ALMOÇO / CONVÍVIO

ALMOÇO / CONVÍVIO

Os futuros almoços/encontros realizar-se-ão no primeiro Sábado do mês de Outubro . Esta decisão permitirá a todos conhecerem a data com o máximo de antecedência . .
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DESPERTAR


Vem certamente a propósito esta página do "Despertar". Quem é o autor desta caricatura? Quem se lembra do jornal ? Quem tem outros exemplares?
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COMENTÁRIOS
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São Caixinha disse:
Que agradável surpresa a preciosa folha do Despertar...!!Li tudo com curiosidade e claro que também gostaria de saber quem foi o autor da interessante caricatura! Fico a aguardar! Bjs. São
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Jorge disse:
penso que o Pedro Dias fazia uns desenhos giros,é natural ser dele a caricatura,o irmão vive aí nas caldas,talvez ele saiba.
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DR. AZEVEDO (Laura)

A LAURA CHAMADA AO QUADRO NA AULA DE MATEMÁTICA
E RETRATADA POR UM COLEGA,MÁRIO PATO.


Este professor do ERO, não deve ter deixado nenhum dos seus alunos indiferente às suas aulas.
A Matemática para ele, era como para nós comer um bolo. Basta relembrar que até as soluções dos exercícios ele sabia, antes destes serem resolvidos, o que a mim me deixava perplexa.
Ensinava com clareza e castigava com ligeireza. Bastava o Benfica perder para, à 2ª feira, as aulas serem um suplicio.
Quando de castigo levávamos para T.P.C. 60 exercícios do livro do Palma Fernandes para fazer; se não conseguíamos cumprir, tal como esperado, no dia seguinte o número de exercícios passava para o dobro. Era então no fim de semana que se conseguia remediar o assunto. Quero salientar que o professor não era nenhum carrasco, pois por vezes fazia-se esquecido dos castigos.
Era uma pessoa de personalidade muito forte, mas com uma relação com os seus alunos de excepção.
Se a memória não me falha, ele foi sempre o meu professor de Matemática do 1º ao 7º ano.
Para mim foi um Mestre.
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Laura Morgado
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COMENTÁRIOS
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wicca disse:
Curiosamente ele sabia de cor todos os compêndios, pontos e vírgulas incluídos. Guida Santos
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Laura disse:
O desenho foi feito por um colega que tinha de apelido Pato, mas não me lembro o resto do nome dele.
Há um outro desenho, que nada tem a ver com a Matemática, também feito por ele e assinado, mas não se percebe o resto do nome. Não sei se a Júlia ou a Isabel V. P. sabem.Só sei que ele foi para o I.S.T. porque encontrei-o na Faculdade de Ciências e ele disse-me que estava em Engenharia.
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Isabel VP disse:
Esta é para a Laura. O nosso colega retratista (eu não fazia ideia nenhuma!) chama-se Mário Pato. Encontrei-o — ou melhor, ele é que me encontrou — na Maratona há uns 3 ou 4 anos. Se procurares as fotografias da nossa excursão, ele aparece com frequência. E, se precisares de ajuda para a identificação, cá estou para ta dar. Isabel VP
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Laura disse:
Isabel muito obrigado por me reavivares a minha memória.É isso mesmo, Mário Pato!
Quanto às fotografias essas não me escaparam, identifiquei-o muito bem!!!!Beijinhos. Laura
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Jorge disse:
e não há mais desenhos ou caricaturas do Pato? ninguém tem o contacto dele para lhe perguntar? jorge
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Laura respondeu:
Apesar de não conhecer o Jorge, não quero deixar de lhe responder. Eu tenho mais uma caricatura minha, feita pelo Mário Pato, só que não joga neste contexto em que estamos. É de 1965, foi feita durante uma aula.
Laura

VERSOS E CARICATURA (Dr. Azevedo)

Caricatura de São Caixinha (2008)






Dr Azevedo


Na aula de matemática
Ai Jesus que aflição
Mas que coisa tão apática
De cortar o coração

Quando ele entra lá na sala
Impera o magro terror
Nós só pensamos na ala
Lá pr’ó grande corredor

Quando à segunda-feira
Ele entra furioso
O Benfica fez asneira
E o zero é mais viçoso

Se por acaso ao entrar
Traz na mão sua batinha
Há reumático e o azar
Começa de manhãzinha

Mas apesar destas coisinhas
Preferimo-lo, é fenómeno
Os brônquios andam sãozinhos
Não sabemos polinómios.


