Ortigão. Depois da aquisição o primeiro director será o Padre António Emílio (1958-1963) caldense de nascimento, actualmente residente na Misericórdia da nossa cidade. Será ele que fará a transição do “prédio do Crespo” para um edifício construído finalmente de raiz, no curto espaço de um ano, na R. Diário de Notícias e que é inaugurado pelo Cardeal Patriarca a 4 de Outubro de 1960. Segundo a crónica “Jogos” (João Bonifácio Serra) inicia a sua actividade ainda com grandes lacunas nos pátios dos recreios e nos acessos : “Havia aspectos das novas instalações do Externato Ramalho Ortigão que não estavam concluídos quando foi inaugurado, em 1960/61. Os recreios, por exemplo, não estavam pavimentados. Aqui e ali, amontoavam-se alguns restos dos materiais usados na construção. O terreiro ficava, quando chovia, pouco transitável e os contínuos procuravam evitar que a rapaziada se aventurasse pelas veredas de lama, entre charcos e pedras.” A pequena ladeira final, o parque de estacionamento e os recreios só serão alcatroados, juntamente com o Alberto Reis Pereira, um ano depois:”Foi nos primeiros dias de Outubro, andei a passear pela mão do padre António a ver os homens a trabalhar e nem reparei que fiquei todo sujo. Só quando cheguei a casa e ouvi um sermão da minha Mãe me apercebi que tinha observado perto de mais… fui directo para a banheira e submetido a uma esfrega com azeite e pedra-pomes de que ainda hoje me lembro!”. O “alcatroamento” do Alberto, acidental e indesejado, permite datar exactamente o da ladeira, intencional e necessário, no início de Outubro de 1961.
Chegara antes disso o Sr. Ulisses, contínuo, motorista, segurança, e a mulher, a Dª. Luísa, que vai ser a encarregada do bar/cantina. Conta a filha, a São Caixinha: “É do Sr. Padre António Emílio a fotografia que envio, com os meus pais e comigo. Foi tirada ainda em Lisboa algum tempo antes da nossa mudança para as Caldas da Rainha e para o ERO que, como se depreende, foi proporcionada, e com carinho encorajada, pelo mesmo. Residíamos então nas dependências da Igreja de S. João de Deus onde o meu pai trabalhava, (já empregado do Patriarcado portanto). O edifico do ERO teria ainda que ser construído, e nós acomodámo-nos temporariamente naquela casa que ficava à esquerda na subida e que mais tarde viria a ser conhecida como a casinha do Sr. Padre Renato” .O seu irmão José Caixinha, um polícia reformado chamado Carias e as meninas Alda e Benvinda completam o quadro de auxiliares. Lembro-me também de um jardineiro com cerca de 150 anos, que arrancava uma erva daninha por dia, mas não do seu nome.