Versos de MANUELA CARVALHEIRO (1963)


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COMENTÁRIOS

Manuela Carvalheiro disse:
Caros amigos
Foi uma óptima ideia, lançar um Blog na web sobre o Externato Ramalho Ortigão e os seus antigos alunos. Para alguns de nós, como eu, já passaram muitos anos desde esse tempo na saudosa década de 60. Nem faço contas, por causa das rugas. No entanto é bom ver que alguns de vós ainda se recordam de mim e eu através do Blog recordo-me de todos e dos anos maravilhosos da nossa adolescência e juventude. Um abraço muito especial à Júlia, a minha porta de entrada nesse mundo de recordações e de amizade. Fico sensibilizada ao ver como durante todos estes anos ela guardou os meus versos de pé quebrado, com que eu glosava as pessoas (claro os professores) e as situações. Obrigada Júlia. Agora vou com alguma frequência às Caldas recuperei a quinta de S. José, a dos magustos, e encontro também lá um pouco desse passado que se vive no Blog.
Gostaria de estar convosco. Tem sido difícil no almoço convívio, a data tem colidido com responsabilidades profissionais. Talvez no próximo ano. E aí nas Caldas? Alguns de vós estão por aí. Têm algum local de encontro? Quem sabe se proximamente poderíamos conversar.
Fico à espera e contem comigo sempre
Manuela Carvalheiro

Isabel Vieira Pereira disse:
Desta vez, só quero expressar a minha satisfação pelo aparecimento da Manela Carvalheiro. Agora só falta ela vir a Lisboa com alguma disponibilidade para nos podermos encontrar, como já foi falado.
A não ser que ela vá passar o Natal às Caldas e a gente se veja por lá. Isabel VP

João Jales disse:
A poeta tem momentos de maior e menor hermetismo ao longo das cinco quadras. Não sendo a poesia uma área da minha especialidade (o que neste caso me dá imenso jeito), deixo aos leitores e comentadores a tarefa de decifrar:
- “Nós só pensamos na ala /Lá pr’ó grande corredor” (será que queriam fugir da aula, correndo pelo corredor fora?)
- A quarta quadra, que implica uma relação misteriosa entre a sua batinha e o seu reumático (parece que sofrendo de qualquer afecção reumatismal deveria vestir algo mais protector que uma batinha. Ou trazia-a na mão, e não vestida, porque tinha dores?).
- “Os brônquios andam sãozinhos” também não devia ser verdade num grande fumador como o Dr. Azevedo (mas, se não sabiam polinómios, não “andariam sãzinhas” certamente as caixas cranianas da autora e colegas).

As caricaturas da São Caixinha mostram sempre talento. Acho esta especialmente feliz, como se além da imagem a São tivesse guardado mais recordações do Azevedo. Uma das surpresas desta série! (Já sabem que basta clicar sobre a imagem para a ver em tamanho grande)

Júlia Ribeiro disse:
Joãozinho:
Não sei que castigo te irei dar...vou pensar! Já sei.....Acabaram-se as provas da ginginha!
A dizeres mal dos "maravilhosos" versos da Manela que, com tanto esforço, os ia fazendo nas respectivas aulas e depois no recreio nos proporcionavam umas gargalhadas.....
Estás a pôr-me numa situação perigosa....a Manela ainda me vai excomungar, pois a autora é ela, mas a responsável deles aqui estarem é da Júlia (conheces ?),a minha sorte é que foi com o seu conhecimento....eu não faria isso sem a sua autorização.
Se virem bem,são um resumo do muito que aqui já foi dito em relação ao Dr. Azevedo. A batinha...o Benfica....a má disposição à 2ª feira...o reumático...não vejo como não percebeste!
Com isto tudo não achas que, às vezes, nos apetecia sair porta fora? Lá para o grande corredor....
Em relação à caricatura da São,mais uma vez nos mostra os seus dotes que desconheciamos até ao inicio do Blog. A postura...a careca...os óculos...a pastinha....e a particularidade do ponteiro que não me lembrava mas que logo recompôs algo à sua imagem. Para que serviria ? Alguém consegue descobrir ?
Parabens São!
E agora um apelo à autora de todos os versos de professores entre 1958 e 1965, Manuela Carvalheiro . APARECE, todos aguardamos que digas alguma coisa....Dificuldade em escrever não tens...já sei que é falta de tempo, mas arranja só 5 minutos......Serás bem vinda, até porque muitos colegas te conhecem pelos magustos na tua Quinta, ou será que só te viam no principio e se esqueciam de tudo mais para o fim?! Não me admira nada.......
Um abraço para todos, obrigada Manela.
Júlia R

Isabel Esse disse...
Esplêndida a caricatura da São Caixinha.Na minha opinião a melhor das que aqui apresentou,há não só semelhanças como expressão.Parabéns.
Os versos da década de 60 são uma preciosidade,embora concorde contigo que num ponto ou outro se tenha perdido significado em favor da rima...Mas ninguém liga a isso!

João Ramos Franco disse:
A caricatura pela mão da São Caixinha está mais próxima da realidade do Dr. Azevedo, aquele traço dos lábios muito bem (enigmático qb). Os versos da Manuela Carvalheiro também se aproximam mais da realidade.
Talvez não saibam, mas comportamento dele para com alunos melhorou quando o Dr. Perpétua saiu da direcção. O Dr. Azevedo utilizava também a reguada, talvez com pouca frequência, “mas o receio dela estava sempre presente”. Quando a direcção do ERO passou para o Patriarcado, e como o novo director, Pe. António Emílio, não concordava que o medo de agressão fosse favorável ao ensino numa sala de aulas, os hábitos de bater de nos aluno desapareceram.
João Ramos Franco

São Caixinha disse:
Olá João!Já tinha esta tarde visto que tinhas publicado a caricatura, mas só agora tenho tempo para te escrever! Acho que ficou muito bem a acompanhar os ingénuos e engraçados versos da Manuela que indiscutivelmente deviam ter sido, na altura, grande fonte de divertimento! Bom, ainda me divertem agora...e o teu comentário também!!

Z C Faria disse:
Eu, abaixo assinado, que aqui considerei que com as intervenções pedagógicas do Dr. Azevedo se estava apto a extrair raízes quadradas e também as raízes dos molares, juro e declaro, pela minha honra e saudinha que, se os motivos para tal se deviam a um qualquer (na época, raro) desaire conjuntural do glorioso e pluribus unum Sport Lisboa e Benfica, então era por uma nobre e excelente causa...
José Carlos Faria (por extenso e tudo)

A Nónimo respondeu:
Eu, abaixo não assinado, que aqui considerei que as intervenções pedagógicas do Dr. Azevedo não eram as mais apropriadas, juro e declaro, por minha honra e saudinha, que, se os motivos para tal se deviam ao facto do Z C Faria ser do Benfica, então eram por uma nobre e excelente causa! A Nónimo

Margarida Araujo disse:
Que bem verseja Manuela Carvalheiro e a caricatura da São Caixinha é como sempre formidável. Dava para se editar uns novos Perfis com Professores. Claro que seria trabalhoso para a São, mas talvez se consiga a pouco e pouco.
Espero que por aí na Holanda o este teu trabalho tenha visibilidade. Por aqui também. É que é bom de mais para ficar escondido.
Margarida

Ana Carvalho disse:
São, as tuas caricaturas são fantásticas não te sabia tão grande artista, o que vale é que este blog tem dado a conhecer muitos talentos. Espero que haja mais caricaturas para aparecer aqui no blog. Beijos PP

Manuela Gama Vieira disse:
Parabéns à São pelos seus excelentes desenhos/caricaturas! Ao Dr. Azevedo, nem as rugas da testa escaparam...
À Manuela Carvalheiro, os seus versos talvez sofram das influências das aulas de Português, a preocupação com a métrica e a rima.
Conclusão: Alunos do ERO...uns TALENTOS!!! Manuela G V

Monólogos na aula de Matemática

por sousalaurinda@live.com.pt
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- Quem é que se está a rir?