Nesse ano lectivo de 1960/61 inicia-se uma nova etapa, num espaço com condições incomparáveis com qualquer dos anteriores. Laboratórios, anfiteatro, ginásio e salas ao nível do que de melhor se fazia nessa altura em termos de ensino privado
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Nos três primeiros anos desta fase (60/61, 61/62 e 63/64) funcionou no Colégio simultaneamente uma Escola de Magistério, exclusivamente frequentado por mulheres. Eram todas originárias do Norte pelo que estudavam em regime de internato, instaladas numa casa perto do ERO, mas de que não descobri a localização exacta.
A Mocidade Portuguesa está activa no Colégio nesta altura mas “ a presença da MP no ERO foi efémera, entre Outubro de 1960 e 1963, notando-se uma clara falta de empenhamento da hierarquia católica e docente do Externato na sua acção”, conforme relatado numa pequena crónica aqui publicada há dias (“A Mocidade Portuguesa No Externato Ramalho Ortigão”, 7 de Janeiro de 2008).
No Verão de 1963 o Padre Albino substitui o director e ocupa esse lugar durante sete anos (1963-1970). Este homem não conhecia as Caldas nem sequer sabia da existência do Colégio até ter sido informado das suas novas funções, em Julho de 1963, enquanto gozava férias em Viena de Áustria. Deixa o cargo de capelão na Casa Pia, onde foi substituído precisamente pelo padre A. Emílio. Trouxe de lá o Dario, o Zé Maria e o Mário, empregando-os no Externato.
“A transição da gestão do Padre António Emílio para o Padre Albino não foi fácil para a minha turma, talvez aquela que tinha criado mais laços afectivos com a liderança feita de camaradagem e proximidade do Padre António. O Padre António frequentava os recreios e participava, quando não era o principal organizador, dos jogos e outras iniciativas colectivas. Era confidente e irmão mais velho. Estava mais tempo junto dos rapazes e raparigas que no seu gabinete. Era das Caldas (de Tornada) e conhecia bem o meio e as famílias de cada um dos alunos.
O Padre Albino veio do exterior, trouxe metodologias totalmente diversas e impôs um estilo de autoridade que se aproximava mais da figura do director que ameaça que do director que persuade. Nenhum de nós compreendeu a substituição (que mais pareceu um castigo para o Padre António) e nenhum de nós se adaptou à distância severa que o Padre Albino representava ” (J B Serra).
A propósito desta relação próxima com os alunos conta a Nami: ”No primeiro intervalo do meu primeiro dia de aulas descobri que havia rebuçados à venda mas eu não tinha levado dinheiro. Bati à porta do director e ele foi comigo pagar-me os rebuçados. A minha Mãe ficou envergonhadíssima quando soube, mas o padre António achou natural”.

O Padre António Emílio terá sido alvo de má-língua e boatos, típicos de uma cidade pequena, mas o motivo principal para o seu afastamento foi a ruinosa situação económica e financeira do estabelecimento, motivada por uma gestão displicente. O prejuízo acumulado pela Escola de Magistério leva ao seu encerramento, sendo também suspensas todas as actividades extra-curriculares, incluindo a Colónia de Férias em Salir do Porto. Um empréstimo de cem mil escudos junto do Banco Pinto de Magalhães em Setembro de 1963 e a subida das propinas permitem regularizar a situação, comprar equipamentos e recrutar novo pessoal docente, entre eles os Drs. Luís e Cândida, efectivamente dos melhores professores que conheci no Colégio. Embora tenha mantido sempre uma má relação pessoal e uma total discordância com a concepção de disciplina e autoridade do Padre Albino, sei que os seus resultados pedagógicos eram os melhores do distrito na sua época, um facto documentado nas pautas de exames do Liceu de Leiria.
Sobre os professores, aulas, ambiente, recreios, excursões, etc, deste período estão já muitos relatos em textos anteriores deste Blog, como por exemplo “ERO” do Z C Faria, “Fotografia Oficial” e “… Shadows” do Flores, as crónicas do João Bonifácio Serra (“Correspondência” e “Jogos”, mais se seguirão), a ”Confusão…” do Miguel B M, “Chacina no ERO” (só para m/18 anos) da Ana Nascimento, “O primeiro Ano do Ciclo”, “A Representação de Natal”, é só irem lendo as crónicas. De notar que nos estão a chegar fotografias e estórias da primeira fase do colégio (“Todo o Mundo e Ninguém - 4 fotos de 1948” e “Alunos e professores em 1948/49”) que começam a alterar o colorido algo (demasiado?) sixties do nosso Blog.
Registe-se a curiosidade de, durante os anos de 62/63 e 63/64, o Externato ter sido também Internato, embora os alunos internos pernoitassem fora do edifício, numa casa alugada na Rua da Fonte do Pinheiro. Curiosamente as casas alugadas eram, para os padrões da época, relativamente longe do Colégio. “Nestes locais as casas grandes tinham rendas mais baratas do que no centro da cidade” disseram os dois internos com quem falei, que explicaram a sua opção “as nossas famílias moravam demasiado longe das Caldas para conseguirmos ir e vir todos os dias. Lembro-me de gente de Peniche, Alcobaça, Pataias… Mas nunca fomos mais de oito ou dez alunos e por isso acabaram com os internos”. Uma outra casa, na Rua dos Artistas, alugou durante alguns anos quartos a alunos e até a funcionários mas era um negócio particular, desligado do ERO. Eu tive colegas de fora, lembro-me do Vítor Gil, Silvestre e Rogério Teotónio, que foram obrigados a alugar quartos particulares nas Caldas na segunda metade da década de sessenta.
Esta questão dos alunos que moravam fora das Caldas sempre preocupou os responsáveis, óbvia e legitimamente interessados em atrair mais inscrições. João Serra: “Fui em 59/60 para a aula do capitão Dario porque o horário do ERO era incompatível com o horário das camionetas que faziam a ligação entre as Caldas e o Carvalhal Benfeito, onde eu residia. Estas chegavam às 9h30 (quando não se atrasavam, o que sucedia frequentemente, sobretudo no Inverno) enquanto as aulas começavam às 8h30. De qualquer modo, eu ainda frequentei o ERO em 1959/60, durante apenas uma semana. As aulas eram no edifício da Rua Heróis da Grande Guerra (um edifício que fora mandado construir por Manuel Lopes, irmão de Júlio Lopes).
Ingressei no ERO em 1960, porque a nova empresa apresentou uma solução para
os potenciais alunos do eixo Santa Catarina, Carvalhal Benfeito: o transporte em carrinha própria. De modo que diariamente uma carrinha Volkswagen, conduzida pelo Sr. Ulisses, fazia o caminho Caldas/Santa Catarina de manhã e à tarde, por um preço equivalente ao do bilhete de camioneta.”