O professor espreitava por trás do Júlio, de onde tinha vindo um movimento.

-Ah, és tu?

O professor tinha visto o Zé a tentar esconder-se.

- Vem cá meu “lindo”…

O Professor apontava para o Zé com a mão estendida e um sorriso nos lábios, como se fosse para o encorajar a aparecer.

- Sim tu. Não te escondas! Já te vi, chega aqui ao pé de mim.

O Zé não teve outro remédio. Levantou-se e foi até ao estrado. Quando passou perto do professor apanhou um “caldo” no pescoço. Encolheu-se, e apressou o passo para fugir do alcance da mão do professor e evitar outro “caldo”.

- Pega no giz!

Ordem peremptória e proferida em voz alta e firme.

- Agora escreve: cinco xis ao quadrado, mais três xis igual a dois. Hum. Eu disse ao quadrado…

“Carolada” na cabeça do Zé, com o ponteiro!

- É assim que se escreve? Apaga!

O Zé não sabia o que apagar e olhava espantado para o que tinha escrito.

- Não ouviste?

“Carolada”.

- Apaga, disse eu!

A turma, em silêncio inquieto, concentrava-se na cena. O Zé, aflitíssimo, enganava-se a todo o momento. Quando apagou o xis apanhou uma “carolada”, quando apagou o três apanhou outra. Já não sabia o que apagar. Algumas meninas rezavam para que ele acertasse, pondo um fim àquele suplício.

Mas o professor continuava:

-Então não sabes? Nem isto ao menos tu sabes?

O Zé finalmente acabou por ver que não tinha escrito o dois em cima do xis e, a muito medo, levou a mão até lá para finalmente o apagar e pôr em forma de potência. Às vezes quando íamos para emendar apanhávamos com o ponteiro nos dedos… Bom, desta vez, ao menos isso não aconteceu. Mal escreveu o xis ao quadrado e o resto da equação, ouviu-se:

- Está bem!

Acto contínuo, o professor virou-se de costas para o Zé (uma folga para ele, que soltou um pequeno suspirou de alívio) e dirigiu-se à secretária onde se sentou.

-Resolve!

Disse ele, enquanto se sentava cruzando as mãos sobre a barriga, sem olhar para o Zé.

Passados poucos segundos dirigiu-se a nós:

- E vocês também, ou o que é que julgam que estão aqui a fazer?

Olhava-nos ameaçador.

-Se vejo alguém sem estar a escrever vou até lá dar um “caldinho”! Sabem como são os meus “caldinhos”, não sabem?

Sabíamos… uns melhor que outros, mas todos sabíamos. Por acaso, o Zé era o que costumava levar mais “caldos”. As meninas levavam muito menos. O professor continuava com aquele sorriso trocista.

- Pois então façam! Resolvam a equação!

E logo a seguir:

- Que é que estão a olhar para mim? Sou bailarino? Não sou pois não? Sabem o que é que eu sou, não sabem?

A turma em silêncio aguardava a resposta, que viria do próprio professor, como de costume.

- Sou pequenino…

E continuava a sorrir e levantava as sobrancelhas realçando a evidência!