O mesmo Sr. Ulisses iria, anos mais tarde, penso que na mesma Volkswagen, esperar na Estação da CP de Caldas o comboio que chegava do Bombarral, Dagorda e Óbidos. Viajavam nele vários alunos, entre eles os meus colegas Tó Quim, Malinha e Granja, que chegavam frequentemente atrasados à primeira aula da manhã. Aula que começava às oito e meia, e não às nove, ao contrário do que diz a Ana num comentário recente em que se queixava da memória do Bonifácio…
O ERO forneceu neste período um serviço designado “carrinha”, assim chamado embora fosse uma camioneta normal, alugada aos “Capristanos”, que fazia o trajecto Borlão, Estação CP, Rainha, Praça da Fruta, Colégio, no início das aulas, oito e meia e duas e meia, e o trajecto inverso no seu final, à uma e cinco e meia da tarde. A sua frequência não era muito bem vista, era mesmo evitada, pelo pessoal cool… Fui cliente nos primeiros anos, mas como havia essa ideia que era um transporte para meninas e mariquinhas, convenci os meus pais a desistir dessa opção. Bem me arrependi, nalgumas manhãs de Inverno, ao subir a ladeira encharcado e enregelado e vendo os mariquinhas, secos e quentes, serem comodamente transportados para o colégio!
Havia uma colónia de férias em Salir do Porto, lembram-se? “Era exclusiva do ERO, não tendo nada a ver com a Paróquia. Recordo com alguma nitidez e muito agrado a colónia do verão de 1962. Quanto a 1963 admito ter lá estado, mas não tenho recordações específicas. Podem estar ofuscadas pela excelência de 1962, com o Luís Moita, a Drª Clara, a Drª Armanda e a Drª Alda. O barracão devia ser novo em 1962 (se não era novo, em 1963 era mais velho certamente)” (João Miguel A Santos).
No Verão de 1970 sai o Padre Albino e é nomeado director o Padre Francisco dos Santos (1970-1973), mais conhecido por Padre Xico. Vive-se um ambiente de “primavera marcelista” (dentro e fora do Colégio), a fase do autoritarismo autista termina, o novo responsável é um homem tolerante e dialogante e ao ERO tinham entretanto chegado novas professoras que trazem uma lufada de ar fresco: lembro-me, assim de repente, da Inês, Helena, Noémia, Ana V Lino, Júlia, Cármen…
Saíram do Colégio nestes anos os únicos alunos que o frequentaram tempo suficiente (e na altura certa) para conhecer os três directores da era do Patriarcado: recordo, além de mim, Miguel B M, Manuel Nunes, Luísa Nascimento, Alberto Reis Pereira, Hipólitos, Nami, Eurico, Odete Baroso, João Ferreira, São e Isabel Caixinha …não devem ser muito mais.
Dois anos depois da minha saída, em Junho de 1973, o Externato encerra as suas portas como estabelecimento de ensino, no seguimento da abertura, em Outubro de 1972, de um Liceu nas Caldas da Rainha.
JJ


Contribuíram decisivamente para o que acabaram de ler:
Margarida Araújo: Fotografias, pesquisa,boa disposição e muita paciência.
João Bonifácio Serra: Textos, informações, o seu precioso tempo e uma inexplicável
convicção de que eu seria capaz de escrever decentemente esta breve história.