Ninguém tirava os olhos dos cadernos. Mesmo que não soubéssemos que volta havíamos de dar à equação, tínhamos que estar a olhar para baixo. Todos conhecíamos de cor a frase emblemática daquele professor: “homem pequenino, ou velhaco ou bailarino”…

sousalaurinda@live.com.pt
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COMENTÁRIOS
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JJ disse:
Este depoimento foi-me enviado por correio electrónico.
O email é a única assinatura que obtive, pelo que a utilizei no texto, depois de confirmar que existe e responde às mensagens.
O nome do professor não constava no original, que é publicado sem uma só vírgula alterada.
Comentários?
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São Caixinha disse:
(...) fartei-me de rir com todos os depoimentos sobre o Azevedo e a excelente caricatura do Licínio mas, na minha opinião, os Monólogos superaram tudo! Eu não me lembro mas creio que sim...que seriam exactamente assim as aulas com este professor. Que extraordinária personalidade!
Coibi-me de comentar porque, como na realidade nunca nos entendemos muito bem, o que retenho das lições de matemática é mesmo apenas a memória do disparatado medo que me possuía durante aquelas longas e opressivas horas! Neste ponto devo contudo fazer justiça à verdade, e não posso deixar por dizer que eu era má aluna nesta disciplina. Ou melhor...era péssima aluna! Embirrei com os números desde sempre e a tudo a que deram origem, com as elevações a potências, com eu sei lá que equações... aquilo absolutamente tudo e com o professor também! Pois bem, no meu caso particular, os seus intransigentes métodos talvez tivessem alguma justificação!!! Eu era mesmo como se dizia um zero à esquerda...ou é à direita o zero? WHATEVER!
Bjs São
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João Ramos Franco disse:
Não arrisco nomes, devido ao comentário anterior,em que confessei que era "marreta" a Álgebra, mas a cena parece-me passada com o outro personagem de que falei. Pelo menos ele era muito parecido com este...João Ramos Franco
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Ana Luisa disse:
O Professor é o Azevedo, não tenho qualquer dúvida.Quem é a Laurinda,duvido que alguém saiba,já telefonei a colegas mais velhos,ninguém sabe.Mas o Zé e o Júlio,é possível saber os apelidos?
Como relato é muito bom,de um realismo impressionante,até eu torci para ele acertar!AL
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Guida Roberto disse:
Esta abundância de caroladas e caldinhos só pode ser do Dr. Azevedo numa qualquer segunda feira depois de uma derrota do Benfica. Parece que estou a vê-lo na sua batinha branca desabotoada e com aquela careta de dor por causa dos "bicos de papagaio" que o atacavam mais naquelas alturas. Wicca

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João B Martins disse:
Olá caro João Jales.
Não nos conhecemos pois somos de gerações diferentes. Chamo-me João B. Martins. Sigo o blog há tempos e se agora escrevo é por causa do Dr. Azevedo. Este homem foi, para mim, um excelente professor e um bom amigo.
Deve ter sido o professor que mais anos leccionou no ERO. Por coincidência foi, ao longo do curso liceal, o primeiro e o último professor de matemática. Entrei para o Colégio em 1949 e tive-o logo como Prof. de Matemática. Em 1954 vim para Lisboa para fazer o terceiro ciclo no Liceu Passos Manuel mas como chumbei a Físico-químicas e Matemática, em 56/67 voltei às Caldas e ao ERO para as repetir. Foi então que de novo o Dr. Azevedo me voltou a ensinar Matemática. Trabalhamos muito nesse ano mas mereceu a pena. Por exemplo: quer eu quer o Nozes tiramos 17. Para quem tinha tido 5.4 no ano anterior foi bem bom. Como disse, trabalhámos muito. Até em muitos sábados de manhã íamos para o colégio para fazer exercícios. Tivemos aulas práticas de Trigonometria no Parque para onde ele levava um teodolito.
Foi no 2º ciclo professor de Ciências, Geografia e, salvo erro, até de História Universal (pelo menos em parte do 3" ano). Criou as sabatinas que nos ajudavam a consolidar a matéria de empinanço, pois era assim naquela época. Tinha com ele um senão: não havia caldaços mas um par de chapadas apenas a um aluno - dizia-se que a mãe o havia autorizado. Aproveitava-se de todos os pretextos para o fazer.
Em 1957 voltei para Lisboa e os meus regressos às Caldas passaram a ser raros. Só voltei a estar com o Dr. Azevedo 2 vezes: no princípio dos anos 60 no velório de minha avó Maria José e depois na grande reunião de antigos alunos de 1988, a que fui arrastado pelo meu primo Fernando (Figueiredo). Neste encontro apanhei-o junto com o Dr. Luís Rosa Bruno e perguntei a ambos quem eu era. –Olha é o Martins ! Passados tantos anos ainda se lembravam de mim. Curioso.

Um abraço. Até sempre.
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Manuela Gama Vieira disse:
Nunca imaginei que o Prof. em causa, até me custa dizer o nome- não lhe conheci esta faceta- fosse capaz de actos de tortura; deculpem-me, mas o que é descrito tem o nome de TORTURA!Faz-me lembrar outros tempos e situações vividas nesse tempo no Portugal salazarento, de tão má memória!
Fiquei absolutamente chocada e, por solidariedade, não posso deixar de saudar os meus colegas vítimas destes execráveis métodos!
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Óscar Oliveira disse:
Julgo que alguns ainda se lembrarão de outro tipo de "tortura" (a ironia tem a ver com os tempos presentes, onde os professores até podem levar dos alunos, mas ai deles se, nem que seja em legítima defesa, tocarem num cabelo dos meninos) do dr. Azevedo.
Só não me lembro quem era o "mártir" dessa actuação, mas tenho a sensação que era um colega nosso precocemente desaparecido, o Joaquim do Norte (a alternativa que imagino só podia ser o Zé Carlos Faria...).
Então não é que o dr. Azevedo, quando queria aplicar um enxota moscas na cara, para que o aluno em causa não pudesse fugir, tinha o cuidado de, antecipadamente, lhe pisar a ponta do sapato, só o largando quando a mão dele atingia o objectivo?
Julgo que existirão outros colegas a lembrar-se desta particularidade.
Oscar
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João Ramos Franco disse:
Caros colegas se a verdade é para se dizer, existiram na realidade dois professores que ensinavam "torturando-nos": o Dr. Perpétua (na sala de aula pairava o medo) e o Dr. Azevedo, com as atitudes de já falaram.João Ramos Franco
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jorge disse...
o j r franco pergunta se a verdade é para se dizer?que blogue seria este se não fosse?
se o licinio fez uma grande caricatura,está aqui um belo texto.devias ter juntado os dois oh jj. jorge

OH DR AZEVEDO !

por Júlia Ribeiro

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Oh Dr. Azevedo!





Com que saudades o recordo....Tive-o como professor de Matemática do 1º ao 7º ano, de Geografia no 3º e de Desenho em vários anos.

Recordo-o como um grande e bom professor e como pessoa. Estou a vê-lo entrar na sala de aula, com a sua batinha branca pendurada no braço ou já vestida, umas vezes bem disposto, outras nem tanto... e o seu estado de espirito era imediatamente perceptivel.
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Desculpem-me mas não consigo resistir a reviver alguns episódios passados com ele. Nos primeiros anos, como fazia colecção de lápis de propaganda (sim, agora são esferográficas, naquela altura eram lápis), não podiamos levá-los para as aulas que ele logo os surripiava.

Os "caldos" que os desgraçados dos rapazes levavam.....Coitado do João Mário Anjos, muitos levou! Segundo me informou a Drª Alda, como não podia "bater"nos alunos, dizia: "Olha que levas um caldo" e já estava dado...

Tantas estórias do Dr. Azevedo! Fazia-nos patifarias e divertia-se com isso, mas sem nos prejudicar, pelo contrário. Julgo que nos aproximava ainda mais!

No primeiro dia de aulas, no 4º ano, quando pensávamos que iríamos ter uma aula de apresentação, para irmos rápidamente para o recreio, como era habitual, tivemos um ponto de revisão de toda a matéria do 3ºano de Matemática. O resultado, como era de esperar, foi catastrófico: um Doze, quatro Quatros e os restantes tiveram todos Zero. Como foram notas no fim do período? O Dr. Azevedo conhecia-nos e, já nessa altura, nos dava as notas por uma avaliação continua, por isso essas notas iniciais não nos prejudicaram em nada, apenas serviram para percebermos que tínhamos que estudar !