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Esta crónica tem seguramente lacunas e erros, tanto em termos de datas como de pessoas que fizeram a história do ERO, pelo que são desejáveis todas as posteriores contribuições e correcções. Enviem os vossos comentários por email para ex.alunos.ero@gmail.com . Eles poderão ser lidos, num artigo independente colocado acima, designado:
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Ao Zéquinha, com os melhores cumprimentos

Esta vida de assistente de editor está afinal a transformar-se numa actividade profundamente incompreendida, mal remunerada e de risco eminente para a minha periclitante saúde mental.
Eu explico. O Zèquinha produziu em devida altura um artigo eloquente sobre a saudosa Drª Ermelinda, a inesquecível Super das aulas de Filosofia das Sextas-Feiras à tarde,
dando início ao que parecia ser uma colaboração regular que desde logo nos deixou em justificada expectativa.
Os dias e as semanas passaram vagarosamente, o Natal viu renascer o Deus Menino e 2008 entrou pela porta do costume no dia 1 de Janeiro, mas do Zèquinha... népias.
Finalmente no dia 3, uma mensagem ao cuidado do Editor que passo a r
eproduzir:

Eh Malta...só agora é que me dei conta de não ter enviado uma mensagem de Boas Festas e de Bom Ano....imperdoável.
Para que no próximo ano esta fita não se repita.....quero desejar, desde já a todos os Ramalhões e Ramalhonas, Ortigalhos e Ortigonas um excelente Natal em 2008 e um Próspero Ano de 2009
Zeca Pereira da Silva

Quis a ironia do destino que à hora da chegada desta mensagem estivesse reunido no éter o putativo Conselho Editorial, tendo este humilde colaborador acatado de imediato a orientação do seu superior hierárquico para produzir uma reacção compatível com o nível de indignação em que acabáramos de cair.
Transcrevo a seguir a mensagem singela que enderecei ao Zéquinha, cumprindo a missão que me acabara de ser confiada:

Acabo de ser incumbido pelo Administrador do Blogue de proceder à mais veemente crítica pela demissão inqualificável das responsabilidades que te estão acometidas!
Ficamos assim à espera que te retrates e recuperes a imagem imaculada que indiciaste com o artigo da Super!
Bom ano 2010 também para ti!
LFS

Qual não é o meu espanto quando, em lugar da retratação que esperávamos inferir da surpresa de um novo artigo que nos reconduzisse às memórias preclaras do nosso amigo Zèquinha, somos invectivados despudoradamente com a prosa destas linhas:

Acabo de ser zurzido por um tal Luis Filipe Santos que me acusa de demissionário em responsabilidades que não me lembro de ter assumido ou se assumi, melhor fora que não assumisse tal é a vergonha que tenho de convocar a uma já tão fraca memória episódios inenarráveis por bocas minimamente decentes e decorosas.....agora não, mas depois de despachar umas tretas do doutoramento, hei-de vir aqui contar...custe o que custar e ainda que tal mais me aproxime do inferno...a famosa estória duma cafeteira de esmalte, do seu conteúdo e das patifarias que alguns daqueles que hoje se escondem sob nomes que ninguém identifica ou atrás de pesadas cortinas de respeitabilidade, com essa cafeteira e seu conteúdo, conseguiram concretizar.
O JJ é mesmo mauzinho e continua a querer presentear-me com qualidades que nunca descobri...eu que talvez seja desta, pelo que se vê, notável geração o único que faz do socrático preceito uma norma de vida....isto cheira-me a vingança tardia, só ainda não consegui foi descobrir o nome dela....
Com os melhores cumprimentos,
Zeca Pereira da Silva