No 5ºano as turmas eram separadas, meninas e meninos. Ao sábado os rapazes tinham Matemática na 1ª hora da manhã no anfiteatro e nós na última hora na sala de aula em frente ás escadas. Neste intervalo, tinhamos Religião e Moral e Canto Coral com o Padre António Emilio. Está-se mesmo a ver que muitas destas aulas eram substituidas por grandes jogos de ringue "ao mata". Ora num desses sábados o Dr. Azevedo resolveu fazer ponto de Matemática aos rapazes. Os pontos não eram avisados mas quando uma turma tinha ponto, a outra, quase de certeza que tinha também. Imaginem-nos então a estudar, talvez a ver o maldito Palma Fernandes, dum lado para o outro no nosso recreio e o Dr. Azevedo a gozar o panorama.... Uma característica do Dr. Azevedo era que escrevia o enunciado dos pontos no quadro e, nesses dias, já estava na sala quando nós entravamos. Nesse preciso sábado, enquanto íamos subindo as escadas, já estávamos a vê-lo na sala. Casualmente, eu era a primeira e olhei para o quadro, pensando vê-lo com polinómios, equações e outras operações. Mas o quadro estava pretinho, sem qualquer amostra de giz. Todas iamos entrando e imaginem as nossas caras! Que estranho! O Dr.Azevedo perguntou com aquele seu ar: "Mas o que se passa? Estão com medo de entrar?" Foi mais uma das suas partidas....Fazia-nos destas, mas eu sempre as interpretei como mais uma "brincadeira à Dr. Azevedo"...

Estas foram algumas das muitas "maldades" que nunca esqueci, mas perdoo-lhas todas, pelo prazer de o ter tido como professor durante os 7 anos que frequentei o ERO. Com certeza o Dr. Azevedo não podia deixar de ter também uns versos feitos pela nossa poetisa da turma, a Manuela Carvalh
Dr.Azevedo, muito obrigado por tudo o que me ensinou. Fui para um curso de Ciências e a si lhe devo muito do que sou.


Júlia R
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COMENTÁRIOS
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João Ramos Franco disse:
Sei que tive um professor a Desenho Geométrico que era muito exigente na limpeza e manutenção do equipamento do estojo de Desenho. Não te recordas se seria o Dr. Azevedo? Um abraço. JRF
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João Jales disse:
Não posso responder ao João R F porque não tive o Dr. Azevedo como prof de desenho. Mas o dr. Lopes também era muito exigente com a manutenção do material, suponho que fizesse parte da função impedir que o desleixo natural dos adolescentes degradasse os transferidores,compassos e tira-linhas.
Quanto ao texto parece que a Júlia vai tirando memórias da "cartola" cada vez com mais facilidade e as vai partilhando com um também crescente à vontade. Esta série vai ficar a dever-lhe muito, tanto em colaborações como em entusiasmo e empenho.
A recordação da Júlia é muito cor-de-rosa, nem todas as "maldades" do Dr. Azevedo (como ela diz) teriam o tom recreativo em que são aqui descritas. Virá a propósito reler um texto anterior em que isso é referido :
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Luis António disse:
Revejo melhor o Dr. Azevedo no depoimento da Júlia do que na descrição daquelas aulas de Matemática em que os alunos resolviam problemas do Palma Fernandes enquanto o professor se embrenhava num mapa da Rússia...só faltava ouvir os passarinhos lá fora!Não estará o João Licinio a fazer confusão,não seriam essas pacíficas aulas em Faro ou Setúbal?
A Júlia,que não conheço,tem sido uma das tuas melhores colaboradoras,já realcei na altura o belo escrito sobre a Praça da Fruta.Parabéns.
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Manuela Gama Vieira disse:
Resta dizer, relativamente ao Dr.Azevedo, que foi meu explicador e guardo dele as melhores recordações, nunca lhe conhecemos, eu e meus irmãos, a faceta dos "caldos".
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