Não irei comentar a linguagem hermética nem o tom insidioso da respectiva argumentação. O melhor juízo será feito pelos leitores.
Deixo aqui apenas duas perguntas que porventura possam vir a ter resposta do Zèquinha, para esclarecimento de todos e benefício do nosso equilíbrio mental:
Como é que o paciente de “uma já tão fraca memória”, que não se lembra de ter assumido ou se assumiu melhor fora que não tivesse assumido, tem cabeça para andar a “despachar umas tretas do doutoramento”?
Que traumas longíquos terão persistido ao longo de tantos anos para invocar “patifarias que alguns daqueles... conseguiram concretizar”?


E agora por falar em patifarias, estou a dar voltas à cabeça e não consigo lembrar-me de um só momento em que o Zèquinha, quando as houve, lhes não estivesse associado...

LFS

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Comentários:
10 Janeiro,2008
Zequinha disse:
Afinal o tal LFS...por extenso Luis Filipe Santos...desvendou-se no mais recente e-mail...és tu, só podias ser tu, Flores. Só não percebo, agora que deixas cair o indigno "quasianonimato", porque é que te disfarças de Pai Natal no posting de quarta-feira 9...vê lá se tens coragem para pôr uma foto das tuas?!...mas minhas, com montagem e tudo, são logo 3 não vá a malta ter dúvidas sobre quem foi afinal o desgraçado que se esqueceu de enviar a tempo os votos de boas-festas.
Mas deixa estar que a vingança será terrível...e muitas hão-de ser as histórias passadas no teu sótão que aqui hei-de vir contar para tua....e nossa glória.
Por exemplo quem é que hoje acreditaria que passámos 4 dias e 4 noites, a fio e em branco, para fazer as frequências do 6º ano? Com intervalos só para café e uma rápida escapadinha ao pão quente do Teixeira ou do Morgado? Que heróis.....Ah...a propósito, sabes que já anunciei revelar o mistério da cafeteira de esmalte?...isso, vai tremendo
Beijinhos para as Ramalhonas...
Zeca Pereira da Silva
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10 Janeiro,2008
JJ disse:
1-A identidade do LFS só pode ser desconhecida de alguém muito distraído....Várias vezes foi escrito neste Blog que é o Flores.
2-São as fotos do Zequinha que estão no artigo porque são essas que as fãs querem ver, não outras.
3- E mais não digo, porque uma estória que envolve estes dois durante 4 dias e 4 noites num sótão, não tem mesmo nada a ver comigo...
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16 Janeiro, 2008
Miguel B M disse:
"Noites de estudo em casa do Flores"
Eram "famozérrimas" as sessões de estudo no sotão da casa do LFS precisamente do final do 6º ano. Lembro-me de chegar lá às duas da manhã ( depois de umas horas de sono ), ficarmos a estudar até de manhã e irmos directamente para as aulas. Isto apesar da minha mãe ficar a mandar vir disparatadamente - " vais chumbar se continuares nisto !".Uma noite o Vítor Gil encheu completamente um frasco com urina e escondeu-o debaixo de um sofá .Semanas mais tarde o dito recipiente foi encontrado pela mãe do LFS que, intrigada, resolveu averiguar que líquido misterioso era aquele, já que tinha uma tonalidade mto escura. Quando o cheirou, a pobre senhora caiu redonda com a agressividade do odor. Noutra noite ( foram muitas as noites de "estudo") o mesmo Vítor Gil teve súbita cólica e como não havia casa de banho no andar, optou pela tradicional folha de jornal após o que a atirou pela janela, vindo esta mais o seu conteúdo a aterrar em cima do vidro dianteiro de um carro que estava justamente estacionado sob a janela do referido sotão. Como não tivéssemos achado que o vidro tivesse ficado suficientemente sujo o proprietário da embalagem veio cá abaixo e acabou da espalhar o conteúdo sólido sobre toda a superfície do vidro que obviamente ficou completamente opaco.
E "prontos" eram estas as "noites de estudo " em casa do LFS. Não admira que o Gil tivesse lerpado no 6º ano, o que na altura deveria ter entrado para um eventual livro de recordes.
Um abraço M